quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Passou da hora de acabar com o inquérito das fake News

Por Folha de S. Paulo

Fachin repete intenção de arquivar investigação anômala que deu plenos poderes a Alexandre de Moraes

Criou-se a situação em que a corte poderia atuar como vítima, polícia e juiz; presidente do STF precisa percorrer caminho entre palavras e atos

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, indicou na semana passada que pretende "promover o arquivamento definitivo" do interminável inquérito das fake news. Louve-se a intenção, sem dúvida, mas com a ressalva de que não se trata da primeira vez que o ministro a enuncia.

No começo de setembro, quando o escândalo do Banco Master envenenou a convivência entre ministros do STF, Fachin esgrimiu duas propostas contra a crise sem precedentes: o fim do famigerado inquérito e a aprovação de um código de ética para a corte.

Voto de assalariados e empreendedores acirra a disputa do segundo turno, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Lula oferece medidas populistas a assalariados e empreendedores; Flávio procura preservar a identificação com quem considera insuficientes essas respostas do governo

A dez dias da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam os corações e os bolsos de assalariados e empreendedores. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Flávio com 46% das intenções de voto e Lula com 44%, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. Outros 9% declaram voto branco, nulo ou disposição de não votar; apenas 1% está indeciso. A eleição continua aberta, mas não há eleitores disponíveis em grandes proporções. Convencer alguém a trocar de candidato ou a comparecer às urnas exige mais do que reafirmar as convicções dos convertidos.

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 em vitória política de Lula, por Murillo Camarotto, Sofia Aguiar e Jéssica Sant'Ana

Valor Econômico

Flávio Bolsonaro dá voto favorável à proposta que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais

Por 75 votos a 1, o Senado aprovou na noite de quarta-feira (14) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1. Apesar de se opor ao texto durante toda a tramitação, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou a bancada para votar como quisesse. Assim que o resultado foi decretado, parlamentares governistas entoaram cantos em homenagem a Lula.

O avanço da matéria representa uma vitória política do presidente, que tem no projeto uma de suas principais apostas para reverter a desvantagem nas pesquisas para a disputa pela reeleição. Em agenda no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não compareceu à sessão. Na véspera, ele recuou e disse que votaria a favor do texto, mesmo defendendo outra proposta.

É o poder de pauta que vai desempatar o jogo, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Aprovação da PEC 6x1 deixou Flávio Bolsonaro a reboque de Lula

Os mesmos dois pontos percentuais que separam a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1 turno da eleição presidencial se mantiveram na primeira pesquisa Quaest deste segundo. O candidato do PL manteve sua vantagem graças à captura do maior volume de votos da terceira via. O do PT foi capaz de avançar na mesma proporção graças ao avanço mais substantivo, neste 2ºturno, entre aqueles que, em 4 de outubro, se abstiveram ou votaram em branco e nulo.

A se fiar pela Quaest, os 9% que ainda podem mudar de voto serão capturados pelo candidato que se mostrar mais capaz de pautar os próximos dez dias da campanha. A votação, no Senado, na noite desta quarta, do fim da escala 6x1, demonstra que Lula tem mais vantagem neste quesito para reverter, a seu favor, o empate, na margem de erro exibida pela pesquisa.

Segundo turno é outra eleição? Por Cila Schulman

Valor Econômico

Mudaram o ritmo e as estratégias; contudo, a campanha pode mudar de direção mais depressa do que o eleitor muda de lado

Nada como um segundo turno para acordar o eleitor anestesiado, acertar o passo do incumbente e enfileirar os apoios negados ao desafiante até que ele se tornasse uma perspectiva real de poder. Lula se conectou com as demandas do eleitor, o PT priorizou as ruas e as redes, enquanto o entorno de Flávio Bolsonaro já começa a distribuir ministérios. Os trabalhadores 7x7 da Faria Lima acompanham tudo com a precisão dos dados disponíveis, mas acordam com palpitação: “e se a euforia foi apenas o sonho de uma noite de outono?”

