quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Violação de sigilo de fonte pela PF é inconstitucional

Por O Globo

Ao referendar abuso no Maranhão, Moraes afronta direito essencial para liberdade de imprensa e democracia

Há inconstitucionalidade flagrante na operação realizada pela Polícia Federal (PF) no Maranhão contra o ex-secretário de Segurança Raimundo Cutrim e o ex-secretário de Urbanismo de São Luís Diogo Lima. A operação, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF, investiga reportagens do blogueiro Luís Pablo acusando o ministro Flávio Dino, também do STF, de usar indevidamente carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Para chegar aos alvos da investigação, a PF periciou equipamentos de Pablo apreendidos em março para verificar quem lhe havia passado informações. Ora, o sigilo de fontes jornalísticas é protegido textualmente no inciso XIV do artigo 5º da Constituição: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Nas eleições, Trump deseja que o Brasil volte a ser quintal dos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Agora traduzida pelo slogan America First, a Casa Branca exuma a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, desde que “americanos” signifiquem os EUA

O Brasil é grande demais para virar marisco na briga entre os Estados Unidos, uma superpotência marítima, e a China, a grande potência continental emergente, que ameaça a hegemonia norte-americana e amplia sua influência na América Latina. Entretanto, o governo Lula pode não passar ileso pela guerra comercial, tecnológica e geopolítica entre as duas maiores economias do planeta.

O presidente Donald Trump sonha com uma volta ao passado, quando Washington podia tratar a América Latina como seu quintal e enquadrar aliados e adversários por meio de pressões econômicas, diplomáticas e militares. Agora traduzida pelo slogan America First, a Casa Branca exuma a Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, desde que “americanos” signifiquem os EUA.

A nova face do eleitor brasileiro, por Murilo Medeiros*

Correio Braziliense

O retrato do eleitor brasileiro revela uma sociedade mais madura, mais escolarizada, mais conectada e menos presa a cartilhas ideológicas

A grande transformação desta eleição não está nos candidatos. Está no perfil do eleitor. O Brasil que irá às urnas em 2026 é diferente daquele que escolheu seus representantes há quatro anos. O eleitorado envelheceu, tornou-se mais escolarizado, ampliou a presença feminina, está mais conectado à internet, cresce em regiões historicamente menos valorizadas pela política nacional e demonstra uma independência cada vez maior em relação aos partidos. A sociedade avançou mais depressa do que a capacidade da política de compreender suas transformações.

Grandezas e misérias do Estado-engenheiro chinês, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Livro propõe uma explicação original para a ascensão econômica e aumento do prestígio da China

Fazendo obras, tirou da pobreza milhões de concidadãos e melhorou a vida nas grandes cidades

China é hoje mais bem avaliada que os Estados Unidos pelos habitantes de 30 de 36 países incluídos na "Pesquisa Global de Atitudes", conduzida anualmente pelo respeitado instituto americano Pew Research Center. E o líder chinês Xi Jinping inspira mais confiança aos entrevistados do que Donald Trump. É um resultado inédito. Reflete o enorme desgaste da imagem internacional dos EUA, produto da truculência com que a Casa Branca vem conduzindo a política exterior do país. Mas também atesta o crescimento do prestígio internacional da China graças à sua pujante ascensão econômica e à capacidade de ocupar posições na fronteira da inovação produtiva.

Mania da Bolsa do Brasil 'queridinho do mercado' murchou de novo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Brasileiros querem juros, estrangeiros querem IA e economia é precária e instável

Em abril, propaganda ingênua ou marqueteira era de Ibovespa além de 200 mil pontos

O Brasil era o "queridinho do mercado" em abril, expressão cafona que resumia o fato de que parte da finança do mundo pingava dinheiro por aqui. Era o que aparecia em relatórios de bancões e em falações de brasileiros mais deslumbrados ou interessados que passavam pela reunião de primavera do FMI, naquele mês. O Ibovespa chegava então ao pico de 198 mil pontos e uns quebrados.

A mania murchou em junho. Em agosto, o índice baixou à casa dos 167 mil pontos, queda de uns 15%. O clichê da vez é que "o mercado" entrou no "modo eleição".

