domingo, 14 de outubro de 2012

Presidenciáveis montam as trincheiras para 2014


Vitoriosos nas eleições municipais em seus redutos, Aécio e Campos já pensam nas estratégias para derrotar o PT na disputa pela Presidência

Paulo de Tarso Lyra
As eleições municipais do último domingo marcaram, como mostrou o Correio, a supremacia de dois caciques em seus redutos eleitorais. Mais do que mera lição de casa, as vitórias obtidas pelos presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) em Recife e Aécio Neves (PSDB) em Belo Horizonte, além dos bons resultados do PT de Luiz Inácio Lula da Silva no ABC e na capital paulistana dão tranquilidade para que os líderes políticos pavimentem voos mais altos.

A preocupação em não perder o controle nos próprios domínios fez com que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, antecipasse o planejamento político para 2014. Como o PT rachou em Recife, ele lançou Geraldo Júlio (PSB) candidato a prefeito. A ideia inicial do presidente nacional do PSB era preservar Geraldo para a sucessão em 2014. Mudou de planos e conseguiu eleger o pupilo em primeiro turno.

Para não expor as estratégias aos adversários, Campos guarda algumas opções que não conta para ninguém. Todos os nomes pré-colocados para a prefeitura este ano passam a ser opções: o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho; e os secretários Tadeu Alencar (Casa Civil), Sileno Guedes (Articulação Social ) e Danilo Cabral (Cidades). Entre os aliados do governador, especula-se até uma aliança com o senador Armando Monteiro Neto (PTB). “Nosso bunker está completo. Podemos pensar com calma sobre o que fazer em 2014”, disse ao Correio um aliado do governador. 

O senador mineiro (PSDB) também teve êxito na sua empreitada em Belo Horizonte, mas terá um pouco mais de trabalho para encaixar as peças em Minas. A primeira vitória obtida por ele foi o rompimento com o PT na capital mineira. Ele pressionou para que o prefeito reeleito, Márcio Lacerda, não abrisse espaço para os petistas na chapa proporcional para vereadores. Aécio ainda não definiu quem será o candidato ao governo mineiro. Ainda durante a campanha, especulava-se que Márcio Lacerda poderia ter um mandato mais curto na prefeitura, tornando-se opção para suceder Anastasia. Tanto ele quanto Aécio negam a hipótese para não arcar, antecipadamente, com o mesmo desgaste vivido por José Serra, em São Paulo. Boa parte da rejeição do tucano paulista deve-se ao fato de ele ter deixado a prefeitura paulistana com apenas um ano e quatro meses de mandato para concorrer ao governo do estado, em 2006.

Fonte: Correio Braziliense

Vitória nas eleições não absolverá PT do mensalão, diz Serra


Tucano afirma que governo Lula foi indiretamente condenado e que Haddad carrega "currículo do partido"

Depois de ataques, candidato alega que tucanos estão somente "aprendendo" a usar direito de se defender

Daniela Lima

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, rechaça a tese do ex-presidente Lula de que o PT deve responder ao julgamento do mensalão nas urnas. O tucano diz que uma vitória eleitoral não absolverá o partido.

"O maior julgamento contra corruptos da história do Brasil condenou figuras da mais alta relevância no PT. Indiretamente, [condenou] o próprio governo Lula", disse ele, em entrevista à Folha. "Lula e Dirceu estão querendo usar a eleição em São Paulo como cortina de fumaça. Querem dizer que, se ganharem, é como se não tivesse havido mensalão. É absurdo."

No último Datafolha, Serra tinha 37%, contra 47% de Fernando Haddad (PT). Ele sinaliza que a disputa será de fogo cruzado. "Tenho o direito de me defender. Os tucanos não fazem isso bem, mas a gente vai aprendendo."

Folha - Que balanço o sr. faz do primeiro turno?

José Serra - Nunca achei que não fosse para o segundo turno. E não fiquei surpreso com a votação do PT. Até o Aloizio Mercadante, que era um candidato muito pior que o Haddad, o pior que o PT já teve, chegou a esse patamar.

Como avalia sua rejeição, que chegou a 46%?

Vem das mesmas pesquisas que não pegaram que eu chegaria em primeiro lugar.

O sr. aparece atrás de Haddad nas pesquisas do 2º turno. Como pretende reverter isso?

O PT sempre foi muito ruim de serviço no Executivo. Eles deixaram a cidade falida. Há ainda o fato de que os pontos mais fracos do PT são educação e saúde. Sempre.

Seu rival é apresentado pelo ex-presidente Lula como o melhor ministro da Educação...

Os estragos que foram feitos nos últimos anos na educação pesarão durante décadas. O Enem fracassou em parte pela incapacidade operacional de fazê-lo, mas também pelo equívoco das mudanças realizadas. Eu não diria que a culpa é do Haddad, ele é apenas despreparado para a educação.

Uma das maiores vitrines de Haddad é o ProUni. Que avaliação faz do programa?

É um programa de bolsas, nada mais. Não sou contra, mas está longe de ser uma inovação. Em São Paulo já tinha isso. Eles apenas fizeram algo mais massivo e com desconto de impostos. Cada bolsa é um gasto. Diminui receitas do governo.

O sr. tem ligado Haddad ao mensalão. Ele não é réu no processo. Por que vinculá-lo?

Porque ele é do partido do mensalão. O Zé Dirceu é muito importante para o PT e para ele.
Numa campanha, você carrega consigo sua biografia, suas companhias e o currículo do seu partido.

O ex-presidente Lula disse que o PT dará a resposta ao julgamento nas urnas...

As urnas deram resposta. O PT ficou fora em três capitais importantes: Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Lula e Dirceu estão querendo usar a eleição em São Paulo como cortina de fumaça. Querem dizer que, se ganharem, é como se não tivesse havido mensalão. É absurdo [o pensamento], mas não dentro do estilo de trabalho deles.

Haddad tem dito que não fugirá ao debate ético e promete responder citando polêmicas como Paulo Preto [Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa que depôs na CPI do Cachoeira sobre suspeitas em obras de SP] e o livro "Privataria Tucana" [que liga Serra a suspeitas no governo FHC].

Vai falar do Paulo Souza? Ele que diga o que quer saber e por que o PT não o questionou na CPI [do Cachoeira], onde fez convocação forçada.

E sobre o livro?

Isso não existe. O PT, em matéria de baixaria, tem currículo. Em 2002, fez ataques à minha família. Em 2006, os aloprados. Em 2010, espionagem. Agora, eu tenho o direito de me defender. Os tucanos não fazem isso bem, mas a gente vai aprendendo.

Como assim?

Há uma diferença: uma coisa é acusação, outra é o maior julgamento contra corruptos da história do Brasil. O STF condenou por corrupção figuras da mais alta relevância dentro do PT. Indiretamente, [condenou] o próprio governo Lula. Isso é um fato.

O sr. tem buscado apoio religioso...

Haddad foi à missa hoje [sexta-feira] e até comungou. Isso não é buscar apoio religioso? Agora, eu não sou cristão de boca de urna.

Como avalia a polêmica sobre o chamado "kit gay" [feito para o Ministério da Educação na gestão Haddad com a justificativa de combater a homofobia nas escolas, mas que acabou não distribuído]?

Nós fizemos a melhor campanha contra Aids do mundo. O papel da comunidade gay foi decisivo. Nunca saiu nenhum filme da campanha que eu não tivesse revisado. O Haddad fez uma coisa desastrada. Era um material de doutrinação, malfeito.

