sábado, 4 de abril de 2026

Desafios da autocorreção, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Resistência de alguns ministros do STF em reconhecer erros favorece apenas a extrema direita

A crise do Supremo não se solucionará de forma mágica

A resistência de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal em reconhecer erros e corrigir os rumos do tribunal favorece apenas a extrema direita. Depois de anos criticando e fustigando o Supremo por suas acertadas decisões na defesa dos direitos fundamentais e, sobretudo, na responsabilização dos que atentaram contra a democracia, surge agora uma distinta oportunidade de atacar o Supremo. A conduta de alguns de seus ministros tem deixado o tribunal cada vez mais vulnerável. O tema STF concentrará atenções não apenas na disputa presidencial, mas, sobretudo, na corrida pelas cadeiras do Senado.

No Texas, Flávio Bolsonaro exibe sua vassalagem a Trump, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 só faltou pedir a anexação do Brasil pelos Estados Unidos

Candidato ao Planalto repete o pai e questiona eleições de 2022

Aluno esforçado das lições marqueteiras, Flávio Bolsonaro desistiu da dancinha ao som do funk "Zero Um, Novo Capitão". Na avaliação de quem cuida de suas redes, imitar a postura tiktoker de Donald Trump não pegou bem. Um político moderado não pode rebolar descendo até o chão.

A ordem é abrir a boca o menos possível, evitar as entrevistas do tipo quebra-queixo, escapar das cascas de banana. Uma palavra sobre o escândalo Master? Nem pensar. A finalidade da estratégia low profile é reprimir a natureza golpista do filho 01.

Equilíbrio fiscal: assunto de todos, por Marcus Pestana

Aproxima-se as eleições e é hora de discutir os desafios e os dilemas nacionais. No entanto, a política econômica, apesar de ser tema central para a vida do País, sempre fica escanteado. Tudo indica que os temas predominantes serão segurança pública e corrupção, a partir dos escândalos do INSS e do Banco Master. A política fiscal é evitada por todos. Nenhum candidato, em plena campanha, vai ser explícito sobre aumento de impostos ou corte de gastos em uma estratégia de ajuste fiscal. Mas, ao assumir, o próximo presidente da República terá um inevitável encontro com o reequilíbrio das contas públicas.

O incêndio na pizzaria, por Murillo de Aragão

Veja

O sistema institucional precisa ser imediatamente depurado

Vivemos em um país onde o Estado é maior que a sociedade e os detentores do poder sempre exerceram contenção de danos em nome da manutenção da institucionalidade e da tutela de nós, a patuleia. Mesmo que custasse atropelar a Constituição, que, nos dias de hoje, nos faz lembrar de como a chamavam no Império: a defunta. Já não há estado de direito nem contenção moral de muitos que dirigem o país. A “Constituição Cidadã” é plena de direitos, parca de obrigações e ineficaz na aplicação de ambos.

Entrevista | “Nunca escolhemos adversários”, diz Edinho Silva, presidente do PT

Sergio Lirio /CartaCapital

A meteórica alta das intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas não surpreende Edinho Silva, presidente do PT. Resultado da “polarização”, afirma o ex-ministro e ex-prefeito de Araraquara, à frente da legenda em mais uma eleição decisiva tanto para o País quanto para o partido. “Sempre tive a leitura de que qualquer candidato que representasse o campo bolsonarista cresceria rapidamente.” O dirigente petista, na entrevista a seguir, nega que a agremiação tenha preferência por outro adversário, minimiza os efeitos da candidatura de Ronaldo Caiado (“é um problema da família Bolsonaro, não nosso”), afirma que a campanha por um quarto mandato do presidente apresentará aos eleitores um programa arrojado e moderno com uma perspectiva de futuro, em especial para as novas gerações, e espera uma mudança do humor da população quando se aproximar a hora da escolha. “No meio do ano, a situação será outra.”

