terça-feira, 23 de maio de 2017

Opinião do dia – Geraldo Alckmin

"Neste momento acho que não seria correto para com o país, em razão de um fato, sair. Vamos ver os desdobramentos desse fato e qual a solução. Temos que participar, ajudar na solução.

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Geraldo Alckmin é governador de S. Paulo, Valor Econômico, 23/5/2017

Temer recua em pedido de suspensão de inquérito

Temer recua de pedido para suspender inquérito contra ele no Supremo

Defesa de presidente se diz atendida com decisão do STF para que seja realizada perícia em áudio e apresenta análise própria

Isadora Peron e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O advogado Gustavo Guedes afirmou nesta tarde de segunda-feira, 22, que a defesa do presidente Michel Temer entrou com um novo pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o inquérito contra o peemedebista não seja mais suspenso. A declaração foi dada após um encontro com o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na Corte.

Segundo Guedes, a defesa se sentiu atendida com o deferimento do pedido para que fosse realizada uma perícia no áudio da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS. “Eu vim dizer (a Fachin) que, diante desse deferimento, não víamos mais a necessidade de suspender o processo e que o presidente quer que esse assunto seja resolvido o mais rápido possível”, disse.

Risco de derrota no STF dita mudança de estratégia de Temer

Recuo em relação a pedido no Supremo ocorre após governo avaliar que decisão desfavorável no plenário poderia decretar fim do governo

Vera Rosa e Beatriz Bulla | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A mudança da estratégia jurídica de Michel Temer começou a ser discutida no fim de semana, quando o presidente percebeu que um julgamento desfavorável do pedido de suspender o inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) poderia ser uma sentença de morte e decretar o fim antecipado de seu governo.

Depois que as cúpulas do PSDB e do DEM tomaram o veredicto do plenário do STF – antes marcado para amanhã – como parâmetro para a decisão de permanecer ou não na base aliada, Temer viu que a tática até então estabelecida havia se tornado uma armadilha.

Governo desarma a própria armadilha

Marcelo de Moraes | O Estado de S.Paulo

Depois de se recuperar do impacto gigantesco causado pela delação dos executivos da JBS, o governo conseguiu um mínimo de reorganização nas últimas 48 horas. Foi o suficiente para enxergar que tinha montado uma armadilha contra si próprio, ao apresentar recurso no Supremo pedindo a suspensão do inquérito contra o presidente Michel Temer.

Perito contratado por Temer diz que áudio deveria ser 'jogado no lixo

Perito contratado por Temer diz ter certeza de que PF vai identificar falhas técnicas

Ricardo Molina afirma que espera que Polícia Federal siga 'rumo normal de uma conclusão pericial'

Carla Araujo e Renan Truffi | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O perito Ricardo Molina, contratado pela defesa do presidente Michel Temer para questionar os áudios gravados pelo executivo da JBS, Joesley Batista, e que respaldam o pedido de inquérito contra o presidente, disse na noite desta segunda-feira, 22, que tem certeza de que a Polícia Federal vai identificar falhas técnicas no material e que do ponto de vista técnico a gravação não pode ser considerada autêntica. “Eu tenho certeza de que a Polícia Federal vai ver isso.”

'Não podemos jogar o País numa aventura', diz Jereissati

Presidente do PSDB evita falar sobre permanência do partido no governo, mas afirma que julgamento no TSE de chapa seja 'mais relevante'

Vera Rosa | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse nesta segunda-feira, 22, que as delações da JBS contêm “denúncias gravíssimas”, com desdobramentos imprevisíveis. Tasso evitou ser taxativo quanto à permanência do PSDB na base aliada do presidente Michel Temer, mas afirmou ser preciso afastar uma “aventura” no País.

“Num momento como este, não podemos jogar o País numa aventura”, insistiu o tucano. Antes de ser informado de que Temer havia mudado sua estratégia jurídica, desistindo do pedido de suspensão do inquérito contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), Tasso mostrou desapontamento ao saber que a Corte não iria mais julgar o caso nesta quarta-feira, 24.

'Se quiserem disputar as eleições, se preparem em 2018', diz Jucá em defesa de Temer

Líder do governo no Senado afirma que presidente não vai renunciar porque 'não há motivo para renúncia'

Julia Lindner e Isabela Bonfim | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), fez nesta segunda-feira, 22, o seu primeiro pronunciamento no plenário após a crise envolvendo o presidente Michel Temer. Ele reforçou que Temer não irá renunciar "porque não há motivo para renúncia". "O cargo de presidente da República não vai ficar vago. Se as oposições quiserem disputar as eleições, se preparem para disputar as eleições em 2018, dentro do calendário constitucional", declarou na tribuna.

Jucá contou que passou o final de semana conversando com Temer e que ele não tem medo das investigações. O líder do governo avaliou ainda que o presidente respondeu "com firmeza" as questões que foram colocadas nos últimos dias. Temer é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Áudio é imprestável, diz perito de Temer; defesa retira recurso

Contratado por Temer, Molina diz que áudio não pode ser usado como prova

BRASÍLIA - Contratado pela defesa de Michel Temer, o perito Ricardo Molina disse nesta segunda-feira (22) que a PGR (Procuradoria-Geral da República) é "ingênua" e "incompetente" ao utilizar a gravação de uma conversa entre Joesley Batista com o presidente como prova para abrir um inquérito contra o peemedebista.

Segundo o perito, o gravador usado pelo empresário da JBS é "vagabundo" e "não é possível" garantir que a gravação seja "autêntica", portanto, argumenta Molina, o áudio não pode ser utilizado como prova judicial.

"O que tem no laudo [da PGR sobre a gravação] é coisa de gente que não sabe mexer em áudio", disse o perito. "Não vou citar nomes, mas conheço quem assina [o documento da PGR] e, se colocarem eles aqui na minha frente, vão começar a gaguejar".

No documento apresentado pela PGR é dito que a gravação foi analisada de forma "preliminar, submetido a oitiva sob a perspectiva exclusiva de percepção humana". "Nesse contexto, o objetivo do trabalho foi verificar se os diálogos existentes nos áudios estão inteligíveis e, se numa análise meramente perfunctória, os arquivos possuem ou não características iniciais de confiabilidade".

PGR busca focar denúncia contra Temer em propina entregue a assessor

Letícia Casado, Reynaldo Turollo Jr. Fábio Zanini | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A PGR (Procuradoria Geral da República) busca denunciar o presidente Michel Temer ao STF (Supremo Tribunal Federal) com base na mala de dinheiro entregue pela JBS ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) e na relação de Temer com o coronel João Baptista Lima Filho, citado nas delações.

Segundo a Folha apurou, procuradores consideram que a gravação da conversa entre Temer e o empresário da JBS Joesley Batista, feita em 7 de março no Palácio do Jaburu, é dispensável para a continuidade do processo.

Temer desiste de suspender inquérito no STF

Gustavo Uribe, Bruno Boghossian, Daniel Carvalho, Letícia Casado | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Ao mesmo tempo em que desistiu de pedir no Supremo Tribunal Federal a suspensão do inquérito aberto contra ele após as delações do grupo JBS, Michel Temer recrudesceu o esforço para tentar, no Congresso, se reerguer da pior crise de seu governo.

O presidente mobilizou líderes de partidos governistas e pediu empenho para aprovar, nas próximas duas semanas, um pacote de medidas econômicas que consigam recuperar o apoio de organizações da sociedade civil e do mercado financeiro.