Mudaram o ritmo e as estratégias; contudo, a campanha pode mudar de direção mais depressa do que o eleitor muda de lado.

Lula celebra fim da escala 6 por 1, bandeira de campanha: 'Dia de comemorar uma conquista histórica', por Victoria Azevedo

O Globo

Senado aprovou PEC por 75 votos a favor e um contra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a aprovação do fim da jornada 6x1 pelos senadores na noite desta quarta-feira. O petista acompanhou a votação do Palácio da Alvorada, em Brasília ao lado de aliados.

Em publicação nas redes, Lula disse que o dia de hoje é para “comemorar uma conquista histórica de milhões” de trabalhadores. “O fim da 6x1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida”, escreveu o presidente.

As dúvidas e os avanços da reta final, por Míriam Leitão

O Globo

A redução da jornada de trabalho é uma pauta antiga e disseminada no mundo. O recuo de Flávio Bolsonaro mostra que a proposta alternativa dele não fazia sentido

Foi uma longa jornada para chegar até o dia de ontem, em que o Senado aprovou com votação consagradora a redução de 44 para 40 horas do tempo de trabalho semanal e com dois dias de descanso por semana. A última mudança de carga horária fora há 38 anos. O projeto virou também um evento da campanha eleitoral. O candidato Flávio Bolsonaro mudou bruscamente de ideia sobre o assunto e ontem o PL aceitou que seus senadores fossem a favor da PEC. O medo do Partido Liberal é que a oposição ferrenha ao projeto tirasse votos na urna para o candidato da extrema direita.

Cabeça a cabeça, por Merval Pereira

O Globo

Os eleitores decididos dos dois candidatos não se revoltam, não se preocupam com as ações ilegais ou antiéticas que ambos praticam.

A pesquisa da Quaest divulgada ontem não captou nenhuma mudança na pequena diferença a favor de Flávio Bolsonaro. Quer dizer que o movimento lulista dos últimos dias não surtiu efeito positivo, a não ser alterações pontuais em estratos específicos, que não mudaram o resultado final. Essa diferença não permite, porém, que Flávio continue jogando parado, colhendo apoios burocráticos sem mobilizar o eleitorado, que continua congelado entre os dois candidatos. Nenhum deles conseguiu tirar votos suficientes do outro. A solidez das tendências está na casa dos 90%, sugerindo que os votos de que Lula precisa para vencer têm de ser buscados entre os que continuam ainda não totalmente decididos, como 8% dos eleitores de Flávio.

Discurso de Flávio não cabe na Faria Lima, por Julia Duailibi

O Globo

Ele não só negou as medidas de ajuste, como pronunciou um discurso com tom parecido ao do adversário

O primeiro desafio de Flávio Bolsonaro durante a campanha de 2026 foi fazer com que parte do eleitorado o comprasse como um “moderado” — ou como o “Bolsonaro que toma vacina”. Na reta final da campanha, essa espécie de greenwashing eleitoral chegou ao ápice, com o candidato do PL recuando, sem maiores embaraços, de sua posição contra o fim da escala 6x1. O oportunismo de última hora, que o leva a abraçar proposta de que era crítico, coloca dúvidas sobre algo maior: qual o real compromisso de Flávio na área econômica?

Senado aprova PEC do fim da 6x1, bandeira de Lula; PL articula proposta por hora trabalhada em 2027

Por Danielle Brant, Alvaro Gribel e Guilherme Caetano / O Estado de S. Paulo

Texto, que segue para promulgação, reduz jornada de trabalho para 40 horas semanais; Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, vota a favor, mas sinaliza a empresários que vai revisar proposta se eleito

BRASÍLIA - O Senado aprovou nesta quarta-feira, 14, 11 dias do segundo turno das eleições, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário. O texto vai à promulgação.

A votação contou com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), em meio à disputa eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - embora integrantes do partido do filho de Jair Bolsonaro já defendam a aprovação do pagamento por horas trabalhadas em 2027.

