sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Campanha deixa de lado temas essenciais ao país

Por O Globo

Com profusão de ataques pessoais, faltou debate sobre Previdência, ajuste fiscal e reocupação de territórios

Com a campanha eleitoral perto do fim, fica claro que candidatos, marqueteiros e estrategistas deixaram fora da propaganda e do debate temas fundamentais para o próximo governo. Assuntos inexoráveis como a deterioração das contas da Previdência, a necessidade de um ajuste fiscal robusto e propostas concretas para combater o crime organizado para além do populismo penal foram omitidos ou abordados de forma superficial pelas campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sucumbindo à profusão de ataques pessoais, ambos ficaram devendo ao eleitor.

O que será o amanhã depois do debate entre Lula e Flávio na Globo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O confronto entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro pode decidir a eleição, mas a maior incerteza está no futuro que cada candidato oferece ao país

O conhecido samba-enredo da União da Ilha do Governador, apresentado no carnaval carioca de 1978, que inspira o título desta coluna, é de autoria de Didi e João Sérgio. Didi era o procurador da República Gustavo Adolfo de Carvalho Baeta Neves, fundador da escola e autor de outros sambas antológicos. Naquele ano, na voz de Aroldo Melodia, “O Amanhã” empolgou o público. A União da Ilha terminou em quarto lugar, mas a composição conquistou um lugar permanente na memória dos brasileiros.

Revelações da redução da jornada, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Ela tem por função superar a ignorância e o senso comum pobre e tosco. Com essas limitações não há cidadãos

O descabido alvoroço que cercou a proposta de atualização de nossa concepção oficial de jornada de trabalho tem aspectos reveladores do que sociologicamente são e o que pensam sobre obrigações e direitos sociais os que a combatem. Concebem como faz de conta as decisões quanto a transformações sociais necessárias ao próprio capitalismo. Esta é uma sociedade marcada por crônico atraso em relação a mudanças inevitáveis ao nosso ingresso na modernidade do desenvolvimento econômico com justiça social.

‘Domingo será um bonito dia’ para nossa democracia, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Obra de José Saramago dialoga com a realidade brasileira, num momento em que os brasileiros voltarão às urnas no domingo

“Domingo, queridos compatriotas, será um bonito dia”, saudou o primeiro-ministro, referindo-se à segunda rodada de votações. A nova consulta aos eleitores se impôs diante do resultado do escrutínio anterior, quando a soma dos votos válidos dos partidos da direita, do centro e da esquerda não alcançou 25%. Mais de 70% foram votos em branco.

No país imaginário criado por José Saramago em seu “Ensaio sobre a Lucidez” (2004), o placar inédito obrigou o retorno dos eleitores às urnas. Uma preocupação das autoridades era com a abstenção, em face da apatia do eleitorado. Mas se deu o contrário: o povo compareceu em massa para enviar um recado ainda mais estridente: 83% dos votos em branco.

Mudança das campanhas está por se comprovar extensiva ao eleitor, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A ideia de que o 2º turno é uma outra eleição foi confirmada por este que se encerra. A dúvida é se o eleitor também terá mudado. É desta mudança que, em grande parte, depende o resultado do domingo.

A mudança nas campanhas foi impulsionada, de um lado, pela tensão provocada no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decorrência dos 2,2 milhões de votos a mais obtidos pelo adversário em 5 de outubro. E, de outro, pelo conforto suscitado na campanha do senador Flávio Bolsonaro com a vantagem obtida. A tensão foi produtiva e o conforto, enganador. Foi isso, em grande parte, que moveu a discreta aproximação nas trajetórias de ambos nas pesquisas ao longo do 1º turno.

A tensão petista levou à incorporação do senador Camilo Santana (PT-BA) à coordenação de campanha, que acabou agindo como um catalisador das disputas que antagonizaram o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva.

Lula e o desafio de sua vida, por Vera Magalhães

O Globo

Se conseguir operar a virada inédita, presidente terá diante de si um Congresso mais hostil que o atual

Muito já se cantou, em prosa e verso, quanto Luiz Inácio Lula da Silva subverteu as probabilidades para descrever uma trajetória biográfica e política inédita na História brasileira: primeiro retirante a virar o maior líder sindical do país e a fundar um partido; primeiro líder oriundo das classes populares a, tendo perdido três disputas presidenciais, se tornar presidente; primeiro a ocupar a Presidência três vezes pelo voto, a terceira delas depois de ter sido condenado e preso por corrupção.

