sábado, 20 de novembro de 2021

Ascânio Seleme - Pastore achou Moro

O Globo

Economista nunca escondeu que seu objetivo é ajudar a construir uma terceira via, “seja ela qual for”, como disse a mulher dele

Não foi Sergio Moro que, buscando um nome peso pesado da economia para assessorá-lo na campanha presidencial, encontrou Affonso Celso Pastore. Ao contrário, era Pastore que procurava um candidato que enxergasse como viável para apoiar, eventualmente assessorar e com certeza emprestar seu prestígio para tentar impedir um segundo turno entre Lula e Bolsonaro. O economista nunca escondeu que seu objetivo é ajudar a construir uma terceira via, “seja ela qual for”, como disse sua mulher, a também economista Maria Cristina Pinotti, ao colunista Merval Pereira.

O próprio Pastore, numa entrevista à “Folha de S. Paulo”, disse que o Brasil corre o risco de perpetuar erros do passado caso eleja Lula ou reeleja Bolsonaro. O economista não caiu de graça no colo de Moro, foi ele próprio que se aninhou ali. Estão enganados os que imaginam que o ex-juiz, iluminado pelo seu conhecimento em economia (do qual ignora-se a extensão), foi atrás e encontrou um economista liberal para atender o mercado. Pastore, que achou Moro, vai tentar construir um raciocínio econômico para o candidato, embora negue a pretensão de ser um novo Posto Ipiranga. Ao “Estado de S. Paulo”, o economista disse estar animado em relação a Moro “porque ele está disposto a me ouvir”.

Affonso Celso Pastore é um símbolo do mercado. Formado em Economia na USP, onde também fez mestrado e doutorado, foi aluno de Delfim Netto e acabou fazendo parte de um grupo conhecido como Delfim boys, pela proximidade com o ex-ministro. Com Delfim no Ministério do Planejamento do governo do general João Figueiredo, tornou-se presidente do Banco Central. Depois, foi professor da própria USP, do Insper e da Fundação Getulio Vargas. Hoje é consultor. Em relação à eleição presidencial do ano que vem, ele pensa e reage como o mercado, cujo primeiro objetivo é encontrar um candidato viável em quem se possa depositar suas fichas.

Carlos Góes - Instituições (de saúde) importam

O Globo

Determinante para a riqueza das nações, na pandemia, vimos que elas também importam para os indicadores de saúde

Os economistas Daron Acemoglu e James Robinson começam seu celebrado livro “Por que as nações fracassam?” com uma história sobre duas cidades homônimas: ambas se chamam Nogales. Em diversos aspectos, as duas Nogales são bem parecidas: o clima é similar; a língua predominante é o espanhol; os habitantes em geral são católicos.

Mas a Nogales do Sul dos Estados Unidos é muito rica. Já a outra Nogales, do outro lado da fronteira, no Norte do México, é muito pobre.

Eles usam esse exemplo para mostrar como as instituições são determinantes para a riqueza e a pobreza das nações. Instituições são regras escritas e não escritas em torno das quais convergem as expectativas das pessoas. E elas influem muito na economia.

Se você não sabe se sua propriedade vai ser tomada pelo governo ou por um criminoso em alguns meses, você não tem incentivo para investir. Similarmente, se alguém espera que os outros sempre o enganem, vai criar mecanismos custosos para evitar ser enganado — como um documento em três vias registrado em cartório.

Pablo Ortellado – Ultradireita sobe na América Latina

O Globo

Nas últimas semanas, a América Latina assistiu à ascensão de duas novas lideranças populistas de extrema direita: Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile. A coalizão de Milei conseguiu 17% dos votos nas eleições parlamentares em Buenos Aires, consagrando-se como a terceira força política da região. Kast desponta como favorito para vencer o primeiro turno das eleições presidenciais no Chile amanhã. Ambos tiveram um desempenho política fulminante, num movimento que lembra muito Bolsonaro em 2018.

