quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Merval Pereira: Um país congelado

- O Globo

Eleição estranha, com dois candidatos de campos antidemocráticos, e liderando com mais rejeição que intenção de voto

O país ficou congelado no tempo, como os personagens da novela “O tempo não para”, e, a exemplo deles, os políticos mantêm-se com os mesmos hábitos. Há 30 anos vivíamos em uma encruzilhada: Collor ou Lula? Essa é mais uma coincidência desta eleição com a de 1989, a primeira direta depois da redemocratização. Essa história já conhecemos, e termina mal.

O Lula de 2018 está mais próximo do de 1989 do que daquele de 2002, que foi eleito presidente numa guinada de centro. Hoje, da cadeia, ele comanda a campanha de seu “poste”, que não se vexa em assumir abertamente esse papel. Haddad, diante da possibilidade real de chegar ao segundo turno, ensaia transformar-se em candidato “paz e amor”, que combina bem com seu jeito “tucano” de fazer política, mas não corresponde à realidade.

O PT de Lula só quer saber de pacificação circunstancialmente, por pragmatismo eleitoral. Eleito, Haddad fará um governo na linha petista ditada por Lula, radical e antidemocrática. O PT de 2002 na verdade nunca existiu, era só uma fachada para o grupo político chegar ao poder e atravessar os primeiros anos sem turbulência.

Já atuava fora da lei nos governos municipais que ganhara anteriormente à chegada ao Palácio do Planalto. E levou para Brasília os métodos viciados da baixa política sindical, comprando votos no Congresso, distorcendo a democracia. Quando se sentiu forte, voltou à sua origem, e gerou, na sequência de Lula e devido a políticas populistas que se iniciaram quando Palocci saiu do Ministério da Fazenda, a maior recessão, que o país continua a viver.

Para eleger Dilma, acelerou os gastos conseguindo um crescimento de 7,5%, mas abrindo as portas do inferno por onde passaria sua sucessora. Assim como Lula em seu primeiro mandato e Dilma já no segundo, procuraram nos adversários boias de salvação, também Haddad na versão light deixa vazar que seu futuro ministro da Fazenda seria um economista que agradaria ao mercado e garantiria o equilíbrio das contas públicas como prioritário.

Míriam Leitão: Bolsonaro e o vazio de ideias

- O Globo

Campanha de Bolsonaro é um vazio de ideias nas mais variadas áreas: economia, educação e até mesmo segurança pública

O candidato que está na frente das pesquisas de intenção de votos é justamente aquele do qual menos se sabe, quando o assunto é projeto para a economia. Ontem já houve confusão. Paulo Guedes falou em criação de uma espécie de CPMF, Bolsonaro negou, e o economista explicou que o imposto poderia ser criado em substituição a outros, diminuindo a carga. Ninguém sabe qual é a proposta econômica de Bolsonaro, porque ele nada entende do assunto, e as ideias propostas por Guedes ou não têm relação com o conjunto de crenças do candidato ou são inviáveis.

A leitura do programa divulgado pela candidatura e as entrevistas do candidato e do seu economista em chefe, Paulo Guedes, não ajudaram muito a esclarecer o que seria o projeto de Bolsonaro. Guedes teria falado num encontro fechado em suspender toda a contribuição patronal para a Previdência e mudar para o regime de capitalização. Isso seria financiado pela volta da CPMF. Ontem, explicou que não seria um imposto a mais, mas uma espécie de imposto único que substituiria vários outros impostos federais. É preciso apresentar alguma conta para saber do que se está falando. A Previdência já tem um déficit de quase R$ 300 bilhões por ano, a saída para a capitalização teria um custo astronômico. Um imposto novo não cobriria essas duas fontes de desequilíbrio: isenção total às empresas e o custo de transição para um novo regime. E além disso haveria outras reduções de impostos.

Ascânio Seleme: O PT e os outros

- O Globo

O Brasil está dividido entre o PT e os demais partidos. Desde 1989, quando Lula foi para o segundo turno na primeira eleição direta depois da ditadura de 1964, o PT consegue ser majoritário na captação dos votos da esquerda. Foi assim nas duas eleições seguintes, quando Lula perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso mas chegou em segundo lugar, e depois nas quatro que o PT ganhou. O Brasil é PT ou não é. Nos últimos 16 anos tem sido.

No começo, quando perdia eleições, o PT ainda não havia conseguido pintar sua imagem como a do partido da inclusão social, era apenas de esquerda. Na primeira eleição este papel coube ao caçador de marajás, e nas outras duas foi cumprido pelo criador do Real. Somente depois de Collor e FHC, o PT conseguiria somar ao seu eleitorado de esquerda aqueles que queriam e os que precisavam de um Brasil mais justo.

O PSDB, que havia conduzido com sucesso um dos mais importantes programas de distribuição de renda do mundo, não conseguiu capitalizar o Plano Real e deixou-se transformar aos olhos dos eleitores num partido da elite branca. Cometeu muitos erros, como o da polêmica emenda da reeleição, que contribuíram para que a sigla que construiu a estabilidade da economia acabasse com a imagem de partido paulista.

O “nós contra eles” não foi uma invenção de Lula, existe desde a primeira eleição presidencial. O que Lula fez foi dar uma coloração de classe ao termo. O “nós” são os pobres e as minorias, e o “eles” são os ricos. Discurso simples para um eleitor majoritariamente simples. Discurso que funciona. Embora não seja o único, claro que o PT é um partido preocupado com os mais pobres. O programa Bolsa Família foi o mais inclusivo da história do país, e o PT soube se valer dele politicamente.

Os demais partidos de esquerda viraram satélites. O PSDB, que depois de FHC perdeu quatro vezes para Lula, conseguiu atrair alguns partidos de centro, não todos. O maior deles, o MDB, ficou com o PT nas duas últimas eleições. Outros partidos de centro e de direita transitaram entre PSDB e PT ao longo dos últimos 16 anos. O PT foi mais competente. Apesar dessa miscigenação ideológica, os militantes orgânicos só enxergam o espectro de esquerda, e os eleitores não militantes só veem Luiz Inácio Lula da Silva quando miram o PT.

Bernardo Mello Franco: Faltou combustível no posto Ipiranga

- O Globo

Divergência sobre novo imposto mostra que o ‘casamento hétero’ de Bolsonaro pode acabar em divórcio. Antes da eleição, o capitão já desautorizou seu guru econômico

Paulo Guedes não é chegado ao contraditório. O guru de Jair Bolsonaro tem fugido dos debates com economistas das outras campanhas. Só na segunda-feira, escapuliu de dois. Um deles no Roda Viva, com transmissão ao vivo na TV.

“Faltou combustível no posto Ipiranga”, ironizou Persio Arida, um dos pais do Plano Real. O economista do PSDB classificou a plataforma de Guedes como “ilusionista” e “inconsistente”. Na véspera, já tinha dito que o bolsonarista é “mitômano” e “nunca escreveu um artigo acadêmico de relevo”.

O guru do capitão evita os rivais, mas parece à vontade com banqueiros e investidores. Na terça, ele confidenciou à turma que pretende recriar um imposto sobre transações financeiras, nos moldes da extinta CPMF. A declaração foi revelada pela “Folha de S.Paulo” e abriu uma crise na campanha.

