terça-feira, 21 de abril de 2026

A Apple aposta na IA, por Pedro Doria

O Globo

Empresa aposta que, rapidamente, inteligência artificial virará hardware

A Apple anunciou ontem seu novo CEO. Será um dos atuais vice-presidentes seniores, John Ternus. Ele assume no dia 1º de setembro. É uma mudança gigantesca. Tim Cook, o atual CEO, sucedeu a Steve Jobs, o carismático fundador, que morreu precocemente de um câncer particularmente agressivo. Cook pegou a empresa e a transformou na primeira companhia americana a cruzar o valor de US$ 1 trilhão no mercado e, ainda hoje, aquela que se alterna com a Microsoft como negócio mais valioso do mundo. Quando não é uma, é a outra, e muda toda semana com o flutuar do preço das ações. Mas a escolha de Ternus não tem relevância apenas por isso. Na verdade, sua maior importância é o sinal que ela representa. A Apple acaba de fazer, nele, uma aposta sobre onde está o futuro da inteligência artificial.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Política mudou após impeachment de Dilma; PT, não

Por Folha de S. Paulo

Em 10 anos, polarização se acentuou com bolsonarismo; partido mantém teses econômicas que geraram a crise

Congresso ganhou protagonismo ao longo de uma sequência de presidentes da República com índices de aprovação, quando muito, sofríveis

Esta Folha não apoiou o impeachment de Dilma Rousseff (PT), ocorrido há dez anos. Como apontou no dia em que a Câmara dos Deputados aprovaria o afastamento da então presidente, tratava-se de medida traumática, fundada em premissas jurídicas passíveis de discussão, "projetando para o futuro divisões e inconformismos".

Isso não significa que Dilma não tenha dado motivos para sua deposição, muito menos que tenha havido algum tipo de golpe, como quer a mitologia petista.

As eleições, a politização do STF e o iluminismo fora de lugar, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Com mais de 75 milhões de processos em tramitação, milhões de novas ações, especialmente nas execuções fiscais, o Judiciário perde aderência à sociedade

No pequeno grande ensaio antropológico A Identidade Cultural na Pós-Modernidade (DPA&A Editora), o sociólogo anglo-jamaicano Stuart Hall descreve a evolução do conceito de identidade a partir de três conceitos: o ser iluminista, o ser sociológico e o ser pós-moderno. Hall argumenta que a identidade humana passa por um processo de descentramento e fragmentação. O ser iluminista é o indivíduo centrado, unificado, dotado de razão, consciência e ação; acredita que um núcleo interior nasce com o indivíduo, desenvolve-se e permanece o mesmo ao longo da vida. Trata-se de uma concepção individualista, na qual a pessoa é autônoma e sua identidade é fixa e constante: "Penso, logo existo" (Cogito, ergo sum) é a célebre frase do filósofo René Descartes, publicada em 1637. Ou seja, se basta.

Trump e as palavras, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Presidente americano é tão hiperbólico que o que ele diz não significa nada

Eleição de líderes carismáticos mas destrutivos é ponto fraco da democracia

Donald Trump já proferiu tantas barbaridades que fica difícil eleger a frase mais escabrosa. Uma séria candidata é a declaração de que destruiria em uma noite a civilização persa, "para nunca mais ressuscitar". Se qualquer outro presidente americano tivesse dito algo parecido, teria sua sanidade seriamente questionada e teria deflagrado uma crise política potencialmente fatal. Sendo Trump o autor da máxima, até encontramos comentários indignados, mas parece pouco provável que a ameaça de genocídio ao vivo lhe encurte o mandato.

PT defende aliança com direita liberal contra bolsonarismo, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Partido diz que distinção entre extrema direita autoritária e direita liberal é decisiva para tática política

Programa político deve ser aprovado durante congresso nacional que começa na sexta-feira (24)

Em seu novo programa político, que deve ser aprovado em congresso partidário nesta semana, o PT defende a aliança com setores liberais comprometidos com a democracia, e diz que ela é importante para isolar a extrema direita.

"É necessário reconhecer que o avanço da extrema direita não eliminou a existência de setores liberais comprometidos, ainda que de forma limitada, com a legalidade constitucional e com a estabilidade democrática", afirma o documento, que é resultado de uma comissão coordenada pelo ex-ministro José Dirceu.

