quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Investida contra Banco Master deve ir até o fim

Por o Globo

Investigação não pode esmorecer — e deveria tramitar da forma mais transparente possível

As autoridades não podem baixar a guarda nas investigações que apuram as suspeitas de fraudes que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Com autorização do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira a segunda fase da Operação Compliance Zero em endereços ligados a Vorcaro, a seus parentes e a outros empresários. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e sequestrados ou bloqueados bens e valores de mais de R$ 5,7 bilhões. A investigação precisa ir até o fim — e deveria tramitar da forma mais transparente possível, e não sob sigilo.

Ideias de Haddad na saída do cargo. Por Míriam Leitão

O Globo

Perto de deixar a pasta, ministro faz balanço da gestão, responde às críticas fiscais, fala sobre Banco Master e sucessão no Ministério da Fazenda

O ministro Fernando Haddad disse que, apesar de o caso Master ser assunto do Banco Central, acabou afetando também a Fazenda de diversas formas. Numa delas, o ex-presidente da CVM foi à casa dele relatar as pressões que estava sofrendo, e Haddad levou o tema ao procurador-geral da República. Afirmou que um terço do Fundo Garantidor de Crédito é formado por aportes de dois bancos públicos, Caixa e Banco do Brasil. Além disso, tem questões tributárias. “O risco é de um banco comprar o outro só para usar o prejuízo fiscal que poderia ser de dezenas de bilhões de reais”. Por fim, com o estouro do caso Carbono Oculto, o tema passou a envolver diretamente seu ministério.

O bolso e a religião. Por Julia Duailibi

O Globo

Evangélicos de menor renda foram os que menos apoiaram Bolsonaro, os de renda maior foram os que mais apoiaram

A pesquisa Quaest divulgada ontem mostra que o governo Lula não melhorou a aprovação entre os evangélicos, mesmo depois de sinalizações como a edição do decreto reconhecendo a cultura gospel como manifestação cultural e a indicação de Jorge Messias, integrante da Igreja Batista Cristã, para o STF. De acordo com a pesquisa, 64% desaprovam o governo, ante 31% que o aprovam. Em setembro, os números eram um pouco melhores para Lula: 61% contra 35%.

As nuvens no horizonte de Lula. Por Paulo Celso Pereira*

O Globo

Presidente não tem conseguido transformar as conquistas da vida real em crescimento expressivo de popularidade

O ano eleitoral começou com o presidente Lula colhendo boas notícias da vida real: a inflação voltou à meta, a renda do trabalho aumentou, e o desemprego atinge mínimas históricas, assim como a desigualdade e a miséria. A pesquisa Quaest divulgada ontem trouxe outras percepções do cotidiano das famílias para animar sua militância: pelo segundo mês consecutivo, a percepção de que a violência é o maior problema do país vem perdendo força, e cresce a expectativa de que a economia vá melhorar nos próximos 12 meses.

Perder ganhando. Por Merval Pereira

O Globo

Bolsonaro teme que Tarcísio não seja tão fiel quanto precisa que seja, que faça composições que não lhe agradem

Em política, muitas vezes é melhor perder do que ganhar. É preciso saber contra quem lutar, e a favor de quem. O que parece bom para a maioria dos eleitores pode não ser para os desígnios de seu líder. Parece ser o que acontece com a escolha, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de seu filho Flávio para substituí-lo na disputa presidencial deste ano. As indicações das pesquisas de opinião favorecem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que fica em empate técnico com o presidente Lula num hipotético segundo turno.

Lula mostra resiliência e Flávio inviabiliza articulação da terceira via. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A distância entre Lula e Tarcísio diminuiu de 10 pontos (45 x 35) para 5 pontos (44 x 39), mas o governador paulista não tem apoio de Bolsonaro para ser candidato.O nome dele é Flávio

A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem consolidou o que meses atrás parecia apenas um ruído de pré-campanha: Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se o principal nome da oposição no primeiro turno das eleições de 2026. Não é apenas um crescimento linear nas intenções de voto, na verdade, trata-se de um rearranjo do campo adversário ao governo, no qual o bolsonarismo deixa de ser apenas uma memória eleitoral e volta a operar como centro de gravidade político, capaz de organizar o voto antipetista e, ao mesmo tempo, comprimir a direita “não bolsonarista”.

