sábado, 25 de julho de 2026

Farra de Eduardo Cunha vigora há mais de 10 anos no Congresso, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Esquema das emendas tem potencial de ser o maior escândalo de corrupção do país

Deputados e senadores dão uma banana para a sociedade e legislam em causa própria

Fim da escala 6x1PEC da Segurança Pública, projetos sobre criminalização da misoginia, minerais críticos e regulação da inteligência artificial. Pautas importantes e controversas que, com o recesso do Congresso Nacional e o funcionamento reduzido do Legislativo durante a campanha eleitoral, só deverão ser analisadas após o pleito de outubro.

É um retrato do crescimento —cujo combustível é a farra das emendas— do poder do Parlamento, que faz o que quer, muitas vezes legislando em causa própria, sem se importar com o que a sociedade pensa ou deseja.

Peguemos um caso esquecido em meio à avacalhação. Quase um ano depois do motim da Câmara, em reação à prisão domiciliar de Bolsonaro, não houve desfecho para o processo disciplinar contra os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS), que ocuparam a mesa diretora da Casa, inviabilizando os trabalhos por cerca de 30 horas.

Na maior auditoria já realizada sobre emendas parlamentares, o Tribunal de Contas da União identificou superfaturamento, indícios de fraude em licitações, pagamentos sem comprovação, desvio de finalidade, falhas de transparência e rastreabilidade. De 100 emendas Pix auditadas, a fiscalização encontrou problemas em 82. O relatório sugere que a PF, o MP e a CGU apurem o esquema criminoso, que revela a degradação das finanças públicas, com potencial de ser o maior escândalo de corrupção da história do país.

O Congresso (des)controla o Orçamento. De 2015 até o ano passado, as emendas pularam de R$ 5,7 bilhões para R$ 47 bilhões. Como se a fuzarca fosse pouca, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, são suspeitos de atuar no direcionamento de verbas. O ministro Flávio Dino, do Supremo, mandou bloquear R$ 6,1 milhões de Cunha e R$ 119 milhões de Valdemar. Os dois —que não têm mandato!— seriam autores de mais de duas dezenas de repasses.

Não à toa, Eduardo Cunha, durante o governo Temer, foi o principal arquiteto do emendismo.

 

O peso dos houthis, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Com o bloqueio do Estreito de Bab al-Mandab, o grupo iemenita ganhou ainda mais relevância no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio

Antes do genocídio em Gaza, pouco se falava sobre os ­houthis na imprensa ocidental, de modo geral, e na brasileira, em particular. À época, eles dispararam mísseis e drones contra Israel e realizaram bloqueios no Mar Vermelho. Com a guerra no Irã, a mídia voltou a lembrar dos ­houthis, pois o grupo é aliado estratégico do país atacado por Washington e Tel Aviv.

Nos últimos dias, sua importância aumentou ainda mais, já que os houthis anunciaram o bloqueio do Estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Trata-se de uma importante rota de escoamento de petróleo, principalmente para a Arábia Saudita. Com a guerra instaurada no Estreito de Ormuz, Bab al-Mandab assumiu uma relevância ainda maior.

Um degrau acima, por Carlos Drummond

CartaCapital

O crescimento do PIB e do emprego melhora a vida de milhões e repercute nas pesquisas eleitorais

Foram 18 meses seguidos de desaprovação do governo Lula superior à aprovação até a quarta-feira 15, quando a pesquisa Quaest apontou uma leve virada, na margem de erro: 48% dos entrevistados tinham uma imagem positiva da administração, contra 47% negativa. O instituto atribuiu os resultados aos efeitos do programa “Desenrola 2”, para renegociação de dívidas, da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais e do avanço das discussões sobre o fim da escala 6×1.

Esses fatores contribuíram para a mudança, mas um fenômeno mais abrangente teve, entretanto, peso determinante na inversão da avaliação por parte do eleitor, a retomada da mobilidade social. Segundo estudo do economista Waldir Quadros, professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit, o governo Lula chegou ao fim do terceiro ano com melhora expressiva nesses indicadores. Os dados da PNAD Contínua anual indicam retração das camadas mais pobres e crescimento dos segmentos médios entre 2022 e 2025.

