quarta-feira, 22 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Super El Niño será teste para queda de queimadas

Por O Globo

Área devastada pelo fogo caiu a menos da metade em 2025, mas previsão de seca severa no Norte é novo desafio

São auspiciosos os resultados de estudo do MapBiomas mostrando que a área queimada no Brasil no ano passado foi de 12,7 milhões de hectares, valor correspondente a menos da metade do registrado em 2024 e 31% inferior à média histórica. Os números foram influenciados pela Amazônia, cuja extensão devastada pelo fogo despencou de 15,8 milhões de hectares em 2024 para 3,1 milhões em 2025, o menor patamar observado desde 1985, quando foi iniciada a medição. Por mais alentadores que sejam, os dados não dão motivo para relaxamento, pois a expectativa de um super El Niño neste ano deve servir de alerta.

A largada de Flávio Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Presidenciável do PL ainda não tem vice e não sabe que partidos vão apoiá-lo

Flávio Bolsonaro está atrasado. A três dias do lançamento oficial da candidatura, o senador continua cercado de incógnitas. Ainda não tem vice e não sabe que partidos vão apoiá-lo.

O plano era repetir o palanque do pai em 2022: atrair o Republicanos e o PP, hoje federado ao União Brasil. A sigla ligada à Igreja Universal preferia Tarcísio de Freitas, rifado pelo capitão. Agora apresenta uma fatura extensa e não tem pressa para fechar negócio.

Mais demagogia no Alemão, por Elio Gaspari

O Globo

O Estado serve mesmo para fazer chacinas

Em julho de 2011, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o teleférico do Morro do Alemão, no Rio, e arriscou:

— O Complexo do Alemão tem tudo para se transformar num ponto turístico.

Bingo.

Quatro anos depois, Christine Lagarde, então diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, viajou no teleférico e pontificou:

— Estou me sentindo numa estação de esqui.

Um ano depois, a geringonça foi desativada e desativada está. Madame Lagarde, uma pessoa discreta, nunca produziu outra batatada desse calibre.

De lá para cá, a comunidade voltou ao noticiário em outubro do ano passado, quando a polícia do Rio chacinou 117 pessoas no Morro do Alemão. Se aquela comunidade pode vir a ser um ponto turístico, isso pode vir a ser a criação do Museu da Empulhação, um repositório de todas as presepadas prometidas por presidentes, governadores e prefeitos.

Entrevista |Nordeste tende ao centro, avalia pesquisador, por Marina Falcão

Valor Econômico

Para Murilo Medeiros, da UnB, esquerda e direita enfrentam dificuldades na região

Com a esquerda enfrentando fadiga de material e a direita limitada a um teto eleitoral, as disputas estaduais no Nordeste convergem para o centro. A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), para quem o eleitor nordestino hoje está mais sensível ao aumento da criminalidade  - e menos aos programas de transferência de renda.

As eleições na região, com 40 milhões de eleitores, podem antecipar o Brasil de 2030, sem o protagonismo da polarização Lula x Bolsonaro. “O Nordeste talvez esteja na vanguarda”, diz.

A seguir, trechos da entrevista:

Tarifa em cima de tarifaço, e assim ficará, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Semana deve terminar com tarifas adicionais de 12,5% por trabalho forçado

Começam a ser cobradas hoje as tarifas de 25% impostas a produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos. Além disso, na próxima sexta-feira, será concluída outra investigação pelo governo americano, na qual o Brasil e seis dezenas de países poderão ser punidos com mais 12,5%.

“Isso não vai mudar no curto prazo e é uma transformação que se tem observado no comércio internacional como um todo: mais imprevisibilidade, mais influência de elementos geopolíticos”, disse à coluna o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto. “Não é um cenário conjuntural que passa no próximo ano ou dois.”

O fantasma de Cristiano e a sombra de futuro dos líderes de oposição, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Está em curso uma operação de cristianização do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que até agora se mantém como principal candidato de oposição

O mineiro Cristiano Machado (1893-1953) era advogado e diplomata quando se aventurou na política na disputa presidencial. Ex-prefeito de Belo Horizonte antes da Revolução de 1930, nas eleições de 1950 seu nome saiu da cartola dos caciques do PSD para enfrentar o candidato da UDN, Eduardo Gomes. Durante a campanha, porém, perdeu o apoio em seu próprio partido e de aliados para a candidatura de Getúlio Vargas. Essa traição recebeu um nome hoje consagrado na política brasileira: “cristianização”.