Pesquisa mostra consolidação de Flávio como adversário de Lula. Por César Felício

Valor Econômico

Levantamento também mostra força das redes sociais, principal fonte de informação para 39% dos entrevistados

primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 mostra uma consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal alternativa da oposição e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparentemente no teto da sua avaliação e intenção de voto.

Lula oscila entre 35% e 40% nos diversos cruzamentos e cenários do primeiro turno e entre 43% e 46% nos de segundo turno. Lidera sempre, mas não pode ser descrito como favorito para a eleição porque sua rejeição permanece em 54%, mesmo percentual da rodada passada.

A agenda econômica da sustentabilidade. Por Jorge Arbache

Valor Econômico

Choques geopolíticos colocaram essa agenda em segundo plano, mas ela inevitavelmente voltará ao centro por forças microeconômicas e pela intensificação dos riscos climáticos

Nos últimos anos, a agenda econômica da sustentabilidade parecia ter se consolidado como um dos eixos centrais do capitalismo contemporâneo. Energias renováveis, veículos elétricos, baterias, hidrogênio, economia circular e finanças verdes ganharam espaço nas decisões de investimento, nas políticas públicas e nas estratégias corporativas. A combinação entre regulação, inovação tecnológica, pressão social e abundância de capital criou uma trajetória de expansão que muitos interpretaram como irreversível.

UE–Mercosul: celebração agora, mais problemas depois. Por Assis Moreira

Valor Econômico

Opositores ao acordo continuam mobilizados e podem atrasar implementação dos compromissos

A hora é de celebrar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, após 26 anos de negociações. Problemas para sua implementação, porém, começarão a partir da semana que vem.

Em meio a de divisões internas entre os europeus, alguns fatores podem complicar o futuro daquele que pode se tornar o maior tratado comercial já assinado pelo bloco de 27 países — e que ajudaria suas empresas a diversificar mercados em um cenário de tensões com os Estados Unidos e a China.

Os homens probos do andar de cima. Por Nelson Niero

Valor Econômico

Mesmo que o governo mantivesse suas contas sob controle, os gestores teriam antecipado o pagamento de dividendos da mesma forma, porque a função deles é dar o melhor destino para os recursos da empresa, e não fazer política pública

O sinal foi a aprovação no fim de novembro da lei que taxou em 10% os dividendos, como compensação para isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Nunca antes na história deste país se viu uma corrida tão disputada entre as empresas para distribuir os lucros aos acionistas.

Em alta velocidade, advogados e consultores tributaristas e societários foram convocados para aplicar as estratégias que já vinham sendo montadas pelas companhias, tanto de capital aberto quanto fechadas, para antecipar a remuneração antes da entrada em vigor da lei.

Contexto que viabilizou a ‘frente ampla’ não existe mais. Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

“Sem uma ameaça crível à democracia e sem disposição do próprio presidente para acomodar interesses e visões fora de seu campo histórico, a tentativa de reeditar aquela coalizão em 2026 soa menos como estratégia política e mais como nostalgia eleitoral”

Voltou a ganhar força a ideia de que, diante de riscos políticos e geopolíticos elevados, a esquerda deveria reeditar uma ampla frente democrática sob a liderança de Lula nas eleições de 2026. A tese se ancora no sucesso eleitoral de 2022, quando uma coalizão excepcional conseguiu derrotar Jair Bolsonaro. O problema é simples e incontornável: o contexto que viabilizou aquela aliança não existe mais.

Escolhas do passado. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

O Brasil tem pouco a dizer e por isso mesmo é pouco ouvido em duas crises atuais que envolvem o País, Venezuela e Irã. A voz sem eco de uma potência média com escassa capacidade de projeção do poder é um fenômeno acentuado por escolhas de um passado não tão distante.

No caso da Venezuela foram escolhas ideológicas de Lula e sua assessoria internacional. Cuba e o “socialismo do século 21” chavista exerceram sobre o núcleo duro da política externa de Lula um fascínio traduzido em apoio político e econômico – que Maduro, curiosamente, retribuiu com pontapés.

Caso Master racha o STF. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O avanço nas investigações sobre as fraudes do Banco Master rachou o Supremo Tribunal Federal (STF). No epicentro do caso, Dias Toffoli se destaca como o relator salpicado pelo escândalo. Alexandre de Moraes também faz uma ponta no caso. Nos bastidores, ministros da Corte se dividem entre críticas e aplausos à dupla.