A PEC foi aprovada por 75 x 1 nos dois turnos de votação - eram necessários pelo menos 49 votos. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único voto contrário. O PL de Flávio liberou a bancada para votar no texto, assim como o Progressistas.

O sequestro da esfera pública, por Eugênio Bucci*

O Estado de S. Paulo

O domínio das plataformas digitais, estrangeiríssimas, sobre os debates políticos no Brasil é total. Por trás da expressão ‘sociedade interconectada’ existe um sequestro descarado

Dizem que somos uma “sociedade interconectada”. O que isso significa? No mais das vezes, significa que o progresso nas comunicações teria melhorado a nossa vida. Falamos uns com os outros por meio das plataformas digitais, na maior simplicidade. As cartas de amor não existem mais e até os emails começam a ficar antiquados: hoje tudo se resolve pelo WhatsApp, com frases efêmeras, áudios anódinos e emojis redondos. A publicidade comercial migrou para os bits, soterrando as telas que nos confinam. Bancos disparam avisos de débito para o smartphone do cliente. O check-in da passagem aérea se tornou uma operação virtual, bem como a compra de ingresso para o cinema, a reserva no hotel, a matrícula na escola, o agendamento do exame médico, as reuniões de trabalho e a sessão de psicanálise. Tudo parece ter acontecido de modo indolor e benfazejo.

Marcha da insensatez, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Tomando a frase emprestada do sociólogo e professor José Pastore, a tramitação do fim da escala 6x1 no Congresso é o triunfo da emoção eleitoral sobre a razão. Pois se faz sentido estabelecer na Constituição limites de horas trabalhadas por semana, não faz nenhum estipular ali como serão distribuídas.

O que surge do ponto de vista econômico como “irracional” (adotar medidas que parecem “melhorar” as coisas, mas vão provocar “piora” no prazo mais longo) é perfeitamente racional pelo cálculo político, hoje subordinado à noção de que só se combate populismo (lulopetismo, no caso) com populismo. Nisto o Brasil segue a tendência em várias “democracias liberais” – uma crise universal.

O desastre que elites empresariais apontam nessa tramitação é um desastre delas mesmas. Chega a ser constrangedor como os congressistas, especialmente no Senado, deram uma banana para “vozes de liderança” e seus alertas. Suas opiniões nem sequer foram consideradas.

Com 6x1, Lula avança agenda eleitoral no Congresso, e oposição tenta rebater com redução da maioridade

Por Folha de S. Paulo*

Redução da jornada de trabalho e perdão de dívidas do MEI passam na Câmara e no Senado

Aliança com Hugo Motta e Davi Alcolumbre dá trunfo ao presidente a poucos dias da eleição

A aliança do presidente Lula (PT) com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), emparedou a oposição nesta quarta (14) e fez avançar três propostas com apelo popular a dias do segundo turno das eleições: o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e benefícios para o MEI (Microempreendedor Individual).

O petista ataca com isso alguns dos pontos identificados nas pesquisas internas como os principais motivos para o voto em Flávio Bolsonaro (PL): a preocupação com a situação econômica, com a própria renda, com o alto custo de vida e com a criminalidade. Os outros, fora do alcance da campanha, são o sentimento de mudança e as críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A oposição só conseguiu reagir na proposta relativa à segurança pública, ao apresentar emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. O tema historicamente é criticado pelo PT, e o governo optou por adiar a votação em plenário para se reorganizar e faturar politicamente os outros projetos.

As Forças Armadas na democracia, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Subordinação das Armas à Constituição e ao poder civil legítimo é inseparável do regime democrático

Brigadeiro reafirma que às Forças Armadas não cabe moderar o conflito político

Em 2022, os militares barraram o golpe planejado por Jair Bolsonaro logo após sua derrota nas urnas. Os comandantes do Exército e da Aeronáutica se opuseram às medidas propostas por ele para impedir a posse do sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Conseguiram levar o camarada da Marinha a assinar uma nota conjunta que defendia o emprego dos instrumentos do Estado de Direito para dirimir controvérsias políticas. A história toda foi contada pelo brigadeiro Carlos Baptista Júnior, então comandante da Força Aérea Brasileira, no seu recente livro "Eu Disse Não! Uma Trincheira Antigolpista".

