sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Alckmin vai em busca de voto do eleitor de centro, por Lucas Borges Teixeira e Sofia Aguiar

Valor Econômico

Na leitura de petistas, Alckmin agrega imagem de ponderação no momento em que o partido busca convencer os indecisos

Chamado para participar mais ativamente da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já intensificou sua agenda nos primeiros dias de segundo turno. Sua missão é tentar persuadir o eleitorado de centro, em especial aqueles que não foram às urnas votar no domingo (4). Antes mais restrito a São Paulo, um dos principais reforços será em torno de religiosos, segmento que a candidatura busca maior interlocução, além de manter os encontros com empresários.

Sensação de disputa resolvida não se confirma na pesquisa, por César Felício

Valor Econômico

Diferença de 4pp mostra descompasso com o clima de já ganhou entre bolsonaristas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já não faz mais campanha presidencial, embora ainda faltem mais de duas semanas para o segundo turno. Negocia as adesões do Centrão em troca não de votos, mas de espaços de poder nas mesas diretoras do Congresso e do ministério. Organiza como se dará o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até sinaliza para uma costura que, em nome de acabar com a reeleição, prorrogará o próprio mandato que disputa e adiará as eleições de 2030. Já há até especulação sobre a divisão de cargos de segundo escalão.

‘Influencers’ crescem, mas velha política resiste, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Regra elementar do poder dita que, em Brasília, manda quem tem votos

O ano era 2012. A imprensa aguardava, com desânimo, o resultado de uma reunião do PT com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, prevista para 16h, que definiria se a votação de um projeto de interesse do governo no Senado ocorreria naquele dia ou na semana seguinte. Passava das 17h quando o então líder do partido, senador Walter Pinheiro, da Bahia, cruzou o cafezinho do plenário do Senado em direção ao elevador, com a tranquilidade dos baianos, para se deslocar à Esplanada.

Alertado que o ministro o aguardava havia mais de uma hora, Pinheiro se voltou aos jornalistas e questionou: “Quantos votos o Mantega tem?” A resposta era nenhum. E prosseguiu: “Eu tenho 3,6 milhões, por isso, é ele que deve me esperar”. Em 2010, ele obteve 31% dos votos válidos. Mais do que o alcançado nesse domingo (4) pelo ex-ministro Rui Costa (PT), que conquistou 4,3 milhões de votos, equivalentes a 30% do total.

Corra, Lula, corra, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Presidente deveria dar início a um plano de redução de danos institucionais

Precisa indicar nomes para cargos federais que estão vagos, começando pelo STF

É cedo para Lula desistir. Suas chances de virar no segundo turno são reduzidas, mas diferentes de zero. Até o dia 25, tudo pode acontecer. De todo modo, o petista já deve implementar um plano de redução de danos institucionais, que começa pelo preenchimento de cargos estratégicos que estão em aberto.

Refiro-me a quatro ou cinco dezenas de postos de direção em órgãos federais e vagas em tribunais que estão sem titular. Essas posições são providas com nomes indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado. Para dar alguns exemplos, estão em aberto uma cadeira no STF, três no STJ, duas diretorias no BC, uma na CVM e três no Cade.

Flávio gera suspeita ao se propor a redemocratizar o país, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

As palavras 'democracia' e 'Constituição' soam duvidosas ante o histórico golpista da família Bolsonaro

Candidato a presidente está obrigado a se expressar sem resquício de dubiedade em questões institucionais

Se não for bravata ou fruto de ignorância, a ideia de Flávio Bolsonaro (PL) de "redemocratizar o país" caso seja eleito é um acinte aos 41 anos de vigência da democracia e uma provocação à concertação nacional que pôs fim ao regime militar.

A dianteira no primeiro turno não dá ao candidato apenas o favoritismo na disputa presidencial. Obriga-o a medir palavras, sopesar pensamentos, conter certos ímpetos e, sobretudo, demonstrar conhecimento sobre a história (ao menos a mais recente) do Brasil.

