sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ação nos EUA abre caminho para redes sociais mais seguras

Por O Globo

Ao impor limites a Meta e YouTube, Justiça inspirará parâmetros para uso por menores no mundo todo

Diante do Tribunal Superior de Los AngelesMark Zuckerberg — CEO da Meta, dona das maiores redes sociais do mundo — viu-se obrigado a defender as plataformas digitais num processo em que não faltam evidências de como elas manipulam algoritmos para manter adolescentes presos às telas de computador e celular. Está em julgamento a responsabilidade por distúrbios de comportamento em jovens dependentes. A autora da ação, hoje com 20 anos, acusa Meta e YouTube por ter desenvolvido ansiedade, depressão e uma visão distorcida da própria aparência, o Transtorno Dismórfico Corporal. Deverão sair do processo subsídios para os parâmetros de uso por menores de idade — e não apenas nos Estados Unidos.

Que falta nos faz Werneck Vianna nessa crise existencial do Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O caso Master expôs relações opacas, suspeitas de promiscuidade, cifras astronômicas, inexplicáveis, apesar das justificativas protocolares. E uma reação corporativa de autodefesa

Numa hora como essa, de crise existencial do Supremo Tribunal Federal (STF), que falta nos faz as análises do sociólogo Luiz Werneck Vianna, que estudou o papel da Justiça Federal na manutenção da nossa integridade territorial e na formação do Estado brasileiro. Sua morte completará dois anos amanhã. Intérprete do Brasil contemporâneo, foi quem melhor compreendeu a “judicialização” da nossa política, que vive um momento institucionalmente grave: o caso Master está volatilizando a credibilidade da Corte e já provoca grave crise de confiança entre seus integrantes, sem nenhum sinal de que o conflito se resolva a curto prazo, nos marcos do que seria a normalidade institucional da Corte.

Terceira via: tem alguma? Por José de Souza Martins

Valor Econômico

Quem quer que esteja limitando-se a pesquisas eleitorais precoces quer difundir o pressuposto de que só existe uma direita e de que só existe uma esquerda

Há mais de um ano que pesquisas de opinião eleitoral sobre preferências nas eleições de 2026 tentam nos convencer de que tudo já está quase decidido. Mal escondem o possível intuito de despistar os eleitores, fazendo-os supor que a lógica do pleito é uma só. O país não teria outra alternativa senão a da polarização de esquerda e direita.

Foi Brizola quem viu no PT e no ideário petista uma variante da social-democracia. Portanto, um partido social, de centro-esquerda, e não um partido de esquerda como os partidos clássicos dessa orientação.

'Todas as famílias felizes se parecem', por Andrea Jubé

Valor Econômico

Controvérsia sobre os valores da família brasileira despertada pela escola de samba que homenageou o presidente Lula é politicamente relevante e eleitoralmente potente

A controvérsia sobre os valores da família brasileira despertada pela escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que em uma das alas criticou os “Neoconservadores em conserva”, é politicamente relevante e eleitoralmente potente. Contudo, desperta uma sensação de déjà vu, que nos transporta ao século 19.

Quem não se recorda da antológica frase de abertura de “Anna Kariênina”? “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Quando Tolstói escreveu o romance - um clássico da literatura universal - entre 1873 e 1877, lançou o debate sobre modelos de convívio familiar e a noção de progresso, associada a valores econômicos e sociais. Puniu a heroína infiel com o famoso desfecho trágico. Perto dos 45 anos, era um autor consagrado por “Guerra e paz”, casado e tinha quatro filhos: era a personificação do homem de família feliz.

Enquanto Lula samba, Flávio costura, por Vera Magalhães

O Globo

Depois de ter revertido reação negativa à escolha de seu nome pelo pai, senador articula palanques em Estados-chave

Passado o carnaval, a campanha eleitoral começa a pegar para valer. A polêmica em torno do enredo enaltecendo Lula serviu para implodir a ideia de que enfrentar Flávio Bolsonaro seria um passeio no bosque pelas fragilidades do senador e pelo desgaste do sobrenome. A realidade se mostra mais complexa.

