terça-feira, 3 de junho de 2025

Opinião do dia - Manuel Castells*

"Em tempos de incertezas costuma-se citar Gramsci quando não se sabe o que dizer. Em particular, sua célebre assertiva de que a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. O que pressupõe a necessidade de uma nova ordem depois da crise. Mas não se contempla a hipótese do caos. Aposta-se no surgimento dessa nova ordem de uma nova política que substitua a obsoleta democracia liberal que, manifestamente, está caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir no único lugar em que pode perdurar: a mente dos cidadãos.

A crise dessa velha ordem política está adotando múltiplas formas. A subversão das instituições democráticas por caudilhos narcisistas que se apossam das molas do poder a partir da repugnância das pessoas com a podridão institucional e a injustiça social: a manipulação midiática das esperanças frustradas por encantadores de serpentes; a renovação aparente e transitória da representação política através da cooptação dos projetos de mudanças; a consolidação de máfias no poder e de teocracias fundamentalistas, aproveitando as estratégias geopolíticas dos poderes mundiais; a pura e simples volta à brutalidade irrestrita do Estado em boa parte do mundo, da Russia à China, da África neocolonial aos neofascismos do Leste Europeu e às marés ditatoriais na América Latina.

E, enfim, o entrincheiramento no cinismo político, disfarçado de possibilismo realista dos restos da política partidária como forma de representação. Uma lenta agonia daquilo que foi essa ordem política."  

*Manuel Castells. "Ruptura – A crise da democracia liberal", p.144. Editora Zahar. Rio de Janeiro, 2017.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit das estatais reflete incúria fiscal do governo Lula

O Globo

Rombo no primeiro quadrimestre atinge maior valor da série histórica. É urgente retomar privatizações

O déficit acumulado pelas estatais federais nos quatro primeiros meses deste ano bateu recorde: escalou a R$ 2,73 bilhões, maior nível da série histórica, de acordo com o Banco Central. No mesmo período de 2024, elas registraram perdas de R$ 1,6 bilhão — e o rombo cresceu até fechar o ano em R$ 6,73 bilhões. Reverteu-se, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, a tendência a maior controle nessas contas que vinha se consolidando desde a gestão Michel Temer.

Os governos Temer e Jair Bolsonaro promoveram saneamento nas estatais federais dependentes do Tesouro (as que entram no Orçamento da União, e não as submetidas a regras de mercado, como Petrobras). Mas a situação voltou a se deteriorar no governo Lula. Talvez o maior símbolo da incúria sejam os Correios, cujos prejuízos somaram R$ 1,72 bilhão no primeiro trimestre do ano, mais que o dobro das perdas entre janeiro e março de 2024 — pior resultado para o primeiro trimestre desde 2017. As contas têm fechado no vermelho desde 2022. E o quadro contábil pode ser ainda mais crítico. A área técnica do Tribunal de Contas da União diz que a estatal burlou normas técnicas para declarar perdas menores em 2023 (o relatório, preliminar, precisará passar pelo plenário da Corte).

Lula reafirma desejo de reeleição e teme vitória da oposição no Senado – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Lula falou por quase uma hora, reafirmou seu projeto de reeleição e defendeu a união entre os dois partidos de esquerda em 2026

“Se eu estiver bonitão do jeito que estou, apaixonado do jeito que estou e motivado do jeito que estou, a extrema-direita não volta a governar este país”, anunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, domingo, no congresso nacional do PSB, ao lado do prefeito do Recife, João Campos, que tomou posse no comando da legenda. Lula falou por quase uma hora, reafirmou seu projeto de reeleição e defendeu a união entre os dois partidos de esquerda em 2026.

Para bom entendedor, ao comparecer ao congresso do PSB, Lula sepultou as expectativas dos aliados de centro-esquerda de que pode renunciar ao vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa da reeleição. Nos bastidores da base governista, aliados do MDB defendem a indicação do governador do Pará, Helder Barbalho, para o lugar do ex-governador paulista. Mesmo antes da posse de João Campos no comando da legenda, a cúpula do PSB já havia manifestado a posição de que deseja a manutenção de Alckmin na vice.

Era armamentista – Merval Pereira

O Globo

Há convergência de pensamento e objetivos com Trump que isola a esquerda, mesmo a não radical

Já foi ultrapassada a era de desarmamento que prenunciava um mundo menos antagonizado. A invasão da Ucrânia pela Rússia iniciada em 2022 — combinada à volta de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos, obstinado em não investir na Otan como sistema de proteção do Ocidente — fez com que os países europeus, que se sentiam protegidos pelo tratado nascido na Segunda Guerra Mundial para prevenir ataques desse tipo, retornassem à política armamentista de autodefesa que se expande pelo mundo. A Otan foi peça fundamental para que a Guerra Fria entre União Soviética e Estados Unidos não esquentasse.

