terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Opinião do dia – Edson Fachin*

Por que o Judiciário tem sido alvo de ataques?

O Judiciário não é eleito, o que faz com que sua legitimidade não venha do voto, mas do ingresso por concurso ou por indicação constitucional, seguido de sabatina. Essa é a chamada “legitimidade de entrada”. A outra dimensão é a “legitimidade da caminhada”, construída diariamente por decisões fundamentadas, jurisprudência estável e conduta compatível com a função. O Judiciário costuma ser alvo de ataques por três razões principais. A primeira é seu papel de controle sobre os demais Poderes, o que incomoda governantes com pretensões autoritárias. A segunda é o fato de ser um Poder sem armas ou força material própria, o que o torna mais vulnerável a tentativas de deslegitimação. A terceira está ligada ao papel assumido no pós-guerra de proteger direitos fundamentais e minorias, o que desperta reações de setores contrários a essa atuação.

*Edson Fachin é presidente do STF, em entrevista ao jornal O Globo, hoje, 27/1/2026.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Instituições americanas devem impor freio a Trump

Por O Globo

Morte de enfermeiro por agentes de imigração em Minneapolis expõe faceta brutal e autoritária do governo

A morte do enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, por agentes federais em Minneapolis revelou a faceta mais brutal do governo Donald Trump. Em desafio à autonomia dos estados, Trump tem usado agentes da Fiscalização de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) para impor sua agenda anti-imigrantes com violência desmedida, sobretudo em redutos democratas. No sábado, um agente federal empurrava dois civis que acompanhavam uma detenção durante uma manifestação pacífica quando Pretti, filmando com celular, se postou entre eles e foi alvo de spray de pimenta. Em seguida, revelam imagens, vários agentes o derrubaram, o agrediram e o imobilizaram. Um dos policiais encontrou e apreendeu uma arma que Pretti carregava escondida (nunca empunhada). Em seguida, ele foi alvejado por tiros. No início do mês, a poeta Renée Good, de 37 anos e mãe de três crianças, fora morta na mesma Minneapolis por agentes da ICE que atiraram em seu carro.

Cinco razões para cortar e cinco para não cortar a Selic amanhã. Por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Decisão do Banco Central é importantíssima para a economia brasileira

À margem de bombásticos noticiários - sequestro da Venezuela, ameaça de anexação da Groenlândia, Conselho da Paz, revolta em Mineápolis, Banco Master, boom da bolsa, raios sobre o bolsonarismo etc. -, o Banco Central decide amanhã se mantém os juros básicos em 15% ou faz um corte na taxa. A decisão é importantíssima para a economia brasileira.

No mercado, a opinião é quase consensual: 112 (93,3%) das 120 instituições financeiras consultadas pelo Valor preveem a manutenção. Na mídia, há apoio também majoritário. Prevalece o argumento fiscalista de que o governo gasta demais, isso estimula a inflação e o BC não tem outra opção a não ser manter uma das taxas de juros reais mais elevadas do mundo.

O mercado da advocacia na lavagem do Master. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

OAB Nacional resiste tanto à proposta de um código de ética da seção paulista quanto à regulação de escritórios que fazem consultoria de lavagem de dinheiro

Isolado na opinião pública desde a nota em que defende a atuação do ministro Dias Toffoli, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, ganhou o apoio, nesta segunda, da seção paulista da OAB que formatou num código os princípios anunciados pelo documento de juristas coordenados pela Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Reintroduz o trecho do Código de Processo Civil que impede juízes de participar em processos de clientes de escritórios que tenham a atuação de familiares. Em 2023, este trecho foi considerado inconstitucional pelos próprios ministros do STF, sob a liderança do decano, ministro Gilmar Mendes.