Flávio Bolsonaro embarcou no lobby das companhias aéreas, por Raphael Di Cunto

Folha de S. Paulo

Principal projeto relatado pelo senador em oito anos quase tirou direito do consumidor a indenização mais alta por problemas em viagens

Judicialização no setor aéreo é alta, mas representa só 1% dos custos, e redução de direitos do consumidor não baixará preço das passagens

Flávio Bolsonaro (PL) participou pouco das discussões legislativas no Senado. Em oito anos, teve dois projetos aprovados como coautor e menos de uma dúzia como relator. Um deles dá uma pista de para qual lado pende o 01.

Há dois anos, ele foi o responsável por negociar a nova Lei Geral do Turismo. As 19 páginas de alterações legislativas eram propícias aos acordos de bastidores típicos do Congresso: um lobby influente atua nos gabinetes, sugere mudanças técnicas indecifráveis no meio de um texto mais amplo, e a população só se dá conta quando já perdeu (mais) um direito.

Aspas em 'Lulinha' e 'Flávio', por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Certos nomes em que há algo de fake ou mal contado deveriam ser grafados entre aspas

'Lulinha' é usado para atingir Lula e 'Flávio' só existe porque é acoplado a Bolsonaro

Alexandra Moraes, ombudsman da Folhaperguntou neste domingo (5) por que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é chamado pela imprensa e pela oposição de "Lulinha" se ninguém, íntimo ou não íntimo, o chama desse jeito. Ela mesma explicou: o tratamento surgiu na Folha há 20 anos, já numa história mal contada envolvendo dinheiro. Como o rapaz foi repetente no quesito, a oposição adotou o diminutivo, ideal para atingi-lo e ao seu pai. Mas, diz Alexandra, um apelido usado como arma política não deveria ser encampado pelo jornal.

A democracia precisa voltar a ser um projeto de futuro, por Rogério Sottili*

O Estado de S. Paulo

No mundo online ou offline, nenhuma democracia conseguirá enfrentar isoladamente um autoritarismo que opera globalmente

Encontros realizados por uma articulação global do campo progressista nos últimos meses, em Barcelona e no Uruguai, nos revelam que o crescimento das ameaças às democracias já não pode ser enfrentado exclusivamente dentro das fronteiras nacionais.

O avanço da extrema direita, a disseminação coordenada da desinformação, o enfraquecimento das instituições democráticas, a violência política e a captura dos espaços públicos por interesses econômicos e tecnológicos compõem hoje um cenário internacional de instabilidade persistente.

Esse cenário não se explica apenas pela força crescente do autoritarismo. Ele revela uma crise mais profunda das democracias contemporâneas, de pertencimento, representação e participação social.

Milhões de pessoas sentem que perderam capacidade de influência sobre os rumos de suas próprias sociedades e têm a percepção de que as decisões políticas são tomadas cada vez mais longe de suas vidas. Sentem que a democracia deixou de produzir uma perspectiva de futuro.

A nau sem rumo e o som das pedras, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Ala relevante do STF e os presidentes das Casas Legislativas atuam neste momento para que Lula permaneça no poder. É mais do que uma aliança de conveniência para escapar de investigações. Trata-se de esforço para manter as coisas como elas estão.

Do ponto de vista institucional, existe uma pesada ameaça. O Supremo tem as armas para combater a hipertrofia do Congresso, hoje dominado por uma massa amorfa de parlamentares que, por meio de emendas, atuam em causa própria com dinheiro público. O Congresso tem as armas para combater a hipertrofia dos poderes do Supremo e seus instrumentos de exceção e, dependendo das eleições, poderia passar do rosnado para a mordida.

O cerco aos candidatos de mentira se fecha, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

TSE planeja barrar o uso de avatares em campanhas por considerar a prática ‘deepfake’

Diga adeus ao laranja e ao boneco de posto: a temporada é dos candidatos de mentira. Munida de inteligência artificial, a campanha de Flávio Bolsonaro recriou a imagem e a voz do pai dele para atrair eleitores. Enquanto isso, o Jair de verdade estava em prisão domiciliar, proibido de falar sobre política. Foi o primeiro cabo eleitoral virtual de 2026.

Em tese, o artifício pode ser usado não apenas para criar apoiadores, mas para aprimorar a imagem do próprio candidato. Não seria necessário refazer os dentes, substituir a calvície por implante capilar ou dar uma passadinha no cirurgião plástico na tentativa de conquistar mais votos. A IA cuidaria de tudo. E, de quebra, faria um discurso melhor que o do titular da foto na urna.

