quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Lula e Flávio prometem tudo, como se dinheiro brotasse do nada

Por O Globo

Ou vencedor fará o contrário do que prometeu, ou criará uma armadilha fiscal para seu próprio governo

Na reta final da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliaram o anúncio de “bondades” para tentar conquistar os eleitores que podem fazer diferença para a vitória. De um lado e de outro, prometem tudo, a qualquer preço. Os postulantes ao mais alto cargo da República só não dizem como acomodarão a profusão de benesses a um Orçamento engessado, que mal dá para as demandas básicas. É como se o dinheiro para pagar brotasse do nada. Independentemente de quem vença no domingo, cumprir os compromissos assumidos agravará a situação fiscal já dramática.

Volatilidade do voto sobe e TSE discute proibir canais do "zap", por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Enquanto aguarda explicações da Meta, o Tribunal Superior Eleitoral admite restringir canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação

Na reta de chegada da campanha presidencial, aumentaram o contingente e a volatilidade dos indecisos, talvez porque a dureza dos ataques entre os candidatos tenha também provocado mais rejeição. Flávio Bolsonaro mantém o favoritismo numérico nas cinco pesquisas divulgadas ontem, mas sua vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva é estreita. O aumento dos indecisos gera instabilidade nas campanhas e mostra que, agora, sim, a maioria dos eleitores entrou no debate eleitoral. Lula e Flávio também intensificam a presença nas redes e a mobilização dos apoiadores. Nesse ambiente, decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento das plataformas podem interferir na capacidade de cada candidatura alcançar justamente quem ainda hesita.

Indefinida e na reta final, por Míriam Leitão

O Globo

Em uma campanha tão empatada a três dias da eleição, o debate da TV ganha ainda mais importância e pode ser determinante

Faltam três dias para a eleição e ela ainda está indefinida. Há números até desconcertantes, como o aumento dos indecisos na pesquisa espontânea entre a primeira e a segunda rodada da Quaest no segundo turno. Flávio Bolsonaro continua numericamente na frente, mas agora com apenas um ponto. Está com 52% de rejeição, um número que sempre foi considerado impeditivo para qualquer pessoa ser eleita presidente da República. Há dados bons para o presidente Lula como a queda de rejeição para 47%, e a melhora, ainda que lenta, de avaliação do governo. Contudo, o candidato à reeleição ainda não teve a virada numérica com a qual contava depois de todas as manifestações. Tudo torna o debate de amanhã ainda mais importante.

TSE come poeira dos algoritmos, por Julia Duailibi

O Globo

Justiça Eleitoral está de calças curtas diante das suspeitas de intervenção no processo eleitoral por plataformas estrangeiras

A disputa eleitoral de 2026 já tem um vilão, e ele não é a urna eletrônica. Os algoritmos das big techs, em especial da Meta, pintaram e bordaram até agora, a ponto de se transformarem no principal problema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a três dias da eleição. A Justiça Eleitoral está de calças curtas diante das suspeitas de intervenção no processo eleitoral brasileiro por plataformas estrangeiras.

Em busca dos alienados, por Merval Pereira

O Globo

Neste primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, e quase 6 milhões não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis

A mais imprevisível das eleições presidenciais depois da redemocratização chega a seu final com uma estranha perspectiva: o vencedor precisa convencer os que não foram no primeiro turno a votar agora, mas sobretudo a votar nele, e não no adversário. Tarefa mais árdua para Lula, que precisa não apenas empatar com Flávio Bolsonaro, mas ultrapassá-lo na reta final. A penúltima pesquisa Quaest, divulgada ontem, foi boa para Lula. Ele não apenas reduziu a diferença para o adversário, como conseguiu melhorar a percepção dos eleitores sobre seu governo. Na nossa História recente, ninguém que fechou o primeiro turno atrás na corrida presidencial conseguiu reverter o resultado.

