sábado, 15 de agosto de 2026

Quaest: Lula tem 43% ante 40% de Flávio no segundo turno, por Joelmir Tavares

Valor Econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 38% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 31% no primeiro turno da eleição presidencial, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14). Num segundo turno entre os dois, Lula marca 43%, enquanto Flávio aparece com 40%.

Na rodada anterior, divulgada no dia 5 deste mês, Lula possuía 39% no primeiro turno, ante 30% de Flávio. Os levantamentos, porém, não são diretamente comparáveis, já que a lista de candidatos mudou. No segundo turno, o candidato do PT alcançava 44%, enquanto o do PL tinha 39%.

As oscilações de Lula e Flávio se deram dentro da margem de erro, mas começam a apontar uma tendência de recuperação de Flávio, após uma série de crises em sua campanha. O quadro de segundo turno é de empate, do ponto de vista estatístico, considerando a margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.

Kassab diz que chance de Flávio Bolsonaro ser eleito é ‘zero’ e que Centrão está com Lula, por Pedro Augusto Figueiredo e Renan Porto

O Estado de S. Paulo

Candidato a vice-presidente disse a empresários que filho de Jair Bolsonaro é poupado neste momento e que ‘desabará’ após início da campanha

Presidente do PSD e candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab disse a uma plateia de empresários na quinta-feira, 13, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é “preservado” neste momento das críticas dos adversários e que vai “desabar” nas pesquisas quando a campanha começar oficialmente, no próximo domingo, 16.

“Eu posso falar para vocês que a chance do Flávio se eleger é zero”, disse Kassab durante uma reunião na sede do Iate Clube de Santos, localizada em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. “A própria pesquisa é tendenciosa porque ela não pega o Flávio que está apanhando durante a campanha. Ele está sendo preservado. Na hora que o PT mostrar quem é o Flávio e as pessoas que estão no entorno dele, ele vai desabar”, acrescentou.

2027, a hora da verdade, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Quem quer que vença a eleição presidencial terá de lidar com o problema fiscal

Não ser claro sobre as dificuldades à frente é uma forma de estelionato eleitoral

Se as análises de economistas não estão erradas, 2027 terá algo de hora da verdade. Não importa quem vença a eleição presidencialterá de lidar com o nó fiscal em que o país se enredou.

A fórmula que Lula encontrou para promover índices de crescimento confortáveis com baixo desemprego não é sustentável. Ela se baseou em estímulos ao consumo e expansão de gastos públicos. A prodigalidade do Executivo, sancionada e reproduzida pelo Legislativo, impacta nos juros. Para conter a inflação, o Banco Central precisa manter taxas reais em níveis elevados, o que tem efeito sobre a dívida pública. Pelas projeções, sob Lula 3, a dívida bruta do governo aumentará em 11 pontos percentuais, chegando a 83% do PIB.

Lula, a última valsa, por Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

A campanha do presidente tornou-se o guarda-chuva sob o qual articula-se a paz entre o Congresso e o STF, para que tudo permaneça como está

No terceiro mandato, o reformismo brando de Lula dissolveu-se em mera irresponsabilidade fiscal populista

PT veste vermelho, quando concorre para marcar posição, alternando às cores nacionais quando crê no triunfo. Lula vestiu branco, sob o fundo de uma bandeira verde-amarela, na convenção de lançamento de sua sétima candidatura presidencial. "Lulinha porreta", como se exibiu? Não: isso foi dirigido à militância. O sétimo Lula é o candidato da "ordem".

"Ordem", aí, com aspas. O certo é candidato do status-quo, ou seja, da desordem institucional. Sua campanha tornou-se o guarda-chuva sob o qual se articula a paz entre o Congresso e o STF, para que tudo permaneça como está.