Apenas Flávio, por André Barrocal

CartaCapital

O filho 01 de Bolsonaro veste um figurino que não lhe cabe, enquanto torce pelo incerto engajamento de Tarcísio de Freitas e Donald Trump em sua campanha

Em 4 de abril acaba o mistério: Tarcísio de Freitas continuará governador de São Paulo? Para concorrer à Presidência da República em outubro, o anti-Lula predileto do “mercado”, do empresariado e da grande mídia teria de deixar o cargo até esta data. Vontade de subir a rampa do Palácio do Planalto não lhe faltava, ainda que considerasse o atual chefe da nação um oponente duríssimo de bater. A concessão judicial de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, dez dias antes do fim do prazo para Tarcísio decidir se abandonava São Paulo e alçava voos mais altos, havia realimentado os sonhos do governador. É o que havia confidenciado um dos auxiliares mais próximos dele em conversas com a turma da Avenida Faria Lima, a meca do capital financeiro no Brasil.

Cenário movediço, Aldo Fornazieri

CartaCapital

Há um congestionamento de candidaturas à direita

Com a escolha de Ronaldo Caiado como candidato do PSD, o quadro das candidaturas presidenciais está praticamente definido e o cenário da disputa ganha novos contornos. O quadro revela um Lula olímpico no campo do centro-esquerda, um centro órfão e um enorme congestionamento à direita. O centro poderia ter um representante se Ratinho Júnior ou Eduardo Leite viessem a ser candidatos. Além de Caiado, a direita terá Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos. Outros possíveis candidatos se situarão entre as candidaturas nanicas.

Atrás do trio elétrico… Por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Os países que mais se desenvolveram uniram por conta própria mercado eficiente e coordenação estatal

“Quando tudo tem de ser feito pelo livro, quando o pensamento se torna rígido e a fé cega é a moda, é impossível um partido ou uma nação progredir. A vida cessará e essa nação ou esse partido perecerá.” (Deng Xiaoping)

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu, diz a música de Caetano Veloso. Nós morremos porque fomos atrás do tripé macroeconômico, superávit fiscal, câmbio flutuante e regime de meta de inflação. A fé cega no livro, na teoria e a troca entre estabilidade monetária e o desmonte da infraestrutura brasileira montada a duras penas entre 1930 e 1980. O Plano Real nunca teve como meta um projeto de desenvolvimento econômico e, muito menos, um plano estratégico para o Brasil. O mantra da eficiência econômica, somado à alocação eficiente dos recursos pela iniciativa privada, colocaria o Brasil rumo ao crescimento sustentável! A partir desse momento, é decretado o cancelamento da palavra planejamento e a repetição ad nauseam que investimento público é sinônimo de gasto. Cinquenta anos de experiências de planejamento desde Getúlio, Juscelino e o regime militar foram jogados no lixo da história. Quem foi atrás do trio elétrico desmantelou a capacidade produtiva deste país.

Na antevéspera das eleições, por Ligia Bahia*

CartaCapital

Vamos à luta pela saúde ou nos manteremos acendendo velas a torto, à esquerda e à direita nestes tempos decisivos para os direitos e a democracia?

Candidaturas anunciadas ou ensaiadas já se acompanham de críticas (ao que aí está) e de proposições para a saúde no âmbito nacional. Ideias, interesses brutos ou já lapidados e projetos, ainda que imprecisos, estão circulando.

O doutor Queiroga, ex-ministro de Jair Bolsonaro, lançou em fevereiro o Plano Real da Saúde, “reforma” baseada na revisão de valores da tabela SUS e remuneração adequada de profissionais.

O atual repeteco do programa eleitoral do PL em 2022, destituído de qualquer menção ao fato de não ter sido implementado durante o mandato autoritário-negacionista, tem como propósitos imediatos tracionar a candidatura do autor da cópia ao Senado e angariar apoios de parte do empresariado setorial e entidades médicas e enfermagem.

Cultura do Bra$il e a Economia, por Luiz Carlos Prestes Filho

Catetear Notícias

Embora as obras de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e muitos outros, como Margareth Menezes, sejam símbolos da identidade brasileira, os direitos de exploração comercial dessas gravações (os chamados "masters") pertencem, em grande parte, a conglomerados internacionais, como Universal Music Group (França/EUA), Sony Music (Japão/EUA) e Warner Music (EUA).