O que pensa do apoio do pastor Silas Malafaia [da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e que prometeu "arrebentar" Haddad] à sua campanha, criticado pelo PT?

Não criticam o Malafaia, criticam que não esteja com eles. No Rio, Malafaia apoiou o Eduardo Paes, cujo vice é do PT. Quando não apoia Haddad, aí é satanizado.

Fonte: Folha de S. Paulo

PT e PMDB usam 2º turno como prévia para aliança em 2014


A presidente Dilma Rousseff quer reeditar a aliança com o PMDB em 2014, quando pretende concorrer a um segundo mandato. A estratégia começou a ser construída em São Paulo, com o apoio do PMDB a Fernando Haddad, e já virou prioridade em outras praças do País. O objetivo é montar um palanque nacional pró-Dilma, isolar o PSDB e dar um sinal de alerta ao PSB do governador Eduardo Campos (PE), que se movimenta para assumir posição de destaque. O mapa político indica que o PT terá o PMDB ao seu lado em pelo menos 10 das 22 cidades onde disputa o segundo turno das eleições municipais

PT e PMDB usam 2º turno como prévia para repetir aliança em 2014

Estratégia tem como objetivos derrotar Serra na capital, montar palanque nacional pró-Dilma, isolar o presidenciável tucano Aécio Neves e impedir o governador do PSB, Eduardo Campos, de alçar voo próprio

Vera Rosa, Julia Duailibi e Amanda Rossi

A presidente Dilma Rousseff quer reeditar a aliança com o PMDB em 2014, quando pretende concorrer a um segundo mandato. A estratégia para o novo casamento começou a ser construída em São Paulo, com o apoio do PMDB ao candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, e já virou prioridade em outras praças. Com o radar voltado para a montagem de um palanque nacional pró-Dilma, a meta dos dois partidos é isolar o PSDB e dar um sinal de alerta ao PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que se movimenta para assumir posição de destaque no jogo de 2014.

O mapa político indica que o PT terá o PMDB ao seu lado em pelo menos 10 das 22 cidades onde disputa o segundo turno. Nelas, há um universo de 11,9 milhões de eleitores que os petistas pretendem conquistar no próximo dia 28 com o apoio do aliado.

Até agora, os principais acordos do PMDB para a segunda etapa da eleição foram costurados pelo vice-presidente Michel Temer, licenciado do comando do partido, com uma tática que vai além da dobradinha para as prefeituras. Na prática, Dilma, Temer e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalham para a construção de parcerias mais amplas com a base aliada, de olho nas disputas aos governos estaduais e ao Palácio do Planalto, daqui a dois anos. A ofensiva pretende avançar sobre os domínios do senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável adversário de Dilma em 2014, derrotar o tucano José Serra em São Paulo e impedir Campos de alçar voo próprio.

Embora setores do PT defendam reservadamente a volta de Lula, a tendência é a candidatura de Dilma. "A única possibilidade de eu voltar ao governo seria se Dilma não quisesse se reeleger. Não posso permitir que um tucano volte a governar", disse o ex-presidente, em maio, no Programa do Ratinho, transmitido pelo SBT. Lula não mudou de ideia desde então. Até hoje, repete o mantra a dirigentes de partidos.

Em São Paulo, Lula e Temer fecharam o acordo que selou o apoio de Gabriel Chalita, candidato derrotado do PMDB, à campanha de Haddad, contra José Serra (PSDB). O PMDB nega moeda de troca eleitoral, mas o pacote da adesão prevê a transferência do deputado Chalita para um ministério. Ele deverá ganhar um cargo na Esplanada quando Dilma fizer a reforma na equipe, no início de 2013, levando em conta a nova configuração das urnas. Chalita já gravou mensagem para Haddad na propaganda de TV. Sua missão, agora, é atrair votos dos católicos.

Exigência. O presidente do PMDB paulista, Baleia Rossi, admite que o pano de fundo para a união com o PT nos embates municipais é a sucessão no Planalto. "Nosso projeto é nacional. Temos como objetivo manter essa aliança vitoriosa", afirmou Rossi. "A primeira exigência na costura das parcerias pelo Estado é o apoio à candidatura de Dilma, em 2014", emendou o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva.

O PMDB controla hoje 5 dos 39 ministérios (Minas e Energia, Previdência, Agricultura, Turismo e Assuntos Estratégicos), mas avalia que precisa de pastas com mais visibilidade política. Além disso, os números mostram que o partido de Temer é mais fiel do que o PT e seu principal parceiro em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País.

Com finalistas para o segundo turno em 16 cidades, que reúnem 5,7 milhões de eleitores, o PMDB conta com apoio dos petistas em apenas cinco (Sorocaba, Florianópolis, Campina Grande, Guarujá e Volta Redonda). O número, porém, pode crescer, pois o PT ainda não se posicionou em Joinville, Cariacica e Uberaba.


Em Natal, os petistas não se uniram ao candidato do PMDB, Hermano Morais, e decidiram dar "apoio crítico" ao concorrente do PDT, Carlos Eduardo Alves. A capital do Rio Grande do Norte integra uma lista de pelo menos 16 cidades onde o PT e o PMDB estão em campos opostos, mas não necessariamente com candidatos em confronto direto.


"A campanha em Natal terá a neutralidade de Dilma e de Lula. Nós agradecemos muito esse gesto", disse o deputado Henrique Eduardo Alves, presidente do PMDB-RN e líder do partido na Câmara. Alves é primo de Carlos Eduardo, mas ambos estão rompidos. Em fevereiro, Alves deverá assumir a presidência da Câmara. E o comando do Senado pode voltar às mãos de Renan Calheiros (PMDB-AL), que renunciou ao cargo, em 2007, acuado por uma série de denúncias.


Dilma avisou aos parlamentares do PT que o acordo feito com o PMDB para dar ao partido de Temer a direção das duas Casas terá de ser cumprido. "Nós temos palavra", afirmou a presidente, mandando recado aos petistas insatisfeitos. "A fotografia de hoje é essa, muito nítida. Se vai mudar eu não sei, mas tudo indica que o retrato será o mesmo", previu Alves.


Fichas. Apesar de presidir o PSB, partido que mais cresceu até agora nas eleições, Eduardo Campos nega que suas articulações sejam para enfrentar Dilma. Enciumado, o PMDB avalia que o governador quer desbancar Temer da vice, em 2014, para se lançar ao Planalto, em 2018. Nos bastidores, o comentário é que Campos "joga com fichas terceirizadas". É uma provocação à aliança do prefeito reeleito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com Aécio. Na capital de Minas, o PMDB desistiu da candidatura própria, a pedido de Dilma, para patrocinar Patrus Ananias (PT), que perdeu.

No Rio, o caminho foi inverso: o PT abriu mão da cabeça de chapa e apoiou a reeleição de Eduardo Paes (PMDB). Em Salvador, porém, o PT do governador Jaques Wagner e o PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima vivem às turras. Lá, os peemedebistas não chegaram ao segundo turno.

Agora, o mais forte polo de articulação da dobradinha PT-PMDB está em São Paulo. Além de endossar Haddad, Temer atuou para o PMDB avalizar Márcio Pochmann (PT) em Campinas e impediu a adesão a Jonas Donizette (PSB), discípulo do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Nas negociações, o PMDB acertou com Lula e Dilma a gravação de mensagens de apoio a seus principais candidatos no horário gratuito.

