quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil encontrou rumo no combate ao desmatamento

Por O Globo

É preciso celebrar índices melhores, mas país enfrenta outros desafios, como incêndios e criminalidade

É de bom augúrio a queda de 11% no desmatamento na Amazônia Legal em 2025 sobre o ano anterior, apurada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Se comparada a 2022, a perda de vegetação caiu pela metade. No ano passado, a área devastada foi estimada em 5.796 quilômetros quadrados, a menor em 11 anos e a terceira mais baixa da série histórica. Claro que a região ainda concentra problemas graves para além da questão ambiental, em particular o avanço do crime organizado, mas não deixa de ser um dado positivo.

Entrevista | Marqueteiro de Paes (PSD) vê Lula favorito, apesar de ‘dificuldades de sempre’

Por Camila Zarur / Valor Econômico

Ex-consultor de petista, Marcello Faulhaber considera escolha de Flávio certa

O marqueteiro Marcello Faulhaber é enfático nas previsões para as eleições deste ano. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será reeleito. “Com a dificuldade de sempre, no segundo turno e com pouca diferença, mas vai se reeleger”, diz, em entrevista ao Valor.

Coordenador das últimas campanhas do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e consultor na campanha de Lula em 2022, Faulhaber acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro acertou ao indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em vez de apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Olhando para os petistas, Faulhaber é crítico nas movimentações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O marqueteiro vê nas ações do chefe da equipe econômica do Planalto uma tentativa de forçar sua indicação para suceder a Lula - o que o transforma numa nova versão do ex-ministro e ex-senador José Serra (PSDB).

Por fim, na corrida ao governo do Rio, Faulhaber, que deve repetir a dobradinha com Paes, afirma que o único que pode atrapalhar o prefeito é ele próprio. “Depende dele”.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Articulação para vaga no STF ressurge pós-carnaval, por Fernando Exman

Valor Econômico

Expectativa é que presidente do Senado consiga fazer a carruagem avançar nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça uma afronta

Mais preocupado em não se atrasar para o próximo bloco, o folião que caminhou apressado neste carnaval no Rio de Janeiro pela rua Barão do Flamengo, entre a praia e a praça José de Alencar, certamente não se ateve ao fato de que onde hoje fica o edifício Simão Bolivar era a localização do famoso Hotel dos Estrangeiros. E com toda razão. Contudo, sua história e as dos personagens que o frequentaram cabem em uma quarta-feira de cinzas.

PPPs para hospitais e fábrica de vacinas, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Regras do jogo precisam estar sempre muito claras e firmes

Uma das políticas públicas mais bem-avaliadas na Bahia é o Hospital do Subúrbio, construído e operado no modelo Parceria Público-Privada (PPP). Foi inaugurado em 2010, quando o governador era Jaques Wagner (PT). Embora Rui Costa, que à época era secretário de Wagner, seja ministro da Casa Civil desde 2023 e tenha sob sua responsabilidade o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), só recentemente as PPPs de hospitais ganharam impulso no governo federal. A mudança veio quando Alexandre Padilha assumiu o comando da pasta de Saúde, em março de 2025.

STF diz que houve 'múltiplos acessos ilícitos' a dados fiscais de ministros e familiares

Por Tiago Angelo, Beatriz Olivon, Gabriel Shinohara, Estevam Taiar e Mariana Andrade / Valor Econômico

STF apura acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal com vazamento de dados sigilosos

O Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou em nota divulgada na terça-feira (17) que dados fiscais sigilosos de ministros e seus familiares foram acessados de forma irregular por servidores da Receita Federal, com o posterior vazamento das informações a terceiros, informou a Corte por meio de nota. Quatro suspeitos foram alvos de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, em uma decisão que dividiu o Tribunal por ser um desdobramento do inquérito das “fake news” e acabar envolvendo todos os magistrados.

O STF não disse quem seriam os donos dos dados vazados. Segundo apurou o Valor, no entanto, as informações coletadas ilegalmente seriam da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes cujas atividades profissionais ficaram em evidência devido ao contrato de seu escritório de advocacia com o banco Master, e de um filho de outro ministro.

Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A motivação ainda está em investigação pelos responsáveis pelo inquérito e pela própria Receita, se foi política ou se essas ações fazem parte de um esquema de venda de dados.

