segunda-feira, 21 de outubro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Luiz Werneck Vianna: consevar-mudando

Este As ruas e a Democracia nos chega em uma boa hora, vindo da reflexão do cientista social Marco Aurélio Nogueira sobre o movimento de junho, que rompeu com fúria a aparente calmaria da superfície da política e pôs por terra a ilusão de que estávamos no limiar do fim da história do Brasil. A política do conservar-mudando, insígnia da revolução passiva, em nome de um pragmatismo sem princípios, manteve, até então, a sociedade imobilizada politicamente, desde as elites empresariais aos sindicatos de trabalhadores, dos intelectuais à vida popular, por uma política de contínua cooptação de seus quadros, lideranças e movimentos sociais, trazendo para o interior da máquina estatal a tudo e todos, dando partida a mais um surto de modernização “por cima”.

Luiz Werneck Vianna, “As ruas e a Democracia”, orelha do livro de Marco Aurélio Nogueira.

Quem diria... Operação de guerra protege hoje leilão do pré-sal

Forte esquema de segurança foi montado pelo Exército, desde a madrugada de domingo, nas proximidades do Hotel Windsor, no Rio. O aparato é para reprimir possíveis manifestações contra a privatização do Campo de Libra, a maior reserva nacional de óleo e gás em águas profundas

Operação de guerra

Governo promove hoje leilão do Campo de Libra, o maior do pré-sal. Exploração do petróleo deverá movimentar R$ 3,7 trilhões em 30 anos

Sílvio Ribas

Seja lá qual for o consórcio vencedor do leilão de hoje do Campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos (RJ), o desenvolvimento da exploração de petróleo e gás no país vai iniciar uma nova trilha, com repercussões no mercado global. Cercado por um forte esquema de segurança, com apoio do Exército, para barrar a presença de manifestantes contrários, e um mutirão da Advocacia-Geral da União (AGU) para cassar liminares da Justiça destinadas à suspensão, o certame terá sérios desdobramentos.

A abertura dos envelopes em um hotel do Rio de Janeiro com a proposta vencedora, a do maior percentual destinado à União do óleo excedente na produção, colocará em marcha investimentos de US$ 1,7 trilhão (R$ 3,7 trilhões) ao longo dos 30 anos de concessão. Neste período, devem ser criados pelo menos 87 milhões de empregos. Estão no páreo nove empresas. Mas ainda há dúvidas quanto ao número de consórcios participantes. Os mais pessimistas falam em apenas um, liderado pela Petrobras em associação com as chinesas CNOOC e CNPC. O Palácio do Planalto acredita em um segundo grupo, que pode reunir a anglo-holandesa Shell e a francesa Total.

Para evitar transtornos, sobretudo diante da ameaça dos petroleiros contrários à privatização de Libra de invadirem o leilão, desde a madrugada de domingo, o Exército montou uma operação de guerra nas imediações do Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, onde ocorrerá o certame. A operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) vai até a meia-noite de hoje. Os militares estão equipados com escudos e armados com escopetas, lança-bombas de gás lacrimogêneo e armas com balas de borracha. Além das tropas federais do Exército, a segurança terá o reforço da Marinha do Brasil, da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Militar do Rio. O efetivo total é de 1,1 mil pessoas.

Os órgãos de segurança estão orientando a população a evitar a região, uma vez que postos de controle permitirão acesso exclusivamente de pessoas credenciadas e de moradores que tragam consigo um comprovante de residência. A polícia militar informou que os agentes vão operar em pelo menos 15 pontos de interceptação na Barra. A Secretaria Municipal de Transportes e a CET-Rio implantaram um esquema especial de trânsito. A área do hotel foi completamente interditada, com bloqueio na Avenida Lúcio Costa (na orla), entre as ruas John Kennedy e Deputado José da Rocha Ribas. Ônibus também tiveram os itinerários modificados. Hoje é feriado do comércio no Rio.

Regime de partilha
René Rodrigues, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), aposta numa reavaliação do modelo adotado para o pré-sal, diante dos resultados a serem aferidos no leilão de hoje. “O governo fez um grande esforço e o marco regulatório é plenamente legal e juridicamente perfeito. A questão é saber se o sistema de partilha se sustentará no longo prazo e os impactos que deixará no caminho”, diz.

O percentual de participação da Petrobras no consórcio — se vencedor — poderá, por exemplo, representar um grave desafio ao seu caixa atual, mas melhores dias na próxima década. Com grave aperto financeiro, produção estagnada desde 2009, elevado endividamento (R$ 176 bilhões) e ameaça de rebaixamento de sua avaliação de risco de crédito, a estatal está impossibilitada de ir muito longe.

Sua presidente, Graça Foster, chegou até a lamentar em público não poder explorar 100% de algo que encontrou e desenvolveu. Ao impor a regra de que a petroleira brasileira deve ter no mínimo 30% de participação no campo, o governo desestimulou a entrada do setor privado. A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, esperava por “mais de 40” participantes. Mas gigantes como Exxon Mobil, BP, BG Group e Chevron preferiram ficar de fora.

O primeiro efeito da privatização será, contudo, para o caixa do governo, com o pagamento de um bônus de R$ 15 bilhões pelos vencedores. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) estima que o governo arrecadou 60% (R$ 9 bilhões) desse montante em todos os 10 leilões de concessão já realizados pela ANP, desde 1999. Mas há ainda analistas que enxergam nesse evento histórico um efeito potencial negativo sobre as cotações futuras do óleo.

Para Adriano Pires, diretor do CBIE, grandes operadoras internacionais desistiram de Libra ao analisar as condições exigidas, uma combinação de grandes volumes, riscos e investimentos em águas ultraprofundas. “Isso poderá afetar o valor dos barris produzidos no pré-sal”, comenta.

Fonte: Correio Braziliense

No Rio, manifestantes se distanciam da disputa eleitoral

Por Guilherme Serodio

RIO - O símbolo do anarquismo ostenta o muro branco ao lado do portão do campus da Praia vermelha da URFJ. A letra A envolta em um círculo também é vista em pichações ao lado de palavras de ordem na fachada da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa e de outros prédios do centro do Rio de Janeiro, além de figurar nas bandeiras pretas dos Black Blocs a cada nova manifestação.

A ideologia anarquista no discurso dos jovens que frequentam protestos no Rio ocupa o lugar deixado pela decepção com a política partidária. Entrevistados pelo Valor na última grande manifestação no Rio, no dia 15 - que resultou em conflito com a polícia e na prisão de 84 pessoas -, jovens e professores disseram não saber em quem votarão para presidente ou governador. Todos afirmaram não se sentir representados pelos principais pré-candidatos na eleição aos dois cargos em 2014.

Poucos partidos têm agido para reverter essa descrença e abrigar as demandas em seus discursos para a campanha e em ações concretas nos parlamentos estadual e municipal no Rio.

"As pessoas estão carentes, órfãs. Acho difícil essa molecada votar", diz o contador Arthur Leitão, 30 anos. entrevistado enquanto a polícia reprimia um manifestante com cassetete e sob as vaias de cerca de 400 jovens na Cinelândia. Leitão percebe a proliferação do discurso anarquista adotado pelos jovens Black Blocs como um escape para a decepção com a classe política. "Há um crescimento do anarquismo. [Mikhail] Bakunin, [Henry] Thoreau. Nunca tinha visto esses autores na rua", diz o contador que tem frequentado os protestos desde junho. "Mas os partidos identificados com a rua podem ganhar muito em cima disso", avalia, citando o PSOL e o PSTU.

O clima de decepção também é sentido entre os mais velhos. "Tenho vontade de anular [o voto]", diz o Analista de sistemas Sérgio, 43. "Só vejo uma turma de aproveitadores", afirma sobre os pré-candidatos à corrida ao governo do estado. Ao seu lado, a professora de história Elisabeth Rodrigues, 67, classifica a lista de pré-candidatos como "uma decepção total".

Mesmo Marina Silva, possível candidata à Presidência pelo PSB não é lembrada como uma opção de oposição ao status quo pelos manifestantes. Professora de nutrição da Unirio, This Salema, 34, votou em Marina em 2010 mas não sabe se vai repetir o voto. "Voto em quem busco acreditar. Não sei se a Marina é minha opção agora. Acho que ela perdeu com esse acordo com o PSB", critica. Para ela, a disputa ao governo do Rio é "um desastre". "Nessa não há ninguém em quem eu acredite".

Enquanto observa policiais atirarem bombas de gás, o ator Vítor, 27, afirma que já era hora de as pessoas tomarem as ruas. "O foco agora não são os partidos, mas como o povo está se comportando diante do panorama político", diz. Morador da Lapa, ele votou para presidente apenas uma vez, aos 16 anos, na primeira eleição do Lula. "Não me considero de esquerda. Não acredito em política", afirma, antes de assumir ter votado no deputado Marcelo Freixo (PSOL) na eleição à prefeitura em 2012.

Únicos partidos lembrados como opção de voto na oposição em 2014 por professores e jovens ouvidos pela reportagem, PSOL e PSTU prometem levar bandeiras das ruas à disputa pelo governo estadual. Os partidos devem lançar uma chapa única à disputa estadual que conte também com o PCB. A valorização do professor, a crítica aos gastos com a Copa e ao transporte público são citados por integrantes do PSOL.

