quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra da Ucrânia faz quatro anos sob o signo do cansaço

Por Folha de S. Paulo

Pior conflito europeu desde 1945 se arrasta e pode ser trocado pelo Irã na lista de prioridades de Trump

Estudos indicam ao menos 500 mil óbitos militares e 15 mil civis; gasto militar da Europa subiu de 17% em 2022 para 21,4% em 2025

A Guerra da Ucrânia, um conflito que tanto a Rússia quanto o Ocidente acreditavam que estaria resolvido rapidamente, entrou nesta terça-feira (24) em seu quinto ano sob o signo da exaustão.

Cansados estão os ucranianos, submetidos a um regime de blecautes devido à degradação de seu sistema energético sob forte frio. Cansados estão os russos, isolados do Ocidente e pagando um preço altíssimo em sangue.

Pós-Lula tem Senado como possível campo de batalha, por Fernando Exman

Valor Econômico

Para integrantes do governo, a base na Casa foi prejudicada pela nomeação de lideranças de peso para ministérios

Em Minas Gerais, existe um ditado popular que pode ser usado para explicar o potencial interesse do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em disputar uma cadeira no Senado. “Político sem mandato é igual padre sem paróquia e general sem tropa”, diz a máxima. Faz sentido: se tudo correr como desejam os petistas em relação à eleição para o Senado, o carpete azul royal que decora o plenário da Casa Alta do Congresso Nacional se tornará o campo de batalha dos potenciais sucessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dentro do partido, com vistas à eleição de 2030.

Chocolates e vacas na geopolítica pós-Trump, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Relações comerciais entre Brasil e Índia são muito pequenas em relação ao tamanho das economias

No século XIX, a coroa portuguesa foi à Índia buscar mudas de árvores altas para fazer sombra aos cacaueiros cultivados por aqui. Vieram jaqueiras, mangueiras, laranjeiras. Essa combinação é usada até hoje no sul da Bahia, na região chamada Cabruca, cenário do clássico “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado. De lá, saem chocolates com terroir de frutas amarelas.

“É o que encanta os jurados”, contou à coluna Thiago Fernandes, diretor do consórcio Cabruca, que reúne 15 marcas de chocolate da região. No ano passado, barras com sabor de laranja, de queijo canastra com doce de leite e de cumaru conquistaram medalhas de prata na premiação da Academy of Chocolate, em Londres. No ano anterior, a marca Ju Arléo havia conquistado medalha de ouro com seu chocolate sabor cupuaçu. Desempenho semelhante foi alcançado pelas consorciadas na International Chocolate Awards de Nova York.

Correria pré-eleitoral explicita falta de foco, por Vera Magalhães

O Globo

Há risco de transformar temas estruturais em bandeiras eleitoreiras, com jogo para as plateias

O calendário político brasileiro tem um defeito conhecido: quando o tempo encurta pela proximidade das eleições, a tentação de decidir rápido demais sobre questões complexas aumenta, e a qualidade das decisões diminui. Com poucos meses de funcionamento efetivo antes de a campanha ganhar o centro da agenda, Congresso, governo e Judiciário se veem diante de uma pauta pesada: limitar penduricalhos no Judiciário, avançar em temas sensíveis como o fim da escala 6x1 e projetos de segurança pública, tudo isso enquanto a CPMI do INSS começa a obter acesso a provas do caso Master.

Lacerdismo volta à política brasileira, Por Ricardo Lewandowski

O Globo

É mais fácil e cômodo repetir palavras de ordem curtas e simples, revestidas de uma indignação hipócrita

O pensador grego Aristóteles, um dos fundadores da filosofia ocidental, que viveu há cerca de 2.500 anos, ensinava que a arte da política consistia na busca do bem comum, pautado por justiça e equidade, por meio de um debate racional, travado franca e abertamente. Esse ideal, que corresponde à própria essência da democracia, embora jamais tenha se concretizado em toda a sua plenitude, sempre pautou a ação daqueles que, filiados a tal tradição, atuaram na arena pública.