Ao confiar mais em balas que em urnas, políticos conservadores se tornam alvo de violência, por Angela Alonso*

Folha de S. Paulo

Ocorrências são tão velhas quanto a República, mas governos de direita abrem campo com estímulo a armas

De 2003 a 2023, houve 1.228 ataques a políticos e ativistas e 760 assassinatos consumados

A saída acabou sendo mais momentosa que o debate. Foi quando o prefeito chamou na chincha o candidato ao governo do partido adversário. Aconteceu em São Paulo e não esquentou mais porque as respectivas equipes entraram apartando.

Na presidencial, Flávio Bolsonaro decidiu-se por slogan que ressoa o de Lula e alude à arminha do pai: "A esperança virou medo". Medo da criminalidade, que Jair Bolsonaro e seu pupilo Tarcísio de Freitas tinham prometido conter.

Como ficaram na promessa, o tema ficou na agenda e outros se lançam ao posto de solucionador-mor da República. A violência está no programa de Ronaldo Caiado, velho de guerra de 1989, como Lula. Em um de seus arroubos juvenis (já desafiou o Bananinha para luta livre), Kim Kataguiri propôs nada menos que uma bomba atômica.

Os sonhos não envelhecem, a esperança não se apagou, por Marcus Pestana

Não tenho dúvidas, o melhor ambiente para a condução dos destinos do mundo é a democracia. Mas ela, humana, carrega as contradições que são próprias de nossa natureza: virtudes e pecados, sentimentos generosos e perversos. Talvez, seja a política a atividade que melhor encarna a complexidade e os mistérios da existência humana. Há um lado nobre convivendo com traços abjetos. Solidariedade ao lado de ambições desmedidas. Fome de liberdade e justiça disputando espaço com a corrupção. Vontade de melhorar a vida de todos, lado a lado, ao egoísmo, ao patrimonialismo e à manipulação.

Ainda sobre a Lava Jato, por Pedro Serrano

CartaCapital

A operação vestiu-se da aparência de um processo penal comum, mas com conteúdo material de caráter tirânico com fim imediato de destruição da democracia brasileira

Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça aplicou, por unanimidade, a pena de disponibilidade pelo prazo de 60 dias aos desembargadores federais lavajatistas do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, isso por descumprirem decisões de lavra do Supremo Tribunal Federal que determinavam a suspensão de ações penais. A vulgarmente conhecida Operação Lava Jato, sob pretexto de combater a corrupção, acarretou efeitos nefastos para os direitos fundamentais, à dignidade e à liberdade de muitas pessoas, consoante inclusive reconhecido por instâncias do Judiciário brasileiro e mesmo pelas Nações Unidas.

Candidato a capitão do mato, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

Flávio Bolsonaro não procura voto, espera apenas que Trump tome o poder para ele, à força

Se a extrema-direita apostasse, de fato, na conquista do poder pelo voto, teria se imposto à família Bolsonaro e substituído o candidato às eleições presidenciais. Flávio é inepto e corrupto. Como o pai, confiou na débil Justiça fluminense e no socorro de uma ala do Ministério Público (e agora, na condescendência de um ministro do STF “terrivelmente evangélico”) para livrá-lo dos rigores da lei, embora sem conseguir apagar os rastros das atividades ilícitas. O último escândalo no qual aparece envolvido até o pescoço, o do Banco Master, ainda está quente. Também são indeléveis suas digitais nas negociações com o governo de Donald­ Trump para impor sanções ao Brasil e ameaçar a soberania do País.

Chantagem e segredos, por André Barrocal

CartaCapital

O jogo de Luiz Antonio Lopes na denúncia de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar, vice de Flávio

Está nas mãos de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a decisão capaz de esclarecer uma acusação gravíssima contra o deputado Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas. O escolhido para ser vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro cometeu ou não estupro de vulnerável, ou seja, fez sexo com uma menor de 14 anos? Pelo artigo 217-A do Código Penal, esse crime é punível com prisão por um período de dez a 18 anos, e não importa que o acusado alegue ter havido consentimento da vítima. A Polícia Federal pede desde abril para investigar o caso. Antes de autorizar ou negar, Mendes quer ouvir o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e este requereu à PF diligências preliminares antes de se manifestar. No início de agosto, o juiz enviou a solicitação de ­Gonet à polícia e, também, àqueles que em março acionaram a PF, o deputado ­Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, e a senadora Soraya Thronicke, do PSB de Mato Grosso do Sul.

