Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Pretensão de Kassio de soltar Bolsonaro é um acinte
Por Folha de S. Paulo
Ministro do STF cogita anular os efeitos da
justa condenação do ex-presidente por tentativa de golpe
A via correta para reduzir penas exageradas é
o plenário da corte autorizar logo a vigência da lei da dosimetria, aprovada
pelo Congresso
Causa espécie a notícia de que o ministro Kassio Nunes
Marques, do Supremo Tribunal Federal, cogita anular os
efeitos da condenação do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL)
e permitir a sua soltura, mediante decisão monocrática. Parece que juízes da
corte constitucional não compreenderam a intolerância da sociedade com esse
padrão de intromissão político-partidária.
A causa é acintosa. Não há dúvidas da participação do então candidato derrotado à reeleição numa trama para subverter o resultado das urnas. Testemunhos e provas asseguram que o Brasil só não viveu a recidiva autoritária pela resistência da cúpula das Forças Armadas, liderada pelo general Freire Gomes, do Exército.
Lula e Flávio representam dois projetos de nação que dividem o Brasil, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O segundo turno não será apenas o confronto
entre os dois candidatos mais votados. As urnas deslocaram a expectativa de
poder de Lula para Flávio Bolsonaro
O segundo turno da eleição brasileira
mobiliza complexos interesses. Terras-raras, energia, alimentos, dados,
infraestrutura e Amazônia integram a disputa entre Washington e Pequim. Uma
vitória de Flávio Bolsonaro aproximará Brasília da agenda de Trump, encurtando
a distância política que Lula preserva. O comércio com a China dificulta uma
ruptura, mas cresce a pressão por um realinhamento diplomático radical.
O Brasil vive uma encruzilhada geopolítica e, ao mesmo tempo, de modelo de desenvolvimento: negociar sua inserção como produtor de tecnologia e bens de maior valor ou ampliar o papel de fornecedor de produtos agrícolas e recursos minerais estratégicos. A aproximação americana pode trazer investimentos, mas restringir as alternativas. Em contrapartida, a autonomia que Lula defende precisa produzir resultados. A diplomacia não supera, sozinha, a dependência tecnológica.
Cláusula de desempenho: menos partidos no Legislativo, mais ideologia? Por Evelyn Apolinaria e Isaac Jordão Sassi*
Correio Braziliense
Menos siglas não significa mais identidade
programática, mas pode significar grandes blocos mais heterogêneos
Dezesseis dos 30 partidos registrados no país
não alcançaram os requisitos da cláusula de desempenho nas eleições de domingo
e ficarão sem fundo partidário, sem tempo de rádio e de TV a partir de 2027. A
inspiração para essa regra, porém, remonta à Alemanha pós-Segunda Guerra
Mundial como um mecanismo para impedir que partidos minoritários pudessem
ascender lentamente à participação do parlamento.
No Brasil, a tentativa de implementar um mecanismo semelhante aconteceu pela primeira vez em 1995, por meio da Lei dos Partidos Políticos, como um mecanismo para impedir que partidos nanicos ocupassem cada um poucas cadeiras na Câmara e causassem fragmentação excessiva. Contudo, o início da aplicação da cláusula foi adiado para 2006, quando foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Tsunami do PL poderia ter sido previsto, por Fernando Exman
Valor Econômico
Deve-se esperar um intenso trabalho nos bastidores dos chineses junto às autoridades brasileiras, em meio à guerra tarifária iniciada pelos EUA
Entre aliados do senador Flávio Bolsonaro, há uma avaliação de que muitos dos 56,1 milhões de eleitores que votaram no candidato do PL à Presidência da República no domingo (4) o fizeram mais para se posicionar “contra” a atual situação do país do que por estarem necessariamente a favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Contra os excessos da Justiça, contra a falta de segurança nas ruas, contra o endividamento, contra a carestia.” Contra algo e alguém, neste caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu governo.
O dilema da campanha: Faria Lima ou povão? Por Lu Aiko Otta
Valor Econômico
Há na área econômica do governo sérias dúvidas sobre a eficácia do lançamento de novas ‘bondades’ neste segundo turno
Há na área econômica do governo federal
sérias dúvidas sobre a eficácia do lançamento de novas “bondades” neste segundo
turno eleitoral. Primeiro, porque não há nada pronto para ser anunciado.