Lamentavelmente, de uns tempos para cá, ressurge entre nós, na contramão desse respeitável legado, uma prática nefasta, que julgávamos definitivamente sepultada no passado, que atende pelo nome de “lacerdismo”. Cuida-se de um estilo peculiar de ação política que privilegia uma retórica agressiva e inflamada, pautada num moralismo refalsado, cujo objetivo único é deslegitimar os adversários, destruindo suas reputações.

O Congresso e o banco Master, por Elio Gaspari

O Globo

Lembrai-vos da CPI da Americanas, um exemplo de CPIzza

O caso do Banco Master tornou-se radioativo. O Banco Central teve mais de um ano para enquadrá-lo e frangou o tamanho da fraude. O ministro Dias Toffoli tomou as rédeas do inquérito e embrulhou-se. O Supremo Tribunal Federal (STF) tirou-o do caso, mas, no mesmo lance, solidarizou-se com ele. (Como isso é possível, só o tempo dirá.) Uma parte do Congresso quer uma CPI; outra prefere apenas interrogar Daniel Vorcaro, dono da encrenca e arquivo vivo de suas ramificações.

Nessa confusão, em Brasília atira-se para todos os lados, menos para o alvo: as conexões de Vorcaro. Não deixa de ser curioso que, enquanto o tiroteio toma conta da agenda, a única instituição que vem investigando com sucesso o material radioativo é mantida ao largo da agenda. Trata-se da Polícia Federal (PF), a que se devem as poucas novidades saídas da caixa-preta do Master.

A milícia no banco dos réus, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Investigação escancara ligação entre política, polícia e crime organizado no Rio

O julgamento do caso Marielle levou ao Supremo uma realidade conhecida dos cariocas: a ligação entre política, polícia e crime organizado.

A Procuradoria-Geral da República expôs a conexão dos irmãos Brazão, acusados de encomendar o assassinato da vereadora, com grupos armados que dominam territórios nas zonas Norte e Oeste do Rio. Esses laços não são novos. Já haviam sido mapeados pela CPI das Milícias, concluída em 2008.

Julgamento de mandantes do assassinato de Marielle será divisor de águas, Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O crime contou com a cobertura do próprio chefe da Polícia Civil à época, o delegado Rivaldo Barbosa, que prejudicava as investigações para evitar que chegassem aos verdadeiros assassimos e seus mandantes

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou ontem o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes, com o pedido de condenação dos réus pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e as defesas dos acusados. Marielle foi morta a tiros em 14 de março de 2018, no bairro da Lapa, na região central da capital fluminense. A vereadora, que saía de um evento com mulheres negras, foi assassinada com quatro disparos na cabeça. Anderson Gomes, motorista do carro que a transportava, foi atingido por três projéteis nas costas e morreu.

Projeto de Derrite favorece máfia do combustível? ‘Nada aí foi retirado graciosamente’, diz senador, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Substitutivo apresentado por Derrite e aprovado nesta terça-feira exclui dois artigos aprovados pelo Senado que disciplinavam o controle da venda de combustíveis no Brasil para impedir a ação da máfia ligada ao PCC

Mal foi apresentado na Câmara dos Deputados, o substitutivo do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) no PL Antifacção, aprovado nesta terça-feira, 24, pela Câmara dos Deputados, virou alvo do escrutínio de senadores e deputados preocupados com as alterações feitas no texto do Senado. E entre elas está a supressão de dois artigos, o 17.° e o 18.º do projeto do Senado, que apertavam o cerco aos fraudadores de combustíveis para impedir que a máfia ligada a sonegadores contumazes e ao Primeiro Comando da Capital (PCC) continuassem a operar no País.

O peso que o Senado merece ter, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

Ter uma Casa Alta composta pelos melhores nomes de cada Estado é uma pauta, uma necessidade, da sociedade

Este artigo tem um objetivo concreto. Advertir para a importância do Senado – de como temos em nossas mãos um instrumento incrível, que pode ser muito útil ao Brasil – e para a nossa responsabilidade, enquanto sociedade, de proporcionar que a Casa Alta possa funcionar à altura de suas atribuições constitucionais. Penso que não é uma utopia ter um Senado composto por pessoas sérias e competentes, lideranças reais em seus Estados, capazes de pensar e de realizar o Brasil. Depende de nós.

