terça-feira, 6 de outubro de 2026

Orgulho e preconceito, por Merval Pereira

O Globo

Dirigentes do PT têm a pretensão de ser os donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção.

Sempre se soube que o Brasil é um país conservador, mesmo que seja governado pela quinta vez por um presidente de esquerda (três vezes Lula e duas vezes Dilma). A supremacia surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, não quer dizer, porém, que a maioria dos cidadãos seja de extrema direita. Assim como as vitórias de Lula não comprovam que a maioria daqueles momentos era de esquerda, agora também a extrema direita não define a maioria dos que votaram em Flávio.

Lula só foi eleito presidente, nas três vezes anteriores, porque voltou-se para o centro. Do “Lulinha, Paz e Amor” ao apelo a um governo de união nacional para proteger a democracia, adaptou sua agenda pública ao centro, dando lugar até à direita em certos momentos. A insinuação agora de que pode nomear o vice Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda num eventual quarto mandato vai nessa direção.

Talvez seja tarde demais, pois um dos seus erros fundamentais foi vender um governo de união nacional e entregar um governo petista como os demais que montou, com exceção do primeiro, que, sob a égide do ex-ministro Antonio Palocci, foi inteligente para manter-se ao centro, continuando a política econômica do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Assim como o economista Joaquim Levy foi engolido pela máquina do PT quando nomeado ministro da Fazenda da então presidente Dilma Rousseff, também Alckmin terá o mesmo destino se Lula conseguir dar a volta por cima e vencer a eleição no segundo turno.

Talvez a razão mais profunda para o desgaste do governo do PT seja exatamente esta, a pretensão de seus dirigentes de ser os donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção. O cansaço com Lula vem desse sentimento de subalternidade com que os não petistas são tratados por seus governos. Ou são manipulados pelas benesses sociais que o governo distribui, ou são relegados a segundo plano.

Há um sentimento de desprezo pelos não convertidos, que transmite uma sensação de não pertencimento a essa parte da sociedade. Lula tem sido incapaz de governar para todos, de ampliar sua base de apoio, trata com superioridade condescendente os que não o seguem. Nem ele nem o PT tentam entender os que os criticam, considerando-os inimigos, nem sequer adversários. A arrogância esteve presente até as últimas semanas da campanha, enquanto Lula considerava uma afronta à sua história a previsão de que poderia perder para Flávio.

O desprezo pelos que consideram inferiores contrasta com o fervor com que trata os excluídos. Se tivesse a mesma empatia com os que discordam de suas políticas, talvez pudesse encontrar o diálogo que o alçaria à altura dos estadistas. Não falo dos que o consideram comunista ou dos extremistas que conseguiram manipular a direita e os centristas. Exemplar dessa arrogância petista é a frase de Lula:

— Se vocês tivessem de escolher entre mim e um gênio, é uma coisa. Mas não é isso que está na mesa.

Claro que Flávio não é um gênio, longe disso, mas também Lula não é imbatível. O que falta a ele e aos seus é tentar entender por que votaram no outro, e não nele. Lembro-me de quando Lula tinha mais de 80% de aprovação, e seus acólitos provocavam:

— Em que planeta vivem os críticos?

Viviam neste planeta que foi se formando à medida que o governo Lula os foi desprezando e se esqueceu de ampliar sua base política para fechar-se numa redoma com os seus.

A união nacional que mobilizou os eleitores independentes na eleição de 2022 foi um estelionato eleitoral. Os que representavam a centro-direita em seu ministério foram relegados a segundo plano, assim como no governo Dilma Rousseff, a ponto de o vice-presidente Michel Temer ter se queixado por escrito de que era tratado como “um vice decorativo”. O mesmo acontecera com Levy, e aconteceu agora com as ministras Marina Silva e Simone Tebet.

 

2 comentários:

Anônimo disse...

A onda de direita que está varrendo a América do Sul chegou ao Brasil os eleitores deram uma demonstração inequívoca de que querem Lula e o PT fora Do governo do Brasil
Diante dessa realidade a rede Globo está preparando um programa e um canal próprio para a direita conservadora, enfim essa emissora que defendeu os árbitros de Alexandre de Moraes e do STF está se rendendo à realidade que o Brasil que é conservador na grande maioria
A partir de agora vamos ver essas mudanças de rota principalmente da mídia que foi a principal aliada do governo e do STF em implantar essa ditadura que nós estamos vivendo , com presos políticos e inocentes , uma censura e perseguição a oposição nunca visto antes no Brasil , nem na época da ditadura militar
Lula vai sofrer uma derrota no segundo Grandiosa, Vai ser aposentado pelo povo depois de quatro décadas enchendo nosso saco mentindo e enganando o povo
O mercado financeiro começa a reagir positivamente a possibilidade do Flávio vencer
Já ha um brilho de esperança do povo brasileiro na perspectiva da mudança e entrada do Flávio Bolsonaro como presidente
Libertar Jair Bolsonaro e as centenas de presos políticos inocente será prioridade pro próximo governo investigar essa Grande farsa que foi O julgamento dos manifestantes de 8/1
À noite escura que nos envolveu e causou tanto sofrimento está chegando ao fim , os raios da liberdade estão surgindo Em nosso horizonte
Viva a liberdade caraca!!!

César Hernandes disse...

Cara, como você é chato com essa cantilena. Ninguém dá a mínima para o que você pensa de 8/1 e sua sabujice aos milicianos da famiglia.