quarta-feira, 24 de maio de 2017

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

Qualquer germe de messianismo é perigoso, porque leva no fundo ao autoritarismo. Se eu sou a verdade e tenho a verdade, então eu vou matar quem não é verdade. A democracia exige aceitar o outro, a diversidade. Você não pode ter a pretensão num ponto de partida de que você tem a pretensão absoluta. Os procuradores que tiverem essa posição são contra a democracia, mesmo que eles não saibam.

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Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República, em entrevista no programa Canal Livre, da TV Bandeirante, domingo, 21/5/2017.

Janot defende delação; Congresso quer CPI da JBS

Janot afirma que delação revelou ‘crimes graves’

Para procurador-geral da República, acordo é ‘muito maior do que áudios questionados’; ministro do Supremo indica que benefícios poderão ser revistos pela Corte

Beatriz Bulla, Breno Pires e Isadora Peron | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Em sua primeira manifestação desde que veio à tona a delação da JBS, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu em artigo o acordo firmado com os irmãos Batista. No texto, Janot aponta que a delação é “muito maior que os áudios questionados”, justifica a concessão de imunidade penal aos delatores – que não serão denunciados pelos crimes que revelaram no acordo – e diz estar “convicto” de que tomou a decisão correta.

Desde a semana passada, os benefícios concedidos aos delatores têm sido alvo de crítica e o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em conversa com o presidente Michel Temer vem sendo questionado.

Supremo pode rever benefícios a empresários da JBS, diz Marco Aurélio

Pelo acordo de delação premiada firmado pelo Ministério Público Federal, os irmãos Joesley e Wesley Batista ganharam anistia aos crimes cometidos

Isadora Peron | O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, sinalizou que os benefícios concedidos aos empresários da JBS poderão ser revistos pela Corte. Pelo acordo de delação premiada firmado pelo Ministério Público Federal, os irmãos Joesley e Wesley Batista ganharam anistia total aos crimes cometidos e foram autorizados a residir fora do Brasil.

“Realmente a negociação pode partir do Ministério Público, mas quem fixa os benefícios é o Judiciário. Nesta delação de agora, o ministro Edson Fachin somente homologou o acordo nos aspectos formais, não o conteúdo em si, o conteúdo em si será avaliado pelo órgão julgador, que é o plenário do Supremo”, afirmou Marco Aurélio.

As declarações do ministro foram dadas durante um seminário que discutiu o uso das delações premiadas no País, realizado na noite desta terça-feira pela Uniceub, em Brasília.

Os benefícios concedidos aos empresário da JBS foram criticados no mesmo evento pelo advogado do presidente Michel Temer, que foi gravado por Joesley para a delação. “Não pode, por exemplo, haver benesses para aqueles que delatam. Eles ficam folgados, tomando banho de piscina, explorando o mercado de capitais. Isso é injustificável”, disse o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira.

Alexandre de Moraes defende delação premiada, mas diz que não há ‘salvador da pátria’

Ministro do Supremo considera que delação tem de ter eficácia para merecer benefícios

Isadora Peron | O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Em meio à polêmica do uso da delação premiada contra o presidente Michel Temer, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes defendeu a utilização do instrumento, mas afirmou que o delator não pode ser visto como um ‘salvador da pátria’.

Para ele, está implícito que quem faz um acordo de delação decide colaborar com a Justiça para receber algum benefício. Ele pontuou, no entanto, que esse benefício tem de ser de acordo com a ‘eficácia’ das informações prestadas.

Se Temer cair, vão assumir outros investigados, diz Deltan

Procurador da força-tarefa da Lava Jato avalia que eventual saída do peemedebista, por renúncia, impedimento ou cassação, 'não mudaria em quase nada os rumos da investigação'

Daniel Weterman | O Estado de S. Paulo

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), afirmou nesta terça-feira que uma eventual saída do presidente Michel Temer (PMDB) da Presidente, por renúncia, impedimento ou cassação, não mudaria em “quase nada” os rumos da Operação Lava Jato.

