*Giuseppe Vacca, Modernidades
alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de
Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267
[1] A.
Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
*Giuseppe Vacca, Modernidades
alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de
Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267
[1] A.
Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.
Com novos pretextos, Trump renova ameaça de tarifaço
Por Folha de S. Paulo
Casa Branca recorre a argumentos como
corrupção e Pix para outra ofensiva protecionista contra o Brasil
Ataque comercial será inevitavelmente
utilizado como arma eleitoral; espera-se que governo Lula acione diplomacia
para mitigar as medidas
Movido por crenças equivocadas, o governo
de Donald Trump novamente
ataca parceiros comerciais com ameaça de novas tarifas.
Em mais um capítulo da sua cruzada
protecionista, a Casa Branca agora mira o Brasil com medidas que, se não têm o
caráter de chantagem política explícita do tarifaço de 2025, não deixam de
revelar uma estratégia de hostilidade sistemática.
A investigação da chamada Seção 301 da Lei de
Comércio dos EUA, aberta em julho do ano passado e recém-concluída, é o
principal instrumento dessa nova ofensiva, que pode
resultar em impostos de 25% sobre uma ampla gama de produtos
brasileiros.
Segundo a consultoria MB Associados, o impacto recairia sobre 27% das exportações nacionais para os Estados Unidos —cerca de US$ 9,5 bilhões dos US$ 37,7 bilhões exportados para o parceiro comercial em 2025.
Correio Braziliense
É improvável que as preocupações de Lula em
relação ao multilateralismo produzam impacto na corrida eleitoral. Será mais
importante mostrar o que o governo brasileiro tem feito para dirimir as ameaças
tarifárias
Na abertura da reunião ministerial no Palácio
do Planalto, o presidente Lula voltou a abordar um problema crônico nas
relações internacionais: a crise do multilateralismo. O chefe do governo
brasileiro considera fundamental uma mudança na ordem mundial, marcada pela
ação unilateral de grandes potências, de modo a alimentar sucessivas crises e
guerras.
Lula pretende renovar o alerta para a crise do multilateralismo em breve — possivelmente, em 15 de junho. "Eu nem ia ao G7. Agora eu vou. Porque é preciso alguém tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU", argumentou o presidente.
O Globo
Há muitas digitais nas taxações impostas
pelos Estados Unidos ao Brasil. O candidato do PL tenta, em vão, se
desvencilhar
A sucessão dos eventos deixa claro que essa nova guerra tarifária está vinculada à família Bolsonaro e ao lobby feito por eles. O presidente Donald Trump, antes de anunciar o primeiro ataque, em julho do ano passado, acusou o Brasil de estar fazendo uma suposta “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro. Na época, Eduardo Bolsonaro poescreveu em rede social: “Obrigado presidente Donald J. Trump”. Nesta semana, entre o primeiro e o segundo anúncio de sanções contra o Brasil, Trump postou a foto do encontro com Flávio Bolsonaro. Há muitas digitais. O candidato do PL tenta, em vão, se desvencilhar.
O Globo
Lula ganhou de presente o tema da “traição da
pátria” e os ataques do governo dos Estados Unidos ao Pix
A questão de “traição da pátria” volta e meia entra na discussão política porque a globalização coloca quase diariamente diante dos líderes de governos questões delicadas que não se limitam mais a seus países, mas à geoeconomia expandida. Os bolsonaristas são críticos da globalização, mas se colocam à disposição do governo dos Estados Unidos na maioria das situações. O mesmo acontece com o próprio Trump: assumiu o governo dizendo que não meteria o país em novas guerras, mas só faz isso. A globalização que tanto critica é a razão de acionar a metralhadora giratória para todos os lados.
