sexta-feira, 1 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desvirtuamento político contaminou rejeição de Messias

Por O Globo

Indicação ao Supremo não pode ser tabuleiro de jogo de interesses. Avaliação deveria ser jurídica

Desde o fim do século XIX, a aprovação dos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) transcorria sem sobressaltos no Senado. Na quarta-feira, a escrita foi rompida. O plenário rejeitou o advogado-geral da União, Jorge Messias — ele recebeu 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, sete aquém do mínimo para aprovação. Pela Constituição, é prerrogativa dos senadores aprovar ou barrar quem bem entenderem depois da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. Não há, portanto, reparo a fazer ao direito de agirem na direção que acharem melhor. Ainda assim, o ineditismo é revelador. Expõe o grau de contaminação política de uma escolha que deveria se guiar por critérios de outra natureza — as exigências constitucionais de notável saber jurídico e reputação ilibada.

Trabalhar para viver, não viver para trabalhar, por Luiz Marinho*

Correio Braziliense

A escala 6 X 1 é um sistema que drena energia, patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo

Quando debatemos o fim da escala 6 X 1 no Brasil, estamos, no fundo, discutindo o tempo: o tempo dedicado ao trabalho, ao descanso e, sobretudo, à vida. Trata-se de uma escolha sobre o tipo de país que queremos construir — um país que valoriza o trabalho digno ou que mantém um modelo ultrapassado, herdado do século passado, que já não se sustenta.

A escala 6 X 1 surgiu em um contexto de baixa tecnologia aplicada ao mundo do trabalho, em que a produtividade dependia da presença contínua do trabalhador e da trabalhadora. Hoje, essa lógica não se aplica. O resultado é outro: exaustão e adoecimento. É um sistema que drena energia, patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo.

O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e Bahia, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A liderança de Tarcísio expressa a São Paulo pragmática, voltada à gestão, à infraestrutura e à segurança, que dialoga com setores médios e empresariais. Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos

Tem certas coisas na política brasileira que merecem uma leitura meio antropológica, digamos, pela força da cultura local. É o caso do quadro eleitoral em São Paulo e na Bahia, quando analisado à luz de duas matrizes profundas do país: o modernismo de Mário de Andrade e o barroco satírico de Gregório de Matos. Mais do que referências literárias, ambos expressam formas de perceber o poder, a sociedade e suas contradições.

A obra "Pauliceia Desvairada", publicada em 1922 por Mário de Andrade, é um marco fundador do modernismo brasileiro. Promoveu uma ruptura estética e cultural com o passado, que traduzia em São Paulo a vertiginosa transformação industrial, cosmopolita e socialmente fragmentada daquele estado, onde o Convênio de Taubaté (1906) financiou a acelerada modernização com recursos do café, enquanto em outros estados o patrimonialismo está diretamente associado à decadência econômica, sobretudo após a crise do café de 1929.

E agora, Lula? Por Vera Magalhães

O Globo

Ainda, não disponível.

 

Flávio Bolsonaro sobe no salto, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Empolgado com vitórias no Congresso, senador se antecipa às urnas e decreta fim do governo Lula

O bolsonarismo viveu a melhor semana desde a derrota do capitão nas urnas. Na noite de quarta, o Senado quebrou tradição de 132 anos e rejeitou uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. Menos de 24 horas depois, o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduz as penas dos golpistas.

Empolgado com os resultados, o senador Flávio Bolsonaro cantou vitória antecipada nas eleições de outubro. “O governo Lula acabou”, decretou, após a reprovação de Jorge Messias. Ontem ele avisou que já tem “vários nomes” para indicar ao Supremo. Estimulado a decliná-los, disse: “Não vou antecipar isso, não sou presidente ainda”.

Atalho conservador ao Supremo, por Pablo Ortellado

O Globo

Direita ganhou a oportunidade de construir maioria no STF se vencer a próxima disputa presidencial

Com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo e a sinalização de Davi Alcolumbre de que não deverá pautar uma nova indicação antes da eleição, a direita ganhou a oportunidade de construir maioria no STF se vencer a próxima disputa presidencial.

