domingo, 8 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trump é cabo eleitoral inesperado de Lula, até agora

Por Folha de S. Paulo

Petista ganhou força política com tarifaço e se beneficia na economia com a queda do dólar

Capitais que deixam os EUA alimentam recordes na Bolsa de Valores, mas trunfo é inseguro porque se trata de dinheiro especulativo

Boa parte do sucesso dos dois primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deveu a uma conjuntura internacional excepcionalmente favorável para os países exportadores de produtos primários agrícolas e minerais.

Impulsionado pela demanda da China, o boom de commodities catapultou o crescimento de economias emergentes e, no caso brasileiro, levou a um aumento da arrecadação de impostos que equilibrou as contas públicas.

O escuro é claro. Por Dorrit Harazim

O Globo

Com o Washington Post morrendo, a democracia americana e o jornalismo que a sustenta encolhem um pouco mais

Adotado pelo Washington Post em fevereiro de 2017 como mote oficial, o dístico “Democracy Dies in Darkness” (a democracia morre na escuridão) soa lindo e continua a ornar as capas das edições digitais e impressas do jornal. A frase fora cunhada ainda nos anos 1960 pelo juiz negro Damon Keith, defensor dos direitos civis, e popularizada já neste milênio pelo veterano Bob Woodward a propósito da obsessão de sigilo (“escuridão”) por parte de governantes. Era a primeira vez em 140 anos de existência que o venerável matutino da capital dos Estados Unidos adotava um lema oficial. A mensagem também era clara: um jornalismo que fiscaliza o poder, cobra responsabilidades de autoridades e instituições e promove transparência pública é essencial para a prevenção de malfeitos subterrâneos dos donos do poder — sobretudo, para a preservação da democracia.

Angústias da direita. Por Merval Pereira

O Globo

A combinação era que o candidato desse consórcio partidário seria Tarcisio de Freitas, mas a escolha de Flavio inviabilizou o plano de união já no primeiro turno

Embora as pesquisas recentes indiquem uma subida dos candidatos da direita, especialmente de Flavio Bolsonaro, que estariam em empate técnico com Lula no segundo turno, persiste a dúvida sobre a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro, muita gente achando que fica cada mais evidente que a definição em favor do filho, se for conclusiva, é um erro. O sentimento antipetista continua forte, o que embala as candidaturas de políticos ligados ao bolsonarismo. Mas a rejeição a Flavio também é grande, enquanto o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas mantém-se afastado de um índice de rejeição que inviabilize sua candidatura.

O cordão dos penduricalhos. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Decisão do STF atrapalha a folia da elite do funcionalismo ao cobrar fim de supersalários

Ao suspender a farra dos penduricalhos, o ministro Flávio Dino descreveu um estado de “violação massiva” da Constituição e “descumprimento generalizado” de decisões do Supremo. Referia-se a truques e manobras para furar o teto e inflar contracheques na elite do funcionalismo.

A Constituição diz que nenhum servidor pode receber mais que os ministros da Corte, cujos subsídios ultrapassam os R$ 46 mil. Para driblar a regra, órgãos dos Três Poderes criam gratificações e auxílios disfarçados de verba indenizatória.

Conduta no STF e a democracia. Por Míriam Leitão

O Globo

A manifestação de Moraes e Toffoli mostra que eles não entenderam a demanda da sociedade por mais transparência e prestação de contas

O diálogo entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, na semana passada, foi um exemplo do que não dizer diante da proposta de limites ao comportamento de magistrados e juízes. Mostrou que eles não entenderam a demanda da sociedade neste momento. Para fortalecer a democracia, recentemente protegida pelo STF, o país precisa confiar em seus juízes e, principalmente, nos ministros que conduziram, na Corte, a defesa institucional. A confiança é matéria-prima básica da democracia. O país não pode viver aos sobressaltos a cada notícia sobre o comportamento de autoridades do Judiciário. A sociedade tem o direito de querer parâmetros para confiar.