Keynes e Descartes, por Manfred Back e Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

O inglês subverteu os modelos da “economia das certezas”, que engessam a capacidade de observar

Quem procura conhecimento, procura saber mais. Essa correlação só acontece se você procura conhecimento livre de dogmas, doutrinas e certezas. Saber mais requer algumas características: ceticismo, inconformismo e incomodação. A busca pelo conhecimento tem começo, mas não tem fim, exige ter mais dúvidas do que certezas. Sempre duvide das certezas ou verdades absolutas.

Hegel invocou René Descartes e disse que o pensador iluminista “começou do zero, do universal, do pensamento como tal, e que esse é um novo e absoluto começo.

“A afirmação de que o começo deve ser construído a partir do pensamento apenas ele expressou, dizendo que devemos duvidar de todas as coisas – de omnibus est dubitantur, não no ceticismo, como se devêssemos permanecer sempre em dúvida, na completa indecisão da mente.”

Eleições dramáticas, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Tensão institucional e polarização elevam a temperatura do pleito

Finalmente, a campanha de verdade vai começar. Até agora foi o ensaio de um espetáculo desafinado, com protagonistas desastrados e enrolados nos cadarços dos próprios sapatos. A plateia se divide entre odiar um ou outro dos ponteiros — e torcer por uma terceira via que não consegue entrar em cena.

Como toda eleição presidencial, temos dramas em curso. Teme-se a transição; outros temem o continuísmo. Nesta eleição, porém, há camadas adicionais: tensão institucional, incerteza econômica, polarização, escândalos graves, questões geopolíticas e uma disputa intensa pelas narrativas.

Luta pelo poder, por José Casado

Revista Veja

Manifesto de chefes da PF mostra a dimensão da crise nos Três Poderes

Uma crise avança como rio de enchente pela Praça dos Três Poderes, em Brasília. Governo, Supremo Tribunal Federal e Congresso estão em conflito, enredados numa profusão de investigações criminais por corrupção com patrocínio e beneficiários políticos — fraudes bilionárias no Banco Master, no INSS e nas emendas parlamentares ao Orçamento, entre outras.

Esses múltiplos inquéritos já desenhavam contornos de uma liquefação, reafirmada em plena campanha eleitoral com o inédito manifesto dos chefes da Polícia Federal em 26 estados e no Distrito Federal.

É uma grande confusão institucional na qual predominam interesses privados dos dois candidatos mais destacados nas pesquisas sobre a disputa para a Presidência da República: Lula, que tem um dos filhos sob investigação nas maracutaias do INSS; e, Flávio Bolsonaro, que já confessou ter recebido dezenas de milhões de reais em transações obscuras com o antigo dono do Banco Master, preso por trapaças em série.

Opinião do dia – Hannah Arendt*

“Somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, as massas têm que ser conquistadas por meio da propaganda. Sob um governo constitucional e havendo liberdade de opinião os movimentos totalitários que lutam pelo poder podem usar o terror somente até certo ponto, como qualquer outo partido, necessitam granjear aderentes e parecer plausíveis aos olhos de um público que ainda não está rigorosamente isolado de todas as outras fontes de informação.”

*Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020.

A razão da Grécia, por Ivan Alves Filho*

O maior livro de síntese que eu li sobre a história grega, sua cultura e impacto sobre a própria trajetória do Ocidente e, mesmo, sua expansão para outras áreas do globo, foi Pourquoi la Grèce?, de Jacqueline Romilly. Desconheço se existe tradução em português dessa obra que revela, em um volume apenas, a extraordinária contribuição grega no campo da Filosofia, da Democracia Política, da História, das Artes e mesmo da Medicina. 

