quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vazamento inadmissível

Por O Povo (CE)

Ministros têm visões diferentes quanto à investigação do vazamento de informações na Receita Federal

É inadmissível ter havido vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus parentes na Receita Federal do Brasil.

Considerado um órgão técnico de melhor qualidade, a Receita é agora alvo de investigações da Polícia Federal (PF) para esclarecer o caso. A ação foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, pois a investigação passou a integrar o chamado inquérito das fake news (n.º 4781).

A PF já cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os funcionários suspeitos foram afastados de suas funções e terão de cumprir medidas cautelares.

Segundo as investigações, houve quebra de sigilo nos dados da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Também teria havido acesso indevido ao documento de imposto de renda do filho de outro ministro.

O Sindifisco Nacional, entidade que representa os auditores-fiscais da Receita, lembrou que o acesso motivado a dados de contribuintes não configura quebra de sigilo, fazendo parte da rotina de auditorias e fiscalizações. No entanto, reconhece que a divulgação das informações colhidas configura crime, que deve ser punido.

Em nota, o STF disse que investigações iniciais indicam "diversos e múltiplos acessos ilegais" ao sistema da Receita Federal com o intuito de coletar dados sigilosos dos ministros da Corte, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de seus parentes. Ainda segundo essas informações, teria sido constatada a entrega de dados a terceiros.

Mas o STF está sendo criticado por avocar o processo que, segundo um segmento de juristas, deveria ser de competência da primeira instância, pois o processo não envolve nenhuma autoridade com foro privilegiado. Além disso, a inclusão no inquérito das Fake News também sofre reprovações, sob argumento de não ter relação com o vazamento das informações.

O STF, por sua vez, afirma que o vazamento faz parte dos ataques coordenados contra a Suprema Corte, e que isso justificaria a inclusão no processo das Fake News.

No entanto, dentro da própria Corte há divergências. Segundo o jornal fluminense O Globo. Enquanto um grupo concorda com as investigações conduzidas pelo STF, outro segmento prefere a cautela, para evitar que o Fisco e outros órgãos de controle tenham sua atuação questionada antes de haver indícios concretos de que eventuais ilícitos tenham ocorrido. Depois do caso Master, esse é mais um processo a dividir os ministros.

De qualquer modo, os acontecimentos levam à seguinte indagação, que tem de ser respondida pela Receita, de modo tranquilizar os contribuintes: se até mesmo as mais altas autoridades da República podem ficar expostas, o que dizer do cidadão comum? Ele pode confiar que seus dados estão seguros com a Receita ou corre o risco de vê-los expostos indevidamente?

Mendonça versus o atropelador geral da República, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Alexandre de Moraes atropelou Receita, TCU, servidores, Fachin e, finalmente André Mendonça que, se não o enfrentar, perderá autoridade como de relator do caso Master

O ministro Alexandre de Moraes mandou colocar tornozeleira eletrônica, apreender passaportes, celulares e computadores, quebrar o sigilo e divulgar os nomes de quatro servidores da Receita - um auditor, uma técnica e dois servidores do Serpro cedidos. Em relação a, pelo menos, dois deles, não há informações de que o acesso tenha se prestado à comercialização dos dados.

Há exatos sete anos, o ministro, tornado relator do inquérito das “fake news” de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, também cismou com dois servidores da Receita que teriam acessado, indevidamente, o sigilo bancário do ministro Gilmar Mendes e de sua ex-esposa, Guiomar Feitosa. Como não se provou que esses servidores, ao se depararem com dados sigilosos, nas varreduras de rotina, estivessem agindo com dolo, foram reincorporados. Dado que o ministro é inimputável, a não ser por um processo de impeachment no Senado, os servidores que foram expostos em 2019 não tiveram a quem se queixar pelos danos à sua reputação.

Em busca de um acordo entre Trump e Lula, por Assis Moreira

Valor Econômico

Dono da segunda maior reserva mundial de terras raras, Brasil não tem intenção de se aliar a ‘clube’ montado por Trump nessa área, onde perderia seu enorme poder de barganha na questão dos mineriais críticos

Ao mesmo tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza visitas à Índia e à Coreia do Sul nos próximos dias, a equipe presidencial prepara seu esperado encontro com Donald Trump na Casa Branca. A visita pode ocorrer em março. A data, no entanto, ainda depende do anfitrião.