A nova escalada da guerra com o ataque surpresa da Ucrânia devastando boa parte da Força Aérea russa e a previsível retaliação só fazem aumentar a insegurança. Essa é uma doença que se espalha com facilidade, baseada no receio bem fundamentado de que um país como a Rússia possa repetir a Alemanha de Hitler e invadir seus vizinhos, transformados em zonas de influência, com a anuência de um líder autocrata como Trump, que “entende” a importância da força militar na geopolítica internacional e aceita um mundo não mais dividido entre Ocidente e Oriente, mas em três áreas dominadas por Estados Unidos, China e Rússia.

Batalha do IOF expõe crise do federalismo - Luiz Schymura*

Valor Econômico

Ao tentar blindar seu programa de governo dos cortes necessários para o cumprimento do arcabouço fiscal, Lula se vê forçado a buscar mais recursos para não comprometer as políticas públicas, mas as opções que parecem disponíveis encontram forte resistência

O recente decreto do presidente Lula sobre IOF deflagrou um grande embate entre os poderes Executivo e Legislativo. Enquanto o governo federal aponta a elevação do IOF como a alternativa possível para viabilizar o arcabouço fiscal, a Câmara dos Deputados dá sinais de que não aceita o uso do dispositivo regulatório IOF como meio arrecadatório. Frente ao impasse, o presidente da Câmara, Hugo Motta, endurece o jogo e sinaliza com a derrubada do decreto presidencial caso o Executivo não apresente uma proposta que seja passável na Casa Legislativa. Assim, o aumento do IOF, decretado por Lula para fechar as contas públicas, virou o estopim de uma guerra silenciosa entre o governo e o Congresso - e expõe uma crise ainda maior: o esgotamento do modelo de financiamento da União.

Sob o comando das big techs - Luiz Gonzaga Belluzzo*

Valor Econômico

Governo Trump levou ao paroxismo os impulsos desses poderosos oligarcas que ambicionam o controle privado do Estado americano

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, revelou o propósito do governo Donald Trump de sancionar autoridades estrangeiras que afetem a “liberdade de expressão” conduzida pelas big techs. A instantaneidade que impera em nossos tempos desatou, rapidamente, na mídia e nas redes sociais, recriminações agressivas endereçadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Devo acentuar a palavra instantaneidade. Ela significa os modos linguísticos que se apresentam na sociabilidade das redes sociais. Sociabilidade construída no interior das plataformas. Assim funcionam as comunicações e as opiniões que circulam no Facebook, Instagram, WhatsApp e X (outrora Twitter).

O economista Yanis Varoufakis arrisca seus neurônios para definir as transformações que levaram as economias de mercado a desaguarem no regime tecnofeudal. Suas peripécias conceituais apontam a substituição dos mercados por plataformas de negociação digital. Elas parecem, mas não são, mercados. Essas plataformas são semelhantes aos feudos. Assim, argumenta Varoufakis, o lucro, motor do capitalismo, foi substituído por seu predecessor feudal: a renda. Especificamente, é uma forma de aluguel que deve ser paga pelo acesso a essas plataformas e à nuvem de forma mais ampla.

IA generativa pode afetar 31,3 milhões de empregos no Brasil - Lucianne Carneiro

Valor Econômico

Para especialistas, é mais provável um cenário de mudança do trabalho que de perda de vagas

A inteligência artificial generativa tem potencial de afetar 31,3 milhões de trabalhadores no Brasil, em maior ou menor grau, aponta um estudo da LCA 4Intelligence que adapta metodologia usada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para tratar do tema. Desses, um contingente de 5,5 milhões enfrenta o maior risco.

Em termos proporcionais, o trabalho mostra que a parcela do pessoal ocupado exposto de alguma forma à IA generativa era de 30,6% no primeiro trimestre de 2025, acima dos 26,8% no primeiro trimestre de 2012 e dos 23,8% da média mundial observada no estudo da OIT. O grupo dos que podem ser mais afetados representa 5,4% dos trabalhadores ocupados no Brasil e 3,3% no mundo como um todo.

Para OCDE, o Brasil está crescendo menos do que poderia - Assis Moreira

Valor Econômico

Entidade mantem projeção de desaceleração no Brasil e considera que incerteza fiscal não ajuda o país

O Brasil está crescendo menos do que poderia crescer, e a incerteza sobre o panorama fiscal não ajuda. A avaliação é de Jens Arnold, economista responsável na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico (OCDE) pelo acompanhamento da economia brasileira.

