sábado, 18 de julho de 2026

A terceira face de Janus, por Ricardo Marinho*

A ideia da terceira face de Janus refere-se a uma interpretação filosófica, poética e analítica desse mito romano. Enquanto a representação clássica ele possui duas faces (uma olhando para o passado e outra para o futuro). A terceira face simbolizaria o presente, o momento de transição e a tomada de decisão no agora, na conjuntura.

A terceira face de Janus está aí, convertido num terceiro ator que se une à conjuntura mundial, onde estados e sociedades podem regredir para uma estrutura anacrônica internacional, na qual a força prevalece sobre a razão, e tornou-se mais difícil conviver com base em regras acordadas, que permitem um contexto de acordos multilaterais que geram uma realidade com imperfeições. mas capaz de se desenvolver de forma civilizada, sem a ameaça, o medo e a liquidação do outro.

A globalização e a Copa, por Marcus Pestana

Amanhã, teremos a final da maior Copa do Mundo da história do futebol. Foram 48 seleções dos cinco continentes. O modelo sofreu críticas, mas é inegável, que num planeta abalado por conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio, patrocinou um momento de grande congraçamento entre os povos. Foi um formato que permitiu a participação de países como Curaçao, Jordânia, Cabo Verde, Catar, Congo e Uzbequistão, que provavelmente estariam fora nas regras anteriores.

Nem tudo foram flores. México e Canadá deram aula de acolhimento e simpatia. Já Trump e seu governo envergonharam a opinião pública internacional com atitudes explícitas de preconceito e xenofobia. Submeteram seleções africanas e asiáticas a revistas humilhantes, impuseram à seleção iraniana uma situação absurda, barraram a entrada do juiz somali Omar Artan, eleito o melhor da África em 2025, por supostas ligações com organizações terroristas. E a subserviência da FIFA foi vergonhosa.

Psicodrama eleitoral, por Murillo de Aragão

Revista Veja

A plateia não está gostando nada do que está assistindo

As eleições percorrem uma trilha novelesca que transita pelo gangsterismo clássico, ora passando pelos crimes de colarinho branco, quase sempre envolvendo histórias de corrupção. Tudo regado a fortes doses de influência política e advocacia administrativa. Em 2026, o enredo vai além: inclui brigas de família no arraial bolsonarista e ameaças entre presidentes. Vale dizer que as relações de Lula com Trump sempre foram permeadas de bravatas de lado a lado.

Permanência com aprendizado, por Cristovam Buarque

Revista Veja

A escola precisa louvar o prazer de estar numa sala de aula

Em 1994, a Editora Paz e Terra publicou A Revolução nas Prioridades: da Modernidade Técnica à Modernidade Ética. Além de formular o conceito das duas modernidades e apresentar um capítulo sobre os dez erros da modernização brasileira, o livro propunha 100 medidas para orientar o futuro do Brasil. A primeira era o pagamento de uma renda mensal às mães para que seus filhos não faltassem às aulas; a segunda, o depósito anual de um valor em poupança ao final de cada ano se o aluno fosse aprovado, a ser liberado quando ele concluísse o ensino médio. Em 1995, o governo do Distrito Federal adotou essas duas medidas, com os nomes de Bolsa-Escola e Poupança-Escola. Cinco anos depois, a primeira foi levada para todo o Brasil pelo governo Fernando Henrique Cardoso; em 2004, o presidente Lula a transformou no Bolsa Família, retirou sua gestão do MEC e ampliou seus beneficiários a todos que precisavam de ajuda; em 2003, seu então ministro da Educação apresentou um projeto de lei para estender a Poupança-­Escola a todo o Brasil, mas somente 21 anos depois, graças à deputada Tabata Amaral, a proposta foi finalmente adotada, com o nome Pé-de-Meia.

Guerra contra a Justiça, por Jamil Chade

CartaCapital

Trump age para desmantelar o Tribunal Penal Internacional

Donald Trump declarou guerra contra a Justiça internacional. Em uma operação diplomática de chantagem e de ameaças, o governo norte-americano colocou em prática a maior ofensiva contra a ideia do direito internacional e a perspectiva de criminosos de guerra não ficarem impunes. Na segunda-feira 13, de maneira solene, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que sua missão passou a ser a de desmantelar o Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia.