A democracia degenerada, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Embora faça gestos para beneficiar parcelas excluídas da população, nossa democracia nega a adesão social. Mantém a renda concentrada, a desigualdade social, o analfabetismo e uma educação básica sem qualidade nem equidade, ao mesmo tempo em que preserva privilégios

Em A oligarquia dos Poderes: e a crise da democracia, Joaquim Falcão nos oferece um livro que fará parte do cânone das obras de interpretação do Brasil neste momento de nossa história. Ao mesmo tempo defende e aponta os defeitos da democracia brasileira, apropriada por uma oligarquia que usa o Estado para obter benefícios para seus grupos e parentes. Falcão faz uma espécie de autópsia de como nossa democracia é usada por oligarquias — sejam escravocratas, latifundiários, usineiros, advogados, políticos, juízes, banqueiros, industriais, sindicalistas — que se sucedem sem respeitos aos interesses do povo ou da nação. Ele explicita que a legalidade foi criada e é usada para beneficiar oligarcas, seus grupos e famílias, por meio de manipulações das leis e dos orçamentos que elaboram e operam em benefício próprio.

Democracias repetem erro ao ignorar ameaça autoritária, por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Há 90 anos, regimes autoritários apoiaram Franco, mas países democráticos abandonaram República Espanhola

Trump não deverá acabar o ano sem interferir nas duas maiores eleições do seu continente

Há 90 anos por estes dias, Barcelona se preparava para receber os Jogos Olímpicos operários e antifascistas em alternativa aos Jogos Olímpicos organizados pelos nazistas em Berlim. Não aconteceu porque eclodiu a Guerra Civil da Espanha.

Em vez do grande evento esportivo, os trabalhadores e os seus sindicatos, nos quais predominavam os anarquistas, saíram às ruas para impedir a tomada de poder pelos fascistas. Durante uma década e meia tinham visto país após país cair em ditadura —ItáliaAlemanhaPortugal mesmo ali ao lado, a própria Espanha na década anterior com Primo de Rivera, e desta vez disseram: "¡No pasarán!" ("Não passarão").

O sincericídio de Gabrielli, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Coordenador do programa de Lula, ex-presidente da Petrobras cita controle de capitais e é enquadrado

A disputa pelos rumos de um eventual quarto mandato do presidente Lula tem provocado atritos na cúpula da campanha petista. As principais divergências estão na seara econômica e há mal-estar no PT e na Fazenda com declarações de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e coordenador do programa de governo de Lula.

Na sexta-feira, por exemplo, Gabrielli se reuniu com representantes do mercado financeiro, em São Paulo, e defendeu o controle de capitais, além do aumento do salário mínimo para estimular a saída dos beneficiários do Bolsa Família.

A fatura do verão europeu, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Fenômenos climáticos extremos passaram a ser um risco tão ou mais importante do que crises geopolíticas

A forte onda de calor que sufocou a Europa no fim de junho, com temperaturas recordes acima de 40 graus centígrados em vários países do continente, causou a morte de mais de 10 mil pessoas, segundo dados de uma entidade ligada à Organização Mundial da Saúde. Mas, além da tragédia humana, os analistas dizem que fenômenos climáticos extremos passaram a ser um risco macroeconômico tão ou mais importante do que crises geopolíticas.

Lula nomeia Rubio como adversário e consagra estratégia eleitoral contra Flávio Bolsonaro, por Bruno Boghossian

Folha de S. Paulo

Presidente deixa de explorar interferência dos EUA como fantasma e passa a tratar eleição como disputa entre candidato nacional e potência estrangeira

Ao disparar desafio como deboche, petista não tenta se defender de uma interferência já consumada, mas provoca adversário a entrar em campo

desafio lançado por Lula (PT) para que Marco Rubio "monte um comitê" de campanha para Flávio Bolsonaro (PL) abre um novo momento do embate eleitoral do petista com Washington. Ao apontar o que seria uma dobradinha entre seu principal opositor e o secretário de Estado americano, o presidente deixa de tratar uma possível interferência dos EUA como fantasma e passa a nomeá-la como adversária direta.