STF corrói o próprio capital, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É com o esforço de ministros que o Supremo vem demolindo seu patrimônio de confiança junto à população

A recuperação é obra que leva tempo, requer autocrítica e, sobretudo, grau elevado de espírito público

O Supremo Tribunal Federal não veio parar onde está de repente, por acaso ou sem o esforço de seus integrantes. Foi um trabalho meticuloso ao longo dos últimos anos de corrosão de um dos preceitos constitucionais que norteiam a administração pública: a impessoalidade.

Ministros adotaram atitudes de estrelas e, em alguns casos, com um traço de empáfia mais comum nas subcelebridades que nos astros de verdade. Atrairiam apenas antipatia se não ultrapassassem outros mandamentos daquele definidor artigo 37 da Constituição de 1988 que exige do servidor respeito à legalidade, à moralidade, à publicidade e à eficiência.

A meia furada e a orgia do Master, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente da CVM diz no Senado que banco superavaliava ativos com ajuda de cúmplices

Fundos secretos, de laranjas e empresários amigos, facilitavam a fraude

Banco Master não existia. Era um zumbi podre que seria comprado pelo BRB, o banco estatal do Distrito Federal, o final de um crime perfeito: ganhar dinheiro com a desova de um cadáver no colo do que, no fim das contas, é o governo, o público em geral. Basicamente, era um esquema para pegar dinheiro emprestado, que sabia não ter como pagar, e sumir com o tutu.

Provas e indícios desse esquema aparecem faz meses. Só piora. Nesta terça, João Accioly, o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), disse no Senado que haveres do Master eram "meia furada" que diziam valer "R$ 500 milhões" em fundos misteriosos. Era, claro, metáfora.

A arte de pisar em cascas de banana, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

A folia do presidente e Janja foi um desastre de comunicação contratado e evitável

Mesmo com estrategista, Lula dispensou o cálculo e se entregou ao conforto da adulação

Lula, Janja, Toffoli e Moraes —para ficar em figuras centrais da República no debate público da última semana— provavelmente estão convencidos de que controlam a própria comunicação. Quer dizer, que sabem preservar sua imagem, proteger o próprio capital reputacional, compreender os códigos pelos quais são julgados e evitar as armadilhas narrativas que os adversários produzem. À luz do modo como foram pautados na mídia e na conversação pública, entretanto, não são exemplo de sucesso.

Poesia | Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Evaldo Gouveia - O Trovador

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Descontrole de gastos aflige programas sociais

Por O Globo

Despesa subiu 500% desde 2004, sem que haja avaliação de eficácia para evitar desperdício

É inegável a importância dos programas de Estado no combate à vulnerabilidade social, mas as boas intenções das gestões petistas têm sido acompanhadas de descontrole, traduzido na explosão de gastos que deteriora o equilíbrio das contas públicas, reduz o espaço orçamentário para outras demandas e prejudica as próprias populações que se pretende beneficiar. É sinal eloquente desse descontrole a constatação de que a despesa com programas e benefícios sociais subiu 500% desde 2004, já descontada a inflação, de acordo com cálculo da Instituição Fiscal Independente do Senado realizado a pedido do GLOBO. O mais grave é não existir monitoramento sobre a eficácia das políticas sustentadas por tais gastos.

Entrada de Flávio Bolsonaro não muda o jogo, por Christopher Garman

Valor Econômico

Com Flávio ou Tarcísio na oposição, ainda é difícil apostar contra a reeleição do presidente

Há cerca de três meses, era consenso entre políticos e comentaristas que o nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar a Presidência como candidato da direita seria a variável-chave para prever o resultado das eleições de outubro. Se Bolsonaro escolhesse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a oposição caminharia para uma vitória em 2026; caso optasse por alguém de sua família, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria reeleito de forma razoavelmente tranquila.

O raciocínio se baseava na percepção sobre a competitividade dos candidatos. Tarcísio tem baixa rejeição e um perfil mais moderado e de bom administrador; já os Bolsonaro carregavam os altos índices de rejeição do pai e, supostamente, seriam bem menos competitivos.