"Falta dinheiro na saúde e educação. É uma vergonha o que se paga ao professor. Mas sobra dinheiro para esses sarcófagos de luxo", diz o ex-deputado federal Milton Temer (PSOL) sobre os estádios da Copa. "A esquerda precisa ter um candidato que possa confrontar tudo que é denunciado desse governo estadual nas ruas", defende Temer, possível candidato do partido ao Palácio da Guanabara.

Desde o começo dos protestos o PSOL se destaca por abrigar as demandas das ruas na Câmara e na Alerj. É de um vereador do partido, Eliomar Coelho, o pedido de abertura de uma CPI que investigasse os contratos das empresas de ônibus com a Prefeitura do Rio, em julho. Seu correligionário Renato Cinco é o autor do pedido de liminar - já revogada - que cancelou na Justiça a audiência da Câmara que aprovou a portas fechadas o plano de cargos e salários dos professores municipais em primeiro de outubro. Na Alerj, o deputado Marcelo Freixo já requereu mais de uma CPI para apurar irregularidades da administração do governador Sérgio Cabral desde o início dos protestos em junho.

Nas ruas, o PSTU tem voz entre jovens militantes e membros do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE), que comanda a greve da classe. "O partido vai levar para a disputa eleitoral a agenda das ruas, que em grande parte é a agenda do partido", diz o presidente estadual do PSTU Cyro Garcia, frisando que a lei do passe livre aprovada no Rio é da legenda. "Em relação ao transporte público, achamos que a CPI que está sendo feita no Rio vai dar em pizza", diz Cyro. "O que a gente tem que apoiar na voz que vem das ruas é a estatização dos transportes".

A resposta do PMDB, partido que detém a prefeitura da cidade e o governo do Estado, passa longe do diálogo. O governador Sérgio Cabral decidiu voltar atrás em decisões relacionadas sobretudo ao Maracanã, em julho. Mas vem apoiando a atuação da polícia, questionada por prisões arbitrárias e flagrantes forjados. Seu correligionário, o prefeito Eduardo Paes, afirma que não vai negociar com os professores em greve. Os professores pedem a revogação do plano de cargos e salários e a volta das negociações entre prefeitura e sindicato. O PMDB também detém a presidência da CPI dos Ônibus na Câmara, criticada por abrigar apenas vereadores governistas.

Fonte: Valor Econômico

O arriscado xadrez de Dilma

Na reforma ministerial prevista para o fim do ano, quando 12 titulares devem deixar o cargo, presidente terá de mostrar jogo de cintura para não desagradar aliados às vésperas da eleição

Paulo de Tarso Lyra

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff precisará de muito cuidado para mover as peças no xadrez da reforma ministerial que fará em dezembro. Não é apenas uma questão de substituir os ministros que concorrerão a algum mandato eletivo no ano que vem. Ela precisa manter a base unida para que parte da coalizão governista não se sinta disposta a escapar rumo aos candidatos da oposição. Tem de agradar o PT e o PMDB para não atrapalhar a própria campanha à reeleição e precisa decidir quem conduzirá a Casa Civil, principal pasta administrativa do governo.

Pelos planos da presidente, os novos ministros assumirão o cargo em dezembro, para passar os dois primeiros meses de 2014 inteirando-se do funcionamento da máquina e retomar os trabalhos após o carnaval. A única exceção deve ser Alexandre Padilha (Saúde), que pode ficar até abril para consolidar o Mais Médicos.

Entretanto, a pouco menos de dois meses do final do prazo, até mesmo as pastas que já tiveram titulares exonerados – Integração Nacional e Portos, com as saídas de Fernando Bezerra Coelho e Leônidas Cristino, respectivamente – continuam indefinidas. Dilma praticamente prometeu o Ministério da Integração para o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), mas só confirmará a indicação em dezembro, o que abriu a disputa interna. Com um dos maiores orçamentos da Esplanada – R$ 8 bilhões previstos para 2013 –, a pasta despertou a cobiça do PMDB, do PT e até do PP.

O PT também cobiça o ministério, especialmente pela grande capilaridade que a pasta tem no Nordeste – região crucial para as eleições presidenciais de 2014. Além disso, na cabeça dos articulistas políticos de Brasília, quem herdar a Integração Nacional receberá como bônus os outros cargos que pertenciam ao PSB de Eduardo Campos: a presidência da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), da Sudene e da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).

No caso do PP, o movimento é outro. O partido já comanda o Ministério das Cidades, que, no papel, tem até mais dinheiro para investimentos – R$ 9,5 bilhões –, mas concordaria em se mudar para a Integração para ter um plano de ação intensivo para o Nordeste. Dilma precisa negociar com cuidado com os pepistas. A direção nacional da legenda tende a apoiar a petista na campanha pela reeleição, mas não deu certeza se fará uma coligação formal (o que implica dar tempo de televisão a Dilma) ou se vai liberar o partido nos estados para coligações livres.

Sucessor Dilma está em dúvida também sobre quem vai substituir Gleisi Hoffmann na Casa Civil. Em junho, antes dos protestos que ocuparam as ruas do país, o nome mais forte era o do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, mas correligionários enciumados minaram a indicação. Logo que ele perdeu prestígio, especulou-se que a vaga iria para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Ela se apressou em desmentir, mas petistas próximos a Dilma lembraram que, quando a presidente se desincompatibilizou da Casa Civil para concorrer à Presidência, em 2010, indicou Erenice Guerra, e não Miriam, para o cargo. A ministra do Planejamento deve continuar onde está.

Cresceu, então, na bolsa de apostas, o nome do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Ele já havia sido cotado para a vaga após a queda de Antonio Palocci, ainda em 2011. Dilma, contudo, surpreendeu ao indicar Gleisi Hoffmann. Amigo pessoal da presidente, considerado um bom cumpridor de missões, Bernardo poderia se encaixar com exatidão no papel. Pesa contra ele, no entanto, o fato de ser marido de Gleisi. "Fica muito ruim ele comandar a principal pasta do governo e ela ser candidata ao governo do Paraná", disse um senador aliado.

A opção passou a ser, então, o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabbas. Companheiro da presidente nas aventuras de motocicleta pelas ruas da capital federal, ele estaria orientando Dilma na compra de uma moto. Mas políticos que integram a base de apoio ao governo acham que a Casa Civil "seria uma pasta muito grande para ele".

Renovação
Saiba quem deve sair na próxima reforma ministerial de Dilma Rousseff, prevista para dezembro

Gleisi Hoffmann (PT)
A ministra-chefe da Casa Civil é pré-candidata ao governo do Paraná e deve protagonizar disputa com Beto Richa (PSDB).

Alexandre Padilha (PT)
Alavancado pelo programa Mais Médicos, o titular da Saúde será a aposta de Lula para desbancar o PSDB no governo de São Paulo.

Fernando Pimentel (PT)
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é o pré-candidato petista ao governo de Minas Gerais.

Ideli Salvatti (PT)
Chefe da Secretaria de Relações Institucionais, deve se candidatar ao Senado ou à Câmara por Santa Catarina.

Maria do Rosário (PT)
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência disputará assento na Câmara pelo Rio Grande do Sul.

Pepe Vargas (PP)
Deixará a pasta do Desenvolvimento Agrário para tentar a reeleição na Câmara pelo Rio Grande do Sul.

Antônio Andrade (PMDB)
O ministro da Agricultura tentará novo mandatona Câmara, por Minas Gerais.

Gastão Vieira (PMDB)
Sairá do Ministério do Turismo para concorrer novamente ao cargo de deputado federal pelo Maranhão. Ele se licenciou para assumir a pasta.

Aguinaldo Ribeiro (PP)
O titular das Cidades não decidiu se tentará novo mandato na Câmara ou se disputará o governo da Paraíba.

Marcelo Crivella (PRB)
O ministro da Pesca e senador licenciado quer disputar o governo do Rio de Janeiro.

Guilherme Afif (PSD)
Ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa e vice-governador de São Paulo deve deixar o cargo, mas não definiu seu futuro.

César Borges (PR)
O ministro dos Transportes deve deixar a pasta, mas não anunciou os planos para 2014.

Fonte: Estado de Minas

PT pernambucano decide entregar cargos no governo Campos

Francisco Carlos de Assis

Em reunião tumultuada, com mais de quatro horas de duração, o Partido dos Trabalhadores (PT) de Pernambuco decidiu entregar, imediatamente, todos os cargos que tem no governo de Eduardo Campos (PSB), virtual oponente da presidente Dilma Rousseff na corrida presidencial de 2014. Segundo disse à reportagem o deputado federal e presidente do PT pernambucano, Pedro Eugênio, 56% dos representantes de diretórios do Estado votaram a favor da retirada dos petistas da administração Campos.

"Não foi uma reunião tranquila como esperávamos porque um grupo, que se retirou da reunião, discordou do procedimento da discussão", lamentou o deputado. Segundo ele, os dissidentes defenderam a realização de mais discussões sobre o tema e que a decisão fosse levada para uma comissão, com um número menor de pessoas. Mas como a reunião já estava em andamento no diretório, explicou Eugênio, a maioria decidiu pelo prosseguimento do debate.