O Globo
É verdade que algumas, isoladamente, não são
um ato contra o Brasil. É o caso das tarifas de 12,5% para quem importa
mercadorias de locais que usam trabalho forçado
As últimas 48 horas esfriaram a relação, que parecia caminhar pelos trilhos da racionalidade, entre Brasil e Estados Unidos. Depois da insensatez da Lei Magnitsky e afins, promovida pelo escritório avançado do bolsonarismo em Miami, Lula e Trump puseram as coisas nos eixos e passaram a negociar uma pauta comercial concreta. Na reunião entre eles em Washington, em maio, o Brasil dizia cobrar dos americanos tarifa média de 2,7%, e os americanos rebatiam dizendo que era cerca de 12%. Uma divergência dentro das regras do jogo. Lula e Trump mandaram suas equipes ir para casa resolver a pendenga, e tudo parecia correr bem. Até que a conversa descarrilou.
O Estado de S. Paulo
Lula mal cabe em si no papel de que mais
gosta, o de grande estadista mundial, no qual sua torrente incessante de
palavras contrasta com seus efeitos práticos – ou seja, a capacidade de
realizar o que diz. Mas é o papel que seus adversários insistem em dar-lhe de
presente.
Jair Bolsonaro nunca teve inteligência
estratégica, vide onde foi parar. Seus dois filhos conseguem ser piores.
Enxergam em Donald Trump uma espécie de Guia Genial da superpotência americana,
cuja condição de hegemonia planetária ele se empenha em diminuir.
Em relação ao Brasil, porém, os interesses de Trump estão definidos. Somos um tipo de peão fornecedores de commodities, especialmente as de importância geopolítica, e irritantes cerceadores das atividades de empresas americanas (ênfase no setor financeiro e digital) que precisam ser disciplinados.
O Estado de S. Paulo
Medidas de Trump mudam foco do debate para
beneficiar Flávio e dificultar reeleição de Lula
Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o principal concorrente de Flávio na disputa.
Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor de bandido.
O Estado de S. Paulo
A novidade do professor Mokyr está no avanço
teórico em relação aos novos institucionalistas
Joel Mokyr é professor da Northwestern
University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2025. Seus
estudos avançaram enormemente nos temas: desenvolvimento econômico,
instituições e inovação tecnológica. A questão central que o motiva é: como
aumentar a prosperidade num contexto de inovações tecnológicas, cujo ritmo é exponencial.
A 14.ª edição do Fórum de Lisboa, iniciativa por vezes tão criticada por setores viciados da imprensa e da opinião pública no Brasil, trouxe o professor Mokyr para uma palestra magna no último dia do evento. Foi uma oportunidade única para ouvir e registrar as lições de uma das mentes mais privilegiadas do mundo. A mesa foi mediada pelo próprio ministro Gilmar Mendes e pela presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), Cristiane Coelho Galvão.
Folha de S. Paulo
Não é da natureza do Brasil um alinhamento
incondicional a nenhuma potência
Flávio Bolsonaro expôs sua absoluta
ignorância sobre as relações entre Brasil e EUA
Ainda não se conhecem as consequências da
decisão do governo Trump de incluir o PCC e
o Comando
Vermelho nas listas de Grupos Terroristas Especialmente
Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras. O duplo enquadramento
soma sanções financeiras a medidas penais e restrição migratória.
Em consequência, o combate às facções deixa
de ser problema policial do Brasil e passa a ser questão de segurança nacional
dos Estados Unidos, abrindo brechas para sanções e ações unilaterais —como
operações secretas ou mesmo o uso de força militar— fora do controle
brasileiro.
Especialistas se dividem quanto à extensão do dano que aquela medida unilateral poderá trazer para a cooperação policial entre os dois países, já bem estabelecida há tempos, bem como para o setor financeiro e para empresas nacionais que operam nos Estados Unidos.
Folha de S. Paulo
Previsões para o destino de política e
economia vão se desfazendo, como de costume
Prever é preciso, mas se presta menos atenção
a problemas de fundo e menos noticiosos
O Ibovespa chegaria aos 200 mil pontos em
maio —está perto de 170 mil. O "investidor
estrangeiro", não raro brasileiro com dinheiro lá fora, não
estaria dando a mínima para a eleição. A delação de Daniel
Vorcaro seria explosiva e "tirava o sono de
Brasília", que dorme com Vorcaro e vorcarettes.
