quarta-feira, 17 de junho de 2026

Caiu a ficha do Copom? Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Principal obstáculo ao ciclo de corte de juros não é o cenário externo: são os fatores domésticos

Quando o Copom começou a cortar a taxa Selic em março, a guerra no Irã já havia causado um choque de oferta de petróleo, o que gerou desconfiança quanto à prudência de um ciclo de afrouxamento monetário nessa conjuntura. Mas o argumento de todo mundo, incluindo o Banco Central, era de que a pressão externa – com a alta nos preços de combustíveis e de matérias-primas – seria temporária; que o conflito no Oriente Médio iria acabar logo; e que o Brasil poderia seguir cortando os juros “livre, leve e solto”.

Novas revelações de Vorcaro acuam Ciro e rondam Motta no caso Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Mensagens mostram o banqueiro solicitando reservas para “Ciro e Hugo”, seguidas de conversas sobre a disponibilização de duas suítes no hotel Four Seasons Ritz de Lisboa

As novas informações tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as investigações da Operação Compliance Zero, que investiga o caso Master, colocam o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), expoente do Centrão, em situação cada vez mais delicada perante a Justiça, ao mesmo tempo em que aproximam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do perímetro das investigações.

O foco do relatório é a relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e Ciro. Segundo a Polícia Federal (PF), o parlamentar teria recebido uma série de vantagens econômicas enquanto atuava politicamente em favor dos interesses do banqueiro. Pagamentos mensais foram classificados pelos investigadores como uma espécie de “mesada”, que variaria entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da aquisição de participação societária em empresa e do custeio de viagens internacionais de alto padrão.

Salário mínimo distrital e Tarifa Zero reduziriam pobreza no DF, por Jacy Afonso *

Correio Braziliense

A diferença de renda média entre os mais ricos e os mais pobres do DF é de 23,8 vezes. O salário mínimo regional e a Tarifa Zero poderiam ser adotados com rapidez pelo GDF para reduzir esse fosso social

O Distrito Federal ostenta o primeiro lugar no ranking de riqueza entre todas as unidades da Federação, com um PIB per capita de R$ 129,8 mil, mais que o dobro da média nacional (R$ 54 mil). No entanto, ao lado do PIB bilionário, o DF convive com uma pobreza estrutural que a torna a campeã brasileira em desigualdade social. 

Estudos tanto da Universidade de Brasília (UnB) como da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam Brasília também como uma das cidades com maior segregação socioespacial. A separação entre áreas ricas e pobres no DF é maior do que em cidades como Johannesburgo (África do Sul), historicamente marcada pelo apartheid.

Perdão, Maria Eduarda, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Maria Eduarda, espero que perdoe a humanidade. As redes sociais viraram um esgoto a céu aberto. Culparam você, garota, por sua própria morte. Acredita?

Maria Eduarda, espero que perdoe a humanidade. As redes sociais viraram um esgoto a céu aberto. Culparam você, garota, por sua própria morte. Acredita? Teve gente que mostrou a capacidade de argumentar que era seu dever ter checado a corda antes que fosse lançada ao vazio. Gente que faz ilações absurdas e expõe um "raciocínio" irracional apenas para causar e ter cliques. Maria Eduarda, a única pessoa inocente nessa história é você. Tudo o que queria era um momento de adrenalina, algo tão comum entre tantos jovens. Quem deveria ter conectado o cabo de segurança não o fez. Quem deveria ter conferido mais de uma vez a conexão foi negligente. Eu diria até mais do que isso: criminoso. O que aconteceu com você foi, no mínimo, uma negligência gravíssima. Quem apenas supôs que a corda estivesse amarrada ao seu corpo aceitou o risco de um resultado trágico.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cessar-fogo impõe revisão de subsídio a combustíveis

Por O Globo

Não fará sentido manter subvenções se as razões que levaram o governo a criá-las não existirem mais

Não faltam dúvidas sobre o acordo de cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã. Apesar de todos os senões, a reabertura do Estreito de Ormuz — prometida para esta semana — traz uma chance concreta de queda do barril de petróleo. Com a perspectiva de o preço se estabilizar abaixo de US$ 100, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria se preparar para desmontar o edifício de medidas tomadas desde março para segurar a alta dos combustíveis. A sucessão de subvenções e desonerações afetou a arrecadação de tributos e causou distorções de mercado que precisam ser corrigidas. Não fará sentido manter subsídios se as razões que levaram o governo a criá-los não existirem mais.