A defesa de Temer pedia ao STF a suspensão da investigação –sob suspeita de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa– enquanto não fosse feita uma perícia na gravação de uma conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista em que,
segundo a Procuradoria-Geral da República, o peemedebista dá aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Temer desiste de suspender inquérito e ataca gravação

Perito contratado pelo presidente tenta desqualificar fita de dono da JBS

OAB prepara pedido de impeachment e afirma que, independentemente de ter havido ou não edição na gravação da conversa no Jaburu, o diálogo entregue ao MP indica que Temer cometeu crime de responsabilidade

Depois de apostar tudo no julgamento que o Supremo faria na quarta-feira, o presidente Temer desistiu de seu pedido de suspensão do inquérito aberto contra ele. Para evitar uma debandada de aliados a partir de quarta, caso o STF mantivesse o inquérito, Temer reforçou a estratégia de tentar desqualificar o áudio de sua conversa com Joesley Batista, gravada pelo dono da JBS. Contratado pela defesa do presidente, o perito Ricardo Molina disse que a fita tem 70 “pontos de obscuridade” e é “imprestável” como prova judicial, além de afirmar que o MP foi “ingênuo e incompetente”. Outros peritos, como George Sanguinetti e Nelson Massini, contestaram Molina e disseram que, apesar de ruídos e interferências, fica evidente que não há edições na gravação. O presidente da OAB, Claudio Lamachia, anunciou a formalização do pedido de impeachment de Temer e afirmou que, independentemente de ter havido ou não edição no áudio, a conversa indica que o presidente, que não negou a conversa nem os assuntos tratados, cometeu crime de responsabilidade. A OAB cita dois trechos: quando o dono da JBS diz ter a favor dele dois juízes e um procurador, sem que Temer o repreendesse ou denunciasse, e quando Joesley pede ajuda para resolver pendências no Cade.

Temer aciona plano B

Presidente desiste de pedir fim de inquérito após STF condicionar julgamento a laudo da PF

Carolina Brígido e Cristiane Jungblut | O Globo

-BRASÍLIA- Sob risco de ser derrotado no Supremo Tribunal Federal, o presidente Michel Temer mudou de estratégia. Depois de, no sábado, anunciar pedido para suspender inquérito aberto para investigá-lo, ontem Temer desistiu da ideia. A defesa do presidente avisou ao relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin, que não será mais preciso submeter ao plenário do STF o pedido de paralisação da investigação sobre as acusações feitas pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS. Os advogados recuaram por receio de manchar ainda mais a imagem do presidente em meio à crise. Fachin levaria o pedido para a votação do tribunal. Muitos ministros já tinham decidido votar pela continuidade das investigações, o que enfraqueceria Temer ainda mais.

Para perito contratado por Temer, gravação de Joesley é ‘carne podre’

Ricardo Molina afirmou ainda que PGR é incompetente para análise

André de Souza e Jailton de Carvalho | O Globo

-BRASÍLIA- O perito Ricardo Molina apresentou ontem o resultado de uma perícia segundo a qual a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, em conversa com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, deveria ser jogada no lixo. Contratado pela defesa de Temer, Molina disse que há mais de 50 pontos com problemas, o que indica que houve edição e que a gravação está “nitidamente corrompida” .

Foi esse áudio, captado por Joesley sem o conhecimento de Temer, que levou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abrir um inquérito contra o presidente por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa. Na última sexta-feira, numa avaliação parcial, Molina disse concordar com a Procuradoria-Geral da República (PGR), autora do pedido de investigação, que disse haver uma sequência lógica na conversa.

Aliados veem em julgamento do TSE dia-chave

Governo dá início a estratégia para demonstrar força no Congresso e combater desgaste causado por denúncia

Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut, Eduardo Barretto, Eduardo Bresciani e Junia Gama | O Globo

-BRASÍLIA- Apesar de ter aberto mão da antecipação de seu dia D no Supremo, ao desistir do recurso para suspender o inquérito aberto contra ele, os principais partidos da base já consideram que dentro de duas semanas haverá outro diachave para o governo: o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa presidencial Dilma-Temer. Se cassada a chapa, Temer tem que deixar o cargo de presidente. Para tentar ganhar força até lá, o governo deu início ontem a uma estratégia para demonstrar força no Congresso para aprovar medidas econômicas importantes.

— A situação continua da mesma forma intranquila e de insegurança enorme. Temos que sentir rapidamente se há ambiente para continuar votando as reformas. Mas tem outra data chave: o dia 6 de junho. Acho que estamos nas mãos dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Se eles decidirem caçar a chapa é um indicativo de que esse governo perdeu a sustentação — avaliou o deputado Marcos Montes, líder do PSD.

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), foi cuidadoso ao ser indagado se o partido manteria o apoio ao governo e disse que o melhor, para os tucanos, é acompanhar as decisões judiciais do STF e pelo TSE. Nos bastidores, caciques do PSDB apostam na cassação da chapa presidencial junto ao TSE como saída honrosa para que Temer deixe a Presidência da República.

Lula denunciado no caso do sítio de Atibaia

A Lava-Jato denunciou o ex-presidente Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Segundo o MPF, Lula recebeu propina de empreiteiras em forma de obras no sítio, do qual seria o real proprietário. Outras 12 pessoas foram denunciadas, entre elas, Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro. O dinheiro para as reformas foi relacionado a desvios na Petrobras.

Lula é denunciado por lavagem e corrupção

Lava-Jato aponta crimes relacionados às obras do sítio em Atibaia; outras 13 pessoas também responderão

Cleide Carvalho, Gustavo Schmitt e Dimitrius Dantas | O Globo

-SÃO PAULO- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado pela terceira vez à Justiça Federal do Paraná por corrupção e lavagem de dinheiro, agora relacionadas ao sítio de Atibaia (SP). Segundo a força-tarefa da Lava-Jato, o gasto de R$ 1,020 milhão com obras do imóvel, para adequá-lo à família Lula, foram pagos de forma oculta pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin.

As empreiteiras OAS e Odebrecht teriam repassado R$ 870 mil para construção de anexo e benfeitorias no sítio, incluindo móveis para a cozinha. Outros R$ 150 mil são atribuídos a propinas decorrentes de contratos do Grupo Schahin, com reformas conduzidas pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Bumlai foi condenado na Lava-Jato por ter emprestado seu nome para um empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Schahin ao PT.

Lula e familiares teriam recebido ao menos R$ 82 milhões

Valor é ainda maior se considerado extrato de Joesley, de US$ 70 milhões

Também presente nas denúncias feitas por Joesley Batista, da JBS, o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva soma pelo menos R$ 82 milhões em vantagens indevidas que ele e seus familiares são acusados de receber no esquema de corrupção investigado pela Lava-Jato. Segundo cálculo feito pela revista “Época”, essa quantia foi obtida “em vantagens indevidas — bens ou pagamentos ilegais.” O montante, porém pode ser maior porque foi somado antes da delação de Joesley, que afirmou ter separado US$ 70 milhões de propina em uma conta cujos extratos eram, segundo o empresário, de conhecimento de Lula.

Caso JBS ficará de fora do julgamento do TSE

Por Fabio Murakawa, Maíra Magro, Luísa Martins, Rafael Bitencourt e Juliano Basile | Valor Econômico

BRASÍLIA E WASHINGTON - As informações contidas na delação da JBS não serão consideradas nos autos do julgamento da chapa Dilma-Temer, marcado para o dia 6 de junho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Informação de uma fonte do tribunal, antecipada ontem pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, indica que as revelações feitas pelo empresário Joesley Batista podem "influenciar indiretamente" a decisão da corte a respeito do destino de Michel Temer, mas não serão incluídas nos autos.

