O Estado de S. Paulo
Não há como chamar a direita e a extrema
direita antidemocrática pelo mesmo nome. Os dois fenômenos são distintos,
jamais poderiam ter se embaralhado no discurso jornalístico
E, de repente, não menos que de repente, a
coisa não coube mais no próprio nome, o fato escapou ao relato e o objeto
discrepou do conceito. Parecia haver um problema com os eventos da realidade,
mas não era isso. O problema não estava nas coisas, nos fatos e nos objetos,
mas no modo como o jornalismo os nomeava. Recapitulemos.
Enquanto a campanha eleitoral pegava fogo, gente de direita começou a dizer que não estava à vontade na direita. Personagens expressivos do chamado campo conservador, ou seja, personagens notoriamente da direita, passaram a atacar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que vinha sendo qualificada nos órgãos de imprensa, com poucas exceções, como a chapa de direita. O general Santos Cruz, a ex-deputada Joice Hasselmann e até João Amoêdo, entre várias outras pessoas, todas de direita, passaram a repudiar a candidatura que representaria a direita no segundo turno. Mas como assim, perguntava o cidadão? Não eram todos igualmente de direita? O público se sentia tragado por uma dissonância cognitiva. Se Flávio Bolsonaro era o representante da direita, como diziam os jornais, o rádio e a TV, por que tanta gente da direita o rejeitava?



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