Há palestras e pale$tra$. Por Elio Gaspari

O Globo

Participação de ministros em enventos sem transparência em eventos é parte mais perceptível da crise no Supremo

Liderando a bancada do Supremo Tribunal Federal (STF) que se opõe à pactuação de um código de conduta pela Corte, o ministro Alexandre de Moraes argumentou que “como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras.” Será?

Em julho de 2023, o ministro viu-se envolvido num lastimável episódio no aeroporto de Roma quando foi insultado por bolsonaristas. Na versão inicial, Moraes vinha de uma palestra na renomada Universidade de Siena. Instituição milenar, sua faculdade de Direito lustraria a biografia do magistrado, mas o repórter Eduardo Oinegue mostrou que a coisa não era bem assim.

Crise do Cidadania é o último capítulo da história do antigo Partidão. Por Luiz Carlos Azedo

Estado de Minas/ Correio Braziliense

A maioria dos militantes oriundos da mudança de PCB para PPS – ex-comunistas, socialistas e social-democratas – rejeita a incorporação do Cidadania ao Centrão e se sente traída por Freire

Está no prelo o terceiro volume da trilogia Uma longa jornada até a democracia, dedicada à história do centenário Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 1922. Editada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), a obra percorre um século de lutas, derrotas, clandestinidade, reinvenções e rupturas do chamado “Partidão”.

O primeiro volume, de autoria do jornalista Carlos Marchi, acompanha a trajetória comunista até o 6º Congresso, em 1967, realizado na mais rigorosa clandestinidade. O segundo, escrito por Eumano Silva, retrata a resistência ao regime militar, que prendeu milhares de militantes, assassinou dirigentes históricos e desmantelou 14 gráficas do Voz Operária, sem, contudo, anular o papel do PCB na articulação da frente democrática que derrotou a ditadura.

Lula apresenta o plano pela reeleição e convoca aliados para a campanha

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

No aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, o presidente deu início ao discurso pela disputa do quarto mandato no Palácio do Planalto e criticou a mercantilização da política brasileira: "Apodreceu"

No encerramento das comemorações do aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), ontem, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso para dar o pontapé inicial em sua jornada pela reeleição. Em uma fala incisiva no Trapiche Barnabé, Lula afirmou que a política brasileira "apodreceu" e está excessivamente "mercantilizada", criticando o alto custo eleitoral e o "mercado" de cabos eleitorais e candidaturas.

O evento serviu para mobilizar a militância e alinhar as diretrizes do partido, que incluem o combate ao fascismo, a defesa do legado econômico e a adoção de bandeiras como o fim da escala de trabalho 6x1 e a regulação do trabalho por aplicativo. Lula contrastou a situação atual com o início da trajetória do PT, mencionando ter saudade de quando as candidaturas eram financiadas pela venda de camisetas, enquanto hoje há "dinheiro rolando para tudo quanto é lado".

Paz por meio da força? Por Pedro S. Malan

O Estado de S. Paulo

Potências médias, como Canadá e Brasil, terão de encontrar caminhos neste mundo novo com prioridade por uma economia doméstica de maior resiliência e produtividade

A edição mais recente da revista Foreign Affairs traz um importante artigo de um brasileiro, Matias Spektor, que merece ser lido com atenção. Seu título e subtítulo falam por si: The World Will Come to Miss Western Hypocrisy: An Overtly Transactional Order Spells Trouble for Everyone. O tema é especialmente relevante para o Brasil.

Na primeira metade do século passado, três obras de ficção imperdíveis procuraram vislumbrar o futuro décadas à frente e mostraram-se premonitórias sobre o desenvolvimento tecnológico e suas consequências políticas e sociais. A peça teatral R.U.R, Rossum’s Universal Robots (1920), de Karel Capek, na qual certamente Aldous Huxley se inspirou para escrever seu Admirável Mundo Novo (1932); e 1984, de George Orwell (1949). São clássicos que guardam enorme interesse em tempos de inteligência artificial, robotização e conglomerados privados gigantes que conhecem o que compramos e compartilhamos. Além de governos que se propõem a controlar o que é postado por seus cidadãos, nos quais aplicam técnicas de reconhecimento facial antecipadas pelo Big Brother de Orwell.