Até que se quebre o sigilo da decisão, fica a afronta, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Se há crime que justifique quebra de sigilo do jornalista, permanece trancado no sigilo da decisão

Quando a petição 16.418 não estiver mais sob segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal, se conhecerão as razões que levaram o ministro Alexandre de Moraes a passar por cima da previsão constitucional que resguarda o sigilo da fonte jornalística. Só então se saberá se a quebra se enquadra ou não na condição para o sigilo expressa no artigo V da Constituição: “Quando necessário ao exercício profissional”.

Por enquanto, há o fato, a quebra de sigilo da fonte do jornalista maranhense Luís Pablo, e as circunstâncias que levaram a esta decisão. Contra o fato, se pronunciaram sete entidades, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo à Sociedade Interamericana de Imprensa.

O público e o privado, por Merval Pereira

O Globo

Uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.

A medida da decisão autoritária do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ordenar uma busca e apreensão na casa de um jornalista para descobrir a fonte da denúncia deste contra seu colega Flávio Dino é transformar um caso de política regional em crise institucional, afetando a liberdade de imprensa. O ponto de partida é simples: nenhuma autoridade tem o direito de apreender celulares e computadores de jornalistas com o objetivo de descobrir quem lhes deu uma determinada informação.

Se considera tão grave o fato a ponto de se mover rapidamente para defender Dino, o Judiciário tem o dever de investigar, mas não pode avançar sobre a liberdade de imprensa, não importa que o jornalista maranhense seja corrupto — como acusam — ou que Dino não tenha cometido nenhuma ilegalidade.

Alexandre de Moraes fragiliza democracia ao violar sigilo da fonte de jornalista, por Malu Gaspar

O Globo

A história das democracias modernas está repleta de escândalos derivados de apurações jornalísticas expondo o que os poderosos buscam esconder. Do mensalão ao petrolão, da Vaza-Jato à rachadinha de Flávio Bolsonaro ou às fraudes do Banco Master, todos esses casos fundamentais para a depuração das nossas instituições só andaram graças a fontes que nunca teriam colaborado se fossem obrigadas a se identificar. De tão central para o fortalecimento da democracia, o sigilo da fonte é garantido na Constituição como cláusula pétrea, que nem uma emenda constitucional pode alterar.

Banalizar sigilo é inovação perigosa, por Julia Duailibi

O Globo

Não revelar a fonte não é vantagem para jornalista. É garantia de que as informações chegarão à sociedade

O debate político atual atropela qualquer tentativa de ponderação. O STF tomou decisões recentes questionáveis e perigosas do ponto de vista da liberdade de expressão e do respeito ao sigilo constitucional da fonte. Algo que deveria ser considerado perigoso pela sociedade em geral — e por quem exerce a profissão de jornalista, em particular. A defesa intransigente dos ministros do STF, no entanto, levou a uma passada de pano constrangedora. Em nome da defesa da democracia, relativizam-se justamente marcos civilizatórios do regime democrático que nos protegem contra os autoritários de plantão.

A decisão recente do ministro Alexandre de Moraes, com base na quebra do sigilo da fonte de um jornalista do Maranhão, abre um precedente perigoso que não deve ser aplaudido, apesar dos serviços prestados por ele em defesa da democracia. Em março, Moraes autorizou busca e apreensão de dois celulares, um notebook e um pen drive do jornalista, suspeito de cometer crime de perseguição contra Flávio Dino — ele publicou na internet dados sobre a rotina do ministro e de sua família, alegando uso irregular de carros oficiais.

O risco do BRB é seu controlador, por Míriam Leitão

O Globo

O governo do DF empurra o problema para frente com medo do desgaste eleitoral. Enquanto isso, o banco vai se equilibrando

O governo do Distrito Federal é o único que pode proteger o BRB dos riscos que o cercam. Precisa fazer o que sempre se fez desde o século passado com instituições que entram no mesmo tipo de dificuldade, separar o banco bom e vender. O novo dono assumiria todas as obrigações, remuneraria o Distrito Federal, que iria absorver o banco ruim. Foi assim no Proer, foi assim em diversas crises bancárias internacionais. Porém, o que está acontecendo é o cenário mais temido. Há vencimentos pela frente e nenhuma solução apresentada pelo controlador.

