quinta-feira, 16 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Excessos puseram a perder a CPI do Crime Organizado

Por O Globo

Embora relator tenha apresentado argumentos para indiciar ministros do Supremo, nenhum era suficiente

Depois da rejeição do relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento por crime de responsabilidade de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, o momento exige comedimento das autoridades. Houve excessos de Legislativo e Judiciário, e nada seria pior do que manter um clima de ataques, ameaças e xingamentos, que, além de desalentador, é contraproducente.

No Legislativo, a CPI ficou muito aquém do esperado. Pouco avançou na exposição dos mecanismos usados pelo crime organizado. Não revelou nenhuma novidade surpreendente sobre as ramificações de PCC, CV, milícias e outras organizações criminosas. Num momento em que a segurança desponta como maior preocupação dos brasileiros, o Senado perdeu uma oportunidade de responder aos anseios das ruas.

Revelações sobre ex-presidente do BRB explicam insistência para negócio tão danoso, mas há muito a esclarecer, por Míriam Leitão

O Globo

prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, conhecido como PH Costa, e do advogado Daniel Monteiro, homem de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro, na quarta fase da operação Compliance Zero, ajuda a esclarecer o que ocorreu dentro do Banco de Brasília (BRB). A investigação da Polícia Federal identificou que PH Costa recebeu propina do Master e que lavou esse dinheiro com a compra de imóveis de luxo, entre eles um apartamento no edifício Vizcaya Itaim, próximo à Faria Lima, ainda em construção, com unidades à venda entre R$ 30,1 milhões e R$ 46,2 milhões, como mostrou a colunista Malu Gaspar. As investigações ainda estão em andamento, mas já se descobriu o suficiente como o papel do advogado nesse trabalho de lavar o dinheiro em compra de imóveis.

A apatia política, por Merval Pereira

O Globo

O confronto tribal entre lulismo e bolsonarismo, um duelo de rejeições que paralisa o país, está restrito a manobras eleitoreiras personalistas

A mais recente pesquisa Quaest revela, além dos números, uma apatia eleitoral que favorece o candidato da extrema direita, senador Flávio Bolsonaro. Jogando parado, ele vai crescendo na simpatia do eleitorado a ponto de estar, pela primeira vez, numericamente à frente do presidente Lula, que patina em torno dos 40% no segundo turno. Na eleição de 2022, não houve apresentação de programas, somente promessas vãs durante o horário eleitoral. Hoje repete-se a situação, com os dois principais candidatos se digladiando sem que haja uma discussão aprofundada sobre os problemas brasileiros.

Menos carne de paca e mais olho no centro, por Julia Duailibi

O Globo

Campanha de Lula deveria apertar o botão do ‘para’ e mudar a estratégia se quiser vencer

Pesquisa Quaest mostra avanço consistente de Flávio Bolsonaro (PL) entre os eleitores independentes, e essa é a pior notícia que o Planalto poderia ter no levantamento divulgado ontem. Uma vez que os independentes decidirão a eleição, a campanha de Lula deveria apertar o botão do “para” e mudar a estratégia, se quiser vencer.

A diferença entre os dois candidatos, que era de 16 pontos percentuais a favor de Lula no começo do ano, se inverteu e agora é de 7 pontos percentuais pró-Flávio. Ele lidera o segmento com 33% das intenções de voto ante 26% de Lula. Em janeiro, Flávio tinha 21% no grupo, ante 37%. A rejeição do presidente também é maior no segmento: 61% dizem que não votariam nele, e 54% não votariam em Flávio. Outra notícia ruim é o aumento do percentual de independentes dizendo que Lula não deve continuar na Presidência: em janeiro, eram 64%; agora são 71% — a margem de erro no grupo é de 3 pontos percentuais.

