quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

CPI pode ajudar a esclarecer dúvidas sobre caso Master

Por O Globo

Mesmo em ano eleitoral, não se pode esmorecer na investigação de escândalo tão relevante para o país

Tem crescido no Congresso o movimento pela instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar fraudes no Banco Master. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou requerimento de CPI na Câmara e cobrou agilidade na instalação. O PT decidiu apoiá-lo. Sem aval do governo, uma proposta de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), recebeu mais de 280 assinaturas. Correndo por fora, há outra proposta de CPMI das deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (PSOL-RJ).

A fartura que vicia a elite dos servidores e azeda o voto. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Servidores do Legislativo extrapolam o teto na cola daqueles dos demais Poderes e dos parlamentares aos quais servem

Já se passava meia hora do início da discussão, na tarde de terça, do projeto de lei que criou um penduricalho para os servidores do Casa quando a deputada Julia Zanatta (PL-SC) pediu a palavra para fazer uma pergunta ao presidente da Câmara. “Passariam a ganhar mais do que um deputado, extrapolando o teto?”. Sem rodeios, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) respondeu: “Sim”.

A possibilidade de uma ‘OMC do B’. Por Assis Moreira

Valor Econômico

Unilateralismo, fragmentação e acordos preferenciais transformaram as regras multilaterais em uma peneira

A ordem comercial multilateral baseada em regras está se desfazendo, em meio a choques geopolíticos, uso do comércio como arma, tarifas de importação empregadas como instrumentos de poder, dificuldades econômicas, mudanças nas cadeias de abastecimento e avanços digitais, por exemplo.

Sem surpresa, a Organização Mundial do Comércio (OMC) vive a pior crise de sua história. Uma crise que não começa com Donald Trump. Ela é mais antiga e estrutural. O que muda com Trump é a forma como uma tensão latente passa a ser explicitada de maneira brutal.

Reunião com Lula e deputados tem clima de eleição e samba-enredo em homenagem ao petista

Por Beatriz Roscoe e Renan Truffi / Valor Econômico

Em busca de melhorar a relação com o Legislativo em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma agenda informal e de aproximação, na noite desta quarta-feira, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base aliada do governo na Casa. O encontro durou cerca de três horas e aconteceu na Granja do Torto, como é conhecida a casa de campo da Presidência da República.

Valor apurou que, apesar de o evento ter sido convocado num momento de retomada dos trabalhos no Parlamento, o clima na Granja foi muito mais de "confraternização" do que de reunião de trabalho. Para abrir a conversa, por exemplo, Lula pediu que fosse tocada a música "Disparada", de Geraldo Vandré, que ficou famosa na voz de Jair Rodrigues.

Com essa trilha sonora, Lula parafraseou o primeiro verso da canção e pediu que os deputados "abrissem o coração" para ouvi-lo. A partir daí, passou a contar histórias que viveu, por exemplo, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. "Ele ficou contando histórias, muito despreocupado com política, com a pauta [da Câmara], estava mais contando histórias da vida mesmo", relatou um parlamentar.

Não é fácil a vida de ex-presidente da Câmara para Arthur Lira. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O deputado mandou e desmandou na engenharia das emendas, organizou, arbitrou conflitos e fez da Presidência da Câmara um contrapoder que rivalizou com Planalto

O deputado Arthur Lira (PP-AL), considerado ainda o parlamentar mais poderoso da Câmara, atrás apenas de Hugo Motta, o atual presidente da Casa, que ungiu ao cargo, começa a viver uma espécie de “inferno astral” semelhante à de outros antecessores. Para quem já mandou e desmandou na distribuição de emendas parlamentares, é no mínimo constrangedor ser acareado pela Polícia Federal (PF) com o deputado José Rocha (União Brasil-BA), que o acusa de manipular emendas de comissão em benefício próprio.

Dois discursos, o mesmo tom. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Canadá e Brasil mostram papel dos países de poder médio na crise da ordem internacional

Lula anuncia suave mudança na estratégia de privilegiar coalizões Sul-Sul

Dois importantes pronunciamentos passaram batido pelo noticiário da imprensa nacional, submersa nos infindáveis desdobramentos do Banco Master e na descrição de cada movimento do xadrez da eleição presidencial. Em 20 de janeiro, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, discursou em Davos, no Fórum Econômico Mundial. Oito dias depois, foi a vez de Lula falar na abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, no Panamá. Ambos trataram dos desafios implicados na desordem mundial produzida pela desenfreada prepotência de Donald Trump.