A finança abarrota os plutocratas, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Em todos os episódios históricos de estouro de bolhas, à derrocada deles seguiu-se a reiteração do poder trilionário

Nos idos de 2018, o ex-presidente democrata Barack Obama prestou homenagem a Nelson Mandela na celebração dos 100 anos de seu nascimento. O líder sul-africano nasceu em 1818 e faleceu em 2013. Obama fez um discurso digno dos melhores pronunciamentos de Franklin Delano ­Roosevelt. Discorreu sobre as transformações ocorridas nos últimos 40 anos na economia e na sociedade globalizadas.

“Praticamente em todos os países”, afirmou, “o poder econômico desproporcional dos que estão por cima lhes outorgou influência desmedida na vida política e na mídia, com capacidade para decidir as políticas prioritárias e os interesses que devem ser menosprezados (…) Nessa nova elite internacional, muitos se consideram progressistas, cosmopolitas e modernos.”

Carta ao futuro presidente, por Murillo de Aragão

Revista Veja

O cenário será ainda mais desafiador que o de 2023

Não é a primeira vez que escrevo uma carta ao futuro presidente. Em 2021, afirmei nesta coluna que o eleito de 2022 teria menos poder — fosse quem fosse. O ambiente institucional havia mudado: orçamento impositivo, emendas turbinadas, autonomia do Banco Central. O mandato iniciado em 2023 encontraria condições muito diferentes das de FHC em 1995 ou de Lula em 2003. A palavra final pertenceria ao Legislativo e ao Judiciário. Sem ainda usar o termo, antecipei os contornos da pentarquia que governa o Brasil — Executivo, Legislativo, Judiciário, Banco Central e mídia.

Realismo, por José Casado

Revista Veja  

Eleitores já não confiam no governo, no Congresso nem no Judiciário

Nunca tantos desconfiaram tanto do governo, do Legislativo e do Judiciário. Há uma miríade de sondagens de opinião demonstrando que, para a maioria dos eleitores, os governos têm sido ruins, o Supremo Tribunal Federal não merece confiança e o Congresso representa mal o povo. Na média, quase sete em cada dez brasileiros que vão às urnas em outubro julgam de forma negativa os políticos, inclusive aqueles que aparecem vestindo togas nos plenários dos tribunais superiores.

Quatro décadas depois da redemocratização, as utopias estão pulverizadas, a conexão dos representantes com os representados está rarefeita e o Estado passou a ser dirigido como se fosse propriedade privada. Esse processo de liquefação política tem contornos bem delineados em dois livros recém-lançados.

De porretes a tarifas, a soberania cerceada, por Roberto Amaral*

Tanto a preeminência inglesa sobre o Brasil quanto, na sua sucessão, o imperialismo estadunidense, que se instala nas primeiras décadas da nossa República — nas pegadas da decadência britânica — para chegar a estes dias com a fúria trumpista, têm sido objeto de estudos e de reflexão mais aprofundada a partir da formação de pesquisadores universitários, fruto da criação de cursos de Ciência Política e Relações Internacionais e, concomitantemente, do maior acesso a documentação.

Ao lado do papel das universidades (vale mencionar a UnB, a PUC-Rio, a USP e o antigo IUPERJ, hoje hospedado na UERJ), é de mencionar o estímulo à pesquisa e às dissertações de mestrado e doutorado, bem como o acesso facilitado a fontes primárias, propiciado pela abertura de arquivos norte-americanos, franceses, ingleses e portugueses. Igual relevância se deve aos intercâmbios internacionais e aos incentivos e bolsas de estudo financiados por agências nacionais, como o CNPq e a Capes, e mesmo por organizações internacionais, caso das Fundações Ford, Rockefeller e Fulbright, além da USAID. Assinale-se, igualmente, ainda neste contexto, a contribuição dos chamados brasilianistas, como Thomas Skidmore, Alfred Stepan, Kenneth Maxwell, Leslie Bethell e Alan K. Manchester.

Consabidamente, parte do financiamento internacional às ciências sociais esteve inserida no contexto da Guerra Fria e da disputa de influência política dos EUA na América Latina. Mesmo assim, muito de relevante foi produzido.