O Brasil na nova ordem geopolítica. Por Christopher Garman

Valor Econômico

Cresce o interesse externo pelo Brasil, mas o país só poderá aproveitar plenamente essa oportunidade se enfrentar o seu déficit fiscal

A ação militar dos EUA na Venezuela serviu como um despertar para lideranças na América Latina. A bem-sucedida derrubada de Nicolás Maduro do poder representou uma ilustração dramática das prioridades estratégicas de Washington no Hemisfério Ocidental, consolidando um debate global sobre como os países terão que se adaptar a um mundo marcado pelo conflito entre grandes potências e pelo declínio da ordem multilateral baseada em regras.

Lula conversará com Trump sobre Gaza e Venezuela em visita à Casa Branca. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente norte-americano tenta redesenhar a ordem internacional com seu “Conselho de Paz” e acende um alerta máximo na América Latina com a intervenção militar na Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por 50 minutos, e aceitar seu convite para ir à Casa Branca, entrou numa perigosa saia justa política. De um lado, o presidente americano o trata com deferência pessoal (“eu gosto dele”), o convida para um organismo global recém-criado e ainda acerta uma visita do brasileiro à Casa Branca assim que Lula voltar da Índia e da Coreia do Sul, em fevereiro. De outro, está sobre a mesa uma negociação em torno de Gaza, da arquitetura internacional e, sobretudo, da Venezuela, depois da operação militar dos Estados Unidos que prendeu Nicolás Maduro. Tudo num ano eleitoral, em que o governo Lula precisa reduzir riscos externos e internos, com economia sensível, oposição com a faca nos dentes e eleições logo ali.

Do brega ao clássico. Por Irlam Rocha Lima

Correio Braziliense

O filme O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, tem a trama embalada por uma diversificada trilha sonora

As conquistas de O agente secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, em diversas mostras de cinema ao redor do mundo, como o tradicional Festival de Cannes, na França, e, claro, o prestigioso Globo de Ouro, nos Estados Unidos, têm a trama embalada por uma diversificada trilha sonora.

No decorrer do filme, ouve-se desde If you leave me now, clássico da banda norte-americana Chicago, a Eu não sou cachorro não, sucesso brega do saudoso cantor e compositor baiano Waldick Soriano, que abre o repertório.

Fachin diz que democracia está ameaçada

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF volta a advertir sobre agressões ao Estado de Direito, desta vez na Corte Interamericana de Direitos Humanos

Ao discursar, ontem, na abertura do ano judicial na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em São José da Costa Rica, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, voltou a alertar sobre as ameaças ao Estado de Direito ao advertir que a democracia atravessa "tempos desafiadores" no continente. Ele tinha manifestado essa mesma preocupação na carta, que divulgou na semana passada, em defesa do STF e do ministro Dias Toffoli — cujas decisões relacionadas ao inquérito da negociação entre Banco Master e BRB vêm sendo contestadas —, quando afirmou que a Corte acompanha atentamente as movimentações da extrema-direita no Brasil.

Brasil país indefeso. Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

Com recursos insuficientes, ficam evidentes as vulnerabilidades na segurança do País quanto a meios adequados para assegurar a soberania nacional

A revista Inteligência Insight publicou, no número de dezembro, o artigo Brasil país indefeso, apresentado como um manifesto à nação. O artigo trata das vulnerabilidades na área da segurança, com graves danos à soberania e à defesa do interesse nacional. Levando em conta a nova estratégia nacional e o recém-publicado documento com a doutrina de Defesa dos EUA, é importante ressaltar algumas análises feitas a partir do artigo.

Conhecimento para quê? Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Parece haver uma relação simbiótica entre baixa eficiência da indústria e má qualidade do ensino em diferentes níveis

A expansão da indústria no mundo tem sido surpreendente. Num ambiente marcado por tensões econômicas e políticas provocadas em grande parte por um presidente norte-americano nefasto para a harmonia entre as nações, a indústria manufatureira mundial cresceu 3,9% no terceiro trimestre de 2025, na comparação com igual período de 2024. Os dados são da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). No Brasil, porém, o desempenho da indústria de transformação foi muito diferente. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) constatou desaceleração do setor manufatureiro brasileiro, com redução de 0,6% no período considerado.