Em caráter reservado, um ministro avalia que condutas adotadas por Toffoli comprometem a credibilidade do tribunal. O relator impôs elevado grau de sigilo à apuração, pegou carona em um voo particular com um advogado da causa, determinou acareação de investigados durante o recesso e mandou entregar itens apreendidos no STF.

Comitê põe em xeque o pacto federativo. Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Será preciso, no ano que vem, restabelecer as bases do pacto federativo e garantir a cada ente o controle dos seus próprios tributos

A Emenda Constitucional (EC) n.º 132/2023 instituiu o novo sistema de tributação do consumo. Em diversos artigos publicados no Estadão, apontei os riscos de se adotar um imposto de duas cabeças. Não pela parte que caberá à União, a chamada Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), mas relativa ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a cargo dos Estados e municípios. A promulgação da lei complementar que institui o Comitê Gestor desse tributo, na terça-feira, deu a largada em um processo que abalará o pacto federativo.

O Brasil ante o caos mundial. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Especialistas vaticinaram um período de grande volatilidade nas relações entre países

Existem estados intermediários, como o Brasil, com aspirações internacionais próprias

Não há como exagerar a capacidade de Donald Trump para espalhar a destruição dentro e fora das fronteiras dos EUA. Tampouco cabe subestimar a disposição e os recursos com os quais conta para investir contra a democracia em seu país e contra as regras que tratam de conter o uso da força bruta nas relações internacionais.

Onde tudo isso vai dar ninguém sabe ao certo e a experiência passada não ajuda lá essas coisas. O mundo de hoje é mais conectado pelo comércio, investimentos, finanças, as comunicações e o movimento de pessoas.

Os influenciadores do Banco Master e do Tarcísio. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Não é de se espantar que redes digitais de influência sejam procuradas ou para espalhar desinformação ou para fazer propaganda disfarçada

A estratégia investigativa de refazer o caminho do dinheiro para verificar eventuais ilegalidades é prejudicada pela teia de intermediários contratuais neste mercado

No mundo invertido em que os três maiores jornais do país somam menos de 1,5 milhão de assinantes digitais enquanto perfis de fofoca nas redes sociais ultrapassam, alguns deles, 25 milhões de seguidores, não é de se espantar que redes digitais de influência sejam procuradas ou para espalhar desinformação ou para fazer propaganda disfarçada de notícia. Os casos do governo Tarcísio de Freitas e do Banco Master mostram a dificuldade de se escrutinar o mercado digital da influência e, em especial, quem paga por ele.

Depois da pressão no BC, Toffoli escolhe a PF como alvo. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Ministro do STF dá um pito público na corporação ao exigir explicações em 24 horas do chefe da polícia

Não surpreende que tenha muita gente bem-informada do caso em Brasília que veja nos recentes movimentos do ministro o início de uma virada

O ministro Dias Toffoli resolveu dar um pito público na Polícia Federal ao exigir explicações em 24 horas do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, por uma alegada demora no cumprimento dos prazos determinados por ele para colocar na rua a 2ª fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes praticadas pelo banco Master.

Criação do rolo do Master precisou de muito criminoso que ainda está no armário. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Fraudes com fundos de investimento exigiam consultoria técnica especializada

Há mais Reags e fundos podres por aí? CVM tem condição técnica e política de operar?

Certos negócios do Banco Master e suas ramificações são complicados até para quem trabalha no mercado financeiro. Não se trata aqui de estratégias geniais de investimento, mas de conhecimento técnico de como fazer mágicas e milagres para driblar a regulação, inflar dinheiros ou fazê-los desaparecer em uma cartola.

Não é coisa de amador pequeno, Quem são? Talvez venhamos a ter algumas respostas, agora que o empresário Nelson Tanure entrou na rede da investigação.

Leblon de Manoel Carlos. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Para alguns leitores, é o bairro da futilidade; para seus moradores, é quase uma província

É também o refúgio dos escritores; aqui já fui vizinho de Callado, Rachel, João Ubaldo, Rubem Fonseca

De seus 92 anos de bonita vida, encerrados no sábado (3), Manoel Carlos morou 60 no Leblon. Digo bonita porque dedicou-a a gerar pessoas em sua imaginação, soprar-lhes alma e botá-las para andar, amar, sofrer, trabalhar, ter prazer e morrer —enfim, o receituário comum ao ser humano. Tudo isso num veículo que ele ajudou a tornar respeitável: a novela de TV. E, desde que morador do Leblon, nunca situou suas histórias em outro cenário.

