quinta-feira, 16 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Justiça Eleitoral patrocina desinformação sobre pesquisas

Por Folha de S. Paulo

Selo de 'acurácia' proposto por Nunes Marques difunde falsa premissa de que estudos podem prever o futuro

Juízes não têm poder constitucional de tutela sobre a liberdade de informar nem competência técnica para arbitrar qualidade das pesquisa

De 2019 a 2022, as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral no Brasil foram alvo de uma abjeta campanha de desinformação liderada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). O método consistia em difundir cogitações falsas mas sedutoras ao público não especializado, como a de que os dispositivos de votação e apuração eram vulneráveis a invasões e manipulações.

Quatro anos depois de encerrada a aventura autoritária, o próprio Tribunal Superior Eleitoral torna-se fonte de uma torrente de falsificação de informações técnicas. Desta vez as pesquisas eleitorais encontram-se na mira do ataque que, como aquele outro, propaga equívocos que poderiam causar apelo em pessoas pouco versadas na ciência estatística.

Em decadência, por Merval Pereira

O Globo

Pesquisa abre necessariamente um momento de reflexão sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência

A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem abre necessariamente um momento de reflexão no bolsonarismo e no próprio PL sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A pesquisa, amplamente favorável ao presidente Lula, tem sinais claros de queda acentuada nas preferências por Flávio, mesmo entre os evangélicos. O que facilita a permanência da candidatura do filho do ex-presidente é que nenhum candidato da direita se beneficiou da queda, restando ainda a esperança de que o aumento dos indecisos possa ser revertido ao longo da campanha. Lula abriu vantagem fora da margem de erro, e a queda da inflação, junto com o crescimento da economia — pequeno, mas persistente — leva uma situação de estabilidade à sua campanha.

Pesquisa Quaest deve fazer Lula voltar a sonhar com vitória no primeiro turno, por César Felício

Valor Econômico

Presidente tem 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro e 13% da soma dos outros adversários

A possibilidade de um desfecho da eleição presidencial no primeiro turno volta a entrar no cenário das possibilidades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do resultado da rodada Quaest que foi divulgada na manhã desta quarta-feira. O presidente consegue 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro (PL) e 13% da soma de seus adversários. Na rodada de junho, a diferença era de 39% para Lula e 42% para o restante. Há dúvidas sobre a solidez do resultado, contudo, já que a porcentagem de indecisos oscilou de 10% para 11%.

Pauta-bomba, populismo e irresponsabilidade, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

A responsabilidade fiscal é um princípio basilar da Constituição federal de 1988. Não se trata de ser a favor de Estado mínimo, de cortes de gastos unilaterais ou coisa que o valha. Na verdade, a ideia da responsabilidade é simples: não se pode gastar sem apresentar a fonte de financiamento. O equilíbrio intertemporal das contas públicas é condição inescapável para a prosperidade e o desenvolvimento integrado da nação. Hoje, o Congresso trabalha contra esse princípio e, portanto, contra o País.

As lideranças do Legislativo têm se arvorado na missão de prejudicar a vida do Poder Executivo, diuturnamente, apreciando e aprovando pautas com efeito fiscal relevante e permanente. A mais recente pautabomba aprovada foi o regime diferenciado de aposentadoria para agentes de saúde.

Eleições e o conluio, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não se sabe se será alterado o equilíbrio do fio da navalha entre os Poderes

A participação do STF na política virou hoje o único fator abrangente empurrando a oposição, que padece claramente de liderança e direção. Até Lula, que não governa sem o Supremo, reconhece que o STF lhe traz problemas de popularidade.

A recente proibição a Flávio Bolsonaro de visitar o pai, imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, apenas reforça essa percepção por parte de uma enorme parcela do público: a de que o STF é parte da luta político-partidária e, portanto, tem lado. Se a proibição determinada pelo ministro se justifica por critérios técnicos (violação das medidas cautelares por parte de Bolsonaro), isso em nada altera esse quadro.