O risco de uma sociedade civil acuada, por Eduardo Belo

Valor Econômico

Maturidade democrática pressupõe independência e liberdade; o receio das organizações de perder essas prerrogativas já é, por si só, um sinal grave

Organizações sociais acompanham com preocupação o resultado da eleição presidencial de domingo. Em reuniões, encontros informais e conversas por telefone ou aplicativos de mensagem, dirigentes e conselheiros de instituições ligadas ao investimento social privado e à filantropia estratégica têm manifestado temor de que a possível combinação de governo e Congresso mais à direita reduza o espaço de atuação da sociedade civil.

A preocupação não se limita à possibilidade de restrições diretas ao funcionamento das organizações. O receio é de uma mudança mais ampla no ambiente institucional: novas exigências legais, maior pressão política, questionamentos sobre programas e até mesmo uma reação defensiva de quem financia atividades sociais.

Maioria estreita dificultará pacificação, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Quanto mais estreita a vitória no domingo, mais difícil será a pacificação do país

A democracia é celebrada como o regime em que os derrotados cedem não por que são convencidos da razão do outro, mas por serem minoria. Em quatro anos, foram poucos os lulistas e bolsonaristas que se deixaram convencer pelas razões adversárias. A resiliência da polarização é a prova disso. E o que o Brasil está para enfrentar neste domingo é a eleição mais desafiadora deste aval majoritário da democracia. São abundantes as evidências de que as urnas de domingo produzirão, em quaisquer hipóteses, o presidente eleito pela mais estreita maioria da história.

Quaest mostra que, além do antipetismo, existe o antibolsonarismo de chegada, por César Felício

Valor Econômico

Aumento de indecisos depois de debate mostra dificuldade de Flávio em agregar

A pesquisa Quaest de quarta-feira (21) mostra que existe, além de um antipetismo de chegada, um antibolsonarismo de chegada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, não cresce. Permanece com 44% na pesquisa, como na semana passada.

Nada foi agregado com a movimentação nas ruas e nas redes. O senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, oscilou de 46% para 45%, mesmo depois de ter recebido os apoios de Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Flávio ganhou os apoios políticos, mas não os votos.

Edinho diz que Quaest reflete avaliações internas do PT, por Érica Ribeiro, Lucas Borges Teixeirae Giordanna Neves

Valor Econômico

Presidente nacional do PT diz acreditar na virada: "Agora nós temos certeza de que nós vamos ganhar as eleições debatendo a vida do povo"

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou, nesta quarta-feira (21), que a pesquisa Quaest reflete as avaliações internas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem aumentado porque o Brasil está "interpretando o que ele representa".

"O presidente Lula vem crescendo em relação à própria Quaest. Ele cresce de forma muito acentuada e, claro, a rejeição do Flávio aumenta, porque o Brasil está interpretando o que ele representa, as perdas de direitos que ele representa, porque uma coisa é o que ele diz na campanha, outra coisa é a trajetória do Flávio, enquanto legislador, enquanto liderança política", disse a jornalistas.

Flávio Bolsonaro fez festa em lancha com lobistas e prostitutas durante a pandemia, diz revista, por Folhapress

Valor Econômico

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) teria participado de uma festa em uma lancha em Brasília com lobistas e prostitutas em julho de 2020, durante a pandemia de covid-19, de acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira (21) pela revista piauí.

Segundo a publicação, os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, organizaram a festa para o senador na esperança de se aproximar do governo Jair Bolsonaro (PL) e fechar um acordo para fornecer a vacina indiana Covaxin, cuja fabricante, a Bharat Biotech, diziam representar.

No segundo turno, o Brasil dança à beira do abismo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Pelo mundo afora, extrema direita põe democracias à prova

O declarado propósito é o de destruí-las

As democracias liberais enfrentam um desafio que, não sendo de todo inédito, hoje adquire proporções nunca vistas. Antigos ou relativamente novos, os sistemas democráticos são postos à prova pela ascensão eleitoral de forças de extrema direita, que colocam em xeque as instituições que os definem e sustentam —em especial aquelas que limitam o poder dos líderes eleitos e garantem a liberdade das oposições. No passado, o fascismo e o nazismo foram a tradução totalitária desse projeto antidemocrático. Outro era o mundo, e bem menor o território das democracias.