Os projetos contra a venda de mais terrenos na lua, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

O cerco sobre os sócios do Master na política impedirá que resistam aos projetos que evitam a alavancagem excessiva do sistema financeiro

Depois de anos de omissão, que abriram as portas para o Master produzir o maior escândalo financeiro da história do país, o Senado e a Câmara, em menos de 24 horas, apresentaram duas alternativas para evitar novos rombos.

A quaresma regulatória do Congresso começou no fim da tarde da quinta-feira, quando o senador Renan Calheiros (MDB-AL), enviou, de Maceió, um novo projeto, o PLP 30, para evitar que evitar que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seja usado como isca para a venda de papéis em operações excessivamente alavancadas. Quando o FGC começou a pagar os clientes do Master lesados, em janeiro, ainda havia corretoras vendendo terrenos na lua.

Causas não convencionais para os juros altos, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Valor pago aos rentistas representa 8% do PIB no Brasil e 2% nos países da OCDE

A grande mídia publica frequentemente artigos e reportagens que justificam as elevadas taxas de juros básicos do Brasil, atualmente em 15% ao ano. Antes do Carnaval, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que precisam ser “melhor debatidas com a sociedade” as razões pelas quais o país tem de sustentar juros tão elevados, muito maiores do que os de seus pares.

Críticas à atuação do BC são menos frequentes. É oportuno, portanto, resumir uma didática opinião não convencional de um dos maiores economistas brasileiros - o nome dele está no pé da coluna, tente adivinhar quem é apenas lendo as ideias.

Questionamento da OAB mostra o esgotamento do inquérito das fake News, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Com o passar do tempo, o procedimento passou a incorporar fatos distintos, conexões sucessivas e objetos cada vez mais amplos

O ofício encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Édson Fachin, marca um ponto de esgotamento do Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News, como instrumento efetivo de defesa da democracia. Sempre houve contestação à forma como foi instalado de ofício pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, bem como à designação do seu relator, o ministro Alexandre de Moraes, sem obedecer aos critérios regimentais de distribuição. Entretanto, o inquérito acabou legitimado pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, cuja preparação foi iniciada no dia 7 de setembro de 2021, e serviu de instrumento efetivo para a condenação dos golpistas, entre os quais o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Quando os bichos falavam, por Merval Pereira

O Globo

São 11 integrantes que, em tese, podem errar por último. Não há mais ninguém, ou nenhuma outra instituição, acima deles

A democracia é o pior dos regimes com exceção de todos os demais, já reconhecia o grande estadista e primeiro-ministro inglês Winston Churchill, especialista em ler a alma humana. Se não fosse assim, como seria possível que a mesma instituição reconhecida como fundamental pela defesa da democracia brasileira seja vista, pouco depois, como responsável por seu desfiguramento?

BRB e a luta contra o tempo, por Míriam Leitão

O Globo

A solução proposta pelo GDF para capitalizar o BRB tem vários obstáculos, um deles é que o governo não tem capacidade de endividamento

A proposta apresentada pelo governo do Distrito Federal pode não ser realizada em tempo hábil o suficiente, e a ideia de o acionista controlador tomar um empréstimo para capitalizar o banco esbarra no fato de que o governo do DF não tem capacidade de endividamento. O governo enviou uma lista de 12 imóveis à Câmara Legislativa para servirem como garantia a um pedido de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos. O FGC dificilmente aceitará dar um empréstimo no valor total do aporte que passará de R$ 5 bilhões. A solução não foi apresentada formalmente ao Banco Central.

A histórica luta de Vini Jr. por Fernando Gabeira

O Globo

Creio que, apesar de sua simplicidade, esse garoto de São Gonçalo figurará nos livros de História

Por onde você olha, vê notícias de Jeffrey Epstein e do Banco Master. Não estou reclamando, pois sou um dos primeiros a pedir transparência para que todos os detalhes sejam conhecidos, inclusive as festas orgíacas em Trancoso, se houver autoridades no meio.

Não custa nada tomar uma pequena distância e constatar também que estamos muito dependentes de grandes escândalos, novas e grandes emoções. Sempre me interessei por esse tema, também no trabalho de roteiristas de streaming, buscando suspense, choques, incríveis reviravoltas.

