Valor Econômico
Edinho Silva diz que Flávio captou desejo por mudança e negou que adversário tenha sido subestimado no primeiro turno
A cinco dias do segundo turno, o
coordenador-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), Edinho Silva, fez uma autocrítica, assumiu erros cometidos durante
a disputa, mas também realçou acertos, como a neutralidade do Centrão no
primeiro turno. Em entrevista ao Valor, ele negou que
a campanha tenha subestimado a força política do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), mas reconheceu que o parlamentar soube catalisar o desejo de mudança
do eleitor. Ele disse acreditar, entretanto, que será possível associar esse
sentimento à imagem de Lula, porque o petista “tem histórico de mudança”.
O Valor também pediu entrevistas ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN). Ambos adiaram a conversa para depois do segundo turno.
Para eventual quarto mandato, o
presidente nacional do PT citou um “remanejamento orçamentário” para acomodar
promessas como o “Pix MEI”, o novo Pé-de-Meia e o aumento do Bolsa Família.
“Não é aumentar gasto. É fazer remanejamento dentro do Orçamento”, argumentou.
Conforme antecipou o Valor nesta segunda-feira (19), o
governo terá que remanejar cerca de R$ 20 bilhões na Lei Orçamentária de 2027
para acomodar as propostas mais recentes de Lula, como o “Pix MEI”, sem
aumentar o limite total de despesas.
Edinho afirmou que a principal cobrança de Lula até aqui foi a falta de material de campanha nas ruas, problema que, segundo ele, foi corrigido. Ele negou que Lula ou o PT deixassem a atuação nas redes sociais em segundo plano, mas admitiu a guinada do candidato à reeleição depois que ele adotou as “vídeo selfies”. Agora, a primeira agenda das manhãs são as gravações de Lula para as plataformas digitais.
A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:
Valor: A campanha subestimou Flávio e o legado do bolsonarismo como
adversários, e agora está correndo atrás para virar o jogo?
Edinho Silva: Não acho que tenha
sido isso. É difícil para quem está sentado na cadeira fazer uma campanha sem
valorizar o legado. Porque só pode falar o que vai fazer quem já fez.
Valor: Mesmo assim, Flávio não foi subestimado, já que na pré-campanha
ele era considerado pelo PT o adversário ideal?
Edinho: O Flávio não foi
subestimado. Ele é o catalisador de um sentimento de mudança, mas não há como
alguém que governou o Brasil três anos falar em mudança se não for um confronto
direto. Porque, no primeiro turno, todo mundo falava de mudança. No segundo
turno, você está falando de mudança com duas candidaturas, dois projetos.
Valor: O resultado do primeiro turno não mostrou que a defesa do legado
não atraiu o eleitor?
Edinho: Penso que foi
importante, porque no segundo turno isso dá credibilidade para o presidente. No
debate, as pessoas enxergavam o presidente da República e um postulante
totalmente inexperiente, impulsivo, sem credibilidade. Tem um sentimento de
mudança que prevaleceu no primeiro turno. Vamos mostrar aos brasileiros que
quem pode mudar o Brasil é quem já fez isso.
Valor: Não foi um erro falar muito do passado e pouco do futuro?
Edinho: O presidente fala
de futuro também. Quando ele fala do fim da jornada 6x1, da Tarifa Zero [no
transporte público], da universalização da educação integral, das terras raras,
ele está falando de futuro.
Valor: Como convencer o eleitor de que Lula tem cara de mudança
pleiteando um quarto mandato? Ele não virou a cara do sistema?
Edinho: O presidente tem
um histórico de mudança, ele é o antissistema. É impossível pela história do
Lula ele virar a cara do sistema. Mas, no primeiro turno, esse confronto era
impossível, porque tínhamos quatro candidatos reivindicando isso. No segundo
turno, esse confronto é inevitável.
Valor: Historicamente, nem Lula nem o PT valorizavam a presença nas redes
sociais. Por que só agora estamos vendo essa guinada da campanha de Lula no
digital?
Edinho: Não é correto
dizer que nem ele nem a campanha valorizam as redes. Só que Lula tem uma
postura mais conservadora. Agora no segundo turno ele passou a cobrar os dados
das redes. No primeiro turno, ele se dispôs a fazer as “vídeo selfies”, mas
quando pressionava a agenda, era essa gravação que caía. A gente conseguiu
fazer isso agora no segundo turno.