Riscos e impactos do desempenho das estatais e do PROPAG, por Marcus Pestana

No Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) nº 114 da IFI lançamos o foco na análise de dois tópicos específicos e relevantes para a análise da situação fiscal: o comportamento das estatais e a renegociação da dívida dos estados.

O primeiro tema trazido à baila aborda os riscos fiscais para a União com a deterioração financeira verificada em estatais federais. Existem empresas públicas integralmente pertencentes à União, com 100% do capital estatal. São os casos da Caixa e do BNDES. Outras são sociedades de economia mista, que têm o capital aberto, mas com o controle da União. São os casos da Petrobras e do Banco Brasil. Por outro lado, há empresas dependentes do Tesouro Nacional, como a Embrapa, ou independentes, caso dos Correios. Desde a década de 1990, várias empresas estatais foram privatizadas nas áreas de mineração, telecomunicações e energia. Das remanescentes, há aquelas com bom desempenho financeiro, gerando inclusive dividendos para o Tesouro; aquelas que, por definição, demandam subvenções do Tesouro, complementares às suas receitas próprias para a consolidação de seus orçamentos; e, aquelas que, dependentes ou não, dão sinais preocupantes de baixo desempenho, configurando riscos fiscais futuros.

Poesia | Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes por Paulo Autran

Música | Geraldo Azevedo - Sempre Valeu" (Geraldo Azevedo e Pippo Spera)

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desinformação de Flávio sobre urnas exige vigilância do TSE

Por O Globo

Pré-candidato à Presidência alimentou teoria conspiratória contra integridade do sistema eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, demonstra dificuldade em aprender a lição dada pelas instituições brasileiras desde o início desta década. Repetidas decisões reafirmaram o caráter inegociável da democracia garantida pela Constituição. Tentativas de erodir a confiança nas urnas, sem apresentar indício algum, meramente por cálculo político em benefício próprio, são inaceitáveis. Copiando comportamento de seu pai, foi exatamente o que fez Flávio em encontro em Brasília com a presença de membros do corpo diplomático.

Autofagia eleitoral bolsonarista, por Flávia Barbosa*

O Globo

O Master feriu de morte a premissa de Jair ao escolher Flávio. Colou o clã a um gigantesco caso de corrupção, decepcionou parte da base e repeliu aliados

Sete meses após ser ungido pelo pai candidato à Presidência, e três meses após aparecer na liderança da corrida ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro desidrata. Uma sucessão de crises, iniciada em 13 de maio com a descoberta da multimilionária contribuição de Daniel Vorcaro à cinebiografia de Jair, somada a erros de estratégia política, vem transformando o Zero Um numa opção tóxica às vésperas da convenção que o confirmará candidato do PL. Hoje, cabe a pergunta: a quem interessa sua vitória em outubro?

Por que Flávio questiona as urnas? Por Pablo Ortellado

O Globo

É um comportamento persistente que não nasce de evidências

Flávio Bolsonaro questionou a confiabilidade das urnas brasileiras em evento com diplomatas estrangeiros na última terça-feira. O episódio lembra o encontro com embaixadores convocado pelo então presidente Jair Bolsonaro em julho de 2022 no qual também atacou as urnas.

O caso levou à inelegibilidade do ex-presidente. Embora Jair Bolsonaro fosse à época presidente da República e tivesse convocado os embaixadores usando a estrutura de governo e Flávio seja apenas pré-candidato, convidado a um evento privado com diplomatas, o paralelo se impõe.

Do ponto de vista da estratégia eleitoral, há duas explicações para o movimento arriscado de Flávio.

Daniel Ortega escancarou nova ditadura familiar na Nicarágua, por Bernardo Mello

O Globo

Líder da Revolução Sandinista de 1979 imita métodos de autocrata que ajudou a derrubar

O aviso foi dado por Daniel Ortega, presidente da Nicarágua: “Não haverá mais eleições aqui”. O líder da Revolução Sandinista discursava em Manágua, no último domingo. Depois do anúncio, explicou: vai proibir o voto porque a oposição não pode chegar ao poder.

Ortega participou da guerrilha que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza. O levante de 1979 empolgou a esquerda latino-americana, sufocada por regimes militares no Brasil, na Argentina e no Chile.