Condições institucionais para a ditadura, por Conrado Hübner Mendes*

Folha de S. Paulo

'Aceitem a democracia onde a minoria tem que se curvar à maioria', já disse Jair

Vitória de Flávio seria primeiro winner takes all da nossa história democrática

Entre os alertas ecoados do primeiro para o segundo turno, lembre-se da separação de Poderes. Mais institucional, menos ideológico, este é o alerta do constitucionalismo, ideia moderna para prevenir concentração e abuso de poder. Não há liberdade onde um manda sozinho. Em cima desse andaime se constrói o edifício constitucional.

Nos últimos 40 anos, o Brasil não passou por situação tão perigosa para a economia e a sociedade, para não falar da política liberal. Eventual vitória de Flávio Bolsonaro entrega à família o que nenhum presidente eleito no país teve. É a única chapa "winner takes all": se ganhar, leva tudo. A quem perde não sobram nem direitos e instituições para se defender. Jogo de soma zero.

Política ruim pode tornar ainda pior o ano difícil de 2027 na economia, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PIB, emprego, salários e receita do governo devem ser menores no ano que vem

Fazer conserto das contas públicas em ano de PIBinho é bem mais complicado

O ano de 2027 vai ser difícil na economia. Se por mais não fosse, já seria bastante para aumentar o risco de que 2027 seja também difícil na política, o que realimentaria dificuldades econômicas. Isso se não houver tentativas mais ou menos camufladas de golpes ou o emparedamento do governo por um Congresso radicalizado à direita.

A discussão dos possíveis programas econômicos (por ora pastel de vento) parece desligada das dificuldades previsíveis de 2027, de incertezas novas e dos efeitos colaterais de uma tentativa de conserto das contas do governo ("o fiscal").

Flávio mente sobre escala 6x1, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Candidato já havia qualificado fim da 6x1 como inoportuna, eleitoreira e hipocrisia

Ele quer que o trabalhador tenha a liberdade de escolher entre salário menor ou desemprego

O noticiário espelhou o aparente vaivém de Flávio sobre a escala 6x1. Na terça (13) o Painel da Folha publicou que "Flávio Bolsonaro fez chegar a aliados que vai rever pontos da proposta caso seja eleito".

Isso reflete a real intenção do presidenciável, que já qualificou o fim da jornada exaustiva como "inoportuna e eleitoreira", uma "hipocrisia" com risco de "desemprego em massa". Antes, no mesmo dia, o jornal publicou que "Flávio diz que vai votar a favor do fim da escala 6x1, pressionado pela eleição".

Por que perdeu? Perdeu por quê? Por Marcelo Rubens Paiva


Folha de S. Paulo

Se Lula ganhar, é porque a eleição foi fraudada, dirão os bolsonaristas

Se Flávio ganhar, seríamos o 52° estado americano, ultrapassando Groenlândia e Islândia na fila?

Se Lula ganhar a eleição, é porque foi fraudada, dirão os bolsonaristas. Aparecerão provas "irrefutáveis" de que hackers russos, chineses e indianos do Brics, orientados por Dilma, teriam obtido o código-fonte das urnas eletrônicas.

"EleiçãoRoubada" seria a hashtag número um dos trending topics do X.

Observadores enviados pelos governos da Argentina, El Salvador, Bahrein e de Trump confirmariam a fraude. Os países do Escudo das Américas não reconheceriam a reeleição, caso contrário sofreriam sanções dos Estados Unidos

Seus embaixadores seriam chamados de volta. Tensões nas fronteiras alimentariam a corrida armamentista entre antigos parceiros comerciais.