Além de a pesquisa Quaest ter mostrado reversão da ideia inicial de que Bolsonaro errou ao indicar o filho para lhe suceder, Flávio vem avançando silenciosamente numa costura de palanques que vai fechando os espaços para que Lula construa uma coalizão forte em estados-chave.

Equívoco amador, por Pablo Ortellado

O Globo

PT alega que o desfile da Acadêmicos de Niterói foi uma iniciativa independente da escola

O PT alega que o desfile da Acadêmicos de Niterói foi uma iniciativa independente da escola e que o governo não deveria ser responsabilizado por ela. Pode ser que o argumento funcione juridicamente, mas, com certeza, não funciona politicamente. Politicamente, o desfile foi um equívoco tão grande que põe em dúvida o profissionalismo da campanha do presidente Lula à reeleição.

Montar um enredo contando a trajetória de Lula não é errado em si. A biografia do presidente é épica e propícia para um enredo de escola de samba. O problema é que o desfile se deu em ano eleitoral, e a Acadêmicos de Niterói recebeu recursos públicos.

Vorcaro no Congresso, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Banqueiro tem potencial para virar homem-bomba, mas parece muito otimismo esperar explosão no Congresso

Na falta de uma CPI sobre as fraudes do Banco Master, duas outras comissões convocaram Daniel Vorcaro a depor no Congresso. Ele é aguardado na próxima semana na CPI do INSS e na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Pivô de um megaescândalo financeiro, Vorcaro manteve relações de simpatia, quase amor, com figurões da política e do Judiciário. Seus aliados mais notórios são homens de negócios do Centrão: o senador Ciro Nogueira, o deputado Arthur Lira, o dono de partido Antonio Rueda.

Flávio repete Jair, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula erra e Flávio cresce, com percepção de que pode ser o melhor candidato da direita

Ok, o presidente Lula é o favorito de outubro em todas as pesquisas e na maioria das avaliações, mas o ano da eleição começa com o PT tropeçando nas próprias pernas e o principal candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro, acertando o passo rumo às bases eleitorais de esquerda e, principalmente, do centro.

Como sempre, o ano do Brasil começa depois do carnaval e, em 2026, Lula sai da Sapucaí sem um único voto a mais e sabe-se lá quantos votos a menos, com ação contra ele no TSE por “campanha antecipada” e a oposição fazendo um segundo “carnaval” com o boneco de presidiário (que soa como “sujo falando do mal lavado”) e o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói. Vexame.

Interferência no Legislativo, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Parlamentares não digeriram a decisão do ministro Flávio Dino sobre penduricalhos

Os parlamentares não estão se expondo em público em tema tão impopular, ainda mais em ano eleitoral, mas não digeriram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flavio Dino de proibir novas leis que criem “penduricalhos” no serviço público.

Nos bastidores, criticam a decisão. E, quando isso acontece em Brasília, a revanche é certa – mais cedo ou mais tarde.

Dino acertou, em cheio, no mérito ao tentar disciplinar a farra dos supersalários do funcionalismo, mas errou na forma.

Ainda as emendas ‘para lamentares’, por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

As emendas continuam incomodando, mas não se resolve o problema, que vai se agravando

Há tempos escrevo contra as emendas parlamentares, até aqui sem sucesso, pelo contrário, se agravaram, mas não desisto, pois constituem uma grande distorção de nossa vida políticoparlamentar, ao terem grande influência eleitoral. Reproduzo aqui boa parte de meu mais recente artigo sobre o assunto, publicado em 21 de agosto do ano passado.

Igualdade de oportunidades, por Marcelo de Azevedo Granato

O Estado de S. Paulo

Apesar de necessária, a educação tem efeitos muito lentos na redução das desigualdades

O artigo 5.º da Constituição, em sua abertura, fala da igualdade duas vezes: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Como se vê, primeiro, o constituinte diz que todos são iguais perante a lei, sem qualquer distinção; depois, garante a brasileiros e estrangeiros residentes no País alguns direitos de primeira grandeza, considerados invioláveis, dentre os quais o direito à igualdade.