Lula vinha atacando o tema de forma difusa, ainda que enfática. Criticava o tarifaço e sanções contra autoridades brasileiras como armas da pressão comercial e diplomática de Donald Trump sobre a democracia brasileira. Pintava Flávio e os Bolsonaros como traidores da pátria submetidos à agenda de uma nação estrangeira, lançando repetidas vezes a carta da soberania.

Flávio Bolsonaro não consegue unir a direita, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

PL tem dificuldades para atrair outros partidos para uma aliança formal

Se não trouxer nem o Republicanos, Flávio terá menos tempo de TV que Lula

Finda a Copa começam as eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta problemas. Um forte indício disso é o tempo de TV. A menos que o PL consiga trazer o Republicanos para uma aliança, o Bolsonaro pequeno terá menos espaço no rádio e na TV do que Lula. Ele ficará com 4 minutos e 20 segundos por bloco de propaganda contra 5 minutos e 32 segundos do petista. Se Lula não foi capaz de forjar uma aliança que vá além da esquerda, Flávio não conseguiu nem unir a direita, que é majoritária no Congresso.

Lula e Flávio têm fragilidades expostas na campanha, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Principais oponentes acumulam cada qual uma lista de obstáculos a serem vencidos até a eleição

Indefinições de chapas se resolvem; mais difícil é a superação das debilidades de cada candidato

As indefinições na formação de chapas na abertura do período das convenções partidárias tiveram destaque no noticiário, mas não são elas os problemas reais das candidaturas.

As questões de fato complicadas são as fragilidades que assolam as campanhas, cada qual à sua maneira. Embora gigantesco, o desafio de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) é só um: crescer para chegar ao segundo turno. Já os dois que, em tese, lá estão por indicação das pesquisas, têm muitos obstáculos pela frente. As rejeições atingem ambos, mas os de Luiz Inácio da Silva (PT) são menores que os do oponente Flávio Bolsonaro (PL) —ainda assim, contudo, difíceis de serem transpostos.

A mágica da semana de 5 dias, por Deirdre Nansen McCloskey

Folha de S. Paulo

Congresso poderia aprovar lei determinando que o valor do número matemático pi fosse arredondado para 3,00000

Os gênios na Câmara devem ter percebido que, com um sexto a menos de trabalho, o patrão "malvado" simplesmente cortaria o salário mensal para compensar

Seria maravilhoso se uma lei pudesse nos tornar ricos ou felizes. Eu adoraria que isso fosse verdade. Pense. O Congresso poderia aprovar uma lei determinando que os brasileiros sejam felizes. É claro que funcionaria —brilhantemente. Os brasileiros andariam por aí sorrindo o tempo todo. Ou o Congresso poderia aprovar uma lei estabelecendo que nenhum brasileiro roube de outro. Ah, espere: ele já aprovou uma lei assim. Também deve estar funcionando, certo? Ninguém no Brasil —especialmente os membros do próprio Congresso— jamais rouba de ninguém.

Poesia | Capinan, com Geraldo Azevedo ao violão - Te esperei (Capinan)

 

Música | Beth Carvalho - O ouro e a madeira (Ederaldo Gentil)

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Análise do TCU sobre emendas Pix exige investigação

Por O Globo

Em amostra de 2020 a 2024, oito em dez emendas apresentaram algum indício de irregularidade

A Polícia Federal (PF) deve dar prioridade à análise de auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as emendas Pix, transferidas diretamente para o caixa de estados e municípios, assim que o plenário da Corte aprová-la em plenário. Oito em dez das emendas examinadas apresentaram algum tipo de irregularidade. Apenas no universo da amostra, existem indícios de problema em R$ 49,1 milhões repassados entre 2020 e 2024. Como a quantia total deve ser muito maior, é urgente investigar, indiciar os suspeitos, condenar os eventuais culpados e garantir o retorno das verbas aos cofres públicos.

Pequeno glossário gramsciano, por Alvaro Bianchi e Daniela Mussi*

Revista Cult

Bloco histórico

O conceito, inspirado na obra de Georges Sorel (1847-1922), foi utilizado por Gramsci para repensar as relações entre estrutura-superestrutura em uma chave anti-economicista. Expressa a unidade entre estrutura e superestrutura, natureza e espírito. No bloco histórico, as forças materiais são o conteúdo e as ideologias, as formas. Mas essa distinção entre forma e conteúdo é apenas didática, uma vez que na realidade histórica as forças materiais não seriam concebidas sem suas formas e as ideologias não teriam eficácia sem essas forças materiais. O conceito de bloco histórico não designa uma aliança de classes ou partidos políticos.