Do lado brasileiro, os temas na mesa com Trump incluem a resolução do tarifaço sobre exportações brasileiras, questões de segurança (combate ao crime organizado) e temas globais, como o Conselho de Paz, pelo qual Trump busca esvaziar as Nações Unidas, e tensão no hemisfério ocidental, como a Venezuela.

O Supremo e seu valor de face, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

O que acontece com um país em que o prestígio da Corte Suprema se esfarela ao vento? Onde vai parar o senso de autoridade?

O assunto deste artigo é o Supremo Tribunal Federal (STF), não há mais como deixar de ser. Todas as páginas de todos os jornais acabaram convocadas a tratar da pauta – dolorosa e fatal. Também eu falarei disso, mas peço licença para começar por uma longínqua lembrança de infância (o improvável leitor logo entenderá a razão).

O ano é 1966. Aos sete anos de idade, fiquei hospedado por uma ou duas semanas na casa do tio Denny e da tia Edna, em frente à igreja matriz de Orlândia. A razão daquela temporada era fácil de explicar. Minha mãe, no final da sua quarta gravidez, tinha se mudado para a casa de minha avó materna, em Ribeirão Preto, onde havia um bom hospital. A cidade de Orlândia, a umas duas horas de carro da portentosa Ribeirão, ainda não dispunha de nenhum leito hospitalar; a prudência recomendava que minha mãe fixasse residência temporária num município onde pudesse contar com mais recursos médicos. Assim, eu e meus dois irmãos nos vimos distribuídos por endereços de tios e padrinhos. Minha irmã, Fabiana, nasceria em maio daquele ano.

Oremos, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A desconfiança dentro do STF aumenta a imprevisibilidade na crise

O STF enfrenta duas crises ao mesmo tempo e a interna parece tão perigosa quanto a externa. E a causa é a mesma: é a institucionalidade substituída pela pessoalidade.

No caso da crise externa, é a percepção de grande parte do público de que a instituição do Supremo virou ferramenta de defesa de interesses pessoais de alguns integrantes. Fora toda a questão da atuação política.

STF empurrado para nova crise, Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

A solução do caso Master não neutralizou a crise da Corte. Alimentou outra guerra

A intenção de Edson Fachin era retirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do centro do escândalo do Banco Master. De forma pouco usual, convocou uma reunião a portas fechadas. Dias Toffoli foi convencido a deixar a relatoria do caso, mas a solução não neutralizou a crise interna do tribunal. Ao contrário, alimentou outra guerra.

A tática de Fachin contrariou interesses do grupo de Toffoli, que tem entre os componentes Alexandre de Moraes. Quatro dias depois da reunião secreta, estourou a notícia de que Moraes havia mandado a Receita Federal rastrear a origem de supostos vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e seus parentes.

As urnas e os desconfiados, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Resultados de pesquisa sobre as urnas eletrônicas não trazem alento aos democratas brasileiros

Cidadãos desconfiados das instituições democráticas não são propriamente novidade no Brasil

Pelo menos 4 em cada 10 brasileiros acham que as urnas eletrônicas não são confiáveis; maioria apertada de 53% pensa o contrário. Esses valores médios escondem diferenças enormes, que espelham as inclinações políticas dos entrevistados. Enquanto 75% dos que apoiaram Lula no segundo turno de 2022 não veem problema na maquininha de votar, só 26% dos eleitores de Bolsonaro acham que ela produz resultados criveis. Os dados são de um recente levantamento da Genial/Quaest.

Quando direitos humanos viram nota de rodapé, por Eduardo Suplicy

Folha de S. Paulo

Asfixia financeira transforma órgãos paulistas em mera formalidade, já que não conseguem cumprir suas funções

Se São Paulo perder isso de vista, perderá também um pedaço de sua própria humanidade

Acompanho com inquietação sinais cada vez mais nítidos de desmonte das políticas de direitos humanos no estado de São Paulo. Não me refiro apenas a discursos, mas a escolhas concretas e reiteradas que enfraquecem mecanismos de controle social, reduzem espaços de participação e esvaziam estruturas criadas para proteger a dignidade humana.

Ao longo da minha trajetória política, tive a honra de servir à cidade de São Paulo como secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania e de presidir comissões de direitos humanos tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa. Aprendi, na prática, que a institucionalidade de direitos humanos não é um adorno do Estado. Ela é um dos seus alicerces.

