Valor Econômico
Manifestação em São Paulo, teve a presença de Flávio; movimentos pró-Lula foram às ruas no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre
A uma semana do segundo turno das eleições
presidenciais, apoiadores dos dois candidatos foram às ruas para manifestações.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) reuniu
apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de lideranças
bolsonaristas da direita e da extrema-direita. No Rio, foram organizados dois
atos por apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em São Paulo, no ato pró-Flávio, acompanharam
o candidato o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a senadora Tereza Cristina
(PP-MS), o senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Marcel Van Hattem
(Novo-RS). Também estavam presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o
vereador e deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a porta-voz do plano
econômico do presidenciável, a economista Daniella Marques.
O movimento faz parte de uma tentativa da campanha de fazer um contraponto às manifestações públicas de apoio à reeleição de Lula.
O candidato falou aos apoiadores de cima do
carro de som que percorreu a avenida, anunciando que eles têm sete dias para
“livrar o Brasil” do PT. “E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a
faixa de presidente da República no fim do ano”, anunciou no microfone. O pai
do candidato está preso em regime domiciliar por ordem judicial após ser
condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes.
O som do trio elétrico principal, onde estava
Flávio, foi alvo de reclamação de apoiadores, que não conseguiam ouvir o
presidenciável. A apoiadores, chegou a dizer que pouparia a sua voz para o
debate desta noite. O ato começou por volta das 11h e terminou cerca de duas
horas depois.
Os manifestantes exibiram bandeiras de outros
países, como Estados Unidos e Israel, e ostentavam bonés que dizem “Make
America Great Again”, o slogan do presidente dos EUA, Donald Trump. Na própria
manifestação e nos canais de transmissão, líderes destacavam que o protesto não
está gerando a “destruição”, como a que foi causada pela “esquerda” na semana
passada.
O ato de campanha de Flávio reuniu 71,9 mil
pessoas no seu ápice, segundo apontou a metodologia do Monitor do Debate
Político da USP/Cebrap e da More in Common. Com margem de erro de 12%, a
estimativa indica que o público ficou entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas às
12h20, horário de pico. A contagem é feita a partir de fotos aéreas, analisadas
por um software de inteligência artificial.
Na semana passada, a manifestação de Lula, na
mesma Avenida Paulista, não teve contagem de presentes realizada pelo Monitor
do Debate Político. A entidade, que geralmente realiza essas estimativas de
atos políticos, não foi autorizada pela campanha petista a colocar um drone no
local para fazer o cálculo.
Os atos pró-Lula deste domingo foram às ruas,
além de no Rio, em Brasília, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte,
Florianópolis, Olinda, Recife, Vitória, Curitiba e São Paulo.
No Rio, pela manhã, estudantes e movimentos
sociais reuniram-se na região da Candelária (Centro da cidade), com a
participação do cantor e compositor Chico Buarque: “Estamos aqui contra a
truculência e contra a subserviência. Viva os estudantes, viva a democracia e
viva o presidente Lula”, afirmou Chico. O ato foi organizado pela União
Nacional dos Estudantes (UNE), com o apoio de partidos como PT e PDT.
À tarde, o Ato Musical pela Democracia,
promovido pelo movimento 342 Artes e a Mídia Ninja, reuniu milhares de
manifestantes no Posto 5 da Praia de Copacabana, com apresentações de artistas
como Caetano Veloso, Djavan, Marina Sena e Chico César. Camisas e faixas com os
dizeres “Bora, Lula” e mensagens para virar as eleições marcaram a
concentração, iniciada por volta de 14h.
Um dos apresentadores do evento, o humorista
Paulo Vieira, disse que apesar da tentativa de impedir a realização do evento
público, sem sucesso, o Ato pela Democracia era independente e em defesa de
valores como liberdade, soberania e democracia. Ele destacou que o ato não teve
organização pela campanha de Lula.
O ponto alto do evento foi a apresentação de
Caetano Veloso e Djavan, juntos. Eles cantaram “Sina” e “Linha do Equador”.
Caetano também cantou “Sem lenço, sem documento”, um dos hinos de resistência
contra a ditadura militar, levantando o público. O músico lembrou da prisão
durante o regime militar, recordou que o ato era voltado a defender a
democracia e pediu aos jovens que comparecessem às urnas no dia 25 de outubro -
sem pedir votos.
“É a música brasileira resistindo às ameaças
contra a democracia”, disse o cantor e compositor. “Salve a nossa democracia e
a nossa soberania”, acrescentou Djavan.
Em Brasília, manifestantes concentraram-se na
Esplanada dos Ministérios. A aglomeração ocorreu em frente ao Museu da
República, que fica próximo à rodoviária central e à Catedral de Brasília.
Em Salvador, apoiadores de Lula fizeram uma
caminhada de Ondina até o Farol da Barra, com a participação de artistas como
Daniela Mercury, Gilberto Gil, Zélia Duncan, Liniker e integrantes do
BaianaSystem. (Colaborou Luiza Calegari)

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