terça-feira, 17 de abril de 2012

PMDB "antigo" será o fiel da balança na CPI:: Raymundo Costa

A presidente Dilma Rousseff levou mais de um ano para reconfigurar, a seu gosto, a base de apoio político ao governo no Congresso. O PT não precisou de mais de 48 horas para devolver aos líderes tradicionais do PMDB o controle do partido: o ex-líder de Dilma no Senado, Romero Jucá (RR), é cogitado para presidente da CPI do Cachoeira. Ele avisou o líder Renan Calheiros (AL), também cotado para cargo, que não quer. Renan e Jucá devem ter bons motivos para não desejar um lugar de destaque na ribalta, mas estão outra vez, junto com José Sarney (AP), com a bola do jogo nas mãos.

O PMDB do Senado está rachado. O governo avalia que Renan, Sarney e Jucá perderam a maioria da bancada, o que é discutível. Numa demonstração de força, após o afastamento de Jucá da liderança do governo, Renan foi o principal articulador da criação de um bloco entre PR e PTB, sem que o governo, seu líder no senado e nem a ministra encarregada da articulação política tivessem conhecimento da armação.

Os pemedebistas desaconselharam a criação da CPI. Hoje calculam o valor da fatura a cobrar. Sabem que ganharam um trunfo inesperado, no momento em que a presidente exibe índice recorde de aprovação da opinião pública.

Dilma perde exclusividade da faxina moral

É recomendável a criação da CPI para investigar as relações de Carlos Cachoeira e da Delta Construções com integrantes do Legislativo, Executivo, Judiciário, Ministério Público e governos estaduais. O esquema, de acordo com o que até agora é conhecido da investigação da Polícia Federal, estabeleceu conexões em todas as esferas de poder. O risco é que cada partido só pensa na comissão como uma oportunidade de tirar vantagem.

Para ser bem sucedida, a investigação sobre as relações de Cachoeira com o poder público deve transcorrer de forma transparente e sem a formação de um rolo compressor governista para proteger os seus e esmagar a já desmilinguida oposição. O DEM tem o senador Demóstenes Torres (GO) na alça de mira do inquérito, o PSDB pode ter o governador de Goiás, Marconi Perillo, pois a investigação revela o esquema Cachoeira na antessala de seu gabinete. Todos devem responder por eventuais desvios de conduta. Ruim é o uso da força bruta para se proteger e liquidar adversários.

O governo, como se sabe, tem uma gigantesca maioria nominal no Congresso, mais que suficiente para conduzir a apuração na direção que desejar, não fosse o fato que a chamada base de apoio nem sempre fala a mesma linguagem ou defende os mesmos interesses. Pode ser truísmo, como costuma dizer um ministro de Estado, mas nunca é demais repetir que não há CPI que não acabe contra o governo. No mínimo oferece oportunidade para quem gosta de criar dificuldade para vender facilidade.

O chamado "fato determinado" da CPI dos Correios, em 2005, eram as denúncias de corrupção nas estatais, mais particularmente nos Correios. O foco foi deslocado pouco tempo depois de sua criação, quando o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou a existência de um esquema de compra de votos no Congresso, a que batizou de mensalão. Outro ministro é irônico: "A CPI dos Correios começou para investigar o Sedex 10 e acabou chegando a um pombal de pombos-correio".

A CPI do Judiciário foi instalada em março de 1999 para investigar irregularidades nos tribunais superiores, regionais e nos tribunais de Justiça. Desvendou o desvio de cerca de R$ 169 milhões destinados a obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Mas também jogou na vala comum dos suspeitos de corrupção o ex-secretário-geral de Fernando Henrique Cardoso o advogado Eduardo Jorge Caldas Pereira, depois que se descobriu uma centena de telefonemas trocados entre EJ e o juiz Nicolau dos Santos Neto - o advogado acabou inocentado das acusações pelo Judiciário.

A Delta Construtora, uma das empreiteiras mais bem aquinhoadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é conhecida antiga dos meios políticos brasilienses. Em 2006, seus executivos foram detectados rondando a convenção do PMDB que decidiria sobre a candidatura própria de Anthony Garotinho - uma sucessão de episódios típicos de apuração de desfile de escola de samba, entre os quais uma greve de fome do ex-governador do Rio.

A direção do PMDB boicotou o lançamento de candidatura própria, para a satisfação do então candidato do partido ao governo do Rio, Sérgio Cabral, adversário de Garotinho. Eleito, Cabral tornou-se também ele um amigo dos proprietários da Delta. Seja por meio de grandes obras ou coleta de lixo, a empresa de Fernando Cavendish cresceu e se estabeleceu em vários Estados do país, inclusive o Distrito Federal.

Aparentemente, PT e governo divergiram em relação à criação da CPI. Dilma, que lavou as mãos num primeiro momento, teria reclamado da maneira como o presidente do partido, Rui Falcão, tratou do assunto, como um perdigueiro atrás da revanche do mensalão, o suposto esquema de compra de votos no Congresso que os petistas dizem ter sido uma farsa. Lula, segundo fontes do PT, apoiou a proposta com entusiasmo. Assim como José Dirceu. Lula e Dilma sempre fizeram uma dança de passo marcado. Difícil acreditar que seja diferente agora. Mas, mesmo com todas as atuais facilidades de comunicações, Dilma estava fora do país, quando o PT desencadeou sua ofensiva. Pode ter sido um grande erro de cálculo.

No atual governo, a investida moralizadora dos costumes políticos era um patrimônio exclusivo da presidente Dilma. Essa pelo menos parece ser a percepção da opinião pública, o que contribui para seu alto índice de popularidade (77%). Agora a faxina será dividida com o Legislativo. Resta saber quem lava melhor.

O Ministério do Trabalho está sem titular há mais de quatro meses. No período, deu-se a desoneração da folha de pagamentos. Até agora, ninguém notou a diferença.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

A falência múltipla dos órgãos públicos:: Arnaldo Jabor

Os corruptos ajudam-nos a descobrir o País. Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão. Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira. Jefferson teve uma importância ideológica.

Cachoeira é uma inovação sociológica. Cachoeira é uma aula magna de ciência política sobre o Sistema do País. Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas. Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.

Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por "bons motivos", pelo "bem do povo", na base dos "fins que justificam os meios". E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula que, com sua imensa sorte, se livrou dos mandachuvas que o dominavam. Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a história de nosso País. Sarney também seria "didático", mas nada gruda nele, em seu terno de "teflon"; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.

Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula: a "ingovernabilidade".

Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da "normalidade" oficial do País. Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens: invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los. De resto, com a grana na "cumbuca", as feridas cicatrizam logo.

O governo do PT desmoralizou o escândalo e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim "maior" - foi só para ele.

Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e a privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.

Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e "peronista" patrimonialismo de Estado.

Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso: "Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e, assim, seremos esquecidos!"

Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: "Meu Deus... como ele pôde fazer isso?..."

Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um "boi de piranha" tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.

Demóstenes foi uma isca. O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la. "Otimo!" - berrou o famoso estalinista Rui Falcão - "Agora vamos revelar a farsa do mensalão!" - no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve holocausto. "Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!" Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática...

E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida. Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso. Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa em seu egoísmo, secretamente, até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente. O PT está receoso - talvez vagamente arrependido. Pode voltar tudo: aloprados, caixas 2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas... A CPI é um poço sem fundo. O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles. Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os "catões", os puros defensores da decência... Não é sublime tudo isso? Nunca antes, em nossa história, alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre essa grande chácara de oligarquias. E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nessa imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito. Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.

Mas, o País é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.

Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá e a Justiça estará desmoralizada para sempre.

FONTE: CADERNO 2 / O ESTADO DE S. PAULO

Os limites do lulismo:: Vladimir Safatle

Há alguns anos, o cientista político André Singer cunhou o termo "lulismo" para dar conta do modelo político-econômico implementado no Brasil desde o início do século 21.

Baseado em uma dinâmica de aumento do poder aquisitivo das camadas mais baixas da população por meio do aumento real do salário mínimo, de programas de transferência de renda e de facilidades de crédito para consumo, o lulismo conseguiu criar o fenômeno da "nova classe média".

No plano político, esse aumento do poder aquisitivo da base da pirâmide social foi realizado apoiando-se na constituição de grandes alianças ideologicamente heteróclitas, sob a promessa de que todos ganhariam com os dividendos eleitorais da ascensão social de parcelas expressivas da população.

