quinta-feira, 18 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Permanência de Ciro Nogueira no Senado ficou insustentável

Por O Globo

Se parlamentares continuarem inertes ante novas evidências da relação com Vorcaro, serão cúmplices

São estarrecedoras as novas revelações da Polícia Federal (PF) sobre a relação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e artífice de fraudes multibilionárias, com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP). É inaceitável a promiscuidade de líderes graduados do Congresso com um corruptor contumaz. À medida que o inquérito sobre corrupção e lavagem de dinheiro se aprofunda, acumulam-se evidências contra Nogueira. Torna-se a cada dia mais insustentável sua permanência no Senado. O que se sabe até o momento já é suficiente para abertura de processo de cassação por quebra de decoro, independentemente de decisão da Procuradoria-Geral da República sobre denunciá-lo.

Bancos centrais, juros e guerra, por Míriam Leitão

O Globo

A incerteza sobre os desdobramentos de um acordo no Oriente Médio e os efeitos do El Niño mantêm a economia em um cenário imprevisível

A economia apelidou de superquarta o dia em que Brasil e Estados Unidos decidem a taxa de juros. Engana-se quem pensa que o tema não tem emoção. Lá, na terra de Donald Trump, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, foi escolhido para baixar os juros. Teve que mantê-los e avisar que pode até subi-los no ano. Aqui, Gabriel Galípolo conduziu mais uma decisão unânime por um cortezinho, a terceira vez de uma queda de metade de meio ponto. De 0,25 em 0,25, a Selic foi para 14,25%. A guerra de Trump foi um tiro no pé dele e no nosso. Os juros poderiam ter caído muito mais este ano, não fosse o conflito no Oriente Médio.

Interpretação atrapalha, por Merval Pereira

O Globo

Divergências entre ministros, do STF, além de patéticas, ficam cada dia mais expressivas à medida que temas delicados, como o caso Master, entram na pauta

O excesso de subjetividades e interpretações constitucionais pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em suas decisões faz com que seus votos sejam com muita frequência incongruentes com a jurisprudência da própria Corte ou com decisões dos próprios magistrados. Houve um debate recente entre os ministros Dias Toffoli e André Mendonça em que o primeiro acusava seu colega de ter atribuído a ele, relator do caso, uma decisão que dizia não ter tomado. “O senhor está colocando no meu relatório palavras que eu nunca disse”, reclamou Toffoli. Mendonça rebateu: “Não estou não, estou lendo aqui”. Disse estar interpretando o voto. Toffoli reclamou que o voto era dele, e não fora aquilo que decidira. E fechou o debate: “Vossa Excelência interpreta meu voto, e eu interpreto o seu”.

Disputa eleitoral se dá em deserto de ideias, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Sem visão de futuro, pré-candidatos carecem de propostas inovadoras

A discussão programática faz diferença para a qualidade dos governos

A disputa presidencial rasteja em um verdadeiro Saara tropical.

Em entrevista a Pedro Doria, do Canal Meio, questionado qual político lhe servia de inspiração, o ex-governador Ratinho Jr, então pré-candidato à Presidência, citou ninguém menos que dom Pedro 2º (!).

Ronaldo Caiado, pretendente ao Palácio do Planalto pelo PSD, embora sua carreira política remonte aos anos 1980, com passagens pelas duas Casas do Congresso, só consegue falar de Goiás, que governou por dois mandatos.

O mineiro Romeu Zema, talvez por não se dar propriamente bem com o idioma, até agora foi incapaz de articular qualquer proposta que justifique sua ambição presidencial.

Sem querer, querendo, Banco Central não diz o que vai fazer dos juros altos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apesar de conjuntura e expectativas ruins para a inflação, BC corta Selic outra vez

Em texto nebuloso, BC parece indicar que IPCA pode estar na meta no início de 2028

Banco Central torturou o português para dizer que não dá para saber o que será da próxima reunião em que vai decidir o nível da Selic. Nesta quarta (17), cortou a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25%, um quase nada no que diz respeito aos custos de financiamento na economia.