A Identidade Artística e a Memória. Por Guto Rodrigues

É emocionante, na conversa do Hamilton de Holanda, músico de destaque da MPB, com o Derico, do quinteto do Jô Soares, ele cita o nosso jovem Djedah, genial violonista. Realçam não só a qualidade do artista, mas a busca do jovem artista por sua identidade amazônica, sua consciência da memória e de sua história. 

Podemos dessa conversa, também nos mirarmos na conquista do Globo de ouro, em que Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura foram vencedores, com o filme O Agente Secreto, melhor filme, em língua estrangeira e melhor ator. 

Poesia | Extravio, de Ferreira Gullar

 

Música | Vinicius de Moraes e Baden Powell - Samba em Prelúdio

 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Opinião do dia - Giuseppe Vacca*

“Não há dúvida de que as “ideologias” têm para Gramsci peso maior do que para qualquer outro pensador marxista, mas afirmar que “tornam-se o momento primário da história” equivale a inserir seu pensamento nos quadros conceituais da “filosofia do espírito” de Benedetto Croce. É verdade que Bobbio aplica ao pensamento gramsciano um paradigma dicotômico (estrutura/superestrutura) que não se lhe adapta. A “distinção entre sociedade política e sociedade civil” – escreve Gramsci – é uma “distinção metodológica”, não “orgânica”. “Sociedade civil e Estado se identificam na realidade dos fatos”. É um dos trechos mais conhecidos do Caderno 13, no qual Gramsci polemiza com o liberalismo porque, considerando “orgânica” o que deveria ser uma distinção “metodológica”, contrapõe o mercado ao Estado, ignorando que “também o liberismo é uma ‘regulamentação’ de caráter estatal, introduzida e mantida por via legislativa e coercitiva”[1]. Além disso, para Gramsci, a distinção entre estrutura e superestrutura é de caráter “metodológico”, tanto que a “metáfora arquitetônica”, em certo momento, cede o passo a outras conceituações.

*Giuseppe Vacca, Modernidades alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267


[1] A. Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula tenta se eximir de responsabilidade na segurança

Por O Globo

Por conveniência, Planalto resiste a criar ministério e ameaça abandonar PEC que amplia o papel federal

São frustrantes os sinais de que o Palácio do Planalto pretende desistir da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, um dos dois principais projetos do governo federal na área (o outro é a legislação antifacção). A ideia de engavetar a PEC passou a ser cogitada devido a dificuldades para aprová-la no Congresso, diante de divergências com parlamentares e governadores, especialmente do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O governo considera que o texto em tramitação, relatado pelo deputado Mendonça Filho (União-PE), foi desfigurado e se afastou do propósito original.

2026 e o grande teste para a imprensa. Por Vera Magalhães

O Globo

A desqualificação sistemática do jornalismo profissional, tratado como inimigo, tornou-se parte do repertório eleitoral

Em 2026, enquanto o Brasil se prepara para mais uma eleição presidencial em ambiente de alta polarização e o mundo assiste perplexo ao embaralhamento da ordem multipolar por parte de Donald Trump, o jornalismo atravessa um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. Não se trata apenas de uma revolução do modelo econômico ou tecnológica. É uma disputa aberta pela credibilidade da informação, com impacto direto na preservação da democracia.

A viagem do Zero Um. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Senador tentou foto com Marco Rubio, mas teve que se contentar com Paulo Figueiredo

em busca de uma foto com Marco Rubio. Teve que se contentar com uma visita ao blogueiro Paulo Figueiredo.

A viagem do Zero Um resultou num fiasco. O senador queria mostrar que a família ainda tem prestígio na Casa Branca. Só conseguiu ser recebido pelo deputado e ex-lutador Jim Jordan, da extrema direita do Partido Republicano.

No ano passado, os filhos de Jair apostaram numa intervenção trumpista para livrar o pai da cadeia. A ilusão durou pouco. O Supremo resistiu aos ataques e condenou o ex-presidente a 27 anos de prisão. Donald Trump se aproximou de Lula, revogou o tarifaço e deixou Eduardo Bolsonaro falando sozinho.

