segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

A França em chamas

Por Correio Braziliense

Uma França alinhada ao trumpismo, hostil ao multilateralismo e com simpatias declaradas por Putin seria uma ruptura sem precedente no projeto da União Europeia

Berço de uma revolução que redesenhou a história do Ocidente, a França está novamente às voltas com uma insurreição. A escalada da violência urbana e o isolamento do presidente Emmanuel Macron expõem o esgotamento do modelo tecnocrata e arrastam a Europa para uma perigosa incerteza geopolítica, que pode acabar mudando o mapa do poder mundial. 

O que começou em meados de setembro com estudantes do ensino médio bloqueando escolas na periferia de Paris se transformou, em cinco semanas, na maior mobilização de rua do país em anos. A alta dos combustíveis desde o início do conflito no Oriente Médio, o custo de vida fora do alcance de boa parte da população e anos de acúmulo de insatisfação convergiram num movimento que une ex-coletes amarelos, sindicalistas, ativistas climáticos e estudantes.

Polarização política corrói o tecido social e tem custo econômico, por Humberto Saccomandi

Valor Econômico

Os extremos pouco se toleram, pouco se falam, pouco colaboram. Isso produz efeitos deletérios, sociais e econômicos

A política no Ocidente foi capturada pela polarização. O centro está encolhendo, quando não sumindo, na maioria dos países. Os extremos pouco se toleram, pouco se falam, pouco colaboram. Isso produz efeitos deletérios, sociais e econômicos, ao reduzir a confiança entre as pessoas, nos governos, nas instituições e ao estimular políticas de curto prazo e menos eficazes. Às vésperas das eleições brasileiras, é bom refletir sobre isso.

Primeiro é preciso definir polarização, que não é uma simples divergência. A política moderna no Ocidente já nasceu dividida, entre direita e esquerda. Para o pensador italiano Norberto Bobbio, o cerne dessa divisão é o conceito de igualdade. A esquerda dá maior importância à igualdade, tende a considerar que muitas desigualdades são produzidas pela organização social e, portanto, podem ser reduzidas pela ação política. A direita, sugere Bobbio, tende a considerar um conjunto maior de desigualdades como naturais, inevitáveis ou legítimas e até a valorizá-las. O centro transita num amplo espectro de posições intermediárias.

Duelo de rejeições deixa de lado propostas para o país, por Fernando Exman

Valor Econômico

Debate rendeu farto material negativo sobre ambos os candidatos, a ser explorado nas redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) transformaram o debate realizado pela Band na noite deste domingo (18) em um duelo de rejeições. É de se lamentar, diante das urgências de um país com tantos desafios. Mas alguns dados podem ajudar a explicar a estratégia.

Segundo a mais recente pesquisa Quaest, Flávio Bolsonaro tem 54% de rejeição, um ponto percentual maior em relação ao petista, com 53%. Na intenção de votos, os dois estão tecnicamente empatados, com o senador numericamente à frente (46% a 44%). Votos em branco, nulos e eleitores que afirmaram não votar em nenhum dos dois somaram 9%, enquanto 1% não soube ou não respondeu. Entre os assuntos que mais preocupam o eleitor, de acordo com o instituto, são citados violência, corrupção, economia, saúde, problemas sociais e educação.

Candidatos disputam as ruas na reta final da campanha, por Gabriela Guido e Fábio Couto

Valor Econômico

Manifestação em São Paulo, teve a presença de Flávio; movimentos pró-Lula foram às ruas no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre

A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, apoiadores dos dois candidatos foram às ruas para manifestações.

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de lideranças bolsonaristas da direita e da extrema-direita. No Rio, foram organizados dois atos por apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em São Paulo, no ato pró-Flávio, acompanharam o candidato o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). Também estavam presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o vereador e deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a porta-voz do plano econômico do presidenciável, a economista Daniella Marques.

O movimento faz parte de uma tentativa da campanha de fazer um contraponto às manifestações públicas de apoio à reeleição de Lula.

Os riscos da aposta dos mercados na eleição, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Ajuste dos mercados pós-eleição pode ser dramático, em especial se os capitais estrangeiros que entraram nas últimas semanas saírem de uma vez

A aposta na vitória do senador Flávio Bolsonaro levou ao aporte de R$ 18,5 bilhões em recursos estrangeiros na bolsa brasileira. Por enquanto, é só alegria: enquanto os juros sobem ao redor do mundo, a curva aqui já fechou mais de dois pontos percentuais. A queda do diferencial de juros não impediu a valorização do real, que aumenta os ganhos do investidor que vem de fora. O que pode dar prejuízo?