Lula não entregará o que Trump deseja, o fim do Pix, apesar do tarifaço, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A ofensiva contra o Brasil não deve ser examinada apenas como uma disputa sobre alíquotas, etanol, plataformas digitais ou acesso a mercados. Trata-se de um choque institucional

Representantes do governo dos Estados Unidos informaram ao Itamaraty que a decisão sobre a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros já foi tomada. Somente após a divulgação da decisão, porém, o governo brasileiro analisará o teor do anúncio, para definir qual será a sua reação. Mais ou menos como naquele refrão do samba Malandragem Dá Um Tempo ( "Vou apertar, mas não vou acender agora"), de autoria de Adelzonilton, Moacyr Bombeiro e Popular PA, imortalizado pelo sambista Bezerra da Silva e músico letrado, que tocava violão clássico em orquestras e era notável percussionista.

Brasil vive hoje um quadro de feudalismo fiscal, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Termo foi cunhado há seis anos pela procuradora Élida Graziane e virou realidade

Emendas funcionam como vassalagem, em troca de lealdade e proteção entre agentes políticos

O Brasil já vive um quadro de feudalismo fiscal. O termo foi cunhado há seis anos por Élida Graziane, especialista em contas públicas e procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo.

Na época, a previsão era um alerta para os riscos no futuro. Mas o que era um prognóstico se transformou em realidade rapidamente.

Nos últimos tempos, assistimos sem reação à adoção de medidas populistas, aprovação de pautas-bomba, negociatas com emendas, aumento de penduricalhos para servidores, de benefícios fiscais e tantos outros mecanismos de captura de recursos públicos.

Os caminhos da extrema direita, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A direita aclimatada ao jogo democrático perde primazia para populistas

Populismo de direita torna imponderável o futuro do sistema representativo

"Bolsonaro tem os votos", constatou o presidente do PLValdemar Costa Neto, ao avaliar a importância da carta na qual o ex-presidente, em prisão domiciliar, reiterou seu apoio à candidatura do primogênito. A declaração vale para o momento, mas também retrata a dependência das forças da direita tradicional da musculatura eleitoral de sua expressão política mais extremada.

A mudança do centro de gravidade do campo direitista nesse rumo não é peculiaridade brasileira. A extrema direita avança no Ocidente, observa Sérgio Fausto, diretor-geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso, em lúcido artigo publicado em O Estado de S. Paulo, na segunda-feira (13).

Poesia | Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, de Pablo Neruda por Paulo Guilarducci

 

Música | Chico Buarque - Mil Perdões

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aumento de home office no setor público é retrocesso

Por O Globo

Brasil segue na contramão de governos que reduzem trabalho remoto para elevar produtividade

O número de servidores públicos federais em regime remoto parcial ou integral cresceu 28% entre outubro de 2024 e maio deste ano. São 107,8 mil funcionários em home office. No setor privado, a tendência é oposta. A expansão no setor público conta com o apoio do governo e destoa do que acontece noutros países. Governos de diferentes linhas políticas têm endurecido as regras porque a produtividade do setor público é afetada negativamente. Na semana passada, todos os servidores federais canadenses em jornada híbrida passaram a ter de comparecer em seus locais de trabalho quatro dias por semana por decisão do primeiro-ministro Mark Carney, de centro-esquerda. A mesma regra foi adotada no início do mês na Califórnia, seguindo ordem do governador democrata Gavin Newsom. Ao voltar à Casa Branca, o republicano Donald Trump decretou o fim do trabalho remoto.

Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de segundo turno e aumenta vantagem contra Flávio Bolsonaro, por Yago Godoy

O Globo

Pré-candidato à reeleição possui 45% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 37%; em abril, petista aparecia com 40%, contra 42% do filho do ex-presidente

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário até o momento, o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Lula, que, na divulgação anterior, marcou 44%, enquanto Flávio tinha 38%.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

A direita está esfarelada, por Elio Gaspari

O Globo

Na segunda metade do século passado, a esquerda brasileira foi uma das mais divididas do mundo. Integrantes famosos de suas organizações geralmente passaram por três delas. Dilma Rousseff passou por quatro: Política Operária (Polop), Comando de Libertação Nacional (Colina), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), todas clandestinas. Hoje é a direita que se esfarela. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, potencial candidato ao Planalto, resolveu ficar de fora. Restou o bolsonarismo dinástico. Ao tempo dos Bragança, D. Pedro II se dava mal com o cunhado, o Conde D’Áquila, mas a rusga ficou circunscrita ao palácio. Hoje, Michelle Bolsonaro grava vídeo alfinetando Flávio Bolsonaro, que, por sua vez, tem o apoio do pai encarcerado.

Como ensina o repórter Octavio Guedes, eles se desentendem seguindo um roteiro de novelas de televisão, em capítulos sem vestígio de interesse público.

Da velha direita sobrou pouca coisa. Ronaldo Caiado e Romeu Zema ainda não conseguiram decolar. Flávio, por sua vez, arrisca ser abatido em voo.

O antídoto de Flávio contra Michelle, por Vera Magalhães

O Globo

Presidente conseguiu, à base de uma sequência de medidas com viés eleitoral, interromper a trajetória de deterioração; impulso inicial de senador se dissipou após uma sequência de reveses

Lula conseguiu praticamente “zerar” o desgaste do primeiro semestre, período em chegou a ver a dianteira nas pesquisas eleitorais ameaçada por Flávio Bolsonaro e teve o favoritismo questionado por analistas graças à reprovação maior que a aprovação ao seu governo. Flávio, por sua vez, voltou praticamente ao patamar de intenções de votos que tinha em dezembro, quando foi apontado por seu pai, Jair, como candidato a substituí-lo na disputa presidencial.

Essas são as principais conclusões a partir da rodada de julho da pesquisa Genial/Quaesta última antes do início oficial da campanha.

O mercadão das emendas, por Bernardo Mello Franco

O Globo

STF vê 'privatização do orçamento' em repasses operados por Cunha e Valdemar

Eduardo Cunha foi cassado e preso, mas não largou o osso. Sem mandato desde 2016, o ex-deputado encontrou uma nova forma de roer o orçamento. Abocanhou emendas reservadas para parlamentares em exercício.

O contrabando foi descoberto pela Polícia Federal. Em ofício ao Supremo, os investigadores descreveram Cunha como “beneficiário direto de malfeitos”. O ministro Flávio Dino mandou bloquear R$ 6 milhões em bens do ex-deputado, que nega irregularidades.

Quando a “pequena política” põe em risco o papel do Estado Democrático, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Se a distribuição dos investimentos da União deixa de obedecer critérios técnicos, de transparência e de avaliação de resultados, o Estado passa a ser fragmentado, mas ningém é responsável pelos resultados

A reação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, às decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela algo mais profundo do que uma disputa judicial em torno de emendas parlamentares. Ao tratar como natural a participação de um dirigente partidário sem mandato na indicação de verbas públicas — prática também atribuída pela Polícia Federal ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha —, Valdemar expõe uma cultura política dominante no Congresso Nacional que passou a considerar o Orçamento da União patrimônio compartilhado por cúpulas partidárias, líderes do Congresso e operadores instalados na máquina legislativa.

Dano colateral da guerra no ambiente de negócios, por Fernando Exman

Valor Econômico

Há um dano colateral da guerra no Oriente Médio no ambiente de negócios do Brasil, mais especificamente no setor de petróleo. Ele tem nome e sobrenome: Imposto de Exportação.