Segundo, porque uma medida sacada da cartola a essa altura do campeonato, com o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na
corrida pela Presidência da República, poderia até ser malvista, ao passar um
clima de “fazer o diabo para ganhar a eleição”.
Mesmo assim, ninguém jura que não haverá
novas medidas daqui até o dia 25 de outubro. A postura nos bastidores da equipe
econômica é de colaboração.
A hesitação entre lançar ou não mais “bondades” reflete um dilema que corre entre estrategistas da campanha de Lula em relação a temas econômicos: fazer um aceno para os agentes de mercado ou falar ao povão. O presidente precisa se aproximar dos dois grupos, mas agradar a um quase sempre é desagradar ao outro.
Não há falta de futuros, mas há falta de sentidos, por Rui Tavares
Folha de S. Paulo
A democracia tem que saber em que acredita; e
dizê-lo
Se não dermos sentidos para o progresso e até
para a humanidade, não teremos vidas que valham a pena ser vividas
"Estamos fartos", diz um dos participantes nos protestos estudantis em França. "Não há futuro para nós", diz outro. As mesmas frases poderiam ser ditas —e foram— sobre outros protestos e revoltas na história; as mesmas frases têm sido usadas para descrever as reações de eleitorados em todo o mundo, a cada vez que uma eleição corre como não era previsto. Não é impossível que os protestos deste ano na França acabem por ajudar à eleição de Marine Le Pen no próximo ano. Mas será que o lugar-comum faz sentido?
Como o Plano Barrabás e mexida na Constituição ameaçam ajuste fiscal de um Bolsonaro 2, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Expectativa de vitória já diminui taxas de
juros, mas Flávio esconde programa econômico
Ataques ao sistema e histórico de governo Bolsonaro 1 lançam dúvidas sobre plano
Donos e administradores do dinheiro grosso
tiveram de alterar suas aplicações porque Flávio
Bolsonaro (PL)
venceu
o primeiro turno. Dadas as alternativas, Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cresceu um
pouco a probabilidade de contenção de gasto e dívida do governo, o que afeta juros, moeda,
etc.
Não interessa agora se a expectativa vai se confirmar. Amanhã vai ser outro dia. Importa falar dos riscos das expectativas para Bolsonaro 2.
O caminho mais seguro para perder uma eleição presidencial, por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Confundir merecimento com voto e certezas com
realidade é caminho seguro para a derrota
Se é preciso virar um jogo, o eleitor
decisivo é justamente aquele que não fala a sua língua
Vamos supor que você queira disputar uma eleição presidencial
numa situação em que quase metade do eleitorado diz que não votaria em você em
hipótese alguma. O país está ávido por mudança, mas esta é a sétima vez que
você concorre ao mesmo cargo.
É verdade que seu adversário tem rejeição semelhante. Mas há uma diferença importante: é você quem governa o país. É de você que se cobram os problemas que continuam sem solução e as coisas que as pessoas acham que um governo deveria entregar. Para piorar, há mais brasileiros avaliando negativamente a sua administração do que aprovando-a.
A síndrome do segundo mandato, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
A exemplo de Trump e Netanyahu, um novo
governo do clã Bolsonaro tenderia à radicalização
Fraqueza do STF e Congresso dominado pela
ultradireita agravam os riscos institucionais
Biológica e juridicamente, Jair e
Flávio
Bolsonaro são seres distintos. Mas, politicamente, atuam como um
coletivo. Assim, uma vitória de Flávio iniciaria não o seu primeiro mandato,
mas o segundo do clã Bolsonaro. E é aí que mora o perigo.
A literatura mostra que processos de erosão democrática patrocinados por líderes autoritários costumam ficar mais agudos a partir de seus segundos mandatos. E esses movimentos tendem a intensificar-se ainda mais se o dirigente tiver sido removido do poder por um período e depois retornado. É aí que eles vêm com sangue nos olhos. Vimos isso claramente nos casos de Trump 2, de Netanyahu pós-2022 e do último Viktor Orbán. Candidatos a explicar a radicalização incluem os ressentimentos acumulados, o maior conhecimento das engrenagens do poder, que torna suas ações mais eficazes, e o afastamento dos membros mais moderados de suas coalizões.