Poesia | Navegar é preciso, viver não é preciso, de Fernando Pessoa

 

Música | Tom Jobim - Chega de Saudade

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

‘Bondade’ eleitoreira de Lula resulta em má gestão da dívida

Por O Globo

Estímulo à economia atingiu 1,1% do PIB no primeiro semestre, agravando endividamento público

As “bondades” eleitoreiras que o governo anunciou desde o ano passado já resultaram, só no primeiro semestre, em estímulo à economia de R$ 149 bilhões (ou 1,1% do PIB) na forma de empréstimos ou linhas de crédito. O valor, calculado pela consultoria BRCG a pedido da reportagem do GLOBO, representa quase tudo que o governo concedeu em medidas dessa natureza no ano passado.

Como o dinheiro é emprestado a taxas mais baixas do que as pagas pelo Tesouro ao captar recursos no mercado, a generosidade resulta em prejuízo aos cofres públicos. Além disso, o estímulo exerce pressão sobre a inflação, obrigando o Banco Central a manter os juros mais altos do que seria necessário em condições de equilíbrio — e forçando o governo a pagar ainda mais pelo dinheiro que toma emprestado. Tudo somado, a má gestão financeira deverá aumentar a dívida pública em 10 pontos percentuais do PIB ao longo dos quatro anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Breve história da política brasileira, de Carneiro Leão a Lula da Silva, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A reeleição não pode depender apenas da frente formada por PT, PSB e outros partidos de esquerda, precisa de setores conservadores e velhas oligarquias

O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva vai além das conveniências eleitorais da Paraíba. Reproduz o pacto entre o poder central e as oligarquias regionais, pelo qual interesses contraditórios se acomodam em torno da governabilidade e da preservação do poder. É a recidiva da velha “política de conciliação” incorporada ao projeto eleitoral de Lula.

José Honório Rodrigues analisou esse fenômeno em Conciliação e reforma no Brasil: um desafio histórico-político (Editora Civilização Brasileira), escrito depois do golpe militar de 1964. Discípulo de Capistrano de Abreu, o mestre via a conciliação de maneira crítica: “Os poderes dominantes tiveram sempre força para conter as aspirações profundas de mudança e reverter os movimentos de modo a sustentar seu sistema e seus privilégios”.

Para José Honório, a Independência, as revoltas do período regencial, a República e as crises de 1930, 1945, 1961 e 1964 revelavam uma característica recorrente da formação do Brasil: as estruturas do patronato brasileiro demonstram extraordinária capacidade de sobrevivência. “O povo brasileiro é uma vítima, um derrotado no processo histórico.”

Os (poucos) 45 dias que decidem o Brasil, por Mauricio Moura

O Globo

Não foi sempre assim: até a minirreforma eleitoral de 2015, a campanha oficial durava 90 dias.

Todo ciclo eleitoral brasileiro carrega o mesmo paradoxo: escolhemos quem vai administrar bilhões em orçamento público, definir políticas de segurança, saúde e educação para 215 milhões de pessoas, e o fazemos depois de um debate público oficial que dura, na prática, 45 dias. É o tempo que a legislação eleitoral reserva para a propaganda nas ruas antes do primeiro turno, um intervalo que, comparado ao de outras democracias relevantes, é curto até para os padrões de um país que historicamente prefere resolver tudo em cima da hora.

Não foi sempre assim. Até a minirreforma de 2015, a campanha oficial durava 90 dias. A justificativa para o corte foi legítima: reduzir custos, atenuar o desgaste institucional e coibir o abuso do poder econômico e de máquina. Só que a reforma resolveu um problema e criou outro: comprimiu radicalmente o tempo em que o eleitor tem contato formal, regulado e comparável entre propostas de governo, plataformas partidárias e planos de governo. Trocamos excesso de abusos por escassez de deliberação. E muitas vezes mantivemos ou ampliamos certos abusos.

O perigo de relativizar o sigilo da fonte, por Vera Magalhães

O Globo

Decisão de Alexandre de Moraes relativa ao Maranhão ignora instituto garantido pela Constituição e abre precedente perigoso

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de autorizar a busca e apreensão contra um político do Maranhão sob a alegação de que ele foi a fonte para a publicação de reportagens por um blog a respeito do uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e sua família coloca em xeque o princípio do direito de jornalistas ao sigilo da fonte, assegurado na Constituição.

