sexta-feira, 22 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

Decretos de Lula sobre redes sociais são oportunos

O Globo

Diante da omissão do Congresso, ação do Executivo e do Judiciário se faz necessária para coibir crimes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva baixou decretos atualizando a regulamentação do Marco Civil da Internet, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que criou, para plataformas digitais, obrigações sobre o conteúdo que veiculam. Embora tal caminho regulatório seja incomum, são medidas necessárias diante dos crimes no meio digital e do vácuo resultante da omissão reiterada do Congresso, onde o Projeto de Lei das Redes Sociais não avança.

Um dos decretos determina que as plataformas ofereçam canais para notificação de crimes ou atos ilícitos. Uma vez notificadas, são consideradas corresponsáveis e devem remover o conteúdo imediatamente, sem esperar decisão judicial, mecanismo que já vigora na União Europeia e noutros países. A exclusão deve ser informada e justificada ao responsável, que poderá contestá-la. O decreto trata exclusivamente de crimes previstos na legislação, como fraudes, exploração sexual de crianças e adolescentes, incentivo à automutilação ou ao suicídio, tráfico humano, terrorismo ou violência contra mulheres.

A Síndrome de Estocolmo da direita, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

Nos últimos quatro anos todos os pretendentes à direita fora da família Bolsonaro não tiveram a coragem de buscar a independência, seja por amor ou medo do patriarca

O bolsonarismo tem significado a redenção e a desgraça da direita brasileira. Esse paradoxo está ficando cada vez mais claro com a crise na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Suas relações com Daniel Vorcaro são mal contadas e injustificáveis, pensam aliados e outros candidatos do lado direitista. Porém, como criticar profundamente ou abandonar o filho de um grande líder popular que reordenou o mapa ideológico do país, antes com predomínio inconteste do espectro que vai do centro para a esquerda?

Compreender as razões desse dilema é fundamental para a direita não bolsonarista. Ela vive hoje uma espécie de Síndrome de Estocolmo, caracterizada por uma simpatia ou lealdade irrestrita em relação ao sequestrador. O bolsonarismo sequestrou quase todos os políticos direitistas e mesmo uma parcela mais ao centro. Tal aprisionamento impede críticas às posições ou atos da família Bolsonaro e dificulta sobremaneira um projeto efetivamente independente de poder, mesmo quando hoje temos mais presidenciáveis à direita do que à esquerda.

O desmanche político, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Explicação de Flávio Bolsonaro para pedido a Vorcaro é episódio que desconstrói o enredo e a trama e expõe cruamente a incongruência do visível, mas sobretudo a extensão do invisível

O programa de Julia Duailibi, com Malu Gaspar e Otávio Guedes, na GloboNews da quinta-feira dia 14, foi muito mais do que um programa rotineiro sobre temas da atualidade política. Horas antes o pré-candidato da extrema direita à Presidência da República Flávio Bolsonaro teve que ver-se com a divulgação de sua própria conversa com o principal protagonista do caso do Banco Master, de pedido de recursos milionários para realização de um filme sobre o ex-presidente Jair Messias.

Os entrevistadores foram objetivos e claros no questionamento do entrevistado quanto à coerência de seus argumentos para defender-se de ser impróprio o pedido de dinheiro envolvendo um banco em situação anômala. O banqueiro seria preso no dia seguinte ao do pedido.

Alcolumbre repetiu erro de Eduardo Cunha? Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Fontes bem informadas da cúpula do PL descartam chance de substituição de Flávio Bolsonaro pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na corrida presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é mais o nosso Lionel Messi, o craque argentino, hoje no Inter Miami, que corre o meio de campo, dribla adversários, bate o escanteio e faz a rede balançar.

Na opinião de um observador político, o Lula do terceiro mandato está mais para o Romário: “precisa que alguém arme o jogo e coloque a bola na cara do gol pra ele chutar”, provocou. O ex-artilheiro do Flamengo entrou para a política, está filiado ao PL e se reelegeu senador do Rio de Janeiro em 2022.

A percepção de que o líder petista deixou de ser o craque da política nacional não é isolada. Mas aliados ressalvam que, seja no campo de futebol, seja no tabuleiro de xadrez, Lula continua sendo um estrategista capaz de driblar outros jogadores e surpreender opositores.