Perguntado se a retirada dos colaboradores petistas do governo de Pernambuco seria uma resposta do Partido dos Trabalhadores à decisão do PSB, que neste mês resolveu deixar o governo de Dilma Rousseff, o deputado disse que é mais do que isso. "É mais que uma reposta porque se o PSB tivesse deixado o governo apenas para ter mais liberdade para promover suas discussões (sobre a virtual candidatura de Eduardo Campos) como eles disseram, estava tudo bem", disse o deputado.

O problema, de acordo com Eugênio, é que depois que saiu do governo, o PSB aprofundou posições políticas que mostram uma total divergência do partido presidido por Campos em relação ao governo petista. "Houve uma proximidade muito grande do PSDB com Aécio (senador Aécio Neves, também possível oponente de Dilma nas eleições de 2014). Parece que está se formando uma ampla frente nacional contra o governo do PT", disse o deputado, que também citou as críticas feitas ao governo pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

Na sexta-feira, 18, a situação política de Pernambuco já havia sido discutida pelo PT Nacional em reunião comandada pelo presidente do partido, Rui Falcão, em São Paulo. No encontro paulista ficou acertado que a decisão deveria ser tomada pelo Diretório Estadual.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Faltou planejamento para a saúde, diz Eduardo Campos

Francisco Carlos de Assis

O governador de Pernambuco e virtual candidato à Presidência de República (PSB), Eduardo Campos, disse há pouco que "se o Brasil hoje importa médicos, é porque ontem não viu a necessidade de organizar um planejamento estratégico na formação de recursos humanos para assistir os brasileiros do Sertão, Pantanal, da Amazônia e das fronteiras com o Uruguai".

A crítica do pernambucano foi ouvida por cerca de 2 mil professores e estudantes de medicina, de todo o País, durante a abertura oficial do 51º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem), no Centro de Convenções de Pernambuco, no Recife.

"Nós precisamos reconhecer publicamente que o Brasil falhou no planejamento da formação de pessoas para uma área essencial à expressão da cidadania brasileira", emendou Campos. Segundo ele, é preciso que se adote no País um planejamento estratégico para "vencer os gargalos e consolidar, efetivamente, no Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS) como um direito da cidadania brasileira".

"Entendo que o diálogo que será travado neste congresso tem como diretriz colocar, de um lado, as necessidades sociais e, do outro, as tecnologias que precisam ser aprimoradas, para responder a um modelo que precisa de inovação, sim. Precisa da formação de mais brasileiros para a área da saúde, não apenas aqueles que vão fazer medicina, mas todos os outros cursos", provocou o governador de Pernambuco.

O congresso, que segue até a próxima terça-feira (22), tem como tema central "Desafios na Educação Médica: Necessidades Sociais e Avanços Tecnológicos". Na pauta dos debates, os aspectos atuais e o futuro da educação médica na graduação e pós-graduação, discutindo, entre outros assuntos, a profissionalização docente e o impacto das Diretrizes Curriculares Nacionais nas escolas e na comunidade. As informações são da assessoria de imprensa do governador Eduardo Campos.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Dilma desengavetou Plano Agroecologia por eleição, diz Marina

Ex-ministra do Meio Ambiente volta a atacar presidente em seu blog; segundo ela, desde 2003 País tem lei sobre produção orgânica

Fernando Travaglini

A ex-ministra Marina Silva publicou há pouco em seu blog, e também no Twitter um crítica à presidente Dilma Rousseff que, segundo Marina, teria desengavetado o Plano Agroecologia, anunciando nesta quinta-feira, apenas em função da agenda sustentável que surgiu recentemente no cenário político.

Em um comentário intitulado "Não é mera coincidência", Marina afirma que a iniciativa, que prevê a destinação de R$ 8,8 bilhões para esse forma de produção de alimentos, o que deve favorecer cerca de 75 mil famílias, "merece todo apoio dada a relevância para a agricultura familiar". Mas em seguida a ex-Senadora pondera que o Plano foi criado em 2012 e, desde 2003, ainda no governo Lula, o País já contava com lei sobre a produção orgânica.

Marina diz ainda que o Plano "surge com metas tímidas", citando o porcentual de 5% de compras obrigatórias para o Programa da Aquisição de Alimentos (PAA), o equivalente a R$ 138 milhões, e para o Programa Nacional Alimentação Escolar (PNAE), de R$ 150 milhões.

"Não é por mera coincidência que, um ano antes da eleição, a mesma Dilma que promulgou as mudanças no Código Florestal que favorecem o desmatamento tenha incorporado o desenvolvimento sustentável ao seu discurso", diz Marina Silva, em seu blog.

Eventos como esse, diz Marina, "revelam o quanto ideias fortemente alicerçadas em representatividade e legitimidade social podem fazer com que agendas político-eleitorais até então distantes dessas linhas programáticas se esforcem para incorporá-las ao seu repertório. Se isso vier a se transformar em ações e resultados, ganharemos todos, ganhará o Brasil."

Fonte: O Estado de S. Paulo

Lula admite corrupção no PT

O ex-presidente Lula disse, em entrevista ao jornal espanhol "El País", que o crescimento do PT, ao longo de seus 33 anos, fez surgirem defeitos como a valorização exagerada de cargos públicos e a corrupção. Ele não explicou a que casos se referia, mas defendeu que a direção do partido dê espaço para a nova geração. E ainda criticou a cobertura do mensalão na imprensa.

Lula: crescimento do PT fez surgirem defeitos e corrupção

Ao "El País", ex-presidente diz que petistas precisam abrir espaço para nova geração

-Brasília- Em entrevista ao jornal espanhol "El País" publicada ontem, o ex-presidente Lula afirmou que com o crescimento do PT, ao longo desses 33 anos, e com sua chegada ao poder foram aparecendo "defeitos" como a valorização demasiada do Parlamento e de cargos públicos, e o surgimento da corrupção. Apesar disso, Lula disse que dirigentes do partido foram previamente condenados, por meios de comunicação, no julgamento do mensalão, inclusive, segundo ele, "à prisão perpétua"

— Era um partido pequeno (o PT), que depois passou a ser grande e, como tal, foram aparecendo defeitos. Gente que dá muito valor ao Parlamento, outros aos cargos públicos — disse Lula, ao "El País"

Nesse trecho, o repórter interrompe o ex-presidente e faz referência ao escândalo do mensalão. Lula, então, lembra, com saudosismo, de como o partido funcionava no passado:

— Eu queria dizer que as pessoas tendem a esquecer os tempos difíceis em que achavam bonito carregar pedra. A gente acreditava, era maravilhoso. Um grupo mais ideológico, as pessoas trabalhavam de graça, de manhã, à tarde e à noite. Agora você vai fazer uma campanha e todo mundo quer cobrar. Não quero voltar às origens, mas gostaria que não esquecêssemos para que fomos criados (o PT). Por que queríamos chegar ao governo? Não para fazer como os outros, mas para agir de maneira diferente.

O repórter retomou o assunto, lembrando o que dizia anteriormente o ex-presidente sobre o processo de crescimento (do PT):

— Aparece a corrupção — completou Lula, sem explicar na entrevista sobre quais casos de corrupção se referia.

Ex-presidente critica cobertura do mensalão

Apesar do mea culpa em relação à atuação do PT, o ex-presidente criticou a imprensa pela cobertura do julgamento do mensalão:

— No caso dos companheiros do PT, já foram previamente condenados. Alguns meios de comunicação o fizeram, independente da sentença, inclusive à prisão perpétua. Alguns (petistas) nem podem sair na rua.

O ex-presidente afirmou ainda duvidar que exista no mundo uma nação com quantidade de fiscalização tão grande como o Brasil. E disse que 90% das denúncias são feitas pelo próprio governo:

— O que digo aos companheiros é que só há uma forma de não ser investigado neste país: não cometer erros.

Na entrevista, Lula também pregou a necessidade de renovação do partido:

— O Partido dos Trabalhadores completou 33 anos de vida. Quando se çhega a isso, os que começamos com 35 anos, devemos dar espaço a uma nova geração.

Quanto às manifestações de junho, que tomaram conta das ruas do país e pegaram de surpresa a classe política, o ex-presidente disse que elas "são saudáveis" E listou conquistas de seu governo para dizer que é natural, na sua opinião, que a população queira mais.

Lula ressaltou, no entanto, que é preciso valorizar a participação democrática e não permitir que os jovens reneguem a política:

— Temos que valorizar a participação democrática e não permitir que os jovens reneguem a política, porque quando isso ocorre o que vem é o fascismo.

Apesar de haver um forte "Volta Lula" em setores do PT, o ex-presidente disse, mais uma vez, que não será candidato nas eleições do ano que vem:

— Eu tenho minha candidata, que é Dilma, e vou trabalhar para ela.

Sobre a crise econômica que afeta a Europa, principalmente Espanha, Portugal e Grécia, Lula disse ao jornal espanhol que, na sua opinião, há um problema de falta de decisão política, e não econômica:

As decisões não foram tomadas no momento adequado. No fundo, se permitiu os mesmos ajustes que se fazem nos países pobres. Espanha ou Grécia, com suas rendas per capita, poderiam assumir ajustes de mais longo prazo, não a um tão curto (prazo), asfixiando a economia, a base de sacrifícios enormes, sem levar em conta o que vai custar à população para se recuperar.