Fonte: o Estado de S. Paulo

Paes alega defasagem e admite reajustar IPTU


Contrariando promessa de campanha, prefeito reeleito estuda alterações no imposto

Uma delas é rever a planta de valores: "Não é sanha arrecadatória. É questão de justiça fiscal, porque o sistema não está organizado"

Embora tenha afirmado du­rante a campanha que não mexeria no IPTU "de jeito nenhum", o prefeito Eduardo Paes já estuda mudanças na cobrança do tributo. Segun­do ele, um dos problemas é a defasagem dos valores do metro quadrado cobrado em cada rua. Paes analisa tam­bém o IPTU progressivo e disse que não é justa a manu­tenção do desconto para imóveis vizinhos a favelas pa­cificadas. Ao assinar as 78 promessas de campanha pu­blicadas pelo GLOBO, o pre­feito fez várias ressalvas. E anunciou mais uma vez que vai romper o contrato com a Embrapark, para acabar com os flanelinhas.

Reeleito, prefeito admite mudanças no IPTU

Favelas vão ganhar Unidade de Ordem Pública; primeira delas será no Borel

Adriana Oliveira, Isabela Bastos, Luiz Ernesto Magalhães, Rolland Gianotti e Selma Schmidt

PROMESSAS

Em 2008, me debrucei ao longo do governo nas promessas para o atual mandato. Houve fragilidades. Umas foram piores para mim; outras benéficas. Não estava muito claro como estavam as promessas. Agora, em 2012, a gente colocou aqui todas as promessas para a futura administração que vocês colocaram no jornal, e fizemos adaptações. Deixamos claro o que é cada uma. Acho muito legal esse negócio das promessas.

URBANISMO

Ajustei a promessa. Não prometi não aumentar gabarito e não alterar parâmetros da cidade. Eu me referia aos imóveis em APACs e mantenho essa promessa. Não tenho como fazer outra operação do Porto se não aumentar gabarito. Quero usar essas operações que o Estatuto das Cidades me permite fazer. Estou estudando outra operação consorciada para a Cidade Nova. A PPP (parceria público-privada) incluiria a recuperação do Bairro Operário.

IPTU

Não quero assinar isso (manter o sistema atual de cobrança de IPTU sem qualquer revisão da planta de valores). Não estou dizendo que eu vá fazer. O que existe é uma série de estudos da Secretaria de Fazenda. A planta que está aí é da época do ex-prefeito Luiz Paulo Conde. Este ano não vou fazer. Nem sei se vou fazer de 2013 para 2014, de 2014 para 2015 ou de 2015 para 2016. O que digo é que existem distorções na planta de valores e que a gente precisa olhar isso com atenção.

Ainda não sei (qual seria o eventual potencial de aumento). O que digo é que o IPTU está com problemas. E não é só na planta de valores. O que admito é olhar a questão do IPTU, o que não resultará necessariamente em aumento. Você tem dois terços da cidade que não pagam imposto. É justo? Não estou dizendo que vou botar um "IPTUzão" para essas pessoas pagarem. Também a realidade do Rio mudou. No passado, foi criado um redutor para as áreas violentas, próximas às favelas, que, agora, estão pacificadas. A pessoa, hoje, que mora no pé do Pavão- Pavãozinho tem esse redutor. Não é sanha arrecadatória. É questão de justiça fiscal, porque o sistema não está organizado. Há muitos instrumentos no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor que a gente não usa, como o IPTU progressivo. Estamos estudando.

Fonte: O Globo

Parentes e amigos se despedem do jornalista Luiz Mario Gazzaneo

Gazzaneo trabalhou em 'O Globo' e no 'JB' e chefiou assessoria do IBGE.
 
Parentes e amigos do jornalista Luiz Mario Gazzaneo se reuniram na manhã deste sábado (13) no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio, para se despedir do profissional que passou pelas mais importantes redações, como mostrou o RJTV.
 
Gazzaneo morreu aos 84 anos, na manhã da sexta-feira (12), no Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Ele estava internado desde a madrugada de segunda-feira (8), quando sofreu um infarto. Ele chegou a passar por duas cirurgias. O corpo será cremado na tarde deste sábado, segundo a família.
No velório, a presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Wasmália Bivar, muito emocionada, destacou o trabalho do jornalista para tornar as pesquisas palatáveis para o público em geral.
"Somos muito gratos a ele. Gazzaneo, que trabalhou no IBGE de 2000 a 2010 já estava nos fazendo muita falta. A gente brigava muito, mas no campo das ideias, coisas de trabalho. Ele sempre queria o melhor. Era sempre um grande prazer falar com ele sobre o IBGE, sobra a imprensa e sobre o Brasil. Ele tinha uma história muito rica e passava isso para a gente", disse Wasmália, com os olhos cheios de lágrimas.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, lembrou o companheiro inteligente, fraterno e solidário. Ele recordou os tempos de convivência no jornal "Folha Semana", de oposição ao regime militar.
"Ele era um profissional muito inteligente e uma pessoa muito fraterna. Respondemos juntos num inquérito aberto pela Marinha para apurar as informações que publicávamos no jornal. Era um momento muito difícil para quem não seguia a orientação do governo. Ele foi companheiro o tempo todo", contou Azêdo.
A filha mais velha, Ana Maria Gazzaneo, contou que o pai era um homem que amava acima de tudo a vida. Carinhoso, foi bom pai e excelente avô, que adorava trabalhar e se divertir.
"Era um sedutor, paquerador, mas era um homem de família. Para ele, a verdade era a coisa mais importante do mundo. Sempre nos incentivou a buscá-la. Sobre política, ele dizia que ela não precisa ser necessariamente uma coisa ruim, mas que podia ser boa e devia ser boa", disse a primogênita.
A médica sanitarista Lúcia Souto lembrou do período entre 1991 e 1998, quando ela foi deputada estadual pelo PCB e teve Gazzaneo como seu assessor de imprensa.
"Ele era libertário, guerreiro, instigador, jovial, um radical democrata. Vai fazer muita falta para os amigos e na política. Fica um vazio e uma saudade muito grande. Nos oito anos de convivência durante o meus mandatos aprendi muito com ele. Gazzaneo é uma figura histórica na luta política deste país e me ajudou e me ensinou muita coisa", disse Lúcia Souto.
O ex-presidente do IBGE Sérgio Besserman enfatizou a pessoa doce e apaixonada pela vida e pelo Palmeiras que foi Gazzaneo. Destacou o trabalho relevante que ele fez na divulgação do trabalho do IBGE, mas disse que acima de tudo sentirá falta do amigo.
"Ninguém é insubstituível no trabalho, na vida. Mas ninguém vai substituí-lo como espírito humano. Ele sempre estará presente entre nós com sua doçura e sua luta", concluiu Besserman.
Alagoano criado em São Paulo
Gazzaneo nasceu em Maceió, Alagoas, e era filho de uma família italiana radicada em São Paulo. Muito jovem, ligou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1944, em plena ditadura do Estado Novo. No ano seguinte, ele integrou o grupo que organizou o Comício do Pacaembu, quando Luiz Carlos Prestes foi apresentado aos paulistas, após cumprir nove anos de prisão.
Graduado em cinema na Escola de Cinema do Museu de Artes de São Paulo, começou no jornalismo no jornal “Notícias de Hoje” do Partido Comunista, em São Paulo, como crítico de cinema. Em 1959, veio para o Rio e assumiu a chefia da redação do jornal “Novos Rumos” (do PC até o dia 1º de abril de 1964, quando o jornal foi invadido e destruído).
Depois de seis anos na clandestinidade, voltou ao jornalismo em 1971, e foi trabalhar com Samuel Wainer na revista “Domingo Ilustrado”, da Bloch. Passou pelas revistas “Fatos e Fotos” e “Cartaz”. Em 1973, ingressou no “Jornal do Brasil” como redator da Editoria Internacional. No JB foi ainda chefe de reportagem, editor de Cidade e editor executivo. Em 1983, saiu do JB para a agência de notícias do jornal "O Globo" e ficou na editoria Nacional do jornal até dezembro de 1987.
 