Naturalmente, uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apresentou uma melhora nas pesquisas - e os operadores já não podem mais considerá-lo carta fora do baralho. O mercado já se ajustou um pouco a esse risco nos últimos dias. Mas o tranco nos preços pode ser forte na semana que vem. As apostas em Flávio Bolsonaro, que eram muito leves no primeiro turno das eleições, se tornaram mais substanciais desde então.

Preparem-se para uma semana sangrenta, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Debate e entrevista de Roberta Luchsinger testarão os sentimentos profundos do eleitor

Depois de uma campanha arrastada, sem confrontos diretos entre os principais candidatos, o debate na Band e a entrevista da lobista Roberta Luchsinger à CNN são o prenúncio de uma semana sangrenta em que o nível vai baixar.

Logo após um início morno com respostas protocolares sobre segurança pública e economia, o primeiro embate cara a cara entre Flávio Bolsonaro e Lula descambou para acusações recíprocas envolvendo a máfia do INSS, o caso Master, outros casos de corrupção e milícias que resvalaram para outros integrantes da família de um e de outro.

Sem bala de prata, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Flávio se saiu melhor do que Lula na forma, mas não o suficiente para reduzir rejeição dos que pretende atrair

Um bom desempenho em um debate na TV não costuma ser a bala de prata para vencer uma eleição presidencial. Não foi diferente no debate Band/Estadão de ontem.

No balanço geral, Flávio se saiu melhor do que Lula na forma, mas não o suficiente para reduzir a rejeição do eleitorado que pretende conquistar. Passou sua mensagem com mais clareza, usou melhor o jogo de câmeras (por exemplo, ao se posicionar atrás de Lula, com expressão de desaprovação, enquanto o presidente falava) e administrou melhor o tempo à sua disposição. Nos embates diretos com tema livre entre os dois, porém, o senador foi tão evasivo nos questionamentos de Lula que passava a impressão de que qualquer assunto lhe era demasiadamente espinhoso – até aqueles que não deveriam ser. Qual era a dificuldade de explicar por que votou assim ou assado em determinada matéria no Congresso Nacional?

Pornografia política, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Até a encenação foi abandonada. O presidente Lula tudo faz para ganhar as eleições, sem quaisquer limites

Tem um nome o que estamos vivendo: pornografia política. Não há mais sedução, eros, mas pura e simples pornografia. Até a encenação foi abandonada. O presidente Lula tudo faz para ganhar as eleições, sem quaisquer limites. Contas públicas, responsabilidade fiscal, dívida pública entre outras, inúmeras, aliás, vão simplesmente para o espaço.

Os gastos das últimas semanas já remontam a R$ 350 bilhões, segundo o Estadão, sem que sejam números definitivos, pois não se sabe ainda o que está por vir nos próximos dias. O cenário não permite otimismo. E nada mais se esconde; tudo aparece à luz do dia. Nem as aparências são guardadas.

A uma semana do 2º turno, direita e esquerda lotam as ruas, por Rafaela Gama

O Globo

Flá­vio mar­cou pre­sença em São Paulo em evento na Ave­nida Pau­lista com ali­a­dos; PT fez mobi­li­za­ção naci­o­nal e ato no Rio, com artis­tas como Cae­tano Veloso e Dja­van

Eventos de campanha aconteceram poucas horas antes do debate da Band, o primeiro com a participação dos dois nesta eleição

A manifestação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo, reuniu 72 mil pessoas, enquanto o "Ato Musical pela Democracia", organizado por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, teve a presença de 56 mil. Os dados são estimativas do Monitor do Debate Político da USP/CEBRAP e da More in Common. Os eventos aconteceram poucas horas antes do debate da Band, o primeiro com a presença dos dois candidatos nesta eleição.

O que quer o eleitor? Por Irapuã Santana

O Globo

Sobra muito pouco tempo e energia para refletir e buscar informações sobre candidaturas nas eleições

O primeiro turno das eleições passou e, com ele, foram escolhidos os novos representantes da população no Legislativo. Tivemos recordes de votos à direita e à esquerda. Os campeões de votos para a Câmara foram Nikolas Ferreira, com 3.119.318 votos, seguido por Lucas Pavanato, com 3.038.438, e, fechando o pódio, Erika Hilton, com 1.596.472.