Quanto ao mais importante, o BC parecia querer criar névoa suficiente para ninguém achar que a Selic pode ficar na mesma na próxima reunião. Sem querer, querendo, também poderia estar dizendo que a Selic pode continuar caindo, pois pode ser que a inflação esteja na meta no início de 2028.

Trump gagá, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Não será surpresa se, numa dessas em que cochila em eventos, ele cair da cadeira

Que sua influência sobre nós se dilua antes de ele vestir a cueca por cima das calças

Donald Trump completou 80 anos neste domingo (14), anunciando em tom imperial o fim de uma guerra interesseira que ele próprio começou e perdeu. Os observadores viram nisso mais um sintoma da iminente gagaíce de Trump, manifesta em seu comportamento abilolado, marcado por atitudes sem nexo, declarações que faz e desfaz em questão de horas e sintomas de que já não é quem ele simula ser. O fato de ter sido fotografado cochilando em recentes eventos públicos preocupa a Casa Branca –temem que, numa dessas, ele caia da cadeira.

Trump volta a criticar o Brasil, e Lula pede que não se meta nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O episódio do G7 talvez seja apenas o primeiro capítulo de uma campanha eleitoral em que Washington terá presença muito maior do que em pleitos anteriores

O choque político e ideológico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto das eleições brasileiras, estava escrito nas estrelas. Não é um episódio isolado, provocado apenas pelas recentes declarações de Trump sobre a política brasileira ou pela reação de Lula durante a reunião do G7. O conflito tem raízes mais profundas: a estreita ligação política e ideológica entre o bolsonarismo e a atual administração republicana, o novo posicionamento internacional do Brasil sob o governo Lula e a própria complexidade histórica das relações entre Brasília e Washington. A disputa pode reavivar uma polarização que marcou a vida política nacional nas décadas de 1950 e 1960: o confronto entre nacionalistas e “entreguistas”, sob novas circunstâncias e narrativas.

Ciclos políticos eleitorais no Brasil, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Conhecer as posições dos candidatos quanto aos temas parece ainda mais fundamental no presente contexto em que a inflação descolou novamente da meta e a dívida pública atinge patamares preocupantes

O ciclo econômico entendido como uma flutuação no produto e no emprego é um fenômeno "natural" nas economias capitalistas. Nas últimas décadas, houve um grande progresso no tocante à sua identificação. Se a mensuração dos ciclos se tornou algo factível aos economistas, a identificação de suas causas ainda é um ponto de grande controvérsia. Keynes foi o precursor de uma teoria do ciclo causado por flutuações na demanda efetiva. Para os economistas novo-clássicos, da tradição dos ciclos reais, esse é um fenômeno do lado da oferta, causado, entre outras coisas, por choques tecnológicos.

Reprise das nulidades no Master terá resistência, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Processo mais cauteloso, robustez de provas e plateia vacinada contra conchavos diferencia inquérito daquele da Lavajato

Cotejadas, as duas sessões ocorridas em lados opostos na Praça dos Três Poderes, na tarde desta terça, antecipam os desdobramentos daquele que o relator denominou de maior escândalo financeiro da história do país. A insistência com a qual, tanto na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal quanto no plenário do Senado, se fizeram remissões entre a Lava-Jato e o Master demonstra o tamanho da aposta na repetição das nulidades, a começar por aqueles que foram alavancados na vida pública pelo lavajatismo.

Abalroado por uma reportagem da Veja, que o coloca no centro de uma suposta delação de Daniel Vorcaro, o presidente do Senado promoveu uma sessão pública destinada ao desagravo a si mesmo. Davi Alcolumbre (União-AP), que estreou no comando da Mesa surfando o lavajatismo bolsonarista, agora é atropelado pelas investigações do Master.

O preço da desglobalização e o custo para o Brasil, por Eduardo Belo

Valor Econômico

Nos EUA, trabalhadores já sentem efeito de salários menores

A fragmentação do sistema financeiro global é tema do relatório “Deepening Divides”, publicado no início de junho pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês) em parceria com a consultoria Oliver Wyman. A fragmentação se traduz em tarifas, restrições a investimentos, controles de exportação e medidas de retaliação entre países.