Lula não ganha mais eleitores no Nordeste, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apenas Flávio ganha voto na região; se fosse o contrário, eleição estaria perto de empate

Presidente-candidato ganhou mais votos do que adversário no Sul e no Sudeste

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ganhou votos no Nordeste neste começo de segundo turno, a julgar pelos resultados do primeiro turno e pelos dados da primeira pesquisa Datafolha a respeito deste fim de campanha. Lula teve 63,8% dos votos válidos nas urnas nordestinas; na pesquisa, 63,4%. Flávio Bolsonaro passou de 30,9% para 36,6%. Ganhou votos na praça-forte petista.

É sempre possível que tenha havido migração muito mínima de eleitores de Lula para Flávio e vice-versa, mas parece por ora que Flávio levou todos os eleitores que não votaram nele ou em Lula no primeiro turno do Nordeste. Se tivesse ocorrido o inverso, a eleição estaria agora quase empatada no Datafolha, nessa aritmética elementar.

Lula e PT não sabem falar em autonomia e em prosperidade, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Dissociação entre condição econômica e identidade política ficou clara no recado da urna

Esquerda parece não entender novos tempos; onda de direita provoca mudança geracional

O recado das urnas, seja quem ganhe o segundo turno, foi uma grande onda de direita na direção da mudança de nomes tradicionais e do padrão de representação política com jeito de século 20 dominante na redemocratização.

Nada disso é tão novo e nada disso flutua no ar. Há uma base material da sociedade em movimento que nos leva à hipótese, senão à evidência, de que presenciamos uma dissociação entre condição econômica e identidade política.

Datafolha: 2º turno começa com vantagem estreita de Flávio Bolsonaro e caminho longo para Lula, por Bruno Boghossian

Folha de S. Paulo

Senador herda mais votos de candidatos derrotados e avança além da base bolsonarista fiel

Petista reinicia campanha com esforço para ampliar desempenho entre os mais pobres e ampliar rejeição a rival

O segundo turno começa com uma vantagem estreita de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) e tarefas de dimensões diferentes para os dois candidatos. A nova pesquisa Datafolha indica que o senador tentará se segurar no apoio que consolidou em regiões e grupos diversos, enquanto o presidente precisa buscar mais votos fora do Nordeste e ampliar vantagem em segmentos próximos do petismo.

O resultado vai depender de quem consegue convencer os eleitores que ainda não se fecharam: os que não rejeitam nenhum dos dois candidatos e os que não se alinham automaticamente a nenhum dos lados. As duas campanhas vão gastar energia nesse território até 25 de outubro.

Centrão terá de compor para sobreviver, por Vera Magalhães

O Globo

Legendas correm a aderir a Flávio, na esperança de ficar com os camarotes da distribuição do poder em caso de vitória do candidato do PL, que saiu fortalecido

A eleição de 2026 produziu um rearranjo importante no Centrão. O grupo de seis partidos composto por União e PP, agora integrantes de uma federação, mais MDB, PSD, Republicanos e Podemos continua reunindo parcela expressiva da representação parlamentar e ampliou sua presença nos governos estaduais já definidos. Mas o crescimento do PL, sobretudo no Senado, alterou a correlação de forças e puxou a hegemonia do centro para a direita. Agora, essas siglas terão de recalcular a rota.

O peso das emendas na disputa pelo Parlamento prometia uma colheita gloriosa aos partidos do grupo, que sairiam com bancadas ainda maiores e manteriam o controle do Congresso tanto em caso de vitória de Lula quanto de Flávio Bolsonaro.

A sina do Rio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Após devassa em esquemas de corrupção, PL volta ao Palácio Guanabara com Douglas Ruas

Depois de ter cinco governadores presos e dois cassados, o Rio de Janeiro terá um novo governador investigado antes mesmo de tomar posse.

Ao anular os votos de Anthony Garotinho, o Tribunal Superior Eleitoral abriu caminho para declarar a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno. O bolsonarista é alvo de procedimento que apura supostas práticas de peculato, lavagem de dinheiro, fraudes licitatórias e organização criminosa.

Para uma nova esquerda - 1, por Pablo Ortellado

O Globo

É necessário fugir daquelas posições que levam à radicalização da direita

A vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno colocou a esquerda em modo desespero. Mais uma vez, vemos a difusão de campanhas para virar voto e tentar reverter em duas semanas o que deveria ter sido construído em oito anos.