Trabalhou também como diretor da agência de notícias Nova Press, especializada em notícias do Leste Europeu. Em 1991, deixou a agência para atuar em campanhas eleitorais. De 2000 a 2010, trabalhou no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como Coordenador de Comunicação Social.
 
Há pouco mais de um mês, em 4 de setembro, Gazzaneo deu uma entrevista em sua casa aos jornalistas Silvia Maia Fonseca e Antonio Carlos Medeiros, falando sobre passagem pelo IBGE, quando já estava pensando em se aposentar.
Ele trabalhou com o então presidente Sergio Besserman, que pessoalmente lhe telefonou para convidá-lo a reestruturar a assessoria de imprensa do instituto, conforme ele próprio conta no vídeo postado no YouTube. Ele continuou no instituto sob a presidência de Eduardo Pereira Nunes.
Fonte: G1 Rio

Jobim Sinfonico - Saudade do Brasil


Satélite – Manuel Bandeira

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

sábado, 13 de outubro de 2012

OPINIÃO DO DIA – Joaquim Barbosa: ‘o mensalão maculou a República’ (LX)


"(O julgamento) vai ser um marco não só para a política brasileira. Para a política talvez signifique um freio de arrumação. Mas para a sociedade é um episódio espetacular porque estamos assistindo à Justiça penetrando nos lares das pessoas, o modo de fazer Justiça.

As provas estão lá em abundância. Quem acompanhou esse julgamento nos seus momentos cruciais viu a superabundância de provas, fatos escabrosos que ao longo dessas semanas nós mostramos. O que tem havido é tentativa de politização de um resultado negativo para essa ou aquela pessoa. E, quanto a isso, cada um tem a liberdade de fazer o que bem entende."

Joaquim Barbosa, ministro-relator do processo do mensalão no STF. O Estado de S. Paulo 12/10/2012

Manchetes dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Caciques medem força no 2º turno
Risco de Inflação: Brasil pode ter de subir juros, diz FMI
País tem R$ 340 bi em reservas 

FOLHA DE S. PAULO 
Em crise, União Europeia leva Prêmio Nobel da Paz
Ex-líder de Lula absolvido diz estar aliviado, mas ataca STF
Candidatos não conhecem perfil da periferia

O ESTADO DE S. PAULO 
Serra diz que Haddad segue lição de Dirceu e petista rebate
PF investiga contratos de serviços do Enem
Inflação atinge dois terços dos produtos e serviços
Atento é vendida por US$ 1,3 bi
SIP debate direito à privacidade

CORREIO BRAZILIENSE 
Dispara a venda de psicotrópicos no DF
União Europeia: Nobel da Paz provoca reação

ESTADO DE MINAS 
Agenda de problemas no Congresso
4 em cada 10 não votaram em vereador na capital

ZERO HORA (RS) 
RS elege mais prefeitas, mas ainda são poucas
Recorde de mortes em confrontos com policiais

JORNAL DO COMMERCIO (PE) 
Tragédia na festa
Duplicação da BR-104 para e provoca riscos

O que pensa a midia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Em quase metade das condenações, discordância


UM JULGAMENTO PARA A HISTÓRIA

Revisor do mensalão divergiu de 46% das sentenças do relator

Bruno Góes

RIO E BRASÍLIA - O relator Joaquim Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski não discordaram apenas sobre as condenações dos réus petistas mais importantes no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). O revisor, segundo levantamento feito pelo GLOBO, viu de forma oposta 46% das condenações do relator. As absolvições proferidas nos votos de Lewandowski referentes a José Dirceu (por corrupção ativa), a José Genoino (por corrupção ativa) e a João Paulo Cunha (por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato) representam apenas cinco discordâncias entre as 33 ocorridas até aqui. Ao todo, relator e revisor tomaram 71 decisões cada um.

Esse número pode ser ilustrado pelo confronto verbal entre os dois em várias das 35 sessões já realizadas pelo Supremo. Para Tânia Rangel, advogada e professora de Direito da FGV Rio, a divergência é saudável e mostra o funcionamento do Direito:

- No Direito, essa discordância é prevista. A grande questão é que o mesmo fato pode dar diversas interpretações. Faz parte do jogo. E, quando vemos isso, vemos o Direito funcionando. Se olharmos para o caso de José Dirceu, por exemplo, observamos que a valoração dos fatos, no caso de Barbosa e Lewandowski, é diferente - diz ela, lembrando a importância dada por Joaquim Barbosa à fala de Roberto Jefferson, réu sem credibilidade para Lewandowski.

Apesar de Barbosa já ter sugerido que Lewandowski fez "vista grossa" diante dos autos, na maioria dos casos, 54% deles, houve concordância. Esse fato, junto com o entendimento dos demais ministros, mostra que, em 50 mil páginas, contidas em 233 volumes e 495 apensos, há provas suficientes para incriminar boa parte dos réus. A maioria dos advogados de defesa não conseguiu convencer os ministros de que seus clientes são inocentes.

Valerioduto é consenso

Relator e revisor condenaram, juntos, Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, atestando a existência de dinheiro público no valerioduto; Delúbio Soares, o tesoureiro do partido, indicando sua participação no pagamento a parlamentares; deputados da base aliada por corrupção passiva, como Valdemar da Costa Neto; e os banqueiros Kátia Rabello e José Roberto Salgado, por gestão fraudulenta, comprovando os empréstimos simulados às agências de Marcos Valério.

O publicitário, aliás, também foi condenado por ambos, mas com algumas ressalvas. Sobre as acusações de corrupção ativa, eles discordaram: Lewandowski condenou-o pelo crime duas vezes, enquanto Barbosa condenou-o três vezes. Da mesma forma, os crimes de peculato: três condenações em relação ao crime pelo relator, e apenas duas pelo revisor.

Esses dois casos de discordância não anulam a grande desenvoltura constatada pela Corte em relação ao réu, como esclareceu o presidente Carlos Ayres Britto, na 30ª sessão:

- Marcos Valério esteve por oito vezes com dirigentes do Banco Central, simulou empréstimos para suas quatro empresas de publicidade e mediou contatos profissionais com Banco de Minas Gerais, Banco Mercantil, Telemig, Bônus Banval, Natimar, assim como esteve pessoal e reiteradamente com a mais alta cúpula do Partido dos Trabalhadores.

Lewandowski discordou de Barbosa com mais frequência quando se deparou com as condenações por lavagem de dinheiro. Pelos votos, pode-se perceber que ambos têm interpretações diferentes sobre a aplicação da lei. Lewandowski tem a mesma interpretação de Marco Aurélio e de Cezar Peluso, segundo a qual a ocultação do dinheiro oriundo da corrupção é característica inerente ao crime de corrupção e não pode ser usada também para caracterizar a lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram 16 casos de discordância sobre lavagem de dinheiro: Rogério Tolentino, Geiza Dias, Vinicius Samarane, João Paulo Cunha, Pedro Corrêa, Pedro Henry, João Claudio Genu, Breno Fischberg, Bispo Rodrigues, Roberto Jefferson, Emerson Palmiere, Romeu Queiroz, José Borba, Paulo Rocha, João Magno e Anderson Adauto, todos condenados pela prática do crime por Barbosa, foram absolvidos por Lewandowski.