O futuro de Haddad e a dança das cadeiras no BC. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Negociação do ministro da Fazenda com vistas às eleições passa por acertos finais com Lula

Galípolo pode mudar posições na diretoria do Banco Central para reduzir o impacto da escolha de Guilherme Mello

Prestes a deixar o cargo, Fernando Haddad vem se manifestando resistente à pressão para assumir uma candidatura em São Paulo nas próximas eleições. O ministro diz que prefere assumir uma posição na campanha de Lula e conta que está conversando com o presidente para ver "quem convence quem".

A relutância em correr o risco de uma nova derrota eleitoral para ajudar a puxar voto em São Paulo lhe confere poder de negociação com Lula sobre o seu futuro no PT e em decisões que terão de ser tomadas em breve.

Pelu fim das iscolas sívicos-militáris. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Erro de grafia no quadro escolar foi protagonizado por monitor do modelo cívico-militar

Ensino cívico-militar apenas ensina alunos a respeitar autoridade sem questioná-la

Nesta semana, alunos de uma escola estadual de Caçapava, no interior de São Paulo, aprenderam, além de comandos militares, a escrever errado as palavras "descansar" e "continência" —na lousa, viam "descançar" e "continêcia".

O erro de grafia no quadro escolar, capturado em vídeo, foi protagonizado por um dos monitores do modelo cívico-militar, no primeiro dia de implementação do programa. Nem os comandos militares, nem os erros de grafia caem no Enem, há de ser registrado.

Mudança e esperança. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

O Centrão, e o que ele significa, já garantiu vitória na eleição presidencial deste ano

O Brasil está dedicado a um curioso experimento político para provar que tudo funciona mesmo sem qualquer sentido de urgência e de vergonha. Os rituais da política não parecem levar em conta que o tempo vai agravando questões fundamentais como a das contas públicas. Ou da falta de crescimento.

O senso de pudor permanece no comportamento de alguns agentes nos três Poderes, mas em número insuficiente para compensar o corporativismo que é a marca mais evidente de um sistema político e de governo visto pelo grande público como dedicado a si mesmo. É zero a probabilidade de que isso se altere de dentro para fora.

Para alemão ver. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Corte Constitucional da Alemanha tem regras contrárias aos hábitos de ministros do STF

Do que se sabe até agora sobre o código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF), dois pontos se destacam. O primeiro: não é para agora. O mais provável é que seja aprovado, com alguma sorte, no fim do ano, depois das eleições. O segundo: as regras com potencial de conquistar maioria de votos devem ser mais genéricas do que anseia a opinião pública.

Edson Fachin tem como parâmetro o código de conduta da Corte Constitucional da Alemanha, mas são poucos os tópicos com chance de serem replicados no Supremo. Nos bastidores, a aposta dos ministros é que a versão brasileira contenha itens sobre transparência, imparcialidade e neutralidade. Afinal, quem seria contrário a esses princípios em uma República?

Reportagens incompreendidas. Por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A crítica à imprensa é sempre bem-vinda: ajuda a aguçar a sensibilidade cívica do público e qualifica a informação. Coisa distinta são os ataques autoritários contra jornalistas

Um rumorejo arrevesado espreita as melhores redações deste país. A cobertura da ruína do Banco Master, um escândalo com carradas de cifrões, talvez o maior da história bancária dos nossos pobres trópicos, deflagrou azedumes sortidos que põem em dúvida a função insubstituível dos repórteres: apurar o que está acontecendo nas órbitas do poder. O caso adquire relevância porque parte dos queixumes vem de setores que guardam compromissos reais com a causa democrática, normalmente mais propensos a valorizar e defender a vigilância exercida pelos bons jornais.

O mal-estar, disperso e descosido, alastra-se em modulações ora estridentes, ora balbuciantes, sem unidade aparente. Os argumentos, no entanto, parecem ser os mesmos, ainda que com roupagens repaginadas conforme a ocasião. Aponto aqui os três mais chamativos.