O homem de US$ 1 bilhão, por Pedro Doria

O Globo

A Microsoft chamou o desenvolvedor austríaco Peter Steinberger para conversar, a Meta mandou um envelope com proposta

Um bilhão de dólares por uma contratação. Isso é novo. Semana passada foi a primeira vez em que a imprensa de economia que olha para o mundo digital falou de compra de passe como se fosse jornalismo esportivo. E teve disputa. A Microsoft chamou o desenvolvedor austríaco Peter Steinberger para conversar, a Meta mandou um envelope com proposta. Ao fim, ele topou o convite da OpenAI. E o valor do contrato foi este: US$ 1 bilhão. A OpenAI pode parecer rica, mas, no jogo das três líderes do mercado de inteligência artificial, que inclui também Anthropic e Google, é a que está com o caixa mais pressionado. Não é dinheiro gasto com facilidade. Ainda assim, pagou. Por quê?

O fator Trump em outubro, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio tem potencial para trazer Trump de volta para a política e a eleição no Brasil?

A expectativa de Flávio Bolsonaro corresponde, na mesma proporção, ao temor do presidente Lula e do Planalto: o de que o imprevisível Donald Trump dê mais uma de suas guinadas e volte a se meter não apenas em assuntos políticos, jurídicos e econômicos no Brasil, mas também, e diretamente, nas eleições presidenciais.

Trump comandou a primeira reunião do Conselho de Paz de Gaza, idealizado por ele, montado por ele e presidido por ele ao seu bel-prazer, cercado de líderes mais do que conservadores e batendo no peito para enaltecer seu próprio papel na vitória desses convidados.

Barbas de molho, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

André Mendonça será agente contrário à investigação sobre Dias Toffoli? Essa é a questão. Porque pesa sobre o STF – pressiona o STF – o relatório da Polícia Federal que reúne indícios de crimes cometidos pelo ministro-hoteleiro. Pesa sobre a indolência de Fachin. Pesa sobre a omissão do PGR Xandão Gonet.

Mendonça formará com eles? A propaganda corrente-influente nos dá conta de que chegou chegando à relatoria do caso Master. Cheio de providências etc. Há mesmo boas gestões; aquelas que levam a investigação aos trilhos de alguma legitimidade, restituída à PF a prerrogativa de apurar-periciar.

Politização das Forças Armadas (nos EUA), por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

A reação das FFAA contra a tentativa de politização por parte de Trump mostra a solidez das instituições e o profissionalismo militar

Uma das questões mais controvertidas que Trump vai deixar como legado de seus dois mandatos presidenciais nos EUA será a tentativa frustrada de politizar as Forças Armadas (FFAA), contrariando um dos pilares fundamentais da democracia americana: o controle civil das Forças Armadas e a neutralidade política dos militares.

Limites à política do porrete, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Por decisões políticas ou judiciais, algum limite está sendo imposto ao uso do porrete como política de Estado que Trump tentou consagrar

O mundo está perdendo o medo de Trump? Enfim, parece que até a Europa Ocidental agora entende os danos que um governo norteamericano chefiado por uma pessoa descontrolada e insensível às relações internacionais pode provocar no cenário mundial. Alguns dos principais dirigentes europeus reunidos na Conferência de Segurança de Munique reconheceram que a ordem mundial, construída logo depois do fim da 2.ª Guerra Mundial e aperfeiçoada nas últimas décadas – e que assegurou um mínimo de paz para o desenvolvimento da humanidade –, acabou. “A ordem mundial baseada em direitos e regras está sendo destruída”, disse o chanceler alemão, Friedrich Merz, durante o encontro. É um reconhecimento tardio dos estragos que Donald J. Trump está espalhando pelo mundo.

Suprema Corte vai conter Trump? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Decisão sobre tarifas mostra que Judiciário ainda não foi totalmente cooptado

Vamos ver se magistrados reafirmam independência nos próximos julgamentos

Numa rara boa notícia que vem dos Estados Unidos, a Suprema Corte declarou, pelo placar de 6 a 3, que o tarifaço de Donald Trump é inconstitucional. A decisão dos magistrados não põe fim aos desatinos econômicos do Agente Laranja, mas indica que a erosão institucional em curso naquele país ainda não foi tão longe quanto se poderia temer. O tribunal, que em outras ocasiões deu rédeas à hipertrofia dos poderes presidenciais, ainda não se tornou um órgão que apenas carimba ordens da Casa Branca.

