*Manuel Castells (1942), sociólogo e professor Universitário espanhol. ”Ruptura – A crise da democracia liberal”, p. 144. Editora Zahar, 2018
Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Opinião do dia – Manuel Castells* (Democracia e cidadãos)
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Educação reprova governo do Rio e aprova o do Pará
O Globo
Escolas fluminenses foram as que mais caíram
em ranking; as paraenses, as que mais subiram
No próximo dia 4 de outubro, mais de 150
milhões de brasileiros comparecerão às urnas para escolher deputados distritais
e estaduais, vice-governadores, governadores, deputados federais, senadores,
vice-presidente e presidente. Os atuais governadores serão candidatos ou
apoiarão candidatos à própria sucessão. Antes de votar, portanto, é fundamental
o eleitor avaliar o desempenho dos governos estaduais na área mais crítica para
o desenvolvimento do país — a educação.
A ONG Todos Pela Educação analisou uma amostra de 16 estados brasileiros cujos governadores estão no poder há mais de quatro anos — nenhum poderá argumentar que não teve tempo de pôr em prática suas ideias para melhorar a educação. As 16 unidades da Federação levadas em conta na análise formam um quadro representativo da situação do ensino médio no Brasil. Há mais de um estado por região: Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no Sudeste; Paraná e Rio Grande do Sul no Sul; Goiás e Mato Grosso no Centro-Oeste; Paraíba e Rio Grande do Norte no Nordeste; Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins no Norte; além do Distrito Federal. Juntos, são estados onde vive mais da metade da população brasileira.
O monstro que inviabiliza a República. Por Fernando Luiz Abrucio
Valor Econômico
Lutar contra o patrimonialismo é uma agenda
essencial para aperfeiçoar a democracia brasileira
O Brasil se modernizou muito desde a redemocratização, mas não eliminou todos os seus elementos de atraso. Um dos que ainda persistem, embora com menos intensidade do que no passado, é o patrimonialismo. Trata-se da dificuldade de separar os espaços público e privado de atuação, criando uma simbiose predatória entre os dois lados do balcão, gerando um monstro com múltiplos membros. A força dele enfraquece a ideia de República, pois os interesses de grupos ou indivíduos se sobrepõem aos da coletividade. Lutar contra ele é uma agenda essencial para aperfeiçoar a democracia brasileira.
Uma oportunidade para jovens do país inteiro. Por José de Souza Martins
Valor Econômico
‘Prelúdio’, programa criado por Júlio
Medaglia, há 20 anos revela talentos da música clássica
Jô Soares fez um esforço para estabelecer um
diálogo com o pequeno Guido Sant’Anna, violinista de 8 anos de idade, finalista
do programa “Prelúdio”, da TV Cultura de São Paulo de 2014. Perguntava à
criança e recebia respostas de criança, não de adulto genial. Guido gostava de
subir em árvore na chácara em que morava em Parelheiros, ia à escola no ônibus
escolar que levava e trazia as crianças, gostava de jogar bafo de figurinhas
com os amigos e colegas sentado no chão.
Jô perguntava sobre o violino ao músico e recebia resposta de violinista conhecedor competente de música nem por isso menos criança.
Refletir sobre o futuro aos 104 anos. Por Andrea Jubé
Valor Econômico
O que o centenário Edgar Morin ensina sobre as lições da História e as múltiplas crises contemporâneas
”A ignorância é a mãe de todos os vícios”,
afirmou Machado de Assis, em uma crônica de 1889. É incomum citarmos
“sabedoria” entre os votos para o ano novo, junto com “saúde, amor e
prosperidade”. Em se tratando de 2026, quando teremos palpitantes eleições no
Brasil, deveríamos acrescentar “serenidade e tolerância”.
Mas, raramente, mencionamos mais “conhecimento” ou “saber”. Uma falha a se repensar em tempos velozes, de comunicação instantânea, progressos tecnológicos e científico, proliferação de guerras, quando sabedoria, muitas vezes, implica desacelerar e refletir.