Antes do escândalo desencadeado pela delação, a expectativa era a de que o tribunal votasse pela permanência de Temer no cargo, seguindo a orientação que se espera do relator do caso na corte, ministro Herman Benjamin. A expectativa, agora, é que sob a influência do novo escândalo o tribunal decida por destituir o presidente.

Supremo aguarda perícia para tomar decisão sobre Temer

Por Luísa Martins, Maíra Magro e Rafael Bitencourt | Valor Econômico

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) só vai decidir sobre a continuidade ou suspensão do inquérito contra o presidente Michel Temer depois de concluída uma perícia oficial no áudio da conversa comprometedora gravada pelo empresário Joesley Batista.

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no STF, determinou o encaminhamento das gravações à perícia da Polícia Federal. O ministro manifestou que a Corte só tomará uma decisão sobre o andamento do inquérito após o resultado da avaliação oficial. Fachin poderá decidir sozinho ou manter a ideia inicial de encaminhar o tema ao plenário.

Ontem, a defesa de Temer divulgou um laudo encomendado ao perito Ricardo Molina atestando que o áudio conteria 70 "obscuridades", que impediriam qualquer chance de atestar sua veracidade - o que, segundo Molina, invalidaria o uso da conversa como prova judicial.

Joesley teria omitido trecho em que falou com presidente sobre temas pessoais

Por André Guilherme Vieira | Valor Econômico

SÃO PAULO - A gravação da conversa de Joesley Batista com o presidente Michel Temer teria sido editada pelo empresário, de modo a omitir assuntos de natureza pessoal abordados no diálogo. Joesley teria suprimido alguns minutos da conversa, que, originalmente, teve cerca de 10 minutos a mais de duração e não apenas 38 minutos, de acordo com fontes próximas à investigação ouvidas pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

"Não há montagem, de modo a alterar a compreensão dos fatos abordados e relacionados ao presidente. Falta um pedaço [da gravação], mas isso não altera a lógica ou a cronologia dos fatos que foram abordados na conversa", garante pessoa a par do caso ouvida reservadamente pela reportagem.

Conforme apurou o Valor, investigadores que atuaram nas delações premiadas firmadas pelos donos da JBS Joesley e Wesley Batista estão seguros quanto à autenticidade da gravação, que ensejou a abertura de inquérito policial para investigar Michel Temer no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de obstrução à Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. O áudio passou por análise preliminar de peritos da PGR, que concluiu que a gravação é "audível" e que o diálogo apresenta "sequência lógica".

PSDB recuou de olho na aliança com o PMDB

Por Maria Cristina Fernandes | Valor Econômico

SÃO PAULO - O velho já morreu mas o novo ainda não pode nascer. Aos interlocutores que o procuram em busca de saídas para a crise, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem lançado mão de Gramsci para situar a encruzilhada em que vive o país. O presidente Michel Temer dificilmente terá condições de reunir apoio político para se manter no poder, mas as alternativas para sua substituição ainda não estão claras. Daí porque o PSDB, que estava a um passo de deixar o governo, recuou. O partido não aposta na proposta de emenda constitucional para a realização de eleições diretas e aguarda os procedimentos para o funcionamento do colégio eleitoral. Da definição de quem pode ser candidato e como se daria a eleição decorrerá a configuração da disputa.

Ao permanecer no governo, o PSDB não fez uma aposta na continuidade do governo Temer, mas na manutenção da aliança com o PMDB. Sem o aliado, o partido não acredita que possa ganhar a disputa no Congresso para se manter no poder e chegar às eleições de 2018 em condições de competitividade. O nome a ser escolhido não terá como atender de maneira equitativa o Congresso, o mercado e a população se as expectativas forem, respectivamente, o freio na Lava-Jato, a aprovação da reforma da Previdência e a retomada do emprego.

"Não seria correto deixar o Temer", avalia Alckmin

Por Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO - Em sintonia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que "não seria correto" o PSDB deixar neste momento o governo do presidente Michel Temer. Alckmin defendeu que o partido tenha "cautela" e espere os desdobramentos das denúncias contra Temer.

"Neste momento acho que não seria correto para com o país, em razão de um fato, sair. Vamos ver os desdobramentos desse fato e qual a solução. Temos que participar, ajudar na solução', disse Alckmin. Questionado por jornalistas se o PSDB vai esperar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a investigação contra Temer, o governador tucano disse apenas: "Vamos aguardar".

A delação que é um escândalo – Editorial | O Estado de S. Paulo

O vazamento da delação de Joesley Batista na semana passada deixou uma vez mais o País profundamente consternado, ao envolver em ações criminosas graduados personagens da vida nacional, a começar pelo presidente da República, Michel Temer. Surpreende que denúncias tão graves tenham sido divulgadas – assumindo, assim, ares de veracidade – sem que nada do que delas consta, e tampouco as circunstâncias que envolvem os fatos, tenha sido averiguado previamente. Tal açodamento foi, no mínimo, irresponsável. Haja vista as consequências da divulgação nos campos político, econômico e financeiro.

A delação do empresário da JBS é escandalosa, e não apenas pelos crimes relatados. As histórias que a cercam são de enorme gravidade, indicando, no mínimo, o pouco cuidado com que se tratou um material com enorme potencial explosivo para o País.

Em primeiro lugar, causa escândalo o fato de que a principal notícia vazada na noite de quarta-feira passada não foi confirmada e, mesmo assim, o Ministério Público Federal (MPF) não fez qualquer retificação. Foi afirmado que um áudio gravado por Joesley Batista provava que o presidente Michel Temer havia dado anuência à compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro. Ainda que a conversa apresentada seja bastante constrangedora para o presidente Michel Temer pelo simples fato de ter sido travada com alguém da laia do senhor Joesley Batista, das palavras ouvidas não se comprova a alegada anuência presidencial. Ou seja, aquilo que tanto rebuliço vem causando na vida política e econômica do País desde a semana passada não foi comprovado e, pelo jeito, não o será, pelo simples fato de não existir.

Delação de Joesley recebe descabida premiação – Editorial | O Globo

A anistia dos irmãos do grupo JBS pelo Ministério Público recebe críticas, diante da gravidade dos crimes confessados de corrupção

Não está em questão a importância do instrumento da delação premiada para que pessoas físicas e jurídicas ajudem na investigação de crimes, em troca da atenuação de penas. Dispositivo em vigor há muito tempo em vários países, e consagrado pelos resultados positivos que obtém, o mecanismo da “colaboração premiada” foi instituído no Brasil, em 2013, na lei 12.850, sobre organizações criminosas, ironicamente sancionada pela então presidente Dilma Rousseff, cada vez mais enredada em malfeitos apurados pela Lava-Jato devido ao tipo de testemunho instituído por esta lei.

O balanço que a Lava-Jato periodicamente atualiza comprova o êxito da investigação, robustecida pelas delações. Apenas em 2016, a operação, instituída na cidade de Curitiba em março de 2014, levou a que R$ 204 milhões — a mais elevada cifra já recuperada pela Justiça no Brasil —, rapinados na Petrobras, fossem restituídos à estatal. Os números sobre condenações, prisões preventivas, penas lavradas etc. também são retumbantes.

Sobre golpes e eleições – Editorial | Folha de S. Paulo

Nota-se, na militância que ainda chama de golpe o impeachment de Dilma Rousseff (PT), um júbilo revanchista com as agruras agora vividas por Michel Temer (PMDB).

Por natural que seja, tal sentimento não deve deixar de conflitar-se com arraigadas percepções da realidade. Afinal, os setores supostamente culpados pelo naufrágio do poder petista —a Lava Jato, a imprensa, o mercado— desempenham os mesmos papéis de antes.