Valor: Foi o governador do Piauí, Rafael
Fonteles (PT), quem o convenceu a adotar o modelo?
Edinho: Justiça seja feita, o Rafael foi muito importante porque fez o presidente entender a importância de congelar a agenda para fazer isso. A [primeira-dama] Janja também foi importante nisso. Agora, a primeira agenda do dia é das selfies.
Valor: O canal do “Exército do Lula”, criado pelo deputado reeleito André
Janones (Rede-MG), foi essencial para essa mudança...
Edinho: O que aconteceu na
virada do primeiro para o segundo turno é que os deputados, governadores e todo
mundo que estava em campanha agora priorizaram a reeleição do presidente. O
Janones já foi importante na eleição de 2022, e agora é novamente. É um cara
com muita capacidade de diálogo nas redes.
Valor: E como vocês pretendem manter essa mobilização nas redes em um
eventual quarto mandato?
Edinho: Vamos ganhar
eleição, depois a gente vê como organiza as redes.
Valor: O que falta para ganhar a eleição?
Edinho: Tem que continuar
confrontando os dois projetos de país, ele são distintos.
Valor: Alguma carta na manga para esta última semana?
Edinho: Eu não acredito em
bala de prata em campanha. Eu acredito que você tem que ter uma linha, vai
batendo nela e construindo a campanha. Não adianta ficar mudando de eixo toda
hora, porque se perde o foco.
Valor: Lula reclamou da desorganização da campanha. O que houve?
Edinho: O presidente fez
essa crítica, e ele não está errado. Mas foi uma escolha descentralizar a
produção do material porque, se desse certo, a gente ganharia agilidade. Seria
melhor do que produzir aqui e distribuir pelo Brasil afora. Tentamos fazer o
certo, e defendo o time da comunicação.
Valor: Por que deu errado?
Edinho: Em alguns Estados, não achamos gráficas com capacidade logística ou de distribuição. Em outros lugares, a gente encaminhava o pedido, e o material não era priorizado. Agora nós corrigimos. Vamos pegar duas, três gráficas no Brasil inteiro, e ter controle sobre a produção e distribuição.
Valor: Esse foi o principal erro do primeiro turno?
Edinho: Foi o que o
presidente criticou mais, e foi superado. A coordenação é coletiva, mas eu
assumo os acertos e erros da campanha. O presidente também reconhece e elogia
que ele tinha palanque nos 27 Estados, o que não foi fácil de construir. E foi
um movimento acertado tirar o Centrão da campanha do Flávio, porque
neutralizamos boa parte desses partidos.
Valor: Mas no segundo turno eles declararam apoio ao Flávio.
Edinho: Mas foi importante
segurá-los no primeiro turno. Somados, eles dariam um tempo de televisão para o
Flávio muito maior do que o nosso, e muito mais inserções.
Valor: Se Lula ganhar, como vai lidar com um Congresso ainda mais de
direita, com o Centrão reduzido e o PL ampliado?
Edinho: O quarto mandato
do Lula será de legado para mudar os rumos do país. Porque esse terceiro
governo foi muito difícil, de reorganização de absolutamente tudo.
Valor: Mas como fazer isso com o PL hegemônico no Congresso?
Edinho: Por negociação com
o Congresso, formação de maioria, e também mobilização social, como houve na
PEC do fim da 6x1. O PT está falando desde abril, está na nossa resolução
[partidária], da importância da reforma do Judiciário. Também falamos da
reforma política e eleitoral, o sistema apodreceu, que esse modelo de Congresso
não dá mais. Se a gente não entender o modelo político brasileiro e não propor
reforma, como será?
Valor: Na economia, há previsão de aumento de gastos diante dos novos
anúncios, como a ampliação do teto do Microempreendedor Individual (MEI),
aumento do Bolsa Família, ampliação do Pé-de-Meia. De onde virão recursos para
isso?
Edinho: O compromisso do
presidente é com a austeridade fiscal, o governo não vai gastar mais do que
arrecada. O Orçamento para 2027 vem com R$ 20 bilhões de superávit primário.