Ao dar uma entrevista durante o lançamento de seu livro A Luta Contra a Corrupção, na capital paulista, Dallagnol afirmou que mudança de governo não significa fim da corrupção e que outros investigados assumiriam o poder na eventual queda do peemedebista. “Mudança de governo, atualmente, não é nenhum caminho andado contra a corrupção. Se cair Temer, vão assumir outras pessoas que estão sendo investigadas por corrupção”, disse.

STF divulga conversa entre jornalista e fonte em pacote de grampos da JBS

- Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal tornou públicas milhares de conversas interceptadas no inquérito envolvendo a JBS que não foram consideradas relevantes pela Polícia Federal.

Uma dessas conversas traz o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e então blogueiro da revista "Veja", conversando com uma fonte, a irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Andrea Neves.

O diálogo foi interceptado pela Polícia Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República e com autorização do STF, durante as investigações resultantes das delações da JBS. Andrea foi presa na semana passada.

As conversas telefônicas foram grampeadas pela PF em abril. O jornalista não era alvo das investigações –a pessoa grampeada era Andrea, delatada pelos donos da JBS.

Os áudios integram um lote de 2.200 gravações entregues à imprensa na semana passada pela assessoria do STF após o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, decretar o fim do sigilo do caso, na semana passada, a pedido da Procuradoria. Muitas delas não tratam da investigação.

Em seu despacho que abriu os sigilos, Fachin argumenta que a Constituição veda a restrição da publicidade em prol do interesse público, inclusive acima do direito à intimidade dos interessados.
O texto do ministro não menciona a existência de conversas grampeadas com jornalistas nem o direito ao sigilo da fonte, garantido pela Constituição.

O ministro não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a liberação de gravações envolvendo jornalistas e outros casos sem ligação com a investigação.

Procurada, a presidente do STF, Cármen Lúcia, respondeu: "O Supremo Tribunal Federal tem jurisprudência consolidada no sentido de se respeitar integralmente o direito constitucional ao sigilo da fonte. A presidente do STF reitera o seu firme compromisso, que tem sido de toda vida, de lutar, e agora, como juíza, de garantir o integral respeito a esse direito constitucional".

Divulgação da conversa sem ligação com investigações fere a Constituição

- Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A divulgação de conversas não relacionadas com investigações criminais está em desacordo com o princípio constitucional que garante a intimidade dos cidadãos.

Quando a conversa se passa entre um jornalista e sua fonte, ela também fere o direto ao sigilo da fonte, garantido pela Constituição.

O Supremo Tribunal Federal tornou públicas milhares de conversas interceptadas no inquérito envolvendo a JBS que não foram consideradas relevantes pela Polícia Federal.

Uma dessas conversas traz o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e então blogueiro da revista "Veja", conversando com uma fonte, a irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Andrea Neves.

O especialista em direito público e professor da FGV Carlos Ari Sundfeld ressalta que o princípio geral da Constituição que determina a publicidade de documentos de julgamentos do Poder Judiciário faz uma ressalva justamente para proteger a intimidade de cidadãos.

STF divulga conversa de jornalista com irmã de Aécio

Reinaldo Azevedo publicou nota em seu blog, no site da revista 'Veja', comunicando seu pedido de demissão, após a divulgação de diálogo com Andrea Neves, que é uma fonte sua

- O Estado de S.Paulo

O ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou ontem a divulgação, pela própria Corte, de uma conversa entre o jornalista Reinaldo Azevedo e Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, no âmbito da investigação relativa à delação da JBS.

“A lei que regulamenta as interceptações telefônicas é clara ao vedar o uso de gravação que não esteja relacionada com o objeto da investigação. É uma irresponsabilidade não se cumprir a legislação em vigor. O episódio envolvendo o jornalista Reinaldo Azevedo enche-nos de vergonha, é um ataque à liberdade de imprensa e ao direito constitucional de sigilo da fonte”, afirmou o ministro.

STF divulga conversa de jornalista com fonte

Ao tirar o sigilo de conversas gravadas no rastro da delação dos donos da JBS, o STF divulgou não apenas gravações incluídas no inquérito, mas também áudios irrelevantes para a apuração porque envolvem terceiros e não contêm indícios de crimes. Entre os interlocutores de investigados, há também um jornalista, cujo sigilo da fonte é garantido pela Constituição. Procurada, a presidente do STF, Cármen Lúcia, sem explicar a divulgação dos áudios, afirmou em nota: “O Supremo tem jurisprudência no sentido de se respeitar integralmente o direito constitucional ao sigilo da fonte.” Juristas criticaram a divulgação de fitas não incluídas no inquérito.