A OCDE publica hoje novo relatório sobre as Perspectivas para a Economia Mundial, no qual mantem a projeção de que o crescimento no Brasil vai desacelerar de 3,4% no ano passado para 2,1% neste ano e 1,6% em 2026. A moderação é amplamente resultado de baixa na demanda doméstica. O consumo das políticas é esperado desacelerar em decorrência do aumento da inflação e da menor confiança do consumidor.

Mas este país consegue crescer? - Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A ressalva mais correta ao desempenho do PIB no primeiro trimestre talvez seja a de que, até o fim do ano, não se repetirá

Tempos estranhos estes. Tudo vai mal mesmo quando vai bem. Algumas coisas vão mesmo muito mal, e é preciso apontá-las, como fez este jornal com coragem no editorial. É isto o Senado? (29/5/2025), ao classificar “o espetáculo ultrajante” a que a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi submetida numa comissão da Casa como “um dos momentos mais abjetos da história do Senado”. A sociedade não pode acostumar-se a agressões como as que foram cometidas contra uma ambientalista, mulher e negra, especialmente quando praticadas por membros do Congresso, que em tese são representantes do povo. Mas talvez não devesse, igualmente, conviver coma ideia de que nada melhora, ou de que, quando melhora, não compensa o que piorou.

Xi, Trump e Musk, quem dá mais? - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sem ‘especialista em internet’, avançam as conversas com a China sobre Defesa e Segurança

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, matou no peito e livrou o presidente Lula de uma de suas muitas dores de cabeça, ao negar no Congresso que o governo esteja “importando” um especialista em internet da China, como o próprio Lula havia anunciado. A questão, porém, vai além. Há intensas discussões entre os ministérios e negociações entre o Brasil e a China para a adaptação nacional de sistemas chineses de defesa externa e de segurança interna.

Além da gravidade e da urgência do combate ao crime organizado, às milícias e à violência que atormenta o País e as famílias brasileiras, há também a questão política e econômica: o Brasil não pode ficar refém de antenas e satélites exclusivamente da Starlink, de Elon Musk, na Amazônia.

Motta em busca de alguma identidade - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Hugo Motta está em busca de alguma identidade para sua presidência da Câmara; que hoje tem por existência a paralisia, senão para legislar em causa própria. Quer mudar essa imagem. Farejou na questão fiscal uma oportunidade, como se o Congresso não fosse sócio na constituição deste Orçamento safado.

Disse que não haveria rubrica tabu e que toda despesa estaria suscetível à faca fiscalista, como se cortar gastos não significasse cortar obrigatoriamente emendas parlamentares – e como se sua eleição para comandar a Câmara não contivesse mandato para proteger esse quinhão.

Disse que o corte “estruturante” das despesas teria de ser para já, com efeito ainda em 2025, como se a proximidade das eleições – agenda de reeleição que será também do Parlamento – não impusesse outra ordem de prioridades. Outra ordem de prioridades, num exemplo: energia elétrica gratuita para mais de 60 milhões de pessoas.

Vale do Silício, o filme - Pedro Doria

O Globo

A premissa da obra do diretor e roteirista Jesse Armstrong, responsável pela série 'Succession', parece absurda, mas não é

A HBO aprovou “Mountainhead” , filme que estreou sábado no serviço de streaming Max, em dezembro. Jesse Armstrong, diretor e roteirista responsável pela série “Succession”, teve quatro meses para escrever o roteiro, conseguir os atores, filmar, editar e botar no ar. Quando a ideia lhe ocorreu, Donald Trump já estava eleito presidente americano; Mark Zuckerberg (CEO da Meta) já havia dado sua entrevista sobre a “falta que faz energia masculina” e anunciado o fim da moderação; e Elon Musk estava confirmado como parte do governo. Em “Succession”, Armstrong apresentou sua versão da família Murdoch, capitaneando um dos maiores impérios de comunicação do mundo. “Mountainhead” é só um filme, não uma série inteira em múltiplas temporadas. A intenção é dissecar do mesmo jeito os tech bros. Os bilionários do Vale do Silício. E, de certa forma, ele consegue.

O Cidadania, inteligência artificial (IA), Janja e as redes sociais - Comte Bittencourt*

Correio Braziliense

A regulação do uso da inteligência artificial (IA) no Brasil deve ser feita com seriedade, com participação plural, sem dogmas ideológicos e sempre em defesa da democracia

Em 2025, o partido Cidadania deu um passo ousado e simbólico: tornou-se o primeiro partido político brasileiro a utilizar recursos de inteligência artificial (IA) na produção de uma propaganda partidária exibida no horário gratuito de rádio e televisão. A repercussão foi imediata. De um lado, aplausos; de outro, críticas severas. Mas o que se pretendeu, acima de tudo, foi provocar um debate necessário: o Brasil precisa discutir urgentemente a regulação do uso da IA e das redes sociais na política e na vida pública.