Crescimento para poucos: a armadilha do capitalismo, por Roberto Amaral*

“O empresário tende inevitavelmente a se transformar em rentista e a dominar cada vez mais aqueles que só possuem sua força de trabalho. Uma vez constituído, o capital se reproduz sozinho, mais rápido do que cresce a produção. O passado devora a produção.” — Thomas Piketty, O capital no século XXI.

Ao contrário do que afirma Paulo Gala em seu excelente “Rumo a 2050” (Carta Capital, 27/05/2026), o crescimento da economia, por si, não altera a estrutura distributiva. Ao contrário, não apenas convive com alta concentração de renda, como a promove. 

Trata-se, simplesmente, de determinismo da lógica de acumulação do capitalismo, e sua consequência irrecorrível é a concentração da riqueza, na contramão da valorização do trabalho como um dos fatores da produção. Mesmo o aumento da produtividade não implica aumento proporcional dos salários. De um lado, os lucros do capital são reinvestidos, ampliando a escala do capital e, como em um círculo vicioso, reforçando sua concentração; doutra parte, o desemprego estrutural — alimento do exército industrial de reserva — pressiona os salários para baixo, quadro tendencial da globalização do capitalismo, a que se somam o desenvolvimento científico e as novas tecnologias, poupadoras de mão de obra e intensivas em capital, e a articulação de grandes e poucas corporações operando em escala global, de forma oligopolista, transitando para o monopólio, com níveis inéditos de concentração de mercado e de poder político, frequentemente avançando sobre as soberanias nacionais.

Um belo país, mas "ingovernável", por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

A Copa do Mundo de Futebol de 2026, não desperta o interesse da população, embora sejam adeptos inflamados da prática esportiva e, ausentes, quase sempre, induzidos. a torcer pela seleção brasileira. No momento, contudo, os peruanos estão preocupados é com os rumos dos das eleições presidenciais, aparentemente ignorado no Brasil. Com dois é- chefes de Estado presos, em seis anos, teve sete presidentes, acusados de tentativas de golpe de Estado ou de   corrupção, um dos quais envolvidos por aqui   com o escândalo do “Mensalão”. O país carrega ainda um agudo problema de identidade, já tendo perdido territórios para o Chile, Equador, Bolívia e até para o Brasil

Assisti uma pré-campanha, aquele frenesi eleitoral, revolucionário e étnico que envolvia mais de 100 representações político-partidárias. Na eleição deste ano concorreram 35 candidatos. Para o segundo turno sobraram, contudo, apenas a senadora Kiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, concorrendo pela quarta vez, representante de uma direita que se considera progressista; e Roberto Sánchez, professor, candidato das esquerdas reunidas. Já no segundo turno, com 98,8% das urnas apuradas (50,012% para Keiko e 49,988% para Sánchez), a contagem das cédulas de papel arrasta-se por quase dez dias, acusando uma vantagem de 18 mil votos a favor de Keiko. A lentidão na averiguação dos resultados reflete não apenas um sistema eleitoral altamente burocratizado, mas, sobretudo, uma ansiedade generalizada, e até uma insegurança por parte dos juízes eleitorais.

Poesia | Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Moraes Moreira e Forróçacana - Festa do Interior

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Acordo escancara fiasco da guerra de Trump

Por Folha de S. Paulo

Ataque de EUA e Israel fracassa no objetivo de derrubar o regime iraniano e seu programa nuclear

Teocracia do Irã ganhou mais força; entendimento pode começar a normalizar oferta de petróleo, mas inflação global está contratada

Uma semana depois de começar a guerra contra o IrãDonald Trump escreveu que não haveria acordo com o inimigo, apenas "rendição incondicional". O Irã não se rendeu.

O regime obscurantista dos aiatolás está, isso sim, à beira de impor condições aos Estados Unidos —ao menos, termos de negociação no acordo que, segundo se anunciou, será oficializado na sexta-feira (19). O documento deve estender um cessar-fogo por 60 dias e estabelecer as cláusulas da trégua e as diretrizes das tratativas nos próximos dois meses.

Motta pauta jornada de até 40 horas, bandeira eleitoral de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A nova jornada de trabalho de até 40 horas está associada aos setores tradicionais da economia nos quais o trabalho é regulamentado pela CLT, como a construção civil e o comércio varejista

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu pautar o fim da jornada 6 x 1 pondo em votação o Projeto de Lei 1.838/26 encaminhado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que limita o trabalho em até 40 horas semanais. A proposta é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula, que aposta na “economia do afeto” para viabilizar sua reeleição. Como sempre acontece quando há mudanças nas relações de trabalho a favor dos assalariados, a maioria das entidades representativas dos empregadores se opõe à nova regulamentação. Parte da oposição deve aderir à proposta, por razões eleitorais.