O aparato policial investiga (não sem alguma dose de abusos), os veículos de comunicação reverberam (além de apresentarem suas próprias apurações e pontos de vista), os agentes econômicos protegem seus interesses. O processo por vezes é cruel, mas mantém-se nos limites do jogo democrático.

Golpe não houve, tampouco está em curso. O impeachment respeitou, ao longo de meses, os ritos jurídicos e legislativos. Nada mais legítimo que Temer, igualmente, valha-se de todos os recursos e garantias legais à sua disposição.

Com Temer acuado, forças políticas discutem transição - Editorial | Valor Econômico

O presidente Michel Temer tornou-se refém da Justiça e busca criar condições favoráveis para permanecer no cargo, após a delação de Joesley Batista. Pode ser uma missão impossível. O centro de gravidade do poder já saiu de suas mãos e está na de seus aliados, em especial o PSDB. Temer já fez três discursos desde que foi alvejado pelo dono da J&F, nos quais combinou indignação, vontade irredutível de não renunciar e argumentos inconvincentes. Com baixo capital político, terá de vencer uma corrida de obstáculos.

O primeiro deles, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido de Temer para suspender o inquérito a seu respeito até que seja feita uma perícia oficial das gravações da conversa entre ele e o empresário, pode ter caído por terra ontem. O inquérito prosseguirá, segundo a presidente do STF, Cármen Lúcia, e o STF só se manifestará quando a PF concluir a perícia, tarefa da qual pode ou não se desincumbir até amanhã.

A responsabilidade da imprensa – Editorial | O Estado de S. Paulo

A tarefa primária da imprensa consiste em fornecer ao leitor informações que lhe permitam formar opinião acerca do mundo em que vive. Da qualidade das informações processadas pelos jornalistas depende, em grande medida, a formação de consensos em torno do que é realmente melhor para o País, muitas vezes a despeito do que querem aqueles que estão no poder ou que lá querem chegar. O jornalismo que, por açodamento, se baseia no que está apenas na superfície e se contenta com o palavrório de autoridades para construir manchetes bombásticas se presta a ser caixa de ressonância de interesses particulares e corporativos, deixando de lado sua missão mais nobre – jogar luz onde os poderosos pretendem que haja sombras.

No dramático episódio das denúncias contra o presidente Michel Temer, feitas pela Procuradoria-Geral da República com base em delação dos empresários Joesley e Wesley Batista, ficou claro, mais uma vez, que o Ministério Público sabe como explorar a ânsia dos jornalistas pela informação de grande impacto.

STF pode rever perdão | Merval Pereira

- O Globo

A anistia prometida aos irmãos Batista pelo Ministério Público Federal (MPF) não deve ser mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a quem cabe a última palavra sobre o assunto. “O Ministério Público não é dono do perdão”, sintetizou um ministro do Supremo ao comentar a péssima repercussão que a anistia a Joesley e Wesley Batista teve na sociedade.

Quando, ao fim do processo, o procurador-geral da República encaminhar ao STF sua conclusão, com os pedidos de penas para os envolvidos e o perdão para os donos da JBS, caberá à Segunda Turma decidir. Neste momento, deverá ser revista a proposta do Ministério Público para adequar a punição ao que diz a legislação. O artigo 13, parágrafo único, diz que “a concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiário e a natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato criminoso”.

Crise existencial | Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

O único propósito do governo Temer, sua razão mesma de ser, era promover as reformas que facilitariam a recuperação econômica e permitiriam ao próximo presidente governar sem a faca enfiada muito fundo no pescoço. Temer até que vinha bem. Conseguiu aprovar a PEC do teto de gastos e o socorro aos Estados falidos. Mudanças na legislação trabalhista e na Previdência, apesar de sua impopularidade intrínseca, avançavam. Do lado da economia real, já começavam a surgir tímidos sinais de melhora. Agora, tudo mudou.

A divulgação da fita de Joesley Batista fere, provavelmente de modo mortal, o presidente. No plano jurídico, pelo que foi divulgado até agora, ele até teria como se salvar. Parece haver um festival de vícios em torno da produção e utilização do material fonográfico, que os competentes advogados de Temer saberão explorar.

Estratégia de “desconstrução” | Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

Difunde-se a tese de que houve uma conspiração contra Temer, que precisaria ser desmascarada

Com base na má qualidade da gravação de sua conversa com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e brechas abertas pelo Ministério Público Federal ao pedir a abertura de investigações sobre seu envolvimento em atos ilícitos cometidos pelo grupo econômico, o presidente Michel Temer resolveu apostar todas as fichas na anulação da principal prova apresentada contra ele pelos procuradores da Operação Lava-Jato. Ontem, o perito Ricardo Molina, contratado pela defesa de Temer, “desconstruiu” a gravação em entrevista coletiva, qualificando-a de “imprestável”. Foi com base na gravação e em informações prestadas por Joesley e o irmão Wesley Batista que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin autorizou a abertura de inquérito pelos crimes de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

Bois voadores e a renúncia de Temer | Raymundo Costa

- Valor Econômico

Paralisia do governo é a maior ameaça ao mandato de Temer

Há mais ou menos um ano, quando os partidos costuravam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, avaliava-se que de todos os cenários possíveis e imagináveis o pior era a paralisia do governo. Não deu outra. E não é por outro motivo que o governo corre atrás de parlamentares para tentar votar uma ou outra medida. O verdadeiro teste será a reforma da Previdência.

Uma boa síntese da situação é feita pela LCA: "A delação da Odebrecht não foi capaz de paralisar o governo e o Congresso, mas a da JBS será", analisa a empresa de consultoria. "A paralisia perdurará enquanto Temer permanecer na Presidência". A empresa considera que a renúncia do presidente pode restaurar a governabilidade, mas o fato é que as alternativas à vista cada vez mais apontam para um governo imobilizado até as eleições de 2018.

Mais regras, menos decisões políticas | Joel Pinheiro Da Fonseca

- Folha de S. Paulo

Principal grupo a defender eleições diretas deseja só a volta de Lula

Vivíamos, até quarta passada, os primeiros passos de saída da crise. Inflação sob controle, tímida retomada da atividade econômica e queda do desemprego. O motivo era simples: a confiança de que as importantes reformas em votação no Congresso –trabalhista e previdenciária– seriam aprovadas.

O Brasil entrava nos eixos.

O vazamento da delação de Joesley Batista pareceu programado para sabotar esse futuro. Deu certo. Fica a pergunta: por que às vésperas de importantes votações, e não na sequência? Por que a distorção sensacionalista sobre o real teor do áudio de Temer? Seja qual for o motivo, está claro que a decisão foi política.

O futuro de Temer está nas mãos do TSE, que julgará a cassação da chapa Dilma-Temer a partir de 6 de junho. Os possíveis crimes descobertos agora e a capacidade do presidente de seguir governando não têm rigorosamente nada a ver com as ilegalidades de sua chapa em 2014, mas na prática um determinará o outro.

Tensão na República | Míriam Leitão

- O Globo

Nas conversas gravadas, em qualquer etapa da atual era de escândalos, o que se ouve confirma o temor dos procuradores da Lava-Jato de uma união dos políticos para interromper a operação. Ela hoje parece forte o suficiente para acuar o presidente da República, mas ao mesmo tempo ficou mais vulnerável às críticas pelo acordo da delação superpremiada com Joesley Batista.

Na gravação de Sérgio Machado com o senador Romero Jucá se falou em estancar a sangria. Na conversa entre Joesley e o presidente, o empresário falou, diante de um Temer aquiescente, em controlar juízes e comprar procuradores. Na conversa do senador afastado Aécio Neves com Joesley, ou nas declarações públicas dos ex-presidentes Lula e Dilma, a operação é xingada e tratada como inimiga. Aliás, ela é a inimiga que une os adversários da política.