Quem são os suspeitos de terem vazado dados sigilosos de ministros do STF e familiares

Por Wendal Carmo /CartaCapital

Os nomes dos suspeitos foram divulgados pelo STF. Em nota, o tribunal disse que os vazamentos ocorreram para produzir ‘suspeitas artificiais’

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira 17, quatro mandados de busca e apreensão contra servidores públicos acusados de vazar dados sigilosos sobre ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus parentes. As diligências ocorreram em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Os suspeitos de terem acessado de forma ilegal informações sobre os magistrados seriam Luiz Antônio Martins NunesLuciano Pery Santos NascimentoRuth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Os nomes dos suspeitos foram divulgados pelo STF em comunicado à imprensa.

Alfabetização para a contemporaneidade, por Cristovam Buarque

Correio Braziliense

O primeiro analfabetismo a ser superado é o da proficiência escrita e falada da língua nacional. E o alfabetizado para a contemporaneidade precisa ter visão do mundo global atual, compreender os desafios do país e do mundo

Por muitos anos, prevaleceu a ideia de que o analfabetismo consistia em não saber soletrar uma palavra. Faz algum tempo, usa-se o conceito de analfabetismo funcional para quem sabe decifrar as letras, mas não compreende um texto mais complexo. A realidade atual revela outro tipo de analfabeto: aquele que sabe ler, inclusive textos, mas não está preparado para entender e participar do mundo contemporâneo. O analfabetismo é uma forma de escravidão, não apenas ao impedir a leitura de um texto, mas também quando dificulta a compreensão e participação profissional, política e cultural no mundo. Além de outros fatores, causa determinante da estagnação e da concentração da renda nacional está no analfabetismo dos conhecimentos necessários para elevar a produtividade e a eficiência de nossa população em todos os setores da economia.

Quarta-Feira de Cinzas no fogo do Master, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Um ambiente conflagrado e de desconfiança generalizada aguarda o retorno das atividades na Praça dos Três Poderes a partir desta Quarta-feira de Cinzas. Nem mesmo o carnaval conseguiu abafar o clima de guerra que predomina na relação entre o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) desde que estourou o escândalo do Banco Master.

Um desfile de equívocos, por Vera Magalhães

O Globo

Quem não vota em Lula não tem por que mudar de ideia depois do desfile eivado de obviedades, puxa-saquismo e boa dose de mistificação

O fuzuê armado com o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula é um daqueles episódios que envolvem enorme risco para todos os envolvidos, mobilizam fartamente pessoas, instituições e espaço na imprensa — e podem não produzir ganho para ninguém.

Para a escola, o que deve ter parecido uma jogada genial no momento da definição do enredo pode ser um tiro n’água. Diferentemente de outras agremiações que faturam alto com patrocínio estatal diante de enredos igualmente laudatórios e feitos sob encomenda, as restrições da Justiça Eleitoral acabaram por blindar os cofres públicos.

Trabalhadores do Brasil, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em prefácio a livro de discursos, presidente revê opinião sobre legado do antecessor

Em 1979, Leonel Brizola baixou em São Bernardo do Campo para visitar o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Queria atraí-lo para o projeto de refundação da legenda histórica do PTB.

Recém-chegado do exílio, o ex-governador discorria sobre as tradições do trabalhismo quando Lula o interrompeu com uma frase seca: “Getúlio ferrou o trabalhador”. A conversa acabou em constrangimento: o anfitrião nem se levantou da cadeira para se despedir.

Estrela do novo sindicalismo, Lula associava o nome de Vargas aos pelegos que dominavam a velha estrutura sindical corporativista e subordinada à ditadura. Chamava o ex-presidente de “pai dos pobres e mãe dos ricos” — uma heresia aos ouvidos de Brizola, que dizia representar o “fio da história” de lutas sociais rompido pelo golpe militar.

STF precisa fechar a delegacia, por Elio Gaspari

O Globo

Tudo aquilo de que o Brasil não precisa é um conflito entre a Polícia Federal e o Supremo

Uma série de circunstâncias jogaram o Supremo Tribunal Federal (STF) no olho de um furacão político que só amainou depois que os responsáveis pela trama golpista de 2022/2023 foram encarcerados. Nessa crise, escreveu uma de suas melhores páginas. Destacou-se nessa sucessão de episódios a figura do ministro Alexandre de Moraes.