O Partido Novo, do ex-governador mineiro Romeu Zema, por exemplo, defende que a alteração ocorra via negociação coletiva entre empregadores e empregados, e não por imposição legal. Alega potenciais impactos negativos na economia, no custo das contratações e na margem de lucro das empresas. Durante as votações da PEC na Câmara dos Deputados, a bancada do partido atuou na obstrução dos debates nas comissões e registrou votos contrários ao texto-base, alinhando-se a parlamentares que apontavam riscos de aumento de inflação e informalidade.

A crise do Supremo, por André Mendonça, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Levantamento do Insper mostra que o ministro é o de votos mais divergentes na Corte

“Há um desequilíbrio entre os Poderes quando um tribunal avança pela criação de regras e não por sua aplicação”. Depois de uma exposição de 20 minutos sobre o impacto das decisões do Supremo Tribunal Federal na segurança jurídica do país, em evento fechado para CEOs, executivos e acadêmicos no Insper, o ministro André Mendonça sentou para uma sessão de cinco perguntas.

Recorrendo ao conceito do “juiz criativo” do jurista italiano Luigi Ferrajoli, discípulo de Norberto Bobbio, emendou: “O Judiciário não pode dar a primeira e a última palavra, precisamos ter autocontenção”, tomando posição na contenda que mobiliza críticas da academia, da sociedade e do próprio colegiado, dividido entre o presidente da Corte, ministro Edson Fachin e o decano, ministro Gilmar Mendes, que joga em todas as posições.

Apontou disfuncionalidade nas ações penais originárias iniciadas diretamente na Corte, como o inquérito das fake news, e criticou o elevado quórum de agentes legitimados a acessar o Supremo. “Tudo isso precisa ser discutido no processo constituinte derivado”, disse, numa referência explícita a uma reforma do judiciário.

O dilema dos independentes, por Merval Pereira

O Globo

O único candidato de direita que ousa criticar o filho de Bolsonaro é Renan Santos, do Missão

A não ser que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão provoque uma mudança substancial na campanha à Presidência da República — capaz de desmontar a desejada, pelos próprios, disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro —, o segundo turno será definido pela união dos candidatos de direita em torno deste último, ou pela capacidade de Lula de alcançar os eleitores centristas independentes. As duas hipóteses são duvidosas, pois Lula parece disposto a radicalizar na campanha, para marcar sua história política, e a união da direita ainda não é uma certeza.

A guerra que todos perderam por Míriam Leitão

O Globo

Em mais de três meses de conflito, nenhum dos lados pode declarar vitória, e o número de perdedores é maior do que o de envolvidos

A guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã talvez termine em breve na possibilidade que se abre com o memorando que será assinado na sexta-feira. Nenhum dos lados pode declarar vitória, e o universo dos perdedores é muito mais amplo do que apenas os que estão diretamente envolvidos no confronto. Até o Brasil perdeu. Nesses 107 dias de embate, o cenário econômico brasileiro mudou completamente.

É por isso que os juros caíram tão pouco, nos dois primeiros cortes, e esta semana a redução deverá ser novamente tímida, de apenas 0,25 ponto percentual. Antes da crise internacional, a expectativa era de cortes de meio ponto ou até 0,75pp a cada reunião para uma Selic no fim do ano de 11% ou menos. A inflação estaria abaixo do teto da meta. Agora, por causa da crise geopolítica, os índices de preços estão pressionados, o acumulado em 12 meses já estourou o teto da meta e os juros só estão em queda porque estavam muito altos.

As Copas viraram problema geopolítico, por Fernando Gabeira

O Globo

Disputas internacionais foram criadas para unir os povos, mas líderes como Trump jamais permitirão que se alcance esse objetivo

Minha principal atividade nesta Copa é comprar figurinhas para o neto. Nem sempre foi assim. Nas muitas Copas que vivi, o clima não era tão tranquilo.

Em 1970, assisti à final entre Brasil e Itália refugiado na Argélia. Um grupo de asilados pensou em torcer contra o Brasil, porque a vitória fortaleceria a ditadura militar. Bastaram alguns minutos de jogo para que todos estivessem torcendo apaixonadamente pelo Brasil e se sentissem no paraíso com a goleada.