O destino das reformas | José Márcio Camargo*

- O Estado de S.Paulo

Esperar até o próximo governo para que elas sejam implementadas será um grande desastre

O tsunami político que devastou Brasília na quarta-feira à noite parece ser o único assunto possível. Escrever sobre economia, neste momento, é algo particularmente difícil.

Até quarta-feira à noite, o ambiente no Congresso Nacional quanto à aprovação das reformas era bastante positivo. A reforma trabalhista parecia próxima de ser aprovada pelo Senado e o sentimento em Brasília era de que o governo, em conjunto com organizações da sociedade civil, estava caminhando para conseguir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência. A forma como a delação premiada da família Batista foi divulgada colocou um freio nessa tendência. Pelo menos no curto prazo.

Existem pelo menos três cenários possíveis.

José | Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

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Carlos Drummond de Andrade, In Poesias, Ed. José Olympio, 1942


Com que roupa? - Noel Rosa

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

"O PSDB achou que tinha que desembarcar como se não tivesse nada com o governo. Ele (o partido) tem. Seria oportunismo sair correndo. O PSDB tem responsabilidade. Não cabia, a meu ver, dar uma punhalada nas costas do presidente naquele momento. Não estava nada claro
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Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República, na entrevista no Canal Livre da TV Bandeirantes, 21/5/2017

PSDB e DEM dão fôlego a Temer até a decisão do STF

Líderes dos partidos, pilares da base aliada do atual governo, devem esperar julgamento sobre inquérito para decidir se mantêm ou retiram apoio

Vera Rosa | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – As cúpulas do PSDB e do DEM resolveram dar mais um prazo para Michel Temer e agora aguardam o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de suspensão do inquérito contra o presidente, na quarta-feira, para decidir se mantêm ou retiram o apoio ao governo. Nos bastidores, os dois partidos já avaliam uma saída alternativa para a crise política, com a construção de um nome de consenso para substituir Temer, caso a situação fique insustentável e haja eleição indireta.

O problema é que ainda não há acordo sobre quem seria o “salvador” da Pátria. O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), havia marcado uma reunião para este domingo, 21, em Brasília, com dirigentes e líderes de seu partido e também do DEM e do PPS para discutir a agonia de Temer após a delação da JBS. Ministros entraram em campo, porém, para pedir que o encontro fosse adiado.

Temer perde apoios e aposta tudo no Supremo

Tentativa de mostrar força fracassa e jantar com aliados é cancelado

PSDB e DEM aguardam decisão do Supremo sobre pedido de suspensão do inquérito contra o presidente; FH articula acordo com partidos, inclusive o PT, para o caso de peemedebista deixar o cargo

Diante da possibilidade de baixa adesão, o presidente Temer teve de cancelar o jantar que havia marcado para ontem com líderes aliados de seu governo. Seria uma tentativa de demonstrar força, em meio à grave crise que enfrenta desde a divulgação, na quarta-feira passada, da gravação da conversa com Joesley Batista, dono da JBS. Os convites aos líderes dos partidos começaram a ser feitos na noite de sábado, mas ontem à tarde, quando ficou claro que o quórum seria baixo, os articuladores do Planalto anunciaram que o jantar viraria “reunião informal”. Temer agora aposta tudo no STF, que quarta-feira decidirá se mantém ou não o inquérito aberto para investigá-lo. PSDB e DEM vão esperar até lá para decidir se romperão ou não com o governo. O ex-presidente Fernando Henrique tenta costurar acordo com outros partidos, inclusive o PT, para garantir “sucessão controlada” de Temer. Para ele, o peemedebista não conseguirá concluir seu mandato. Manifestantes foram às ruas em 19 capitais e no Distrito Federal para pedir a saída do presidente.

Sinal de fraqueza - Base resiste a apelo de Temer

Com adesão de apenas 29 parlamentares, presidente cancela jantar para demonstrar força no Congresso

Catarina Alencastro | O Globo

-BRASÍLIA- Um jantar marcado para a noite de ontem com o objetivo de demonstrar que o presidente Michel Temer ainda tem força no Congresso acabou se tornando uma demonstração da fragilidade crescente do governo desde a delação da empresa JBS. Os articuladores políticos do Palácio do Planalto começaram a convidar os líderes dos partidos da base entre a noite de sábado e a manhã de domingo. No início da tarde, no entanto, percebendo que havia risco de baixo quórum, aliados do presidente começaram a anunciar que o jantar se converteria em um encontro “informal”, com a presença dos aliados que estivessem em Brasília. Ao final da noite, cinco líderes de partidos da base e quatro presidentes de legendas aliadas foram ao Palácio da Alvorada.

FH vê Temer sem apoio e busca negociar com PT

Ex-presidente ligou para Nelson Jobim para articular com adversários uma saída ‘controlada’ caso presidente não resista

Pedro Dias Leite e Paulo Celso Pereira | - O Globo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avaliou, a dois interlocutores, que Michel Temer não conseguirá se manter no Palácio do Planalto até o final de seu mandato. Diante desse cenário, defendeu que tem de ser realizada uma sucessão controlada, em que haja um grande acordo entre todas as forças políticas para chegar a 2018. O tucano não ficou apenas nas palavras e, no sábado, ligou para o ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim para dar início a essa articulação.

Fernando Henrique procurou Jobim, que comandou a Justiça no seu governo e a Defesa nos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, para fazer a ponte com o PT. A tese do ex-presidente é que em 2018 todos poderão se enfrentar na eleição, mas que agora o momento é de união.

FHC liga para Temer para oferecer apoio

PSDB aguarda o julgamento do Supremo sobre o pedido de suspensão do inquérito contra o presidente para decidir se rompe ou não com o governo

Tânia Monteiro | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou neste sábado, 20, para o presidente Michel Temer para oferecer apoio e recomendar que se mantenha firme e resista aos ataques que vêm sofrendo. Fernando Henrique também negou a Temer que tenha sugerido a sua renúncia, como "andou sendo noticiado". Segundo relato de um dos interlocutores de Temer, o ex-presidente afirmou que "em momento algum" disse que o peemedebista deveria renunciar.

Apesar de, nos bastidores, haver pressão no PSDB para que o partido deixe a base do governo, a conversa, segundo interlocutores do presidente, mostrou a "disposição" de Fernando Henrique em manter a legenda apoiando a gestão Temer.

A reunião entre DEM e PSDB que estava marcada para este domingo, 21, depois de articulações do governo e de líderes dos dois partidos, acabou cancelada. Caciques de vários partidos decidiram comparecer ao jantar que Temer promoveu no Palácio da Alvorada.

O momento, de acordo com interlocutores do presidente, é de "compasso de espera", aguardando a decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido para suspender o inquérito aberto para investigar Temer por obstrução à Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. O julgamento está marcado para quarta-feira, 24.

‘Não renuncio; Se quiserem, me derrubem’, afirma Temer

'Se quiserem, me derrubem', afirma Temer ao negar de novo a renúncia

Fábio Zanini, Daniela Lima, Marina Dias | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Enfrentando a mais grave crise de seu governo, o presidente Michel Temer (PMDB) diz que renunciar seria uma admissão de culpa e desafia seus opositores: "Se quiserem, me derrubem".

Em entrevista à Folha no Palácio da Alvorada, Temer afirma que não sabia que Joesley Batista, que o gravou de forma escondida, era investigado quando o recebeu fora da agenda em sua residência em março –embora, naquele momento, o dono da JBS já fosse alvo de três operações.