Lula, Flávio, as classes médias e a maldição de Marilena Chauí, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Pesquisa Quaest indica percepção negativa sobre o custo de vida e o poder de compra, especialmente entre os segmentos de renda intermediária

Desde o golpe de 1964, a esquerda brasileira tem dificuldade de compreender o comportamento das classes médias na política. À época, a deriva à direita desses segmentos da população deu base social ao golpe militar, inviabilizando qualquer resistência do governo João Goulart. Também foi o apoio das classes médias, devido ao chamado “milagre econômico”, que garantiu o grande respaldo obtido pelo governo fascista do general Emilio Médici na sociedade.

A volta do pêndulo se deu apenas em 1974, em consequência do primeiro choque do petróleo, do fracasso econômico do general Ernesto Geisel e da alta da inflação, que atingiu indistintamente a grande massa de assalariados, inclusive os de classe média. O resultado foi uma surra do MDB no partido do governo, a Arena, em novembro daquele ano. Historicamente, a noção de “classes médias”, no plural, é central para compreender a política brasileira.

Brasília, entre a trégua e a pizza, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Entre a rejeição do relatório da CPI e o favoritismo de Messias, os Três Poderes fazem acordos que não ficarão incólumes às eleições

Em breve se saberá se o que se viu esta semana em Brasília foi o arranjo de uma trégua ou a preparação de uma pizza. Um e outra têm consequências distintas para o poder a ser disputado em outubro e, como causa, ou, pelo menos, uma delas, a busca (desastrada) por sua excelência, o eleitor.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) desentendeu-se com o governador do seu Estado. Não conseguiu vaga para a recondução de seu mandato na chapa de Fábio Mitidieri (PSD) à reeleição. O isolamento favoreceu uma estratégia sôfrega de pesar a mão no relatório da CPI do crime organizado. Todos fazem comissões de inquérito de palanque eleitoral, mas, até para isso, precisam de aliados.

O Brasil diante do risco de ficar mais para trás, por Assis Moreira

Valor Econômico

Há necessidade de um choque de reformas diante de um cenário internacional cada vez mais desafiador

Em 2011, o PIB per capita do Brasil era equivalente a apenas 31,18% da média daquele dos 19 países mais ricos. Dez anos depois, caiu para 26,44%, com o nível de desenvolvimento socioeconômico do país ficando mais distante de convergência com grandes economias.

Após a pandemia de covid-19, o Brasil registrou forte crescimento da economia, mas a diferença de PIB per capita em relação aos países da OCDE continua significativa. Em 2024, o PIB por empregado no país era 73,33% menor do que a da média nos principais países desenvolvidos.

Crônica de uma guerra estúpida, por José Vicente Pimental*

Correio Braziliense

No seu triunfalismo midiático, Donald Trump vai logo cantando vitória e exigindo a subserviência dos adversários. Desta vez, porém, patenteou-se a miopia de sua estratégia

Ormuz estava aberto para cargueiros de todas as bandeiras. Os preços do petróleo mantinham-se em patamar estável, o que favorecia compradores asiáticos, vendedores árabes e o mercado global. Eis que Netanyahu convence Trump de que chegara o momento de aniquilar os aiatolás, que teriam perdido apoio popular ao reprimir os protestos populares de fevereiro. Movido por empáfia e hubris, Trump despejou bombas no território iraniano e matou Khamenei. Só que o filho assumiu e, em vez de se render, fechou as duas pontas do Estreito.  

A constelação obscura se partiu, por Eugênio Bucci*

O Estado de S. Paulo

Orbán foi o que podemos chamar de significante inaugural na composição da rede de líderes nacionalistas, antidemocráticos e reacionários que empesteia o planeta

A derrota eleitoral de Viktor Orbán, na Hungria, no domingo passado, é um acontecimento de proporções globais. A barulhenta repercussão na imprensa internacional atesta o que digo aqui, mas uma das razões da magnitude desse fato ainda não foi exposta. Vale um artigo.

Muito se disse que Orbán era o centro europeu da estratégia da ultradireita na Europa. Verdade. Ele procurava seus aliados entre os que sabotam consistentemente o Estado Democrático de Direito. Como um agente duplo (um carro flex, uma lente multifocal ou um chip ambivalente), pactuou com Donald Trump e com Vladimir Putin, simultaneamente. Tirou vantagens e as devolveu. Cuidou de atrapalhar, de embolar e de descosturar o apoio europeu à Ucrânia, em manobras que a Casa Branca e o Kremlin, por interesses distintos, agradeceram.