O Senado vai revogar cláusula pétrea? Por Modesto Carvalhosa, Miguel Silva e Paulo Rabello de Castro

O Estado de S. Paulo

O direito de petição constitui cláusula pétrea da Constituição e não pode ser suprimido nem pelo Congresso

De uns tempos para cá, os donos do poder em nosso maltratado país têm se dedicado a destruir os fundamentos constitucionais e institucionais da soberania do povo, regra fundadora da democracia a partir do Bill of Rights inglês de 1689.

Naquele momento histórico, ficou estabelecido o direito de qualquer cidadão se opor aos abusos e desvios de poder dos agentes do Estado: “Os súditos têm direito de apresentar petições ao rei, sendo ilegais as prisões e exações de qualquer espécie que sofram por esta causa”. Essa garantia tornou-se cláusula pétrea na fundação da moderna democracia, constando da Primeira Emenda da Constituição americana de 1791: “O Congresso não poderá fazer nenhuma lei que proíba o direito do povo de peticionar ao governo para a reparação de queixas.”

Errar por último. Por Merval Pereira

O Globo

Os ministros do STF dão valor à posição a que chegaram de maneira equivocada, não parecem ter a visão holística da importância de seus cargos para o futuro do país.

Dá tristeza ouvir da boca de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tentativas de justificar as próprias atuações no campo privado, quando lhes convém ser cidadãos comuns. São humanos, naturalmente, e podem errar. Mas se consideram acima dessas medidas, tamanho o poder que acumulam. O paradoxo está em que acreditam na frase de Rui Barbosa, segundo a qual têm o direito de errar por último, não como uma advertência, mas como uma prerrogativa.

Os imperadores romanos tinham um funcionário que os alertava sobre os perigos da vaidade excessiva quando venciam batalhas e eram ovacionados pelo povo. Da mesma maneira, os “capinhas”, aqueles funcionários do Supremo que puxam as cadeiras de Suas Excelências, poderiam ter o encargo adicional de adverti-los de que são humanos, para que não se deslumbrem com a própria imagem.

Brasília entre dois medos. Por Míriam Leitão

O Globo

Caso Banco Master: temor de acordão para abafar investigações e da escalada de conflito entre os poderes

Em Brasília, se teme um “acordão” que abafe de alguma forma as investigações do Banco Master. Em Brasília, se teme o aumento de conflito entre poderes por causa do Master. Ontem, o senador Renan Calheiros fez uma ameaça explícita a Gabriel Galípolo, afirmando que um ex-presidente do Banco Central saiu do Senado preso. “É evidente que não queremos que isso aconteça de novo”, mas “Galípolo precisa ajudar a comissão”. Dito isso, o parlamentar foi para o Banco Central se reunir com ele. Ouviu que, do ponto de vista bancário, deveria ser uma liquidação simples e que a causa de tanta atenção ao tema sugere que é um problema criminal. Renan saiu dizendo que vai querer todas as informações, inclusive as sigilosas.

Sem mocinhos no caso Master. Por Julia Duailibi

O Globo

Era muita gente pedindo pelo banco. Vorcaro criou uma rede de contatos considerável

O salvador da pátria é figura valorizada no imaginário brasileiro, mas, no caso envolvendo o Master, está difícil encontrar alguém que se encaixe no papel. O avanço das investigações aponta para, na melhor das hipóteses, um misto de omissão e incompetência, em meio a uma estrutura normativa falha. Na pior, a atuação em defesa de interesses privados, os de Vorcaro. Como o mundo é complexo, e não existem heróis na política (engana-se quem acha que este é um caso só técnico), o final da novela deverá apontar para uma combinação das duas hipóteses.

O carnaval de Vorcaro. Por Malu Gaspar

O Globo

A volta das férias do Legislativo nesta semana foi assombrada pela fraude do Banco Master. Nos corredores e gabinetes, a maior parte das conversas era sobre como abafar o caso e impedir a instalação de comissões de inquérito. São quatro os pedidos só na Câmara dos Deputados. Mas, da esquerda à extrema direita, quase todo mundo tem motivo para querer evitar uma investigação sobre os esquemas de Daniel Vorcaro. Nos tempos áureos, dizia-se que a bancada do Master era maior que a de muitos partidos, sem contar que vários de seus integrantes ainda tinham poder para arrastar os votos de outros, como Ciro Nogueira, do PP, ou Antonio Rueda, do União Brasil.