O STF e a ética. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O que contamina a política, em ano eleitoral ou não, é a falta de ética, não a criação de um Código de Ética

O presidente do STF, Edson Fachin, acertou, na entrevista ao Estadão, ao mandar os ministros botarem as barbas de molho: “Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo”. Não é só opinião dele, é uma constatação que, dependendo de quem olha, pode ser vista como uma ameaça à Corte, ou como necessidade institucional, depois de tudo que veio à tona.

Não faz sentido a maioria de ministros ser a favor de um código de ética que dê limites ao Supremo e o reaproxime da opinião pública, mas alguns descartarem para agora, “por ser ano eleitoral”. Segundo Fachin, o argumento é “sólido”. Será? Não é a busca de ética, mas a falta de ética que contamina a disputa política – e não só em ano eleitoral.

A regra do jogo. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo. A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.

Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master. As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.

Entrevista| Edson Fachin: 'Não vou cruzar os braços. Doa a quem doer'

Por Mariana Muniz / O Globo

Magistrado afirma que eventuais questionamentos sobre a investigação da instituição financeira, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, podem ser analisados pela Segunda Turma da Corte

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin afirma em entrevista ao GLOBO que não irá ficar de “braços cruzados” na hipótese de ter que avaliar questionamentos sobre o caso do Banco Master, cuja investigação está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, alvo de pedidos de suspeição feitos por parlamentares. Apesar de evitar fazer qualquer antecipação sobre seu posicionamento, o magistrado afirma que pode agir — “doa a quem doer”.

O ministro Dias Toffoli vem sendo questionado sobre as condições de continuar como relator da investigação do Banco Master no STF. Dois irmãos do magistrado já foram sócios de um resort no Paraná e venderam a participação para um fundo que é ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Diante disso, o senhor entende que Toffoli deve permanecer à frente do caso?

Como presidente do tribunal, não posso antecipar juízo sobre circunstâncias que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi mencionado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer.

A IA cuida do seu computador. Por Pedro Doria

O Globo

O ano de 2026 deve marcar uma competição muito mais acirrada entre Google, OpenAI e Anthropic

Nesta última semana, a inteligência artificial assumiu o controle dos computadores. Ou quase. Não foi nem Google, nem OpenAI. Quem chegou concretamente primeiro aos agentes foi a terceira concorrente — Anthropic. A empresa responsável pelo Claude, que briga no mercado com Gemini e GPT. Não é para todo mundo ainda. Não funciona em computadores Windows. Só nos Macs. E só funciona para quem paga a maior assinatura do Claude, US$ 100 por mês. Dá pouco mais de R$ 500. É caro. Mas estes já podem pedir à IA que execute tarefas em seus computadores.

Código no STF e regras prudenciais. Por Míriam Leitão

O Globo

O Supremo foi atacado no governo Bolsonaro pelas suas virtudes, agora sangra pelos seus erros. O código de conduta, que já era necessário, agora ficou urgente

O ministro Edson Fachin foi ao ponto certo na entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. O Supremo Tribunal Federal precisa se limitar e criar normas para si, antes que elas venham de fora. Se vierem como imposição de outro poder carregarão o vírus de quem quer tirar do STF a autoridade que ele deve ter. O Supremo foi atacado no governo Bolsonaro pelas suas virtudes, agora sangra pelos seus erros. O que sempre foi necessário, um código de conduta, ficou agora mais urgente. E, de fato, não faz sentido adiar o debate interno porque o país tem eleições este ano. Felizmente as temos regularmente.