Para além das implicações na economia mundial, o relatório traz algumas considerações sobre o Brasil, especialmente no que trata da guerra comercial travada pelos Estados Unidos contra praticamente o mundo inteiro pela via do tarifaço e pela expansão do protecionismo.

Partidos pedem manutenção de teto de gastos nas eleições, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Presidentes dos principais partidos políticos se uniram para encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para que o teto de gastos com as campanhas eleitorais não seja reajustado neste ano. Não prosperou, entretanto, o movimento de algumas siglas para tentar reservar um volume maior de recursos para as candidaturas de deputados federais, estaduais e distritais.

Cabe à corte eleitoral editar uma resolução estabelecendo os limites das despesas dos candidatos nas eleições, e a expectativa é de que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, acolha a reivindicação dos dirigentes. Procurado pelo Valor, o ministro respondeu, por meio da assessoria, que recebeu o pleito das legendas, mas que o mesmo ainda está sendo analisado.

De acordo com dirigentes ouvidos pelo Valor, há uma preocupação com o encarecimento das campanhas, em contraponto aos recursos disponíveis. Sob pressão da opinião pública, o Congresso destinou ao fundo eleitoral, no Orçamento de 2026, o mesmo valor de R$ 4,9 bilhões fixado para o pleito de 2022, sem correção pela inflação ou outro índice. Partidos com as maiores bancadas recebem as maiores fatias do fundo. Os três principais beneficiados entre 30 legendas são o PL com R$ 881 milhões; o PT com R$ 615 milhões; e o União Brasil com R$ 526 milhões.

Para Trump, tanto faz, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Falta ao Brasil uma estratégia para lidar com a doutrina Donroe

Cada um a seu modo, os Bolsonaros e Lula acham que serão ajudados por Trump nas próximas eleições. Só Trump salva, parece acreditar uma parte substancial da oposição. Só Lula nos salva de Trump, segundo o marketing político do Planalto.

Ocorre que, para Trump, tanto faz. Ele confunde os Bolsonaros entre si e as respectivas situações individuais, como demonstrou à margem do encontro do G-7. E deseja a Lula “bom trabalho”, naquele país “complicado politicamente e perigoso”, e que “joga duro”.

Mendonça vira ‘líder da minoria’ no STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Mesmo com delação de Daniel Vorcaro rejeitada, ministro mostrou que não dará alívio a autoridades

André Mendonça pode até integrar uma ala minoritária no Supremo Tribunal Federal (STF) pelas ideias que defende e pelos votos que profere. Mas, na última terça-feira, saiu da sessão da Segunda Turma consolidado como líder da minoria na Corte, para pegar emprestado um termo do Congresso Nacional.

Por três votos a um, o colegiado confirmou a decisão do relator das investigações sobre o Banco Master de manter presos o pai e o primo de Daniel Vorcaro. Com apenas quatro ministros votantes, Mendonça só precisava de dois aliados para sair vencedor.

Copom segue expectativa, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Por decisão unânime, o Copom cortou os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Confirmou, assim, as previsões dos analistas.

Desta vez, a sintonia com o mercado pode ter sido a principal razão desse corte. Esta diretoria do Banco Central (BC) já deu sinais de que não só procura formar as expectativas, como também, em caso de alguma falta de clareza, costuma segui-las.

O dado mais importante é o de que a inflação voltou a dar seus pinotes. Os números de maio mostraram que, no período de 12 meses, a inflação saltou para 4,72%, acima do teto da meta, que é 4,5%. Foi o suficiente para que o mercado, sondado pela Pesquisa Focus, projetasse a inflação do ano para 5,3%. É indicação de que o BC teria de acionar sua política de juros para voltar a conduzir a inflação para a meta.