Cultura

Tema persistente nos escritos de Antonio Gramsci, cultura adquiria sentido amplo e uma série de desdobramentos em seu pensamento. Nos artigos de juventude, a cultura aparecia associada à atividade intelectual necessária para o fortalecimento “interior” do ambiente socialista, capaz de superar tanto as reduções neopositivistas do marxismo como o neoidealismo que avançava sobre as ideias de Karl Marx, revisando-as e incorporando-as em um paradigma liberal. Nos cadernos redigidos da prisão encontramos essa concepção ampliada e complexificada, resultado do interesse e contato de Gramsci com a experiência soviética desde 1917, além dos demais desdobramentos da crise aberta com a I Guerra Mundial na Europa, especialmente na Itália sob o fascismo. A cultura passava a ser pensada, ainda, como reforma intelectual e moral, ou seja, como o coração de uma estratégia de organização política. Também era investigada como parte de uma nova historiografia que reconhecia na formação do Estado moderno a unidade contraditória entre as formas da vida e atividade de governados e governantes.

Um presidente de mãos atadas, por Fernando Gabeira

O Globo

No fundo, todos sabemos que governo não tem dinheiro, exceto o que recebe de todos nós. Já temos tanta dor de cabeça

Acabou a Copa do Mundo; agora, nosso tema comum é a eleição. É preciso afirmar algo tão inconveniente agora quanto foi dizer que, com aquele time, o Brasil não ia longe, apesar da fanfarra comercial do “rumo ao hexa”.

Depois de muito debate e emoção, o presidente que escolhermos chegará ao poder de mãos quase atadas. Ele simplesmente não terá dinheiro para executar suas promessas. A causa disso é muito simples: o Congresso sequestrou parte do Orçamento. Ele gasta cerca de R$ 61 bilhões por ano só em emendas parlamentares. Sobra pouco para o governo.

Orçamento é um tema muito chato. É uma quantidade abstrata de recursos, que a gente costuma pensar como o dinheiro do governo. No fundo, todos sabemos que governo não tem dinheiro, exceto o que recebe de todos nós. Já temos tanta dor de cabeça com as contas do nosso dia a dia. Por que se preocupar com o que gasta o governo?

As surpresas do inesperado, por Merval Pereira

O Globo

O ex-presidente Tancredo Neves dizia que Presidência é destino. A História do Brasil está repleta de exemplos da verdade dessa afirmação.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizia que se tivesse sido eleito prefeito de São Paulo em 1985 — foi derrotado por Jânio Quadros — dificilmente chegaria à Presidência da República em 1994. O mesmo se pode dizer do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Candidato mais provável da direita à sucessão presidencial, foi esnobado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em favor do filho Flávio, e hoje está perto de se reeleger governador no primeiro turno. Com a vitória, mesmo que seja no segundo turno, Tarcísio se verá livre de dois “fantasmas” em 2030. Lula estará fora da disputa presidencial, e provavelmente da política, e Jair Bolsonaro estará enfraquecido com a provável derrota de Flávio, e inelegível, condição que pode se estender até 2060 se considerada também uma condenação criminal posterior.

Cenário eleitoral começa a se definir com consolidação de candidaturas, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Estruturas de poder, palanques compartilhados, recursos financeiros e tempo de televisão fazem toda a diferença, mas também existe o imponderável, como em 2018

A campanha presidencial entrou numa nova fase. A abertura do período das convenções partidárias, nesta segunda-feira, transforma as pré-candidaturas em candidaturas formais e obriga os partidos a fechar suas alianças, escolher os candidatos a vice e armar os palanques estaduais, que acabam tendo muito peso na disputa pela Presidência. Renan Santos, do Missão, foi o primeiro presidenciável a oficializar seu nome, numa convenção antecipada, realizada ontem, ao lado do militar da reserva Aroldo Medina.

Fora da bolha, eleitor ficou mais sabido e desapegado, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Perfil do TSE mostra eleitorado mais velho, mais escolarizado e mais numeroso em regiões ignoradas pelo noticiário nacional

Há mais brasileiros conectados à internet (168,7 milhões) do que aptos a votar - 158.745.463 segundo os dados do perfil do eleitorado divulgado nesta segunda pelo Tribunal Superior Eleitoral. Não se tire daí a conclusão de que esta eleição será determinada pelas redes sociais.