Sobre outras condenações de alguns desses réus dadas por Barbosa, Lewandowski também bateu de frente: absolveu João Paulo Cunha por corrupção passiva e dois peculatos; Breno Fischberg por formação de quadrilha; Vinicius Samarane por gestão fraudulenta; Rogério Tolentino por corrupção ativa; e Pedro Henry por corrupção passiva e formação de quadrilha.

Manifestação pela Justiça

Ontem, cerca de 50 pessoas realizaram uma manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília, soltando 700 balões verdes e amarelos. De acordo com os organizadores do evento, que afirmam não serem ligados a grupos políticos, o objetivo é mostrar que o julgamento do mensalão, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), renovou a confiança do povo na Justiça brasileira. Os manifestantes também portavam uma faixa com os dizeres "O Brasil mudou. A pizzaria fechou".

Um dos organizadores da manifestação, o bancário e médico veterinário Rodrigo Montezuma, disse que o julgamento é um marco na História do país, o que deve motivar os políticos a repensar sua forma de agir.

- Este momento é um marco na credibilidade das instituições e mostra que os crimes contra as instituições públicas não serão impunes. Os políticos têm que repensar sua forma de atuar, parar com o fisiologismo e parar de pensar apenas no próprio umbigo.

O ativista afirmou que a manifestação foi organizada em apenas três dias, entre ativistas que se conheceram em um evento no Dia da Independência do ano passado. Montezuma reforça que a manifestação não é uma comemoração pela condenação de políticos pelo Supremo, mas, sim, pela "confiança na Justiça".

- Não ficamos felizes com a punição das pessoas, que parece caminhar para penas de privação da liberdade. Mas nós estamos felizes por ver, finalmente, o zelo pelas instituições públicas - disse.

Fonte: O Globo

STF julga quadrilha perto do 2º turno


Cronograma inicial atrasa e ministros estimam que decisão sobre chefia do grupo, atribuída a Dirceu, será dada a três dias da votação

Felipe Recondo, Ricardo Brito

BRASÍLIA - À véspera do segundo turno das eleições municipais, o Supremo Tribunal Federal deverá julgar se o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu era o chefe de uma quadrilha montada para operar o esquema do mensalão. Embora tenha pena baixa, o crime é carregado de simbolismo e será usado por adversários de candidatos petistas durante a campanha eleitoral neste segundo turno.

A expectativa entre os ministros da Corte é que a conclusão do julgamento deste item do processo ocorra a três dias das eleições. E os prognósticos entre os magistrados é de que, assim como ocorreu na corrupção ativa, Dirceu também seja condenado por formação de quadrilha.

Na semana anterior ao primeiro turno das eleições municipais, o tribunal começou a julgar a acusação de que Dirceu comprou parlamentares em troca de apoio ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A coincidência foi um acaso, conforme ministros, mas o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que seria "salutar" que o julgamento tivesse influência nas eleições.

A expectativa inicial do relator da ação penal no Supremo, ministro Joaquim Barbosa, era de que o julgamento terminasse na semana anterior às eleições. Nesse caso, o tribunal definiria dias antes do segundo turno as penas impostas aos réus, inclusive se teriam de cumpri-las na cadeia. O atraso nas duas últimas sessões adiou essa discussão para depois do segundo turno.

Regime. A condenação de Dirceu pelo crime de quadrilha pode definir se o ex-ministro cumprirá pena em regime fechado ou no semiaberto. A legislação penal estabelece que réus que forem condenados a pena superior a oito anos terão de cumprir a pena inicialmente em regime fechado.

Por enquanto, Dirceu foi condenado pelo crime de corrupção ativa - cuja pena, na época do crime, variava de um a oito anos. Se condenado por formação de quadrilha, a pena pode aumentar em até três anos.

Conforme a acusação do Ministério Público Federal, 13 dos réus em julgamento formaram uma grande quadrilha, que se subdividiu nos núcleos financeiro, político e publicitário. O grupo era encabeçado por Dirceu e integrado pelo ex-presidente do PT José Genoino, pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, pelo empresário Marcos Valério e seus sócios na época, e por representantes do Banco Rural.

A quadrilha teria se associado para desviar recursos públicos do Banco do Brasil e da Câmara dos Deputados, dissimulado a origem do dinheiro por meio de empréstimos fraudulentos tomados nos Bancos Rural e BMG e depois distribuído a parlamentares para tornar viável a compra de apoio ao governo Lula no Congresso.

As investigações do Ministério Público apontaram Dirceu no comando do esquema. As provas demonstraram "sem sombra de dúvida", conforme o MP, que o ex-ministro da Casa Civil agiu sempre no comando de todas as ações. "Era, enfim, o chefe da quadrilha", afirmou Gurgel, no processo.

"Foi (Dirceu) o mentor do esquema ilícito de compra de votos e, como líder do grupo, determinou as ações necessárias à consecução do objetivo que justificou a união de todos os agentes, seja no que dizia respeito às negociações travadas com os parlamentares e líderes partidários, seja na obtenção dos recursos necessários ao cumprimento dos acordos firmados", acrescentou o procurador-geral.

Julgamento. Ao longo das últimas sessões de julgamento, Dirceu já foi colocado pela maioria dos ministros do Supremo em posição de comando. Foi por causa da proeminência no esquema que o ex-ministro foi condenado pelo tribunal pelo crime de corrupção ativa.

"É certo que José Dirceu, em razão da força política e administrativa que exercia, foi o principal articulador dessa engrenagem. (Dirceu) Reunia-se com o principal operador do esquema, Marcos Valério, para tratar de repasses de dinheiro e acordos políticos", afirmou o relator do processo no Supremo, Joaquim Barbosa.

"Restou demonstrado, não bastasse a ordem natural das coisas, que José Dirceu realmente teve uma participação acentuada, a meu ver, nesse escabroso episódio", concordou o ministro Marco Aurélio Mello.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Freire diz que reação de Dirceu é "jus esperniandi" que não pode virar ação política



“É um jus esperniandi que a sociedade não pode permitir que se torne ação política”, definiu o presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP), ao analisar as declarações do ex-ministro José Dirceu (PT) após ser condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal. O parlamentar afirmou que é “inconcebível” que o esperneio de Dirceu instrumentalize a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o movimento sindical. “Tem que haver reação da sociedade democrática”.

Freire disse ainda que agora cabe à cidadania cumprir seu papel, de dar prosseguimento ao trabalho executado pelo STF de construir uma sociedade em que a impunidade não seja a regra e em que poderoso não esteja acima da lei. “Não adianta reclamar que a política é suja, se, no momento apropriado não se contribui para que ela seja séria e limpa; é preciso votar bem, se posicionar corretamente no dia a dia, nos pronunciamentos públicos, em todas as ações”.

Heróis?

Freire ironizou o fato de Dirceu e o ex-presidente do PT, José Genoino, se considerarem heróis do povo brasileiro. “Aí não podemos ter contemplação; é melhor ficarmos com Macunaíma do que imaginar que alguma dessas figuras possa ser herói do povo brasileiro”. “Merecemos muito mais”, afirmou.