Empresas privadas que atuam no segmento têm levado essa preocupação para seus interlocutores em Brasília, na esperança de que ocorra uma recuperação da previsibilidade fiscal, enquanto tentam se preparar para os leilões de blocos que ocorrerão em outubro. Existe também a expectativa, como disse o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que “em pouco tempo” a Petrobras anuncie se há petróleo na Margem Equatorial e o potencial econômico dessa região que abrange a faixa marítima de mais de 2,2 mil quilômetros entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. A mudança abrupta no regime tributário foi uma péssima notícia para quem tem que convencer a matriz a investir no Brasil.

A ameaça colombiana, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Remanescentes das Farc se tornaram a principal ameaça aos homens do Exército após fim de Maduro

Toda semana soldados da 2.ª e da 16.ª Brigadas de Infantaria de Selva são atacados e trocam tiros com integrantes do Grupos Armados Organizados Residuais (GAOR). Trata-se de dissidentes das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que se recusaram a aderir ao acordo de paz de 2016 e formam um dos mais fortes cartéis do narcotráfico da América do Sul.

A situação chegou a tal ponto que a principal ameaça ao Brasil enfrentada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) deixou de estar na fronteira de Roraima com a Venezuela, área da 1.ª Brigada de Infantaria de Selva (BIS). Com sede em Boa Vista, ela havia recebido o 18.º Regimento de Cavalaria Mecanizado em 2023 em razão do risco de o ditador Nicolás Maduro usar o Brasil para se apossar da região de Essequibo, na Guiana. Para lá também havia sido enviado o primeiro lote de mísseis antitanque Max 1.2 AC, adquiridos pelo Exército, além de artilharia antiaérea de baixa altura.

O paradoxo do Caged, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Muitas empresas seguem com dificuldade para preencher vagas abertas

Quando os dados do Caged sobre a criação de postos de trabalho em maio vieram muito abaixo do consenso das estimativas dos analistas, houve quem dissesse que, finalmente, o mercado de trabalho estava esfriando, refletindo uma desaceleração da atividade econômica em linha com o cenário traçado pelo Banco Central. Mas será mesmo?

Só para lembrar: em maio, segundo o Caged, a economia brasileira registrou a abertura de 72.960 postos de trabalho, enquanto os analistas previam a criação líquida de 120 mil vagas. Foi o menor saldo para meses de maio desde 2020.

A cidadania por direito de nascimento é liberal, por Deirdre Nansen McCloskey

Folha de S. Paulo

Todos os países liberais adotavam essa prática, a menos que fossem dominados por um ódio iliberal aos imigrantes

Todos pensávamos que as instituições jurídicas nos salvariam, mesmo que os políticos fossem antiéticos

Em 33 países, principalmente os das Américas com grande presença de imigrantes, como o Brasil e os Estados Unidos, qualquer pessoa nascida lá é cidadã —independentemente da situação de seus pais. Até 1983, o Reino Unido, por exemplo, tinha esse direito à cidadania por nascimento. Minha filha nasceu em Londres em 1974 e, portanto, teve direito a um passaporte britânico e a um estadunidense.

Todos os países liberais adotavam essa prática, a menos que fossem dominados por um ódio iliberal aos imigrantes. Nos EUA, isso acontece com frequência. A "Lei de Estrangeiros e Sedição", já em 1798, demonizava os estrangeiros. Em inglês, a palavra "alien", que designa "extraterrestre", também significa simplesmente "estrangeiro". Na década de 1840, odiávamos os irlandeses. Em 1882, restringimos a imigração da China. Em 1925, cortamos a imigração de todos os países, exceto os do noroeste da Europa. Nessa época, os irlandeses eram tolerados. Não os judeus, italianos e eslavos.

Do cartão vermelho ao tarifaço, Trump impõe a lei do mais forte, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

A intervenção no caso Balogun expôs um método que vai muito além do futebol

Primeiro vem a vontade do presidente; depois se fabricam pretextos para legitimá-la

A comemoração mais memorável da eliminação dos Estados Unidos da Copa aconteceu no vestiário da Bélgica. Depois da goleada por 4 a 1, os jogadores imitaram a dança desengonçada de Donald Trump ao som de "Y.M.C.A.". Nas redes sociais, a seleção belga arrematou: "Overturn this" —reverta esta.