A polarização ainda navega no mar das incertezas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Os favoritos de lulismo e do bolsonarismo ainda são alvos do descrédito no campo decisivo do centro

Nenhum dos dois consegue ainda ultrapassar a barreira da falta de confiança firme em ambas as candidaturas

Não há hoje no horizonte razões substantivas para se temer pela continuidade da vigência do regime democrático no Brasil, ao menos no que concerne às candidaturas presidenciais já apresentadas.

O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) faz jus ao histórico de respeito à legalidade em derrotas anteriores quando diz que, se perder, nada lhe cabe a não ser aceitar o resultado. O principal oponente, Flávio Bolsonaro (PL), sinaliza só aceitar como legítima a vitória, mas a prisão do pai confere ao discurso o tom de bravata desprovida de lastro na realidade.

Em clima de Copa, brasileiro é mais apostador que torcedor, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Palpites dão a seleção caindo nas quartas ou nas oitavas

Neymar tem 'aprovação' maior que Lula ou Flávio Bolsonaro

Torcer é passado. Ex-pacheco, o brasileiro encara a Copa do Mundo com enfoque calculista. Adeus ruas embandeiradas, orgulho de vestir a camisa canarinho, aperto no peito na hora do hino, a volta ao mundo da infância em 90 minutos de bola rolando.

O lance agora é, teclando no smartphone, apostar se a seleção cai na semifinal, quartas, oitavas ou mesmo se nem passa da fase de grupos. Trazer o caneco, como se dizia nos velhos tempos, é um palpite arriscado. Jogar dinheiro fora, raciocina aquele que já viveu no país do futebol.

A história ensina que os imperadores passam, mas o papado permanece, por João Pereira Coutinho*

Folha de S. Paulo

Por que Leão 14 não demonstra temor ou deferência diante de Donald Trump?

Não sei se o vice J.D. Vance, em suas aulas de catequese para adultos, aprendeu essas lições

Tempos interessantes. Os Estados Unidos fazem 250 anos em julho. Mas, como lembrou o especialista em assuntos religiosos Damian Thompson na revista Spectator, nunca se viu um conflito aberto entre um presidente americano —Trump— e um papa —Leão 14. Isso é um vício europeu, mais medieval do que moderno, embora existam exceções.

Amantes de história sabem do que estou falando —e, nos últimos tempos, tenho lido comparações inevitáveis para explicar a mais recente bizarrice trumpista.

Alguns lembram Henrique 4º, imperador do Sacro Império, que transformou Gregório 7º em inimigo na famosa "questão das investiduras", a disputa sobre quem podia nomear bispos e outros membros da Igreja. Gregório resistiu e excomungou o imperador.

Não acabou bem para Henrique. Aliás, o imperador terminou de joelhos, em Canossa, pedindo perdão ao papa.

Era Orbán na Hungria foi mais reflexo do que negação da Europa, por Janaina Martins Cordeiro

Folha de S. Paulo

Experiência iliberal no país nos últimos 16 anos reflete contradições europeias no pós-guerra

Ideia de 'retorno à Europa' se baseia em suposta superioridade de um Ocidente civilizado e na inferioridade de um oriente europeu bárbaro

[RESUMO] As eleições parlamentares na Hungria que selaram a derrota de Viktor Orbán foram celebradas como um "retorno do país à Europa", vista como símbolo de democracia e liberdade. Para professora, contudo, seria mais apropriado ver no projeto iliberal húngaro não uma negação dos valores europeus, mas um espelho de suas contradições, afinal o continente foi berço de fascismo, nazismo e guerras que deixaram um legado de destruição.

Em 12 de abril, as atenções do mundo se voltaram para um pequeno país da Europa Central —a Hungria, que, desde 2010, tornara-se uma espécie de laboratório internacional para as direitas radicais.

Naquele dia, eleições parlamentares interromperam o projeto iliberal do partido União Cívica Húngara (Fidesz) e de seu principal líder, o primeiro-ministro Viktor Orbán, no poder há 16 anos.

Com índices de participação eleitoral beirando os 80% —os maiores desde a redemocratização do país, em 1989—, as urnas consagraram a vitória do partido de oposição Respeito e Liberdade (Tisza), de centro-direita, liderado pelo ex-aliado de Orbán, Péter Magyar. A legenda conquistou 138 das 199 cadeiras do Parlamento húngaro, contra 55 do Fidesz.