A esquerda tem duas tarefas diferentes e concomitantes: para o bem do país, precisa fugir daquelas posições que levam à radicalização da direita e, para sua própria identidade e sobrevivência, se colocar de maneira distinta — responder aos problemas colocados pela direita, mas sem se descaracterizar caminhando para o centro. A partir desta semana, farei uma série de colunas sobre o que é preciso para construir uma nova esquerda.

Pausa no ‘já ganhou’ de Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Centrão pulou no barco de Flávio Bolsonaro, mas é cedo para o ‘já ganhou’

Poder atrai poder e, neste momento, todos os caminhos levam, não a Roma, mas ao barco de Flávio Bolsonaro, que acolhe os náufragos do primeiro turno e os partidos do Centrão, tão rápidos e vorazes como quando pularam em todos os governos eleitos e no barco de Lula quando ele era, ou parecia, favorito no primeiro turno.

Esse movimento criava a percepção de que Flávio era imbatível e puxava votos para ele, já que o eleitorado não ideológico e de baixa escolaridade gosta de votar em quem “vai ganhar”, para “não jogar o voto fora”. Por isso, o primeiro Datafolha do segundo turno foi um alívio na campanha de Lula: 49% para Flávio e 45% para ele.

Chefe da economia vai segurar a ‘boiada’? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Flávio ainda não anunciou seu ministro da Fazenda; mercado parece não se importar

Às vésperas do segundo turno, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, favorito para vencer o pleito, ainda não anunciou seu ministro da Fazenda. Não quer provocar atrito entre seus auxiliares.

O mercado parece não se importar. Já iniciou um rally de alta confiando em promessas de austeridade, na boa equipe técnica que cerca o candidato e na base parlamentar confortável feita no Congresso.

O PL terá maioria na Câmara e no Senado e, com apoio de partidos do Centrão, poderá aprovar o que Flávio quiser.

Avanço da direita num mundo transformado, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Estamos diante de uma forte onda internacional de direita. Para fazer frente a ela é preciso estudo, pesquisa, humildade, uma tentativa de compreender o outro

O problema desse primeiro turno, encerrado com a vitória de Flávio Bolsonaro e uma grande votação da direita no Senado, é o fato de precisarmos de muito tempo para entender, num contexto em que não há tempo, pois o segundo turno já começou. É difícil corrigir em 20 dias erros que se arrastaram por quatro anos. Um deles se refere à amplitude e eficácia da frente democrática, bem-sucedida em 2022. Para ser fiel à proposta, o governo teria de evitar a hegemonia de um só partido e tentar, progressivamente, conquistar setores da sociedade que ainda estavam fora da frente. Não foi isso que aconteceu. A frente foi vista apenas como um instrumento da vitória eleitoral, e não como uma ferramenta que precisa ser aperfeiçoada para confrontar o crescimento da direita, uma realidade internacional.

Ana Elisa: Urnas mostraram que eleitores estão cansados do jeito velho de fazer política

 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reforma tributária deve entrar em vigor como promulgada

Por O Globo

Em vez de mudar avanços resultantes de décadas de debate, candidatos têm de se preocupar em implementá-los

Em 20 de dezembro de 2023, numa sessão histórica com a presença de autoridades dos três Poderes, o Congresso promulgou a reforma tributária, proposta discutida havia mais de 30 anos. Foi um momento raro de consenso político em favor dos brasileiros, reféns de um sistema tributário caótico e injusto. Esse avanço não pode ser desperdiçado. Por isso mesmo, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputarão o segundo turno em 25 de outubro, precisam se comprometer a preservar o que foi decidido e dar andamento à implementação da reforma.

Poesia | Epígrafe, de Manuel Bandeira


Música | Noel Rosa - João Ninguém

 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cláusula de barreira continua a depurar quadro partidário

Por O Globo

Fragmentação partidária caiu pela metade desde 2018, e Brasil alcança patamar de democracias sólidas

A exigência de que os partidos alcancem uma proporção mínima de votos para garantir acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral gratuita, associada à proibição de coligações nas eleições proporcionais, continua a reduzir a fragmentação do Congresso e a depurar o sistema político-partidário brasileiro, aumentando sua coerência programática e ideológica. Ninguém está proibido de fundar uma legenda, registrá-la e eleger representantes. Mas o uso de dinheiro público para custear seu funcionamento é reservado aos partidos que conquistam alguma base eleitoral, princípio conhecido como “cláusula de barreira” ou “cláusula de desempenho”, coerente com regras em vigor nas democracias mais sólidas.