Além da vaga atual, três outros ministros — Luiz FuxCármen Lúcia e Gilmar Mendes — se aposentam no decorrer do próximo mandato presidencial. Essas quatro indicações, somadas às duas feitas por Jair Bolsonaro (Kassio Nunes Marques e André Mendonça), formariam uma maioria conservadora de seis dos 11 ministros. Ela poderia ainda ser engrossada com mais uma ou duas vagas se a direita obtiver o impeachment de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

O horizonte de maioria conservadora no Supremo anima a direita brasileira, que assistiu ao impacto do respaldo que a Suprema Corte conservadora tem dado a Donald Trump nos Estados Unidos.

Entrevista | ‘O PT cometeu um erro ao não assinar a CPI do Master’

Por Vera Rosa / O Estado de S. Paulo

Dirigente petista critica rejeição de Messias pelo Senado e vê Executivo refém das emendas impositivas

Presidente do PT e coordenador da campanha de Lula à reeleição, foi ministro da Secom de Dilma e prefeito de Araraquara

Em uma semana de derrotas históricas para o governo, o presidente do PT, Edinho Silva, classificou como “erro” o fato de parlamentares de seu partido não terem assinado o requerimento pedindo a instalação da CPI do Banco Master. “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, disse Edinho ao Estadão. “É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação.”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), liderou, nos últimos dias, as articulações que impuseram dois importantes reveses para o Palácio do Planalto. Além disso, fez um acordo com a oposição para engavetar o pedido de abertura da CPI proposta para investigar as falcatruas do Master.

Sob o comando de Alcolumbre, o Senado rejeitou, anteontem, a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, uma sessão do Congresso derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro.

“Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade”, afirmou Edinho, que é coordenador da campanha de Lula a um novo mandato. “O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído”, completou o presidente do PT, candidato a deputado federal. 

A seguir os principais trechos da entrevista:

Um presidente sem governabilidade e refém, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Moraes e Alcolumbre uniram forças para mostrar que petista depende deles para governar

O ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uniram forças e mostram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele perdeu condições de governar e virou refém.

Depois de não emplacar um ministro para a Suprema Corte em 132 anos com a derrota de Jorge Messias, a derrubada de veto do PL da Dosimetria foi só mais um passo.

Moraes não perdoava Lula por ter dito que “quem quer enriquecer tem que sair do Supremo”, um sinal inequívoco de que o petista ameaçava soltar a mão do ministro em meio ao escândalo do banco Master.

As instituições estão doentes, Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Decisões do Congresso são vitória do bolsonarismo e derrota de Lula, STF e Congresso

Está confirmado: uma semana, duas derrotas para o presidente Lula, que vai perdendo energia, vantagem segura nas pesquisas e a confiança de possíveis aliados que poderiam ir para um lado ou outro e estão indo em massa para o dos seus adversários. Lula, porém, não é o único derrotado. Também perdem as instituições, em particular STF e Senado, e o andamento do caso Master.

O pacto entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não foi só para impedir que Jorge Messias vestisse a toga da Corte nem para se desconectar de vez de Lula.

Ambos estão enrolados no escândalo do Banco Master e o tal pacto, ou acordão, tem cara e cheiro de “você salva a minha pele e eu salvo a sua”.

1º de Maio reafirma seu sentido original de lutar pelo tempo de vida, por Vários autores (nomes ao final do texto)

Folha de S. Paulo

Redução da jornada se impõe porque condições atuais de trabalho permitem maior equilíbrio na produção

Resgatar essa agenda histórica mantém viva a busca por dignidade e justiça social no Brasil

Dia do Trabalhador, comemorado nesta sexta-feira (1º), está diretamente ligado à luta pela redução da jornada. A origem da data remete à greve geral ocorrida em Chicago (EUA), em 1º de Maio de 1886, cuja principal reivindicação era reduzir o tempo de trabalho —a jornada chegava a 17 horas diárias. A mobilização, que completa 140 anos, foi duramente reprimida, transformando-se em símbolo de resistência e luta.

Desde então, trabalhadores no Brasil e no mundo obtiveram importantes conquistas. Por aqui, o principal marco foi a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que, entre outras melhorias, estabeleceu a jornada de 8 horas diárias e 48 horas semanais —um avanço significativo em um contexto em que a jornada frequentemente ultrapassava 14 horas por dia, com escalas que invadiam os sábados e até as manhãs de domingo.

Outro momento decisivo foi a Constituição de 1988. Ao consolidar uma luta sindical construída nas campanhas salariais de 1985, diminuiu a carga horária semanal de 48 para 44 horas.