Igualdade: Significado & Importância, por Ricardo Marinho

Livro resenhado: Thomas Piketty e Michael Sandel. Igualdade: Significado e importância. Tradução de Maria de Fátima Oliva Do Coutto. Prefácio de Laura Carvalho. Primeira Edição. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 2025. 144 págs.

A igualdade é um pilar fundamental da Constituição Cidadã Brasileira de 1988, consagrada no Artigo 5º, que estabelece que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Este princípio da Carta da Democracia finca-se nos direitos e garantias fundamentais e reflete um compromisso com a justiça e a equidade, bem como constitui a base da coesão social e da operação do Estado democrático de direito.

Poesia | Trecho da obra "Romanceiro da Inconfidência" (Cecilia Meireles) por Antônio Abujamra

 

Música | Mônica Salmaso - Beatriz (Edu Lobo)

 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

Na dívida pública, Lula 3 repete Dilma

Por Folha de S. Paulo

Governo projeta passivo de 86% do PIB; sem mudar política fiscal, país estará em risco de novo colapso

É enganoso o argumento de que EUA e Japão possuem dívidas maiores; eles têm capacidade superior de crédito, e gastos com juros são menores

Dada a mixórdia de artifícios contábeis utilizados na apuração dos resultados do Tesouro Nacional ao longo dos últimos anos, hoje o indicador mais claro e confiável para avaliar a política fiscal é a evolução da dívida pública —e ela aponta um fracasso alarmante neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com as projeções do recém-divulgado projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), os passivos de União, estados e municípios atingirão o equivalente a 86% do Produto Interno Bruto em 2027. A cifra, se confirmada, mostrará alta de 14,3 pontos percentuais ante os 71,7% do PIB do final de 2022.

Inflação de 2028 tira folga do Copom, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo poderá limitar o tamanho do ciclo de corte de juros

O maior desafio do Banco Central na política monetária é a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo. Os sinais recentes não são bons: já houve piora nas projeções para 2028, que ficaram mais distantes da meta, e há indícios de que a tendência continuará.

É pouco provável que isso inviabilize o corte de juros que o Banco Central planeja na reunião da semana que vem, que o mercado aposta que será de 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Mas poderá limitar o tamanho do ciclo de corte - ou seja, poderemos terminar o ano com uma taxa de juros mais alta do que teríamos com uma maior ancoragem das expectativas.

Dívidas minam percepção da economia e governo aposta contra bets, por César Felício

Valor Econômico

Bancarização e abundância de crédito fácil e caro fomentam o aumento da inadimplência

Desemprego em mínimas históricas, inflação na casa de 5% ao ano, renda em alta e PIB em crescimento contínuo, embora baixo, deveriam proporcionar calmaria para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se aventurar em sua reeleição. Pesquisas como a Genial/Quaest da semana que passou deixam claro que não é isso o que acontece e há um consenso de que uma das razões é a corda do endividamento apertando o pescoço das famílias.

Um estudo da LCA Consultores, com base em dados da Serasa e do Banco Central, mostram que o garrote começou a apertar depois da pandemia de covid-19 e subiu degraus de dois em dois no governo Lula. O total de dívidas negativadas passou de R$ 221,2 bilhões para R$ 321,6 bilhões entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025.

Entre 2016 e 2020 o número de consumidores inadimplentes ficou oscilando no patamar de 60 milhões de pessoas.

De 2021 para cá saltou para 81,2 milhões.

Impostos aumentam para todos, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

A carga tributária no Brasil tem subido porque o governo a cada ano gasta mais do que arrecada

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, é contra a taxa das blusinhas. O vice-presidente Geraldo Alckmin é a favor. O chefe deles, o presidente Lula, meio que tirou o corpo fora dessa disputa dentro de seu governo, mas deu a entender que pode engrossar o grupo dos que propõem a extinção desse imposto.

Ocorre que, politicamente, a taxa gerou desgaste para o governo petista. Do ponto de vista da política econômica, a medida faz sentido. Taxa das blusinhas é o nome genérico que se deu ao imposto federal de importação de 20%, aplicado sobre compras eletrônicas em sites internacionais, especialmente nos chineses. Ela foi aplicada a partir de agosto de 2024. E se somou ao ICMS de 17%, cobrado pelos estados desde julho de 2023. Na conta final, o imposto total foi para cerca 40%.