Agora, ele se vê diante da circunstância de tentar ser o primeiro incumbente a passar ao segundo turno de uma eleição presidencial em desvantagem no placar, precisando operar uma virada épica, conquistando votos não só de quem se absteve ou votou branco e nulo, mas também de eleitores do adversário, para se reeleger.

Armação ilimitada, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Caso de suspeitos uniformizados em Piracicaba lembra manipulação do sequestro de Abilio Diniz

Aconteceu em Piracicaba, cidade do interior paulista onde Flávio Bolsonaro colheu 63% dos votos no primeiro turno. Policiais militares prenderam três jovens, incluindo um menor de idade, sob suspeita de tráfico de drogas. Antes de serem levados à delegacia, os três foram obrigados a vestir camisetas com o nome de Lula e a estrela do PT.

Parece 1989, mas ocorreu nesta quarta-feira, a quatro dias da eleição presidencial. Testemunhas ouvidas por diferentes órgãos de imprensa denunciaram a armação. De acordo com os relatos, nenhum dos suspeitos vestia roupas ou adereços políticos durante a abordagem. “Um estava todo de cinza, um de moletom azul e boné, e o outro estava de bermuda jeans e camiseta branca”, contou uma entrevistada.

O dia seguinte, por Pablo Ortellado

O Globo

A eleição decide quem governará. O que fizermos no dia seguinte decide se ainda saberemos viver juntos

O Brasil está cindido entre os que apoiam Lula e os que apoiam Flávio Bolsonaro. Seja quem for o vencedor na noite de 25 de outubro, a vitória será apertada, e acordaremos no dia 26 divididos. Nosso primeiro problema, depois de aceitarmos o resultado, será como reconstruir a coesão social, recuperando os laços de solidariedade e cooperação que mantêm a sociedade brasileira de pé.

A campanha eleitoral transcorreu simultaneamente em duas pistas. Na pista secundária, protocolar, tivemos uma disputa programática: num lado, Flávio prometendo melhoria no custo de vida e mais segurança pública; no outro, Lula prometendo mais direitos e proteção social. A campanha, porém, não foi essencialmente programática.

Entrevista | 'Eleição é comparação. Nós defendemos a democracia', diz Alckmin

Por Carlos Alexandre de Souza, Denise Rothenburg e Maria Beatriz Giusti \ Correio Braziliense

Vice-presidente afirma que, para atrair os indecisos, é preciso mostrar a diferença entre os concorrentes: um que defende o Estado de Direito, e o outro que tem "saudade da ditadura"

Candidato à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que a estratégia da campanha para virar votos é a humildade e o diálogo com os eleitores. "Vamos conversar com os eleitores que não foram votaram. Vamos conversar também com quem votou em outro candidato. Eleição é comparação. Nós defendemos a democracia, em que é o povo que decide. E os nossos adversários têm saudade da ditadura. É preciso respeitar a Constituição, fortalecer a democracia e mostrar as diferenças", ressaltou, em entrevista no programa CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Alckmin comentou sobre a sua confiança para o segundo turno. "Há um enorme crescimento da candidatura nas ruas e nas redes", destacou. O vice-presidente também defendeu uma apuração sobre a eventual interferência da Meta nas eleições. "Ela reconheceu que houve prejuízo para a campanha do presidente Lula. O que justificou foi que não teria sido proposital. Ora, não é possível ter uma atitude discriminatória que acabe beneficiando um candidato e prejudicando outro. Então, é preciso, sim, verificar isso", frisou.

Três certezas da eleição, por Roberto Fonseca

Correio Braziliense

Tudo indica que o cenário de imprevisibilidade na corrida pelo Palácio do Planalto continuará até o fim. Será uma apuração tensa, sem ser possível cravar antecipadamente quem sairá vitorioso. A campanha de 2026 se aproxima do fim, mas deixa três lições

Vamos às urnas daqui a dois dias para definir o próximo presidente da República e os seis governadores que faltam. Tudo indica que o cenário de imprevisibilidade na corrida pelo Palácio do Planalto continuará até o fim. Será uma apuração tensa, sem ser possível cravar antecipadamente quem sairá vitorioso. A campanha de 2026 se aproxima do fim, mas deixa três certezas.