Milei é um economista de 51 anos que se autodenomina anarcocapitalista e que concorreu pela primeira vez a um cargo público. Ele ganhou projeção nacional como comentarista e polemista em programas de TV — um pouco como Bolsonaro, que ganhou notoriedade em aparições nos programas de Luciana Gimenez, Pânico e CQC. Também como Bolsonaro, sua postura desrespeitosa e um pouco ultrajante despertou a simpatia da juventude, que o transformou num ícone politicamente incorreto e rebelde.

Ao contrário de Bolsonaro, suas convicções antiestatais são antigas, enraizadas e muito radicais. Ele defende a extinção do Banco Central, o corte de impostos e a pluralidade de moedas, levando a uma eventual dolarização da economia. Milei expressa sua postura antiestatal numa linguagem populista agressiva, prometendo expulsar a “casta” política a patadas.

Demétrio Magnoli – Flor da conciliação

Folha de S. Paulo

Com Alckmin, Lula veste a fantasia de candidato da unidade antibolsonarista

Uma flor de pré-campanha condenada a murchar sob as intempéries do verão. Foi mais ou menos assim que uma jornalista arguta definiu o ensaio de chapa Lula/Alckmin, em conversa privada. Talvez ela tenha razão. Ou não: a flor implausível seria um lance de mestre de Lula e, ainda, atenderia aos interesses de um Alckmin ousado que emerge do exílio político.

Lula selou o triunfo original, de 2002, por meio da Carta ao Povo Brasileiro, na qual se comprometia a respeitar contratos e conservar o equilíbrio macroeconômico. Capturar Alckmin, torre indefesa no tabuleiro sucessório, equivale a escrever uma segunda versão da célebre carta.

É, quase, xeque-mate. Não, obviamente, por uma suposta torrente de eleitores sob controle do ex-governador, algo que se revelou ilusório em 2018, mas pelo impacto simbólico da flor da conciliação. A missão de Lula é alcançar o Planalto pela autopista do primeiro turno, evitando as traiçoeiras estradas vicinais do segundo. A figura do vice afastaria temores de amplas parcelas do eleitorado, limando os perigosos índices de rejeição que cercam sua candidatura. Com Alckmin, o ex-presidente veste a fantasia de candidato da unidade antibolsonarista: segunda e terceira vias, ao mesmo tempo.

Alvaro Costa e Silva – A mão nervosa do bolsonarismo

Folha de S. Paulo

Os dois principais alvos são o Judiciário e a Polícia Federal

Enquanto o presidente aluga um partido para concorrer à reeleição —qualquer saco de gatos serve—, a manopla do bolsonarismo não para de se mexer por debaixo da mesa, que é sua única maneira de fazer política. No Judiciário avança o aparelhamento, com a nomeação de 75 desembargadores para os seis Tribunais Regionais Federais e com a atuação cúmplice de Kassio Nunes Marques, ministro que representa 10% do chefe dentro do STF, nas palavras não desmentidas do próprio Bolsonaro.

À frente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Bia Kicis apresentou proposta para revogar a PEC da Bengala, que estabelece a aposentadoria compulsória de ministros dos tribunais superiores aos 75 anos. É uma jogada que abertamente favorece Bolsonaro, permitindo a troca imediata de dois ministros do STF, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski. Pela regra atual, eles só se aposentam em 2023.

Cristina Serra - Crime contra o Enem

Folha de S. Paulo

Não é um acidente isolado; faz parte de um projeto de demolição de esperanças

Milhões de jovens brasileiros começam as provas do Enem neste fim de semana em busca de uma vaga no ensino superior, sonho que o governo Bolsonaro tem se esmerado em tornar cada vez mais difícil de alcançar.

São muitos os problemas neste ano: pedido de exoneração de 37 servidores do Inep (responsável pelo exame), denúncias de assédio moral e de censura ideológica e a quase confissão de um crime, quando Bolsonaro disse que a prova começa a ter "a cara do governo".

Tudo isso fomenta desconfianças e cria um ambiente de incertezas para os estudantes, sobretudo aqueles já tão sacrificados pelo aprofundamento de desigualdades em dois anos de pandemia e aulas remotas.