Campanha de Bolsonaro vive euforia enquanto Lula organiza contraofensiva, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O sintoma mais visível de que os aliados de Bolsonaro já imaginam ter o caneco na mão é a discussão sobre a distribuição de ministérios antes de conquistar a Presidência

A eleição presidencial entrou no segundo turno com duas campanhas em estados de espírito opostos. A de Flávio Bolsonaro vive uma euforia que já beira o salto alto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura superar a perplexidade de uma campanha que esperava chegar à etapa decisiva na liderança. O resultado de domingo fortaleceu a oposição, alterou as expectativas do mercado e acelerou a adesão de aliados. Mas a distância de 1,87 ponto percentual entre os candidatos não é intransponível: Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos; Lula, 45,16%. O favoritismo mudou de lado, mas a eleição continua aberta.

Sete dúvidas sobre a conta fiscal de Flávio Bolsonaro, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Reação positiva do mercado esbarra em questões sobre se as medidas seriam adequadas e fortes o suficiente para equacionar o problema

O mercado reagiu positivamente ao primeiro turno das eleições, que aumenta a chance de um ajuste fiscal num eventual governo Flávio Bolsonaro, mas ainda há muitas dúvidas sobre se as medidas seriam adequadas e fortes o suficiente para equacionar o problema.

Abaixo, sete questões que sugerem por que a matemática do ajuste conhecido até agora pode ser insuficiente para estabilizar a dívida bruta, que está em elevados 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e que, neste ano, subiu 4,2 pontos percentuais (pp) do PIB apenas de janeiro a agosto.

O exitoso diversionismo da reforma constitucional, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Flávio Bolsonaro coloca a carta da ‘redemocratização’ na mesa num momento em que PT abandona o Master e vai pra cima de seus planos econômicos

O candidato do PL à Presidência, senador Flavio Bolsonaro, colocou na roda sua pretensão de fazer uma reforma constitucional para “redemocratizar” o país. Pautou a campanha. Numa hora encolhe o Supremo, noutra, o mandato presidencial para impedir reeleição. Colocou nesta reforma até a castração química e a redução da maioridade penal. Vai com tudo para “arregaçar com vagabundo”. Não se fala em outra coisa. Depois que a campanha adversária concluiu que o Master não rendeu voto e se mostra disposta a arrancar do senador seus planos econômicos, Flávio Bolsonaro decidiu colocar a carta da “redemocratização” na mesa.

A persistência da direita em busca do poder, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

O governo de Jair Bolsonaro foi um desastre em todas as áreas

Em 13 de junho de 2013, rapazes e moças arregimentados pela mídia social tomaram espontaneamente as ruas da cidade de São Paulo em protesto contra o aumento na tarifa dos transportes. A mobilização cresceu e em poucos dias se alastrou pelo país, incorporando outras pautas: contra a corrupção, a situação da saúde e da educação e até contra a Copa do Mundo que se realizaria no ano seguinte no Brasil.

Sob o olhar perplexo de expoentes do PT, que chegaram a considerar a insatisfação popular uma ingratidão do povo, as manifestações logo passaram a ser orquestradas pela direita que viu ali um caminho para voltar ao poder.

A metamorfose das direitas, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Ascensão do PL vai consolidando a liderança da extrema direita

Sigla está servindo à ambição eleitoral dos políticos de direita

O exercício da Presidência não assegurou a Lula a mesma porcentagem de eleitores que lhe entregou as chaves do Palácio do Planalto há quatro anos. A diferença entre o número de votos recebidos por Lula e Flávio Bolsonaro é muito próxima da que levou o presidente ao segundo turno contra o pai do candidato do PL. Apenas inverteram-se as posições de chegada.