Ainda no Brasil, acompanhei o jogo Brasil e Tchecoslováquia numa solitária na prisão. Não havia rádio, não havia vizinhos nas outras celas, não havia nada. Só silêncio. Pelos gritos que vieram da rua, contei os gols do Brasil e concluí alegremente que vencemos por 4 a 0. Ilusão. Eles fizeram um gol que ficou perdido na barreira de silêncio. Poderiam ter feito dois, três, e eu não saberia.

Estados Unidos impõem teto para avanço da IA, por Pedro Doria

O Globo

Os EUA não têm regra. Não há regulação, muito menos processo. Quem avalia se uma IA é ameaça ou não?

No dia 9 de junho, terça-feira da semana passada, a Anthropic lançou com certo estardalhaço seu novo modelo de ponta, Claude Fable. Era, de longe, a inteligência artificial (IA) mais avançada à disposição no mercado. Era. Na sexta, dia 12, quando mal passava das 17h em Washington, o secretário de Comércio Howard Lutnick mandou uma ordem. Era para a companhia suspender o acesso ao Fable para qualquer cidadão estrangeiro. Incluam-se na lista os próprios funcionários da Anthropic que não nasceram nos Estados Unidos (muitos). A equipe de comando da empresa leu o papel, sabia que colocar um filtro por nacionalidade é impossível, aí tomou a única decisão viável: tirou do ar. Ninguém mais usa. E, assim, o governo americano essencialmente acaba de impor um teto ao avanço da IA. A partir de determinado nível de capacidade, está proibido. Evidente que não vai durar. Foi puro improviso de quem não pensou nas consequências. Mas é fundamental compreender tudo que está em jogo.

Moraes e Eduardo no olho do furacão, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump e Eduardo Bolsonaro ganharam um forte aliado contra Alexandre de Moraes: a Itália

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes estão novamente no olho do furacão entre Brasil e Estados Unidos, nesta semana, justamente quando o presidente Lula tem a expectativa de um encontro com Donald Trump, à margem do G-7, para discutir a nova onda de tarifas.

A novidade, desta vez, é que os ataques de Eduardo e de Trump a Moraes ganharam reforço com a decisão da Justiça da Itália de anular a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que tem dupla condenação no Brasil. Os argumentos italianos atingem o ministro do STF em cheio, em meio a várias batalhas.

Xandão é o Brasil, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Estará sempre disponível a crença em que a Corte constitucional italiana seria bolsonarista e teria rejeitado a extradição de Carla Zambelli como afronta político ideológica à Justiça brasileira. Num debate público em que ministro do Supremo foi consagrado nosso herói salvador, aquele a quem Vorcaro – no dia em que seria preso – perguntou sobre se conseguira bloquear algo, não faltam elementos mistificadores para compor essa fé. (E, se criticar, lembre-se: Bolsonaro volta – o golpe sempre à espreita.)

Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, tudo sendo ataque à democracia, tem-se o Alexandre de Moraes isento. Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, a isto foi elevado Moraes, cujo escritório de advocacia da esposa tinha contrato de R$ 130 milhões com o Master, tornado a própria encarnação do estado democrático de direito: Xandão é o Brasil; donde será ataque ao País apontar que a condição do juiz, ao mesmo tempo vítima, suscitaria “dúvidas sobre a imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação”.

Carvão e a lenta transição energética, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

O impacto das condições de tráfego por Ormuz nos deixa claro que essa transição necessária, desejável e desejada é, antes de tudo, lenta

A turbulência por que passa a economia mundial a cada anúncio de fechamento ou de abertura do Estreito de Ormuz – por onde, em condições normais, trafega cerca de um quarto do petróleo consumido no planeta – é o sinal mais evidente de quanto continuamos dependentes de combustíveis fósseis. Transição energética, sobretudo pela redução do uso desse tipo de combustível, tem sido uma das expressões mais frequentes desses tempos. Para muitos, é a indicação de que está a nosso alcance quase imediato um futuro mais limpo e saudável. Mas o que o impacto das condições de tráfego por Ormuz nos deixa claro é que essa transição necessária, desejável e desejada é, antes de tudo, lenta – talvez lenta demais para quem luta por um mundo ambientalmente melhor.