Pelo fim, sem alarde, da escala 6x1, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

A mentalidade colonial brasileira quer nos fazer crer que o fim do regime de trabalho destruirá a economia do país

Investir no aumento de produtividade poderia ser uma das metas com o fim da escala

debate sobre o fim da escala 6x1 precisa, de um lado, se dar sem alardes infundados em evidências e, de outro, considerar a histórica desigualdade nas relações trabalhistas no país. Sem levar em conta o peso de uma nação com quase quatro séculos de escravidão nas costas, torna-se superficial e, portanto, infrutífero debater a sério a relação economia e trabalho.

Importante enfatizar que os estudos disponíveis sobre o impacto do fim da escala de trabalho 6x1 não justificam o alarde. Tudo o mais constante, sim, o custo do trabalho pode aumentar em 7,84% segundo estudo do Ipea, por uma simples razão de que o combo salário igual e menos horas trabalhadas eleva o custo da hora de trabalho. O dado em si diz pouco.

Sem mobilização, supersalários vão continuar, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Lula vetou os novos penduricalhos, mas é pouco

Eles são uma erva daninha que tem se espalhado sem o mínimo pudor das autoridades e demais beneficiados pelos supersalários

O veto do presidente Lula a novos penduricalhos, que iriam engordar o contracheque dos servidores do Legislativo além do limite constitucional do salário do funcionalismo público, é um começo, mas está longe de impedir o avanço dos fura-tetos na administração pública brasileira.

Uma erva daninha que tem se espalhado sem o mínimo pudor das autoridades e demais beneficiados pelos supersalários, como se viu na votação do projeto aprovado pelo Congresso.

A proposta permitia a concessão de uma gratificação de um dia para cada três dias de trabalho para trabalhadores que já têm outras vantagens, inclusive a estabilidade no emprego.

Folia no Master, cinzas na República, Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Até festas de Daniel Vorcaro assustam figuras da política e da finança em vários estados

Medo de delação de ex-presidente do BRB eleva pressão sobre investigadores do caso

A festa do Master "não tem hora para acabar", como diz o clichê velho sobre comemorações de campeonatos de escolas de samba. Sim, a folia financeira acabou, assim como a pândega do "Cine Trancoso", festas em uma casa na vila de mesmo nome, em Porto Seguro, na Bahia, onde Daniel Vorcaro instalou uma zona de confraternização para seus "amigos em todos os Poderes" e na finança. As consequências é que são uma farra sem fim.

Desfile na Sapucaí armou uma casa de caboclo para Lula candidato, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O risco político não está apenas no Judiciário. O episódio fornece munição à oposição e, sobretudo, às forças de centro que articulam uma alternativa eleitoral fora da polarização

Petistas e juristas alinhados ao governo minimizam o impacto do desfile da Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, sob o argumento de que não houve violação explícita da legislação eleitoral. É mesmo o que precisam fazer. Formalmente, de fato, a decisão da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, ao liberar a apresentação, respeitou o princípio constitucional da liberdade de expressão artística — impedir o desfile configuraria censura prévia. Mas a política, como se sabe, raramente se resolve apenas na esfera formal. E é justamente aí que os estrategistas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm razões de sobra para pôr as barbas de molho.

Fogo amigo, por Merval Pereira

O Globo

Eleitorado evangélico pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile

Entre os vários efeitos colaterais negativos que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói pode ter trazido para a campanha eleitoral do presidente Lula, um é explorado nas redes sociais com avidez pelos bolsonaristas: a crítica da escola aos neoconservadores, especialmente às “famílias enlatadas”, entendidas como ridicularização dos evangélicos, uma das forças eleitorais brasileiras atrás da qual os petistas correm em busca de apoio. É um eleitorado majoritariamente bolsonarista, que pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile.

O inquérito que não acaba, por Julia Duailibi

Por O Globo

Investigação das fake news tem vida e regras próprias, que chamam ainda mais a atenção num ambiente de estabilidade democrática

Dizem os sábios que todo carnaval tem seu fim, mas a máxima não serve para o inquérito das fake news, conhecido popularmente como inquérito do fim do mundo. Trata-se do procedimento aberto por determinação do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para investigar ataques aos ministros da casa em 2019. Com todos os seus vícios de origem, o inquérito continua vivíssimo. Sete anos depois, consolidou-se como o mais poderoso instrumento nas mãos de um único Poder para investigar o que esse mesmo Poder considera relevante ser investigado.

