quarta-feira, 8 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Discussão técnica é essencial para desfazer tarifaço

Por O Globo

Empresas trazem ao debate em Washington elementos mais sólidos do que o oportunismo político

Tem trazido sensatez aos debates a presença de representantes do empresariado e do meio acadêmico nas audiências públicas realizadas em Washington pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o processo em que o Brasil é acusado pelo governo Donald Trump de práticas comerciais injustas e discriminatórias. No mês passado, o USTR sugeriu a imposição de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Nesta semana, os afetados puderam apresentar seus argumentos, como já havia ocorrido depois do primeiro tarifaço.

Numa demonstração de como a questão tem implicações políticas, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, compareceu às audiências para tentar reverter ao menos em parte o estrago provocado pela ação desastrosa de seu irmão Eduardo e de seu grupo de bolsonaristas junto ao governo Trump. Por trazer elementos mais sólidos, porém, é a atuação das empresas que poderá surtir algum efeito sobre as autoridades americanas.

Tarifas embutem interesses eleitorais e negócios da plutocracia de Trump, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Das empresas, entidade e pessoas físicas dos EUA na audiência sobre tarifas, 30 foram contra e 14 a favor; das 34 brasileiras, somente Flávio foi a favor

O imbróglio do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil é mais do que um contencioso comercial, no qual os dois países negociam tarifas com base em interesses recíprocos. Como ficou evidente nessa terça-feira, com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente da República, na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), há dois eixos cruzados de negociação.

O eixo com o qual o Itamaraty trabalha é econômico-empresarial, no qual pesam os interesses concretos das cadeias produtivas integradas entre Brasil e EUA; Flávio privilegiou o viés ideológico-político, fortalecido pela conjuntura eleitoral nos dois países, que favorece a ofensiva da direita norte-americana contra regulações, instituições e governos que não se alinham à sua agenda.

Relações exteriores no centro da campanha, por Fernando Exman

Valor Econômico

Tarifaço fez com que até mesmo aliados próximos de Flávio reconhecessem que a política externa havia se tornado uma área sensível

Até hoje reverbera na comunidade diplomática a declaração de Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), chamando o presidente Donald Trump de “papai”.

Aconteceu durante a cúpula da Aliança Atlântica em Haia, em meados de 2025. Rutte já vinha sendo alvo de críticas por não poupar elogios ao americano, a quem chamava de “querido Donald”, mas naquele momento foi além.

Em um instante de descontração flagrado pelas câmeras, os dois conversam animadamente e Trump comenta a reprimenda que dera na véspera em Israel e Irã: para o republicano, os dois países do Oriente Médio se comportavam como crianças no pátio de uma escola. Com um palavrão, afirmou que eles não tinham noção do problema que estavam criando. E o europeu então emendou, concordando que em algumas ocasiões “papai” precisava usar uma linguagem mais dura.

Trump leva a Fifa de volta aos tempos de Mussolini, por Edward Luce

Financial Times / Valor Econômico

O presidente dos EUA é o primeiro líder de um país desde Benito Mussolini, em 1934, a intervir publicamente a favor de sua seleção (a Itália, então fascista, era a anfitriã e ganhou a Copa)

Podemos chamar de toque de Midas às avessas. Donald Trump adora ouro. No entanto, tudo o que ele toca, desde espelhos d'água até alianças dos Estados Unidos, parece virar outra coisa. Sua última incursão foi na Copa do Mundo. Um torneio que vinha se mostrando um inesperado sucesso desandou depois de Trump ligar para a Fifa, que, em seguida, anulou a suspensão por um jogo de Folarin Balogun, uma das estrelas americanas. Os EUA, de qualquer forma, perderam por 4 a 1 da Bélgica.

A intervenção de Trump na Fifa, comparada a seu ímpeto incansável para multiplicar a fortuna da família ou a seus atos de guerra ou paz, poderia ser classificada como apenas uma nota de rodapé. Ainda assim, é possível apostar com tranquilidade que esteve entre suas atitudes de maior visibilidade no palco mundial.