A cocaína passou pelo Brasil. Por Elio Gaspari

O Globo

A polícia espanhola anunciou que, na primeira semana de janeiro, interceptou um navio (com jeito de ferro-velho) que transportava cerca de 10 toneladas de cocaína, escondidas em 294 caixas debaixo de um carregamento de sal. O barco tinha a bandeira da República de Camarões, e sua tripulação de 13 pessoas era composta por sérvios e indianos. Em dezembro, o barco havia passado por portos brasileiros. Ele foi abordado pelos espanhóis em alto-mar. Sem combustível, teve de ser rebocado até o Porto de Tenerife.

Essa foi a maior apreensão de cocaína em alto-mar. Segundo as autoridades espanholas, a operação resultou da cooperação das polícias de Estados Unidos, França, Portugal e Brasil.

Enforcamento de jovem Erfan pode acelerar derrubada do regime xiita iraniano. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Imagens de enforcamentos, necrotérios improvisados e repressão aberta elevam o custo moral e político de manter relações “normais” com Teerã. O Brasil terá de se reposicionar

A execução do jovem Erfan Soltani, 26 anos, na forca, hoje, sob acusação de terrorismo, pelo regime do aiatolá Ali Khamenei, 86, tem potencial para piorar a mais grave crise enfrentada pela República Islâmica desde 1979. A morte de um manifestante não é novidade na longa história de repressão do Estado teocrático iraniano. Mas há momentos em que um único corpo, pendurado em praça pública, condensa o medo, a indignação e a ruptura moral de uma sociedade que já não aceita ser governada pela combinação da moralidade religiosa, vigilância militar e miséria econômica.

Um mundo de múltiplas ordens. Por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Três delas são lideradas pelos EUA, Rússia e China, enquanto uma quarta poderá ter a liderança de Turquia, Arábia Saudita ou Irã

A intervenção de fato dos Estados Unidos na Venezuela nos coloca novamente diante de uma divisão geopolítica em que poucos países exercem dominância não só econômica, mas militar e territorial, sobre vastas regiões de sua influência. O economista Joseph Stiglitz chama de “nova era do imperialismo” os movimentos recentes. Outros preferem “novo imperialismo”, termo que se confunde com a denominação histórica atribuída aos fatos ocorridos nas últimas três décadas do século XIX, quando países europeus, o Japão e mesmo os EUA decidiram “tomar conta” de pedaços dos continentes africano e asiático.

Mundo corre para dissociar-se do risco americano. Por Edward Luce

Valor Econômico |   Financial Times

Não há precedentes de que uma potência dominante abandone sua primazia, como Trump vem fazendo

Até recentemente, o mundo acreditava que uma dissociação entre EUA e China estava a caminho. O que ocorre agora, no entanto, é que a maioria dos países está correndo para dissociar-se dos riscos americanos. Como podem atestar o presidente do banco central dos EUA, Jay Powell ou a Dinamarca, um dos aliados mais leais dos EUA, tentar acalmar Donald Trump só te leva até certo ponto. Pode te ajudar a comprar tempo, mas não substitui a necessidade de proteção contra uma superpotência que saiu da linha. Estamos, portanto, nos primeiros estágios da aceleração do processo de redução da exposição a riscos dos EUA.

Nixon, és tu? Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O receio dos investidores é de que o Fed se dobre diante da pressão de Trump para cortar os juros

O presidente Donald Trump está prestes a anunciar o nome de quem vai, a partir de maio, substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed), o banco central considerado o bastião da estabilidade de preços nos Estados Unidos, e, por tabela, da liquidez mundial, além de ser o paradigma de independência da política monetária.

A pulsão de Trump é totalitária. Por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Pulsão do presidente dos EUA é totalitária, não apenas autoritária, o que implica em experiência desestruturante

Negar fascismo de Trump cria mais problemas do que resolve

Uma coluna no jornal The New York Times, de autoria de Michelle Goldberg, faz uma admissão importante: a de que estiveram certos aqueles que durante todos estes anos defenderam a tese de que Donald Trump representa um tipo de fascismo do século 21.

O argumento, que pode ser estendido a muitos dos aliados e imitadores de Trump, repousa no fato de que os críticos da tese foram sempre argumentando que faltavam dois elementos essenciais para poder considerar Trump fascista: a existência de uma milícia violenta e a emergência de uma retórica internacional agressiva expansionista.