Não vamos aumentar gastos, vamos mas vamos fazer um remanejamento orçamentário.
Valor: Vão tirar receitas de qual área, por exemplo?
Edinho: Não consigo dizer
agora, mas é um dos caminhos. Também tem a perspectiva de queda da taxa de
juros, o que dará uma folga orçamentária. E queremos fazer uma reforma do
Estado para tornar a administração pública mais eficiente, melhorar a qualidade
do gasto público.
Valor: Não se cogita desvincular os benefícios previdenciários do salário
mínimo, por exemplo?
Edinho: Para nós é
inegociável mexer em direitos.
Valor: Mas não é necessário algum aceno nessa direção, até pela
trajetória de alta da dívida?
Edinho: Os agentes
econômicos precisam enxergar no presidente Lula o que ele sempre foi. Lembrando
que pegamos o governo em 2022 com 2,6 pontos percentuais de déficit em relação
ao PIB, e vamos entregar com superávit de R$ 20 bilhões.
Valor: Mas havia previsão de superávit para este ano, que não se
confirmou [seriam R$ 34 bilhões; no último relatório bimestral, o governo
projetou déficit de R$ 13,6 bilhões].
Edinho: Vamos ver como vai
fechar o ano. Se tiver déficit, será cada vez menor.
Valor: E se Lula perder a eleição?
Edinho: Essa possibilidade
não existe.
Valor: E como ficará o futuro do PT, já que Lula ainda não fez um
sucessor.
Edinho: Vamos ganhar a eleição
e construir o sucessor do presidente. Temos muitos quadros: Fernando Haddad,
Camilo Santana, Rafael Fonteles...
Valor: Haddad não saiu fragilizado por causa do resultado em SP?
Edinho: Haddad defendeu nosso projeto em São Paulo. Ele não estava com a máquina, diferentemente do Camilo e do Rafael [que tinham a máquina pública nas mãos]. Tem que ter essa ponderação. Não é pouco fazer 36% dos votos em São Paulo, e na capital foram 46%.
A cinco dias do segundo turno, o coordenador-geral da campanha à
reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho Silva, fez uma
autocrítica, assumiu erros cometidos durante a disputa, mas também realçou
acertos, como a neutralidade do Centrão no primeiro turno. Em entrevista ao Valor, ele
negou que a campanha tenha subestimado a força política do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), mas reconheceu que o parlamentar soube catalisar o desejo de
mudança do eleitor. Ele disse acreditar, entretanto, que será possível associar
esse sentimento à imagem de Lula, porque o petista “tem histórico de mudança”.
O Valor também
pediu entrevistas ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao
coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho
(PL-RN). Ambos adiaram a conversa para depois do segundo turno.
Para eventual quarto mandato, o presidente nacional do PT citou um
“remanejamento orçamentário” para acomodar promessas como o “Pix MEI”, o novo
Pé-de-Meia e o aumento do Bolsa Família. “Não é aumentar gasto. É fazer
remanejamento dentro do Orçamento”, argumentou. Conforme antecipou o Valor nesta
segunda-feira (19), o governo terá que remanejar cerca de R$ 20 bilhões na Lei
Orçamentária de 2027 para acomodar as propostas mais recentes de Lula, como o
“Pix MEI”, sem aumentar o limite total de despesas.
Edinho afirmou que a principal
cobrança de Lula até aqui foi a falta de material de campanha nas ruas,
problema que, segundo ele, foi corrigido. Ele negou que Lula ou o PT deixassem
a atuação nas redes sociais em segundo plano, mas admitiu a guinada do
candidato à reeleição depois que ele adotou as “vídeo selfies”. Agora, a
primeira agenda das manhãs são as gravações de Lula para as plataformas
digitais. A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:
Valor: A campanha subestimou Flávio e
o legado do bolsonarismo como adversários, e agora está correndo atrás para
virar o jogo?
Edinho Silva: Não
acho que tenha sido isso. É difícil para quem está sentado na cadeira fazer uma
campanha sem valorizar o legado. Porque só pode falar o que vai fazer quem já
fez.
Valor: Mesmo assim, Flávio não foi subestimado,
já que na pré-campanha ele era considerado pelo PT o adversário ideal?