Supremo divulga conversas de jornalista

Áudios de telefonemas com investigados na Operação Lava-Jato não tinham indícios de práticas de crimes

- O Globo

-SÃO PAULO- Ao retirar o sigilo das investigações da Lava-Jato feitas a partir das delações da JBS, o Supremo Tribunal Federal divulgou também os arquivos de áudio de mais de 2.800 ligações de alvos da operação, em conversas sem nenhuma ligação com a prática de crimes e com pessoas contra quem não pesava nenhum tipo de acusação.

Embora tenha sido o STF que liberou o acesso aos arquivos, ainda não estava claro, até ontem à noite, como nem por quê as conversas tinham sido divulgadas, já que não tinham nenhuma relevância para o caso sendo apurado.

As gravações foram realizadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, durante o monitoramento do senador afastado Aécio Neves (PSDB), de sua irmã, Andrea, do deputado federal Rodrigo Rocha Loures e de outros implicados na delação dos donos da JBS.

A revelação de uma conversa do jornalista Reinaldo Azevedo com Andrea Neves o levou a decidir deixar a revista “Veja”, onde tinha um blog havia 12 anos. No diálogo, ele critica uma reportagem feita pela própria revista, que trata de uma conta de Aécio em Nova York, não comprovada até agora.

Duque exibe foto ao lado de Lula

Ex-diretor da Petrobras, Renato Duque entregou à Justiça foto em que aparece abraçado ao já ex-presidente Lula. Segundo a defesa do delator, a imagem é de 2012, numa das três reuniões dele com Lula para discutir contratos da Petrobras e dinheiro para o PT.

Para reforçar denúncia, Duque entrega à Justiça foto com Lula

Ex-diretor afirma que encontro, em 2012, tratou de contratos da Petrobras

Cleide Carvalho | O Globo

-SÃO PAULO- A defesa do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque entregou à Justiça Federal de Curitiba uma foto em que ele aparece abraçado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os advogados, a fotografia registra um encontro de 2012, que seria um dos três encontros que teve com Lula para tratar de assuntos referentes a contratos da Petrobras e arrecadação de dinheiro para o PT.

Um outro encontro, ainda de acordo com os advogados, foi o que ocorreu no hangar da TAM em Congonhas, quando, segundo Duque, Lula teria perguntado se ele mantinha contas na Suíça. Para comprovar, Duque informou que a reunião ocorreu no dia 2 de junho de 2014 e que viajou do Rio de Janeiro para São Paulo no voo JJ3944 -CGH-SDU e retornou no voo SDU-CGH.

TSE passa a preocupar Planalto, que agora vê risco de cassação

Posição de ministros pode ter mudado após divulgação de áudio de Joesley

Leticia Fernandes e Carolina Brígido | O Globo

-BRASÍLIA- O governo admite que a maré no julgamento do TSE é desfavorável ao presidente Michel Temer. Se antes já havia um “script” mais ou menos definido, dizem seus aliados, no qual valeria a tese da separação das contas, o que salvaria Temer da cassação, agora o cenário “está em aberto”. Ministros que tendiam a votar pela absolvição de Temer, como Napoleão Nunes Maia, podem agora estar na direção contrária, admitem governistas.

Antes de divulgado o áudio da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer, a tendência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era condenar a ex-presidente Dilma Rousseff e absolver Temer. A maioria dos ministros acreditava que não era papel da Corte agravar ainda mais a crise política e econômica. Depois da delação da JBS, os ministros começaram a fazer nova avaliação. Mesmo sem a inclusão das novas provas no processo, ficou insustentável absolver o presidente na sessão marcada para o próximo dia 6.