Trump precisava aparecer na festa do futebol, por Elio Gaspari

O Globo

Ele deu um jeito, entrou na Copa, saiu dias depois

O presidente americano Donald Trump deu um jeito, arrumou uma encrenca com o árbitro brasileiro Raphael Claus e virou personagem da Copa do Mundo. Puro Trump. Afinal, ele continua dizendo que ganhou a eleição de 2020. É verdade que parou de falar que Barack Obama nasceu na África. No primeiro mandato, produziu 30.573 mentiras ou falsidades, 21 por dia. De volta à Casa Branca, seguiu na mesma toada, porque esse é seu estilo, e a encrenca com Claus é um estudo de caso de sua essência.

Na quarta-feira passada, o centroavante Folarin Balogun pisou no tornozelo do zagueiro Muharemovic, da seleção da Bósnia. Depois de ver o vídeo no VAR, o árbitro Claus expulsou-o do campo. (Balogun disse que aceitava a decisão.) Trump contou que, até então, não sabia o que significava a apresentação de um cartão vermelho, com a consequente suspensão para o jogo seguinte, contra a Bélgica.

A pátria sem chuteiras, por Bernardo Mello Franco

O Globo

A cada quatro anos, uma mesma pergunta se repete na política

A pergunta é repetida a cada quatro anos: o desempenho do Brasil na Copa do Mundo influencia a eleição presidencial? Os candidatos parecem apostar que sim. Na dúvida, tentam pegar carona na torcida pela seleção.

Desde a estreia contra Marrocos, todos os presidenciáveis se exibiram com a amarelinha. Lula gravou vídeo para incentivar o “querido Ancelotti”. Flávio Bolsonaro apelou à inteligência artificial para mostrar afinidade com Neymar. Ronaldo Caiado disse que os noruegueses “vivem embaixo do gelo” e jamais ganhariam do Brasil. Entrou numa fria.

Os acenos dos emissários de Lula ao mercado, por Vera Magalhães

O Globo

Ministros e estrategistas do PT refutam comparações entre gastos eleitoreiros de petista e Bolsonaro e usam má fase de Flávio para se aproximar da Faria Lima

Os dissabores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro deram a Lula uma condição rara tratando-se do incumbente numa eleição presidencial: jogar no contra-ataque, no erro do adversário. O intervalo proporcionado pela Copa e a sucessão de crises no Q.G. bolsonarista têm sido usados para tentar reverter uma das rejeições mais consolidadas ao petista, a do mercado financeiro.

Os emissários de Lula nessas conversas, entre os quais um dos mais loquazes é o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan —que, diga-se, joga com aquela disposição de quem veio do banco e quer garantir lugar no time titular—, procuram desmontar com dados as comparações entre as medidas do atual governo e as de Jair Bolsonaro no período eleitoral.

Sem Michelle, quem convence a Tatiana? Por Renato Meirelles

O Globo

Disputa de 2026 passa pela mulher que trabalha por conta própria e ainda não foi conquistada por nenhum dos dois lados

Na coluna passada escrevi que o voto feminino em 2026 não cabe numa personagem só. Há Dona Maria do Socorro, aposentada no sertão de Pernambuco, que vota olhando para a rede pública que sustenta a casa. Há Vera, em Suzano, cuidadora em tempo integral da mãe acamada, que carrega todo mundo sem que ninguém pergunte quem cuida dela. E há Tatiana, de 33 anos, que faz sobrancelha na garagem em Mauá, paga MEI, racha o aluguel com o marido motorista de app, fecha as contas no susto e se ofende quando alguém trata ela como coitada.

Escolha de dois senadores muda a lógica do voto, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pleitos que renovam 2/3 do Senado costumam eleger mais influencers e outsiders

Preferências ideológicas tendem a prevalecer apenas na definição do primeiro nome

"De cabeça de juiz e fralda de neném, ninguém sabe o que vem" é um ditado popular entre advogados para designar o elemento de incerteza inerente a decisões judiciais. Poderíamos acrescentar um terceiro item ao provérbio: urnas em eleições de duas vagas para o Senado.

Desde que a Constituição de 1946 reduziu os mandatos de senadores de nove para oito anos e manteve o número de três representantes por estado, alternamos pleitos em que o eleitor vota em dois candidatos e aqueles em que escolhe apenas um nome. Pode parecer um mero detalhe, uma caprichosa imposição da aritmética sobre o processo eleitoral, mas ele tem consequências importantes não apenas sobre a estratégia dos partidos para forjar alianças e definir candidaturas mas principalmente sobre a psicologia do eleitor.