Poesia | Tecendo a manhã, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Mônica Salmaso - Senhora das Canções - Um Tributo a Elizeth Carsoso

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tirar do ar lives do Discord foi medida desproporcional

Por O Globo

Suicídio induzido expôs omissão da plataforma, mas ANPD agiu de modo intempestivo para agradar Janja

A morte de uma menina de 13 anos na pequena Naviraí (MS) deu realidade aos piores temores dos pais de adolescentes. As investigações revelaram que ela foi induzida a se mutilar e ao suicídio por um grupo reunindo um jovem de 18 anos e cinco adolescentes durante transmissão ao vivo na plataforma Discord. Diferente de uma rede social convencional, o Discord oferece a possibilidade de abrir canais privados com ferramentas de comunicação por voz, vídeo, texto ou transmissões ao vivo (lives).

A repercussão do caso foi tão grande que a primeira-dama Janja Lula da Silva exigiu que o Discord fosse “imediatamente” retirado do ar. Menos de uma semana depois, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu as transmissões ao vivo e recursos de compartilhamento de vídeo da plataforma no Brasil.

Que eleitor é esse? Por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O enrijecimento do eleitorado indica a impossibilidade de inovar na política

Quem é, de fato, o eleitor brasileiro desta quadra de anomalias políticas que é soma de várias “pequenas” ciladas propositais, semeadas ao longo dos anos que começam com o fim da ditadura militar, para impedir que eleitor seja de fato pessoa e cidadão?

“Só Deus sabe”, pretexto entre nós comum para dizer que não cabe a nós decidir. Nosso eleitor é a expressão de um republicanismo que foi criado aqui como mera forma externa de República “para inglês ver”, simular civilização e fazer de conta que não somos um país muito atrasado. Esse é lado aparente e forma da realidade política.

Por votos, Lula vai rugir contra bets e big techs, por Andrea Jubé

Valor Econômico

O pior dos mundos para o presidente será a volta da “taxa das blusinhas” a um mês do primeiro turno

É conhecida a admiração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ex-presidente Getúlio Vargas, por legados como os direitos trabalhistas e a Petrobras. Porém, atualmente, é o general Eurico Gaspar Dutra, sucessor do “pai dos pobres”, que provoca inveja no petista, porque, há 80 anos, com uma canetada, ele proibiu cassinos e jogos de azar no Brasil.

Conselheiros de Lula passaram a defender que ele faça o mesmo, assinando, ainda durante a campanha, uma medida provisória (MP) para proibir as bets no país. Em 1946, o instrumento de Dutra foi o “decreto-lei”, antecessor da MP.

O Centrão 'lulou'? Por Vera Magalhães

O Globo

Apoio de Hugo Motta e retomada de conversas com Alcolumbre mostram que caciques do Congresso enxergam chance maior de reeleição do petista

Às vésperas de voltar ao cenário onde tudo começou, na Vila Euclides, em São Bernardo, Lula passou a semana costurando em Brasília, com resultados que passam longe da vista do eleitor, mas podem ter efeitos importantes para o desenrolar da campanha. Num intervalo de poucos dias, obteve o apoio público do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à sua reeleição e conseguiu conduzir uma reunião menos truncada e tensa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A adesão de Motta, com quem o Planalto viveu uma relação de altos e baixos desde fevereiro do ano passado, quando ele assumiu a Câmara, se explica por fatores da conjuntura política local, é verdade. Mas tem mais do que isso: um apoio explícito, logo na largada da campanha, por parte de um político que chegou a gravitar em torno do bolsonarismo demonstra aposta clara na reeleição do petista.

De volta para o futuro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Desafio de presidenciáveis é atrair público para exibir força no início da campanha

A corrida presidencial vai começar em clima de déjà vu. Na largada oficial da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro tentarão recriar cenas do passado. O presidente voltará a São Bernardo do Campo para relembrar as greves do ABC. O senador vai à Praia de Copacabana, onde espera reviver os tempos de glória do pai.

