*Karl Marx (1818-1883), Euvres, III, Philosophie,
p. 383, citado em “A democracia contra o Estado”, p.54. Editora UFMG, 1998.
Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 17 de janeiro de 2026
Opinião do dia - Karl Marx* - Democracia
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Transferência de Bolsonaro foi uma concessão sensata
Por O Globo
É justificável oferecer-lhe condições
melhores na cadeia, sobretudo levando em conta seu estado de saúde
Foi sensata a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF) para a instalação do quartel da Polícia Militar do Distrito Federal conhecida como Papudinha, onde ficará em condições melhores. A mudança foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Advogados e a família defendiam prisão domiciliar, alegando problemas de saúde e más condições da prisão. Mas na PF ele já recebia tratamento digno e tinha acompanhamento médico em tempo integral, como acentuou Moraes em sua decisão. A transferência foi uma concessão a Bolsonaro. Voltar à prisão domiciliar não se justificaria, pois ele tentou romper a tornozeleira quando estava detido em casa.
Lula sai na frente do acordo entre Mercosul e EU
Por Victor Correia, Francisco Artur de Lima e Fabio Grecchi / Correio Braziliense
Presidente se reúne com Ursula von der Leyen,
no Rio de Janeiro, e antecipa assinatura do pacto entre blocos
Apesar de o acordo de livre comércio entre Mercosul e a União Europeia ser
oficialmente assinado hoje, em Assunção, Paraguai, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva antecipou-se à celebração e assumiu o protagonismo ao receber,
ontem, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, para uma
reunião no Rio de Janeiro. O encontro entre eles, no Palácio do
Itamaraty, foi interpretado como uma forma de destacar a preponderância do
Brasil nas negociações. Exceto no governo de Jair Bolsonaro, em 25 anos de negociações,
os maiores esforços para que o acerto entre os dois blocos saísse foram nas
presidências de Lula e de Dilma Rousseff.
O encontro com a presidente da CE embute, também, uma insatisfação. O Paraguai, que agora preside o Mercosul, havia convocado para a celebração da assinatura apenas os ministros de Relações Exteriores dos países do bloco, mas mudou os planos na última hora para incluir os presidentes, o que desagradou Lula — que decidiu não comparecer ao evento de hoje. O Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira, mas os demais chefes de Estado estarão no evento: Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Rodrigo Paz (Bolívia) confirmaram participação.
O fim da inocência. Por André Gustavo Stumpf
Correio Braziliense
Trump tirou a fantasia. Ele não defende o
livre comércio. O mundo retornou ao mercantilismo brutal e objetivo. O negócio
é grana, ganhar dinheiro, fazer caixa em dólares. Todo resto é fantasia
A espetacular ascensão de Donald Trump à condição de dono do mundo modifica o entendimento de muitos observadores e coloca alguns especialistas na embaraçosa condição de aprendizes diante de tanta novidade. O presidente dos Estados Unidos não hesita em utilizar a força para sequestrar um presidente da República, anunciar a incorporação da Groenlândia, como Hitler fez com a Áustria nos anos 1930, além de ameaçar bombardear aliados que não façam comércio com seu país. Prática curiosa, semelhante a que os portugueses utilizaram contra cidades da Índia no século das grandes navegações.
A política externa do império: projeção e produto de sua história. Por Roberto Amaral *
Quando a polarização vence o cálculo. Por Juliana Diniz
O Povo (CE)
Todos os filhos do ex-presidente Jair
Bolsonaro têm suas fragilidades, são políticos com debilidades que podem ser
trabalhadas por um bom marketing e Flávio, o nome em evidência, não parece ser
exceção à regra
Acreditamos que a política partidária é movida por interesses estratégicos e racionalidade, mas a realidade mostra que, não raro, é no campo do blefe, do arremedo e da sorte que decisões importantes são resolvidas. Há apostas que parecem estapafúrdias e que, no entanto, por fatores previsíveis e por outros imprevisíveis, acabam se consolidando com opção. Eu incluiria a candidatura possível de Flávio Bolsonaro nesse horizonte.
