terça-feira, 6 de setembro de 2022

Míriam Leitão - Carta para a Independência

O Globo

Agora, como há 50 anos, a maioria não pode comemorar a Independência. No futuro devemos evitar tiranos, tiranetes e desvios dos militares

Querida Independência. Não a posso comemorar. De novo. Como há 50 anos, no sesquicentenário. Não que eu não queira. Sou impedida pela mesma interdição. Naquele triste 1972, a data foi roubada pelos militares, que a transformaram na apologia da ditadura que nos esmagava. Agora, em plena democracia, as Forças Armadas participam novamente do roubo. Elas se prestam ao inaceitável papel de se acumpliciar com um presidente que usa a pátria e o poder armado como parte da sua propaganda eleitoral e da sua campanha antidemocrática. Assim, completa-se a sina da nossa separação. Na minha vida, terei passado por duas datas redondas, 150 e 200 anos, com o mesmo sentimento de tristeza cívica.

No entanto, sempre soube que a verdadeira independência não é aquela que se marca no calendário, mas o movimento que tem raízes mais profundas e reais. Não um grito, não um rio, não um quadro a óleo. Venho das Minas dos conjurados e sei onde nasceu a ideia de um país autônomo e republicano. Entendo mais a história que se conta modernamente e que junta as conjuras e os levantes, as revoluções perdidas e os quilombos, a resistência dos divergentes e o resgate dos personagens esquecidos, como as mulheres, os pretos, os indígenas.

Carlos Andreazza - O Brasil refém

O Globo

Véspera do 7 de Setembro. Data sequestrada pelo imaginário intimidador bolsonarista, conforme ilustra o incontornável de um país à espera do que será o amanhã. O amanhã; não o futuro. O amanhã mesmo, este presente: a quarta-feira, dia 7 de Setembro.

O que será?

Note-se que incluímos esse aguardamento na agenda brasileira. Integra mesmo a dinâmica do calendário eleitoral. As entrevistas ao JN. O início da propaganda na TV. O primeiro debate. O 7 de Setembro. O debate final. O 2 de Outubro.

O 7 de Setembro, se grande ou muito grande: balizará, já amanhã à noite, as análises políticas sobre as possibilidades competitivas do presidente candidato, embora eventos como esse, de natureza sectária, alimentem muito mais as perspectivas de Bolsonaro, se afinal vencido, manter-se como o líder reacionário de uma oposição agressiva num Brasil com a economia como legada por Guedes.

Mesmo o governo nada tendo planejado para o 7 de Setembro de 2022, nada senão a necroviagem do coração imperial, nunca saímos do 7 de Setembro de 2021. Bolsonaro nos pauta. Levou a Corte constitucional para a briga de rua.

O país refém de há um ano. Preso à memória de um discurso para o confronto, antirrepublicano: o do mito, eleito por dezenas de milhões, que não consegue governar, minado pelo establishment que o Supremo encarna.

O amanhã: será pior?

Cristina Serra - Tratoraço militar golpista

Folha de S. Paulo

'Demitam, e demitam sem dó', diz fazendeira para amigos sobre eleitores de Lula

Com a sustentação do que há de mais daninho na sociedade brasileira, Bolsonaro parte para o tudo ou nada neste 7 de Setembro e cava mais fundo o fosso da degradação das instituições.

As Forças Armadas fazem o movimento mais perigoso ao se imiscuírem em um ato de campanha eleitoral do presidente, como o que está previsto para o Rio de Janeiro, até mesmo com a exibição de equipamentos militares (pertencentes ao Estado e ao povo brasileiro). A mistura de motociata com aviões da Aeronáutica, navios da Marinha e canhões do Forte de Copacabana é promiscuidade institucional explícita.

A parte mais tosca e agressiva do mundo agrícola já avisou que também desfilará na Esplanada. É o tipo de gente que usa a "tecnologia" do correntão para desmatar, arrancando árvores pela raiz. É o método de terra arrasada. Não poderia ser mais ostensivo e simbólico o apoio do agronegócio ao vândalo ambiental.

Alvaro Costa e Silva - Os peixinhos políticos de Cláudio Castro

Folha de S. Paulo

Candidato à reeleição, governador do Rio foge das perguntas sobre escândalo da Ceperj

No Rio, quem não se beneficiou com a lista do Ceperj pode ter feito parte dela sem saber. Irrigada com R$ 193 milhões do leilão da Cedae, a folha secreta de pagamentos do órgão revelou a presença de funcionários da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados, todos ligados a políticos de diferentes legendas, que também receberam o pagamento e, por coincidência, apoiam a candidatura de Cláudio Castro.