Tribunais dão recado infrator à população, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A própria Justiça passa à população a mensagem de que ordens judiciais podem ser descumpridas

A cobrança do Supremo por explicações deve ser estendida aos outros TJs que não prestaram informações

A resistência ao cumprimento da ordem para pôr fim aos pagamentos excessivos e indevidos no Judiciário e Ministério Público era esperada. Partiu do Supremo Tribunal Federal e dos conselhos nacionais das duas instâncias que depois da decisão inicial de Flávio Dino afrouxaram a norma, dando aval a alguns penduricalhos.

O que não se esperava era a insubordinação explícita de sete dos oito tribunais de Justiça, cujos dados foram examinados por reportagem da Folha e onde se constataram pagamentos muito acima do teto constitucional a 616 juízes e desembargadores, chegando num caso à exorbitância de R$ 495 mil, em maio.

Flávio busca nos EUA vacina para campanha, mas reforça que tarifaço é político, por Ricardo Della Coletta

Folha de S. Paulo

Estratégia do senador não rebate discurso de Lula de que a família Bolsonaro instigou EUA a penalizarem Brasil para beneficiar ex-presidente

Se Flávio sugere que a finalidade é influenciar o cenário político brasileiro, fica mais difícil para o USTR defender que a investigação teve motivação exclusivamente técnica

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em Washington com a difícil missão de produzir um fato político que sirva como vacina contra o tarifaço de Donald Trump e impeça que ele continue contaminando sua campanha ao Planalto. A argumentação apresentada pelo senador ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), porém, corre o risco de produzir o efeito oposto.

Tanto nas declarações feitas nesta terça-feira (7) quanto nos comentários escritos encaminhados na última quinta (2), Flávio reforçou justamente os aspectos políticos das sobretaxas e da investigação comercial aberta contra o Brasil no ano passado.

Vice é nova briga na campanha de Flávio, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

A escolha de quem ocupará a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência virou uma nova disputa fratricida na campanha do senador. Flávio já disse que será uma mulher, e repetiu o aviso depois que a ex-primeira-dama Michelle rasgou o verbo contra ele em vídeo gravado nas redes sociais.

Desde que o senador passou a cogitar a possibilidade de ter na chapa a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, porém, o “fogo amigo” no PL e no Republicanos – partido ao qual ela se filiou recentemente – ficou maior. O Republicanos é o braço político da Igreja Universal.

Mais um risco para a inflação em 2027, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Na conjuntura atual, os preços de serviços são os com estimativas mais elevadas pelos analistas

Há um novo risco de alta para a inflação em 2027 e que pode tornar defasadas as projeções do mercado. Trata-se de uma eventual alteração na estrutura de pesos do IPCA, caso o IBGE consiga concluir até o fim do ano os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), deixando o seu índice oficial de preços mais fiel aos hábitos atualizados de consumo das famílias brasileiras. A dúvida é se questões orçamentárias poderão atrasar o trabalho do IBGE, que indicou para novembro a divulgação desses dados. A POF anterior era de 2017 a 2018.

Não é só sobre futebol, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Ao vergar-se a Trump, a Fifa apequenou-se. Mostrou que não se envergonha em ceder aos caprichos de um estadista sem apreço pela democracia.

Revoltou-me muito mais a ingerência do presidente norte-americano, Donald Trump, na Copa do Mundo do que a pífia — e merecida (cabe dizer) — eliminação do Brasil de Neymar Jr. e seus asseclas. Pior do que o "pedido" do titular da Casa Branca pela "revisão" do cartão vermelho dado a Folarin Bolagun, atacante dos Estados Unidos, foi a aquiescência da Fifa. Na verdade, uma excrescência.

Ao vergar-se a Trump, a entidade máxima do futebol apequenou-se. Mostrou que não se envergonha em ceder aos caprichos de um estadista sem apreço pela democracia. Um chefe de Estado que não enxerga um palmo além de seu umbigo e que pediu à própria Fifa para lhe dar um "Nobel da Paz". Supresa nenhuma, Gianni Infantino providenciou o tal prêmio.