Como ficam imposto sobre gasolina, Desenrola 2 e 6x1 depois do atropelamento de Lula 3, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Lideranças do Congresso dizem que projetos vão andar, mas não nos termos do governo

Além das derrotas políticas, há risco de juros altos persistentes e inflação em alta

É difícil de acreditar que a maioria de deputados e senadores vote contra a aprovação de projetos de lei que distribuam dinheiro ou que tenham caído no gosto do povo. Um desses projetos que deveria entrar em discussão em breve é o de redução da jornada, a mexida na escala 6x1. A redução do imposto federal sobre a gasolina estava na pauta de urgência do governo. Talvez o novo plano de apoio à renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 2, exija alguma medida legislativa.

Voto secreto ajudou a crucificar Messias, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Sigilo foi concebido para tentar assegurar a independência de senadores

Ele representa, porém, uma violação à ideia central da democracia representativa

Enquanto ainda tentamos entender se a rejeição do nome de Jorge Messias pelos senadores foi mais uma espetada no governo Lula ou um recado para o STF, proponho discutir um outro aspecto da questão que está passando meio batido: o voto secreto.

Não tenho como assegurar que, se votações para a aprovação de ministros do Supremo fossem nominais e abertas, o desfecho teria sido outro, mas suspeito que sim. Entre os 42 senadores que disseram não a Messias, deve haver pelo menos alguns com sólidos interesses no Executivo ou turvas pendências com o Judiciário que teriam agido de outra forma se tivessem de se manifestar sem a proteção do anonimato. A blindagem contra pressões políticas e retaliações é, aliás, a razão alegada para que a Câmara e o Senado mantenham algumas votações sigilosas. Mas será que elas se justificam?

Fake news às gargalhadas, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A expressão em breve fará dez anos e continua a ser o sustentáculo de Trump e Bolsonaro

Mestre da fake news, Bolsonaro convenceu milhões de que, no governo dele, não havia corrupção

Você se lembra de quando ouviu pela primeira vez a expressão "fake news"? Foi em 2017, nos noticiários de TV. E sabe por quem? Donald Trump, candidato à Presidência dos EUA. Trump não a inventou. Com ou sem este nome, as fake news sempre foram uma arma política dos regimes autoritários e totalitários, para jogar seus apoiadores contra opositores, minorias e potenciais adversários. Ou para criar confusão, como neste exemplo real: "Papa Francisco apoia Trump". Até ser desmentida, causou grande estrago.

Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722

Bruno de Freitas Moura / Agência Brasil 

Em um ano, valor sobe 5,5% acima da inflação

O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa acréscimo real – já descontada a inflação – de 5,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2025. É o maior registrado em toda série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.

O trimestre encerrado em março é o segundo consecutivo em que o salário médio supera a casa dos R$ 3,7 mil. No período de três meses terminado em fevereiro, o rendimento foi de R$ 3.702. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando o valor era de R$ 3.662, houve expansão de 1,6%.

Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período

Bruno de Freitas Moura / Agência Brasil

Pnad Contínua: país tinha 6,6 milhões de pessoas em busca de trabalho

A taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano ficou em 6,1%. O indicador fica acima do registrado no quarto trimestre de 2025 (5,1%), porém é a menor taxa de desocupação para um primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Nos três primeiros meses do ano passado, o desemprego tinha marcado 7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava 6%. No trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,8%.

Alcolumbre afirmou a líder do PL atuar contra Messias: “faça a sua parte, faço a minha”, por Dyepeson Martins

Agência Pública

42 votos contra e 34 a favor impôs derrota acachapante ao presidente Lula; saiba bastidores

Com muitos gritos e aplausos, deputados e senadores da direita e da ultradireita amontoaram-se em frente ao plenário do Senado para celebrar uma derrota histórica do Governo Lula, na noite desta quarta-feira (29). A Casa rejeitou — por 42 a 34 votos, além de uma abstenção — o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, à vaga deixada por Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira rejeição de uma indicação presidencial à Corte desde 1894.

Agência Pública apurou que o resultado da votação não surpreendeu o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria articulado ativamente contra Messias e, inclusive, confirmado isso a outro parlamentar.