Sobre o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado correndo com uma mala de dinheiro, Temer diz que mantinha com ele apenas "relação institucional". A atitude de Loures, para o presidente, não foi "aprovável". Mas ele defende o caráter do ex-assessor. "Coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole."
*
O sr. estabeleceu que ministro denunciado será afastado e, se virar réu, exonerado. Caso o procurador-geral da República o denuncie, o sr. vai se submeter a essa regra?

Michel Temer Não, porque eu sou chefe do Executivo. Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros, por evidente não será a linha de corte para o presidente.

Mas o sr. voluntariamente poderia se afastar.

Não vou fazer isso, tanto mais que já contestei muito acentuadamente a gravação espetaculosa que foi feita. Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: "Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha".

[E eu disse]: "Mantenha isso". Além do quê, ontem mesmo o Eduardo Cunha lançou uma carta em que diz que jamais pediu [dinheiro] a ele [Joesley] e muito menos a mim. E até o contrário. Na verdade, ele me contestou algumas vezes. Como eu poderia comprar o silêncio, se naquele processo que ele sofre em Curitiba, fez 42 perguntas, 21 tentando me incriminar?

O Joesley fala em zerar, liquidar pendências. Não sendo dinheiro, seria o quê?

Não sei. Não dei a menor atenção a isso. Aliás, ele falou que tinha [comprado] dois juízes e um procurador. Conheço o Joesley de antes desse episódio. Sei que ele é um falastrão, uma pessoa que se jacta de eventuais influências. E logo depois ele diz que estava mentindo.

Esvaziados e sob chuva, protestos pedem 'Fora, Temer' e 'Diretas-Já'

SÃO PAULO, BELO HORIZONTE, BRASÍLIA, CURITIBA, RIBEIRÃO PRETO - Protestos organizados nas cinco regiões do país pediram "Fora, Temer" e "Diretas-Já" em atos esvaziados que, na maior parte dos casos, reuniram poucas centenas de pessoas. Foram ao menos 17 manifestações pelo país.

Convocadas inicialmente por entidades da esquerda e por grupos da direita, as demonstrações perderam a adesão de movimentos que apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e foram castigados pelas fortes chuvas do domingo (21).

Na pauta, além da saída de Temer e da instituição de eleições diretas, os manifestantes se contrapunham às propostas de reforma da Previdência e trabalhista.

Temer tem desafios em série para dar sobrevida a governo

Bruno Boghossian, Gustavo Uribe | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Sob ameaça de perder os pilares de sustentação de seu mandato, Michel Temer tentará evitar o esfacelamento da base aliada e reconquistar o apoio de parcela da sociedade civil, fatores que podem selar seu futuro na Presidência da República.

Em uma semana decisiva, o peemedebista tenta conter o desembarque de partidos governistas e recompor seu apoio no Congresso, que será testado nas primeiras votações desde que foi acusado em delação do grupo JBS.

O PSDB e o DEM, dois dos principais partidos da aliança de Temer, convocaram conversas para discutir a crise que enfraqueceu Temer e reavaliar o apoio das siglas ao presidente. Caciques tucanos querem evitar rompimento brusco, mas abriram discussões reservadas sobre cenários de substituição de Temer.

O presidente tenta evitar a debandada e chamou caciques do PSDB ao Palácio da Alvorada neste domingo (21).

A avaliação é de que um rompimento dos tucanos provocaria um efeito cascata que acabaria com a sustentação do governo.

Sinal do STF define futuro de Temer

Por Andrea Jubé, Raymundo Costa, Murillo Camarotto e Maíra Magro | 

BRASÍLIA - Marcada para quarta-feira, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre se suspende ou não a abertura de inquérito contra Michel Temer será importante para definir o destino do presidente da República e do governo. Isso porque os partidos aliados, sobretudo PSDB e DEM, também aguardarão os sinais do STF para, em reunião de suas Executivas, decidir se continuam apoiando ou se abandonam a base de sustentação política de Temer.

Na contagem de votos a Procuradoria Geral da República (PGR) identificava pelo menos quatro dos onze ministros do STF como favoráveis à suspensão do inquérito. Seriam eles Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli.

Brasil vive momento de 'anomia', diz FHC

Ex-presidente diz que, no lugar de Temer, 'a essa altura, estaria considerando o futuro do Brasil e pensando bem: será que eu tenho condições de governar?'

João Paulo Nucci |O Estado de S.Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que o Brasil vive um "momento de anomia" - estado que se caracteriza pela ausência de regras - e que é preciso "botar ordem na casa". "Há falta de sentido de organização e autoridade. Em toda a parte", disse o tucano em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, transmitida no início da madrugada desta segunda-feira, 22. "De repente o Ministério Público autoriza que um empresário ponha um microfone para pegar um presidente da República. Não é uma coisa banal. Por outro lado você ouve as delações, algumas conversas são impublicáveis. Por outro lado tem um ministro (do STF, Edson Fachin) que suspende um senador (Aécio Neves, PSDB-MG). Não estou julgando, mas estou dando elementos para dizer que está faltando ordem na casa."

PSDB adia discussões sobre permanência no governo

Bruno Boghossian, Daniel Carvalho | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O PSDB decidiu cancelar uma reunião marcada para a tarde deste domingo (21) em que discutiria a manutenção de seu apoio ao governo Michel Temer.

A sigla havia convocado seus dirigentes e líderes parlamentares para o encontro, mas decidiu adiar a conversa depois que a Folha noticiou o encontro.

Três tucanos afirmaram, reservadamente, que tomaram a decisão de suspender a reunião para evitar um mal-estar com o Palácio do Planalto. O PSDB continua na coalizão governista e quer evitar um rompimento brusco, mas seus principais caciques já cogitam um desembarque.

Parte dos dirigentes da sigla defendem uma articulação rápida para que Temer deixe o poder, com a construção conjunta entre partidos aliados de uma candidatura para a eleição indireta que seria convocada nesse caso.

A cúpula da sigla deve retomar as conversas sobre o assunto na segunda-feira (22), em conjunto com representantes do DEM e do PPS.

Isto é o Partidão

Ancelmo Gois | O Globo

Roberto Freire, 75 anos, deixou o Ministério da Cultura, quinta-feira passada, enojado com o grampo de Michel Temer. Mas decidiu não sair atirando para não agravar ainda mais a crise.

Além disso, pediu que a sua equipe da Cultura continuasse trabalhando normalmente. Avisou ainda que o PPS vai continuar apoiando as reformas e insistiu com o seu colega de partido, Raul Jungmann, para não deixar o Ministério da Defesa:

— Nessa hora, o partido não vai contribuir para qualquer instabilidade no meio militar.

Ministro do PSB contraria partido e fica no cargo

Partido fez reunião e decidiu pedir renúncia do presidente Temer

- O Globo

-BRASÍLIA - Apesar de o PSB ter anunciado no sábado o rompimento com o governo, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, conversou com o presidente Michel Temer e informou que ficará no governo. O ministro vem liderando a ala da legenda que ajuda a dar sustentação ao governo no Congresso. Na reforma trabalhista, 14 dos 35 deputados do partido apoiaram a proposta do governo, apesar da posição contrária do partido.

No sábado, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que sugeriu ao ministro que deixasse o posto, mas que ele não era obrigado a fazê-lo.

— O ministro não é indicação do partido. Eu já sugeri que ele deixasse o cargo, ele admitiu que iria pensar. Portanto, ele tem liberdade para ficar, mas não em nome do partido — explicou.

Em reunião da Comissão Executiva, o PSB decidiu partir para a oposição e pedir a renúncia do presidente Michel Temer, porque considera que ele perdeu as condições de governar. Os socialistas também decidiram apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que antecipa as eleições diretas para presidente da República. Pela Constituição, em caso de vacância da Presidência a menos de dois anos do fim do mandato tem de ser feita uma eleição indireta no Congresso.