O resultado foi uma política de baixa capacidade de reforma estrutural e de perpetuação dos impasses políticos do presidencialismo de coalizão brasileiro.

No entanto é bem possível que estejamos no momento de compreensão dos limites do modelo gestado no governo anterior. O aumento exponencial do endividamento das famílias demonstra como elas, atualmente, não têm renda suficiente para dar conta das novas exigências que a ascensão social coloca na mesa.

É fato que o país precisa de uma nova repactuação salarial. As remunerações são, em média, radicalmente baixas e corroídas por gastos que poderiam ser bancados pelo Estado. Por isso, é possível dizer que a próxima etapa do desenvolvimento nacional passe pela recuperação dos salários.

A melhor maneira de fazer isso é por meio de uma certa ação do Estado. Uma família que recebe R$ 3.500 mensais gasta praticamente um terço de sua renda só com educação privada e planos de saúde. Normalmente, tais serviços são de baixa qualidade. Caso fossem fornecidos pelo Estado, tais famílias teriam um ganho de renda que isenção alguma de imposto seria capaz de proporcionar.

Entretanto a universalização de uma escola pública de qualidade e de um serviço de saúde que realmente funcione não pode ser feita sob a dinâmica do lulismo, pois ela exige investimentos estatais só possíveis pela taxação pesada sobre fortunas, lucros bancários e renda da classe alta. Ou seja, isso exige um aumento de impostos sobre aqueles que vivem de maneira nababesca e que têm lucros milionários no sistema financeiro.

Algo dessa natureza exige, por sua vez, uma mobilização política que está fora do quadro de consensos do lulismo.Porém a força política que poderia pressionar essa nova dinâmica ainda não existe no Brasil. Ela pede uma esquerda que não tenha medo de dizer seu nome.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Tango desafinado:: Míriam Leitão

A capacidade da Argentina de errar parece ilimitada. Em pleno século XXI, uma medida que lembra o peronismo dos anos 1950 foi anunciada com um discurso também obsoleto pela presidente Cristina Kirchner: a expropriação da YPF. Isso colocará uma pulga atrás da orelha de todos os investidores, inclusive empresas brasileiras que estão lá, como a Petrobras. E não apenas nessa área.

A Repsol e o governo vinham se desentendendo. A empresa espanhola que controla a petroleira argentina reclama — junto com todas as outras — do controle de preços que faz baixar muito a rentabilidade do negócio. O governo protestava contra a falta de investimento da companhia e o fato de que depois de muitos anos a Argentina passou a importar petróleo. Segundo dados do FMI, a balança comercial argentina no setor de petróleo começou a ficar deficitária no ano passado. As exportações praticamente não cresceram nos últimos 10 anos, as importações aumentaram. Em 2001, as vendas de petróleo da Argentina foram de US$ 4,7 bilhões e as importações de US$ 0,8 bi. Em 2011, o país exportou cerca de US$ 5 bilhões e importou US$ 8,2 bilhões. A explicação das empresas para a baixa produção no país é a política interna de remuneração muito abaixo do preço internacional.

Há inúmeras formas de intervir na economia dentro das regras do jogo. O governo tem o poder de regulação, o que não é pouco. Mas a Argentina resolveu ir por um caminho que a coloca em choque com a Espanha e a União Europeia, além de quebrar a confiança dos investidores.

O presidente da Repsol, Antonio Brufau, esteve durante toda a semana passada na Argentina à espera de uma audiência com a presidente. Ela não o recebeu, e ele se reuniu com o ministro Julio De Vido, do Planejamento, e o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, quando teria ouvido que a empresa não seria expropriada. Ontem, o governo anunciou exatamente esses dois nomes — De Vido e Kicillof — como interventores na YPF. Ou seja, tudo estava decidido bem antes.

A expropriação não poderia ter vindo em pior hora para os espanhóis. O governo sofre pressão para se financiar, com os títulos públicos pagando as taxas de juros mais altas dos últimos quatro meses. Nas ruas, há protestos contra cortes de gastos, o desemprego se mantém acima de 20%, e entre jovens a taxa supera 50%. O ministro da economia já admitiu que o país entrou em recessão no primeiro trimestre, antecipando dado que só será divulgado no final do mês.

Como sempre acontece em rompantes de populismo, Cristina Kirchner fez discurso cheio de bravatas. O problema é que isso convoca os brios nacionalistas, e em qualquer país acaba arrebatando apoio. A conta acaba sendo paga pelo próprio país. Kirchner decidiu seguir o caminho de Hugo Chávez, que tem custado tanto à Venezuela em termos de baixo crescimento, fuga de capitais, inclusive de investidores nacionais.

Para justificar a decisão, a presidente alegou que o Brasil tem 51% da Petrobras. Tem sim, mas a comparação não faz sentido. A YPF foi privatizada, ela poderia recomprar a empresa em negociação com seus investidores. “Não estamos inventando nada, outros países controlam as empresas líderes do mundo”, disse ela, citando Noruega, Rússia e China. O problema não é ter controle estatal na empresa, o problema é usar a força do Estado para ferir direitos, expropriar, rasgar contratos. Isso costuma ter um preço alto. Até porque a Lei que expropriou a empresa não estabelece qualquer garantia para os investidores. O país entra assim num ambiente de insegurança jurídica.

A Lei de Soberania de Hidrocarbonetos, além de expropriar 51% da YPF — justamente a parte da Repsol —, cria um novo marco legal declarando de interesse público toda “produção, refino, transporte, e comercialização de petróleo e gás”. Cria-se a brecha para intervenção em qualquer empresa do setor, inclusive na Petrobras, que é a terceira maior produtora e refinadora de petróleo da Argentina, com 6% e 14,1% do mercado, respectivamente.

Dias atrás, o governo cancelou uma concessão da empresa brasileira na província de Neuquén, alegando baixo investimento. No dia, a presidente da Petrobras, Graça Foster, se disse surpresa: “Temos boas relações com a Argentina e estávamos avaliando oportunidades futuras no país.” Vale lembrar que, quando atingido por ações como esta, o Brasil prefere encontrar solução negociada. Em 2007, a Bolívia expropriou duas refinarias da Petrobras, mas a empresa brasileira nem tinha grande interesse no negócio.
Apenas negociou indenização. Na Venezuela, a estatal brasileira preferiu vender seu negócio antes que ele fosse estatizado.

Como era previsível, a Espanha decidiu recorrer a tribunais internacionais. Isso prenuncia uma longa briga, mas nos últimos dias o governo e autoridades europeias ameaçaram retaliar o país em caso de rompimento das negociações. O embaixador espanhol foi chamado a Madri, e houve reunião de emergência com a presença do presidente espanhol, Mariano Rajoy.

Enquanto isso, no Brasil, a presidente da Petrobras estava reunida com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falando de cooperação entre os dois países na área de petróleo. Com atitudes como essa, da Argentina, o Brasil se destaca cada vez mais como país confiável para investimento. Os argentinos estão cavando mais fundo o próprio buraco, quando o governo poderia conseguir o mesmo objetivo através de mecanismos de mercado.

FONTE: O GLOBO

Cristina, a la Chávez:: Celso Ming

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, lembrou ontem o governo populista do venezuelano Hugo Chávez. Decretou a renacionalização da YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), que em 1999 havia sido vendida em leilão público para a Repsol - controlada por capitais espanhóis. A YPF é responsável por 65% da produção de petróleo e gás natural do país.

A decisão foi empacotada como operação de soberania energética, do tipo "o petróleo é nosso". A expropriação de 51% das ações será paga por valor a ser determinado pelo Tribunal de Contas, sabe-se lá com que critério.

A acusação contra a YPF é de que se tornou uma empresa predatória, que não reinveste seus lucros na Argentina: "Entre 1999 e 2011, a YPF registrou lucro de US$ 16,5 bilhões e distribuiu US$ 13,2 bilhões em dividendos. Não temos problema com a rentabilidade, mas com que esses lucros não sejam reinvestidos na Argentina para atender às necessidades do país", disse Cristina.

Só as ditaduras determinam o que uma empresa pode ou não fazer com seus lucros. No caso da Argentina, grande número de empresas - e não somente a YPF - não tem interesse em investir, porque o atual governo tabelou os preços ao consumidor. Eles seguem sendo reajustados muito abaixo da inflação, porque os números oficiais são achatados, por manipulação do governo.