São candidaturas com pautas específicas que não necessariamente aderem, à primeira vista, àquelas questões frequentemente apontadas pelo povo como suas maiores preocupações, tais como violência, saúde, corrupção, pobreza e educação. Nenhum dos três campeões se destaca por algum desses elementos. Ficam mais centrados nas pautas dos costumes e da identidade.

O voto, esse traidor, por Miguel de Almeida

O Globo

A identidade não determina a ideologia. Parece óbvio, menos para parte da esquerda, para quem a frase soa como alta heresia. Repetiu-se por anos, sem direito a réplica, que a defesa de minorias e desvalidos equivalia a falar por eles. Negava-se, assim, o fato de que entre mulheres, negros e pobres havia conservadores. As urnas dizem que eles existem e votam, fazendo-se ouvir. O primeiro turno acendeu o farol.

Não se pode confundir posição social com consciência política. São coisas distintas, embora o identitarismo mais pedestre tenha sempre misturado os conceitos. O resultado das eleições para o Congresso mostra que a esquerda pode ter confundido a defesa de grupos minoritários ou perseguidos com o alinhamento automático a sua visão de mundo. Não é bem por aí; sem catequese, por favor. No quesito, a História traz exemplos melhores.

A caminho de um estelionato eleitoral, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Nenhum candidato se arriscará a falar de ajuste, e o eleito só se ocupará do problema depois da posse

O eleitor que acompanha o noticiário sobre as eleições certamente já topou com reportagens e opiniões a respeito do ajuste das contas públicas. Mas quem acompanha apenas os programas partidários e as declarações dos candidatos só encontra dois tipos de mensagem, que podem ser assim resumidos: o adversário é uma porcaria; e o próximo governo será muito bom para todos.

Há um certo consenso entre analistas, políticos e marqueteiros neste ponto: ajuste de contas, também conhecido como ajuste fiscal, será muito importante para o governo, qualquer governo, mas nunca será tema de campanha. Por dois motivos: o tema é complicado; e só trata de maldades.

Personalidade autoritária e extrema direita, Luiz Carlos Bresser-Pereira

Folha de S. Paulo

Legitimação que cada um dá a si próprio para essa atitude política é superficial

É, também, suficientemente rasa para que o regime não se instaure ou não perdure

A personalidade autoritária é um tema que há muito me interessa como problema de teoria política relacionada com a psiquiatria e a psicanálise. Até hoje, porém, não encontrei sobre o tema um texto que me satisfizesse, que abrisse novas perspectivas sobre a questão.

Confesso que fiquei decepcionado quando li o livro de Theodore Adorno (1950) "Estudos sobre a Personalidade Autoritária". Esperava uma análise psicológica e político-filosófica e o que encontrei foi antes uma análise político-jurídica sobre o fascismo, dado que se baseou em uma pesquisa na qual Adorno contou com cientistas políticos e juristas americanos da Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA).

A personalidade autoritária é uma questão que deveria ser estudada pela psicologia e suas diversas ramificações como a psicanálise e a medicina psiquiátrica. Estou convencido de que ela é um dos impulsos psíquicos mais profundos do ser humano –o impulso para o poder. Todos os homens e mulheres são atraídos pelo poder, pela capacidade de impor sua vontade aos demais.

Centrão quer mudar regras eleitorais após avanço de partidos com identidade ideológica clara, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Em 1950, cientistas políticos americanos queriam alterar as normas para ter partidos ideológicos

Em 2026, políticos brasileiros querem mudar regras para não os ter

Em 1950, a Associação Americana de Ciência Política (APSA) publicou o relatório "Toward a More Responsible Two-Party System", que criticava o fato de tanto o Partido Democrata quanto o Republicano serem federações frouxas de máquinas locais, sem programa e sem disciplina. A receita era outra: os partidos deveriam se organizar como partidos nacionais coesos e nitidamente distintos, para que o eleitor soubesse em que estava votando.

Meio século depois, os partidos americanos eram ideologicamente coerentes e disciplinados no Congresso. Em 2007, Nicol Rae fez o balanço num artigo de título irônico: "Cuidado com o que você deseja". Os partidos finalmente se adequavam à demanda dos cientistas políticos, mas o fortalecimento partidário veio acompanhado de polarização e paralisia decisória. Quem pedia partidos ideológicos passou a reclamar deles.