O ato de Lula foi batizado de “Onde tudo começou”. A ideia é lotar o estádio da Vila Euclides, palco das assembleias de metalúrgicos que o projetaram na cena nacional. Os marqueteiros querem recriar as imagens do líder no meio do povo, como se caminhasse sobre a multidão. Na versão original, ele discursou aboletado numa mesa de escritório. No remake deste domingo, poderá andar sobre uma passarela, como um astro da música pop.

Regulação de plataformas digitais não é banimento, por Pablo Ortellado

O Globo

O pedido da primeira-dama teve enorme repercussão e politizou a discussão sobre o Discord, que deveria ser tratada tecnicamente

Na quinta-feira da semana passada, Janja da Silva pediu o banimento do Discord pela morte de uma menina de 13 anos. O pedido da primeira-dama teve enorme repercussão e politizou um tema que deveria ser tratado tecnicamente, agora que temos um arcabouço regulatório moderno com o ECA Digital.

Parte da esquerda correu para apoiar o banimento — uma medida autoritária e completamente desproporcional —, enquanto parte da direita correu para denunciar o banimento como medida típica de autocracias e ditaduras. A medida cautelar da ANPD, que suspendeu temporariamente uma funcionalidade do Discord, foi técnica e proporcional, mas sua recepção foi contaminada pela gritaria da política. Sob a fumaça do fogo cruzado, foi difícil perceber que o Discord continua no ar, que a medida é reversível (se condições forem cumpridas) e que há mecanismo de recurso para a empresa. Mais importante: a ANPD poderia ter pedido ao Judiciário a suspensão do Discord e não pediu.

Uma defesa nacional de portões fechados, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

A frase que deveria ser dita é esta: sim, temos condições de nos defender, desde que compreendamos a urgência e a amplitude dessa tarefa

Falar de defesa nacional como um indivíduo não especialista é um pouco de ousadia. No entanto, é democrático que um tema dessa dimensão possa ser discutido pelo maior número de gente possível.

Esta semana, recebi um artigo que escrevi em O Pasquim criticando, quem diria, o velho Tancredo Neves. Ele havia passado pela Itália e anunciado que na Presidência iria fortalecer a produção bélica no Brasil, que, naquela época, já rendia US$ 3 bilhões em exportações. Minha crítica baseava-se no fato de que o tema era muito restrito ao poder, não havia uma discussão pública sobre o tema. Mas era, também, uma discordância em relação à produção de armas para exportar. O mundo naquele momento parecia rumar para a paz, havia um maior respeito das leis e convenções internacionais.

Inquérito das fake news virou escudo, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Ocaso do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida é um exemplo de como o inquérito das fake news está sendo utilizado para violar o sigilo da fonte e perseguir jornalistas que apontam supostas irregularidades de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Criminalistas e defensores da liberdade de imprensa ouvidos pela coluna apontam uma sequência de erros na condução do caso. O primeiro é a busca e apreensão do notebook e do celular do jornalista por suposto crime de perseguição por causa de publicação de reportagens que apontavam familiares do ministro Flávio Dino utilizando carros oficiais do governo do Maranhão e do Tribunal de Justiça do Estado.

Se a moda do Xandão pega..., por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Ao violar o sigilo da fonte, Moraes fez um favor a Flávio Dino e um desfavor à democracia

É inacreditável a insistência de ministros do Supremo para tentar confirmar as acusações equivocadas do governo Donald Trump de que Alexandre de Moraes, o STF e o próprio Brasil não são democráticos. Moraes não para de atrair chuvas e trovoadas contra si e contra um poder vital para a democracia que ele tanto defendeu.

A última do ministro foi excessiva e desnecessária: mandar vasculhar o repórter e a fonte da informação de que o também ministro Flávio Dino e sua família usam carro oficial e blindado do Estado quando estão no Maranhão. A fonte vazou e o repórter publicou dentro das regras e da rotina do jornalismo.