Com Flávio lá, contrapesos e democracia correm risco, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Candidato, se vencer, terá amplo controle dos Poderes para vergar instituições democráticas

Por paradoxal que pareça, centrão pode ter papel relevante para conter avalanche da ultradireita

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria desafios importantes para a democracia brasileira. Condições muito favoráveis à concentração de poder somam-se ao histórico autoritário da família e do grupo político do candidato. Além da ampla maioria conservadora no Congresso, com forte presença bolsonarista, ele terá meios para pressionar o Supremo Tribunal Federal, tanto pela indicação de novos ministros quanto por processos de impeachment.

Flávio é o herdeiro político de Jair Bolsonaro e representa um movimento que atacou reiteradamente a legitimidade das eleições e as instituições democráticas. Poderá não repetir o brutalismo tosco do pai ex-militar dos porões da ditadura, mas isso não é suficiente para afastar os riscos.

O segundo mandato é o da vingança, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Ninguém se enganará; Flávio Bolsonaro já está antecipando seu programa de governo

O chicote descerá sobre militares, diplomatas, juízes, estudantes, educadores e artistas

Que bom que, para Flávio Bolsonaro, Flávio Bolsonaro já ganhou a eleição. Com isso podemos conhecer de antemão seu programa de governo, permitindo a cada setor da sociedade se preparar. Uma amostra pode estar simbolizada na caminhada de uma deputada catarinense pelas ruas de Florianópolis, comemorando a própria vitória estalando um chicote no asfalto. O chicote é um instrumento usado nos costados de mulas e de escravizados, para pô-los na linha ou castigá-los por insubordinação —você escolhe.

Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar – Marco Aurélio Nogueira

Em estilo ágil, Marco Aurélio Nogueira sobrevoa reflexivamente a vida atual. A hipermodernidade, com seu dinamismo frenético e seus excessos, produziu um mal-estar sutil, que se recompõe continuamente. Transformou nossas circunstâncias e o modo como vivemos, nos comportamos e nos relacionamos. Pôs em crise as ideias de futuro, deslocando os equilíbrios, as certezas, nossa capacidade de compreender o conjunto. A política já não engaja como antes e as utopias desapareceram do horizonte. Não sabemos bem o que fazer com a IA. Estamos sobrecarregados de informações, mas os diálogos escasseiam. O cenário internacional desconcerta e assusta, atravessado que está por conflitos militares e pela disputa entre as potências.

Não estamos num beco sem saída. Para avançar, precisamos recuperar a disposição de agir democraticamente, compartilhar conhecimentos, aprender uns com os outros e reconstruir algum sentido para a vida. Ações políticas que não saibam compor, agregar e arar um terreno comum correm o risco de cair no vazio.

Poesia | Segue o teu destino, de Fernando Pessoa

 

Música | Chico Buarque | O Meu Guri

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O que a mídia | Editoriais \ Opiniões

Esgota-se o modelo de estímulo ao consumo

Por Folha de S. Paulo

Premidas por dívidas, famílias reduzem ritmo de alta das compras desde 2025, e tendência deve seguir

Gastos inflados por Lula manterão juros sufocantes; momento do ajuste, adiado neste ano eleitoral, virá no próximo governo

Mais uma vez, a estratégia de impulsionar a atividade econômica por meio de gastos públicos encontra seu limite. Desta vez, o freio é o esgotamento da expansão do consumo das famílias, endividadas ao longo dos últimos anos por um modelo de política econômica que infla a demanda sem bases produtivas sustentáveis.

Entre 2021 e 2025, segundo o IBGE, o consumo privado avançou em média 3,3% ao ano, com pico de 5,1% em 2024. Em 2025, o ritmo já caiu para 1,3%, e a expectativa é de somente 1% neste ano e ainda menos no próximo.