A negociação do governo brasileiro com o
americano derrubaria o "tarifaço", dadas a "química" de
Donald Trump com Luiz Inácio Lula da
Silva e as ações da diplomacia pública e privada do Brasil.
Levaria tempo para Flávio
Bolsonaro alcançar Lula nas pesquisas. Flávio
ultrapassaria Lula em breve. Flávio seria um Bolsonaro
"moderado".
Folha de S. Paulo
Gênese do atual ataque dos EUA ao Brasil está
bem descrita na carta que Trump enviou ao presidente Lula
Republicano dissolveu as fronteiras entre
política e economia na relação do Brasil com os EUA; não será Flávio que
conseguirá redesenhá-las
O senador Flávio
Bolsonaro tenta se dissociar da proposta de um novo tarifaço
dos Estados
Unidos, mas o movimento eleitoral do pré-candidato à Presidência
carece de verdade histórica.
A gênese do
ataque dos Estados Unidos à economia brasileira está bem
descrita na carta que Donald Trump enviou
ao presidente Lula em julho do ano passado, para anunciar uma sobretaxa de 50%.
Dizia o texto, logo no 1º parágrafo: "Conheci e tratei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitava muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma desgraça internacional. Este julgamento [no STF] não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!"
Folha de S. Paulo
Irmãos Bolsonaro usam Casa Branca para
atingir Lula, mas tentativas vão saindo pela culatra
Bajulação bolsonarista contempla doutrina
Donroe que quer nos transformar em quintal dos EUA
Depois de quase um ano de investigações, o
escritório de representação comercial dos Estados
Unidos apresentou suas conclusões em documento que propõe novas tarifas
sobre exportações brasileiras e condena o Pix.
A manifestação do governo de Donald Trump,
personagem deletério bajulado por Eduardo e Flávio
Bolsonaro, cita 20 vezes a plataforma eletrônica de transações
financeiras criada pelo Brasil e adotada de maneira eficaz, democrática e
popular pelo Banco Central.
Os filhos do capitão golpista, condenado e preso, vêm tramando com a potência estrangeira modos de atingir o presidente Lula, mas na realidade estão acertando o Brasil, sua economia, dignidade e soberania. No afã de abafar seus escândalos e tentar ganhar simpatias eleitorais, puxam a arminha, mas o tiro parece estar saindo pela culatra.
Folha de S. Paulo
Flávio Bolsonaro acha que, ao dizer 'Nada a
ver! Zero!', ele fará a realidade desaparecer
Mas a matemática, que não falha, ensina que
um número elevado a zero é sempre igual a 1
Uma das glórias da matemática é a história de que um número elevado a zero é sempre igual a 1. Como pode? Não faz sentido. É algo que, para nós, leigos, alunos relapsos ou miseravelmente formados em humanas, parece absurdo. No entanto, se tivéssemos prestado atenção à aula onde se ensinou o conceito em vez de ficar olhando para as pernas da professora, veríamos como a questão é simples e coerente. Não vou me deter a explicá-la aqui, nem tenho autoridade para isso, mas vá por mim: qualquer número elevado a zero é 1 mesmo. E não só na matemática, como a família Bolsonaro deve estar descobrindo.
Folha de S. Paulo
Em menos de 2 minutos Senado derrubou
resolução do Conanda
Vítimas de estupro poderão ter gestação
forçada enquanto seus abusadores continuarão impunes
Em sessão na terça-feira (2) que durou exatamente 100 segundos, o Senado aprovou um projeto que protege estupradores de crianças e adolescentes. Exagero eu dizer isso? Não para quem conhece a realidade dos abusos sexuais contra vulneráveis. Ao dificultar o acesso ao direito que crianças e adolescentes possuem há décadas de interrupção da gravidez em casos de violência sexual, o Senado facilita que crianças sejam mães.
