sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Vitória ou derrota de Flávio ou Lula depende de 1,2 milhão de votos e 2 debates, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Efeito de medidas do governo ainda pode se espalhar; deslize na TV será grave

Candidaturas da extrema direita têm ganhado votos na reta final desde 2018

Em dez dias, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa tirar ao menos 1,2 milhão de votos de Flávio Bolsonaro (PL) a fim de ter chance de vitória. Essa aritmética elementar leva em conta que a diferença de Flávio para Lula está em dois pontos percentuais, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (15). Supõe que a quantidade de brancos, nulos e abstenções será a mesma do primeiro turno; que Lula não perderá votos.

Qual lance espetacular ou político pode ainda pesar?

Antes de mais nada, recorde-se que a votação da extrema direita aumentou nas vésperas da eleição e na boca da urna de 2018, 2022 e no primeiro turno de 2026. Não é lei da natureza dos votos, mas aconteceu.

Quanto às medidas de Lula 3 a fim de salvar votos na bacia das almas, pode ser que ainda não tenham chegado ao eleitor. O fim da escala 6x1 foi aprovado na noite de quarta (14), assim como benefícios para MEIs, microempreendedores que são pedra no sapato luliano. O reajuste do Bolsa Família começa a pingar no dia 19. Agora vem a promessa desesperada de transporte grátis. Etc. Não houve ainda tempo para que aparecessem no Datafolha.

A impressão que o eleitor vai ter dessas medidas depende de muitos filtros e barreiras. Por exemplo, a rejeição encarniçada a Lula, o jeitão com que a coisa toda vai aparecer depois da peneira das mídias sociais e, também, da avaliação crítica do cidadão, mesmo do suposto beneficiário das providências, que pode reclamar do oportunismo.

Lula perdeu eleitores pobres, do Nordeste, de cidades pequenas. Terão ficado comovidos com estudantes, petistas e antibolsonaristas que foram em massa às ruas das cidades médias e grandes depois do primeiro turno? Lula perdeu ainda parte relevante do microcentro, essencial em 2022. O que dirá a essas pessoas? A mulher jovem, de renda miúda e que fez o ensino médio é o indeciso mais típico.

A rejeição a Lula (46%) é maior do que a de Flávio Bolsonaro (44%). O saldo da avaliação do governo Lula 3 ainda está no vermelho. É pior do que o de Jair Bolsonaro em 2022, no mesmo momento da campanha.

Virada nas abstenções é loteria, embora qualquer sucesso seja relevante em eleição tão apertada. Eleitores registrados não votam porque já se foram desta vida, porque estão doentes ou de outro modo incapacitados, não têm recursos para ir até a urna, moram longe do domicílio eleitoral ou são decididamente contra votar. Sobra pouco.

Haveria dois debates até o dia do juízo final. Seja lá o que se pense deles e do alcance da TV, um fracasso será decisivo. Deslizes parecem avalanches ruinosas no telescópio das redes. Mais do que nunca, mentiras e verdades pouco vão importar, perdidas de resto em baixarias típicas de polêmicas de redes e lacrações.

Flávio tem trunfos. A atuação de Lula e da esquerda na segurança é fracasso de crítica e público. Segurança, saúde e "economia" costumam ser as três preocupações maiores que os eleitores declaram nas pesquisas. Desta vez, segurança está um tico na frente. O custo de vida alto tem apelo em particular para aquela parte do povo miúdo que deixou de votar em Lula.

Acusações de corrupção não vão convencer convertidos e, no tiroteio, podem parecer ao indeciso apenas o sujo falando do mal lavado. Mais do que a ficha corrida de Flávio, pode importar seu histórico de declarações antissociais. Vai se explorar o medo da vitória do outro. Mais do que tudo, falta um sinal sincero e crível de esperança.

 

5 comentários:

Anônimo disse...

Lula da mais que canseira, da esgotamento total, fim da linha!

Anônimo disse...

Chega! Enough!! Basta! C’fini!

Anônimo disse...

Tolerância O

Anônimo disse...

Petulante e terrivelmente chato! Haja estômago para continuar com essa tolerância imbecil.

Anônimo disse...

Já deu o que tinha que dar , saturou-se em si mesmo.