Temer já enfrenta perda de apoio no Congresso

Resistência ao presidente dificulta votações e provoca tumulto no Senado

Para não ser derrotado, governo manobra e inverte pauta de votações na Câmara; senadores da base e da oposição brigam em debate sobre reforma trabalhista; parlamentares já discutem nomes para crise

Investigado em inquérito no STF por corrupção, obstrução de Justiça e organização criminosa, o presidente Temer já enfrentou dificuldades no primeiro dia de votações após a delação dos donos da JBS. O enfraquecimento político ficou claro na Câmara, onde, para não ser derrotado, o governo teve de inverter a pauta e começar votando a MP que autoriza saques de contas inativas do FGTS, que tem apoio da oposição. O texto foi aprovado em meio a gritos de “Fora, Temer”. No Senado, o clima de guerra foi na Comissão de Assuntos Econômicos, onde, com ameaças entre parlamentares, Tasso Jereissatti deu como lido o relatório de Ricardo Ferraço sobre a reforma trabalhista. Embora não admitam publicamente, líderes da base já discutem um nome de consenso para substituir Temer.

Governo sitiado

Aos gritos de ‘Fora, Temer’, resistência ao presidente cresce no Congresso até em votações simples

Cristiane Jungblut, Barbara Nascimento e Leticia Fernandes | O Globo

BRASÍLIA - O enfraquecimento político do governo foi evidenciado ontem no Congresso no primeiro dia de votações desde que veio à tona a delação da JBS atingindo em cheio o presidente Michel Temer. Para evitar os riscos de não aprovar nenhuma matéria, deixando explícito o imobilismo político do país, o governo foi obrigado a fazer manobras nas duas casas legislativas. Na Câmara, o Planalto precisou inverter toda a pauta de votação para colocar como primeiro item a apreciação da popular medida provisória que permite ao trabalhador brasileiro sacar o FGTS de contas inativas — que tinha até apoio de ferrenhos oposicionistas. No Senado, atropelou para considerar lido o relatório sobre a reforma trabalhista.

Base aliada vê desfecho próximo e já se prepara para o pós-Temer

PSDB e DEM avaliam que presidente pode influir na própria sucessão

Júnia Gama e Catarina Alencastro | O Globo

-BRASÍLIA- A base aliada do presidente Michel Temer já pensa no dia seguinte à possível vacância da Presidência da República e inicia negociações e estratégias para a sucessão via eleições indiretas. Para pessoas próximos a Temer, ganhou força a visão de que o processo de cassação da chapa presidencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a saída honrosa de que o peemedebista precisa para deixar o cargo.

O julgamento está previsto para começar no dia 6 de junho e é, nos bastidores, a principal aposta de integrantes da base, principalmente do PSDB, que consideram a permanência de Temer insustentável.

Oposição sem bússola

Lydia Medeiros | O Globo

A oposição perdeu o rumo (e os modos) nos últimos dias. Briga por eleições diretas, mas tem emissários nas discussões para a definição de um substituto para Michel Temer numa eleição indireta. 

No Senado, em nome dos trabalhadores, interrompeu aos gritos e com truculência a sessão de uma comissão que tratava da reforma trabalhista. Não adiantou. Já na Câmara, para tentar impedir qualquer vitória do agonizante governo Temer, obstruiu, sem sucesso, a votação de medida provisória que permite o saque das contas de FGTS — o dinheiro dos trabalhadores. 

E, um dia depois de Lula ser alvo da sexta denúncia por lavagem de dinheiro e corrupção, Renato Duque, o ex-diretor da Petrobras, divulgou fotos que comprovam encontros com o ex-presidente.

PSDB e DEM fazem apostas pós-Temer

Partidos debatem nome comum para o lugar do presidente capaz de barrar eleição direta

Vera Rosa | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O agravamento da crise política fez o PSDB e o DEM intensificarem as articulações de bastidores na tentativa de barrar a possibilidade de eleição direta para substituir o presidente Michel Temer.

Em conversas reservadas, dirigentes das duas siglas avaliam que, caso a coalizão de apoio a Temer não apresente uma alternativa de poder, o movimento por “diretas já” pode ganhar força, com “risco” de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar ao Palácio do Planalto.

Nesta terça-feira, 23, a base aliada conseguiu adiar a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara do relatório favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das eleições diretas para o caso de vacância da Presidência. O projeto, mais tarde, foi retirado da pauta.