Quando pensamos em autoritarismo e perda das liberdades na América Latina, no pós-guerra, sobretudo, temos imediatamente o modelo do golpe militar na cabeça. Assim, podemos citar o Brasil de 1964, o Chile de 1973 e a Argentina de 1976, exemplos quase acabados disso. Recorrendo quase sempre à violência, esse tipo de intervenção destrói as instituições de fora para dentro, digamos assim.
Tarifas expõem limite da relação entre Lula e Trump
Por O Globo
Justificativas apresentadas por americanos
são frágeis. Brasil ainda tem chance de reverter medida
Menos de uma semana depois de o Departamento de Estado declarar que o governo americano passaria a tratar como terroristas as duas maiores facções criminosas brasileiras, o Itamaraty sofreu outro revés: o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação aberta em 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e recomendou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros importados. A medida é ainda mais dura que o tarifaço do ano passado — depois suspenso pela Suprema Corte —, pois abre caminho a sanções comerciais específicas contra o Brasil. Ela expõe os limites das investidas diplomáticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua aproximação de Donald Trump.
Valor Econômico
Episódio capaz de desencadear decisões ou
movimentações há tempos esperadas
É um processo cheio de nuances, negociações,
discussões regimentais e que depende, sobretudo, da dinâmica eleitoral. Mas o
governo Lula vê espaço para reapresentar ao Senado o nome de Jorge Messias para
o Supremo Tribunal Federal (STF). O ponto de virada foi no dia 12 de maio,
durante a posse da nova cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), menos de
duas semanas depois de o plenário do Senado rejeitar a primeira indicação de
Messias.
Quem levantou a bola foi Beto Simonetti, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ao cumprimentar as autoridades presentes no início de seu discurso, fez uma menção especial a Messias em nome da classe. O aplauso que se seguiu chamou a atenção tanto pela duração quanto pela intensidade, em uma espécie de “rejeição à rejeição”, mas também por aqueles poucos que não aderiram: considerado o principal algoz do AGU, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não moveu nenhum músculo.
Valor Econômico
Quem permite que petista ressuscite o apelo à
soberania sem fechar as portas à negociação com o presidente americano é o
senador e pré-candadidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro
Pela segunda vez, em menos de uma semana, o
presidente Luiz Inácio Lula da
Silva reagiu a uma medida americana discriminatória em relação ao Brasil sem
mencionar Donald
Trump. Quem permite que Lula ressuscite o apelo à soberania sem
fechar as portas à negociação com o presidente americano é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
É a polarização da campanha com um bolsonarismo que não se cansa de se valer de Trump como ativo eleitoral que possibilita a Lula faturar politicamente as sucessivas afrontas à soberania sem comprometer a conquista de eleitores de centro e direita avessos à submissão do país aos EUA.
O Globo
Tarifaços que vão e vêm e classificação de
facções criminosas como terroristas são decisões do governo dos Estados Unidos
que podem ou não ter impacto eleitoral no Brasil, a depender da narrativa ou do
grau de compreensão do eleitor a respeito de suas consequências. Uma tentativa
de Donald Trump de embargar ou limitar o uso do Pix na base da ameaça tem outra
magnitude: trata-se de um daqueles assuntos capazes de implodir uma
candidatura. No caso, a de Flávio Bolsonaro.
Não foi por outra razão que o filho de Jair, que até a véspera se jactava do acesso à Casa Branca e de ter conseguido, no breve encontro com Trump, arrancar a classificação de PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, correu para mostrar ofício, carta, sinal de fumaça, tudo o que pudesse dissociar a mesma reunião do anúncio de novo tarifaço e de uma eventual ofensiva sobre o meio de pagamento queridinho dos brasileiros.