A zombaria tinha endereço certo. Expulso contra a Bósnia por uma pisada no tornozelo de um adversário, Balogun deveria cumprir suspensão automática na partida seguinte. Trump telefonou a Infantino, disse que o lance nem sequer fora falta, chamou o árbitro brasileiro Raphael Claus de suspeito e pediu uma "segunda olhada". A Fifa manteve o cartão vermelho, mas suspendeu por um ano a execução da pena. Balogun enfrentou a Bélgica.

Visitas vetadas, Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Efeito eleitoral de proibição de contatos entre Flávio Bolsonaro e Jair é ambíguo

Parece lícito afirmar, contudo, que campanha não perde um grande estrategista

Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar Jair por 90 dias. A medida prejudica ou beneficia a campanha presidencial do primogênito? Esse é um daqueles casos em que é possível encontrar argumentos verossímeis para sustentar ambas as alternativas. Se é verdade que a decisão priva o candidato de contato com seu principal avalista político, também é fato que oferece à campanha o discurso da perseguição judicial, para mencionar apenas uma antinomia.

Inquéritos sobre emendas podem levar a prisões de parlamentares, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Há seis anos, desde 2022, o Supremo tenta sem sucesso impor critério ético aos avanços no Orçamento

A desobediência abusiva de congressistas é objeto de dezenas de ações em curso no tribunal

Conversando outro dia com experiente figura da República, deputado destacado na Constituinte, ministro em governos do PSDB e do PT, hoje no setor privado, ouvi que só há um jeito de levar o Congresso a cumprir a exigência de transparência no uso das emendas parlamentares: a prisão de meia dúzia de abusadores do Orçamento da União.

Falávamos sobre as mudanças nos meios de modos de se fazer política no Brasil, desde o início da abertura, nos últimos dois períodos da ditadura, até hoje quando a arte de negociação para construção de consensos foi substituída por uma era de impasses que se acumulam sem solução.

Triunfo electoral de Lula se sigue consolidando, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Las encuestas de opinión electoral de los últimos meses están confirmando el triunfo de Lula tanto en la primera como en la segunda vuelta. La tendencia es que esta preferencia del electorado brasileño se siga robusteciendo, sobre todo después de la conducta errática que demuestra Flávio Bolsonaro con relación a temas relevantes para los ciudadanos de este país.

En su reciente viaje a Washington, el candidato de la extrema derecha tuvo una participación lamentable frente al Escritorio de la Representación Comercial de Estados Unidos (USTR), exponiendo en un breve discurso que no sería conveniente que el gobierno de Donald Trump aplique sus alzas tarifarias al Brasil antes de las elecciones, pues ello acabaría beneficiando la candidatura del actual presidente Lula da Silva.

El absurdo de este discurso, es que la mayoría de los electores saben que fue el propio Flávio y su hermano Eduardo Bolsonaro, quienes sugirieron la aplicación de mayores tarifas al gobierno de Lula como una manera de presionar al Poder Judicial para que dejara sin efecto la condenación contra su padre, Jair Bolsonaro. Usando los datos de algunas empresas de estudios de opinión, Flávio señala que Lula estaría ampliando su ventaja cada vez más sobre él, en función de la aplicación de las nuevas tarifas anunciadas por la administración norteamericana.

Poesia | Aniversario, de Fernando Pessoa por Paulo Autran

 

Música | Zeca Pagodinho e Marisa Monte - Preciso me encontrar

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Valdemar e Cunha expõem o despropósito das emendas

Por O Globo

Sem mandato, os dois direcionaram verbas públicas seguindo critério paroquial e eleitoreiro

As decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de bloquear R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG) e R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por suspeita de atuação no direcionamento de verbas públicas são um alerta sobre o despropósito das emendas parlamentares. Sem mandato, Cunha e Valdemar seriam autores de mais de duas dezenas de repasses, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Após o congelamento de bens de Valdemar, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse em nota que a decisão “não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas”. Para ele, o despacho tenta “criminalizar a atividade política”.