Do hospital, Bolsonaro ligou para reclamar do plano. Depois usou as redes sociais para desautorizar seu ideólogo. “Chega de impostos é o nosso lema”, tuitou. Foi sua primeira divergência pública com o economista, com quem ele diz ter um “casamento hétero”.

É uma relação de interesses. Guedes, um economista ultraliberal, sonhava ditar os rumos do governo. Foi seduzido com a promessa de um superministério, que uniria as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio Exterior.

Bolsonaro, um militar que admite não saber o básico sobre economia, precisava de um fiador com o mercado. Ao encontrá-lo, passou a se apresentar como defensor do Estado mínimo e das privatizações. Foi o suficiente para atrair uma fatia do empresariado que andava desiludida com o PSDB.

O problema é que o novo discurso não casa com o velho personagem. Em 28 anos no Congresso, o presidenciável sempre seguiu a linha estatizante. Votou contra o fim do monopólio das telecomunicações, combateu as tentativas de reforma da Previdência e defendeu privilégios para os militares.

O episódio de ontem mostra que o Adam Smith do bolsonarismo pode ser abandonado no altar.

Roberto Macedo: Centro unido para não ser vencido

- O Estado de S.Paulo

Não vejo o centro político já derrotado e o Brasil condenado à triste opção entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad

Não vejo o centro político já derrotado e o Brasil condenado à triste opção entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Na análise que se segue recorri ao psicólogo Daniel Kahneman, que ganhou fama ao contestar premissa básica do pensamento econômico tradicional, a de racionalidade do ser humano. Por sua contribuição à análise econômica, ganhou o Nobel de Economia em 2002.

Com implicações além dessa análise, Kahneman argumenta que o ser humano tem racionalidade limitada e ao decidir tem duas formas de pensar, os Sistemas 1 e 2. O primeiro é rápido e usa instintos, crenças e comportamentos que muitas vezes levam a opções equivocadas. Como o comportamento de manada, em que a pessoa segue um grupo sem refletir sobre o caminho a que será levada. Por exemplo, ao comprar ações sem se informar bem sobre elas, só porque muitas pessoas estão a adquiri-las. O Sistema 2 toma mais tempo, é mais analítico e racional, procura informações sobre o objeto da decisão e como esta deve incorporá-las de forma a minimizar o risco de erros.

Muitos adeptos de Bolsonaro e Haddad decidem pelo Sistema 1, sem maior reflexão sobre esses candidatos, seus vices incluídos. Após 1960, vários vices assumiram pela renúncia, morte ou pelo impeachment do titular: Jango, Sarney, Itamar e Temer. Dessa turma, só Itamar saiu com prestígio. O eleitor já refletiu sobre o que pode acontecer se o vice substituir seu candidato? Voltarei ao assunto.

Estou no PSDB há uns 30 anos, levado poe seu programa e por personalidades como Montoro, FHC, Covas e Serra. Entendo que a social-democracia é adequada ao Brasil, num formato mais liberal para a economia para que realize efetivamente seu potencial e gere tributos para uma ação social condizente com a dívida desse tipo que o País carrega. Em particular, por não ter cuidado dos escravos libertados, deixando-os ao deus-dará.

William Waack: Medo e indignação

- O Estado de S.Paulo

Não me parece que Jair Bolsonaro seja o criador da onda que está surfando

Está bem claro que nesta eleição vai se decidir contra alguma coisa, e não por alguma coisa. A maioria do eleitorado é a cara do fenômeno dos dispostos a romper “com o que está aí”. Provavelmente, encerra-se o período histórico iniciado com a saída do regime autoritário e a promulgação da Constituição de 1988. As grandes forças e o sentido político que se sobressaem nesta reta final da eleição claramente consideram obsoletos os sistemas político e boa parte das instituições que ali se consolidaram.

Alguns elementos que indicam o futuro próximo são bastante óbvios. A tendência do eleitorado em direção a figuras autoritárias é o mais notável desses elementos. O líder das pesquisas, Jair Bolsonaro, diz que resolve tudo praticamente no tapa, enquanto a agremiação política que parece, no momento, a que vai disputar o segundo turno com ele, o PT da corrupção, é o símbolo perfeito para a constatação de que enorme número de brasileiros não entende quais ideias erradas, entre elas a de que vontade política tudo resolve, levaram o País ao desastre. Estamos presenciando o enterro do “sonho” social-democrata tipo punho de renda do tucanato. O que havia de social-democracia no PT já havia sido sepultado pela avalanche de corrupção, cinismo e mentira.

Não existe neste momento um “centro”. O eleitorado raivoso clama por uma solução rápida – que a magnitude dos problemas enfrentados sugere ser impossível, mas não importa. Esse mesmo espírito do “vamos chutar o pau da barraca” prefere sonhar com passos para conter a crise que venham de fora da política, ou que sejam anunciados como soluções vindas de “fora do sistema”. Em outras palavras, e isso é bastante preocupante, há uma enorme aceitação da promessa de se resolver questões (como o déficit fiscal, que criaria perdedores por toda parte) sem considerar a necessidade de compromissos e de articulação política muito mais abrangentes do que conseguir 308 votos para maiorias na Câmara dos Deputados.

Zeina Latif*: Balzaquiana, mas flexível

- O Estado de S.Paulo

Quem será o candidato que descerá do palanque para preparar a transição

Nesta campanha eleitoral vemos diferentes formas de populismo. O de esquerda é velho conhecido e, portanto, mais previsível. Uma vez que se desce do palanque, a retórica muda e converge para o centro. Poderá ser um governo cheio de contradições e propenso a instabilidades.

O populismo de direita é desconhecido e, portanto, mais incerto. É mais difícil separar a bravata de campanha da convicção. As falas do candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro, general Hamilton Mourão, por exemplo, trazem apreensão, como na defesa de uma nova Constituição elaborada por personalidades notáveis. Esperamos não ser para valer a ameaça ao Congresso Nacional. De qualquer forma, é equivocada a proposta de uma nova Constituição.

Revogar a atual Carta é, não apenas desnecessário, como também arriscado. Passados 30 anos da sua promulgação, continuamos uma sociedade plural e segmentada, e com grupos de interesse organizados e corporações que buscam preservar seus privilégios. O estado patrimonialista está aí, talvez mais forte do que nunca. Para piorar, vivemos tempos de muita fragmentação social. A falta de coesão cobra seu preço. Uma nova Constituição, neste momento, poderá ser um equívoco histórico.

Reformas na Constituição balzaquiana, no entanto, são necessárias. Temos uma Carta que prevê muitos direitos do cidadão e poucos deveres. É preciso ajustar as regras do jogo às necessidades mutantes da sociedade. Sem isso, não será possível sedimentar a atual estabilidade macroeconômica e voltar a crescer.

Há reformas fiscais urgentes. A grave crise que assola o País tem origem fiscal. A irresponsabilidade do governo anterior soma-se às mudanças demográficas que aumentam o déficit da Previdência.

Roberto Dias: Andrade apareceu; cadê Haddad?

- Folha de S. Paulo

Ebulição cerebral vista no passado parece ter esfriado

As carteiras escolares da ciência política da USP foram, ao menos nos anos 90, habitat frequente de gente decepcionada com a oferta em sala. Tal ambiente era menos perceptível nas aulas de um professor novato de nome Fernando Haddad.

Dedicado e didático, ele tinha especial paixão por debater as teses de Joseph Schumpeter, gênio austríaco que na primeira metade do século 20 ofereceu novos caminhos para compreender a evolução da sociedade.