A família Filho. Por Merval Pereira

O Globo

A sociedade não está aqui para proteger parentes de ministros; ela quer ministros que sejam inatacáveis

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, não se expõe muito publicamente desde que entrou no tribunal. Antes, era um ativo participante político, tendo sido porta-voz de um grupo de juristas que assumiu publicamente o apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010, fato que lhe valeu várias críticas, também minhas, quando foi indicado ao Supremo por Dilma. Durante sua permanência no cargo, porém, Fachin deu mostra de imparcialidade e independência. Se muitos veem em sua atuação na condenação do então juiz Sergio Moro o passo para a libertação de Lula, não entenderam que Fachin tentou, num último recurso, evitar que Moro fosse julgado na turma presidida pelo ministro Gilmar Mendes, que declaradamente procurava sua punição. Não deu certo a manobra, porque Gilmar, experiente ministro, “enfermeiro que já viu sangue”, não aceitou a argumentação de Fachin de que o caso deveria ser julgado noutra instância que não sua turma.

Cúpula do STF contra o povo. Por Fernando Gabeira

O Globo

A nota de Fachin, as manifestações do PGR e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar

Pensei em escrever um artigo sobre o discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos. Mark Carney acha que vivemos um momento de ruptura, e não de transição. A ordem internacional, que já não era grande coisa, se rompeu para dar lugar claramente à lei do mais forte. Nesse contexto, é preciso se preparar, pois quem não estiver na mesa estará no menu. Tema importante para o Brasil, mas posso voltar a ele, algumas vezes, antes das eleições.

Neste momento, tenho de escrever sobre o escândalo do Banco Master. Não esperava, a esta altura da vida, aos 40 minutos do segundo tempo, encontrar nosso país nesta condição patética. A nota do ministro Edson Fachin, as manifestações do procurador-geral e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar. Usando a máscara de salvadores da democracia, querem impor uma situação marcada, como diz um jornal alemão, pela ganância que afunda o STF.

É preciso criticar o Supremo para salvá-lo de si mesmo. Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

O que desmoraliza o Supremo não são as denúncias e vazamentos; são as reiteradas condutas suspeitas de seus ministros

A crítica pública e a investigação delas, longe de ser um risco, são a melhor esperança para saneá-lo e preservar sua legitimidade

Houve um tempo em que a direita brasileira dizia querer conter os abusos do Supremo. Aparentemente, não mais. Enquanto os principais nomes da direita, entre eles o deputado Nikolas Ferreira e a multidão que o seguia no domingo, elegeram a soltura de Bolsonaro como a prioridade nacional, o maior escândalo financeiro da nossa história escancara os conflitos de interesse de ministros do Supremo, mas passa batido pela classe política. Talvez porque muitos dos membros dela também estejam implicados.

Credibilidade do STF escoa pelo ralo. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Toffoli já deveria ter se afastado há tempos do caso Master

Inação de outros ministros da corte só piora a situação

Já ficou ridículo. São tantas as relações perigosas do ministro do STF Dias Toffoli com o Banco Master e suas ramificações que não há mais a menor chance de suas decisões relativas ao caso serem aceitas como normais. O que de melhor ele poderia fazer para si mesmo, para o Supremo e para o país seria afastar-se das investigações. Na versão light, ele remeteria o processo para a primeira instância, de onde nunca deveria ter saído. Na versão não tão light, que leva em conta o longo histórico de decisões altamente controversas do ministro, ele deveria requerer aposentadoria mesmo.

Fachin se perde no primeiro lance. Por Dora Kramer

 

Folha de S. Paulo

O presidente que defende Toffoli não é o mesmo magistrado que prega ajuste de condutas no Supremo

Pode ter sido um gesto estratégico, mas também só um jeito de não ficar isolado no tribunal

O magistrado que aponta a necessidade de se ajustarem condutas a um código de ética na corte suprema não se coaduna com o presidente que, em nota oficial, compara cobranças por lisura e transparência nos atos do colegiado a ameaças e intimidações.

Um não conversa com o outro. Portanto, é de supor que aquele um lá do início precisou ceder espaço ao outro que assinou o texto de repúdio aos questionamentos sobre decisões de Dias Toffoli e a situação familiar de Alexandre de Moraes. Ambas as circunstâncias relacionadas ao caso do Banco Master.

