sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

José de Souza Martins*: A arca de Noé brasileira

- Eu & Fim de Semana | Valor Econômico

No dia 1º de janeiro de 2003, zarpou, no lago Paranoá, em Brasília, a arca de Luiz Inácio para uma longa viagem, supostamente de quatro anos. Era uma cópia melhorada da arca de Noé. Os Noés brasileiros, da pós-modernidade, têm exigências que o humilde Noé bíblico não tinha.

Saiu lotada e bem abastecida, para indigestas buchadas e rabadas o tempo que durasse a viagem. Ia suprida para que, na própria arca, tivesse início um programa social de "fome zero", que morreria de inanição política.

Apesar das certezas quanto à cor da arca, houve confusão quanto aos rumos. Uns queriam ir para a esquerda, de vermelho rubro, outros, com base num manifesto ao povo brasileiro, queriam ir para a direita, de um vermelho indeciso, de amansar empresário e classe média.

Na hora de atracar, como estava previsto nos bons costumes políticos, ousaram seguir adiante, apesar dos riscos já indicados pelo mensalão. E assim foram indo, até que o excesso de lotação e de desvios afundasse a arca, antes de chegar ao porto seguro de sempre. A arca foi resgatada e enviada a um conceituado estaleiro de arcas presidenciais para os reparos devidos, trocada a cor do vermelho desbotado, preparando-a para novas tripulações e novas viagens.

Espécimes selecionados, os últimos de uma raça quase fossilizada, foram embarcados para preservar o que restava do tempo em que o mundo era mundo. Foi a arca posta a navegar, sob novo comandante. Zarpou no dia 1º de janeiro de 2019.

Como em 2003, essa tampouco achou o rumo, já passados dois meses de navegação. Talvez tenha faltado GPS, perdão, astrolábio na arca. Ou a velha bússola dos rumos e da razão.

Maria Cristina Fernandes: Planalto dá o tom da reação à era Bolsonaro

- Eu & Fim de Semana | Valor Econômico

No dia 14 de novembro de 2018 o presidente da CUT, Vagner Freitas, participou de ato de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba, em frente à carceragem da Polícia Federal onde o ex-presidente está preso há dez meses. De camisa de manga comprida rosa claro com um jacaré bordado no bolso, o dirigente sindical iniciou um jogral, recurso comum em manifestações de improviso, em que as frases são amplificadas ao serem repetidas pelo grupo mais próximo de pessoas.

No jogral, com a presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffman, ao seu lado, Freitas declarou: "O Brasil inteiro sabe que houve uma fraude eleitoral. Bolsonaro foi eleito com 30% do povo brasileiro. Mancomunado com Moro e com a mídia, mudaram o resultado da eleição. Todo mundo sabe que Lula seria eleito no primeiro turno. Por isso está preso. Logo, fique claro que não reconhecemos Bolsonaro como presidente da República". Funcionário do Bradesco, Vagner foi, aos 46 anos, o primeiro bancário a ser escolhido para comandar, em 2012, a central que nasceu metalúrgica junto com o PT e hoje depende cada vez mais de suas bases no funcionalismo público.

No dia da posse do novo governo, o nome do presidente da CUT encabeçaria a lista de signatários da carta dirigida pelas seis centrais sindicais ao presidente Jair Bolsonaro. Na carta, os dirigentes apresentavam suas credenciais: "Faz parte do jogo democrático investir num amplo processo de negociação política, que envolva o governo federal, o parlamento, a sociedade civil e os segmentos organizados, como a via civilizada para construção de consensos políticos, econômicos e sociais fundamentais ao êxito de qualquer administração e do desenvolvimento do Brasil". O texto dirigia-se, ao final, com um protocolo cortês ao presidente empossado: "Receba nossas saudações classistas e sindicais".

Um mês depois, o presidente da CUT, o secretário-geral da entidade, Sérgio Nobre, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Wagner Santana, seriam recebidos por Hamilton Mourão. A audiência estava marcada para 11h40 e, no horário rigorosamente marcado, o presidente em exercício abriu as portas do seu gabinete, no anexo do Palácio do Planalto, para receber a comitiva.

Claudia Safatle: Governo familiar não tem como dar certo

- Valor Econômico

Bebianno não foi demitido nem vai pedir demissão

Governar é algo bem mais complexo do que parece supor o presidente Jair Bolsonaro. Não há modelo bem-sucedido de um governo em que o filho do presidente da República chama um ministro de Estado de "mentiroso" pelo Twitter. E, mais grave, com o aval do pai, que, algumas horas depois, replicou o tweet do filho sem a menor atenção aos ritos do cargo para o qual ele foi eleito, e não a sua família.

O caso, que envolveu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, demandou ação dos ministros militares, que, ontem, não escondiam a preocupação com os rumos de um governo que, recém empossado, já está criando suas próprias crises ao tratar a Presidência da República como extensão da sua casa.

Na área econômica também havia inquietação, ontem pela manhã, com os possíveis efeitos desse episódio no ambiente político do Congresso, que, no dia 20, receberá a proposta da reforma da Previdência. A base de apoio do governo não está tão sólida que não possa, de repente, ruir.

"Esta é uma situação desagradável que precisa ser resolvida. Tem muitas coisas importantes e a atenção deve ser focada em itens relevantes e produtivos", disse um ministro com gabinete no Palácio do Planalto.

Humberto Saccomandi: Populismo alimenta onda de irracionalismo

- Valor Econômico

Aversão à razão vai da rejeição a vacinas ao aquecimento global

O número de casos de sarampo cresceu 50% no mundo em 2018, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cresceu mais, percentualmente, em países ricos. Há alguns fatores envolvidos, mas o que mais chama a atenção é a rejeição à vacina. Esse é um exemplo da crescente onda de irracionalismo, estimulada pela desinformação e pelo populismo, que está tendo impacto na política e na economia pelo mundo.

É irracional tomar decisões que prejudiquem a si próprio. Pessoas, empresas e governos, porém, costumam fazer isso por informação ruim ou insuficiente ou por avaliação equivocada. Mas o que parece ser novo é a escala com que decisões irracionais estão sendo tomadas mesmo tendo à disposição informação sobre os seus efeitos deletérios.