Qual circunstância? Por José Francisco Lima Gonçalves
Valor Econômico
Tentar chegar em 2026 com juros e inflação
mais baixos, real não tão desvalorizado e emprego em recuperação parece melhor
do que tentar esperar que o Congresso ajude decisivamente na arrecadação
A circunstância é sempre peculiar. A atual vem, em parte, de um ciclo político às inversas. O desgoverno de Bolsonaro entregou o Palácio para o centrão e consolidou a demagogia e o oportunismo da política econômica em 2021 e 2022, principalmente. A campanha de 2022 foi marcada, nesse plano, por truques como a desoneração dos combustíveis e outros e pelo adiamento do cumprimento de sentenças judiciais.
A polícia do discurso. Por Pablo Ortellado
O Globo
A estratégia consiste em cercar certas
políticas com um cordão sanitário
Os direitos humanos, criados para proteger os indivíduos contra o poder absoluto, têm sido usados para um novo tipo de arbítrio: decidir o que pode ou não pode ser dito no debate público. Certas políticas vêm sendo apresentadas como a própria materialização dos direitos humanos, de maneira que contestá-las põe o crítico como inimigo da humanidade. Ao bloquear o debate civilizado, as inquietações sociais sobre essas políticas passam a ter como únicos porta-vozes os radicais que não temem o estigma de inimigos dos direitos humanos.
Estranho ano para a Justiça. Por Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
Com os acontecimentos recentes e a exposição
do Supremo, temos de nos perguntar quem nos salvará dos nossos salvadores
Diz o poeta que o último dia do ano não é o último dia da vida. Ela é um fluxo incessante. Muitos problemas do ano que termina se projetam no ano que começa. Com as eleições, surgem sempre esperanças. Uma delas é a de o Brasil seguir seu caminho de interlocutor na crise ambiental. Podemos esperar novidades sobre transição energética, proteção das florestas e, quem sabe, é possível que o oceano seja finalmente notado pelos dirigentes nacionais.
Ano eleitoral, ano de gastança. Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Lula é favorito, sim, mas eleição está indefinida e ele aposta em gastar
O prestigiado jornal Financial Times, inglês,
acertou ao elencar as atuais pesquisas, os bons resultados econômicos, o sucesso
da negociação do presidente Lula com Donald Trump e a desordem da direita como
indicadores objetivos a favor da candidatura de Lula. Errou, porém, ao apostar
na vitória com tanta antecedência.
Assim como a política não é moral nem ética, eleições não são objetivas, não seguem a lógica matemática e dependem de fatos novos, escândalos, intempéries, deslizes, sobressaltos na economia. Ninguém poderia imaginar, por exemplo, que Fernando Henrique fosse catapultado pelo Plano Real, Rodrigo Janot e JBS caíssem na cabeça de Temer e um acidente aéreo matasse Eduardo Campos.
Economia: 2026 começa com más perspectivas. Por Roberto Macedo
O Estado de S. Paulo
Taxa de crescimento do PIB pode cair para
1,80% ao ano, em 2026 e 2027
Uma economia nacional abrange várias
dimensões, como o seu Produto Interno Bruto (PIB), sua inflação, suas
diversidades regionais e setoriais e outras, mas vou focar aqui principalmente
no PIB, a mais importante.
Segundo o boletim Focus do Banco Central (BC), que recorre a previsões de analistas e operadores do mercado financeiro, na edição de 26 de dezembro, a previsão é de uma taxa de 2,26% para o PIB de 2025. Como a economia vinha crescendo a taxas próximas de 3,0%, iniciou-se a fase descendente de mais um ciclo econômico, ou de um voo de galinha.
O que mudar para crescer? Por José Pastore
Correio Braziliense
A ideia de proteger a indústria ao longo de
tantas décadas não deu bons resultados, com raras exceções
Entra ano, sai ano, e o Brasil continua
crescendo muito pouco — bem abaixo da maioria dos emergentes. Este espaço é
diminuto para elencar todos os problemas que travam o nosso crescimento.
Listarei os 10 principais, na minha modesta opinião.
O mais gritante no momento é o desarranjo das contas públicas, o que, por sua vez, faz subir a taxa de juros que inibe investimentos e o próprio crescimento econômico. A explosão das contas públicas decorre, basicamente, da indexação de várias despesas do governo em nível superior à inflação e à profusão de programas sociais (alguns necessários) que não param de crescer.