Sobre a defesa do controle da mídia e do judiciário, que fez Dirceu, após ser condenado, Freire afirmou: “Isso também era parte do plano (do PT, com o mensalão); não era apenas corromper partidos políticos e parlamentares, era também controlar todas as instituições democráticas. Isso era parte da estratégia de permanência no poder”.

Refundação e autocrítica

Freire acredita que o PT precisa passar “por uma refundação, num processo severíssimo de autocrítica”. O partido, diz ele, pode continuar como está e ganhar eleições, ter parlamentares, mas vai ficar “sem qualquer credibilidade e sem perspectiva de ser uma alternativa de projeto político para o país; isso acabou”.

O julgamento, afirmou Freire, além de desnudar o que o ministro Celso de Mello chamou de "macrodelinquência governamental", mostra “as entranhas daquilo em que se transformou, no governo, o Partido dos Trabalhadores”. O deputado lembrou ainda que o ministro Ayres Britto disse que o PT perpetrara uma tentativa de golpear as instituições para permanecer no poder.

Freire comparou o julgamento do mensalão à Operação Mãos Limpas, desenvolvida na Itália na década de 90 pelo Poder Judiciário e o Ministério Público. “Naquela oportunidade ficou evidenciada uma relação promíscua entre a máfia e o poder político, exercido, então, por cinco partidos, sob a liderança da Democracia Cristã”. Do processo resultou uma crise que desaguou no desaparecimento dos cinco partidos. “O primeiro-ministro, na época, teve de fugir da Itália com medo de ser preso”.

Fonte: Portal do PPS

A democracia no Brasil vai bem, diz nota do PSDB


Nota do Presidente em Exercício do PSDB

A democracia no Brasil vai bem. Bem melhor na medida em que as instituições cumprem com independência seu papel. No caso do “mensalão”, a decisão soberana do STF – composto, na ampla maioria, por ministros nomeados pelos governantes petistas, como não é demais lembrar, fortalece a confiança na igualdade de todos perante a lei.

Nesse julgamento as instituições democráticas estão sendo fortalecidas. A ameaça a elas foi “representada pela compra de votos no Congresso Nacional, por um projeto de poder, de inspiração patrimonialista, que significa um golpe à democracia que é a República”, conforme ressaltou o presidente do STF, ministro Ayres Britto. Ela foi vítima direta do próprio escândalo e tem sido vítima da campanha de desinformação do PT para negar sua responsabilidade por ele.

Qual seria o futuro de uma democracia onde o partido governante pudesse impunemente desviar dinheiro público para comprar a maioria do Congresso Nacional? Ao contrário do que afirma o partido governante em nota oficial, o Ministério Público, o Supremo Tribunal Federal e os principais veículos de comunicação estão contribuindo para que o país supere esse grave desvio ético-político e para que o povo mantenha a sua confiança na democracia.

Teorias conspiratórias têm péssimos antecedentes. Sejam inspiradas por fanatismo ideológico, sectarismo partidário ou esperteza eleitoral, que sempre envenenam o ambiente político e corroem as instituições democráticas. Com respeito a essas instituições temos um terreno comum no qual podemos divergir. Se a direção do PT resolve declarar guerra a esse valor fundamental - o respeito a essas instituições - enterrando o que há de bom na sua história para esconder seus delitos, a oposição só pode lamentar, mas vai defendê-las a qualquer custo.

Alberto Goldman
Presidente em exercício da Executiva Nacional do PSDB

Transparência - Merval Pereira


O país acompanha pela TV, ao vivo e em cores, o julgamento do mensalão e é testemunha de que tudo se passa na mais perfeita ordem democrática do estado de direito. A pretexto de evitar a politização do julgamento, petistas ilustres, a começar pelo ex-presidente Lula, exerceram durante meses pressão nunca vista sobre o Supremo Tribunal Federal para que ele não se realizasse durante as eleições municipais.

A preocupação era tamanha que Lula chegou a ameaçar o ministro Gilmar Mendes de denunciar, na CPI do Cachoeira, uma suposta relação do ministro com o bicheiro, o que foi prontamente repelido. Tornado público o episódio, ficou claro que não havia o que denunciar, e o tiro saiu pela culatra. Inevitável o julgamento, Lula passou a procurar outros ministros em busca de apoio à sua tese de que tudo não passou de uma farsa. A Dias Toffoli foi dito, em público pelo atual prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e em particular pelo próprio Lula, que ele não tinha o direito de se declarar impedido, mesmo tendo trabalhado sob as ordens do ex-ministro José Dirceu e assinado documento, na posição de delegado do PT, afirmando que o mensalão ainda estava para ser provado.

O ministro Ricardo Lewandowski recebeu Lula em casa, em São Bernardo do Campo, antes do julgamento. Essas pressões petistas foram as reveladas, uma pressão que, ao contrário, eles atribuem à "mídia conservadora" que estaria atuando para condenar "o governo popular". Mas os mínimos detalhes foram observados para que não se dissesse que o julgamento tinha qualquer laivo de tendenciosidade. O presidente do STF, Ayres Britto, abria sempre as sessões anunciando a Ação Penal 407, e encabeçava a lista dos réus com José Dirceu de Oliveira e Silva. A partir de um certo momento, deixou de citar o nome de Dirceu, dizendo genericamente que os réus eram conhecidos.

Também a palavra "mensalão" desapareceu da boca dos ministros, pois advogados de defesa alegaram que o nome era depreciativo e já embutia decisão sobre o caso. Mas o revisor Lewandowski, sempre que pode, refere-se ao caso mineiro, lembrando que ele é a origem de tudo. É certo que ele não cita o PSDB, partido cuja regional de Minas envolveu-se originariamente com o lobista Marcos Valério para fazer, em termos locais, o mesmo que o PT faria em termos nacionais anos depois, mas a repetição mostra preocupação de relativizar o esquema denunciado pelo processo.

Os ministros do STF não perdem uma chance de explicar didaticamente as razões jurídicas que os levam a condenar alguns e absolver outros, e, quando há uma dúvida razoável, a discussão ganha até mesmo ares de confronto, com ministros sendo mais ríspidos do que deveriam, alterando a voz para impor suas convicções.

Em algumas ocasiões, especialmente nas primeiras sessões, houve até momentos em que ele esteve em risco, como quando Lewandowski ameaçou abandonar o plenário.

Dias Toffoli, na última sessão, chegou a dizer que seu colega Luiz Fux estava sendo "indelicado". O relator Joaquim Barbosa, que não aguenta ser contestado sem revidar, cortou um comentário do mesmo Toffoli, que usou um "assalto a banco" para contestar a posição do relator sobre lavagem de dinheiro, afirmando: "Não é assalto a banco, mas é assalto aos cofres públicos". Lewandowski e Toffoli estão em minoria no plenário, isolados em suas posições na maioria dos casos, mas têm encontrado apoio nas questões relativas a lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, temas que são acessórios ao principal no julgamento, mas que têm grande importância tanto na hora de definir as penas quanto na formação de uma jurisprudência que vai influir nos julgamentos das várias instâncias da Justiça brasileira daqui para a frente.

O que se vê, então, é que os ministros do Supremo - a maioria nomeada por governos petistas - são capazes de discutir às vezes asperamente em torno de temas que não obtêm consenso do plenário, e são também capazes de absolver quando uma "dúvida razoável" persiste.