Violências no país da bandalheira, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mulher assassinada por ser mulher é um dos tantos assuntos esquecidos no debate podre

País convive sem revolta maior com 44 mil homicídios e 37 mil mortes no trânsito por ano

No começo de fevereiro, reinício oficial do ano oficialesco, líderes dos três Poderes assinaram o "Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio". Basicamente, criaram uma comissão, que pode dar em nada ou em alguma coisinha, a depender da política. É o "Comitê Interinstitucional de Gestão", de acompanhamento de dados e ações, com representantes dos Poderes, do Ministério Público e das Defensorias Públicas.

Encrenca gratuita, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Sem nada a ganhar, Lula se colocou sob risco ao participar de bajulação carnavalesca

Parte dos riscos se materializou e petista não entra muito bem nesta Quaresma

Achei boa a piada das famílias em conserva que constou do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula neste Carnaval. Recorrendo a uma espécie de trocadilho (conservador/conserva), os idealizadores da alegoria conseguiram traduzir um conceito complexo (famílias conservadoras) em uma imagem (lata de conserva), o que é um pequeno feito semiótico. Mas não creio que o governo esteja agora vendo muita graça no desfile.

Lula cavou um ônus desnecessário, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A escola de Niterói não perdeu por causa do presidente, mas ele ficou com o gosto amargo da derrota

O equívoco do governo foi ter se associado a uma festa que não deve satisfações aos deveres da política

A Acadêmicos de Niterói não foi rebaixada porque homenageou o presidente Luiz Inácio da Silva (PT). Recebeu as menores notas dos jurados do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro porque apresentou desempenho inferior às concorrentes do Grupo Especial.

É do jogo e não há desonra nisso. Acontece com a maioria das agremiações de menor porte. Sobem num ano, descem no seguinte; algumas ganham força e conseguem se firmar, como a campeã Unidos do Viradouro, ex-integrante do segundo escalão.

Skamoto Tritura Conservadores

 

Poesia | Emergência, de Mario Quintana

 

Música | Roberta Sá e Ney Matogrosso - Peito Vazio (Cartola e Elton Medeiros)

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vazamento inadmissível

Por O Povo (CE)

Ministros têm visões diferentes quanto à investigação do vazamento de informações na Receita Federal

É inadmissível ter havido vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus parentes na Receita Federal do Brasil.

Considerado um órgão técnico de melhor qualidade, a Receita é agora alvo de investigações da Polícia Federal (PF) para esclarecer o caso. A ação foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, pois a investigação passou a integrar o chamado inquérito das fake news (n.º 4781).

A PF já cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os funcionários suspeitos foram afastados de suas funções e terão de cumprir medidas cautelares.

Segundo as investigações, houve quebra de sigilo nos dados da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Também teria havido acesso indevido ao documento de imposto de renda do filho de outro ministro.

O Sindifisco Nacional, entidade que representa os auditores-fiscais da Receita, lembrou que o acesso motivado a dados de contribuintes não configura quebra de sigilo, fazendo parte da rotina de auditorias e fiscalizações. No entanto, reconhece que a divulgação das informações colhidas configura crime, que deve ser punido.

Em nota, o STF disse que investigações iniciais indicam "diversos e múltiplos acessos ilegais" ao sistema da Receita Federal com o intuito de coletar dados sigilosos dos ministros da Corte, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de seus parentes. Ainda segundo essas informações, teria sido constatada a entrega de dados a terceiros.

Mas o STF está sendo criticado por avocar o processo que, segundo um segmento de juristas, deveria ser de competência da primeira instância, pois o processo não envolve nenhuma autoridade com foro privilegiado. Além disso, a inclusão no inquérito das Fake News também sofre reprovações, sob argumento de não ter relação com o vazamento das informações.

O STF, por sua vez, afirma que o vazamento faz parte dos ataques coordenados contra a Suprema Corte, e que isso justificaria a inclusão no processo das Fake News.

No entanto, dentro da própria Corte há divergências. Segundo o jornal fluminense O Globo. Enquanto um grupo concorda com as investigações conduzidas pelo STF, outro segmento prefere a cautela, para evitar que o Fisco e outros órgãos de controle tenham sua atuação questionada antes de haver indícios concretos de que eventuais ilícitos tenham ocorrido. Depois do caso Master, esse é mais um processo a dividir os ministros.