Interesses particulares capturam a cidade, por Irapuã Santana

O Globo

Não fazemos nossa parte e vamos ao Judiciário reclamar de qualquer coisa

Muita gente reclama que o Judiciário se mete em tudo. No entanto é complicado buscar uma solução diferente quando não fazemos nossa parte e vamos até ele reclamar de qualquer coisa.

No último dia 10, o STF precisou se manifestar para permitir a expedição de novos alvarás para demolições, cortes de árvores e construções de prédios na cidade de São Paulo. Isso porque, no final de fevereiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu a emissão desses alvarás até segunda ordem.

Por que Lula deve renunciar à candidatura, por Miguel de Almeida

O Globo

É questão de coerência. Em 2022, ele prometeu, caso eleito, não buscar outro mandato

Lula deve renunciar à intenção de ser candidato. Pelo bem do Brasil e de sua biografia. É questão de coerência. Em 2022, ele prometeu, caso eleito, não buscar outro mandato — seria o quarto. Foi quase uma troca: votem em mim pela última vez. Quem jamais o engoliu, a ele e ao PT, aceitou a permuta. Os eleitores independentes o ajudaram a despachar Jair Bolsonaro. Se, em 2018, a quantidade de votos brancos e nulos foi o equivalente a 8,8% do eleitorado no primeiro turno, em 2022, ano do escambo, mal chegou aos 4,4%, algo como 5,4 milhões de votos. Mas a abstenção superou os 20%. Lula ganhou com a diferença de míseros 2,1 milhões de votos — diferença perto de 1%. E prometeu em sua primeira manifestação:

Lula e o neoliberalismo, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

O petista não foi eleito por seu ‘discurso de esquerda’, mas pela rejeição do eleitor ao seu oponente

Há muito tempo a palavra “neoliberalismo” deixou de ser um conceito do campo econômico para se tornar um “palavrão intelectual”, como observou Rajesh Venugopal, professor da London School of Economics, no Reino Unido. Em artigo publicado em 2015, ele analisou o uso do termo, demonstrando como passou a servir a generalizações teóricas e à descrição de fenômenos sem conexão entre si. De uma delimitação do papel do Estado como regulador da atividade econômica, transformou-se em definição de atitudes políticas autoritárias, ou de imperialismo, ou de uma nova forma de exploração dos pobres pelos ricos, ou até mesmo de massificação de produtos culturais.

Ética pública: um imperativo constitucional, Eduardo Muylaert *

O Estado de S. Paulo

Implantar uma nova cultura ética significa romper com práticas que naturalizam privilégios e confundem o público com o privado

Comportamentos que, na iniciativa privada, levariam à demissão imediata por justa causa tornaram-se corriqueiros em setores da administração pública, inclusive em altas esferas do poder. Práticas incompatíveis com o interesse público passaram a ser tratadas como normais – quando não justificáveis – corroendo a confiança nas instituições e esvaziando o sentido constitucional da ética na gestão do Estado.

“É preciso saber aproveitar as oportunidades”, ouvi certa vez, horrorizado. Traduzindo: mesmo sem roubar, sem incorrer em peculato, a posição de poder – por menor que seja – autorizaria o uso de meios pouco ortodoxos para benefício próprio. Nessa interpretação “generosa”, a passagem pelo poder geraria quase um direito à vantagem. Só os tolos, muito tolos, não o fariam.

Dissonância cognitiva, Denis Lerrer Rosenfield *

O Estado de S. Paulo

Os fatos são obliterados em proveito de uma narrativa que procura conquistar a opinião pública. Uma vez que já perderam no combate, tudo fazem para impor a sua narrativa

O mundo tal como existia a partir da 2 . ª Guerra Mundial desmoronou. Vivemos hoje a sua derrocada progressiva, com o enfraquecimento e o desaparecimento daí resultantes de suas instituições. Os horrores da 2.ª Guerra deram lugar, naquele então, a tratados internacionais que respondiam aos interesses das potências vencedoras. Note-se, todavia, que a paz tinha um significado restrito, válido para a Europa Ocidental, não se aplicando ao Leste Europeu. Enquanto a guerra desaparecia desse território limitado, outrora considerado o centro do mundo, ela proliferava pelo mundo afora. Exemplos são inúmeros nas invasões de Hungria, República Checa e Afeganistão, no Vietnã, na Argélia, no Iraque e várias no Oriente Médio, além das africanas. Tudo sustentado no equilíbrio militar nuclear.