Perfil do Congresso será conservador como sempre foi, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
É precipitada e incorreta a conclusão de que
houve, agora, um avanço inédito da direita no Parlamento
A diferença é o desempenho dos radicais, que,
no fim, se alinham sob o guarda-chuva pragmático do centrão
O Congresso
Nacional eleito para os próximos quatro anos não será mais nem menos
conservador do que sempre foi se olharmos o perfil geral pela predominância de
representação do centro à direita.
No quadro mais amplo, a Câmara dos Deputados, isso se vê melhor: dos 57% atuais, esse campo vai para 59% dos deputados. A esquerda segue minoritária como sempre, com os mesmos 24%, considerando o PT e agregados.
Entrevista | Antonio Lavareda: ‘Voto para presidente não mostra revolução de direita’, por Hugo Henud
O Estado de S. Paulo
Cientista político atribui o revés de Lula no 1.º turno à abstenção e ao pessimismo econômico
Sociólogo, é professor colaborador da pós-graduação em Ciência Política da UFPE e especialista em comportamento eleitoral
A dianteira de Flávio Bolsonaro (PL) sobre
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno não representa, na avaliação
do cientista político Antonio Lavareda, uma “revolução de direita” no voto presidencial.
Para Lavareda, pequenos deslocamentos do eleitorado em relação a 2022 foram
suficientes para produzir um resultado politicamente expressivo e colocar o
senador à frente do presidente na disputa pelo Palácio do Planalto. “Aqueles
que interpretam que houve uma grande revolução de direita podem usar outros
parâmetros, mas o voto presidencial não mostra isso”, diz.
Em entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que a abstenção ajuda a explicar por que a vantagem de Lula registrada por pesquisas às vésperas da votação não apareceu nas urnas. Para o segundo turno, Lavareda afirma que uma virada de Lula é possível, embora difícil, e exigiria movimentos em três frentes: recuperar parte dos eleitores que se abstiveram, disputar os votos das candidaturas eliminadas, em sua maioria, segundo ele, de perfil conservador, e avançar inclusive sobre quem escolheu Flávio no primeiro turno.
Leia os principais trechos:
As ilusões perdidas, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
A direita tradicional pensou que trataria o bolsonarismo como o MDB fazia com as siglas da esquerda
Ao fazer o retrato inicial de Lucien Chardon,
o jovem de origem modesta que aspirava à aristocracia adotando o nome da mãe –
Rubempré –, Balzac escreveu que suas “belas ilusões da juventude” ainda não
“haviam sido afetadas pelos desejos e pelas dificuldades da vida”. Lucien
reencontrava suas recordações, suas ilusões e seus vinte anos ao voltar à sua
terra. Esse parece o caso, em cada eleição, das principais forças políticas do
País.
Seria preciso um Balzac para demonstrar como a terceira via se iludiu durante quatro anos ao se juntar aos Bolsonaros em cada manifestação da Avenida Paulista em vez de lhes disputar a hegemonia na oposição? Quem passou a vida vendo a banda passar sai da urna da mesma forma que entrou. Ou pior: desempregado. Esperidião Amin que o diga. A direita tradicional pensou que trataria o bolsonarismo como o velho MDB tratava as siglas de esquerda que abrigava nos anos 1980: uma turma do barulho, mas que lhe trazia votos.
Voto em Flávio Bolsonaro vai soltar Jair, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Kassio Nunes Marques indica que pode dar canetada
e libertar ex-presidente após eleição
Kassio Nunes Marques mandou avisar: encerrada
a eleição, quer julgar o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de
Jair Bolsonaro. Para surpresa de ninguém, o ministro fez circular que vê
“exageros” na condenação do ex-presidente. Acrescentou que também estuda
soltá-lo com uma liminar, antes de levar o processo a plenário.
Flávio Bolsonaro nunca escondeu que sua primeira medida, se eleito, será assinar um indulto para tirar o pai da cadeia. A novidade é a disposição de Kassio, enrolado no escândalo do Banco Master, para antecipar o processo com uma canetada. Os bolsonaristas que demonizam as decisões monocráticas do Supremo não devem protestar.