Flávio parece um candidato ao conselho de ditadores de Trump. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 viajou a Israel para se aproximar da extrema direita internacional

No Rio, o candidato bolsonarista será alguém no estilo tiro de fuzil e bomba

Desde que recebeu a ordem de concorrer às eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro já esteve nos Estados Unidos tentando tirar uma foto com Marco Rubio –encontrar-se com Donald Trump era um sonho impossível. Levou um perdido do secretário de Estado, apesar de todo o empenho do irmão Eduardo. Agora viajou a Israel, Bahrein e Emirados Árabes, num movimento de aproximação com a extrema direita internacional.

Poesia | O Andaime, de Fernando Pessoa

 

Música | Nara Leão - Diz que fui por aí

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desordem promovida por Trump enche o Brasil de dólares

Por Folha de S. Paulo

Até 21 de janeiro, estrangeiros injetaram R$ 12,35 bi na Bolsa brasileira, 46% do total de 2025

Republicano alimenta insegurança; Brasil, grande exportador de petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas, beneficia-se diretamente

A política "America First" (em primeiro lugar) de Donald Trump, que prometia fortalecer os EUA, tem se revelado, paradoxalmente, "America Last" (por último) no universo dos ativos financeiros.
Enquanto Wall Street oscila neste início de ano em meio a incertezas, a Bolsa brasileira vive dias efervescentes, com entrada maciça de capital estrangeiro.

Até 21 de janeiro, investidores não residentes injetaram R$ 12,35 bilhões na B3, quase a metade do total aportado em todo o ano de 2025 (R$ 26,87 bilhões). Com esse impulso, o Ibovespa já subiu mais de 9% neste mês, superando S&P 500, Nasdaq e mesmo o índice de emergentes. Entre os principais mercados, é o americano que fica para trás.

Entrevista | Suspeitas podem ‘lançar sombra’ sobre o STF, diz Vilhena

Por Lillian Venturini / Valor Econômico

Jurista avalia que retorno do caso Master à 1ª instância diminuiria pressão, mas investigação e código de conduta são necessários

O retorno do caso Master para a primeira instância do Judiciário poderia tirar do foco o Supremo Tribunal Federal (STF), hoje pressionado diante dos questionamentos sobre a atuação do ministro Dias Toffoli na condução do processo. As suspeitas de irregularidades, no entanto, ainda exigirão uma resposta institucional, sob risco de abalar a imagem da Corte, avalia Oscar Vilhena Vieira, professor da FGV Direito SP.

“As notícias sobre eventuais conflitos de interesse precisam ser apuradas sob o risco de se lançar uma sombra sobre o próprio tribunal”, diz o jurista, em entrevista ao Valor.

Vilhena integra uma comissão organizada pela OAB-SP para elaborar uma proposta de reforma do Judiciário. O episódio, acrescenta, reforça a importância de um código de ética para os magistrados, defendido pelo presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. Na Corte, no entanto, há resistência à ideia.

Para o professor, a transparência será fundamental para dar as respostas necessárias ao episódio. “O caso trouxe luz a um problema enorme e vamos ter que enfrentar esse problema”, afirma.

A presença de ministros do Supremo na teia de relações do comando do banco é um dos problemas. A menção ao nome do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) no inquérito justificou a transferência do processo da Justiça Federal do Distrito Federal para o STF. Pouco após assumir a relatoria, Toffoli impôs sigilo severo ao caso, em dezembro.

Naquele mês, o jornal O Globo revelou uma viagem internacional feita pelo ministro em um jatinho particular em que também estava um dos advogados do Master. O jornal também mostrou que o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes tinha um contrato de R$ 129 milhões com o banco. Moraes não atua na investigação.

Nas últimas semanas, reportagens mostraram a existência de transações financeiras entre irmãos de Toffoli e fundos de investimento ligados ao Master e investigados por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa.