Schumpeter formatou uma visão cética, pessimista, sobre o capitalismo e a democracia. Espigada a partir de raiz marxista, sua mais famosa expressão evoca a disrupção intrínseca ao sistema —a “destruição criativa” dos empreendedores.

A comparação intelectual favorece Haddad não apenas perante Bolsonaro; ao contrário da última candidata do PT, não precisa listar título que não tem. Também soma mais experiência administrativa do que Lula e Dilma antes da posse, além de ter trabalhado no mercado financeiro.

Mas em algum lugar desse percurso a ebulição cerebral daquele jovem professor parece ter esfriado.

Sua capacidade de autocrítica tende a zero. Único petista a não chegar ao segundo turno paulistano, ele já deveria ter formado explicação melhor para a derrota do que dizer que o eleitor foi induzido a erro —de resto uma muleta de simplificação da lógica política schumpeteriana.

Bruno Boghossian: Grife antipetista

- Folha de S. Paulo

Datafolha mostra que 57% dos que rejeitam Haddad votam no candidato do PSL

A estratégia de personificar o antipetismo foi um bom negócio para Jair Bolsonaro. A sequência das últimas pesquisas mostra que o sentimento de aversão ao PT ainda é a principal turbina do candidato do PSL e permitiu que ele rompesse o patamar que alguns adversários consideravam seu teto.

O novo levantamento do Datafolha aponta que 57% dos eleitores que rejeitam Fernando Haddad votam em Bolsonaro já no primeiro turno. Em abril, assim que Lula foi preso, o deputado capturava apenas 31% daqueles que diziam não votar no ex-presidente “de jeito nenhum”.

O candidato do PSL construiu as bases de sua candidatura em segmentos tradicionalmente avessos ao PT, como os mais ricos e eleitores com curso superior. Ele chegou a dar sinais de estagnação nesses nichos, mas voltou a abrir caminho.

A pesquisa desta quinta-feira (20) indica que Bolsonaro continua crescendo até em grupos que já pareciam saturados, como os eleitores de alta renda (40%), os mais escolarizados (38%) e moradores das regiões Sul (37%) e Sudeste (30%).

Daniela Lima: Nada será como antes

- Folha de S. Paulo

O PSDB assiste ao drama de seu escolhido no estilo cada um por si e Deus por todos

Não leva o meu apoio, não leva o meu voto, não leva o voto dos amazonenses". O autor da frase, Arthur Virgílio (PSDB), prefeito de Manaus, dirigia-se ao correligionário Geraldo Alckmin, candidato dos tucanos à Presidência. É sabido que os dois não se bicam, mas um chute desses na canela de um político que vive momento delicado na disputa diz mais sobre o que se tornou o PSDB do que sobre Alckmin ou o próprio Virgílio.

Ala significativa do partido parece ainda não ter entendido que a eventual derrocada de seu candidato ao Planalto nesta eleição não marcará apenas o ocaso político de um dos principais nomes do tucanato, mas o da própria sigla, que caiu em desgraça depois de se entrincheirar numa batalha sobre ética com o PT sem avaliar a espessura de seu telhado de vidro.

Alckmin vive o inferno de qualquer candidato. Em baixa nas pesquisas, é alvo da desconfiança de aliados que dão suporte à sua candidatura e tornou-se persona non grata para companheiros que também disputam a eleição.

No Nordeste, políticos da coligação tucana distribuem santinhos pedindo votos para o 13, número do PT.

Maria Cristina Fernandes: Os vilões nacionais

- Valor Econômico

O divórcio que deu luz a Bolsonaro e ao Centrão

"Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo". Ulysses Guimarães usou o plural majestático no discurso de promulgação da nova Constituição, prestes a completar 30 anos. O pemedebista estava acompanhado, naquela sessão, pelos ex-companheiros de partido, fundadores do PSDB, com quem havia liderado o movimento pela constituinte.

No ano seguinte, disputariam apartados sua primeira eleição presidencial. Ulysses acabaria abandonado por seu próprio partido e Mário Covas, atropelado por um trator que prometia um capitalismo mais colorido do que o seu. No segundo turno, pemedebista e tucano subiram no palanque do líder operário Luiz Inácio Lula da Silva. Foi a última vez foram vistos todos juntos. Ao chegarem ao poder, tucanos e petistas trataram de alijar uns e outros de suas alianças.

Em 2014, um quarto dos eleitores se definiram na última semana antes do primeiro turno. Ainda que esta flutuação se mantenha, Geraldo Alckmin não é o candidato a se beneficiar dela. Em sua oitava disputa presidencial, o PSDB ruma para a sexta derrota. O que sobrar do partido será disputado por Antonio Anastasia ou João Doria, a depender do resultado das eleições em Minas e São Paulo. Um permanece na órbita do aecismo, coveiro do PSDB, e o segundo, ruma para se aliançar com o bolsonarismo, de situação ou de oposição.

Ribamar Oliveira: Aumento da isenção do IR vai custar bilhões

- Valor Econômico

Não está claro como a medida será compensada

O programa de governo do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, prevê a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos por mês, o que, em 2019, corresponderá a algo em torno de R$ 5 mil. O candidato ainda não apresentou a estimativa para o custo fiscal da medida, mas um estudo feito pela área econômica do governo no ano passado mostrou que apenas dobrar o atual limite de isenção do IR (que é de R$ 1.903,98) levaria a uma perda de arrecadação entre R$ 28 bilhões e R$ 73 bilhões, dependendo das regras a serem adotadas para as diversas faixas do IR e para as deduções.

A razão de tamanha perda de renda é explicada pelo fato de que a taxação do IR é progressiva. O aumento da faixa de isenção irá beneficiar todos os contribuintes, até os mais ricos, pois a primeira alíquota de 7,5% incide sobre a renda que ultrapassa o limite não tributado.

O estudo da área econômica, ao qual o Valor teve acesso, conclui que o benefício dado ao grupo de renda mais baixa seria ilusório, pois ele já não paga ou paga quase nada de IRPF. O ganho maior será capturado pelas famílias que recebem dez salários mínimos ou mais.

Os técnicos da área econômica analisaram uma proposta de passar o limite de isenção de R$ 1.903,98 para R$ 3.807,96 - ou seja, dobrar o valor (cerca de quatro salários mínimos do ano passado). No primeiro cenário, além do aumento da isenção, os técnicos consideraram a duplicação das deduções com dependente, do limite anual da despesa com instrução e do limite anual referente ao desconto simplificado.