Jogamos sem alma na Copa do Mundo, por Fernando Gabeira

O Globo

Um desastre nem sempre tem uma causa única. A Argentina não chorará por nós, seu grande vizinho e rival

Quando era menino, jogávamos futebol num campo improvisado. Um dia, chegou um circo perto do campo. Um ator veio nos ver jogar. Chamava-se Raul e trabalhava todas as noites. O circo encenava um dramalhão ao som de uma música de Vicente Celestino:

Disse um campônio à sua amada/ Minha idolatrada, diga o que quer. A amada pedia o coração da mãe do campônio. E, todas as noites, Raul aparecia com o coração num prato. Fora disso, era um bom cara.

Um dia, depois do jogo, ele disse para o nosso time:

— Vocês jogaram com alma. Aprendam isto: tudo o que fizerem na vida, façam com alma.

Avatar, por Merval Pereira

O Globo

Os Bolsonaros estão conseguindo manter acesa a campanha eleitoral para a Presidência da República em torno de seus problemas

Em política há uma máxima que diz que o importante é estar no centro da discussão, não necessariamente vencê-la. É uma vertente maximizada daquela outra máxima: “falem mal, mas falem de mim”. Menos glamurosa que a de Ferreira Gullar:

— Não quero ter razão, quero é ser feliz.

É mais que isso. É controlar o debate político, como fazem os grandes armadores dos times de futebol, que ditam o ritmo do jogo, aceleram ou desaceleram as jogadas de acordo com o interesse do seu time. Pois os Bolsonaros estão controlando a campanha eleitoral para a Presidência da República, conseguindo mantê-la acesa em torno de seus problemas, de suas questões, transformando brigas familiares em tema de debate político que inunda as redes sociais e as conforma em nichos da direita, dando pouco espaço para a esquerda se expandir.

Longevidade não pode ser olhada só com lentes fiscalistas, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Transição demográfica implica custos, mas também pode gerar riqueza

Acabou a Copa do Mundo para o Brasil e o próximo grande evento aqui, muito mais importante, são as eleições de outubro. Os temas em debate destacam segurança, soberania, inflação, educação e corrupção. Nenhum dos pré-candidatos, porém, disse até agora uma única palavra sobre como pretende lidar com uma questão crucial: o envelhecimento da população brasileira.

No ano 2000, o número de pessoas com mais de 60 anos no país, 15 milhões, representava 8,7% da população. Atualmente, os idosos são 33 milhões, 15% da população - a ONU considera uma sociedade envelhecida quando esse índice ultrapassa 14%.

Lula amplia ações para aproximar-se do eleitorado evangélico, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Estratégia ganhou força com o recente contencioso entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Num momento em que o PL ainda contabiliza os danos junto ao eleitorado religioso provocados pelo atrito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidenciável da sigla, senador Flávio Bolsonaro (RJ), a pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou as ações para melhorar o diálogo com os evangélicos, segmento refratário ao PT. Em paralelo, emissários tentam articular uma aproximação entre Lula e o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

A mais recente rodada da pesquisa Quaest, divulgada em 10 de junho - antes da publicação do vídeo de Michelle -, já havia revelado um derretimento de Flávio junto aos evangélicos, em contraste com um crescimento de Lula. A perda de apoio do senador nesse segmento foi atribuída à revelação de suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

As barreiras contra o crescimento de Flávio, por César Felício

Valor Econômico

Oposicionista pode crescer com voto útil, mas sua rejeição tem raízes estruturais

De cada seis eleitores, cinco dizem que definem o voto para presidente antes da campanha eleitoral começar ou logo no seu início. O eleitor brasileiro gosta de se dizer imune ao noticiário imediato, a pressões de amigos e familiares e à intensidade da propaganda.