Passado o furacão, o Tribunal embananou-se ao lidar com o caso do Banco Master e suas conexões políticas e financeiras. A reunião da semana passada, que tirou o ministro José Antonio Dias Toffoli da relatoria do caso, teve uma coreografia primorosa, mas não enganou ninguém. O propósito era afastar Toffoli, mas para enfeitar a cena avançaram em cima da Polícia Federal (PF).

Os genes egoístas de Trump, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pesquisadores propõem modelo neorrealista para entender ações de presidente dos EUA

Ele não defenderia interesses do país, mas os da família, como numa corte de monarquia absolutista

Trocar as lentes que utilizamos para interpretar fenômenos pode esclarecer muita coisa. Richard Dawkins promoveu uma pequena revolução conceitual na biologia ao destacar, em 1976, que são os genes, e não o indivíduo ou a espécie, a unidade fundamental sujeita à seleção natural. São os genes que buscam perpetuar-se e, ao contrário de indivíduos e espécies, que têm data mais ou menos marcada para morrer ou extinguir-se, podem perdurar pelo tempo em que existir vida na Terra.

Ao proteger o ninho, STF arrisca perder o que sustenta sua autoridade, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Corte parece não reconhecer o valor político do sentimento público

Ministros reiteram a fé em Toffoli como se a lealdade tribal pudesse alterar a percepção externa sobre o caráter

Há 30 anos, inicio minhas aulas sobre comunicação política na universidade explicando que, em nossa especialidade, não nos ocupamos diretamente dos fatos ou da realidade. Disso tratam sociologia, história, economia e jornalismo. Na comunicação política, explico, ocupamo-nos das aparências: do modo como as coisas parecem ser, da percepção pública dos fatos, das convicções que pessoas e grupos formam sobre a realidade —ou sobre aquilo que se convenceram que a realidade é.

Supremo sob estreita vigilância, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dias Toffoli saiu da relatoria do processo, mas o caso do Master não saiu das suspeições sobre o ministro

STF está sob o escrutínio da sociedade e da legalidade, assim como qualquer uma das instâncias de poder

Ao interromper as férias para tentar pôr um freio de arrumação na torrente de críticas ao Supremo Tribunal Federal, em janeiro, o ministro Edson Fachin alertou para a necessidade de a corte se conter, sob pena de ser contida por força de controle externo.

Estamos quase em março, com o país prestes a retomar um ritmo que neste ano nada tem de normal. Primeiro, porque 2026 começou antes da data habitual: quando o Carnaval chegou, pegava fogo na cena política o caso Master. Segundo, porque é ano de eleição com campanha para lá de antecipada.

Poesia | Reconciliação, de Goethe

 

Carmélia Alves - É de fazer chorar, de Luiz Bandeira

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Homenagem a Lula na Sapucaí teve ar de campanha antecipada

Por O Globo

Cabe ao TSE avaliar as punições que julgar adequadas para o desfile da Acadêmicos de Niterói

No ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende disputar a reeleição, a escola de samba Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, escolheu apresentar na Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Foi impossível disfarçar o tom de propaganda eleitoral antecipada, como pôde perceber qualquer um que tenha assistido ao desfile no domingo à noite.

O favoritismo de Lula em 2026, por Míriam Leitão

O Globo

Com bons números na economia, Lula chega como favorito na campanha. E Flávio tenta herdar o espólio bolsonarista

O ambiente econômico de 2026 é favorável ao presidente Lula. Inflação sob controle, juros em queda, dólar fraco, crescimento maior do que no governo anterior, desemprego baixo e melhoria da renda. E a disputa sempre favorece o incumbente. Nas quatro eleições em que o presidente, ou a presidente, concorreu no cargo, só Jair Bolsonaro perdeu. Apesar de a pesquisa ter mostrado que Flávio Bolsonaro herda parte importante do espólio do pai, ele não tem a mesma capacidade de mobilização nem conseguiu galvanizar a direita. O favoritismo nesta eleição é do presidente Lula.

Campo minado, por Merval Pereira

O Globo

Se esse enredo não é exemplo de propaganda eleitoral fora do prazo, muito difícil definir o que seja

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que abriu o carnaval do Rio no último domingo, foi uma afronta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à sociedade brasileira, exibição de poder político do incumbente, que já tem vantagens sobre seus concorrentes, a menor delas a possibilidade de concorrer à reeleição para presidente da República permanecendo no cargo. Esse certamente é um dos pontos corrigir na legislação eleitoral, impedindo que os candidatos a reeleição em cargos majoritários (presidente, governador, prefeito) possam permanecer neles durante a campanha.