É o caso da vacina. As vacinas funcionam e salvam vidas. A sua massificação foi uma das causas do espetacular aumento da expectativa de vida no Século 20. Ainda assim, nos últimos anos tem crescido um movimento contra a vacinação. Ele foi inicialmente estimulado por um estudo de 1998 que apontava uma relação entre a vacina tríplice e o autismo em crianças. Essa conclusão foi rejeitada por todos os estudos subsequentes, o pesquisador britânico responsável foi punido, mas essa falsa relação continua a circular pela internet, assustando os pais.

Formaram-se desde então grupos organizados em vários países que se opõem à vacinação. Surgiram teorias conspiratórias, que veem um conluio entre cientistas, governos e empresas farmacêuticas para encobrir supostos riscos das vacinas.

O que preocupa, além da força de disseminação dessas ideias pela internet, é que muitas delas estão sendo abraçadas por políticos e partidos populistas. Na Itália, o vice-premiê Matteo Salvini, líder do partido direitista Liga, disse no ano passado que, das vacinas obrigatórias, "dez são inúteis e por vezes prejudiciais", o que contraria as diretrizes do seu próprio governo.

Eliane Cantanhêde: O cheiro do poder

- O Estado de S.Paulo

O Exército está irritado com o filho, mas quem gerou a crise foi o pai presidente

Nunca antes neste País se viu uma mera troca de chefia do Centro de Comunicação do Exército (Cecomsex) se transformar num super evento, não apenas pela grande presença de militares e civis como também pela duração. O papo foi longe.

O general que entra é Richard Nunes e o que sai é Otávio do Rêgo Barros, que virou porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. Esse foi um chamariz para a solenidade e pesou também a eficiência e a gentileza no trato de Rêgo Barros com a mídia, mas o fator principal para o sucesso foi a força do Exército neste momento. Todo mundo sente o cheiro do poder.

Atenção: está-se falando especificamente do Exército, não genericamente dos militares ou das Forças Armadas. Aliás, uma curiosidade da transmissão de cargo é que, naquela selva verde, só havia uma farda azul da FAB e uma branca da Marinha. Eram os dois oficiais da imprensa nas duas Forças, que riam quando alguém brincava que pareciam “peixes fora d’água”.

O Exército está em alta. Ocupa quase todos os postos do Planalto e, além de não criar problemas, tem de resolver problemas criados pelos outros. Inclusive, ou principalmente, pelo próprio presidente e seus três filhos, o 01, o 02 e o 03. Numa fase da ditadura, quando cutucavam o presidente Figueiredo, ele ameaçava acionar o ministro do Exército, linha dura: “Chama o Pires!”. Agora, quando é preciso segurar os filhos do presidente, os generais gritam por um moderado: “Chama o Heleno!”.

No centro da festa, estavam justamente os generais Augusto Heleno, chefe do GSI e apagador-geral de incêndios da República, e Eduardo Villas Bôas, que o assessora no GSI. Ambos têm enorme responsabilidade para salvar o barco, que está sacudindo depois que o PSL foi flagrado fazendo peraltices e o filho 02 do presidente, Carlos Bolsonaro, desmentiu pelo twitter o ministro Gustavo Bebianno, presidente do partido nas eleições e agora sob risco de cair da Secretaria-Geral da Presidência e “voltar às origens”.

Hélio Schwartsman: Vocação para a picaretagem

- Folha de S. Paulo

Reportagens mostraram que o PSL lançou candidatas de fachada

O PSL, legenda do presidente Jair Bolsonaro, vai se revelando um partido bem picareta. Reportagens da Folha mostraram que a siglalançou candidatas de fachada para manipular dinheiro do fundo público de financiamento de campanhas reservado para mulheres.

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, sem ter como explicar as peculiaridades das operações, preferiu atacar a legislação, que estabelece uma cota mínima de 30% das candidaturas (e das verbas) para mulheres. Para Bivar, política é uma questão de vocação.

Cotas para Parlamentos funcionam? A literatura, como em tantos outros temas polêmicos, traz estudos que contentam a todas as freguesias. A comparação internacional é difícil, porque existem diferentes modelos de cotas. Há desde países, como Ruanda, que reservam cadeiras apenas para mulheres em eleições paralelas nas quais apenas mulheres podem votar, até nações como a Suécia, nas quais alguns partidos decidiram voluntariamente equilibrar melhor o gênero das candidaturas.

Bruno Boghossian: Bolsonaro X Bolsonaro

- Folha de S. Paulo

Ressalvas do presidente até a última hora mostram que negociação política será custosa

Jair Bolsonaro se comportou como um líder hesitante até definir sua proposta de reforma da Previdência. Na véspera de bater o martelo, admitiu com certo pesar que “nem gostaria” de fazer a mudança. “Mas sou obrigado a fazê-la. Do contrário, o país quebrará”, completou.

A resistência demonstrada pelo presidente em relação a um ajuste rigoroso deve ter reflexos no Congresso. Durante a elaboração do texto, o próprio Bolsonaro expôs publicamente sua relutância em relação a diversos pontos da reforma. A atitude pode contaminar a visão dos parlamentares sobre o tema.

Um dia antes de definir a idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, o presidente disse numa entrevista que esses números poderiam ficar em 62 e 57. Ao expor a hipótese, Bolsonaro deu guarida a deputados e senadores que gostariam de pleitear a redução.

Nas discussões sobre a reforma, Bolsonaro se esforçava para demonstrar sensibilidade social. Afirmou que o ajuste não pode “matar idosos” e usou dados distorcidos de expectativa de vida para justificar uma idade de aposentadoria menor. Agora, esses argumentos serão aproveitados com gosto pela oposição.

Reinaldo Azevedo: A reforma da Previdência e os bárbaros

- Folha de S. Paulo

Mudança não pode ser lida como justificativa para a estupidez em estado puro

Por que tantos entre nós fingem normalidade, como se os Poderes da República estivessem a viver dias tensos, mas dentro da normalidade?

É que a reforma da Previdência chega logo.

Por que se assistiu àquele espetáculo deprimente no Senado, com o regimento interno sendo rasgado muitas vezes, num processo eleitoral que, de modo deliberado e acintoso, ignorou uma decisão do Supremo?

É que a reforma da Previdência chega logo. E, depois dela, o país não será o mesmo. Ela vai ditar as novas relações do Congresso com o Poder Executivo.

Por que tanta apatia de algumas vozes antes indignadas com o autoritarismo petista e que tinham até certa admiração por um certo Reinaldo Azevedo, embora pudessem não entender direito o que ele escrevia nem por quê?