CPI, uma inutilidade, por Antonio Claudio Mariz de Oliveira*

Folha de S. Paulo

Objetivo constitucional das CPIs é investigar fatos determinados de interesse público

Investigações partem para fatos não previstos com repercussão midiática

Chama a atenção no nosso ordenamento jurídico a existência de institutos que uma vez aplicados à realidade se afastam por completo do seu escopo. Esse distanciamento entre o legal e o real desvirtua por completo o seu desiderato originário.

Um exemplo são as comissões parlamentares de inquérito, com previsão constitucional (artº 58, parº 3º). O seu objetivo seria a "apuração de fato determinado e por prazo certo". Para isso possuem "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais". As leis 1539/52 e 10179/03 regem a sua atuação.

O regimento da Câmara, em seu artigo 35,I, por sua vez, define que o fato precisa ser de interesse para a vida pública, ordem constitucional e social, devendo estar explicitado no pedido de instalação da CPI.

Evangélicos abandonam Flávio Bolsonaro e migram para Lula e Renan, por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

Mentira sobre relação com Daniel Vorcaro espalhou desencanto pelo bolsonarismo

Flávio é visto por muitos como crente de fachada

Evangélicos podem ser protagonistas em mais uma eleição presidencial. Desta vez, para tirar a certeza de que Flávio Bolsonaro será o candidato da direita. A última coleta da Quaest, divulgada na semana passada, mostra o nome bolsonarista caindo nove pontos nesse segmento, de 61% para 52%.

Evangélicos representam um dos pilares eleitorais do bolsonarismo. Lideranças nacionais poderiam atuar para conter a sangria, mas continuam em silêncio —e têm motivos. Apostavam na dobradinha Tarcísio-Michelle e foram atropelados pela escolha de Flávio. Em seguida, a mentira sobre a relação com um ex-banqueiro que promovia orgias aumentou o constrangimento.

Uma definição de fracasso, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

EUA dificilmente conseguirão acordo nuclear com Irã melhor do que o de 2015

Trump fez uma guerra para voltar a situação que ele próprio definiu como ruim

Se os negociadores americanos derem um show, talvez consigam um acordo não muito pior do que o de 2015, assinado entre Irã, EUA e outras potências, com o objetivo de evitar que o país persa desenvolvesse armamento nuclear.

E o que aconteceu com aquele tratado, pelo qual o programa atômico iraniano era monitorado de perto por agências internacionais em troca do relaxamento de sanções econômicas? Ele vinha funcionando até que, em 2018, Donald Trump, em sua primeira passagem pela Casa Branca, achou que o acordo era ruim e dele se retirou unilateralmente, o que, na prática, significou enterrá-lo.

Futebol brasileiro corre risco de virar meme sem graça, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Copa virou negócio de trilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança

A esperança do time de Ancelotti está no banco de reservas

Com a Copa do Mundo politizada, agigantada (três países anfitriões, 48 seleções, 104 partidas e zebras à espreita) e multiplataformizada (no Brasil há uma disputa de segundos entre os canais de televisão e os de internet pelo menor delay), é impossível escapar aos memes virais. O futebol é um negócio de zilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança. Uma festa em que os convivas se sentem imediatamente afetados pela síndrome de Peter Pan.

Leitura para salvar nossas meninas, por Maíra Weber*

Instituto Positivo

A violência contra meninas e mulheres, seja física ou simbólica, esteve sempre presente, tristemente, na realidade de diferentes sociedades ao redor do mundo. No Brasil, dados de 2025 indicam 1.568 feminicídios, o que representa uma alta de 4,7% em relação a 2024. E o pior: os números têm aumentado em 2026, com o crescimento de 3,49% registrado apenas em janeiro.

As obras de arte, ao longo do tempo, refletem a sociedade e retratam suas mazelas. As primeiras narrativas literárias voltadas ao público infantil, como os contos de fadas, por exemplo, carregam uma concepção estereotipada da mulher, intimamente ligada à visão de mundo moldada pela coletividade. Muitos clássicos ensinaram meninas a terem como ideal de vida um príncipe salvador e a naturalizar o distanciamento entre os papéis sociais concebidos para homens e mulheres na sociedade.

Poesia | A Queimada, de Castro Alves

 

Música | Chico Buarque - Voltei a Cantar

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O trilhão de Musk e as ambições siderais da IA

Por Folha de S. Paulo

Valor estratosférico atribuído à SpaceX reflete entusiasmo com investimento em IA, que não virá sem riscos

Nenhuma companhia reúne foguetes reutilizáveis de grande porte, milhares de satélites e meta de instalar processamento de dados no espaço

Misto de ativista da ultradireita reacionária e megaempreendedor visionário, o magnata Elon Musk elevou sua opulência e ambição a novos patamares.