Solta, Trump vai explodir o dólar. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Líderes da banca querem conter ataque contra independência do Banco Central americano

Trumpismo é força bruta na política e tentativa de fazer a vontade do rei na economia

Donald Trump quer dominar o Fed, o banco central dos EUA. Imagina que pode mandar na economia, sem mais —em juros, preços, dívida, empresas. Tudo não passaria de mera política, da vontade do rei. Imagina ainda que pode, sem mais, usar pura força na política mundial.

No limite, interessados, ofendidos e humilhados tendem a reagir. Na economia, com descrédito progressivo, em algum momento abrupto, do dólar e do mercado americano, onde está o grosso da poupança mundial. Na política, países vão pensar em coalizões de defesa e em ter bomba atômica.

A batalha real de 2026 será pelo Senado. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

A próxima eleição decisiva do país pode não ser para presidente, mas para o Legislativo

Maioria no Senado permite que se avance uma agenda independentemente de quem governe

A próxima eleição decisiva no país será a batalha pelo Senado. O argumento parece esquisito, mas é preciso considerar duas coisas. A primeira é que, desde 2018, houve uma virada ideológica no voto brasileiro, na direção da direita radical.

Aquele centrão descrito como pragmático, disposto a trocar votos por cargos e grana, é hoje apenas uma ficção na cabeça dos jornalistas. O voto que deu bancadas a partidos como PL, Progressistas, União Brasil e Republicanos não é transacional; é ideológico e de matriz bolsonarista. Os detentores desses mandatos precisam provar, o tempo todo, fidelidade à base que os elegeu. O pragmatismo residual migrou para um espaço muito mais estreito, ocupado sobretudo pelo PSD, que não é centrão. O resto opera sob vigilância ideológica permanente.

O absurdo assume o poder. Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Universidade texana censura professor de filosofia e o impede de discutir diálogo de Platão

'O Banquete' afirma que humanos não são binários e isso seria ideologia de gênero, proibida por lei

"Reductio ad absurdum" é uma técnica argumentativa pela qual se busca refutar uma tese mostrando que sua aceitação leva a conclusões ilógicas, contraditórias ou absurdas. Já me vali algumas vezes desse recurso para criticar raciocínios, tanto por parte da direita como da esquerda, que desembocam em censura. Em mais de uma coluna afirmei que, a prevalecer esse tipo de pensamento, logo proibiríamos Aristóteles. Ele, afinal, defendia a escravidão.

BC oferece saída à francesa ao TCU. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Instituição financeira deu ao Tribunal de Contas a chance de sair de uma confusão em que nunca deveria ter entrado

No meio das suspeições sobre blindagem do Banco Master ainda restam o Supremo Tribunal Federal e o Congresso

O desfecho da reunião entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União, relatado por Vital do Rêgo Filho, deixou a nítida impressão de que o BC deu ao TCU a chance de sair de uma confusão em que nunca deveria ter entrado.

Uma saída mais ou menos honrosa: ficou combinada uma inspeção supervisionada que em nada muda a decisão técnica da liquidação do Banco Master, mas serve para o órgão auxiliar do Poder Legislativo reduzir os danos provocados pelo esquisito afã do ministro relator, Jhonatan de Jesus, em questionar o BC.

Haddad elogia BC e diz que caso Master pode ser 'maior fraude bancária do país'

Por Bruno Lessa / O Globo

Ministro elogiou atuação do Banco Central e disse que estar 'absolutamente seguro' do trabalho de Galípolo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que a pasta tem dado "todo o respaldo institucional" ao Banco Central no processo de liquidação do Banco Master. Segundo ele, o caso pode ser a "maior fraude do país".

– O caso inspira muito cuidado, nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Temos que tomar todas as cautelas devidas com as formalidades, garantindo evidentemente todo o espaço para a defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público – afirmou.

O titular da equipe econômica disse que tem falado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e elogiou o trabalho da autoridade monetária.

François Maspéro. Por Ivan Alves Filho

Aquela era uma livraria mítica, incrustada no coração do célebre Quartier-Latin de Paris, palco de tantas lutas memoráveis ao longo da História da França e da própria Humanidade. Estou me referindo à Joie de Lire, de François Maspéro

Filho e irmão de resistente antinazista, militante do Partido Comunista Francês (PCF), Maspéro praticamente dominou a cena editorial progressista da França do pós-guerra ao seu falecimento. Mais tarde, romperia com o PCF, passando a professar simpatias pelo movimento trotskista, relativamente forte na França.

Poesia | Não Desistas, de Mario Benedetti

 

Música | Chico Buarque - As Vitrines