Amanhã é um novo começo, por Fernando Gabeira

O Globo

Tudo se concentra na eleição presidencial. Mas é preciso advertir que o Congresso, no Brasil, tornou-se muito poderoso

Escrever numa terça-feira de carnaval amplia a latitude de um artigo político. Ainda mais porque faço hoje 85 anos. Amanhã, começa para valer o ano eleitoral. Poderia escrever sobre o debate entre grandes projetos políticos para o Brasil. Toda eleição, faço isso. Mas a experiência me diz: não vão rolar.

Para que perder tempo? Esta é a última eleição presidencial da minha vida. Com alguma sorte, a penúltima. Não adiantam grandes elucubrações. D. H. Lawrence afirma que é uma pena, ao lermos livros como “O futuro da América” ou “A situação da Europa”, não poder imaginar a pessoa gorda ou magra que dita o texto a uma estenógrafa com bobs no cabelo ou escrevendo, com caneta-tinteiro, marcas no papel.

Minha vida mudou, por Pedro Doria

O Globo

OpenClaw, o agente autônomo que atua em seu nome resolvendo coisas internet afora, não é ferramenta para qualquer um

Nas últimas duas semanas, minha relação com a inteligência artificial mudou radicalmente. Nesse compasso, mudou também minha relação com computadores, celulares e todos os outros instrumentos que fazem parte de nossa vida digital. Essa transformação, que a princípio me parece mais positiva que negativa, se deu por duas razões. Ou se dá — afinal, está em curso. Primeiro, é uma lenta migração do ChatGPT para o Claude, da Anthropic, que vem se tornando a IA que uso com mais frequência. Segundo, e simultaneamente, instalei o OpenClaw num computador extra.

A ONU aos 80 anos e o desgaste silencioso do direito internacional

Nasser Zakr  / Correio Braziliense

Sem instituições robustas, o direito internacional perde força normativa, e suas normas tendem a operar mais como orientações políticas do que como obrigações vinculantes

O aniversário da Organização das Nações Unidas oferece uma oportunidade para refletir sobre a fragilidade crescente de um sistema jurídico que se apoia na previsibilidade e na cooperação multilateral. Este texto não trata de reformas políticas específicas, mas do desgaste progressivo da autoridade jurídica internacional que sustenta o multilateralismo.

A ONU completa 80 anos em um contexto de interdependência crescente e de cooperação internacional sob tensão. Mais do que um espaço de concertação política, a organização constitui o eixo normativo em torno do qual se estruturam regras e práticas que orientam a convivência entre Estados. O aniversário permite, assim, examinar a erosão gradual de uma ordem jurídica concebida como universal e orientada pela primazia do direito. Trata-se de um momento que convida menos à celebração formal e mais à reflexão sobre os limites do sistema.

Lula vai à Ásia nesta terça-feira para fortalecer parcerias

Por Victor Correia / Correio Braziliense

Presidente participará de debate sobre Inteligência Artificial e pretende fechar acordos comerciais com Índia e Coreia do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca no início desta semana para mais uma viagem à Ásia, continente do qual se aproximou ainda mais em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos desde o ano passado. O petista visitará a Índia e a Coreia do Sul, com roteiro de sete dias, para tratar de temas como os impactos da inteligência artificial (IA), minerais críticos e a ampliação do comércio com os dois países, incluindo um acordo entre Mercosul e Índia e a abertura do mercado sul-coreano para a carne brasileira.

Os riscos da Sapucaí, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O carnaval do presidente Lula da Silva vai virar espuma. E se fosse Jair Bolsonaro?

A ida do presidente Lula à Sapucaí e a homenagem que recebeu da Escola Acadêmicos de Niterói são daquelas coisas que levantam debate, muitas vozes de especialistas, defesa dos governistas e críticas e ações da oposição, mas... é tudo espuma, pelo menos sob o ponto de vista jurídico. Só que a questão também é política.

É evidente que Lula tirou uma casquinha eleitoral do “maior espetáculo da Terra” e a escola ganhou visibilidade desproporcional na sua estreia no Grupo Especial. Mas fica nisso. Lula não deve sofrer punições nem deve ter conquistado um único voto e a escola corre o sério risco de ser rebaixada para a Série Ouro.