Inteligência artificial na educação, por Simon Schwartzman*

O Estado de S. Paulo

A depender de como ela é usada, a IA pode ajudar a melhorar os resultados e reduzir desigualdades não só no acesso às informações, mas também na aprendizagem

A professora passa um trabalho para casa, o aluno pede ao Claude ou outro programa de inteligência artificial (IA) que faça para ele, e entrega tudo certinho e bem feito. A professora desconfia, manda fazer um trabalho semelhante em sala de aula, e ele não consegue. Conclusão: com a inteligência artificial as pessoas podem até ficar mais espertas, mas ficam mais burras, aprendem menos. Certo?

Não necessariamente. Antigamente, para fazer multiplicações, era necessário saber de cor a tabuada, e, para números maiores, saber as regras de multiplicação por grade ou coluna. Hoje, com as calculadoras, quase ninguém mais decora tabuada e qualquer um consegue fazer as contas em segundos. Ficamos todos mais burros em aritmética ou ganhamos ao abandonar uma metodologia antiga e substituí-la por uma tecnologia moderna?

Quando o STF rompe os freios da Constituição num caso de polícia, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Fachin reconheceu que as ameaças devem ser apuradas, mas reafirmou que a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte são direitos fundamentais

Em 30 de setembro de 1967, o jornalista, advogado e ativista político Othelino Nova Alves, redator do Jornal Pequeno, foi assassinado em plena Praça João Lisboa, no centro de São Luís. Fundado por José de Ribamar Bogéa, o jornal notabilizou-se pela oposição aos sucessivos governos maranhenses. Othelino denunciava injustiças, desigualdades e abusos das elites locais. Sua morte tornou-se símbolo dos riscos enfrentados por jornalistas no Maranhão.

Em abril de 2012, o jornalista Décio também Sá foi assassinado em São Luís. Suas reportagens investigavam um esquema de agiotagem e desvio de recursos de prefeituras. Em 2015, o blogueiro Ítalo Diniz, que publicava denúncias sobre políticos, foi morto em Governador Nunes Freire. Também se sucederam assassinatos de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças municipais.

Migrações massivas, por José Sarney*

Correio Braziliense

Assistimos, estarrecidos, ao desespero de 80 mil marroquinos que, enganados pelas falsas notícias de que a fronteira com Ceuta, fronteira da Europa com a África, estava aberta com a Espanha, se jogaram ao mar para fazer a travessia de 600 metros

Há cerca de 30 anos, ouvi uma declaração que, hoje, reconheço como uma autêntica profecia. Estava numa reunião do InterAction Council, fundação criada pelos japoneses e alemães para atuar, no tempo da Guerra Fria, como intermediadora de conflitos entre as grandes potências, formada por ex-chefes de Estado e de governo, com apenas 40 membros, entre os quais apenas dois da América Latina — eu e De la Madrid, do México.  Naquele encontro, realizado na cidade do México, ainda estavam vivos Fukuda, do Japão, grande estadista, muito influente no mundo àquele tempo; Gerald Ford, ex-presidente dos Estados Unidos; e Helmut Schmidt, ex-chanceler da Alemanha, cargo que corresponde ao de chefe de governo.

O momento do México e do Brasil, Roberto Velasco Álvarez *

Correio Braziliense

A dimensão de Brasil e México implica uma responsabilidade compartilhada diante dos desafios de nosso tempo: combater a pobreza, a desigualdade e as mudanças climáticas, defender a democracia e preservar o multilateralismo

Na manhã de 6 de agosto, reuni-me, em nome da presidenta Claudia Sheinbaum, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Coincidimos em um ponto central: é momento de levar a colaboração entre nossos países a um novo nível. Nesse mesmo dia, realizou-se a sexta reunião da Comissão Binacional México-Brasil, três anos após a quinta, em um intervalo que transformou a ordem internacional.