A campanha eleitoral formal no Brasil é muito curta, bem menor que a de outros países presidencialistas como Estados Unidos, Colômbia e Argentina. As convenções partidárias podem ser realizadas a partir da próxima semana, mas a campanha propriamente dita começa apenas em 16 de agosto, um dia depois do prazo final para registro das candidaturas.

Moraes proíbe Bolsonaro de ver o filho, e Flávio se aproxima de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O ministro do STF criou um fato político que reforça a narrativa de perseguição construída pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na percepção dos estrategistas de campanha, mais favorece do que prejudica o parlamentar na disputa pela Presidência da República, num momento em que o candidato do PL se beneficia da carta de seu pai defendendo sua candidatura.

Na decisão, o ministro entendeu que o senador utilizou o direito de visita para burlar a proibição imposta ao pai de utilizar redes sociais por intermédio de terceiros, porém a medida interfere diretamente na dinâmica da campanha presidencial e pode alterar a disputa pelos eleitores independentes. Moraes criou um fato político que reforça a narrativa de perseguição construída pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente. Por isso, favorece a candidatura de Flávio, no momento de interrupção de sua trajetória de queda.

Um novo viés bolsonarista, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Se Jair Bolsonaro está com Flávio, problema dele; Michelle tem projeto, é ‘imparável’ e boa de briga

O único motivo da carta manuscrita e pública de Jair Bolsonaro foi desautorizar sua mulher, Michelle, e tomar partido do filho 01, Flávio, a quem chamou de “meu candidato e meu porta-voz”. Após semanas de dúvidas, o ex-presidente foi claro: está com Flávio, contra Michelle.

Imagine-se o ambiente numa casa em que o patriarca está doente, preso, de tornozeleira, e sua mulher rompeu com seus filhos e declarou independência política. E mais: uma casa que, durante 90 dias, vai ficar de portas fechadas para o primogênito, por decisão de Alexandre de Moraes, do STF.

A emenda Valdemar, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

É claro que uma ferramenta legislativa disparadora de bilhões de reais – aplicada de maneira obscura e autoritária – chegaria às mãos de poderosos sem mandato parlamentar. Desenvolvimento natural da cultura de fachadas e laranjas que norteia a atividade pública entre nós.

Falo do orçamento secreto. Instrumento obscuro, que, assaltando o Orçamento da União, ergue ode à falta de transparência como meio de ação. Instrumento também autoritário, porque a favor do desequilíbrio de forças em anos eleitorais. Falo de um Valdemar Costa Neto. É claro que essa ferramenta – com potencial para ser fundo eleitoral paralelo – chegaria a Valdemar, proprietário de partido, proprietário das lideranças partidárias de seu partido, senhor dos servidores legislativos de seu partido e sócio dos donos do Congresso.

Vergonha e prejuízo, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

É preciso agir com sensatez para reduzir os estragos que um político em dificuldades eleitorais é capaz de produzir

Coordenador em São Paulo da ainda incerta campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem procurado manter distância adequada da disputa pelo Palácio do Planalto. Carioca que mal sabia seu local de votação em 2022, quando foi eleito para o cargo, Tarcísio, como informou o Estadão, tenta evitar que sua imagem seja turvada pelas crises que assombram Flávio Bolsonaro.

Nisso o governador paulista está certo. Aproximar-se demasiadamente do filho do expresidente da República, atualmente cumprindo pena em prisão domiciliar, pode prejudicar a pretensão política de Tarcísio, candidato à reeleição. Presunçoso, arrogante e apontado como envolvido em nebulosas transações financeiras com o dono do extinto Banco Master, Flávio Bolsonaro parece não se cansar, por palavras e atos por ele mesmo decididos, de demonstrar como é extenso seu despreparo e como é incontrolável seu desejo de bajular Donald Trump.