Fonte: O Globo

Eleição de 2014 pode levar ao fim da polarização PT e PSDB

Cientistas apontam próximo pleito como aquele com mais ingredientes políticos, desde 1994

Guilherme Reis

A eleição de 2014 sinaliza para ser o pleito com mais ingredientes políticos desde a redemocratização do país, em 1985. A polarização entre PSDB e PT, que existe desde 1994, pode ser quebrada pela aliança entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-senadora Marina Silva, recém-filiada ao PSB e considerada a terceira alternativa mais viável eleitoralmente dos últimos pleitos. Além disso, os eleitores escolherão seus candidatos depois de o país ter enfrentado intensas manifestações de ruas, demonstrando grande insatisfação com os políticos, principalmente.

Além da possibilidade de quebra da polarização, pode marcar a eleição presidencial um número recorde de votos brancos e nulos, o que quantificaria a crise de representação política expressa nas ruas em junho deste ano.

De acordo com o cientista político Rudá Ricci, o perfil de Marina e a estrutura partidária de Campos, além dos protestos, apresentam chances reais de pôr fim à polarização entre petistas e tucanos, forças que por mais tempo controlam o país desde o fim da ditadura militar

“O PSB tem estrutura partidária consolidada, e Marina não gera a desconfiança que a oposição provoca no eleitor, que é a de colocar fim ao programas sociais do PT. Ela ainda consegue unir os evangélicos e a classe média jovem, que tem aversão à velha política, conhecimento da pauta ambiental e que participou dos protestos”, analisou Rudá.

O cientista político Moisés Augusto entende que a maneira de PSDB e PT fazerem política está sofrendo um “desgaste profundo”. “A opinião pública e as manifestações mostraram os anseios por uma opção nova de fazer política. “O PSDB ainda usa Fernando Henrique Cardoso (FHC) como modelo, isso é passado. A situação econômica do país não é tão boa como em 2010, e Dilma não tem a mesma facilidade que Lula tem para fazer acordos com aliados”, ressaltou.

Em contrapartida, o cientista político Gilberto Damasceno afirma que não enxerga Marina e Campos como ameaças ao PT e ao PSDB. “A aliança ainda é frouxa. Temos que esperar para ver se as propostas terão coerência”, concluiu.

O especialista Paulo Roberto Leal entende que as manifestações podem significar um crescimento dos votos brancos e nulos.

“Se a aliança entre Campos e Marina não for bem construída, a possibilidade de escolha dos votos brancos e nulos é muito maior do que a escolha por essa terceira via”, enfatizou.

Fonte: O Tempo (MG)

"O PDT já se entregou a Dilma para 2014", diz Cristovam

Por Fábio Brandt

BRASÍLIA - O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), cotado como possível candidato de seu partido na eleição presidencial de 2014, afirmou em entrevista ao Valor que a sigla já está entregue à presidente Dilma Rousseff (PT) e não lançará candidatura própria.

O responsável por essa situação, disse, é o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, que, desde 2010, preferiu manter um ministério (Trabalho) nas mãos do partido a ter um candidato a presidente. O ex-ministro tem falado que poderia vir a se lançar candidato, mas Cristovam descrê dessa possibilidade.

Cristovam disse ainda que não entrará em uma disputa interna para conseguir a candidatura. "Vai parecer que estou aí na busca da Presidência [da República] a qualquer custo".

O senador pelo Distrito Federal também parece descrente da possibilidade de seu colega de Senado, Pedro Taques (MT), trocar uma candidatura ao governo de seu Estado pela disputa presidencial. "O PDT não vai ter candidato", resume.

Apesar de insatisfeito com os rumos do seu partido, Cristovam Buarque optou por não seguir correligionários como o deputado federal Miro Teixeira (RJ), que trocou o PDT pelo Pros e pode vir a ser candidato ao governo do Rio pela nova legenda.

"Não estou insatisfeito com meu partido, mas com o momento em que ele vive", justifica, dizendo-se descrente dos propósitos das novas legendas: "Não sei o que é esse Pros. A gente não sabe o que é nenhum partido, os novos e os velhos. Eu propus um dia desses, e apanhei muito por isso, que estava na hora de todos os partidos serem suspensos e serem criados novos, com unidade ideológica e moral, que hoje nenhum tem. Continuo mantendo isso. Precisava ter uma moratória de seis meses... Agora não, porque está perto da eleição".

Questionado sobre a chance de apoiar outro colega da legenda para disputar o Palácio do Planalto, ele demonstrou ceticismo. Além do PT, com a presidente Dilma Rousseff, do PSDB, com o senador Aécio Neves (MG), e do PSB, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o PDT é um dos partidos que cogitam ter um concorrente ao Planalto. Mas, até agora, houve apenas especulações e Carlos Lupi já sinalizou que aceita trocar a candidatura própria pela entrada em alguma aliança.

O PSC, do deputado Marco Feliciano (SP), já lançou a candidatura do Pastor Everaldo, e o PSOL também deve ter candidato - possivelmente o senador Randolfe Rodrigues (AP). PSTU, PCO, PSDC e PRTB são outros partidos pequenos que podem entrar na disputa.

O senador pelo Distrito Federal se mostrou otimista com a aliança entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, (PSB) e a ex-ministra Marina Silva (PSB) para a disputa presidencial de 2014: "Melhora muito o debate. Espero que eles consigam construir uma proposta. Tenho muita simpatia [pela aliança deles]".

Para Cristovam, Marina deveria ser uma "líder moral" no Brasil. "Não temos nenhum líder moral agora. Sempre tivemos, agora não temos. Líderes que iam para a frente das passeatas. Mas como ela mesma disse que não queria ser a Madre Teresa da politica, ela foi para o partido certo [o PSB].

Fonte: Valor Econômico

Focos de incêndio no PMDB

Em pelo menos 11 estados, diretórios regionais do partido reclamam do PT e ameaçam atrapalhar a aliança em 2014

Denise Rothenburg, Paulo de Tarso Lyra

O PMDB arma para março uma rebelião que aumentará a dor de cabeça da presidente Dilma Rousseff no planejamento da campanha presidencial de 2014. Insatisfeitos com a postura do PT nas negociações regionais, 11 diretórios do partido ameaçam organizar uma convenção para o início do ano que vem com o objetivo de estudar outros caminhos além do alinhamento automático com os petistas. Na prática, isso significa uma interrogação na aprovação da chapa Dilma presidente e Michel Temer como vice.

Como adiantou a coluna Brasília-DF de ontem, a estratégia repete a mesma prática adotada em 2006, quando uma pré-convenção foi marcada para sepultar as esperanças de Anthony Garotinho ser o candidato do partido ao Planalto. Naquele ano, o partido resolveu apoiar oficialmente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, pavimentando a construção da chapa presidencial nas eleições de 2010.

Os peemedebistas rebeldes estão espalhados pelos diretórios do Ceará, do Rio de Janeiro, do Maranhão, de Alagoas, da Bahia, do Amapá, do Pará, de Mato Grosso do Sul, de Tocantins, do Amazonas e parte de Minas Gerais. Em todos eles, o roteiro se repete: o PT demonstra extrema dificuldade em apoiar os candidatos do PMDB. No Rio de Janeiro, por exemplo, o partido já optou pela candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) contra o atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão (OMDB). Na última quinta-feira, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, almoçou com Pezão e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). O encontro só serviu para aumentar a crise entre os dois partidos no estado.

No Maranhão e no Amapá, a razão da crise é a mesma: a sinalização do PT maranhense de que poderia romper uma longa aliança com o clã Sarney para apoiar a candidatura do presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB). O estrago foi tão grande que o porta-voz da Presidência da República foi obrigado a divulgar nota oficial desmentindo a informação de que a presidente Dilma Rousseff endossaria a decisão, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em Alagoas, outro cacique peemedebista está envolvido no foco da insatisfação. O Planalto e o PT apoiam indiretamente a candidatura do presidente do Senado, Renan Calheiros, ao governo estadual. Essa ideia já havia sido aventada antes da eleição para as Mesas Diretoras do Congresso. Renan não concordou à época e foi eleito presidente do Congresso.

O PT tenta insuflar novamente a candidatura de Renan, pois o vice-presidente da Casa é o petista Jorge Viana (AC), que herdaria a cadeira e comandaria uma Casa estratégica no último ano do primeiro mandato de Dilma. Mas Renan não está muito disposto a abandonar o posto, principalmente porque, pelas regras legislativas, tem direito a concorrer novamente ao cargo em fevereiro de 2015. Mas, de olho na influência política local, Renan pretende indicar o deputado Renan Filho para o governo estadual. Os petistas afirmam que o filho do cacique peemedebista é muito novo e não teria condições de contrapor-se à hegemonia tucana no estado — o PSDB governa o estado e a capital, Maceió.

Outros problemas
Até mesmo estados que não se incluem entre os rebelados vivem momentos de tensão interna. Em Goiás, por exemplo, não há sinais de rompimento entre peemedebistas e petistas. O PT, inclusive, deve apoiar a candidatura do empresário José Batista Júnior, o Júnior da Friboi. Com uma carreira empresarial consolidada, Júnior foi disputado por diversas legendas. Ele chegou a se filiar ao PSB, mas, após uma negociação que envolveu Michel Temer, Lula e Dilma, Júnior desembarcou do PSB rumo ao PMDB. Principal liderança do partido em Goiás, o ex-senador Íris Rezende (PMDB) se sentiu excluído das articulações e ameaça questionar a parceria na convenção estadual do ano que vem.