É que a reforma da Previdência chega logo. Ela submeterá as questões relativas à democracia a uma nova clivagem, de sorte que equacionar o déficit do setor e o rombo do Orçamento pode perfeitamente tomar, nas boas consciências, o lugar antes reservado a algumas abstrações que nos aprisionavam a uma agenda velha, a exemplo das liberdades individuais.

Por que tanta gente boa silencia quando o ministro da Justiça resolve introduzir no Código Penal a licença para matar, não distinguindo o aceno à barbárie da legítima defesa e da garantia da ordem?

Vinicius Torres Freire: Previdência mais dura e ainda vaga

- Folha de S. Paulo

Faltam definições cruciais para a vida das pessoas e para as contas públicas

Jair Bolsonaro definiu as idades mínimas de aposentadoria do projeto que vai enviar ao Congresso. E daí? Sabe-se ainda pouco.

Houve comoção entre o povos dos mercados. O pessoal ficou satisfeito de ver que o presidente não surtou na Previdência e que seu governo não criou mais um episódio BBB, com outro ministro no paredão ou vexames assim.

No mais, contar que a idade mínima de aposentadoria será de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, depois de 12 anos de transição, diz pouco sobre o impacto humano e fiscal da reforma.

Tudo bem. No entanto, como há algum tempo para o governo calibrar a reforma, convém atentar para o que importa. Ou seja, o que afeta a vida cotidiana e para bodes, jabutis e rinocerontes que podem prejudicar a reforma em termos de economia e viabilidade política.

A transição será de até 12 anos. Mas em que ponto começa a transição? Isto é, depois da reforma, qual será a idade mínima provisória, implícita ou explícita?

Em outros projetos reformistas, seria de 55 anos para homens e de 53 para mulheres. O pessoal de Bolsonaro, porém, pensa em algo perto de 60 anos para homens e 56 para mulheres.

Deve haver outros arranjos para quem está perto de se aposentar, a fim de que se evite mudança abrupta.

Merval Pereira: O público e o privado

- O Globo

É gravíssimo, se confirmado, que um dos filhos de Bolsonaro tenha acesso à senha do Twitter e fique postando em nome do pai

A crise desencadeada pelo vereador Carlos Bolsonaro, desmentindo pelo Twitter o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, tem um aspecto que a torna ainda mais perigosa em termos institucionais. Trata-se do uso indiscriminado das redes sociais para comunicação do seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, sem distinção do público e do privado.

Durante a campanha presidencial, com muita frequência era Carlos quem usava as senhas do pai para postar mensagens políticas, e há quem diga que até hoje é ele o autor das mensagens do presidente. Nessa crise de agora, o que circula em Brasília é que o retuíte da conta pessoal de Jair Bolsonaro (@jairbolsonaro), como que avalizando a acusação de seu filho Carlos a Bebianno, foi postado pelo próprio, em nome do pai.

Oficialmente, em novembro, antes mesmo da posse, Carlos publicou um aviso aos amigos informando que não tinha mais, “por iniciativa própria”, qualquer ascensão (sic) às redes sociais de Jair Bolsonaro. Foi quando brigou com Gustavo Bebianno na equipe de transição e desistiu de permanecer em Brasília, retornando à sua atividade de vereador no Rio.

A utilização do Twitter para suas mensagens é um hábito que Bolsonaro copia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu grande ídolo. Nos Estados Unidos, a utilização de meios particulares para atividade oficial já deu muita dor de cabeça a Hillary Clinton, que, quando secretária de Estado no governo Obama, dispensou o e-mail oficial (@state.gov) para usar seu e-mail privado mesmo para assuntos de Estado.

Bernardo Mello Franco: A função do Supremo

- O Globo

Em voto contra o obscurantismo, Celso de Mello afirmou que o Supremo não pode se curvar às pressões do tribunal do Facebook. Sua independência ainda fará falta à Corte
Celso de Mello foi o único ministro do Supremo a protestar quando o então comandante do Exército, general Villas Bôas, disparou um tuíte para emparedar o tribunal no ano passado. Ontem o decano voltou a mostrar por que a sua voz é fundamental para afirmar a independência da Corte.

Celso é relator de uma das ações que pedem a criminalização da homofobia. A maioria dos países desenvolvidos tem leis para combater os crimes de ódio contra homossexuais. O novo governo pressiona o Judiciário e o Congresso para manter o Brasil fora do clube.

Na quarta-feira, o presidente disparou dois tuítes sobre o julgamento. Ele elogiou a sustentação do advogado-geral da União, que falou em “estabilidade” e “pacificação social” ao discursar contra as ações. Os ministros entenderam o recado: se a Corte contrariar o Planalto, voltará à mira das falanges governistas.

As posições de Jair Bolsonaro sobre o tema são conhecidas. “Sou homofóbico, sim, com muito orgulho”, informou, num vídeo gravado em 2013. Em outra entrevista, ele disse preferir que um filho “morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.

Esse tipo de declaração já foi tido como um suicídio político. Hoje em dia, rende votos e curtidas nas redes sociais. A intolerância virou ativo para candidatos que surfaram a onda conservadora em 2018. Agora a turma também quer enquadrar o Supremo. Alguns ministros já indicaram que aceitaram a tutela.

Míriam Leitão: A Petrobras na era Bolsonaro

- O Globo

Presidente da Petrobras quer acabar com os monopólios da empresa no refino e no gás. Política de patrocínios focará na educação infantil

“O monopólio é incompatível coma democracia”, afirma o novo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, avisando que vai vender ativos da empresa para que haja competição em todas as área sonde atua. Ele diz que os preços dos combustíveis vão seguiras cotações internacionais. Depois do petróleo, o maior foco da empresa será ampliara oferta de gás no país. Ele confirma que mudará toda apolítica de patrocínio de esporte e cultura da companhia para investirem educação infantil.

Castello Branco tem formação liberal, é doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas com pós-doutorado na Universidade de Chicago. Diz que teve o privilégio de ter aulas com Gary Becker, prêmio Nobel, um dos pais da teoria do capital humano, e de trabalhar com Carlos Geraldo Langoni. Por isso, afirma que a empresa fará investimentos em educação infantil para crianças pobres. Falou sobreis sono contexto da revisão dos patrocínios para o esporte e acultura, durante uma entrevista que fiz com ele na Globonews:

— Existem outros financiadores para a cultura. Não vamos sair completamente. Achamos que o retorno para a sociedade será muito maior se fizermos isso (investir na educação infantil).