Congresso derruba vetos de Lula e amplia o vale-tudo eleitoral

Medida libera doações federai a estados e prefeituras, obras em rodovias e repasses a cidades pequenas inadimplentes nos três meses antes do pleito

Vale tudo pelo voto

Com derrubada de veto de Lula, Congresso libera doação antes das eleições e reforça caixa de aliados em redutos

Por Letícia Pille, Lauriberto Pompeu e Paulo Assad – O Globo

Contaminado pelo ambiente de pré-campanha, o Congresso deu aval ontem a mais um pacote de bondades para favorecer aliados de parlamentares em seus redutos eleitorais. Sem dificuldades e com apoio de quase todos os partidos, Senado e Câmara retomaram, em sessão conjunta, dispositivos legais que vão aumentar os repasses federais a municípios ainda neste ano. A liberação, contrariando consultoria técnica do Legislativo, facilita o empenho de mais emendas e ocorreu a partir da derrubada de vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feitos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Em plenário, governistas e o PT respaldaram a decisão.

Especialistas avaliam que a manifestação do Congresso viola tanto a legislação eleitoral quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Um dos trechos derrubados diz respeito ao artigo 95 da LDO, que estabelece que a “doação de bens, valores ou benefícios” públicos não configura descumprimento das restrições da legislação eleitoral, desde que haja contrapartida. Na prática, o dispositivo flexibiliza repasses, transferências e doações, como cestas básicas e tratores, por exemplo, em período eleitoral — a lei proíbe esse tipo de prática três meses antes da eleição. O placar foi de 329 a 194 pela derrubada.

Congresso revoga o Axioma de Tiririca, por Vera Magalhães

O Globo

'Libera geral' promovido nesta semana por deputados e senadores supera em falta de cerimônia a tentativa de aprovação da PEC da Blindagem

Em 2010, o humorista e cantor Tiririca explodiu em votos para deputado federal com um slogan justificando sua decisão de entrar para a política: "Pior do que tá, não fica". Ele se elegeu, se reelegeu e pode-se dizer que a qualidade do trabalho piorou muito — e o artista que começou sua carreira no circo não pode ser responsabilizado por isso, nem pela profecia errada.

A lambança promovida por deputados e senadores nesta rara semana em que resolveram pegar no batente presencialmente supera, em desfaçatez e ousadia, a malfadada jornada pela aprovação da PEC da Blindagem no ano passado. Supera porque, desta vez, o Senado não se sente pressionado a “corrigir” as decisões escandalosas e participa delas ativamente.

O teatro da CPI, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ao se dizer favorável a investigação, senador ameaça tirar prêmio de Jim Caviezel na categoria pior ator

O senador Davi Alcolumbre pode ser acusado de muitas coisas. Menos de impaciente. Na sessão de ontem do Congresso, ele deixou parlamentares do governo e da oposição se esgoelarem à vontade. Num raro momento de consenso, todos cobravam a instalação da CPI do Master.

“Vossa Excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, bradou o petista Lindbergh Farias. “É obrigatória essa instalação”, reforçou o bolsonarista Carlos Jordy.

Depois de uma hora e meia de falatório, Alcolumbre retomou a palavra para o que chamou de “esclarecimento de ordem técnico-regimental”. Sem alterar a voz, informou que não leria os requerimentos de abertura da CPI. Disse que a decisão era um “ato discricionário da Presidência da Mesa do Congresso Nacional” — ou seja, dele mesmo.

Atualização do Marco Civil traz dois perigos, por Pablo Ortellado

O Globo

Conceito de publicidade enganosa sobre políticas públicas não está bem definido

Ontem o governo publicou dois decretos regulamentando a decisão do STF de junho de 2025 que mudou o entendimento sobre a responsabilidade civil no Marco Civil da Internet. Embora os decretos sejam em geral corretos, dois dispositivos ampliam de forma preocupante o poder do governo sobre o discurso digital.