Poesia | Saudade, de Clarice Lispector

 

Música | Chico Buarque e Nara Leão - João e Maria

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ministros devem apoiar Fachin em código de ética

Por O Globo

Relatoria da ministra Cármen Lúcia tem tudo para superar impasses e alcançar os objetivos

Ao discursar na abertura do ano judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu a adoção de um código de ética pela Corte. É uma discussão que já se anunciava e se tornou incontornável. Diante dos líderes dos dois outros Poderes, Fachin anunciou a escolha da ministra Cármen Lúcia como relatora do código. Não se discute a competência de todos os ministros, mas o espírito conciliador de Cármen faz dela uma escolha adequada, capaz de aparar as arestas que eventualmente se apresentem, dada a controvérsia despertada pela iniciativa dentro do próprio tribunal.

Tarcísio perdeu o bonde? Por Vera Magalhães

O Globo

Governador de São Paulo continuará a ser incluído em pesquisas como pré-candidato à Presidência, mas não esconde desânimo por não ter sido ungido candidato por Bolsonaro, como ocorreu em 2022

Uma semana depois do movimento de Gilberto Kassab para anabolizar seu PSD com mais um pré-candidato à Presidência e da reiteração, por parte de Tarcísio de Freitas, do apoio a Flávio Bolsonaro, a sensação entre aliados do governador de São Paulo é que, agora, ele perdeu mesmo o último bonde para a corrida ao Planalto.

Continuará, porém, a ser incluído em pesquisas de intenção de votos, e isso fará com que permaneça a pressão por demonstrações reiteradas de lealdade a Jair Bolsonaro, algo que lhe tem causado constrangimento visível.

Mensagem de Lula pedia palanque. Por Elio Gaspari

O Globo

O ano eleitoral começou com a proposta do fim da escala 6x1 

Mensagem presidencial de 600 páginas é uma demasia. Como ninguém as lê, tanto faz. Pelo cerimonial, um parlamentar é submetido ao suplício da leitura. Pelo ritual, o governo fala mais do que fez, indicando o que pretende fazer no ano legislativo. Na sua mensagem, o governo fala bem de si, mas Lula aproveitou a oportunidade para marcar três objetivos. Dois tratam de assuntos em que, em três anos, ele não fez o que podia. A saber: regulamentação dos direitos de quem trabalha no mercado de aplicativos e um projeto para a segurança pública.

O terceiro tema é inovador e terá reflexos no funcionamento da economia. Trata-se do fim da escala de seis dias de trabalho por um de repouso, o 6x1, substituído pela regra de 5x2, com dois dias de repouso. Ainda não se conhece o texto que será perfilhado pelo governo. Sabe-se, contudo, que a votação ficará para depois do carnaval. (Leia-se, para uma data mais próxima da eleição.)

Maus camaradas. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Para driblar corporativismo da Justiça Militar, procurador afirma que capitão traiu "prática da camaradagem" na caserna

Depois de perder o poder e a liberdade, Jair Bolsonaro pode perder também a patente de capitão. O Superior Tribunal Militar (STM) abriu processo para apurar se o ex-presidente violou as leis castrenses. Se condenado, ele será declarado indigno para o oficialato e expulso das Forças Armadas.

Para o procurador Clauro Roberto de Bortolli, Bolsonaro mostrou descaso pelos “preceitos éticos mais básicos” da vida militar. Ele afirmou que o capitão atentou contra a probidade, a lealdade e a disciplina ao liderar uma tentativa de golpe após a derrota nas urnas.

A acusação sustenta que a gravidade dos atos do ex-presidente é “incontroversa” e ficou comprovada no processo criminal que o levou para a cadeia. É tudo verdade, mas a Justiça Militar está 38 anos atrasada.

Julgamento de Bolsonaro e generais no STM será teste de democracia. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A questão é simples e existencial: a hierarquia e a disciplina, em regime democrático, exigem lealdade constitucional ou podem coexistir com a ruptura planejada?

O julgamento das representações por indignidade ou incompatibilidade para o oficialato do ex-presidente Jair Bolsonaro e quatro oficiais-generais condenados pela trama golpista, pelo Superior Tribunal Militar, não será apenas o desdobramento da decisão penal do Supremo Tribunal Federal: será um teste de estresse do pacto civil-militar da Constituição de 1988, um teste para a democracia. O STM não revisará culpa, provas ou tipificação criminal — isso já foi afirmado pelo Supremo —, mas se a natureza dos crimes e o papel desempenhado por cada oficial tornam moralmente incompatível a permanência no corpo de oficiais.