É fundamental deixar claro — e o Cidadania faz questão de enfatizar — que o que se defende aqui é regulação, e não censura. Há uma diferença profunda entre essas duas ideias. Regulação é estabelecer limites, regras claras e democráticas que organizem o uso de tecnologias de grande impacto na sociedade. Censura, por sua vez, é a tentativa de suprimir opiniões, calar vozes, restringir liberdades. E contra isso, o Cidadania sempre se posicionou de forma firme, desde a sua origem.

Israel e Gaza: existe esperança? - Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Só uma liderança comprometida com valores básicos de humanidade pode deter a escalada

Há muito oportunismo político no uso da acusação de antissemitismo para qualquer crítica aos ataques de Israel em Gaza. Bombardeios indiscriminados, cerco total, restrição à ajuda humanitária, mortes que se aproximam —se é que já não passaram— das 100 mil. Não há antissemitismo nenhum em denunciar tudo isso e cobrar um cessar-fogo imediato.

O oportunismo da acusação só é possível, contudo, porque o problema social que ele busca explorar para fins políticos existe. O antissemitismo é real e está em crescimento pelo mundo, como mostra o ataque terrorista em Boulder, Colorado, contra uma marcha que pedia a libertação dos reféns do Hamas. Sinagogas ameaçadas, estudantes judeus acuados em universidades americanas, defesas explícitas do Hamas. Não faltam exemplos.

Princípios importam - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Bolsonaro, Trump e Musk só defendem a liberdade de expressão enquanto ela os favorece, mas isso não é motivo para relativizar liberalismo

Gosto do que Celso Rocha de Barros escreve, mas não gostei de sua coluna de sábado (31), em que ele diz ou pelo menos sugere que, no embate com a direita radical, não precisamos ser ciosos de princípios como a liberdade de expressão.

Comecemos pelo ponto em que eu concordo com Celso. A defesa que Bolsonaros, Trump ou Musk fazem da liberdade de expressão pode ser qualificada como insofismavelmente falsa. Eles não estão nem um pouco interessados na manutenção da ordem liberal. E só ver como agem.

Bolsonaro passou décadas defendendo a ditadura militar para o Brasil e, quando chegou ao poder, tentou instalar uma. Trump usa toda a força da Presidência dos EUA para calar críticos.

Tarcísio lunático, Bolsonaro místico e Lula retranqueiro - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Com direita dividida e esquerda encalhada, cenário para 2026 continua imprevisível

Na receita publicitária, Tarcísio de Freitas é um político de perfil técnico e um bolsonarista moderado. Conhece as regras de etiqueta à mesa e maneja como ninguém o martelo de Thor da privatização. No entanto, sua declaração ao STF como testemunha no caso da trama golpista revela que a perspicácia não é seu forte. Ou que ele andava no mundo da lua em 2022.

Ao defender Bolsonaro, Tarcísio disse que o ex-presidente "respeitou o resultado da eleição" e que a posse de Lula "aconteceu em plena normalidade e respeito à democracia", duas distorções da realidade que desmoralizam o currículo de um ex-militar modelo.

O quinteto rebelado - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Cinco partidos na base presidencial formam o núcleo da aliança para se contrapor ao presidente em 2026

Cinco partidos com assento no primeiro escalão da equipe presidencial formam o núcleo de uma grande aliança que se movimenta para enfrentar as pretensões do presidente em 2026, sejam elas de se reeleger ou de levar à cadeira principal do Planalto alguém em seu lugar.

O quinteto ora em via de ensaio à rebelião é formado por PPMDBUnião BrasilPSD e Republicanos. São titulares de 11 ministérios, do comando da Caixa Econômica e ocupam outros tantos cargos espalhados pela administração federal.

Dois deles (União e PP) já se uniram numa federação de 109 deputados, 14 senadores, seis governadores, 1.330 prefeitos e R$ 954 milhões de fundo partidário no caixa. Outros dois, MDB e Republicanos, discutem uma junção semelhante, e um terceiro, o PSD, nutre simpatia pela parceria.