A YPF não é a única do setor que vinha sendo pressionada a investir. A Petrobrás, que também atua na Argentina, vinha sendo cobrada pelo mesmo motivo.

Um dos desdobramentos dessa decisão tomada é seu potencial gerador de crise diplomática. Há dias, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, advertiu o governo da Argentina que um ataque aos interesses da YPF seria entendido como um ataque ao próprio Estado espanhol. No passado, fantásticos carregamentos de ouro e prata provenientes de suas então colônias latino-americanas chegavam aos portos de Espanha. Em alguma medida esse afluxo está se repetindo agora (veja o Confira) e o governo espanhol teme perder essa riqueza quando mais precisa dela para tirar a economia da crise. Cristina avisou que vai pagar para ver: "Esta presidente não vai responder a nenhuma frase insolente que alguns disseram. Sou chefe de Estado, y no una patotera".

A motivação mais profunda de Cristina é interna. Assim como tentou redespertar movimentos nacionalistas com a reabertura do caso Malvinas, parece determinada a evocar questões de soberania para tirar do foco as sérias condições da economia, que enfrenta inflação de 24% ao ano, desemprego já próximo dos 7% e forte desaceleração econômica.

O momento é de escassez de moeda estrangeira. Depois do calote de mais de 80% da dívida externa em 2001, a Argentina tem de viver da mão para a boca. Só pode usar os recursos externos que vem obtendo com exportações, hoje cadentes. Daí por que passou a controlar um a um os pedidos de importação.

Os relatórios não oficiais são de que os próprios argentinos esperam pelo agravamento da crise externa. Tiraram do País ou entesouraram (guardando debaixo do colchão) nada menos que US$ 30 bilhões em 2011, o equivalente a quatro meses de exportação.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

O pulso ainda não pulsa:: Vinicius Torres Freire

Economia foi ao fundo do poço por volta de outubro, mas por lá ficou desde então, apesar de estímulos

A economia brasileira deste primeiro trimestre lembra um pouco aquelas cenas clichê de filme ou seriado de hospital. O coração do sujeito parou de bater; meia dúzia de médicos injeta substâncias ressuscitantes no paciente, lhe dá choques e massagens ou entuba o infeliz. Mas o coração não volta a bater; fica aquele traço angustiante na tela que monitora o coração.

Sim, sim, por favor, claro, a economia brasileira não está moribunda. Mas está quase estagnada faz nove meses. O pulso ainda não pulsa mesmo depois de cortes de juros, relaxamentos monetários, estimulantes tributários, orações pelo espírito animal dos empresários e outras atitudes heroicas dos doutores-economistas do governo.

A criação de novos empregos formais está em baixa desde maio de 2010. Decerto em 2010 a economia se recuperava do tombo de 2009. Mas a tendência de baixa continuou de maio de 2011 até agora.

Nos últimos 12 meses, a economia cresceu uns 2%, segundo a estimativa oferecida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Até o comércio de varejo andou fraco no primeiro bimestre.

Os estoques das fábricas estão altos. Os juros para o consumidor de varejo não caíram -está difícil vender carro. O setor imobiliário vai crescer mais devagar. As famílias estão endividadas, ao menos a julgar pelo índice de inadimplência.

Isso pelo lado da demanda. "O lado da oferta segue espremido entre o aumento dos custos de produção e a dificuldade de repassar preço -resultado da demanda ainda pouco robusta em alguns segmentos e da competição de importados", escreviam os economistas do Itaú em relatório com base em indicadores conhecidos até 10 de abril.

Não se trata de culpar os doutores-economistas oficiais. Para o bem ou para o mal, a atividade econômica tem manhas que driblam terapias ou mezinhas do governo.

Ficou evidente que não se conhecem bem os efeitos de curto prazo (um ano, por aí) da política monetária, em especial quando ela combina mexidas em juros com outros apertos nas torneiras do crédito. Pior ainda quando ao aperto no crédito se soma um gasto algo mais comedido do governo, como em 2011.

O investimento pena por causa da indústria, por causa do susto mundial de 2011 e porque o governo ele mesmo investiu menos.

Para aumentar a confusão, a inflação baixou para um nível ainda chatinho mesmo com o tombo do PIB, dos 7,5% de 2010 para os 2% de agora. Inflação na meta de 4,5% demandaria uma recessão?

O emprego formal cresce cada vez mais devagar faz quase dois anos, mas a taxa de desemprego é historicamente baixa e o valor médio dos salários cresce a 10% anuais (em termos nominais). Isso enquanto se fala de "desindustrialização" ou, ao menos, de catatonia da indústria.

Os economistas mais certeiros creem em crescimento de 3,5% neste ano -longe de uma tragédia, no curto prazo. Acham até que o governo exagera tanto nos estímulos ao consumo que se arrisca a quebrar costelas ou o esterno do doente na tentativa de ressuscitá-lo -de causar mais inflação, além do aumento já projetado lá para o final do ano.

O curto prazo, pois, parece mais nebuloso que o futuro. No entanto, estamos quase todos, governo em particular, tratando do curto prazo.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

A batalha Hollande x mercados:: Clóvis Rossi

O candidato socialista, favorito na França, promete o ineditismo de ser mais forte que o mercado

Se ganhar a eleição francesa, como dizem todas as pesquisas, o socialista François Hollande terá feito, no domingo, sua promessa mais difícil de cumprir, quase impossível, para ser bem franco: Hollande quer ser "um presidente mais forte do que o mercado".

Não há exemplo recente, especialmente na Europa, de governante que tenha realmente se imposto aos mercados. Primeiro, os exageros de mercados desregulados levaram à crise de 2008, que rola até hoje. A crise, por sua vez, engoliu um governante após o outro, derrotando todos os que enfrentaram eleições desde então.

Na segunda onda da crise, a partir de 2010, os mercados sitiaram a Europa, e a reação dos governantes, sem exceção, foi a de ceder, promovendo ajustes brutais que minaram a popularidade de todos, uns mais que outros.

O exemplo mais recente é o do espanhol Mariano Rajoy, eleito faz apenas quatro meses e meio, com 44% dos votos: depois de propor ao Congresso o Orçamento mais austero desde que a Espanha recuperou a democracia, há 35 anos, a popularidade de Rajoy desceu a 38%. E 58% dos consultados desaprovam sua gestão, conforme pesquisa publicada no domingo pelo jornal "El País".

Para ser de fato mais forte que os mercados, Hollande teria que combinar duas coisas que parecem incompatíveis: adotar políticas pró-crescimento e, por extensão, pró-emprego sem se deixar dobrar pela inevitável reação dos mercados.

O líder socialista já avisou, aliás, em entrevista ao "Jornal de Domingo", que haverá, sim, uma reação dos agentes de mercado, apenas seis dias depois do segundo turno, marcado para dia 6.

A agência de avaliação de risco Moody"s dirá se mantém ou não a cotação da França (a melhor possível, AAA) ou se seguirá a Standard & Poor"s, que cortou a nota francesa há três meses.

Hollande tratou de explicar que é mera coincidência o fato de a avaliação sair tão perto da eleição, mas é inevitável que, se a nota for rebaixada, o gesto seja entendido como o primeiro ataque dos mercados ao novo presidente.

Não que Hollande seja um radical cujo programa preveja trocar a austeridade pelo crescimento. Ele quer, sim, rever o pacto fiscal europeu que exige cravar na Constituição de cada país o equilíbrio fiscal até 2016, mas não para rejeitar a austeridade. Quer, apenas, acrescentar a ela medidas pró-crescimento e, por extensão, pró-emprego (o desemprego na França está em 10%, o mais alto em 12 anos).

Mas os mercados têm reagido sempre com virulência a qualquer iniciativa destinada a mitigar a austeridade, mesmo que seja para combinar equilíbrio fiscal e crescimento, que é a necessidade mais premente de uma Europa estagnada.

Hollande cobre a sua retaguarda assegurando, como o fez no comício de domingo, que a mudança -sua palavra de ordem- será "calma, firme e lúcida".

Convencerá os mercados? Pode ser, mas é improvável. Os tempos da política, necessariamente mais lentos, não combinam com os dos mercados, elétricos, agitados, raramente lúcidos.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

O Duplo:: Affonso Romano de Sant'Anna

Debaixo de minha mesa
tem sempre um cão faminto
-que me alimenta a tristeza.
Debaixo de minha cama
tem sempre um fantasma vivo
-que perturba quem me ama.