O caso é intrincado e muitas informações essenciais à sua compreensão permanecem sob sigilo judicial, mas as justificativas para a decisão não parecem suficientes para relativizar um dos mais importantes instrumentos para o exercício da liberdade de imprensa —tão importante que o constituinte fez questão de torná-lo textual.

Diz o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Na revolução sem povo do PCO, verba pública abastece negócios da família, por Bernardo Mello Franco

O Globo

PF apura suspeita de desvio milionário do Fundo Eleitoral; Rui Costa Pimenta se diz vítima de 'perseguição política'

O chamado foi de Rui Costa Pimenta, o eterno presidente do Partido da Causa Operária: “Temos que dizer claramente que o caminho é a revolução”. Em convenção no último sábado, o dirigente pregou a “derrubada da burguesia” e avisou que as eleições “não vão mudar absolutamente nada”. Apesar da descrença no voto, ele anunciou sua quarta candidatura ao Planalto.

Com discurso de extrema esquerda, Pimenta participou das corridas presidenciais de 2002, 2010 e 2014. As massas faltaram ao encontro, e ele terminou todas as disputas em último lugar. Na primeira, recebeu 0,05% dos votos válidos. Nas últimas duas, encolheu para 0,01%. Também ensaiou se candidatar em 2006, mas teve o registro negado pelo TSE. Não havia apresentado prestação de contas da campanha anterior.

Vorcaro desvia o foco das fraudes para a delação, por Elio Gaspari

O Globo

A colaboração do banqueiro quer embaralhar os celulares

A delação premiada é uma prerrogativa da Viúva. Em dezembro de 2008, o FBI prendeu o financista Bernie Madoff, que brilhava sentado numa pirâmide de US$ 65 bilhões. Comparado às conexões de Madoff, Daniel Vorcaro com seu banco Master era um flanelinha. Madoff tinha o que contar, um de seus fundos juntava boa parte da grã-finagem internacional (com alguns brasileiros). Não se conhecem os detalhes de suas conversas com o Ministério Público, mas nem o governo nem ele puseram a carta da delação na mesa.

Novos padrões e métricas para a diplomacia, por Fernando Exman

Valor Econômico

Regras do jogo nas relações internacionais mudaram e os desafios neste campo irão aumentar até as eleições

Está evidente, para autoridades do governo Lula e diplomatas de carreira, que as regras do jogo nas relações internacionais mudaram e os desafios neste campo irão aumentar até as eleições. Os próximos anos também já são dados como um período turbulento e de eventual transição, a depender do destino político de alguns dos líderes estrangeiros responsáveis pelas atuais crises e que já enfrentam problemas de popularidade em seus respectivos países.

Não será uma adaptação trivial para uma tradicional instituição de Estado como o Itamaraty. Seu patrono, o barão do Rio Branco, cunhou conceitos, premissas e condutas até hoje seguidas no Ministério das Relações Exteriores. Práticas que sempre funcionaram, aqui e no exterior, em um ambiente marcado em geral pela cordialidade mesmo em momentos de maior tensão.

No debate do ajuste fiscal, nada é o que parece, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Informações sobre a política fiscal que circulam antes das eleições não contam toda a história

Nos debates sobre as contas públicas no próximo governo, nada é o que parece.

Se algum candidato planeja uma reforma estrutural, como recomenda boa parte dos especialistas, não vai detalhar suas ideias nos palanques. São mudanças impopulares.

Se, ao contrário, promete gastar mais sem cortar do outro lado, vende terrenos na lua ou planta crise. O Orçamento federal está cada vez mais apertado.

Ou seja, as informações sobre a política fiscal que circulam antes das eleições não contam toda a história.

Por exemplo: o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, apareceu na semana passada usando um broche em formato de tesoura. Simbolismos à parte, é bom lembrar que seu pai e guru político, o ex-presidente Jair Bolsonaro, interditou a agenda liberal de sua equipe econômica.

Eleições são um perigo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Democracias não são conhecidas por favorecer a escolha de governantes sábios

Diluição de responsabilidades e vieses de autosseleção de candidatos estão entre os problemas

Se me pedissem para desenvolver o pior sistema possível para selecionar governantes, eu talvez chegasse às eleições. A lista de problemas que elas engendram é grande.