A Quarta de Cinzas chegou para o STF, por Malu Gaspar

O Globo

A maior parte do Brasil passou o carnaval pensando no que fazer na folga, na programação dos blocos de sua cidade ou na classificação das escolas de samba na Sapucaí. No Supremo Tribunal Federal (STF), foram dias de tensão sem trégua. Os ministros ainda nem tinham digerido o trauma provocado pela reunião secreta em que obrigaram Dias Toffoli a deixar a relatoria do caso Master quando Alexandre de Moraes mandou que a Polícia Federal (PF) batesse à porta de quatro servidores da Receita e do Serpro em plena Terça-feira Gorda, numa operação para combater o “possível vazamento indevido de dados sigilosos de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral da República e de seus familiares”.

Dilema do BRB na busca do equilíbrio, por Míriam Leitão

O Globo

Após o episódio Master, o BRB precisa de resposta rápida do governo do Distrito Federal para evitar que a conta cresça

O total que o governo do Distrito Federal terá que aportar no BRB aumentou desde que o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, falou em necessidade de provisão de “mais de R$ 5 bilhões”. Na economia, não há fatos estáticos. Quanto mais tempo o controlador demora em dizer que solução dará para o rombo do banco causado pela compra de uma carteira fraudulenta do Master, mais o problema cresce. O BRB tem bons ativos, mas qualquer venda de carteira pode ser por valor menor do que está marcado em seu balanço. Isso reduzirá seu patrimônio, aumentando a necessidade de provisão. Ontem o mercado mostrou que aguarda a solução com otimismo, tanto que a ação do banco disparou 14%.

Poesia | Revolta, de Guimarães Rosa

 

Música | Luiz Alfredo Xavier (Rio Verde –GO) Castigo (Dolores Duran).

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil encontrou rumo no combate ao desmatamento

Por O Globo

É preciso celebrar índices melhores, mas país enfrenta outros desafios, como incêndios e criminalidade

É de bom augúrio a queda de 11% no desmatamento na Amazônia Legal em 2025 sobre o ano anterior, apurada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Se comparada a 2022, a perda de vegetação caiu pela metade. No ano passado, a área devastada foi estimada em 5.796 quilômetros quadrados, a menor em 11 anos e a terceira mais baixa da série histórica. Claro que a região ainda concentra problemas graves para além da questão ambiental, em particular o avanço do crime organizado, mas não deixa de ser um dado positivo.

Entrevista | Marqueteiro de Paes (PSD) vê Lula favorito, apesar de ‘dificuldades de sempre’

Por Camila Zarur / Valor Econômico

Ex-consultor de petista, Marcello Faulhaber considera escolha de Flávio certa

O marqueteiro Marcello Faulhaber é enfático nas previsões para as eleições deste ano. Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será reeleito. “Com a dificuldade de sempre, no segundo turno e com pouca diferença, mas vai se reeleger”, diz, em entrevista ao Valor.

Coordenador das últimas campanhas do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e consultor na campanha de Lula em 2022, Faulhaber acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro acertou ao indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em vez de apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Olhando para os petistas, Faulhaber é crítico nas movimentações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O marqueteiro vê nas ações do chefe da equipe econômica do Planalto uma tentativa de forçar sua indicação para suceder a Lula - o que o transforma numa nova versão do ex-ministro e ex-senador José Serra (PSDB).

Por fim, na corrida ao governo do Rio, Faulhaber, que deve repetir a dobradinha com Paes, afirma que o único que pode atrapalhar o prefeito é ele próprio. “Depende dele”.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Articulação para vaga no STF ressurge pós-carnaval, por Fernando Exman

Valor Econômico

Expectativa é que presidente do Senado consiga fazer a carruagem avançar nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça uma afronta

Mais preocupado em não se atrasar para o próximo bloco, o folião que caminhou apressado neste carnaval no Rio de Janeiro pela rua Barão do Flamengo, entre a praia e a praça José de Alencar, certamente não se ateve ao fato de que onde hoje fica o edifício Simão Bolivar era a localização do famoso Hotel dos Estrangeiros. E com toda razão. Contudo, sua história e as dos personagens que o frequentaram cabem em uma quarta-feira de cinzas.