Os placares condenatórios elásticos - de 10 a 0 para Delúbio Soares; 9 a 1 para José Genoino; e 8 a 2 para José Dirceu - só indicam que não houve dúvidas sobre suas culpabilidades.

Fonte: O Globo

Os marginais do poder - Marco Antonio Villa


Vivemos um tempo curioso, estranho. A refundação da República está ocorrendo e poucos se estão dando conta deste momento histórico. Momento histórico, sim. O Supremo Tribunal Federal (STF), simplesmente observando e cumprindo os dispositivos legais, está recolocando a República de pé. Mariana - símbolo da República Francesa e de tantas outras, e que orna nossos edifícios públicos, assim como nossas moedas - havia sido esquecida, desprezada. No célebre quadro de Eugène Delacroix, é ela que guia o povo rumo à conquista da liberdade. No Brasil, Mariana acabou se perdendo nos meandros da corrupção. Viu, desiludida, que estava até perdendo espaço na simbologia republicana, sendo substituída pela mala - a mala recheada de dinheiro furtado do erário.

Na condenação dos mensaleiros e da liderança petista, os votos dos ministros do STF têm a importância dos escritos dos propagandistas da República. Fica a impressão de que Silva Jardim, Saldanha Marinho, Júlio Ribeiro, Euclides da Cunha, Quintino Bocayuva, entre tantos outros, estão de volta. Como se o Manifesto Republicano de dezembro de 1870 estivesse sendo reescrito, ampliado e devidamente atualizado. Mas tudo de forma tranquila, sem exaltação ou grandes reuniões.

O ministro Celso de Mello, decano do STF, foi muito feliz quando considerou os mensaleiros marginais do poder. São marginais do poder, sim. Como disse o mesmo ministro, "estamos tratando de macrodelinquência governamental, da utilização abusiva, criminosa, do aparato governamental ou do aparato partidário por seus próprios dirigentes". E foi completado pelo presidente Carlos Ayres Brito, que definiu a ação do PT como "um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto". Foram palavras duras, mas precisas. Apontaram com crueza o significado destrutivo da estratégia de um partido que desejava tomar para si o aparelho de Estado de forma golpista, não pelas armas, mas usando o Tesouro como instrumento de convencimento, trocando as balas assassinas pelo dinheiro sujo.

A condenação por corrupção ativa da liderança petista - e por nove vezes - representaria, em qualquer país democrático, uma espécie de dobre de finados. Não há no Ocidente, na História recente, nenhum partido que tenha sido atingido tão duramente como foi o PT. O núcleo do partido foi considerado golpista, líder de "uma grande organização criminosa que se posiciona à sombra do poder", nas palavras do decano. E foi severamente condenado pelos ministros.

Mas, como se nada tivesse acontecido, como se o PT tivesse sido absolvido de todas as imputações, a presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, deslocou-se de Brasília a São Paulo, no horário do expediente, para, durante quatro horas, se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva, simples cidadão e sem nenhum cargo partidário, tratando das eleições municipais. O leitor não leu mal. É isso mesmo: durante o horário de trabalho, com toda a estrutura da Presidência da República, ela veio a São Paulo ouvir piedosamente o oráculo de São Bernardo do Campo. É inacreditável, além de uma cruel ironia, diante das condenações pelo STF do núcleo duro do partido da presidente. Foi uma gigantesca demonstração de desprezo pela decisão da Suprema Corte. E ainda dizem que Dilma é mais "institucional" que Lula...

Com o tempo vão ficando mais nítidas as razões do ex-presidente para pressionar o STF a fim de que não corresse o julgamento. Afinal, ele sabia de todas as tratativas, conhecia detalhadamente o processo de mais de 50 mil páginas sem ter lido uma sequer. Conhecia porque foi o principal beneficiário de todas aquelas ações. E isso é rotineiramente esquecido. Afinal, o projeto continuísta de poder era para quem permanecer à frente do governo? A "sofisticada organização criminosa", nas palavras de Roberto Gurgel, o procurador-geral da República, foi criada para beneficiar qual presidente? Na reunião realizada em Brasília, em 2002, que levou à "compra" do Partido Liberal por R$ 10 milhões, Lula não estava presente? Estava. E quando disse - especialmente quando saiu da Presidência - que não existiu o mensalão, que tudo era uma farsa? E agora, com as decisões e condenações do STF, quem está mentindo? Lula considera o STF farsante? Quem é o farsante, ele ou os ministros da Suprema Corte?

Como bem apontou o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, o desprezo pelos valores republicanos chegou a tal ponto que ocorreram reuniões clandestinas no Palácio do Planalto. Isso mesmo, reuniões clandestinas. Desde que foi proclamada a República, passando pelas sedes do Executivo nacional no Rio de Janeiro (o Palácio do Itamaraty até 1897 e, depois, o Palácio do Catete até 1960), nunca na História deste país, como gosta de dizer o ex-presidente Lula, foram realizadas na sede do governo reuniões desse jaez, por aqueles que entendiam (e entendem) a política motivados "por práticas criminosas perpetradas à sombra do poder", nas felizes, oportunas e tristemente corretas palavras de Celso de Mello.

A presidente da República deveria dar alguma declaração sobre as condenações. Não dá para fingir que nada aconteceu. Afinal, são líderes do seu partido. José Dirceu, o "chefe da quadrilha", segundo Roberto Gurgel, quando transferiu a chefia da Casa Civil para ela, em 2005, chamou-a de "companheira de armas". Mas o silêncio ensurdecedor de Dilma é até compreensível. Faz parte da "ética" petista.

Triste é a omissão da oposição. Teme usar o mensalão na campanha eleitoral. Não consegue associar corrupção ao agravamento das condições de miséria da população mais pobre, como fez o ministro Luiz Fux num de seus votos. É oposição?

Historiador. É professor da Universidade Federal de São Carlos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Crime e castigo - Zuenir Ventura


Com sua serena lucidez, a ministra Cármen Lúcia fez uma ressalva ao votar pela condenação de José Genoino e José Dirceu: "Não estou julgando a história de pessoas que em diversas ocasiões tiveram a vida reta. Estou julgando os fatos apresentados nestes autos." O mesmo poderia ser dito em relação ao PT, cuja trajetória até estourar o escândalo do mensalão foi também reta. Não são os princípios programáticos do Partido dos Trabalhares que estão sendo condenados pelo STF, "não é a história, mas os fatos", como também afirmou o decano Celso de Mello. O que se condena é um acidente grave de percurso, um mau passo, um enorme desvio de conduta. Em reunião com seu Ministério no dia 12 de agosto de 2005, Lula, chocado com as revelações sobre dirigentes do partido, desabafou: "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis sobre as quais eu não tinha qualquer conhecimento. Não tenho nenhuma vergonha de dizer que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, precisa pedir desculpas."

Por que não pedir agora? Por que o Lula de 2012 reage ao julgamento mandando seus companheiros receberem o castigo de "cabeça erguida", como se houvesse algum motivo para soberba? Seria tão mais honesto, tão mais coerente com as origens éticas do partido se, em vez de desqualificar o trabalho do Supremo com suspeitas infundadas e se, em lugar de responsabilizar a mídia, os réus mensaleiros aceitassem o revés com humildade e fizessem uma corajosa autocrítica como pedia Lula sete anos atrás.