Lula faz “guerra de movimento” enquanto Flávio aposta na “guerra de posições”, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Petista dobrou a aposta na “economia do afeto”: anunciou um Desenrola para os microempreendedores e que ainda dará um Pix de R$ 5 mil para compra de equipamentos

O prussiano Carl von Clausewitz (1780-1831) tornou-se célebre sobretudo por explicar a lógica dos conflitos. Militar desde os 12 anos, enfrentou as forças napoleônicas, serviu no Exército russo, na batalha de Borodino, e participou da campanha de Waterloo, combatendo em Wavre. Morreu de cólera e deixou os manuscritos de Da Guerra, publicados por sua mulher, Marie von Brühl. “A guerra como continuação da política por outros meios”, seu conceito mais conhecido, subordina a ação militar ao objetivo político.

Clausewitz compreendeu que superioridade material não assegura vitória. Moral, capacidade de comando, concentração de forças e acontecimentos imprevistos podem mudar uma batalha. A estratégia exige identificar o centro de gravidade do adversário: aquilo que sustenta sua capacidade de resistir.

No fôlego aberto por Kassio Nunes, luta interna do PL se agrava, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

No início das 48h para a volta do ‘Exército do Lula’, PL lava roupa suja em público sobre estratégia digital de Flávio Bolsonaro

No mesmo dia em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal “Exército do Lula” do WhatsApp, decisão revista seis horas depois, o influenciador Paulo Figueiredo mostrou, em seu programa no YouTube, números sobre o alcance digital do PT que estão a assustar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo Figueiredo, entre 10 e 11 de outubro, canais de esquerda fizeram 32 mil publicações nas redes sociais com 80,7 milhões de curtidas e comentários a partir da padroeira do Brasil e as manifestações de rua. No mesmo período, os canais de direita fizeram 1,3 mil publicações, ou 23 vezes menos, como frisou, que tiveram 22,2 milhões de curtidas e comentários a partir dos mesmos temas.

Enfim, Lula tenta ganhar votos do adversário, por César Felício

Valor Econômico

Municípios com maior proporção de empreendedores individuais votaram maciçamente no candidato do PL

Ao anunciar perdão de dívidas, Pix de R$ 5 mil e aumento do limite para o enquadramento de Microempreendedores individuais (MEI), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu fazer um aceno ao eleitorado do adversário, a apenas 12 dias do segundo turno. O resultado da eleição presidencial no primeiro turno é eloquente neste sentido.

Existem 13,7 milhões de MEIs no Brasil, com faturamento anual de até R$ 81 mil, de acordo com dados do Sebrae coletados pelo Valor Data. Pelas regras fiscais brasileiras, uma pessoa física só pode ter um MEI, portanto não erra muito quem estimar que praticamente 10% dos eleitores é passageiro desta nave (o total do eleitorado nacional é de 158 milhões).

Após freio de arrumação, Lula vai para o tudo ou nada, por Fernando Exman

Valor Econômico

Melhora dos indicadores econômicos traz alívio, mas governo mantém cautela

A esta altura, resta ao PT olhar cada um dos cerca de dez dias até o segundo turno como um “jogo de seis pontos”. A expressão é usada no esporte para descrever uma partida entre duas equipes que estão muito próximas na tabela na etapa final de um campeonato, seja para disputar o título ou na luta para evitar o rebaixamento. Nesse tipo de confronto direto, quando uma equipe conquista três pontos para si também impede que a outra some três pontos. Na prática, há uma virtual oscilação de seis pontos, o que permite uma arrancada ou uma ultrapassagem.

Para quem Flávio está mentindo? Por Vera Magalhães

O Globo

Mudança em relação ao fim da escala 6 x 1 e promessa de não mexer em benefícios sociais contrastam com promessa de corte de R$ 200 bilhões

Flávio Bolsonaro promete ao mercado financeiro um ajuste fiscal de cerca de R$ 200 bilhões nos primeiros 18 meses de governo. Aos eleitores, garante que não cortará benefícios sociais, não mexerá nas aposentadorias nem reduzirá recursos para saúde e educação. Ontem, foi além: anunciou voto favorável ao fim da escala 6x1 e prometeu que o governo compensará os empresários pelos custos da medida.