O Globo
Ataque ao Pix mexe com bolso do eleitor e dá
bandeira popular a Lula para acusar rival
Tudo aconteceu em menos de 24 horas. Na
madrugada, o governo americano ameaçou baixar um novo tarifaço sobre produtos
brasileiros. Pouco depois, o secretário Marco Rubio comparou o Brasil a regimes
autoritários e hostis aos Estados Unidos. Para arrematar, o presidente Donald
Trump divulgou uma foto com Flávio Bolsonaro. Descreveu o senador como um
“jovem inteligente que ama muito seu país”.
A mensagem de ontem foi clara: a Casa Branca fará o possível para interferir na corrida ao Planalto e dificultar a reeleição de Lula. A classificação de facções criminosas como terroristas, na semana passada, foi apenas o começo da ofensiva.
O Globo
O Brasil não tem uma indústria naval
competitiva porque varre para baixo do tapete as causas dos fracassos
Outro dia Lula disse
que a indústria naval brasileira vai “dar uma surra nos coreanos e nos
chineses”. Com R$ 41,7 bilhões de investimentos em 890 obras, está aí o polo
naval de Lula 3.0. O Brasil corre atrás de uma frota nacional desde o século
XVII, quando saiu do estaleiro da Ilha do Governador um dos maiores barcos do
mundo, o galeão Padre Eterno. Infelizmente, a frase de Lula só pode ser
atribuída aos delírios de um candidato em ano eleitoral. Até hoje, quem levou
surras com a indústria naval foi a Viúva.
A geração de Lula, nascida na primeira metade
do século XX, tem uma marca sem similar conhecido: já pagou por três polos
navais, pagará pelo quarto, e o Brasil não tem uma indústria naval competitiva.
O primeiro polo naval veio no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961). Desandou, mas a conta foi quase toda para os estaleiros. É o jogo jogado.
O Estado de S. Paulo
Enquanto Lula bloqueia gastos da Defesa e Flávio tenta se blindar, os demais silenciam
O Brasil é um país diferente. Em nenhum lugar o ministro da Defesa diz que a Nação está indefesa sem que uma tempestade desate no Parlamento. Pois José Múcio disse isso a um grupo de empresários em evento fechado, promovido pela Seta, e nada aconteceu. É como se Múcio fosse o major Giovanni Drogo à espera de tártaros que nunca aparecem diante da Fortaleza Bastiani. Ou como se o Atlântico de um lado e a Amazônia do outro fossem o deserto onde os militares passam suas vidas à espera do inimigo que não se mostra.
O Estado de S. Paulo
Com o estímulo ao crédito, fica difícil prever esfriamento do mercado que dê alívio à inflação
Os dados de geração de emprego formal referentes a abril surpreenderam os analistas, vindo abaixo até da projeção mais pessimista, o que levantou a questão sobre se o mercado de trabalho irá finalmente desacelerar a ponto de tirar pressão sobre a dinâmica da inflação e dar mais conforto ao Banco Central para seguir cortando os juros.
O Estado de S. Paulo
Oliveira Vianna dizia que ‘temos coragem para tudo, menos para negar o pedido de um amigo’
De modo algum seu estilo de enriquecer,
enriquecendo seus parceiros irmãos, seguiu o mapa traçado em 1923-24 por Mauss no seu ignorado Ensaio Sobre a Dádiva. Ou, mais precisamente, na
sua genial sociologia do presentear, do dar para receber – o que nós chamamos
de “lembrancinhas”, porque foi com afeto que, quando vimos aquele objeto, a
lembrança de sua pessoa motivou a compra dele para você.
No presente, a moldura não é dada por utilidade ou necessidade, mas pela relação, pois foi a lembrança que o motivou. Então, diz Mauss, a dádiva vai muito além de si mesma: ela é um fato social total, já que todo presente contém aspectos morais. Um protocolo que transcende o objeto doado, fazendo com que o presentear acione a obrigação de retribuir. Presentes não são trocas; são dádivas que, como oferendas, transcendem a exploração de classe ou a luta hobbesiana de todos contra todos.