A culpa é dele. Por Cristovam Buarque

Correio Braziliense

O governador joga a culpa sobre o povo do DF ao decidir desapropriar seus eleitores e o restante da população para que paguem pelo rombo que ele criou com a maior fraude bancária do Brasil

Faz dois anos que o Brasil assistiu às cenas golpistas do 8 de Janeiro. Naquele domingo de 2023, nem as autoridades do Executivo, do Judiciário ou do Legislativo, nem a imprensa conseguiram localizar o governador do DF; ninguém ouviu sua voz de comando. Quando ressurgiu, foi para aceitar que seus subordinados tivessem suas carreiras profissionais interrompidas e fossem condenados a anos de prisão — sem uma única fala assumindo responsabilidade. Seus subordinados, que sem dúvida dividiam com ele a responsabilidade, estão pagando o preço e ficarão presos e marcados por toda a vida.

Seu secretário de Segurança perdeu a carreira de policial federal e está preso, condenado a 24 anos — um quarto de século. Cinco oficiais superiores, comandantes da Polícia Militar, foram expulsos da corporação e cada um condenado a 16 anos de prisão. Enquanto isso, o governador, poupado de qualquer responsabilidade naqueles atos, participa de fraude bilionária usando o BRB e joga a culpa em novo subordinado.

Master impõe a Lula o problema de Dilma na Lava-Jato. Por Fernando Exman

Valor Econômico

Uma ala do governo intensifica as recomendações para que o presidente tenha cautela na abordagem do caso Master

Enquanto aguarda as primeiras pesquisas de opinião do ano com a expectativa de que os efeitos das mudanças no Imposto de Renda (IR) elevem a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma ala do governo intensifica as recomendações para que ele tenha cautela na abordagem do caso Master. “A Lava-Jato começou assim”, alerta um aliado próximo, “e a postura dele está muito parecida com a de Dilma”.

O cálculo é simples. Há poucos dias, pela primeira vez milhões de trabalhadores receberam seus contracheques de janeiro sem deduções do Imposto de Renda. Um aliado de Lula lista: também serão beneficiados funcionários públicos de todo o país, professores e aposentados.

Mello vê alinhamento entre fiscal e monetário. Por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Nos bastidores do Ministério da Fazenda, cotado para diretoria do BC é apontado como aquele que ajuda a colocar a bola no chão nos momentos de maior pressão

“Aguenta firme o tranco aí. A turma está batendo duro.” Essa foi a recomendação que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez ao seu recém-escolhido secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, no discurso de posse em janeiro de 2023. O contexto hoje é diferente, mas a frase ainda parece válida.

Desde que se soube que Haddad havia sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de Mello para a diretoria do Banco Central, integrantes do mercado têm levantado ressalvas. Ele é doutor em economia pela Unicamp, apontada por críticos como berço da heterodoxia econômica no país. Assessorou Haddad na candidatura à Presidência em 2018 e atuou como porta-voz econômico do PT na campanha de 2022. Um perfil assim dificilmente agradaria à Faria Lima. Vem à tona o receio de uma maior interferência político-ideológica no Comitê de Política Monetária (Copom).

Bolsonaro de novo no banco dos réus. Por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Pela 2.ª vez, o STM vai julgar o capitão, mas agora a tendência é por sua expulsão do Exército

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo do ex-presidente. Ao escolher o filho Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que dizem, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.

O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o exministro Braga Netto sejam expulsos do Exército. Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu o então capitão, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários.

Vendendo a América. Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Comportamento dos mercados em janeiro mostra que o risco de investir nos EUA preocupa investidores

O desempenho dos mercados globais em janeiro, com uma notável divergência entre os Estados Unidos e o restante do mundo, deixou bastante claro o impacto do chamado “sell America trade”: movimento na alocação das carteiras em que os investidores trocam o dólar e outros ativos americanos (títulos do Tesouro e ações) pelas moedas e Bolsas de valores de vários países, em especial os emergentes.