Poesia | Colóquio das estátuas, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Chico Buarque canta Cálice com Gilberto

 

segunda-feira, 2 de junho de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo tem dever de impor a lei às redes sociais

O Globo

Artigo do Marco Civil que as exime de qualquer responsabilidade é flagrantemente inconstitucional

É notório que as plataformas digitais têm dado abrigo a toda sorte de aberração. Têm sido frequentes casos de crianças e adolescentes incentivados a participar de “desafios” letais; estímulos à automutilação e suicídio; articulação para violência em escolas ou contra moradores de rua; apologia a maus-tratos de animais; leniência com discursos de ódio e preconceito, celebração de ataques à democracia e às instituições. Não é possível ficar apenas assistindo a esse descalabro. Nesta semana, mais uma vez o Supremo Tribunal Federal (STF) terá oportunidade de pôr alguma ordem nessa terra sem lei. Na próxima quarta-feira, a Corte deverá retomar o julgamento de processos que discutem a responsabilidade civil das plataformas digitais.

STF superestima Eduardo Bolsonaro – Fernando Gabeira

O Globo

É muito difícil a relação com um governo instável como o de Trump, mas esse desafio amadureceu as reações de México e Canadá

Os Estados Unidos anunciaram sua política de restrição de vistos para autoridades estrangeiras que reprimem a livre expressão de americanos, quando estão fisicamente dentro do país. Isso aconteceu quando eu havia terminado um artigo, afirmando que era preciso tirar Eduardo Bolsonaro do caminho para entender o que se passa.

Não queria me indispor com os dois polos, apenas alargar um pouco o espectro da discussão. Creio que, ao processar Eduardo Bolsonaro, o Supremo deu a ele mais importância do que tem, atribuindo-lhe o poder de coagir os ministros. Esse movimento acaba encobrindo alguns fatos importantes. O primeiro é que o Departamento de Estado tem um setor que estuda e discute a América Latina, apesar da estreiteza de Donald Trump.

O pós-Janja nas especulações para 2026 - Miguel de Almeida

O Globo

Com as datas ainda em aberto, os peões já se movimentam no tabuleiro

Depois da convocação feita pelo ex-ministro José Dirceu por uma revolução social — a ser empreendida pelo PT! —, mais o aconselhamento buscado por Janja da Silva junto a Xi Jinping para banir a extrema direita do TikTok, começaram de imediato a ser discutidas as possibilidades políticas e humorísticas do pós-Lula. Com as datas ainda em aberto, os peões já se movimentam no tabuleiro. Daí que se fala também num hipotético cenário pós-Janja.

Antes dos nomes, as especulações ocorrem em torno dos temas de campanha, as tais propostas nunca cumpridas em caso de vitória, e das cláusulas consideradas pétreas na administração — no caso, a ocupação desesperada de cargos por militantes sem currículo ou expertise.

À boca grande já se avalia ser o caso de repetir o módulo instagramável de ministério que subiu a rampa em 2023. Com vagas ocupadas por identidades, e não por qualidades. Haja vista o deficitário resultado, discute-se a razão de por que a coisa deu ruim. Há divergências. Nos bastidores, os adversários cantam uma trova existencial: a identidade estragou a qualidade ou a qualidade estragou a identidade? Num ato de fé e penitência, buscam rememorar as performances de Anielle Franco e Daniela do Waguinho, espécies de anátemas do Lula 3. Para ganhar um caráter doutrinário, carecem ainda de resolução a ser votada no próximo congresso do partido. O identitarismo indígena, no modelo turístico adotado por Sonia Guajajara, sob a chave do pensamento mágico de produtividade, deve experienciar vivências e troca de energias em água corrente.

Junto às teses a merecer foco pelo partido, está a desconfiança das ministras Simone Tebet e Marina Silva vis-à-vis as emolduradas como cotistas. Há significativa distância de produtividade e empenho administrativo. Só nestes dias, com pontos ganhos na avaliação de eficiência, percebe-se como Tebet não tem digitais na barafunda (mais uma) da dupla Haddad/Durigan, e Marina já diminuiu desmatamento e queimadas na Amazônia. E ainda deu sova nos senadores com nome de dupla caipira — Plínio Valério e Marcos Rogério.

O futuro do trabalho para jovens - Ricardo Henriques

O Globo

O principal mantra da educação moderna é desenvolver a capacidade de aprender a aprender

A edição deste ano do relatório “O Futuro dos Empregos” estimou que 22% das ocupações seriam impactadas até 2030 por tecnologias e mudanças demográficas, climáticas, econômicas e geopolíticas. A pesquisa mostrou ainda que 40% das competências exigidas devem mudar e que 63% dos empregadores citam a lacuna dessas habilidades como o principal problema que enfrentarão. Mudanças no mundo do trabalho são comuns, mas hoje vivenciamos um período de transformações aceleradas, que afetarão em especial os jovens.