Pelo lado do eleitor, temos a diluição de responsabilidades. Se você quer um serviço bem-feito, não o encomende a múltiplos prestadores que não podem ser individualmente cobrados por suas ações. Mas é exatamente o que fazemos quando encarregamos um eleitorado, que pode chegar a centenas de milhões nos países mais populosos, de escolher os dirigentes da nação. O próprio eleitor resiste em aderir ao projeto. Ele sabe que o peso de cada voto individual tende à irrelevância e por isso nem se dá ao trabalho de conhecer minimamente as propostas de cada postulante, como exigiria o modelo de democracia racional.

Candidatos criticam, mas não explicam como frear emendas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Não há no debate eleitoral uma abordagem consistente sobre o uso abusivo do Orçamento da União

Do jeito que vai, o Congresso acaba capturando a totalidade dos recursos disponíveis para as despesas do país

A escrita corrente na política reza que o marco inaugural do avanço desmedido no uso das emendas parlamentares deu-se na presidência de Eduardo Cunha (Republicanos) e se consolidou na gestão de Arthur Lira (PP) no comando da Câmara dos Deputados.

A história, contudo, traz registro mais antigo. Data do ano 2000 e tem a paternidade do então poderoso e já falecido senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), autor de proposta para tornar todo Orçamento da União impositivo.

Gente de peso nas empresas começa a falar de recessão que economistas ainda não veem, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Arminio Fraga e Alfredo Setúbal alertam para risco de economia abaixo de zero em 2027

Previsões mais pessimistas que chegam ao BC estimam alta do PIB de pelo menos 0,7%

Gente de peso da finança começa a dizer em público que 2027 pode ser de recessão. No final de julho, foi Arminio Fraga, economista, ex-presidente do Banco Central, da Gávea. Nesta semana, foi Alfredo Setúbal, CEO da Itaúsa, "holding" que tem parte do Itaú Unibanco e de um monte de empresas. Disse que o cenário é de "economia bastante desacelerada e podemos ter uma pequena recessão". Fraga parece mais pessimista do que Setúbal.

Entrevista | Esquerda se acostumou a ser pessimista, diz ex-presidente do Parlamento Europeu, por Victor Lacombe

Folha de S. Paulo

Alemão Martin Schulz avalia que medo fortalece extrema direita no mundo todo e chama Lula de político otimista

Para Schulz, 'governo perigoso está hoje em Washington, não em Brasília', e Trump interfere nas eleições do Brasil

O político alemão Martin Schulz, que passou mais de 20 anos no Parlamento da União Europeia e liderou o bloco de esquerda no órgão, acredita que um dos grandes erros de progressistas hoje é ser pessimista —e que Lula vai vencer as eleições deste ano no Brasil porque, ao contrário, investe em uma mensagem otimista.

Para o ex-presidente do Parlamento Europeu, Lula "é alguém que, em toda a vida, não se permitiu ficar cabisbaixo. Por isso creio que seja um bom exemplo para a esquerda", que, segundo ele, "se acostumou a ser pessimista" enquanto a direita "transmite, de alguma forma, otimismo, com o lema: vamos destruir tudo, e aí as coisas vão melhorar".

No Brasil para o aniversário de 50 anos da Fundação Friedrich Ebert, da qual é presidente, Schulz conversou com a Folha sobre a extrema direita no mundo, incluindo o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), o governo Friedrich Merz, as eleições brasileiras, e a política externa de Donald Trump.

O espectro que ronda a eleição de 2026, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Escândalos chegam a uma disputa polarizada

Ambiente digital multiplica impactos públicos

Um espectro ronda a eleição presidencial de 2026. Aliás, não um, dois. O primeiro vem do escândalo dos descontos ilegais do INSS. O segundo, das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ambos continuam em desenvolvimento e já alcançaram as duas principais candidaturas. Num país em que a prova de corrupção continua a ser uma arma letal na disputa pelo Executivo, todos sabem que, a qualquer momento, um dos dois escândalos pode desferir o golpe fatal.