PT deixa governo de Eduardo Campos
Mais de um mês depois de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, entregar os cargos do PSB no governo federal, o PT pernambucano decidiu, ontem, desembarcar do governo estadual e das prefeituras de Recife e Paulista. No caso dos demais municípios, a orientação é que os diretórios municipais comuniquem os casos, que serão analisados individualmente pela direção executiva estadual do partido. O presidente do diretório estadual do PT, deputado Pedro Eugênio, deve comunicar oficialmente hoje a decisão ao governador Eduardo Campos.

Fonte: Correio Braziliense

Ambientalismo e desenvolvimento - José Goldemberg

As eleições do próximo ano criam uma oportunidade histórica para discutir os rumos que o País deve tomar na área de energia: ou continua com políticas voltadas para ações imediatistas, de curto prazo - muitas delas com objetivos eleitorais ou escolhe um novo caminho, em que objetivos de longo prazo sejam estabelecidos e investimentos sejam feitos em áreas que nos levem a um desenvolvimento sustentável, isto é, que seja duradouro.

Na formulação de tal caminho, o papel do movimento ambientalista é de importância fundamental, por duas razões:

* A proteção ambiental, incorporada no processo de desenvolvimento, pode evitar que ele seja predatório, o que pode comprometer os próprios objetivos desse desenvolvimento;

* E a posição dos ambientalistas - se levada ao extremo - poderá dificultar ou até impedir o desenvolvimento.

Há uma linha tênue entre esses dois caminhos e não é fácil segui-la sem cair em exageros nos dois lados.

O que temos visto na última década não é muito encoraja-dor, com manifestações explícitas de ministros, e até de presidentes da República, ridicularizando posições de movimentos ambientalistas na Amazônia e dando pouca - ou nenhuma -atenção aos sérios problemas do aquecimento global. Essas atitudes refletem o imediatismo de políticos de plantão e impaciência com as dificuldades e os atrasos que a ação dos ambientalistas pode infligir na execução das obras. Sucede que em muitos casos eles têm razão e seria de fato melhor executá-las de forma diferente, que levasse mais em conta a proteção ambiental.

Exemplo claro desses conflitos, que não foram bem resolvidos, é o que está ocorrendo com a construção de hidrelétricas na Amazônia, como em Belo Monte, onde a criação de reservatórios de água foi praticamente abandonada. Afunção desses reservatórios é regularizar a geração de eletricidade ao longo do ano, mesmo nos meses em que não chove. Além disso, em casos de períodos de seca prolongados - que podem durar de dois anos a três anos -, os reservatórios são uma garantia de continuidade da operação do sistema elétrico.

Reservatórios, no entanto, realmente inundam áreas onde existem florestas, afetam populações ribeirinhas e, até certo ponto, a biodiversidade local. No caso de Belo Monte, essas questões provocaram sérios conflitos com comunidades locais onde as organizações não governamentais (ONGs) são muito atuantes.

O governo brasileiro pode argumentar que venceu o movimento ambientalista, que tentou impedir que a usina fosse construída, porque as obras estão em andamento. Em contraposição, poder-se-ia dizer que o movimento ambientalista derrotou o governo, forçando a construção dessa usina praticamente sem reservatório. A área inundada será apenas de cerca de 500 quilômetros quadrados, que não é muito grande comparada com o desmatamento da Amazônia, de cerca de 5 mil quilômetros quadrados todos os anos.

Para os dois lados foi uma vitória de Pirro. Hidrelétricas sem reservatórios não são boas para o sistema elétrico do País e a falta deles já se está fazendo sentir, com o aumento da produção de energia elétrica usando usinas térmicas queimando gás natural (que é caro) ou carvão (extremamente poluente) e até usinas nucleares.
Existe uma solução para esses problemas?

Ao que tudo indica, a resposta é positiva. E um caminho a ser explorado acaba de vir da ONG WWF-Brasil (a seção brasileira do Fundo Mundial para a Natureza), uma entidade ambientalista séria e responsável.

Diferentemente de outras entidades ambientalistas mais radicais, o WWF-Brasil, em sua recente tomada de posição a respeito de geração de energia elétrica no Brasil, declarou: "O WWF-Brasil não se opõe a nenhuma fonte renovável, incluindo as hidrelétricas "per se". Estamos muito preocupados com a forma como foram e ainda estão sendo planejadas e construídas hidrelétricas, especialmente na Amazônia e nas nascentes do Pantanal.

Portanto, recomendamos que sejam tomadas todas as medidas para mitigar esses impactos, considerando seu efeito cumulativo e de longo prazo nas bacias e buscando o menor custo socioambiental. O WWF desenvolveu uma metodologia para contribuir nisso, permitindo uma visão integrada de bacias hidrográficas, de forma a que se possam avaliar, discutir, antecipar e prevenir maiores impactos na biodiversidade, nos serviços ambientais e nos povos tradicionais, e permitindo manter trechos estratégicos dos rios livres de barragens. Este método pode e deve também ser aplicado para outras fontes renováveis de energia".

Essa é uma proposição das mais importantes, porque abre caminho para que o governo federal inicie um diálogo com o movimento ambientalista. Nesse diálogo o governo deveria considerar com seriedade as objeções ambientais levantadas.

Em contrapartida, os movimentos ambientalistas precisariam ser esclarecidos quanto ao fato de que os impactos locais produzidos por uma hidrelétrica na Amazônia são, sim, reais, mas a eletricidade gerada atende às necessidades de milhões de habitantes que vivem a mais de mil quilômetros de distância. As populações atingidas - algumas dezenas de milhares em alguns casos - podem e devem ser realocadas, como foi feito com sucesso quando da construção de muitas hidrelétricas no País, como a de Itaipu. Populações indígenas merecem, é claro, um tratamento diferenciado, que lhes pode também ser dispensado em muitos casos.

Há que atentar também para o feto de que o Brasil necessita acrescentar cerca de 3 milhões a 5 milhões de quilowatts por ano ao seu sistema elétrico e que é difícil fazer isso sem usinas hidrelétricas. A contribuição da energia dos ventos, da biomassa e da eficiência energética é importante e muito bem-vinda, mas não pode atender a toda a demanda.

*Professor emérito da Universidade de São Paulo, foi Secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e Secretário do Meio Ambiente da Presidência da República

Fonte: O Estado de S. Paulo

O preço da omissão - Paulo Brossard

Tenho sob os olhos a notícia de dois fatos que, a despeito de sua diversidade, ambos me parecem de suma relevância. O primeiro diz respeito ao PCC, Primeiro Comando da Capital. Faz 20 anos que ele atua dentro e fora dos presídios. Deve-se o relato ora divulgado ao Ministério Público Estadual de São Paulo, cujo trabalho se estendeu por três anos e meio, a partir de escutas telefônicas e pesquisas sobre apreensões de drogas; o centro da devassa, obviamente, era São Paulo, mas se irradiou por 22 Estados e também ao Paraguai e Bolívia. O PCC atua em 90% dos presídios paulistas; o faturamento da original e bem-sucedida empresa é estimado em R$ 120 milhões anuais, o que a coloca entre as 1.150 maiores empresas do país em volume de vendas; 6 mil de seus integrantes são presos, e 1,8 mil encontram-se em liberdade; a administração cabe aos apenados, a entidade ordena assassínios, resgate de presos, atentado a autoridades e ainda dispõe de tribunais para julgar e executar a quem se torne infiel à comunidade; tudo isso se processa dentro de bens públicos como as penitenciárias.

A referência a esses dados visam apenas mostrar que, se o PCC funciona faz 20 anos, para chegar às atuais dimensões imperiais é porque durante esse longo período houve inépcia ou conivência de quem tinha o encargo de zelar pela exação dos serviços públicos, e também não falo para recriminar o passado, que não se recupera, senão para apontar os malefícios acumulados e o que a omissão pode causar em matéria de danos. O resto é de hoje e fala por si. Se a administração alude à transferência de detentos perigosos para penitenciárias de alta segurança é o bastante para o PCC opor o seu veto (!) à iniciativa oficial e, mostrando as unhas ao governo, divulga que a morte do governador do Estado de São Paulo será a sanção a ser-lhe aplicada. Em outras palavras é um "Estado" a arrostar outro Estado. De um lado, a demora nas providências públicas a revelar praticamente a impotência do Estado com toda sua imensa armadura, de outro lado o poder na sombra e na calada que sua natureza delituosa lhe permite exercer e ainda consolidar, pareceria anedota, mas a ameaça vale como a radiografia de uma realidade social e estatal.