Lula fala ao vivo em coletiva de imprensa após reunião com líderes da cúpula do G7; assista


 

Poesia | Presságio, de Fernando Pessoa

 

Música | Alceu Valença - Meu querido São João (Ao Vivo na Fundição Progresso)

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cessar-fogo impõe revisão de subsídio a combustíveis

Por O Globo

Não fará sentido manter subvenções se as razões que levaram o governo a criá-las não existirem mais

Não faltam dúvidas sobre o acordo de cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã. Apesar de todos os senões, a reabertura do Estreito de Ormuz — prometida para esta semana — traz uma chance concreta de queda do barril de petróleo. Com a perspectiva de o preço se estabilizar abaixo de US$ 100, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria se preparar para desmontar o edifício de medidas tomadas desde março para segurar a alta dos combustíveis. A sucessão de subvenções e desonerações afetou a arrecadação de tributos e causou distorções de mercado que precisam ser corrigidas. Não fará sentido manter subsídios se as razões que levaram o governo a criá-los não existirem mais.

Quer ser presidente? Me dê motivo, por Mauricio Moura

O Globo

É uma ilusão achar que cinco milhões de eleitores decisivos não querem dinheiro, só amor sincero

Tim Maia, famoso cantor brasileiro que revolucionou a música popular com sua voz inconfundível e uma fusão rítmica que uniu black music americana ao samba e baião. Uma das mais famosas canções do artista é “Me dê motivo”. Certamente uma metáfora do estado mental dos eleitores que devem decidir a eleição presidencial de 2026.

Em um ambiente amplamente dividido, entre os que aprovam e desaprovam o governo federal, entre os que acreditam ou não que Lula merece continuar, entre os que se dizem lulistas ou antipetistas ou qualquer outra divisão produzida pela decisão binária que o sistema eleitoral brasileiro proporciona, acreditamos que esse grupo realmente persuasível não passa de 3% do eleitorado. Do Leme ao Pontal, esses são quase cinco milhões de eleitores ainda órfãos de um motivo para decidir seu voto. O que, então, vai conquistar as mentes e corações desse grupo crítico?

Eduardo Bolsonaro produziu e divulgou provas que o condenaram, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Na segunda-feira, Eduardo Bolsonaro abasteceu as redes sociais com um vídeo num clube de tiro americano. De boné e camiseta, o ex-deputado se exibiu disparando com três armas: uma pistola, um fuzil e uma metralhadora. Não parecia preocupado com o julgamento marcado para o dia seguinte no Brasil.

O Zero Três foi denunciado pelo crime de coação no curso do processo. Ao pedir sua condenação, o subprocurador-geral Antônio Edílio Magalhães disse que o caso era “relativamente simples”. O próprio réu produziu as provas contra si mesmo, em entrevistas, declarações e postagens virtuais.

Sem trégua institucional, por Vera Magalhães

O Globo

STF reafirma apoio a Moraes ao condenar Eduardo Bolsonaro, e Alcolumbre se entrincheira na presidência do Senado para se defender

A condenação unânime de Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal e o discurso em que Davi Alcolumbre se entrincheirou na cadeira de presidente do Congresso para se defender das acusações de ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro são eventos estanques, mas que se encontram num ponto: mostram que o Brasil está longe de alcançar qualquer tipo de trégua no enfrentamento institucional que já dura alguns anos.

A Primeira Turma é ainda um enclave da liderança de Alexandre de Moraes na Corte, tornado mais monolítico pela decisão de Luiz Fux de deixá-la depois do julgamento da trama golpista. Isso explica os quatro votos pela condenação de Eduardo, concórdia que provavelmente não se repetiria se fosse outra a configuração do colegiado.

Trump faz guerras como quem joga fliperama, por Elio Gaspari

O Globo

Ninguém sabe por que atacou o Irã e ninguém sabe por que ele suspendeu os bombardeios

Ninguém sabe por que Donald Trump atacou o Irã, e ninguém sabe por que ele suspendeu os bombardeios. Nem ele sabe que resultados conseguirá depois de uma guerra que já custou aos americanos perto de US$ 30 bilhões. Esse é o preço das guerras teatrais.

Trump foi atrás do Irã depois de um êxito surpreendente contra a Venezuela. Sequestrou o ditador, absorveu a ditadura e embolsou o petróleo. Começou a guerra com o Irã matando o líder supremo Ali Khamenei, tentou decapitar o regime dos aiatolás e atolou.

