O Estado de S. Paulo
‘Nova direita’ da América do Sul sofre com crises, queda de popularidade e derrota de Trump
As voltas que o mundo dá... O trono do
imperador Donald Trump começa a ruir e já há sinais de que, assim como puxou
para cima a tal “nova direita” na América do Sul, passe a puxar para baixo a
partir de agora. Aliás, como está acontecendo neste momento no Paraguai e foi
previsto aqui na coluna em maio.
O Brasil foi o líder da resistência à invasão americana na região e consolidou espetacularmente essa posição com a eleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, comemoradas por governos, entidades e cidadãos ao redor do mundo, inclusive nos EUA, como vitória da democracia e da soberania.
Do outro lado, estão praticamente todos os
demais países sul-americanos, inclusive dois vizinhos-chave e parceiros do
Brasil no Mercosul, Argentina e Paraguai, não apenas aliados de Trump, mas
subservientes às suas vontades, que, convenhamos, são quase sempre
inaceitáveis. Trump vai ter de enfrentar a maioria democrata, pedidos de
impeachment e eleitos muito simbólicos, como um gay, um muçulmano, vários
latinos e três governadores em especial: a primeira negra e a primeira indígena
no país e o primeiro negro na Flórida. Tudo que ele rejeita.
Mas não é só isso. Trump se julgava dono do
mundo e não consegue segurar nem o partido Republicano. O presidente da Câmara
vai renunciar ao cargo. Parlamentares querem a demissão do secretário de
Defesa, Pete Hegseth. A mídia prevê Marco Rubio fora do Departamento de Estado
para cuidar da própria campanha presidencial.
Trump tem, ainda, que sair das guerras em que
se meteu, sem tempo, pois, para sequestrar o presidente, assumir o controle do
petróleo local, atacar embarcações ao gosto dos EUA ou desestruturar o comércio
mundial com tarifaços.
Depois do Paraguai, onde o presidente
Santiago Peña tenta renunciar para não sofrer impeachment, a “nova direita” de
Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia) e
Daniel Noboa (Equador), já vem perdendo popularidade e deve ficar de barbas de
molho. O que tem mais a se preocupar com os dissabores de Trump é Milei, com
aprovação desabando e o risco Argentina disparando. Quem vai financiar suas
maluquices? E vai insistir em Trump como referência?
Lula, portanto, recupera liderança no
Mercosul e boas condições para conversar com Trump, possivelmente, em 15 de
dezembro, na reunião de presidentes do G-20, na Flórida. Onde, aliás, o
Itamaraty torce para que ele seja mais “badalado” do que o anfitrião.
Mas Lula que não suba no salto alto... O
equilíbrio das contas e as previsões de crescimento, inflação e juros não são
questões distantes, são do bolso, da casa e da vida de cada brasileiro.

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