Poesia | Esta Velha Angústia, de Fernando Pessoa, por Paulo Autran

 

Música | Chico Buarque - Voltei a Cantar

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil fracassa em Copa bem-sucedida

Por Folha de S. Paulo

Derrota para a Noruega, que não é uma grande força global, reflete anos de decisões desconexas e improvisos

Interesses comerciais da Fifa são inerentes à popularidade do futebol, o que não reduz o vexame da revisão da suspensão de um jogador

Erros individuais, oportunidades claras perdidas e escolhas questionáveis do treinador serão as explicações mais comuns e plausíveis para a derrota do Brasil ante a Noruega, além de aspectos emocionais e uma sequência incomum de perdas de atletas por lesões. Entretanto o fracasso na Copa do Mundo de 2026 tem uma história de quase quatro anos.

Flávio tenta virar o jogo do tarifaço, mas pode aprofundar seu desgaste, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Lula sentiu o cheiro de animal ferido na floresta. Trabalha para colar no clã Bolsonaro a responsabilidade política pelo tarifaço, ainda que a decisão formal pertença à Casa Branca

As audiências públicas sobre o tarifaço a ser aplicado às exportações brasileiras pelo presidente Donald Trump foram transformadas em palanque eleitoral pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, que tenta desfazer a imagem de que o bolsonarismo apoiou ou, no mínimo, estimulou as medidas da Casa Branca contra empresas brasileiras. O Itamaraty acompanha as audiências, mas não participará formalmente, a não ser com observadores, porque privilegia as negociações técnicas entre os dois governos, que atravessam um momento de turbulência, mas não foram de todo interrompidas. Ou seja, não queimou os navios.

O bode que o Brasil colocou no Salão Oval, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Resistência brasileira à moratória indefinida na taxação do comércio eletrônico mostra que se Trump quiser negociar terá que colocar as tarifas na mesa

A decisão de Donald Trump sobre a tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras depende menos das audiências públicas desta segunda e terça no Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) do que do bode que o governo brasileiro colocou no Salão Oval. O caprino entrou na história durante a reunião de março da Organização Mundial do Comércio em Yaoundé, capital de Camarões.

Nesta ocasião, o Brasil foi o único a fincar o pé contra a renovação da moratória sobre transações do comércio eletrônico, vigente desde 1998. Muitos países são contrários a esta moratória, que amarra a possibilidade de políticas regulatórias, especialmente com a expansão desenfreada da inteligência artificial.

O mundo entre o dólar e o renminbi, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

O processo de internacionalização da moeda chinesa começou com a adoção da moeda para financiar e liquidar o comércio, antes de seu uso ser estendido às transações financeiras

O jornal chinês China Daily publicou um artigo sobre as relações financeiras e monetárias entre a China e o Brasil. Informa o jornal que o Ministério da Fazenda do Brasil entregou sua carta de intenções para a emissão de títulos Panda à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro (NAFMII), em cerimônia em Pequim, com a presença de autoridades da China e do Brasil, para marcar a iniciativa.

Um título panda é um instrumento de dívida emitido em renminbi por governos ou instituições estrangeiras no mercado de capitais onshore da China.

A ordem que o mercado desfez, por Luiz Schymura

Valor Econômico

O verdadeiro desafio não é escolher entre estabilidade e concorrência, mas construir uma regulação capaz de preservar ambas

Todo mercado muito concentrado desenvolve uma gramática própria. Não apenas domina preços e margens, mas também define o que é produto legítimo, quem é contraparte confiável, quem tem direito de ser ouvido. O regulador, formado por essa gramática e por ela avaliado, tende a regular dentro dos parâmetros que o incumbente já aceitou. A concentração raramente precisa capturar o Estado de forma explícita. Em geral, basta estar presente o suficiente para que o Estado aprenda a enxergar o setor pelos olhos de quem sempre o controlou.

Projeto 2030, por Merval Pereira

O Globo

Há sinais claros de que pelo menos parte ponderável da direita já abriu mão da candidatura de Flávio Bolsonaro

Quando os projetos imediatos perigam, há os que desistem deles e os que se preparam para os desafios seguintes. No futebol como na política, vemos dois casos de planos adiados para 2030. Na corrida para a Presidência, há sinais claros de que pelo menos parte ponderável da direita já abriu mão da candidatura de Flávio Bolsonaro e se prepara para disputar o controle do segmento político com os bolsonaristas. Flávio está na situação especial de ser o candidato para perder. Seus aliados preferem perder com ele a ganhar com outro. O ex-presidente Jair Bolsonaro o escolheu para manter na família o controle da direita, submetendo a direita democrática aos desígnios da extrema direita bolsonarista.