Algumas horas para o futuro, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

O consolo na democracia é que sempre teremos uma nova eleição. A alternância é a grande qualidade sistema. Essa qualidade jamais poderá ser roubada

Faltam apenas algumas horas para a decisão. São duas visões antagônicas. O País será algo muito diferente com a vitória de um ou outro. Nossas vidas serão impactadas. É natural que seja uma semana tensa.

No meu caso, temo pelos anos dedicados à legislação ambiental. Ouço Flávio declarando sobre a Amazônia que os fazendeiros serão livres para fazer o que quiserem em suas terras. O pai dele também pensava assim. Mas é um delírio. Nenhuma terra está fora de uma região, de um país ou do próprio planeta. Se um rio passa em sua propriedade, você não pode nem represá-lo nem contaminá-lo sem prejudicar os que vivem à jusante. Não é possível atear fogo dentro de suas terras sem levar em conta a segurança das terras vizinhas. Quando se vive numa região tão especial como a Amazônia, por lei, não se pode desmatar livremente, apenas 20% da área.

Contas reais ou para eleitor ver? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com 50% a 50%, o último debate e quebra de sigilos podem ser fatais? Para quem?

No início, o presidente Lula ganhou pontos e obrigou o adversário Flávio Bolsonaro a entrar no jogo, ao fazer o desafio para que ambos quebrassem seus sigilos bancários e fiscais. Nunca se sabe, porém, quem ganha ou perde num campeonato desses, ainda mais numa eleição com Lula e Flávio empatados em 50% no Datafolha.

Desde o fim do primeiro turno, a diferença a favor de Flávio caiu de quatro pontos para dois, depois para um e agora evaporou, traçando duas linhas que tendem a se cruzar a favor de Lula até domingo. Mas isso depende do duelo de sigilos bancários e do debate da Rede Globo hoje.

Candidatos preparam estelionato eleitoral, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Seja qual for o resultado das eleições de domingo, o País se prepara para um estelionato eleitoral ou para uma crise econômica em 2027. Não é catastrofismo. Nem o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, nem o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, apresentaram até agora propostas concretas para lidar com a economia.

Flávio negou todos os ajustes necessários para reduzir a dívida pública: desindexação do salário mínimo, mudança nos pisos de saúde e educação, reforma da Previdência, entre outras medidas. Chegou até a se comprometer com a escala 6x1, que, num primeiro momento, vai afetar a produtividade da economia.

Brasil e o ‘efeito Orloff’, por Luiz Fernando de Paula*

O Estado de S. Paulo

No debate sobre política econômica, mais importante do que procurar modelos a serem copiados é compreender as especificidades de cada economia

O“efeito Orloff” é uma expressão usada no Brasil para sugerir que a experiência econômica de um país – especialmente a Argentina – poderia antecipar o que aconteceria depois por aqui. A origem está na antiga propaganda da vodca Orloff, cujo slogan era: “Eu sou você amanhã”.

É frequente, no debate econômico brasileiro, que algum analista critique a política econômica do governo e vaticine: “O Brasil vai se tornar uma Argentina!”. Essa comparação, porém, ignora diferenças estruturais importantes entre as duas economias.

Embora Brasil e Argentina tenham enfrentado profundas crises nos anos 1980, em grande medida associadas à crise da dívida externa, suas trajetórias macroeconômicas foram bastante distintas.

Mundo capitulará diante do neofascismo? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Protestos na França beneficiam partido de Marine Le Pen

Centro político tem perdido espaço para legendas radicais

A onda de protestos na França tem dois beneficiários eleitorais: o ultradireitista Reunião Nacional, de Marine Le Pen e Jordan Bardella, e, em menor escala, o França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical. O grande perdedor é o centro político do qual Emmanuel Macron era o grande representante. As eleições presidenciais francesas ocorrem em abril e maio próximos.

Não é só na França que o centro passa por apuros. Na vizinha Alemanha, o extremista Alternative für Deutschland (AfD) vem obtendo formidáveis ganhos eleitorais em cima principalmente da democracia cristã, enquanto Die Linke, uma esquerda mais vocal, vem tirando cadeiras dos social-democratas e dos verdes. Em diferentes graus, o fenômeno se repete em vários outros países europeus e fora da Europa.