Direita, de uma queda foi ao chão, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Ao que parece, as revelações não são um mero incidente de campanha, mas revelam o tamanho do erro de essa corrente de opinião se tornar refém da liderança de Jair Bolsonaro

Quando baixar a poeira do envolvimento de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master, muitas perguntas poderão ser respondidas sobre o futuro da direita e, indiretamente, o futuro imediato do próprio País. Ao que parece, as revelações não são um mero incidente de campanha, mas revelam o tamanho do erro de essa corrente de opinião se tornar refém da liderança de Jair Bolsonaro. É um homem limitado para uma tarefa complexa, e o simples fato de ter optado por um caminho dinástico, apresentando o filho como candidato, já é um sinal de estreiteza.

Erro de cálculo de Vorcaro, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Banqueiro do Master erra feio ao temer mais Flávio e Ciro do que a PF e a PGR

O presidiário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro erra feio ao jogar fora a chance de reduzir sua pena por temer mais o senador Ciro Nogueira e o ainda précandidato Flávio Bolsonaro do que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Um erro de cálculo que pode lhe custar décadas atrás das grades e no fundo do precipício.

Vorcaro já deu tudo o que tinha de dar e já recebeu tudo o que tinha de receber de Ciro Nogueira e de Flávio Bolsonaro, que estão em viés de baixa, como se diz na economia, e bastante encrencados, do ponto de vista político e policial.

Embate inédito no Supremo, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Há brechas para que Mendonça rejeite a delação de Vorcaro, mesmo com o aval da PGR

A rejeição da delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pela Polícia Federal deixou uma nódoa sobre o processo, mas, juridicamente, ele segue de pé.

A PF desconfia que Vorcaro está protegendo políticos. Seu receio se fundamenta nas provas que já colheu durante as investigações e que vão além do que Vorcaro ofereceu.

Mas o titular da ação penal é a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não precisa da PF para selar essa delação.

Na PGR, a visão é oposta. Dizem que não falta seriedade do ex-banqueiro e de sua defesa e que não faz sentido bater a porta de uma possível colaboração. Querem aguardar uma contraproposta.

Meter a mão no dinheiro que o público dá a partidos ficou baratinho, decidem deputados, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PSOL-Rede, Novo e Missão se opuseram à mumunha; PT votou com centrão e extrema direita

Mudança reduz multa a gorjeta, dificulta punição e facilita jorro de "fake news" por mensagens

Fazer rolo com o Fundo Partidário ficou baratinho. O dinheiro desse fundo serve para bancar o funcionamento dos partidos. Neste ano, vai custar ao público cerca de R$ 1,4 bilhão. Se um partido desse um sumiço ou cometesse irregularidade, digamos, no valor de R$ 1 milhão, fosse pego e condenado, teria de pagar multa de até R$ 200 mil (de até 20%). Agora, a multa máxima é de R$ 30 mil, com 180 meses (15 anos) para pagar, se é que alguém vai ser condenado e pagar. Note-se de passagem que, além desse fundo, os partidos terão neste ano quase R$ 5 bilhões para a campanha eleitoral.

O Brasil das capitanias hereditárias sobrevive nos 'nepo babies' da política, por Eliane Trindade

Folha de S. Paulo

Herdeiros de oligarquias e clãs trafegam com vantagem na disputa por indicações, cargos e visibilidade

Há a ideia de que determinados sobrenomes carregam uma espécie de direito natural à liderança

A entronização de Flávio Bolsonaro como herdeiro-mor do bolsonarismo é exemplo de como o Brasil das capitanias hereditárias sobrevive nos "nepo babies" da política nacional.

O termo em inglês "nepo baby" é usado para descrever filhos de celebridades que seguem a carreira dos pais, herdando contatos e privilégios do nome famoso. Assim como no entretenimento e na moda, os ‘nepo babies’ dão o que falar no meio político, onde herdeiros de oligarquias e clãs trafegam com vantagem na disputa por indicações, cargos e visibilidade.

O filho 01 foi o escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ser candidato à presidência, como herdeiro de um espólio político que já o fizera saltar de deputado estadual a senador.