De qualquer modo, os acontecimentos levam à seguinte indagação, que tem de ser respondida pela Receita, de modo tranquilizar os contribuintes: se até mesmo as mais altas autoridades da República podem ficar expostas, o que dizer do cidadão comum? Ele pode confiar que seus dados estão seguros com a Receita ou corre o risco de vê-los expostos indevidamente?

Mendonça versus o atropelador geral da República, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Alexandre de Moraes atropelou Receita, TCU, servidores, Fachin e, finalmente André Mendonça que, se não o enfrentar, perderá autoridade como de relator do caso Master

O ministro Alexandre de Moraes mandou colocar tornozeleira eletrônica, apreender passaportes, celulares e computadores, quebrar o sigilo e divulgar os nomes de quatro servidores da Receita - um auditor, uma técnica e dois servidores do Serpro cedidos. Em relação a, pelo menos, dois deles, não há informações de que o acesso tenha se prestado à comercialização dos dados.

Há exatos sete anos, o ministro, tornado relator do inquérito das “fake news” de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, também cismou com dois servidores da Receita que teriam acessado, indevidamente, o sigilo bancário do ministro Gilmar Mendes e de sua ex-esposa, Guiomar Feitosa. Como não se provou que esses servidores, ao se depararem com dados sigilosos, nas varreduras de rotina, estivessem agindo com dolo, foram reincorporados. Dado que o ministro é inimputável, a não ser por um processo de impeachment no Senado, os servidores que foram expostos em 2019 não tiveram a quem se queixar pelos danos à sua reputação.

Em busca de um acordo entre Trump e Lula, por Assis Moreira

Valor Econômico

Dono da segunda maior reserva mundial de terras raras, Brasil não tem intenção de se aliar a ‘clube’ montado por Trump nessa área, onde perderia seu enorme poder de barganha na questão dos mineriais críticos

Ao mesmo tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza visitas à Índia e à Coreia do Sul nos próximos dias, a equipe presidencial prepara seu esperado encontro com Donald Trump na Casa Branca. A visita pode ocorrer em março. A data, no entanto, ainda depende do anfitrião.

Do lado brasileiro, os temas na mesa com Trump incluem a resolução do tarifaço sobre exportações brasileiras, questões de segurança (combate ao crime organizado) e temas globais, como o Conselho de Paz, pelo qual Trump busca esvaziar as Nações Unidas, e tensão no hemisfério ocidental, como a Venezuela.

O Supremo e seu valor de face, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

O que acontece com um país em que o prestígio da Corte Suprema se esfarela ao vento? Onde vai parar o senso de autoridade?

O assunto deste artigo é o Supremo Tribunal Federal (STF), não há mais como deixar de ser. Todas as páginas de todos os jornais acabaram convocadas a tratar da pauta – dolorosa e fatal. Também eu falarei disso, mas peço licença para começar por uma longínqua lembrança de infância (o improvável leitor logo entenderá a razão).

O ano é 1966. Aos sete anos de idade, fiquei hospedado por uma ou duas semanas na casa do tio Denny e da tia Edna, em frente à igreja matriz de Orlândia. A razão daquela temporada era fácil de explicar. Minha mãe, no final da sua quarta gravidez, tinha se mudado para a casa de minha avó materna, em Ribeirão Preto, onde havia um bom hospital. A cidade de Orlândia, a umas duas horas de carro da portentosa Ribeirão, ainda não dispunha de nenhum leito hospitalar; a prudência recomendava que minha mãe fixasse residência temporária num município onde pudesse contar com mais recursos médicos. Assim, eu e meus dois irmãos nos vimos distribuídos por endereços de tios e padrinhos. Minha irmã, Fabiana, nasceria em maio daquele ano.

Oremos, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A desconfiança dentro do STF aumenta a imprevisibilidade na crise

O STF enfrenta duas crises ao mesmo tempo e a interna parece tão perigosa quanto a externa. E a causa é a mesma: é a institucionalidade substituída pela pessoalidade.

No caso da crise externa, é a percepção de grande parte do público de que a instituição do Supremo virou ferramenta de defesa de interesses pessoais de alguns integrantes. Fora toda a questão da atuação política.