Debaixo de minha pele
alguém me olha esquisito
-pensando que eu sou ele.

Debaixo de minha escrita
há sangue em lugar de tinta
-e alguém calado que grita.

* Este poema foi recitado na voz de Tônia Carrero no CD "Affonso Romano de Sant'Anna por Tônia Carrero" da Coleção "Poesia Falada".

segunda-feira, 16 de abril de 2012

OPINIÃO DO DIA – Habermas: “entendimento”, “agir comunicativo”

“O centro das minhas reflexões passou a ser ocupado pelos conceitos “entendimento” e “agir comunicativo”. Visto que estes possuem um sentido mais trivial, pois se referem àquilo que acontece interruptamente na prática do dia-a-dia – sem o brilho poético ou romântico que costuma acompanhar as experiências extraordinárias. Ora, num primeiro momento, isso também não tem nada a ver com a moral. Mesmo não levando em conta o fato de que o agir moral, ao contrário do que o senhor afirma, não pode ser explicado a partir da oposição entre egoísmo e altruísmo, convém ter em conta que freqüentemente aquilo que aparece como nossa obrigação coincide com nossos interesses legítimos, inclusive com interesses no curto prazo.”

HABERMAS, Jürgen, Düsseldorf, 18 de Junho 1929) é um filósofo e sociólogo alemão. Sobre o poder das teorias e sua importância, p.164

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Dilma reclama e PT agora tenta pisar no freio da CPI
Sarney vai para UTI após cirurgia
Américas: cúpula acaba sem consenso

FOLHA DE S. PAULO
PF investiga outro elo entre Cachoeira e construtora
Cúpula termina dividida e sem declaração final

O ESTADO DE S. PAULO
Taleban faz maior ofensiva no Afeganistão em dez anos
Esquema ilegal de Cachoeira movimentou R$ 400 milhões
Cúpula das Américas acaba em crise e pode ser a última
Importadores se unem contra protecionismo

VALOR ECONÔMICO
Participação minoritária faz Cade entrar na área da CVM
Belo Monte acentua as fragilidades de Altamira
Lentidão do Incra dificulta crédito rural
'Minha Casa' sustenta o investimento

CORREIO BRAZILIENSE
Demóstenes e irmão entram na mira do MP
Declaração, só na última hora
Cuba, pivô de impasse

ESTADO DE MINAS
PT e PSDB de mãos dadas em outubro

ZERO HORA (RS)
Impasse entre União e Estados impede queda nas contas de energia
Cúpula de presidentes acaba sem consenso
Ana Amélia está cada vez mais Manuela

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Cúpula fica sem declaração final

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Dilma reclama e PT agora tenta pisar no freio da CPI

Insatisfeita com as declarações do presidente do PT, Rui Falcão, que chegou a defender uma mobilização em torno da criação da CPI do Carlinhos Cachoeira, a presidente Dilma Rousseff queixou-se com ministros e petistas. Diante da reação de Dilma, que conversou até com o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva sobre o assunto, num encontro sexta-feira, o partido já começa a mudar de estratégia. O líder do Senado, Walter Pinheiro, que chegou a defender a CPI, agora admite mudar de posição, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) envie os autos da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética da casa. Ele reconhece, no entanto, ser difícil reverter a situação, porque "podem dizer que é golpe". Falcão, em vídeo, disse que a CPI do Cachoeira ajudaria a neutralizar o desgaste com julgamento do escândalo do mensalão no STF. Petistas ligados a Dilma criticaram ainda o partido por ter seguido orientação de Lula, que defende a CPI como forma de investigar o governo tucano de Marconi Perillo (GO). Gravações da PF mostram que Idalberto Matias, o Dadá, braço-direito de Cachoeira, trabalhava como segurança na Delta Construções, usada como sede de encontros da quadrilha. A empreiteira abasteceu o esquema de Cachoeira através de empresas de fachada, segundo a PF

PT recua e fala em "rediscutir" CPI

Dilma se queixa do ritmo com que presidente do partido defendeu criação da comissão
Fernanda Krakovics

A presidente Dilma Rousseff não está satisfeita com o presidente do PT, Rui Falcão, por causa da atropelada criação da CPI do Cachoeira. Dilma se queixou com ministros e petistas de que Falcão não podia ter saído atirando - e defendendo a criação da CPI - sem consultá-la antes. Agora, o partido tenta puxar o freio de mão. Com o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), internado desde sábado com insuficiência coronariana, se as assinaturas forem coletadas a tempo, caberá à vice-presidente Marta Suplicy (PT-SP) instalar a comissão na terça-feira. A preocupação de Dilma com o anunciado descontrole da CPI foi tema da conversa, na sexta-feira, entre ela e o ex-presidente Lula, um dos entusiastas da investigação parlamentar sobre os negócios e relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), já admite até abortar a CPI, se o Supremo Tribunal Federal (STF) concordar em enviar os autos das operações Monte Carlo e Las Vegas, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética do Senado. Mas ele reconhece que, politicamente, é muito difícil reverter a criação da CPI a esta altura dos acontecimentos. O senador José Pimentel (PT-CE), como membro do Conselho, requereu novamente os documentos, alegando jurisprudência do caso do ex-senador Luiz Octávio (PMDB-PA), quando o Supremo enviara o inquérito solicitado pelo Senado.

- Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe - disse Pinheiro.

Dilma ficou especialmente irritada com o vídeo em que o presidente do PT, Rui Falcão, diz que a CPI ajudaria a desviar o foco e neutralizar o desgaste do julgamento do mensalão no STF, que deve começar em maio. Para Dilma, há o risco de a CPI ser um tiro no pé e paralisar o governo. Governadores e governistas também temem que as investigações virem uma bola de neve e desnudem as relações da Delta Construções com governos de todos os partidos.

Petistas criticam intervenção de Lula

Petistas mais moderados criticam a direção do partido por ter atendido, sem discussão, o desejo do ex-presidente Lula, que vibrou quando integrantes do governo do tucano Marconi Perillo (GO) apareceram nas investigações da Polícia Federal. O ex-presidente não perdoa o tucano por ele ter afirmado, durante o escândalo do mensalão, que Lula tinha conhecimento do esquema. Rui Falcão chegou a defender, em vídeo, que a CPI fosse usada para investigar o que chamou de "farsa do mensalão", que, segundo ele, teria sido montada pelo grupo que circula em torno de Cachoeira.

Depois que forem coletadas as assinaturas necessárias - 171 na Câmara e 27 no Senado -, Marta Suplicy terá que ler o requerimento em plenário, para que a CPI seja criada.

No balanço dos eventuais estragos decorrentes da CPI, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), aposta que a oposição tem mais a perder do que o governo e a base aliada:

- Tem coisas graves que precisam ser investigadas. Não é CPI contra o governo. As denúncias batem pesado na oposição, inclusive em pessoas que se portavam como paladinos da moralidade. Se aparecer qualquer irregularidade no governo, a providência é mandar apurar. Se tiver que romper contratos (com a Delta), rompe. O objetivo é apurar a infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, e pega mais gente da oposição do que do governo.

Além de Perillo, as investigações da PF também envolvem o governo petista de Agnelo Queiroz (DF). A ala mais moderada do PT é contra lavar as mãos em relação à administração do Distrito Federal e refuta o argumento de que Agnelo é recém-chegado no partido.
- É um governo do PT. Não dá para contabilizar como governo nosso só quando interessa - diz uma liderança petista.

Ex-líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é contra e não quis assinar a CPI:

- Acho que era preciso aguardar um pouco. Acho uma temeridade abrir uma metralhadora giratória agora que vai perturbar tudo. Há um ambiente de preocupação. Quem tem experiência de CPI sabe que pode ser um instrumento de perturbação para o governo.

A mesma cautela é adotada pelo atual líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).

- Eu, Eduardo Braga, pessoalmente sempre acho que CPI, a gente sabe como começa, mas não sabe como termina - diz Braga, estranhando não ter tido nenhuma orientação do Planalto para interferir na instalação da CPI.

FONTE: O GLOBO

Sem cavalos de pau

O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres de Britto, ocupou os jornais no fim de semana para dar uma boa notícia ao país: no novo cargo, que assumirá na quinta-feira, fará todo o esforço para que o mensalão seja julgado até julho. Com a manifestação, ele se transformou, desde já, no inimigo n° 1 dos petistas.