A oferta de ações da SpaceX levantou US$ 75 bilhões e avaliou a companhia em US$ 1,75 trilhão. Com isso, mais as participações na Tesla e em outras iniciativas, o patrimônio pessoal de Musk passa a ser estimado em algo próximo de um inaudito US$ 1 trilhão.

O valor atribuído à SpaceX na operação equivale a cerca de 90 vezes a receita registrada em 2025. Projeções de analistas, também siderais, indicam que essa receita pode se multiplicar por dez nos próximos anos.

Acordo dá alívio imediato, mas está longe de resolver o problema nuclear iraniano, por Humberto Saccomandi

Valor Econômico

Os termos do acordo parecem atender as principais demandas de Teerã, como o fim do bloqueio americano

Estados Unidos e Irã parecem ter finalmente chegado a um acordo preliminar de cessar-fogo. É uma excelente notícia para o mundo, pois deve atenuar a pressão sobre o preço do petróleo, o que já começou. Faltam, porém, detalhes importantes sobre o que foi acordado. E muita coisa ainda pode dar errado até a próxima sexta-feira, data prevista para assinatura do pacto. Além disso, nada garante que a questão central, o futuro do programa nuclear do Irã, será resolvida nos próximos 60 dias. Ou seja, há o risco de o confronto ser retomado em breve.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o estreito de Ormuz, por onde passam 20% do gás e do petróleo consumido no planeta, será reaberto a partir de sexta-feira, sem cobrança de pedágio. Isso fez a cotação do petróleo tipo Brent cair para cerca de US$ 83 na abertura do pregão eletrônico na Ásia, o menor valor desde o início de março. Mas ainda bem acima dos cerca de US$ 60 do começo do ano.

PT consolida estratégia para os Estados, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

Impasse continua em Roraima, Tocantins, Goiás e Minas, principal foco de preocupação da sigla

A pouco meses do primeiro turno das eleições de 2026, o PT já consolidou grande parte de sua estratégia nacional para a disputa dos governos estaduais, mas ainda enfrenta impasses em quatro unidades da federação. Entre elas, Minas Gerais desponta como um dos principais focos de preocupação da legenda. Segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é considerado peça-chave para o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na montagem de suas alianças regionais, o PT priorizou nomes próprios e já definiu dez pré-candidatos da legenda aos governos estaduais. A estratégia busca ampliar a presença da sigla nos Estados e fortalecer o palanque presidencial de Lula. Apesar disso, os cenários de Minas Gerais, Roraima, Tocantins e Goiás seguem indefinidos.

Bacen precisa de autonomia, mas aqui é Brasil, por Bruno Carazza*

Valor Econômico

Proposta de autonomia financeira do Banco Central é importante, mas dá cheque em branco desnecessário para instituição

Deve ir a plenário do Senado nos próximos dias, em fase final de votação, a PEC nº 65/2023, que dá autonomia financeira, orçamentária e administrativa ao Banco Central. A proposta tem méritos e é justificável em muitos aspectos. Porém, pode se converter em mais um exemplo de medida tomada sem que se dimensionem seus impactos e, no futuro, lamentaremos suas consequências irreversíveis.

Desde 2021 a autoridade monetária já dispõe de autonomia operacional, que inclui mandatos para sua diretoria. Caso a PEC seja aprovada, o Bacen não mais se vinculará a nenhum ministério e não será subordinado hierarquicamente a ninguém.

Fiscal complica a decisão do Copom, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

O Brasil está em uma onda de sorte porque a deterioração fiscal não está se transmitindo pela taxa de câmbio, como costuma ocorrer, devido sobretudo ao comportamento do dólar nos mercados internacionais

Não é só a guerra no Oriente Médio e os efeitos de El Niño que dificultam a vida do Banco Central - também há a política fiscal fora do lugar. O presidente Lula disse na semana passada que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, “flexibilizou o bolso” e “não tem tanta dificuldade de liberar um dinheirinho”. O Congresso mergulha numa pauta-bomba.

Como o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve reagir em reunião nesta semana? Ninguém sabe ao certo: o mercado está dividido entre uma taxa Selic parada em 14,5% ao ano e o corte para 14,25% ao ano.