A sucessão de fatos novos aumentou a pressão para que o ministro deixe o caso. Em nota divulgada na sexta-feira por seu gabinete, Toffoli disse que atua de forma regular. Edson Fachin também defendeu o colega, mas acrescentou que eventuais irregularidades serão investigadas. Nos bastidores, discute-se a devolução da investigação para a primeira instância.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Flávio tem desafio de falar ‘além da bolha’. Por Joelmir Tavares

Valor Econômico

Filho de Bolsonaro amplia diálogo para tentar consolidar candidatura após recuo de Tarcísio

A pré-candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem como principal desafio, no momento, abrir caminho em setores que o rejeitam e dialogar “além da bolha bolsonarista” para se consolidar no cenário eleitoral, segundo a avaliação de entusiastas da campanha e aliados que pressionam o senador por movimentos de ampliação.

Lançada em dezembro com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro - que está preso por tentativa de golpe de Estado -, a pré-candidatura se concentrará nas próximas semanas em contornar resistências e se firmar como alternativa competitiva da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve tentar a reeleição em outubro pelo PT.

A melhor ferramenta de compliance é a cadeia. Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Enquanto fraudadores do sistema financeiro não passarem longas temporadas na prisão, compliance não deixará de ser conversa para boi dormir

Em 13/07/2001 a gigante de energia Enron divulgou um crescimento de 40% no lucro líquido, com as receitas quase triplicando e chegando a US$ 50 bilhões em 12 meses.

Três meses depois veio a público que a empresa escondera bilhões em prejuízos e dívidas de seus balanços usando operações por uma rede de dezenas de sociedades de propósito específico.

Em poucos dias suas ações viraram pó, o que levou a Enron a entrar com um pedido de falência em 2/12/2001. Pior para os acionistas, que alegaram uma perda de patrimônio de US$ 40 bilhões na época.

Signos sem significado. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os analfabetos veem um texto como uma sequência de símbolos cuja ordem não lhes diz nada

O momento em que se aprende a ler talvez seja, mais que um segundo parto, o real ingresso no mundo

Alguém me falou de um anúncio institucional que a Unesco publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia de uma frase escrita de trás para a frente —ideia talvez tirada de "Alice Através do Espelho" (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar "do lado de lá" do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto —uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.

Trump e o doux commerce: interdependência, populismo e erosão das regras. Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A teia densificada pela globalização financeira e pelas cadeias produtivas transnacionais pode domesticar o presidente americano?

Sob o americano há uma inversão do padrão clássico de captura do Estado por interesses privados; mas não no Brasil

"Onde os costumes são gentis, há comércio; e onde há comércio, os costumes tornam-se gentis." A máxima de Montesquieu forneceu o mote para a análise de Albert Hirschman em "As Paixões e os Interesses": o comércio é "suave" (doux), civiliza os indivíduos e atenua paixões violentas —guerra, fanatismo, tirania. Ao criar laços e dependências recíprocas, os interesses econômicos substituem a violência por troca, contrato e cálculo, promovendo ordem e paz.

Donald Trump e a hegemonia predatória dos Estados Unidos. Por Roberto Goulart Menezes

Correio Braziliense

Em um ano de governo, Trump tenta impor dominação sobre o mundo e abandona o difícil exercício da hegemonia que foi o que fez dos EUA uma potência mundial

Donald Trump completou um ano do seu mandato à frente da maior potência mundial. E, desde o início da sua presidência, em janeiro de 2025, as políticas externa e comercial dos Estados Unidos têm sido marcadas pela agressividade e pelo unilateralismo. Em seu discurso de mais de uma hora proferido no Fórum Econômico Mundial (Davos, Suíça), em 21 de janeiro, o presidente Trump fez um balanço do seu primeiro ano e discorreu sobre a sua política externa. A plateia, em sua maioria composta por magnatas das finanças, da indústria, das big-techs entre outros, juntamente com a presença de alguns chefes de Estado e de governo de diferentes países, ouviu um discurso sem rodeios, no qual Trump tocou em questões geopolíticas bem delicadas, a começar pela relação com os seus aliados europeus.