Oscar Vilhena Vieira* - Consciência branca

Folha de S. Paulo

Políticas de ação afirmativa de acesso à educação favorecem processo virtuoso de transformação da sociedade

Como boa parte da classe média branca brasileira, cresci e fui educado num ambiente predominantemente segregado. Com exceção de uma colega negra, que era filha da servente da escola onde realizei o curso primário, jamais tive colegas ou professores negros nas escolas e universidades pública ou privada que frequentei.

Apenas quando fui estudar nos Estados Unidos, em meados dos anos 1990, tive a oportunidade e o privilégio de conviver com alunos e professores negros, que muito me marcaram, como Kimberlé Crenshaw.

O fato de que apenas 1,8% dos jovens negros, entre 18 e 24 anos, se encontravam no ensino universitário em 1997, conforme dados do IBGE, indica que minha experiência pessoal não foi destoante em relação ao padrão de segregação racial que imperou por mais de um século em nosso sistema de ensino universitário.

João Gabriel de Lima* - A gente não quer só dinheiro

O Estado de S. Paulo

O que faz a diferença no combate à pobreza e à desigualdade é o conjunto de políticas públicas

Bolsa do Povo, Vale Gás, Auxílio Brasil.

Como o Estadão mostrou nesta semana, em reportagem de Adriana Ferraz e Davi Medeiros, programas de transferência de renda para a população vulnerável multiplicam-se pelo País. Eles são bem recebidos na emergência econômica em que vivemos, em que os brasileiros sofrem com a inflação e o desemprego em alta. Pelo mesmo motivo, rendem votos num ano eleitoral.

Surge a pergunta: para além de resolver carências imediatas, até que ponto tais programas são eficazes em combater pobreza e desigualdade, nossos flagelos históricos, no médio e longo prazo?

Adriana Fernandes - Novos meteoros à vista

O Estado de S. Paulo

O líder do governo e relator da PEC tenta ganhar tempo para contar votos e buscar os que faltam

Senadores envolvidos mais de perto nas negociações da PEC dos precatórios suspeitam que o governo não está sendo transparente quando fala que seria um desastre total a retirada da fixação de um limite para o pagamento anual das despesas com sentenças judiciais.

A desconfiança é de que a equipe econômica quer assustar ao dizer que a fixação do subteto para os precatórios evitaria surpresas desagradáveis no futuro. Mas não põe todas as cartas na mesa. A percepção dos senadores é a de que estão decidindo no escuro, enquanto integrantes da equipe econômica e líderes governistas jogam frases aleatórias sobre o risco de essa parte da PEC não passar.

Eduardo Leite* - Um rumo para salvar o futuro

O Estado de S. Paulo

Um país que ostenta números declinantes e ideias envelhecidas precisa de ideias novas. Temos de acolhê-las como se fossem uma safra vital

Com um gesto largo, um tanto italianado, o jornalista perguntou-me dramaticamente, escandindo as sílabas: “Ideias, o que você traz de ideias?”. Antes de construir a resposta, pensei que a pergunta tinha razão de acontecer. O Brasil, nos últimos anos, tem sido um deserto de ideias, povoado por demagogos e fanfarrões que propõem ideias arcaicas, superadas, mas edulcoradas de populismo para enganar o povo e atrair a sua atenção. Comecei a responder ao jornalista – que ideias proponho?

Minha primeira ideia é prioridade total no combate às desigualdades, e não só a de renda. Não concebo que alguém queira ser presidente da República no Brasil e não se comova com a questão da desigualdade de renda, de cidadania e de acesso aos serviços básicos. Não se comover, não se emocionar, não se engajar de coração nesta causa não é um esquecimento, é uma perversão, é um gesto de profunda alienação política. A principal bandeira do próximo presidente da República tem de ser um projeto robusto e frontal para fazer do Brasil um país mais igual na renda, nas oportunidades e na vida.

Bolívar Lamounier* - Não me decifraste, devorei-te!

O Estado de S. Paulo

O Brasil é um exemplo perfeito de país aprisionado no que se tem denominado ‘armadilha do baixo crescimento’

Desde a mais longínqua antiguidade, sempre fomos instados a nos conhecermos – nosce te ipsum, conhecete a ti mesmo. Mas essa injunção sempre foi dirigida muito mais a indivíduos que à sociedade como um todo.

No mundo atual, pelo menos do ponto de vista econômico, quem quiser conhecer a “totalidade” de um país tem a seu dispor uma quantidade astronômica de informações nos sites do IBGE e do Banco Central, e em entidades internacionais como o Banco Mundial e o FMI. Porém, se pela expressão “totalidade” quisermos designar uma sociedade consciente de si e, em tese, capaz de agir de forma coordenada, precisamos ir além da economia e indagar o que são as elites, nos seus diferentes segmentos. Nesse sentido mais amplo, no Brasil, a responsabilidade de conhecer o todo e suas elites, e de avaliar o quanto estas sabem de si mesmas, cabe basicamente à área de ciências humanas das universidades, cuja qualidade nem sempre corresponde à relevância de tal obrigação.

Marcus Pestana* - Um sopro de renovação na vida partidária brasileira

Amanhã, domingo, 21 de novembro de 2021, um fato marcante e inovador ficará na história dos partidos políticos brasileiros. Pela primeira vez na vida democrática do país, um grande partido político escolherá seu candidato à presidência da República pelo voto livre e direto de quase 45 mil inscritos entre mandatários (vereadores, prefeitos, vices, deputados, senadores, governadores) e militantes. Foram realizados quatro grandes debates em parceria com O GLOBO e VALOR, Estado de São Paulo, Globonews e CNN. Em um país onde a tradição é que os partidos tenham comando centralizado, dirigidos por verdadeiros “donos” plenipotenciários, não é um fato trivial que deva ser banalizado.  

Seguindo a larga tradição dos partidos americanos e europeus, o PSDB resolveu construir sua candidatura radicalizando a democracia interna e convocando suas bases a participar. Esperamos que esta seja uma experiência transformadora que inspire os demais partidos a renovar suas práticas.     

Em 2018, o mote central da eleição foi um suposto confronto entre a “nova política” e a “velha política”. Hoje há um consenso nacional de que “o novo pelo novo” é um conceito vazio. O próprio governo federal entregou pouco de seus compromissos de campanha. O exemplo mais acabado de frustração da população com a chamada “nova política” talvez seja a experiência no Rio de Janeiro, envolvendo o ex-magistrado, político de carreira meteórica e governador afastado, Wilson Witzel. Casos decepcionantes ocorreram também em Tocantins, Amazonas e Santa Catarina. Felizmente, em Minas, o Governador Zema faz um trabalho honesto, sério e bem-intencionado. Governar bem não depende de figurinos maniqueístas e superficiais. A medida são os resultados.

Dora Kramer - União instável

Revista Veja

A conversa entre Lula e Alckmin existe, só que por enquanto tem o formato de balão de ensaio - e ambos ganham com o gesto

Não é um factoide, mas tampouco chega a ser um fato a ideia do ex-presidente Luiz Inácio da Silva de acenar com a composição da chapa para concorrer ao Planalto em 2022 na companhia do (ainda) tucano e ex-governador Geraldo Alckmin como vice.

A conversa existe, só que por enquanto a coisa tem o formato de balão de ensaio. Um lance tático do interesse de ambos, pois os favorece no campo do simbolismo político. Sem nada a perder de imediato, tanto um quanto outro contabilizam ganhos com o gesto.

Alckmin, na sua pretensão de disputar o Palácio dos Bandeirantes, fica na condição de cortejado e ganha um reforço no cacife junto a partidos que estão de olho na filiação dele assim que se concretizar a saída do PSDB. O ex-governador ganharia musculatura nessas negociações e ainda conquistaria simpatias à esquerda.

Já Lula busca conquistar apoios ao centro do espectro político a fim de combater a pecha de líder de um dos extremos. Um deputado que esteve com ele no dia 16 de outubro último ouviu do ex-presidente que em breve faria um gesto para surpreender o mundo político. Note-se o seguinte: o petista fez isso em momento de desgaste por causa da manifestação do secretário de Relações Internacionais do PT de apoio à farsesca vitória do ditador Daniel Ortega na Nicarágua.

Embora tenha boa interlocução com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que até agora tem dado como certa a filiação de Alckmin, o PT sabe — e Kassab confirma — que uma aliança só seria possível no segundo turno. Por isso, os petistas estão empenhados na ida do ex-governador paulista para o PSB. Assim, tirariam Alckmin da disputa pelo Bandeirantes, atrairiam os socialistas para a candidatura de Fernando Haddad e ainda abririam caminho para alianças em colégios eleitorais importantes como Rio de Janeiro e Pernambuco.

Marco Antonio Villa - Bolsonaro quer o caos social em 2022

Revista IstoÉ

A tendência é que no processo eleitoral o que menos vamos ter será a discussão de projetos para o Brasil

O Brasil caminha para o mais violento processo eleitoral da história republicana. Jair Bolsonaro, a soldo da extrema-direita mundial, vai ensanguentar o ano de 2022. Não há qualquer exagero nesta afirmação. Pelo contrário, os fatos, especialmente desde 2020, desenham um cenário marcado pela violência. O que assistimos no último Sete de Setembro será potencializado em escala nunca vista no Brasil.

Steve Bannon joga um papel fundamental neste processo. Não deve ser esquecido que ele designou como representante de sua organização extremista na América do Sul, Dudu Bananinha. Há também uma articulação com os radicais europeus e com árabes dos potentados petrolíferos. Acabou passando em branco, no Brasil, uma estranha relação entre Bananinha e xeiques bilionários do Oriente Médio. Vale recordar que ele acompanhou o pai na última visita à região, mas um mês antes tinha visitado Dubai — ficou famosa a patética fotografia com a mulher e filha, todos vestidos supostamente como árabes. Ninguém perguntou ao deputado paulista — sim, ele foi eleito para defender São Paulo, mesmo não residindo no estado, fraudando, portanto, o domicílio eleitoral — o que está fazendo na comitiva presidencial.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

EDITORIAIS

Desmate pedalado

Folha de S. Paulo

Com 13.235 km devastados na Amazônia, evapora-se o verniz verde exibido na COP26

Agora se entende melhor por que o governo Jair Bolsonaro evitou divulgar antes da COP26 o dado anual de desmatamento em 2021: o número continua a crescer de forma alarmante. Não combinaria com a imagem de país comportado ensaiada na recém-concluída cúpula do clima anunciar 13.235 km² de devastação na Amazônia Legal.

A estatística do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais é a pior desde 2006 e implica aumento de 22% sobre o apurado um ano antes, 10.851 km². Consolida-se a volta ao patamar de cinco dígitos, por força das políticas ambientais (ou ausência delas) capitaneadas por um hoje ex-ministro de péssima lembrança, Ricardo Salles.

As taxas atuais evocam as de períodos anteriores a políticas de controle do desmate, que lograram reduzir o corte da floresta a 4.600 km² em 2012. Depois de anos de cifras moderadas, verificou-se um salto de 29% de 2018 para 2019. A superfície devastada no ano mais recente corresponde a metade do território do estado de Alagoas.

Poesia | Joaquim Cardozo - Aquarela

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela;
Cheiro de chão que amanhece.
Estavas sob a latada
Quando te abri a janela.

Cheiro de jasmim laranja
Pelos jardins anoitece;
Junto a papoulas dobradas,
Num canteiro florescendo,
A tua saia singela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Não sei se és tu, se eras outra,
Não sei se és esta ou aquela,
A que não quis nem me quer,
Fugindo sob a latada
Nessa tarde de aquarela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Música | Maria Bethânia - A flor encarnada