‘No pasarón’, por William Waack

 

O Estado de S. Paulo

A crise entre os Poderes, com o Supremo e o Executivo unidos, está escalando

A operação de salvamento do STF da atual crise de credibilidade e legitimidade parece baseada em ordens que se tornaram célebres na história militar. Por não funcionarem. “É proibido recuar”, diz a ordem, geralmente dada quando não se sabe mais o que fazer.

No caso do STF, é preciso saber se há contingentes suficientes para cumprir essa ordem. Não há mais uma direção central dizendo por onde caminhar. E as diferentes posturas para sair da crise estão aprofundando um racha inédito. Pelo menos uma ala dentro da Corte acha que fincar o pé no lugar é uma postura fatal.

Quem tem medo de André Mendonça? Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministros do STF acreditam que relator das investigações sobre o Master poupará colegas

A pergunta que paira sobre Brasília é: qual o tamanho da delação de Daniel Vorcaro? Ao mesmo tempo, outra dúvida ronda o Supremo Tribunal Federal (STF): André Mendonça vai partir com tudo para cima dos colegas nas investigações sobre o Banco Master, ou vai poupá-los?

A resposta à primeira dúvida ainda é desconhecida. Vorcaro segue negociando a colaboração premiada com a PF e a PGR. Gente com acesso ao caso acredita que a delação ficará pronta a partir de maio, margeando o processo eleitoral.

E o dólar vai deslizando, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Nesta semana, a cotação do dólar resvalou para abaixo dos R$ 5, patamar que não se via havia mais de dois anos. Ontem, fechou a R$ 4,9922. Em doze meses, a queda do dólar em relação ao real alcança 15,16%.

Como a economia brasileira continua carunchada pelo rombo nas contas públicas e a dívida vai galopando para acima dos 80% do PIB, cabe entender de onde vem essa força do real e examinar suas consequências.

Tem a fraqueza do dólar, que pode pesar mais do que a força do real. As despesas do governo Trump só vêm aumentando e o déficit por lá preocupa. Não dá para ignorar o movimento de redução das aplicações em títulos da dívida dos Estados Unidos pelos países que detêm volumes altos de reservas. O enfraquecimento do dólar em relação ao euro ao longo deste ano alcança 4,3%.

Tarcísio não é um moderado, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Polícias de SP mataram em média duas pessoas por dia neste ano

Abusos policiais não têm nada a ver com combate ao crime

As polícias paulistas nunca foram tão violentas quanto hoje sob Tarcísio de Freitas, ao menos desde o início da série histórica, há 30 anos. Entre outubro a dezembro de 2025, policiais em SP mataram 276 pessoas, o trimestre mais sangrento desde 1996, quando se iniciou a contagem. Em 2026, policiais paulistas mataram uma média de duas pessoas por dia, 130 ao todo entre janeiro e fevereiro, um aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Blusinhas', mentira do Pix e INSS assombram Lula, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente pede ideias para mexer em imposto de importação sobre compras até US$ 50

Estão em estudo também medidas de crédito para caminhoneiros, taxistas e inadimplentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer algo a respeito da "taxa das blusinhas", o imposto federal de 20% sobre importações no valor de US$ 50, regulamentado em junho de 2024. A possível providência faria parte do jorro entre apressado e improvisado de medidas eleitorais. O governo está aflito com a inesperada baixa extra do prestígio presidencial —inesperada ao menos para o governismo.

Pesquisas de opinião indicam que o tributo ficou atravessado na garganta do povo até hoje. Há revolta mesmo contra a fiscalização do Pix, medida técnica e meritória que, na propaganda mentirosa e esperta da direita, foi pintada em janeiro de 2025 como um primeiro passo para a tributação dessas transferências de dinheiro, que levaram o povo miúdo para o sistema financeiro.