Flávio Bolsonaro queima o filme, leva cavalo de pau, e Lula ganha, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Há quem aposte que, apesar das mentiras e armações, senador voltará a se revelar competitivo

Desgaste é grande e atinge direita Master e seu espectro conservador que se estende ao mercado

Depois do flagra no escurinho do cinema, quando o site Intercept Brasil publicou o áudio de sua tentativa de pegar dinheiro de Daniel Vorcaro para supostamente financiar a cinebiografia de seu pai, Flávio Bolsonaro vem sofrendo desgaste sobre desgaste. "Dark Horse", azarão em inglês, bem que poderia ser intitulado "O Pangaré Obscuro"

O filme do senador e pré-candidato pelo PL foi queimado por ele mesmo. Sua ascensão nas pesquisas, que causou frisson nos mercados, sofreu um cavalo de pau. Flávio mentiu e continua mentindo para tentar escapar dessa fase negativa. A questão é saber se ele ainda poderá se apresentar como candidato competitivo quando a campanha de fato começar.

Malandragem de deputados tenta fazer o público de mané, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Aproveitando-se da distração geral com o escândalo da vez, a Câmara voltou a legislar em prol dos seus

Na essência, a proteção aos partidos é semelhante à tentativa de blindar parlamentares de ações da Justiça

Distraído que estava o público com o escândalo da vez, a Câmara dos Deputados voltou a fazer o que mais gosta: legislar em prol dos seus. E, de novo, com o método de sempre.

À sorrelfa, no de repente da urgência conveniente, em votação simbólica os deputados aprovaram uma série de facilidades para os partidos, à qual deram o nome de minirreforma do sistema que rege as legendas. Não bastasse, determinaram que a coisa tenha vigência imediata, atropelando a regra de anterioridade anual.

Eu resilo. Tu resilas? Ele resila, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Antes que a palavra ficasse na moda, ninguém era resiliente e não havia problema nisso

Como não podemos mais fugir de resiliência, por que não adotar também o verbo resilir?

Quer um conselho? Não saia de casa sem a palavra "resiliência". É leve, portátil, fácil de carregar —serve para tudo, cabe na memória e, em último caso, será audível e compreensível mesmo se simplesmente sussurrada, devido a seus sons sibilantes. Hoje, sem resiliência, não chegaremos a lugar nenhum. É o que todos querem de si mesmos —ser resilientes.

O Caminho para a Liberdade, por Ricardo Marinho*

Obra resenhada: Joseph E. Stiglitz. O caminho para a liberdade: Transformar a Economia e a Sociedade, criando um futuro livre para todos. Tradução de Maria de Lourdes Sete. Primeira Edição. São Paulo, Benvirá: 2025. 372 págs.

Resenhar o livro mais recente do Prêmio Nobel em Ciências Econômicas de 2001 dispensa apresentações, dada a sua ampla reputação no mundo. Na hipótese de alguém ainda não ter tido a oportunidade de conhecê-lo, Joseph E. Stiglitz é professor da Universidade Columbia e economista-chefe do Instituto Roosevelt. Foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do Presidente Clinton e economista-chefe do Banco Mundial. Ao longo de sua extensa carreira, Stiglitz desenvolveu uma perspectiva crítica sobre as abordagens correntes na economia e sobre os resultados (ineficientes e injustos) da economia de livre mercado (ou como ele sabiamente chama de “economia de mercado descontrolada”, sem regulação, regulamentação e/ou mecanismos de controle). Ele elaborou essa perspectiva crítica da economia em seus livros como A Globalização e seus Malefícios (2002), O mundo em queda livre (2010), O Preço da Desigualdade (2013), O grande abismo: sociedades desiguais e o que podemos fazer sobre isso (2016) e Povo, poder e lucro: Capitalismo progressista para uma era de descontentamento (2020), entre muitos outros.

Poesia | Desencanto, de Manuel Bandeira

 

Música | Travessia - Milton Nascimento 1969[com Tenório Jr ,o pianista é o que seria assassinado na Argentina por engano na ditadura militar)

 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Não é papel do governo financiar carros e táxis novos

Por O Globo

Bondade para taxistas e motoristas de aplicativo é danosa à vida nas cidades, ao meio ambiente e às contas públicas

Na mais recente medida eleitoreira, com o objetivo indisfarçável de melhorar os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo anunciou um programa para beneficiar taxistas e motoristas de aplicativo. Criado por meio de Medida Provisória, ele permitirá financiar em até seis anos a compra de qualquer veículo de até R$ 150 mil com juros camaradas. Os empréstimos serão fornecidos pelo BNDES por meio da rede bancária. A conta para o Tesouro é estimada em R$ 30 bilhões — e será paga integralmente pelo contribuinte.