Ele já foi um grande defensor da privatização da Petrobras, mas quando perguntei sobre o fato de o presidente Jair Bolsonaro ser contra ele disse que é disciplinado e seguirá essa orientação. Mas defende um programa muito mais agressivo de venda de ativos no refino:

— Detestamos a solidão do mercado. Queremos ter concorrentes no refino, para que a decisão sobre preços seja percebida pela sociedade como decorrência da relação fornecedor-cliente.

Luiz Carlos Azedo: Não precisa de oposição

– Correio Braziliense

Nem bem saiu do estaleiro, o governo já enfrenta uma crise séria, que não foi criada pela oposição, mas em decorrência de eventos de campanha do PSL e do estranhamento entre integrantes do círculo de poder do presidente Jair Bolsonaro. O secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, caiu em desgraça e pode ser defenestrado do cargo, depois de ser publicamente atacado pelo caçula do clã, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, que o chamou de mentiroso pelo Twitter e recebeu o apoio público do pai, numa entrevista de tevê, na qual disse que o ministro poderia “voltar às origens”.

Tudo começou com a notícia de que Bebianno, enquanto exercia a presidência do PSL, teria liberado R$ 400 mil a uma candidata laranja em Pernambuco, o que o secretário-geral da Presidência nega que seja sua responsabilidade. A notícia teve péssima repercussão para a legenda, cuja ruidosa bancada na Câmara passou a ser atacada pelo PT e outros adversários, elevando a tensão na cúpula do governo. Para sair da berlinda, na quarta-feira, Bebianno minimizou o episódio, comentando que havia conversado três vezes com o presidente. Pelo Twitter, Carlos Bolsonaro disse que era mentira, pois, havia 24 horas, estava em companhia do pai, no Hospital Alberto Einstein, em São Paulo, e que o presidente da República havia se recusado a falar com Bebianno por telefone.

Bolsonaro recebeu alta e desembarcou em Brasília com a cabeça de Bebianno a prêmio. O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tentou pôr panos quentes no assunto e saiu em defesa de Bebianno, assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que considerou as acusações precipitadas e lamentou a crise às vésperas de o governo enviar a proposta de reforma da Previdência ao Congresso. Os militares que integram o governo também atuam como bombeiros. Nos bastidores do governo, criticam o envolvimento dos filhos de Bolsonaro nos assuntos palacianos, mas o fato é que todos são políticos com mandato. Por isso mesmo, não está claro se o pai passa a mão na cabeça dos filhos ou se eles recebem orientação para falar pelo presidente da República, que tem um porta-voz exatamente para evitar que isso aconteça.

A tensão entre Bebianno e Carlos Bolsonaro, o filho mais apegado ao pai, vem desde a campanha eleitoral e já teve um estresse na montagem do governo, por causa da equipe de comunicação do Palácio do Planalto, que acabou resultando na nomeação do general Rêgo Barros como porta-voz da Presidência, e do publicitário Floriano Barbosa Amorim Neto para a Secretaria Especial de Comunicação, por indicação de Carlos Bolsonaro. O filho caçula ainda conseguiu transferir o órgão da alçada da Secretaria-Geral da Presidência para a Secretaria de Governo, chefiada pelo general Santos Cruz.

Milícias
A relação entre Bebianno e Carlos Bolsonaro ficou ainda mais tensa por causa da intervenção espetacular do secretário-geral da Presidência no Hospital Federal de Bonsucesso, que denunciou ameaças contra as autoridades do governo encarregadas de investigar a corrupção na instituição. Segundo Bebianno, o esquema seria controlado por milicianos e estava sendo investigado pela Polícia Federal. A entrevista de Bebianno, no próprio hospital, coincidiu com o noticiário sobre a prisão de milicianos no Rio de Janeiro, por envolvimento em grilagem de terra, entre eles, um ex-capitão do Bope, que foi homenageado pelo senador Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), mesmo estando preso. A mulher e a mãe do ex-militar são ex-funcionárias do gabinete do senador quando exercia o mandato de deputado na Assembleia Legislativa fluminense. O clã tem notórias ligações eleitorais com os milicianos que atuam no Rio de Janeiro.

Ricardo Noblat: A crise é Bolsonaro e os filhos

- Blog do Noblat | Veja

Lições da História
A não ser que sejam filhos, como no caso presente, não se governa com quem se elege. Na maioria das vezes dá errado.

José Sarney sequer pôde tentar. O dele foi um caso especial: herdou o governo de Tancredo Neves que morrera sem tomar posse.

Menos de um ano depois, montou o seu, mas acabou saindo aos cacos do Palácio do Planalto depois de ter sido apedrejado no Rio.

Collor tentou governar com a turma da República das Alagoas, sua companheira de aventura. Caiu sem completar o mandato.

Lula, não, foi esperto. Para salvar a sua, entregou as cabeças dos seus mais importantes guardiões – José Dirceu e Antônio Palocci.

A cabeça de Dilma rolou porque ela não tinha uma para governar mais do que governou por escolha e erro de Lula, unicamente dele.

Bolsonaro quer – ou quis – entregar a de Bebianno para escapar do escândalo do laranjal do PSL. O do Flávio é anterior ao seu governo.

Bebianno, ontem, oscilou entre choramingar se dizendo vítima de Carlos Bolsonaro e do seu pai, e ir à luta para ficar onde está.

Chegou ao ponto de dizer que Bolsonaro temia que o escândalo do laranjal respingasse nele, para em seguida defendê-lo.

Não explicou – e ninguém pediu que explicasse – por que Bolsonaro temeria os respingos. O que Bebianno sabe, mas não conta?

A História também ensina que virtuoso é o governante capaz de ser visitado pela crise e de despachá-la de volta menor do que a recebeu.

Bolsonaro fez tudo ao contrário. Não tinha uma crise, inventou-a com a ajuda do filho. Não satisfeito, a pôs no colo. É ali que ela está.

Bebianno balança, mas não cai

A cada dia sua agonia
A chamada classe política escolheu de que lado ficar no conflito entre o presidente Jair Bolsonaro que chamou o ministro Gustavo Bebianno de mentiroso, e Bebianno que disse que um comandante não atira na nuca de soldado: do lado do ministro.