Britto propõe um esforço concentrado na Corte para que o julgamento do crime, revelado há sete anos, não fique para as calendas. Se o caso não for julgado agora, uma série de vicissitudes o empurrará para fins de 2013. É tudo o que o PT mais quer.

Por isso, o esforço de Britto merece amplo apoio da sociedade: os que querem o bem do país devem se unir em torno da proposta do novo presidente do STF. Até porque não há dúvida de que, mesmo com todo o empenho, o caminho até a conclusão do julgamento será tortuoso e o PT fará tudo o que estiver a seu alcance - legal e ilegalmente - para dificultá-lo.

Como, aliás, já está fazendo. Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-presidente Lula está liderando pressões sobre o STF para livrar petistas de um julgamento mais rigoroso e para "convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano". É o velho horror petista à Justiça.

Na altura em que está, o julgamento do mensalão só depende da revisão do processo pelo ministro Ricardo Lewandowski. Mas há, aí, um risco ao qual é preciso atenção: "Há 20 dias, em conversa com um amigo, o ministro antecipou que dificilmente concluirá seu trabalho antes do recesso da Justiça, em julho", alerta Ricardo Noblat hoje n'O Globo.

Ora, não há razões para mais protelações. O trabalho pesado já foi concluído em dezembro passado pelo ministro Joaquim Barbosa, que transformou as mais de 50 mil páginas do processo numa síntese de 122 páginas. É este documento que cabe a Lewandowski agora revisar.

A demora em julgar os delitos da "organização criminosa" denunciada pela Procuradoria-Geral da República emite um mau sinal para a sociedade e acaba funcionando como uma espécie de salvo-conduto para mais falcatruas. Como as que envolvem o bicheiro Carlos Cachoeira e a banda podre do mundo político, com destaque para a farra que está se revelando em torno da construtora Delta e do governo do Distrito Federal.

Começam a se delinear em torno da empreiteira carioca as mesmas práticas verificadas no mensalão: milionários contratos da empresa com o setor público podem ter sido usados como fonte de recursos para financiar campanhas, como mostrou a Folhaem suas edições de ontem e desta segunda-feira.

A Delta é uma espécie de "filha do PAC". A empresa multiplicou-se à base de obras do programa lançado por Lula e ninado por Dilma Rousseff desde a época em que ela era ministra-chefe da Casa Civil. Desde o início da gestão petista, os recursos recebidos do governo federal pela Delta cresceram 2.000%.

A Delta pode ser o mais vistoso, mas não deve ser o único guichê que o PT espetou no PAC. É bem possível que as cifras bilionárias do programa que nunca se transformam em obras de verdade alimentem, na realidade, grossos desvios para bolsos partidários. Caberá à CPI do Cachoeira investigar.

Mas as empreiteiras não estão sozinhas nas urdiduras que serão agora apuradas no Congresso. Também o governo petista do Distrito Federal desponta envolvido até a alma com o submundo do crime, a ponto de uma central de espionagem ter sido montada dentro do Palácio dos Buritis - numa reedição dos velhos métodos totalitários que encantam corações e mentes do PT, como mostra a edição da revista Veja desta semana.

É o desnudamento destas aberrações que amedronta os petistas na CPI, a ponto de alguns próceres do partido já defenderem um "cavalo de pau" nas investigações, como faz Walter Pinheiro n'O Globo de hoje: segundo o jornal, o líder do PT no Senado "já admite até abortar a CPI". O senador não fala sozinho. Ecoa as angústias da presidente da República, que, na sexta-feira, passou cerca de três horas com Lula em São Paulo para tentar achar meios de frear a CPI.

A disposição de Carlos Ayres de Britto pelo término da apuração do mensalão e o ímpeto da CPI pelo desvelamento da teia de interesses escusos montada pelo bicheiro Carlos Cachoeira no mundo político são manifestações de quem quer um Brasil mais limpo. Quem estiver contra isso tem dois interesses claros: jogar toda a sujeira para debaixo do tapete e, principalmente, preservar ativos os drenos de recursos públicos que financiam a corrupção.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

PF investiga outro elo entre Cachoeira e construtora

Investigação da Polícia Federal mostra que membros da grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, receberam dinheiro de uma empresa que levou R$ 13 milhões da construtora Delta em 2010, ano eleitoral.

A Delta afirma que a empresa se manifestará na "foro judicial adequado". O empresário diz não responder questões pontuais.

PF aponta nova ligação de Cachoeira com construtora

Grupo do empresário sacou de duas empresas com sede na mesma oficina

Para oposição, CPI que será instalada nesta semana deve investigar uso de recursos em campanhas políticas

Leandro Colon, Fernando Mello e Márcio Falcão

BRASÍLIA - Investigações da Polícia Federal mostram que o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou uma segunda empresa para sacar recursos repassados pela construtora Delta, pivô do escândalo.

A PF suspeita que o dinheiro tenha origem em contratos da empreiteira com o setor público e que tenha sido usado pelo grupo de Cachoeira para financiar políticos na campanha eleitoral de 2010.

Essa hipótese pode se tornar um dos focos principais da Comissão Parlamentar de Inquérito criada pelo Congresso para investigar os negócios de Cachoeira, que deverá ser instalada amanhã.

Conforme a Folha informou ontem, o contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva, sacou R$ 8,5 milhões da conta da Alberto e Pantoja Construções e Transportes Ltda, em Brasília, entre maio e dezembro do ano de 2010. Os recursos haviam sido transferidos pela Delta.
As investigações mostram que Silva sacou dinheiro de uma segunda empresa, a Brava Construções e Terraplanagem, que recebeu R$ 13 milhões da Delta em 2010.

Segundo a PF, as empresas servem como fachada para o grupo de Cachoeira movimentar recursos repassados pela Delta, que tem contratos milionários com o governo federal e vários Estados.

Escutas telefônicas da PF indicam que o grupo de Cachoeira se valeu de sua influência nos governos de Goiás e do Distrito Federal para defender interesses da Delta.

A Brava tem como sede o mesmo endereço da Alberto e Pantoja, um prédio numa cidade-satélite de Brasília onde há uma oficina mecânica. Juntas, as duas receberam R$ 39 milhões da Delta.

Os saques foram feitos pelo contador de Cachoeira, Geovani Pereira da Silva. Foragido, ele é procurado pela polícia desde fevereiro, quando o empresário e membros de seu grupo foram presos.

Silva recebeu pelo menos R$ 30 mil da conta da Brava, em abril de 2010. Ex-cunhado de Cachoeira, Adriano Asprígio ficou com R$ 65 mil da empresa, segundo extratos bancários a que a Folha teve acesso. A PF investiga o destino do resto dos valores repassados à Brava pela Delta.

A assessoria da Delta afirmou ontem que a empresa prefere se manifestar sobre o tema na Justiça. A Folha não localizou representantes das empresas, nem o ex-cunhado de Cachoeira. A defesa do empresário não respondeu questões sobre os repasses.

Segundo a PF, a Brava e a Alfredo e Pantoja foram registradas em nome de "laranjas" e o contador de Cachoeira tinha procuração para movimentar suas contas.

Campanha

Congressistas de partidos de oposição ao governo federal afirmaram ontem que a CPI do caso Cachoeira deverá esclarecer se os negócios do grupo alimentaram contribuições ilegais na campanha eleitoral de 2010.

"É uma movimentação muito suspeita, que precisa de uma análise cuidadosa", disse o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).

O líder do PSOL no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), disse que o PT e o PMDB querem "blindar" a Delta. Ele lembra que a construtora era mencionada explicitamente na versão preliminar do pedido de criação da CPI, mas seu nome foi excluído.

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), nega qualquer intenção do governo de proteger a construtora, mas pediu "prudência". "Não vamos ficar condenando de maneira antecipada", disse. "A investigação é que vai definir se teve alguma coisa ou não."

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Aliados avaliam deixar de apoiar governo Agnelo

Lúcio Vaz, Andreza Matais

BRASÍLIA - PPS, PSB e PDT avaliam deixar de apoiar o governo de Agnelo Queiroz (PT) em consequência da crise política criada pelas suspeitas de envolvimento com o suposto esquema do empresário Carlos Cachoeira.

Investigação da Polícia Federal interceptou diálogos telefônicos que sugerem que uma construtora pagou propina para receber pagamentos prestados ao governo do Distrito Federal.

Integrantes do governo de Agnelo foram flagrados em conversas com o grupo de Cachoeira.