A circunstância torna-se especialmente explosiva porque esta não é uma eleição normal de conquistar. O país chega à disputa partido ao meio, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em levantamentos recentes de segundo turno e rejeitados por parcelas enormes do eleitorado. Numa eleição assim, o veto pode importar mais do que o voto. Na impossibilidade de ampliar o próprio eleitorado, as campanhas passam a torcer —e, quando podem, a trabalhar— para que o outro lado seja o mais rejeitado. Uma revelação devastadora de última hora, a associação ao personagem errado e a vaca vai para o brejo.

Lula e a Segurança 24 anos depois, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Plano de segurança do petista repete promessas feitas por sua primeira campanha em 2002

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria reler o documento Projeto Segurança Pública para o País. Editado em 2002, ele defendia a criação dos Conselhos Consultivo de Segurança Pública e de Proteção a Testemunhas, a unificação progressiva das polícias, com corregedorias únicas, bem como academias integradas de formação. Também afirmava ser preciso investir no policiamento comunitário e na criação de um piso nacional para as polícias, assim como aumentar o controle do uso da força letal pelos agentes da lei.

O documento defendia 28 propostas, pregava uma “reforma das polícias”, com a criação de uma Escola Superior de Segurança e Proteção Social. Atacava a corrupção, afirmando que “o grau de promiscuidade das polícias com as organizações criminosas” constituía “também variável decisiva” no quadro de insegurança. E concluía: “ou haverá segurança para todos, ou ninguém estará seguro no Brasil”.

A tomada da IA pela China, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

De chips a modelos de código aberto, a China entrou de vez na corrida pela liderança da inteligência artificial

A China entrou de vez na corrida pela liderança da inteligência artificial: não somente na fabricação de chips e de outros insumos numa cadeia de produção bilionária, em segmentos dominados por empresas coreanas e taiwanesas, mas também no desenvolvimento de modelos de IA de código aberto a preços bem mais baixos que os cobrados pelos rivais americanos OpenAI e Anthropic. Em julho, a estreia na Bolsa de Valores de Xangai da CXMT, maior fabricante chinesa de chips de memória, cujas ações dispararam quase 500% no primeiro pregão, foi o último empurrão que fez o principal índice acionário da Coreia chegar a cair 40% do seu pico em junho.

Poesia | Se eu fosse eu, de Clarice Lispector

 

Música | Teresa Cristina | Show 25 Anos do Museu do Samba

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Não pode haver retrocesso na reforma tributária

Por O Globo

Flávio e Caiado cometem erro grave ao sugerir revisão do modelo de impostos aprovado em 2023

São irresponsáveis as promessas de campanha dos candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) de revisar a reforma tributária. Aprovada em 2023, a unificação dos impostos sobre o consumo deu um primeiro passo para acabar com o pandemônio tributário que sempre caracterizou o Brasil, complicando a vida das empresas e afugentando investidores. Foi resultado de amplo consenso no Congresso, depois de décadas de debates e embates. E previu um período de transição de dez anos, para que todos consigam se adaptar à nova estrutura de impostos. Obviamente, deixou muitos insatisfeitos que, em ano eleitoral, fazem pressão sobre os candidatos para tentar deter os avanços.

A legitimidade democrática desafiada, por Ricardo Marinho*

Que estamos vivendo tempos difíceis para a democracia é algo que percebemos há muito tempo.

Está sob diversos tipos de desafios. Um, por exemplo, advinda da revolução tecnológica que afeta vertiginosa a vida de nossas sociedades, outra diretamente por causa da percepção política dos cidadãos e seus níveis de aprovação e/ou desilusão com o sistema democrático, suas regras e seus valores.

Embora entre aqueles que vivem nesse sistema haja uma maioria que o prefira e o considere o melhor sistema de governo e convivência social que a sociedade criou, essa maioria tem diminuído.

Essa tendência descendente quase sempre não resulta de um exercício de reflexão profunda, as respostas nem sempre têm uma relação próxima com a questão; muitas vezes reflete a percepção das pessoas sobre a capacidade do sistema de resolver seus problemas, satisfação e/ou frustração com o cumprimento da promessa de liberdade. igualdade e bem-estar que esperam dela (e nada com cada qual), quando as coisas não vão bem, consideram isso não cumprido e o apego aos seus princípios e valores diminui.