A semente do próximo Fidel, por Oliver Stuenkel*

O Estado de S. Paulo

Trump segue padrão histórico: período de nfluência americana seguido por reação nacionalista intensa

Tudo indica que Donald Trump buscará replicar em Cuba uma estratégia semelhante à que usou na Venezuela: quer transformar a ilha socialista em um país alinhado e submisso aos EUA, sem necessariamente alterar outros elementos centrais do sistema político. Isso pode envolver substituir o atual presidente, Miguel Diaz-Canel, por alternativa mais maleável.

Nos bastidores em Washington, fala-se que Trump está buscando uma espécie de “Delcy cubana”, em referência à líder venezuelana cuja permanência no poder depende, em grande medida, do apoio de Washington. Demandas de Trump incluem compensar cidadãos e empresas dos EUA por propriedades confiscadas após a revolução de 1959.

Efeitos não antecipados da corrupção, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

No caso do Banco Master não há efeitos mitigadores do impacto dos malfeitos

No caso do escândalo do Supremo, é a defesa da democracia que tem sido mobilizada

Nada mais atual do que a afirmação do senador Jaques Wagner ao comentar a estratégia de reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014: "Estamos em campanha e tenta-se fazer palanque sobre um tema rejeitado pela população, que é a corrupção... Ninguém ganha eleição dizendo ‘sou honesto’. Até porque ninguém acredita".

A disputa pelo Senado e a armadilha da dispersão, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Dados de 1998 a 2022 mostram que candidatos da coligação do governador têm muito mais chance

Desafio é não permitir que votos dos eleitores se diluam entre muitos nomes de um mesmo grupo político

Na última semana, a disputa pelo Senado passou a ocupar mais espaço no debate político. Seja pela pressão de alguns partidos em busca de espaço nas chapas num ano em que estarão em disputa duas cadeiras por estado, seja ainda pela indefinição sobre quem serão os candidatos em alguns estados. A isso se soma o uso abertamente eleitoreiro que o senador Alessandro Vieira fez do relatório da CPI do Crime Organizado.

Voto negro tem poder, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Qual o projeto político dos candidatos para a população negra brasileira?

A realidade já deixou evidente que a falta de consciência social e de letramento étnico-racial afeta diretamente o povo

Com a proximidade das eleições gerais, a pergunta que não sai da minha cabeça é: Ei, senhor(a) candidato(a), qual o seu projeto político para a população negra brasileira?

Indagação semelhante me ocorre em relação a propostas voltadas à proteção, segurança e bem-estar das mulheres. Como se sabe, o público feminino vem sendo atacado sistematicamente em nosso país —a média de feminicídios foi de 4 mortes ao dia em 2025.

Como se lê o kkkkkk em Portugal, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Comparado com os sonoros rárárá, rêrêrê, ririri, rôrôrô e rururu, o kkkkkk é só um cacarejo

Se você escrever kkkkk para sua namorada lisboeta, ela lerá kappakappakappakappa

Os leitores mais regulares desta coluna sabem de minha aversão pelo kkkkkk com que muitas pessoas encerram suas mensagens pela internet. Sabem também de minhas razões para isto. Primeiro, na vida real, ninguém ri kkkkkk, mas de outras maneiras, muito mais ricas. A começar pelo rá-rá-rá, uma explosão aberta e sonora, um brado de bem-estar no mundo. Ou o rê-rê-rê, um riso de desprezo, de ironia. E o ri-ri-ri, uma forma afetiva de rir, embutindo uma crítica ao que se ouviu. E não para por aí.

A íntegra do discurso histórico de Lula em Barcelona

 

Poesia | Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Joao Gilberto & Tom Jobim - Corcovado

 

domingo, 19 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Dívidas das famílias espelham gastos de Lula

Por Folha de S. Paulo

Em pesquisa Datafolha, 67% dizem ter passivos financeiros, e 28%, contas de consumo em atraso

Acesso a crédito contribuiu para o fenômeno, mas alta necessárias das taxas de juros do Banco Central para conter inflação foi determinante

Nas últimas semanas, dívidas das famílias tomaram as discussões econômicas e políticas no país.