Correio Braziliense
A ofensiva tarifária pode resultar em
dividendos eleitorais para Lula, ao acender a centelha nacionalista. E provoca
dúvidas se trará vantagens a Flávio Bolsonaro
O novo desgaste diplomático entre Brasil e Estados Unidos tem o agravante de estar contaminado pela corrida eleitoral. Inevitavelmente, as negociações entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca sofrerão interferência do acirramento da disputa entre o presidente Lula e seu adversário Flávio Bolsonaro. O possível aumento de 25% nas tarifas comerciais contra produtos brasileiros significará mais trabalho para a diplomacia brasileira, mas, eventualmente, pode resultar em dividendos para Lula na batalha das urnas, ao acender a centelha nacionalista. Para o senador, recém-chegado de uma visita aos Estados Unidos, há dúvidas se esse novo capítulo representará alguma vantagem.
Correio Braziliense
Longe de querer justificar o erro de
imigrantes que tentam entrar de forma ilegal em outros países, vejo que o
chamado país das liberdades tem promovido uma caçada de terror aos não
documentados
Nas últimas semanas, tive contato com duas histórias que me fizeram repensar como nós, enquanto humanidade, chegamos ao fundo do poço. Ambas deram origem a reels publicados no perfil do Correio Braziliense. A hondurenha Wendy Hernández foi presa quando se dirigia ao trabalho, na Flórida, e deportada para Honduras. O filho, de apenas 2 anos, ficou com o tio materno. Sozinho, sem a mãe, foi exposto a todo tipo de barbárie, incluindo queimaduras e abuso sexual. Ao ser detida, Wendy implorou para que o pequeno Orlin Josué fosse levado com ela. O ICE, a polícia da Imigração americana, não lhe deu ouvidos. O menino acabou morto.
Folha de S. Paulo
Em combate a corrupção, desmatamento,
discriminação de empresas de internet e pagamentos instantâneos, Washington faz
o mesmo
Apesar de alegar conflito de interesse do
Banco Central, Fed tenta implementar versão do Pix, mas sistema não decolou
O tarifaço
americano anunciado nesta terça-feira (2) é um monumento à hipocrisia
ao punir o Brasil por medidas que o próprio presidente Donald Trump põe
em prática em seu país. Em combate a corrupção, discriminação contra empresas
de internet, pagamentos
eletrônicos e redução do desmatamento, os EUA de Trump fazem o mesmo
que acusam o Brasil de fazer.
Ao justificar a tarifa de 25% contra o país,
o relatório do USTR (Escritório de Comércio da Casa Branca) conclui que o
Brasil não adota medidas suficientes para combater a corrupção e cita
preocupações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico) sobre propinas pagas em outros países.
Ora, uma das primeiras ordens executivas anunciadas por Trump neste seu segundo mandato foi a suspensão da Lei de Práticas Estrangeiras de Corrupção, em 10 de fevereiro de 2025. Alegando que a lei gerava burocracia e custos excessivos para empresas americanas com atuação em outros países, Trump pausou por seis meses a aplicação da legislação e anulou a metade das investigações que estavam em curso.
Folha de S. Paulo
Flávio tentou ganhar pontos com foto de
papagaio de pirata, mas foi pego no contrapé
Disputa político-eleitoral esconde discussão
de efeitos econômicos de ameaças dos EUA
Os Bolsonaro acabaram do lado errado da
Segunda Guerra do Pix, até por
não terem escrúpulos, mentirem sem parar e não se importarem de explodir o que
estiver no caminho deles até o poder ou na rota de fuga da polícia. Como jamais
se sabe que tipo de informação sairá do filtro lunático, ignaro e odiento das
redes sociais, é difícil dar chute informado sobre o efeito desta lambança dos
Bolsonaro na eleição. Mas o risco aumentou.
Segunda Guerra: a direita propagandeava em janeiro de 2025 que Luiz Inácio Lula da Silva cobraria imposto sobre o pix, como se sabe. A campanha ajudou a ferir de modo duradouro a popularidade do presidente —inflação, bobagem fiscal e pânico financeiro ajudaram então a fazer o resto do serviço.