O que vem por aí caso Flávio vença, por Vera Magalhães
O Globo
Mercado espera reforma fiscalista, mas ênfase
da campanha, inclusive do início do segundo turno, é em ameaças ao STF e buscar
indulto a Jair e demais condenados
A euforia nos mercados depois do primeiro
turno em que Flávio Bolsonaro terminou na frente de Lula parte do princípio de
que, se o senador do PL vencer a eleição no próximo dia 25, haverá reformas
econômicas no período inicial do mandato, conhecido por representar uma lua de
mel entre o presidente eleito e o Congresso. Todas as indicações do candidato e
do comando de sua campanha, no entanto, deixam claro que essa está longe de ser
a prioridade.
Um dos primeiros atos de Rogério Marinho, coordenador da campanha e visto como homem forte de um possível governo Flávio, foi visitar o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, para deixar claro que o futuro governo não “se omitirá” em relação a ministros da Corte.
A direita veio para ficar, por Elio Gaspari
O Globo
O mapa eleitoral replica o de 1974 desde 2022
Desde a eleição presidencial de 2022, o mapa
eleitoral mostra que Bolsonaro prevalecia no Sul e no Sudeste. Lula
prevaleceu em Minas e no Nordeste.
Em 1974, a ditadura estava certa de que
triunfaria e tomou uma bofetada eleitoral. A oposição elegeu 16 dos 22
senadores. (Naquele tempo, os governadores eram eleitos indiretamente; a
disputa pelo Senado era a maior eleição majoritária disponível.)
A ditadura foi ferida de morte. Numa análise
grosseira, em 1974 o PIB
votou na oposição, e o regime ficou com os grotões. Em 2022, o mapa foi
semelhante, e em 2026 a escrita repetiu-se, aprofundando-se.
A ditadura foi surpreendida em 1974. Em 2026, o PT foi para a guilhotina com indolência. Em São Paulo, a vitória de Orestes Quércia era inimaginável em 1974, tanto que Ulysses Guimarães não quis disputar o Senado. Em 2026, depois de ter perdido a capital por uma margem de 1 milhão de votos, o PT marcou presença e lançou Fernando Haddad ao governo e foi derrotado com uma diferença de 6 milhões de votos (36%).
terça-feira, 6 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Segundo turno exige comedimento do Judiciário
Por O Globo
TSE e STF precisam ter sensatez nas decisões
sobre o pleito, para não interferir na vontade do eleitor
Definido o resultado do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegando à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por diferença de quase 2 pontos percentuais, a disputa ao Palácio do Planalto entra agora numa fase decisiva. Os dois candidatos confrontarão suas ideias por meio de propaganda eleitoral, entrevistas e debates, para dar aos eleitores oportunidade de escolher entre os dois projetos. É fundamental que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) demonstrem sensatez e comedimento em suas decisões relacionadas ao pleito, de modo a não interferir na vontade do eleitor. Devem agir sobretudo nos casos absolutamente necessários, para impedir ou corrigir injustiças.
Direita avança, Congresso muda e estados pesam no segundo turno, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Caiado e Zema sinalizam oposição ao PT; Cury e
Renan não orientam eleitores. Flávio busca novas adesões e Lula votos no
Sudeste
O primeiro turno deu a Flávio Bolsonaro mais do que a dianteira na disputa
presidencial. Entregou ao candidato do PL palanques fortalecidos, a maior
bancada da Câmara e um avanço expressivo no Senado. Lula preservou sua
fortaleza nordestina, mas precisará ampliar suas fronteiras eleitorais para vencer
em 25 de outubro. A eleição também revela uma mudança na composição da classe
política: lideranças mais jovens, familiares de políticos tradicionais e
personagens projetados pelas redes sociais ganham espaço, combinando renovação
geracional e continuidade de correntes ideológicas e oligarquias conservadoras
no poder.
‘Há duas questões centrais em jogo: em primeiro lugar, a democracia’, por Sérgio Abranches
Valor Econômico
Há, para mim, duas questões centrais em jogo.
Em primeiro lugar, a democracia. O ponto, digamos, mais profundo de risco à
democracia é a negação da tentativa de golpe de 2022 por Flávio Bolsonaro.
A crise no STF completou o processo de esgarçamento institucional. O presidencialismo de coalizão está paralisado com o desequilíbrio nas relações Executivo/Legislativo. O resultado das eleições para o Congresso agrava esse quadro com uma bancada expressiva de extrema-direita. E a crise no STF atinge a capacidade de mediação e resolução de conflitos entre os dois Poderes.