A degradação da qualidade do crédito era um fenômeno visível desde ao menos o início de 2025 e previsível desde que as taxas de juros passaram a subir, no final de 2024. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém, pareceu surpreso ou, ao menos, demonstrou preocupação maior com o tema apenas com a onda de declínio do prestígio do presidente.

A baixa da avaliação presidencial não vem de hoje, mas desde o início do ano passado. Além do mais, as queixas do eleitorado são diversas, como o nível elevado de preços, impostos, insegurança e corrupção, que causam desconfiança geral no sistema político.

A religião, a loteria e o ópio da miséria, por Antonio Gramsci*

Nas Conversazioni criitiche & (Série 11, p. 300-301), Croce busca a "fonte" do Paese di Cuccaga’, de Matilde Serao, e a encontra num pensamento de Balzac. Na narrativa La Rabouilleuse, escrita em 1841 e depois intitulada Un ménage de garçon, falando de Madame Descoings, que há vinte e um anos apostava numa famosa sequência de três números, o "romancista sociólogo e filósofo" observa: "Essa paixão, tão universalmente condenada, nunca foi estudada. Ninguém ainda compreendeu o ópio da miséria. A loteria, a mais poderosa fada do mundo, não desenvolvia esperanças mágicas? A jogada de roleta, que acenava aos jogadores com montões de ouro e de prazeres, n5o durava mais que um clarão; ao passo que a loteria dava uma duração de cinco dias a esse magnífico clarão. Qual é, atualmente, a potência social que pode, por quarenta soldos, tornar-vos felizes durante cinco dias e conceder-vos idealmente todas as felicidades da civilização?"  

Ao lado de Sanches, Lula sobe o tom contra Trump em evento na Espanha, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Há um equilíbrio frágil entre a crítica legítima ao presidente dos Estados Unidos e uma escalada retórica desnecessária que pode acarretar retaliações da Casa Branca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom nas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por causa da guerra do Irã, ontem, durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona. Durante o evento, ao lado do presidente da Espanha, Pedro Sanches, Lula criticou as guerras e o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). "Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra" , disse.

Embora o ambiente fosse favorável a um discurso em defesa da paz, o tom das críticas a Trump sinaliza que pretende trazer para o debate eleitoral a relação com os Estados Unidos, em meio a negociações com a Casa Branca sobre o Pix e à iminente adoção de novas tarifas contra o Brasil pelo governo norte-americano. O contexto político interno, muito impactado pelos efeitos econômicos da guerra do Irã e a sua ultrapassagem por Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, sugere essa mudança de tática.

O Papa e o imperador, por Bernardo de Mello Franco

O Globo

Pontífice é comparado a Pio VII, que peitou Napoleão, por não se dobrar ao imperador laranja

Foi no período de sede vacante, o intervalo entre a morte de um Papa e a escolha do sucessor. A uma semana do início do conclave, o presidente dos Estados Unidos arriscou uma piada sobre o perfil ideal do substituto de Francisco. “Eu gostaria de ser Papa. Seria minha escolha número um”, gracejou.

Três dias depois, Donald Trump voltou à carga. Divulgou uma montagem em que aparecia no trono, vestido de pontífice. A provocação revoltou católicos de todo o mundo. Em Roma, foi recebida como sinal de novos atritos entre a Casa Branca e a Santa Sé.

Trump travou uma série de embates com Francisco, crítico de sua política de deportações em massa. “Quem pensa em construir muros, e não em construir pontes, não é cristão”, sentenciou em 2016, quando o americano prometia erguer uma barreira contra imigrantes na fronteira com o México.

Os Supremos, por Merval Pereira

O Globo

Agora já não é mais um governo autoritário que ameaça o Supremo, é o Supremo que ameaça a democracia

A fórmula mais usada em governos autoritários, de esquerda ou de direita, para controle da democracia sem que suas instituições deixem de funcionar na aparência é o domínio do que aqui se denomina Supremo Tribunal Federal (STF). Por ser a última instância da Justiça, é a que pode definir quem está certo ou errado, especialmente no Brasil, onde qualquer tipo de ação vai parar lá. Por isso mesmo, um governo como o de Bolsonaro, que claramente tinha o objetivo de dar um golpe de Estado, atacava seus representantes, para criar na população uma ojeriza à sua atuação.