Está inaugurada a temporada das bondades eleitorais, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Como se não houvesse amanhã, governo de plantão e Congresso usam período para acelerar benesses

Há quatro anos, no dia 14 de abril, manchete da Folha estampava: 'Bolsonaro decide dar aumento de 5% a servidores e militares'

Está inaugurada a temporada das bondades eleitorais. O governo de plantão e o Congresso usam esse período para acelerar a adoção de benesses como se não houvesse amanhã.

Essa não é uma ação particular do governo Lula. Uma pesquisa simples das manchetes dos jornais deste mesmo período do ano, em 2022, mostra medidas adotadas pelo então presidente Jair Bolsonaro para angariar apoio à sua reeleição.

A insanidade tomou a Casa Branca, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Nação mais poderosa do mundo é conduzida por um desvairado

Ao contrário das autocracias, democracias têm recursos para conter aspirantes a ditadores

Não poderia ter acontecido, mas aconteceu. A nação mais poderosa do planeta passou a ser conduzida por um desvairado. A lista dos desatinos de Donald Trump é estarrecedora. No plano interno, desorganizou a administração pública; desencadeou o terror contra os imigrantes; ameaçou as melhores universidades; pôs em xeque a pesquisa científica; chantageou a mídia e espalhou a incerteza sobre o que está por vir.

Já no plano externo, virou de ponta-cabeça o comércio mundial; tratou aliados como inimigos; ameaçou anexar nações soberanas; invadiu a frio uma, a Venezuela, e sequestrou seu ditador; iniciou a guerra que incendeia o Oriente Médio; xingou o papa.

Trump, o Jesus de hospício, por Rui Castro

Folha de S. Paulo

Já não basta a Trump ser o homem mais poderoso deste mundo; quer ser o do outro também

Para a psiquiatria nos EUA, seu caso já é de camisa de força e doses triplas de sossega-leão

Quais são os mais populares heróis de hospício? Perdão, quais são as figuras históricas que pessoas mentalmente comprometidas mais são dadas a interpretar nas casas de repouso? Pelos compêndios, os campeões são Napoleão, Sherlock Holmes, Elvis Presley e Jack, o Estripador. Para as mulheres, Cleópatra, a rainha Elizabeth e Marilyn Monroe. Mas há uma figura que supera todas as outras, e que a ciência já nem considera: Jesus Cristo.

Os Cadernos do Cárcere de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido, por Marco Mondaini*

A terra é redonda

As cópias anotadas dos Quaderni del Carcere de Gramsci pertencentes a Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido, descobertas na Unicamp, revelam ênfases distintas: o primeiro nos processos históricos europeus, o segundo na literatura e na práxis política

A descoberta

Tudo começou numa terça-feira, 17 de março, do ano em curso. Acabara de chegar à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o início de um pós-doutorado junto ao seu Departamento de Sociologia, sob a supervisão do professor Marcelo Ridenti, que gentilmente me convidou a acompanhar uma visita guiada – com a sua turma de graduação da disciplina Pensamento Social do Brasil – à Coleção Sérgio Buarque de Holanda, na Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho.

Adquirida pela Unicamp em 1983, logo após o falecimento do autor de Raízes do Brasil, em 24 de abril de 1982, a coleção é composta por aproximadamente 10 mil volumes, dentro de um espaço que procura reconstituir o escritório de Sérgio Buarque, com a sua escrivaninha, cadeira de repouso e máquina de escrever.

Vantagens da oposição nas opiniões aferidas nas pesquisas, por Vagner Gomes*

A ninguém escapa a observação d’este facto curioso que toda oposição, por mais inexplicável, ou impura, que seja a sua origem, com o andar do tempo, vai gradativamente ganhando a simpatia pública. A meu ver, não é difícil encontrar a explicação de tal fenômeno. Pensam em geral que o público é oposicionista por índole. Mas não, o que o público é por índole, desde que não entre em questão o imediato interesse dos indivíduos que o compõem – é amigo da virtude, e, para mim, é regra que a oposição é virtuosa. Esta regra terá exceções, mas não deixará de ser uma regra.