STF empurrado para nova crise, Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

A solução do caso Master não neutralizou a crise da Corte. Alimentou outra guerra

A intenção de Edson Fachin era retirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do centro do escândalo do Banco Master. De forma pouco usual, convocou uma reunião a portas fechadas. Dias Toffoli foi convencido a deixar a relatoria do caso, mas a solução não neutralizou a crise interna do tribunal. Ao contrário, alimentou outra guerra.

A tática de Fachin contrariou interesses do grupo de Toffoli, que tem entre os componentes Alexandre de Moraes. Quatro dias depois da reunião secreta, estourou a notícia de que Moraes havia mandado a Receita Federal rastrear a origem de supostos vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e seus parentes.

As urnas e os desconfiados, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Resultados de pesquisa sobre as urnas eletrônicas não trazem alento aos democratas brasileiros

Cidadãos desconfiados das instituições democráticas não são propriamente novidade no Brasil

Pelo menos 4 em cada 10 brasileiros acham que as urnas eletrônicas não são confiáveis; maioria apertada de 53% pensa o contrário. Esses valores médios escondem diferenças enormes, que espelham as inclinações políticas dos entrevistados. Enquanto 75% dos que apoiaram Lula no segundo turno de 2022 não veem problema na maquininha de votar, só 26% dos eleitores de Bolsonaro acham que ela produz resultados criveis. Os dados são de um recente levantamento da Genial/Quaest.

Quando direitos humanos viram nota de rodapé, por Eduardo Suplicy

Folha de S. Paulo

Asfixia financeira transforma órgãos paulistas em mera formalidade, já que não conseguem cumprir suas funções

Se São Paulo perder isso de vista, perderá também um pedaço de sua própria humanidade

Acompanho com inquietação sinais cada vez mais nítidos de desmonte das políticas de direitos humanos no estado de São Paulo. Não me refiro apenas a discursos, mas a escolhas concretas e reiteradas que enfraquecem mecanismos de controle social, reduzem espaços de participação e esvaziam estruturas criadas para proteger a dignidade humana.

Ao longo da minha trajetória política, tive a honra de servir à cidade de São Paulo como secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania e de presidir comissões de direitos humanos tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa. Aprendi, na prática, que a institucionalidade de direitos humanos não é um adorno do Estado. Ela é um dos seus alicerces.

Pelo fim, sem alarde, da escala 6x1, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

A mentalidade colonial brasileira quer nos fazer crer que o fim do regime de trabalho destruirá a economia do país

Investir no aumento de produtividade poderia ser uma das metas com o fim da escala

debate sobre o fim da escala 6x1 precisa, de um lado, se dar sem alardes infundados em evidências e, de outro, considerar a histórica desigualdade nas relações trabalhistas no país. Sem levar em conta o peso de uma nação com quase quatro séculos de escravidão nas costas, torna-se superficial e, portanto, infrutífero debater a sério a relação economia e trabalho.

Importante enfatizar que os estudos disponíveis sobre o impacto do fim da escala de trabalho 6x1 não justificam o alarde. Tudo o mais constante, sim, o custo do trabalho pode aumentar em 7,84% segundo estudo do Ipea, por uma simples razão de que o combo salário igual e menos horas trabalhadas eleva o custo da hora de trabalho. O dado em si diz pouco.

Sem mobilização, supersalários vão continuar, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Lula vetou os novos penduricalhos, mas é pouco

Eles são uma erva daninha que tem se espalhado sem o mínimo pudor das autoridades e demais beneficiados pelos supersalários

O veto do presidente Lula a novos penduricalhos, que iriam engordar o contracheque dos servidores do Legislativo além do limite constitucional do salário do funcionalismo público, é um começo, mas está longe de impedir o avanço dos fura-tetos na administração pública brasileira.

Uma erva daninha que tem se espalhado sem o mínimo pudor das autoridades e demais beneficiados pelos supersalários, como se viu na votação do projeto aprovado pelo Congresso.

A proposta permitia a concessão de uma gratificação de um dia para cada três dias de trabalho para trabalhadores que já têm outras vantagens, inclusive a estabilidade no emprego.