Alckmin vê fala 'importante' de Temer e diz que 'nada mudou' para o PSDB

Rogério Pagnan | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse na manhã deste domingo (21) que o PSDB fará uma avaliação sobre a crise política no país, mas que, para ele, "nada mudou" em relação à atuação do partido após o surgimento de denúncias envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB).

"O nosso compromisso é com o Brasil. E principalmente segurar a economia. E tentar empurrar as reformas, mesmo num quadro adverso", disse. "Para nós não mudou nada. Nosso compromisso é com o Brasil, com as reformas, com retomada do crescimento, e do emprego."

E continuou. "O Brasil já passou por outras crises, superou e vai superar também essa crise."

Palavras necessárias | Michel Temer

- O Estado de S.Paulo

Defenderemos o Brasil, tendo como missão a entrega de um novo País às próximas gerações

Foi-me confiada a responsabilidade de governar o País num momento de profunda crise econômica, política e moral. Assumi essa incumbência consciente dos desafios que teria pela frente.

Recebi um País arruinado economicamente, com alta taxa de desemprego, inflação descontrolada e empresas estatais saqueadas. Encontrei um País moralmente atingido, clamando por mudanças.

Conseguimos grandes vitórias. O PIB volta a crescer, o emprego dá sinais de revitalização, gestões profissionais são introduzidas em empresas estatais, a exemplo da Petrobrás e do BNDES, há forte redução da taxa Selic; liberamos as contas inativas do FGTS, aumentamos o valor do Bolsa Família, relançamos o Minha Casa, Minha Vida, criamos o Cartão Reforma, e assim por diante. Os ganhos sociais e econômicos foram imensos. Saímos da recessão. O Brasil ganhou governo e rumo.

Quando começamos este círculo virtuoso, abandonando os vícios do passado, eis que um áudio editado, adulterado, amplamente noticiado, põe em risco nossas conquistas. É inconcebível que uma “prova” imprestável desse tipo jogue o Brasil na incerteza. Não retrocederemos!

Interrogações sobre o fator Janot e o desfecho do governo Temer: Entre uma faxina moral e a solução democrática da crise politica | Paulo Fábio Dantas Neto

O balanço dos 44 anos durante os quais a política tem sido o centro das minhas atenções, antes de militante e político, depois de estudioso e professor, permite-me o recurso luxuoso à nostalgia. Por outro lado recusa-me o direito à ingenuidade. Por essa razão não compartilho celebrações (nem as de boa-fé) que se fazem diante dos fatos e factoides que vieram a público no, a meu ver, factualmente obscuro e politicamente obscurantista dia 17 de maio de 2017.

Pessoas e grupos crentes no advento de uma nova era, isenta de corrupção política, que já se misturavam (por apoliticismo, mais do que por afinidade), a outras pessoas e grupos nostálgicos da ditadura, em protestos de rua e nas redes sociais desde 2014/2015, hoje já concordam pontualmente, na rejeição ao Governo Temer, com aquelas pessoas e grupos esperançosos de um retorno ao status quo político superado pelo impeachment de Dilma Roussef. Formou-se, por acidente, ou não tanto assim, curiosa coalizão de veto ao esforço pacificador do governo de transição. E na hora em que o governo balança e, a princípio, migra, de súbito, de um momento de consolidação para uma crise que pode ser terminal, afinidades eletivas entre os dois polos da escalada de radicalização política que persiste há três anos no País fazem ecoar o “Fora Temer” como se fosse um clamor nacional. Clamam estridentemente os que na esquerda gostariam de revogar a Lava-Jato, mesmo sabendo que a queda do governo, se ocorrer, será obra, não da oposição de esquerda ou de movimentos sociais, mas da força daquela operação. Alimentam o mesmo bordão, embora com menos alarido e convicção, antipetistas e antilulistas seguidores exaltados da Lava-Jato, mesmo vendo que a queda do governo abre brecha para os “inimigos” voltarem ao jogo do poder que lhes parecia inalcançável após as delações das primeiras semanas desse maio meio agosto.

Na contramão desse coro excêntrico, persuade-me a ideia de que o virtual fim do governo parlamentar, que talvez esteja consumado (ou quase) quando esse texto for publicado, expressa uma derrota da política. Como tal representará, para além da queda de um governo impopular, um obstáculo à reconstrução do centro político democrático, obra complexa que seguia curso sinuoso desde o ano passado, após sua destruição durante a guerra pelo controle do Estado, travada a partir da eleição presidencial de 2014.

O novo Brasil e a Lava Jato | Cláudio de Oliveira

Há quem diga que a Operação Lava Jato traz um novo Brasil, pois estaria passando o país a limpo e fazendo prevalecer o império da lei, essência do regime democrático.

Sabemos que a Lava Jato é de iniciativa do Ministério Público que, avalizada pelo Poder Judiciário, determinou à Polícia Federal proceder as investigações. A elas não podem se opor nem o Legislativo nem o Executivo, sob pena de crime de obstrução à Justiça.

Os limites das investigações são a lei e a Constituição. Eventuais abusos foram e deverão ser coibidos pelas instâncias superiores do Judiciário, entre elas, o Supremo Tribunal Federal.

Se a Lava Jato e o Judiciário fizerem prevalecer o domínio da lei, de fato, estarão contribuindo para o aperfeiçoamento institucional do país, isto é, para o novo Brasil.

A voz dos municípios: XX Marcha a Brasília | Marcus Pestana

O Brasil é um país continental, nosso território é um dos maiores entre todas as nações do mundo. 

Além disso, a diversidade econômica, social, cultural e geográfica é fantástica. A manutenção de nossa unidade nacional sempre foi um mistério. Nos unem a língua portuguesa, com suas dezenas de sotaques regionais, o Real como moeda, o Governo Federal, paixões nacionais como o futebol e nossa história comum. Não é fácil construir um projeto nacional com realidades tão diversas.

A base da organização política de nossa Federação são os municípios. São 5.561 cidades espalhadas nessa imensidão territorial, sendo que 2.690 com menos de dez mil habitantes.

Durante toda a História brasileira, a dinâmica federativa observou a alternância de movimentos de concentração e descentralização de poder e recursos fiscais. Hoje há uma inegável concentração de poder na União, que por sua vez responde pela maior parte dos gastos previdenciários e pelo pagamento de amortização e juros da maior parcela da dívida pública.

Pátria amarga, Brasil! | Ricardo Noblat

- O Globo

“Não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos” Michel Temer, presidente da República

Mesmo se o presidente tivesse só ouvido Joesley Batista, estaria igualmente enrascado. Raramente os séculos começam e acabam de fato na data marcada. O século XX começou com a guerra de 1914 e terminou com o fim da União Soviética em 1991. Dá-se o mesmo com os governos. O primeiro de Lula foi a continuação do governo Fernando Henrique por mais de um ano. O segundo de Dilma terminou antes da abertura do processo de impeachment. Na última quarta-feira, o de Temer entrou em colapso.

A hora suprema | Vinicius Mota

- Folha de S. Paulo

Armou-se um bote para nocautear o presidente da República. Uma acusação grave foi veiculada como se verdade fosse, sem que os meios para avaliá-la estivessem disponíveis. Michel Temer foi à lona, mas ergueu-se, sequelado, pouco antes do final da contagem.

Em organizações institucionais relativamente complexas como a brasileira, seria improvável a queda instantânea do chefe do Executivo, mesmo no caso de um político arqui-impopular como Temer.