PPPs para hospitais e fábrica de vacinas, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Regras do jogo precisam estar sempre muito claras e firmes

Uma das políticas públicas mais bem-avaliadas na Bahia é o Hospital do Subúrbio, construído e operado no modelo Parceria Público-Privada (PPP). Foi inaugurado em 2010, quando o governador era Jaques Wagner (PT). Embora Rui Costa, que à época era secretário de Wagner, seja ministro da Casa Civil desde 2023 e tenha sob sua responsabilidade o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), só recentemente as PPPs de hospitais ganharam impulso no governo federal. A mudança veio quando Alexandre Padilha assumiu o comando da pasta de Saúde, em março de 2025.

STF diz que houve 'múltiplos acessos ilícitos' a dados fiscais de ministros e familiares

Por Tiago Angelo, Beatriz Olivon, Gabriel Shinohara, Estevam Taiar e Mariana Andrade / Valor Econômico

STF apura acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal com vazamento de dados sigilosos

O Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou em nota divulgada na terça-feira (17) que dados fiscais sigilosos de ministros e seus familiares foram acessados de forma irregular por servidores da Receita Federal, com o posterior vazamento das informações a terceiros, informou a Corte por meio de nota. Quatro suspeitos foram alvos de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, em uma decisão que dividiu o Tribunal por ser um desdobramento do inquérito das “fake news” e acabar envolvendo todos os magistrados.

O STF não disse quem seriam os donos dos dados vazados. Segundo apurou o Valor, no entanto, as informações coletadas ilegalmente seriam da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes cujas atividades profissionais ficaram em evidência devido ao contrato de seu escritório de advocacia com o banco Master, e de um filho de outro ministro.

Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A motivação ainda está em investigação pelos responsáveis pelo inquérito e pela própria Receita, se foi política ou se essas ações fazem parte de um esquema de venda de dados.

Quem são os suspeitos de terem vazado dados sigilosos de ministros do STF e familiares

Por Wendal Carmo /CartaCapital

Os nomes dos suspeitos foram divulgados pelo STF. Em nota, o tribunal disse que os vazamentos ocorreram para produzir ‘suspeitas artificiais’

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira 17, quatro mandados de busca e apreensão contra servidores públicos acusados de vazar dados sigilosos sobre ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus parentes. As diligências ocorreram em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Os suspeitos de terem acessado de forma ilegal informações sobre os magistrados seriam Luiz Antônio Martins NunesLuciano Pery Santos NascimentoRuth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Os nomes dos suspeitos foram divulgados pelo STF em comunicado à imprensa.

Alfabetização para a contemporaneidade, por Cristovam Buarque

Correio Braziliense

O primeiro analfabetismo a ser superado é o da proficiência escrita e falada da língua nacional. E o alfabetizado para a contemporaneidade precisa ter visão do mundo global atual, compreender os desafios do país e do mundo

Por muitos anos, prevaleceu a ideia de que o analfabetismo consistia em não saber soletrar uma palavra. Faz algum tempo, usa-se o conceito de analfabetismo funcional para quem sabe decifrar as letras, mas não compreende um texto mais complexo. A realidade atual revela outro tipo de analfabeto: aquele que sabe ler, inclusive textos, mas não está preparado para entender e participar do mundo contemporâneo. O analfabetismo é uma forma de escravidão, não apenas ao impedir a leitura de um texto, mas também quando dificulta a compreensão e participação profissional, política e cultural no mundo. Além de outros fatores, causa determinante da estagnação e da concentração da renda nacional está no analfabetismo dos conhecimentos necessários para elevar a produtividade e a eficiência de nossa população em todos os setores da economia.

Quarta-Feira de Cinzas no fogo do Master, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Um ambiente conflagrado e de desconfiança generalizada aguarda o retorno das atividades na Praça dos Três Poderes a partir desta Quarta-feira de Cinzas. Nem mesmo o carnaval conseguiu abafar o clima de guerra que predomina na relação entre o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) desde que estourou o escândalo do Banco Master.

Um desfile de equívocos, por Vera Magalhães

O Globo

Quem não vota em Lula não tem por que mudar de ideia depois do desfile eivado de obviedades, puxa-saquismo e boa dose de mistificação

O fuzuê armado com o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula é um daqueles episódios que envolvem enorme risco para todos os envolvidos, mobilizam fartamente pessoas, instituições e espaço na imprensa — e podem não produzir ganho para ninguém.

Para a escola, o que deve ter parecido uma jogada genial no momento da definição do enredo pode ser um tiro n’água. Diferentemente de outras agremiações que faturam alto com patrocínio estatal diante de enredos igualmente laudatórios e feitos sob encomenda, as restrições da Justiça Eleitoral acabaram por blindar os cofres públicos.