No Dia da Democracia, defendê-la nas urnas será nossa única opção, por Ivo Herzog*

Folha de S. Paulo

Domingo (25), data que marca os 51 anos do assassinato de Vladimir Herzog, impõe tarefa decisiva para o futuro

Deixar de votar é optar por um dos candidatos, e eles não são iguais

Em 1975, quando eu tinha 9 anos, meu pai, Vladimir Herzog, foi assassinado no Doi-Codi, em São Paulo. Trago imagens do dia anterior, quando fui com minha mãe, Clarice, e meu irmão, André, até a Redação da TV Cultura, onde meu pai dirigia o Departamento de Jornalismo. Para mim, aquele era um dia comum e eu esperava passar os dias seguintes no interior paulista com a minha família. Mas, em 26 de outubro, um dia após o crime, minha mãe nos contou sobre a morte de nosso pai.

Em 31 de outubro, a Catedral da Sé recebeu um culto ecumênico em memória do meu pai. A iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo teve o apoio imediato de Dom Paulo Evaristo Arns. Mais de 8.000 pessoas, em silêncio, foram e voltaram para suas casas. A lembrança mais forte que guardo daquele ato é o acolhimento de Dom Paulo à minha mãe, que chorava muito.

Por que Flávio quer munição sem rastro, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Única razão é beneficiar homicidas e milicianos

Se ele fala sério em tirar armas dos bandidos, deveria propor mais, não menos, controle

Um "detalhezinho." Foi com essa palavra que, na entrevista à TV Globo, Flávio Bolsonaro qualificou o projeto, que ele apoia, de acabar com a rastreabilidade das munições usadas por policiais. A única razão para tornar munições menos rastreáveis é beneficiar homicidas e milicianos que, com armas e balas do Estado, matam impunemente. Flávio chegou a advogar para o PM acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, assassinada com um tiro de fuzil.

Flávio promete a volta de programa que abriu brechas para lavagem de dinheiro pelo PCC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Perse é o pior benefício tributário de todos os tempos

Não é mera coincidência que no mesmo dia o candidato tenha se reunido com mais de 30 sertanejos em Goiânia; eles foram os grandes beneficiários dessa farra tributária

O Perse é o maior programa de lavagem de dinheiro e sonegação do país. Não é a coluna quem afirma. São os investigadores que há pelo menos três anos apuram as irregularidades possibilitadas pelas brechas nas regras do benefício tributário, criado pelo governo Jair Bolsonaro para socorrer o setor de eventos dos prejuízos com a pandemia da Covid-19.

Em 2024, a Folha revelou que fiscais da Receita tinham encontrado no programa indícios de operações de lavagem de dinheiro de atividades ilícitas no país, após o custo do benefício tributário explodir no ano anterior.

O primeiro tiro a gente nunca esquece, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Nenhum país na história melhorou a segurança armando a população

Política de liberação de armas aumenta mortes e moderniza arsenal do crime

Nunca tomei um tiro. Meu irmão, sim, no assento do motorista ao meu lado, o carro na frente de casa. Assalto sem anúncio, irrompido com o estrondo da bala. Entendi quando vi sangue escorrer pelo seu pescoço. Meu primeiro tiro aconteceu na adolescência. Por sorte e privilégio, nunca presenciei um segundo tiro.

Etiqueta do debate, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os candidatos deveriam se chamar de 'presidente Fulano' e 'senador Beltrano'

Mas um deles insiste em exercer sua nova especialidade: ladrão, desta vez, de cenas

Nunca fui religioso, escapei raspando do serviço militar e usei uniforme escolar por pouquíssimos anos. Mas acredito que certas funções devam obedecer a uma certa liturgia para serem exercidas. Como se submeter a uma cirurgia se os membros da equipe médica estiverem fantasiados de mestre-sala e porta-bandeira? Ou confiar num chef de cozinha vestido de escafandrista? A simples liturgia não basta —às vezes, é necessário obedecer também à etiqueta.

A herança e o abismo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Leilão de promessas num jogo de populismo x populismo vai frustrar os desejos de mudança

As dificuldades de Lula para se reeleger continuam presentes em igual medida, que não é apenas aquela de números apertados exibidos por mais de dezena de pesquisas. É o profundo cansaço, descrédito e insatisfação generalizadas, o principal impulso da oposição.