O efeito azarão, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Tendência de torcer pelo competidor mais fraco é reconhecida como viés cognitivo

Fenômeno se materializa tanto na Copa como em eleições, com diferentes consequências

Você vibrou com as defesas de Vozinha no empate sem gols que a seleção de Cabo Verde arrancou da Espanha? Sorriu de satisfação ao saber que a fraca Austrália derrotou por 2 a 0 a mais robusta Turquia? Pois saiba que você não está só. O ímpeto de, em determinadas circunstâncias, torcer pelo competidor mais fraco, nos esportes, na política ou mesmo na vida, é um viés cognitivo inscrito em nossos cérebros e leva o sugestivo nome de efeito azarão (underdog effect).

Pré-candidatos fazem promessas vagas de ajuste fiscal em 2027, por Idiana Tomazelli

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro (PL) defende 'tesouraço', e auxiliares de Lula (PT) acenam com revisão de gastos

Sem detalhes de eventuais medidas, resultado será grave crise ou estelionato eleitoral

desequilíbrio das contas é uma realidade concreta, a ponto de os dois principais pré-candidatos à Presidência ou o seu entorno precisarem acenar com ajuste fiscal a partir de 2027. Isso agrada a Faria Lima, mas não nos enganemos: são promessas vagas o suficiente para evitar qualquer possível desgaste com a maioria que vota.

O senador Flávio Bolsonaro (PLdefende há meses um "tesouraço" nas despesas, mas não diz o que pretende cortar se for eleito. O ministro Dario Durigan (Fazenda), hoje o principal auxiliar de Lula (PT) na área econômica, fala em revisão de gastos obrigatórios, mas tampouco detalha o que mudaria.

‘Bondades’ e motivos para um Lula ‘reativo’, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Não há hoje ministros com peso político ou vontade para ponderar as iniciativas de um Palácio do Planalto em modo eleição

Há, evidentemente, o modo palanque. Mas também existe, por trás do tom mais elevado com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atacado os que criticam o excesso de gastos do governo e alertam para os impactos disso na taxa de juros, uma dupla frustração. A primeira é o espaço fiscal apertado para lançar novos programas que considera essenciais. A segunda, a falta de reconhecimento pelo esforço feito no atual mandato para melhorar a situação das contas públicas.

“Ele está reativo assim porque o governo tem uma limitação fiscal gigantesca e toda vez que ele quer fazer alguma coisa bate no teto” contou à coluna um interlocutor do presidente, referindo-se ao limite de despesas permitido pelo arcabouço fiscal. “E as pessoas só batem, dizem que tudo é gastança que está tudo descontrolado.”

Momento delicado para a campanha de Flávio, por Fernando Exman

Valor Econômico

Senador enfrenta uma fratura na sua base de apoio por causa da forma que lidou com a revelação de que havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar filme sobre o pai

Duas passagens da corrida presidencial de 2018, disputada entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, ajudam a explicar o momento sensível pelo qual passa a campanha de Flávio Bolsonaro. As pesquisas mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando a vantagem após o caso Master, segue o desconforto dos aliados de Flávio com o episódio “Dark Horse” e, para piorar, o Centrão tenta descolar-se da sua chapa.

Surfando no antipetismo e na repulsa da população à corrupção, Jair Bolsonaro percorreu em 2018 o país com um slogan bíblico: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, dizia a todo momento, citando João 8:32. Pois Flávio enfrenta agora uma fratura na sua base de apoio justamente por causa da forma que lidou com a revelação de que havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, para bancar o filme em homenagem ao seu pai.