Urgência sob o sol. Flávia Oliveira
O Globo
A preocupação com moradores em situação de
rua é imensa, bem como com trabalhadores de ofício ao ar livre
Enquanto Brasília, a partir do Legislativo, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União (TCU), dá sinais claros do desejo de manter na sombra o escândalo do Banco Master — que o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que pode ser “a maior fraude bancária da História” —, parte do país derrete sob o sol. As ondas de calor extremo no verão que nem completou um mês já causam impacto no sistema de saúde, no abastecimento de água e energia elétrica, no mercado de trabalho, na educação e no meio ambiente. Brasil afora, Rio de Janeiro em particular, são perceptíveis os efeitos das mudanças climáticas: vendavais no Sul, chuvarada em São Paulo, calor inclemente na metrópole carioca.
O mal que a Ideologia faz. Thaís Oyama
O Globo
Não dá para falar de esporte sem falar em
desempenho físico, e é por isso que o sexo biológico importa na discussão
Em 2021, na Olimpíada de Tóquio, a halterofilista neozelandesa Laurel Hubbard acabou sem medalhas, mas recebeu honras de estrela por ser a primeira mulher trans a participar do torneio. Na entrevista coletiva com as levantadoras de peso que subiram ao pódio — a chinesa Li Wenwen, medalha de ouro; a britânica Emily Campbell, prata; e a americana Sarah Robles, bronze —, um repórter americano pediu-lhes para dizer como se sentiam naquela “noite histórica” em que uma atleta trans estreava numa Olimpíada, e na modalidade delas. Nenhuma das três abriu a boca. Nove segundos de silêncio depois, Sarah tomou um gole de água, pegou o microfone e disse “Não, obrigada”. A frase viralizou nas redes sociais como um meme aplicável a situações em que se dá uma resposta polida para evitar o preço de proferir uma sincera.
O agente secreto. Por Eduardo Affonso
O Globo
Não é possível um governo que condenou com
veemência o ataque a instalações nucleares apenas “acompanhar com preocupação”
a chacina de milhares
Não é segredo que, contrariando o que declarou na campanha de 2022, Lula se candidatará a um quarto mandato. Secretas tampouco devem ser suas novas promessas — certamente as mesmas descumpridas desde que subiu a rampa, escoltado por um indígena, uma catadora, um afrodescendente, um portador de deficiência, uma cozinheira, um metalúrgico, um professor, um artesão e uma cachorra sem raça ou ideologia definidas.
Purgatório ou inferno: é pegar ou largar. Por Bolívar Lamounier
O Estado de S. Paulo
A democracia que conhecemos, por pior que seja em dezenas de países, não é uma reles caixinha de papelão
Com um tresloucado na Casa Branca e as duas
outras principais potências tendo chefes de Estado com robustas credenciais
totalitárias, não estranha que praticamente todo dia intelectuais e jornalistas
anunciem o fim do regime democrático representativo.
Qualquer dos três – Trump, Putin e Xi Jinping – dispõe de mísseis nucleares suficientes para espatifar o planeta e deixar 1 trilhão de caquinhos voando eternamente pelo universo. Com um milésimo do que qualquer deles dispõe, a bomba lançada sobre Hiroshima em 1945 pulverizou, fez desaparecer instantaneamente, cerca de 50 mil pessoas, o mesmo fez a outra, lançada sobre Nagasaki. Havia uma terceira cidade nos planos, mas a bomba reservada para ela não foi lançada devido ao mau tempo. Reparem que empreguei o verbo “lançar”. Foi literalmente isso o que aconteceu: lançadas em caixas (suponho que de ferro) pelas janelas dos aviões.