Adiamento | Fernando Pessoa

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Maria Rita - Globo de Ouro

terça-feira, 23 de maio de 2017

Opinião do dia – Geraldo Alckmin

"Neste momento acho que não seria correto para com o país, em razão de um fato, sair. Vamos ver os desdobramentos desse fato e qual a solução. Temos que participar, ajudar na solução.

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Geraldo Alckmin é governador de S. Paulo, Valor Econômico, 23/5/2017

Temer recua em pedido de suspensão de inquérito

Temer recua de pedido para suspender inquérito contra ele no Supremo

Defesa de presidente se diz atendida com decisão do STF para que seja realizada perícia em áudio e apresenta análise própria

Isadora Peron e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O advogado Gustavo Guedes afirmou nesta tarde de segunda-feira, 22, que a defesa do presidente Michel Temer entrou com um novo pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o inquérito contra o peemedebista não seja mais suspenso. A declaração foi dada após um encontro com o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na Corte.

Segundo Guedes, a defesa se sentiu atendida com o deferimento do pedido para que fosse realizada uma perícia no áudio da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS. “Eu vim dizer (a Fachin) que, diante desse deferimento, não víamos mais a necessidade de suspender o processo e que o presidente quer que esse assunto seja resolvido o mais rápido possível”, disse.

Risco de derrota no STF dita mudança de estratégia de Temer

Recuo em relação a pedido no Supremo ocorre após governo avaliar que decisão desfavorável no plenário poderia decretar fim do governo

Vera Rosa e Beatriz Bulla | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A mudança da estratégia jurídica de Michel Temer começou a ser discutida no fim de semana, quando o presidente percebeu que um julgamento desfavorável do pedido de suspender o inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) poderia ser uma sentença de morte e decretar o fim antecipado de seu governo.

Depois que as cúpulas do PSDB e do DEM tomaram o veredicto do plenário do STF – antes marcado para amanhã – como parâmetro para a decisão de permanecer ou não na base aliada, Temer viu que a tática até então estabelecida havia se tornado uma armadilha.

Governo desarma a própria armadilha

Marcelo de Moraes | O Estado de S.Paulo

Depois de se recuperar do impacto gigantesco causado pela delação dos executivos da JBS, o governo conseguiu um mínimo de reorganização nas últimas 48 horas. Foi o suficiente para enxergar que tinha montado uma armadilha contra si próprio, ao apresentar recurso no Supremo pedindo a suspensão do inquérito contra o presidente Michel Temer.

Perito contratado por Temer diz que áudio deveria ser 'jogado no lixo

Perito contratado por Temer diz ter certeza de que PF vai identificar falhas técnicas

Ricardo Molina afirma que espera que Polícia Federal siga 'rumo normal de uma conclusão pericial'

Carla Araujo e Renan Truffi | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O perito Ricardo Molina, contratado pela defesa do presidente Michel Temer para questionar os áudios gravados pelo executivo da JBS, Joesley Batista, e que respaldam o pedido de inquérito contra o presidente, disse na noite desta segunda-feira, 22, que tem certeza de que a Polícia Federal vai identificar falhas técnicas no material e que do ponto de vista técnico a gravação não pode ser considerada autêntica. “Eu tenho certeza de que a Polícia Federal vai ver isso.”

'Não podemos jogar o País numa aventura', diz Jereissati

Presidente do PSDB evita falar sobre permanência do partido no governo, mas afirma que julgamento no TSE de chapa seja 'mais relevante'

Vera Rosa | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse nesta segunda-feira, 22, que as delações da JBS contêm “denúncias gravíssimas”, com desdobramentos imprevisíveis. Tasso evitou ser taxativo quanto à permanência do PSDB na base aliada do presidente Michel Temer, mas afirmou ser preciso afastar uma “aventura” no País.

“Num momento como este, não podemos jogar o País numa aventura”, insistiu o tucano. Antes de ser informado de que Temer havia mudado sua estratégia jurídica, desistindo do pedido de suspensão do inquérito contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), Tasso mostrou desapontamento ao saber que a Corte não iria mais julgar o caso nesta quarta-feira, 24.