Em tudo diferente é o fato das passeatas ditas pacíficas que terminam em vandalismo. Há quem pense que as duas fases, a educada e a selvagem, atendem a um plano; que a versão é plausível ninguém negará, mas o caso vai além. Não me parece seja casual que essas manifestações no Rio tenham como centro a Cinelândia, a alguns metros do Teatro Municipal, do Museu de Belas Artes, da Biblioteca Nacional, da Justiça Federal; quem quebra por quebrar ou quebra deliberadamente pouco faz destruir um bar ou incendiar uma biblioteca, quem queima um ônibus igualmente queima um museu, indiferente ao que vai destruir. Não faltará quem diga que isto seria impossível ou improvável, ora, neste mundo nada é impossível e por que seria improvável se atos de crescente violência se repetem cronometricamente desde o domingo da vaia! Se por idiotia, paixão, preconceito, perturbação mental ou ferocidade ideológica ou pelo que for, pode acontecer e o mundo está cheio desses desastres. De resto, quem sabe o que se passa na cabeça de um mascarado que vai às ruas para destruir e queimar bens úteis, quando não necessários? Os fatos estão aos olhos de todos, as máscaras também. Os Black Blocs têm limite conhecido? É por isso e por muito mais que é grande a minha preocupação.

Nos dois casos, um diagnóstico comum. Omissão e tolerância do Estado. É alto o preço que a sociedade paga pela covardia.

*Jurista, Ministro aposentado do STF

Fonte: Zero Hora (RS)

Aécio Neves - A verdadeira emancipação

A educação é a principal ferramenta da verdadeira e emancipadora transformação social que o Brasil precisa fazer.

Reduzi-la apenas a frases de efeito ou a discursos é um gesto de covardia para com milhares de brasileiros. A falta de planejamento nessa área vai custar muito caro ao país. Para milhões de jovens, o preço já está alto demais.

Os números oficiais mostram que o despreparo e a ineficácia trabalham juntos para comprometer conquistas preciosas da sociedade brasileira, como a universalização do ensino fundamental, a elevação do percentual de pessoas com mais de oito anos de estudo e a forte redução do analfabetismo, entre outros avanços iniciados no período Itamar/Fernando Henrique. Esse quadro promissor vem sendo sistematicamente demolido.

Os números da Pnad 2012, divulgados há poucas semanas, revelam que a taxa de analfabetismo no país parou de cair e atinge 13 milhões de pessoas. Há ainda um enorme contingente de analfabetos funcionais que se encontram à margem do mercado de trabalho. De cada dez jovens entre 17 e 22 anos que não completaram o ensino fundamental, três continuam sem estudar e trabalhar. Cerca de 50% da população adulta (superior a 25 anos) não têm ensino fundamental e só 11% têm ensino superior, índice muito inferior ao recomendado por instituições internacionais.

O ensino superior é uma das faces do caos no qual estamos imersos. Cerca de 30% dos cursos avaliados no último Enade foram reprovados. O compromisso de realizar dois Enems por ano acabou definitivamente arquivado. No principal ranking internacional de universidades, o Brasil ficou sem nenhuma representante entre as 200 melhores do mundo.

A inexistência de universidades competitivas diz muito sobre o país que pretendemos construir. A educação não é uma ilha isolada. Deveria estar inserida em um contexto que aposta na formação dos nossos cidadãos, em novas matrizes de produção, no incremento da inovação e no uso intensivo de tecnologias de ponta.

Aqui se instala o grande desafio a ser enfrentado: a nossa juventude não pode mais esperar que a educação de qualidade saia do papel e das promessas, da mesma forma que o país não pode continuar aguardando eternamente as condições necessárias para realizar o grande salto no seu processo de desenvolvimento.

O país que almeja conquistar um lugar de destaque no mundo precisa aumentar a sua competitividade e a autonomia da sua população. Ao não se inserir no mercado, toda uma geração corre o risco de não conseguir romper com limites hoje conhecidos, perpetuando ciclos de pobreza e desigualdade.

Essa realidade é injusta com o país. E é injusta, sobretudo, com milhões de brasileiros.

Aécio Neves, senador(MG) e presidente nacional do PSDB

Fonte: Folha de S. Paulo

O personalismo na política - Renato Janine Ribeiro

Há quem condene o personalismo na política - o fato de que certos líderes são tão fortes, alguns até carismáticos, que ofuscam seus partidos. A grande agremiação brasileira que já nasceu declarando guerra ao personalismo é o PSDB. Dos partidos atuais, foi também o mais preocupado com as instituições, proclamando apoiar o parlamentarismo - embora nada tenha feito por este quando ocupou a Presidência da República. Toda teoria tem dificuldades na prática. Mas faz parte da lógica política, mesmo parlamentarista, ter líderes poderosos. Um partido não disputa a hegemonia se não tiver grandes nomes. Isso, todos requerem. Só que isso não significa personalizar a política, coisa que o PSDB não faz nem fez.

Desde a democratização de 1985, destacaram-se quatro líderes personalistas entre nós. Um deles foi um problema, Fernando Collor: seu apelo pessoal ao eleitorado não tinha sustentação partidária ou social. Ganhou a Presidência graças ao vazio de alternativas. Logo depois de seu impeachment, uma emenda constitucional extinguiu a eleição solteira para presidente da República, praticamente eliminando os riscos de elegermos um candidato sem bases sólidas.

Mas também tivemos Leonel Brizola, Lula e Marina. Dos grandes líderes pré-1964, foi Brizola o que mais se destacou e mais tempo durou após o longo interlúdio ditatorial. Seus desafetos o chamavam, injustamente, de caudilho. Tinha carisma. Mas sempre fortaleceu o partido em que estivesse. Liderou a ala esquerda do Partido Trabalhista Brasileiro, legenda que teria retomado na década de 1980, não fossem as manipulações do Palácio do Planalto. Fundou, então, o Partido Democrático Trabalhista, que dirigiu até morrer.

Marina está mais ligada a valores do que a partidos

A mesma lealdade a valores marca Lula e Marina. Ele sempre foi do PT e o PT sempre foi ele. Mas Lula e o partido se estressaram, entre 1998 e 2002 - sua última derrota e sua primeira vitória. A esquerda do PT aprovava propostas radicais, que, na prática, barravam sua rota para a Presidência. Pois votos, quem tinha era Lula. Assim, para concorrer em 2002, exigiu uma guinada pragmática. Não queria mais marcar posição. Queria vencer, mudar o País, mesmo que menos do que o ideal.

Mas ficou uma marca no PT, que um dia ele terá de enfrentar. O partido que surgiu em 1982, como o mais moderno de todos, nunca se emancipou de seu líder. Lula não é autoritário. Mas é quem escolhe os candidatos petistas aos principais cargos em disputa. Indicou Dilma para a Presidência, Haddad para a prefeitura mais rica do país, Padilha para o Estado mais populoso. Tem dado certo, mas à custa de não haver escolha dentro do partido. O PT ganha a eleição, mas não por um processo interno e sim por uma decisão externa à militância. A vantagem é que Lula acerta. A desvantagem é que quem acerta é Lula.

Cedo ou tarde, o PT precisará amadurecer. Muito se tem dito que o PSDB precisa renovar suas lideranças, que está na hora de ter nomes novos, que essa é uma transição difícil. É verdade. Mas o PT pode estar fadado a viver um momento pior. Perdeu a cultura do debate interno. Terceirizou em Lula suas decisões. Isso constitui um risco. Basta que perca uma eleição decisiva. Sua travessia do deserto pode ser penosa.

Mas, para completar o percurso pelos líderes personalistas, Marina Silva é a mais recente. Sem dúvida, ela é modesta; não tem nenhum traço de arrogância; mas seus votos e decisões, criando o Rede ou se aliando ao PSB, são dela e não do grupo. Também aqui, há uma vantagem a curto prazo e um problema a médio. Marina traz votos, porém não os consolida. Não é óbvio que consiga transferi-los. Mas o sinal preocupante é que aparenta ter menos compromisso, do que Lula e Brizola, com os partidos por onde passa. É a menos institucional dos três. Depois que deixou o PT, onde se formou, esteve no PV, criou o Rede e foi dar no PSB. Defendo com unhas e dentes seu direito de concorrer no ano que vem ao cargo que quiser e puder. Mas me inquieta um percurso que vai da esquerda para a ecologia, da ecologia para a sustentabilidade, tema hoje querido dos economistas ex-tucanos e que não é a mesma coisa que a defesa do verde, da sustentabilidade para um partido que tem socialismo hoje apenas no nome, salvo se for para homenagear Roberto Amaral e Luiza Erundina. Cristian Klein sugeriu aqui que Marina seria mais popular entre os que têm aversão à política; chamemos as coisas por seu nome, analfabetismo político; cidadania não é só pleitear direitos, protestar contra uma categoria política desprestigiada, é sobretudo traduzir suas reivindicações na linguagem da política.

Por circunstâncias que escaparam a sua vontade, dos três bons líderes personalistas que analisei, Marina é a única a ter mudado tanto de partido. Leva a extraordinária bagagem de seu apelo pessoal. Mas isso, que na conjuntura dá votos, na estrutura gera rachaduras. Lula e Brizola temperavam seu apelo pessoal, seu carisma, identificando-se a seus respectivos partidos. Era este o "check and balance" do risco que representa, para as instituições, o personalismo. O paradoxo da situação é que o Rede - como o PT, em seu tempo heroico - inclui gente muito qualificada. O apelo pessoal de Marina é inegável e constitui o maior trunfo do Rede e, hoje, do PSB. Mas esse trunfo exige cautela. O personalismo não é fácil para a democracia. Ele existe, não deve ser extirpado, mas precisa de contrapesos. Vejamos se e como Marina consegue institucionalizar seu inegável êxito pessoal. Porque ela é leal a seus valores, mas não tem um vínculo tão forte com as organizações partidárias.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

Fonte: O Valor Econômico

O resumo da ópera do Mais Médicos - Marcus Pestana

Após dois meses de intensa discussão e muita polêmica, a Câmara dos Deputados concluiu a apreciação da medida provisória que criou o programa chamado Mais Médicos.