Poesia | Gato que brincas na rua, de Fernando Pessoa

 

Música | Paulinho da Viola - Nervos de Aço

 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão sobre ‘penduricalhos’ ampliou incerteza

Por O Globo

Depois de STF ressuscitar quinquênio para juízes e procuradores, demais servidores também querem a regalia

Era previsível: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tentou disciplinar os supersalários no serviço público surtiria efeito contrário, abrindo caminho para outras categorias reivindicarem as mesmas bondades concedidas ao Judiciário e ao Ministério Público (MP). Pois não deu outra. Levou uma semana para o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate) reivindicar ao Ministério da Gestão e Inovação a retomada da discussão sobre o adicional por tempo de serviço para servidores públicos — a promoção automática conhecida como quinquênio —, com base na decisão que o ressuscitou para juízes e integrantes do MP. O quinquênio havia sido extinto por Emenda Constitucional em 2003.

Enquadrar Fachin é inversão, por Vera Magalhães

O Globo

Aqueles que deveriam ser instados a dar explicações e adotar a transparência sobre suas ações isolam o presidente e tentam evitar medidas mínimas de transparência

O problema da formação de panelas em colegiados com poucos assentos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), é que os alinhamentos produzem distorções que acabam por agravar os vícios e impedir sua correção. Edson Fachin nunca foi integrante dos grupos, mais ou menos fluidos a depender da época e das circunstâncias políticas, que se formam no STF. Tímido, menos empavonado que os colegas e não tão afeito às costuras como muitos de seus pares, tem alternado momentos de adesão e outros de isolamento ao longo dos anos em que está na Corte.

Nas asas de Vorcaro, Por Bernardo Mello Franco

O Globo  

Dois ministros do Supremo viajaram em jatinhos de Daniel Vorcaro. A revelação deveria apressar a Corte a aprovar um código de conduta. Nos últimos dias, ocorreu outra coisa: cresceu a resistência às regras propostas pelo presidente Edson Fachin.

A notícia das caronas aéreas criou novos problemas para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Os ministros já estavam ligados ao caso Master por repasses milionários — um via resort, outro pelo escritório de advocacia da família. Agora precisam explicar por que embarcaram em aeronaves do banqueiro preso.

Patriotas de vermelho, azul e branco, por Pablo Ortellado

O Globo

Declarações e atos da família subordinam interesses brasileiros à aliança com os Estados Unidos

Flávio Bolsonaro fez uma palestra na CPAC, principal conferência conservadora dos Estados Unidos, no último sábado. Como era de esperar, em seu discurso atacou as elites globalistas, o ambientalismo, a agenda woke e o Estado profundo; protestou contra a prisão do pai e acusou o presidente Lula de se alinhar com a China — propondo, em contrapartida, alinhar-se aos Estados Unidos se eleito presidente.

Em busca de narrativa eleitoral, Lula defende Pix sob ataque dos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A adoção de um discurso mais combativo indica que o presidente compreendeu a necessidade de recompor sua base eleitoral e melhorar a avaliação do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram nesta quinta-feira a um relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio exterior. A posição da Casa Branca não é nova, mas a divulgação do relatório deu oportunidade para que Lula tente politizar ao máximo a questão e transformar a defesa do Pix numa bandeira eleitoral com popularidade. É a busca de uma narrativa convincente sobre o bom desempenho de seu governo para tentar aumentar sua aprovação.

Lula reage aos EUA: Pix não vai mudar

Por Francisco Artur de Lima / Correio Braziliense

Presidente diz que sistema de pagamento instantâneo é brasileiro e ninguém fará o país modificá-lo. Declaração ocorre após relatório apontar que o mercanismo é uma das principais barreiras impostas pelo Brasil aos interesses comerciais americanos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram, nessa quinta-feira, ao relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio norte-americano.

Lula enfatizou que nenhum país nem "ninguém" vai alterar o funcionamento do método de pagamento instantâneo criado pelo país. "Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix, e eles disseram que distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", enfatizou. "O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país."

STF atua pela liberdade de expressão, diz Fachin

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF rebate relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA que acusa a Corte de censura. Ministro ressalta que o Supremo preza pelos direitos fundamentais, reconhecidos pela Constituição

O Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa das instituições brasileiras após a repercussão de um relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O documento, que aponta supostas violações à liberdade de expressão no Brasil com efeitos extraterritoriais, foi classificado pela Corte como uma peça baseada em "caracterizações distorcidas". Em resposta, o tribunal prepara esclarecimentos diplomáticos para restituir a "leitura objetiva dos fatos" junto ao Congresso americano.