O 'Nordeste vermelho' visto da prefeitura, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A topografia política municipal é bem mais diversa do que sugere a votação presidencial

O eleitor nordestino tem o pé em duas canoas também no nível municipal, não apenas na eleição para a câmara federal

Em coluna recente critiquei o mito do "Nordeste vermelho" a partir do resultado das eleições para a Câmara dos Deputados. Retomo aqui a questão, mas com o foco agora nas eleições municipais. Lula perdeu 258 mil votos na região entre 2022 e 2026, uma redução de 1,2%. O Nordeste, no entanto, passou a representar uma parcela maior de sua votação nacional: de 38% para 40%. Mas apenas 9,5% das prefeituras nordestinas foram conquistadas pelo PT em 2024.

Mais importante: a distribuição de prefeituras do PT é excepcionalmente assimétrica e descontínua. Embora quase dois terços dos votos válidos no Maranhão tenham sido para Lula, o partido conquistou apenas duas das 217 prefeituras. Menos de 1%. Quem mais elegeu prefeitos no estado foi o PL. Sim, o partido da direita radical. Na Paraíba, apenas uma no conjunto de 223. No Piauí e na Bahia, o PSD liderou. Em Alagoas, o MDB levou 65 das 102 prefeituras, quase dois terços do total. Em Pernambuco, o primeiro lugar está com o PSDB. Na Paraíba e no Ceará, com o PSB.

Não sei vocês, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Estamos às vésperas da eleição mais importante do resto de nossas vidas

Não podemos correr o risco de perder nenhum dos direitos que conquistamos

Não sei vocês, mas entendo que estamos às vésperas da eleição mais importante do resto de nossas vidas. Em poucos dias iremos definir se queremos um governo que se caracteriza pela defesa dos interesses coletivos e pela priorização do bem-estar social ou um governo associado ao autoritarismo, ao culto à personalidade, à perseguição de minorias e ao desprezo pelo meio ambiente.

Não sei vocês, mas a escolha certa me parece óbvia para quem preza a democracia, a liberdade de expressão, o direito à divergência, o livre pensamento, a justiça social, a equidade de gênero e de raça, a educação pública, a proteção previdenciária e uma série de direitos e garantias conquistados com muita luta e articulação coletiva ao longo de décadas.

Folha, Metrópoles e a lama de Daniel Vorcaro, por Alexandra Moraes - Ombudsman

Folha de S. Paulo

Portal brasiliense nega retaliação por publicação sobre submissão de textos ao então banqueiro

Assessor que aparece sugerindo 'adiar' reportagem afirma que a demanda jamais foi atendida pelo jornal

Numa semana cheia de temas em que a cobertura da Folha merecia críticas (Kassio e Vorcaro, escala 6x1, enchentes em SP) e com um furo importante sobre a Meta nas eleições ("Em mensagens internas, Meta admite que contas de Lula foram prejudicadas por restrições"), o próprio jornal acabou virando assunto, infelizmente.

Na noite da sexta, a Folha soltou um texto com o (longo) título "Metrópoles publica reportagem mentirosa em retaliação a denúncia sobre o site revelada pelo UOL e reproduzida pela Folha".

A denúncia era "Vorcaro editava textos do site Metrópoles antes de irem ao ar". Depois da publicação dela, na quinta (15), o portal brasiliense anunciou que "Daniel Vorcaro pagou R$ 1 milhão para ‘adiar’ e ‘amenizar’ matéria na Folha de S.Paulo". Apesar da formulação, o milhão não foi pago ao jornal, mas ao assessor Guilherme Barros, encarregado por Daniel Vorcaro de tentar reduzir danos que uma reportagem do jornal poderia lhe causar.

Opacidade das big techs no jogo eleitoral, por João Marcelo Sena - Ombudsman

O Povo (CE)

Da mesma forma que a imprensa cobra de agentes públicos uma postura livre de interesses pessoais, deveria ser mais crítica à falta de transparência nos algoritmos

É chover no molhado falar sobre como as redes sociais têm protagonismo como espaço de disputa política. A cada eleição, cresce a influência do ambiente digital naquilo que é pautado pelas campanhas nos principais temas em debate. A semana que começou com um vaivém de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o canal de WhatsApp “Exército do Lula” terminou com suspeitas de interferência da Meta no pleito.

Em meio à sinuca de bico na qual o Poder Judiciário se colocou ao longo dos últimos meses, cada decisão passa a ser recebida com desconfiança já naturalizada. Diante desse clima de conflagração política nas cortes superiores, chega a ser uma boa surpresa o destaque à notícia de um parecer emitido pela área técnica do TSE. O relatório não apontou para desinformação disseminada no canal, mas fez alertas quanto ao uso de “linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto” naquele ambiente.