'Trump, bombardeie o Brasil', por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os bolsonaristas sugeriram isso a Trump em São Paulo, mas ele nunca aceitará a ideia

Precisa dos nossos minerais críticos, que Flávio Bolsonaro já lhe garantiu se for eleito

No ato bolsonarista em São Paulo, no domingo (18), um objeto inflável em forma de míssil, de 3 metros de altura, desfilou pela avenida Paulista. Nele lia-se: "Trump nuke Brazil". "To nuke" é um verbo em inglês, significando destruir algo usando uma bomba nuclear. Era o que os bolsonaristas pediam a Donald Trump, que jogasse uma bomba no Brasil —claro que no Brasil "de Lula". Os americanos são craques em matar a distância, mirando alvos isolados com drones de alta precisão. Mas como conseguir isso com uma bomba feita para varrer milhões de uma sentada?

Choque de realidade leva Lula 3 a reconquistar alguns pobres e jovens, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Petismo-lulismo ficou alheio à política e a temas populares por quase quatro anos

Avaliação do governo, ainda negativa, é a melhor desde dezembro de 2024

Desde dezembro de 2024, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tinha avaliação tão boa quanto na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (22). Para ser mais preciso, o saldo negativo da avaliação de Lula 3 foi o menor nesses quase dois anos. A diferença entre quem dá ao governo nota "ruim ou péssimo" e "ótimo e bom" baixou a 3 pontos negativos, ainda um tico pior que a de Jair Bolsonaro a esta altura da campanha de 2022 (tinha saldo negativo de 1 ponto).

E daí? A eleição não está praticamente empatada, a julgar pelo que dizem agora os eleitores ao Datafolha? Não seria o mais importante? Talvez não.

A extrema direita não ajuda o empreendedor, por Pedro Erber*

Folha de S. Paulo

Corrente se limita a afastar o Estado; depois do 'eu te entendo, deixa comigo', quem 'vive por conta' fica sozinho

Cabe a quem empreende cobrar; à esquerda, ter a coragem de rever suas categorias

Virou lugar-comum dizer que a esquerda não leva a sério quem empreende. "CEO de MEI" já é piada antiga na internet de esquerda. É a ideia de que essas pessoas se enganam sobre a própria condição e, se entendessem melhor, se reconheceriam como trabalhadores precários.

A liberdade que o mercado promete não é só um véu ilusório a encobrir a realidade da exploração do trabalho. Ela organiza a vida de milhões de pessoas, muitas das quais optaram livremente por trocar a carteira assinada pela independência do empreendedorismo. Tratar essa aspiração como simples engano é perder esse eleitor antes de começar a conversa.

Entrevista | Eleição de Flávio seria um risco econômico a curto e longo prazo, diz Nobel de Economia, por Bárbara Blum

Folha de S. Paulo

Joseph Stiglitz afirma que ameaças às instituições do candidato do PL devem ser levadas a sério

Ex-economista-chefe do Banco Mundial diz que Lula fez bem para o mercado, mas que petista precisa reduzir taxa de juros

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno das eleições brasileiras, o mercado acordou em polvorosa. O dólar caiu para R$ 5. A Bolsa atingiu uma alta histórica de 206 mil pontos. Era a reação ao 1,87 ponto percentual de vantagem marcados por Flávio Bolsonaro (PL), cuja campanha sinaliza um eventual ajuste fiscal e um maior controle das contas públicas.

Mas, para Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, a alegria é prematura.

Para o economista, uma vitória de Flávio apresentaria sérios riscos para a economia brasileira. Antes do primeiro turno, Stiglitz havia assinado, junto de figuras como Thomas Piketty, Chico Buarque, Raí e outros intelectuais, um texto de opinião no jornal francês Le Monde que afirma que o candidato do PL é uma ameaça à democracia.

Datafolha: PT fala em onda pró-Lula, e aliados de Flávio citam força da direita na véspera de eleições

Por Augusto Tenório , Caio Spechoto , Carolina Linhares, Catia Seabra, Mariana Brasil e Thaísa Oliveira \ Folha de S. Paulo

Pesquisa mostrou empate de 50% a 50% em intenções de votos válidos a três dias da eleição

Debate da Globo ganha relevância com disputa acirrada, afirmam integrantes d

Após a divulgação da pesquisa Datafolha que mostrou empate na eleição presidencial a três dias do segundo turno, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ressaltou a resistência dele aos ataques do rival, e a de Lula (PT) destacou dados sobre avaliação de governo e rejeição.

A pesquisa mostrou o senador e o presidente com 50% dos votos válidos, que excluem brancos e nulos e são a forma como a Justiça Eleitoral divulga o resultado final.