Apoio de Motta a Lula mostra política de conveniência do Republicanos, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A escolha obedece à realidade eleitoral da Paraíba. O presidente da Câmara precisa preservar influência, renovar seu mandato e eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado

O apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva expõe a ambiguidade eleitoral do Republicanos. Formalmente, o partido decidiu permanecer neutro na disputa pelo Palácio do Planalto, não indicar o candidato a vice de Flávio Bolsonaro nem integrar nenhuma coligação presidencial. Na prática, liberou seus dirigentes e diretórios estaduais para escolherem publicamente o lado mais conveniente às respectivas circunstâncias locais. É uma salvo-conduto para múltiplas alianças regionais, inclusive com forças antagônicas.

Foi o que permitiu a Hugo Motta anunciar o apoio a Lula sem romper com a direção partidária. “A tendência nossa aqui na Paraíba é que caminhemos com o presidente Lula”, declarou, acrescentando que o petista representa aquilo que seu grupo considera “o melhor para o país”. O presidente da Câmara aguardou deliberadamente a decisão nacional do Republicanos para somente então revelar sua posição. O Republicanos da Paraíba apoiará a reeleição de Lula, segundo Motta.

Mitos e verdades da diplomacia na era da desinformação, por Mauro Vieira*

Correio Braziliense

A chamada era da pós-verdade não é uma página virada na história, lamentavelmente. Os ataques recentes de governantes de turno de países amigos a instituições democráticas brasileiras ilustram a dimensão desse desafio

O recurso à desinformação em massa e ao uso dos algoritmos e das redes sociais como armas a serviço do extremismo político é um desafio persistente para os regimes democráticos e para o exercício da política, tanto no plano interno quanto externo. Esse fenômeno tem em Giuliano da Empoli um dos mais atentos observadores, primeiramente na obra Os engenheiros do caos e, mais recentemente, em A hora dos predadores. A chamada era da pós-verdade não é uma página virada na história, lamentavelmente. 

O Brasil não está sozinho na tensão com os Estados Unidos, por Fernando Gabeira

O Globo

A revogação do visto da embaixadora em Washington é apenas uma decisão arbitrária entre muitas que os EUA vêm tomando

Um autor argentino que nos visitou recentemente mandou mensagens para os amigos, lamentando os ataques de Milei a autoridades brasileiras. Segundo ele, essas patacoadas não representam grande parte do país.

Não há dúvida de que nem todos na Argentina aprovam a forma como Milei expressa suas posições. Assim como não deve haver dúvida de que os Estados Unidos não apoiam, em sua maioria, as escaramuças diplomáticas que o governo Trump usa contra o Brasil.

Para começar, as próprias tarifas aplicadas ao Brasil e a outros países sofrem grande resistência interna. Vinte e cinco estados americanos entraram na Justiça condenando a decisão de Trump de taxar sob o argumento de que os países não combateram adequadamente o trabalho forçado. Os estados governados por democratas consideram a taxação contrária à lei.

Reação à altura, por Merval Pereira

O Globo

Concurso para professor da USP é exemplar de como as oligarquias dos três Poderes se ajudam mutuamente para manter o statu quo

Diz-se que a vida imita a arte, mas não é preciso ser artista, apenas um sensível observador, para fazer da arte um reflexo da realidade da vida. O jurista Joaquim Falcão foi premonitório em seu livro recém-lançado “A oligarquia dos poderes”, ao constatar que os interesses particulares dos integrantes dos três Poderes se sobrepõem aos públicos, provocando o que chama de “mal-estar social”. O cidadão comum não tem certeza sobre como as autoridades estatais se relacionam e negociam entre si.

Foi esse mal-estar que produziu uma reação cívica à tentativa de oligarcas do Judiciário de interferir no concurso para professor doutor na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), a maior e mais importante universidade pública do Brasil. Criada em 1934, a USP é líder em produção científica na América Latina e destaque em rankings mundiais. O concurso foi anulado porque o candidato vitorioso, Rafael Campos Soares da Fonseca, filho do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Soares da Fonseca, anexou a seu memorial acadêmico cartas de recomendação assinadas por autoridades do Judiciário, incluindo ministros do STF como Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Edson Fachin e André Mendonça. Havia também cartas dos ministros do STJ, colegas de seu pai, Ribeiro Dantas e Gurgel de Faria, e outra do procurador-geral da República, Paulo Gonet.