segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Candidatos disputam as ruas na reta final da campanha, por Gabriela Guido e Fábio Couto

Valor Econômico

Manifestação em São Paulo, teve a presença de Flávio; movimentos pró-Lula foram às ruas no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre

A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, apoiadores dos dois candidatos foram às ruas para manifestações.

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de lideranças bolsonaristas da direita e da extrema-direita. No Rio, foram organizados dois atos por apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em São Paulo, no ato pró-Flávio, acompanharam o candidato o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). Também estavam presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o vereador e deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a porta-voz do plano econômico do presidenciável, a economista Daniella Marques.

O movimento faz parte de uma tentativa da campanha de fazer um contraponto às manifestações públicas de apoio à reeleição de Lula.

O candidato falou aos apoiadores de cima do carro de som que percorreu a avenida, anunciando que eles têm sete dias para “livrar o Brasil” do PT. “E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente da República no fim do ano”, anunciou no microfone. O pai do candidato está preso em regime domiciliar por ordem judicial após ser condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes.

O som do trio elétrico principal, onde estava Flávio, foi alvo de reclamação de apoiadores, que não conseguiam ouvir o presidenciável. A apoiadores, chegou a dizer que pouparia a sua voz para o debate desta noite. O ato começou por volta das 11h e terminou cerca de duas horas depois.

Os manifestantes exibiram bandeiras de outros países, como Estados Unidos e Israel, e ostentavam bonés que dizem “Make America Great Again”, o slogan do presidente dos EUA, Donald Trump. Na própria manifestação e nos canais de transmissão, líderes destacavam que o protesto não está gerando a “destruição”, como a que foi causada pela “esquerda” na semana passada.

O ato de campanha de Flávio reuniu 71,9 mil pessoas no seu ápice, segundo apontou a metodologia do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common. Com margem de erro de 12%, a estimativa indica que o público ficou entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas às 12h20, horário de pico. A contagem é feita a partir de fotos aéreas, analisadas por um software de inteligência artificial.

Na semana passada, a manifestação de Lula, na mesma Avenida Paulista, não teve contagem de presentes realizada pelo Monitor do Debate Político. A entidade, que geralmente realiza essas estimativas de atos políticos, não foi autorizada pela campanha petista a colocar um drone no local para fazer o cálculo.

Os atos pró-Lula deste domingo foram às ruas, além de no Rio, em Brasília, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Olinda, Recife, Vitória, Curitiba e São Paulo.

No Rio, pela manhã, estudantes e movimentos sociais reuniram-se na região da Candelária (Centro da cidade), com a participação do cantor e compositor Chico Buarque: “Estamos aqui contra a truculência e contra a subserviência. Viva os estudantes, viva a democracia e viva o presidente Lula”, afirmou Chico. O ato foi organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), com o apoio de partidos como PT e PDT.

À tarde, o Ato Musical pela Democracia, promovido pelo movimento 342 Artes e a Mídia Ninja, reuniu milhares de manifestantes no Posto 5 da Praia de Copacabana, com apresentações de artistas como Caetano Veloso, Djavan, Marina Sena e Chico César. Camisas e faixas com os dizeres “Bora, Lula” e mensagens para virar as eleições marcaram a concentração, iniciada por volta de 14h.

Um dos apresentadores do evento, o humorista Paulo Vieira, disse que apesar da tentativa de impedir a realização do evento público, sem sucesso, o Ato pela Democracia era independente e em defesa de valores como liberdade, soberania e democracia. Ele destacou que o ato não teve organização pela campanha de Lula.

O ponto alto do evento foi a apresentação de Caetano Veloso e Djavan, juntos. Eles cantaram “Sina” e “Linha do Equador”. Caetano também cantou “Sem lenço, sem documento”, um dos hinos de resistência contra a ditadura militar, levantando o público. O músico lembrou da prisão durante o regime militar, recordou que o ato era voltado a defender a democracia e pediu aos jovens que comparecessem às urnas no dia 25 de outubro - sem pedir votos.

“É a música brasileira resistindo às ameaças contra a democracia”, disse o cantor e compositor. “Salve a nossa democracia e a nossa soberania”, acrescentou Djavan.

Em Brasília, manifestantes concentraram-se na Esplanada dos Ministérios. A aglomeração ocorreu em frente ao Museu da República, que fica próximo à rodoviária central e à Catedral de Brasília.

Em Salvador, apoiadores de Lula fizeram uma caminhada de Ondina até o Farol da Barra, com a participação de artistas como Daniela Mercury, Gilberto Gil, Zélia Duncan, Liniker e integrantes do BaianaSystem. (Colaborou Luiza Calegari)

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