Trabalhadores do Brasil, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em prefácio a livro de discursos, presidente revê opinião sobre legado do antecessor

Em 1979, Leonel Brizola baixou em São Bernardo do Campo para visitar o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Queria atraí-lo para o projeto de refundação da legenda histórica do PTB.

Recém-chegado do exílio, o ex-governador discorria sobre as tradições do trabalhismo quando Lula o interrompeu com uma frase seca: “Getúlio ferrou o trabalhador”. A conversa acabou em constrangimento: o anfitrião nem se levantou da cadeira para se despedir.

Estrela do novo sindicalismo, Lula associava o nome de Vargas aos pelegos que dominavam a velha estrutura sindical corporativista e subordinada à ditadura. Chamava o ex-presidente de “pai dos pobres e mãe dos ricos” — uma heresia aos ouvidos de Brizola, que dizia representar o “fio da história” de lutas sociais rompido pelo golpe militar.

STF precisa fechar a delegacia, por Elio Gaspari

O Globo

Tudo aquilo de que o Brasil não precisa é um conflito entre a Polícia Federal e o Supremo

Uma série de circunstâncias jogaram o Supremo Tribunal Federal (STF) no olho de um furacão político que só amainou depois que os responsáveis pela trama golpista de 2022/2023 foram encarcerados. Nessa crise, escreveu uma de suas melhores páginas. Destacou-se nessa sucessão de episódios a figura do ministro Alexandre de Moraes.

Passado o furacão, o Tribunal embananou-se ao lidar com o caso do Banco Master e suas conexões políticas e financeiras. A reunião da semana passada, que tirou o ministro José Antonio Dias Toffoli da relatoria do caso, teve uma coreografia primorosa, mas não enganou ninguém. O propósito era afastar Toffoli, mas para enfeitar a cena avançaram em cima da Polícia Federal (PF).

Os genes egoístas de Trump, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pesquisadores propõem modelo neorrealista para entender ações de presidente dos EUA

Ele não defenderia interesses do país, mas os da família, como numa corte de monarquia absolutista

Trocar as lentes que utilizamos para interpretar fenômenos pode esclarecer muita coisa. Richard Dawkins promoveu uma pequena revolução conceitual na biologia ao destacar, em 1976, que são os genes, e não o indivíduo ou a espécie, a unidade fundamental sujeita à seleção natural. São os genes que buscam perpetuar-se e, ao contrário de indivíduos e espécies, que têm data mais ou menos marcada para morrer ou extinguir-se, podem perdurar pelo tempo em que existir vida na Terra.

Ao proteger o ninho, STF arrisca perder o que sustenta sua autoridade, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Corte parece não reconhecer o valor político do sentimento público

Ministros reiteram a fé em Toffoli como se a lealdade tribal pudesse alterar a percepção externa sobre o caráter

Há 30 anos, inicio minhas aulas sobre comunicação política na universidade explicando que, em nossa especialidade, não nos ocupamos diretamente dos fatos ou da realidade. Disso tratam sociologia, história, economia e jornalismo. Na comunicação política, explico, ocupamo-nos das aparências: do modo como as coisas parecem ser, da percepção pública dos fatos, das convicções que pessoas e grupos formam sobre a realidade —ou sobre aquilo que se convenceram que a realidade é.

Supremo sob estreita vigilância, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dias Toffoli saiu da relatoria do processo, mas o caso do Master não saiu das suspeições sobre o ministro

STF está sob o escrutínio da sociedade e da legalidade, assim como qualquer uma das instâncias de poder

Ao interromper as férias para tentar pôr um freio de arrumação na torrente de críticas ao Supremo Tribunal Federal, em janeiro, o ministro Edson Fachin alertou para a necessidade de a corte se conter, sob pena de ser contida por força de controle externo.

Estamos quase em março, com o país prestes a retomar um ritmo que neste ano nada tem de normal. Primeiro, porque 2026 começou antes da data habitual: quando o Carnaval chegou, pegava fogo na cena política o caso Master. Segundo, porque é ano de eleição com campanha para lá de antecipada.

Poesia | Reconciliação, de Goethe

 

Carmélia Alves - É de fazer chorar, de Luiz Bandeira

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Homenagem a Lula na Sapucaí teve ar de campanha antecipada

Por O Globo

Cabe ao TSE avaliar as punições que julgar adequadas para o desfile da Acadêmicos de Niterói

No ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende disputar a reeleição, a escola de samba Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, escolheu apresentar na Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Foi impossível disfarçar o tom de propaganda eleitoral antecipada, como pôde perceber qualquer um que tenha assistido ao desfile no domingo à noite.

