domingo, 18 de outubro de 2026

Lula e Flávio vão em desespero rumo ao desempate, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Na reta final da corrida ao Planalto os erros de cada um serão mais determinantes que os acertos

À falta de projetos, o país se prende à expectativa do que vai vencer: a onda da direita ou a força da caneta

A terceira semana de campanha do segundo turno vai começar com as pesquisas paradas no empate entre os dois finalistas, em cenário que não deixa de ser desafiante para o perdedor, mas é preocupante para o vencedor da etapa inicial.

No histórico desse tipo de embate o segundo colocado estaria praticamente fadado à derrota. A escrita permeou as análises do placar de 4 de outubro, segundo as quais nunca houve uma virada. Ocorre que tampouco havia registro de diferença tão pequena.

Num primeiro momento, a balança da tradição pendeu favoravelmente para o lado de Flávio Bolsonaro (PL) devido ao impacto da surpresa e em seguida pelo arrastão de apoios dos partidos que até então tinham se mantido na prudente distância da neutralidade.

Um segundo movimento criou ambiente melhor para o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) em decorrência das manifestações de rua, do rearranjo da campanha, do abraço do Congresso a medidas populistas e do uso sem escrúpulos da máquina pública. Lula pôde contar também com o salto alto do adversário, com o recolhimento amigo na corte suprema e o atrevimento inimigo no tribunal eleitoral.

A terceira semana, cujo marco inicial é o primeiro debate entre os oponentes, imagina-se que seja decisiva para o desempate a ser cravado nas urnas do próximo dia 25. A julgar pelo comportamento dos candidatos e pelas escolhas das campanhas, vislumbram-se dias de tensão e desespero.

Nesse período, os erros serão mais determinantes que os acertos. Tropeços podem derrubar, enquanto êxitos tendem a ser facilmente digeridos. Restam poucos votos a serem conquistados no estreito espaço do meio do qual Lula e Flávio procuraram se aproximar tentando mitigar as respectivas bandeiras da jornada de trabalho e da maioridade penal.

Com o paiol de munições esvaziado, chegam ambos à reta final sem projetos consistentes de país a oferecer, e o eleitorado na expectativa do que vai vencer: a onda da direita ou a força da caneta.

 

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