Botija, rombo, buraco e presente, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Para salvar o Master, o Governo do Distrito Federal comprometeu as finanças públicas a ponto de não conseguir financiar a comemoração de aniversário de Brasília

Chamava-se botija à caixa cheia de dinheiro enterrada no terreno de uma casa. O dono do Banco Master descobriu uma botija guardada nos cofres do BRB e corrompeu seus zeladores para repassarem R$ 12 bilhões ao seu banco. Quando o roubo foi descoberto, fizeram uma lei para colocar dentro da botija o terreno onde ela estava. Os donos do dinheiro roubado pagam seu prejuízo vendendo sua propriedade fundiária. A crise na saúde, o desastre na segurança, a vergonha na educação e a corrupção astronômica não são vistos como ameaças à ordem social mas, em nome da ordem, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceita vender terreno do povo para cobrir o roubo feito contra o povo.

Ontem, a noite na TV, Pronunciamento: Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

 

Poesia | 3 Poemas de Ascenso Ferreira

 

Música | Boca Livre e Roberta Sá - Desenredo

 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congressistas devem explicações sobre carona em jatinho

Por O Globo

Presidente da Câmara, senador e deputados viajaram para o Caribe em aeronave de empresário

No dia 13 de abril de 2025, o jato com o prefixo PP-OIG, pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, dono de empresas de apostas on-line conhecido como Fernandin OIG, decolou do São Paulo Catarina, aeroporto exclusivo de aviação executiva em São Roque (SP), a 68 quilômetros da capital paulista. O destino era a ilha caribenha de São Martinho. Fernandin postou imagens da viagem numa rede social, com passeios a bordo de embarcações de luxo pelas águas azuis do Caribe, piscina privativa, serviço de concierge e menu de frios, ostras e lagosta. Uma semana depois, no dia 20, por volta das 21 horas, o mesmo jatinho pousou de volta em São Roque.

Impacto da guerra se espalha na economia, por Míriam Leitão

O Globo

O efeito da guerra na economia vai além do petróleo e já pressiona a produção de chips e o setor de alimentos, com a queda na oferta de fertilizantes

O impacto da guerra na economia vai muito além do petróleo. Está ameaçando a produção de chips e afetando o setor de alimentos ao reduzir a oferta de fertilizantes. A escassez de insumos agrícolas chegou a algumas economias e em dois meses atingirá o Brasil. A inflação reflete este cenário nos preços, todas as projeções subiram, e por isso, o Banco Central tomou a decisão de fazer apenas um corte de 0,25 ponto percentual, mesmo os juros estando tão altos.

Os caronas do bonde do Tigrinho, por Julia Duailibi

O Globo

Ministros do STF, deputados e senadores continuam aceitando caronas em jatinhos de empresários

Dois deputados federais, um senador da República e o presidente da Câmara dos Deputados pegaram carona no jatinho de um empresário do ramo das bets em meio a uma CPI que investigava justamente esse mesmo empresário do ramo das bets. Enquanto colegas trabalhavam em Brasília para tentar descobrir se Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, havia cometido lavagem de dinheiro, dissimulação patrimonial ou evasão de divisas, os quatro parlamentares acharam que tudo bem embarcar no avião dele, que tinha como destino o Caribe.

Derrota de Messias vira o jogo da eleição, por Malu Gaspar

O Globo

Ofensiva contra indicado do presidente teve ajuda de ministros do STF como Alexandre de Moraes

Um dia antes de o Senado Federal derrotar a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) mandou um recado aos senadores da oposição bolsonarista. Se perdessem a oportunidade de derrubar o indicado de Lula no plenário, que não viessem lhe pedir para colocar em pauta um dos cerca de cem pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados. No dia seguinte, o mesmo Alcolumbre, conhecido por nunca atender o celular, passou o tempo todo ao telefone falando com qualquer parlamentar que tivesse condição de ajudá-lo. Nas conversas, variações do mesmo tema — faça seu papel que farei o meu —, terminando sempre com “hoje será um dia histórico”.

Com o primeiro vaticínio confirmado, dois novos passaram a ser ouvidos em Brasília. O primeiro: o governo “acabou”. Outro: o próximo passo é o impeachment de ministros do Supremo. É difícil cravar agora com 100% de certeza se tais previsões se confirmarão.

Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O resultado abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear ministros de cortes superiores é exercício de poder

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá.