Condenação de Eduardo Bolsonaro eleva alerta no STF para risco de ação dos EUA, por César Felício

Valor Econômico

Integrantes do Supremo creem que o princípio de extraterritorialidade está arraigado no Executivo e no Judiciário americanos e não descartam ação contra Moraes

A condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação a justiça deve elevar o grau de alerta no Supremo Tribunal Federal (STF). Aumenta a possibilidade de uma ofensiva dos Estados Unidos contra integrantes do Judiciário, em especial contra o ministro Alexandre Moraes, que também foi relator do processo que condenou por golpismo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro vive em mundo paralelo e se consolida como ‘camisa 10’ da campanha de Lula, por Roseann Kennedy

O Estado de S. Paulo

Resultado do julgamento no STF tem potencial para prejudicar mais a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência

A história política do País registrou um capítulo irônico nesta terça-feira, 16. Ao ser condenado por unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação de ministros no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) consolidou seu papel de “camisa 10” no time do presidente Lula.

De forma involuntária, o filho “Zero Três” do ex-presidente Jair Bolsonaro transformou-se em um grande cabo eleitoral do petista. Além de presentear Lula com o discurso em defesa da soberania nacional, ele ainda corre o risco de tirar a próprio família de campo.

Curiosamente, enquanto Eduardo era sentenciado a 4 anos e 2 meses de prisão — acusado de articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e ministros do STF —, o presidente Lula cumpria agenda no exterior justamente propagando a bandeira da soberania nacional.

O 82º senador, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Daniel Vorcaro não foi eleito nem se filiou a partido, mas liderava uma bancada silenciosa

Ele não teve um voto. Não era filiado a nenhum partido político. Também não apareceu no horário eleitoral ou nas audiências públicas no Congresso. Mas conseguia propor projetos, mobilizar lideranças, convocar autoridades para alterar não apenas leis, mas para emendar até mesmo a Constituição do Brasil. Tudo para facilitar os seus negócios.

A atuação parlamentar de Daniel Vorcaro transformou o banqueiro no 82.º senador da República. Apesar de não ter gabinete ou cadeira no plenário do Senado, o chefe da organização por trás da fraude bilionária do Banco Master dispunha de uma bancada silenciosa, que podia provocar “hecatombes” em Brasília. Como? Para entender o funcionamento dos tentáculos do banqueiro, o eleitor deve ler as 87 páginas da informação de polícia judiciária 1381577/2026, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça.

Caiu a ficha do Copom? Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Principal obstáculo ao ciclo de corte de juros não é o cenário externo: são os fatores domésticos

Quando o Copom começou a cortar a taxa Selic em março, a guerra no Irã já havia causado um choque de oferta de petróleo, o que gerou desconfiança quanto à prudência de um ciclo de afrouxamento monetário nessa conjuntura. Mas o argumento de todo mundo, incluindo o Banco Central, era de que a pressão externa – com a alta nos preços de combustíveis e de matérias-primas – seria temporária; que o conflito no Oriente Médio iria acabar logo; e que o Brasil poderia seguir cortando os juros “livre, leve e solto”.

Novas revelações de Vorcaro acuam Ciro e rondam Motta no caso Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Mensagens mostram o banqueiro solicitando reservas para “Ciro e Hugo”, seguidas de conversas sobre a disponibilização de duas suítes no hotel Four Seasons Ritz de Lisboa

As novas informações tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as investigações da Operação Compliance Zero, que investiga o caso Master, colocam o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), expoente do Centrão, em situação cada vez mais delicada perante a Justiça, ao mesmo tempo em que aproximam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do perímetro das investigações.

O foco do relatório é a relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e Ciro. Segundo a Polícia Federal (PF), o parlamentar teria recebido uma série de vantagens econômicas enquanto atuava politicamente em favor dos interesses do banqueiro. Pagamentos mensais foram classificados pelos investigadores como uma espécie de “mesada”, que variaria entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da aquisição de participação societária em empresa e do custeio de viagens internacionais de alto padrão.

Salário mínimo distrital e Tarifa Zero reduziriam pobreza no DF, por Jacy Afonso *

Correio Braziliense

A diferença de renda média entre os mais ricos e os mais pobres do DF é de 23,8 vezes. O salário mínimo regional e a Tarifa Zero poderiam ser adotados com rapidez pelo GDF para reduzir esse fosso social

O Distrito Federal ostenta o primeiro lugar no ranking de riqueza entre todas as unidades da Federação, com um PIB per capita de R$ 129,8 mil, mais que o dobro da média nacional (R$ 54 mil). No entanto, ao lado do PIB bilionário, o DF convive com uma pobreza estrutural que a torna a campeã brasileira em desigualdade social. 