Pesquisa ou adivinhação? Por José de Souza Martins*

Valor Econômico

A proposta do presidente do TSE é apenas um gesto de policiamento indireto, que nem aponta os problemas estatísticos nem os resolve

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral convocou dirigentes de institutos de pesquisa de opinião para discutir procedimentos de investigação que neutralizem a interferência das pesquisas nos resultados da eleição. Criou um prêmio para as pesquisas que sejam confirmadas no resultado eleitoral.

Provavelmente o correto e seguro teria sido convocar um seminário de especialistas em matemática e estatística das boas universidades. E ouvi-los. Conhecedores que são das várias e diferentes mediações da pesquisa científica baseada em quantificação e das interferências que podem intencional ou acidentalmente sofrer.

Esses pesquisadores poderiam explicar que o conhecimento quantitativo nessa área não é adivinhação, nem é loteria ou aposta. Não expressa o acaso e o fortuito, mas o provável.

Quem seria o ‘único Bolsonaro’ com mandato em 2027, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Flávio teve de fazer mais de um vídeo e mais de um gesto para se aproximar de Michelle

Uma máxima, ouvida com frequência em Brasília, diz que “a política não é para amadores”. Tradicionalmente dirigido às raposas do Centrão, pode ser aplicada, agora, sem titubear, à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que emergiu altiva da crise com o enteado, o presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ).

A propósito, é curiosa a deferência de alguns à ex-primeira-dama. Internamente, ela é chamada de “dona Michelle”. Porém, mesmo fora da presidência do PL Mulher, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, se dirige a ela como “presidente Michelle”.

Zanin autoriza PF a investigar suposta venda de sentenças no STJ, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Decisões atribuídas ao gabinete de Moura Ribeiro supostamente favoreceram interesses ligados ao lobista Andreson Gonçalves e à advogada Miriam Ribeiro

A advertência de James Madison de que “se os homens fossem anjos, não seria necessário haver governos” não se destinava apenas a justificar a existência de um poder central para as antigas 13 colônias inglesas, mas estabelecer um princípio que viria ser essencial para a democracia ocidental: todo poder exercido por seres humanos precisa ser submetido a controles. No ensaio nº 51 de “O federalista”, Madison mostrou a dificuldade de habilitar o governo a controlar os governados; depois, obrigá-lo a controlar a si mesmo.

É mais ou menos esse o sentido da insistência com que o presidente do Supremo Tribunal federal, ministro Édson Fachin, adverte sobre a necessidade de autocontenção do Judiciário. O poder dos ministros dos tribunais superiores é imenso e a responsabilidade deles maior ainda. Magistrados não dependem diretamente do voto popular, contam com garantias funcionais e têm a prerrogativa de decidir sobre a liberdade, o patrimônio e os direitos dos cidadãos. Mas para isso precisam conquistar a liderança moral da sociedade.

Líder, liderança, por José Sarney*

Correio Braziliense

A grande crise política do Brasil é a desintegração dos partidos, vítimas da ausência de democracia interna.

Em 1958, eu, deputado federal no Rio de Janeiro (a sede da Câmara ainda era lá); e Afonso Arinos, líder da oposição ao governo de Juscelino Kubitschek, propôs o meu nome para vice-líder da UDN. Eu tinha apenas 28 anos, mas já construíra minha reputação combatendo o governo e exercendo uma presença forte em nossa bancada. 

A vice-liderança representa uma função de muita responsabilidade. Uma das principais tarefas confiadas aos vice-líderes consiste em emitir um parecer preliminar para orientar os deputados — servindo como recomendação oficial do partido para a bancada. Naturalmente, ouvíamos as bancadas estaduais, consultávamos os estatutos e o próprio líder — naquele tempo, o meu era Carlos Lacerda — sobre a orientação política. Todos, com disciplina, seguiam a orientação oficial. Quando alguém divergia e queria votar diferente, só o fazia depois de autorizado, após examinadas e aprovadas as razões de consciência. 

O custo dos 37,5% para Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Quanto Flávio Bolsonaro vai pagar pelos novos 37,5% de Trump? E que candidato vai lucrar?