Poesia | Vinícius de Morais - O Haver

 

Música | Mulheres de Hollanda - Todo o sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque de Hollanda )

 

domingo, 18 de outubro de 2026

Sobre o conceito de previsão ou perspectiva, por Antonio Gramsci*

É certo que prever significa apenas ver bem o presente e o passado como movimento: ver bem, isto é, identificar com exatidão os elementos fundamentais e permanentes do processo. Mas é absurdo pensar numa previsão puramente "objetiva". Quem prevê, na realidade, tem um "programa" que quer ver triunfar, e a previsão é exatamente um elemento de tal triunfo. Isto não significa que a previsão deva ser sempre arbitrária e gratuita ou puramente tendenciosa. Ao contrário, pode-se dizer que só na medida em que o aspecto objetivo da previsão está ligado a um programa é que esse aspecto adquire objetividade: 1) porque só a paixão aguça o intelecto e colabora para tornar mais clara a intuição; 2) porque, sendo a realidade o resultado de uma aplicação da vontade humana à sociedade das coisas (do maquinista à máquina), prescindir de todo elemento voluntário ou calcular apenas a intervenção das vontades dos outros como elemento objetivo do jogo geral mutila a própria realidade. Só quem quer fortemente identifica os elementos necessários à realização de sua vontade. Por isso, é um erro grosseiro de presunção e superficialidade considerar que uma determinada concepção do mundo e da vida tenha em si mesma uma superioridade em termos de capacidade de previsão. É claro que uma concepção do mundo está implícita em toda previsão; portanto, o fato de que ela seja um amontoado de atos arbitrários do pensamento ou uma visão rigorosa e coerente não é destituído de importância, mas ela só adquire essa importância no cérebro vivo de quem faz a previsão e a vivifica com sua vontade forte. Isto pode ser percebido através das previsões feitas pelos chamados "desapaixonados": elas estão plenas de inutilidades, de minúcias sutis, de elegâncias conjeturais. Só a existência, em quem "prevê", de um programa a realizar faz com que ele se atenha ao essencial, aos elementos que, sendo "organizáveis", suscetíveis de ser dirigidos ou desviados, são na realidade os únicos previsíveis. Isto vai contra o modo comum de considerar a questão. Geralmente se acredita que todo ato de previsão pressupõe a determinação de leis de regularidade como as leis das ciências naturais. Mas, como estas leis não existem no sentido absoluto ou mecânico que se supõe, não se levam em conta as vontades dos outros e não se "prevê" sua aplicação. Logo, constrói-se com base numa hipótese arbitrária, e não na realidade.

*Antonio Gramsci (1891-1937) Caderno 15 (1933). Cadernos do Cárcere, v. 3 p.342. 3ª Edição, 2007. Editora Civilização Brasileira.

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Meta tem de zelar por equilíbrio na campanha eleitoral

Por O Globo

Facebook, Instagram, WhatsApp e sistemas de IA não podem favorecer nenhuma candidatura

Fez bem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em tomar medidas para que a Meta — dona de Facebook, Instagram e WhatsApp — mantenha equilíbrio na disputa eleitoral. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se queixou de que as redes da empresa privilegiaram conteúdos do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em resposta, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que não haja restrição sem justificativa a conteúdos políticos ligados à eleição e que a ferramenta Meta IA, de inteligência artificial, não favoreça nenhum dos candidatos. Embora a decisão afirme não haver provas de manipulação deliberada, os casos apresentados despertam questionamentos razoáveis. Por isso é fundamental que o TSE cumpra seu papel constitucional de zelar pela paridade de armas.

Velho populismo e novo iliberalismo na disputa Lula x Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No Brasil, direitos sociais avançaram antes da consolidação dos direitos civis e políticos, fortalecendo a expectativa de proteção pelo Estado e pelo governante

A campanha presidencial mudou de terreno. A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida e os embates em torno do caso Master e do Judiciário, que dominaram a reta de chegada do segundo turno, cederam espaço ao preço da comida, à renda, à criminalidade e às condições da educação e da saúde. A disputa sobre a ordem institucional continua, mas precisa responder à pergunta sobre o cotidiano dos eleitores: quem pode melhorar suas vidas?

Depois de perder o primeiro turno, Lula recuperou a iniciativa ao combinar mobilização nas ruas, medidas administrativas e articulação legislativa. Desonerações de combustíveis, renegociação de dívidas, apoio aos pequenos empreendedores e anúncio de auxílio a universitários aproximam sua campanha das necessidades imediatas. Parte dessas iniciativas está em execução; outra depende do Congresso, do Orçamento ou de um novo mandato. Seus críticos enxergam mais deficit fiscal e oportunismo eleitoral nesses benefícios.

Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro, por Bernardo Mello Franco

Por O Globo

Nascido no dia do atentado que tentou parar a redemocratização, candidato do PL tem longo histórico de defesa do golpe e da ditadura militar

Em 30 de abril de 1981, um capitão e um sargento do Exército cruzaram o Rio em missão secreta. Transportavam duas bombas para causar terror e pânico num show que reunia milhares de jovens em comemoração ao Dia do Trabalhador. O plano era culpar a esquerda e sabotar o processo de redemocratização do país.

Em 30 de abril de 1981, um tenente que amava a ditadura, mas era tido pelos superiores como “excessivamente ambicioso”, assistiu em Resende ao nascimento do primeiro filho. Tempos depois, ele entraria na política como porta-voz dos porões.

Vale tudo? Por Merval Pereira

O Globo

Numa eleição presidencial que pode definir o futuro do país nas próximas décadas, não vemos os candidatos apresentarem programas compatíveis com nossas necessidades urgentes

O país vive nossa mais intensa e grave crise moral em meio a uma acirrada disputa eleitoral que se desenvolve sem que o ponto crucial de nossa tragédia social como Nação seja discutido, nosso descuido da mais essencial das nossas necessidades, a ética nas relações da sociedade. A desigualdade social, talvez a nossa maior chaga, é considerada por parte relevante da nossa sociedade uma questão menor, que se resolve através da meritocracia. Usei e abusei dos pronomes possessivos “nossa” e “nosso” porque é como sociedade que deveríamos enfrentar esse nosso problema.

Fascismo, crise climática e desinformação: os sinais de um mundo em colapso, por Martha Medeiros

O Globo

'Sobreviverá quem estiver no lucro de ter vivido cercado por livros, informação e consciência do momento presente'

O livro é “A paixão pela mentira — A família e as tiranias”, do psicanalista Paulo Schiller. Lançado em 2025, discute as angústias e traumas infantis que resultam no adulto que nos tornamos. Como o título e o subtítulo indicam, o livro denuncia as narrativas estrambólicas que sustentam o fascismo desde sua origem, no âmbito familiar. A leitura é atrativa a leitores de qualquer espectro político, mas abri o livro justo neste frenético outubro de 2026, e ele me ajudou a entender a razão de estarmos tão assustados com a possibilidade de sermos governados por uma família que se encaixa exemplarmente na análise profissional e isenta do autor.

Os debates decidirão a parada, por Elio Gaspari

O Globo

É a primeira vez que se chega a uma situação semelhante na disputa pela Presidência da República

Dois debates, o de hoje na Band e o do dia 23 na Globo, decidirão a disputa pela Presidência da República. É a primeira vez que se chega a uma situação semelhante. Lula, aprovado ou rejeitado, é conhecido. Flávio Bolsonaro é um sobrenome que carrega consigo o antipetismo. É uma divisão pobre e irredutível, basta dizer que está aí há 18 anos com a mesma agenda. Ao apagar das luzes do Lula 3.0, ele empunhou essa bandeira e o Congresso aprovou a escala de 5x2 para os trabalhadores.

Veio uma pandemia, morreram 700 mil pessoas e não apareceu uma só ideia nova na área da saúde. Quando aparece uma, é travada no escurinho de Brasília.

A luta contra o desmatamento, por Míriam Leitão

O Globo

O menor número de desmatamento foi possível após o governo Lula superar a terra arrasada que recebeu de Jair Bolsonaro na área ambiental

A queda do desmatamento na Amazônia ao menor número nos 38 anos em que o INPE faz o monitoramento é uma vitória cuja dimensão só se entende através de uma viagem no tempo. Não poderia ser colhida se não houvesse uma decisão do governo seguida zelosamente por todas as equipes dos órgãos públicos envolvidos na missão. O presidente Lula repete o feito dos primeiros dois mandatos em que também derrubou fortemente o desmatamento na Amazônia. Dessa vez, há outra boa notícia a comemorar. O Cerrado, o bioma que vem sendo mais atacado, também teve o seu melhor número.