O jovem que as movimenta estará mais ausente. Dados compilados pela Justiça Eleitoral em São Paulo mostram que, depois de crescer 51% em 2022, quando a cantora Anitta fez uma campanha para que se alistassem, o número de eleitores com menos de 18 anos caiu 23%. Já os idosos, mais distantes das redes, cresceram 13%.

Condenado cá, premiado lá, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ainda brasileiro, conquistou algo mais importante do que um mero troféu decorativo por trabalhar a favor de Donald Trump e dos interesses americanos contra o Brasil. O prêmio de agradecimento foi bem concreto: um green card com o qual pode morar, estudar e trabalhar nos Estados Unidos.

Não é pouca coisa e não é para qualquer um, especialmente nesses tempos de Trump e ICE perseguindo, prendendo, deportando, humilhando e até separando pais de filhos, não de qualquer país, mas daqueles menos brancos e menos chiques. Como os da América Latina e da África, por exemplo.

O mal-estar da República, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Está na praça – sob a categoria tem de ler – o livro-ensaio A Oligarquia dos Poderes, de Joaquim Falcão, um dos intérpretes deste Brasil em que a concertação dissimula o conluio. Parece que Flávio Dino já o leu. Deveria lê-lo – não lhe deixa de ser uma biografia indireta – Gilmar Mendes. Não o lerá Alexandre de Moraes.

São 254 páginas de diagramação arejada, fonte generosa para com os de vista cansada e texto papo reto sobre “a crise da democracia”, esse mal-estar social derivado da percepção difusa de que a elite delegada a nos representar terá corrompido a própria existência, um fim em si mesmo, alargado e aprofundo o fosso que a separa do povo.

“O mal-estar provoca certo desprezo da sociedade pelo Estado. A maioria popular sente.” O autor trata da violação do contrato social, produto do estabelecimento de um sistema trancado em que os donos da República protegeriam uns aos outros. O Poder instrumentalizado, fachada à constituição autoritária de apropriadores, para além da locupletação simples conforme consagrada neste país.

Administrando os casuísmos, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Decisão do STF de ir mantendo desembargador à frente do governo fluminense é a melhor para o Rio

O problema é que ela atropela a ordem sucessória prevista na Constituição estadual e na federal

Tá tudo dominado. É pequena a chance de a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tomar boas decisões. Seria uma temeridade colocar o novo presidente da Casa, que também é candidato a governador, para comandar interinamente o estado após a crise de múltiplas vacâncias.

É provavelmente com base nessas verdades autoevidentes que o STF vem mantendo o presidente do TJ fluminense, desembargador Ricardo Coutoà frente do Palácio Guanabara, em vez do deputado estadual Douglas Ruas. Vale ainda ressaltar que Couto está fazendo um bom trabalho como administrador provisório.

Estilo antigo separa Kassab e Valdemar, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente do PL deu-se mal ao generalizar a ingerência de dirigentes partidários nas emendas

Ficará falando sozinho se os demais colegas negarem a prática, como fez o presidente do PSD

No segundo dos dez dias dados pelo ministro Flávio Dino para que presidentes de partidos digam se interferem, ou não, na destinação de emendas parlamentaresGilberto Kassab (PSD) foi logo negando a prática.

Apressou-se em puxar uma fila que provavelmente será seguida pelos demais dirigentes. Deixarão Valdemar Costa Neto (PL) pendurado na escada em que subiu ao tentar, numa entrevista à GloboNews, normalizar a usurpação das direções partidárias de atribuições exclusivas dos donos de mandato legislativo.

Tariflávio é apelido perfeito para quem tem culpa no cartório, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Sanção econômica dos EUA escancara interferência nas eleições

Além de Lula, adversários da candidatura bolsonarista são Trump, Master e Michelle

O período de Copa do Mundo, quando geralmente se espera um refresco nas maquinações políticas, foi devastador para a campanha de Flávio Bolsonaro. Primeiro veio o vídeo da ex-primeira-dama Michelle, horas antes de a seleção brasileira enfrentar a Escócia (acabou vencendo por 3 a 0 e dando uma falsa esperança aos torcedores).

O filho 01 disse que "hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece". Quem dera. Michelle abriu um buraco na candidatura do enteado, afastando o voto evangélico e, sobretudo, o feminino.