O Brasil e o México são as duas maiores economias e as duas nações mais populosas da América Latina e do Caribe. Concentramos cerca de 60% do PIB regional, figuramos entre as 15 maiores economias do mundo e fazemos parte do G20. Essa dimensão implica responsabilidade compartilhada diante dos desafios de nosso tempo: combater a pobreza, a desigualdade e as mudanças climáticas, defender a democracia e preservar o multilateralismo.

Antipetismo visceral alimenta o servilismo a Donald Trump, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Simpatias de brasileiros ao americano concentram-se no bolsonarismo, mas não apenas

Viés ideológico embasa atitudes antinacionais e trânsfugas diante de ameaças ao Brasil

Embora possa causar algum espanto, parcela considerável de brasileiros vê com simpatia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem atacando o país com tarifas comerciais disparatadas e pressões políticas com vistas a interferir nas eleições.

Os apoiadores mais despudorados filiam-se à direita truculenta bolsonarista. Mas há também, talvez mais velados, simpatizantes provenientes de setores liberais conservadores e defensores das pautas das big techs. Entre esses, gente que frequentou boas escolas, teve acesso a leituras e a situação econômica privilegiada. Atestam, em seu transfugismo, quão invertebrados podem ser certos representantes das elites brasileiras.

Crise Dilma nos lembra de que é preciso acordar antes da hora do pesadelo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo ruim, política horrível e azares resultaram em ruína que assombra país até hoje

Clima e economia mundial podem dificultar ainda mais conserto econômico necessário

Dilma Rousseff deu muita chance para o azar que degradou ainda mais a situação econômica e política a partir de 2014. Seu governo foi desastroso, mas Dilma teve azar de enfrentar a campanha para sua deposição, que começou assim que foram fechadas as urnas. A gente é tentada a dizer que é difícil a repetição das condições desse desastre que nos assombra até hoje, na economia e na política. Mas um pouco de cheiro de queimado dá medo de incêndio.

As taxas de juros aumentaram nos EUA. São a torneira do capital do mundo, que pode nos causar sedes. Estão nos níveis mais altos em cerca de 20 anos no caso dos prazos mais longos. Não há perspectiva de alta descabelada, mas estão em alturas que dificultam um tanto mais a nossa vida quanto a câmbio e juros. Crescemos pouco em anos de ambiente externo favorável. E se a maré vira?

Caneladas constitucionais, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo  

Alexandre de Moraes agora investe contra liberdade de informação

Foro especial pereniza tensões entre o STF e os outros Poderes

Alexandre de Moraes fez de novo. Sua mais recente canelada institucional foi contra o princípio da liberdade de informação e de imprensa. Ao que tudo indica, ele permitiu que a PF usasse dados de telefone apreendido com um jornalista para descobrir quem lhe via de fonte de informações, violando um sigilo que tem guarida constitucional. Ainda que a fonte tenha cometido um delito ao fornecer informações, os policiais não poderiam ter chegado a ela usando o jornalista como atalho. A investigação teria de ter sido feita por outro caminho.

As contas fechadas dos partidos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O nanico PCO caiu na rede das investigações da Polícia Federal sobre uso indevido de dinheiro público

Falta agora passar um pente-fino nos gastos das grandes legendas com verbas dos fundos eleitoral e partidário

O nanico Partido da Causa Operária (PCO) caiu na rede da Polícia Federal. O presidente e figura constante em eleições presidenciais, Rui Costa Pimenta, foi alvo de busca e apreensão na operação Causa Própria, cujo nome não poderia ser mais adequado.

Quando deputados e senadores aprovam matérias do interesse da corporação dizemos que legislam em causa própria. É o que fazem os partidos com as verbas públicas destinadas à sua sustentação.

A pirâmide virou pião, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Em breve, o Brasil terá mais idosos acima de 60 anos do que jovens abaixo de 15

A diferença é que os países desenvolvidos enriqueceram antes de envelhecer

O Brasil, quem diria, ficou de cabeça para baixo. "A pirâmide virou um pião", afirmou na semana passada, em conferência na Academia Brasileira de Letras, a pneumologista Margareth Dalcolmo. Referia-se à diferença entre 1970, quando éramos uma sociedade com alta taxa de nascimento, com expectativa de vida de 54 anos, e hoje, "em que deixamos de ser uma sociedade jovem para uma envelhecida, com expectativa de vida de 78 anos".