Debandada, por Dorrit Harazim

O Globo

Integrantes da bolha Trump se mudaram para o Xanadu fortificado, onde se sentem em segurança por viverem intramuros

Há quem goste de qualificar Stephen Miller como a éminence grise de Donald Trump. O epíteto não lhe faz justiça. Seu poder é mais vasto do que o do frade de batina cinza Leclerc du Tremblay, braço direito de Richelieu nos tempos de Luís XIII. Miller é o homem que transforma em política pública os impulsos mais incivilizados de Trump. Imprime sua ideologia raivosa com métodos de inquisidor, não aceita desculpas nem abre espaço a dissenso. É temido não pela fisionomia que lembra Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, mas por deter um poder de ação e persuasão imenso na Casa Branca. Não por acaso, escolheu a dedo um cargo que não quer dizer nada (e, portanto, pode significar tudo) e não exige ser sabatinado pelo Senado: vice-chefe de Gabinete para Políticas Públicas. Opera melhor nas sombras do que à luz do dia, e poucos no universo Make America Great Again (Maga) se aventuram a contrariá-lo.

Diplomatas e militares que se cuidem! Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Eduardo Bolsonaro pode ou não ser chanceler, mas vem aí ‘faxina’ no Itamaraty e nas Forças Armadas

O senador Flávio Bolsonaro descartou seu irmão Eduardo como chanceler no seu eventual governo, mas isso não é suficiente para acalmar os ânimos nas duas principais carreiras de Estado, diplomatas e militares, que temem a repetição no Brasil do que Donald Trump fez ao assumir pela segunda vez a presidência dos EUA: uma caça às bruxas.

Está praticamente descartada uma nova tentativa de golpe militar, como nos anos de Jair Bolsonaro, mas o sinal amarelo acendeu quando Eduardo Bolsonaro anunciou a caça às bruxas como “uma faxina” no Itamaraty, para varrer os diplomatas não alinhados com o governo do pai nem com a campanha do irmão. Mais um tiro no pé, ou melhor, na campanha de Flávio.

O perigo de se depender dos EUA, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O calvário vivido por Volodmir Zelenski em sua história com Donald Trump é completo para analisar como o presidente americano se comporta perante aliados e adversários.

O Brasil vive um contexto diferente da Ucrânia, mas no momento em que se prepara para entrar na órbita americana ou se manter sob a chinesa, a lição é clara: os riscos são severos em ambos os casos.

O amor de Trump pela Rússia e desprezo pela Europa datam de 1987, quando o empresário foi convidado a visitar a União Soviética depois de comprar centenas de televisores para um hotel que estava montando em Nova York em uma loja que era um aparelho da KGB. Ao voltar, Trump gastou US$ 94 mil em anúncios no Wall Street Journal , New York Times e Boston Globe defendendo o abandono dos aliados europeus, japoneses e sauditas.

Vida é poesia, por Ignácio de Loyola Brandão

O Estado de S. Paulo

Namorar era olhar, trocar sorrisos maliciosos. E, se desse, pegar na mão, escondido do irmão

Dois momentos me tocaram fundo na primeira semana de outubro, ambos ligados a esta vida que chegou aos 90. O que chamo de vida é a de todos nós, brasileiros. O primeiro momento, tenebroso, foi a frase de um candidato à presidência do Brasil. Ela me desestruturou. A que ponto de sordidez chega a ambição de poder? A repelente, repulsiva, horrenda referência à prostituição em um cargo atribuída a Simone Tebet me deixou irado, desesperado. É vulgar, de espantosa baixeza, cafajestice. Inadmissível. Em que país vivemos? Ou viveremos?

Entrevista | Marco Aurélio Nogueira: ‘Não dá para tudo ser resolvido no confronto entre lulismo e bolsonarismo’, diz cientista político

Por Vera Rosa \ O Estado de S. Paulo

Autor do livro ‘Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar’, Marco Aurélio Nogueira vê a democracia no Brasil ameaçada e diz que qualquer candidato eleito para a Presidência, seja Lula ou Flávio, terá de ‘descascar um abacaxi’

BRASÍLIA – O cientista político Marco Aurélio Nogueira define o atual momento que vivemos como “uma encruzilhada política paralisante”. No seu diagnóstico, trata-se de uma época na qual a manipulação de algoritmos domina o mundo e ergue muros. Diante deste cenário, construir pontes ficou mais difícil.

“Não dá mais para tudo ser resolvido a partir de um confronto eterno entre o lulismo e o bolsonarismo”, diz Nogueira. Professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e articulista do Estadão, o cientista político observa que os democratas precisam reaprender a dialogar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva errou, na sua avaliação, ao deixar de lado a frente ampla que ajudou a elegê-lo, em 2022. Na outra ponta, o discurso antissistema do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, não reflete uma coesão social sustentável. A terceira via, por sua vez, não conseguiu sair do acostamento e “virou recheio de um sanduíche”.