Está difícil de furar a frente ampla da cara-de-pau no caso Master. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apesar do excesso de indícios e evidências, lideranças do Congresso querem abafar CPI

Política politiqueira e agora todos os Poderes aprimoram sistema de acordão, a velha pizza

Vaza sujeira de cada cano furado dessa rede de finança, empresa e política do caso Master. Puxa-se uma pena, vem não uma galinha, mas um avestruz enlameado. Quase diariamente. Quase semanalmente, há tentativa de abafar o caso.

As lideranças do Congresso começam o ano com a firme intenção de engavetar CPIs, com apoio discreto de partes de Supremo e governo. No caso da política politiqueira, os motivos óbvios são a pressão da bancada do Master e o temor de que apareça mais um contratado de Daniel Vorcaro entre governistas.

Além disso, há uma atitude de prudência geral, por assim dizer, de modo cínico. Isto é, tentativa de não fazer marola enquanto se negociam acertos no Congresso e as complicadas coalizões nacionais e regionais para a eleição. Estão indefinidas as candidaturas presidenciais; é incerto como muito partido vai lidar com elas. Vide o caso do PSD, que ameaça ter candidato e, ao mesmo tempo, sugere que vai liberar políticos estaduais para apoiar quem quiserem.

Indefensável. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Comportamento de ministros do STF erode imagem da corte

Construir credibilidade é bem mais difícil do que destruí-la

discurso de abertura do ano judiciário do presidente do STF, ministro Edson Fachin, foi melhor do que a nota do último dia 22 em que ele tentara limpar a barra do ministro Dias Toffoli. Se, naquela ocasião, o chefe do Poder Judiciário defendeu explicitamente a exuberante atuação do relator do caso Master, desta feita ele afirmou que cada ministro deve responder pelas escolhas que faz. Mais, anunciou ter incumbido a ministra Cármen Lúcia de elaborar um código de conduta para a corte.

Erosão de imagem do STF é obra dos três Poderes. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Executivo e Legislativo contribuem bastante para a queda da credibilidade do Supremo junto ao público

Lula, Alcolumbre e Motta não entenderam a chamada geral de Fachin ao aperfeiçoamento das instituições

Não há dúvida sobre a necessidade de o Supremo Tribunal Federal promover um ajuste na conduta de magistrados que ferem a reputação da corte. Mas também é verdade que seus companheiros no pódio dos Poderes contribuem para a erosão de imagem do tribunal.

O presidente Edson Fachin não deixou margem para adiamentos na reabertura dos trabalhos do Judiciário ao reiterar compromisso com a adoção de um código de ética e entregar a relatoria à ministra Cármen Lúcia, uma inequívoca parceira no propósito.

Governo Lula soltou a mão de Galípolo. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

O recado parece claro: mostrar ao mundo político que o Palácio do Planalto está distante da investigação contra o Master

As apurações das fraudes no Master pelo Banco Central certamente incomodaram muita gente

O Congresso voltou de férias e o governo Lula já fez dois movimentos para mostrar distanciamento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em meio ao avanço das investigações do esquema de fraudes do Banco Master, que já apontam indícios de envolvimento de políticos e altas autoridades.

Essas duas ações foram o apoio à indicação do secretário da Fazenda Guilherme Mello, um emissário do governo, para um vaga diretoria do BC e o respaldo ao requerimento para que Galípolo compareça à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado a fim de falar sobre a atuação do órgão na fiscalização do Master.

O dogmatismo continua sendo uma tendência na era atual da humanidade. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Contra os dogmas antigos, coragem; contra os novos, silêncio

O novo moralismo pune quem ousa rediscutir os consensos

Neste país, você não pode dizer impunemente que resultantes da mistura de negros, brancos ou indígenas não são uma subcategoria de negros. Uma jovem mestranda achou que podia transformar isso em agenda de pesquisa em uma universidade pública. Mostraram-lhe a porta da rua, depois de tentativas forçadas de reeducação ideológica. A certo ponto, a estudante já não era tratada como alguém que discutia posições hegemônicas, fazia novas perguntas e queria reexaminar pressupostos, mas como tola, inimiga ou imoral.

Como isso é possível? E, sobretudo, como isso é possível em uma universidade?