Duas perguntas rondam a política e as eleições de outubro no Brasil. Quanto as novas tarifas de 37,5%, aplicadas por Donald Trump a produtos brasileiros, vão custar a Flávio Bolsonaro, que será formalizado candidato do PL neste sábado? E quem pode se beneficiar com a fragilidade crescente de Flávio, só Lula?

O novo ataque de Trump é um desastre histórico, empurra o Brasil mais e mais para a China e novos mercados e não pode, nem vai passar em branco nas eleições, como o próprio Flávio percebeu e tentou reverter, sem sucesso.

PF complica Flávio, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Investigação sobre filme chega num momento de uma maré de notícias negativas

A Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas dos recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O valor vultoso e o complexo caminho do dinheiro despertaram dúvidas entre os investigadores.

São mais de R$ 61 milhões que saem da Entre Investimentos, que pertence a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e chegam a um fundo no Texas, controlado por advogado próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para depois retornar ao Brasil para a Go Up Entertainment, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou que era prudente investigar e teve o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Relator do caso Master, Mendonça mostra independência, mesmo tendo sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Transparência sem comprometer a integridade das pesquisas eleitorais, por João Francisco Meira*

Folha de S. Paulo

Até a urna, eleitor pode mudar de posição, indecisos podem se decidir e campanhas podem alterar o ambiente

Também merece cautela a proposta de divulgar locais das entrevistas, sob risco de comprometer a amostragem

O Tribunal Superior Eleitoral exerce papel essencial na garantia de eleições livres, limpas e confiáveis. É positiva a mobilização do TSE pela transparência e pelo aprimoramento metodológico das pesquisas. A reunião e o diálogo promovidos pela corte com os institutos é louvável e estamos à disposição para conversar e construir soluções.

As propostas partem de uma intenção legítima: estimular qualidade, transparência e confiança. Precisamos, porém, avaliar seus efeitos, evitando que mecanismos criados para fortalecer as pesquisas comprometam sua integridade científica.

O que querem os Bolsonaros? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Investida de Flávio contra as urnas eletrônicas arranha tentativa de posar de moderado

Se o clã fracassar em mais uma disputa, a marca Bolsonaro já não valerá muito

pregação contra as urnas eletrônicas de Flávio Bolsonaro representa um desafio hermenêutico. Com tal gesto, o jovem Bolsonaro anula ou ao menos enfraquece a imagem de moderação que se esforçava para construir. E esse era um cálculo que fazia sentido, já que, para vencer um eventual segundo turno contra Lula, ele precisará do apoio de eleitores independentes normalmente avessos a radicalismos.

A interpretação mais plausível para a mudança de atitude é que, diante dos percalços por que passa a campanha, Flávio já prepara o discurso para uma derrota. Se Lula triunfar, não terá sido porque recebeu mais votos, mas sim porque o sistema, o "deep state" tupiniquim, conspira contra os Bolsonaros. Uma punição do TSE pelas mentiras sobre as urnas só reforçaria esse discurso.

Direita profissional acha Flávio amador, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Família Bolsonaro acreditou que o centrão daria apoio de graça, por gravidade e identidade ideológica

Enganou-se ao não considerar que esse pessoal atua no mercado futuro da política, de olho na melhor oferta

PL chega à sua convenção nacional sem conseguir atrair parceiros para formar uma coligação. O fato em si não é determinante para o desempenho de candidaturas. Em 2018, o PSDB de Geraldo Alckmin formou a mais ampla das alianças e terminou a eleição com menos de 5% dos votos.

O problema é a razão pela qual a campanha de Flávio Bolsonaro tem recebido explícitas e constrangedoras negativas de adesão por parte da direita profissional, que não se dá bem com amadorismos. Veterano no ramo, Valdemar Costa Neto chamou atenção para o despreparo. O senador e companhias podem ser bons de lacrações, mas são ruins no jogo da política.

Fala golpista e lamaçal no Rio não ajudam Flávio Bolsonaro, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Insinuações sobre urnas eletrônicas repetem mentira do pai que tentou desacreditar eleição

Senador terá de responder sobre relação com acusados de corrupção na política fluminense

A conversa de Flávio Bolsonaro com diplomatas, na qual repete mentiras de seu pai para questionar as urnas eletrônicas e as eleições no Brasil, não pode deixar de ser vista em sua dimensão golpista. O senador, que já havia perdido o entusiasmo de setores da direita democrática, deu mais um passo para despertar desconfianças sobre sua candidatura. Não por acaso, vemos direitistas empurrando suas fichas para 2030.

