quinta-feira, 29 de junho de 2017

Temer escolhe opositora de Janot para comandar PGR

Temer escolhe Raquel Dodge, não alinhada a Janot

Presidente quebra tradição e indica a segunda colocada da eleição dos procuradores

Fausto Macedo e Julia Affonso, O Estado de S. Paulo

O presidente Michel Temer (PMDB) escolheu para o cargo de procurador-geral da República Raquel Dodge, segunda colocada da lista tríplice da eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da república (ANPR).

Raquel Dodge não é alinhada ao atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que trava um embate histórico com Temer. Na segunda-feira, 26, Janot denunciou criminalmente o presidente por corrupção passiva no caso JBS. Temer partiu para o enfrentamento e, em manifestação pública, desafiou o procurador a apresentar provas contra ele.

O mandato de Janot vai até setembro. O nome de Raquel será submetido a uma sabatina no Senado. Se for aprovada, ela assume mandato por dois anos.

Ao contrário de Janot, a escolhida de Temer mantém boas relações com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), crítico recorrente dos métodos do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato.

Dino ‘teria mais respaldo da classe’, diz associação

Representante de procuradores da República pondera que Temer manteve a tradição de escolher nome da lista tríplice e tem a prerrogativa da indicação

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

O presidente da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), José Robalinho, afirmou nesta quarta-feira, 29, que, se o presidente Michel Temer tivesse escolhido Nicolao Dino – o primeiro colocado da lista tríplice como próximo da Procuradoria-Geral da República –, “certamente, teria mais respaldo da classe”.

Robalinho, porém, disse que a escolha é legítima: “O fundamental é o respeito à lista tríplice”. Raquel Dodge foi escolhida na noite desta quarta-feira para assumir a PGR a partir de setembro.

Raquel Dodge e a Lava Jato

A escolhida de Temer é uma incógnita em grandes missões como a operação

Fabio Serapião e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

A primeira pergunta após a escolha da subprocuradora Raquel Dodge para a cadeira de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República é: o que muda na Lava Jato? Embora não seja alinhada a Janot, mais do que isso, faz oposição a ele, em entrevista ao Estadono início da campanha, Raquel afirmou que manterá a equipe do grupo de trabalho da PGR com atuação no Supremo Tribunal Federal – a instância que julga políticos com foro privilegiado.

Ela disse, ainda, que pretende ampliar o elenco de procuradores da Lava Jato, defendeu a imunidade para os delatores – desde que proporcional ao alcance da colaboração – e que vai manter a estrutura de assessorias no gabinete.

Temer escolhe opositora de Janot na Procuradoria

Indicação foi anunciada após Fachin decidir enviar denúncia à Câmara

Raquel Dodge foi a segunda mais votada na eleição do Ministério Público e tinha a preferência de peemedebistas como Sarney e Renan; substituição no comando da PGR só ocorrerá em setembro

No mesmo dia em que o ministro do STF Edson Fachin decidiu enviar a denúncia por crime de corrupção contra Temer para a Câmara sem ouvi-lo antes, o presidente anunciou Raquel Dodge para procuradora-geral da República. Na lista tríplice do MP, divulgada na véspera, ela foi a segunda mais votada, atrás de Nicolao Dino, o preferido do atual procurador-geral, Rodrigo Janot, autor da denúncia contra Temer. Opositora de Janot no MP, Raquel era a favorita de líderes do PMDB como José Sarney e Renan Calheiros. O mandato de Janot vai até 17 de setembro. A pressa de Temer foi vista como tentativa de esvaziar o procurador. A escolha da primeira mulher para o posto precisará ser referendada pelo Senado. Fachin entendeu que a defesa política de Temer deve ser feita na Câmara, antes da argumentação jurídica no STF.

A segunda da lista
Opositora de Janot, Raquel Dodge será a primeira mulher a assumir o comando do MPF

Leticia Fernandes, O Globo

-BRASÍLIA E RIO- O presidente Michel Temer escolheu, na noite de ontem, a subprocuradora-geral Raquel Dodge para o posto de chefe do Ministério Público Federal. Primeira mulher a ocupar o cargo, ela sucederá o procurador Rodrigo Janot, que na segunda-feira denunciou Temer por corrupção passiva. O anúncio contraria a tradição que vem desde 2003, no governo Lula, de sempre escolher o primeiro nome da lista tríplice dos mais votados elaborada pelo Ministério Público Federal.

Em maio do ano passado, quando o então ministro da Justiça Alexandre de Moraes declarou que iria sugerir ao governo que não indicasse necessariamente o primeiro da lista da ANPR, o presidente Michel Temer o desautorizou. Na ocasião a assessoria de Temer informou que quem escolhe o procurador-geral da República, a partir de lista tríplice do Ministério Público Federal, é o presidente da República. E que Temer manteria a tradição de escolha do primeiro da lista tríplice.

Temer escolhe rival de Janot para chefiar Procuradoria

Temer escolhe rival de Janot como nova procuradora-geral

Raquel Dodge foi segunda colocada em votação interna de procuradores

Gustavo Uribe, Daniel Carvalho, Talita Fernandes, Marina Dias, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Denunciado sob corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer anunciou a indicação da subprocuradora Raquel Dodge para substituir o procurador-geral Rodrigo Janot, cujo mandato termina em setembro.