Luiz Carlos Azedo: Ciro contra o arrastão

- Correio Braziliense

“O lento e contínuo crescimento de Bolsonaro e a ascensão espetacular de Haddad, à sombra de Lula, fizeram com que seus adversários mudassem de estratégia para evitar uma decisão no primeiro turno”

Terceiro nas pesquisas de opinião, Ciro Gomes (PDT) tenta conter a polarização entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para evitar uma decisão no primeiro turno, que tornaria sua candidatura irrelevante, como a de outros candidatos, se isso vier a ocorrer. O ex-governador do Ceará é o único cuja candidatura não se desidratou, ao contrário do que aconteceu com Marina Silva (Rede), principalmente, e um pouco com Geraldo Alckmin (PSDB), que nunca decolou. Ciro partiu pra cima do petista: “O Brasil não suporta mais um presidente fraco, um presidente sem autoridade, um presidente que tenha que consultar o seu mentor”, afirmou, numa alusão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ciro revela nas entrevistas os bastidores da sua negociação com o PT. Relata que o ex-presidente Lula mandou vários emissários — entre os quais, Dilma Rousseff, Roberto Requião e Gleisi Hoffmann — com a proposta de que aceitasse ser vice “de araque” na chapa registrada pelo PT e que foi impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Todo mundo sabia, como eu cansei de dizer, que era uma enganação do PT, que não iam deixar o Lula ser candidato”. Segundo ele, Haddad “aceitou desempenhar um papel que o diminui profundamente” para se eleger em cima da popularidade de Lula, como aconteceu com Dilma Rousseff. Ciro irritou-se com as declarações de Haddad logo após a última pesquisa do Ibope: “Ele está se precipitando com uma demonstração a mais de inexperiência ou de arrogância. A ‘petezada’ também costuma cultivar uma certa arrogância, uma certa superioridade. Eu não sei de onde eles tiraram isso, eles já se acham vitoriosos, já se acham no segundo turno”, disparou.

A última pesquisa do Ibope mexeu com a estratégia de campanha de Ciro e dos demais candidatos. Jair Bolsonaro (PSL) subiu de 26% para 29%. Fernando Haddad (PT) passou de 8% para 19%. Ciro Gomes (PDT) se manteve com 11%. Geraldo Alckmin (PSDB) caiu de 9% para 7% e Marina Silva (Rede), de 9% para 6%. Brancos e nulos caíram de 19% para 14%. Não souberam ou não opinaram se manteve em 7%. O lento e contínuo crescimento de Bolsonaro e a ascensão espetacular de Haddad, capturando os votos do ex-presidente Lula, que liderava as pesquisas, fizeram com que todas as campanhas levassem em conta o que parecia improvável: uma decisão logo no primeiro turno.

Ricardo Noblat: Segundo turno no primeiro

- Blog do Noblat | Veja

A hora do desespero

No limite, à luz fria dos números oferecidos pela pesquisa Datafolha revelada nesta madrugada, o Cabo Daciolo (PATRIOTA) ainda poderá se eleger presidente da República. No momento, em algum ponto do Rio, ele reza para que Jair Bolsonaro (PSL) derrote as forças do mal.

Mas se o acaso não interferir, o que de fato a pesquisa mostra é que Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), o candidato ungido por Lula, disputarão uma ou duas vezes a vaga a ser desocupada em breve pelo malsucedido Michel Temer (PMDB), o presidente improvável de um país dividido.

Bolsonaro esperava melhores notícias. Cresceu dois pontos dentro da margem de erro da pesquisa, sua tendência é de alta nas simulações de segundo turno, mas no primeiro ainda empata com Haddad, Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE), e perde para Ciro Gomes (PDT).

A eleição poderá terminar no primeiro turno – no caso, com a vitória de Bolsonaro. Ou no segundo com a vitória, por enquanto, não se sabe de quem. Numa hipótese ou em outra, a parada será decidida pelos eleitores dos outros candidatos, ou pelos sem candidato, ou pelos que admitem mudar o voto.

A duas semanas do primeiro turno, 40% do total dos eleitores admite mudar seu voto. (Aí estaria a chance de Daciolo se eleger.) De cada 10 eleitores de Bolsonaro, 7 garantem que irão com ele até o fim. De cada 10 de Haddad, 7 garantem a mesma coisa. Eleitor ama trair, mas… Adiante.

Ciro parece escolhido pelo destino para ser um coadjuvante de peso relativo em eleições presidenciais. Foi nas duas que disputou e perdeu. Deverá ser nesta. A confirmar-se a suspeita, poderá ser ministro do próximo governo se o presidente for Haddad, ou sairá da política como prometeu.

Vencido por Lula em 2006, às portas de ser vencido de novo, Alckmin apoiará Haddad se essa for a única maneira de impedir a vitória de Bolsonaro – como o fará o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como o farão os demais tucanos emplumados, e o ex-tucano Álvaro Dias.

PT e PSDB nasceram da mesma costela – a oposição à ditadura militar de 64. Separaram-se. Viraram adversários. Mas poderão se unir contra a ameaça de volta ao passado representada pela dupla Bolsonaro-Mourão, aconselhada pelo economista Paulo “Posto Ipiranga” Guedes.

Pelo mesmo motivo, assim também procederá Marina. Presidência da República é destino, ensinou o cacique baiano Antônio Carlos Magalhães. No início de 1994, o senador Fernando Henrique mal se elegeria deputado federal. Acabou o ano como presidente eleito. Reelegeu-se

Bolsonaro? Quem, aquele deputado do baixo clero empenhado em dizer absurdos para satisfação eventual de jornalistas sem notícias? Pois é… Bolsonaro está aí. Como Haddad, que há dois anos não se reelegeu prefeito de São Paulo. O mundo gira e a Lusitana roda.

Hamilton Garcia: A que herança renunciamos? (IV) – a miseria do social-desenvolvimentismo

Se, como vimos no artigo anterior, a tradição de esquerda implica em alguma forma de regulacionismo econômico, de modo a redirecionar as políticas públicas em prol das necessidades sociais – o que propicia a sustentabilidade do desenvolvimento (pleno emprego) em proveito também da estabilidade democrática e social –, é certo que não é qualquer improvisação política oportunista, feita em seu nome, que pode garantir tal resultado.

A fórmula lulopetista de superação do nacional-desenvolvimentismo – quer de viés furtadiano (CEPAL), quer nacional-democrático (PCB) –, que ficou conhecida como “social-desenvolvimentismo”, tinha como objetivo priorizar o desenvolvimento social (inclusão) em contraposição ao mero desenvolvimento econômico do passado – concentrador de renda e difusor de miséria urbana –, além de libertar as classes populares da tutela do "Estado burguês", historicamente conservador e "comprometido com o capitalismo".

Como se sabe, a tutela teve apenas uma mudança de titularidade, em prol de um novo personagem cuja fórmula política é velha conhecida: o caudilhismo benfeitor (populismo). A operação, fadada ao sucesso entre as camadas mais pobres, em função da persistência das desigualdades sociais e políticas, também encontra eco na intelectualidade, como outrora (Estado Novo), dada sua marginalização em face do poder, além de funcionar como poderoso anteparo para o sistema de dominação via concessões, no dizer de Pedro Bastos , de um "mercado interno ativado pelo aumento imediato do salário real acima da produtividade" e “gastos correntes e em infraestrutura de cunho mais social do que vinculados ao mercado externo” (produção de ponta), provocando, no médio-prazo, o desencontro, verificado no Governo Dilma, entre consumo aquecido e gastos públicos elevados, e o crescimento da renda e da riqueza associada à produção interna capaz de financiá-los.

A estratégia sedutora, misto de idealismo utópico-socialista com oportunismo neopopulista, fizeram a festa de amplos setores sociais – do bolsa-família ao bolsa-rentista, passando pelo bolsa-Miami – às expensas do desenvolvimento, possibilitando ao PT manter-se no poder por 13 anos ininterruptos sem ameaçar os alicerces da dominação neopatrimonial e, ao contrário, promovendo sua renovação e reempoderamento na esfera burocrática, parlamentar, empresarial e sindical.