Além do pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro (que será investigado pela PF), das relações com a Casa Branca e dos atritos com a madrasta Michelle, que geraram problemas com parte do eleitorado feminino e evangélico, a situação de Flávio não é favorecida pelo quadro de contaminação da política do Rio pelo crime organizado.

Poesia | Caso Pluvioso, de Carlos Drummond de Andrade (por Paulo Autran)

 

Música | Milton Nascimento - Comunhão ( Milton Nascimento & Fernando Brant

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Flávio reedita mentira do pai sobre modelo de votação

Por Folha de S. Paulo

Senador espalha desinformação sobre as urnas eletrônicas e depois nega ter atacado o sistema eleitoral

O padrão é tão previsível que seria cômico, não representasse risco à democracia; campanha do pré-candidato enfrenta problemas em série

Desde que foi ungido pelo pai, preso por tentativa de golpe de Estado, como sucessor na disputa presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstra fidelidade aos preceitos de seu clã.

O padrão, que inclui mentira e dissimulação, é tão previsível que seria cômico, não fosse um perigo para a democracia, que o primogênito do apenado Jair Bolsonaro repetisse as estocadas do ex-presidente contra o sistema de votação eletrônica do país.

Ainda assim, não causa espanto que Flávio tenha copiado o seu progenitor ao chamar um grupo de embaixadores para espalhar mentiras sobre as urnas.

Maquiavel. Elementos de política, por Antonio Gramsci*

Deve-se mesmo observar que os primeiros a serem esquecidos são precisamente os primeiros elementos, as coisas mais elementares; estes, por outro lado, repetindo-se infinitas vezes, tornam-se os pilares da política e de qualquer ação coletiva. Primeiro elemento é que realmente existem governados e governantes, dirigentes e dirigidos. Toda a ciência e a arte políticas baseiam-se nesse fato primordial, irredutível (em certas condições gerais). As origens deste fato são um problema em si, que deverá ser estudado em si (pelo menos poderá e deverá ser estudado como atenuar e fazer desaparecer o fato, alterando certas condições identificáveis   como atuantes neste sentido), mas permanece o fato de que existem dirigentes e dirigidos, governantes e governados. Dado este fato, será necessário ver como se pode dirigir da maneira mais eficaz (dados certos fins) e como, portanto, preparar da melhor maneira os dirigentes (e nisto consiste mais precisamente a primeira parte da ciência e arte política), e como, por outro lado, conhecem-se as linhas de menor resistência ou racionais para obter a obediência dos dirigidos ou governados. 

Lula pode jogar parado porque o maior adversário de Flávio é ele mesmo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Ciro comunicou ao candidato do PL que a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, pretende manter-se neutra na eleição presidencial no primeiro turno

“Jamais interrompa o seu adversário quando ele estiver cometendo um erro.” A máxima atribuída a Napoleão Bonaparte, inspirada em suas reflexões sobre O príncipe, de Nicolau Maquiavel, parece ter sido escrita sob medida para Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. O petista enfrenta dificuldades na economia, elevada rejeição e desgastes naturais do longo exercício do poder, porém seu principal adversário insiste em criar problemas para a própria candidatura.

Isolado, Flávio se pendura na Casa Branca, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Pré-candidato do PL emula Trump ao questionar as urnas e abre terreno para a teoria conspiracionista do “ressurgimento do terrorismo político da extrema-esquerda latino-americana”

Cinco dias antes do discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exumando notícias falsas sobre as urnas eletrônicas, o presidente americano, Donald Trump, acusou a China de intervenção nas eleições de 2020, quando perdeu para Joe Biden, e apontou “chocantes vulnerabilidades” no sistema de votação dos EUA.

A “denúncia” a diplomatas estrangeiros valendo-se da Smartmatic, que denunciou a fraude cometida por um de seus clientes, o governo venezuelano, e foi derrotada numa licitação de urnas do TSE, só perde, em grau de insanidade, para a acusação de Trump de que a China acessou 220 milhões de arquivos de eleitores americanos para fraudar aquela disputa.