Reflexos disso foram identificados em outra pesquisa (The State of the Global Teenager Career Preparation), divulgada há duas semanas pela OCDE. Com base no Pisa (exame internacional com jovens de 15 anos), o estudo revelou que, de 2000 a 2023, a incerteza dos estudantes sobre as carreiras que pretendem seguir mais que dobrou, chegando a 39% na média da OCDE. Jovens de maior vulnerabilidade socioeconômica, justamente os que mais necessitariam de orientação profissional, são os que menos relatam receber apoio.

A solidão de Haddad e o silêncio sobre Marina - Bruno Carazza

Valor Econômico

Análise de dados da agenda pública dos ministros da Fazenda e do Meio Ambiente revela pouca atenção de Lula para essas áreas centrais de seu governo

Quem deu a senha para que eu corresse atrás dos dados que fundamentam esta coluna foi Thomas Traumann. Jornalista dos mais completos, ele é o cara a ser ouvido quando se trata de embates entre a equipe econômica e a classe política. Além de ter escrito o livro “O Pior Emprego do Mundo”, em que relata as agruras de todos os ministros da Fazenda vivos à época da publicação, Traumann também chefiou a Comunicação do governo Dilma. Ou seja, conhece tudo da psicologia de quem conduz a economia nacional e das disputas por poder na cozinha do petismo.

Em texto publicado na sua newsletter, Traumann relata o passo a passo que levou à edição do decreto que aumentou o IOF e precipitou o governo Lula em uma nova crise de natureza política e fiscal. Logo na introdução, uma informação chamou minha atenção: o primeiro encontro privado entre Haddad e Lula havia sido às vésperas da publicação da norma.

BC coloca a comunicação como pilar central na sua estratégia - Alex Ribeiro

Valor Econômico

Galípolo elegeu o aperfeiçoamento da comunicação como uma das prioridades de seu mandato

Agora que o Banco Central faz a calibragem final da taxa de juros, a comunicação passa a assumir um papel fundamental para garantir que o aperto monetário se prolongue pelo tempo necessário para cumprir a meta de inflação.

Desde que assumiu o cargo, em janeiro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, elegeu o aperfeiçoamento da comunicação como uma das prioridades de seu mandato. No caso da política monetária, isso envolve, de um lado, a comunicação com os especialistas, que é essencial para que os juros façam efeito com menos custo, e, de outro lado, a comunicação com a sociedade, para manter o apoio à autonomia do BC num período em que os juros altos fazem o trabalho de esfriar a economia para baixar a inflação até a meta.

Os pronunciamentos recentes dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) têm não apenas comunicado o caminho mais provável para a taxa de juros no futuro, mas também feito digressões e discussões sobre qual é a melhor forma de os banqueiros centrais se comunicarem, em especial num período de grande incerteza, como o atual.

A culpabilidade de Haddad – Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Na crise do IOF, o ministro da Fazenda é um saco de pancadas útil para o presidente Lula

Você sabe que a situação está feia para um ministro da Fazenda quando até as peças publicitárias de empresas privadas ajudam a espalhar a notícia de suas políticas impopulares. Os painéis digitais das avenidas de São Paulo e as redes sociais de bancos e fintechs estão cheios de anúncios prometendo soluções criativas para minimizar o impacto do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“Mudou o IOF?”, ironiza uma das propagandas, que promete manter a taxa antiga, de 1,1%, sobre compras internacionais no cartão de crédito. “O governo brasileiro acabou de fazer uma mudança muito séria que vai impactar no seu bolso”, começa outra, sem rodeios. “Aqui ainda é 21 de maio”, provoca uma terceira, em referência ao dia anterior ao anúncio que acabou com o IOF reduzido para contas em dólar. Para compensar o aumento do imposto e reter os correntistas, as instituições financeiras estão oferecendo spread zero, cashback e descontos nos custos das transações, entre outras promoções. A mensagem que fica é: o governo está tirando mais dinheiro de você, mas nós vamos salvá-lo.

O antiocidentalismo - Denis L. Rosenfield

O Estado de S. Paulo

São autocratas ou totalitários, conforme as circunstâncias, mas exibem sempre um disfarce ‘ocidental’, como o de representarem valores ‘decoloniais’

As duas guerras atuais, a decorrente da invasão russa à Ucrânia e a do massacre do 7 de Outubro, perpetrado pelo Hamas em Israel, levaram a enfrentamentos armados, cujas consequências vão muito além do que os dois atacantes haviam previsto. A Rússia pensou ser possível capturar toda a Ucrânia via uma operação relâmpago com tropas aerotransportadas e utilização maciça de tanques, tendo, neste sentido, fracassado. A aparência militar da Rússia, tão alardeada, não correspondeu à sua ação efetiva. A Ucrânia soube enfrentar a invasão, reagindo com força, graças ao forte apoio dos EUA e da União Europeia, além da determinação de seu povo.