Folha de S. Paulo
Foi buscar bênção política de Trump, mudar a
pauta e exibir ao bolsonarismo que ainda tem os ouvidos do imperador
A estratégia funciona para os convertidos,
mas pode soar como vassalagem para o eleitorado amplo
O que Flávio
Bolsonaro foi fazer na Casa Branca?
A resposta simples: foi atrás de uma fotografia. A completa: foi tentar mudar a
pauta desfavorável da mídia, receber a bênção de Trump, o grão-sacerdote da
nova direita mundial, reanimar a base com o tema da repressão ao crime, dar um
verniz internacional a uma pré-candidatura desacreditada e mostrar que não é só Lula quem
tem acesso ao governo americano.
A foto com Trump não resolveu seus problemas jurídicos ou as explicações que deve sobre o caso banco Master, mas foi um recurso extremo para estancar a sangria de sua popularidade e manter sua candidatura respirando.
Folha de S. Paulo
O que era para ser uma peça de boa propaganda
acabou virando uma enorme dor de cabeça
A cada operação policial novos personagens
são tragados para dentro do escândalo Master
O filme "Dark Horse"
era para ser uma peça de propaganda e acabou virando uma grande dor de cabeça
para a franquia Bolsonaro e associados, ao se estabelecerem ligações da
produção com as vigarices de Daniel
Vorcaro.
A cada fio puxado dessa meada, mais alto fica o custo da empreitada para a direita bolsonarista. A cada nova operação policial, alguém relacionado ao grupo é tragado para dentro do escândalo do banco Master.
Folha de S. Paulo
Bancas de heteroidentificação criam mais um
caso polêmico, agora no Itamaraty
Biologia não oferece critérios objetivos
consistentes para classificar humanos em raças
Flávia
Goes de Medeiros foi exonerada do cargo de servidora no Itamaraty, no qual
ingressara por concurso como cotista, após veto da comissão de
heteroidentificação. Para a banca encarregada de verificar a autenticidade da
autodeclaração racial dos candidatos, Medeiros não era negra. "Conhecereis
a verdade, e a verdade vos libertará". OK, mas o que é a verdade?
A pergunta assombra filósofos há milênios. Uma resposta, que talvez frustre nossa imaginação metafísica, mas que se mostrou produtiva, é a contida nas teorias correspondenciais da verdade, que a definem como adequação da proposição ao objeto. Um corolário disso é que, se o objeto inexiste no mundo, é impossível fazer afirmações fáticas verdadeiras sobre ele.
Uso de criptoativos por criminosos requer atenção
Por O Globo
Operações contra finanças do PCC descobriram
esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro e golpes digitais
As operações recentes contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior organização criminosa do Brasil, expuseram como o avanço da digitalização financeira abre espaço a novos crimes, permite integração à economia formal e cria inúmeras oportunidades para lavar o dinheiro resultante das atividades criminosas, como demonstrou reportagem do GLOBO. A transformação progressiva no perfil dos crimes — de assaltos e violência nas ruas para golpes digitais — tem pressionado o sistema de segurança pública e órgãos reguladores e de fiscalização, como o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários. Entre os recursos empregados pelos criminosos, tem se destacado o uso crescente de criptoativos.
Valor Econômico
Discurso soberanista de Claudia Sheinbaum é
movido pela política doméstica, assim como o de Lula
“O México não é saco de pancadas de ninguém”. Ao comemorar os dois anos de sua eleição, neste domingo, Claudia Scheinbaum deixou sua decantada moderação de lado e partiu pra cima dos EUA no seu discurso mais duro desde a posse. “Será que estamos vendo como setores da ultradireita americana usam nosso país para se posicionar em suas eleições de 2026? Ou acaso pretendem influir nas eleições de 2027 em nosso país?”, indagou. “Quando se normaliza a ideia de que outro país pode intervir em assuntos que só dizem respeito aos mexicanos, já não estamos falando de cooperação, mas de ingerência”.