Folha de S. Paulo
Mercado e alguns setores do empresariado
acreditam que senador fará um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas
Mas nada do que ele disse ou fez até aqui
legitima esta expectativa
Flávio
Bolsonaro agrada à Faria Lima porque o mercado e alguns setores do
empresariado acreditam que o senador fará
um ajuste rigoroso e duradouro nas contas públicas caso eleito.
Mas nada do que Flávio disse ou fez até aqui
legitima essa expectativa.
No Senado, foi um parlamentar ausente nos grandes debates econômicos —sempre blindado pela base cativa do seu pai, Jair Bolsonaro, alinhada com as pautas conservadoras de costumes e de segurança pública.
Como presidenciável, vem nadando de braçada
na onda geral da discussão rasteira das propostas econômicas, marca indelével
desta eleição.
As propostas
citadas pela sua equipe contam com clichês ultrapassados
apresentados como solução, como o Orçamento de base zero, ou medidas que, na
prática, não produzem um ajuste capaz de atender à promessa de corte de gastos
de R$ 300 bilhões.
No pouco que falou, Flávio desdisse o que
seus auxiliares haviam afirmado. Negou que mudaria a política de ganho real do salário
mínimo ou que pretendesse desvinculá-lo da Previdência. Rejeitou
fazer economia "em cima" de aposentados e da população de
baixa renda.
Prometeu um "tesouraço" em cargos comissionados,
redução da burocracia, corte de desperdícios, mantendo os gastos sociais.
Adicionalmente, falou em reduzir carga de impostos. Argumentos que pegam bem na
campanha para os desavisados.
A Faria Lima sabe que essa conta não fecha,
mas prefere apostar no que disseram integrantes da equipe de campanha nas
conversas reservadas.
Se Flávio seguir o pai, o prognóstico também
não é dos melhores. Jair boicotou medidas fiscais, não se envolveu na reforma
da Previdência, brigou por privilégios dos militares, deu calote
nos precatórios, cedeu ao Congresso novos privilégios e mais
subsídios e aceitou o Orçamento secreto. Afugentou investidores estrangeiros
com a agenda antiambientalista.
O debate a
que o candidato desistiu de comparecer seria importante para testar
se ele está preparado para comandar a política econômica.
O mercado diz querer mudança porque já sabe o
que esperar de Lula. Mas Flávio não explicou o que vai fazer de diferente. É um
mistério.

Um comentário:
Quanta torcida para ex-presidente mentiroso senil e corrupto é triste vergonhoso ver jornalistas inteligente apoiando esse cidadão desqualificado ladrão
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