'Se quiserem disputar as eleições, se preparem em 2018', diz Jucá em defesa de Temer

Líder do governo no Senado afirma que presidente não vai renunciar porque 'não há motivo para renúncia'

Julia Lindner e Isabela Bonfim | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), fez nesta segunda-feira, 22, o seu primeiro pronunciamento no plenário após a crise envolvendo o presidente Michel Temer. Ele reforçou que Temer não irá renunciar "porque não há motivo para renúncia". "O cargo de presidente da República não vai ficar vago. Se as oposições quiserem disputar as eleições, se preparem para disputar as eleições em 2018, dentro do calendário constitucional", declarou na tribuna.

Jucá contou que passou o final de semana conversando com Temer e que ele não tem medo das investigações. O líder do governo avaliou ainda que o presidente respondeu "com firmeza" as questões que foram colocadas nos últimos dias. Temer é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Áudio é imprestável, diz perito de Temer; defesa retira recurso

Contratado por Temer, Molina diz que áudio não pode ser usado como prova

BRASÍLIA - Contratado pela defesa de Michel Temer, o perito Ricardo Molina disse nesta segunda-feira (22) que a PGR (Procuradoria-Geral da República) é "ingênua" e "incompetente" ao utilizar a gravação de uma conversa entre Joesley Batista com o presidente como prova para abrir um inquérito contra o peemedebista.

Segundo o perito, o gravador usado pelo empresário da JBS é "vagabundo" e "não é possível" garantir que a gravação seja "autêntica", portanto, argumenta Molina, o áudio não pode ser utilizado como prova judicial.

"O que tem no laudo [da PGR sobre a gravação] é coisa de gente que não sabe mexer em áudio", disse o perito. "Não vou citar nomes, mas conheço quem assina [o documento da PGR] e, se colocarem eles aqui na minha frente, vão começar a gaguejar".

No documento apresentado pela PGR é dito que a gravação foi analisada de forma "preliminar, submetido a oitiva sob a perspectiva exclusiva de percepção humana". "Nesse contexto, o objetivo do trabalho foi verificar se os diálogos existentes nos áudios estão inteligíveis e, se numa análise meramente perfunctória, os arquivos possuem ou não características iniciais de confiabilidade".

PGR busca focar denúncia contra Temer em propina entregue a assessor

Letícia Casado, Reynaldo Turollo Jr. Fábio Zanini | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A PGR (Procuradoria Geral da República) busca denunciar o presidente Michel Temer ao STF (Supremo Tribunal Federal) com base na mala de dinheiro entregue pela JBS ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e na relação de Temer com o coronel João Baptista Lima Filho, citado nas delações.

Segundo a Folha apurou, procuradores consideram que a gravação da conversa entre Temer e o empresário da JBS Joesley Batista, feita em 7 de março no Palácio do Jaburu, é dispensável para a continuidade do processo.

Temer desiste de suspender inquérito no STF

Gustavo Uribe, Bruno Boghossian, Daniel Carvalho, Letícia Casado | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Ao mesmo tempo em que desistiu de pedir no Supremo Tribunal Federal a suspensão do inquérito aberto contra ele após as delações do grupo JBS, Michel Temer recrudesceu o esforço para tentar, no Congresso, se reerguer da pior crise de seu governo.

O presidente mobilizou líderes de partidos governistas e pediu empenho para aprovar, nas próximas duas semanas, um pacote de medidas econômicas que consigam recuperar o apoio de organizações da sociedade civil e do mercado financeiro.

A defesa de Temer pedia ao STF a suspensão da investigação –sob suspeita de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa– enquanto não fosse feita uma perícia na gravação de uma conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista em que,
segundo a Procuradoria-Geral da República, o peemedebista dá aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Temer desiste de suspender inquérito e ataca gravação

Perito contratado pelo presidente tenta desqualificar fita de dono da JBS

OAB prepara pedido de impeachment e afirma que, independentemente de ter havido ou não edição na gravação da conversa no Jaburu, o diálogo entregue ao MP indica que Temer cometeu crime de responsabilidade