O esquema —que apadrinhou 27 mil pessoas, entre as quais 250 presos ou ex-presos— lembra o do clã Bolsonaro na hora de comprar imóveis: saques em espécie na boca do caixa dos bancos. A suspeita é que os funcionários fantasmas faziam uma espécie de "rachadão", devolvendo a maior parte do dinheiro, e atuavam como cabos eleitorais.

Luiz Roberto Nascimento Silva* - Combate à pobreza tem de ser permanente

O Globo

Programas de transferência de renda são irreversíveis. Quem sabe no futuro possam estar vinculados a frentes de trabalho

Temos neste momento no Brasil 63 milhões de pessoas na zona da pobreza, das quais 33 milhões passando fome. Quem tem fome não pode esperar. Tem urgência. Com a Covid-19, o governo precisava dar uma resposta rápida e instituiu o auxílio emergencial, descobrindo um novo contingente de necessitados, que não se encontravam em controle algum da administração. São desempregados e informais que ficaram sem renda por causa da pandemia. Muitos não têm acesso à internet para poder se regularizar. São os “invisíveis” do Cadastro Único. Toda essa parcela da população forma um gigantesco e dramático Código QR da pobreza. Precisamos acessar e ajudar essa gente.

Para isso, a experiência da Índia pode nos ser muito útil. Em 2005, o país sofreu um tsunami devastador, e o governo editou uma lei de gerenciamento de desastres. Surgiu a Autoridade Única de Identificação (Aadhaar), que implantou e cadastrou digitalmente mais de 1,2 bilhão de cidadãos no espaço de uma década, no que é considerado o maior projeto de transformação digital e de transferência de renda do mundo. O cadastro consolidou os dados essenciais dos interessados como biometria (assim entendida como fotografia, impressão digital e imagem da íris), permitindo sua conexão a uma identidade digital. Cerca de 690 milhões de indianos receberam uma identidade exclusiva vinculada a uma conta bancária, possibilitando na pandemia transferir recursos a 100 milhões de famílias, sem filas ou desvios.

Luiz Gonzaga Belluzzo* - (Des)caminhos da finança global

Valar Econômico

Para Keynes, controle de capitais deveria ser uma característica permanente da ordem global pós-Guerra

Alan Greenspan, às vésperas de sua saída da presidência do Federal Reserve, chamou a atenção para as alterações provocadas pela globalização. Ele dizia que “durante as últimas décadas, a inflação caiu sensivelmente no mundo inteiro, assim como a volatilidade da economia. A globalização e a inovação parecem elementos essenciais de qualquer paradigma capaz de explicar os eventos dos últimos 10 anos”.

Em seu livro “Interest and Prices”, o economista Michael Woodford nos presenteou com uma exposição sobre o regime de metas. Woodford, apoiado “nos escritos monetários (não quantitativistas) de Knut Wicksell” se propõe a definir as condições de existência de uma regra ótima de reação do banco central diante de alterações antecipadas no nível geral de preços.

Os bancos centrais buscam coordenar as expectativas dos formadores de preços e dos detentores de riqueza, de modo a consolidar a confiança em sua atuação, atenuando a volatilidade do nível geral de preços, da renda e do emprego. O livro de Woodford interpreta Wickssel de forma peculiar. O autor constrói uma hipotética economia monetária na qual o crédito está praticamente ausente. Wickssel, na verdade, caminhou para a concepção de uma economia de “crédito puro” para examinar os processos cumulativos de inflação e deflação.

Luiz Schymura* - Os “waivers” de 2022 e 2023

Valor Econômico

Não é preciso ir muito longe, pois algumas das emendas constitucionais promulgadas recentemente permitiram a violação do teto dos gastos em 2022

Os indicadores fiscais seguem em perspectiva de evolução favorável no curto prazo, mas é crescente a incerteza para o próximo ano. No Orçamento de 2023, recentemente divulgado, alguns itens importantes ficaram de fora, e a peça orçamentária pode não ser o melhor guia para o desafio fiscal do ano que vem. De fato, o processo de ajustamento das contas públicas no Brasil foi ajudado em tempos recentes por uma combinação atípica de fatores que não deve se repetir, o que parece indicar algum grau de esgotamento da estratégia atual. Por exemplo, é difícil imaginar que o congelamento nominal - e, portanto, redução real - dos salários do funcionalismo e a compressão das despesas discricionárias, que ameaça o funcionamento da máquina pública e causa depreciação do capital público, sejam mantidos em 2023.