Toffoli age como novo delegado no STF. Por Roseann Kennedy
O Estado de S. Paulo
Ministro atropela autonomia da Polícia Federal na investigação, determina até tempo para depoimentos e quem fará perícias em aparelhos apreendidos
A pressa é inimiga da perfeição. O ditado popular se encaixa nas decisões que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está tomando à frente da relatoria do caso Master. Nesta sexta-feira, 16, a novidade foi ele limitar o tempo que os investigadores terão para tomar todos os depoimentos. Apenas dois dias consecutivos.
O cordão de isolamento do escândalo Master. Por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Operação abafa não interessa ao Brasil
Abafadores podem largar a mão de Vorcaro com
cordão de isolamento da crise
É preciso um desfecho contundente ao
escândalo do Banco Master.
Se está em curso
uma operação para abafar o escândalo do banco e blindar
autoridades e políticos influentes em Brasília (como
parece ser), ela não interessa ao Brasil.
As especulações de agentes do mercado financeiro, antes da venda da insituição financeira ao Banco de Brasília, de que havia algo de muito errado no crescimento do Master e na sua atuação agressiva na venda de CDBs e de carteiras de consignado vão se confirmando.
Será que ele é? Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Tarcísio diz que sai para governador, mas
mantém uma pontinha de ambiguidade em relação a pleito presidencial
Se Lula vencer, talvez precise agradecer a
Trump, pela queda do dólar, e a Jair, por indicar Flávio para sucedê-lo
O governador Tarcísio de Freitas afirma e reafirma que é candidato à reeleição em São Paulo, mas mantém deliberada ambiguidade em relação ao pleito presidencial. É secundado nessa tarefa pela própria esposa e por Michelle Bolsonaro. Não dá para dizer que o cálculo de Tarcísio esteja errado.
Memória da ditadura está viva no Rio, apesar do negacionismo. Por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Tombado, prédio do antigo Dops abrigou
tortura e execução de presos
Lei prevê instalação de placas com a identificação de locais ligados aos crimes da repressão
O tombamento do antigo Palácio da Polícia, com a provável criação no local de um centro de debates sobre repressão política e tortura nos anos da ditadura Vargas e sobretudo durante o regime militar, encerra uma disputa de mais de 20 anos. De um lado, a memória que precisa ser lembrada para defender o presente e o futuro da democracia; de outro, o negacionismo e até mesmo, em tempos recentes, a apologia de torturadores.
A democracia de direita. Por Cristovam Buarque
Veja
A esquerda preferiu culpar os eleitores a indagar: por que falhamos?
Há cinquenta anos, a direita chilena precisou de um golpe militar para derrotar a esquerda no poder. No mês passado, uma direita ainda mais conservadora chegou ao governo democraticamente: nem o golpe militar de 1973 nem a vitória democrática de 2025 são exceções chilenas. Por décadas, a esquerda foi eleitoralmente imbatível; agora, vem sendo derrotada em diversas partes do mundo. Em 2018, ocorreu no Brasil, por pouco não se repetiu em 2022 e pode acontecer em 2026.
Sem adjetivos, sem concessões. Por Marcus Pestana
A sociedade contemporânea é extremamente fragmentada. É possível discordar sobre questões essenciais ou acessórias. A convivência pressupõe o diálogo entre os diferentes, a contraposição de pontos de vista, a abertura para convencer e ser convencido. Mas há limites em relação a princípios centrais que são verdadeiras cláusulas pétreas da existência, onde não cabem adjetivos, relativizações, concessões ou seletividade.
Golpe dissimulado. Por Pedro Serrano
CartaCapital
O PL da Dosimetria atribui ao Parlamento a
função de instância revisora do Supremo, o que é inconstitucional. O presidente
Lula fez bem ao vetar o projeto
Existem diversas maneiras de se perpetrar um golpe contra as instituições democráticas – das mais explícitas às mais sutis e ardilosas. Quando, em 8 de janeiro de 2023, um grupo vandalizou o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília, a ameaça à democracia no País era clara e manifesta. Por trás daquele ataque revelou-se a articulação inequívoca de uma tentativa de solapar o Estado Democrático de Direito. As punições impostas aos criminosos nos julgamentos realizados pelo STF em 2025 foram exemplares.