Estudos tanto da Universidade de Brasília (UnB) como da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam Brasília também como uma das cidades com maior segregação socioespacial. A separação entre áreas ricas e pobres no DF é maior do que em cidades como Johannesburgo (África do Sul), historicamente marcada pelo apartheid.

Perdão, Maria Eduarda, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Maria Eduarda, espero que perdoe a humanidade. As redes sociais viraram um esgoto a céu aberto. Culparam você, garota, por sua própria morte. Acredita?

Maria Eduarda, espero que perdoe a humanidade. As redes sociais viraram um esgoto a céu aberto. Culparam você, garota, por sua própria morte. Acredita? Teve gente que mostrou a capacidade de argumentar que era seu dever ter checado a corda antes que fosse lançada ao vazio. Gente que faz ilações absurdas e expõe um "raciocínio" irracional apenas para causar e ter cliques. Maria Eduarda, a única pessoa inocente nessa história é você. Tudo o que queria era um momento de adrenalina, algo tão comum entre tantos jovens. Quem deveria ter conectado o cabo de segurança não o fez. Quem deveria ter conferido mais de uma vez a conexão foi negligente. Eu diria até mais do que isso: criminoso. O que aconteceu com você foi, no mínimo, uma negligência gravíssima. Quem apenas supôs que a corda estivesse amarrada ao seu corpo aceitou o risco de um resultado trágico.

Crescimento para poucos: a armadilha do capitalismo, por Roberto Amaral*

“O empresário tende inevitavelmente a se transformar em rentista e a dominar cada vez mais aqueles que só possuem sua força de trabalho. Uma vez constituído, o capital se reproduz sozinho, mais rápido do que cresce a produção. O passado devora a produção.” — Thomas Piketty, O capital no século XXI.

Ao contrário do que afirma Paulo Gala em seu excelente “Rumo a 2050” (Carta Capital, 27/05/2026), o crescimento da economia, por si, não altera a estrutura distributiva. Ao contrário, não apenas convive com alta concentração de renda, como a promove. 

Trata-se, simplesmente, de determinismo da lógica de acumulação do capitalismo, e sua consequência irrecorrível é a concentração da riqueza, na contramão da valorização do trabalho como um dos fatores da produção. Mesmo o aumento da produtividade não implica aumento proporcional dos salários. De um lado, os lucros do capital são reinvestidos, ampliando a escala do capital e, como em um círculo vicioso, reforçando sua concentração; doutra parte, o desemprego estrutural — alimento do exército industrial de reserva — pressiona os salários para baixo, quadro tendencial da globalização do capitalismo, a que se somam o desenvolvimento científico e as novas tecnologias, poupadoras de mão de obra e intensivas em capital, e a articulação de grandes e poucas corporações operando em escala global, de forma oligopolista, transitando para o monopólio, com níveis inéditos de concentração de mercado e de poder político, frequentemente avançando sobre as soberanias nacionais.

Um belo país, mas "ingovernável", por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

A Copa do Mundo de Futebol de 2026, não desperta o interesse da população, embora sejam adeptos inflamados da prática esportiva e, ausentes, quase sempre, induzidos. a torcer pela seleção brasileira. No momento, contudo, os peruanos estão preocupados é com os rumos dos das eleições presidenciais, aparentemente ignorado no Brasil. Com dois é- chefes de Estado presos, em seis anos, teve sete presidentes, acusados de tentativas de golpe de Estado ou de   corrupção, um dos quais envolvidos por aqui   com o escândalo do “Mensalão”. O país carrega ainda um agudo problema de identidade, já tendo perdido territórios para o Chile, Equador, Bolívia e até para o Brasil