Depois de apostar tudo no julgamento que o Supremo faria na quarta-feira, o presidente Temer desistiu de seu pedido de suspensão do inquérito aberto contra ele. Para evitar uma debandada de aliados a partir de quarta, caso o STF mantivesse o inquérito, Temer reforçou a estratégia de tentar desqualificar o áudio de sua conversa com Joesley Batista, gravada pelo dono da JBS. Contratado pela defesa do presidente, o perito Ricardo Molina disse que a fita tem 70 “pontos de obscuridade” e é “imprestável” como prova judicial, além de afirmar que o MP foi “ingênuo e incompetente”. Outros peritos, como George Sanguinetti e Nelson Massini, contestaram Molina e disseram que, apesar de ruídos e interferências, fica evidente que não há edições na gravação. O presidente da OAB, Claudio Lamachia, anunciou a formalização do pedido de impeachment de Temer e afirmou que, independentemente de ter havido ou não edição no áudio, a conversa indica que o presidente, que não negou a conversa nem os assuntos tratados, cometeu crime de responsabilidade. A OAB cita dois trechos: quando o dono da JBS diz ter a favor dele dois juízes e um procurador, sem que Temer o repreendesse ou denunciasse, e quando Joesley pede ajuda para resolver pendências no Cade.

Temer aciona plano B

Presidente desiste de pedir fim de inquérito após STF condicionar julgamento a laudo da PF

Carolina Brígido e Cristiane Jungblut | O Globo

-BRASÍLIA- Sob risco de ser derrotado no Supremo Tribunal Federal, o presidente Michel Temer mudou de estratégia. Depois de, no sábado, anunciar pedido para suspender inquérito aberto para investigá-lo, ontem Temer desistiu da ideia. A defesa do presidente avisou ao relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin, que não será mais preciso submeter ao plenário do STF o pedido de paralisação da investigação sobre as acusações feitas pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS. Os advogados recuaram por receio de manchar ainda mais a imagem do presidente em meio à crise. Fachin levaria o pedido para a votação do tribunal. Muitos ministros já tinham decidido votar pela continuidade das investigações, o que enfraqueceria Temer ainda mais.

Para perito contratado por Temer, gravação de Joesley é ‘carne podre’

Ricardo Molina afirmou ainda que PGR é incompetente para análise

André de Souza e Jailton de Carvalho | O Globo

-BRASÍLIA- O perito Ricardo Molina apresentou ontem o resultado de uma perícia segundo a qual a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, em conversa com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, deveria ser jogada no lixo. Contratado pela defesa de Temer, Molina disse que há mais de 50 pontos com problemas, o que indica que houve edição e que a gravação está “nitidamente corrompida” .

Foi esse áudio, captado por Joesley sem o conhecimento de Temer, que levou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abrir um inquérito contra o presidente por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa. Na última sexta-feira, numa avaliação parcial, Molina disse concordar com a Procuradoria-Geral da República (PGR), autora do pedido de investigação, que disse haver uma sequência lógica na conversa.

Aliados veem em julgamento do TSE dia-chave

Governo dá início a estratégia para demonstrar força no Congresso e combater desgaste causado por denúncia

Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut, Eduardo Barretto, Eduardo Bresciani e Junia Gama | O Globo

-BRASÍLIA- Apesar de ter aberto mão da antecipação de seu dia D no Supremo, ao desistir do recurso para suspender o inquérito aberto contra ele, os principais partidos da base já consideram que dentro de duas semanas haverá outro diachave para o governo: o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa presidencial Dilma-Temer. Se cassada a chapa, Temer tem que deixar o cargo de presidente. Para tentar ganhar força até lá, o governo deu início ontem a uma estratégia para demonstrar força no Congresso para aprovar medidas econômicas importantes.

— A situação continua da mesma forma intranquila e de insegurança enorme. Temos que sentir rapidamente se há ambiente para continuar votando as reformas. Mas tem outra data chave: o dia 6 de junho. Acho que estamos nas mãos dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Se eles decidirem caçar a chapa é um indicativo de que esse governo perdeu a sustentação — avaliou o deputado Marcos Montes, líder do PSD.

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), foi cuidadoso ao ser indagado se o partido manteria o apoio ao governo e disse que o melhor, para os tucanos, é acompanhar as decisões judiciais do STF e pelo TSE. Nos bastidores, caciques do PSDB apostam na cassação da chapa presidencial junto ao TSE como saída honrosa para que Temer deixe a Presidência da República.