Em crise, Flávio troca marqueteiro e cria ruido no meio evangélico

Crise de Imagem

Flávio sofre desgaste do agro aos evangélicos e tem primeira baixa com saída de marqueteiro

Por Luísa Marzullo e Letícia Pille - O Globo

A crise instalada na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desencadeada a partir da revelação de sua proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estremeceu as pontes com segmentos de sustentação do bolsonarismo nas últimas campanhas e derrubou o marqueteiro contratado pelo senador para cuidar de sua imagem. Em meio ao desgaste, o PL já identificou a contrariedade com interlocutores do mercado financeiro, do agronegócio e lideranças evangélicas.

Além disso, a insatisfação de aliados fez a primeira vítima no entorno de Flávio, com a saída do publicitário Marcello Lopes, o Marcellão. Ele estava nos Estados Unidos durante a semana mais crítica para a comunicação do candidato, o que gerou contrariedade entre pessoas próximas ao senador.

Agora, assume a função Eduardo Fischer, que fez a campanha de Alvaro Dias (Podemos) na corrida presidencial em 2018 e conhecido por trabalhos publicitárias fora da política.

Cenários preocupantes, por Merval Pereira

O Globo

Com a fragilidade atual da candidatura de Flávio, e as dificuldades que o governo Lula tem para manter a economia em bom estado pode ser que surja um caminho para um candidato alternativo que supere a polarização política.

Muito além do resultado das urnas em outubro, as consequências da derrota de um ou outro dos favoritos momentâneos nas pesquisas de opinião, ou a vitória de um azarão (dark horse?) que surja, colocarão o futuro do país em nova encruzilhada. O presidente Lula, cuja possibilidade de disputar a reeleição aumenta à medida que se enfraquece a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, dificilmente deixará de estar no segundo turno. Mas pode perder. Aí começa a confusão.

Se desistir, por qualquer motivo, de concorrer, Lula teria no seu vice, Geraldo Alckmin, um candidato perfeito para enfrentar Flávio, agregando o eleitorado de centro-direita. Mas ele é um “tucano do PSB”, e o PT prefere perder com os seus a ganhar com um aliado. Ganhando, Lula encontrará provavelmente um Congresso de oposição mais conservador que o atual, sobretudo no Senado. Isso tornará seu quarto governo no mínimo problemático, se não inviável. O que sairá de um governo sem força política, apoiado por um Supremo Tribunal Federal (STF) acuado politicamente, com probabilidade alta de impeachment de ministro, só saberemos quando acontecer.

Capa de celular e filme B no debate, por Julia Duailibi

O Globo

Decisão sobre manutenção da candidatura de Flávio será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro

Os tentáculos do Master atingiram Flávio Bolsonaro e agora começam a dar voltas pelo seu pescoço, a ponto de integrantes de seu partido, o PL, saírem falando por aí que em 15 dias decidirão se mantêm a candidatura de pé ou não. A cúpula do PL pode até causar nos bastidores, mas pouco tem a fazer diante da decisão que será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro, como foi dele o projeto de lançar o primogênito à Presidência, e não Tarcísio de Freitas, nome preferido dos chefões da sigla. Depois da repercussão ruim, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, veio a público dizer que o deadline de 15 dias, estabelecido numa reunião interna, não dizia respeito à manutenção da candidatura do senador, mas sim à retomada de seu crescimento nas pesquisas eleitorais.

O BC no meio do redemoinho, Por Míriam Leitão

O Globo

O Banco Central vive dias de pressão por causa pelo Banco Master. A situação do BRB é motivo de preocupação e sem solução a curto prazo

O problema do Banco de Brasília (BRB) não está resolvido. Longe disso. O controlador resiste à venda de algum pedaço relevante da instituição que poderia ajudar a enfrentar a crise. Desde o fim de março, o BRB já está pagando multa diária pela não publicação do balanço. A cada solução apresentada, a governadora Celina Leão faz uma pesquisa com a Câmara Distrital e sondagens de opinião pública para ver como a proposta impactaria sua popularidade. Se houver uma queda brusca de liquidez, será difícil evitar o pior.