É difícil que todas essas promessas sejam cumpridas. Ou ele vende ao mercado um ajuste que não pretende fazer, ou esconde dos eleitores os sacrifícios que pretende impor. Nenhuma das hipóteses é tranquilizadora, e ambas podem ser traduzidas como estelionato eleitoral.

As convicções elásticas de Flávio Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Antes de aderir ao fim da escala 6x1, senador renegou críticas a Bolsa Família e Farmácia Popular

Depois de meses repetindo o discurso do capital, Flávio Bolsonaro resolveu votar a favor do trabalho. Ou melhor, da redução da jornada de trabalho.

Em maio, o candidato do PL descreveu a proposta de acabar com a escala 6x1 como “inoportuna e eleitoreira”. Acrescentou que a ideia teria “grande carga de hipocrisia” e causaria “desemprego em massa”.

Ontem ele abandonou a ladainha e informou que passou a apoiar o texto. “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem (sic) o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor”, declarou.

Fim da escala 6x1 venceria no primeiro turno, por Renato Meirelles

O Globo

Mudança é apoiada por mais de sete em cada dez brasileiros

Mais de sete em cada dez brasileiros apoiam a mudança, uma votação que nem Lula nem Flávio Bolsonaro conseguiram. A proposta é maior do que os dois. E talvez seja justamente por isso que esteja mudando a conversa nesta reta final.

Imagine dona Beatriz, caixa de supermercado, casada com seu João, vigilante de shopping. Os dois trabalham seis dias por semana. Ela folga na terça, ele na quinta. Um domingo dos dois juntos virou luxo. Quando Beatriz descansa, lava roupa, vai ao posto de saúde, resolve a conta atrasada. João sai para trabalhar. Se alguém lhes perguntar sobre a economia, talvez respondam falando do preço do arroz. Se a pergunta for sobre a escala 6x1, responderão sobre a vida que gostariam de ter.

Kassio precisa proteger a Justiça da má fama, por Elio Gaspari

O Globo

O presidente do TSE foi com muita sede ao pote

O Judiciário brasileiro nunca esteve com a má fama de hoje. Não precisa piorar. Depois do vexame da censura contra o “Exército de Lula”, o ministro Kassio Nunes Marques terá aprendido que sua caneta não tem tanta tinta quanto gostariam os bolsonaristas.

Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou calar o canal de propaganda “Exército de Lula” (4 milhões de seguidores). Atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusava o canal de divulgar notícias falsas.

O ministro viu-se contrariado pelo corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, um magistrado que atravessa incólume o annus horribilis do Judiciário brasileiro. Derrubada a censura, Nunes Marques pediu à área técnica do TSE que examinasse as postagens da plataforma.

A promessa de Flávio para a Faria Lima, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Senador promete menos aloprados e mais Posto Ipiranga, mas descumpre o que diz e não vai a debate

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem conversado muito com a Faria Lima. A portas fechadas, o senador diz que, se for eleito para a cadeira hoje ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva, comporá um governo com mais técnicos e menos radicais em áreas estratégicas como Saúde, Educação e até Itamaraty.

Depois do bordão “menos Janja e mais Alckmin” que virou mote da reunião do PT na qual o partido foi para o divã ao discutir por que Flávio passou Lula no primeiro turno, um aliado do senador adotou a mesma linha. “Menos aloprados e mais Posto Ipiranga”, disse o interlocutor de Flávio, sob reserva. Apesar de declarações que provocam desconfiança, como a da necessidade de mudar a Constituição para “redemocratizar o País”, Flávio tenta afastar o medo de que, caso chegue ao Planalto, seu governo será tomado por discípulos de Olavo de Carvalho.