O preço da ruptura entre China e EUA - Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

Países como Brasil precisarão se adaptar a um mundo mais volátil

Por décadas, milhões de pais chineses sonharam em ver seus filhos estudando nos EUA – um passaporte para o sucesso profissional, a mobilidade social e uma vida globalizada. Em 2019, antes da pandemia de covid, mais de 370 mil chineses estavam matriculados em universidades americanas, formando a maior comunidade internacional no ensino superior dos EUA, até serem superados pelos indianos em 2023. Isso inclui numerosos filhos da elite política e econômica chinesa. Foi um fenômeno sem precedentes: duas potências rivais construindo pontes nos campos da educação, da ciência e da inovação, facilitando o diálogo entre os dois países. Apesar de estarem em número menor, os estudantes americanos na China também ajudaram a ampliar a compreensão mútua.

Minha Casa, Minha Vida: o Brasil que se constrói com dignidade - Renato Correia*

Correio Braziliense

Ao promover o acesso à moradia digna, o programa eleva o padrão de vida da população, amplia a distribuição de renda e gera oportunidades concretas de emprego e renda

O sonho da casa própria é, há décadas, um símbolo de conquista, estabilidade e dignidade para milhões de brasileiros. Mais do que um teto, trata-se da construção de um futuro — de pertencimento, segurança e acesso pleno à cidade. Foi com essa missão que nasceu, em 2009, o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), uma iniciativa que marcou o renascimento da política habitacional no Brasil e da qual a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) se orgulha de ter participado desde sua formulação.

Ao longo desses anos, o programa consolidou-se como uma das mais relevantes políticas públicas do país. Em sua essência, o Minha Casa, Minha Vida vai muito além da entrega de unidades habitacionais: ele impulsiona a economia, fortalece a indústria da construção civil, promove inclusão social, gera empregos e reduz o deficit habitacional. Para muitas famílias, representa a primeira oportunidade de formar patrimônio — um marco que transforma realidades e rompe ciclos de vulnerabilidade.

Um exemplo que não deveria ser do Senado - José Natal

Correio Braziliense

O que se viu no Senado foi uma peça teatral de mau gosto e um desfile indisciplinado de uma série de pessoas que deveriam dar exemplo de boas maneiras e postura ética respeitável

Muita gente viu pela TV ou acompanhou pela mídia. No último dia 26, na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi submetida a cenas de constrangimento explícito, discriminada como mulher e desconsiderada como a maior autoridade do setor no país e uma das mais respeitadas em todo o mundo. Convidada pela comissão para um debate sobre um tema que domina com propriedade, Marina se viu acuada por três senadores radicais da Região Norte, inclusive ouvindo de um deles que "o melhor seria que ela se recolhesse a seu lugar". Quem sentenciou a ministra a essa postura foi o senador Marcos Rogério, que preside a comissão. Para os próprios colegas de bancada, a colocação causou constrangimento. Errou a mão, exagerou na expressão.

Espelho meu - Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Fortalecer na TV a representatividade da maioria da população, que é negra, beneficia o país como um todo

Já parou para pensar na importância do audiovisual como instrumento de promoção da cidadania? O tema foi debatido num festival realizado em Brasília pela maior emissora de TV do Brasil. A iniciativa é da maior importância num país racista (machistamisógino homofóbico também) como é o nosso.

Não é segredo nem novidade que o que se passa nas telas da televisão brasileira e (mais recentemente) nas transmissões por streaming impacta a percepção da realidade. Por conta disso, influencia o comportamento social.

Historicamente, nossa produção audiovisual serviu para reforçar estereótipos e estigmas sobre o "lugar reservado" ao negro. É nesse contexto que o crescimento da quantidade de atrizes e atores pretos e pardos encarnando papéis de destaque e que extrapolam o estereótipo de serviçal, marginal ou "brinquedo" sexual é um indício de que estamos vivendo um momento de quebra de paradigma.

Direita democrata deve rechaçar bolsonarismo - Lygia Maria

Folha de S. Paulo

A defesa da liberdade de expressão é princípio fundamental do campo democrático, não de determinada ideologia política

Tornou-se comum dizer que a direita se apropriou da liberdade de expressão, como se ela fosse exclusividade da esquerda. Mas não é nem de uma, nem de outra. O respeito à liberdade de expressão é princípio fundamental do campo democrata, independentemente da ideologia política.

Há esquerda autoritária e direita iliberal, e a polarização nos mantêm presos entre as duas.