A sobrevida do governo deu ao país a oportunidade de discutir não apenas o destino do presidente, mas também as anomalias da ação investigatória, do acordo de delação que a ensejou e das conclusões iniciais do ministro Fachin.

A batalha de Waterloo | Ranier Bragon

- Folha de S. Paulo

As próximas 72 horas demonstrarão a real consistência da liga que ainda mantém de pé a cada vez mais cambaleante pinguela comandada por Michel Temer.

Se até quarta o peemedebista não conseguir imprimir um mínimo de normalidade e controle sobre o Congresso, a vaca pode ir para o brejo.

Temer não tem militância que o defenda e sua popularidade é similar à de corda em casa de enforcado. É o conjunto de deputados e senadores que liderou o impeachment de Dilma Rousseff que o sustenta no cargo.

O preço | Fernando Limongi

Por enquanto, os Batista são os grandes vencedores

- Valor Econômico

Fez-se o caos. Um novo personagem entrou em cena e o enredo sofreu verdadeira revolução. Aturdidos, os leitores, digo eleitores, perderam o fio da meada com a mudança do eixo narrativo. Difícil redefinir quem é o mocinho e quem é o bandido. Sobretudo, difícil definir aliados e inimigos.

No calor da hora, anunciadas as gravações das conversas entre Temer e Joesley, ouviu-se um só grito: basta! Direita e esquerda chamaram seus militantes de volta às ruas. Não juntos, cada um de um lado da avenida, mas todos irmanados na mesma corrente: Fora Temer!

O governo entrou em decomposição. Ministros escreveram cartas entregando seus cargos. O PSDB e o PPS arrumaram suas malas. O PT vislumbrou a chance de ouro para se reerguer: eleições diretas já.

Cenários voláteis | Cida Damasco

- O Estado de S.Paulo

Incerteza é o nome do jogo. E pode se arrastar, ampliando os estragos na economia

Temer fica, pelo menos por enquanto. A equipe econômica também. Temer sai logo. A equipe econômica fica. Temer e equipe econômica vão embora. Especialistas de plantão iniciam a semana debruçados sobre esses cenários básicos e suas implicações no comportamento da economia daqui para a frente. Afinal, o mundo da economia tem sua própria lógica.

Mercados, agências de risco e setores empresariais olham para os indicadores econômicos com lentes que nem sempre coincidem com as dos cidadãos comuns. Enquanto as atenções e especulações da maioria da população dirigem-se para novas revelações da delação dos irmãos Batista, para as palavras e o silêncio de Temer na tal conversa com o empresário, para a suposta manipulação das gravações e para a arbitragem do Supremo na contenda Planalto versus PGR, no universo da economia o sonho de consumo é, antes de tudo, uma solução rápida, que preserve a equipe econômica e a sua política. Principalmente, as reformas constitucionais.

Economia é resistente à crise entre poderes | Angela Bittencourt

- Valor Econômico

Em parceria, BC e Tesouro atuam como seguro ao mercado

Dinheiro não tem pátria, nem carimbo. Essa definição corriqueira do capital financeiro foi consolidada no Brasil de crises cambiais, fiscais e políticas. As crises cambiais - hit dos anos 80 e 90 - minaram a confiança de investidores estrangeiros no Brasil; as fiscais desacreditaram o governo Dilma Rousseff em praça pública e as políticas testam as convicções dos governantes e o apoio de seus aliados desde a instalação da Lava-Jato. Há alguns meses, uma crise moral se instalou no país, fragiliza todas as instâncias de poder da República e testa a resistência de grandes empresas nacionais - algumas multinacionais por obter benesses do governo.

Revelações que atestam a geração de uma base monetária de propinas em troca de facilidades empresariais, profissionais e pessoais ainda surpreendem e multiplicam obstáculos que desviam a economia da rota do crescimento. Com o brasileiro enredado pelo constrangimento, faz-se atual e oportuno o discurso de posse de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, em março de 2015.

O crime da calúnia | Aécio Neves

- Folha de S. Paulo

Nos últimos dias, minha vida foi virada pelo avesso. Tornei-me alvo de um turbilhão de acusações, fui afastado do cargo para o qual fui eleito por mais de 7 milhões de mineiros e vi minha irmã ser detida pela polícia sem absolutamente nada que justificasse tamanha arbitrariedade.

Tenho sentimentos, sou de carne e osso, e esses acontecimentos -o que é pior, originados de delações de criminosos confessos, a partir de falsos flagrantes meticulosamente forjados- me trouxeram enorme tristeza. Também, por certo, alimentaram decepção naqueles que confiaram em mim ao longo de minha vida pública. É principalmente a estes que ora me dirijo.

Tenho me dedicado a tentar construir um país melhor. Neste último ano empenhei-me em ajudar o presidente Michel Temer no árduo trabalho de reerguer o país, o que, avalio, vem sendo bem-sucedido. Há, porém, muitos insatisfeitos e contrariados com as mudanças em marcha.

Golpe de mestre – Editorial | O Estado de S.Paulo

O Brasil está sofrendo prejuízos incalculáveis com as delações dos donos da JBS. Mas houve quem saísse no lucro – em especial os próprios delatores. E que lucro.

O acordo para a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechado com o Ministério Público Federal, prevê imunidade completa para os dois. Eles não passarão um minuto sequer na cadeia nem terão de usar tornozeleira eletrônica, podendo deslocar-se pelo mundo como bem entenderem, inclusive com residência fora do País. Tampouco serão obrigados a deixar o comando da JBS. A única punição para os Batistas será o pagamento de uma multa, além da entrega dos negócios ilegais da JBS.

Foi um negócio da China. A ser verdade o que relataram aos procuradores, os Batistas cometeram diversos crimes. Na gravação que chegou ao conhecimento do público e que está no centro da crise enfrentada pelo governo de Michel Temer, Joesley comenta com o presidente que comprou políticos e até um procurador da República para obter informações sobre investigações contra a JBS. Em outros anexos, o empresário relata como corrompeu dúzias de parlamentares, servidores públicos e partidos.

Atraso agrava desequilíbrio – Editorial | O Globo

Este é um debate de 30 anos; portanto, já se sabe dos riscos de não se fazer a reforma

Nenhuma reforma em sistemas de seguridade social e similares, no mundo democrático, tramita sem turbulências, por afetar, de alguma forma, toda a população. E quanto maior a natural resistência, maior a demora nas mudanças. Que terão, por isso, de ser mais dolorosas. Ou feitas em sucessivas e desgastantes etapas. A não ser que haja lideranças políticas capazes de explicar à sociedade a imperiosa necessidade de possíveis perdas hoje, para que o sistema ganhe estabilidade e garanta os benefícios para filhos e netos. Está em jogo, nestes momentos, o compromisso com as próximas gerações. Isso precisa ficar claro.

Por um fio – Editorial | Folha de S. Paulo

Passado o impacto inicial -e arrasador- da delação da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) dedica-se a convencer uma audiência restrita de que tem condições de permanecer no cargo.

Impopular desde a origem de seu governo, Temer não se dirige ao público geral quando apresenta sua defesa, como fez no pronunciamento deste sábado (20). Fala, principalmente, às instituições do Judiciário e aos partidos de sua base de sustentação no Legislativo.

Sua tarefa, dificílima, é contestar os indícios e procedimentos que motivaram um inquérito contra si e, mais relevante de um ponto de vista pragmático, evitar a debandada de sua coalizão parlamentar.

O presidente não deixa de ter razão ao apontar inconsistências, de forma e conteúdo, na gravação de sua conversa com o empresário Joesley Batista. Também procede o raciocínio de que a manobra contribuiu para que o delator, criminoso confesso, hoje viva em liberdade nos Estados Unidos.