Narciso-Fascismo. Por Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
As semelhanças entre os projetos de Trump e
do nazismo estão cada vez mais evidentes
O imperial-totalitarismo de Donald Trump exprime um
fenômeno social, apresentado por muitos na mídia como perversidade individual.
Não faltam opiniões e análises que privilegiam a personalidade do presidente
dos EUA e desconsideram as condições sociopolíticas e econômicas que levaram à
emergência do Narciso-Fascismo.
Sigmund Freud, em Mal-Estar da Civilização (1930), desvendou as relações sujeito-objeto em todas as sociedades civilizadas: “Nosso sentimento atual do eu é apenas um resto comprimido de um sentimento de maior abrangência – sim, um sentimento abrangente a que corresponde uma ligação mais íntima do eu com o mundo à sua volta”.
Aliança indecorosa. Por Jamil Chade
CartaCapital
Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin
unem-se em ofensiva contra os direitos humanos
Se nas últimas semanas a ação dos EUA contra a Venezuela e a retirada de Washington de 66 organismos internacionais foram descritas como “atos trágicos” para o multilateralismo e para um mundo ordenado pelo direito internacional, a crise pode estar apenas começando. A pressão geopolítica soma-se a desafios financeiros na própria Organização das Nações Unidas: a entidade aprovou um orçamento regular para 2026 perto de 7% menor que o de 2025, em meio a propostas para reduzir gastos em quase 15% e cortar em torno de 19% do quadro de funcionários.
Uma teoria e suas mutações. Por Fábio Mascaro Querido
CartaCapital
Por serem “sonhadoras demais”, as ideias
marxistas nunca deixam de soar como ameaça para as classes dominantes
Karl Marx (1818–1883) e Friedrich Engels
(1820–1895) são conhecidos como os fundadores do “socialismo científico”. Se,
antes deles, era comum a elaboração de utopias abstratas, que projetavam o
futuro sem considerar as condições do presente, os dois intelectuais alemães
inauguraram uma perspectiva socialista fundamentada nas contradições do próprio
capitalismo.
Mas isso não significa que, para eles, a vitória do socialismo, assim como o caminho para se chegar até lá, pudesse ser estabelecida de antemão. A teoria é importante porque serve como bússola para a prática. Não cabe a ela, entretanto, definir os contornos exatos de lutas sociais e políticas cujo desfecho é imprevisível.
A revolução pelas beiradas. Por Ivan Alves Filho
O escritor português José Fialho de Almeida disse uma vez que “um povo que defende os seus pratos nacionais está defendendo o seu território”. Não por acaso, um de seus melhores livros, O país das uvas, uma reunião de contos, se desenrola em parte na área vinícola de Vila de Frades, no seu Alentejo natal.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Opinião do dia - Giuseppe Vacca*
Numa escala menor, com a qual se media nossa ação, os dados salientes foram as posições que o PCI assumiu quanto ao movimento estudantil e à intervenção soviética na Tcheco-Eslováquia. Quanto ao movimento estudantil de 1968, o PCI assumiu uma posição de abertura, afirmando querer unir lutas de classe e movimentos antiautoritários na perspectiva de uma transformação socialista original, baseada na difusão da política e na expansão progressiva da democracia articulada pelo reconhecimento da autonomia dos movimentos coletivos e da sua subjetividade política.”