Não se pode excluir que a farra de promessas irresponsáveis nesta reta final produza um resultado circunstancial, isto é, uma virada sobre o primeiro turno. Teria chances praticamente nulas, porém, de produzir nesse contexto “estrutural” uma mudança de rumo geral do País.

TSE vê interferência de big techs, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ala da Corte acredita que redes sociais interferiram nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

Parte dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acredita que as big techs influenciaram no alcance das campanhas deste ano. Ao menos três dos sete ministros dizem nos bastidores que houve falhas na distribuição do conteúdo político por parte das redes sociais com potencial para influenciar a forma como os eleitores escolhem os representantes do País.

Na última sexta-feira, o TSE decidiu por unanimidade proibir a Meta de restringir a distribuição de conteúdo sobre candidatos. Ou seja, os ministros concordam que a forma como a empresa atuou nos últimos meses justificava o puxão de orelha.

Análise detalhada sobre a pesquisa Quaest divulgada ontem, por Felipe Nunes

1/ Pesquisa Quaest mostra que a eleição continua muito acirrada. Os dois candidatos continuam tecnicamente empatados. Nas nossas estimativas, com 95% de confiabilidade, a intenção de voto em Flávio está entre 43% e 47%. A de Lula, entre 42% e 46%. Indecisos podem chegar a 4%.

2/ O quadro quase não se alterou entre as duas rodadas. A distância de 2 pontos passou para 1 ponto, mas essa oscilação na margem de erro não nos permite tirar nenhuma conclusão sobre ‘virada’, ‘mudança’ ou ‘vantagem’.

3/ O voto útil de direita captado pela Quaest na última semana do primeiro turno já havia esvaziado o reservatório de votos dos outros candidatos e inflado Flávio. Na pesquisa, esse recall é fundamental para entender a matriz de mudança de voto.

Poesia | Eternamente exausto, de Vinicius de Moraes por Júlia Sonati

 

Música | Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa - Volver a los 17

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Desmatamento em queda dá motivo para celebração

Por O Globo

Infelizmente devastação florestal continua por meio de incêndios. Combate às queimadas é essencial

Amazônia e Cerrado registraram no último ano os menores patamares de desmatamento desde o início das medições feitas pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélites (Prodes). Persistem, porém, desafios nada triviais para a conservação do patrimônio ambiental brasileiro. Ao mesmo tempo que o Ministério do Meio Ambiente divulgava os dados sobre desmatamento, a fumaça das queimadas encobria Manaus. Proteger a floresta exige mais que combater a derrubada das árvores. Mesmo assim, é importante celebrar o resultado positivo nessa frente.

O nosso iberismo numa encruzilhada da história que pauta Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Sim, os resultados das nossa democracia são insuficientes diante da desigualdade brasileira, mas não autorizam tratar a redemocratização como um grande fracasso

A eleição presidencial brasileira é a mais importante fora dos Estados Unidos em 2026, avalia Daron Acemoglu, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), laureado com o Nobel de Economia. Em entrevista à BBC News Brasil, o economista compara uma eventual volta da família Bolsonaro ao poder à decisão dos norte-americanos de reconduzir Donald Trump à Casa Branca. Seu alerta ultrapassa a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, hoje favorito. Segundo ele, está em jogo o lugar do Brasil na crise das democracias e na reorganização do poder mundial.

Prosperidade: fácil de vender, difícil de entregar, por Vera Magalhães

O Globo

Flávio capta sentimento do eleitor que quer empreender, mas o explora com promessas vazias e de implementação duvidosa

A nova rodada da pesquisa Meio/Ideia, a última antes do segundo turno, traz uma chave para entender o voto em Flávio Bolsonaro e também um alerta para o dia seguinte caso o candidato do PL confirme seu favoritismo e vença a eleição: ela reside na promessa de prosperidade, essa palavra carregada de possibilidades, mas de difícil entrega.

A detalhe aparece numa pergunta nova: o que significa melhorar de vida para você? Para 43,3% dos entrevistados, é ter o próprio negócio, trabalhar por conta própria, enquanto apenas 32% sonham com carteira assinada e direitos trabalhistas. A direita percebeu essa aspiração antes da esquerda, tanto que vem trabalhando promessas para esse público pelo menos desde 2024.