Além do carnaval, a farra vem com as eleições. Por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Mantida a tradição, a economia brasileira dificilmente poderá superar um crescimento médio anual próximo de 2%

O carnaval nem começou, a Páscoa está longe e o governo já reduziu de 2,4% para 2,3% sua projeção de crescimento econômico em 2026. A estimativa é mais otimista do que a do mercado, 1,80%, segundo o boletim Focus, mas parece modesta num início de ano com eleição presidencial. O avanço da agropecuária foi revisto de 8,3% para 9,5%, a expansão do produto industrial passou de 1,4% para 1,3% e o aumento calculado para os serviços mudou de 2,1% para 1,9%. Esse é o cenário do Ministério da Fazenda. Além disso, o desemprego foi de 5,1% em dezembro de 2025 e a média anual ficou em 5,6%, segundo as últimas estimativas oficiais. Os dois números são os menores da série iniciada em 2012, e a população empregada, 103 milhões de pessoas, foi recorde no final do ano.

O fantasma da delação de Vorcaro. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Se abrir o bico, ele atingirá o Congresso, o STF, ministros, governadores, e... as eleições

O escândalo do Banco Master não é apenas o maior da história financeira do Brasil, mas também o fator que mais pode impactar as eleições de outubro, tanto a presidencial quanto para governadores, deputados e senadores. Se Gilberto Kassab é o grande articulador político, Daniel Vorcaro vai se tornando o maior desarticulador.

Dono do Master, com uma audácia e uma falta de pudor correspondentes ao seu QI, Vorcaro superou a primeira fase da sua estratégia, trocar a cadeia por tornozeleira, e investe na segunda e decisiva: cavar anulações ao longo do processo criminal, aliando questões técnico-jurídicas a recados e memórias políticas. Seu trunfo arrasador é... a ameaça de delação premiada.

O racismo como método. Por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O método consiste em induzir o adversário a uma reação agressiva, para depois retratá-lo como violento

O vídeo retratando Michelle e Barack Obama como macacos, compartilhado e depois removido por Donald Trump em sua rede social, não é um ato impensado. É uma arma de guerra psicológica testada, validada e aprimorada. Chamado de “isca e contragolpe”, o método consiste em induzir o adversário à reação agressiva, para então retratá-lo como violento. O autor apaga aquilo que provocou a reação do oponente, deixa visível apenas essa reação, e reposiciona a si mesmo como vítima da violência do outro.

A mensagem inicial não visa convencer pelo conteúdo, mas criar um gatilho emocional. Os vestígios da causa da reação desaparecem, graças à engenharia dos algoritmos das redes sociais. Preso em bolhas cognitivas, o público-alvo, no caso a maioria branca, esquece a provocação inicial.

Lula cobra postura do PT, diz que sigla ‘não está com essa bola toda’ em Estados e cita queda em SP

Por Bianca Gomes / O Estado de S. Paulo

Em evento comemorativo do partido, presidente criticou brigas internas, cobrou autocrítica e pediu que o partido não caia na ‘vala comum’ da política

O presidente Lula (PT) aproveitou um evento comemorativo do partido para dar um “puxão de orelha” em seus próprios aliados. Diante de dirigentes, ministros e militantes, criticou a votação do PT a favor das emendas impositivas, alertou que a sigla não deve cair na “vala comum da política” e cobrou a formação de alianças nos estados, reconhecendo que, em algumas regiões, o partido não está “com essa bola toda”.

“Vocês têm a obrigação moral, a obrigação ética de não deixar esse partido ser um partido que vai para a vala comum da política desse País”, disse Lula.

Lula diz que PT precisa refletir sobre erros e que 'brigas internas' acabaram com a sigla na Grande SP

Por Ivan Martinez -Vargas / O Globo

Presidente também disse que partido tem de ser mais forte que ele

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Partido dos Trabalhadores (PT) faça "uma reflexão" sobre seus erros políticos. Em discurso à militância petista durante evento que comemora o aniversário de 46 anos da sigla, Lula afirmou que "brigas internas" acabaram com o PT na Grande São Paulo.