Vinicius Torres Freire: Os impostos de Bolsonaro e do PT

- Folha de S. Paulo

Será impossível baixar imposto nos próximos anos; resta saber quem pagará a conta

As ideias do economista-chefe de Jair Bolsonaro (PSL) sobre impostosrecolocaram o assunto na roda da eleição, de modo estrepitoso.

Dada a ruína do governo, será um debate inevitável e conflituoso logo depois de fechadas as urnas. A não ser em planos de governo suicidas, será impossível baixar a carga tributária nos próximos
quatro anos.

Mesmo que o governante desconverse e diga que “não vai aumentar impostos”, alguma receita tributária extra será necessária. De outro modo, a dívida pública vai continuar a crescer sem limite, até a estratosfera sufocante.

O aumento deve vir, a princípio, do cancelamento de isenções (reduções em tese temporárias ou especiais de impostos). Pelo menos, essa será a primeira tentativa de qualquer governo prudente.
Paulo Guedes, o economista de Bolsonaro, fez barulho em particular porque mencionou a possibilidade de que se volte a cobrar a CPMF. “Pop” por ser tão conhecida quanto impopular, a CPMF é o recolhimento de parcela de qualquer movimentação financeira. Mas há outras engenharias ou conversas moles em curso.

Como os candidatos não expuseram com clareza o que pretendem fazer, ainda não é possível discutir custos, benefícios e a racionalidade de cada programa. Mas seguem dicas elementares para dar uma pensada no assunto.

Após pesquisa, PSDB apela por união do ‘centro’ nas eleições 2018

Secretário-geral da legenda pede para que FHC converse com candidatos; tucano, entretanto, diz não estar na posição de mediador

Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo e Marianna Holanda | O Estado de S.Paulo

A situação incômoda do presidenciável tucano Geraldo Alckmin nas mais recentes pesquisas de intenção de voto levou o PSDB a fazer um apelo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que ele articule a retomada do movimento Polo Democrático, que tenta atrair os candidatos do centro ao palanque tucano para evitar a polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A iniciativa, porém, esbarra no ceticismo de aliados e na resistência dos candidatos em abrir mão da disputa. “Precisamos gerar fatos. Essa conversa entre Geraldo, Marina (Silva), (Henrique) Meirelles, Alvaro Dias e (João) Amoêdo deve acontecer em nome do interesse nacional. Essa aproximação precisa ser feita por uma pessoa que tenha trânsito e diálogo, e eu só vejo o Fernando Henrique”, disse ao Estado o deputado Marcus Pestana (MG), secretário-geral do PSDB.

Segundo a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada terça-feira, 18, o candidato do PT à Presidência da República subiu 11 pontos porcentuais em uma semana e se isolou na segunda colocação, com 19%, atrás de Bolsonaro, que oscilou dois pontos porcentuais para cima e chegou a 28%. A seguir aparece Ciro Gomes (PDT), que se manteve com os 11% da semana anterior. Alckmin oscilou dois pontos para baixo, de 9% para 7%, e Marina Silva (Rede) caiu três pontos, de 9% para 6%.

Pestana pediu ao ex-presidente que faça a mediação com Marina, Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos).

Procurada, a assessoria de FHC disse que o ex-presidente está empenhado em fortalecer o “centro”, fala o tempo todo com políticos do Polo Democrático, mas não está na posição de mediador designado pelas partes.

Alckmin lembrará elogios de Bolsonaro a Chávez na TV

Programa eleitoral que vai ao ar apontará riscos de Brasil virar uma Venezuela

Thais Bilenky | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Em nova etapa de sua campanha, mais agressiva, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) explorará ligações de seus principais alvos com Hugo Chávez e a Venezuela.
Pela primeira vez desde o início do horário eleitoral, o tucano olhará diretamente para a câmera de vídeo para criticar o PT e Jair Bolsonaro (PSL), em vez de deixar que a propaganda falasse por ele.

Esta era uma cobrança de aliados do centrão, preocupados com a estagnação nas pesquisas: que o candidato se expusesse na televisão, mostrando energia nos ataques aos oponentes.

“Os brasileiros estão escolhendo com raiva e indignação, mas muita gente não parou para pensar que corremos o risco de virar uma Venezuela”, dirá o candidato no programa que vai ao ar nesta quinta-feira (20).

Na peça, cujo teor foi obtido pela Folha, Alckmin tratará de associar o petismo/lulismo e o bolsonarismo a lados obscuros da política nacional, como informado pelo Painel.

O capitão da reserva é, em suas palavras, “um despreparado que representa um verdadeiro salto no escuro”. O PT, representado na eleição por Fernando Haddad, “a própria escuridão”.

“São dois lados de uma mesma moeda: a do radicalismo. Se qualquer desses lados vence, o país perde. Sou oposição a ambos, porque sou a favor do Brasil”, asseverará na televisão.

Manifestações de simpatia por Chávez serão lembradas na televisão. Hoje contumaz crítico da ditadura chavista, Bolsonaro elogiou o venezuelano em setembro de 1999 em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. “É uma esperança para a América Latina. Acho ele ímpar”, declarou na ocasião.

No programa eleitoral, Alckmin atacará “o extremismo de um deputado, que já mostrou simpatia por ditadores como Pinochet e Hugo Chávez, que já defendeu o uso da tortura, que acha normal que mulheres ganhem menos que os homens, uma pessoa intolerante e pouco afeita ao diálogo, que em quase 30 anos de Congresso nunca presidiu uma comissão sequer, nunca foi líder de nenhum dos nove partidos aos quais foi filiado”.

Alckmin diz que disputa Bolsonaro x Haddad seria 'salto no escuro'

‘É óbvio que vai dar problema’, diz Alckmin sobre Bolsonaro e Haddad

No fórum Amarelas ao Vivo, tucano afirma que líderes das pesquisas têm 'mesmo DNA' e que a 'eleição é em ondas'. 'Estou firmíssimo', declarou

Por João Pedroso de Campos | Veja

Em entrevista no fórum Amarelas ao Vivo, organizado por VEJA nesta quarta-feira 19, em São Paulo, o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, intensificou o tom na pregação pelo voto útil para evitar um segundo turno entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que lideram as pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto. O tucano classificou as possíveis eleições de Bolsonaro e Haddad como “equívoco”, “salto no escuro” e “escuridão” e afirmou que é “óbvio que vai dar problema” caso um dos dois seja eleito.

“Nós vamos mostrar os dois equívocos que o Brasil pode trilhar, um que é a escuridão, o PT, nós já conhecemos e não podemos errar de novo. A responsável pelos 13 milhões de desempregados é a Dilma. Aliás, quem escolheu o Temer foi o PT. Do outro lado, você tem um salto no escuro, inimaginável, alguém que passou 28 anos na Câmara votando sempre pelo corporativismo, votando com o PT, é o mesmo DNA”, afirmou Alckmin aos jornalistas Fábio Altman e Ricardo Noblat.

O diagnóstico feito pelo ex-governador de São Paulo é o de que os eleitores antipetistas que pretendem votar em Jair Bolsonaro erram ao avaliar que ele é o candidato ideal para derrotar Fernando Haddad. O deputado federal tem 28% da preferência do eleitorado, conforme a pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira 18, enquanto o petista apareceu com 19%.