Lula revê estratégia para recuperar eleitores
Valor Econômico, por Sofia Aguiar, Lucas Borges Teixeira, Cristiane Agostinee Lu Aiko Otta
Decepcionado com o resultado do primeiro
turno, o “day after” da contagem dos votos serviu para o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) dar início a um freio de arrumação de olho na reeleição. Uma
das principais preocupações da campanha é rever as estratégias para recuperar
eleitores de São Paulo, Minas Gerais e dos Estados da região Nordeste, com o
objetivo de melhorar o desempenho do petista. Em outra frente, a comunicação da
campanha é pressionada a mudar e é vista como uma das responsáveis pela
performance aquém do esperado nas urnas no domingo (4).
Com o intuito de renovar a estratégia para os
próximos 20 dias, Lula realizou, na segunda-feira (5), reuniões com o grupo
político de seu governo e candidatos derrotados, vitoriosos e que ainda
concorrem ao segundo turno, além de integrantes do núcleo duro da campanha.
Em um dos encontros, o presidente admitiu que precisa falar mais e fazer mais mobilização. Segundo ele, é preciso “fazer mais rádio, mais selfie, conversar mais e arrumar tempo para fazer campanha”. Nesse sentido, afirmou que é importante participar dos debates nesta segunda etapa - o que não fez no primeiro turno - “porque é tête-à-tête”, em referência a um embate direto com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que conquistou mais votos que o petista nas urnas.
O poder do voto sobre a toga, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Resultado eleitoral no Rio mostra o efeito rebote da intervenção judicial
Nas primeiras falas do presidente do PL,
Valdemar Costa Neto, e no resultado eleitoral do Rio, há um mapa de 2º turno. O
comandante da avalanche do PL nas eleições majoritárias e proporcionais disse
que o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso o filho se eleja, será reabilitado
para disputar a Presidência da República.
As perspectivas de reabilitação do ex-presidente, as ambições da senadora eleita Michelle Bolsonaro (DF) e a maiúscula votação do deputado federal Nikolas Ferreira (MG) deixam claro que, nem tão cedo, o PL pretende ceder o manche para a direita tradicional. Ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cumpra sua promessa de pôr fim à reeleição, não parecerá disposto, se eleito, a entregar o poder para que outro aventureiro lance mão.
Brasil marcha à direita, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Virada de Lula no segundo turno não é
impossível, mas é bem difícil
País se junta a outras nações em onda de
ultradireita
A direita fez
barba, cabelo e bigode nestas eleições.
Se o futuro é contingente, não dá para descartar uma virada de Lula
contra Flávio
Bolsonaro no segundo turno, mas ela é improvável. Os menos de dois
pontos percentuais que separam o petista de seu adversário podem não
parecer muita coisa, mas os eleitores de Renan Santos, Augusto Cury
e Ronaldo
Caiado, que ficaram órfãos, tendem a ter um perfil mais conservador.
Difícil imaginar que migrem para Lula em desproporção tal que compense e supere
a diferença.
É claro que o imponderável pode dar as caras. Eleitores sempre podem mudar de ideia. Imagino até que os serviços de "opposition research" do petismo tenham guardado algum vazamento suculento contra Flávio. Tudo é possível, mas nada aponta um caminho muito fácil para a virada.
Difícil, mas Lula pode virar se mudar a rota e souber jogar, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Se nunca houve reviravolta entre os dois
turnos, nunca a distância do primeiro para o segundo lugar foi tão pequena
A dúvida é se o presidente terá força e
discernimento bastantes para corrigir os erros a tempo de ganhar
O desempenho
da direita impressionou, mas não o suficiente para consolidar a impressão
de que a eleição esteja resolvida, Jair
Bolsonaro indultado e os golpistas anistiados.
É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, e é fato também que nunca a distância foi tão estreita.
A derrocada da esquerda é ainda mais dura que a de 2018, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Bolsonaro pai planejou fazer sua volta ao
poder usando a força do voto
Filho 01 pensa no acerto de contas e já age
como se estivesse no Palácio do Planalto: fim do PT
Preso em novembro de 2025 por tramar um golpe
de Estado para impedir a posse de Lula em 2023,
Bolsonaro planejou fazer a volta ao poder usando a força do voto. É paradoxal,
mas o bolsonarismo é assim.
