Valor Econômico
Aumento de indecisos depois de debate mostra dificuldade de Flávio em agregar
A pesquisa
Quaest de quarta-feira (21) mostra que existe, além de um antipetismo de
chegada, um antibolsonarismo de chegada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
que concorre à reeleição, não cresce. Permanece com 44% na pesquisa, como na
semana passada.
Nada foi agregado com a movimentação nas ruas e nas redes. O senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, oscilou de 46% para 45%, mesmo depois de ter recebido os apoios de Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Flávio ganhou os apoios políticos, mas não os votos.
A votação de Flávio e Lula em relação ao
eleitorado total do Brasil, sem considerar a abstenção, foi a seguinte: 35,3%
para Flávio, 33,9% para Lula e 31% para os que escolheram outros nomes, votaram
em branco, nulo ou não foram votar.
Como o voto é formalmente obrigatório no
Brasil, é extremamente difícil medir o “likely
voter”, o eleitor que realmente irá às urnas no dia 25. Mas a
Quaest deu uma pista, que permite um palpite sobre o que poderia acontecer se
as eleições fossem nesta quarta.
A pesquisa levantou a intenção de voto entre
os eleitores que declararam voto nulo, em branco ou que não foram votar no
primeiro turno, ou seja, a alienação de voto, que bateu em 24,6% no dia 4.
Neste universo dos que alienaram o voto, Lula tem 40% das preferências e
Flávio, 36%.
Partindo da premissa de que a alienação irá
se manter igual no segundo turno e se deduzindo estes percentuais do total
obtido pelos concorrentes, Flávio teria algo como 36,4% do voto total e Lula,
34,4%. Em votos válidos, o senador ficaria com 51,4% e o presidente, 48,6%. Sem
essa premissa da manutenção da abstenção, considerando os dados da pesquisa em
si, Flávio teria 50,5% dos votos válidos e Lula, 49,5%.
É uma diferença muito pequena tanto em um
caso como em outro, e Lula se torna mais competitivo apenas se a abstenção
cair. Mas o mais relevante é destacar o momento em que essa pesquisa foi feita,
logo após o debate da TV Band,
no domingo. A estabilidade de Lula e a perda de um ponto percentual de Flávio
indicam que o confronto televisivo foi ruim para o candidato oposicionista.
Flávio continua favorito para ganhar, porque
a aprovação do governo não sobe. A aprovação ficou em 46%, ante 47% de
desaprovação. Lula não tem combustível para ultrapassá-lo pelas próprias
forças. Mas o bolsonarista não consegue captar o sentimento de mudança no
eleitorado. É inusitado um líder de eleição no primeiro turno não crescer logo
depois da rodada inicial.
A Quaest mostrou que, na pesquisa espontânea,
Flávio recuou de 43% para 40%, mesma intenção de voto de Lula. Para o responsável
pela pesquisa, Felipe Nunes, é um efeito do debate entre os presidenciáveis. A
agressividade de Flávio contra um Lula que parecia perdido, sobretudo no começo
da discussão, pegou mal em determinadas franjas do eleitorado.
A saber: entre os eleitores com ensino
superior, Flávio oscilou de 50% para 47%, ao passo que Lula cresceu de 40% para
46%. Entre os com idade entre 35 a 59 anos, quase todos no mercado de trabalho,
Flávio desceu de 49% para 45% e Lula oscilou de 42% para 44%.
A rejeição a Flávio deixa a eleição do
segundo turno em aberto. Ele continua rejeitado por 52%, apenas dois pontos
percentuais a menos do que na semana passada, enquanto a rejeição a Lula recuou
de 53% para 47%. Em duas semanas de campanha, Flávio perdeu 14 dias. A gordura
em relação a Lula tornou-se uma lâmina muito fina. Isso aumenta a importância
estratégica do debate na TV
Globo na sexta-feira. Dificilmente haverá um encontro tão capaz
de mudar uma eleição como este.

Nenhum comentário:
Postar um comentário