quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Vera Magalhães: Pós-Cinzas

- O Estado de S.Paulo

Com o fim do carnaval, Luciano Huck começará, aos poucos, a colocar na rua o bloco da pré-campanha presidencial. O apresentador de TV aproveitou a folia para manter conversas com o estafe com o qual pretende contar quando tornar públicas suas intenções políticas. Por ora, vai construindo um time responsável pela logística financeira, condição essencial para dar a largada em qualquer projeto.

Além do padrasto, Andrea Calabi, Huck conta, nessa seara, com o empresário Eduardo Mufarej, presidente da Somos Educação e sócio do grupo Tarpon Investimentos, além de cabeça do movimento Renova BR, que assumiu a missão de tesoureiro provisório – função que deve replicar caso a campanha seja oficializada. Além dele, engrossa o time organizacional o economista Fuad Noman, que atuou nas equipes de Aécio Neves e Antonio Anastasia, atualmente secretário do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e amigo de Calabi.

Huck deve fazer reuniões nos próximos dias com especialistas em marketing político e pesquisas qualitativas. Enquanto perscruta o terreno, adota o discurso público – apresentado, por exemplo, ao Tribunal Superior Eleitoral – de que não é candidato a nada.

Quando colocar a cabeça para fora, o fará com o discurso de que é preciso construir um caminho para o País para além da polarização entre partidários radicais de Lula e de Jair Bolsonaro – não por acaso, Fernando Henrique Cardoso, um de seus principais interlocutores, disse que o Brasil precisa de “construtores”.

Dirá que, caso seja candidato e se eleja, pretende governar com “os melhores” de cada denominação política. Aliados do apresentador dizem que ele tem, inclusive, bom canal com o PT, por intermédio do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad – consultado ontem pela coluna, o petista negou contato recente com Huck e disse que a última vez em que estiveram juntos foi em um almoço quando ainda era prefeito.

Também costuma fazer elogios ao projeto de educação do ex-governador do Ceará Cid Gomes, irmão de um possível adversário caso leve adiante a candidatura, o também ex-ministro Ciro Gomes (PDT). No PPS, provável porto do neófito na política, além de Roberto Freire e Raul Jungmann tem sido um ator importante o relator da reforma da Previdência, Arthur Maia, que conversa regularmente com Huck sobre seu projeto presidencial.

Por fim, a Globo já recebeu sinais de que seu empregado pode deixar o time para trilhar novos caminhos, e a família, antes reticente ao projeto, já aceita a ideia com mais naturalidade.

PREVIDÊNCIA
Dificuldade em votar reforma prejudica Meirelles e Maia

O esperado fracasso na votação da reforma da Previdência esvaziou, nas últimas semanas, o balão de ensaio das pré-candidaturas de Henrique Meirelles e Rodrigo Maia. Até os partidos de ambos mostram desânimo em levar o teatro da candidatura própria adiante. A convenção do DEM deve perder aos poucos o caráter de “pré-lançamento” do presidente da Câmara. No PSD de Meirelles, Gilberto Kassab já negocia mais abertamente coligação com o PSDB de Geraldo Alckmin.

O CHÃO É O LIMITE?
Emedebistas incentivam Temer a tentar reeleição

Como a esperança é a última que morre, correligionários de Michel Temer insistem em incentivá-lo a disputar a reeleição. Entusiasta do “volta, Lula” em 2014, a senadora Marta Suplicy (SP) puxa o coro do improvável “fica, Temer”. Ela usou a viagem a Davos para convencer o presidente a se colocar na disputa a despeito da impopularidade recorde, e deve aproveitar a volta do Congresso para angariar adeptos à empreitada.

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