O Congresso é o estuário da representação da sociedade. A ele cabe gerar os consensos necessários para assegurar a governabilidade. A arte da política é fabricar consensos a partir das divergências explicitadas. Já fomos poder, hoje somos oposição. Já fomos maioria, hoje somos minoritários.

Um tema central nas democracias avançadas é o papel da oposição. Nas últimas eleições na Alemanha, Angela Merkel obteve expressiva vitória, mas não teve votos suficientes para formar um governo estável e terá que dialogar com social-democratas e verdes. Na Itália, as eleições de fevereiro determinaram um equilíbrio de forças entre o Partido Democrático, o Movimento 5 Estrelas e as forças lideradas por Sílvio Berlusconi. O impasse político levou à nomeação de um moderado do PD, Enrico Letta, que será sustentado por forças antagônicas de centro-esquerda e de direita.

Cito esses exemplos para refletir sobre o atual ambiente das discussões na Câmara dos Deputados, onde as votações se dão em clima de final de campeonato entre times rivais, a demagogia campeia e os argumentos têm a profundidade de um pires.

O encaminhamento do Mais Médicos pelo governo Dilma foi um festival de equívocos caracterizado pela falta de diálogo e transparência, por viés claramente eleitoreiro, pela escolha errônea da MP como instrumento e a manipulação da comunicação, como se alguém pudesse ser contra mais profissionais para atender a população brasileira. O governo Dilma rompeu de forma irreversível a relação com o movimento médico e tentou jogar a população contra os médicos brasileiros.

Agindo como partido de oposição amplamente minoritário, usamos nossas ferramentas para obter um bom acordo. Já tínhamos conquistado, em proposta que fiz em audiência pública, o edital nacional com preferência para médicos brasileiros. Agora, o programa em seu atual formato será considerado transitório. Após três anos, a revalidação dos diplomas será obrigatória e, por emenda aglutinativa minha e do líder Carlos Sampaio, o ingresso se dará exclusivamente em carreira específica, com concurso público. Também o esvaziamento dos conselhos de medicina foi retirado através de emenda do PSDB.

Como pode um partido minoritário aprovar duas emendas decisivas, por unanimidade?

Habilidade, convicção, capacidade de negociação e formulação. Política não é boxe ou futebol americano, está mais para gamão ou xadrez. Fechei o acordo conversando com o ministro Padilha e com o relator Rogério Carvalho, contando com total cobertura do líder Carlos Sampaio e a cooperação do PCdoB e do PMDB.

Falta o pronunciamento do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho sobre as desumanas e inaceitáveis condições de trabalho dos médicos cubanos, que agridem nossa Constituição e a CLT.

Marcus Pestana, deputado federal e presidente do PSDB-MG.

Fonte: O Tempo (MG)

Pré-sal: fora do script - Valdo Cruz

No plano original, hoje era dia certo e garantido de festa, cenário perfeito para imagens a serem gravadas e guardadas para a campanha da reeleição da presidente Dilma, a mentora do processo.

Só que o primeiro leilão de petróleo do pré-sal pelas novas regras de partilha de produção está envolvido num ambiente de apreensão e pode ocorrer num clima de guerra.

Não por outro motivo, a ordem palaciana é "não cantar vitória" antes da hora, para evitar frustrações. Mas foi o próprio governo que idealizou o novo modelo que acabou criando dificuldades para sua estreia.

O sistema de partilha já era visto como intervencionista quando criado no período Lula, mas o estilo Dilma de governar só fez aumentar nas petroleiras privadas o temor de que a mão pesada do Planalto interfira demais na exploração do pré-sal.

Resultado: o número de competidores ficou bem abaixo do esperado pelo governo. E há o risco de apenas um consórcio disputar o leilão.

De outro lado, planejado para fortalecer a Petrobras, o novo modelo terá seu primeiro leilão com a maior estatal brasileira enfraquecida por obra e graça de quem desejou tonificá-la. Algo paradoxal.

Entre a descoberta do pré-sal, em 2007, e hoje, o endividamento da petroleira nacional saltou de R$ 49 bilhões para R$ 176 bilhões e seu valor de mercado despencou 34%.

Reflexo da política palaciana de segurar o preço dos combustíveis para tentar conter a inflação. Estratégia que prejudicou o caixa da estatal e não surtiu o efeito desejado.

Enfim, muita coisa saiu fora do script original, montado pela presidente. O modelo precisa de reparos para atrair interessados em futuros leilões. Não significa, porém, que esteja tudo errado. Há acertos.

Só o campo de Libra vai gerar R$ 270 bilhões para educação e saúde, prova da relevância do pré-sal para o Brasil. Bem explorado, vai nos levar ao Primeiro Mundo. Mal, será mais uma chance perdida. A conferir.

Fonte: Folha de S. Paulo

Nas entrelinhas - Luiz Carlos Azedo

Nosso país tem um ranço golpista e autoritário, que não é monopólio dos militares. Pelo contrário, está impregnado na nossa cultura política, à direita e à esquerda

O que mostrar aos jovens?
O que fazer diante do desgaste e da desmoralização, perante a opinião pública, do Congresso, dos partidos e seus políticos, pilares do Estado democrático de direito? Eis uma pergunta que as elites do país, responsáveis pelo status quo, deveriam estar se fazendo. A sobrevivência de velhas práticas, como o patrimonialismo e o fisiologismo; o transformismo dos partidos e o cretinismo parlamentar; a desmoralização de instituições democráticas; as demonstrações de autoritarismo e de ostentação de autoridades eleitas ou nomeadas; tudo isso leva à descrença e à desesperança em relação à política como meio de solução negociada dos impasses e de superação de dificuldades e problemas seculares da nossa sociedade.

O atual ambiente de plenas liberdades e garantias individuais é o mais longevo da República. Nunca antes, no Brasil, o habeas corpus ficou tanto tempo sem ser suspenso por um estado de sítio. A democracia no Brasil não é trivial, secular. A sua consolidação é recente e depende de um esforço permanente das forças democráticas. A Constituição brasileira só tem 25 anos, porém, já tem 75 emendas promulgadas pelo Congresso. Recentemente, a presidente Dilma Rousseff chegou a propor uma plebiscito para realizar uma reforma política. Nosso país tem um ranço golpista e autoritário que não é monopólio dos militares. Pelo contrário, está impregnado na nossa cultura, à direita e à esquerda.

Desde as justas manifestações de descontentamento social que eclodiram a partir de junho, velhas concepções anarquistas, de um lado, e fascistas, de outro, ressurgem sob várias formas. Por exemplo, uns veem o habeas corpus como obstáculo à garantia da ordem; outros o utilizam para continuar praticando atos de violência e vandalismo, impunemente. Quem corre risco é o cidadão que luta por seus direitos pacífica e democraticamente. São lamentáveis os atos de violência de jovens manifestantes mascarados, assim como as prisões arbitrárias e a desproporcional truculência policial.

Há grande inquietação dos jovens brasileiros — já são 50 milhões — em relação ao presente e ao futuro. Esse é o motor dos protestos. A maioria deles não sabe o que é viver sob um regime ditatorial. Muitos acreditam que não existe democracia no Brasil, que a violência é válida na luta contra o que julgam estar errado, que as mudanças só ocorrerão na marra. É um equívoco, ainda mais num país que, bem ou mal, tem eleições a cada dois anos, livres de fraudes eleitorais, que amadurece sua experiência democrática.

Historicamente, em regimes democráticos, essa lógica só levou os jovens à aventura e ao desespero político. Um ambiente de revolta e frustração dos jovens, com violência e desordem, é terreno fértil para o surgimento de organizações extremistas. Por sua vez, a repressão política, uma vez que se baseia na força e não na persuasão, sempre descamba para o arbítrio policial. E faz ressurgir das cinzas velhas propostas para restringir as liberdades, violar direitos e garantias individuais e aumentar as punições em razão das desordens públicas. É o caldo de cultura àqueles que pregam o retrocesso institucional para acabar com a bagunça e restabelecer a ordem. É um erro pensar que só os governos conservadores e de direita adotam tais práticas. Governos populistas e de esquerda também o fazem em conjunturas conturbadas.

Não estamos diante de conflitos e problemas triviais. O mundo vive um choque entre duas civilizações atropeladas pelas mudanças tecnológicas. Com a globalização, a economia do carbono e o atual padrão de consumo colocam em xeque o modo de vida atual. Cientistas e governantes buscam respostas para esses problemas, mas não são capazes de construir consensos mundiais.

As contradições da nossa sociedade — globalizada, dependente e desigual — são complexas, profundas. Dependem de soluções que demandam vontade política focada no bem comum e não apenas nos grandes negócios. Exigem também avanços na ciência e novas alternativas econômicas. A saturação de nossas cidades pelo atual modelo macroeconômico leva ao colapso projetos administrativos aparentemente modernos, mas sem sustentabilidade no cotidiano dos cidadãos. O fracasso das políticas públicas — na saúde, na educação, na cultura, nos transportes e na segurança pública — provoca nos jovens a sensação de que a democracia serve apenas aos poderosos, quando é uma notável conquista popular. Esse entendimento errôneo só será superado com políticas públicas mais eficazes e a renovação das instituições políticas. É precioso mostrar aos jovens que a garantia de transformações duradouras e justas é o fortalecimento do Estado de direito democrático e não o seu desgaste.

