O Globo
Se ganhar, Lula terá uma oposição com força inédita, já Flávio terá maioria para completar o projeto autoritário
Para o Brasil, não há cenários fáceis à frente. Se o presidente Lula for eleito, pode enfrentar crises de governabilidade, a menos que tenha a capacidade de formar uma coalizão diante da direita fortalecida no Congresso. Se o eleito for Flávio Bolsonaro, ele terá nas mãos mais instrumentos para realizar o projeto autoritário do pai: bancadas robustas na Câmara e no Senado, o Supremo Tribunal Federal enfraquecido e o apoio do governo Donald Trump. A ciência política sabe que é no segundo mandato que o projeto autocrata dobra a aposta. Veja-se o caso de Donald Trump. O risco não é de o filho repetir o pai, é de superá-lo.
Só o então PMDB, no começo da
redemocratização, teve bancadas maiores do que a que o PL terá na próxima
legislatura. Mas o MDB, não tinha candidato competitivo à presidência, e o PL
tem Flávio chegando com chances reais de ganhar o pleito no segundo turno.
Portanto, será um partido ainda mais forte. O presidente do PL, Valdemar
Costa Neto, tinha o projeto de ter apenas uma boa bancada para ficar
com a parte maior dos fundos partidário e eleitoral. O ex-presidente Jair
Bolsonaro foi eleito por outro partido, o PSL, que usou como carona.
Depois é que foi para o PL. O partido nunca teve um projeto ideológico.
Preferia ser capaz de se adaptar às circunstâncias.
Se for eleito, Lula enfrentará uma oposição
com a força que jamais enfrentou. Uma bancada de 121 deputados e 28 senadores
apenas do PL. Para manter a governabilidade e aprovar seus projetos, Lula teria
que atrair o centrão e negociar com os parlamentares com os quais seja possível
algum diálogo.
A vitória de Lula no segundo turno de 2022
veio com o voto de eleitores progressistas que não se identificavam como
petistas, e do movimento de personalidades que fizeram parte dos governos do
PSDB, que o consideraram a barreira contra o risco de golpe. Tanto havia perigo
de um ataque às instituições, que houve o atentado em 8 de janeiro. Esse grupo
depois foi desprezado. O presidente não fez movimentos ao centro. E parte dos
eleitores que se identificam com esse grupo pode ter simplesmente deixado de
votar. Esse é o cálculo que alguns especialistas fazem para explicar o fato de
Lula ter tido três milhões de votos a menos em 2026 do que em 2022.
Lula terá que fazer um caminho muito longo
para ser reeleito em 25 de outubro, dado que chegou em segundo lugar, dois
pontos percentuais atrás de Flávio Bolsonaro. Terá que recuperar os votos
perdidos, terá que convencer uma parte do eleitorado que optou pelos outros
candidatos, e trazer de volta às urnas quem simplesmente se absteve por falta
de interesse em qualquer um dos postulantes. Como ele fará isso não está claro.
Ontem, em entrevista ao Estúdio i de Andréia Sadi, o presidente do PT, Edinho Silva,
admitiu a ausência de material de campanha no primeiro turno e disse que será
resolvido. Mas não explicitou nenhum outro movimento de mudança na campanha.
Ele disse que faltou o confronto entre os candidatos no primeiro turno, que
desta vez Flávio Bolsonaro não poderá fugir disso, e anunciou a ida de Lula aos
debates.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto,
entrevistado no mesmo programa, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro vai
participar ativamente do mandato de Flávio Bolsonaro. Falou que o senador
“aprendeu” com o pai e seguirá as mesmas diretrizes sobre como montar equipe e
de que maneira governar. Em outras palavras, um governo de Flávio seria
exercido por Jair, que sempre mostrou mão de ferro para comandar o clã. Mesmo
preso, foi de Jair Bolsonaro a escolha de Flávio Bolsonaro para disputar a
presidência. O perigo extremo e concreto da eleição do candidato do PL é nova
tentativa de golpe de Estado. Flávio segue as mesmas ideias do pai e já disse
que é preciso que haja uma intervenção nas instituições.
Lula precisa mudar radicalmente a campanha
para ter alguma chance de vitória. Desde a redemocratização, nenhum candidato
que ficou em segundo lugar na disputa para a presidência ganhou a eleição. Caso
eleito, Lula terá uma outra batalha para montar a coalizão. Flávio Bolsonaro,
se eleito, terá provavelmente o seu chefe de campanha, Rogério Marinho, na
presidência do Senado e uma tropa de choque para realizar o projeto
antidemocrático da extrema direita.

Um comentário:
MiriaLeitão, você já virou folclore na imprensa brasileira com uma caricatura de jornalista esquerdista
Ao invés de projetar perspectivas analíticas da política fica rogando praga e semeando mentira e dúvida em relação a um governo do Flávio Bolsonaro
Sua família toda empregada nos no aparato governamental
Ganhando uma graninha pra se prestar a esse serviço ridículo de ser umajornalista da esquerda radical
já virou gozação nacional
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