Entre 2022 e agora, o líder petista perdeu eleitores em todo o país. Usando dados preliminares do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o cientista político Marco Faganello (CPESP-FGV) mostrou que a sangria foi de 3,4 milhões de votos, espalhados por 98% dos municípios brasileiros. Praticamente todos, exceto as capitais dos estados.

Com Flávio, Brasil vai virar a Venezuela ou a Hungria? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

O segundo mandato de governantes autocráticos é sempre mais perigoso

Com Suprema Corte e Congresso governistas, não vai adiantar chorar o leite derramado

Cientistas políticos como Steven Levitsky apontam que o segundo mandato de governantes autocráticos é sempre mais perigoso.

Bolsonaro pai tentou um golpe à moda antiga e foi condenado por isso; Bolsonaro filho, um pouco mais esperto, vai perdoar o pai no primeiro dia como presidente e tentar um golpe à moda contemporânea, refundando a Constituição.

Mal passou o primeiro turno, Flávio já cogita ampliar o mandato do presidente, no caso, o dele.

Muitos Bolsonaros para um Brasil só, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Dos 20 Bolsonaros que concorreram, 13 se elegeram ou ficaram como suplentes já no aquecimento

Hélio Negão, fiel Bolsonaro cenográfico, não pôde concorrer como Hélio Bolsonaro e perdeu

Foi a vitória de Deus, da pátria e da família Bolsonaro. Deus ainda terá de aguardar para saber com o que será aquinhoado —a promoção, talvez, da praça dos Três Poderes para a dos Quatro Poderes. A pátria nem imagina o que a espera, mas já decidiu que será bom para ela também. E a família já se garantiu —dos 20 Bolsonaros que concorreram às eleições, 1 aguarda o segundo turno e 13 se elegeram ou ficaram como suplentes, já no aquecimento para entrar em campo. As demais famílias brasileiras continuam onde estavam, vivendo através das redes sociais.

Imobilismo ou estelionato eleitoral nos programas econômicos de Flávio e Lula, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Finalistas escondem plano fiscal, discussão é ruim e não se trata de outros assuntos

O que um Bolsonaro 2 fará de trabalho, comércio exterior, pesquisa e desenvolvimento?

A discussão de programa econômico dos candidatos a presidente quase inexiste. Sabemos de inanidades, camuflagens e frases de efeito, soporífero ou revoltante, a depender da bobagem.

Trata-se quase apenas do "fiscal", do que fazer de gastos do governo e impostos, que é assunto grave e urgente, mas longe de único. A possibilidade de que seja votado o fim da escala 6x1 levou os finalistas a se engajarem. Mas não se diz grande coisa sobre os problemas dramáticos do mundo do trabalho e do financiamento da Previdência (quanto mais pejotização, precarização e informalidades, mais faltará dinheiro, entre outros problemas). Lula defende o fim da 6x1, um projeto muito necessário, mas péssimo, na atual versão, com risco inclusive para quem trabalha. Flávio diz que vai libertar trabalhadores para negociarem seu tempo de trabalho com as empresas, escárnio que não precisa de comentário.

'Papai, por que você votou no Hitler?' Por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

No Dia das Crianças, livro de Didier Daeninckx vale para toda a família

A banalidade do voto, a responsabilidade e a cumplicidade na linguagem infantil

Em 5 de março de 1933, Otto, garoto de 5 anos, vê seus pais discutindo. A mãe repudiava o voto do pai no dia da eleição. O pai, com medo da crise econômica no país, aponta as promessas de emprego e prosperidade de seu candidato.

O líder prometia ordem e trabalho, o resto era menos importante. As ameaças, as propostas, o ódio, tudo era periférico. "Papai dizia que era preciso que as coisas mudassem."

Ao longo do livro, Otto testemunha os efeitos do regime apoiado por seu pai. Vizinhos desaparecem, livros queimados, censura, um primeiro campo de concentração para homossexuais, ciganos, judeus, pessoas com deficiência. Até que chega a tragédia familiar: nasce sua irmã, bebê com deficiência mental, alvo das políticas de eugenia do governo que seu pai ajudou a eleger.