“Entendem que Bolsonaro pode derrotar o PT e acham que ele é o caminho, e é o contrário. Ele é o passaporte para a volta do PT. A eleição é em dois turnos. O primeiro tem treze candidatos, no segundo ficaram dois e é a menor rejeição. Ele [Bolsonaro] perde para todos os candidatos. Vamos ter essas semanas para dizer que é um equivoco. Tem uma parte do eleitorado que está com o Bolsonaro porque não quer o PT, mas ele perde para o PT”, declarou o tucano, para quem “o PT já está no segundo turno”.

Segundo as projeções de segundo turno feitas pelo Ibope, contudo, Bolsonaro e Haddad empatam numericamente, com 40% das intenções de voto pra cada um, com 15% de votos brancos e nulos e 5% de indecisos. No quesito rejeição, um indicador importante na disputa do segundo turno, quando o voto por exclusão ganha força, o capitão reformado do Exército é o líder, com 42%, seguido pelo ex-prefeito de São Paulo, com 29%.

Para Geraldo Alckmin, a polarização entre Bolsonaro e Haddad foi favorecida por “dois fatos supervenientes”: o lançamento tardio da candidatura do petista, em substituição à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE); e o atentado sofrido pelo deputado em Juiz de Fora (MG).

“O PT criou uma divisão, nós contra eles, e o Bolsonaro é o resultado dessa divisão, é o espelho do outro lado. Você está frente ao extremismo e dois fatos supervenientes: o PT escolhendo candidato há cinco dias, na porta de uma penitenciária, e o atentado ao Bolsonaro, vitima de um ato vil e covarde, mas uma coisa é você se solidarizar com o candidato, outra coisa é escolher o presidente da República”, disse o candidato do PSDB.

Apesar de seu fraco desempenho em pesquisas eleitorais – ele tem 7% da preferência, segundo o Ibope – Alckmin diz estar “firmíssimo” e que a “eleição é por ondas”. “Quantos por cento tinha o Haddad há quinze dias? Hoje ele cresceu e já está em segundo. O que vale é a última onda, a onda da última semana, estou firmíssimo”, disse ele.

'Estarei no segundo turno e vou ganhar', afirma Alckmin

Por Ivan Ryngelblum | Valor Econômico

SÃO PAULO - O candidato à Presidência pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, demonstrou nesta quarta-feira que ainda está confiante quanto às possibilidades de estar no segundo turno e voltou a criticar os rivais Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), afirmando que se tratam de dois caminhos "equivocados" para o futuro do país.

Apesar de estar em quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin afirmou que o primeiro turno é definido apenas nas última semana, citando o crescimento experimentado por ele em 2006, quando diminuiu a diferença para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de 24 pontos percentuais (pp) para 7 pp, e a queda que Marina Silva (Rede) experimentou em 2014, na eleição presidencial.

"As eleições experimentam ondas. Já tivemos a onda Marina [Silva], a onda Ciro [Gomes]. A que vale é a última onda", disse ele em evento promovido pela revista “Veja”, em São Paulo. "Nós vamos estar no segundo turno e vamos ganhar as eleições.”

Ele comentou ainda os problemas enfrentados com sua base aliada, com integrantes dos partidos que o apoiam nas eleições estarem fazendo campanha para seus rivais, como Bolsonaro e Haddad. Para ele, isso é resultado do atual modelo político, que precisa ser reformado. "Cada Estado tem uma lógica diferente", afirmou. "Chama-se instinto de sobrevivência. Primeiro é o local, depois a região e depois o país. A composição é de baixo para cima.”

O ex-governador voltou a criticar Bolsonaro, afirmando que o presidenciável não possui chances de vencer Haddad no segundo turno. Para ele, o petista deve estar na segunda fase diante da sua curva de crescimento, enquanto o candidato do PSL atingiu o teto de intenção de votos.

"Tem muitas pessoas bem intensionadas que tem intenção de votar no Bolsonaro por entenderem que ele é o único que pode derrotar o PT" disse. "Mas é o contrário, ele é o passaporte para a volta do PT, porque no segundo turno é a menor rejeição, e Bolsonaro perde para qualquer dos candidatos".

Alckmin afirmou também que Bolsonaro é corporativista, passando sua vida parlamentar votando contra projetos considerados por ele importante para a economia, como o Plano Real e o cadastro positivo. "Ele é o retrato do corporativismo", disse. "É um atraso.”

O tucano criticou Haddad, afirmando que petista representa um projeto voltado única e exclusivamente para a manutenção do poder e do atraso econômico. Segundo Alckmin, trata-se de uma escolha pelo "obscurantismo". "Como o PT não tem limites para o poder. Eles comprometeram as finanças públicas", afirmou Alckmin. "Quebraram o governo federal e o resultado está aí, são 13 milhões de desempregados, além de outros tantos desalentados.”

'Precisamos escolher quem vai com o PT, para vencer o PT', diz Alckmin

Alckmin diz que Tasso fez avaliação 'sincera e honesta' de comportamento tucano

Ao 'Estado', ex-presidente do PSDB chamou de 'erro memorável' que tucanos tenham votado contra os próprios princípios no Congresso só para ser contra o PT, após a derrota nas eleições 2014

Matheus Lara, Caio Rinaldi e Marianna Holanda | O Estado de S.Paulo

O presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) comentou nesta quarta, 19, as declarações do ex-presidente do partido, Tasso Jereissati, que disse ao Estado, na semana passada, que os tucanos cometeram três "erros memoráveis" após perderem a eleição de 2014 para Dilma Rousseff (PT): contestar o resultado da eleição, votar contra seus princípios básicos no Congresso só para ser contra o PT e entrar para o governo de Michel Temer (MDB).

Para Alckmin, Tasso fez uma avaliação "sincera e honesta" do compartamento dos tucanos no Congresso. Mas em sua avaliação, o PSDB não questionou a legitimidade do pleito de quatro anos atrás. Quanto à participação de seus correligionários em ministérios de Temer, Alckmin disse que as indicações tiveram bases técnicas - e não ocorreu exatamente por afinidade com o programa de Temer. "Cedemos quadros importantes, com base e capacidade técnica. Por mim, entretanto, o PSDB não teria participado do governo", disse, em sabatina da revista Veja.

Alckmin reclamou da forma como a campanha de Fernando Haddad (PT) utilizou as declarações de Tasso. "Ele usou esta esta entrevista, uma avaliação sincera e honesta do Tasso, de forma desonesta. Querer achar que o PSDB é responsável pela crise do governo do PT é inacreditável", afirmou.

'PT já está no segundo turno. Bolsonaro, não', diz Alckmin

Tucano disse acreditar que intenções de voto no candidato do PSL ainda devem cair

Silvia Amorim | O Globo

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira que o candidato do PT, Fernando Haddad, está garantido no segundo turno da eleição. No caso de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas, ele afirmou que a mesma avaliação não se aplicaria.

- Nós precisamos escolher quem vai com o PT para vencer o PT no segundo turno. Esse é o fato. O PT já está no segundo turno - disse o candidato em entrevista realizada pela revista "Veja" nesta manhã em São Paulo.

Haddad cresceu 11 pontos em uma semana, segundo dados da pesquisa Ibope divulgada ontem, e isolou-se no segundo lugar na disputa com 19%.

Perguntado se Bolsonaro, que tem 28% das intenções de voto no Ibope, também não teria participação assegurada numa próxima fase, Alckmin foi direto:

- O Bolsonaro não.

O candidato do PSDB argumentou que o deputado do PSL deverá cair nas pesquisas porque seus eleitores não declaram voto por convicção mas por uma circunstância política.