Casos de família, por Pedro Serrano

CartaCapital

O perigo persiste, pois os dramas do clã Bolsonaro tendem a produzir pouca ou nenhuma repercussão em base eleitoral, acometida por uma cegueira deliberada

Nos últimos dias, revivemos, pelo noticiário, os conflitos da família Bolsonaro. Em vez de coalizões republicanas, que naturalmente antecedem os processos eleitorais, as movimentações têm se assemelhado a programas de televisão nos quais as desavenças familiares são expostas de forma crua.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que expõe desentendimentos com Flávio Bolsonaro, apontado pré-candidato à Presidência da República. Em resposta, o senador tornou pública uma carta escrita pelo pai. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, entendeu que houve violação da medida cautelar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que o proíbe de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, e proibiu Flávio de visitá-lo por 90 dias.

Presente de grego, por André Barrocal

CartaCapital

De volta à berlinda por causa das emendas, o Parlamento aprova pautas-bombas e entra em recesso

O Congresso sai de recesso e volta para valer ao batente apenas após a eleição de outubro. Até lá, haverá ­duas semanas de “esforço concentrado”, em agosto e setembro, um costumeiro faz de conta com o qual ­deputados e senadores tentam mostrar ao eleitor que não estão com a cabeça somente na própria campanha. Antes de fechar as portas, o Legislativo aprovou (mais) uma “bomba” financeira para o governo. É a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. Cerca de 400 mil trabalhadores serão beneficiados, caso o Supremo Tribunal Federal dê sinal verde. A equipe econômica pretende recorrer ao STF pois, em um julgamento anterior, a Corte decidiu que o Legislativo precisa apontar fontes de receita sempre que criar despesa nova, o que não ocorreu neste caso. Estima-se um gasto extra de 2,7 bilhões de reais por ano em uma década com essa inatividade especial. Por se tratar de mudança constitucional, o Parlamento tem de marcar uma sessão para promulgá-la. Ainda não há data, depende do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

A relação financeira Brasil-China, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

A emissão de Panda Bonds pelo mercado brasileiro é mais um passo rumo à mudança do sistema monetário

Registram o China Daily e o ­Global Times, jornais chineses: em reunião em Pequim, autoridades do país e brasileiras celebraram o acordo que permite a emissão de Panda Bonds. Os Panda são títulos, públicos e privados, denominados em renminbi nos mercados financeiros da China. O Brasil foi a primeira nação autorizada a emitir títulos Panda. Outras certamente estão na fila.

Isso nos faz recordar os trabalhos elaborados para as reuniões que precederam as reformas de Bretton Woods em julho de 1944. John Maynard Keynes formulou a proposta mais avançada e internacionalista de gestão da moeda internacional. Com base nas regras de administração da moeda bancária, o Plano Keynes previa a criação de uma entidade pública e supranacional encarregada de controlar o sistema internacional de pagamentos e de providenciar liquidez aos países deficitários. Tratava-se não só de contornar o inconveniente de submeter o dinheiro universal às políticas econômicas do país­ emissor, como observamos agora, mas de evitar que a moeda internacional assumisse a função de perigoso agente da instabilidade financeira internacional.

Poesia | A velhice pede desculpas, de Cecília Meireles

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Música | Gal Costa - Camisa Amarela, de Ary Barroso


sexta-feira, 17 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reação a tarifaço deve centrar em consumidor afetado

Por O Globo

Pressão de empresas e cidadãos americanos prejudicados pode reverter parte da medida

Não causou surpresa a decisão do governo americano de impor novas tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Foram cinco reuniões de alto nível entre representantes dos dois países desde a criação de um grupo de trabalho bilateral em maio, mas os argumentos técnicos apresentados não surtiram efeito. Apesar do revés, o governo e o empresariado devem redobrar os esforços para manter canais de comunicação abertos e informar os consumidores americanos dos prejuízos que terão com a medida. Não está descartada a hipótese de uma nova pressão aumentar o número de itens na lista de exceções, imunes à elevação das tarifas.