Dora Kramer: Casca de banana, a atração

- Revista Veja

O governo compra briga com a Igreja: vocação para causas perdidas

Diferente da luta e do combate, quando se trata de poder e, portanto, de interesse coletivo, a briga é um ato ralo, desprovido de consistência e que acaba prestando algum tipo de desserviço a alguém. Quase sempre ao briguento, um ser dado a relevar o irrelevante. Se for um governante, além de pagar o preço pela bobagem, ainda distribui o prejuízo à sociedade.

É o caso do presidente Jair Bolsonaro, que, ainda não desencarnado da figura do candidato, compra brigas perdidas, inúteis, prejudiciais ao governo e, conforme a dimensão delas, nocivas também ao país. Elege adversários desnecessários sem medir as consequências.

Bolsonaro fez isso ao instigar a China, provocar os países árabes ao ameaçar mudar a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, afrontar a legião de crenças e valores diversos ao insistir na pauta de costumes caros apenas a uma parcela dos brasileiros; faz isso ao anunciar investida contra o chamado clero progressista, atingindo a Igreja Católica de modo geral.

Evidentemente são pertinentes as atenções devidas a questões que envolvem a estratégica Amazônia. Mas vai uma distância oceânica daí até se considerar que essas preocupações possam explicar ou justificar a interferência do governo no conteúdo das discussões do sínodo de bispos sobre a região a ser realizado em outubro, em Roma.

Monica De Bolle*: Miolo mole

- Revista Época

O problema é que com essa fala pé no chão Guedes parece um turista acidental no governo Bolsonaro.

Miolo mole Jair Bolsonaro tuíta bobagens do leito hospitalar enquanto o país sofre com suas tragédias. O ministro do Meio Ambiente descarta Chico Mendes e o chama de grileiro. A turma mais assanhada do governo ataca a Igreja Católica, porque, afinal, no mundo da direita religiosa ultraconservadora, o catolicismo agora é “de esquerda”. Papa Francisco fica chateado, mas, como na definição de Paulo Guedes esquerdistas “têm bom coração”, tudo é perdoável. Armar a população é a solução para todos os problemas de violência e fim de papo. Miolo mole tem quem não acredita em nada disso. O corolário é que miolo mole é o que têm os generais...

Troças à parte com um governo que pede para que sejam feitas dia sim, outro também — olha a semelhança com o dilmismo aí, gente —, li a entrevista de Paulo Guedes para o Financial Times. O ministro, claramente, gosta de um bom sound bite: “O Brasil precisa de uma perestroika”; “Pessoas de esquerda têm miolo mole e bom coração. As pessoas de direita têm a cabeça mais dura e... o coração não tão bom”; criar-se-á no Brasil uma “sociedade popperiana aberta”; “Éramos uma democracia de uma perna só”; “Passei toda a vida gerando alfa e vendo governos sucessivos destruírem beta. Agora quero melhorar o beta brasileiro”. Confesso que, após ler esses trechos, sobretudo a fala de operador de mesa, bateu saudade visceral da mesóclise.

A crise tem pai e filho

Carlos, o segundo rebento do presidente, insulta um ministro publicamente. Bolsonaro concorda — e, juntos, eles criam o mais insólito salseiro palaciano

Por Marcela Mattos e Nonato Viegas | Veja

A figura política mais surpreendente do governo de Jair Bolsonaro não faz parte do governo de Jair Bolsonaro. Seu filho Carlos tornou-se conhecido pelos brasileiros quando se sentou no banco de trás do Rolls-Royce que desfilou com o presidente e a primeira-dama no dia da posse, em Brasília. Aboletado no encosto, com os pés nos bancos de couro, Carlos Bolsonaro não deu um sorriso e manteve-¬se atento o tempo todo. Sua missão, que ele próprio se atribuiu devido a um “mau pressentimento”, era ficar alerta para um atentado contra o pai. Sua presença ali, quebrando o protocolo das posses, emitiu um sinal: sua influência junto ao pai não se limitaria aos laços familiares. Na semana passada, no curso da mais bizarra das crises políticas, Carlos Bolsonaro, 36 anos, vereador no Rio de Janeiro e sem nenhum cargo no governo federal, mostrou todo o esplendor de sua ascendência sobre o pai — e detonou publicamente Gustavo Bebianno, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e um dos primeiros a embarcar na candidatura presidencial de Bolsonaro, quando nem o candidato acreditava muito nas suas chances de sucesso.

O ponto de ebulição da crise começou na quarta-feira 13, quando Carlos postou um tuíte no qual dizia que o ministro Bebianno, ao contrário do que afirmara, não tinha conversado com seu pai, que ainda convalescia no Hospital Albert Einstein. “Ontem estive 24 horas do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano (sic) que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro”. Em seguida, postou um áudio em que se ouve Bolsonaro dizendo o seguinte para Bebianno: “Ô Gustavo, está complicado eu conversar ainda. Então, não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Estou em fase final de exames para possível baixa hoje, tá ok? Boa sorte aí”. A ofensiva de Carlos, com tuíte e áudio, era para desmentir uma declaração de Bebianno publicada no dia anterior pelo jornal O Globo. Numa tentativa de esfriar uma crise nascida de uma denúncia, Bebianno dissera ao jornal que vinha tendo contatos normais com o presidente. “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente.” Em qualquer lugar do mundo, quando o filho de um presidente chama um ministro de mentiroso em público, entra-se na contagem regressiva para a explosão.

Contra filho do presidente, Bebianno recebe apoios para ficar

Preocupados com reforma da Previdência, equipe econômica e políticos defendem a permanência do ministro no Planalto

Desgastado após ser chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro e ter sua permanência no governo colocada em dúvida pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, recebeu o apoio de integrantes da equipe econômica e de militares, de parlamentares do PSL, seu partido, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Se ele (Bolsonaro) está com problema, deve comandar a solução, e não misturar a família, porque isso gera insegurança”, disse Maia à GloboNews. Para ele, a queda do ministro atrapalharia a reforma da Previdência.

Bebianno dobra aposta com Carlos

Ministro recebe apoio de parlamentares e reafirma que não pedirá para sair

Jussara Soares, Amanda Almeida e Marcello Corrêa | O Globo

BRASÍLIA - Após ser chamado de mentiroso e de ter sua permanência no governo colocada em xeque pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, recebeu ontem o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de parlamentares do PSL, seu partido, de integrantes da ala militar e da equipe econômica do governo.

Boa parte da frente que se formou em defesa do ministro foi reunida ontem pelo sentimento comum de rejeição ao filho do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro. Foi ele quem deflagrou a crise, ao expor na internet informações privadas da relação de Bolsonaro com Bebianno no Planalto.