Polarização deve dominar eleição de 2026 e reduzir espaço para 3ª via
Correio Braziliense. Por Fernanda Strickland, Vanilson Oliveira, Victor Correia e Caetano Yamamoto
De um lado, o presidente Lula galvaniza a
esquerda e, novamente, é considerado o candidato mais competitivo do campo
progressista. Do outro, a direita se divide em nomes. E, de novo, não se
vislumbra ninguém que se apresente como 3ª via
Com a chegada de mais um ano eleitoral, o cenário político se redesenha sob o signo da polarização. A disputa entre forças de esquerda e direita deve continuar a dominar o debate público, mesmo com a possível renovação de nomes, reduzindo o espaço para o surgimento de uma terceira via capaz de se firmar como alternativa competitiva.
Gleisi rebate The Economist: 'querem que Brasil abandone as políticas públicas para o povo'
Por Marcos Hermanson / Folha de S. Paulo
Em editorial publicado no último dia 30,
revista britânica defendeu que Lula não deveria disputar reeleição e apontou
Tarcísio como melhor opção
Para ministra, publicação teme governo que 'retomou crescimento' e 'enfrenta injustiças tributárias'
A ministra Gleisi Hoffmann rebateu nesta
quarta-feira (31), em postagem nas redes sociais, o editorial da
revista britânica The Economist contra a candidatura do
presidente Lula (PT) à reeleição.
Para a ministra, os responsáveis pela publicação não temem pela saúde de Lula, que estaria cheio de vitalidade, mas pela continuação do governo que "retomou o crescimento do Brasil e não tem medo de enfrentar a injustiça tributária e social".
Master complica Dias Toffoli, abafador geral bem trapalhão. Por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Ministro do STF gera ruído ao tentar sentar
sobre iceberg capaz de afundar um Titanic com figuras graúdas da política e
mercado
Relato sobre fraudes da instituição com
fundos da gestora Reag, recurso usado pelo PCC, só piora o cenário, que não dá
sossego
Não se conhecem em detalhes os fatos que estão congelados no grande iceberg do Banco Master sobre o qual está sentado o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Os sinais são de que a montanha submersa tem enorme potencial para afundar um Titanic com muitos passageiros do establishment econômico, político e institucional a bordo.
De mãos amarradas. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Governo opera na contramão dos objetivos do
BC, o que intensifica e prolonga a alta dos juros
Esse não é o único aspecto da economia em que
o Brasil parece ter preferência pelo caminho ineficiente
O economista francês Frédéric Bastiat (1801-1850), que tinha desmesurado gosto pela sátira, imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita. Justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.
O panorama eleitoral visto de fora. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Editoriais de dois conceituados veículos
britânicos exibem visões diferentes sobre a hipótese de reeleição de Lula
The Economist e o Financial Times ignoram
especificidades da política brasileira nas respectivas análises
Dois editoriais de conceituados veículos
estrangeiros mostraram visões diferentes sobre possível reeleição de Luiz
Inácio da Silva (PT). Os britânicos The Economist e
Financial Times nada disseram que já não tenha sido dito e repetido com mais
profundidade por artigos de opinião em jornais brasileiros.
Ainda assim, chamaram atenção porque aqui estamos sempre interessados em saber como somos vistos de fora. Para protestar ou celebrar o que revelam os olhares. A revista (Economist) critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal (Financial) aposta no favoritismo do presidente.
Direita se confundiu com extrema direita e precisa de autocrítica para superar crise, diz historiador
Por Arthur Guimarães de Oliveira / Folha de S. Paulo
Odilon Caldeira Neto analisa como campo se
radicalizou e perdeu identidade política moderada
Pesquisador aponta tendência de candidatos
como Marçal nas eleições para deputado de 2026
São Paulo - Há uma crise das
direitas no Brasil. O campo conservador se deixou levar pela radicalização, passou
a adotar a linguagem da extrema direita e viu a própria identidade política se
confundir com ela.