No entanto, não há como negar a melhora nos dados fiscais agregados divulgados recentemente. Assim, o saldo primário do setor público acumulado em 12 meses, que chegou ao recorde negativo de -9,33% do PIB em janeiro de 2021, transformou-se em superávit de 2,48% em julho de 2022, o melhor resultado desde junho de 2012. Já a dívida bruta do governo geral (DBGG) caiu de 89% do PIB em fevereiro de 2021 para 77,6% em julho de 2022, voltando praticamente ao nível de março de 2020, antes dos gastos excepcionais relacionados à covid-19. As expectativas para a relação DBGG/PIB ao fim de 2022 recuaram cerca de 11 pontos percentuais desde meados do ano passado, apontando algo em torno de 79% para dezembro.

Paulo Hartung* - Democracia ou democracia!

O Estado de S. Paulo

Sem normalidade institucional e democrática, estará comprometida a execução de nossas tarefas urgentes.

As contingências desafiantes, e até mesmo surreais, do nosso tempo demandam o ecoar de um brado peculiar neste 7 de Setembro: Democracia ou democracia! E isso no emblemático bicentenário do “Independência ou Morte”, que simboliza a conquista da autonomia nacional, em 1822, e no ano em que temos eleições decisivas para Poderes.

Ou seja, no Dia da Independência, além de festejarmos uma conquista memorável, é imprescindível reverberar a defesa incondicional do “Estado de Direito Sempre”, avalizado, entre outros, por eleições livres, com suporte da urna eletrônica. Resta evidente que a ação em prol das instituições democráticas passa também pela constante busca do aperfeiçoamento e de atualização.

É lamentável que, diante de tragédias como a fome, a violência, a destruição ambiental e os problemas crônicos da saúde e da educação, estejamos despendendo energias para defender uma conquista que já deveria estar consolidada entre nós: a democracia. Importa lembrar que, apesar de imperfeito, como toda obra humana, o sistema democrático é o melhor que a civilização pôde constituir para organizar a disputa e o exercício do poder em prol da cidadania.

E trabalho é o que não falta na direção de um Brasil justo e inclusivo. Trata-se de uma agenda gigantesca e que deveria ser absoluta prioridade neste debate eleitoral. Em linhas gerais, o Brasil, que historicamente desperdiça oportunidades, vai ter de encarar uma realidade nada amigável, nos planos nacional e internacional.

João Doria* - Novo Museu do Ipiranga

O Estado de S. Paulo

Neste 7 de Setembro, São Paulo devolve aos brasileiros aquele que é o maior e mais importante monumento histórico do nosso país

Há exatos 200 anos, às margens do córrego do Ipiranga, o Brasil iniciava a sua transformação numa pátria soberana. Com o coração cheio de orgulho, celebramos, agora, o bicentenário da Independência do Brasil. Neste 7 de Setembro, o povo brasileiro reforça seu compromisso com a preservação da nossa história.

A reabertura do Museu do Ipiranga simboliza uma vacina contra o obscurantismo, a ignorância, o ódio e o separatismo que, infelizmente, assolam nosso país.

Dentro de mim há uma certeza: a passagem pela vida pública durou seis anos, mas o legado de obras como esta, do Museu do Ipiranga, é eterno. Há uma satisfação pelo cumprimento de desafios que realizamos ao lado de Rodrigo Garcia, de Sergio Sá Leitão, da Universidade de São Paulo (USP), de patrocinadores e de tantos colaboradores, para entregar este novo museu ao Brasil.

Toda vez que eu assistir a uma reportagem sobre o Museu do Ipiranga, terei certeza de que valeu a pena. Valeu a pena empreender. Valeu a pena enfrentar. Valeu a pena lutar contra os críticos e céticos.

São Paulo devolve aos brasileiros aquele que é o maior e mais importante monumento histórico do nosso país.

Andrea Jubé - A protagonista da Independência

Valor Econômico

Bolsonaro perdeu chance de aceno às mulheres no 7 de setembro

Sabemos há décadas que o presidente Jair Bolsonaro não gosta de ler. Na edição de 27 de fevereiro de 1988, o “Jornal do Brasil” já informava sobre o então capitão do Exército: “De direita, seguidor do general Newton Cruz, o capitão costumava carregar um revólver calibre 32 na botina (...) Dos livros, queria distância”.