Lula disse que o PT precisa "ter capacidade de fazer avaliações das coisas que a gente não consegue fazer".

Monetização do jeitinho nacional. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Crime comum negocia com elite política e econômica; poderosos agem como bandidos comuns

Mais que desviar dinheiro, corrupção cria feudos políticos e sistema que apodrece economia

Em 2024, Ricardo Lewandowski comprou uma casa de Anajá de Oliveira Santos Yang por R$ 9,4 milhões, segundo relato de O Estado de S. Paulo, confirmado pelo próprio Lewandowski. Anajá é casada com Alan de Souza Yang. Faz década e meia, Alan, o "China", é investigado por adulteração de combustível, pelo que já foi condenado, e rolos maiores.

Não há indício de que a compra de Lewandowski tenha relação com rolos de China. Na verdade, o ex-ministro da Justiça e do STF deve ter sido vítima de golpe. Se a empresa de administração de patrimônio imobiliário de Lewandowski e família, que comprou a casa, tivesse verificado quem era o marido de Anajá, poderia ter descoberto com pesquisa corriqueira de internet que China era enrolado.

Trump quer roubar a eleição. Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Há um plano, que parece óbvio, de inventar uma mutreta para reclassificar cidadãos americanos como eleitores irregulares

Entrega para autoridades federais dos registros de eleitores do Minnesota seria altamente irregular

O supremacista branco Donald Trump pretende fraudar as eleições de meio de mandato deste ano nos Estados Unidos.

Durante a invasão do Minnesota pela milícia ICE, o governo Trump ofereceu às autoridades estaduais condições para interromper a matança nas ruas. Entre elas estava a entrega, para autoridades federais, dos registros de eleitores do Minnesota.

Isso seria altamente irregular. As eleições americanas são organizadas pelos estados. Não há uma autoridade central que as organize, não há sequer o equivalente de nossa Justiça Eleitoral. Sempre foi assim, e é consistente com os princípios de um país que, afinal, se chama "Estados Unidos".

Samba-exaltação a Lula é nítida propaganda indevida. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O desfile da Acadêmicos de Niterói pode não influir no resultado da eleição, mas exibe a desigualdade de armas na campanha

O presidente atropela regras sem ser impedido, mas isso não evita que seja um infrator do código de ética da vida real

Não serão os 80 minutos de desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no domingo de Carnaval, que garantirão a Luiz Lula Inácio da Silva (PT) um quarto mandato de presidente. O filme "Lula, o Filho do Brasil", de 2009, tampouco foi o responsável pela vitória com Dilma Rousseff no ano seguinte.

Os dois episódios, no entanto, escancaram o uso de manifestações culturais na construção de mitologias políticas com fins eleitorais. É velha conhecida a ideia do PT de obter hegemonia em todas as áreas da vida nacional.

O assassinato de um pet. Por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Desumanidade seria apodo controverso: não se trata de algo desumano, mas do humano confortável na lógica fascista

Guardada a distância literária, morte do cão Orelha é tão impactante quanto a morte da cadela Baleia em 'Vidas Secas'

morte barbárica do cão Orelha chocou o país. Guardada a distância literária, é tão impactante quanto a morte ficcional da cadela Baleia em "Vidas Secas". Animal é pensamento. Quer dizer, campo de conhecimento onde cada dia se experimenta a afirmação contrastiva da identidade humana. Talvez por isso a tendência ascendente de cuidar de um "pet" (cachorro, gato), hoje em dia, seja o modo mais simples de confirmar para si mesmo a humanidade que se esvai na vida social regida pelas máquinas.

Pacheco discutirá candidatura em Minas com Lula após trocar PSD por União Brasil

Por Raphael Di Cunto e Carolina Linhares / Folha de S. Paulo

Filiação deve acontecer nos próximos dias e foi intermediada por Davi Alcolumbre

Senador ainda não decidiu se aceita disputar governo, mas presidente quer convencê-lo

O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome preferido de Lula (PT) para concorrer ao Governo de Minas Gerais, vai se encontrar com o presidente, possivelmente na próxima semana, para discutir a viabilidade de sua candidatura e comunicar sua filiação ao União Brasil.