Para Odilon Caldeira Neto, professor de
história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), longe de
uma tese conciliatória, a única saída para esse impasse é uma autocrítica.
Em entrevista à Folha, o pesquisador do neofascismo e da extrema direita no país revela a simbologia cifrada que esse grupo usa para se comunicar, aborda a tendência do surgimento de figuras como o influenciador Pablo Marçal nas eleições de 2026 e defende a atualização do arcabouço de mapeamento dessas entidades antidemocráticas, da leitura, da análise e da resposta institucional.
Política como Invenção, por Pablo Spinelli*
Naquele mundo marcado pelo fim da Guerra Fria
e com o voraz apetite da política neoliberal, Collor mesclou com sagacidade os
elementos da tradição brasileira – o messianismo de origem católica rural, como
se vê na aliança do jovem então candidato com Frei Damião – com propostas
disruptivas como aquelas que atribuíam ao Estado o centro da crise econômica e
social do Brasil nos anos 1980.
O Estado personalista e patrimonialista (uma crítica da direita e esquerda) era o catalisador do atraso. A nova ordem burguesa tinha apetites que primavam o consumidor acima do cidadão, uma perspectiva crítica à Carta de 1988, portanto, a candidatura Collor seria a reposta da coragem, da inovação, da ousadia diante de um Estado anacrônico, corrupto e corruptor; de uma parte da elite covarde e ineficiente(1) e da classe política que seria cúmplice deste estado de coisas e com lideranças oposicionistas defensoras do deficitário Estado de Bem-Estar Social.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Prioridade de 2026 deve ser a reforma administrativa
Por O Globo
Dado desinteresse do governo Lula sobre tema,
iniciativa cabe ao Congresso. Ele não pode se omitir
É por vezes difícil ao cidadão comum entender as reformas em debate no Congresso. Mas não é o caso da reforma administrativa. Todos os brasileiros convivem diariamente com as deficiências e aberrações nos serviços públicos. Filas, burocracia, decisões equivocadas, obras por fazer e outras dificuldades mil. De um lado, faltam condições mínimas para servidores dispostos a trabalhar. De outro, proliferam funcionários públicos encostados e descompromissados. Para completar, há mordomias e benesses sem fim para a elite do funcionalismo, encastelada no Ministério Público (MP), no Judiciário e nas Forças Armadas. Os problemas são tantos e tão conhecidos que causa espanto a falta de urgência com que a questão é tratada. Por isso o ano de 2026 deveria começar com uma prioridade: a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa, relatada pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ). Ela seria o melhor legado que a atual legislatura poderia deixar às futuras gerações.
Mensagem de final de ano do presidente do Supremo Tribunal Federal*
“Ao Poder Judiciário e à sociedade brasileira,
O País tem hoje instituições firmes e sólidas
que funcionam dentro do Estado de Direito no canteiro de obras da democracia.
Às vésperas de um novo ciclo, renovamos nosso
compromisso constitucional e a gratidão pelo caminho percorrido, conscientes do
momento decisivo que atravessam, no mundo de hoje, as instituições democráticas
e a própria magistratura. É justamente em contextos de incerteza que se
afirmam, com maior vigor, a responsabilidade, o diálogo republicano e a
fidelidade à Constituição como fundamentos da vida em comum.
O Supremo Tribunal Federal reafirma, mais uma
vez, sua lealdade inafastável com a Constituição da República e com a defesa do
Estado de Direito, da democracia e dos direitos humanos e fundamentais. Sem
esses pilares, não há liberdade possível, nem justiça duradoura, nem dignidade
plenamente assegurada.
Reiteramos, igualmente, a imprescindibilidade
da autonomia e da independência da magistratura, com integridade institucional
e com a promoção contínua da segurança jurídica, da eficiência e da
transparência. A confiança da sociedade é construída, dia após dia, pela
coerência das decisões, pela responsabilidade das ações e pela abertura
permanente ao aperfeiçoamento.
Que 2026 se inaugure como tempo de esperança
renovada, fortalecimento institucional e aprofundamento do compromisso
republicano. Que nos acompanhem a serenidade para decidir, a coragem para
proteger direitos e a convicção de que a Constituição permanece sendo, ao mesmo
tempo, nosso limite e nosso horizonte.
