O Estado de S. Paulo.
Qualquer que seja o resultado eleitoral deste ano, a crise no Supremo vai se ampliar
O quatriunvirato que se vê dono do STF
provocou a fusão da crise dessa instituição com as eleições, transformadas por
eles mesmos em questão existencial quando aberta e publicamente apostaram as
fichas em Lula. Trouxeram uma luta pelo poder disputada nas urnas para dentro
do STF.
A Corte acabou sendo levada pelo mesmo quatriunvirato à condição de símbolo de proteção do patrimonialismo, isto é, quando grupos privados se apropriam do Estado em defesa de interesses próprios. É completa bobagem acreditar que uma derrota de Lula significaria o fim do patrimonialismo, ou do “sistema”, mas é desse jeito que uma enorme parcela do público “sente” a atmosfera política, fulanizada nas figuras dos ministros.
Nesse sentido, a “ala da força” no Supremo
provavelmente superestimou a eficácia das ferramentas das quais dispõe – para
dentro e para fora do prédio do STF. Contra alguns integrantes foi a da
coerção, pressão, chantagem e intimidação, através do uso de órgãos de
segurança (Polícia Federal). A ameaça da “guerra total” interna está sendo
praticada, que significa a destruição de quem é considerado adversário, mas
passou a depender do que acontece do lado de fora.
Ao amarrar seu destino ao resultado de uma
eleição cometeu-se um clássico erro estratégico, que é a diferença entre o
tanto que se ambiciona em relação a quantidade de meios de que se dispõe. O
quatriunvirato não entendeu que seu principal problema hoje não são as forças
políticas que julgava haver derrotado, mas, sim, a formidável onda de
descrédito em relação ao Judiciário. Que ajudou decisivamente a fomentar.
É essa onda que o STF não dispõe de meios
para controlar. E que promete tornar a votação para o Legislativo,
especialmente o Senado, no tipo de pesadelo que o quatriunvirato julgava pouco
provável. Até certo ponto virou uma votação ainda mais perigosa do que a da
escolha do presidente da República.
Pois a questão não se resolve mesmo com Lula
reeleito. Ou com quem quer que seja que ele resolva nomear para o STF nos
próximos anos. De repente a crise do Supremo revelou-se um retrato de uma crise
institucional muito mais ampla, embora nas aparências fosse parte do roteiro de
um filme B protagonizado por vigaristas servindo-se mutuamente nos três Poderes
num ambiente de bordel.
É que o atual ciclo patrimonialista se fecha
por esgotamento de recursos com os quais sempre foi possível contemplar quase
todos os interesses particulares. Mas, também, pelo apagão de lideranças. Do
qual o quatriunvirato é um bom exemplo. Preocupado apenas consigo mesmo, não
escapa de um naufrágio geral.

Um comentário:
Discordo totalmente de você
com a eleiçãodo Senado Forte começarmos a retirar ministros criminosos por impeachment e na oportunidade Flavio nomeando pessoas competentes e preparadas para o exercício da função de ministro do Supremo vamos acertando esse problema de dentro pra fora arrancando as laranjas podres e reorganizando o STF Constitucional
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