Assis Brasil, Democracia representativa, 2022, p. 113¹

Não faltaram os avisos de que o atual incumbente presidencial não seguiu os caminhos políticos que o elevou ao terceiro mandato. A Frente Ampla foi assumida como uma tática eleitoral em 2022 deixando a cultura política da Aliança Democrática (vitória no Colégio Eleitoral em 1985) a intermitentes referências. A governança esteve “anos luz” de distância da política de Frente Democrática, portanto ela não está esgotada diante da política sectária de sobrevivência de uma máquina partidária que empurrou um senhor conservador filho de Dona Lindu a proferir opiniões de uma pluralidade de “bolhas”.

Poesia | Capinan - Te esperei - com violão de Gerado Azevedo

 

Música | Edu Lobo e Maria Bethânia - Cirandeiro (Edu Lobo e José Carlos Capinam)

 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

Modernizar portos é essencial para segurança

Por O Globo

Quadrilhas do narcotráfico se aproveitam de atraso para exportar droga e financiar atividades ilegais

Um país acossado por organizações criminosas transnacionais que dependem das rotas do tráfico para enviar drogas ao exterior deveria vigiar melhor seus portos. Lamentavelmente, não é o que acontece. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) publicado no mês passado ressalta que as autoridades enfrentam fragilidades tecnológicas, falhas de coordenação institucional e a falta de uma estratégia nacional integrada para combater o narcotráfico, como mostrou reportagem do GLOBO.

CPI e o ‘axioma de Alcolumbre’, por Vera Magalhães

O Globo

Senadores da CPI do Crime Organizado desperdiçaram uma chance de apontar o bloqueio erigido para abafar as investigações

A CPI do Crime Organizado não avançou uma casa decimal na elucidação dos mecanismos de atuação e expansão do crime organizado. Também não conseguiu aprovar seu relatório final. Mas logrou êxito numa empreitada cada vez mais rara nos dias de hoje: uniu o comando do Congresso, o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do mesmo discurso. Uma façanha e tanto!

É o que acontece quando se decide lacrar, em vez de trabalhar. O relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira e derrubado pelo colegiado era uma excrescência do começo ao fim. Explicitou o fracasso da comissão ao tentar aquilo que era sua finalidade — investigar as facções criminosas — e deixa claro que o objetivo oculto de seus condutores era, na verdade, chegar aos ministros do STF, algo que não tem sido possível por meio de uma CPI específica ou dos inúmeros pedidos de impeachment embarreirados pelo comando do Senado.

Um bolsonarista na rede do ICE, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em janeiro de 2025, pousou em Manaus o primeiro avião com brasileiros deportados pelo governo de Donald Trump. Os imigrantes viajaram algemados e acorrentados, mesmo sem histórico criminal.

Questionado sobre o assunto, Jair Bolsonaro disse que o republicano estava “fazendo a coisa certa”. “No lugar dele, eu faria o mesmo”, defendeu.

Quinze meses depois, um aliado do capitão caiu na rede do ICE. Alexandre Ramagem foi preso, fichado e recolhido a uma penitenciária em Orlando. Segundo as autoridades americanas, ele desembarcou com visto de turista e ignorou o limite de seis meses de permanência no país.

A fila do INSS assombra o Planalto, por Elio Gaspari

O Globo

Atropelado por pesquisas amargas, o governo demitiu o presidente do INSS e atribuiu a iniciativa à lentidão do instituto para reduzir o tamanho da fila de segurados que esperam pelo atendimento de seus pleitos.

Contem outra, doutores. Em 2023, quando Lula chegou ao Planalto, a fila era de 1,2 milhão de pessoas, e o presidente chamou-a de “vergonhosa”. Em março passado, ela tinha 2,8 milhões de vítimas.

As pesquisas estão amargas porque o governo não tem uma marca e, para piorar, é ruim de gestão. No caso da fila do INSS, esse defeito da máquina atinge sobretudo o andar de baixo. Estimando que cada segurado irradie seu descontentamento a outras três pessoas, a inépcia atingiu mais de 8 milhões. Durante todo o Lula 3.0 não houve um só dia em que ficou abaixo da “vergonhosa” marca deixada por Bolsonaro. Tudo que o governo ofereceu foram promessas descumpridas.