Com qualquer presidente, Congresso terá a faca e o queijo, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Lula se aproxima do centrão, mas poderá ser traído amanhã

Principais pautas só serão destravadas no Senado após as eleições

Em seus últimos movimentos, Lula se aproximou dos chefes do Congresso e, ao mesmo tempo, aumentou o tom de crítica às emendas parlamentares, propondo mudanças em sua execução. Uma coisa não combina com a outra. A não ser na lógica particular das campanhas eleitorais.

Após quatro anos de estresse com o grupo de partidos fisiológicos que comanda a Câmara e o Senado, o Planalto conseguiu uma trégua. Fez arranjos para ter juntos no palanque governistas e integrantes do centrão e influiu na decisão do grupo de adotar a neutralidade em relação à corrida presidencial, isolando a candidatura bolsonarista.

A terceira via como escada, por Cláudio Carraly*

E como esta se tornou linha auxiliar da extrema-direita

Há um incômodo silencioso que percorre os eventos da centro-direita brasileira quando um nome da extrema-direita surge nas conversas de bastidor. Não é repulsa, é apenas um leve constrangimento. No dia a dia, esse doce constrangimento se dissolve em abraços, palcos compartilhados e uma sintonia de alvos que torna irrelevante qualquer diferença programática alegada. A terceira via, esse projeto político que em tese se apresentaria como alternativa tanto à esquerda quanto à direita irascível, tornou-se na prática linha auxiliar da extrema-direita.

O fenômeno não é brasileiro, mas aqui adquiriu contornos bem particulares. Na Europa, a dinâmica se deu principalmente por absorção programática; aqui, a terceira via optou por uma estratégia de fragmentação aparente: muitas candidaturas, os mesmos palcos, um único adversário real. O que está em curso não é uma disputa entre projetos de país. É uma divisão tática de trabalho político cujo efeito principal é deslocar, gradual e inexoravelmente, os limites do aceitável.

Poesia | Tudo quanto penso, de Fernando Pessoa

Música | Luiza Lara canta Chico Buarque- Oque será

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Violação de sigilo de fonte pela PF é inconstitucional

Por O Globo

Ao referendar abuso no Maranhão, Moraes afronta direito essencial para liberdade de imprensa e democracia

Há inconstitucionalidade flagrante na operação realizada pela Polícia Federal (PF) no Maranhão contra o ex-secretário de Segurança Raimundo Cutrim e o ex-secretário de Urbanismo de São Luís Diogo Lima. A operação, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF, investiga reportagens do blogueiro Luís Pablo acusando o ministro Flávio Dino, também do STF, de usar indevidamente carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Para chegar aos alvos da investigação, a PF periciou equipamentos de Pablo apreendidos em março para verificar quem lhe havia passado informações. Ora, o sigilo de fontes jornalísticas é protegido textualmente no inciso XIV do artigo 5º da Constituição: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Nas eleições, Trump deseja que o Brasil volte a ser quintal dos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Agora traduzida pelo slogan America First, a Casa Branca exuma a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, desde que “americanos” signifiquem os EUA

O Brasil é grande demais para virar marisco na briga entre os Estados Unidos, uma superpotência marítima, e a China, a grande potência continental emergente, que ameaça a hegemonia norte-americana e amplia sua influência na América Latina. Entretanto, o governo Lula pode não passar ileso pela guerra comercial, tecnológica e geopolítica entre as duas maiores economias do planeta.

O presidente Donald Trump sonha com uma volta ao passado, quando Washington podia tratar a América Latina como seu quintal e enquadrar aliados e adversários por meio de pressões econômicas, diplomáticas e militares. Agora traduzida pelo slogan America First, a Casa Branca exuma a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, desde que “americanos” signifiquem os EUA.