Lula antissistema, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O caso Master veio para ficar. Pautará os humores eleitorais em 2026, ministrado como capítulos de novela. Lula compreendeu a projeção de risco e decidiu botar o bloco discursivo na rua. Tenta se antecipar. Sabe que a forma como a crise é percebida tende a colar no governo de turno. Sabe que a crise pode mobilizar-animar o sentimento anticorrupção. Mais precisamente, o sentimento antissistema – que já decidiu eleição entre nós. O presidente é favorito à reeleição e aquele que tem mais a perder, sob quem se abriria o prejuízo de um chão de imprevisibilidade.

Advogados e cidadãos afastados do Judiciário, por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira

O Estado de S. Paulo

Calar o advogado é calar o jurisdicionado e ferir de morte a liberdade individual e a democracia

Os constituintes de 1988 atuaram visando a instituir um extenso arcabouço constitucional voltado para a proteção do homem brasileiro. Essa intenção se materializou no artigo 5.º da Lei Maior, que outorga direitos e garantias de amplo espectro e abrangência. A proteção visa a blindá-lo contra o arbítrio estatal, garantir-lhe atributos ligados à sua personalidade, honra, dignidade e faculdades com origem no próprio direito natural.

Todos os direitos inscritos no artigo 5.º devem ser exercidos de forma direta, sem limitações ou barreiras. Efetivá-los é exercer a cidadania.

Casos Master e INSS fazem de André Mendonça coringa na eleição, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Modo como ministro conduzirá os temas influenciará a percepção sobre os evangélicos

Envolvimento de cristãos com corrupção tem prejudicado reputação das igrejas

Um dos momentos marcantes do governo de Jair Bolsonaro foi a indicação de um ministro "terrivelmente evangélico" para o STF. Poucos anos depois, André Mendonça torna-se relator de dois casos que, segundo analistas, podem implodir a República.

O que esperar então de Mendonça? Tudo isso no ano em que Lula, aos 80 anos, deve enfrentar sua sétima campanha presidencial, possivelmente contra o filho do presidente que indicou um evangélico ao Supremo.

O contexto político, no entanto, traz sinais confusos. Duas figuras centrais do conservadorismo evangélico —Michelle Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia— foram decisivas para a aprovação de Mendonça e agora resistem à candidatura de Flávio.

Brasil está em modo eleitoral, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Governantes e candidatos passam a perseguir bandeiras que se transformem em votos

Risco é a adoção de políticas erradas ou menos eficazes do que poderiam ser se implementadas com calma

homenagem que uma escola de samba fluminense fez a Lula viola a legislação eleitoral? A escola, afinal, recebeu verbas federais (todas receberam) e o próprio presidente e ministros acorreram ao desfile, embora tenham exercido alguma discrição.

TSE, até aqui, agiu corretamente. Não proibiu o desfile, o que configuraria intervenção absurda na liberdade de criação artística, mas disse em alto e bom som que o petista correria riscos —daí a cautela do entorno presidencial. Veremos se isso vira um processo de abuso de poder político e econômico. Após as condenações eleitorais de Bolsonaro, o TSE está moralmente obrigado a ser rigoroso nessa matéria.

Egotrip faz Lula ultrapassar o limite da tolerância, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Afago no ego não compensa o prejuízo que Lula terá ao despertar atenção para o uso do cargo na campanha

Até o desfile-exaltação na Sapucaí, o presidente contava com o benefício de um ambiente de cegueira deliberada

Mais do que nunca é válido o conselho de Chico Buarque para que o governo do PT criasse o ministério do vai dar errado —o nome exato da pasta vocês sabem qual é— a fim de não escorregar em cascas de banana visíveis.

Gênio da música e da poesia, eleitor de admirador de Luiz Inácio da Silva, Chico fez o alerta há mais de vinte anos. Às vésperas do Carnaval, João Santana, marqueteiro dos tempos de glória, deu de graça uma lição: folia e política não se bicam.

Castro ameaça trair Bolsonaro pela primeira vida na vida, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Eleição indireta de governador-tampão motiva a discórdia

Desentendimento entre centrão e extrema direita paralisa o Rio

Na cabeça de Cláudio Castro, parecia a tramoia perfeita. Em maio de 2025, o governador indicou o vice, Thiago Pampolha, de 38 anos, para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas. "Thiago é novo, mas rodado", justificou.