Os CPFs versus o CNPJ do Supremo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O mundo está caindo na cabeça de Moraes, mas ele e o STF fingem que não é com eles

Ou o ministro Alexandre de Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, o que, convenhamos, não é trivial, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, o que é menos trivial ainda, em se tratando de um ministro do Supremo – justamente o que capitaneou a resistência a um golpe de Estado.

Moraes age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. Está, deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço direito, o pastor esquisitão e supertatuado Fabiano Zettel.

Suprema blindagem, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o exbanqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional.

É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam.

Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro e, agora, as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

Trump afunda em contradições, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O pronunciamento do presidente Donald Trump perante a nação, na quarta-feira, veio carregado de contradições. Foi o primeiro depois do início da guerra, feito por meio de texto previamente preparado, apresentado via teleprompter, e não por tiradas improvisadas em “quebra-queixos” diários aos repórteres reunidos em cada ocasião.

Ele disse que o Irã está militarmente aniquilado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. Mas, em seguida, afirmou que a guerra prosseguiria por pelo menos “duas ou três semanas”. Não ficou claro o que seriam essas operações destinadas a “completar o trabalho”. Em outras declarações, Trump já afirmara que a guerra não duraria mais do que duas ou três semanas, prazo que acabaria sucessivamente dilatado.

Apequenando a América, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Políticas de Donald Trump minam os pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder

Liderança internacional, predominância científica e apetite global pelo dólar estão sob risco

Donald Trump procura "tornar a América grande de novo" exercitando o músculo militar do país, hostilizando imigrantes e impondo tarifas a outras nações, entre outras políticas erráticas. Na prática, o que ele está conseguindo é erodir três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder.

Recursos bélicos importam, mas o que realmente dava aos EUA um lugar único na ordem global era seu papel de liderança sobre o que os próprios americanos chamavam meio pretensiosamente de "mundo livre". Não era uma liderança que se impunha só pela força, mas principalmente pela adesão voluntária a um sistema internacional baseado em regras. O Agente Laranja já dinamitou esse sistema. Até os mais tradicionais aliados dos EUA já buscam alternativas. Mesmo que a Otan sobreviva a Trump, não será a mesma organização. Isso vale para todas as instituições multilaterais, da OMC à ONU.

Do paraíso de Darcy ao inferno de Lula no Senado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A frase do antropólogo sobre o céu dos senadores hoje não reflete o ambiente de hostilidade reinante na Casa

Alcolumbre pressiona, ameaça, mas terá de arcar com o ônus de deixar o STF desfalcado até quando durar a pirraça

Darcy Ribeiro (1922-1997) criou a frase célebre de comparação do Senado ao paraíso, na qual ressaltava a vantagem de se chegar ao Congresso sem o pré-requisito da morte. Celebrava o próprio mandato, conquistado em 1990 pelo Rio de Janeiro.

Luiz Inácio da Silva (PT) pareceu ecoar o conceito ao dizer que os senadores, "com mandato de oito anos", se veem como deuses. Talvez a intenção tenha sido fazer a referência, mas a diferença entre o antropólogo e o presidente vai além das três décadas que separam os respectivos ditos. Há as circunstâncias.

Vorcaro para principiantes, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem é o homem por trás desse currículo de dar inveja aos seus colegas da Faria Lima?

Como foi sua infância? Jogava pelada, matava aula, levava a Playboy para o banheiro?

Daniel Vorcaro é um contêiner de surpresas. Não há dia em que não se abra um arquivo sem encontrar uma façanha de sua lavra. E, como todas, da ordem de milhões, bilhões de reais, capaz de quebrar bancos, envolver figurões da República e atolar os Poderes num lamaçal histórico. É um dos dois ou três nomes mais citados do noticiário, e o espantoso é que, até há pouco, ninguém ouvira falar dele. Mesmo hoje, não sei de ninguém que responda a perguntas simples, tipo: Como Vorcaro juntou tanto dinheiro e tão rápido? De onde tirou o know how? Quais foram seus mestres?

Lula entre a aflição e o tiro no pé, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço da petroleira estatal na Argentina

Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.

O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

Dinheiro e religião, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo

A frequência de notícias de pastores e missionários de igrejas evangélicas em casos de anomalias envolvendo formas não convencionais de ganhar dinheiro, apuradas pela polícia e pela Justiça, indica que o problema passou dos limites da “normalidade”. Entre as mais recentes estão casos ligados a algumas igrejas evangélicas neopentecostais.