Edinho: O
Flávio não foi subestimado. Ele é o catalisador de um sentimento de mudança,
mas não há como alguém que governou o Brasil três anos falar em mudança se não
for um confronto direto. Porque, no primeiro turno, todo mundo falava de
mudança. No segundo turno, você está falando de mudança com duas candidaturas,
dois projetos.
Valor: O resultado do primeiro turno
não mostrou que a defesa do legado não atraiu o eleitor?
Edinho: Penso que foi importante, porque no segundo turno isso dá
credibilidade para o presidente. No debate, as pessoas enxergavam o presidente
da República e um postulante totalmente inexperiente, impulsivo, sem
credibilidade. Tem um sentimento de mudança que prevaleceu no primeiro turno.
Vamos mostrar aos brasileiros que quem pode mudar o Brasil é quem já fez isso.
Valor: Não foi um erro falar muito do
passado e pouco do futuro?
Edinho: O
presidente fala de futuro também. Quando ele fala do fim da jornada 6x1, da
Tarifa Zero [no transporte público], da universalização da educação integral,
das terras raras, ele está falando de futuro.
Valor: Como convencer o eleitor de que
Lula tem cara de mudança pleiteando um quarto mandato? Ele não virou a cara do
sistema?
Edinho: O
presidente tem um histórico de mudança, ele é o antissistema. É impossível pela
história do Lula ele virar a cara do sistema. Mas, no primeiro turno, esse
confronto era impossível, porque tínhamos quatro candidatos reivindicando isso.
No segundo turno, esse confronto é inevitável.
Valor: Historicamente, nem Lula nem o
PT valorizavam a presença nas redes sociais. Por que só agora estamos vendo
essa guinada da campanha de Lula no digital?
Edinho: Não é
correto dizer que nem ele nem a campanha valorizam as redes. Só que Lula tem
uma postura mais conservadora. Agora no segundo turno ele passou a cobrar os
dados das redes. No primeiro turno, ele se dispôs a fazer as “vídeo selfies”,
mas quando pressionava a agenda, era essa gravação que caía. A gente conseguiu
fazer isso agora no segundo turno.
É difícil para quem está
sentado na cadeira fazer uma campanha sem valorizar o legado”
Valor: Foi
o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), quem o convenceu a adotar o
modelo?
Edinho:
Justiça seja feita, o Rafael foi muito importante porque fez o presidente
entender a importância de congelar a agenda para fazer isso. A [primeira-dama]
Janja também foi importante nisso. Agora, a primeira agenda do dia é das
selfies.
Valor: O canal do “Exército do Lula”,
criado pelo deputado reeleito André Janones (Rede-MG), foi essencial para essa
mudança...
Edinho: O que
aconteceu na virada do primeiro para o segundo turno é que os deputados,
governadores e todo mundo que estava em campanha agora priorizaram a reeleição
do presidente. O Janones já foi importante na eleição de 2022, e agora é
novamente. É um cara com muita capacidade de diálogo nas redes.
Valor: E como vocês pretendem manter
essa mobilização nas redes em um eventual quarto mandato?
Edinho: Vamos
ganhar eleição, depois a gente vê como organiza as redes.
Valor: O que falta para ganhar a
eleição?
Edinho: Tem
que continuar confrontando os dois projetos de país, ele são distintos.
Valor: Alguma carta na manga para esta
última semana?
Edinho: Eu não
acredito em bala de prata em campanha. Eu acredito que você tem que ter uma
linha, vai batendo nela e construindo a campanha. Não adianta ficar mudando de
eixo toda hora, porque se perde o foco.
Valor: Lula reclamou da desorganização
da campanha. O que houve?
Edinho: O
presidente fez essa crítica, e ele não está errado. Mas foi uma escolha
descentralizar a produção do material porque, se desse certo, a gente ganharia
agilidade. Seria melhor do que produzir aqui e distribuir pelo Brasil afora.
Tentamos fazer o certo, e defendo o time da comunicação.
Valor: Por que deu errado?
Edinho: Em
alguns Estados, não achamos gráficas com capacidade logística ou de distribuição.
