O Globo
Dirigentes do PT têm a pretensão de ser os
donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção.
Sempre se soube que o Brasil é um país conservador, mesmo que seja governado pela quinta vez por um presidente de esquerda (três vezes Lula e duas vezes Dilma). A supremacia surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, não quer dizer, porém, que a maioria dos cidadãos seja de extrema direita. Assim como as vitórias de Lula não comprovam que a maioria daqueles momentos era de esquerda, agora também a extrema direita não define a maioria dos que votaram em Flávio.
Lula só foi eleito presidente, nas três vezes
anteriores, porque voltou-se para o centro. Do “Lulinha, Paz e Amor” ao apelo a
um governo de união nacional para proteger a democracia, adaptou sua agenda
pública ao centro, dando lugar até à direita em certos momentos. A insinuação
agora de que pode nomear o vice Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda
num eventual quarto mandato vai nessa direção.
Talvez seja tarde demais, pois um dos seus erros
fundamentais foi vender um governo de união nacional e entregar um governo
petista como os demais que montou, com exceção do primeiro, que, sob a égide do
ex-ministro Antonio Palocci, foi inteligente para manter-se ao centro,
continuando a política econômica do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.
Assim como o economista Joaquim Levy foi engolido pela máquina do PT quando
nomeado ministro da Fazenda da então presidente Dilma Rousseff, também Alckmin
terá o mesmo destino se Lula conseguir dar a volta por cima e vencer a eleição
no segundo turno.
Talvez a razão mais profunda para o desgaste
do governo do PT seja exatamente esta, a pretensão de seus dirigentes de ser os
donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção. O cansaço com
Lula vem desse sentimento de subalternidade com que os não petistas são
tratados por seus governos. Ou são manipulados pelas benesses sociais que o
governo distribui, ou são relegados a segundo plano.
Há um sentimento de desprezo pelos não
convertidos, que transmite uma sensação de não pertencimento a essa parte da
sociedade. Lula tem sido incapaz de governar para todos, de ampliar sua base de
apoio, trata com superioridade condescendente os que não o seguem. Nem ele nem
o PT tentam entender os que os criticam, considerando-os inimigos, nem sequer
adversários. A arrogância esteve presente até as últimas semanas da campanha,
enquanto Lula considerava uma afronta à sua história a previsão de que poderia
perder para Flávio.
O desprezo pelos que consideram inferiores
contrasta com o fervor com que trata os excluídos. Se tivesse a mesma empatia
com os que discordam de suas políticas, talvez pudesse encontrar o diálogo que
o alçaria à altura dos estadistas. Não falo dos que o consideram comunista ou
dos extremistas que conseguiram manipular a direita e os centristas. Exemplar
dessa arrogância petista é a frase de Lula:
— Se vocês tivessem de escolher entre mim e
um gênio, é uma coisa. Mas não é isso que está na mesa.
Claro que Flávio não é um gênio, longe disso,
mas também Lula não é imbatível. O que falta a ele e aos seus é tentar entender
por que votaram no outro, e não nele. Lembro-me de quando Lula tinha mais de
80% de aprovação, e seus acólitos provocavam:
— Em que planeta vivem os críticos?
Viviam neste planeta que foi se formando à
medida que o governo Lula os foi desprezando e se esqueceu de ampliar sua base
política para fechar-se numa redoma com os seus.
A união nacional que mobilizou os eleitores
independentes na eleição de 2022 foi um estelionato eleitoral. Os que
representavam a centro-direita em seu ministério foram relegados a segundo
plano, assim como no governo Dilma Rousseff, a ponto de o vice-presidente
Michel Temer ter se queixado por escrito de que era tratado como “um vice
decorativo”. O mesmo acontecera com Levy, e aconteceu agora com as ministras
Marina Silva e Simone Tebet.

2 comentários:
A onda de direita que está varrendo a América do Sul chegou ao Brasil os eleitores deram uma demonstração inequívoca de que querem Lula e o PT fora Do governo do Brasil
Diante dessa realidade a rede Globo está preparando um programa e um canal próprio para a direita conservadora, enfim essa emissora que defendeu os árbitros de Alexandre de Moraes e do STF está se rendendo à realidade que o Brasil que é conservador na grande maioria
A partir de agora vamos ver essas mudanças de rota principalmente da mídia que foi a principal aliada do governo e do STF em implantar essa ditadura que nós estamos vivendo , com presos políticos e inocentes , uma censura e perseguição a oposição nunca visto antes no Brasil , nem na época da ditadura militar
Lula vai sofrer uma derrota no segundo Grandiosa, Vai ser aposentado pelo povo depois de quatro décadas enchendo nosso saco mentindo e enganando o povo
O mercado financeiro começa a reagir positivamente a possibilidade do Flávio vencer
Já ha um brilho de esperança do povo brasileiro na perspectiva da mudança e entrada do Flávio Bolsonaro como presidente
Libertar Jair Bolsonaro e as centenas de presos políticos inocente será prioridade pro próximo governo investigar essa Grande farsa que foi O julgamento dos manifestantes de 8/1
À noite escura que nos envolveu e causou tanto sofrimento está chegando ao fim , os raios da liberdade estão surgindo Em nosso horizonte
Viva a liberdade caraca!!!
Cara, como você é chato com essa cantilena. Ninguém dá a mínima para o que você pensa de 8/1 e sua sabujice aos milicianos da famiglia.
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