IA conversa indiferente à ironia e ao humor, por Fernando Gabeira

O Globo

Alguém como Trump, com os poderes da inteligência artificial, se tornará muitas vezes mais perigoso

Estou lendo “O império da IA”, de Karen Hao, lançado no Brasil pela Rocco. O que me impressiona na origem desse fantástico movimento é o entusiasmo, o brilho nos olhos das pessoas que julgavam fazer algo muito importante para a humanidade. E, logo depois, como em quase todos os núcleos revolucionários, ver como os bons sentimentos são triturados pela realidade, com as dificuldades financeiras e a batalha de egos.

O período romântico coincidiu com a OpenAI, a perspectiva de um trabalho sem fins lucrativos. Mas as crescentes necessidades de aporte financeiro derrubaram o sonho. No momento em que deixaram a fase altruística, surgiu o primeiro grande racha. Elon Musk não aceitou uma empresa que não fosse dirigida por ele. E rompeu a parceria com Sam Altman, o grande nome por trás da iniciativa.

Trump contra o mundo e o Brasil, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump repete Mussolini, intervém na Fifa e ataca juiz brasileiro em meio à tensão Brasil-EUA

A interferência de Donald Trump na submissa Fifa, para anular a expulsão de um jogador norte-americano e jogar suspeitas sobre um juiz brasileiro, é um escândalo internacional, que confirma a velha prepotência dos EUA, potencializada por Trump, e ocorre num momento de tensões e decisões nevrálgicas entre Brasil e EUA.

A ação de Trump e a suspeita sobre o árbitro Raphael Claus jogam uma pitada de pimenta no que já está ardido. Nesta segunda-feira, começou em Washington a audiência pública em que representantes brasileiros apresentam argumentos e dados concretos contra novas sanções comerciais.

Intervenção do bem no Rio, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Edson Fachin marcou para 19 de agosto a retomada do julgamento sobre como será – seria – a eleição para mandato-tampão de governador no Rio de Janeiro. Seria; porque não será. Palhaçada teatral destinada a cumprir, como se sob rito legal, o que foi decisão autoritária tomada no instante em que Cláudio Castro renunciou ao Guanabara, em março. Haverá eleição suplementar nenhuma, direta ou indireta. E todo mundo sabe disso.

Direita dá tiro no pé ao focar impeachment do STF, povão quer fim da 6x1, diz nova líder de Lula no Senado, por Augusto Tenório e Raphael Di Cunto

Folha de S. Paulo

Teresa Leitão afirma que redução da jornada será trunfo eleitoral mesmo se não for aprovada

Substituta de Jaques Wagner, ela diz que antecessor se dedicará à defesa e que PF tem liberdade para investigar

Brasília - A nova líder do governo Lula no SenadoTeresa Leitão (PT-PE), afirma que a direita dará "um tiro no pé" ao apostar no impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) na campanha para o Senado neste ano e que o fim da escala 6x1 será um trunfo eleitoral para os candidatos de esquerda, mesmo se a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) não for aprovada antes das eleições.

"A direita vai dar um tiro no pé ao dizer que quer se eleger para fazer impeachment de ministros. O que é que o povão sabe disso? O povão sabe da PEC, 80% sabem da PEC, sabem o que é que ela vai mudar na sua vida", afirma Teresa Leitão em entrevista à Folha. "Cinegrafista, diarista, maquiador, esse povo de serviços, tá todo mundo me perguntando quando é que essa PEC vai ser votada. Ela pegou no imaginário."

Futebol, conhecimento e tragédia, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Delay na TV em alguns casos funciona como simulação do dom da clarividência

Mas é um conhecimento do futuro do tipo trágico, que não comporta alteração

A eliminação precoce do Brasil na Copa me privará de um prazer que eu vinha cultivando secretamente: assistir aos jogos da seleção com delay. Eu confesso, sou um fã do delay. Em ambientes urbanos densamente povoados nos quais uma maioria barulhenta tem clara preferência por um dos times, o delay nos permite experimentar a sensação de conhecer o futuro. Eu sabia com antecedência de dezenas de segundos quais os ataques promissores do Brasil que se desenhavam na tela da TV que se converteriam em gol e quais os que terminariam frustrados. Se o delay mata o prazer da surpresa, ele também traz a tranquilidade de não sermos surpreendidos por eventos que não controlamos.