Pacheco já acertou a mudança de partido, que deve acontecer nos próximos dias. A filiação foi intermediada pelo presidente do SenadoDavi Alcolumbre (União Brasil-AP), de quem ele é próximo, e afasta ainda mais o União Brasil do apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —principal adversário do petista.

Lula cobra PT em festa, diz que política apodreceu e que partido não pode ir para a vala comum

Por Catia Seabra e João Pedro Pitombo / Folha de S. Paulo

Presidente convoca militância, fala em guerra política e diz que acabou o 'Lulinha paz e amor'

Lula volta a afirmar partido precisa focar na periferia e critica disputas internas

O presidente Lula fez cobranças públicas ao PT, criticou as disputas internas e buscou mobilizar a base para as eleições de outubro na celebração dos 46 anos do partido neste sábado (7) em Salvador.

Em um discurso com ares de discussão de relacionamento, o presidente defendeu a formação de alianças amplas e afirmou que o partido "não está com essa bola toda" em todos os estados.

"Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados", afirmou.

Ao mesmo tempo, Lula buscou inflamar a militância afirmando que está à disposição do partido: "Estejam preparados. Se vocês precisam de um timoneiro, está aqui eu. Se vocês precisam de um soldado para a linha de frente está aqui eu. Porque eu não quero ser um general, general sempre fica atrás. Eu quero estar na frente com vocês".

PSD racha em apoio a Lula enquanto Kassab tenta viabilizar candidato próprio para à Presidência

 

Poesia | João Cabral de Melo Neto - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Coral Edgard Moraes e Getúlio Cavalcanti - Risos de Mandarim

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão de Dino sobre ‘penduricalhos’ é correta e oportuna

Por o Globo

País não tem mais como adiar debate sobre verbas usadas para inflar os ganhos da elite do funcionalismo

Foi acertada, além de oportuna, a determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que os três Poderes revisem e suspendam, em até 60 dias, todos os “penduricalhos” do serviço público não previstos em lei. Entre os exemplos citados, estão licenças compensatórias convertidas em dinheiro, gratificações por acúmulo de função exercidas na mesma jornada, conversão de férias e licenças em dinheiro, auxílios diversos para locomoção, combustível, educação, saúde, festas de fim de ano e outros. A decisão, que ainda deverá ser analisada pelo plenário. vale para as esferas federal, estadual e municipal.

Escândalo Master chega perto de Alcolumbre. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

O incômodo é geral entre aliados e opositores de Lula; a esta altura, esperava-se que a temperatura do caso baixasse

Está ficando claro que o acordão em construção é um tiro certeiro para interromper a CPI do INSS

A operação da Polícia Federal contra a Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, assustou o mundo político pela proximidade com Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado e uma das autoridades mais influentes do país.

Não é uma conexão qualquer. A ação, que apura irregularidades em investimentos feitos no Banco Master, mirou o diretor-presidente da entidade, Jocildo Silva Lemos. Ele foi indicado para o cargo por Alcolumbre e também trabalhou como tesoureiro da sua campanha nas eleições de 2022.

Perfis pagos igualam política e fofoca nas redes. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Prática de contratar influenciadores é crime de rápida resposta

Plataformas avançam sem regulação, com risco para as eleições de outubro

Ao lado da inteligência artificial, cada vez mais usada para espalhar mentiras com deepfakes realistas e vídeos fabricados e manipulados, a contratação de influenciadores digitais é outro alerta de risco para o período eleitoral que se aproxima.

É preciso que o ministro Nunes Marques fique esperto. Em junho, ele se tornará o primeiro indicado por Bolsonaro ao STF a assumir o controle do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que enfrentou uma campanha de difamação e descrédito durante os quatro anos do ex-presidente, com ataques sem provas às urnas eletrônicas.