Extrema direita e grande imprensa fazem trégua para mentir sobre “rombo fiscal”. Por Miguel do Rosário

O Cafezinho

Com o governo sem muitos flancos vulneráveis na economia, é previsível que a oposição reacionária bata na tecla do “rombo fiscal”. Trata-se de um tema em que ela encontra convergência com a grande mídia, o que para ela é politicamente muito oportuno. A mesma direita que hoje se encontra sob controle de suas franjas extremistas […]

Com o governo sem muitos flancos vulneráveis na economia, é previsível que a oposição reacionária bata na tecla do “rombo fiscal”.

Trata-se de um tema em que ela encontra convergência com a grande mídia, o que para ela é politicamente muito oportuno. A mesma direita que hoje se encontra sob controle de suas franjas extremistas — para as quais a mídia é “inimiga” sempre que não se curva a delírios conspiratórios — tem dificuldade de construir pautas comuns com a imprensa liberal.

Poesia | Joaquim Cardozo - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivete Sangalo - Você é linda

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula também semeia dívidas estaduais e municipais

Por Folha de S. Paulo

Desde 2023, governos são autorizados a tomar R$ 206,6 bi em financiamentos, estimulando alta de gastos

Sabe-se o que acontece quando a capacidade de pagamento se esgota: governadores e prefeitos tentarão arrancar mais um socorro da União

Por força de um longo histórico de irresponsabilidade fiscal, as finanças de estados e municípios brasileiros são tuteladas pela União. A tomada de financiamentos por parte de governos regionais, no exemplo mais importante, depende de limites, autorizações ou avais de instâncias como Conselho Monetário Nacional, Senado Federal e Tesouro Nacional.

Quando o governo em Brasília é propenso ao aumento do gasto público, os controles sobre operações de crédito pleiteadas por governadores e prefeitos também são afrouxados, e o expansionismo orçamentário se espalha pela Federação. É o que ocorre neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Momento de autocorreção. Por Merval Pereira

O Globo

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, abriu o ano judiciário com um discurso sereno e firme, sem jactâncias nem dramaticidade

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu o ano judiciário com um discurso sereno e firme, sem jactâncias nem dramaticidade, mas reafirmando posições e necessidades exigidas, segundo ele, por “momentos de adversidade”:

— Fidelidade absoluta à Constituição da República e respeito à liberdade de expressão e de imprensa, que não são concessões, uma vez que estruturam o debate público e oxigenam a democracia. A crítica republicana não é mesmo ameaça à democracia.

Defesa nacional, tema para a eleição. Por Fernando Gabeira

O Globo

No mundo marcado pela lei do mais forte, não seria melhor ter Forças Armadas mais poderosas?

É um privilégio voltar à estrada e percorrer o país. Aqui em Igarapé-Miri, no interior do Pará, capital do açaí, encontramos a cidade em festa. Intensa queima de fogos e uma motociata com mais de duzentos participantes comemoravam o êxito dos estudantes locais no Enem. Agora, vão todos para as faculdades em Belém. É uma pausa nas atribulações de um mundo confuso, marcado por agressividade interna e externa da política de Trump, escândalos como os do banco Master e assassinato do cão Orelha numa praia de Santa Catarina.

Consultando as redes, ouvi um discurso de Lula que me interessou. Ele fala do grande poderio militar dos Estados Unidos e lembrava que, além de tudo, Trump anunciou armas secretas de grande potencial destrutivo. Aqui, disse ele, temos o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, e às vezes até falta bala para seus exercícios.

O Brasil e o seu encontro marcado. Por Míriam Leitão

O Globo

As instituições precisam se aperfeiçoar para assim tornar mais robusta a democracia. O Código anunciado pelo ministro Edson Fachin é um bom passo

O ministro Edson Fachin disse que o Brasil tem um encontro marcado com a melhoria institucional. Ele falou primeiro do próprio Supremo e da necessidade de autocorreção. É prioridade da sua gestão, o Código de Ética. A relatora será a ministra Cármen Lúcia. Mas o presidente do STF propôs algo mais amplo e listou as frentes de aperfeiçoamento. Quando o ano realmente começa e Congresso e o Judiciário retomam seus trabalhos, é hora de pensar que “ainda temos muito a fazer”, disse Fachin.

“Temos um sistema representativo que precisa recuperar sua capacidade de processar as demandas da sociedade. Temos instituições de controle que precisam funcionar melhor. Temos uma cultura política que ainda não consolidou plenamente os valores republicanos. E temos, sobretudo, uma dívida histórica com os excluídos”, disse o ministro em seu discurso.