Política desautoriza especialistas apressados, por Carlos Melo*

O Globo

Há semanas, Flávio Bolsonaro movia-se leve e solto, e as pesquisas indicavam seu ligeiro favoritismo

A política é soberana, desafia o senso comum, desautoriza especialistas apressados e oráculos de botequim. Compreende uma vertiginosa associação de variáveis distintas, além da imprevisível conduta dos atores. Nada sendo constante, não permite antecipar resultados. É produto da ação social.

Há semanas, Flávio Bolsonaro movia-se leve e solto, e as pesquisas indicavam seu ligeiro favoritismo. Já o presidente Lula vivia novo ciclo de desgaste; dúvidas sobre sua candidatura pairavam no ar seco de Brasília. Mas a revelação das relações perigosas de Flávio iniciou uma inflexão nas curvas dos gráficos das pesquisas. Para piorar, a imprudência de sua trupe, nos Estados Unidos, disparou um tiro de bazuca nos pés do senador.

Partidos e presidente, nada a ver, por Merval Pereira

O Globo

A estrutura partidária está completamente alheia ao resultado da eleição presidencial, pois tem compromisso apenas com seus próprios interesses, não os do país.

Como será a relação de um Congresso eleito sem compromissos com o candidato vitorioso a presidente da República? Tudo indica que a maioria continuará sendo de direita, mas nada indica que um presidente de direita, no caso do momento Flávio Bolsonaro, terá o apoio da maioria legislativa. Muito menos se Lula for eleito pela esquerda. A estrutura partidária está completamente alheia ao resultado da eleição presidencial, pois tem compromisso apenas com seus próprios interesses, não os do país.

A esquerda depende basicamente da popularidade de seu líder, mas será sempre minoritária no Congresso. Terá, porém, o poder de indicar ministérios, dirigentes de estatais, maior do que sua real representação. Esse poder, aliás, é o que faz com que o governo petista seja acusado de não distribuir adequadamente as nomeações governamentais na proporção do apoio que recebe de partidos de centro, partícipes de um suposto governo de união nacional que leva eleitores independentes a poder escolher Lula, em vez de Flávio ou Caiado.

Flávio usa método Trump sobre urnas, por Julia Duailibi

O Globo

Ele papagueou mentiras com o mesmo objetivo do presidente dos EUA, de preparar terreno para o caso de derrota

Flávio Bolsonaro não mirou o exemplo do pai quando resolveu, também em reunião com embaixadores, propagar mentiras sobre as urnas eletrônicas. Enrolado com supostos pagamentos de Daniel Vorcaro para o “Dark Horse” e, agora, com as notas fiscais canceladas para uma empresa da teia do Master, sem conseguir fechar coligações com outros partidos e atingido pelo barraco com a madrasta Michelle, o pré-candidato do PL inspirou-se no exemplo de Donald Trump. Papagueou as mentiras sobre as urnas eletrônicas com o mesmo objetivo do presidente americano: preparar terreno para o caso de derrota.

Na semana passada, Trump espalhou a mesma cascata sobre as urnas eletrônicas que Flávio. Fez referências indiretas à Smartmatic, empresa de tecnologia da Venezuela, alimentando teoria da conspiração já batida nos Estados Unidos sobre fraude nos sistemas eletrônicos de votação. Trump está às vésperas das midterms, eleições de meio de mandato, num contexto político e econômico que pode levá-lo a perder a frágil maioria no Congresso. Questionar desde já o processo eleitoral garante, em caso de derrota, um discurso para a base trumpista mais aguerrida.

O samurai, o passarinho de gaiola e o jornalista, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Quando essas pessoas jurídicas esmorecem diante das big techs e quando o leitor vira refém voluntário das plataformas, algo da profissão, algo de muito precioso, vai se perdendo no passado

Primeiro capítulo: o samurai. No dia 25 de novembro de 1970, o escritor Yukio Mishima e outros quatro membros da milícia Tatenokai (sociedade do escudo) invadiram o quartel de Ichigaya, em Tóquio, e fizeram um refém: o comandante, Kanetoshi Mashita. Começou assim um dos acontecimentos mais dolorosos, traumáticos e incompreensíveis da história literária e política do país do Sol nascente.