Abuso faz a lei cair em desuso, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Campanha eleitoral indevida tem a guarda compartilhada entre políticos do governo e da oposição

Legislação vigente foi revogada pela prática permissiva, enquanto a Justiça se faz de desentendida

Soa a impertinência com o discernimento alheio o embate de argumentos entre "especialistas" para definir se há campanha eleitoral antecipada, seja por parte de governistas ou de oposicionistas.

Evidente que há. As provas jurídicas podem ser insuficientes, mas as comprovações factuais estão à vista. Faz mais de ano que não se fala de outra coisa na política, que partidos e candidatos se movimentam em torno do assunto, que o noticiário tem como referência a eleição de outubro. Pedem votos, sim.

Paes terá palanque com Lula e bolsonarista, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Indicada a vice na chapa, Jane Reis é irmã do cacique de Caxias

Estratégia é ampliar diálogo com evangélicos e avançar na Baixada

Em 2020, a advogada Jane Reis disputou a eleição à Prefeitura de Magé, na Baixada Fluminense, a 50 quilômetros da capital, com população de 228.127 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. O município se destaca na produção de mandioca. Jane obteve 7.966 votos, equivalente a 5,92% do total, ficando na sexta colocação, atrás dos candidatos Boneco e Sargento Lopes. Seis anos depois, ela pode se tornar a vice-governadora do Rio de Janeiro, se as pesquisas que indicam o favoritismo de Eduardo Paes nas eleições de outubro se confirmarem.

O cais da marinha – recordações ...Pra não esquecer..., por Alfredo Maciel da Silveira

“(...)Foi quando vi pela primeira vez um jovem advogado, semblante tenso e altivo do guerreiro a "romper o cerco"*. Seu nome: Marcelo Cerqueira(...)”.

(*)“Romper o Cerco” é referência ao título de panfleto eleitoral da vitoriosa campanha de Marcelo Cerqueira em 1978  a Deputado Federal. Em célebre passeata pela Av Rio Branco, proibida pela Ditadura, Marcelo caminhou ao lado do Senador Nelson Carneiro, à frente da multidão, literal e simbolicamente “rompendo o cerco”!

Dois alagoanos: Paulo Elisiário Nunes e Adalberto Timóteo da Silva, por Ivan Alves Filho

Paulo Elisiário Nunes foi uma das figuras mais extraordinárias que conheci em toda minha vida. Alagoano, descendente de índios e negros, dedicou toda sua existência à libertação do povo brasileiro, e isso desde a juventude. 

Paulinho, como nós o chamávamos, aproximou-se do PCB logo após a Declaração de Março de 1958, partindo, em 1963, para Moscou, onde cursaria a Escola de Quadros do PCUS. Ao retornar ao Brasil, em 1965, mergulhou imediatamente na clandestinidade. Viveu parte da vida escondido, sem contato com a família de origem, ou na cadeia. Mas nunca esmoreceu, nem durante as torturas terríveis que sofreu, em Juiz de Fora. Ao seu lado, sempre, sua companheira Geralda, a querida Baixinha. Certa vez - lá se vão algumas dezenas de anos - eu comentei com sua filha em Belo Horizonte, em um encontro partidário, que, se eu fosse mencionar cinco pessoas extraordinárias que conheci na vida, seu pai estaria entre elas. Mantenho tranquilamente o que digo até hoje. 