Ideia perigosa, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, um sistema nacional público único de educação básica faria do Brasil uma das cinco maiores economias globais

O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um "andar de cima", formado pela elite rica, e um "andar de baixo", composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.

Riqueza & luxo, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

São ideais de vida neste nosso mundo de desencantamento lunar e de bilionários que vivem a vida como um negócio. A variante brasileira, que amarra a burocracia do capital financeiro à esperteza malandra dos favores pessoais e do populismo salvacionista, subtrai o que os inventores do capitalismo chamam de “work” – ação, invenção e movimento – base desse modo de enriquecer.

Isso explica por que, no Brasil, o luxo vence a riqueza, pois, entre nós, trabalhar ainda é castigo. Significados rotineiros numa sociedade de base histórico-cultural, escravagista.

Nela, aspira-se ao luxo e à riqueza com pouco ou sem trabalho. Dizem que ficamos ricos trabalhando, mas ficamos podres de rico com a ajuda de amigos do peito com quem trocamos favores. É isso que o noticiário estampa, e nós fingimos surpresa e indignação...

Lula está em busca da ‘bala de prata’, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Bet virou o botequim dos novos tempos e governo quer restringir apostas ao renegociar dívidas

O governo Lula quer aproveitar a proximidade do 1.º de Maio, Dia do Trabalho, para anunciar o programa de renegociação das dívidas no cartão de crédito, empréstimo consignado e cheque especial. Na avaliação do Palácio do Planalto, é o endividamento das famílias que tem derrubado a popularidade do presidente Lula, cenário que põe em risco a sua reeleição.

Astronautas são enorme desperdício, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Missões espaciais tripuladas são até 200 vezes mais caras do que as robóticas

Se a meta é produzir conhecimento científico, prioridade deveriam ser sondas e telescópios

Foi bonita a festa. A Artemis 2 completou com sucesso sua missão de circunavegação da Lua e trouxe de volta consigo, além dos quatro astronautas intactos, vários feitos interessantes. Eles incluem fotos maravilhosas do satélite, novos conhecimentos científicos e o carimbo de "funciona" para tecnologias aeroespaciais recém-desenvolvidas. Avançando para o território dos intangíveis, a missão produziu novos heróis siderais, inspirou uma legião de crianças a interessar-se por ciência e serviu até para suavizar um pouco a imagem global dos EUA, tão castigada pelas trumpices.

Com derrota de Orbán, Trump se consolida como pé-frio em eleições, por Patrícia Campos Mello

Folha de S. Paulo

Candidatos alinhados ao americano perderam no Canadá, Austrália, Romênia e Hungria desde janeiro de 2025

Contraponto é América Latina, com vitórias de aliados do trumpismo em Argentina, Chile, Honduras e Bolívia

Com a derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán na Hungria neste domingo (12), consolida-se o histórico do americano Donald Trump de pé-frio em pleitos mundiais.

Candidatos e partidos alinhados a Trump perderam eleições no Canadá, na Austrália, na Romênia e na Hungria desde que o republicano assumiu, em janeiro de 2025. O único candidato apoiado por Trump que venceu foi o atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, em agosto do ano passado.

O contraponto foi a América Latina, onde políticos e legendas mais alinhados ao trumpismo venceram na Argentina, no Chile, em Honduras e na Bolívia.

PeruColômbia e Brasil serão os próximos testes da Doutrina Donroe na região. As eleições do Peru, também realizadas no domingo, devem avançar para um segundo turno em 7 de junho. A apuração de votos ainda está em curso, e a conservadora Keiko Fujimori lidera com margem apertada. O pleito da Colômbia, em que concorre um candidato de esquerda apoiado por Gustavo Petro, realiza-se em 31 de maio, e o do Brasil, em outubro.