Flávio assume o sobrenome ao revelar seu programa, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Plano de mudança constitucional, da lei penal e de mandato não havia sido mencionado em público

Fazer proposta é legítimo, mas levanta suspeita de ser mistura de golpismo bolsonarista e Trump 2.0

Quando chegou ao poder em 2019, Jair Bolsonaro prometia uma revolução contra o que chamava de sistema, um ente etéreo e útil como alvo de críticas por radicais à direita e à esquerda.

O deputado acreditava ser possível moldar a política brasileira a seu gosto apenas com os votos que recebera.

Politicamente, mostrou-se desdentado, amparado por uma amálgama de militares, aderentes de ideologias exóticas e boa vontade do dito mercado, enquanto isso foi lucrativo.

Afago ao bolsonarismo, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Eventual vitória de Flávio deixa ministros do STF próximos de Lula mais perto do impeachment

Flávio Bolsonaro arrancou na frente no primeiro turno e o Supremo Tribunal Federal (STF) foi atrás dele. Desde a divulgação do resultado das urnas, ministros próximos de Luiz Inácio Lula da Silva tomaram decisões favoráveis ao bolsonarismo. Eventual vitória de Flávio no dia 25 deixa esse grupo mais perto do impeachment em 2027.

Ao menos 31 dos senadores eleitos defendem o afastamento de ministros da Corte. O presidenciável do PL fez dessa ideia bandeira de campanha. Nesse cenário, Gilmar Mendes arquivou investigação por estupro contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio.

O risco do cheque em branco, por William Waack

O Estado de S. Paulo.

Os limites da euforia com os resultados até aqui das eleições estão na política

Os agentes econômicos consideram a eleição terminada e decidida contra o atual governo. De fato, os profissionais em pesquisas consideram bastante improvável uma virada de Lula no segundo turno, embora não seja impossível. Esse é o fator mais imediato da “euforia” traduzida em alguns números nos mercados.

O outro fator imediato é um dado inédito na recente história política brasileira, surgido do primeiro turno: a possibilidade (caso Flávio vença) de um presidente com maiorias confortáveis nas duas casas do Legislativo. O efeito manada entre as agremiações fisiológicas está em pleno curso no Congresso, atraídas pela perspectiva de poder. É a projeção dessa maioria no Senado e na Câmara que já levou Flávio a falar em alterações na Constituição.

Nada decidido até o eleitor falar, por Míriam Leitão

O Globo

A 17 dias da eleição, nada está definido. A distância não é grande, há vantagens para Flávio Bolsonaro e possibilidades para o Lula

O país viverá os próximos 17 dias em emoção na intensidade máxima. A eleição não acabou, nem está definida, até porque o eleitor faz o que quer com o voto. O que tenho ouvido de especialistas é que a distância não é grande, há vantagens para Flávio Bolsonaro e possibilidades para o presidente Lula. Para além dos cálculos dos políticos, há uma dúvida mais aguda: quais são as intenções de Flávio Bolsonaro em relação à democracia? A fala dele sobre usar a maioria conservadora e mudar a Constituição para “redemocratizar o país”, assustou. E assustou exatamente por ele ser quem é e filho de quem é.

Frente ampla evapora nas urnas, por Julia Duailibi

O Globo

O governo mirou basicamente os seus, na forma e na confecção das políticas públicas

É comum no meio político a avaliação de que a perspectiva de poder tem um valor de mercado maior que o próprio poder. Nos últimos três dias, depois do resultado do primeiro turno, os movimentos favoráveis à campanha de Flávio Bolsonaro comprovam a máxima.

Partidos do Centrão, que traçam seus movimentos guiados pelo melhor custo-benefício, correram para se sentar na janelinha da campanha de Flávio, já de olho numa composição de governo. Há poucos meses, torciam o nariz, em parte porque ainda velavam a candidatura à Presidência de Tarcísio de Freitas e porque também abraçavam o diagnóstico do presidente do PSD, Gilberto Kassab: a chance de Flávio ganhar é zero.

STF manda recados para um eventual governo de direita, por Merval Pereira

O Globo

É um sinal muito ruim de que vamos continuar na direção de ter um tribunal que faz acordos políticos.