Em outros lugares, a gente encaminhava o pedido, e o material não era
priorizado. Agora nós corrigimos. Vamos pegar duas, três gráficas no Brasil
inteiro, e ter controle sobre a produção e distribuição.
Valor: Esse
foi o principal erro do primeiro turno?
Edinho: Foi o
que o presidente criticou mais, e foi superado. A coordenação é coletiva, mas
eu assumo os acertos e erros da campanha. O presidente também reconhece e
elogia que ele tinha palanque nos 27 Estados, o que não foi fácil de construir.
E foi um movimento acertado tirar o Centrão da campanha do Flávio, porque
neutralizamos boa parte desses partidos.
Valor: Mas no segundo turno eles
declararam apoio ao Flávio.
Edinho: Mas
foi importante segurá-los no primeiro turno. Somados, eles dariam um tempo de
televisão para o Flávio muito maior do que o nosso, e muito mais inserções.
Valor: Se Lula ganhar, como vai lidar
com um Congresso ainda mais de direita, com o Centrão reduzido e o PL ampliado?
Edinho: O
quarto mandato do Lula será de legado para mudar os rumos do país. Porque esse
terceiro governo foi muito difícil, de reorganização de absolutamente tudo.
Valor: Mas como fazer isso com o PL
hegemônico no Congresso?
Edinho: Por
negociação com o Congresso, formação de maioria, e também mobilização social,
como houve na PEC do fim da 6x1. O PT está falando desde abril, está na nossa
resolução [partidária], da importância da reforma do Judiciário. Também falamos
da reforma política e eleitoral, o sistema apodreceu, que esse modelo de
Congresso não dá mais. Se a gente não entender o modelo político brasileiro e
não propor reforma, como será?
Não acredito em bala de
prata. Não adianta ficar mudando de eixo toda hora, porque perde o foco”
Valor: Na
economia, há previsão de aumento de gastos diante dos novos anúncios, como a
ampliação do teto do Microempreendedor Individual (MEI), aumento do Bolsa
Família, ampliação do Pé-de-Meia. De onde virão recursos para isso?
Edinho: O
compromisso do presidente é com a austeridade fiscal, o governo não vai gastar
mais do que arrecada. O Orçamento para 2027 vem com R$ 20 bilhões de superávit
primário. Não vamos aumentar gastos, vamos mas vamos fazer um remanejamento
orçamentário.
Valor: Vão tirar receitas de qual
área, por exemplo?
Edinho: Não
consigo dizer agora, mas é um dos caminhos. Também tem a perspectiva de queda
da taxa de juros, o que dará uma folga orçamentária. E queremos fazer uma
reforma do Estado para tornar a administração pública mais eficiente, melhorar
a qualidade do gasto público.
Valor: Não se cogita desvincular os
benefícios previdenciários do salário mínimo, por exemplo?
Edinho: Para
nós é inegociável mexer em direitos.
Valor: Mas não é necessário algum
aceno nessa direção, até pela trajetória de alta da dívida?
Edinho: Os
agentes econômicos precisam enxergar no presidente Lula o que ele sempre foi.
Lembrando que pegamos o governo em 2022 com 2,6 pontos percentuais de déficit
em relação ao PIB, e vamos entregar com superávit de R$ 20 bilhões.
Valor: Mas havia previsão de superávit
para este ano, que não se confirmou [seriam R$ 34 bilhões; no último relatório
bimestral, o governo projetou déficit de R$ 13,6 bilhões].
Edinho: Vamos
ver como vai fechar o ano. Se tiver déficit, será cada vez menor.
Valor: E se Lula perder a eleição?
Edinho: Essa
possibilidade não existe.
Valor: E como ficará o futuro do PT,
já que Lula ainda não fez um sucessor.
Edinho: Vamos
ganhar a eleição e construir o sucessor do presidente. Temos muitos quadros:
Fernando Haddad, Camilo Santana, Rafael Fonteles...
Valor: Haddad
não saiu fragilizado por causa do resultado em SP?
Edinho: Haddad
defendeu nosso projeto em São Paulo. Ele não estava com a máquina, diferentemente
do Camilo e do Rafael [que tinham a máquina pública nas mãos]. Tem que ter essa
ponderação. Não é pouco fazer 36% dos votos em São Paulo, e na capital foram
46%.

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