*Giuseppe Vacca, Por um novo reformismo, p.35. Fundação Astrojildo Pereira / Contraponto, 2009.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Provas apreendidas no caso Master devem ficar com PF
Por O Globo
É a polícia que tem o dever de investigar,
analisar e fornecer material válido nos tribunais
A segunda fase da operação que investiga suspeitas de fraudes no Banco Master expôs divergências entre o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e a Polícia Federal (PF), responsável pelas investigações. Em despacho, Toffoli falou em “inércia” e “falta de empenho” da PF. Afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) requereu medidas cautelares no dia 6, autorizadas no dia 7. No dia 12, Toffoli determinou que fossem cumpridas em 24 horas, sob justificativa de haver “fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”. Demorar, disse ele, resultaria em “prejuízo e ineficácia das providências”. A operação foi às ruas na quarta, dia
O mundo de cabeça para baixo. Por José de Souza Martins
Valor Econômico
Trump é expressão e instrumento de uma insurreição anômala, fora dos marcos de tudo que é a ordem política
Um conjunto extenso e complexo de anomalias
políticas da realidade internacional deram-se a ver com o ataque dos EUA à
Venezuela no dia 3 de janeiro e o sequestro do presidente daquele país e de sua
esposa e a transferência de ambos, algemados, para uma prisão em Nova York.
Se levarmos em conta que a Segunda Guerra Mundial começou com a invasão da Polônia pela Alemanha nazista, em 1939, com a mobilização de forças militares equipadas e numerosas, teremos que reconhecer que a própria concepção de guerra entre as nações mudou significativamente.
Caso Master escala pela gravidade e nonsense. Por Andrea Jubé
Valor Econômico
Se despertasse hoje de sonos intranquilos,
como seu personagem, Franz Kafka, um dos mestres do absurdo, morto em 1924, se
sentiria superado pela realidade. No Brasil, pelos desdobramentos do caso
Master. Na cena mundial, pelos arroubos de Donald Trump.
“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. A antológica abertura de “A metamorfose”, de Kafka, rompe com a normalidade, tal qual recentes decisões do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master, que desafiam a razão. Uma delas soou absurda ao ponto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedir a reconsideração.
Tarcísio no aquecimento. Por Vera Magalhães
O Globo
O governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas, começou 2026 no aquecimento. Deixado no banco pelo técnico Jair
Bolsonaro, demonstra ter ficado descontente com a escalação do time da direita
para as eleições e tem dado corridinhas ao lado do gramado para, se chamado,
entrar em campo.
Ainda em novembro, Tarcísio publicou em suas redes o vídeo de uma fala sua no evento de um grupo privado de educação em que lançou a ideia de que o Brasil precisava “trocar de CEO” para crescer e aproveitar seu potencial numa série de áreas que ele listou em alta velocidade, de terras-raras a energia limpa. Ali, Jair ainda não tinha indicado o filho Flávio como seu candidato — isso só veio a ocorrer no início de dezembro. Mas o governador de São Paulo resgatou o vídeo há dois dias, justamente quando uma pesquisa do Ideia para o canal Meio o apontou como o pré-candidato de direita mais competitivo para enfrentar Lula.
Polarização como espelhamento. Por Pablo Ortellado
O Globo
Espelhamos nossa percepção do adversário e os
vemos como ameaça existencial
Um dos resultados mais surpreendentes da pesquisa sobre polarização política é o espelhamento. Quem é muito de esquerda ou muito de direita distorce a percepção dos adversários, imaginando que são a negação de si mesmos. Isso parece acontecer por um mecanismo cognitivo que nos leva a perceber o outro como muito diferente porque nos tornamos muito iguais.
Caso Master é iceberg que ameaça confiança institucional no país. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Não há “caso pequeno” quando
o caminho do dinheiro se mistura ao poder. O detalhe institucional mais
sensível talvez tenha sido a disputa sobre a custódia das provas
As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC), em novembro, transformaram um caso bancário em um teste de resistência institucional do Brasil. Não se trata apenas de apurar uma fraude financeira — que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descreveu como possivelmente a “maior fraude bancária” do país —, mas de medir até que ponto os pilares que sustentam a economia continuam protegidos contra pressões políticas, atalhos jurídicos e redes de influência, que rondam os tribunais superiores do país, inclusive o Supremo Tribunal federal (STF).