Nos votos totais, Flávio marca 47% ante 46% de Lula. Dizem que vão votar branco ou nulo 5% e os indecisos somam 2%.

A margem de erro do levantamento, feito de terça-feira (20) a quinta (22), é de dois pontos para mais ou para menos.

A avaliação do governo, celebrada pelos petistas, oscilou dentro da margem de erro. O índice dos que aprovam a gestão passou de 48% para 49%, e o dos que desaprovam foi de 50% para 48%.

Datafolha: Flávio Bolsonaro e Lula empatam com 50% dos votos válidos cada um, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Na semana passada, igualdade na margem de erro ocorria com senador marcando 51% e presidente, 49%

Na votação total, nome do PL tem 47% e petista, 46%; votam branco ou nulo 5% e indecisos somam 2%

Pesquisa do Datafolha aponta que Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) estão empatados na disputa pela Presidência, que será decidida no segundo turno a ser realizado no domingo (25). Tanto o senador quanto o presidente têm 50% dos votos válidos.

A margem de erro do levantamento, feito de terça-feira (20) a quinta (22), é de dois pontos para mais ou para menos. Votos válidos excluem brancos e nulos e são a forma com que a Justiça Eleitoral divulga o resultado final.

Nesse critério, Flávio e Lula deixaram o mais acirrado primeiro turno desde a redemocratização com 47,03% e 45,16%, respectivamente. Na primeira semana da campanha do tira-teima, o placar aferido pelo Datafolha estava em 52% a 48% para o senador e, na rodada passada, 51% a 49%.

Poesia | O açúcar, de Ferreira Gullar

 

Música | Povo unido jamais será vencido

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Lula e Flávio prometem tudo, como se dinheiro brotasse do nada

Por O Globo

Ou vencedor fará o contrário do que prometeu, ou criará uma armadilha fiscal para seu próprio governo

Na reta final da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliaram o anúncio de “bondades” para tentar conquistar os eleitores que podem fazer diferença para a vitória. De um lado e de outro, prometem tudo, a qualquer preço. Os postulantes ao mais alto cargo da República só não dizem como acomodarão a profusão de benesses a um Orçamento engessado, que mal dá para as demandas básicas. É como se o dinheiro para pagar brotasse do nada. Independentemente de quem vença no domingo, cumprir os compromissos assumidos agravará a situação fiscal já dramática.

Volatilidade do voto sobe e TSE discute proibir canais do "zap", por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Enquanto aguarda explicações da Meta, o Tribunal Superior Eleitoral admite restringir canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação

Na reta de chegada da campanha presidencial, aumentaram o contingente e a volatilidade dos indecisos, talvez porque a dureza dos ataques entre os candidatos tenha também provocado mais rejeição. Flávio Bolsonaro mantém o favoritismo numérico nas cinco pesquisas divulgadas ontem, mas sua vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva é estreita. O aumento dos indecisos gera instabilidade nas campanhas e mostra que, agora, sim, a maioria dos eleitores entrou no debate eleitoral. Lula e Flávio também intensificam a presença nas redes e a mobilização dos apoiadores. Nesse ambiente, decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento das plataformas podem interferir na capacidade de cada candidatura alcançar justamente quem ainda hesita.

Indefinida e na reta final, por Míriam Leitão

O Globo

Em uma campanha tão empatada a três dias da eleição, o debate da TV ganha ainda mais importância e pode ser determinante

Faltam três dias para a eleição e ela ainda está indefinida. Há números até desconcertantes, como o aumento dos indecisos na pesquisa espontânea entre a primeira e a segunda rodada da Quaest no segundo turno. Flávio Bolsonaro continua numericamente na frente, mas agora com apenas um ponto. Está com 52% de rejeição, um número que sempre foi considerado impeditivo para qualquer pessoa ser eleita presidente da República. Há dados bons para o presidente Lula como a queda de rejeição para 47%, e a melhora, ainda que lenta, de avaliação do governo. Contudo, o candidato à reeleição ainda não teve a virada numérica com a qual contava depois de todas as manifestações. Tudo torna o debate de amanhã ainda mais importante.