O grupo entende que há uma sensação de que Bolsonaro permitiu intrigas alimentadas pelo filho. E que essas intrigas atrapalham a estratégia política em um momento crucial para o governo: os ministros tentam articular uma base aliada no Parlamento capaz de votar a proposta de reforma da Previdência que será apresentada nos próximos dias.

Ontem à noite, Bebianno conversou com o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e manteve a decisão de não pedir demissão. Ao colega, ele considerou que sairá fortalecido do episódio.

Líderes partidários lamentaram ontem o fato de o governo estar mergulhado em uma crise no momento em que deveria estar usando suas energias para articular a votação da reforma.

Coube ao presidente da Câmara chamar a atenção do próprio Bolsonaro para o fato de estar colocando os trabalhos no Legislativo em risco, ao usar o filho para aparentemente tentar forçar a demissão de um ministro. Ao GLOBO, Maia classificou o ministro de um “cara ótimo”, um “bom interlocutor que pode continuar ajudando”. Mais cedo, em entrevista à GloboNews, o presidente da Câmara adotou uma postura crítica ao comportamento de Bolsonaro no episódio.

—A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado — disse Maia (Leia as declarações completas de Maia na página 5).

‘Bolsonaro não é presidente de associação dos militares’, diz Maia

Presidente da Câmara ligou para Paulo Guedes e afirmou que queda de Bebianno pode atrapalhar aprovação da Previdência

Jussara Soares e Paulo Celso Pereira, com G1 |- O Globo

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia(DEM-RJ),criticou a atuação do presidente Jair Bolsonaro diante da crise envolvendo o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno. Para Maia, o presidente precisa “comandar a solução”.

—A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares —declarou Maia, em entrevista à GloboNews. E completou:

—Se ele está com algum problema, ele tem que comandar a solução, e não pode, do meu ponto de vista, misturar família com isso porque acaba gerando insegurança, uma sinalização política de insegurança para todos.

Ontem, Maia ligou para o ministro da Economia, Paulo Guedes, para enviar um recado a Bolsonaro: a possível queda de Gustavo Bebianno pode atrapalhar a aprovação da reforma da Previdência.

Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, Maia argumentou que, ao exonerar Bebianno, principal aliado durante a campanha, o presidente indicaria que não honrará compromissos com o próprio Congresso.

A interlocutores, o presidente da Câmara avaliou que, depois de entregar a aprovação da reforma da Previdência, Bolsonaro não hesitará em sufocá-lo politicamente, caso também entre em rota de colisão com os filhos.

Militares e Maia agem em socorro de Bebianno

Governo. Após a crise provocada pelas declarações de Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, presidente da Câmara e integrantes do núcleo militar saem em defesa do ministro

Após a polêmica criada por Carlos Bolsonaro, ministros saíram em defesa da permanência de Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência). O núcleo militar escalou o general Santos Cruz (Secretaria de Governo) para que alerte Jair Bolsonaro sobre os riscos que as polêmicas envolvendo seus filhos geram para a governabilidade. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), deu declarações em defesa de Bebianno, que, ontem, continuava no cargo, mas não havia sido recebido pelo presidente.

Tânia Monteiro Júlia Lindner / O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Preocupados com as crises geradas pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro que interferem no dia a dia do governo, ministros se uniram ontem em defesa da permanência de Gustavo Bebianno à frente da Secretaria-Geral da Presidência. O núcleo militar resistia a conversar com o presidente sobre o tema família, mas, após a última polêmica protagonizada pelo vereador Carlos Bolsonaro, o ministro Santos Cruz, da Secretaria de Governo, foi indicado para a tarefa. A intenção é que o ministro, general da reserva e um dos mais próximos do núcleo familiar do presidente, o alerte sobre os riscos para a governabilidade.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também entrou no circuito dando declarações públicas em defesa do ministro. “A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, disse Maia à GloboNews.

Bebianno ajudou na eleição de Maia para o comando da Casa, contrariando o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), que preferia um nome do PSL. “Ele é um ótimo interlocutor, mas quem escolhe ministro é o presidente”, afirmou o presidente da Câmara ao Estado. A preocupação é de que o ambiente conturbado do Executivo contamine o Legislativo e atrapalhe a tramitação da proposta de reforma da Previdência, que deverá ser enviada na próxima semana ao Congresso (mais informações no caderno de Economia). Menos enfático, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que Bebianno não tinha “obrigação” de acompanhar “tantas candidaturas” no País.

A operação segurou Bebianno no cargo pelo menos até o fim da noite de ontem. Apesar disso, o presidente mantém o ministro na geladeira e não o recebeu, como estava previsto. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chegou a preparar um encontro entre os dois, o que não ocorreu. Em entrevista à revista Crusoé, Bebianno reclamou que está “sendo jogado aos leões de maneira injusta” e avaliou que Bolsonaro tem receio de que o caso envolvendo suspeitas de candidaturas laranjas do PSL possa “respingar” nele.

Bombeiro. A relação entre Onyx e Bebianno é conflituosa, mas ele estaria atuando como bombeiro porque também já ficou sob fogo cruzado quando vieram à tona suspeita de que usara caixa 2. O cinturão de apoio uniu vários nomes do governo que temem ser o próximo alvo dos tuítes de Carlos ou de seus irmãos, Flávio e Eduardo, todos respaldados pelo pai.

Maia e militares formam frente a favor de Bebianno para aplacar crise no governo

Ministro recorreu até a advogados para garantir permanência no cargo

Igor Gielow , Talita Fernandes , Angela Boldrini e Gustavo Uribe | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O fantasma de uma crise política fora de controle e que ameaçasse a tramitação da reforma da Previdência no Congressomotivou uma tentativa de evitar a saída do ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), do governo.

A operação foi capitaneada pela ala militar do governo, que agiu por conta própria, e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi acionado em um telefonema na madrugada de quinta (14) por Bebianno.

A missão é difícil, pois todos concordam que o presidente Jair Bolsonaro ultrapassou uma linha ao endossar a crítica de seu filho Carlos ao ministro. Na quarta (13), Bebianno foi chamado de mentiroso após dizer que havia conversado com o presidente sobre a crise dos laranjas do PSL.

Como revelou a Folha, o partido do presidente patrocinou com o fundo partidário candidatas com votação mínima, e o dinheiro foi destinado a empresas suspeitas de não terem prestado serviços. Bebianno era o presidente interino do PSL na campanha.

