O Globo
A divulgação dos documentos de outubro do ano
passado e de janeiro passado que continham o que seriam as condições para a
abertura de negociações comerciais com o Brasil mostra algo inquietante: a
diplomacia americana perdeu o foco, virou assembleia estudantil.
O conjunto de condicionantes virou um terreno
baldio, fica a impressão de que os diversos lobbies de Washington passavam pelo
rascunho e jogavam seus pleitos. A Boeing quer que as empresas aéreas
brasileiras só comprem seus produtos. As big techs querem continuar fazendo o
que bem entendem e os plantadores de soja querem que o Brasil ajude a
“estabilizar o comércio mundial de soja”. Traduzindo: querem que o agro
brasileiro ajude a turma da soja americana.
As propostas americanas foram rechaçadas, até
porque essas negociações não podem ser conduzidas como pacotes. Cada item é um
item e conversa-se devagar. Lidos de uma vez, parecem um instrumento de
capitulação.
Os itens que tratam da próxima eleição
brasileira são de uma ignorância abissal, como se em Pindorama houvesse um
candidato prometendo melar o pleito.
A diplomacia americana já foi outra, ela dava
pouco espaço ao improviso, ajudava os lobbies, porém mantinha a elegância.
A diplomacia trumpista é arrogante e vazia. O melhor que se pode fazer nesses casos é ficar longe. Bater boca não adianta nada e tentar negociar a sério poderá ser possível, mas dará muito mais trabalho, pois não havendo foco, não haverá prioridades.







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