O Estado de S. Paulo
Países que não têm uma Constituição
respeitada e em que a violência e o tráfico de drogas tenham rédea solta
dificilmente se reconstituem de forma ordeira
Donald Trump não é o primeiro nem será o
último autocrata empenhado em dominar o mundo.
Desde a Antiguidade, incontáveis construtores
de impérios, geralmente agindo com extrema violência, tiveram tal ambição. De
Alexandre o Grande (século 4 a. C.) a Átila (século V d.C.), o “rei dos hunos”,
a quem é atribuída a frase “a erva não voltará a crescer onde minha cavalaria
houver passado”, a estirpe é extensa. A diferença entre Donald Trump e os
“bárbaros” da Antiguidade não reside, pois, só na diplomacia do “murro na
mesa”, nem na riqueza e outros traços do presidente norteamericano. Reside,
desde logo, no fato de haver encontrado um adversário feito sob medida, o Irã.
A teocracia iraniana não é um caudilho individual, mas é um Estado. Teerã
pleiteia, com uma mão, o controle exclusivo sobre Ormuz, uma estreita passagem
de mar por onde transita 20% do petróleo de que o mundo necessita e, com a
outra, uma enorme capacidade bélica, inclusive uma formidável quantidade de
urânio enriquecido quase até o ponto necessário para fabricar armas nucleares.
Entre Teerã e Trump, para onde vão as simpatias? Escolha difícil, não? Assim,
Trump retém um nível de apoio e consegue aliados políticos (assunto tratado
abaixo) que dificilmente obteria sem o confronto com os aiatolás, que, no fim
das contas, lhe é benéfico.