Como reconstruir a democracia após Orbán, por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Derrota expõe paradoxo de sistema moldado para perpetuar maiorias que acabou viabilizando a alternância

Nova liderança terá de navegar instituições capturadas enquanto tenta reverter reformas que distorceram o sistema

Na manhã de uma segunda-feira de setembro de 2012, entrei no edifício da Assembleia Nacional húngara com os colegas do Parlamento Europeu —de que eu era então relator para o Estado de Direito na Hungria— para uma série de reuniões com os grupos parlamentares.

Com as então recentes alterações à lei da mídia e à composição do poder judicial introduzidas desde o regresso de Viktor Orbán ao poder em 2010, e com uma nova Constituição redigida apenas pelos deputados do Fidesz, o partido do primeiro-ministro, pensávamos ter assunto que chegasse.

Dívidas e a conta de Lula no vermelho, Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Conta da avaliação do governo presidente está no vermelho desde o início de 2025

Propaganda governista acha que é conveniente atribuir desprestígio a juros altos

De repente, passou a parecer que o principal motivo da baixa extra de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "endividamento" das famílias, palavra que vai entre aspas porque diz algo confuso ou nada, tal como tem sido empregada. A opinião pública convencional comprou a versão oficial.

Quem sabe parte do desprestígio extra de Lula se deva mesmo a dificuldades das pessoas com dívidas. A situação financeira de parte das famílias piorou e há indícios de insatisfação em certos levantamentos de opinião, mas não dá para cravar, por falta de pesquisa grande o suficiente.

Terrabras, uma ideia fora do lugar, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Secretário destaca crescimento econômico a ser proporcionado pela reforma e seu impacto sobre a arrecadação

Muito antes da chegada dos aplicativos de inteligência artificial que servem para eliminar o ex das fotos, o regime soviético fazia o mesmo, de forma analógica, com integrantes da cúpula política que caíam em desgraça. Essa foi a sorte, dentro do governo, da proposta de criação da Terrabras, estatal dedicada à exploração das terras raras e minerais críticos. Surgiu nos bastidores e logo desapareceu.

Segundo contaram à repórter Sofia Aguiar, deste jornal, a ideia foi deixada de lado pelo Planalto para não trazer desgaste neste período eleitoral.

Minas Gerais, o enigma da pré-campanha eleitoral, Por Fernando Exman

Valor Econômico

Mais uma vez, os políticos mineiros fazem jus à fama de esconderem o jogo com habilidade e discrição

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais é o enigma da eleição presidencial de 2026. Os principais pré-candidatos ao Planalto ainda não dispõem de palanques no Estado. Mais uma vez, os políticos mineiros fazem jus à fama de esconderem o jogo com habilidade e discrição, mesclando instinto de autopreservação com tática para enganar adversários.

Hoje, as belas paisagens de Minas não garantem sossego a ninguém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu convencer o senador Rodrigo Pacheco a filiar-se ao PSB, mas ainda não o viu lançar-se de fato na disputa ao governo estadual. O bolsonarismo está rachado, diante da possibilidade de o senador Cleitinho (Republicanos) ser candidato. E Ronaldo Caiado (PSD) vê seu partido com a máquina estadual nas mãos, mas não tem ainda garantia de que o governador Mateus Simões será seu cabo eleitoral.

Lula tem 39,2% das intenções de voto e Flávio registra 30,2% no 1º turno, diz pesquisa CNT/MDA

Por Reuters —  Valor Econômico

Presidente também fica à frente do senador em um eventual segundo turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial deste ano, mostrou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (14).

De acordo com o levantamento do instituto MDA contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), Lula aparece com 39,2% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30,2% de Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) tem 4,6%, Romeu Zema (Novo) soma 3,3%, Renan Santos (Missão) fica com 1,8% e Aldo Rebelo (DC) tem 1,5%.

Já em um potencial segundo turno, Lula soma 44,9% contra 40,2% de Flávio.

A pesquisa CNT/MDA vem após levantamentos recentes de outros institutos mostrarem Lula e Flávio empatados tecnicamente em um eventual segundo turno, com alguns deles colocando o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro numericamente à frente do petista.

