Folha de S. Paulo
Esquema de lavagem de dinheiro vai de loja de
chocolates a casa de apostas
O 'amigão' Willer Tomaz usou a mãe como laranja e dividiu conta bancária com filho 01
O caso das rachadinhas —movimentações
atípicas de R$ 1,2 milhão na conta do assessor Queiroz— veio a público no fim
de 2018, logo após a eleição de Bolsonaro. De lá para cá, é notável a evolução
de investigações envolvendo o filho 01. Um enorme telhado de vidro, o qual, no
entanto, se mostra inquebrantável aos olhos de seus eleitores.
Entre os 12 candidatos à Presidência, é o único que se beneficiou do esquema Vorcaro —pediu na caradura R$ 134 milhões ao banqueiro picareta. No rol de denúncias e suspeitas estão a compra da mansão de R$ 6 milhões, além de outras transações imobiliárias em dinheiro vivo, e a loja de chocolates utilizada para lavar R$ 1,6 milhão. Sua lavanderia, digo, seu escritório de advocacia, emitiu R$ 13,7 milhões em notas fiscais sem detalhar os serviços. A sede da banca do senador é sua casa. É administrada à distância por uma funcionária que mora na periferia de Brasília.
Surge agora uma descoberta que é uma
condenação moral. A Polícia Federal solicitou ao STF abertura de inquérito
para investigar se Flávio
Bolsonaro é sócio oculto
da BestBet, jogatina online licenciada no governo de Cláudio Castro.
A investigação contra lavagem de dinheiro tem
como principal alvo o advogado Willer Tomaz, sócio ostensivo da BestBet, amigo
íntimo do filho 01 e maior apostador do país. Em 2025, ele apostou R$ 5 bilhões
e sacou quase R$ 200 milhões. A PF suspeita que se trate de uma simulação, não
de apostas reais. Willer também é investigado por fraudes relacionadas ao INSS.
Os vínculos entre Flávio Bolsonaro e Willer
Tomáz —que usava a mãe como laranja e tinha um bunker com máquina de contar
dinheiro— passam pela broderagem com Vorcaro, conta bancária conjunta, festas,
viagens de jatinho, apartamento usado na campanha eleitoral e a batalha
judicial com o jogador Richarlison por uma ilha em Angra dos Reis. Máfia perde.
Jair Bolsonaro fez de tudo para barrar
investigações sobre o filho. Eleito presidente, o 01 escapa de atos estranhos
ao exercício da função. Não poderá ter o destino do pai.
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