The Economist: Ataque ao Pix reforça 'paixão' pelo sistema de pagamento

Por O Globo

Revista britânica afirma que argumentos dos EUA não encontram respaldo em fatos, embora afirme que ele pressiona para baixo as taxas cobradas por empresas de cartões

Pix brasileiro entrou na mira do governo do presidente Donald Trump e foi usado como um dos argumentos para os Estados Unidos aprovarem uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil, após a conclusão de uma investigação comercial que durou um ano e que classificou como "injustas" determinadas práticas comerciais adotadas pelo país.

As críticas reforçaram ainda mais o apelo do sistema de pagamento, diz a revista, que cita o fato dele já fazer parte da rotina da população. Cerca de 170 milhões de pessoas ou quase 80% da população usam o sistema de pagamento gratuito e instantâneo.

Tarifas de Trump não vão funcionar e fortalecerão Lula, diz Nobel de Economia, por Mônica Mariotti

BBC News Brasil em Londres

economista americano Paul Krugman publicou um artigo nesta segunda-feira (20/7) no qual afirma que as tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil não vão funcionar — e vão fortalecer o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso", afirma o economista, em artigo publicado no site Substack. Confirmadas na semana passada, as tarifas entram em vigor na próxima quarta-feira (22/07).

Poesia | E agora José? de Carlos Drummond de Andrade. Voz Paulo Autran

 

Música | Maria Bethânia e Lenine - Nem o Sol, nem a Lua, nem Eu (Lenine)

 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Proibição de celular nas escolas é um sucesso

Por O Globo

Medida conta com apoio de pais, professores e tem melhorado desempenho dos alunos

Em janeiro de 2025, quando foi sancionada a lei federal que proibiu celulares em salas de aula para fins não pedagógicos, havia dúvidas se a medida, que já vigorava em redes de ensino municipais e estaduais, vingaria. Era nítido o desafio de privar crianças e adolescentes de um de seus bens mais caros e desejados. A julgar por uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) com diretores de escolas, um ano e meio depois as incertezas se dissiparam. A restrição não apenas obteve adesão significativa, como apresentou resultados auspiciosos.

Largada para as convenções partidárias nesta semana, por Renato Souza, Danandra Rocha e Luíza Altoé

Correio Braziliense

A partir desta semana, os partidos começam a anunciar oficialmente as candidaturas e as chapas para as eleições de outubro deste ano, e, com isso, os escolhidos vão mergulhar definitivamente nas campanhas, seja nas ruas, seja na internet a partir de 16 de agosto

Há pouco mais de um mês, a Seleção Brasileira entrou em campo para disputar a taça da Copa do Mundo e tentar conquistar o hexacampeonato de futebol. A frustração veio mais cedo do que se esperava, com a equipe canarinha sendo eliminada ainda nas oitavas de final. Assim que o elenco do Brasil foi desclassificado pela Noruega, no último dia 5, as redes sociais foram inundadas de comentários sobre as eleições. Os internautas diziam que a disputa agora seria nas ruas, nas campanhas e na internet.

No entanto, apesar da antecipação do clima eleitoral, em razão da frustração com o futebol, a corrida para a vaga de presidente da República, assim como de deputados e senadores, começa hoje, com o início das convenções partidárias, fase que marca a entrada oficial dos candidatos, que deixam de ser pré-postulantes aos cargos e mergulham definitivamente na disputa política.

Economia será decisiva para eleições, diz José Guimarães, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Ministro atribui melhora de Lula a novos programas do governo, vê Palácio ‘sem crises’ e minimiza tensão com o Senado

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse ao Valor que as últimas pesquisas eleitorais o convenceram de que a economia terá um peso decisivo na disputa pelo Palácio do Planalto. Ele atribuiu a melhora na aprovação do governo a programas com impacto no bolso do eleitor, como o Desenrola.

Responsável pela articulação política, ele vê mais integração entre o time de ministros que dialoga com o Congresso e classifica a aprovação na Câmara dos Deputados da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 como a principal vitória de sua gestão na pasta. A matéria, no entanto, não avançou no Senado, onde o Executivo ainda enfrenta um clima de tensão desde o afastamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Tarifaço amplia crise em pré-campanha de Flávio, por Beatriz Roscoe e Gabriela Guido

Valor Econômico

Parte do entorno do senador avalia que episódios impediram avanço de agenda positiva; time tenta emplacar pauta de propostas, como plano para mulheres

O anúncio do tarifaço dos Estados Unidos na semana passada aprofundou o diagnóstico que já vinha sendo feito por aliados e interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): a pré-campanha ao Palácio do Planalto acumula crises e erros desde o lançamento, em dezembro de 2025. A avaliação é que sucessivos erros políticos, falhas de comunicação, dificuldades de articulação e conflitos internos impediram que a pré-campanha conseguisse emplacar uma agenda positiva.