Folia no Master, cinzas na República, Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Até festas de Daniel Vorcaro assustam figuras da política e da finança em vários estados

Medo de delação de ex-presidente do BRB eleva pressão sobre investigadores do caso

A festa do Master "não tem hora para acabar", como diz o clichê velho sobre comemorações de campeonatos de escolas de samba. Sim, a folia financeira acabou, assim como a pândega do "Cine Trancoso", festas em uma casa na vila de mesmo nome, em Porto Seguro, na Bahia, onde Daniel Vorcaro instalou uma zona de confraternização para seus "amigos em todos os Poderes" e na finança. As consequências é que são uma farra sem fim.

Desfile na Sapucaí armou uma casa de caboclo para Lula candidato, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O risco político não está apenas no Judiciário. O episódio fornece munição à oposição e, sobretudo, às forças de centro que articulam uma alternativa eleitoral fora da polarização

Petistas e juristas alinhados ao governo minimizam o impacto do desfile da Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, sob o argumento de que não houve violação explícita da legislação eleitoral. É mesmo o que precisam fazer. Formalmente, de fato, a decisão da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, ao liberar a apresentação, respeitou o princípio constitucional da liberdade de expressão artística — impedir o desfile configuraria censura prévia. Mas a política, como se sabe, raramente se resolve apenas na esfera formal. E é justamente aí que os estrategistas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm razões de sobra para pôr as barbas de molho.

Fogo amigo, por Merval Pereira

O Globo

Eleitorado evangélico pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile

Entre os vários efeitos colaterais negativos que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói pode ter trazido para a campanha eleitoral do presidente Lula, um é explorado nas redes sociais com avidez pelos bolsonaristas: a crítica da escola aos neoconservadores, especialmente às “famílias enlatadas”, entendidas como ridicularização dos evangélicos, uma das forças eleitorais brasileiras atrás da qual os petistas correm em busca de apoio. É um eleitorado majoritariamente bolsonarista, que pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile.

O inquérito que não acaba, por Julia Duailibi

Por O Globo

Investigação das fake news tem vida e regras próprias, que chamam ainda mais a atenção num ambiente de estabilidade democrática

Dizem os sábios que todo carnaval tem seu fim, mas a máxima não serve para o inquérito das fake news, conhecido popularmente como inquérito do fim do mundo. Trata-se do procedimento aberto por determinação do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para investigar ataques aos ministros da casa em 2019. Com todos os seus vícios de origem, o inquérito continua vivíssimo. Sete anos depois, consolidou-se como o mais poderoso instrumento nas mãos de um único Poder para investigar o que esse mesmo Poder considera relevante ser investigado.

A Quarta de Cinzas chegou para o STF, por Malu Gaspar

O Globo

A maior parte do Brasil passou o carnaval pensando no que fazer na folga, na programação dos blocos de sua cidade ou na classificação das escolas de samba na Sapucaí. No Supremo Tribunal Federal (STF), foram dias de tensão sem trégua. Os ministros ainda nem tinham digerido o trauma provocado pela reunião secreta em que obrigaram Dias Toffoli a deixar a relatoria do caso Master quando Alexandre de Moraes mandou que a Polícia Federal (PF) batesse à porta de quatro servidores da Receita e do Serpro em plena Terça-feira Gorda, numa operação para combater o “possível vazamento indevido de dados sigilosos de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral da República e de seus familiares”.

Dilema do BRB na busca do equilíbrio, por Míriam Leitão

O Globo

Após o episódio Master, o BRB precisa de resposta rápida do governo do Distrito Federal para evitar que a conta cresça

O total que o governo do Distrito Federal terá que aportar no BRB aumentou desde que o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, falou em necessidade de provisão de “mais de R$ 5 bilhões”. Na economia, não há fatos estáticos. Quanto mais tempo o controlador demora em dizer que solução dará para o rombo do banco causado pela compra de uma carteira fraudulenta do Master, mais o problema cresce. O BRB tem bons ativos, mas qualquer venda de carteira pode ser por valor menor do que está marcado em seu balanço. Isso reduzirá seu patrimônio, aumentando a necessidade de provisão. Ontem o mercado mostrou que aguarda a solução com otimismo, tanto que a ação do banco disparou 14%.

Poesia | Revolta, de Guimarães Rosa

 

Música | Luiz Alfredo Xavier (Rio Verde –GO) Castigo (Dolores Duran).