Master e o foro privilegiado. Por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

O caso começou a gerar atritos entre instituições federais após Toffoli ‘puxar’ as apurações ao STF

A encrenca do Banco Master, que transbordou das editorias de Economia para as páginas policiais e de Política, reforça a necessidade de se retomar a discussão sobre a aplicação e a abrangência do foro por prerrogativa de função. O caso de fraude financeira começou a gerar atritos entre instituições federais depois que o ministro Dias Toffoli “puxou” as investigações para o Supremo Tribunal Federal (STF), sob a alegação de que os documentos citavam uma transação imobiliária entre o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) e Daniel Vorcaro, dono do banco. O negócio, que nem sequer foi concretizado, não parece ter relação direta com as fraudes sob investigação.

Mundo tem de rever suas dependências. Por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

Imprevisibilidade de Trump obriga países a reduzir dependência em relação aos Estados Unidos

A atuação errática de Donald Trump produziu um efeito que vai muito além de disputas comerciais pontuais: governos ao redor do mundo estão sendo forçados a repensar o grau de dependência que mantêm em relação aos Estados Unidos. Governos europeus, latino-americanos e asiáticos, principalmente, discutem como reduzir vulnerabilidades estratégicas diante de um parceiro cada vez mais imprevisível. O caso da Alemanha, um dos países mais dependentes de Washington, é especialmente instrutivo – inclusive para o Brasil.

Trump. Por Denis L. Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Com a nova doutrina Trump, alicerçada na força militar, na potência econômica e na diplomacia, a reconfiguração mundial alcança um novo patamar

O mundo geopolítico, tal como o conhecemos desde a 2.ª Guerra Mundial, ruiu. Estamos observando seu desmoronamento, com as instituições que o alicerçavam sendo abaladas em seus fundamentos. De nada adianta recorrer ao “Direito Internacional”, como se fosse algo perene. O próprio conceito de Direito Internacional torna-se problemático, visto que está embasado no acordo entre Estados que assim estabelecem relações jurídicas. Depende da adesão das partes signatárias a tal tipo de contrato, cessando se Estados importantes, tipo grandes potências, se retirarem do acordado.

Desigualdade vira fetiche no debate público. Por Irapuã Santana

O Globo

A ciência nos mostra que o bem-estar psicológico de um país não se conquista apenas achatando o topo da pirâmide

Durante as últimas duas décadas, consolidou-se no debate público uma espécie de dogma inquestionável: a ideia de que a desigualdade econômica é uma “toxina social” que adoece a mente das populações. De editoriais a discursos políticos, a narrativa era que o abismo entre ricos e pobres seria causa direta da depressão, da ansiedade e da erosão do bem-estar. No entanto um estudo recente publicado na revista Nature, por Nicolas Sommet e sua equipe, acaba de pôr em xeque essa crença.

O trabalho é uma síntese estatística de grandes proporções, que analisou 168 estudos abrangendo mais de 11 milhões de pessoas em 38 mil unidades geográficas. Os pesquisadores concluíram que a desigualdade de renda, isoladamente, não tem efeito significativo sobre o bem-estar ou a saúde mental.

Quem desmoraliza o STF? Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Quem mais tem a explicar é o próprio Dias Toffoli. Mas cabe ao Supremo analisar o comportamento de seus ministros

O presidente do STF, Edson Fachin, gastou quatro parágrafos para descrever as funções do Banco Central, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do próprio Supremo. O resumo desse trecho da nota divulgada pelo ministro na semana passada é o seguinte: o BC cuida do sistema financeiro, a PF é “indispensável” na apuração de crimes, a PGR denuncia, e o STF garante a Constituição.