Em seu mais novo livro, intitulado Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar, Nogueira trata dos muros que nos dividem e observa que o cenário atual, com seu dinamismo frenético, acabou trazendo mal-estar.

Questionado se a democracia está sob ameaça, ele não titubeou e encaixou um “sempre” na resposta. “A democracia é aquela planta tenra, que precisa de adubação permanente”, afirmou o professor, citando frase do ex-governador da Bahia Otávio Mangabeira.

Querem mudar o jeito de escolher o presidente, deputados, STFs e levar bandidos ao poder, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Há projetos de mudar a forma de governar o país entre o fim de 2026 e o início de 2027

Tentativa ocorreria em ano de economia difícil e política que afunda no crime organizado

As turmas do poder político pretendem mudar formas e modos de governo entre o final deste ano e o começo do próximo. Flávio Bolsonaro (PL) e cia. têm plano nebuloso de "mudar a Constituição para redemocratizar o país". O centrão-direitão quer se defender do avanço da extrema direita e dos políticos digitais. Todos querem mexer no falido STF.

Tais mudanças serão discutidas em momento que pode ser de domínio da extrema direita no governo federal e de grande força no Congresso, com o que tal corrente pode vir a ser hegemônica no partidarizado STF. A extrema direita é composta também de grupos políticos associados ao crime organizado. De resto, a elite no poder foi comprada ou alugada pelo gângster e cafetão Daniel Vorcaro.

Flávio perde votos quando eleitor o imagina governando, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Que candidato você prefere no comando em caso de nova pandemia?

Em retrospecto, a liderança no primeiro turno pode ter sido ruim para Flávio Bolsonaro

Para Flávio Bolsonaro vencer a eleição, precisa impedir que os brasileiros se lembrem de que, se votarem nele, ele será o presidente do Brasil pelos próximos quatro anos. Ou mais, dependendo do que ele e o pai fizerem com a Constituição que já disseram que esculhambarão.

Não houve campanha eleitoral no primeiro turno: houve noticiário sobre corrupção no STF. Leitores da coluna sabem que votar no PL para punir os corruptos do STF foi votar em 98% da quadrilha Master para usar os outros 2% como bodes expiatórios. Mas muita gente caiu no golpe, e Flávio terminou o primeiro turno na frente de Lula.

O apelo da dignidade, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Falha no primeiro turno não foi a falta de debates, mas a falta da vontade de debater

O rebaixamento nas redes sociais parece prioritário no pleito político; parlamentares da caixa de gargalhadas, com milhões de votos, são epifenômenos dessa aberração

Na fatigante expectativa do segundo turno, especialistas insistem em que problemas nacionais sejam postos em debate entre os dois candidatos e não se confundam campanhas com exposições biográficas. Todo mundo está cansado de saber que Lula, autodeclarado mais sindicalista que de esquerda, representa estabilidade democrática, ideias de povo próspero e soberano. Por vias populistas, sempre "entregou" benefícios sociais.

Mas até os mal-informados também estão cansados de saber que Flávio Bolsonaro tem mais folha corrida do que biografia publicável em 23 anos de vida parlamentar. Supunha-se que um político da ultradireita em ascensão tivesse algo de pertinente a dizer sobre ajuste fiscal ou sobre um benefício qualquer a "entregar", como senha de trânsito no mercado eleitoral. O que ele diz numa hora, desdiz na outra. É um "flatus" ambulante. De concreto, o projeto de tirar o pai da cadeia. Embora possa facilmente entregar o país.

A maldição do vencedor, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro clássico de economia comportamental ganha atualização

Autores mostram como as pesquisas evoluíram nos últimos 30 anos

Especialmente em momentos de polarização afetiva, esperamos o pior de nossos semelhantes. Tentando ver o lado menos lúgubre das coisas, acho que dá para afirmar que humanos não somos tão maus quanto hoje pode parecer. Como espécie, somos cooperativos. Nosso impulso inicial é o de colaborar com o próximo, mas também não somos trouxas. Deixamos de cooperar a partir do instante que o próximo dá sinais de que não é um parceiro confiável. Faz sentido que seja assim. Se fôssemos seres totalmente egoístas e perfeitamente racionais, sempre empenhados em maximizar ganhos, não teríamos ido muito além do Pleistoceno.