Com votos de um final de ano sereno e de um
novo ciclo pleno de paz, saúde e realizações, expressamos nossa confiança no
futuro do Brasil e no trabalho conjunto de todas e todos que constroem,
diariamente, a Justiça e a democracia.
Sabemos que o País ainda tem graves deveres
históricos a cumprir. Em tempos de grandes expectativas e intensas demandas, o
Poder Judiciário deve ser referência de firmeza, estabilidade institucional e
de serviço à sociedade.
Que 2026 nos encontre unidos na defesa da
legalidade constitucional, da dignidade da pessoa humana, da justiça social e
de uma sociedade realmente livre, justa e solidária."
Brasília, 31 de dezembro de 2025
*Luiz Edson Fachin. Presidente do Supremo
Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça.
O país em transição. Por Merval Pereira
O Globo
Já estivemos recentemente perto da mudança
efetiva em vários momentos, mas os retrocessos sempre vêm a favor da manutenção
da situação anterior
Entramos em 2026 em plena crise político-institucional que nada indica se resolverá neste ano. Teremos eleições quase gerais dentro de um quadro de polarização a nos tornar reféns de um passado que envelheceu e de um futuro que ainda não se definiu. A famosa frase do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci — “O velho mundo está morrendo. O novo demora a nascer. Neste claro-escuro, surgem os monstros” — pode se referir ao mundo trumpista, mas, se pegamos o recorte do Brasil atual, podemos usá-la como referência à situação de incerteza que outra frase famosa, sem autor determinado, descreve, nos colocando no “mundo pós-tudo e ante-nada”.
A economia no ano eleitoral. Por Míriam Leitão
O Globo
Há certezas sobre 2026: um ano com
volatilidade, mas bons indicadores na economia e uma safra boa. Uma bolha pode
estourar nos EUA
O ano eleitoral de 2026 começa com algumas certezas. A volatilidade de ativos será grande. Juros futuros, Bolsa e dólar vão oscilar ao sabor das notícias, das pesquisas e dos debates. O ano agrícola não será tão bom quanto em 2025, mas não será ruim. Haverá uma queda dos juros, lenta, mas constante. A inflação ficará dentro do intervalo da meta, e o PIB terá crescimento moderado. No exterior a grande incerteza é a bolha que pode estourar na Bolsa americana. Por ser ano eleitoral, haverá mais pressão fiscal e o novo ministro da Fazenda, qualquer que ele seja, não terá nem de longe a força de Fernando Haddad no governo Lula.
Em mensagem de fim de ano, Lula celebra "resultados históricos"
Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense
Com menor taxa de desemprego da história e o
maior volume de investimentos estrangeiros desde 2012, presidente celebra
indicadores e projeta novos avanços para 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou em seu perfil no X (antigo Twitter), nesta quarta-feira (31/12), que o
Brasil termina 2025 com resultados históricos, destacando que o país atingiu a
menor taxa de desemprego da sua história, fixada em 5,2%. Segundo Lula, o
governo federal alcançou marcos inéditos no mercado de trabalho e na atração de
capital estrangeiro, projetando a continuidade dessas políticas para 2026.
De acordo com os dados trazidos pelo presidente, o país atingiu o maior número de pessoas ocupadas da história, totalizando 103 milhões de trabalhadores. Deste total, 39,4 milhões possuem carteira assinada, o que também representa um recorde nacional.
2026: travessia para o novo. Por Felipe Salto
O Estado de S. Paulo
O primeiro passo é tratar a coisa pública de modo transparente e amparado na Constituição
Neste 1.° dia do ano, renovam-se as
promessas. Mas é tempo, sobretudo, de resgatar as esperanças na construção de
uma sociedade mais justa e republicana. Assim, que este ano seja uma verdadeira
travessia para o novo.
As instituições democráticas são fundamentais
na sustentação do Estado de Direito. O tenebroso caso do Banco Master é uma
vergonha para o País. O Banco Central agiu firmemente e precisa ser defendido.