O calvário de um cidadão de bem, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Detido após importunar mulheres e disparar tiro em boate, deputado do PL é crítico do Bolsa Família, tentou banir pornografia e diz defender a 'moral cristã'

Marcelo Aguiar é um típico cidadão de bem. Dublê de cantor gospel e deputado estadual pelo PL de São Paulo, apresenta-se como um político devotado aos “valores cristãos”, à “defesa da família” e à “proteção das crianças”. “Minha trajetória é feita de canções, de fé, de luta e de esperança”, pontifica, em sua página oficial.

Casado e pai de dois filhos, o representante do povo se descreve como guardião dos “princípios da moral cristã”. “Sua atuação parlamentar é pautada por firmeza ética, preparo técnico e sensibilidade social”, assegura, falando de si mesmo na terceira pessoa.

SUS padrão Einstein é mentira de Flávio, por Elio Gaspari

O Globo

Mentir faz parte, mas candidato exagerou

Flávio Bolsonaro anunciou no debate da Band que no seu governo “o SUS vai ser padrão Einstein”. Nunca na história das campanhas eleitorais um candidato prometeu semelhante maluquice. Mentira deliberada, desrespeitosa para quem a ouviu, produto da ignorância de quem não sabe o que são o Sistema Único de Saúde e o padrão do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ou sabe, o que é pior.

Bolsonaro associa sua patranha ao fato de ter anunciado que o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Einstein, será seu ministro da Saúde. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Esse tipo de associação equivale a prometer prosperidade “padrão BTG” para todos os brasileiros porque o banqueiro André Esteves, cujo patrimônio é estimado em R$ 66 bilhões, será o ministro da Fazenda.

Flávio, Lula, Delfim e a ‘Lei do Estelionato Eleitoral’, por Fernando Exman

Valor Econômico

Candidato que se tornará presidente eleito no domingo (25) tem um encontro marcado com a verdade

Em uma magistral coluna publicada no Valor em fevereiro de 2015, cerca de quatro meses depois da recondução da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao Palácio do Planalto e já com a crise que a levaria ao impeachment no horizonte, o ex-ministro Antonio Delfim Netto lamentou que as eleições exigissem os votos dos cidadãos que, hipnotizados pelo marketing, acabavam induzidos a comprar na véspera uma magnífica piscina azul para, no dia seguinte, acordar com ela vazia.

"Trump, me mate!", por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Fico pensando que tipo de patriota pede ao líder da maior potência do planeta para que realize um ataque nuclear contra o país onde vive.

Não foi essa frase, mas o sentido era o mesmo. Durante ato em apoio ao candidato da extrema-direita no Brasil, um apoiador teve a "ideia" de levar até a Avenida Paulista um míssil inflável no qual podia se ler a frase "Trump nuke Brazil". Algo como "Trump, jogue uma bomba nuclear no Brasil". A imagem me embrulhou o estômago. Fico pensando que tipo de patriota pede ao líder da maior potência do planeta para que realize um ataque nuclear contra o país onde vive. Tudo para demonstrar aversão ao presidente brasileiro.

A oposição logo tratou de culpar um "infiltrado". Fato é que o tal "míssil" deveria ter sido impedido de entrar na Paulista, e seu dono, levado para prestar depoimento na delegacia. Sim, porque aqui existe algo que transgride, viola a fronteira da liberdade de expressão.

Corrida maluca, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Lula e Flávio Bolsonaro prometem mundos e fundos e sacrificam princípios

Disputa cria gramática de cinismo que favorece quem tem retórica antissistema

Ainda bem que a campanha do segundo turno presidencial é curta. Não creio que os cofres públicos resistiriam a mais algumas semanas de medidas desesperadas de Lula tentando reverter um quadro eleitoral que lhe é adverso. Do primeiro turno para cá, o petista já anunciou desoneração de combustíveis, expansão do Pé-de-Meia universitário e uma série de benefícios para microempreendedores. Estamos falando de gastos da ordem de algumas dezenas de bilhões de reais neste e no próximo ano.