Qual soberania? Por William Waack

O Estado de S. Paulo

Os problemas sérios de afirmação nacional não estão na propaganda governista

O tarifaço americano está onde Lula (e todo populista) gosta. No campo das frases fáceis, da indignação seletiva e de seu intenso uso imediato como tática eleitoral no lugar de estratégia coerente de longo prazo.

No uso tático da questão, Lula se utiliza do presente que recebeu de adversários espetacularmente incompetentes. A ponto de ignorarem um princípio universal de ciência política, o das fileiras que se fecham até em torno de governos impopulares diante de agressão externa. E ainda posam com um sorriso beócio ao lado do agressor.

Lula lançou uma ampla campanha de “defesa da soberania” na qual falta entender a qual soberania a propaganda governamental se refere. A clássica soberania não é ameaçada por ninguém vindo de fora (apesar de o Itamaraty supor isso), mas, sim, pela incapacidade do Estado brasileiro de controlar o próprio território – é o que acontece com o crime organizado na Amazônia.

O governo Lula e os trabalhadores do século 21, por Guilherme Boulos*

Folha de S. Paulo

Políticas são resultado de processo de escuta e conexão com motoristas e entregadores de plataformas digitais

Prestação ficará menor que a mensalidade de locação do carro, moto ou bicicleta elétrica

A classe trabalhadora mudou profundamente nas últimas décadas. Ao lado do operário do chão de fábrica, dos trabalhadores do comércio e de serviços, surgiram milhões de novos trabalhadores ligados à economia digital das plataformas. É a chamada "uberização", especialmente visível nos setores de transporte e entrega.

O fato de esses novos trabalhadores atuarem sozinhos em seu automóvel ou motocicleta permitiu às grandes plataformas (Uber99IFood etc.) venderem a ideia de que são empreendedores de si próprios, mesmo trabalhando em jornadas exaustivas e obtendo um ganho muitas vezes insuficiente. Essa realidade colocou um enorme desafio para os sindicatos, a esquerda e os governos no mundo todo. Como garantir direitos aos novos trabalhadores? Como regular o modelo de negócio das plataformas digitais? E, antes de tudo, como dialogar com uma categoria tão difusa e individualizada?

Congresso desmontou o Orçamento com emendas, poder e opacidade, por vários autores*

Folha de S. Paulo

Em bom português, 'corra atrás de emenda, pois seus concorrentes o farão, buscando a reeleição'

Negociar com cargos é política; com dinheiro público sem transparência é captura

Reportagem desta Folha (18/7) mostrou que o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades em 82% das emendas Pix fiscalizadas. Outra reportagem (15/7) relata que o presidente do PLValdemar Costa Neto, afirmou que ele e outros dirigentes interferem na destinação dos recursos, o que motivou ação do Supremo Tribunal Federal (STF). Para quem acompanha a economia política do processo orçamentário, nenhuma surpresa.

Desde o início dos anos 1990, o Brasil construiu, com esforço, um Orçamento mais transparente, executável e controlável. O impulso veio de um escândalo em 1993, quando deputados manipulavam emendas para desviar verbas por entidades fantasmas e empreiteiras. Hoje, o Congresso Nacional trabalha, com método, para desmontar tudo isso. Por quê? Maldade? Perversidade? É mais complicado.

A contenção dos Bolsonaros, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Representantes do PIB já olham para 2030

Depois dos dois tarifaços de Trump contra o Brasil, existe a percepção de que algo perigoso ronda a elite empresarial

A manchete da Folha foi cirúrgica: "Flávio Bolsonaro repete o pai e propaga dado falso sobre urnas em reunião com embaixadores". O presidenciável do PL tentou amenizar a fala, mas o estrago já está feito.

A repercussão nos meios político e econômico foi péssima para ele, e será maior quando começar a campanha eleitoral após as convenções partidárias.

Boa parte do PIB e do mercado financeiro, que nunca apoiou o presidente Lula e preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio do Planalto, parece ter fechado as portas para Flávio.