Assisti uma pré-campanha, aquele frenesi eleitoral, revolucionário e étnico que envolvia mais de 100 representações político-partidárias. Na eleição deste ano concorreram 35 candidatos. Para o segundo turno sobraram, contudo, apenas a senadora Kiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, concorrendo pela quarta vez, representante de uma direita que se considera progressista; e Roberto Sánchez, professor, candidato das esquerdas reunidas. Já no segundo turno, com 98,8% das urnas apuradas (50,012% para Keiko e 49,988% para Sánchez), a contagem das cédulas de papel arrasta-se por quase dez dias, acusando uma vantagem de 18 mil votos a favor de Keiko. A lentidão na averiguação dos resultados reflete não apenas um sistema eleitoral altamente burocratizado, mas, sobretudo, uma ansiedade generalizada, e até uma insegurança por parte dos juízes eleitorais.

Poesia | Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Moraes Moreira e Forróçacana - Festa do Interior

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Acordo escancara fiasco da guerra de Trump

Por Folha de S. Paulo

Ataque de EUA e Israel fracassa no objetivo de derrubar o regime iraniano e seu programa nuclear

Teocracia do Irã ganhou mais força; entendimento pode começar a normalizar oferta de petróleo, mas inflação global está contratada

Uma semana depois de começar a guerra contra o IrãDonald Trump escreveu que não haveria acordo com o inimigo, apenas "rendição incondicional". O Irã não se rendeu.

O regime obscurantista dos aiatolás está, isso sim, à beira de impor condições aos Estados Unidos —ao menos, termos de negociação no acordo que, segundo se anunciou, será oficializado na sexta-feira (19). O documento deve estender um cessar-fogo por 60 dias e estabelecer as cláusulas da trégua e as diretrizes das tratativas nos próximos dois meses.

Motta pauta jornada de até 40 horas, bandeira eleitoral de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A nova jornada de trabalho de até 40 horas está associada aos setores tradicionais da economia nos quais o trabalho é regulamentado pela CLT, como a construção civil e o comércio varejista

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu pautar o fim da jornada 6 x 1 pondo em votação o Projeto de Lei 1.838/26 encaminhado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que limita o trabalho em até 40 horas semanais. A proposta é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula, que aposta na “economia do afeto” para viabilizar sua reeleição. Como sempre acontece quando há mudanças nas relações de trabalho a favor dos assalariados, a maioria das entidades representativas dos empregadores se opõe à nova regulamentação. Parte da oposição deve aderir à proposta, por razões eleitorais.

O Partido Novo, do ex-governador mineiro Romeu Zema, por exemplo, defende que a alteração ocorra via negociação coletiva entre empregadores e empregados, e não por imposição legal. Alega potenciais impactos negativos na economia, no custo das contratações e na margem de lucro das empresas. Durante as votações da PEC na Câmara dos Deputados, a bancada do partido atuou na obstrução dos debates nas comissões e registrou votos contrários ao texto-base, alinhando-se a parlamentares que apontavam riscos de aumento de inflação e informalidade.

A crise do Supremo, por André Mendonça, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Levantamento do Insper mostra que o ministro é o de votos mais divergentes na Corte

“Há um desequilíbrio entre os Poderes quando um tribunal avança pela criação de regras e não por sua aplicação”. Depois de uma exposição de 20 minutos sobre o impacto das decisões do Supremo Tribunal Federal na segurança jurídica do país, em evento fechado para CEOs, executivos e acadêmicos no Insper, o ministro André Mendonça sentou para uma sessão de cinco perguntas.

Recorrendo ao conceito do “juiz criativo” do jurista italiano Luigi Ferrajoli, discípulo de Norberto Bobbio, emendou: “O Judiciário não pode dar a primeira e a última palavra, precisamos ter autocontenção”, tomando posição na contenda que mobiliza críticas da academia, da sociedade e do próprio colegiado, dividido entre o presidente da Corte, ministro Edson Fachin e o decano, ministro Gilmar Mendes, que joga em todas as posições.

Apontou disfuncionalidade nas ações penais originárias iniciadas diretamente na Corte, como o inquérito das fake news, e criticou o elevado quórum de agentes legitimados a acessar o Supremo. “Tudo isso precisa ser discutido no processo constituinte derivado”, disse, numa referência explícita a uma reforma do judiciário.