A ação dos militares, avalizada pelo presidente, é uma vitória política em oposição ao que consideram ingerência indevida dos filhos de Bolsonaro no governo. Mas todos concordam que talvez seja tarde demais, dada a evolução da crise na quinta (14).

Além de acionar Maia, que saiu em sua defesa em declarações públicas, disse que ele “dialoga bem” com o Congresso e pediu apoio ao ministro para Paulo Guedes (Economia), Bebianno optou por um tom ameaçador.

Disse a aliados que não se demitiria porque não tem relação com a distribuição do dinheiro na campanha de 2018, com exceção da postulação presidencial e de alguns puxadores de voto nos estados.

E surgiram ao longo do dia notas em sites segundo as quais Bebianno prometia “cair atirando”. Por fim, no começo da noite ele disse à revista virtual Crusoé que a pressão sobre si decorria do fato de que Bolsonaro “está com medo de receber algum respingo” do caso das laranjas.

Além de Maia, Bebianno, que é advogado, também recorreu a colegas de profissão e integrantes do Judiciário para buscar uma forma de se blindar na crise.

Ele foi aconselhado a não se demitir e a manter-se discreto, deixando que Bolsonaro se movimentasse.

Militares são moderadores na crise do PSL

Por Andrea Jubé, Carla Araújo e Fernando Exman | Valor Econômico

BRASÍLIA - A cúpula militar interveio na crise envolvendo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, como um "poder moderador". A ideia é impedir que uma "filhocracia", com o presidente da República sujeito à instabilidade familiar, possa pôr em risco a credibilidade do governo.

Enquanto os militares se movimentam nos bastidores para acalmar os ânimos, o ministro da Justiça, Sergio Moro, tenta mostrar que Bolsonaro não teme o avanço das investigações sobre denúncias de desvios de R$ 400 mil do fundo partidário do PSL para financiar candidaturas laranjas nas eleições de 2018.

A bancada do PSL na Câmara está dividida sobre o desfecho das divergências entre Bebianno e o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente. Uma ala dos deputados acha que ele deveria ser demitido. Outra, teme que o ministro, um dos principais aliados de Bolsonaro na campanha, possa "cair atirando".

Militares alertam para risco de demissão de Bebianno
A cúpula militar interveio na crise envolvendo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, como um "poder moderador", a fim de alertar para os riscos de que um governo que pretende promover reformas estruturantes, como a previdenciária, seja reduzido a uma "filhocracia", com o chefe do Executivo sujeito à instabilidade familiar. Com o governo dividido em alas que defendem a permanência de Bebianno no cargo, e outras que exigem sua saída imediata, um grupo de generais atua para arrefecer os ânimos e tutelar as ações do presidente Jair Bolsonaro. Há preocupação na caserna, também, com os riscos políticos da demissão de Bebianno.

Enquanto os militares se movimentam nos bastidores, coube ao ministro da Justiça, Sergio Moro, mostrar que o presidente Bolsonaro não teme o avanço das investigações sobre denúncias de desvios de pelo menos R$ 400 mil do fundo partidário do PSL para financiar candidaturas-laranjas nas eleições de 2018.

'Filhocracia': Editorial | O Estado de S. Paulo

O presidente da República é formalmente Jair Bolsonaro, mas parece que não é ele quem exerce o poder de fato, e sim seus filhos.

O episódio em que Carlos Bolsonaro levou à execração pública um ministro de Estado deixou claro quem é que tem autoridade no Executivo – gente que pretende governar sem ter recebido um único voto para isso e que, por sua condição familiar, naturalmente tem sobre o presidente mais influência do que qualquer outro ministro, provavelmente mesmo aqueles qualificados de “superministros”. É lícito supor que, em momentos de crise – e o que não falta nesse governo recém-inaugurado é crise –, será aos filhos que Jair Bolsonaro dará ouvidos, e não a seus auxiliares. É a “filhocracia” instalada de vez no Palácio do Planalto.

O poder de Carlos Bolsonaro ficou evidente quando este se sentiu à vontade para, pelo Twitter, chamar publicamente o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, de mentiroso. Segundo Carlos Bolsonaro, Bebianno mentiu ao dizer que havia conversado “três vezes” com Jair Bolsonaro sobre a crise instalada no governo por conta das suspeitas, levantadas por reportagens da Folha, de que o PSL – partido do presidente – desviou recursos do Fundo Partidário para candidaturas “laranjas” na eleição do ano passado. Seriam candidaturas constituídas apenas para receber o dinheiro e gastá-lo em gráficas e outros serviços pertencentes a dirigentes do partido. O ministro Bebianno presidia o PSL na época dos fatos.

Parente em Palácio é alto risco de crise: Editorial | O Globo

Como se previa, filhos de Bolsonaro causam mais prejuízos à imagem do governo do que toda a oposição

Não há registro de grandes casos de sucesso quando laços de sangue pesam mais que currículos como passaporte de entrada em palácios. A desenvoltura e o estilo com que filhos de Jair Bolsonaro transitavam na campanha do pai justificaram apostas em que, eleito, o ex-capitão encontraria dentro de casa razões para se preocupar.

Apostas certeiras. Areação extemporânea do vereador Carlos Bolsonaro, o 02 no jargão de caserna da família, contra o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, gerou uma crise desnecessária dentro do Palácio, enquanto o pai recebia alta em São Paulo. E aumentou as preocupações dos militares que se encontram no primeiro escalão do governo coma confirmação da imprevisibilidade deste núcleo familiar do presidente.

O caso por trás do ataque ao ministro não é simples. No fim de semana, o jornal “Folha de S.Paulo” revelou a existência, em Pernambuco, de pelo menos uma candidata laranja na campanha a deputado pelo PSL. O partido, por alegada decisão de Bebianno, liberou do caixa eleitoral R$ 400 mil para ela, dinheiro pago a uma gráfica inexistente. Esquema seguido, também, na campanha de Dilma à reeleição. Os modelos da roubalheira eleitoral se repetem.

Cerco às facções: Editorial | Folha de S. Paulo

Transferência renova esperanças de que o Estado combata o crime de forma mais articulada

Numa operação que mobilizou um arco de instituições vinculadas à segurança pública, da esfera estadual ao governo federal, o chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Camacho, foi transferido do presídio de Presidente Venceslau, no oeste de São Paulo, para o sistema federal.