Flávio Dino puxa um novo fio de fraudes na meada das emendas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dirigentes dos partidos deixaram papel administrativo para avançar sobre atribuições legislativas

Quem controla a distribuição das verbas públicas tem poder de mando sobre deputados e senadores

descoberta da Polícia Federal sobre a captura de emendas ao Orçamento em proveito de Valdemar Costa Neto vai além de prejuízo que o presidente do PL possa causar à candidatura presidencial do partido, na figura de Flávio Bolsonaro.

Diz respeito, sobretudo, ao poder dos dirigentes partidários em relação à distribuição de verbas públicas. Fala-se em uso "irregular", mas o que se tem nos apontamentos da PF é o relato de uma ilegalidade das mais graves, que traduz o alcance do controle dos comandos dos partidos sobre as atribuições do Legislativo.

Ideologia e religião não evitam corrupção, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

EUA e Israel planejavam instalar Mahmoud Ahmadinejad no poder no Irã

Ex-presidente linha-dura estava na lista de pagamentos do Mossad, segundo NYT

Ideologia e religião imunizam seus portadores contra a corrupção? Até existem indivíduos tão dedicados a uma causa ou ideia –pense num Savanarola, por exemplo— que seu fanatismo os blinda de tentações terrenas. Mas a literatura mostra que, no agregado, nenhuma das duas funciona como barreira de proteção. Ao contrário até, é nos países mais religiosos, que são também os mais pobres e institucionalmente frágeis, que encontraremos maiores taxas de corrupção.

Um caso ainda em desenvolvimento ilustra bem essa história. Trump e Netanyahu erraram feio ao atacar o Irã, mas seu plano inicial era menos desvairado do que pode parecer. Eles tinham preparado um esquema de substituição de liderança que seguia o modelo da ação dos EUA na Venezuela.

Nova Praça Onze é pensada para turistas, não para moradores, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Projeto de revitalização privilegia a especulação imobiliária e atinge toda a cidade

Atual prefeito, Eduardo Cavaliere segue os passos de seu tutor, o xará Paes

A maquete é linda. Modelo de uma cidade-evento, de uma cidade pensada para o turismo, não para seus moradores. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, assinou a lei que autoriza o Projeto Praça Onze Maravilha, com mudanças numa área de 2,5 milhões de metros quadrados próxima ao centro da cidade.

Com prazo de conclusão em 2032, o plano prevê o investimento de R$ 1,75 bilhão, "100% privado", por meio de concessões, PPPs e de instrumentos urbanísticos que privilegiam a especulação imobiliária, com influência em todos os bairros da capital.

A reestruturação da mineiridade política, por Pacelli Lopes*

"Mas toda a crise, leitor, é uma porta entreaberta para o futuro. E para um futuro nascido de um aprendizado com o mundo e com a nossa própria história. Que, aliás, é uma das mais cosmopolitas, juntando indígenas, africanos, portugueses, japonese, chineses, árabes, turcos, alemães, italianos, espanhóis, pomerânios, e uma infinidade de outros povos. Uma história que, ao longo do tempo, envolveu e misturou todos os diferentes."

BARBOZA FILHO, Rubem. Sinfonia barroca: o Brasil que o povo inventou. Rio de Janeiro: Ateliê de Humanidades Editorial, 2025. p. 26.

A atual conjuntura política mineira exige de todos nós, democratas, coragem para colocar o bem comum e público no coração institucional. A eleição de 2026 torna-se fundamental para que consigamos recompor a mineiridade política, com o centro político democrático de Minas Gerais em sua tradição republicana, pautada em diálogos, negociações e alianças.

Para isso, é importante entender que Minas Gerais não é apenas um estado pêndulo na eleição majoritária, onde se obtém um indicativo preciso de quem pode vencer o pleito presidencial. Minas Gerais possui uma população diversificada de 21.393.441 habitantes, formando um verdadeiro mosaico do Brasil.