Trump como cabo eleitoral de Lula, por Vera Magalhães

O Globo

Novo tarifaço não só dá ao petista chance de reforçar discurso de defesa da soberania como pode possibilitar edição de medidas no período vedado pela lei eleitoral

Parte da recuperação de Lula nas pesquisas se deveu a uma série de medidas adotadas por ele no período pré-eleitoral, mas o presidente também se beneficiou, desde 2025, de decisões do governo dos Estados Unidos e de crises na campanha de Flávio Bolsonaro nas quais soube surfar. O tarifaço 2.0 de Donald Trump dá a ele mais uma janela de oportunidade.

Desta vez, a agressividade adotada por Marco Rubio em sua postagem nas redes sociais, quando tentou imputar a Lula, sem dados, a responsabilidade pela decisão arbitrária do governo americano, permite ao petista não só repetir o discurso da soberania nacional, mas sair como o moderado na discussão.

O amigo americano, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Senador simula indignação com medida de Trump, mas pesquisa mostra que só 30% acreditam em sua versão sobre ataque americano

Depois de um mês de ameaças, o governo americano baixou um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. O secretário Marco Rubio não disfarçou o teor político da medida. Num tuíte pouco diplomático, atacou o presidente Lula e disse que ele teria colocado “o próprio ego” à frente das negociações.

É curioso um subordinado de Donald Trump criticar o ego alheio, mas o pior ficou para as justificativas. A Casa Branca voltou a reclamar do Pix, de decisões judiciais que contrariaram big techs e até do desmatamento da Amazônia, que caiu pela metade nos últimos três anos.

Lula se cercou de passado para vender o futuro, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Última campanha eleitoral do presidente começará na Vila Euclides, no lugar onde iniciou sua trajetória política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma contradição. Prestes a completar 81 anos em 27 de outubro, dois dias após o segundo turno das eleições, ele já tem a retórica contra o etarismo: “Tenho compromisso com Deus para viver até 120 anos de idade”, tem reiterado. Mas o desafio vai além: implica pregar o futuro e vender esperança aos brasileiros após quatro décadas de vida pública, três mandatos presidenciais e alta rejeição.

A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira (14), mostrou que 50% dos entrevistados conhecem e não votariam em Lula. Este dado atesta o cansaço de metade do eleitorado com o líder petista. Porém, mesmo diante desse obstáculo, o presidente decidiu caminhar rumo ao quarto mandato embalado de passado. Eis o paradoxo.

Tarifaço indica que objetivos de Trump vão além de interferir em política do Brasil, por César Felício

Valor Econômico

Movimentos dos EUA vão compondo uma espécie de avanço na América Latina que potencialmente estabelecem um cerco à maior economia da região

novo tarifaço decretado pelo presidente americano Donald Trump contra o Brasil claramente tem potencial de beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral. Essa correlação foi mencionada pelo próprio senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua exposição no início do mês no Congresso americano e evidentemente não é desconhecida da Casa Branca.

A opção de fazê-lo, e fazê-lo agora, e de forma a vinculá-lo diretamente a Lula, como deixou claro a postagem do secretário de Estado Marco Rubio nas redes sociais, indica que seu objetivo vai além de questões políticas conjunturais brasileiras. O que tudo indica é que está em curso uma confrontação de fôlego maior, para os próximos anos. A postagem de Rubio torna improvável um aperto de mãos entre Lula e Trump como houve em outubro do ano passado. Ele responsabilizou nominalmente o presidente brasileiro. Queimou os galeões.