Bons dias!
Estou de volta à Entrelinhas, com análises, comentários e informações políticas. Nos encontraremos nesse espaço todas as segundas, quartas e sextas-feiras.

Fonte: Correio Braziliense

Política – Claudio Humberto

• Mesmo com Lula, PT teme ser derrotado em 2014
Apesar das aparências, é de grande preocupação, quase pânico, o ambiente no PT. Após exame das pesquisas posteriores à aliança entre Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva, a cúpula petista já avalia que há risco de derrota ainda que o candidato venha a ser o ex-presidente Lula. Projeções indicam 2º turno, e um dado é devastador: caíram à metade eleitores que votam “com certeza” no candidato de Lula.

• Já não é o mesmo
O Datafolha indicou em 2010 que 60% do eleitorado votava “com certeza” em candidato apontado por Lula. Esse numero caiu para 34%.

• Sinal amarelo
As estimativas de segundo turno do PT x PSDB, nas presidenciais, são animadoras para o tucano Aécio Neves, segundo pesquisas recentes.

• Tendência
As projeções de segundo turno Dilma-Michel contra Eduardo-Marina, por exemplo, indicam uma diferença pró-PT, hoje, inferior a 7%.

• Renovação
A chamada “fadiga de material”, que ajudou Lula a derrotar o PSDB em 2002, hoje conspira contra os petistas e ainda atrapalha os tucanos.

• Os 6 presídios de Brasília não têm bloqueadores
Nenhuma das seis penitenciárias de Brasília, com seus 12,3 mil presos, dispõe de bloqueadores de celulares, segundo o Infopen, sistema de informações do Departamento Penitenciário Nacional. Isso coincide com a volta do golpe do “trote do seqüestro”, aplicado por presidiários contra brasilienses. O titular da Vara de Execuções Penais do DF, Ademar Silva de Vasconcelos, tem tantos problemas no sistema, inclusive superlotação, que considera bloqueadores “artigo de luxo”.

• Leve recordação
O subsecretário do Sistema Penitenciário do DF, Cláudio Magalhães, até “lembra” que já houve interesse em bloqueadores. Já não há.

• Grandes aliadas
A má cobertura das empresas de telefonia se transformou na única “garantia” de que celulares não funcionam no complexo da Papuda.

• Os confiáveis
O governo do DF confia num “scanner do corpo” para barrar a entrada de celulares. Confia também da seriedade de agentes, advogados etc.

• Black nos blocs
O governo federal sabe, mas não divulga, claro, que os baderneiros do Black Blocs pretendem botar literalmente para quebrar no Rio, nesta segunda (21), contra o leilão do Campo de Libra. Arregimentados em outros Estados, pretendem enfrentar até os militares.

• Quem te viu…
Reina um pungente silêncio dos petistas, inclusive de Lula, sobre o leilão de Libra. Em 2010, Dilma era contra, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, chamou o modelo de concessão de “bilhete premiado”.

• Planos diferentes
No PMDB, o ministro Moreira Franco tem sido ventilado para substituir Gastão Vieira (Turismo), que deverá disputar as eleições em 2014. Já o Planalto diz estar satisfeito com a atuação de Moreira na Aviação Civil.

• Mapa da mina
Desconhece-se o “caráter excepcional” da contratação de um técnico em cartografia no consulado do Brasil em Milão ganhando US$ 13 mil mensais do Itamaraty, fora mudança e passagens para toda a família.

• No abraço
O PCdoB, que desembarcou do governo Sergio Cabral (PMDB) com a deputada Jandira Feghali posando de pré-candidata, vai partir para o abraço à candidatura de Anthony Garotinho (PR) ao governo do Rio.

• Aprendiz de carrapato
O ex-comerciante Adelmir Santana está em dupla campanha: para deputado (PSD) e pela reeleição para a Fecomércio-DF, que preside há 14 anos. Tenta imitar Antonio de Oliveira Santos, o “carrapato” que chefia a Confederação Nacional do Comércio há 33 traumáticos anos.

• Beira o infinito
O deputado Miro Teixeira (PROS-RJ) contabiliza que, com as 32 siglas existentes, é possível combinar 496 dobradinhas diferentes em cada Estado, para eleições de 2014: “E se considerarmos os 27 estados…”.

• Pelegos sem força
Nesta data, há 52 anos, os bancários iniciavam sua primeira greve geral. Na época, conseguiram 40% de aumento. Agora, com a pelegada decadente que controla o movimento, tiveram míseros 8%.

• Pensando bem…
…como o petróleo nunca foi mesmo nosso, relaxe e goze, como diria Marta Suplicy.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Painel - Vera Magalhães

Menina dos olhos
A presidente Dilma Rousseff disse a um interlocutor que o leilão do campo de Libra é um dos atos mais importantes do seu governo, que "marcará o país por gerações". Foi decisão pessoal da presidente enviar o Exército para o Rio de Janeiro. Na sexta, determinou que o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) desse uma entrevista para espantar dúvidas. Depois, mudou a data da sanção da lei do Mais Médicos para amanhã para evitar que os assuntos "concorressem".

Expectativa O governo ainda aposta que a disputa por Libra terá mais de um consórcio. Consultores que assessoram os grupos pré habilitados acreditam que serão pelo menos dois. Inicialmente, o governo previa três.

Canetada Tão logo Dilma sancione a lei do Mais Médicos, o Ministério da Saúde vai conceder registro para 220 estrangeiros que ainda não obtiveram licença dos conselhos de medicina para atuar no programa.

Painho... Para evitar as prévias do PT na Bahia, o atual secretário estadual do Planejamento, Sergio Gabrielli, lançou-se pré-candidato com o apoio do ex-presidente Lula e de Rui Falcão, presidente do partido. Gabrielli foi presidente da Petrobras no governo Lula.

...decidirá Para conseguir consenso, Gabrielli terá de torcer pelo governador Jaques Wagner nas negociações com o PT. Wagner apoia Rui Costa para o governo do Estado, mas aceita abrir mão de seu candidato se for coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff.

Em tempo Gabrielli disse à coluna que o leilão de Libra é inoportuno, porque o atual momento econômico é desfavorável.

Só love 1 Eduardo Suplicy e Alexandre Padilha cantaram "Eu sei que vou te amar" em homenagem ao centenário do poeta Vinicius de Moraes no sábado, durante ato em Santo André.

Só love 2 Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, anunciou o senador como candidato à reeleição no ano que vem, numa demonstração de que o partido desistiu mesmo de negociar a vaga para o Senado com os partidos aliados.

Arrocho total A OAB federal e a CNBB se uniram e entregaram ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, um ofício pedindo que seja julgada a ação direta de inconstitucionalidade que proíbe a doação de empresas para candidatos ou partidos.

Torpedo 1 O TRE de São Paulo deve fechar uma parceria com uma associação de São Paulo para incluir o SMS na fiscalização do órgão eleitoral. O objetivo é impedir que os torpedos sejam usados como boca de urna. Até hoje estavam na mira mensagens trocadas por email, Twitter e Faceboook.

Torpedo 2 A associação (Mobile Entertainment Forum) também pretende se juntar à Anatel no grupo que definirá as diretrizes da fiscalização eleitoral no país com o Tribunal Superior Eleitoral.

É do PMDB O novo conselheiro da Anatel deve ser Igor Villas Boas. Seu nome foi indicado pelo PMDB e teve apoio do ministro Paulo Bernardo (Comunicações) para ocupar a vaga de Emilia Ribeiro, que saiu em novembro passado. O posto, que vinha sendo ocupado interinamente desde então, é tido como cota do partido.

De novo O atual presidente da agência, João Batista Rezende, cujo mandato vence em novembro, deverá ser reconduzido. As duas indicações ainda precisam passar pela presidente Dilma.

Risco A ajuda do governo às múltisnacionais pode dar problema. Os fiscais da Receita Federal estão preocupados porque as empresas podem simular prejuízos no exterior para pagar menos imposto no país.

Sem poder O pacote foi decisão política e o fisco não teve espaço para mudança.

Tiroteio

"Se o Aécio tiver em São Paulo, em 2014, o mesmo tratamento que Alckmin e Serra tiveram em Minas, ficaremos muito felizes."

DO DEPUTADO RODRIGO DE CASTRO (PSDB-MG), rebatendo queixa de paulistas à suposta falta de apoio em Minas aos candidatos tucanos em 2006 e 2010.
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Contraponto

Fome zero

"Durante sessão solene no Senado, congressistas deram parabéns aos senadores do Piauí pelo aniversário do Estado, comemorado na semana passada.

O piauiense Wellington Dias (PT) aproveitou para convidar os colegas para um lanche típico no cafezinho, com direito a tapioca e sorvetes de sabores locais.

Ao perceber o interesse dos colegas pelos quitutes, o petista, que já governou o Estado, brincou:

--Quem diria, hein! O Piauí matando a fome de Brasília!

Fonte: Folha de S. Paulo