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo. Em vez de sacrário, um gasofilácio sem fundo. Por que o dinheiro nas mãos dessa gente torna-se isento de suspeita? Supostamente porque esses religiosos falam e agem em nome de Deus. Mas fomentar essa crença transforma esse negócio de falar em nome de Deus em negócio suspeito.

Poesia | Os três mal amados (Trecho), de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Anjo da Velha Guarda com Teresa Cristina

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alcolumbre tem de ser ágil ao marcar sabatina de Messias

Por O Globo

Lula enviou enfim ao Senado mensagem indicando chefe da AGU a vaga no Supremo

Depois de mais de quatro meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou enfim ao Senado a mensagem oficializando a escolha do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso. A escolha de Messias foi publicada em novembro no Diário Oficial. Nunca o chefe do Executivo protelou tanto o envio da mensagem, mera formalidade.

As ideias do novo ministro da Fazenda, por Míriam Leitão

O Globo

À frente da Fazenda, Durigan afirma que cumprirá as regras fiscais do país e que o Brasil dará exemplo de democracia na eleição

das famílias incluirá desconto na dívida, garantia do governo e será mais simples do que foi o Desenrola. “Neste ciclo do governo do presidente Lula, mais de 15 milhões de pessoas foram bancarizadas”. É o que conta o ministro Dario Durigan em entrevista que me concedeu na GloboNews, na qual falou também de política. O novo titular da Fazenda se espanta ao ver lideranças jovens no país com “um discurso pouco republicano”. Ele se define como um técnico que tem respeito pela política. “Vamos cumprir as regras fiscais do país e vamos ter uma eleição sem negacionismo, uma eleição livre com reconhecimento do resultado. O ciclo democrático ocorrerá de maneira bonita”.

A República do autoengano, por Malu Gaspar

O Globo

Aquecendo os motores para a campanha pela reeleição, Lula fez uma reunião para se despedir dos ministros que disputarão algum mandato em outubro. Na fala transmitida pelo YouTube, o presidente convocou seu time para “ir pra cima” de Flávio Bolsonaro, mostrando que seu governo fez “infinitamente mais” que o anterior. Rui Costa, da Casa Civil, fez uma apresentação comparando Lula e Jair Bolsonaro, classificando o resultado de “mudança da água para o vinho”. E sugeriu que o colega da Comunicação, Sidônio Palmeira, não estava fazendo seu trabalho direito.

Política no STF, Por Merval Pereira

O Globo

A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Não é porque não tem “notório saber jurídico” que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, não poderia ser indicado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse requisito há muito não é levado em conta na escolha do candidato, e, na verdade, são poucos os que o têm. O problema é que, mais uma vez, o presidente Lula escolheu um ministro do Supremo por suas qualidades pessoais, não jurídicas. A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Visão do passado arrisca reeleição, por Julia Duailibi

O Globo

As pessoas conhecem os programas do governo e os veem, hoje, não como favor, mas como obrigação

Diagnóstico errado; remédio também errado. Essa máxima serve para a política. O presidente Lula avalia que a baixa aprovação da sua gestão, na reta final do mandato, tem a ver com uma falha na comunicação sobre as entregas do governo. A falta de informação na praça seria a principal explicação para a desaprovação, que atinge mais da metade da população. Lula culpa não só a imprensa, reeditando a visão equivocada de que jornais e TVs deveriam funcionar como linhas auxiliares dos Diários Oficiais, mas também os canais formais da Presidência.

Os bônus e ônus para Lula da indicação de Messias ao STF, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O indicado carrega no passivo de imagem o episódio de 2016, quando seu nome apareceu em interceptações telefônicas no contexto da crise do impeachment de Dilma Rousseff

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, tem bônus e ônus. Ocorre num cenário político-institucional delicado, com a Corte muito desgastada por causa do envolvimento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Banco Master, e dividida quanto à condução desse processo pelo novo relator do caso, ministro André Mendonça — sem falar no racha entre os ministros quanto à aprovação de um Código de Ética para a magistratura. A eventual aprovação do nome de Messias reforçará a associação da imagem da Corte à de Lula, que passaria a ter três ministros, com Cristiano Zanin e Flávio Dino, fortemente ligados ao seu governo. Isso produz efeitos ambíguos, com ganhos políticos na relação com os demais poderes, porém, sob desgastes eleitorais imprevisíveis.