À sombra de Monroe, tarifaço é declaração de guerra comercial ao Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A relação entre o governo Lula e a Casa Branca foi subordinada à polarização ideológica norte-americana. A derrota do presidente brasileiro em 2026 passou a ser vista como objetivo por Trump

James Monroe nasceu no condado de Westmoreland, na Virgínia, então uma das 13 colônias da Inglaterra, no dia 28 de abril de 1758. Filho de um juiz, cresceu num clima de agitação por uma pátria livre. Com 16 anos, interrompeu os estudos para lutar pela independência do país. Recebeu de George Washington o posto de capitão.

Formado em direito e apadrinhado por Thomas Jefferson, em 1782, com 24 anos, foi eleito deputado na Virgínia. Fez parte do Congresso Continental, sendo um dos responsáveis pela aprovação da Constituição americana. Em 1790, elegeu-se senador. Em 1794, foi nomeado embaixador na França por George Washington.

Sequestro do Orçamento e passividade nacional, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

O Brasil é talvez o único país do mundo onde o governo não domina o gasto do Orçamento

O Orçamento brasileiro está fora de controle. Isso quer dizer que não se sabe como é usado todo o dinheiro arrecadado com impostos. O mais interessante é que esse descontrole é vivido com uma grande indiferença. As notícias da semana dão conta da principal origem desse descontrole: as emendas parlamentares. Num só dia, ficamos sabendo que R$ 1,3 bilhão foi destinado sem que se conhecessem os autores das emendas. Ficamos sabendo também que Valdemar Costa Neto manipulou a remessa de R$ 119 milhões, sem ser deputado. Da mesma forma, Eduardo Cunha, que foi cassado, dirigiu R$ 6,5 milhões para cidades mineiras, de onde pretende ressurgir como candidato.

Tarifaço ruim para Flávio, bom para Lula, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula faz do limão uma limonada e é o único a ganhar com o tarifaço de Trump

Flávio Bolsonaro, o Brasil, os EUA e a relação centenária entre os dois países, suas empresas e sociedades perdem com o novo tarifaço, político e calcado em dados falsos, imposto pelo governo Trump com a equivocada intenção de favorecer a direita brasileira. No fim, quem ganha? O presidente Lula, como o próprio Flávio previu, mas tarde demais.

Planalto e Itamaraty já tinham pronta a reação diplomática e de comunicação, com manifestação dura do chanceler Mauro Vieira e uma entrevista com os principais expoentes do governo, com três focos: “soberania nacional”, “mentiras dos EUA” e apoio aos setores atingidos.

Risco de guerra comercial com os EUA, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Um alto funcionário do governo americano alertou numa conversa de bastidores que, se o Brasil retaliar os Estados Unidos por causa do tarifaço, haverá um contra-ataque. Na prática, pode se instalar uma guerra comercial.

A experiência mostra que ele não está blefando. Até hoje, só dois países tentaram resistir à fúria protecionista de Donald Trump: Canadá e China. Em ambos os casos, a disputa resultou em redução de investimentos e aumento de preços. Acabaram sendo selados acordos parciais. Com menor poderio econômico, os canadenses saíram mais machucados que os chineses.

Como reagir ao tarifaço, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O governo Trump confirmou na quarta-feira o tarifaço de 25% sobre as exportações do Brasil aos Estados Unidos.

Duas circunstâncias chamam a atenção. Primeira, o fato de ter sido adotado contra um país deficitário em comércio exterior com os Estados Unidos, ou seja, que importa mais do que exporta. Por aí se vê que essa troca de mercadorias, em vez de prejudicar, beneficia a balança comercial dos Estados Unidos. Segunda circunstância, a definição de uma longa lista de exceções ao que pretende ser uma represália à política do Brasil.

São aspectos que confirmam o diagnóstico de que foi uma decisão destituída de fundamentação técnica.

Selo de qualidade a pesquisas desqualifica o TSE, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O presidente do tribunal eleitoral errou e tenta consertar um mau soneto com um péssimo remendo

Os institutos não se prestam a adivinhações; retratam tendências do eleitorado no decorrer das campanhas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral fez uma bobagem, percebeu que fez e agora tenta consertar o mau soneto com um péssimo remendo.