Os três partidos possuem integrantes no governo, além dos deputados darem apoio a Agnelo. O governo conta com o apoio de 17 legendas na sua base.

"O PPS vai se afastar. A coisa chegou a um ponto que não tem mais retorno", afirmou o presidente nacional do partido, deputado Roberto Freire (SP).

Ele afirma que uma reunião está marcada para hoje para definir esse afastamento. O partido pretende entregar o cargo de secretário de Justiça e Cidadania.

O deputado Chico Vigilantes (PT) disse não acreditar na dissidência. "Os dois do PPS não saem."

A Executiva do PSB do Distrito Federal teve reunião no sábado, mas não tomou uma decisão. "Estamos aguardando as explicações. Teremos nova reunião nesta semana", disse o senador Rodrigo Rollemberg (PSB).

O senador Cristovam Buarque (PDT) afirmou que o deputado distrital do PDT, Professor Israel, está fora da base de apoio do governo.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Lula e petistas aumentam pressões sobre ministros do STF no mensalão

Ex-presidente diz a aliados preferir adiamento do julgamento para evitar prejuízo a candidatos do PT

Presença de Toffoli, que trabalhou para o PT e no governo, e proximidade da eleição preocupam o partido

Catia Seabra, Felipe Seligman e Natuza Nery

BRASÍLIA - Sob a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do PT se lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão.

Parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do processo.

O medo dos petistas é de que os ministros do tribunal sucumbam a pressões da opinião pública num ano eleitoral. O mesmo movimento tenta convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano.

Um dos petistas que participam da ofensiva disse à Folha que fez chegar a integrantes do STF a avaliação de que não há provas suficientes para condenação do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino.

Na denúncia que deu origem ao processo do mensalão, Dirceu é apontado pela Procuradoria-Geral da República como chefe de um esquema que teria desviado recursos públicos para os partidos que apoiavam o governo Lula no Congresso.

O foco mais evidente do assédio petista é o ministro José Dias Toffoli, que foi assessor do PT e advogado-geral da União no governo Lula. Emissários do ex-presidente já fizeram chegar a Toffoli a preocupação com a possibilidade de ele se considerar sob suspeição durante o julgamento do mensalão.

Responsável pela indicação de Toffoli, o próprio Lula passou a reclamar dele. Segundo petistas, o ministro estaria emitindo "sinais trocados" sobre o julgamento.

Toffoli pode se declarar impedido para julgar o caso, por causa de seu envolvimento com o PT e o governo Lula, e porque sua namorada foi advogada do ex-deputado Professor Luizinho (SP), que também é réu no mensalão e hoje está afastado da política.

À Folha Toffoli disse que não se considera impedido, mas que só tomará uma decisão quando o julgamento estiver marcado. "Ele não tem esse direito", disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), amigo do ex-presidente.

Segundo a Folha apurou, Lula já afirmou a ao menos dois ex-ministros de seu governo que não gostaria que o julgamento ocorresse neste ano por temer prejuízos aos candidatos que apoiará nas eleições municipais. Dos 11 integrantes do Supremo, seis foram nomeados por Lula.

Pressão jurídica

Além da movimentação política, os ministros também passaram, nos último meses, a receber outro tipo de pressão, desta vez jurídica, vinda de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula.

Contratado para defender um ex-diretor do Banco Rural que também é réu, Thomaz Bastos enviou ao Supremo uma questão de ordem para tentar mais uma vez desmembrar o processo.

Isso deixaria no tribunal apenas três réus e mandaria para a primeira instância todos aqueles que não têm foro privilegiado no Supremo, entre eles Dirceu e Genoino.

O STF rejeitou a ideia em 2006, quando a denúncia ainda não havia sido aceita pelo tribunal e a discussão foi proposta pelos advogados do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Thomaz Bastos diz ter novos argumentos para defender a tese e já conseguiu convencer parte dos ministros do STF de que será preciso analisar a questão novamente antes do julgamento.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Advogado apresenta 'prova nova' que pode atrasar mensalão

Rogério Tolentino, ex-sócio de Marcos Valério, tenta escapar de acusação; ministros divergem sobre iniciativa

Ricardo Brito

BRASÍLIA - O advogado Rogério Tolentino, ex-advogado das agências de publicidade SMP&B e DNA e ex-sócio de Marcos Valério, apresentou no mês passado ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma "prova nova" para se livrar da acusação de formação de quadrilha, um dos três crimes a que responde no processo do mensalão. O pedido para examinar a prova pode acarretar atraso do julgamento do processo, previsto para ocorrer ainda este ano.

Logo após a eclosão do escândalo, em 2005, Tolentino, Valério e seus então sócios SMP&B participaram, segundo a Procuradoria-Geral da República, de uma reunião com o contador Marco Aurélio Prata na qual teriam destruído e falsificado documentos para acobertar crimes supostamente cometidos por uma das empresas do grupo.

A SMP&B, que, segundo o Ministério Público, está envolvida nas fraudes, é acusada de ter abastecido o esquema de pagamento de propina para que parlamentares votassem em projetos de interesse do governo Lula.

O advogado levou ao processo como "prova nova" o fato de, numa sentença de fevereiro da Justiça Federal mineira, não ter havido qualquer menção por acusados ou testemunhas à participação dele no encontro, o que o isentaria de formação de quadrilha. No documento, o defensor de Tolentino, Paulo Sérgio Abreu e Silva, classificou de "fantasia mental" a acusação feita pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando Souza, autor da denúncia do mensalão.

Absolvição. A Justiça absolveu Marco Aurélio Prata do crime de sonegação fiscal por falta de provas. "Demonstrado que a "emblemática reunião" nunca ocorreu, como quer o MPF (Ministério Público Federal), e que a retificação da contabilidade da empresa SMP&B Comunicação Ltda, por si só, não constitui ilícito administrativo e/ou penal e, ainda, que o nome do requerente nem foi mesmo abordado na decisão transitada em julgado, o suplicante requer a juntada dos inclusos documentos nos autos da ação penal", afirmou o advogado de Tolentino no texto encaminhado ao relator do mensalão no STF, ministro Joaquim Barbosa.

A defesa do réu pediu ao ministro que encaminhe o documento ao atual procurador-geral, Roberto Gurgel, para que ele tome conhecimento da decisão e tenha direito à "ampla defesa". Na prática, o advogado de Tolentino pretende, respaldado no Código de Processo Penal, examinar uma prova no momento em que os ministros do STF preparam seus votos para levar os 38 réus do processo a julgamento.

Fora de hora. O relator, porém, tem dito em conversas reservadas que agora não é mais momento para apresentar pedidos do tipo à Corte. Tolentino ainda é réu no processo por lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Em entrevista ao Estado, publicada ontem, o novo presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, disse que, se o processo não estiver julgado até 6 de julho, será difícil julgá-lo este ano.

O ministro Marco Aurélio Mello afirmou, por seu lado, que é um direito da defesa apresentar questionamentos ao processo a qualquer momento. "Não se pode presumir o excepcional, uma manobra para ganhar tempo", afirmou, ao admitir que o pedido pode "repercutir na marcha do processo". Se o relator se negar a analisar o pedido, a defesa pode recorrer ao plenário para avaliá-lo.

No processo da Justiça mineira mencionado pela defesa de Tolentino, Marcos Valério e seus ex-sócios Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollberbach Cardozo foram condenados cada um a nove anos de prisão por sonegação fiscal, estimada em 2007, de R$ 90 milhões. Os três já recorreram da decisão em liberdade. Considerada na decisão como "laranja" na empresa, a mulher de Valério, Renilda Santiago, foi absolvida.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Oposição quer ouvir Dirceu na CPI do Cachoeira

Estratégia é insistir na vinculação do ex-ministro da Casa Civil com Waldomiro Diniz, que era seu assessor à época

Denise Madueño

BRASÍLIA - Os partidos de oposição preparam uma estratégia para levar o "mensalão" de volta à cena com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ligações políticas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Entre os primeiros requerimentos à CPI, a oposição pretende pedir a convocação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) e de seu assessor à época, Waldomiro Diniz.

Em um vídeo divulgado em 2004, Diniz aparece pedindo propina a Cachoeira em troca de facilidades em contrato do consórcio representado pelo empresário com a Loteria do Rio de Janeiro. A gravação da conversa foi em 2002, quando Diniz presidia a Loterj. Essa ligação Cachoeira-Diniz será usada como elo para uma eventual convocação de Dirceu.