O governo federal não quer ajudar, porque seria abraçar um desgaste que não foi criado por ele, pelo contrário, foi obra do centrão e do ex-governador bolsonarista, Ibaneis Rocha. O governo do Distrito Federal tem insinuado que, se acontecer algum incidente, terá sido porque a União não ajudou.

Uma eleição refém do sistema, por Malu Gaspar

O Globo

Câmara dos Deputados acaba de aprovar, num acordão que incluiu de lulistas a bolsonaristas, um monstrengo batizado de minirreforma eleitoral, que de mini não tem nada e que, em vez de reformar, promove uma avacalhação nas eleições que vêm aí.

A lista de mudanças é ampla. Uma delas prevê que a multa máxima para partidos que não apresentarem prestações de contas ou cujas contas forem rejeitadas não pode ser de mais de R$ 30 mil (antes poderia chegar a 20% do valor questionado). Considerando que o fundo partidário distribuiu R$ 1 bilhão em 2025 e que o fundo eleitoral entregará mais de R$ 5 bilhões neste ano, caiu a perto de zero o custo de fazer lambança com o dinheiro dos nossos impostos.

Mas tem mais.

Liberadas as armas da batalha campal de outubro, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Congresso se move para diminuir as incertezas abertas pela desidratação de Flávio Bolsonaro

Na mesma semana em que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em redemoinho, o Congresso Nacional municiou-se das armas com as quais pretende enfrentar um ano eleitoral marcado pelo efeito abrasador do escândalo do Master na política nacional. Acossados pelas investigações e pela dissolução das lealdaldes, os parlamentares rumam para um vale-tudo na cata ao eleitor.

O liberou geral é liderado pelo Centrão mas tem o apoio tanto do PL quanto do PT. Vide, por exemplo, a aprovação, na noite de terça, de uma reforma eleitoral. Além de um amplo Refis para os partidos, a reforma atropelou a Constituição ao jogar por terra o princípio da anualidade numa mudança nada cosmética que já valerá para a eleição de outubro, o disparo em massa de mensagens via robôs.

A cinco meses da eleição, surge um acinte na Câmara, por Carlos Alexandre de Souza

Correio Braziliense

No momento em que o país enfrenta situações como a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado, há personalidades no Congresso Nacional dispostas a afrouxar mecanismos de controle.

Câmara dos Deputados volta a protagonizar um espetáculo deprimente a menos de cinco meses das eleições. Em uma votação relâmpago, a casa legislativa aprovou um projeto de lei que pode ser considerado um tiro na Lei da Ficha Limpa e em outros dispositivos da legislação para moralizar o processo eleitoral. Em votação célere e discreta, os deputados aprovaram, na terça-feira, o Projeto de Lei 4.822/25, um compêndio de "liberou geral" para os candidatos.

A proposta reúne um conjunto de medidas feitas sob medida para os partidos se lançarem à corrida eleitoral com uma série de garantias. Autoriza, por exemplo, o disparo em massa de mensagens por aplicativo, problema sobre o qual a Justiça Eleitoral já havia estabalecido restrições. O projeto de lei determina, ainda, um teto de no máximo R$ 30 mil para possíveis multas a serem aplicadas a legendas em caso de reprovação na prestação de contas. Pela regra atual, o partido é obrigado a devolver 20% do valor identificado como irregular.

Baixo nível de inteligência política, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Senador Flávio Bolsonaro afunda por culpa própria, mas não é o único a errar

Inteligência política parece ser um bem escasso em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ela nada tem a ver com moral ou ética – em boa medida, serve para escapar disso –, mas, sim, com a identificação exata de riscos e oportunidades.

O senador ungido pelo chefe do clã como candidato da franquia Bolsonaro achou que podia tocar uma campanha sem ser importunado pelo fato de que pediu dinheiro para o banqueiro no centro do maior escândalo da atualidade. Escondeu isso até de seu chefe de campanha, talvez temendo que a candidatura acabasse ali mesmo.