Até agora está tudo dando certo. O filho Flávio venceu o primeiro turno por uma diferença de 2,4 milhões de votos e, dependendo da reação de Lula, que no momento parece improvável, deverá ser eleito presidente no último domingo de outubro. Ao som do funk, o 01 já age como se estivesse no Palácio do Planalto comandando o acerto de contas: "Está decretado o fim da era PT".
Para entender a euforia do mercado com Flávio Bolsonaro, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Mera expectativa de 'ajuste' incerto derruba
juros, maior queda em quase 20 anos
Queda de juros revela custo que país paga
quando não há nem promessa de ajuste econômico
Dólar e Bolsa são os sinais mais "pop" da euforia de "o mercado" com a possibilidade agora muito maior da vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Presta-se menos atenção ao que se passa no mercado de juros. Isto é, onde grosso modo se definem taxas de empréstimos para o governo federal, em vários prazos, mercado de títulos da dívida pública, em geral o piso das taxas para a economia inteira. Na manhã desta segunda (5), as taxas caíam para todos os prazos, em particular para títulos de prazo de dois anos ou mais. As baixas mereciam aquele clichê jornalístico, "despencam", com quedas de mais de 1 ponto percentual para negócios de cinco anos, uma brutalidade. Caíam tanto que a B3 teve de ampliar limites máximos de variação diária. Estourou a boca do balão.
Sob a onda conservadora, por Jorge J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
O segundo turno é uma nova eleição, que está
apenas começando. Como surpreendeu no primeiro turno, Flávio Bolsonaro pode ser
surpreendido no segundo
Além de surpreendente, pois até a véspera a maioria das pesquisas de intenção de voto não a indicava, a vitória numérica do candidato Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais mostra de modo eloquente a consolidação do prestígio da direita. É preciso observar, porém, que, mesmo expressiva, a vantagem de 2,2 milhões de votos que Bolsonaro obteve sobre seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é garantia antecipada de vitória no segundo turno. Em 2022, nas quatro semanas entre o primeiro e o segundo turnos, o pai de Flávio, o hoje preso expresidente Jair Bolsonaro, conseguiu reduzir em 4,1 milhões de votos, de 6,2 milhões para 2,1 milhões, a diferença que o separava do mesmo candidato que o filho enfrenta neste ano. Mas Flávio começa a campanha do segundo turno com vantagem.
Todas as condições contra Lula, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Os ventos são contra Lula, mas ele parece não entender que o problema não é Flávio, é a onda da direita
A onda é a favor de Flávio Bolsonaro e contra
Lula, que encontra condições de tempo e temperatura bastante desfavoráveis para
atravessar o segundo turno com chance de vitória. Hoje, já se pode fazer o que
não foi possível no fim do primeiro turno: apontar um favorito, que é Flávio.
A Flávio, basta não cometer erros. Para Lula ter chance de mais um mandato, é preciso acertar nas estratégias e nos aliados e alvos num ambiente hostil – e com o tempo correndo contra. Imagine-se o clima na campanha de Lula, envolvida em decepção, desânimo e troca de acusações.
A eleição do nariz tapado, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
Não estará no gibi – o Supremo como grande eleitor – o quanto de 22 nas urnas Gilmar Mendes e Flávio Dino deram a Flávio Bolsonaro. Podem lhe dar ainda mais, os interventores. Só Nossa Senhora sabe. (Desaparecido Xandão, por ora.) (Sossegado Eduardo Bolsonaro, por ora.). Só Tarcísio poderia lhe dar mais votos; o resultado – a liderança ao fim do primeiro turno – sendo desestimulante para qualquer corpo mole. E já se achegam os donos do Centrão para oferecer o apoio negado três meses atrás. Chama-se perspectiva de poder.
O risco extremo da democracia, por Míriam Leitão
O Globo
Se ganhar, Lula terá uma oposição com força inédita, já Flávio terá maioria para completar o projeto autoritário
Para o Brasil, não há cenários fáceis à frente. Se o presidente Lula for eleito, pode enfrentar crises de governabilidade, a menos que tenha a capacidade de formar uma coalizão diante da direita fortalecida no Congresso. Se o eleito for Flávio Bolsonaro, ele terá nas mãos mais instrumentos para realizar o projeto autoritário do pai: bancadas robustas na Câmara e no Senado, o Supremo Tribunal Federal enfraquecido e o apoio do governo Donald Trump. A ciência política sabe que é no segundo mandato que o projeto autocrata dobra a aposta. Veja-se o caso de Donald Trump. O risco não é de o filho repetir o pai, é de superá-lo.