A receita da limonada é a escolha de uma mulher negra ao STF, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Depois de rejeitar um evangélico, Senado teria que arcar com o ônus duplo de negar a vaga também a uma mulher negra

O presidente da República colecionou mais um “nunca antes na história do país” com a derrota da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. As excepcionalidades viraram o novo normal. Nunca, ou, pelo menos, desde a redemocratização, não se via um governo tão minoritário no Executivo. Nem tampouco um presidente do Senado trabalhando tão abertamente contra uma indicação presidencial.

Nenhuma das excepcionalidades, porém, foi mais determinante para o desfecho da noite desta quarta do que aquelas que dominam o STF. Nunca houve um ministro do Supremo cuja esposa firmou contrato de R$ 130 milhões com banqueiro pilantra. Nunca houve togado dono de resort. Nem ministro que chama senador de miliciano, processa outro por um voto e está sentado há cinco meses em cima de liminar sobre as regras para o Senado dar um basta em tudo isso.

Derrota marca rompimento da relação entre Lula e Alcolumbre

Por Sofia AguiarAndrea JubéTiago Angelo e Gabriela Guido / Valor Econômico

Após rejeição de Messias, aliados do presidente da República ainda avaliavam impactos políticos e chances de encaminhamento de novo nome

Com o rompimento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado praticamente consumado, autoridades do governo ainda avaliavam na noite de quarta-feira (29) o impacto político da rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de fragilizar o Palácio do Planalto, disseram algumas fontes nos bastidores, o episódio demonstra que a própria Corte passa a ficar ainda mais exposta.

O fato foi considerado um ponto de inflexão. Messias obteve apenas 34 votos a favor, ante os 41 necessários para a sua nomeação, o que indicou ao Executivo que a agenda legislativa do governo pode ficar inviabilizada. Um interlocutor de Lula classificou o placar como “humilhante”. Também havia dúvidas se e quando Lula deveria encaminhar novo nome ao Senado, além do perfil do escolhido.

Duas transparências, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Autoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando

A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.

Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.

A força de Alcolumbre e do sentimento anti-STF, por Ricardo Corrêa *

O Estado de S. Paulo

Pressão no Parlamento vai aumentar e custos de nova derrota podem ser mais pesados para o Planalto

Lula insistiu, bateu o pé, manteve o nome de Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu e da pressão que sofria para ir por outro caminho. E perdeu. Perdeu sendo relembrado, da pior forma, da força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E da insatisfação do Congresso atual com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula nunca teve base confortável, mas conseguia se virar no Senado, sempre com o auxílio de Alcolumbre. Sem ele, percebeu que não tem nem maioria simples dos parlamentares na Casa. Se, depois de quatro meses empurrando a indicação com a barriga, o presidente do Senado aceitou pautar a indicação do petista, na melhor das hipóteses, não moveu uma palha sequer para ajudar. Lavou as mãos para, agora, poder dizer: “Na próxima, me ouça”.

O pior cego, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Estava claro e só não enxergou quem não quis ver. Especialmente o presidente Lula. Fez mais uma aposta errada, uma das piores na sequência de apostas políticas equivocadas que demonstram um líder político em seu ocaso. As condições para a aprovação do indicado eram difíceis de saída, sobretudo pela proximidade das eleições. Não só a oposição declarada, mas um bom pedaço do centrismo no Senado achava que seria melhor uma indicação depois do 4 de outubro – melhor até para o próprio STF.

Não se sabe quem garantiu a Lula que Messias passaria raspando, mas passaria. Se foi Alcolumbre, foi um conselho diabólico para pular para dentro do abismo. Pois a derrota política é histórica na pura acepção da palavra.

O aviso da derrota de Messias, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Supremo vê revés no Senado como um aviso sobre impeachment de ministros

A rejeição histórica do Senado ao nome de Jorge Messias foi interpretada de duas formas por integrantes do Supremo Tribunal Federal. A primeira é a desmoralização do governo Lula perante o Congresso. A segunda é que o Senado enviou à Corte um recado: se hoje a Casa tem maioria para descartar um candidato a ministro, amanhã terá poder suficiente para afastar quem já compõe o tribunal.

O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Documento apresentado pelo PT em seu congresso não faz jus ao partido real

Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores

O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano.

O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais?

Desastrosa para Lula, derrota gera dúvida sobre capacidade de reação do governo, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Messias enfrentou sentimento anti-STF, calendário eleitoral e hostilidade de Alcolumbre

Ao presidente, resta agora tentar alguma medida de impacto antes da eleição, como fim da escala 6x1

A derrota por larga margem na indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) deixa dúvidas sobre a capacidade de reação do governo Lula e abre perspectivas sombrias para a campanha eleitoral que se avizinha.