A direita faz cálculos sem Bolsonaro, por Miguel de Almeida

O Globo

E se o filho de Jair se mostrar um cavalo paraguaio (aquele que sai na frente e não aguenta o trote)? E se ele ganhar? Fará um governo de revanche, na mesma linha do Trump 2.0?

E se Flávio Bolsonaro acabar derrotado? E se o filho do Jair se mostrar um cavalo paraguaio (aquele que sai na frente e não aguenta o trote)? Existem outras perguntas: e se ele ganhar? Fará um governo de revanche, na mesma linha do Trump 2.0? Terá autoridade para evitar que seu irmão, Eduardo, venda o Brasil aos americanos? Afinal, o negócio está claro: Trump ajuda Flávio na eleição e então cobra o preço. Depois do Pix (olha o Zelle aí...) e das terras-raras, devidamente elencadas, poderia ser a Amazônia. Ou a Petrobras.

O apoio à candidatura de Flávio já sai caro a seus mantenedores. Medidas como os tarifaços 1 e 2 e a classificação das agremiações criminosas PCC e CV como terroristas causam prejuízos financeiros às empresas. A começar pela turma do agro, que deve se perguntar: até quando a ojeriza a Lula compensa a sangria provocada pelos Bolsonaros? Entra na mesa a fatura posta pelo patriarca de Rio das Ostras ao escolher o filho e não o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ele joga com os seus, não para seu grupo político.

Por baixo dos 16 anos, por Irapuã Santana

O Globo

Falando apenas na redução da maioridade penal, o adolescente passa a ter possibilidade de ser punido de modo até mais brando

Na última semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Com isso, esse debate apareceu novamente. As próximas eleições explorarão o medo, e ninguém quer que quem cometeu crimes permaneça impune. Mas o que a realidade nos diz a respeito?

Dados do Ipea revelam que quase 13% dos menores internados cometeram crimes gravíssimos contra a vida (8,75% dos homicídios). O sistema socioeducativo lida, portanto, com uma parcela de jovens altamente violentos, e a sociedade tem razão em exigir punição severa e proporcional para eles. Observando o quadro geral, porém, essa parcela corresponde a menos de 1% dos assassinatos que ocorrem no país.

A eleição e a licença para gastar, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Políticos, na situação ou na oposição, parecem considerar um direito inalienável gastar dinheiro público para ganhar eleições

Os preços do diesel e da gasolina caíram em maio, na comparação com abril. É o que mostra o IPCA, índice oficial de inflação, medido pelo IBGE. Considerando apenas esses dados, se poderia dizer que deram certo as medidas do governo de zerar impostos e conceder subsídios aos combustíveis. Os consumidores deveriam estar satisfeitos, dando votos ao governante que distribuiu as bondades, no caso o presidente Lula. Será?

Nessa junção de economia e política, as coisas nem sempre são o que parecem. Tome-se o caso do óleo diesel. Em maio, depois das medidas postas em prática pelo governo, o preço caiu exatos 2,34%. Ocorre que, nos meses anteriores, a alta havia sido bem maior — 13,90% em março, mais 4,46% em abril, acumulando quase 19%.

Incentivo populista, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Pela primeira vez, temos um governo do PT que enfrenta uma oposição populista

O ciclo político-eleitoral nas democracias obedece a um padrão: à medida que as eleições se aproximam, os políticos deixam de lado reformas de longo prazo e passam a se dedicar a medidas imediatistas de apelo popular garantido. O orçamento público é o alvo preferencial. Governos não apenas gastam mais em ano eleitoral, como direcionam os recursos para programas mais vistosos e eleitoralmente atraentes, em detrimento de investimentos estruturais. Lula está botando centenas de bilhões de reais na rua com esse propósito – e os congressistas não querem ficar atrás, basta ver o avanço de pautas-bomba distributivistas (que favorecem nichos eleitorais como categorias profissionais e igrejas, mas não o todo da sociedade).

Crime e soberania, por Denis Lerrer Rosenfield*

O Estado de S. Paulo

O Brasil – somos obrigados a reconhecer – já perdeu parte de sua soberania para as organizações criminosas

A recente decisão americana de designar como organizações terroristas as organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), de caráter transnacional, tem suscitado uma grande celeuma, como se o Brasil estivesse a ponto de perder a sua soberania.

As declarações espalhafatosas do presidente Lula aumentaram ainda mais a confusão, com um demagogo falando em função do processo eleitoral em curso, em vez de um estadista procurando defender os interesses nacionais. A palavra soberania foi a mais utilizada, como se estivéssemos na iminência de uma invasão militar americana. Um completo disparate.