O favoritismo de Lula em 2026, por Míriam Leitão

O Globo

Com bons números na economia, Lula chega como favorito na campanha. E Flávio tenta herdar o espólio bolsonarista

O ambiente econômico de 2026 é favorável ao presidente Lula. Inflação sob controle, juros em queda, dólar fraco, crescimento maior do que no governo anterior, desemprego baixo e melhoria da renda. E a disputa sempre favorece o incumbente. Nas quatro eleições em que o presidente, ou a presidente, concorreu no cargo, só Jair Bolsonaro perdeu. Apesar de a pesquisa ter mostrado que Flávio Bolsonaro herda parte importante do espólio do pai, ele não tem a mesma capacidade de mobilização nem conseguiu galvanizar a direita. O favoritismo nesta eleição é do presidente Lula.

Campo minado, por Merval Pereira

O Globo

Se esse enredo não é exemplo de propaganda eleitoral fora do prazo, muito difícil definir o que seja

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que abriu o carnaval do Rio no último domingo, foi uma afronta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à sociedade brasileira, exibição de poder político do incumbente, que já tem vantagens sobre seus concorrentes, a menor delas a possibilidade de concorrer à reeleição para presidente da República permanecendo no cargo. Esse certamente é um dos pontos corrigir na legislação eleitoral, impedindo que os candidatos a reeleição em cargos majoritários (presidente, governador, prefeito) possam permanecer neles durante a campanha.

Amanhã é um novo começo, por Fernando Gabeira

O Globo

Tudo se concentra na eleição presidencial. Mas é preciso advertir que o Congresso, no Brasil, tornou-se muito poderoso

Escrever numa terça-feira de carnaval amplia a latitude de um artigo político. Ainda mais porque faço hoje 85 anos. Amanhã, começa para valer o ano eleitoral. Poderia escrever sobre o debate entre grandes projetos políticos para o Brasil. Toda eleição, faço isso. Mas a experiência me diz: não vão rolar.

Para que perder tempo? Esta é a última eleição presidencial da minha vida. Com alguma sorte, a penúltima. Não adiantam grandes elucubrações. D. H. Lawrence afirma que é uma pena, ao lermos livros como “O futuro da América” ou “A situação da Europa”, não poder imaginar a pessoa gorda ou magra que dita o texto a uma estenógrafa com bobs no cabelo ou escrevendo, com caneta-tinteiro, marcas no papel.

Minha vida mudou, por Pedro Doria

O Globo

OpenClaw, o agente autônomo que atua em seu nome resolvendo coisas internet afora, não é ferramenta para qualquer um

Nas últimas duas semanas, minha relação com a inteligência artificial mudou radicalmente. Nesse compasso, mudou também minha relação com computadores, celulares e todos os outros instrumentos que fazem parte de nossa vida digital. Essa transformação, que a princípio me parece mais positiva que negativa, se deu por duas razões. Ou se dá — afinal, está em curso. Primeiro, é uma lenta migração do ChatGPT para o Claude, da Anthropic, que vem se tornando a IA que uso com mais frequência. Segundo, e simultaneamente, instalei o OpenClaw num computador extra.

A ONU aos 80 anos e o desgaste silencioso do direito internacional

Nasser Zakr  / Correio Braziliense

Sem instituições robustas, o direito internacional perde força normativa, e suas normas tendem a operar mais como orientações políticas do que como obrigações vinculantes

O aniversário da Organização das Nações Unidas oferece uma oportunidade para refletir sobre a fragilidade crescente de um sistema jurídico que se apoia na previsibilidade e na cooperação multilateral. Este texto não trata de reformas políticas específicas, mas do desgaste progressivo da autoridade jurídica internacional que sustenta o multilateralismo.

A ONU completa 80 anos em um contexto de interdependência crescente e de cooperação internacional sob tensão. Mais do que um espaço de concertação política, a organização constitui o eixo normativo em torno do qual se estruturam regras e práticas que orientam a convivência entre Estados. O aniversário permite, assim, examinar a erosão gradual de uma ordem jurídica concebida como universal e orientada pela primazia do direito. Trata-se de um momento que convida menos à celebração formal e mais à reflexão sobre os limites do sistema.