Roubalheiras antigas, por Dorrit Harazim

O Globo

Afinal de contas, nunca é demais ver como funcionava a mente privilegiada e honrada do autor de ‘Os miseráveis’

Na semana passada, a Assembleia Nacional da França aprovou, por rara unanimidade, o Projeto de lei que agiliza a devolução de obras de arte e bens culturais saqueados ao longo de 157 anos. O limite temporal da medida (entre 1815, ano da queda de Napoleão, e 1972, data da entrada em vigor de convenção da Unesco sobre restituições) restringe o caráter universal inicialmente pretendido. O texto tampouco abriga a palavra-chave envergonhada da questão: “colonização”. Ainda assim, com nove longos anos de atraso, a medida veio cumprir uma promessa de 2017 feita pelo presidente Emmanuel Macron.

A terceira via existe? Por Elio Gaspari

O Globo

Tentar ler numa pesquisa de abril o comportamento do eleitorado em outubro é pouco mais que um exercício de quiromancia, sobretudo quando a Genial/Quaest registrou que há 62% de indecisos.

Há meses, todas as pesquisas trazem notícias ruins para Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o, (42% x 40%) dentro da margem de erro e em um cenário estimulado. O sabor amargo dessa pesquisa está na rejeição. Lula tem 55% e Flávio tem 52%, novamente dentro da margem de erro.

A terceira via tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. No cenário de uma disputa do segundo turno, Lula patina na faixa dos 40%, enquanto os dois têm leve viés de alta. Zema tem 36% e Caiado, 35%.

Como a guerra chega na eleição, por Míriam Leitão

O Globo

Um recorte exclusivo da pesquisa Genial/Quaest mostra que apenas 16% dos brasileiros não se sentem afetados pela alta dos combustíveis.

A guerra contra o Irã atingiu diretamente o Brasil, por isso, a perspectiva de fim do conflito, que se abriu na sexta-feira, é uma excelente notícia também para o governo brasileiro. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, apenas 16% dos brasileiros não se sentem afetados pela alta dos combustíveis. O evento bagunça o cenário e aumenta a distância entre percepção e fato na economia. O país tem bons indicadores, mas o eleitor não sente isso. Para 38%, o principal causador dos preços dos combustíveis é a guerra do Irã e a situação internacional, porém o segundo vilão escolhido, com 25%, é o “governo Lula e suas decisões na economia”.

Nas asas da Panair, ops!, da FAB, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

É fácil viajar de graça no Brasil! Basta ter um cargo importante em qualquer poder

Enquanto milhões de brasileiros vivem com seus filhos em barracos, amontoados em morros, sem esgoto, higiene e o mínimo de segurança e conforto, os ricos e poderosos cruzam os céus do País – e do mundo – em jatinhos e jatões, próprios, alugados ou “emprestados”. Baratinho não é.

Os muitíssimo ricos do setor privado compram aviões para uso pessoal, se exibir por aí, fazer negócios e paparicar quem lhes possa garantir algum tipo de vantagem. Os poderosos do serviço público aproveitam seus 15 minutos de fama para usufruir do bom e do melhor, como, por exemplo, os jatinhos da FAB e seus brindes caprichados.

O castelo de areia de Trump, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Os acordos de reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e de cessar-fogo entre Israel e o Líbano não passam de encenações. A queda no preço do petróleo e as altas nos mercados de ações são movimentos especulativos.

O que o Irã “aceitou” foi manter aquilo que já havia imposto: os cargueiros têm de passar por corredores estabelecidos pela marinha iraniana. O Esquema de Separação de Tráfego (TSS), que funcionou tão bem desde os anos 60, está comprometido pelas minas lançadas pelo Irã.

Pancadas sobre o turismo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Tempo de guerra é sempre ruim para o turismo. Desta vez, não é diferente. Mas o setor vem levando pauladas há mais tempo, por uma conjunção de fatores.

Turismo é atividade relativamente nova da economia global. Viagens sempre houve, como houve peregrinações e deslocamentos em busca de contatos, de atividades econômicas e de conhecimento. Mas o desfrute em massa de outras culturas e de prazeres proporcionados pela natureza é mais recente.