O STF e a força da humildade institucional. Por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Corte precisa reconhecer as suas vulnerabilidades e sobre elas agir

Fachin apresentou propostas para aperfeiçoar não só o STF mas toda a jurisdição

Uma das principais virtudes dos regimes democráticos é a sua capacidade de absorver críticas e corrigir a direção. A falta de humildade em reconhecer problemas e ajustar os rumos é a receita certa para a deterioração das instituições.

Em seu discurso de abertura do ano judiciário, o ministro Edson Fachin apresentou não apenas uma precisa descrição dos principais desafios colocados à frente do Supremo Tribunal Federal mas também algumas propostas de aperfeiçoamento de nossa jurisdição.

A sobriedade, a consistência e, sobretudo, a autenticidade do discurso causaram enorme desconforto num ambiente político-institucional marcado por posturas cada vez mais toscas. O presidente Lula parece ter sido dos poucos líderes a compreender a gravidade da fala, endossando a necessidade de reformas.

Confiança na Justiça: esteio da democracia. Por Miguel Reale Junior

O Estado de S. Paulo

O cerne da vigência continuada da democracia reside na fundada confiança da população na imparcialidade, independência e idoneidade do Judiciário

Nos considerandos da proposta de resolução instauradora de um código de conduta do Supremo Tribunal Federal (STF) apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil Seção de São Paulo (OAB-SP), constou que a independência, a imparcialidade, a integridade, a igualdade, a idoneidade e a diligência são princípios formadores do padrão ético exigível aos magistrados, segundo a Carta de Bangalore de 2002, elaborada por presidentes de cortes supremas e adotada em 2003 pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Em documento das Nações Unidas, acentuou-se a importância da observância desse padrão ético, pois a falta de integridade judicial – seja ela real ou percebida – representa uma ameaça à confiança no Estado de Direito.

Fazendas e fazendeiros. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O problema não será – não por principal – que ministros do Supremo sejam “fazendeiros”; que tenham posses e poupanças. A lei os autoriza a ter sociedade ou cotas em empresas, desde que não as dirijam. A questão está em que, fazendeiro ou não, ministro do Supremo viaje em jatinho de fazendeiro; de fazendeiro com interesses no Supremo. E, por favor, ao gosto de quem lê, substitua-se fazendeiro por qualquer outra atividade empresarial privada.

Seria interessante, a propósito, saber quais autoridades voaram nos aviões de Vorcaro. Há várias formas – com menos fumaça – de fumar charutos do banqueiro. Sempre haverá fumaça, havendo vontade de investigar. Há também várias maneiras de dirigir. Nem sempre necessária a mão no volante.

Eleição decisiva. Por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O liberalismo é uma doutrina que não tem resposta para tudo, como pretende o marxismo, admite a crítica e a divergência, porque a liberdade é o valor supremo que deve se manifestar em todos setores, econômico, político, social, cultural e até no esporte

Parte importante da grande imprensa lamenta, de forma ostensiva ou discreta, a decisão do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas de se candidatar à reeleição. Essa escolha não foi decidida de última hora, nem a ela o personagem chegou de maneira afoita. Ao contrário, desde o final do ano passado ele havia manifestado a pessoas de sua confiança que não gostaria de bater de frente com o presidente Lula. E também não queria ser um candidato tutelado pela família Bolsonaro, que abriga dissidências, problemas, questões internas pesadas, ódios e rancores. Enfim, um grupo tóxico. Melhor ficar distante, sem romper seus laços. Afinal de contas, Tarcísio tornou-se governador de São Paulo por indicação de Jair Bolsonaro. Ninguém deve atirar pedras no passado.

Flávio sobe, Ratinho vai à Disney. Por Thaís Oyama

O Globo

No campo da oposição, o principal motor desta eleição continua sendo um velho conhecido dos brasileiros, o antipetismo

Flávio Bolsonaro subiu cinco pontos percentuais em um mês na pesquisa da Meio/Ideia divulgada nesta semana. É um crescimento rápido e relevante, que põe o ungido de Jair Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Lula. Mesmo nas hostes bolsonaristas, onde os números já eram esperados, ninguém credita a subida dele aos predicados de candidato. Tampouco atribuem o resultado à sua ainda indistinguível plataforma de campanha — até o momento limitada a promessas de reduzir impostos e fazer do irmão Eduardo ministro das Relações Exteriores.