O ardil permitiria que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, assumisse a máquina do Palácio Guanabara para disputar a sucessão. Um presente de cupincha. Castro não se dava bem com Pampolha, que de lambuja passou a controlar a Cedae, empresa de saneamento com receita anual de R$ 3 bilhões, hoje investigada por aplicações no Banco Master.

Poesia | Talvez o vento saiba, de Ivan Junqueira

 

Música | Getúlio Cavalcanti - Último Regresso

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Corrupção é nódoa persistente na imagem do Brasil

Por O Globo

Estagnação em ranking de percepção sobre combate aos corruptos prejudica investimentos

Se as instituições brasileiras que repeliram uma tentativa de golpe demonstrassem o mesmo vigor no combate à corrupção, o país subiria vários degraus no estágio de desenvolvimento. A corrupção endêmica se traduz em maior insegurança jurídica e em maior risco para os investidores. Infelizmente, o país tem se mostrado incapaz de combater essa chaga. E a percepção externa não melhora. Desde 2018, o Brasil está estagnado em patamar abaixo da média no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), calculado pela ONG Transparência Internacional. Em 2025, obteve 35 pontos numa escala de zero a cem, repetindo sua segunda pior nota. Num ranking liderado por Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84), ficou abaixo das médias das Américas e dos países pesquisados, ambas em 42 pontos. Com esse resultado, ocupa o 107° lugar entre 182 países. Vale lembrar que houve piora tanto na nota quanto na posição brasileira desde 2012, quando o índice foi criado.

Ausência de Janja da avenida contém críticos e reduz chance de ação eleitoral, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Participação da primeira-dama poderia levar o presidente a cruzar a linha tênue entre o direito de a escola homenageá-lo, referendada pelo TSE, e invadir a seara da propaganda eleitoral antecipada

A ausência da primeira-dama, Janja da Silva, da avenida no desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí contém a exploração, pela oposição, da homenagem da escola. A primeira-dama participou do ensaio da escola na semana passada e era aguardada no último carro alegórico. Chegou separadamente de Lula no desfile. Sua ausência apenas foi confirmada quando o último carro alegórico, que contava com sua presença, apareceu sem a primeira-dama.

Desfile de Carnaval em homenagem a Lula testa limites do TSE, por Fernando Exman

Valor Econômico

Em meados do ano, a Corte passará a ser comandada por dois ministros do STF indicados por Bolsonaro: o presidente será Kassio Nunes Marques e o vice, André Mendonça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no Rio de Janeiro neste Carnaval para checar com os próprios pés, a despeito dos alertas de aliados mais precavidos e da ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se o sambódromo carioca foi construído sobre solo rígido ou areia movediça.

O recado de Cármen Lúcia veio há poucos dias, quando o TSE julgava duas representações de partidos políticos de oposição por propaganda eleitoral antecipada contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenagearia Lula na noite de domingo (15).

Em decisão unânime, os ministros do TSE negaram o pedido de liminar: na visão do tribunal, não haveria naquele momento comprovação de delito eleitoral, como pedido de voto. Dessa forma, concluíram, a suspeita de possível ilícito futuro não poderia censurar uma manifestação artística.

A favela sonha, o Brasil não apoia, por Preto Zezé

O Globo

Falta coragem política para reconhecer que a desigualdade no país não é um acidente histórico, mas um projeto

Os dados da pesquisa Sonhos da Favela 2026, do Data Favela, desmontam uma das narrativas mais convenientes do país: a ideia de que a favela não tem projeto de futuro. Tem, sim. Ele é claro, objetivo e profundamente democrático.

A favela sonha com casa digna, saúde que funcione, escola capaz de preparar os filhos para a vida, renda estável e o direito básico de circular sem medo. Não há fantasia de luxo nem consumo desenfreado. O desejo é por estabilidade, normalidade, uma vida possível dentro das regras do jogo. O problema é que esses sonhos não encontram sustentação nas estruturas do Brasil.

Mais de seis em cada dez moradores de favela não têm renda fixa. Ainda assim, a vida acontece. O “corre” não é improviso, é método de sobrevivência. A favela aprendeu a funcionar apesar do Estado, não em parceria com ele. Quando tantos dizem querer organizar a vida financeira ou limpar o nome, o que aparece não é irresponsabilidade, mas maturidade econômica sem acesso aos instrumentos necessários.