Messias foi vítima do fato de ter sido escolhido na hora errada. Como mostrou a sabatina para lá de cortês na Comissão de Constituição e Justiça, o indicado não desperta resistências de caráter pessoal. É educado, afável e tem jogo de cintura política.

Por diversas vezes na longa sessão, buscou estabelecer relação de empatia, mesmo com os mais barulhentos opositores. Não se abalou nem com as provocações do verborrágico Magno Malta (PL-ES).

Uma noite de derrotas graves de Lula, na política e na economia, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Enterro da nomeação de Messias também anima forças da direita que querem dominar o STF

Imprevidência e conversa velha na política e na economia prejudicam projeto Lula 4

atropelamento do governo no Senado foi tamanho e tão cheio de significados que o destino cinzento das taxas de juros no Brasil ficou parecendo um assunto acadêmico ou menor. Se alguém ainda se lembra, nesta quarta (29) o Banco Central diminuiu a Selic de 14,75% para 14,5%, mas deu indícios de que o gato dos cortes de juros está subindo no telhado.

Taxa de juros não é assunto acadêmico ou menor, claro, embora seja conversa muito mais tediosa. Os dois assuntos, porém, são derrotas sérias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sinais de mais riscos, político-institucionais e econômicos.

Rejeição de Messias é vitória da baixa política, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Davi marcou a sabatina de indicado de Lula para 'matar'

Presidente do Senado esperava acordo para indicar Rodrigo Pacheco ao STF

Festa na oposição bolsonarista e frustração na base governista. A derrota histórica que o presidente do SenadoDavi Alcolumbre, impôs ao presidente Lula é um divisor de águas.

Davi acreditava que tinha um acordo de bastidores com Lula para indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal após a indicação e aprovação do ex-ministro da Justiça Flávio Dino —hoje, o caçador de emendas parlamentares.

Davi nunca mudou de posição. Sempre foi contra Messias e avisou que tinha marcado a sabatina para "matar".

Poderá o STF ter um ministro ateu? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Messias foi crucificado por briga entre o Planalto e o Senado

Suas afirmações sobre religião e STF parecem contraditórias; e são

Jorge Messias é um jurista competente. Foi um erro o Senado tê-lo rejeitado, numa derrota que tem o peso histórico de 132 anos.

Messias foi crucificado na disputa entre o presidente do Senado e o presidente da República, como uma demonstração de força de Alcolumbre de que, um, a eleição já começou e ela não está ganha e, dois, o impeachment dos ministros do STF –que requer apoio de 54 senadores– não está fora de questão.

Poesia | Antônio Abujamra declama Mário Quintana

 

Música | Luiza Lara - O que será (Chico Buarque) -

 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Senado precisa cobrar de Messias apoio à reforma do STF

Por Folha de S. Paulo

Parlamentares devem questionar o indicado sobre código de ética de Fachin e o fim dos inquéritos abusivos

Corte passa por crise mais grave desde a redemocratização; em busca de fidelidade, Lula aviltou o processo de escolha dos membros do STF

No arranjo institucional brasileiro, cabe ao Senado o papel de anteparo às escolhas do presidente da República para os cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal, por meio de sabatina e votação dos indicados. Assim se deve evitar que chefes do Executivo detenham o pleno poder, que convida a erros e abusos, na nomeação da cúpula do Judiciário.

Infelizmente, essa tarefa tem sido negligenciada na história republicana. Desde o início do século 20, os senadores trataram invariavelmente o rito como mera formalidade, e todos os indicados foram aprovados. Só houve cinco rejeições, todas no longínquo 1894, durante embate com o governo Floriano Peixoto.

Sabatina é de Messias, mas em jogo está a força de Lula, por Fernando Exman

Valor Econômico

Nesta semana, presidente e sua gestão enfrentam um importante “teste de estresse”

Na engenharia ou na economia, “teste de estresse” é o procedimento extremo realizado para avaliar a resiliência de determinado objeto, empreendimento, sistema ou portfólio. Simulação rigorosa, capaz de identificar possíveis pontos de ruptura ou falhas. Mas o conceito também pode ser usado na política. Nesta semana, Luiz Inácio Lula da Silva e a Presidência da República enfrentam um importante “teste de estresse”.