- Bolsonaro está no teto e tenderá a cair. Uma parte do voto no Bolsonaro não é dele. É um voto anti-PT que está lá só porque há uma percepção de que ele pode evitar o PT. Só que eu enxergo de maneira contrária. Ele é o passaporte para a volta do PT. Tudo que o PT quer é disputar o segundo turno com Bolsonaro.

Alckmin grava programa especial com ‘nível máximo’ de ataques a adversários

Tucano estava resistindo em elevar o tom, embora já tivesse sido aconselhado

Cristiane Jungblut | O Globo

BRASÍLIA - "Temos que elevar o tom ao nível máximo": esse foi o recado dado pelos presidentes dos partidos do centrão ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, e que o tucano começou a cumprir já nesta quarta-feira. Alckmin gravou um programa eleitoral com pesadas críticas ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que vai ao ar nesta quinta-feira, segundo integrantes da campanha do PSDB que acompanharam a gravação. O ataque também será direcionado ao candidato do PT, Fernando Haddad.

A avaliação do grupo é que Alckmin tem que retirar Bolsonaro do segundo turno, se colocando como alternativa responsável para evitar a volta do PT ao poder. Outra decisão será focar os próximos dias de campanha em São Paulo, onde o tucano foi quatro vezes governador e tem condições de recuperar votos mais facilmente.

Haddad está no segundo turno, mas Bolsonaro vai cair, diz Alckmin

Tucano afirma que parte do voto anti-PT deve abandonar candidato do PSL

Thais Bilenky | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (19) que o PT já está no segundo turno com Fernando Haddad, mas o líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), não.

“A curva do candidato do PT é ascendente. A do Bolsonaro não. Ele já está no teto e deverá cair”, disse, em São Paulo após participar de evento da revista Veja.

Na véspera, pesquisa do Ibope mostrou que Haddad cresceu 11 pontos, isolando-se em segundo lugar. Bolsonaro permanece em primeiro.

Parte da intenção de voto no capitão reformado do Exército “não é dele, é anti-PT”, argumentou o tucano.

Os eleitores pretendem votar em Bolsonaro achando que ele poderá derrotar Haddad, mas “eu enxergo de maneira contrária”, assinalou Alckmin. “Ele é um passaporte para a volta do PT, o único que perde para o PT.”

Alckmin observou que 30% do voto espontâneo ainda está indefinido. “A campanha está em aberto. E está por ondas. Já teve a onda Marina, a onda Ciro, a onda Haddad. O que vale é a onda final”, disse.

Proposta de imposto provoca confusão na campanha de Bolsonaro

Paulo Guedes é cobrado pelo candidato, que nega criação de ‘nova CPMF’ e fala em baixar carga tributária

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) recorreu duas vezes às redes sociais ontem para negar que, se eleito, criaria uma “nova CPMF”. A proposta de um imposto sobre movimentações financeiras, ainda não aprovada pelo candidato, foi mencionada por seu escolhido para ministro da Fazenda em um eventual governo, o economista Paulo Guedes, a investidores em São Paulo. Guedes, que recebeu telefonema de Bolsonaro cobrando explicações, disse ao GLOBO que o imposto em estudo substituiria de quatro a seis tributos federais existentes. “Não é a CPMF. Seria um imposto único’’, afirmou Guedes. Bolsonaro disse que seu objetivo é reduzir a carga tributária. Os adversários pretendem explorar o tema em seus próximos programas na TV.

A CONFUSÃO DO NOVO IMPOSTO

Criação de tributo expõe divergências entre Bolsonaro e seu guru econômico

Eduardo Bresciani, Marcello Corrêa, Gustavo Schmitt, Silvia Amorim, Luís Lima e Sérgio Roxo | O Globo

BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO - A proposta de criar um imposto sobre movimentações financeiras, revelada pelo economista Paulo Guedes a um grupo de investidores, gerou confusão na campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), cujo discurso é o de redução da carga tributária. O candidato, que continua internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, se recuperando do atentado sofrido há duas semanas, ligou logo pela manhã para cobrar explicações do seu principal assessor econômico e teve que ir duas vezes às redes sociais afirmar que descarta o aumento de impostos. Os adversários de Bolsonaro aproveitaram o episódio para atacar o líder nas pesquisas de intenção de voto, e pretendem explorar o tema nos próximos programas eleitorais.

Apontado como ministro da Fazenda em caso de vitória de Bolsonaro, Guedes falou sobre a criação de um imposto sobre movimentações financeiras, comparado pelos adversários à extinta CPMF, para um grupo de investidores, como revelou a “Folha de S.Paulo”. Referência do plano econômico de Bolsonaro, que o chama de “Posto Ipiranga” para questões da área, Guedes também precisou se explicar para tentar baixar a poeira de sua declaração.

Bolsonaro não tinha sido consultado sobre o plano e reclamou com Guedes, por telefone, que a forma como o assunto chegou à imprensa obrigava a campanha a esclarecer detalhadamente como seria eventual implementação.

Antes mesmo de Guedes se explicar, Bolsonaro afirmou em rede social: “Nossa equipe econômica trabalha para redução da carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!”. À noite, o candidato do PSL voltou a tuitar: “Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendemos recriar a CPMF. Querem criar pânico pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos, temos consciência disso”.

Bolsonaro e aliados correm para entender e explicar 'nova CPMF' de Paulo Guedes

Guru econômico do presidenciável defende a recriação de imposto nos moldes da CPMF

Guilherme Seto, Talita Fernandes | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Jair Bolsonaro (PSL) e seus aliados apressaram-se em tentar explicar a proposta de Paulo Guedes, guru econômico da campanha, de criação de um novo imposto nos moldes da CPMF. O presidenciável e seu entorno afirmam que em um eventual governo do candidato os impostos seriam reduzidos.

Em anúncio para uma plateia reduzida nesta terça-feira (18), revelado pela colunista da Folha Mônica Bergamo, Guedes disse que pretende recriar um imposto nos moldes da CPMF, que incide sobre movimentação financeira, pretende criar uma alíquota única do IR (Imposto de Renda) de 20% para pessoas físicas e jurídicas —e aplicar a mesma taxa na tributação da distribuição de lucros e dividendos.

Por outro lado, ele estuda eliminar a contribuição patronal para a previdência, que incide sobre a folha de salário —que tem a mesma alíquota, de 20%.

Em suas redes sociais, Bolsonaro escreveu horas após a publicação da reportagem que sua "equipe econômica trabalha para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!"

À Folha, o general Hamilton Mourão (PRTB), vice da chapa de Bolsonaro, disse que não poderia opinar profundamente e "de chofre", já que o tema não havia sido apresentado a ele por Paulo Guedes.

"Quem decide é o Bolsonaro, né? O Paulo apresenta suas linhas de ação e o Bolsonaro avalia se as vê como pertinentes. Como ministro da Fazenda, ele dá as ideias, mas o presidente é o Bolsonaro, a decisão final é dele", disse o militar.

Na noite desta terça-feira (18), o presidente da União Democrática Ruralista, Luiz Antonio Nabhan Garcia, empresário e principal conselheiro de Bolsonaro na área dos agronegócios, participou de um jantar em São Paulo com cerca de 100 empresários interessados em ouvir as ideias da campanha. No encontro, Nabhan apresentou os lemas da redução de impostos e desburocratização.