Candidatura sob risco? TSE avalia, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O escândalo do Banco Master migrou do Supremo Tribunal Federal (STF) para as campanhas eleitorais depois que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) surgiu nas investigações. As trocas de mensagens com Daniel Vorcaro derrubaram as intenções de voto do filho de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião e viraram uma arma poderosa para os outros concorrentes.

Nos bastidores, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que, politicamente, a candidatura de Flávio encontrou um entrave difícil de ser superado e pode se traduzir em derrota nas urnas. Juridicamente, porém, atestam que, hoje, não há empecilho para o registro oficial da candidatura.

Agenda do presidente para 1.º de janeiro de 2027, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

O ajuste fiscal não tem preferência por PT ou PL, por Lula ou Flávio (ou quem venha a substituí-lo). Ele já marcou seu encontro com o próximo presidente da República

Os candidatos (relevantes) à Presidência da República não terão a coragem necessária para defender o rigor com as contas públicas. Ademais, não se quer um maluco com motosserra, vale dizer (aliás, escrevi neste espaço um artigo que envelheceu bem quando da eleição de Milei). Na lógica opaca predominante no meio político, falar em responsabilidade fiscal é coisa de economista, não de candidato. A ver.

Muito embora Mário Covas tenha ensinado, em 1998, que a probidade, a responsabilidade e o rigor com cada centavo de dinheiro público importam, as lideranças atuais, de parte a parte, preferem ver o diabo a assumir que terão de sacar a tesoura em 2027. Para lembrar: Covas foi reeleito e entregou o Estado de São Paulo saneado e com capacidade altíssima de investimento.

Fim do 6x1 e distorções à vista, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Há mais de 2,4 mil ocupações laborais; não dá para regulamentar a jornada uma a uma

O professor José Pastore, um dos mais respeitados especialistas em Economia do Trabalho, vem advertindo que algumas das propostas do governo que preveem a extinção do regime de jornada 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso) “criam mais problemas do que soluções”. E isso, não só para a macroeconomia e para as empresas, mas também para o interesse dos próprios trabalhadores.

A regra de transição para o novo sistema, em análise no Congresso, que contraria a posição do governo que quer vigência imediata, já aponta para dificuldades. Mais encrencas devem ser produzidas pelo projeto de regulamentação, também defendido pelo governo, para entrar em vigor depois da reforma constitucional.

Os dois Brasis nas eleições, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Oposição crispada é um fenômeno limitado às elites e à opinião pública informada

No segundo turno, candidatos têm de enfatizar as diferenças que os separam

Até parece que são dois países vizinhos chamados Brasil. Em um deles —menos habitado— só se fala em eleições, especialmente as presidenciais. Jornalistas; acadêmicos e intelectuais em geral; lideranças políticas, no governo e na oposição; dirigentes empresariais e ativistas sociais; formadores de opinião; cidadãos interessados na vida pública, tutti quanti acompanham a cada semana o sobe e desce das pesquisas.

Gostando ou não, parecem acreditar que vivem em um país maior e inapelavelmente cindido entre partidários da centro-esquerda, dominada pela figura do presidente Lula, e os defensores da direita, reunidos em torno do herdeiro de Jair Bolsonaro.

No outro Brasil, vive o imenso contingente das pessoas comuns, para as quais as eleições de outubro ainda estão muito longe e não concorrem com as premências do dia a dia.

Flávio Bolsonaro tem uma ficção de programa para elite fingir que é liberal, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Candidato não tem ideias, história, conexões sociais ou políticas para sustentar planos

Filho de Jair diz que é inspirado pelo governo do pai e não se compromete com reformas

Cinismo é a primeira reação ao se ouvir que Bolsonaros tenham programa de governo. Eles têm planos, decerto, além daquela atração pelo dinheiro vivo e pela mumunha. No mais, querem o fim da esquerda, um ataque reacionário ao que se chama de "costumes" e reviver a ditadura. O sentido do bolsonarismo, a política e a sociedade que o levam adiante, é assunto mais complexo. Trata-se aqui de ações de governo ou no governo.