Sem anistia, por Cida Barbosa

Correio Braziliense

Fingir que nada aconteceu, passar uma borracha, "esquecer" — como querem pré-candidatos, no vale-tudo pela Presidência — é permitir que ocorram novas ofensivas

É lastimável que pré-candidatos à Presidência da República apresentem como cartão de visitas a promessa de anistia ampla, geral e irrestrita a golpistas condenados. Postulantes ao comando do país não têm pudor de enfatizar que o principal contemplado com o perdão será o chefe da organização criminosa que atentou contra a democracia. Chefe este, diga-se, que desfruta de prisão domiciliar humanitária — benefício possível apenas no Estado de Direito que ele tentou derrubar.

O argumento acintoso desses pré-candidatos é que a pacificação do país passa pela anistia. Livrar da cadeia os que planejaram assassinato de autoridades? Os que depredaram os prédios dos Três Poderes? Os que bradaram por intervenção militar e queriam mergulhar o Brasil novamente num período de trevas?

Fraudes trabalhistas, extinção de direitos e o julgamento no STF, por Luiz Marinho*

Correio Braziliense

É possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Questão será julgada pelo STF

Aproxima-se, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento de uma questão essencial: é possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Se não for possível, por se tratar de uma fraude, qual ramo do Judiciário deve ser indicado para impedi-la? 

Governadores fogem da raia na eleição para o Senado, por César Felício

Valor Econômico

Apenas 8 dos eleitos em 2022 devem concorrer às 54 cadeiras de senador em disputa

A lista de governadores candidatos a outros cargos nesta eleição encolheu nos últimos dias. Até sábado, último dia da desincompatibilização, dez governadores eleitos em 2022 deverão ter deixado o cargo para buscar outros desafios.

Dez ou onze. O gaúcho Eduardo Leite (PSD) foi o último a engrossar a lista dos desistentes. No caso, o partido desistiu dele, ao preteri-lo para a presidência da República em favor do goiano Ronaldo Caiado. Leite contudo deu mostras de inconformismo e começaram a circular apelos de personalidades ligadas ao PSDB para que ele retorne ao ninho tucano e tente viabilizar a sua candidatura por lá. Pouquíssimo provável, já que a base de Leite na Assembleia Legislativa migrou para o PSD por orientação do governador, mas o governador gaúcho tem precedente de decisões surpreendentes.

Entrevista | Alckmin prevê ajuste fiscal em 2027 em caso de reeleição de Lula

Por Lu Aiko Otta, Giordanna Neves e Estevão Taiar / Valor Econômico

Vice vê melhora, mas defende avanços; tema será estudado pelo presidente

O atual governo melhorou a situação das contas públicas, mas é preciso avançar mais, defendeu o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin em entrevista ao Valor. Segundo ele, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, será necessário fazer um ajuste fiscal já em 2027. “Eu entendo que ajuste se faz no primeiro ano”, afirmou.

O tema será discutido na elaboração do programa de governo. A questão fiscal fará parte de “um conjunto” de propostas. “A questão mais premente é juros, a política monetária, que me parece totalmente descalibrada”, acrescentou.

Jogando com o extermínio, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A possibilidade de uma chuva de artefatos mais destrutivos do que aqueles que a Casa Branca despejou em Hiroshima e Nagasaki pode não ser grande, mas é real

Segundo uma crença liberal do século passado, as guerras arrefeceriam à medida que as sociedades de mercado prevalecessem e os regimes democráticos, minimamente estáveis, perdurassem. Pois bem, o que se deu foi o contrário, três vezes o contrário.

Primeiro revertério: os regimes democráticos começaram a periclitar e agora claudicam. O relatório anual do Instituto V-Dem, o principal ranking da democracia no mundo, rebaixou os Estados Unidos (até os Estados Unidos). De “democracia liberal”, o país caiu para “democracia eleitoral”. Na terra do tio Trump (o Tio Sam foi deportado), os indicadores de liberdade apodrecem como detritos burocráticos que o caminhão de lixo se esqueceu de recolher.