Inteligência artificial na política: fake news ou a nova sátira digital? Por Roberto Fonseca
Correio Braziliense
Charges, caricaturas, programas humorísticos
e paródias audiovisuais cumprem o papel de tensionar o poder, expor
contradições e provocar reflexão. A inteligência artificial, nesse sentido,
apenas amplia o repertório estético disponível, permitindo encenar críticas
ácidas ou narrativas elogiosas com um grau de realismo que impressiona e engaja
Em tempos de celebração das vitórias do cinema nacional no Globo de Ouro, voltou a viralizar, nesta semana, um vídeo publicado no fim do ano passado sobre o Brasil Awards 2025. Trata-se de uma peça satírica que simula uma luxuosa cerimônia de premiação fictícia, gerada por inteligência artificial. Em um teatro sofisticado, apresentadores bem vestidos anunciam categorias como se fosse um grande evento internacional.
O que esperar das eleições. Por Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
Os candidatos poderiam se antecipar e propor as reformas necessárias. Empurrar com a barriga é muito perigoso, apesar de mais confortável
Apesar de acontecer tão longe do Brasil, a
convulsão popular no Irã talvez possa trazer algo que os ingleses chamam de
alimento para pensar.
Já houve grandes manifestações no país, como o Movimento Verde (2009) e Mulheres, Vida e Liberdade (2022). Ambos foram massacrados pelo regime teocrático, que agora se vê diante de uma juventude irada e de um contexto geopolítico mais desfavorável: pressão de Israel e dos Estados Unidos.
STF, não mate o mensageiro! Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Atos do STF e do TCU remetem a Bolsonaro, que perseguia quem investigava
Não há uma campanha contra o Supremo ou o
Judiciário, como parte dos ministros responde à avalanche de críticas a cada
nova decisão surpreendente de um deles que é apontada, não só por adversários
do mundo político, mas no próprio ambiente jurídico, como “autodefesa”,
“atuação em causa própria”, “corporativismo” e “abuso de poder”.
O que há são boas razões para perplexidade e desaprovação diante, por exemplo, do inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar o suposto vazamento de dados de familiares dele e de outros ministros por parte da Receita Federal e do Coaf.
Toffoli e os riscos de um ‘juiz investigador’. Por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
Nos últimos desdobramentos do caso do Banco
Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli esteve a
ponto de cruzar uma linha complicada na ação penal do Banco Master.
Existe uma diferença sensível entre o juiz supervisor de um caso, que garante os direitos fundamentais dos envolvidos – autorizando ou não buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário e até prisões – de um “juiz investigador”.
Enfim, o acordo Mercosul-UE será assinado. Por Roberto Macedo
O Estado de S. Paulo
O acordo é um contraponto à iniciativa individualista e protecionista de Donald Trump com seu tarifaço
Depois de 25 anos de tratativas, vamos ver se
a assinatura virá mesmo. E mesmo com ela há um caminho a percorrer antes de
entrar em vigor. Em particular, precisa ser aprovado pelos parlamentos dos
diversos países, e na Europa, a França tem se destacado na posição contrária,
conforme defendida pelo presidente Macron. Mas esperase que seja aprovado pela
maioria. Isso será suficiente.
Sobre o assunto, o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, deu uma interessante entrevista a este jornal, publicada em 13/1 (B6), na qual respondeu a inteligentes perguntas da repórter Célia Froufe. Costa, diplomaticamente, não fez referências a Donald Trump, mas ressaltou que o acordo veio num bom momento, pois traz uma mensagem em favor do multilateralismo, do livre comércio e do diálogo ante o unilateralismo e suas tensões, como no caso do tarifaço imposto pelo presidente Trump – digo eu.