TSE come poeira dos algoritmos, por Julia Duailibi

O Globo

Justiça Eleitoral está de calças curtas diante das suspeitas de intervenção no processo eleitoral por plataformas estrangeiras

A disputa eleitoral de 2026 já tem um vilão, e ele não é a urna eletrônica. Os algoritmos das big techs, em especial da Meta, pintaram e bordaram até agora, a ponto de se transformarem no principal problema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a três dias da eleição. A Justiça Eleitoral está de calças curtas diante das suspeitas de intervenção no processo eleitoral brasileiro por plataformas estrangeiras.

Em busca dos alienados, por Merval Pereira

O Globo

Neste primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, e quase 6 milhões não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis

A mais imprevisível das eleições presidenciais depois da redemocratização chega a seu final com uma estranha perspectiva: o vencedor precisa convencer os que não foram no primeiro turno a votar agora, mas sobretudo a votar nele, e não no adversário. Tarefa mais árdua para Lula, que precisa não apenas empatar com Flávio Bolsonaro, mas ultrapassá-lo na reta final. A penúltima pesquisa Quaest, divulgada ontem, foi boa para Lula. Ele não apenas reduziu a diferença para o adversário, como conseguiu melhorar a percepção dos eleitores sobre seu governo. Na nossa História recente, ninguém que fechou o primeiro turno atrás na corrida presidencial conseguiu reverter o resultado.

O risco de uma sociedade civil acuada, por Eduardo Belo

Valor Econômico

Maturidade democrática pressupõe independência e liberdade; o receio das organizações de perder essas prerrogativas já é, por si só, um sinal grave

Organizações sociais acompanham com preocupação o resultado da eleição presidencial de domingo. Em reuniões, encontros informais e conversas por telefone ou aplicativos de mensagem, dirigentes e conselheiros de instituições ligadas ao investimento social privado e à filantropia estratégica têm manifestado temor de que a possível combinação de governo e Congresso mais à direita reduza o espaço de atuação da sociedade civil.

A preocupação não se limita à possibilidade de restrições diretas ao funcionamento das organizações. O receio é de uma mudança mais ampla no ambiente institucional: novas exigências legais, maior pressão política, questionamentos sobre programas e até mesmo uma reação defensiva de quem financia atividades sociais.

Maioria estreita dificultará pacificação, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Quanto mais estreita a vitória no domingo, mais difícil será a pacificação do país

A democracia é celebrada como o regime em que os derrotados cedem não por que são convencidos da razão do outro, mas por serem minoria. Em quatro anos, foram poucos os lulistas e bolsonaristas que se deixaram convencer pelas razões adversárias. A resiliência da polarização é a prova disso. E o que o Brasil está para enfrentar neste domingo é a eleição mais desafiadora deste aval majoritário da democracia. São abundantes as evidências de que as urnas de domingo produzirão, em quaisquer hipóteses, o presidente eleito pela mais estreita maioria da história.

Quaest mostra que, além do antipetismo, existe o antibolsonarismo de chegada, por César Felício

Valor Econômico

Aumento de indecisos depois de debate mostra dificuldade de Flávio em agregar

A pesquisa Quaest de quarta-feira (21) mostra que existe, além de um antipetismo de chegada, um antibolsonarismo de chegada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, não cresce. Permanece com 44% na pesquisa, como na semana passada.

Nada foi agregado com a movimentação nas ruas e nas redes. O senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, oscilou de 46% para 45%, mesmo depois de ter recebido os apoios de Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Flávio ganhou os apoios políticos, mas não os votos.

Edinho diz que Quaest reflete avaliações internas do PT, por Érica Ribeiro, Lucas Borges Teixeirae Giordanna Neves

Valor Econômico

Presidente nacional do PT diz acreditar na virada: "Agora nós temos certeza de que nós vamos ganhar as eleições debatendo a vida do povo"

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou, nesta quarta-feira (21), que a pesquisa Quaest reflete as avaliações internas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem aumentado porque o Brasil está "interpretando o que ele representa".

"O presidente Lula vem crescendo em relação à própria Quaest. Ele cresce de forma muito acentuada e, claro, a rejeição do Flávio aumenta, porque o Brasil está interpretando o que ele representa, as perdas de direitos que ele representa, porque uma coisa é o que ele diz na campanha, outra coisa é a trajetória do Flávio, enquanto legislador, enquanto liderança política", disse a jornalistas.

Flávio Bolsonaro fez festa em lancha com lobistas e prostitutas durante a pandemia, diz revista, por Folhapress

Valor Econômico

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) teria participado de uma festa em uma lancha em Brasília com lobistas e prostitutas em julho de 2020, durante a pandemia de covid-19, de acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira (21) pela revista piauí.