Óbvio, não é mesmo? Nas bem traçadas linhas, o sistema parece uma máquina em funcionamento harmônico, com todos cumprindo suas funções constitucionais de modo exemplar, incluindo o ministro Dias Toffoli.

O carro usado de Toffoli. Por Miguel de Almeida

O Globo

Ele nunca desfrutou os momentos heroicos protagonizados por Xandão

Por vezes, no meu travesseiro, sou atormentado pela dúvida: no mercado, qual seria o deságio para desembaraçar os produtos vendidos por Toffoli? É do jogo: quando seu nome perde confiança, nada o salva. O ostracismo de Toffoli encontra na fase complicada de Xandão um ombro amigo. Os dois se protegem mutuamente e trocam passes. Mas Toffoli nunca desfrutou os momentos heroicos protagonizados por Xandão. Longe disso: sempre foi visto como um encostado do PT, premiado pela amizade com José Dirceu e por serviços prestados ao partido. Sem brilho intelectual ou de retórica. Como seu time do coração, o Palmeiras, não tem o Mundial entre as sumidades do Direito.

Poesia | Não há amor feliz ("Il n'y a pas d'amour heureux”), de Louis Aragon

Nada é definitivo na vida de um homem
Nem a sua força nem a sua fragilidade nem o seu coração
Quando acredita abrir os braços num abraço
A sombra é a de uma cruz
Quando acredita agarrar a felicidade descobre uma ferida
A vida é um estranho e doloroso divórcio

Não há amor feliz

A  vida é um soldado sem armas
Fardado para outros destinos
De pouco serve acordar cedo
Quando ao fim da tarde se é assaltado pelas incertezas
E dizer as palavras Minha Vida para calar as lágrimas

Não há amor feliz

Música | Roberta Sá - A Rosa (Chico Buarque)

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Opinião do dia - Oscar Vilhena Vieira*

“Impossível assistir a esses filmes sem pensar num Brasil que parece incapaz de superar um profundo mal-entendido com a lei. Mal-entendido que transcende os períodos autoritários. Que se encontra enraizado nas relações cotidianas e no modo como são operadas nossas instituições, por meio do "familismo", exposto por Oliveira Vianna, da perversa "cordialidade", descrita por Sérgio Buarque de Hollanda, do "patrimonialismo", de Raymundo Faoro, do "você sabe com quem está falando?", de Roberto da Matta, ou da "grande conciliação", de Michel Debrun. São espectros que não nos abandonam, escancarando uma indisposição de acatar a lei como regra geral.

É paradoxal que num país em que a imensa maioria da população acorda cedo para trabalhar e cumprir suas obrigações sobreviva uma cultura tão forte e arraigada de descumprimento da lei e desrespeito aos direitos mais elementares.

Que as Eunices e Sebastianas nos deem forças para continuar lutando por justiça e por um país melhor.”

*Oscar Vilhena Vieira, do artigo “Um país à margem da lei” Folha de S. Paulo, ontem, 24/01/2026.

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Abusos no litoral refletem desprezo pelo turismo

Por O Globo

Se país quer ser potência do setor, precisa tratar civilizadamente quem vai às praias, e não tentar espoliar

A agressão a dois turistas às vésperas do Ano Novo em Porto de Galinhas, litoral de Pernambuco, chamou a atenção para a desordem e para os abusos que afligem a costa do país. Eles haviam se recusado a pagar pelo aluguel de cadeiras de praia e guarda-sol além do combinado. Diante da repercussão, a prefeitura interditou a barraca, multou os responsáveis e proibiu a cobrança de consumo mínimo. Medidas similares de controle já foram tomadas pelas prefeituras de Salvador e Maraú (BA), Guarujá e Santos (SP) e também Rio e Niterói (RJ). A Secretaria Nacional do Consumidor anunciou um manual de boas práticas para vendedores e banhistas e prometeu uma nota técnica voltada à fiscalização.