O Globo
A guinada no discurso público de Jair
Bolsonaro sobre o preço dos combustíveis mostra a dificuldade, até aqui, de o
presidente conseguir equacionar este que é claramente o assunto que mais lhe
tira o sono hoje, pelo potencial de estrago eleitoral que tem.
Nos últimos dias, as conversas
interministeriais, com o mercado e com a direção da Petrobras tinham sobre a
mesa algumas alternativas, todas heterodoxas e fora do receituário liberal
clássico, para conter a alta da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.
Enquanto isso, esses preços vinham sendo represados sem anúncio formal, desde janeiro no caso dos combustíveis, há 152 dias no do gás. Até que a Petrobras acabou abrindo as comportas, e as reações a uma alta significativa dos três itens foram de espanto e corre-corre em busca, de novo, de uma solução pretensamente simples para um problema cada vez mais complexo, em virtude da imprevisibilidade da guerra na Ucrânia.