Depois do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, o STF tomou cinco decisões que chamam a atenção: foram arquivados processos envolvendo dois blogueiros bolsonaristas e o ex-deputado Marcos do Val — todos no inquérito das fake News — , as condições da prisão de Debora do Batom foram aliviadas, a visita de Flavio Bolsonaro a seu pai foi autorizada pela PGR, e também foi arquivado o processo do deputado Alfredo Gaspar, vice de Flavio Bolsonaro.

Poesia | A verdade , de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Paulinho da Viola - Filosofia (Noel Rosa)

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pretensão de Kassio de soltar Bolsonaro é um acinte

Por Folha de S. Paulo

Ministro do STF cogita anular os efeitos da justa condenação do ex-presidente por tentativa de golpe

A via correta para reduzir penas exageradas é o plenário da corte autorizar logo a vigência da lei da dosimetria, aprovada pelo Congresso

Causa espécie a notícia de que o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, cogita anular os efeitos da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e permitir a sua soltura, mediante decisão monocrática. Parece que juízes da corte constitucional não compreenderam a intolerância da sociedade com esse padrão de intromissão político-partidária.

A causa é acintosa. Não há dúvidas da participação do então candidato derrotado à reeleição numa trama para subverter o resultado das urnas. Testemunhos e provas asseguram que o Brasil só não viveu a recidiva autoritária pela resistência da cúpula das Forças Armadas, liderada pelo general Freire Gomes, do Exército.

Lula e Flávio representam dois projetos de nação que dividem o Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O segundo turno não será apenas o confronto entre os dois candidatos mais votados. As urnas deslocaram a expectativa de poder de Lula para Flávio Bolsonaro

O segundo turno da eleição brasileira mobiliza complexos interesses. Terras-raras, energia, alimentos, dados, infraestrutura e Amazônia integram a disputa entre Washington e Pequim. Uma vitória de Flávio Bolsonaro aproximará Brasília da agenda de Trump, encurtando a distância política que Lula preserva. O comércio com a China dificulta uma ruptura, mas cresce a pressão por um realinhamento diplomático radical.

O Brasil vive uma encruzilhada geopolítica e, ao mesmo tempo, de modelo de desenvolvimento: negociar sua inserção como produtor de tecnologia e bens de maior valor ou ampliar o papel de fornecedor de produtos agrícolas e recursos minerais estratégicos. A aproximação americana pode trazer investimentos, mas restringir as alternativas. Em contrapartida, a autonomia que Lula defende precisa produzir resultados. A diplomacia não supera, sozinha, a dependência tecnológica.

Cláusula de desempenho: menos partidos no Legislativo, mais ideologia? Por Evelyn Apolinaria e Isaac Jordão Sassi*

Correio Braziliense

Menos siglas não significa mais identidade programática, mas pode significar grandes blocos mais heterogêneos

Dezesseis dos 30 partidos registrados no país não alcançaram os requisitos da cláusula de desempenho nas eleições de domingo e ficarão sem fundo partidário, sem tempo de rádio e de TV a partir de 2027. A inspiração para essa regra, porém, remonta à Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial como um mecanismo para impedir que partidos minoritários pudessem ascender lentamente à participação do parlamento.

No Brasil, a tentativa de implementar um mecanismo semelhante aconteceu pela primeira vez em 1995, por meio da Lei dos Partidos Políticos, como um mecanismo para impedir que partidos nanicos ocupassem cada um poucas cadeiras na Câmara e causassem fragmentação excessiva. Contudo, o início da aplicação da cláusula foi adiado para 2006, quando foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Tsunami do PL poderia ter sido previsto, por Fernando Exman

Valor Econômico

Deve-se esperar um intenso trabalho nos bastidores dos chineses junto às autoridades brasileiras, em meio à guerra tarifária iniciada pelos EUA

Entre aliados do senador Flávio Bolsonaro, há uma avaliação de que muitos dos 56,1 milhões de eleitores que votaram no candidato do PL à Presidência da República no domingo (4) o fizeram mais para se posicionar “contra” a atual situação do país do que por estarem necessariamente a favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Contra os excessos da Justiça, contra a falta de segurança nas ruas, contra o endividamento, contra a carestia.” Contra algo e alguém, neste caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu governo.