O ajuste fiscal da direita, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Governos na Argentina e Colômbia apostaram, de imediato, num ajuste profundo das contas

Olha o que o Milei fez! É assim – lembrando o austero programa de redução de gasto público do presidente argentino Javier Milei – que alguns analistas vêm descrevendo, nos últimos dias, suas expectativas sobre a magnitude do ajuste fiscal em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Mas há quem também esteja olhando para o que acontece na Colômbia sob o comando de Abelardo De la Espriella, um advogado milionário de extrema direita, vitorioso numa apertada eleição presidencial em junho.

Plano viável de um Bolsonaro 2 depende de mais imposto e de algum estelionato eleitoral, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Programa de contenção de despesa de Flávio exigiria ainda corte de gasto tributário

Medidas fariam com que classes de renda mais alta e certas empresas pagassem mais tributos

Existem em tese meios de fazer com que o plano de Flávio Bolsonaro (PL) para as contas públicas faça algum sentido. Tais medidas exigem, na prática, um aumento de imposto, além de programa técnica e politicamente complexo, mas essencial, de revisão geral de despesas.

Pelo menos na parte que vazou, o plano não faz sentido. Sem golpe, não é possível conter o aumento do gasto em R$ 200 bilhões em um ano, mesmo que o candidato cometa estelionato eleitoral e mexa no reajuste do salário mínimo, no valor dos benefícios sociais e em gastos com saúde e educação, o que promete não fazer. Com estelionato eleitoral moderado, competência técnica e apoio político, seria possível executar esse plano de contenção de gastos em alguns anos.

Jair Bolsonaro subirá a rampa com Flávio? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Algum tipo de perdão aos golpistas já parece contratado

Pizza reverteria importante avanço institucional do país

Não sei se Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto ao lado de Flávio. Há muitos senões em torno dessa previsão. O principal é que o jovem Bolsonaro, embora seja o favorito na disputa presidencial, ainda não venceu. Existe, portanto, a possibilidade de o próprio Flávio jamais subir a malfadada rampa.

Eu receio, porém, que algum tipo de perdão a Jair e aos generais condenados por tentativa de golpe já esteja contratado, mesmo que Lula ganhe. A confirmar-se essa tendência, o país reverterá o que talvez seja o maior avanço institucional das últimas décadas, que foi ter rompido a tradição de não responsabilizar militares que atentam contra a ordem constitucional.

TSE se junta ao STF no foco da desconfiança na Justiça, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Justiça Eleitoral se desvia do papel de arbitragem para assumir o lugar de protagonista na disputa política

Malandragem dos políticos não autoriza os juízes a embarcar na dinâmica da desfaçatez geral e irrestrita

A Justiça Eleitoral existe, em suma, para organizar os pleitos e garantir a igualdade de condições dos candidatos. Nessa condição, distorce as próprias funções quando, como agora, assume o papel de protagonista numa eleição.

Ressalve-se, de início, que isso se deve em boa medida à necessidade de lidar com o mundo novo das ferramentas tecnológicas e do uso malandro que as campanhas fazem delas com o abuso de notícias falsas para desacreditar o adversário.

Como virar votos quando ninguém quer mudar de lado? Por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Quando o voto é também veto ao adversário, mudar pode significar romper lealdades

Lealdades políticas, custos psicológicos e anos de hostilidade dificultam a tarefa de Lula

Se conquistá-los já é difícil, imagine virar votos. Ainda mais em certas circunstâncias que se empilham nesta eleição.

Primeiro, quando o voto e o veto se equivalem. Quer dizer, quando há praticamente um empate entre o percentual de votos obtido por um lado e o de rejeição do adversário. E vice-versa. Assim, quem tentar mudar um voto vai ter que lidar com algo muito profundo: a decisão do eleitor de não votar naquele candidato de jeito nenhum.

Quando as pessoas escolhem com base nas características dos candidatos ou nas políticas públicas que oferecem, há sempre a possibilidade de mudar uma ponderação por conta da propaganda, de informações novas, da conversa política cotidiana. Mas quando se vota em um candidato para evitar que o outro ganhe, a perspectiva de mudança é mais complicada.