Os aliados da presidente Dilma Rousseff formam ampla maioria na CPI e terão o controle dos trabalhos, mas a oposição vai insistir no desgaste político do governo. O requerimento de criação da CPI mista, com deputados e senadores, deverá ser protocolado amanhã, quando estará concluída a fase de recolhimento das assinaturas - mínimo de 171 na Câmara e de 27 no Senado.

Setores da base da presidente criticam o empenho do PT em ajudar na criação da comissão e acabar levando os demais partidos aliados a reboque.

No PMDB, há um entendimento de que a base defenderá o governo, mas não terá a mesma disposição para se aliar às intenções do PT de apurar o suposto envolvimento de setor da mídia com escutas telefônicas, por exemplo.

Objetivos distintos. O PT, por sua vez, pretende usar a CPI justamente para desviar o foco do mensalão, com votação prevista para esse ano no Supremo Tribunal Federal (STF), se possível desqualificando os acusadores do partido no escândalo que atingiu o primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

"É uma CPI com diferentes objetivos. Cada partido tem o seu", avaliou um parlamentar aliado. Na oposição, a CPI poderá atingir o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.
Em contrapartida, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), será alvo de ataques da oposição.

O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), tem repetido que o partido está pronto para o ataque.

O DEM teve uma importante baixa com a Operação Monte Carlo da Polícia Federal e teria interesse em igualar o jogo. O senador Demóstenes Torres (GO), acusado de envolvimento direto com o esquema de Cachoeira, deixou o partido e responde a processo de cassação por falta de decoro no exercício do mandato.

Com tantos interesses distintos, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) suspeita da real intenção dos partidos em apurar a relações dos políticos com Cachoeira.

"Estou começando a achar que PT e PSDB estão fazendo um acordo: você não investiga isso que eu não investigo aquilo", afirmou o senador.

O PSOL, com três deputados e um senador, tenta ampliar o número de integrantes da CPI - fixado em 15 deputados e 15 senadores - para conseguir uma vaga na comissão. A composição é feita de acordo com o tamanho das bancadas partidárias e o PSOL ficou de fora.

Colaborou Ricardo Brito

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Partidos indicam membros de CPI até quinta

Karla Correia

Monitoradas de perto pelo radar do Palácio do Planalto, as bancadas partidárias no Congresso trabalham para anunciar até a próxima quinta-feira os ocupantes das vagas titulares e suplentes na CPI que investigará as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o mundo político. Na Câmara, o PMDB deve reservar uma vaga titular à deputada Íris de Araújo (GO) e cogita destinar outro assento ao deputado Luiz Pitiman (DF).

O marido da deputada, Íris Rezende, foi derrotado pelo atual governador de Goiás, Marconi Perillo, nas eleições de 2010. Pitiman, por sua vez, é ex-secretário de Obras do Distrito Federal e deixou o governo em meio a uma crise entre PT e PMDB no DF. "Essas questões não vão influenciar a atuação dos parlamentares na comissão", garante o líder da legenda na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN). A presidência da CPI ficará com a bancada do Senado e, até o momento, o nome mais cotado é o do senador Vital do Rêgo (PB).

No PT, as indicações começam a ser definidas em uma reunião marcada para amanhã. No Senado, o líder da legenda, Walter Pinheiro (BA), tem entre seus prediletos Wellington Dias (PI) e José Pimentel (CE). "O critério principal é de que o parlamentar não seja candidato ou tenha qualquer envolvimento com as campanhas deste ano", diz o líder da legenda na Câmara, Jilmar Tatto (SP). Um dos nomes mais cotados é o do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), sondado para assumir a relatoria da CPI ao lado de Paulo Teixeira (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS). Internamente, contudo, uma fatia do partido demonstra resistência ao nome do ex-líder do governo na Câmara, por sua defesa à legalização dos bingos no passado.

A maior preocupação do governo é de que a CPI se transforme em cenário de rebeliões da base. "Se as investigações encostarem em um fio de cabelo de qualquer um no Planalto, a situação vai ficar ruim, poucos se levantarão para defender o governo", diz um deputado aliado. Dentro da bancada governista na Câmara, ainda terão direito a vaga PR, PSB, PTB, PSC e PP, com um assento cada. No Senado, o bloco de apoio ao governo, formado por PT, PDT, PSB, PCdoB e PRB, terá direito a cinco vagas. A única confirmação é o senador Pedro Taques (PDT-MT).

Também amanhã, o PSDB define os indicados para compor a comissão. O partido tem direito a dois titulares e dois suplentes. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) já está entre os titulares, segundo o líder da legenda na Câmara, Bruno Araújo (PE). A vaga do DEM na Câmara deve ser ocupada por Onyx Lorenzoni (RS).

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

PT e PSDB de mãos dadas em outubro

Lula mandou, o PT obedeceu

Encontro de delegados confirma a aliança com PSB pela reeleição de Marcio Lacerda em BH, sem vetar a presença do PSDB, como o ex-presidente orientou. Nome de vice sai no dia 29

Alessandra Mello e Isabella Souto

O PT seguiu a orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da direção nacional do partido. Por 291 votos a favor, 196 contra e três nulos, os delegados ao encontro municipal de Belo Horizonte aprovaram a reedição da aliança com PSB e PSDB em torno da candidatura à reeleição do prefeito Marcio Lacerda. O grupo contrário à união com os socialistas – liderado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho (PT) – se reúne na quarta-feira para discutir qual postura tomar no processo eleitoral. A legenda faz novo encontro no dia 29, para escolher o candidato a vice-prefeito e a chapa que concorrerá à Câmara Municipal.

Ao aprovar a coligação com o PSB, os petistas entregaram um cheque em branco à legenda. Na prática, eles aceitaram as regras impostas pelos socialistas, ou seja, a participação do PSDB – já confirmada pelos socialistas e tucanos – e a inclusão de vários outros partidos aliados na chapa de vereadores. Em encontro realizado no dia 25, os petistas haviam aprovado uma resolução apoiando a coligação com o PSB, mas com a garantia de uma dobradinha na disputa pelas 41 cadeiras de vereador e recomendação para a exclusão do PSDB. Na resposta enviada sexta-feira aos petistas, o presidente estadual do PSB, Walfrido Mares Guia, nada disse sobre os tucanos e deixou para depois da definição da chapa majoritária a discussão sobre a proporcional. "Com relação ao estabelecimento de uma coligação proporcional com o PSB, manifestamos nossa aceitação em fazê-la com o PT e outros partidos aliados com os quais estabeleceremos as condições após o fechamento da chapa majoritária", informou por meio de nota.

Sem mencionar o PSDB Maior defensor da candidatura própria – ou no mínimo a retirada do PSDB da chapa –, Roberto Carvalho lamentou a votação de ontem e a interferência da direção nacional do PT na sucessão da capital. "Aceitamos o resultado, mas não acatamos uma aliança com o PSDB. Que fique claro que com o PSDB não haverá unidade no PT. Essa decisão vai acabar com o PT em Belo Horizonte, podendo ter reflexos em Minas Gerais. A interferência da direção nacional é nefasta para Minas", reclamou Carvalho. Na sexta-feira, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, veio a Belo Horizonte e deixou claro que o PSB é um partido prioritário para as pretensões eleitorais do PT. Na quarta-feira, Lula já havia tratado de preparar o terreno para uma encontro pacífico que selasse a parceria entre PT e PSB numa reunião em São Paulo com Falcão, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias. O recado do ex-presidente foi claro: a exclusão do PSDB seria apenas uma recomendação, sem qualquer tipo de veto. Os petistas foram mais realistas que o rei: a resolução aprovada sequer cita os tucanos.

Inconformado com o resultado, na quarta-feira o grupo que votou contra a aliança volta a se reunir e a expectativa é que deixem de lado o processo eleitoral e não participem da campanha de Marcio Lacerda.

O presidente do PT, Reginaldo Lopes, retomou o discurso da cúpula do partido, reafirmando que o PT é um partido nacional e que a aliança com o PSB é estratégica não só em Minas Gerais, mas em outros estados. Em troca do apoio ao PSB na capital, o PT conta com o aval dos socialistas para seus candidatos a prefeito em Uberlândia, Juiz de Fora e Contagem. Fora de Minas, querem o apoio à candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad em São Paulo, e do deputado federal Dr. Rosinha em Curitiba. Do lado do PSB, eles esperam o apoio do PT para candidatos em Campinas (SP), Mossoró (RN), Duque de Caxias (RJ) e municípios paulistas, como Franca, Taubaté, Taboão da Serra e Itanhaém.

"Temos que seguir com a aliança e cobrar uma repactuação programática do governo Lacerda", defendeu o presidente municipal. Segundo ele, o processo foi superado e o próximo passo é definir o candidato a vice na chapa. Reginaldo Lopes disse que a decisão sobre quais partidos vão compor a chapa proporcional será do PSB, em comum acordo com o PT. A presença do PSDB desagrada aos candidatos a vereador, pois pode elevar a quantidade mínima de votos para a eleição a uma vaga na Câmara.

Com direito a bate-boca

Foi tenso o clima da reunião do PT que sacramentou o apoio do partido à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB). A decisão dividiu a legenda e vai colocar em lados apostos na campanha deste ano a turma dos defensores da candidatura própria – liderada pelo vice-prefeito e presidente do diretório municipal, Roberto Carvalho –, e a dos apoiadores da reedição da dobradinha feita em 2008, comandados pelo presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes.

Em alguns momentos da reunião, as duas alas bateram boca e houve um princípio de tumulto, contido pelos líderes da legenda. Cada lado teve direito a inscrever cinco pessoas para encaminhar a votação Na hora em que o presidente estadual iniciou seu discurso, parte dos delegados ficou de costas em sinal de protesto. A vereadora Neusinha Santos (PT), adepta da tese da candidatura própria, afirmou que eles foram tachados por Reginaldo Lopes de "desqualificados politicamente". Na mesma hora, delegados ligados ao deputado protestaram e começou a confusão. Os dirigentes pediram calma e, depois de alguns minutos, a vereadora conseguiu retomar sua fala.

Também houve balbúrdia na hora em que o deputado estadual André Quintão discursava. Do grupo do ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias, Quintão é um dos cotados a candidato a vice de Lacerda. Ele defendeu o apoio ao PSB alegando que o PT não se preparou para ter candidatura própria e que era mais arriscado para a legenda "jogar o PSDB no colo de Lacerda". Sobrou até para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticado por alguns militantes, que o acusaram de tentar impor a aliança, tachada de prejudicial para o futuro do partido.

O ex-deputado federal Virgìlio Guimarães, também cotado para vice e um dos principais responsáveis pela aliança de 2008 com Lacerda, foi vaiado na hora de seu discurso. Ele continuou falando tranquilamente e defendeu a unidade da legenda, independentemente do resultado do encontro.

Protesto Integrantes do movimento Fora Lacerda, que participavam de um protesto contra a verticalização da Pampulha pararam em frente ao Clube dos Economiários, ao lado da igrejinha, onde os petistas se reuniram , para gritar palavras de ordem contra o prefeito e a favor da candidatura própria do PT. Um grupo de delegados tentou colocar os manifestantes dentro do local, mas os seguranças barraram. O vereador Iran Barbosa (PMDB) , que participava do protesto, entrou no clube, mas saiu logo em seguida atendendo pedidos dos militantes (AM/IS).

FONTE: ESTADO DE MINAS

PT e PMDB divergem sobre CPI

Raquel Ulhôa e Fernando Exman

BRASÍLIA - Com o empenho do PT pela criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre o suposto esquema de corrupção chefiado pelo empresário Carlos Augusto Ramos e a omissão do Palácio do Planalto, o governo corre o risco de enfrentar dificuldades para montar uma rede de proteção na CPMI. Criada para atingir a oposição, cuja insignificância numérica hoje é reconhecida por todos, o governo pode ser a principal vítima. Não só com a paralisação do Congresso, mas também devido à possível revelação de irregularidades que envolvam o Executivo.

O PMDB, que deve indicar o presidente da comissão, resiste a assumir o papel de anteparo ao Executivo. A sigla ainda tenta digerir a decisão da presidente Dilma Rousseff de criar interlocução direta com a ala dissidente da bancada do Senado, ao substituir Romero Jucá (PMDB-RR), ligado à cúpula partidária, por Eduardo Braga (PMDB-AM) na liderança do governo na Casa.

Além disso, como o PT insuflou a instalação da comissão, outros partidos governistas têm demonstrado a intenção de indicar representantes dispostos a aprofundar as investigações. Até mesmo o PT pensa em escalar para integrar a comissão parlamentares que aceitem cumprir uma "missão partidária". CPI pode convocar depoentes, quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico, requisitar documentos e diligências e tem até poder de prisão.

Parlamentares do PT acreditam que a CPMI poderá dividir a atenção da sociedade com o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), embaralhando tudo aos olhos da sociedade. O presidente do PT, Rui Falcão, também sinalizou recentemente quais serão os alvos prioritários do partido: o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) - um dos mais duros oposicionistas do DEM até as revelações de suas supostas ligações com o grupo investigado-, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e parte da imprensa, que o PT tenta regular há muito tempo.

"O deputado [que for indicado para representar o PT na CPMI] é para assumir uma tarefa partidária, e não para ter holofote. Tem que ter espírito coletivo", afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), acrescentando que não indicará para a comissão deputados que forem candidatos a prefeito ou que quiserem frequentar suas bases eleitorais durante a campanha. "Vai ter que se dedicar 24 horas por dia e ficar em Brasília."

Parlamentares do PMDB questionam por que deveriam ficar com o ônus de "abafar" as investigações, para evitar possíveis prejuízos ao Planalto, quando o PT mostra essa "fúria" para criar a CPI. A perplexidade com essa iniciativa do partido de Dilma dominou as conversas durante o jantar em comemoração dos 46 anos do PMDB, na semana passada, em Brasília.

Palavras como "maluquice" e "inabilidade" eram ouvidas em todas as mesas. Até o vice-presidente da República, Michel Temer, então no exercício da Presidência, demonstrou preocupação com os desdobramentos das apurações, admitindo que CPI nunca é bom. "O governo não agiu nem para estimular nem para barrar", disse.

Na avaliação feita por pemedebistas presentes - do alto e do baixo cleros-, o PT está querendo criar um fato político maior do que o mensalão. Afirmam que, além de tentar desviar o foco do julgamento, a intenção seria diluir o desgaste político entre os diversos partidos junto à opinião pública.

O resultado, porém, na opinião de lideranças do PMDB, pode voltar-se contra interesses do governo. Um dos alvos da oposição é a ligação do grupo investigado com empresas contratadas para executar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a Delta Construção. A empresa nega ter praticado irregularidades.

Apelidado de Carlinhos Cachoeira, Carlos Augusto Ramos foi preso pela Polícia Federal sob a acusação de chefiar um esquema ilegal de jogos de azar. Na investigação, a Polícia Federal fez escutas telefônicas que apontam ligação de Demóstenes, deputados de diversos partidos e pessoas ligadas aos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Quem teve acesso ao inquérito diz que a CPMI pode apontar o envolvimento de integrantes do Judiciário, Ministério Público e outras empresas além da Delta. Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil à época de José Dirceu, um funcionário que permaneceu daquela época no atual gabinete de Relações Institucionais, aparecem em contato com o esquema do contraventor nos governos Lula e Dilma.

Alguns dos integrantes da CPMI poderão priorizar seus interesses políticos locais durante as investigações. Os representantes da bancada do PMDB na Câmara, por exemplo, serão os deputados Íris de Araújo (GO) e Luiz Pitiman (DF), ambos de Estados citados nas investigações da Polícia Federal. O marido de Íris de Araújo, Iris Rezende, perdeu a eleição a governador para Perillo. Já Pitiman foi secretário de Obras do governo Agnelo Queiroz.

O PR deve indicar os deputados Maurício Quintela Lessa (AL) e Ronaldo Fonseca, também do Distrito Federal. O DEM deve ser representado pelo deputado Onyx Lorenzoni (RS), que teve papel de destaque em CPIs contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os tucanos, os cotados são o deputado Carlos Sampaio (SP) e o senador Álvaro Dias (PR). PT, PMDB do Senado e demais partidos anunciam os nomes nesta semana.

As duas funções mais estratégicas serão ocupadas pelos maiores partidos da base. O PT da Câmara vai indicar o relator. Caberá ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), escolher o presidente da CPMI. Por enquanto, ele não quer falar quem serão os integrantes da bancada que vão compor a comissão. "Essa agonia é para mais adiante", diz.

FONTE: VALOR ECONÔMICO