Nunes Marques propõe a entrega de selo de qualidade aos institutos de pesquisa que acertarem os resultados das eleições. Faz isso a fim de se desvencilhar da repercussão negativa à decisão de suspender o levantamento Atlas/Bloomberg, que registrou queda nos índices de Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação do áudio com Daniel Vorcaro.

PT é imbatível em tirar o corpo fora, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Partido tem longo histórico de empurrar para terceiros a responsabilidade por seus erros

Se bastava uma canetada para limitar publicidade de bets, por que esperaram tanto?

Numa coisa os petistas são imbatíveis: empurrar a responsabilidade de seus erros para outros. Um histórico completo da tendência estouraria os limites físicos desta coluna, de modo que me limito a pincelar casos notórios.

Na visão do partido, o julgamento do mensalão não passou de uma farsa orquestrada pelo STF, pela oposição e pela mídia para enfraquecer a agremiação, que não havia feito nada que outras legendas não fizessem, que era utilizar-se dos tais "recursos não contabilizados", o popular caixa 2. A crise econômica gestada por Dilma Rousseff não foi mais do que o resultado da retração do preço das commodities apimentada pelas pautas-bombas da oposição. O próprio petrolão foi descrito por Lula como uma mancomunação entre elites brasileiras e o Departamento de Justiça dos EUA, que queria destruir a Petrobras.

Tarifaço vai além de Lula, diz analista: 'a submissão do Brasil é o prêmio mais valioso disponível', por Míriam Leitão

Por Luciana Casemiro – O Globo

"Quem enxerga nas tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump o protagonismo do embate eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro assistiu apenas o trailer desse filme", diz o analista de relações internacionais Uriã Fancelli. Ele afirma que a relação de Trump com as tarifas é muito anterior ao Brasil e antecede até mesmo sua vida política. Para Fancelli, o que mudou neste segundo mandato foi a finalidade da ferramenta. Segundo ele, Trump passou a usar as tarifas para forçar submissão, sobretudo na América Latina, e essa estratégia virou documento oficial. A Estratégia de Defesa publicada em janeiro determina a aplicação do que a Casa Branca batizou de Corolário Trump à Doutrina Monroe, com o objetivo de restaurar a preeminência americana no hemisfério. O analista observa ainda que o próprio presidente americano adotou o apelido criado pela imprensa para essa estratégia: "Doutrina Donroe".

Rubio ataca Lula de forma grosseira e arrogante em declarações inaceitáveis, diz Mauro Vieira, por Bruna Lessa

O Globo

Governo dos EUA aplicou taxa de 25% sobre exportações brasileiras, com exceções

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ataca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "forma grosseira e arrogante" em declarações "inaceitáveis". Nas suas redes sociais, Rubio acusou Lula de "não negociar com os EUA de boa-fé".

De acordo com Vieira, desde o início das negociações o governo brasileiro buscou manter o diálogo com Washington. Ele afirmou que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone entre autoridades dos dois países, em níveis presidencial, ministerial e técnico.

Declaração do Ministro de Estado das Relações Exteriores

 

Poesia | Poema em linha reta, de Fernando Pessoa - voz de Paulo Autran

 

Música | Paulinho da Viola - Timoneiro

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Justiça Eleitoral patrocina desinformação sobre pesquisas

Por Folha de S. Paulo

Selo de 'acurácia' proposto por Nunes Marques difunde falsa premissa de que estudos podem prever o futuro

Juízes não têm poder constitucional de tutela sobre a liberdade de informar nem competência técnica para arbitrar qualidade das pesquisa

De 2019 a 2022, as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral no Brasil foram alvo de uma abjeta campanha de desinformação liderada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). O método consistia em difundir cogitações falsas mas sedutoras ao público não especializado, como a de que os dispositivos de votação e apuração eram vulneráveis a invasões e manipulações.

Quatro anos depois de encerrada a aventura autoritária, o próprio Tribunal Superior Eleitoral torna-se fonte de uma torrente de falsificação de informações técnicas. Desta vez as pesquisas eleitorais encontram-se na mira do ataque que, como aquele outro, propaga equívocos que poderiam causar apelo em pessoas pouco versadas na ciência estatística.