Tentativas de reversão do caso só serviriam, possivelmente, para amenizar as
penas dos que lesaram o País.
O sistema financeiro nacional foi reestruturado e fortalecido com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), ainda no governo FHC, sob a liderança do então presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. A regulação e a transparência encontraram lugar. Hoje, não há sistema financeiro mais sólido no mundo do que o brasileiro. Ainda assim, as peripécias, a ousadia e a crença na impunidade estimulam movimentos como o do Master.
O Supremo e o aceitável. Por William Waack
O Estado de S. Paulo
O principal resultado até aqui da operação
montada no STF para tratar do escândalo do Banco Master é acelerar o descrédito
da instituição. Um fator que as agências de risco político internacionais já
apontam como relevante para a campanha eleitoral do ano que começa.
Nesse acentuado processo de desgaste continua sendo decisiva a “contribuição” de alguns de seus integrantes, pois é a partir da conduta deles que a instituição está sendo vista como um todo. Nesse sentido foi especialmente danoso o noticiário em torno da “acareação” de implicados no escândalo.
Caso Master pauta ano-novo do STF. Por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Pressão pública deve tornar inevitável aprovação de regras de conduta; Corte será alvo nas eleições
Mais do que chacoalhar o mercado financeiro e
a política, a investigação sobre fraudes do Banco Master expôs condutas no
mínimo questionáveis de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). A
suspeita levantada sobre a isenção da Corte para conduzir o caso deve produzir
dois resultados em 2026.
O primeiro deles é pavimentar a votação de um código de ética para os ministros. A pressão da opinião pública tornará inevitável a aprovação de parâmetros de comportamento para os integrantes do tribunal. Edson Fachin, defensor da ideia, quer dar maior transparência a uma Corte que não divulga sequer a agenda de compromissos públicos de todos os ministros.
Partidos de centro mais fortes tornariam o Brasil mais governável? Por Carlos Pereira
O Estado de S. Paulo
A ausência de um centro programático não é um acidente do sistema político brasileiro, mas uma consequência de seus incentivos institucionais
Tem se tornado comum atribuir as dificuldades
governativas no Brasil à suposta ausência de partidos políticos de
centro ideologicamente fortes e programáticos. A conclusão parece intuitiva:
faltaria ao sistema político brasileiro um “centro responsável”, capaz de
moderar extremos, oferecer previsibilidade e garantir estabilidade.
Mas vale inverter a pergunta: se os partidos
de centro fossem de fato ideológicos e programáticos, o governo eleito teria
mais ou menos governabilidade?
Nesse sistema, é praticamente inexorável que o partido do presidente não detenha maioria nas duas Casas do Congresso. Governar, portanto, exige a construção de coalizões amplas e heterogêneas. Se os partidos de centro fossem fortemente orientados por programas e ideologias, a dificuldade e o custo de formar e sustentar essas coalizões seriam significativamente maior.
O quieto paradoxo da democracia. Por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
A desconfiança generalizada nas instituições
políticas alimenta os populismos de diferentes cores
De fato, existe no Brasil amplo reservatório
de eleitores dispostos a acreditar que um líder providencial pode, sozinho,
mudar o rumo do país
O último governo eleito antes do golpe militar de 1964 resultou de uma disputa que levou ao Palácio do Planalto um líder populista de direita, Jânio Quadros. O primeiro presidente eleito depois da ditadura foi outro, Fernando Collor. O populismo —especialmente o direitoso— não é incomum na política brasileira, mas algo recorrente. Quem assistir ao ótimo documentário "Caçador de Marajás", de Charly Braun (Globoplay), sobre a ascensão e queda de Collor, não deixará de notar o muito que ele tem em comum —no discurso antissistema e na imagem messiânica do Salvador da Pátria— com personagens tão diferentes quanto Quadros, e, naturalmente, Jair Bolsonaro.
Farol da Integridade Judicial 2026. Por Conrado Hübner Mendes
Magistrado que proferiu sentença do caso
Vladimir Herzog ensina o que decência significa
STF poderia contribuir para punir
torturadores com entendimento sobre a Lei de Anistia
É urgente apontar a integridade judicial onde
ela apareça. A integridade praticada, não recitada. Integridade despretensiosa
e anti-heróica que revela compreensão inteligente e sincera do papel do bom
juiz no estado democrático de direito.