Comércio exterior do Brasil: resultados históricos e ótimas perspectivas. Por Geraldo Alckmin
Folha de S. Paulo
Acordo Mercosul-UE será o maior do mundo,
aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB
Brasil pode avançar quando combina empresas
competitivas, expande produtividade e celebra acordos que abrem mercados
Após um 2025 de recordes para o comércio exterior do Brasil, iniciamos 2026 com ótimas notícias. O acordo Mercosul-União Europeia, aprovado pelo Conselho do bloco europeu, será finalmente assinado. Este será o maior acordo do mundo entre blocos comerciais, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB e gerando inúmeras oportunidades para o Brasil. A orientação do Governo brasileiro prevaleceu e as alterações mais recentes, fruto de negociações, aprimoraram o acordo em defesa dos interesses do Mercosul.
Quem vai falar com Toffoli? Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Encontro juntou cúpula do governo, PF, Banco Central, PGR e Alexandre de Moraes, do STF
Dias Toffoli altera várias vezes decisão
sobre análise de dados colhidos pela PF no caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva fez nesta quinta-feira reunião para
tratar de combate ao crime organizado. Oficialmente, o objetivo do
encontro seria o de pensar modos de azeitar a coordenação entre Receita
Federal, Polícia
Federal, Banco Central,
Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República, Justiça etc.
Na área de segurança, uma iniciativa de Lula 3 que tem dado certo, talvez a única, é o programa de asfixiar as finanças dos criminosos, ainda no início, mas que também já expôs a Reag, gestora de fundos e rolos, do PCC ao Master. Uma iniciativa da Fazenda, aliás. Fernando Haddad estava na reunião.
Prisão de Bolsonaro deixou esquerda e direita sem foco. Por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Há no ar uma nostalgia da polarização épica,
que cedeu terreno para temas ocasionais e dispersão dos dois lados
À espera da eleição, esquerda erra sobre Irã
e jornalismo, enquanto bolsonaristas atacam 'O Agente Secreto'
Como se sabe, a prisão de Jair
Bolsonaro foi o ponto culminante da polarização entre esquerda e
direita que se seguiu à eleição de Lula em 2022.
Os sinais de uma trama golpista, que se avolumaram e ganharam mais evidência
com a barbárie do 8/1, foram alvo da Polícia Federal, com posterior denúncia da
Procuradoria-Geral da República e julgamento do Supremo Tribunal Federal.
Foram anos de enfrentamento em todas as frentes políticas, com acirrada guerra de posições nas redes sociais, na mídia e nas ruas. Não preciso rememorar aqui, todos assistimos ao show.
STF deveria fugir até do logotipo do Master. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Inquérito de fraudes bilionárias do banco se
tornou uma batata quente
Corte poderia reduzir desgaste devolvendo
caso à primeira instância
O caso
Master virou uma batata quente para o STF. O melhor
caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira
instância.
O motivo pelo qual a investigação tramita no Supremo é, afinal, fragilíssimo: o material apreendido pela Polícia Federal traz documentos relativos a um negócio imobiliário jamais concluído em que o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) figura como parte. Não há, por ora, sinais de que o parlamentar esteja envolvido em malfeitorias e, se no futuro descobrirmos que está, seria viável desmembrar o processo e remeter ao STF só as acusações atinentes ao deputado.
O precipitado descarte de Tarcísio. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Governador de São Paulo bem avaliado é ativo
eleitoral a ser valorizado sob quaisquer circunstâncias
Com Bolsonaro preso, Eduardo cassado e Flávio
rejeitado, o clã do ex-presidente não está em situação confortável
Alguma coisa não está batendo bem nesse
descarte de Tarcísio de
Freitas (Republicanos)
como candidato à Presidência.
O movimento parte dos filhos de Jair Bolsonaro (PL), não tem o apoio de Michelle e é encampado pelo presidente do PP, mas dos outros partidos de oposição não se ouviu até agora um pio a respeito.












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