Naquele vídeo escabroso da reunião ministerial de abril de 2020, Jair Bolsonaro explicitou suas preocupações: livrar sua família da polícia, espionar, melar eleições ou impedi-las. Pouco depois, entregou a maior parte do comando do seu governo de trevas ao centrão direitão, o semipresidencialismo de avacalhação, de resto incentivando a degradação terminal das emendas.

É erro histórico aprovar Lobo para a CVM e rejeitar a PEC do BC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Galípolo alertou sobre risco da falta de recursos para o regulador

Senador petista pede rejeição da PEC e proposta é dada como morta no Congresso

É um erro histórico para Lula e para o Senado aprovar o nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e rejeitar a PEC da autonomia financeira do BC (Banco Central). Os dois assuntos estão umbilicalmente vinculados ao escândalo do Banco Master.

Ex-diretor da CVM até o fim de 2025, Lobo deu decisões favoráveis a Vorcaro assim que assumiu a presidência interina do órgão fiscalizador do mercado de capitais com a saída de João Pedro Nascimento, o JP, dois anos antes do fim do mandato.

Curriculum Vitae, 01, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Ativista do direito de mentir, luta contra o direito universal de não acreditar

Chama de 'narrativa' o que lhe desabona; de 'fato' o que lhe favorece

Filho de pai preso. Segue carreira do pai e se elege por ser filho do pai. Obedece ideias do pai, copia métodos do pai. Tem os aliados do pai. Trilha o curriculum do pai. Em casa, o pai o chama pelo número de antiguidade 01. Amor filial supera o paterno.

Sua sagacidade não alcança a do pai, porém mais afiada que a dos irmãos. Nunca disse "ditadura devia ter matado mais", mas vê em 1964 "contrarrevolução democrática". Não gostaria de filho "entrando em casa e apresentando seu namorado". Definiu as medidas do governo do pai na pandemia, e o superávit de mortes evitáveis da ordem dos seis dígitos, como o que "se espera de um estadista".

Os primeiros a morrer, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem foram as primeiras vítimas da Covid, da tragédia de Brumadinho e da ditadura militar?

Se o Brasil tende a ignorar os vivos, por que não cria mais dias de memória por seus mortos?

Doze de março acaba de ser instituído como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 no Brasil. A data se refere à morte no dia 12 de março de 2020, em São Paulo, da diarista Rosa Aparecida Urbano, 57 anos, a primeira vítima registrada da pandemia no país. Não há um de nós sem a perda de um ente querido, próximo ou remoto, entre os 700 mil que se foram sob o negacionismo de Jair Bolsonaro. Talvez, ao lembrar Rosa, o país se recorde do que era ser governado por um irresponsável.

Poesia | Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife

Música | Zé Renato - Filosofia (Noel Rosa)

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão do STF agravou crise dos ‘penduricalhos’

Por O Globo

Categorias aproveitam brechas para criar novas regalias — a última delas é o quinquênio em dose dupla

Têm sido impressionantes as artimanhas usadas na tentativa de driblar as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para disciplinar o pagamento de verbas que ultrapassam o teto constitucional do serviço público, conhecidas como “penduricalhos”. Depois que o Supremo ressuscitou com sua decisão os aumentos automáticos a cada cinco anos para juízes e procuradores (até o limite de 35% do teto), os profissionais das duas categorias que mantinham direito a outra regalia semelhante extinta há duas décadas — o reajuste automático de 5% a cada cinco anos, conhecido como quinquênio — querem acumular as duas. Isso mesmo: querem dois aumentos automáticos a cada cinco anos, sem nenhuma relação com mérito ou desempenho, apenas por antiguidade.

Sob pressão, Flávio admite visita a Vorcaro após prisão


Por Luísa Marzullo, Letícia Pille e Lauriberto Pompeu / O Globo

Desconfiados das versões apresentadas pelo senador e com medo de novos fatos, ala do partido já defende a busca por opções ao Planalto

Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu ontem mais um fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro ao banqueiro para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master depois de ele ser preso, no fim do ano passado. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e consolidou o entendimento, para parte dos colegas, de que um acontecimento novo pode sepultar a candidatura do senador.