Poesia | Mãos Dadas, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Lucinha Lins - Mar de Espanha ( Sueli Costa Capinan)

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crescimento dos ‘penduricalhos’ revela descontrole

Por O Globo

Verbas no Judiciário subiram 43% além da inflação em um ano. Questão exige ação urgente do Congresso

A cada minuto, um acréscimo de R$ 5.700. A cada hora, R$ 342 mil. Foi nesse ritmo que a conta das verbas indenizatórias do Poder Judiciário, popularmente conhecidas como “penduricalhos”, aumentou no ano passado. Considerando apenas os vencimentos dos juízes que receberam acima do teto estipulado pela Constituição — R$ 46,4 mil, o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) —, o gasto subiu de R$ 7,2 bilhões para R$ 10,3 bilhões entre 2024 e 2025, como revelou reportagem do GLOBO com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso corresponde a um aumento real de 43%, já descontada a inflação.

No ano passado, um estudo do Movimento Pessoas à Frente e República.org tentou levantar quanto o país gasta com pagamentos acima do teto em todos os Poderes. Um levantamento apenas parcial revelou gastos de R$ 20 bilhões em 12 meses, 21 vezes o gasto na Argentina, segundo país que mais gasta acima do limite entre os avaliados.

Receitas para se ganhar supersalários, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Plenário do Supremo decide nesta quarta-feira sobre a liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu os penduricalhos nos Três Poderes

Bacharéis em direito, com pelo menos três anos de experiência, eles foram aprovados num concurso difícil que envolveu provas objetiva, discursiva, de sentença cível e criminal, exame oral e avaliação de títulos. Além disso, cada aprovado demonstrou conhecimento suficiente para vencer uma concorrência de 18,65 candidatos por vaga. O salário era atraente: o edital anunciava um subsídio bruto de R$ 32.250,05 por mês.

A trajetória do câmbio e o efeito sobre a inflação, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

No curto prazo, dólar pode chegar perto de R$ 5, mas proximidade das eleições e volatilidade externa podem levar a moeda a subir, especialmente no segundo semestre

O fortalecimento do real em relação ao dólar continua neste ano, num cenário em que a moeda americana perde força no mercado global e o Brasil é um dos emergentes favorecidos pelo movimento de diversificação de parte das carteiras dos investidores internacionais. O juro alto por aqui também tem contribuído para a valorização do câmbio. Na sexta-feira, o dólar fechou em R$ 5,1758, a cotação mais baixa desde maio de 2024. No ano, a queda é de 5,7%; em 12 meses, de 9,26%.

Eleições ecoam no carnaval, por Irapuã Santana

O Globo

Acadêmicos de Niterói andou sobre a linha tênue que separa a crônica social da propaganda política

O desfile da Acadêmicos de Niterói no carnaval de 2026 se transformou num dos capítulos mais complexos do Direito Eleitoral brasileiro. Ao escolher o presidente Lula como enredo, a agremiação andou sobre a linha tênue que separa a crônica social da propaganda política, gerando uma batalha jurídica que poderá redefinir os limites da liberdade de expressão artística.

A principal acusação que pesa sobre o desfile é de propaganda eleitoral antecipada. Em ano de eleições presidenciais, a legislação proíbe qualquer pedido de voto ou exaltação de candidatos antes de 16 de agosto. Para a oposição, o desfile funcionou como “showmício” financiado indiretamente, em que a biografia do presidente foi apresentada de forma hagiográfica e messiânica. O samba-enredo, as cores e a simbologia (como a onipresente estrela vermelha) foram apontados em representações ao TSE como tentativa de incutir no eleitor a ideia de continuidade administrativa, muito antes do permitido.

Intolerância que não paga imposto, por Miguel de Almeida

O Globo

A renúncia fiscal dada às igrejas representa bilhões de reais que deixam de financiar saúde, educação e segurança

Virou o ano, e os velhos vícios brasileiros continuam em alta. Patrimonialismo, corrupção, imoralidade jurídica, penduricalhos a perder de vista — a lista é extensa. A maravilhosa novidade é que setores evangélicos agora criticam o uso de dinheiro público. O mote partiu do desfile hagiográfico da Acadêmicos de Niterói em torno da vida de Lula.

A hipocrisia é evidente: quem acusa é useiro de isenções fiscais — as igrejas recebem subsídios, não pagam qualquer imposto. Mais: pastores não pagam IR sobre seus vencimentos religiosos. Michelle Bolsonaro também reclamou e esqueceu que seu salário é pago pelo Partido Liberal com verbas públicas do fundo eleitoral. Ô vida fácil.