Segundo a publicação, os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos, organizaram a festa para o senador na esperança de se aproximar do governo Jair Bolsonaro (PL) e fechar um acordo para fornecer a vacina indiana Covaxin, cuja fabricante, a Bharat Biotech, diziam representar.

No segundo turno, o Brasil dança à beira do abismo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Pelo mundo afora, extrema direita põe democracias à prova

O declarado propósito é o de destruí-las

As democracias liberais enfrentam um desafio que, não sendo de todo inédito, hoje adquire proporções nunca vistas. Antigos ou relativamente novos, os sistemas democráticos são postos à prova pela ascensão eleitoral de forças de extrema direita, que colocam em xeque as instituições que os definem e sustentam —em especial aquelas que limitam o poder dos líderes eleitos e garantem a liberdade das oposições. No passado, o fascismo e o nazismo foram a tradução totalitária desse projeto antidemocrático. Outro era o mundo, e bem menor o território das democracias.

No Dia da Democracia, defendê-la nas urnas será nossa única opção, por Ivo Herzog*

Folha de S. Paulo

Domingo (25), data que marca os 51 anos do assassinato de Vladimir Herzog, impõe tarefa decisiva para o futuro

Deixar de votar é optar por um dos candidatos, e eles não são iguais

Em 1975, quando eu tinha 9 anos, meu pai, Vladimir Herzog, foi assassinado no Doi-Codi, em São Paulo. Trago imagens do dia anterior, quando fui com minha mãe, Clarice, e meu irmão, André, até a Redação da TV Cultura, onde meu pai dirigia o Departamento de Jornalismo. Para mim, aquele era um dia comum e eu esperava passar os dias seguintes no interior paulista com a minha família. Mas, em 26 de outubro, um dia após o crime, minha mãe nos contou sobre a morte de nosso pai.

Em 31 de outubro, a Catedral da Sé recebeu um culto ecumênico em memória do meu pai. A iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo teve o apoio imediato de Dom Paulo Evaristo Arns. Mais de 8.000 pessoas, em silêncio, foram e voltaram para suas casas. A lembrança mais forte que guardo daquele ato é o acolhimento de Dom Paulo à minha mãe, que chorava muito.

Por que Flávio quer munição sem rastro, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Única razão é beneficiar homicidas e milicianos

Se ele fala sério em tirar armas dos bandidos, deveria propor mais, não menos, controle

Um "detalhezinho." Foi com essa palavra que, na entrevista à TV Globo, Flávio Bolsonaro qualificou o projeto, que ele apoia, de acabar com a rastreabilidade das munições usadas por policiais. A única razão para tornar munições menos rastreáveis é beneficiar homicidas e milicianos que, com armas e balas do Estado, matam impunemente. Flávio chegou a advogar para o PM acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, assassinada com um tiro de fuzil.

Flávio promete a volta de programa que abriu brechas para lavagem de dinheiro pelo PCC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Perse é o pior benefício tributário de todos os tempos

Não é mera coincidência que no mesmo dia o candidato tenha se reunido com mais de 30 sertanejos em Goiânia; eles foram os grandes beneficiários dessa farra tributária

O Perse é o maior programa de lavagem de dinheiro e sonegação do país. Não é a coluna quem afirma. São os investigadores que há pelo menos três anos apuram as irregularidades possibilitadas pelas brechas nas regras do benefício tributário, criado pelo governo Jair Bolsonaro para socorrer o setor de eventos dos prejuízos com a pandemia da Covid-19.

Em 2024, a Folha revelou que fiscais da Receita tinham encontrado no programa indícios de operações de lavagem de dinheiro de atividades ilícitas no país, após o custo do benefício tributário explodir no ano anterior.

O primeiro tiro a gente nunca esquece, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Nenhum país na história melhorou a segurança armando a população

Política de liberação de armas aumenta mortes e moderniza arsenal do crime

Nunca tomei um tiro. Meu irmão, sim, no assento do motorista ao meu lado, o carro na frente de casa. Assalto sem anúncio, irrompido com o estrondo da bala. Entendi quando vi sangue escorrer pelo seu pescoço. Meu primeiro tiro aconteceu na adolescência. Por sorte e privilégio, nunca presenciei um segundo tiro.