Em decadência, por Merval Pereira

O Globo

Pesquisa abre necessariamente um momento de reflexão sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência

A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem abre necessariamente um momento de reflexão no bolsonarismo e no próprio PL sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A pesquisa, amplamente favorável ao presidente Lula, tem sinais claros de queda acentuada nas preferências por Flávio, mesmo entre os evangélicos. O que facilita a permanência da candidatura do filho do ex-presidente é que nenhum candidato da direita se beneficiou da queda, restando ainda a esperança de que o aumento dos indecisos possa ser revertido ao longo da campanha. Lula abriu vantagem fora da margem de erro, e a queda da inflação, junto com o crescimento da economia — pequeno, mas persistente — leva uma situação de estabilidade à sua campanha.

Pesquisa Quaest deve fazer Lula voltar a sonhar com vitória no primeiro turno, por César Felício

Valor Econômico

Presidente tem 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro e 13% da soma dos outros adversários

A possibilidade de um desfecho da eleição presidencial no primeiro turno volta a entrar no cenário das possibilidades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do resultado da rodada Quaest que foi divulgada na manhã desta quarta-feira. O presidente consegue 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro (PL) e 13% da soma de seus adversários. Na rodada de junho, a diferença era de 39% para Lula e 42% para o restante. Há dúvidas sobre a solidez do resultado, contudo, já que a porcentagem de indecisos oscilou de 10% para 11%.

Pauta-bomba, populismo e irresponsabilidade, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

A responsabilidade fiscal é um princípio basilar da Constituição federal de 1988. Não se trata de ser a favor de Estado mínimo, de cortes de gastos unilaterais ou coisa que o valha. Na verdade, a ideia da responsabilidade é simples: não se pode gastar sem apresentar a fonte de financiamento. O equilíbrio intertemporal das contas públicas é condição inescapável para a prosperidade e o desenvolvimento integrado da nação. Hoje, o Congresso trabalha contra esse princípio e, portanto, contra o País.

As lideranças do Legislativo têm se arvorado na missão de prejudicar a vida do Poder Executivo, diuturnamente, apreciando e aprovando pautas com efeito fiscal relevante e permanente. A mais recente pautabomba aprovada foi o regime diferenciado de aposentadoria para agentes de saúde.

Eleições e o conluio, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não se sabe se será alterado o equilíbrio do fio da navalha entre os Poderes

A participação do STF na política virou hoje o único fator abrangente empurrando a oposição, que padece claramente de liderança e direção. Até Lula, que não governa sem o Supremo, reconhece que o STF lhe traz problemas de popularidade.

A recente proibição a Flávio Bolsonaro de visitar o pai, imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, apenas reforça essa percepção por parte de uma enorme parcela do público: a de que o STF é parte da luta político-partidária e, portanto, tem lado. Se a proibição determinada pelo ministro se justifica por critérios técnicos (violação das medidas cautelares por parte de Bolsonaro), isso em nada altera esse quadro.

Lula não entregará o que Trump deseja, o fim do Pix, apesar do tarifaço, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A ofensiva contra o Brasil não deve ser examinada apenas como uma disputa sobre alíquotas, etanol, plataformas digitais ou acesso a mercados. Trata-se de um choque institucional

Representantes do governo dos Estados Unidos informaram ao Itamaraty que a decisão sobre a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros já foi tomada. Somente após a divulgação da decisão, porém, o governo brasileiro analisará o teor do anúncio, para definir qual será a sua reação. Mais ou menos como naquele refrão do samba Malandragem Dá Um Tempo ( "Vou apertar, mas não vou acender agora"), de autoria de Adelzonilton, Moacyr Bombeiro e Popular PA, imortalizado pelo sambista Bezerra da Silva e músico letrado, que tocava violão clássico em orquestras e era notável percussionista.