"Deve haver algum desacerto, alguma desinformação, pois tivemos uma reunião com Guedes na tarde de ontem e nada disso foi falado", diz Nabhan à reportagem.

Bolsonaro vai a 28% e Haddad, a 16%; Ciro lidera no 2º turno

Petista mantém trajetória de alta, mas segue tecnicamente empatado com o pedetista

Ricardo Balthazar | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Afastado da campanha nas ruas há duas semanas, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) manteve a liderança da corrida presidencial, de acordo com uma nova pesquisa feita pelo Datafolha.

Conforme o levantamento, concluído nesta quarta (19), o capitão reformado do Exército oscilou dois pontos para cima e alcançou 28% das intenções de voto, mantendo a trajetória de crescimento observada desde o início da campanha.

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que cresce desde sua confirmação como substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida, atingiu 16% das preferências, três pontos a mais do que na semana passada.

O candidato petista continua tecnicamente empatado com Ciro Gomes(PDT), que ficou estagnado, com 13%.

O instituto entrevistou 8.601 eleitores de 323 municípios na terça e na quarta (19). A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela TV Globo.

As menções espontâneas a Bolsonaro também cresceram nos últimos dias, assim como as citações a Haddad.

Bolsonaro cresceu no Sudeste, Norte e Sul, onde atingiu sua melhor marca (37%), e ganhou pontos entre jovens e até entre mulheres, apesar da grande rejeição no segmento.

O petista cresceu no Sudeste e no Nordeste —onde alcança a melhor pontuação (26%) e única região em que está à frente de Bolsonaro.

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem quase metade do tempo de TV, está estagnado na pesquisa, com 9%.

O ressurgimento do monstro: Editorial | O Estado de S. Paulo

Numa campanha eleitoral marcada por discursos extremados e por falta de propostas concretas e exequíveis para o enfrentamento dos graves problemas nacionais, o que faltava era o surgimento do espectro do monstro tributário chamado CPMF - ou Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - para assombrar ainda mais o eleitor já aturdido pela dificuldade de identificar uma candidatura que exprima um mínimo de sensatez e coerência. O enfrentamento da grave crise fiscal requer, de fato, medidas corajosas que, de imediato, contenham sua virulência e, ao longo do tempo, encaminhem as contas públicas para seu reequilíbrio e para a geração de superávits primários que permitam a redução gradual da dívida da União. Propor soluções fáceis, como a de aumentar a arrecadação por meio da recriação da CPMF, ainda que disfarçada por outro nome ou por outros estranhos propósitos - como o de substituição de todos os demais impostos -, não passa de tentativa de esconder a verdadeira dimensão da crise e a falta de coragem para adotar as medidas drásticas para domá-la.

A mais recente defesa da CPMF foi feita pelo economista Paulo Guedes, assessor econômico do candidato do PSL à Presidência da República, capitão reformado Jair Bolsonaro. Não se trata de um simples integrante da equipe de campanha de Bolsonaro. O candidato já declarou que Guedes é o responsável pela parte econômica de seu programa de governo e que, se eleito, o nomeará ministro da Fazenda.

A um grupo restrito de empresários, Guedes disse que o pacote tributário a ser implementado num eventual governo Bolsonaro inclui a recriação de um tributo com as características da CPMF. Em entrevista ao site BR18, do portal estadao.com, Guedes reconheceu que os estudos de reforma tributária feitos pelos economistas que compõem sua equipe preveem a substituição de todos os impostos federais não compartilhados com Estados e municípios por um tributo único, que incidiria sobre transações financeiras como a CPMF. Depois, Guedes disse que as coisas não eram tão simples assim.

Pesquisas apontam para polarização PT-Bolsonaro: Editorial | Valor Econômico

Os eleitores começaram a afastar-se dos candidatos de centro em direção aos extremos, revelam as pesquisas, em um movimento que pode ser definitivo. Jair Bolsonaro, do PSL, subiu mais um pouco, segundo o Ibope, e continua na dianteira, com 28%. O candidato petista, Fernando Haddad, em menos de duas semanas passou de 5% para 19% e deixou a boa distância o pelotão embolado do segundo lugar, onde se encontravam 4 candidatos. Desses, apenas Ciro Gomes (PDT) manteve suas preferências, com 11%. Os demais perderam espaço, com destaque para a candidata da Rede, Marina Silva, que despencou de 12% para 6% em duas semanas. O postulante com maior tempo de propaganda na TV, o tucano Geraldo Alckmin, caiu dois pontos, para 7%. João Amoêdo (Novo), Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB), mesmo com baixos índices, também recuaram.

Desde o início da campanha oficial na TV a porcentagem dos que declararam que votariam nulo ou em branco reduziu-se a menos da metade, de 29% para 14% (Ibope), e começam a definir a disputa, a favor da polarização. Bolsonaro, que perdia para quase todos os possíveis concorrentes no segundo turno, agora está em empate técnico com eles Batia apenas Haddad e agora está empatado com ele, com 40%.

A polarização entre Bolsonaro e Haddad acentua a singularidade dessa eleição - são os dois candidatos com maior índice de rejeição. Já se sabia que os radicalismos se nutriam mutuamente e que o petismo e Bolsonaro eram entre si inimigos feitos um para o outro. As pesquisas estão confirmando esse mútuo desejo.

Com um eleitorado fiel que passou da casa dos 20% das preferências, Bolsonaro ao que tudo indica deverá chegar ao segundo turno mesmo sem fazer campanha. Seu principal rival, será submetido ao duro escrutínio de debates, enquanto que o candidato do PSL só cometerá erros se quiser. E ele quer: prossegue, do leito do hospital, a fazer ataques à democracia mesmo liderando as pesquisas. Autoeleito, julga que a fraude nas urnas lhe surrupiará a vitória certa - e as pesquisas, desonestas, o farão a conta-gotas.

Força centrífuga: Editorial | Folha de S. Paulo

Datafolha mostra desidratação do bloco centrista; tendência é de um 2º turno radicalizado

Os números da mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto para presidente apontam para a anemia das candidaturas associados ao centro do espectro ideológico, que oscilaram para baixo ou se mantiveram estagnadas em relação à sondagem anterior.

Nesse sentido, quem mais chama a atenção é Geraldo Alckmin (PSDB) —que, a despeito de ocupar mais de 40% do tempo de propaganda na TV e no rádio, segue em 9% e sem variação superior à margem de erro ao longo da campanha.

Jair Bolsonaro (PSL) continua em primeiro lugar, com 28%, e em tendência de alta paulatina desde o ataque a faca que sofreu em 6 de setembro. No levantamento do dia 10, tinha 24%; em 13 e 14 do mesmo mês, marcou 26%.

A escalada mais evidente pertence a Fernando Haddad (PT), beneficiário da rápida transferência das intenções de votos depositadas no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, preso e legalmente impedido de concorrer.

Ao avançar dos 9% de dez dias atrás para 16%, o petista se destaca na segunda colocação, deixando numericamente para trás Ciro Gomes(PDT), que disputa preferências nos setores à esquerda e ficou estacionado em 13%.

A rejeição de Bolsonaro permanece a maior entre os presidenciáveis, estável em 43%. A de Haddad segue trajetória de alta e está em 29%. Parece razoável prever um aumento da cifra à medida que ele e sua associação a Lula se tornem mais conhecidos do eleitor.