Tamanho de bancada não assegura hegemonia no Congresso, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Crescimento do PL não é fator de maioria segura, muito menos dá ao partido o domínio do Parlamento

Centrão encolheu, mas o apetite e a expertise política das legendas no jogo do poder não diminuíram

Um clima de alarmismo ronda as expectativas a respeito do que será o Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. Antes de nos entregarmos ao catastrofismo por causa do tamanho das bancadas conquistadas pelo PL, convém lembrar de como as coisas funcionam naquele chão de fábrica.

Flávio Bolsonaro não consegue dissipar minhas suspeitas, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Defesa da ditadura e promessa de reabilitar o pai suscitam dúvidas sobre seu compromisso democrático

Divergências políticas são aceitáveis; o respeito ao Estado de Direito não é negociável

Certamente não são pessoas como eu que Flávio Bolsonaro tenta convencer por meio de posts, discursos, sabatinas e debates. De resto, com a minha aversão ao gregarismo ideológico e o meu natural ceticismo, não devo mesmo ser o público-alvo de qualquer campanha.

Afinal, meu marxismo é mais o de Groucho Marx ("não entro em clubes que aceitem pessoas como eu") que o de Karl, e minha abordagem dos candidatos sempre foi mais parecida com a de um consumidor que com a de um militante apaixonado. E, sim, acredito em coisas que causam repugnância em quem moraliza excessivamente a política, como votar no menos pior disponível —sem guardar meu voto para o candidato ideal como quem se guarda para a mulher da sua vida. Política é outro tipo de negócio.

Dito isso, Flávio Bolsonaro tem fracassado completamente em dissipar uma inquietação essencial sobre os anos da sua eventual Presidência: seu compromisso com a ordem liberal-democrática. Não se trata do vago apelo a "salvar a democracia", de que o lulismo tanto abusou, confundindo frequentemente a defesa da democracia com a defesa da sua própria agenda política, como se não pudesse haver democracia fora da esquerda.

A Internacional Autoritária é a maior ameaça dos nossos tempos, por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Perigo do autoritarismo ainda é subestimado

Minha gratidão a todos os que fazem a luta gloriosa, sempre insatisfeitos, de coração nas mãos, com medo pela democracia

Tem já mais de uma década o debate entre aqueles que alertam para o perigo de uma deriva autoritária nas nossas democracias e quem considera que esse perigo está sendo exagerado. A minha posição nesse debate é clara: acho que o perigo do autoritarismo ainda é subestimado.

Uma coisa é o debate (interessante, mas em boa medida acadêmico) sobre se o novo autoritarismo pode ser comparado com o fascismo do século passado. Alguns puristas consideram que, enquanto não estiverem preenchidas todas as características do fascismo original, não se pode usar a palavra para a sua variante.

Depois da anistia, o acordo? Por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Proposta de perdão aos condenados se renova sob o signo do oportunismo em vez da Justiça

Como seria uma “política da justa memória”? Essa preocupação moveu o filósofo Paul Ricoeur a uma reflexão sobre o saber histórico, as manifestações da memória e o esquecimento, ou seja, como representamos o passado. Eis um tema indissociável do presente: como recordar o que se passou na última década?

Os erros e abusos da Operação Lava Jato criaram impunidade, mas não apagaram os crimes. O esquecimento e o abuso da memória levaram a Daniel Vorcaro, quando o caráter pedagógico da pena se transferiu à impunidade. Mudaram os personagens, mas a corrupção continua. E as suspeitas também: antes, tudo era dinheiro para campanha eleitoral; agora, é para filme.

A liberdade de resistir, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

Para enfrentar seus desafios ao longo dos próximos quatro anos, o País irá demandar seriedade e previsibilidade

Seja qual for o vencedor das eleições presidenciais de 2026, a sociedade brasileira terá uma tarefa fundamental pela frente: exercer uma resistência democrática efetiva. Não nos iludamos pensando que basta a vitória de um candidato específico para solucionar nosso imbróglio civilizatório. O País vive circunstâncias sociais, políticas e institucionais que, seja quem estiver no Palácio do Planalto nos próximos quatro anos, haverá não pequenos desafios para o bom funcionamento do Estado Democrático de Direito.