Essa característica não inviabilizou uma longeva carreira política, mas pode acarretar falhas de estratégia ao presidente que busca a reeleição. Se ao menos folheasse livros de história, Bolsonaro teria conhecimento de que no dia 7 de Setembro de 1822, o Brasil poderia ter se libertado de Portugal pelas mãos de uma mulher, tal qual coube à Princesa Isabel assinar a Lei Áurea em 1888.

É claro que o título desta coluna é uma licença poética, que romantiza a possibilidade de que a imperatriz Maria Leopoldina proclamasse a independência do Brasil, sem a cumplicidade do marido, o imperador Dom Pedro I. A história comprova, entretanto, que dona Leopoldina, ao lado do ministro e conselheiro José Bonifácio, desempenhou papel decisivo nesse processo.

Cristovam Buarque* - A pobreza da independência

Correio Braziliense

Amanhã, o Brasil comemora 200 anos de nação independente, sendo campeão de desigualdade, com 33 milhões de pessoas famintas e mais de 100 milhões com alimentação deficiente, cerca de 13 milhões de analfabetos — 25% da população pobre. A maioria é de raça negra e vive na região Nordeste. Esse é o maior fracasso de nossos 200 anos: a persistência da pobreza, apesar do êxito na economia que nos colocou entre as 10 nações mais ricas e o maior exportador de alimentos no mundo.

Desde 1822, tivemos dois imperadores, 38 presidentes, cerca de 10 mil parlamentares, milhares de intelectuais, mas a pobreza continua porque não desperta sentimento político de solidariedade, nem entendimento conceitual correto. A insensibilidade dos dirigentes em relação ao sofrimento dos pobres e a lógica equivocada sobre como nossos intelectuais explicam e propõem como superar a pobreza, explicam a pobreza da independência. O problema está no coração dos políticos e na mente de seus assessores: os primeiros não sofrem por causa da pobreza, os outros não entendem a real dimensão da pobreza, as causas e os meios para superá-la. A pobreza foi sequestrada pela elite no poder e pelo pensamento econômico. Não é vista como problema fundamental a ser enfrentado, e acredita-se que o crescimento da economia elimina a pobreza ao distribuir a renda ampliada.

Eliane Cantanhêde - A última grande ofensiva

O Estado de S. Paulo

Após esgotar a munição política e econômica, Bolsonaro recorre ao arsenal das Forças Armadas

O presidente Jair Bolsonaro usa o bicentenário da Independência e o 7 de Setembro como seu último lance, ou última ofensiva, para tentar virar o jogo, ou a guerra. Ele já gastou todos os seus lances e seu arsenal sem conseguir mexer no favoritismo do ex-presidente Lula, que lidera com tranquilidade desde o início, sem ser realmente ameaçado.

Assim, Bolsonaro entra no “tudo ou nada” e vai usar as Forças Armadas como se fossem suas e remexer terra, céu e mar para dar uma demonstração de força no 7 de Setembro, criar a sensação de vitória e alavancar uma reviravolta nas pesquisas em todo o País. O “povo” gosta de votar em quem vai vencer, ensinam os palacianos.

Míriam Leitão e Alvaro Gribel - Lula avança nos maiores eleitorados e risco de Bolsonaro é perder aliados na reta final

O Globo

Estratégia do presidente de dar estímulos econômicos ainda não surte efeito e risco é perder apoio de aliados

Foi pior do que estagnação para Bolsonaro, a última pesquisa Ipec, porque ele perdeu pontos importantes nos eleitorados críticos: no Sudeste e entre os pobres. No Sudeste, região mais populosa do país, Lula ampliou de seis para 11 pontos a diferença sobre Bolsonaro. Entre os eleitores de baixa renda, que formam 55% dos eleitores, a situação de Bolsonaro ficou ainda pior do que já estava. Entre eleitores de renda até um salário mínimo Lula tem 56% dos eleitores, 35 pontos de vantagem. De um a dois salários mínimos, a vantagem de Lula cresceu de 16 para 23 pontos. E Bolsonaro achava que justamente aí ele cresceria com o programa social turbinado para as eleições.