Ventos de direita: crise anunciada, por Fernando Gabeira
O Globo
Bolsonarismo se valeu da ideia de perseguição
política e cresceu na condição de vítima
Aconteceu. Independentemente do resultado do
segundo turno, o grande fato político é a vitória da direita no Senado, que,
desde já, anuncia um ano de crises institucionais com o STF.
Aconteceu, e não creio que se possam culpar
apenas os erros de campanha. A performance do governo teve peso. A frente que
venceu em 2022 não foi capaz de crescer após as eleições, não soube se expandir
para setores ainda não conquistados.
Escrevi alguns artigos mencionando minhas dúvidas aqui e ali. Mas às vezes as críticas são muito mal recebidas, e o velho argumento de que criticar é favorecer o adversário continua sendo dominante.
Orgulho e preconceito, por Merval Pereira
O Globo
Dirigentes do PT têm a pretensão de ser os
donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção.
Sempre se soube que o Brasil é um país conservador, mesmo que seja governado pela quinta vez por um presidente de esquerda (três vezes Lula e duas vezes Dilma). A supremacia surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, não quer dizer, porém, que a maioria dos cidadãos seja de extrema direita. Assim como as vitórias de Lula não comprovam que a maioria daqueles momentos era de esquerda, agora também a extrema direita não define a maioria dos que votaram em Flávio.
Aquilo que aconteceu, por Pedro Doria
O Globo
Ela gosta do brasileiro pobre que imagina,
despreza o que existe
A única classe social em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu no primeiro turno foi a E. Nacionalmente, recebeu 54,4% dos votos dos brasileiros mais pobres. Mas aquela em que apresentou a menor distância para Flávio foi a classe A: 40,1% ante 48,7% do senador. Em nenhuma região a distância entre os dois, na classe A, foi tão estreita quanto no Sudeste. O filho de Bolsonaro ganhou, mas por 4 pontos percentuais. Na cidade do Rio, Lula venceu na classe A por 46% a 44%. Em São Paulo, foi Flávio quem levou vantagem — 44% a 42%. Lula ganhou entre os 27% mais pobres e foi extremamente competitivo entre os 3% mais ricos. Perdeu no resto.
Sobre “pós-tudo”: o que já está posto e o que está por vir, por Paulo Fábio Dantas Neto*
Brasil: La urgencia de remontar esta nueva batalla electoral, por Fernando de la Cuadra
Clarin Chile
Antes del pleito de este domingo, la casi totalidad de las encuestan daban como ganador al presidente Lula da Silva -aunque por un estrecho margen-, en torno de dos o cuatro puntos porcentuales. Con el 100 por ciento de los cómputos escrutados ya en la madrugada, esta situación se invirtió y aparece Flavio Bolsonaro con un 47,03 por ciento de los votos, frente al actual mandatario que obtuvo un 45,16 por ciento, es decir, poco menos de 2 puntos de diferencia.
Um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém, por Pablo Spinelli
A começar pela subida da rampa quando a simbologia daqueles personagens – que não se sabe se subiram novamente – já dificultava o entendimento do que foi prometido: um governo de pacificação e união nacional e a governabilidade com a Frente Democrática. Nem um gesto para a construção do “ministério do amor” e do “vamos namorar”, palavras ditas em tom de gracejo do então candidato Lula. Como os jovens poderiam namorar com dívidas? Sem ir ao cinema, tomar um sorvete, nada. As políticas de entrega de dinheiro à sociedade já foram internalizadas como direitos ou como uma prática de compra do voto, das mentes e dos corações que seriam respondidas pela traição na urna. A péssima política educacional ficou resumida ao “pé-de-meia”, uma política tão neoliberal quanto os vouchers de Paulo Guedes. Há de ser feita uma pesquisa para os “pés-de-meia” quanto aos seus votos.






.jpg)

.jpg)











.jpg)

.jpg)
.jpg)