A ala antidemocrática da esquerda se afastou da liberdade há muito tempo. O filósofo francês Jean-Paul Sartre cortou relações com Albert Camus porque o argelino criticou os abusos da URSS, que eram relevados por parte considerável da intelectualidade global na Guerra Fria. Em seu livro "O Homem Revoltado" (1951), Camus deixa claro como um projeto de sociedade melhor é sempre o álibi dos tiranos.

Lula 3 e o orçamento sob tutela - Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

O impasse fiscal e a perda de poder orçamentário do Executivo

"Que o exemplo do IOF, dado pelo governo federal, seja o último entre aqueles em que o Executivo tenta usurpar atribuições do Legislativo", afirmou recentemente o presidente do SenadoDavi Alcolumbre. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, ameaçou aprovar um decreto legislativo para suspender o aumento de imposto proposto pelo Executivo. É mais um capítulo das tensas relações entre os Poderes durante o terceiro mandato de Lula.

O episódio remete à derrota da PEC da CPMF, em 2007, no auge do padrão de hegemonia do Executivo, em Lula 2. A proposta de prorrogar a CPMF por mais quatro anos, após duas décadas de vigência, foi rejeitada no Senado, resultando em uma perda de arrecadação estimada em R$ 70 bilhões.

De Auschwitz a Gaza - Roberto Amaral

Gaza foi transformada no maior campo de concentração a céu aberto jamais conhecido pela humanidade. Um inimaginável “corredor da morte” onde o povo palestino, mais da metade crianças, aguarda a condenação sem sursis ditada pelo inimigo luciferino assustadoramente belicoso e perverso. E, na mesma medida, covarde. O governo sionista de Israel promove, há meses, sob as vistas cegas da comunidade internacional, cínica, uma declarada limpeza étnica. Nesse verdadeiro “campo de concentração e extermínio” os desgraçados não caminham com seus próprios pés para as câmaras de gás a que eram condenadas as vítimas do nazismo: são destroçados pelas bombas do moderníssimo exército do Estado de Israel, fundado em 1947 sob os auspícios da ONU exatamente para garantir um lar ao povo sobrevivente do holocausto. Como os judeus de ontem, os palestinos de hoje não têm condições de defesa; mas sobre eles (como se a fome, o vilipêndio e o roubo de suas terras não fossem suficientes) um poderoso exército – aviões supersônicos, drones, mísseis, tanques de guerra e toda sorte de artilharia –vomita bombas. Trata-se de um genocídio operado às claras e à sombra da iniquidade moral de uma comunidade internacional que a tudo assiste impassível. Ao contrário dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, as vítimas de hoje não podem sonhar com a libertação do Exército Vermelho, que em janeiro de 1945 avançou sobre a Polônia a caminho de Berlim. Ninguém marcha em seu socorro. Estão abandonadas “à própria sorte”, que se tem revelado madrasta.

A força do mistério - Ivan Alves Filho*

Álvaro Moreyra, o meu cronista preferido, estava absolutamente certo: o verbo da vida é andar. Foi assim que o Homem ocupou a Terra inteira, viveu a aventura da vida – de pé. Mas contou com a ajuda de pelo menos três verbos complementares ou auxiliares: amar, lutar e criar. 

E quem fala nesses verbos também pensa em Arte, em Literatura. Pois por intermédio da criação o Homem se juntou aos seus semelhantes, dividindo sua beleza interior com o mundo. A Arte une. E, de quebra, recompõe o Homem com ele mesmo.

João Campos fala como novo presidente do PSB;

 

Lula discursa em cerimônia de posse de João Campos como presidente do PSB

 

Poesia | Ainda te necessito, de Pablo Neruda

 

Música | Roberta Sá - Se for pra mentir

 

domingo, 1 de junho de 2025

Opinião do dia – Luiz Werneck Vianna*

“A primeira tentação para o vencedor é a de retomar o antigo repertório, revalorizando obras e instituições de provada serventia no passado. Mas o Natal mudou, a crença disseminada de que, apesar dos pesares, a sociedade estava animada por uma contínua, embora lenta, movimentação em sentido progressivo rumo a um desenvolvimento menos desigual em termos sociais e mais afluente na economia, está em franca dissipação. Os antigos partidos que sustentavam tais crenças já não existem mais, sepultados por uma aluvião de organizações sem alma e meramente fisiológicas, fora os sobreviventes como o PT e alguns poucos e minoritários como o PSOL, Rede e Cidadania, todos com baixa representação orgânica nos setores subalternos.”

*Luiz Werneck Vianna (1938-2024), Sociólogo, “Abrir a arca do tesouro”. Blog Democracia Política e novo Reformismo, 8 de fevereiro, 2023.