A pesquisa Ipec divulgada nesta segunda-feira, dia 5 de setembro, mostra um quadro de estabilidade no cenário eleitoral. Para Bolsonaro, que corre contra o tempo para conseguir votos, isso indica que a estratégia do presidente não está funcionando, pelo menos na velocidade com que ele e seus aliados esperavam. O risco, na iminência de uma derrota, é que ele perca apoio na reta final da campanha.

Bernardo Mello - Rejeição a Bolsonaro resiste após Auxílio e TV

O Globo

Lula mantém intenção de votos das pesquisas anteriores do Ipec, ampliando vantagem dentro da margem de erro, enquanto o candidato à reeleição oscilou um ponto para baixo

Pesquisa Ipec divulgada na noite de segunda-feira (6), a primeira realizada pelo instituto após o debate de presidenciáveis na TV Band, aponta um avanço numérico da rejeição ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e a piora de seu desempenho no eleitorado feminino. Bolsonaro, que oscilou um ponto para baixo no quadro geral de intenções de voto, agora aparece com 31% na corrida pela reeleição, contra 44% do ex-presidente Lula (PT) — mesmo percentual registrado pelo petista nas duas pesquisas anteriores da série contratada pela TV Globo, divulgadas em agosto. Apesar da ligeira ampliação da vantagem de Lula na liderança, dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, o aumento da pontuação total de candidatos da terceira via torna menos provável, de acordo com o levantamento, uma eleição decidida em primeiro turno.

Segundo a pesquisa, realizada entre sexta-feira e domingo, 49% dos entrevistados afirmaram não votar “de jeito nenhum” em Bolsonaro. Há três semanas, antes do início oficial da campanha eleitoral, 46% rejeitavam o atual presidente, de acordo com o Ipec, percentual que subiu para 47% na pesquisa seguinte. Lula, por outro lado, que viu sua rejeição crescer de 33% para 36% nos dois primeiros levantamentos, manteve o percentual na rodada mais recente.

Thomas Traumann - Ipec aumenta pressão sobre Bolsonaro às vésperas do 7 de Setembro

O Globo

Campanha do presidente queria chegar ao Dia da Independência com uma distância menor para o petista

A última pesquisa eleitoral antes das manifestações do 7 de Setembro amplia a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na nova sondagem Ipec/TV Globo, Bolsonaro oscilou um ponto percentual para baixo e agora tem 31%, contra os 44% que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém desde 21 de agosto. Na simulação de segundo turno, a distância pró-Lula subiu de 13 pontos percentuais para 16 pontos. Na região Sudeste, onde estão quatro de cada dez eleitores, a vantagem de Lula cresceu de seis pontos percentuais para 11 em uma semana, segundo o Ipec.

A campanha Bolsonaro queria chegar ao Dia da Independência encurtando a distância com Lula. A ideia era que isso fosse capaz de transformar os festejos em uma demonstração de força do presidente. Com centenas de milhares de pessoas nas ruas, acreditavam os ministros de Bolsonaro, a campanha ganharia impulso para chegar ao primeiro turno em situação de empate técnico.

Os números do Ipec contam outra história. O pagamento das R$ 600 para as mais de 20 milhões de famílias registradas no Auxílio Brasil não aumentou a popularidade do presidente, especialmente depois que a campanha do PT passou a ressaltar que o benefício só está garantido até dezembro. Na nova pesquisa Ipec, Bolsonaro oscilou de 29% para 27% entre os eleitores beneficiários do Auxílio, a mesma variação negativa de Lula, que foi de 52% para 50%.

Roberto Lameirinhas - Chile deve iniciar novo processo para reformar Constituição

Valor Econômico

Analistas estimam que nosso processo, mais rápido, deverá envolver mais os partidos políticos e menos os grupos sociais independentes

O Chile deverá iniciar um novo processo constituinte nos próximos meses, depois da rejeição do projeto de Constituição no referendo de domingo por ampla margem, disseram ontem analistas. Mas ainda não está claro como será essa nova tentativa de reescrever a Constituição chilena.

“É importante que os políticos tenham consciência de que os chilenos não rejeitaram a ideia de ter uma nova Constituição, mas sim a do texto que se propôs”, disse o sócio da consultoria InvestCL, Luis Vega. “Alguns artigos causavam muita controvérsia, como a que tornava o país um Estado plurinacional, ampliando a autonomia dos povos originários — que no Chile, constituem 12% da população — diferentemente do que ocorre na Bolívia ou Equador, por exemplo, onde os indígenas são de 50% a 70%”, afirmou.