Além de Marcola, como é conhecido o prisioneiro de alta periculosidade, foram removidos 21 membros da organização que nasceu no interior paulista, em 1993, e exerce vasta e deplorável influência em penitenciárias do país.

Em 2006, quando Marcola e outros membros do PCC foram mandados para a instituição de segurança máxima de Presidente Venceslau, eclodiu uma onda de ataques e rebeliões que ficou na memória como um marco infame da violência patrocinada pela facção.

Temores quanto a novas retaliações levaram as autoridades a organizar, agora, amplo esquema de prevenção, que envolveu polícia, Forças Armadas e Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).

Na quarta, dia da operação, a PM foi mobilizada para vigiar mais de 3.300 locais, enquanto a Secretaria da Administração Penitenciária promovia revistas em praticamente todas as unidades do estado.

Impasse nas negociações entre EUA e China vai longe: Editorial | Valor Econômico

As negociações entre Estados Unidos e China para evitar uma guerra tarifária sem limites poderão resultar na concessão de várias vantagens aos americanos, mas não em várias exigências fundamentais colocadas à mesa. O presidente Donald Trump gosta de obter trunfos imediatos e depois de mudar de assunto e, após estabelecer um prazo impossível de ser cumprido até 1 de março, disse anteontem que a data para um acordo poderá ser estendida "um pouquinho". A China tem mais a perder com o conflito e, às voltas com delicada desaceleração de sua economia, procura evitar que metade de suas exportações para o principal mercado do mundo seja taxada em 25%. O governo chinês deu alguns passos para atender algumas queixas dos americanos, com medidas para suavizar a obrigatoriedade de joint ventures para acesso a mercados e coibir roubo de tecnologia. No essencial, a China não deve mudar substancialmente sua conduta.

Hoje, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, um "falcão" em relação à China, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, terão encontro com o premiê Xi Jinping, após três dias de reuniões com o vice de Xi, Liu He, cujos resultados não são conhecidos. Nas duas frentes em que os EUA se movem a China tem baixa margem de flexibilidade.

Nara Leão:Odeon (Ernesto Nazareth e Vinicius de Moraes)

Há 3 anos faleceu nosso filho, Gilvan C.Melo Filho (12/11/1962-15/2/2016)

Giba foi o preso político mais novo do golpe militar de 1964: Eu e Graziela estávamos presos na Casa de Detenção de Recife (hoje Casa da Cultura). Minha mãe fazia de tudo, falava com todos os comandantes militares e civis para soltar a Graziela para cuidar do Giba.

Na ocasião, o General Ernesto Geisel, era Ministro-Chefe da Casa Militar do General Castelo Branco e visitava o Recife, após denúncias de torturas publicadas no antigo jornal Correio da Manhã (Rio), de autoria do jornalista Marcio Moreira Alves.

Em vez de liberar Graziela, o general Geisel autorizou o Giba ir para cadeia e ficar com a mãe. A imprensa pernambucana deu destaque ao fato. Giba tinha menos de dois anos de idade e não tinha movimentos nas partes inferiores.

Tempo depois, foi anistiado e recebeu as desculpas formais do Estado brasileiro. Ficou a dor e a saudade.

Graziela Melo: Saudade eterna:

Minha fantasia,
minha tristeza,
minha poesia!

Há um pranto
que choro
de noite,

O mesmo
que choro
de dia!!!

Alma dolorida,
desesperada,
sofrida!

Saudade
do filho
amado,

saudade
do filho
querido!

Se foi,
para não voltar
jamais,

viver
num mundo
distante,
num mundo
abstrato,
obscuro,
perdido!!!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Opinião do dia: Miriam Leitão*

Melhor faria o GSI se aproveitasse a experiência que o general Heleno e outros integrantes da cúpula do governo acumularam quando serviram na Amazônia para entrar fundo nos problemas reais da região: a invasão de grileiros em florestas e parques nacionais, o desmatamento ilegal e predatório, a ameaça aos indígenas, a destruição da biodiversidade, os documentos falsos de propriedade de terra, o uso da região como rota do crime organizado.

As divergências que os especialistas de diversas áreas, as entidades do terceiro setor e eventualmente integrantes do clero tenham em relação às posições do governo Bolsonaro sobre questões ambientais e climáticas são apenas isso: divergências. Uma sociedade democrática é, por natureza, plural. As pessoas divergem, discutem, se manifestam, são convencidas, convencem, mudam de ideia. Hoje os partidos que se opõem à atual administração estão enfraquecidos em grande parte por seus próprios equívocos políticos. Mas isso não significa que o governo não enfrentará, na sociedade, vozes discordantes às decisões que tomar em qualquer área, principalmente nos temas mais sensíveis.


*Miriam Leitão, jornalista, ‘Erros do governo na Amazônia’, O Globo, 13/2/2019

William Waack: O berreiro do desmame

- O Estado de S.Paulo

Bolsonaro e Guedes apenas começam o confronto com os interesses de cada grupo

A agenda liberal de Paulo Guedes chegou ao leitinho e, com ela, o vocabulário sobre a discussão tornou-se preciso, realista e fiel aos fatos. “O desmame não pode ser radical”, disse a ministra da Agricultura ao se referir a pretendidos cortes nos subsídios do crédito rural, anunciado pelo colega da Economia.

Nem o setor dos produtores de leite pode prescindir de tarifas de importação (diretas ou na forma de antidumping) para enfrentar competidores externos – Bolsonaro atendeu os produtores e disse no Twitter que o leitinho deles, em sentido metafórico, está garantido. Na mesma linha geral surge a tomada de decisão sobre o fim da isenção dada às contribuições previdenciárias dos produtores rurais que exportam.

A proposta de agenda liberal de Guedes supõe o fim dessa renúncia (cerca de R$ 7 bilhões por ano nos cofres do INSS), tanto por razões fiscais como pelo propósito conceitual mais amplo. A Agricultura diz que não faz sentido tirar refresco de um setor – o de exportações agrícolas – que ajuda substancialmente a gerar os superávits comerciais que a economia também precisa.

Essa é uma típica discussão que no Brasil (mas não só) anda em círculos há décadas, subordinada sempre ao curtíssimo prazo e às turbulências dos momentos de crise econômica e política. Que obrigaram sucessivos governos a esticar contas (aumentando impostos, por exemplo, ou deixando de investir) para atender a todos que demandam seu leitinho.