Michelle será culpada por eventual fracasso de Flávio nas urnas, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Evangélicos veem ex-primeira-dama como vilã, vítima ou força inquestionável

Sem o apoio de mulheres evangélicas, candidatura de Flávio fica vulnerável

Quem venceu a guerra entre Michelle Bolsonaro e os filhos de Jair? Por que ela se rebelou contra a campanha de Flávio Bolsonaro? Registrei algumas das narrativas —em que ela é vilã, vítima ou liderança vencedora.

Evangélicas mais à esquerda entendem que Michelle colhe o que plantou. Diante de tantos ataques, estaria sentindo na pele o que significa ser recatada e do lar. O tratamento seria educativo para quem desfruta das conquistas do feminismo enquanto defende a submissão da mulher no casamento.

Briga de família que derrubou presidente agora ameaça candidato, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A regra nos clãs no Brasil é se protegerem a fim de se perpetuarem nos espaços de poder

Os Collor de Mello e os Bolsonaro são exceções, cujas brigas não foram nem estão sendo boas conselheiras

fator família não é novo nem raro na política brasileira em boa parte composta por filhos que sucedem os pais e netos que se fazem a partir do legado dos avós. Quem está nessa lida há décadas hoje fala com fulano neto e conversa com beltrano filho do interlocutor original, herdeiro do mesmo sobrenome.

O inusitado, embora não inédito, são as brigas como essas que assolam a grei Bolsonaro. Na regra, os clãs se preservam para se perpetuarem. Daí a atenção ao furdúncio envolvendo Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro.

Trump deveria investigar o crime organizado na Alerj, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Cláudio Castro, Alexandre Ramagem e deputados estaduais aparecem em lista de propina

Na planilha do bicheiro Adilsinho está o pastor Márcio Poncio, suplente de deputado federal

Em 30 de junho, um dia antes de entrar em recesso, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —que ocupa o centro de uma investigação da Polícia Federal sobre a simbiose entre bandidos e parlamentares— aprovou 430 homenagens. Faltou a medalha Justo Veríssimo, com o nome do personagem de Chico Anysio ("Quero que o pobre se exploda!"), premiando o deputado mais corrupto.

Esperar o que da nossa seleção? Precisamos chamar o feito à ordem! Por Elias Gomes*

O técnico Carlo Ancelotti, em um dos momentos da sua chegada ao Brasil: “É 100% certo de que não sou um gênio e também é 100% certo de que não sou um tonto”. É importante cairmos na real e olharmos um pouco para trás e enxergarmos a precariedade resultante da politicagem que tem presidido o nosso órgão máximo do futebol – CBF, que vive à sombra da falta de transparência e do cartolismo arraigado e maléfico.

Para chegarmos ao atual técnico, tivemos outros 3 treinadores nesta fase de preparação, sendo dois deles interinos como Ramon Menezes e Fernando Diniz para chegarmos a Dorival Júnior que teve uma breve passagem. Esta sucessão de técnicos, demonstra instabilidade e de falta de planejamento por parte do órgão responsável pela nossa seleção, o que ajuda-nos a compreender o porquê do nosso insucesso nesta disputa da copa, pois não há lugar para improvisos ou amadorismo numa competição do porte de uma copa do mundo.

Poesia | Laços e Abraços, de Mario Quintana

 

Música | Marisa Monte - Aliança - Tribalistas

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editorais / Opiniões

Não faz sentido renovar subsídio ao carvão mineral

Por O Globo

Transição energética exige plano para desativar geração elétrica dessa fonte poluente e superada

É um paradoxo que o Brasil, país onde 88% da eletricidade é gerada por fontes renováveis — um dos percentuais mais altos do planeta —, ainda mantenha em sua matriz energética usinas térmicas a carvão mineral, que estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa. Embora respondam por algo como 1,4% da geração no país, elas custaram no ano passado R$ 1,22 bilhão em subsídios. Para piorar, um Projeto de Lei (PL) que tramita no Congresso, dos deputados Afonso Hamm (PP-RS) e Lucas Redecker (PSDB-RS), pretende estender tais subsídios até 2050, sob a alegação de que as usinas são um instrumento de segurança energética e econômica nas regiões carboníferas do Sul do país.