Brasil vive hoje um quadro de feudalismo fiscal, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Termo foi cunhado há seis anos pela procuradora Élida Graziane e virou realidade

Emendas funcionam como vassalagem, em troca de lealdade e proteção entre agentes políticos

O Brasil já vive um quadro de feudalismo fiscal. O termo foi cunhado há seis anos por Élida Graziane, especialista em contas públicas e procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo.

Na época, a previsão era um alerta para os riscos no futuro. Mas o que era um prognóstico se transformou em realidade rapidamente.

Nos últimos tempos, assistimos sem reação à adoção de medidas populistas, aprovação de pautas-bomba, negociatas com emendas, aumento de penduricalhos para servidores, de benefícios fiscais e tantos outros mecanismos de captura de recursos públicos.

Os caminhos da extrema direita, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A direita aclimatada ao jogo democrático perde primazia para populistas

Populismo de direita torna imponderável o futuro do sistema representativo

"Bolsonaro tem os votos", constatou o presidente do PLValdemar Costa Neto, ao avaliar a importância da carta na qual o ex-presidente, em prisão domiciliar, reiterou seu apoio à candidatura do primogênito. A declaração vale para o momento, mas também retrata a dependência das forças da direita tradicional da musculatura eleitoral de sua expressão política mais extremada.

A mudança do centro de gravidade do campo direitista nesse rumo não é peculiaridade brasileira. A extrema direita avança no Ocidente, observa Sérgio Fausto, diretor-geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso, em lúcido artigo publicado em O Estado de S. Paulo, na segunda-feira (13).

Poesia | Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, de Pablo Neruda por Paulo Guilarducci

 

Música | Chico Buarque - Mil Perdões

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aumento de home office no setor público é retrocesso

Por O Globo

Brasil segue na contramão de governos que reduzem trabalho remoto para elevar produtividade

O número de servidores públicos federais em regime remoto parcial ou integral cresceu 28% entre outubro de 2024 e maio deste ano. São 107,8 mil funcionários em home office. No setor privado, a tendência é oposta. A expansão no setor público conta com o apoio do governo e destoa do que acontece noutros países. Governos de diferentes linhas políticas têm endurecido as regras porque a produtividade do setor público é afetada negativamente. Na semana passada, todos os servidores federais canadenses em jornada híbrida passaram a ter de comparecer em seus locais de trabalho quatro dias por semana por decisão do primeiro-ministro Mark Carney, de centro-esquerda. A mesma regra foi adotada no início do mês na Califórnia, seguindo ordem do governador democrata Gavin Newsom. Ao voltar à Casa Branca, o republicano Donald Trump decretou o fim do trabalho remoto.

Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de segundo turno e aumenta vantagem contra Flávio Bolsonaro, por Yago Godoy

O Globo

Pré-candidato à reeleição possui 45% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 37%; em abril, petista aparecia com 40%, contra 42% do filho do ex-presidente

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário até o momento, o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Lula, que, na divulgação anterior, marcou 44%, enquanto Flávio tinha 38%.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

A direita está esfarelada, por Elio Gaspari

O Globo

Na segunda metade do século passado, a esquerda brasileira foi uma das mais divididas do mundo. Integrantes famosos de suas organizações geralmente passaram por três delas. Dilma Rousseff passou por quatro: Política Operária (Polop), Comando de Libertação Nacional (Colina), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), todas clandestinas. Hoje é a direita que se esfarela. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, potencial candidato ao Planalto, resolveu ficar de fora. Restou o bolsonarismo dinástico. Ao tempo dos Bragança, D. Pedro II se dava mal com o cunhado, o Conde D’Áquila, mas a rusga ficou circunscrita ao palácio. Hoje, Michelle Bolsonaro grava vídeo alfinetando Flávio Bolsonaro, que, por sua vez, tem o apoio do pai encarcerado.

Como ensina o repórter Octavio Guedes, eles se desentendem seguindo um roteiro de novelas de televisão, em capítulos sem vestígio de interesse público.

Da velha direita sobrou pouca coisa. Ronaldo Caiado e Romeu Zema ainda não conseguiram decolar. Flávio, por sua vez, arrisca ser abatido em voo.