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil encontrou rumo no combate ao desmatamento

Por O Globo

É preciso celebrar índices melhores, mas país enfrenta outros desafios, como incêndios e criminalidade

É de bom augúrio a queda de 11% no desmatamento na Amazônia Legal em 2025 sobre o ano anterior, apurada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Se comparada a 2022, a perda de vegetação caiu pela metade. No ano passado, a área devastada foi estimada em 5.796 quilômetros quadrados, a menor em 11 anos e a terceira mais baixa da série histórica. Claro que a região ainda concentra problemas graves para além da questão ambiental, em particular o avanço do crime organizado, mas não deixa de ser um dado positivo.

Entrevista | Marqueteiro de Paes (PSD) vê Lula favorito, apesar de ‘dificuldades de sempre’

Por Camila Zarur / Valor Econômico

Ex-consultor de petista, Marcello Faulhaber considera escolha de Flávio certa

O marqueteiro Marcello Faulhaber é enfático nas previsões para as eleições deste ano. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será reeleito. “Com a dificuldade de sempre, no segundo turno e com pouca diferença, mas vai se reeleger”, diz, em entrevista ao Valor.

Coordenador das últimas campanhas do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e consultor na campanha de Lula em 2022, Faulhaber acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro acertou ao indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em vez de apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Olhando para os petistas, Faulhaber é crítico nas movimentações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O marqueteiro vê nas ações do chefe da equipe econômica do Planalto uma tentativa de forçar sua indicação para suceder a Lula - o que o transforma numa nova versão do ex-ministro e ex-senador José Serra (PSDB).

Por fim, na corrida ao governo do Rio, Faulhaber, que deve repetir a dobradinha com Paes, afirma que o único que pode atrapalhar o prefeito é ele próprio. “Depende dele”.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Articulação para vaga no STF ressurge pós-carnaval, por Fernando Exman

Valor Econômico

Expectativa é que presidente do Senado consiga fazer a carruagem avançar nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça uma afronta

Mais preocupado em não se atrasar para o próximo bloco, o folião que caminhou apressado neste carnaval no Rio de Janeiro pela rua Barão do Flamengo, entre a praia e a praça José de Alencar, certamente não se ateve ao fato de que onde hoje fica o edifício Simão Bolivar era a localização do famoso Hotel dos Estrangeiros. E com toda razão. Contudo, sua história e as dos personagens que o frequentaram cabem em uma quarta-feira de cinzas.

PPPs para hospitais e fábrica de vacinas, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Regras do jogo precisam estar sempre muito claras e firmes

Uma das políticas públicas mais bem-avaliadas na Bahia é o Hospital do Subúrbio, construído e operado no modelo Parceria Público-Privada (PPP). Foi inaugurado em 2010, quando o governador era Jaques Wagner (PT). Embora Rui Costa, que à época era secretário de Wagner, seja ministro da Casa Civil desde 2023 e tenha sob sua responsabilidade o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), só recentemente as PPPs de hospitais ganharam impulso no governo federal. A mudança veio quando Alexandre Padilha assumiu o comando da pasta de Saúde, em março de 2025.

STF diz que houve 'múltiplos acessos ilícitos' a dados fiscais de ministros e familiares

Por Tiago Angelo, Beatriz Olivon, Gabriel Shinohara, Estevam Taiar e Mariana Andrade / Valor Econômico

STF apura acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal com vazamento de dados sigilosos

O Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou em nota divulgada na terça-feira (17) que dados fiscais sigilosos de ministros e seus familiares foram acessados de forma irregular por servidores da Receita Federal, com o posterior vazamento das informações a terceiros, informou a Corte por meio de nota. Quatro suspeitos foram alvos de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, em uma decisão que dividiu o Tribunal por ser um desdobramento do inquérito das “fake news” e acabar envolvendo todos os magistrados.

O STF não disse quem seriam os donos dos dados vazados. Segundo apurou o Valor, no entanto, as informações coletadas ilegalmente seriam da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes cujas atividades profissionais ficaram em evidência devido ao contrato de seu escritório de advocacia com o banco Master, e de um filho de outro ministro.

Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A motivação ainda está em investigação pelos responsáveis pelo inquérito e pela própria Receita, se foi política ou se essas ações fazem parte de um esquema de venda de dados.