Trabalho em xeque. Por Flávia Oliveira

O Globo

É hora de debater a implementação da escala 5x2, aplicada há um século por Henry Ford, nos Estados Unidos

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, concedeu ao país a possibilidade de destravar o tão amplo quanto necessário debate público sobre o mercado de trabalho no Brasil. É assunto que Legislativo, Executivo e Judiciário andam devendo a uma população submetida a posições precárias, mal remuneradas, desiguais e, ainda hoje, a condições análogas à escravidão. Há um fosso entre privilegiados e excluídos e, neste ano da graça de 2026 de eleições gerais, brasileiras e brasileiros saberão quem as excelências escolherão proteger e quem desconsiderarão. É hora de debater a implementação da escala 5x2, aplicada há um século por Henry Ford, nos Estados Unidos; as condições de trabalho dos plataformizados; os penduricalhos que custam muito e alcançam poucos.

Por mais cotas, ou nenhuma. Por Eduardo Affonso

O Globo

Programas devem ser vistos como ‘auxílios emergenciais’, não como direito adquirido, subsídio a eternizar. São paliativos

Pablo Ortellado defendeu, em coluna recente, que a melhor forma de garantir as cotas raciais é ampliar o debate, mostrando seus resultados positivos. Para reverter o decrescente apoio popular, bons argumentos valeriam mais que blindagem. No dia seguinte, Flávia Oliveira tratou do mesmo tema, considerando o assunto encerrado: qualquer discussão sobre as cotas é retrocesso e racismo. Sou Team Pablo na teoria: o debate ilumina, ajuda a construir o consenso. Sou Team Flávia na prática: ninguém solta a cota de ninguém, nenhuma cota a menos; mexeu com uma, mexeu com todas.

O Brasil contra o feminicídio. Por Juliana Diniz

O Povo (CE)

Toda violência tem um significado, manifesta um discurso implícito. No caso da violência de gênero, a agressão expressa a negação de que a mulher é um ser autônomo, com vida e dignidade próprias

Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio foi lançado na última quarta-feira em Brasília. Ele é fruto da articulação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no esforço de reduzir os índices de violência contra a mulher no país. “O Estado precisa chegar antes”, foi o que declarou a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, enfatizando a importância de boas políticas públicas para a mudança de uma cultura.

A iniciativa insere o tema do feminicídio e da violência de gênero na agenda pública não só de governo, mas dos outros poderes. Quando o Presidente da República, parlamentares e juízes anunciam uma meta comum, temos a evidência de um consenso interinstitucional sobre o cenário de risco, banalização do ódio e dificuldade de respostas eficientes para a proteção das mulheres em situação de violência no Brasil.

Algumas notas sobre o eleitor da juventude brasileira, por Vagner Gomes

Se houvesse a polarização afetiva do voto consolidada nas faixas etárias, saberíamos antecipar com precisão o voto da juventude brasileira nas próximas eleições gerais. Um eleitorado que está em queda percentual à medida que há uma transição demográfica do país no sentido do envelhecimento. Contraditoriamente, as candidaturas mais novas em idade tem ganhado mais confiança do eleitor. Segundo Maquiavel, “os homens esquecem mais depressa a morte do pai do que a perda do patrimônio.” (Capítulo XVII de O Príncipe).

O eleitor nascido após o ano de 2002 certamente não tem a memória política dos ajustes fiscais e suas consequências sociais para chegar à estabilidade econômica. A ideia da “Bolsa Escola” se perdeu assim como o “Orçamento Participativo” ao longo do tempo. A memória política se esvai rapidamente num país aonde a crise da educação (por exemplo, os jovens hoje leem muito bem sem compreender aquilo que leem) atingiu de forma grave os estudos de humanidades, como os indicadores do IDEB provavelmente irão confirmar assim que forem divulgados os resultados do ano passado.