Para essas fontes, a decisão de Flávio de acionar o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e viajar a Washington para tentar convencer autoridades americanas a reverter a taxa de 25% sobre produtos brasileiros ampliou o desgaste e desviou novamente o foco das propostas que vêm sendo anunciadas por ele.

Ataques a Moraes fragilizam imagem de ‘moderado’, por Tiago Angelo

Valor Econômico

Pré-candidato do PL sobe o tom contra Alexandre de Moraes, diz que não irá ‘abaixar a cabeça’ para ‘tirano nenhum’ e afirma que ministro ‘parece sem alma’ e usado por um ‘demônio’

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram em reserva ao Valor que declarações recentes do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre Alexandre de Moraes fragilizam a imagem de que o político é mais “moderado” que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tarifaço machuca, mas nem tanto, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Efeitos do tarifaço são limitados, e muitos setores compensaram perdas redirecionando exportações

Donald Trump não aliviou e cumpriu a ameaça de sobretaxar nossas exportações. Valendo-se de uma investigação sobre supostas práticas desleais, o órgão de defesa comercial americano aplicou uma tarifa extra de 25% sobre os produtos brasileiros.

É mais um capítulo da novela que começou ainda durante a campanha eleitoral, quando Trump começou seu bullying contra parceiros comerciais. Daí veio o Liberation Day, em 02/04/2025, com a aplicação de tarifas seletivas para cada país, que nos brindou com a alíquota mínima de 10%. Mas em junho de 2025 o presidente americano resolveu apontar seu armamento comercial para o Brasil. Com objetivos políticos e defendendo interesses de grandes empresas, iniciou o processo que agora confirmou a sobretaxa de 25%.

Mulheres e negros unidos contra o retrocesso, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Uma sociedade racista e viciada em desigualdades é resistente a mudanças que visam garantir direitos aos negros e proteção às mulheres

Grupos precisam se unir contra o retrocesso de conquistas civilizatórias alcançadas ao longo de décadas de lutas

Por mais que não seja uma surpresa, dada a trajetória histórica que nos trouxe ao atual patamar de desigualdades nacionais vigentes, a cruzada empreendida por agentes políticos contra as cotas étnico-raciais, a misoginia e a criminalização do racismo são impressionantes.

Se a proposição de um projeto de lei flagrantemente inconstitucional é, por si, uma afronta à democracia, a insistência em contrariar o pacto federativo para fazer valer uma tese que, além de ferir a Constituição, contraria a fartura de dados e evidências sobre a preponderância do fator étnico-racial na estruturação das desigualdades ultrapassa todos os limites da civilidade, da moralidade e do chamado "espírito republicano".

A política da nova opacidade, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Por que o combate à corrupção pelo STF e TCU nas emendas orçamentárias não se volta para essas próprias instituições?

Consolidou-se um modelo em que parlamentares preservam influência sobre o gasto público enquanto reduzem a visibilidade de sua participação.

Por que um parlamentar abriria mão de receber o crédito por uma obra, um hospital ou uma quadra que ajudou a financiar? A pergunta é contraintuitiva. Durante décadas, a ciência política explicou a política distributiva justamente pela busca desse reconhecimento. O deputado destinava recursos ao seu reduto, inaugurava obras e esperava transformar a visibilidade em votos.

Contra a corrupção do outro, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Sob polarização, as instituições passam a ser julgadas por quem elas atingem 

Poucos temas produzem tanto consenso no Brasil quanto o combate à corrupção. Pesquisas de opinião mostram, há décadas, que a maioria dos brasileiros considera a corrupção um dos principais problemas do País. Ainda assim, convivemos com uma sensação permanente de impunidade.

O maior obstáculo ao combate à corrupção talvez não seja apenas a fragilidade das leis ou das instituições. Mas, sim, a incapacidade dos próprios eleitores de julgarem a corrupção com o mesmo critério, independentemente de quem esteja sendo investigado.