Como dirigentes partidários ousam suspeitar da isenção de uma Corte cujos membros em sua maioria foram indicados por Lula e Dilma e que, portanto, não têm qualquer razão para lhes ser deliberadamente hostis? Que interesses levariam esses juízes a sacrificar suas reputações para "condenar sem provas"? Como colocar em dúvida a correção de um personagem como Joaquim Barbosa, que pode ter um temperamento difícil, mas cuja opção política é conhecida (há dias, ele confessou em entrevista ter votado três vezes em Lula, sem arrependimento, porque "as mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis").

Os petistas acreditam ter motivos de queixa pelo rigor inédito do STF, que, espera-se, não seja de exceção, aplicado apenas nesse caso. Mas, ao se recusar a assumir a culpa que lhe cabe, o PT perdeu a oportunidade histórica de ser diferente também no erro, como foi um dia nos acertos.

Fonte: O Globo

Preparação para 2014


Karla Correia, Amanda Almeida

Nove estados reúnem as 33 cidades interioranas que terão segundo turno e, devido aos capitais eleitoral e financeiro, estão no foco das estratégias dos partidos para as eleições de 2014. Ao todo, esses municípios concentram 11,74 milhões de eleitores e são capazes de mudar os rumos da corrida pelos governos estaduais daqui a dois anos.

A negociação pelo apoio do candidato derrotado do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, à campanha do petista Fernando Haddad deu uma amostra da relevância dessas prefeituras para o cenário político de 2014. O PMDB só embarcou na campanha de Haddad depois de firmado um pacto de não agressão em Mauá (SP), onde as duas legendas se enfrentam no segundo turno. Em todo o país, os dois partidos disputam quatro prefeituras nessa segunda fase das eleições municipais.

No estado paulista, Santo André, Campinas e Diadema estão no centro da estratégia petista para a disputa pelo governo estadual. O partido tenta manter o poder no chamado cinturão vermelho de municípios da Grande São Paulo, na tentativa de construir um polo de influência capaz de enfrentar a hegemonia tucana no estado: o PSDB elegeu 172 das 645 prefeituras de São Paulo e ainda domina o maior eleitorado no estado.

Depois de eleger 120 prefeitos a mais do que em 2008 no primeiro turno, o PSB comemora o resultado de olho nas grandes cidades em jogo nas duas próximas semanas. A conquista desses municípios passa pelo projeto da legenda de se descolar do PT e fortalecer o nome do governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB. O partido levou importantes capitais bilionárias no primeiro turno — Belo Horizonte e Recife —, além da também rica São José do Rio Preto (SP).

Fonte: Correio Braziliense

Serra diz que Haddad segue lição de Dirceu e petista rebate


Tucano sobe tom e fala em "esquema do pega-ladrão"; para candidato do PT, adversário quer mobilizar trevas"

Na maior troca de acusações no 2º turno, o candidato José Serra (PSDB) comparou Fernando Haddad (PT) ao ex-ministro José Dirceu, condenado pelo mensalão. "José Dirceu quando atacado, ataca o outro. Esse é o esquema do pega-ladrão, que ele fundou no Brasil. O Haddad apenas está seguindo as lições de Dirceu, de quem é companheiro e camarada", atacou. Em resposta, Haddad disse que Serra está "fora de si" e pretende "mobilizar as trevas" para tentar vencer eleição. O PT estadual avalia que Serra ofendeu a honra do partido e entrará com ação criminal.

Haddad vê "ódio" em campanha tucana; petista "segue lição de Dirceu", diz Serra

No dia em que ambos foram à missa em Itaquera, em horários diferentes, candidatos do PT e do PSDB trocam as acusações mais agudas desde o início do segundo turno, fazendo referências ao julgamento do mensalão e a debate ético que marcou disputa de 2010

Bruno Lupion, Gustavo Porto

Na troca de acusações mais contundente desde o início do segundo turno da eleição paulistana, o candidato do PT, Fernando Haddad, disse ontem que seu adversário do PSDB, José Serra, faz uma campanha para "promover o ódio" e "vai mobilizar trevas como fez em 2010". Em resposta, o tucano afirmou que o petista "está seguindo as lições" do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal na terça-feira, pelo crime de corrupção ativa. Haddad foi o primeiro a ter agenda pública no feriado de 12 de outubro: participou de missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Itaquera, zona leste, um dia após o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, divulgar um vídeo relacionando Haddad ao kit anti-homofobia. O material foi editado quando o petista comandava o Ministério da Educação (MEC) e apelidado de "kit gay" por setores evangélicos. No vídeo, Malafaia diz que Haddad "deu grana para ativistas gays fazerem esse lixo moral para ensinar homossexualismo (nas escolas)",questiona sua gestão à frente do Ministério da Educação e afirma: "Contra Haddad e o kit gay, Serra 45". O petista disse que Serra estaria por trás do vídeo, como objetivo de criar uma "cortina de fumaça" que desvie o debate sobre a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que apoia o tucano. "Ele (Serra) fez isso com a Dilma (na campanha presidencial de 2010), ele vai fazer isso comigo. É a mesma estratégia de 2010. Só que deu errado. O que ele (Serra) tinha que entender é que esse tipo de prática vai dar errado", afirmou Haddad.

Serra, antes de visitar o Museu Catavento, no centro, citou a condenação de Dirceu pelo STF em resposta às críticas do adversário."José Dirceu quando atacado, ataca o outro.Esse é o esquema do pega-ladrão, que ele fundou no Brasil. Ele bate carteira, sai correndo e grita: "pega ladrão", afirmou. "O Haddad apenas está seguindo as lições de Dirceu, de quem é companheiro e camarada." À tarde, após a entrevista de Serra, Haddad teve novo evento público, em Aricanduva. Um jornalista disse ao petista que Serra o havia comparado a um "chefe de quadrilha"–a campanha do tucano negou ter feito essa relação – e pediu um comentário. Haddad afirmou que o adversário estava "fora de si" e que pretendia "mobilizaras trevas"para vencer a eleição. O setorial jurídico do PT estadual cogitou entrar com ação contra Serra,mas recuou.

Enem.

O tucano também criticou a atuação do adversário no Ministério da Educação e comentou a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre suposta fraude em licitação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), revelada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo. "O que aconteceu com o Enem na gestão do Haddad é uma das maiores calamidades na história da Educação do Brasil. Ele não conseguiu fazer durante três anos o Enem e, além de fracassar rotundamente, há agora licitações viciadas e que são investigadas pelo TCU", disse o tucano. Ao comentar a reportagem, Haddad respondeu que determinou abertura de investigação sobre o caso e que foi ao Congresso prestar esclarecimentos.

Reforço.

O PT mobilizou quatro ministros do governo federal, além do senador Eduardo Suplicy, para comandar oito mini-comícios e quatro carreatas no fim de semana, todos na periferia, onde o PT tenta conquistar os votos obtidos por Celso Russomanno (PRB) no 1.º turno. Marta Suplicy (Cultura), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miriam Belchior (Planejamento) acompanharam o petista ontem à tarde,além do candidato derrotado do PMDB, Gabriel Chalita, em visita ao Shopping Aricanduva, zona leste. Hoje, Marta lidera minicomícios em Sapopemba e São Mateus (zona leste), Haddad, em M"Boi Mirim e Campo Limpo (zona sul) e Suplicy,em Brasilândia e Taipas (zona norte). O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, realiza eventos em São Miguel Paulista e Itaim Paulista (zona leste).Miriam Belchior vai concentrar os esforços do fim de semana em Santo André, em auxílio ao petista Carlos Grana

Fonte: O Estado de S. Paulo