Um golpe à reputação dos EUA, por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

O que está sobre a mesa não é um tratado de paz, mas o compromisso de continuar negociando

Há mais de cem dias, a maior potência do mundo entrou em guerra contra o Irã para eliminar o programa nuclear iraniano, destruir suas capacidades militares e derrubar o regime. Nenhum desses objetivos foi atingido. Pelo contrário: não há sinais de que o Irã tenha interrompido seu programa nuclear; suas forças seguem atacando os vizinhos e o regime, antes fragilizado, passou por uma renovação e radicalização.

Quem parece acuado não é Teerã, mas Washington. Ontem, em seu aniversário de 80 anos, Donald Trump anunciou que o acordo estava concluído, autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio aos portos iranianos. O entendimento, mediado por Paquistão e Catar, prevê a assinatura na Suíça e estende por 60 dias o cessar-fogo.

Só não gosta do marco do fomento quem não faz cultura, por Margareth Menezes*

Folha de S. Paulo

Estamos migrando de um controle meramente formalista e burocrático para uma sistemática orientada a resultados

O objetivo é um só: usar bem os recursos públicos para que a cultura brasileira floresça em todos os seus tons e cores

O debate público sobre o fomento à cultura é, e deve ser, constante. É um reflexo da vitalidade de um setor que pulsa em cada canto do nosso país, gerando emprego, renda e, acima de tudo, identidade.

Recentemente, a imprensa trouxe à tona discussões sobre a prestação de contas no Ministério da Cultura (MinC), ecoando preocupações legítimas sobre a gestão dos recursos públicos. É fundamental, contudo, que essa discussão seja pautada pela verdade dos fatos e pelo reconhecimento dos avanços que estamos implementando.

É preciso, antes de tudo, contextualizar. O passivo de prestações de contas que o MinC enfrenta hoje não é uma criação da gestão atual. É um desafio histórico, acumulado ao longo de décadas, sob diferentes governos e regras. A desestruturação e o desmonte do Ministério da Cultura em períodos anteriores agravaram essa situação, deixando um legado de processos represados e equipes insuficientes.

Gilberto Freyre e o ‘foot-ball mulato’, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Para ele, nossos triunfos deviam-se a termos abandonado a restrição a negros que vigia também no Itamaraty

O autor argumenta que o futebol criara as condições para, finalmente, o surgimento de heróis nacionais negros

Gilberto Freyre são atribuídos alguns mitos populares. Mas a tese de que a superioridade do futebol brasileiro se deve à miscigenação —ou, mais precisamente, ao "mulatismo"— não está entre eles. Provavelmente deveria estar. Em artigo intitulado "Foot-ball mulato", em sua grafia original, denotando as origens inglesas ainda muito presentes, Freyre escreveu: "Uma das condições dos nossos triunfos este ano me parecia a coragem que afinal tivéramos completa de mandar à Europa um team fortemente afro-brasileiro. Brancos alguns, é certo; mas grande número de pretilhões bem brasileiros e mulatos ainda mais brasileiros".

O contexto era a Copa do Mundo de 1938, quando o país ficou em terceiro lugar e Leônidas foi eleito o melhor jogador. Era também o início da ditadura do Estado Novo que viria a persegui-lo e a confiscar sua correspondência.

O país dividido também no comparecimento eleitoral, por Lara Mesquita*

Folha de S. Paulo

Sanções eleitorais ajudam a explicar por que a participação cresce com a escolaridade

Punições afetam mais a classe média escolarizada, para quem passaporte, concurso e CPF regularizado importam diretamente

A obrigatoriedade do voto no Brasil talvez funcione menos como instrumento de inclusão democrática do que como filtro burocrático de classe. Essa é uma das conclusões mais provocativas do novo livro de Jairo Nicolau"O País Dividido: Duas Décadas de Eleições Presidenciais no Brasil".

Nicolau usa dados de comparecimento, abstenção e justificativa de ausência para recolocar a discussão sobre voto obrigatório. No debate brasileiro, a defesa do voto facultativo costuma vir acompanhada de um argumento elitista: a democracia melhoraria se eleitores mais pobres deixassem de votar. A ciência política, por sua vez, parte da premissa oposta: o voto obrigatório impediria a exclusão dos mais pobres das urnas. Seria, portanto, um instrumento para mitigar o risco de que a desigualdade econômica se traduza também em desigualdade política.