domingo, 11 de outubro de 2026

PT dorme no ponto, acorda tarde e corre na última hora, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Lula esperou levar um susto para captar e se render à mensagem do desejo do eleitorado pela mudança

Agora é difícil a tarefa de em 15 dias convencer a maioria sobre o que não foi feito em vários mandatos

As primeiras pesquisas da campanha rumo ao segundo turno confirmam a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio da Silva (PT), mas não registram uma dianteira correspondente à série de fatos positivos que marcaram a semana do candidato de oposição.

O vencedor da etapa inicial viveu dias de celebração aos acertos e atração de apoios políticos que, embora não signifiquem necessariamente votos, sinalizam expectativa de poder. Já o perdedor teve frustradas as tentativas de conquista de alianças, precisou se ocupar dos erros e da reorientação de rota.

Ainda assim, a distância de quatro ou cinco pontos dos votos válidos mostra empate na margem de erro e, portanto, a disputa está em aberto. Em tese.

Na prática, o senador está com a faca e o queijo, enquanto o presidente conta com o esforço da superação diante do susto. Flávio tem a seu favor as condições objetivas do espírito do tempo antipetista. Lula aposta no fator subjetivo do grau de receio do eleitorado de entregar o país a um Bolsonaro.

Ambas as campanhas captaram a mensagem da mudança. A diferença é que os oposicionistas conseguiram transformar a demanda em diálogo eficaz com o eleitor. Já os governistas só perceberam isso sob o impacto da derrota.

O diagnóstico tardio resultou num corre de última hora que agora tem duas semanas para inverter o quadro ou se render às evidências. Como, em 15 dias, convencer as pessoas de que o governo será capaz de fazer o que não fez em vários mandatos?

De repente, o PT se converte à autocrítica, presta reverência ao contingente de insatisfeitos até então menosprezado, se dispõe a reconhecer o desdém aos problemas substantivos da população em nome da exaltação de um passado que passou e convoca a sociedade a acreditar que daqui para frente tudo será diferente.

Lula está diante de uma improbabilidade, mas não de uma impossibilidade. Vai depender do uso do capital que ainda lhe resta depois de desperdiçá-lo falando de si no lugar de ouvir o país.

 

2 comentários:

Anônimo disse...

Tchau Lula bye bye vai pra casa, você já atormentou muito a nossa nação e o nosso povo , vai descansar , você tá muito velho e ficando gagá

Anônimo disse...

A torcida dos jornalistas de esquerda pro Lula é patético e hilário
Acreditam piamente que um milagre vai salvar o velho corrupto da derrota pro filho do Bolsonaro , pior pesadelo que ele imaginou