A distância entre aspiração e política pública é evidente. A educação aparece como principal caminho de ascensão social, mas a infraestrutura educacional segue avaliada como regular ou ruim. A internet, condição básica para estudo e trabalho, ainda é instável para milhões. Esporte, cultura e lazer continuam escassos, apesar de seu papel central na formação, no pertencimento e na prevenção da violência. O discurso da meritocracia segue firme, mas o ponto de partida permanece desigual.

O mundo não acabou. Seguem os negócios, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Investimentos que estavam nos Estados Unidos começaram a procurar mercados mais lucrativos

A gente nem lembra, mas 8 de abril do ano passado foi um dia terrível para os mercados do mundo todo. No Brasil, a Bolsa despencou para 124 mil pontos e o dólar escalou para R$ 6. Nos Estados Unidos, os índices acionários também foram ao fundo do poço. O Nasdaq fechou perto dos 15 mil pontos, queda de 22% em relação ao início do ano. Desse dia em diante, tudo melhorou. Na semana passada, o Nasdaq passou dos 23 mil pontos. Por aqui, não foi diferente. O Ibovespa chegou a 190 mil pontos na semana passada, recorde histórico. E o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,15.

Mundo vive ‘momento Groenlândia’, por Demétrio Magnoli

O Globo

O presidente dos Estados Unidos alveja os três paradigmas da ordem do Pós-Guerra

“Mais de 80 anos após o início da construção, a ordem internacional pós-1945 liderada pelos Estados Unidos encontra-se, agora, sob demolição.” O diagnóstico é do Relatório de Segurança de Munique, texto-base para a conferência que reúne, desde 1963, autoridades e especialistas de mais de 70 países. O mais destacado “demolidor”, de acordo com o relatório, não é Xi Jinping ou Vladimir Putin, mas Donald Trump.

Quando o guardião vira o problema, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

A suspeição de Toffoli não é desvio isolado, mas sintoma de um desenho sem contrapesos

A crise envolvendo a suspeição do ministro Dias Toffoli não é apenas um episódio constrangedor para o Supremo Tribunal Federal. Ela expõe uma fragilidade estrutural do desenho institucional da Corte.

As raízes do problema remontam à Constituição de 1988. Ao Supremo não foi atribuída apenas a função clássica de guarda da Constituição. Os constituintes lhe delegaram também competências penais originárias para autoridades com foro privilegiado e o papel de instância revisora final de praticamente todo o sistema judicial. O resultado foi a concentração inédita de poder em um único órgão.

Esse acúmulo não decorreu de usurpação dos ministros. Foi uma delegação deliberada do próprio Legislativo. Em 1988, interessava aos constituintes uma Corte institucionalmente forte, capaz de controlar um Executivo também muito poderoso. Sabiam que maiorias legislativas formadas no pós-eleição dificilmente exerceriam controle efetivo sobre o presidente que ajudaram a sustentar. Precisavam, portanto, de um ator externo à dinâmica majoritária.

A Suprema Corte foi essa escolha. A consequência não antecipada foi a formação de um tribunal superpoderoso, com baixa capacidade de controle externo e incentivos crescentes à atuação estratégica e, em muitos casos, corporativa.

Entrevista | Indústria do crime desafia o poder

Por Vinicius Doria / Correio Braziliense

Bruno Paes Manso, cientista político e escritor de livros sobre o poder das milícias no Rio de Janeiro, critica a falta de integração política para combater grandes facções

O cientista político e escritor Bruno Paes Manso, um estudioso do tema da violência urbana e da atuação das milícias no Rio de Janeiro, alerta para o avanço do crime organizado no país, com quadrilhas cada vez mais bem estruturadas, ricas e com muito poder político. No momento em que o governo elege o combate às facções criminosas como "missão de Estado", Manso aponta para a importância de despolitizar o debate para que as estruturas federais e estaduais possam se unir, de forma coordenada e sem viés eleitoral, para dar resposta à sensação de medo da população.

Em ano eleitoral, Manso não tem dúvida de que o tema será o principal eixo de debate entre os candidatos a qualquer cargo, mas algumas ações deveriam, no entendimento dele, ser implementadas com mais rapidez. É o caso da aprovação do arcabouço legal que viabiliza a atuação conjunta das forças policiais federais e estaduais, previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e no Projeto de Lei Antifacção, que tramitam no Congresso, mas ainda não têm acordo entre os partidos para entrar na pauta de votações.