Mudança Já! Por Ivan Alves Filho

O Campo Democrático enfrenta desafios tremendos no Brasil de hoje. Andar pelas ruas, conversar com as pessoas nos ônibus, nas praças, nos bares e em outros locais públicos possibilita a cada um de nós tomar, de certa forma, o pulso do país. Estes encontros e andanças emitem sinais claros de cansaço por parte da população frente ao ordenamento político, apontando para uma quebra de confiança nas instituições. E nada é mais perigoso do que isso.

Doutrina Lula. Por Jamil Chade

CartaCapital

O presidente brasileiro busca aproximação com governos ultraconservadores para frear o avanço de Trump

Dias depois da vitória de Lula em 2022, a equipe de transição começou a reavaliar a política externa brasileira, profundamente abalada pelo governo de Jair Bolsonaro. Uma das prioridades era restaurar a integração sul-americana como um projeto viável para a região. Nos primeiros meses de mandato, o presidente convocou os líderes de todos os países do subcontinente a Brasília, retomou projetos paralisados e orientou o Itamaraty a encarar a região como um espaço estratégico para os interesses nacionais.

Legalidade e moralidade. Por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Os ministros do STF precisam compreender que, sem respeitar esses princípios, não há como preservar a credibilidade da Corte

Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal conquistou legítima e merecida reputação por dois motivos principais. Primeiro, pela sua coragem e senso de dever na defesa da democracia, do Estado de Direito e contra as investidas golpistas do grupo bolsonarista. Segundo, pela resistência imposta a setores do Congresso Nacional, ao exigir que as emendas parlamentares respeitassem os princípios constitucionais do serviço público, notadamente a legalidade, a moralidade e a publicidade (transparência).

Castelo de cartas. Por André Barrocal

CartaCapital

A investigação sobre o Master se aproxima cada vez mais dos governadores Ibaneis Rocha e Cláudio Castro

Os governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, acabam de dar o cano na CPI do Crime Organizado. O primeiro enviou um colaborador de segundo escalão, substituto que a CPI se recusou a ouvir. O outro, nem isso: estava fora do Brasil e mandou essa explicação por carta. Ambos haviam sido convidados para falar das experiências de suas gestões contra a violência. Tivessem ido ao Senado, certamente estariam em apuros. Seriam, digamos, interrogados. O motivo? O escândalo do Banco Master, “tema do momento no Congresso”, na definição do senador Jaques Wagner, líder do governo na casa legislativa onde a Comissão de Assuntos Econômicos criou um grupo para investigar o escândalo.

Luta de classes. Por Maurício Thuswohl

CartaCapital

Lula encara a resistência patronal e dobra a aposta no fim da escala 6×1

“E claro que sou a favor do fim da escala 6×1”, afirma Fernanda Campello, que trabalha em uma loja de vestuário em um shopping do Rio de Janeiro. Um segundo dia de folga, diz, seria muito bem-vindo e aproveitado. “Eu poderia estudar, ler, ir à praia, fazer compras, organizar minha casa, enfim, fazer alguma coisa por mim”, revela. A percepção da vendedora carioca é a mesma da grande maioria dos trabalhadores brasileiros que têm direito a somente uma folga por semana. Divulgada em dezembro pelo instituto Vox Populi, a pesquisa O Trabalho e o Brasil, realizada em parceria com a CUT e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que 80% dos entrevistados se dizem favoráveis ao fim da prática de seis dias de trabalho por apenas um dia de descanso.

A pauta tem um evidente apelo popular e, a poucos meses das eleições presidenciais, pode tornar-se uma poderosa alavanca a impulsionar a avaliação positiva sobre o governo Lula. Ciente da importância do trunfo que tem nas mãos, o governo movimenta-se nesses primeiros dias de ano legislativo para tentar aprovar o fim da escala 6×1, se possível, até o fim de março. Na mensagem enviada para o reinício dos trabalhos do Congresso Nacional, o presidente da República destacou o tema, após agradecer aos parlamentares pela aprovação no ano passado da isenção de Imposto de Renda para quem ganha salário de até 5 mil reais. “Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, destacou o presidente.