No sábado, pesquisa Datafolha mostrou o senador numericamente à frente de Lula, com 46% das intenções de voto contra 45% do petista. Está prevista para a manhã de quarta-feira a divulgação de uma pesquisa da Quaest, contratada pela corretora Genial Investimentos, sobre a disputa presidencial deste ano.

Rejeição

O levantamento CNT/MDA, que pela primeira vez incluiu o nome de Flávio Bolsonaro nas simulações, apontou ainda que 47,4% declaram que não votariam em Lula, ao passo que 52,6% afirmam que não votariam no filho mais velho de Bolsonaro.

A pesquisa mostrou ainda que a avaliação negativa do governo Lula é de 37%, ante 36% na pesquisa anterior em novembro, enquanto 32% enxergam o governo de forma positiva, ante 34% na pesquisa anterior, e 29% avaliam como regular, mesmo patamar de novembro.

Ao mesmo tempo, 50% têm uma avaliação negativa do desempenho pessoal de Lula, ante 49% em novembro, enquanto 45% o avaliam de forma positiva, ante 48% na pesquisa anterior.

O MDA ouviu 2.002 pessoas entre os dias 8 e 12 de abril. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02847/2026.

Relatório de Vieira foi derrotado, mas escalou as tensões com o Supremo Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O susto passou, mas o desgaste é grande. O relator apontou supostas relações financeiras entre integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro

A CPI do Crime Organizado rejeitou o relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por 6 votos contrários e 4 favoráveis, encerrando os trabalhos do colegiado sem a aprovação de um documento final. O relatório propunha o indiciamento, por crimes de responsabilidade, dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Com a entrada em campo do Palácio do Planalto e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), houve mudanças na composição da CPI, com a entrada de parlamentares alinhados ao governo nas vagas de titulares. Três dos 11 membros titulares foram trocados. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). Além disso, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, foi designada membro titular.

CNT/MDA: Lula mantém liderança no 2º turno contra todos adversários

Por Amanda S. Feitoza / Correio Braziliense

Levantamento mostra disputa mais equilibrada contra Flávio Bolsonaro e margem mais ampla diante de outros adversários

Em um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o atual presidente aparece à frente, com 44,9% das intenções de voto, contra 40,2% do adversário, segundo pesquisa CNT de Opinião, divulgada nesta terça-feira (14/4). 

Apesar da vantagem, o levantamento aponta uma oscilação negativa de Lula, que perdeu quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em novembro de 2025.

Nos demais cenários testados, Lula mantém a liderança com maior folga. Contra Romeu Zema, o presidente registra 45,2%, enquanto o adversário soma 31,6%. Já diante de Ronaldo Caiado, Lula aparece com 44,4%, contra 32,7% do governador.

Pela primeira vez, o levantamento também simulou disputas de segundo turno com Aldo Rebelo e Renan Santos. Nos dois cenários, Lula volta a liderar: alcança 45,4% contra 29,1% de Rebelo e 45% diante de 28,3% de Renan Santos, consolidando vantagem sobre diferentes perfis de adversários.

Realizado em parceria com o Instituto MDA Pesquisa, o levantamento ouviu 2.002 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal entre 8 e 12 de abril. A sondagem também reúne informações sobre avaliação de governos, expectativas para emprego e renda, impacto das apostas on-line no endividamento, além da percepção sobre golpes virtuais, confiança nas instituições e os efeitos da guerra no Irã nos preços de combustíveis e alimentos no Brasil. A margem de erro de 2,2 pontos percentuais, com um índice de confiança de 95% — isso significa que o mesmo resultado será obtido em 95 a cada 100 pesquisas realizadas, com a mesma metodologia, dentro da margem de erro.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-02847/2026.

Presidente Lula concede entrevista para o Brasil 247, Revista Fórum e DCM

 

Poesia | Ascenso Ferreira - Misticismo

 

Música | Leila Pinheiro - Sinhá (João Bosco e Chico Buarque de Holanda)