O aniversário de 50 anos da morte de Vladimir Herzog, em 2025, teve dois momentos marcantes. Primeiro, em culto ecumênico na Catedral da Sé, a ministra presidente do STM, Maria Elisabeth Rocha, pediu desculpas por mortes e torturas no regime militar.
As entranhas do Master. Por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Segunda denúncia do BC ao MPF mostra que
investigações estão só no começo
Master não pode virar um novo caso
Americanas, sem punição a todos os envolvidos
A segunda
denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal com
indícios de irregularidades na atuação do banco Master com fundos administrados
pela gestora de investimentos Reag é emblemática por apontar que as
investigações estão apenas no começo.
Vem muito mais bomba por aí. É isso que deixa
Brasília e o mercado financeiro em chamas. O mundo político nem se fala. Não
tem lado ideológico.
O volume de R$ 11,5 bilhões envolvido na nova denúncia do BC é escandaloso. Mas é a data da comunicação, relatada em documentação encaminhada ao Tribunal de Contas da União, que chama atenção.
2025 foi o ano do feminicídio em São Paulo. Por Thiago Amparo
Folha de S. Paulo
De janeiro a novembro houve 233 casos no
estado e 61,4 mil agressões a mulheres
Sem um plano efetivo, tendência é de mais
mortes de mulheres, jovens e negros em 2026
No estado em que homicídios e latrocínios chegaram à menor marca da série histórica, os feminicídios e a letalidade policial explodiram, deixando claro que para o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a vida de mulheres, jovens e negros importa menos. São Paulo encerra 2025 com o maior número de feminicídios e de agressão a mulheres de que se tem registro, desde 2018, e com o segundo pior índice de mortes pela polícia dos últimos cinco anos.
The Economist diz que Lula não deveria disputar reeleição em 2026
Por Folha de S. Paulo
Revista britânica cita idade do presidente,
ausência de sucessor e risco institucional
Texto também critica falta de renovação na direita e candidatura de Flávio Bolsonaro
A revista britânica The Economist publicou
um editorial afirmando que o presidente Lula (PT) não
deveria concorrer à reeleição em 2026. Segundo a publicação, apesar de o Brasil
ter demonstrado em 2025 a resiliência de suas instituições democráticas, o país
"merece escolhas melhores" no próximo pleito.
Em agosto, a revista trouxe em sua capa Jair
Bolsonaro (PL) e o julgamento que o condenou por liderar uma trama
golpista. Em texto opinativo intitulado "Brasil
oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática",
descreveu a condução do processo penal contra o ex-presidente e seus aliados
como uma resposta institucional que contrariaria críticas difundidas por
setores da direita americana.
No editorial publicado nesta terça-feira (30), a revista argumenta que a principal razão para Lula, 80, abrir mão da disputa é a idade. Segundo o texto, mais quatro anos de mandato seriam um risco no caso de um governante hoje octogenário. A The Economist cita o caso do ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, como exemplo dos custos políticos e institucionais de candidaturas em idade avançada, ainda que reconheça que Lula aparenta estar em melhores condições físicas.
Financial Times cita vitória de Lula nas eleições entre previsões para 2026
Por Lucas Altino / O Globo
Jornal britânico destacou os bons resultados
econômicos do governo e os "gols contra" dos bolsonaristas em relação
ao tarifaço de Trump
Anualmente, o jornal inglês Financial Times faz, às vésperas do reveillon, 20 previsões do mundo político para o ano seguinte. Nesta quarta (31), a lista publicada traz a vitória de Lula nas eleições de outubro de 2026 como uma das apostas. Segundo a previsão, o atual presidente deve se beneficiar do bom momento econômico do Brasil e dos "gols contra" da direita bolsonarista.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Opinião do dia – Nicolau Maquiavel*
*Nicolau Maquiavel (1469-1527), Discursos
sobre a primeira década de Tito Lívio, 2000. p. 139















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