Folha de S. Paulo
Maré de lama pega tanta gente e já é tão
confusa que pode parar de afetar votos
No Datafolha, Flávio para de subir; avaliação
do governo Lula passa por despiora
Flávio
Bolsonaro e Alexandre de
Moraes viajaram no mesmo jatinho, segundo
reportagem da revista Piauí. Bolsonaro disse que não pegou carona em
avião de Daniel
Vorcaro, mas no de Willer Tomaz,
seu amigão de safári e muito mais, acusado de estar enrolado na
roubança do INSS.
"Desculpe, foi engano", como se dizia ao telefone antigamente. O
escândalo seria outro, nos corrige Flávio. O tal avião, enfim, seria de uso
compartilhado dos escandalosos, por assim dizer —seria propriedade de sócios,
entre eles Vorcaro e Tomaz.
As notícias dessa comunhão dos infernos não pararam por aí, nesta quinta (24) de maré muito alta de lama. A questão mais imediata é o efeito político-eleitoral do conhecimento progressivo do fato de que o Brasil virou lixo da festa dos quengos.
Esta havia sido até agora uma eleição
disputada no meio da sujeira que vaza de porões policiais e judiciais, como se
sabe. Até certo momento, pareceu que vazamentos e operações policiais poderiam
ser decisivos, letais para esse ou aquele candidato. A torrente de lama é tão
enorme, porém, além de confusa ou de difícil compreensão, dadas algumas
tecnicalidades, que pode
parecer para a massa de eleitores que todos sejam sujeira do mesmo saco sem
fundo.
No mínimo, as suspeitas cada vez piores sobre
metade do Supremo e novas vorcarices não pareciam fazer mais efeito notável nas
pesquisas de voto para presidente, até esta quinta. No entanto, a chuva de lama
vai ficar mais grossa, vide os vazamentos da
irmandade de Davi Alcolumbre com Daniel Vorcaro ou escândalo
chegando até o nariz de Kassio Nunes Marques. Não parece exagero suspeitar que
se tenha guardado bomba para as vésperas do dia do primeiro turno.
Por enquanto, Flávio Bolsonaro (PL) não se
aproxima mais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na votação de primeiro turno,
segundo o Datafolha —o eleitor camuflado ou migrante, porém, costuma despejar
votos na extrema direita no final da disputa. A avaliação do governo Lula
despiora desde o início de setembro. Embora ainda esteja no vermelho, baixou de
11 pontos negativos para 6 (trata-se da diferença entre as notas
"ótimo/bom" e "ruim/péssimo").
Quem sabe seja
o primeiro efeito do reajuste do Bolsa Família, que apenas vai cair
na conta dos beneficiados a partir de 19 de outubro. O desespero levou Lula a
anunciar também a proibição
total das "bets", o que pode render décimos cruciais de
votos. A providência contra a desgraça da jogatina é vexaminosamente tardia,
vai dar em confusão legal e não deve barrar de vez o jogo. Mas o que está em
discussão aqui, agora, são os efeitos políticos de medidas e gestos políticos.
Parte do governismo tenta convencer Lula a
estender a mão para o microcentro, aquele eleitorado que ajudou a elegê-lo em
2022. Lideranças e pessoas notáveis desse universo fazem apelos públicos e
mandam mensagens para a campanha lulista. Esse pessoal detestou Lula 3, mas tem
muito medo de Bolsonaro 2. O presidente até agora apenas decidiu jantar com
"o PIB", empresários.
Assim como o reajuste de Bolsa Família e proibição de "bets" vieram muito tarde, sintoma de governo alheado da realidade, o alô para o microcentro teria resultado também incerto. Mas, depois de quatro anos de incúria política e erros econômicos, não resta muito mais alternativa.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário