terça-feira, 17 de julho de 2018

Partidos vão às convenções sem definição

Siglas abrem convenções com cenário indefinido

Presidenciáveis ainda negociam alianças e não definem nome de vice nas chapas a quatro dias do início das reuniões partidárias; pleito é atípico, dizem analistas

Renato Onofre, Gilberto Amendola, Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo | O Estado de S.Paulo

A quatro dias do início das convenções partidárias que definirão os candidatos à Presidência da República nas eleições 2018, o cenário de indefinição persiste na grande maioria das pré-campanhas.

Presidenciáveis ainda negociam alianças e nenhuma das candidaturas consideradas competitivas, segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto, conseguiu definir o candidato a vice na chapa.

A análise de políticos e cientistas políticos converge num ponto: vivemos uma eleição atípica, com um xadrez político bastante pulverizado – reflexo do desgaste dos principais partidos e da polarização PT-PSDB.

Outros elementos apontados são a falta de poder de aglutinação do governo federal e a diminuição dos recursos para as campanhas com o fim do financiamento empresarial. Neste quadro, partidos e pré-candidatos têm deixado a definição das articulações para a última hora.

Momento importante do calendário eleitoral, as convenções são reuniões de filiados e delegados das siglas para a oficialização das candidaturas e alianças partidárias.

O PDT será a primeira legenda grande ou média a realizar convenção, na sexta-feira, quando vai anunciar a candidatura de Ciro Gomes. O ex-ministro e ex-governador do Ceará negocia um arco de alianças que vai do PCdoB ao DEM (incluindo agremiações do chamado Centrão, como PP e Solidariedade). Não deve ser anunciado, porém, nenhum acordo partidário nem o companheiro de chapa de Ciro.

“No dia 20, vamos fazer nossa convenção e anunciar a candidatura do Ciro. Se tiver novidade até lá, ótimo. Se não, deixaremos delegados à executiva os poderes para definir (coligações e o cargo de vice)”, disse o presidente do PDT, Carlos Lupi.

O complexo cenário eleitoral fez com que, além de Ciro, outras pré-candidaturas mais bem posicionadas nas pesquisas em cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Podemos) – ainda não tenham fechado acordos para postulantes a vice. O PT insiste em Lula, condenado e preso na Lava Jato, embora o ex-presidente esteja potencialmente enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O partido deverá protelar ao máximo o anúncio de eventual “plano B”.

A maior parte das siglas (PSDB, Rede, MDB, Podemos e Novo) deixou as convenções para 4 de agosto, véspera do prazo final. O PSB fará a reunião na data-limite: 5 de agosto.

A mais recente pesquisa Ibope mostrou que a “taxa de alienação”, que considera a soma de abstenções com votos em branco e nulos, alcançou 41%. Essa indefinição é considerada inédita a cem dias das eleições desde a redemocratização. Para especialistas, esse fenômeno influencia a escolha do vice, já que ainda não há uma definição clara entre os políticos dos perfis que o eleitorado procura.

‘Incertezas’. “A questão do vice está muito ligada ao tempo de TV e à aliança nos Estados. Desta vez, além disso, temos um eleitorado que está tendendo aos extremos. Acredito que os candidatos estejam procurando vices que, além dos benefícios de tempo de TV, agreguem algo à preferência do eleitor. Agora, incertezas geram incertezas”, disse o cientista político da PUC Minas Malcon Camargo.

Para Carlos Melo, do Insper, os “partidos estão em compasso de espera”. “Vivemos um momento atípico. Uma crise complicada, com os principais partidos em um momento de muito desgaste. O governo federal não tem poder de aglutinação. Não estamos divididos entre situação e oposição, porque o governo é fraco e desgastado. E deixa a oposição um pouco perdida”, disse. “Ainda tem o caso do Lula, que provavelmente não será candidato, mas está na narrativa do PT. Isso causa uma indefinição muito grande.”

Nesse aspecto, há negociações que abrangem espectros políticos bem diferentes. O PR articula aliança em conjunto com o Centrão ou pode fazer dobradinha com o PT ou o PSL de Bolsonaro. Por enquanto, o PSOL, que fará convenção no sábado, é o único que definiu uma chapa pura para o Planalto: Guilherme Boulos e a indígena Sonia Guajajara. O PCdoB vai decidir entre os dias 21 e 23 a estratégia. Estão na mesa três propostas: a manutenção da candidatura de Manuela d’Ávila, apoio ao nome do PT ou aliança com Ciro.

Meirelles vê ‘voo solo’ do MDB na disputa ao Planalto

Presidenciável diz que sua sigla é a única que pode concorrer sozinha na eleição; em culto, pastor duvida da capacidade de ex-ministro ‘decolar’

Marcelo Osakabe | O Estado de S.Paulo

Pré-candidato do MDB à Presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou nesta segunda-feira, 16, contabilizar ao menos 450 dos 629 votos dos delegados para convenção nacional do partido, que deve ser realizada no dia 3 de agosto, em Brasília. Ele disse ainda que o MDB é “talvez” o único partido que pode disputar “sozinho” a eleição presidencial nas eleições 2018.

Para Meirelles, no entanto, com a ideia de candidatura própria se solidificando na legenda, há a possibilidade de alianças com outros partidos. “O fato de o Centrão não ter se decidido mostra que ainda estão em busca de uma alternativa”, disse.

Na noite desta segunda, em São Paulo, Meirelles participou de um culto da Igreja Assembleia de Deus do Belém. O presidente da igreja, pastor José Wellington Bezerra da Costa, chamou o presidenciável de “pai das finanças” durante o encontro de obreiros, do qual participam apenas homens com cargos na igreja.

Bezerra da Costa, contudo, pôs em dúvida a capacidade de o ex-ministro “decolar” na disputa. “Capacidade administrativa ele tem, já demonstrou, de finanças ele conhece tudo, de maneira que para o momento do Brasil seria o homem ideal. Agora, não sei se ele decola porque, você sabe, a política é muito dinâmica, né? Tem outros aí que são profissionais e estão nadando de braçada”, disse o pastor ao Estadão/Broadcast.

Bezerra da Costa afirmou que se aproximou de Meirelles durante o governo Michel Temer. Quando o presidente foi alvo de denúncia pela Procuradoria-Geral da República, o pastor disse que pediu aos integrantes da bancada evangélica na Câmara para barrar a acusação formal.

Em sua fala, Meirelles pediu oração por ele e pelo País. O pré-candidato destacou sua gestão no Ministério da Fazenda e disse que, “com fé e determinação”, foi possível tirar o País da recessão.

Mais cedo, o presidenciável avaliou que a demora em se firmar como o nome do partido nas eleições deste ano fez com que a tratativa com os demais partidos também atrasasse. Sobre a definição da vice, o emedebista disse que a conversa ainda é muito “prematura”, mas acenou com a possibilidade de que a escolha fique dentro do partido.

“Acho que teremos uma definição de aliança antes da convenção. Mas o importante é saber que o MDB tem condições até de correr sozinho, tem estrutura e tempo de TV para isso. É, talvez, o único partido com condições de correr sozinho.” Segundo partido com mais tempo de televisão, o MDB tem 12,6% do tempo de propaganda eleitoral, ficando atrás apenas do PT.

Apesar de ainda não ter saído de 1% de intenção de voto nas pesquisas de opinião, o pré-candidato do governo Temer se mostrou confiante com suas perspectivas. “Não tenho dúvidas de que estaremos no segundo turno. Minha dúvida é apenas se daria para ganhar no primeiro turno”, disse.

Recursos. No início do mês, em reunião da executiva, o MDB decidiu que o partido não repassaria verbas do fundo eleitoral para a campanha de Meirelles à Presidência – o limite de gastos para a disputa à Presidência é de R$ 70 milhões. A ideia do partido é que o ex-ministro financie sua própria campanha, como disse à época o presidente da sigla, o senador Romero Jucá. / Colaborou Daniel Weterman

Ciro será primeiro a formalizar candidatura

Por Vandson Lima, Fernando Exman e Lucas Marchesini | Valor Econômico

BRASÍLIA - Os partidos com candidatura a presidente da República definida darão a largada esta semana nas convenções que decidirão o rumo das legendas na eleição de 2018. Já os partidos do chamado Centrão, que ainda não fecharam apoio a nenhum candidato, mas são cortejados - no todo ou em parte - por postulantes que vão de Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) a Jair Bolsonaro (PSL), ainda não marcaram data para bater o martelo sobre suas alianças e devem fazê-lo apenas às vésperas do fim do prazo, ampliando o tempo para negociação.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções para a escolha dos candidatos a presidente e vice-presidente da República, governador e vice, senador e seus suplentes, deputados federal, estadual ou distrital precisam ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Ciro Gomes e o PDT abrem os trabalhos na sexta-feira, primeiro dia do prazo. A aliança mais desejada - e provável - é com o PSB. Contudo, não deverá ser anunciada no evento. O PSB não tem reuniões previstas para esta semana e ainda está dividido internamente entre Ciro, o apoio ao PT ou se manter fora de acordos em âmbito nacional. Se Ciro vai se adiantar aos demais, o PSB usará o prazo permitido pela justiça eleitoral no limite, realizando sua convenção apenas no dia 5.

No mesmo dia 20, o PSC promete lançar Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A candidatura, se confirmada, irá na contramão das pesquisas, em que Rabello até o momento não alcançou 1% das intenções de voto, e de eventuais flertes do PSC para se agrupar ao Centrão.

Cartola se coloca à disposição de Marina

Por Bruno Villas Bôas | Valor Econômico

SÃO PAULO - Filiado à Rede desde março deste ano, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, não descarta a possibilidade de ser candidato a vice na chapa encabeçada por Marina Silva (Rede) à Presidência da República, mas afirma que não foi convidado ao cargo.

Nesta segunda-feira, o nome de Bandeira de Mello voltou a ser cotado ao cargo de vice da chapa em nota publicada na coluna de Lauro Jardim, no "Globo".

Em entrevista ao Valor por telefone, Bandeira de Mello disse que deixou nas mãos da pré-candidata seu papel nas eleições e o cargo para o qual vai concorrer.

"Tenho impressão de que só mais perto da convenção [da Rede], que vai ser no início de agosto, é que teremos uma ideia. Eu tinha falado que vou fazer o que a Marina mandar. Eu não sei [a que serei candidato], vou fazer o que ela mandar", disse Bandeira de Mello.

O administrador e dirigente esportivo deixou claro que não foi convidado a ser vice na chapa. E que imaginava que a vaga seria preenchida por composição partidária, com outro pré-candidato à presidência.

"Mas estou especulando, sou novo nesse 'metier' e não entendo muito. Entrei nisso com o objetivo principal de ajudar Marina", disse ele, acrescentando que "faz sentido" ser candidato a deputado federal. "Mas não quero cravar nada antes que ela decida", afirmou o dirigente.

Bandeira de Mello aproximou-se de Marina Silva no período em que ela era ministra do Meio Ambiente no governo Lula (de 2003 a 2008) e ele chefe departamento de Meio ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (de 2005 até 2013, quando elegeu-se no Flamengo).

"Tenho participado da formulação do programa de governo, eventualmente de solenidades. Estive com ela na CNI e em outras ocasiões em que foi sabatinada por grupos. É um apoio normal de uma pessoa que acabou de se filiar ao partido", disse ele.

Em tom de brincadeira, o presidente do Flamengo disse que Marina Silva tem recebido mensagens de torcedores rubro-negros com apelos para que ela peça a ele comprar "um centroavante, manda ele comprar um lateral".

Para França, resultado de disputa em convenção do PSB será imprevisível

Por Fernanda Pires | Valor Econômico

SÃO PAULO - Figura central nas articulações do PSB para a eleição presidencial o governador de São Paulo, Márcio França, avalia que haverá ao menos "um representante de Pinda" no segundo turno da disputa à Presidência da República. A manifestação é uma referência a Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), ambos naturais de Pindamonhangaba e próximos a França - em graus distintos.

Por Alckmin, de quem foi vice e herdou o governo com a desincompatibilização do tucano para disputar o Palácio do Planalto, França disse ter profunda admiração. "É extremamente idôneo". Mas esteve na semana passada com Ciro Gomes, no âmbito das discussões da aliança nacional do PSB, partido que está dividido sobre quem apoiar.

"O PSB acabou ficando numa posição múltipla. Basicamente Espírito Santo e Brasília querem ir com Ciro; Pernambuco e Paraíba querem ir com o PT; eu quero ir com o Alckmin. É uma posição múltipla, típica de quem perdeu seu principal condutor que era o Eduardo [Campos]. Nós não temos esse consenso hoje. Vamos tentar de tudo para não ter de ir para o voto. São 620 delegados de todo o Brasil que vão decidir, aí pode dar tudo", disse França ao Valor.

O governador enxerga dois campos fortes nacionalmente: Ciro-PT, de um lado, e Alckmin-Bolsonaro de outro. Mas acha difícil dois do mesmo lado irem juntos para o segundo turno.

"Alckmin é mais preparado e experiente [que Bolsonaro]. Se tiver a composição partidária que permita a ele ter tempo de televisão e o Bolsonaro não, é claro que ele fica com mais chance. Do outro lado é a mesma coisa, o PT tem um ativo forte e Ciro nesse instante é quem agrega",afirmou.

Alckmin tem jantar secreto com Márcio França no Palácio dos Bandeirantes

Andreza Matais | Coluna do Estadão

Geraldo Alckmin (PSDB) jantou com o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Márcio França (PSB), domingo no Palácio dos Bandeirantes. O encontro fora da agenda e que durou mais de três horas intrigou aliados que cobram do presidenciável fidelidade a João Doria, candidato do PSDB ao governo paulista.

No jantar, Alckmin riu com a coincidência do resultado da Copa e do sobrenome do governador. “Deu time França campeão”, provocou. O encontro ocorreu depois de o tucano prometer ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que não teria palanque duplo em São Paulo.

Temer se encontra com articulador político de Alckmin

Por Andrea Jubé, Carla Araújo e Vandson Lima | Valor Econômico

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer recebeu ontem, no fim da manhã, em seu gabinete no Palácio do Planalto, o coordenador da pré-campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República, Marconi Perillo. A conversa de ontem representa o primeiro aceno positivo de Temer aos tucanos, que romperam com o governo e devolveram os seus principais cargos em dezembro, mas agora tentam se reaproximar do MDB. O PSDB mira o apoio da sigla, num eventual segundo turno, caso Alckmin seja contemplado com uma das vagas na reta final do pleito.

Assessores de Temer e de Perillo negam que os dois líderes partidários tenham discutido o cenário eleitoral, a menos de 90 dias do pleito, e que tudo tenha se resumido a uma "visita de cortesia". Mas uma fonte do núcleo restrito de Temer confirma o início da sondagem do PSDB quanto ao eventual palanque conjunto no segundo turno.

Há semanas lideranças tucanas tentavam costurar uma conversa entre Temer e o coordenador político de Alckmin. O ministro das Relações Exteriores, Aloísio Nunes Ferreira, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e até mesmo o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) fizeram gestos para viabilizar este encontro. Nesta conjuntura, a reunião de ontem com Perillo pode ser vista como um avanço das relações desgastadas, desde quando Geraldo Alckmin assumiu a presidência do PSDB em dezembro, substituindo Aécio.

Temer mantém como interlocutores preferenciais no PSDB o senador Aécio Neves e o ex-prefeito de São Paulo e pré-candidato ao governo João Doria. O presidente ainda se ressente das atitudes de Alckmin no passado, que estimulou a bancada federal do PSDB a votar favoravelmente ao prosseguimento das duas denúncias da Procuradoria Geral da República contra o emedebista; o tucano também nunca fez uma defesa enfática da reforma da Previdência que o governo tentou aprovar no Congresso.

Blocão rachado

Partidos não se entendem e traçam caminhos opostos na primeira semana de convenções

Cristiane Jungblut e Bruno Góes | O Globo

-BRASÍLIA- Formado há dois meses para discutir uma aliança conjunta nas eleições de outubro, o bloco de partidos capitaneado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), dá sinais de que pode estar perto do fim. O período de convenções se inicia na próxima sexta-feira, e o grupo — formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade — está dividido. Enquanto o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o presidente nacional do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), defendem o anúncio de uma posição conjunta ainda nesta semana, os caciques do DEM e do PRB desejam adiar a decisão por mais uma semana. A divergência entre os líderes está diretamente ligada às preferências políticas de cada partido.

Enquanto PP e Solidariedade flertam abertamente com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, o PRB está mais próximo de Geraldo Alckmin (PSDB). O DEM, por sua vez, está dividido entre seguir Rodrigo Maia, que tem se aproximado de Ciro, ou aderir à vontade de grande parte dos dirigentes, que pregam uma parceria com Alckmin. Tentando empurrar o bloco para o colo do pedetista, os caciques de PP e Solidariedade desejam definir o futuro de suas siglas antes da convenção de Ciro, marcada para sexta-feira, em Brasília. Já o DEM e o PRB, angustiados com o desempenho ruim de Alckmin nas pesquisas, querem ganhar tempo para avaliar melhor os cenários e colocar ainda mais pressão nas negociações com o tucano.

O bloco terá um encontro amanhã e outro na quinta-feira pela manhã, quando Maia retornar de viagem ao exterior. O grupo ainda aguarda uma resposta do ex-deputado Valdemar da Cosque ta Neto sobre os rumos do PR. Embora desfiliado do partido, é Valdemar quem controla a legenda. Segundo dirigentes do “blocão”, Valdemar deve participar de um jantar com os quatro partidos na quarta-feira.

— O nosso bloco tem que se decidir essa semana, porque começam as convenções partidárias — afirmou Paulinho.

O Solidariedade acredita que Ciro Gomes tem mais chance de decolar nas pesquisas de intenção de voto do que Alckmin. Esse também é o pensamento de Nogueira, embora, no PP, a posição de seu presidente não seja unânime. O próprio Alckmin identificou a preferência do PP por Ciro Gomes e, na semana passada, fez um cerco a dirigentes do partido. Na ocasião, o tucano conversou com o presidente da legenda e com o deputado Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde.

— Esperamos definir nesta semana — disse Ciro Nogueira.

Segundo aliados, o senador rejeitou especulações sobre o PP indicar a senadora Ana Amélia (PP-RS) para vice de Alckmin. Os tucanos acenaram com a possibilidade, mas a senadora gaúcha não é do grupo do presidente da legenda. Apesar de bombardear Alckmin, o cacique do PP não quer perder a parceria com o DEM.

CAMPANHA NO DEM PELA ALIANÇA COM ALCKMIN
No DEM, o tom cauteloso é assumido pelo presidente ACM Neto. Há resistência a um apoio a Ciro Gomes, que não tem identidade com a legenda, que é aliada histórica do PSDB e sempre esteve na oposição ao PT e ao PDT. Deputados importantes no quadro partidário, como Mendonça Filho (PE) e Rodrigo Garcia (SP), fazem campanha por uma aliança com Alckmin.

Pressão sobre Álvaro Dias

Por ora, ele resiste

Ricardo Noblat | Veja

À distância, mas naturalmente interessado, o ex-governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, monitora a pressão movida por empresários do Paraná para que seu ex-colega de partido, o senador Álvaro Dias (PODEMOS), abdique de sua candidatura à sucessão do presidente Michel Temer.

Há muitas pedras no caminho de Alckmin até o Palácio do Planalto, mas a maior delas atende pelo nome de Álvaro Dias. O PODEMOS é um partido inexpressivo. Dias não conta com partidos aliados em nenhum Estado. Mas ele, sozinho, represa de 6 a 8 milhões de votos no Sudoeste e no Sul que poderiam ir para Alckmin.

Dias resiste à pressão. Já recusou o convite para ser vice de Alckmin. Recusará um eventual novo convite. Se abrisse mão de sua candidatura, não apoiaria a de Alckmin. Mas não descarta de todo a possibilidade de se candidatar pela quarta vez ao governo do seu Estado. Na primeira, foi eleito. Perdeu as outras duas.

O irmão de Álvaro, Osmar Dias, é candidato ao governo pelo PDT. Foi senador por dois mandatos. Poderia tentar o terceiro.

Raymundo Costa: O pior inimigo de Ciro é o próprio Ciro

- Valor Econômico

DEM e Ciro Gomes estiveram juntos na eleição de 2002

O Democratas (DEM) decidirá nos próximos dias o candidato a presidente ao qual fará o empenho do seu tempo de TV nas eleições de 2018. Pode até ser nenhum, pois o partido não está em condições de desperdiçar recursos financeiros na sucessão presidencial. Seu objetivo principal é aumentar a bancada de deputados federais, a fim de assegurar a sobrevivência e se credenciar para voos maiores nas eleições de 2022. Embora com percentual (1,5%) não muito difícil de ser ultrapassado, a cláusula de barreira começa a funcionar a partir desta eleição. Se o DEM apoiar algum nome, o escolhido deve sair entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), segundo afirmam seus dirigentes.

O DEM é o legítimo sucessor da Arena - o partido de sustentação ao regime militar - e do PFL. Sua maior identidade programática é com o PSDB de Alckmin, sigla com a qual esteve no governo durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002). Nos últimos dias, Ciro chegou a mandar recados para o DEM dizendo que suas diferenças com o mercado não são incompatíveis. Exemplo citado pelos assessores é a boa acolhida que o pré-candidato teve na XP, a corretora que mais de perto marca os presidenciáveis. Em tese a aliança Ciro-DEM é improvável, mas já aconteceu numa eleição presidencial.

O episódio ocorreu em 2002 e é pedagógico para quem hoje acompanha as idas e vindas do DEM. Durante oito anos, FHC governou com a estabilidade proporcionada pela aliança PSDB-PFL. Desde os primeiros conchavos da sucessão ficou evidente que o PSDB iria indicar o então ministro da Saúde José Serra como candidato, com o apoio do Palácio do Planalto. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, do PFL, começava a despontar nas pesquisas como uma possibilidade viável. Em março de 2002 a Polícia Federal apreendeu R$ 1,3 milhão na sede da construtora Lunus, empresa ligada aos Sarney.

O estouro do Caixa 2 da campanha de Roseana foi um escândalo que levou a governadora, mais adiante, a desistir de sua candidatura. Apesar dos desmentidos, o PFL atribuiu a operação da PF a uma ação do Planalto para beneficiar a candidatura de Serra. PFL e PSDB já haviam se afastado nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado, partilhadas pelo PSDB e o PMDB (hoje MDB). Os pefelistas ainda apostaram que os tucanos trocariam Serra por Tasso Jereissati como candidato. "Se der o Serra, eu vou para a praia pescar", dizia o então presidente do partido, Jorge Bornhausen. Foi pescar. Não sem antes apoiar Ciro.

O PFL apoiou publicamente o candidato do PPS, mas não deu o tempo no horário gratuito para Ciro Gomes, que era o que importava, à época assim como agora. A coligação de Ciro era integrada pelo PPS, partido ao qual estava então filiado, o PTB, que ofereceu o candidato a vice-presidente na chapa, Paulo Pereira da Silva, hoje no Solidariedade, e o PDT, abrigo atual do candidato. As divergências do pedetista com PFL na ocasião eram menores que agora, quando entre outras coisas defende mudar a reforma trabalhista aprovada no Congresso com o apoio do DEM. Ciro havia sido ministro da Fazenda do governo FHC. E os banqueiros desconfiavam de Serra.

A Frente Trabalhista, denominação da coligação de Ciro Gomes, ficou em quarto lugar na eleição. No segundo turno, apesar dos ressentimentos, o PFL apoiou José Serra contra Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de na virada de um turno para o outro o candidato do PT já aparecer como franco favorito. Ciro até teve um bom momento, em 2002, quando encostou em Lula nas pesquisas de opinião. Tudo indicava que poderia decolar, mas perdeu a batalha para o próprio destempero. O pior inimigo de Ciro é ele mesmo. A máxima serviu em 2002 e serve agora para o ano da graça de 2018.

No fim de semana, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, sugeriu que o PT poderia apoiar Ciro Gomes, se a candidatura Lula for impugnada pela Justiça Eleitoral, como tudo indica. Entre pessoas próximas ao ex-presidente afirma-se que Ciro é o pior e o melhor candidato para o PT apoiar. O melhor porque tem preparo, foi um bom ministro de Lula, é leal e não tem medo de botar a cara para bater. O pior porque não mediu consequências ao criticar Lula, com virulência, ao atacar o PT e por ser inconveniente nas articulações políticas (não sabe guardar segredo). Por tudo isso os amigos de Lula já dão razão à senadora Gleisei Hoffmann, presidente do partido, segundo a qual: o PT não vota em Ciro "nem que a vaca tussa".

José Casado: Coca e Ambev racham esquerda

- O Globo

No embate sobre quais multinacionais merecem privilégios estatais, PCdoB e PT reafirmaram a velha política de transferência de renda dos pobres para os mais ricos

Estava eufórica: “Comemoro nossa grande vitória, vitória do Brasil”. Vanessa Grazziotin, senadora pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) do Amazonas, celebrava a garantia de uma renúncia fiscal de R$ 3,8 bilhões por ano no Orçamento da União para os produtores de refrigerantes instalados na Zona Franca de Manaus. Os principais beneficiários são empresas multinacionais, donas de mais de 80% das vendas no país.

Grazziotin exalava alegria porque conseguira impedir um corte de R$ 1,6 bilhão nas benesses estatais a essas empresas privadas. Michel Temer havia decretado redução nos incentivos, para usar o dinheiro em subsídios ao preço do diesel da Petrobras. A senadora do PCdoB comandou a derrubada da decisão do “governo golpista” no Senado, semana passada.

“Esses recursos iriam bater, diretamente, no caixa da Ipiranga, da Shell e outras”, disse, abstraindo a Petrobras, que é dona de 80% do mercado de diesel.

Houve desconforto no bloco oposicionista. “O que a gente anda votando aqui?”, protestou o líder do Partido dos Trabalhadores, Lindbergh Farias. “Isso é subsídio. Sabe quanto recurso público entra numa lata de refrigerante? De R$ 0,15 a R$ 0,20. É escandaloso!”

A cena era inusitada: a autodenominada esquerda rachou num embate sobre privilégios do Estado para dois ícones do capitalismo global, Coca-Cola e Ambev, beneficiários de dois terços dos incentivos dados ao setor de refrigerantes.

Bruno Boghossian: Em causa própria

- Folha de S. Paulo

Políticos deveriam recusar relatoria de propostas que possam gerar ganho próprio

A bancada empresarial está com a produtividade em alta na Câmara. Sem pudores, deputados que são donos de negócios em seus estados tomaram as rédeas de projetos e emendas que beneficiam firmas de suas próprias famílias.

Nelson Marquezelli (PTB-SP) não demonstrou constrangimento ao apresentar uma emenda que anistiava multas aplicadas na paralisação dos caminhoneiros. Ele é dono de uma frota de 120 caminhões que distribui produtos da Ambev.

Marquezelli negou conflito de interesses e disse que a empresa não pertence a ele, mas aos filhos —como se isso amenizasse o favorecimento. De todo modo, Michel Temer deve vetar a emenda.

Ninguém disse a João Arruda (MDB-PR) que seria má ideia relatar a Lei de Licitações, que exige de empreiteiras seguro-garantia de 30% dos grandes contratos com o poder público. O sogro de Arruda, veja só, é dono da JMalucelli Seguradora.

“Não posso abrir mão da minha função parlamentar por conta do sucesso empresarial do meu sogro”, justificou Arruda. O deputado não foi o autor desse trecho do projeto, que saiu do Senado, mas fala como se a escalação de outro relator para o texto fosse uma perda irreparável.

Ricardo Noblat: Fratura exposta no PT

- Blog do Noblat | Veja

Boulos agradece

Três vezes ministro dos governos Lula (Educação, Relações Institucionais e Justiça), nome de maior peso no PT do Rio Grande do Sul, Tarso Genro não poderia ter sido mais claro do que foi ontem à noite em um debate em Porto Alegre.

Se antes havia apenas acenado com um possível apoio à candidatura presidencial de Gulherme Boulos (PSOL) nas eleições de outubro próximo caso Lula não possa disputá-las, desta vez foi claro e definitivo ao dizer:

– Nós vamos defender que o PT lidere uma nova frente política e convide o companheiro Boulos para ser nosso candidato à Presidência da República.

É fratura exposta no PT.

Lula sabe que não será candidato. Tem esperança de ser mandado preso para casa antes das eleições. Mas não pretende abrir mão de indicar outro nome do PT para substitui-lo nas urnas. O nome mais cotado é o de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo.

Genro não está sozinho ao defender o apoio do PT a um candidato de outro partido de esquerda. Seu ex-colega de governo Jaques Wagner também defende. Assim como o governador da Bahia, Rui Costa. Lula já repreendeu Wagner e Costa por isso.

Quando o escândalo do mensalão do PT quase pôs a baixo o governo Lula em 2005, Genro assumiu interinamente a presidência do partido e propôs sua refundação. Queria purgar o PT dos seus pecados. Acabou purgado do seu comando.

Bernardo Mello Franco: Quem dá mais?

- O Globo

É perda de tempo buscar motivos ideológicos para a indecisão do PR, que negocia com Lula e Bolsonaro. Que princípios republicanos norteiam o Partido da República? Chefiada por um condenado no mensalão, a legenda negocia ao mesmo tempo com Lula e Bolsonaro. Seria ingenuidade buscar razões ideológicas para o dilema.

O PR integra a sopa de letrinhas do centrão, um grupo de partidos fisiológicos que costumava seguir as ordens de Eduardo Cunha. A turma se destaca pelo forte apego a valores. Não exatamente os que são anunciados em microfones.

Até o início do mês, o centrão prometia migrar em bloco para uma única candidatura. Agora a tendência é voltar ao cada um por si. Ninguém quer perder a chance de negociar seus próprios interesses no feirão partidário.

O presidente do PP, por exemplo, está preocupado com sua reeleição ao Senado. Ele mora em Brasília, mas tem domicílio eleitoral no Piauí. Lá seria suicídio político aderir a um candidato que se oponha ao lulismo.

Gil Castello Branco: As capas pretas e os magistrados

- O Globo

Favreto, Toffoli e Gilmar não deveriam participar de julgamentos ou decisões que envolvam partes com que mantinham vínculos

Todos conhecem o Batman, o homem-morcego que usa uma vistosa capa preta, semelhante às togas dos juízes e às becas dos membros do Ministério Público e advogados.

A toga começou a ser usada na Roma Antiga e é um dos símbolos da magistratura. A vestimenta representa, além do sacerdócio de um juiz, a imparcialidade. Um juiz pode faltar, mas outro o substituirá com o mesmo manto, isenção e honestidade. Quando todos se levantam na chegada de um magistrado ao recinto de um tribunal, não o fazem para homenagear o indivíduo, mas sim em respeito à toga que ele veste e ao papel que irá desempenhar.

Lembrei-me do Batman — que faz justiça à sua maneira em Gotham City — após a chicana aloprada urdida pelo desembargador Favreto. Talvez lhe caísse melhor a beca de um advogado, tal o fervor para livrar da cadeia um condenado em segunda instância. Por coincidência, Rogério Favreto foi filiado ao partido do condenado por quase 20 anos e trabalhou na Casa Civil do governo Lula, ao lado de José Dirceu.

Há no ordenamento jurídico brasileiro dispositivos claros para tratar o impedimento e a suspeição de juízes, reforçados, inclusive, por tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Para a jurista Eliana Calmon, primeira mulher a integrar o Superior Tribunal de Justiça, essas regras não estão sendo aplicadas, nem mesmo, ao STF. “Isso precisa ser falado!”, afirmou em um programa de TV. Foi Calmon quem, em outra oportunidade, cunhou a curiosa expressão: “bandidos de toga”.

De fato, nem sempre a Constituição, os tratados e as capas asseguram a isenção, a independência e a imparcialidade.

Ana Carla Abrão: Um Congresso contra o Brasil

- O Estado de S.Paulo

Não precisamos de representantes que trabalhem pela bancarrota do Brasil

O Brasil hoje flerta com o caos. A relação dívida/PIB supera os 70%, sem perspectivas de reversão nos próximos anos caso não se aprofundem os cortes de gastos. Precisamos de um forte ajuste fiscal para finalmente equilibrar as contas. E não se trata aqui de cumprir ou não o teto de gastos, a regra de ouro ou a LRF e a Constituição. Trata-se de evitar o pior com a volta dos juros altos, a impossibilidade do crescimento, a manutenção do desemprego.

Mas essa perspectiva, cada vez mais provável, parece não sensibilizar um Congresso Nacional que aprofunda a crise, atuando de forma irresponsável e descolada da realidade.

Estamos tratando de dois lados da mesma moeda. Irresponsabilidade fiscal significa sacrificar a população, em particular os mais pobres. Isenções fiscais concedidas por pressão de empresas financiadoras de campanha representam falta de recursos para investimentos. A consequência é um setor público que investe menos de 2% do seu Orçamento, comprometendo nossa produtividade e garantindo que um dos nossos grandes gargalos para o crescimento se mantenha presente. Projetos de leis ou jabutis incluídos às pressas por pressões corporativistas e que garantam benefícios tributários, blindagens e privilégios a categorias ou a setores específicos, vedando cortes de gastos determinam, por outro lado, a piora adicional no atendimento público de saúde já precário e condenam nosso ensino público a manter a qualidade sofrível de hoje.

Maria Clara R. M. do Prado: Nova tormenta adiante?

- Valor Econômico

Já se detecta há semanas um movimento de retirada de investidores em fundos ligados aos mercados emergentes

Dez anos depois da quebra do banco de investimento Lehman Brothers, marco da crise financeira desencadeada pela alavancagem dos créditos imobiliários "sub primes" no mercado americano, nova tormenta ronda os mercados. Move-se com a retomada de práticas protecionistas que relegam à história a larga onda de liberalismo predominante no mundo desde finais da década de 80 até os primeiros anos deste século. Um período de cerca de trinta anos de prosperidade que começou a desaparecer a partir de 2008.

Ontem, a China formalizou junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma queixa contra a ameaça dos Estados Unidos de voltar a tarifar as importações de produtos chineses, abrangendo um total de US$ 200 bilhões. No início de julho, como se recorda, os Estados Unidos impuseram tarifa de 25% sobre importações de diferentes tipos de mercadorias chinesas, envolvendo o montante de US$ 34 bilhões, com a promessa de expandir para mais US$ 16 bilhões. A iniciativa recebeu pronta resposta com a equivalente taxação de produtos americanos importados pela China.

Não se sabe quando chegará ao fim a chamada "guerra comercial", movida pelo apetite de Donald Trump de garantir uma "América grande novamente". Mas não há dúvida de que a escalada tem sido crescente. Antes de focar na China, Trump havia imposto tarifas sobre as importações de aço e alumínio, medida que provocou a retaliação do Canadá - esqueça Alca e demais acordos de comércio - com tarifação de 25% sobre a importação de produtos americanos. Mais recentemente, o governo dos Estados Unidos voltou à carga, ameaçando a importação de automóveis e partes do setor. O alvo, aqui, seria a Europa, além dos países asiáticos.

Alguns avaliam que a China teria mais a perder no duelo com os Estados Unidos, uma vez que tem o superávit comercial entre os dois países a seu favor. Quer dizer, considerando que o valor dos produtos americanos importados pela China no ano passado foi de U$ 130 bilhões, bem abaixo dos US$ 500 bilhões de produtos chineses comprados pelos Estados Unidos, haveria aí um saldo excedente favorável à política de Trump. No entanto, uma "guerra comercial" pode ter limites muito largos. Além de mercadorias, tem potencial para atingir o ingresso de capital via taxação de investimentos, inversões em portfólios, entre outras possibilidades.

Desrespeito contumaz: Editorial | O Estado de S. Paulo

Relator de um processo no qual se discute a possibilidade de um candidato sem filiação partidária disputar as eleições, o ministro Luís Roberto Barroso decidiu não liberar o caso para votação no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de outubro, informou o Estado. De acordo com o gabinete do ministro Barroso, ele deseja promover uma audiência pública sobre o tema após as eleições.

O recurso, que chegou ao STF em junho de 2017, insurge-se contra a rejeição da candidatura de um advogado, sem filiação partidária, à prefeitura do Rio de Janeiro em 2016. Em outubro do ano passado, o STF reconheceu a repercussão geral do caso. Com isso, o resultado deste julgamento deve produzir efeitos não apenas sobre as partes envolvidas, definindo uma orientação geral para todo o Judiciário.

Tendo em vista que a principal função do STF é ser o guardião da Constituição, é muito estranho o modo como este caso das candidaturas avulsas está sendo conduzido. A Carta Magna é cristalina ao estabelecer que a filiação partidária é condição para ser candidato. Eis o art. 14, § 3.º da Constituição: “São condições de elegibilidade, na forma da lei: a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima”, com a previsão de diferentes limites etários, de acordo com cada cargo. Por exemplo, para se candidatar à Presidência da República é preciso ter ao menos 35 anos de idade.

IBC-Br cai e reforça previsões pessimistas para a economia: Editorial | Valor Econômico

A divulgação da forte queda do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de maio confirmou as piores expectativas do mercado. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), embora tenha fórmula de cálculo diferente, o IBC-Br interrompeu uma tendência de recuperação e teve queda de 3,34% na comparação com abril, afetado pela greve dos transportes rodoviários.

Antes mesmo do IBC-Br outros indicadores haviam dado sinais de reversão da tendência de recuperação. Primeiro foi a produção industrial, que caiu 10,9% na segunda maior retração da série, e voltou ao patamar de 15 anos atrás. As interrupções nas rodovias tiveram impacto variável conforme o tipo de indústria e sua dinâmica de processamento de matérias-primas e escoamento da produção. Mas a perspectiva do setor foi abalada. O crescimento da produção industrial, que estava acumulado em 4,5% no ano, em abril, foi cortado para 2%, em maio. Já se considera positivo se fechar o ano em 2,5%, repetindo o desempenho de 2017.

O comércio também foi abalado e teve a primeira queda do ano, em maio. As vendas do varejo ampliado, que inclui automóveis e material de construção, despencaram 4,9% em maio na comparação com abril, com o desabastecimento de mercadorias e dificuldades de circulação dos consumidores. Sem esses dois segmentos, o varejo restrito teve queda de 0,6%. No ano, a alta está acumulada em 6,3% no ampliado e em 3,2% no restrito. O choque de oferta teve impacto especial nos automóveis, combustíveis e lubrificantes, além de afetar os preços. O setor de supermercados é um dos poucos cujas vendas cresceram, apesar da dificuldade de abastecimento dos alimentos in natura, em parte por conta de um certo movimento de estocagem promovido pelos consumidores, preocupados com um prolongamento da escassez.

Sinecura patronal: Editorial | Folha de S. Paulo

Representantes do empresariado se perpetuam no comando de entidades sustentadas por recursos da sociedade

Com bons motivos, o empresariado apoiou a extinção da contribuição obrigatória aos sindicatos. Estes, ao dispor de uma fonte garantida de recursos, tendem a se tornar sinecuras para seus dirigentes e, nas piores hipóteses, focos de poder político e corrupção.

É fato que o fim desse imposto atingiu entidades laborais e patronais. As segundas, porém, continuam a contar com verbas igualmente carimbadas —e muito mais vultosas— do chamado Sistema S.

Instituições como Sesi, Senai e Sesc, para citar alguns dos exemplos mais conhecidos, recebem algo entre R$ 16 bilhões e R$ 17 bilhões anuais, originados de descontos nas folhas de salários. Já a arrecadação total do tributo eliminado pela reforma trabalhista rondava os R$ 3 bilhões.

Não é de espantar que, com a prerrogativa de gerir tamanho orçamento assegurado por determinação legal, as federações e confederações do patronato forneçam numerosos exemplos do patrimonialismo mais retrógrado.

Judiciário não equacionará questão dos planos de saúde: Editorial | O Globo

Presidente do STF suspende norma sobre coparticipação e franquia, e mais uma vez faz falta um enfrentamento mais amplo do custo do atendimento médico

Não foi a primeira vez, e infelizmente, tudo indica, não será a última, que a Justiça se pronuncia no conflito constante em torno do preço dos planos de saúde. Desta vez, coube à própria presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, plantonista da Corte em recesso, suspender, ontem, de forma liminar, resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que regula os mecanismos de coparticipação e franquia.

Pela Resolução 433, baixada em junho para vigorar dentro de 180 dias em novos contratos, a aplicação dos dois mecanismos não poderá ultrapassar 40% do custo do procedimento médico. Este teto chegará a 60%, caso haja previsão em convenção coletiva, nos planos empresariais. A ministra suspendeu as normas.

A liminar foi concedida em ação impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que considera os percentuais abusivos, e será encaminhada para o relator do caso, ministro Celso de Mello.

Como em qualquer conflito sobre o custo da saúde, os interesses em jogo e os ingredientes da questão são, em princípio, irreconciliáveis: em todo o mundo, a inflação da assistência médica aumenta mais que os índices de preços. Sobe, portanto, acima dos reajustes salariais, não só devido aos gastos no desenvolvimento tecnológico de equipamentos como também pela pesquisa de novos remédios. Agrava este quadro o envelhecimento da população — caso da brasileira —, necessitada de cuidados mais frequentes e terapias sem interrupção.

Não será um juiz que desembaraçará este novelo. Nem um técnico com alguma ideia brilhante nunca pensada antes. O esforço para se encontrarem alternativas que se encaixem no poder aquisitivo das pessoas precisa ser amplo e em diversas áreas.

Alceu Valença, Geraldo Azevedo - Moça Bonita

Vinicius de Moraes: A porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Opinião do dia: Luiz Sérgio Henriques*

De fato, a correção política, decorrente da mistura global de pessoas e culturas, pode ser instrumento valioso de convivência ou derivar para a reivindicação de identidades exclusivas, em permanente conflito. Fácil demais explorar essa fragilidade, apresentando um imaginário mundo hierarquicamente ordenado em termos de raça, gênero e classe, que liquidaria a diversidade e o próprio conflito. A dificuldade é compatibilizar a retórica autoritária própria de tal estratégia com a grande sociedade aberta, tolerante e pluralista, em torno da qual todos nos poderíamos reunir.

Organizar a política na forma de mitos tem sido uma característica moderna, exponenciada numa época, como a nossa, que parece requerê-los com fúria e intensidade. Podem até ser inevitáveis em certa medida, mas, sejam quais forem as ideologias envolvidas, abandonarmo-nos a eles de modo imprevidente significa abrir as portas para o fanatismo que hoje costuma ser metodicamente organizado.
--------------------------
*Tradutor e ensaísta, é um dos organizadores das ‘Obras’ de Gramsci. “A má política dos mitos”, O Estado de S. Paulo,15/7/2018.

Roberto Freire: Rosa Weber e o primado da colegialidade

- Diário do Poder

No domingo 8 de julho, o país esteve à beira de um confronto.

Rogério Favreto, investido desembargador na quota presidencial no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, durante um plantão, afrontou seu próprio Tribunal, o Superior Tribunal de Justiça e a Corte Suprema.

Ele, em decisão monocrática, sem competência funcional para tanto, resolveu libertar o ficha-suja e presidiário Luís Inácio Lula da Silva.

Para fazê-lo, Rogério Favreto aceitou um pedido de Habeas Corpus de três parlamentares federais petistas, que aguardavam o início do seu plantão, para, orquestradamente, dar um golpe no sistema jurídico do Estado Democrático de Direito.

O dublê de desembargador e tarefeiro partidário alegou a aceitação de um fato novo, a pré-candidatura de Lula à presidência.

Tamanho absurdo, se prosperasse, implicaria em que todo e qualquer condenado passasse a ter direito à liberdade sumária, caso se declarasse, igualmente, pré-candidato.

O Judiciário reagiu em horas, institucionalmente, diante de tamanho atentado às leis e até ao bom senso.

O juiz Sérgio Moro negou-se a cumprir uma decisão inepta e ilegal.

Luiz Carlos Azedo: A hora do funil

- Correio Braziliense – 15/07/18

A 20 dias do final do prazo para registro de candidaturas, a realidade eleitoral se impõe aos pré-candidatos em todos os níveis. É um funil, do qual ninguém escapa, porque a campanha deixará de ser virtual para se tornar analógica a partir do horário eleitoral. A grande interrogação é o peso das redes sociais e da inércia da pré-campanha na disputa propriamente dita. É aí que veremos se a nossa democracia representativa é robusta o suficiente para impor a lógica dos partidos políticos, com suas coligações, ou será surpreendida, sobretudo nas eleições majoritárias, pela força dos movimentos que contestam o stablishment.

Os candidatos de mentirinha, como os outsider, estão saindo da disputa, como o dono das Lojas Riachuelo, Flávio Rocha (PRB). Antes deles, com mais sucesso nas pesquisas, despontaram e desistiram João Dória, Rodrigo Maia, Luciano Huck e Joaquim Barbosa. Ainda resistem Henrique Meirelles (PMDB), Afif Domingos (PSD) e Paulo Rabelo de Castro (PSC), mas também sofrem fortes pressões para que desistam. João Amoedo, do Novo, também não consegue emplacar. Os candidatos que estão na boca do funil são figuras carimbadas da política brasileira: Jair Bolsonaro (PSL), com, 19%; Marina Silva, com 15%; Ciro Gomes, com 12%; Geraldo Alckmin, com 7%; e Álvaro Dias, com 4% nas pesquisas de intenção de voto.

Entre esses nomes, será escolhido o novo presidente da República? Provavelmente, mas não se pode descartar o candidato do PT, que ainda está indefinido; o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo estando preso e inelegível, aparece com 34% de intenções de voto nas pesquisas. Nove entre 10 petistas admitem que o candidato da legenda será o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, mas a candidatura de Lula está sendo mantida para ocupar espaços e favorecer os demais candidatos da legenda. Ninguém sabe qual será a sua real capacidade de transferência de votos da prisão, porém, até mesmo os adversários trabalham com a hipótese de enfrentar Haddad no segundo turno.

A tática petista merece contextualização: sustenta-se na dupla narrativa do “golpe” contra Dilma Rousseff, que foi afastada do poder com base na Constituição, e da vitimização de Lula, que está preso por receber vantagens indevidas na Presidência, mas é tratado pelos petistas como preso político. A manobra funcionou para tirar a militância petista da depressão moral e dotar o partido de um discurso contra a Operação Lava-Jato. Entretanto, ao apostar na desmoralização do Judiciário, essa tática tem um viés antidemocrático que remonta à velha dicotomia “justiça burguesa” versus “justiça popular”. Foi essa concepção “revolucionária” que justificou os processos de Moscou e o “paredón” da revolução cubana.

Voltemos ao funil: Bolsonaro e Marina Silva lideram a campanha porque estão no mano a mano com os demais candidatos nas redes sociais. Quando começar a campanha analógica, isto é, os programas e inserções na tevê aberta e no rádio, podem ser volatilizados, a não ser que consigam mais tempo de televisão por meio de coligações. Nesse aspecto, Bolsonaro leva certa vantagem em relação a Marina, porque há uma deriva conservadora em sua direção. Álvaro Dias (Podemos) está numa situação semelhante, com a desvantagem de não contar com a mesma força de inércia nas redes sociais. Restam Ciro Gomes e Alckmin, que disputam apoio dos partidos do chamado Centrão. O primeiro está levando vantagem na disputa pelo apoio do PSB e do DEM, porém, o ex-governador paulista já contaria com um quinto do tempo de televisão e de rádio graças à coligação do PSDB com outros partidos.

Marcus André Melo: O STF voltará ao normal?

- Folha de S. Paulo

O STF caminha no sentido de tornar-se corte constitucional, e muitos defendem a mudança

Um dos casos de maior repercussão na Corte Constitucional alemã envolveu a presença de crucifixos nas escolas da Baviera, cuja proibição havia sido pedida pelo pai de um aluno, com base no princípio da laicidade. Em meio à grande controvérsia, o premiê regional descumpriu a ordem da corte. No caso do Conseil d’État francês, que é uma espécie de suprema corte para assuntos administrativos —e portanto, mais próximo do STF— foi o do arremesso de anões, prática proibida por uma prefeitura por atentatória ao princípio da dignidade humana. Seguiu-se grande polêmica, por que os próprios anões a defenderam, e o caso foi parar na ONU.

O contraste com o STF não poderia ser maior: os casos de maior repercussão foram o mensalão e o petrolão, processos ainda em curso. Neles, o STF atua enquanto corte criminal. Muitos analistas têm chamado atenção para o caráter insólito da corte brasileira, que cumpre papéis como tribunal recursal, criminal e constitucional.

Casos criminais potencializam conflitos. A regulação do impeachment de Dilma Rousseff (PT) foi outro caso de grande visibilidade. Quanto maiores os stakes —o que efetivamente está em jogo— maior o conflito, independente do desenho institucional da corte. Os stakes são outros porque as instituições passaram a punir atores com muito poder.

Que discussão foi gerada quando o que estava em jogo era a caça da capivara, a morte do tatu em crime ambiental ou a elegibilidade do prefeito interiorano (casos que chegaram ao STF na última década)?

Fernando Limongi: Sem juízo

- Valor Econômico

Decisão de tutelar a política mantém Judiciário em crise

O domingo prometia ser enfadonho e destituído de maiores emoções. Com o Brasil eliminado e sem jogo programado na Copa, o desalento era inescapável, mas com uma canetada, o desembargador Rogério Favreto resolveu tirar o país da pasmaceira dominical.

O agito não durou muito. As coisas se acomodaram rapidamente. Serviu para mobilizar a galera disposta a ir às redes sociais e se expressar. Na segunda pela manhã, enquanto o pessoal se encaminhava para pegar no batente e o plantão de Favreto chegava ao fim, o evento já era página virada, até mesmo no Facebook.

Não faltaram interpretações dos objetivos da operação, dos seus resultados e das suas prováveis consequências. Nada que tivesse validade mais extensa que a medida decretada pelo desembargador de plantão. Ninguém mudou de posição em função do episódio. Quem vê como um perseguido político e o adora, continua a defender sua candidatura com o mesmo ardor que o fazia antes. Quem idolatra Moro, manteve o julgador no pedestal e obteve mais uma prova das maquinações de que o PT seria capaz.

O clima foi digno de um domingo futebolístico. As torcidas se armaram para um confronto que mal deu seus primeiros passos. Mas tampouco houve empate. Na impossibilidade de recorrer aos pênaltis para deixar que o acaso decretasse o resultado, todos perderam. No fundo, foi patético.

No cômputo geral, por paradoxal que possa parecer, o árbitro, quer dizer, o Poder Judiciário, foi o maior derrotado. O desembargador Favreto nem precisou se esmerar na doutrina ou encontrar razões sofisticadas para conceder o habeas corpus. O fato novo encontrado nada tinha de novo. Aproveitou a oportunidade oferecida pelo plantão para fazer valer sua vontade.

Mas o despacho de Favreto não foi uma exceção. Nem foi menos arbitrário e político que tantos outros recentes. No caso, os ensinamentos de Sergio Moro têm serventia, pois a expectativa da impunidade há de ter desempenhado um papel. Punições a juízes que extravasam suas prerrogativas são raras, se é que ocorrem.

Celso Rocha de Barros: O que esperar de 2018?

- Folha de S. Paulo

Inelegível, mesmo, só o Lula, o que deve significar alguma coisa

É com grande alegria que anunciamos o início da campanha eleitoral de 2018. É algo a ser celebrado, porque, seja lá o que aconteça de agora em diante, ao menos quer dizer que a campanha de 2014 finalmente acabou. Os personagens principais de 2014 ainda farão um farewell tour na campanha do Senado de Minas Gerais, mas já em um contexto bastante diferente.

O que esperar da eleição de 2018?

Para quem torce por uma grande transformação depois da crise dos últimos anos, será uma decepção. Mas não subestimem 2018: as coisas estão se mexendo.

O dado fundamental sobre a eleição de 2018 é que ela acontecerá com a Lava Jato no meio do caminho. Todo mundo já está desmoralizado, mas quase ninguém está inelegível. Inelegível, mesmo, só o Lula, o que deve significar alguma coisa.

De qualquer forma, não vai ser a eleição da grande renovação, da grande purificação do sistema político brasileiro. Não há denúncias graves contra os três primeiros colocados nas pesquisas atuais (Bolsonaro, Marina e Ciro). Não há nada muito grave contra Alckmin ou Haddad. Mas não há nenhuma possibilidade de o próximo presidente dispensar o apoio dos denunciados, ou dos que evidentemente deveriam ter sido denunciados.

Essa semana, por exemplo, o PT, Bolsonaro, Ciro e Alckmin vão brigar com todas as forças para conseguir o apoio de nacos do “centrão”(DEM, PP, PSD, PR e PRB), a velha direita fisiológica que todos conhecemos e sabemos como joga.

Mas então é isso, não muda nada com a eleição de 2018?

Talvez mude.

Leandro Colon: A Copa das urnas

- Folha de S. Paulo

A menos de três meses do primeiro turno, previsões não passam de especulação ou torcida

Assim como o ano no Brasil começa na prática depois do carnaval, a campanha eleitoral inicia-se para valer após a Copa do Mundo.

Enquanto a boa seleção francesa leva a taça para Paris, o cenário político por aqui sairá da discussão de bastidores para se tornar realidade.

Convenções partidárias serão realizadas até o começo de agosto, os presidenciáveis definirão os vices e siglas menores terão de escolher o caminho para encarar o mata mata.

O impressionante em 2018 é que, a menos de três meses do primeiro turno, qualquer previsão sobre resultado não passa de especulação ou torcida. Blefa quem afirma com convicção os nomes dos presidenciáveis que estarão no segundo turno.

Hoje é fácil apostar que Jair Bolsonaro (PSL) vai para a final com Ciro Gomes (PDT) ou Marina Silva (Rede). As pesquisas mostram isso.

Não se pode subestimar, no entanto, o potencial que um candidato do PT, apoiado por Lula na prisão, terá na campanha. A candidatura do ex-presidente é um delírio de petistas, mas o substituto a ser escolhido pela legenda terá protagonismo patrocinado pelo percentual considerável que Lula mantém no eleitorado.