A outra eleição, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

As eleições de meio de mandato nos EUA, daqui a duas semanas, deverão ter impacto nos mercados globais

Daqui a duas semanas, outra eleição terá importante repercussão para os mercados globais, com impacto político até no Brasil: a de “midterms” (ou “meio de mandato”) nos Estados Unidos, para a renovação da Câmara de Deputados e do Senado. Muitos analistas estão dizendo que o desfecho desse pleito será desastroso para o Partido Republicano e tornará o presidente Donald Trump um “pato manco”, jargão para descrever um governante que, rumo ao final de governo, tem a sua autoridade bastante enfraquecida e quase nenhuma capacidade de aprovar leis no Congresso.

Poesia | Terra de Santa Cruz"-- Adélia Prado

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Música | Chico Buarque canta Cálice com Gilberto Gil

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terça-feira, 20 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Protestos na França expõem incúria fiscal

Por O Globo

Como Brasil, país enfrenta dificuldade de implementar reformas após anos de descaso com a falência do Estado

Da Queda da Bastilha à Comuna de Paris, de Maio de 1968 aos coletes amarelos já neste século, a História da França está repleta de momentos em que a população vai às ruas na tentativa de mudar o curso dos eventos. Desta vez, mais de 500 mil tomaram conta de praças e avenidas em 110 cidades francesas no último sábado, auge da onda de protestos que começou em setembro como movimento estudantil, mas depois se expandiu para abarcar um sem-número de reivindicações difusas contra o atual governo. A violência resultou em vandalismo e incêndios (como o que destruiu a Prefeitura de Limoges), na depredação de mais de 3 mil estabelecimentos comerciais e na prisão de 2,4 mil pessoas. A raiz dos protestos está na dificuldade da sociedade francesa de lidar com uma crise fiscal crônica — problema em tudo similar ao brasileiro.

A crise histórica e o aparecimento dos “monstros”, por Roberto Amaral*

“Com a ‘marcha sobre Roma’ [1922], que pressiona a monarquia, os fascistas chegam ao governo, com a nomeação de Mussolini para a chefia do gabinete. Começa para o PCI [Partido Comunista Italiano]um período de ilegalidade de fato. No Partido, como Trotski recordará em 1932, ninguém admitia a possibilidade de uma ditadura fascista ‘salvo Gramsci’.” (“Cronologia da vida de A. Gramsci”. In:Cadernos do Cárcere, vol. 1.Civilização Brasileira, 2004).

Em texto com data provável de 1930, Antonio Gramsci observa o fenômeno crise histórica para afirmar que seu caráter está, precisamente, no fato de que o “velho morre e o novo não consegue nascer: nesse interregno verificam-se os mais variados fenômenos mórbidos”. Ou, na versão mais conhecida (retirada da tradução francesa), “o velho mundo está morrendo, o novo tarda a aparecer e, nesse claro-escuro, surgem os monstros”.

O autor de Cadernos do Cárcere está, evidentemente, a refletir sobre a Europa de então. Sua Itália já estava sob o jugo fascista (desde 1922), e na Alemanha o nazismo avançava marchando com botas de sete léguas. Hitler, como é sabido, conquistaria a chancelaria em 1933. O que se segue, inclusive entre nós, é história consabida, e nada edificante.

Lula escorrega na casca de banana, mas no final do debate desafia Flávio, por Luiz Carlos Azedo

O Correio Braziliense

As duas campanhas cantam vitória e tentam capitalizar o debate nas redes sociais. Isso não conquista de votos. Para o indeciso, o debate criou mais confusão do que esclarecimento

O primeiro confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, domingo, na TV Bandeirantes, terminou com duas vitórias proclamadas pelas respectivas torcidas e uma derrota evidente: a do debate público. Diante de um país preocupado com violência, custo de vida, saúde e emprego, Flávio trabalhou para nivelar a discussão por baixo, provocando o adversário; Lula escorregou na casca de banana e foi para um confronto pessoal com acusações recíprocas de corrupção. O indeciso que esperava esclarecer o voto no debate encontrou mais motivos para hesitar.