Disputa expõe rearranjos do bolsonarismo, por Joelmir Tavares

Valor Econômico

Conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro acelera corrida pelo espólio político do ex-presidente

A troca pública de críticas entre o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs uma disputa pelo espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro e lançou dúvidas sobre o futuro do bolsonarismo, no momento em que sua principal liderança está impedida de atuar publicamente como um árbitro e a pré-candidatura do clã à Presidência, liderada por Flávio, enfrenta obstáculos.

Na visão de especialistas que pesquisam movimentos de direita, a crise não deve significar o esvaziamento do bolsonarismo como força política, mas acirra a briga por espaço e reorganiza segmentos que se aglutinaram em torno de Bolsonaro - hoje em prisão domiciliar, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a condenação por tentativa de golpe de Estado.

Numerologia já definiu quem será eleito, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Escolha de números de urnas é muito mais do que um recurso mnemônico para o eleitor

Num evento político no mês passado, o pré-candidato a governador subiu no palanque improvisado de um restaurante para declarar seu apoio a um correligionário. E afirmou: “Você será o meu candidato a deputado federal, e a prova disso é que o seu número de urna será XYXY”, onde XY é o número do partido deles.

Numa eleição em que centenas ou milhares de políticos se engalfinham pelas poucas cadeiras em disputa, ter um número de urna fácil de ser lembrado pelo eleitor é um ativo importante - ainda mais num país em que candidatos e partidos em geral têm baixa conexão com os cidadãos.

Mudanças no cenário indicam PIB mais forte em 2026 e mais fraco em 2027, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

O quadro de mais crescimento, mais inflação e mais juros neste ano terá consequências importantes para as projeções de desempenho da economia no ano que vem

Após um primeiro semestre atribulado, o cenário que se vislumbra hoje para a economia brasileira em 2026 tem algumas diferenças significativas em relação ao que se via há seis meses, o que deverá ter efeitos não desprezíveis sobre o quadro que se desenha para 2027. Neste ano, o PIB tende a crescer mais do que se imaginava no fim de 2025, avançando perto de 2%, a inflação será mais alta, atingindo um nível um pouco acima de 5%, e os juros deverão ficar perto de 14% ao ano - consideravelmente acima dos 12% a 12,5% projetados em dezembro do ano passado.

As reformas são necessárias, mas falta liderança, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

O Estado é disfuncional: gasta mais do que arrecada; gasta mal; é ineficiente na maior parte de suas políticas

‘Hoje nós temos uma convicção muito grande de que a República está podre. Hoje os Poderes estão contaminados com ineficiência, e isso acaba abalando a confiança da sociedade brasileira na República.’ O diagnóstico, contundente, é de Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foi enunciado na semana passada, quando o político assumiu a posição de vice na chapa do ex-governador Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente. Caiado não deixou por menos. Disse que a política brasileira está tomada por práticas de corrupção, negociatas e acordos ilegais e imorais. A imprensa registrou, o mundo político tomou conhecimento... e ficou por isso mesmo.

Saber do país vai além do ‘soft power’, por Preto Zezé

O Globo

Brasil desenvolveu formas originais de organizar pessoas, gerar confiança e resolver problemas complexos

Nos últimos meses, uma cena tem se repetido nas redes sociais. Vídeos sobre o Brasil viralizam em diferentes idiomas. Milhões falam de nossa música, nosso futebol, nossas festas e jeito de viver. Em Bangladesh, a Seleção Brasileira mobiliza uma paixão que atravessa gerações. O funk domina pistas na Europa. O samba continua sendo um idioma universal. Norte e Nordeste passam a ocupar um novo lugar no imaginário global, como territórios de cultura, turismo e inovação.

Mais fuzis do que pás na Venezuela, por Demétrio Magnoli

O Globo

A segurança da camarilha no poder, não o auxílio às vítimas dos terremotos, é a prioridade absoluta do governo

Não faltou ajuda internacional. No socorro às vítimas dos terremotos na Venezuela, engajaram-se 17 países com equipes de resgatistas, especialistas, equipamentos, hospitais de campanha. Mas, diante de tragédias naturais de grandes proporções, nenhuma operação humanitária externa substitui eficientemente os recursos internos. À medida que passavam as horas e os dias, ficou patente o colapso estatal venezuelano.

O regime chavista dilapidou sistematicamente os bens públicos ao longo de anos. Na hora da catástrofe, as vítimas foram deixadas à própria sorte por uma camarilha habituada apenas a roubar e reprimir. Faltou tudo, inclusive combustível, num país que se jacta de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta.