Valor Econômico
Vice-presidente emergiu como cotado para o
Ministério da Fazenda, com o apoio de lideranças do PSB e de alas do governo
Com sua relevância reconhecida tardiamente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) terá mais protagonismo no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no qual se espera que a frente ampla que, novamente, foi decisiva para a vitória petista, tenha mais espaço e voz no governo. Após o empenho no segundo turno, que ampliou a votação da chapa, Alckmin emergiu como cotado para o Ministério da Fazenda, com o apoio de lideranças do PSB e de alas do governo.
Reconhecido pela lealdade e discrição que
pautaram seu desempenho até aqui, Alckmin representa a união das forças da
esquerda e da direita que se uniram no segundo turno contra o bolsonarismo.
Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, teve a atuação para
reverter o “tarifaço” americano sobre as exportações brasileiras elogiada. É
reconhecido pelo perfil fiscalista, pela boa interlocução com o mercado
financeiro e setor produtivo, e pela defesa da reforma tributária.
Em agosto, defendeu que o governo se
comprometa com o corte de gastos e com um superávit primário em evento com
investidores em São Paulo: “É evidente que para um país em desenvolvimento, nós
temos que reduzir essa dívida. A tarefa é ir fazendo o superávit. Então, a meta
aqui é de 1%. Vamos subir esse superávit e você vai avançando”, sustentou. Mas
ressalvou que decisões do Judiciário do Legislativo têm impacto no Executivo,
afetando as contas públicas.
Nos dois discursos da vitória, na noite de
domingo (25), chamou a atenção o gesto de Lula para que o vice-presidente
falasse antes dele. Em seguida, o petista renovou elogios ao aliado: “Feliz do
presidente que tem um vice da qualidade, lisura de comportamento e lealdade que
tenho no Alckmin”, afirmou.
No primeiro turno, interlocutores do
vice-presidente se queixavam, nos bastidores, da coordenação da campanha
lulista, que se fechou em núcleo restrito ao PT, sem abrir espaço para conselhos
dos aliados, para investir em estratégias que se revelaram equivocadas, como a
exaltação do legado do candidato e a defesa da soberania.
Somente depois que a chapa terminou atrás do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno, a coordenação se abriu para
agregar Alckmin, e mais três lideranças petistas: o governador reeleito do
Piauí, Rafael Fonteles, o ex-ministro e senador Camilo Santana (CE) e o senador
eleito Rui Costa (BA).
Em meio à alta rejeição do PT, Alckmin
intensificou atos no interior de São Paulo no segundo turno, após a derrota de
Fernando Haddad (PT) na disputa ao governo. Ele comandou reuniões com dezenas
de prefeitos do interior em cidades como Hortolândia, São Carlos e São Bernardo
do Campo.
O vice-presidente também intensificou as
viagens pelo país, e representou Lula em agendas, em especial, no Sudeste e
Sul, em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, e Curitiba (PR), e na capital
paulista, fez atividades da campanha na Favela de Paraisópolis.
Simultaneamente, na esteira da controvérsia
que envolveu Nossa Senhora Aparecida - pela qual grupos ligados a Flávio
defenderiam que ela perdesse o título de Padroeira do Brasil, o que o candidato
do PL desautorizou - Alckmin representou Lula na festa nacional na Basílica de
Nossa Senhora, na cidade paulista de Aparecida. O vice mantém laços estreitos
com a cúpula da Igreja Católica, e trabalhou pelo apoio da Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à chapa petista.
Mesmo apoiado por uma coligação formada
apenas por siglas da esquerda, Lula obteve o apoio de importantes segmentos da
sociedade civil, que exortaram a adesão de forças da direita tradicional à
campanha petista. Nesse movimento, foram simbólicas as declarações de apoio dos
"pais do Plano Real" Edmar Bacha, Persio Arida e Pedro Malan, de
familiares do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de lideranças
históricas do PSDB, como o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira e o ex-senador
José Aníbal.
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