O texto produzido pela Convenção Constituinte eleita no ano passado foi rechaçado por 61,86% dos votos, apenas 38,14% votaram pela aprovação. Com isso, segue vigente a Constituição de 1980, promulgada durante a ditadura de Augusto Pinochet, que apesar das várias emendas recebidas nas últimas décadas, é considerada insuficiente para garantir estabilidade política e paz social, segundo analistas.

Luiz Carlos Azedo - O recado que vem dos chilenos

Correio Braziliense

Lula da Silva é favorito, com uma narrativa voltada para o passado, ou seja, as realizações de seus dois mandatos, e uma agenda opaca em relação ao futuro, como quem deseja assumir o poder com carta branca

Por esmagadora maioria — 61,86% —, os chilenos rejeitaram a proposta de uma nova Constituição, que buscava estabelecer maiores direitos sociais e ampliar a democracia chilena. Apenas 38,14% do eleitorado votaram a favor do texto, com 99,97% da apuração oficial concluída. O resultado surpreendeu o mundo político e a própria mídia chilena. Com o voto obrigatório, 13 milhões de eleitores participaram do plebiscito, cujo objetivo era referendar a nova Constituição, em substituição à Carta de 1980, do regime de Augusto Pinochet, reformada durante o governo de Ricardo Lagos, em 2005.

O “Rechazo” da nova Constituição foi geral, vitorioso, inclusive, na Grande Santiago, onde a esquerda e a centro-esquerda sempre foram maioria. “Esse Chile não é apenas Santiago; não foi uma eleição municipal, para se falar em bairros ricos e pobres. Há um sentimento de unidade nacional que se impôs democraticamente. A esquerda mais identitária (de todos os tipos de identitarismo) fracassou em sua perspectiva hegemônica. Isso não se chama ‘progressismo’, já que parte dos progressistas não apoiou a opção apruebo”, destaca o historiador Alberto Aggio, professor titular de História da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca (SP), especialista na política chilena.

Hélio Schwartsman - Constituições são necessárias?

Folha de S. Paulo

Pelo argumento estatístico, é melhor tê-las

Os chilenos deram um sonoro "não" à proposta de Constituição que lhes foi apresentada. O texto, que trazia mesmo alguns aspectos caricaturais, como mencionar a palavra "gênero" nada menos do que 39 vezes, foi rechaçado por 62% dos eleitores. A pergunta que proponho hoje é se países precisam de constituições escritas. Elas talvez não sejam imprescindíveis. Reino Unido e Israel, por exemplo, não possuem um documento desses. Mas basta uma rápida contagem para constatar que a grande maioria das democracias avançadas exibe, sim, uma Carta política, que quase sempre enuncia também os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos.

Assim, pelo argumento estatístico, é melhor ter uma Constituição do que não ter. A análise de alguns casos exemplares, porém, ensina que as coisas são mais complicadas. No papel, a União Soviética tinha uma boa Carta. As belas palavras não impediram o Estado soviético de ser um dos mais opressores da história. Boas constituições também não estão protegendo países como Hungria e Polônia de regressões autocráticas.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Piso da enfermagem exige que se aponte fonte dos recursos

O Globo

Supremo fez bem em suspender a nova lei até que se analisem seus impactos nos setores público e privado

No afã de conquistar votos, o governo e o Congresso se lançaram com sofreguidão a uma fúria legiferante sem paralelo na História recente. Nunca se aprovaram tantas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) quanto no primeiro semestre deste ano. E não ficou por aí. A maratona legislativa trouxe agrados a toda sorte de público em que o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados do Centrão viam perspectiva eleitoral, como beneficiários de programas sociais, taxistas ou caminhoneiros.

Na negociação para obter apoio da oposição à PEC Eleitoral, cujas medidas estouravam o teto de gastos, as lideranças da Câmara e do Senado aceitaram a demanda para agradar outro público. Aceleraram a aprovação de uma lei que estabelece o piso salarial de R$ 4.750 para enfermeiros em todo o país (além de 70% disso para técnicos em enfermagem e 50% para auxiliares e parteiras). De acordo com um estudo da Câmara, a medida afeta 1,3 milhão de profissionais. Entidades sindicais estimam que 54% dos enfermeiros, 82% dos técnicos e 52% dos auxiliares recebem abaixo desse piso.

Poesia | Maiakovski - E então que quereis? (Por João Bosco)

 

Música | A Voz do Morro, Opinião, Malvadeza Durão e Acender as Velas (Zé Keti)