Dodge é considerada um nome de oposição à atuação do atual procurador-geral, que apresentou denúncia na segunda-feira (26) contra o presidente, que chamou a peça de "ficção".

O anúncio foi feito nesta quarta (28), mesmo dia em que o peemedebista recebeu a lista tríplice para o cargo promovida pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).

Por ser uma espécie de antítese de Janot, o Planalto acredita que o nome de Dodge não terá dificuldades de ser aprovado no Senado. O presidente chegou a pensar em nomear Bonsaglia, mas ficou com receio de que suas posições moderadas contra o atual procurador-geral pudessem dificultar sua aprovação.

Indicada por Temer, Dodge se destacou em casos de corrupção

Reynaldo Turollo Jr., Rubens Valente, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A subprocuradora-geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge, 55, indicada pelo presidente Michel Temer para comandar a PGR (Procuradoria-geral da República) a partir de setembro, fez carreira no Ministério Público na área criminal e destacou-se em casos de repercussão envolvendo corrupção.

Mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA), atuou em 2009 na Operação Caixa de Pandora, que revelou o chamado mensalão do DEM, e pediu a prisão do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Dodge também foi uma das responsáveis pela condenação do ex-deputado Hildebrando Pascoal, que matou um mecânico com uma motosserra no Acre, em 1996.

Participou ainda de uma ação que levou à prisão, em 2003, o então presidente da Assembleia do Espírito Santo, José Carlos Gratz.

Aliado de Temer vai à Justiça contra ex-procurador citado por presidente

Camila Mattoso, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Um dos maiores defensores do presidente Michel Temer, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) pediu à Justiça para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) forneça os registros de visitas do ex-procurador Marcello Miller na sede do órgão, em Brasília.

O ex-procurador é pivô de uma polêmica envolvendo as investigações sobre o presidente.

Após 13 anos de trabalho no Ministério Público Federal, Miller anunciou sua saída da instituição no último dia 4 de março, três dias antes de o empresário Joesley Batista, da JBS, gravar Temer no Palácio do Jaburu. A saída de Miller da PGR foi publicada no "Diário Oficial" em abril.

Joesley tem dito que fez as gravações por conta própria, sem orientação de nenhuma autoridade.

No pedido de liminar, o aliado de Temer afirma que a Miller teve participação no acordo de colaboração premiada firmado entre executivos da JBS e a PGR, o que, segundo ele, fere a Constituição.

Advogado preso diz que Joesley fez armadilha para agradar a Janot

Thais Bilenky, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Ex-advogado da J&F preso na Operação Patmos, Willer Tomaz acusa Joesley Batista e o diretor do grupo Francisco Assis e Silva de terem preparado uma armadilha para ele e o procurador Ângelo Goulart Villela, também preso, para agradar ao procurador-geral Rodrigo Janot e assim conseguir prêmios mais vantajosos na delação.

Em carta escrita para a Folha de dentro do batalhão da Polícia Militar na penitenciária Papuda, Tomaz relata que Joesley e Assis provocaram situações como forma de criar provas de que ele e o procurador atuavam juntos, sem a anuência oficial da Procuradoria.

O advogado nega que tenha repassado R$ 50 mil a Villela, como acusaram os delatores, mas admite que entregou gravação de uma negociação de delação premiada entre procuradores e um ex-sócio da J&F inimigo de Joesley, como forma de pressionar o empresário a fechar um acordo de colaboração. Segundo Tomaz, Villela também entregou pautas de reuniões da equipe do Ministério Público Federal com o mesmo intuito.

Tomaz disse que não se constrangeu em repassar o conteúdo de caráter reservado. "Esse áudio não trata de vazamento de nada sigiloso. Simplesmente demonstra que, se o Joesley não fizesse a delação, seu inimigo iria fazer. O MP usa isso como prática comum quando tem duas pessoas interessadas em delatar. Ele quer a mais forte", justificou.

Na conversa, cuja gravação foi obtida pela Folha, o ex-sócio de Joesley Mário Celso Lopes, que havia sido preso, e os procuradores negociam bens a serem desbloqueados e provas a serem apresentadas para comprovar ações ilícitas do grupo.

Janot pediu a abertura de inquérito contra Tomaz e Villela por tentativa de obstruir a Justiça, sustentando que "o advogado, com possível ajuda do procurador da República Ângelo Goulart Villela, estava tentando atrapalhar o processo de colaboração premiada ora em curso com o escopo possivelmente de proteger amigos políticos integrantes do PMDB", os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros.

STF deve enviar nesta quinta denúncia à Câmara

- Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, deve enviar nesta quinta (29) a denúncia contra o presidente Michel Temer ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A partir daí, começa a tramitação para que os deputados votem se vão autorizar o STF a decidir pela abertura ou não de uma ação penal contra Temer, denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de corrupção passiva.

Nesta quarta (28), dois dias depois de receber a denúncia, o ministro Edson Fachin, relator do caso, decidiu que cabe aos parlamentares, e não ao Supremo, ouvir a defesa prévia do presidente.

Fachin entendeu que a defesa política tem que ser feita na Câmara, e a jurídica apenas depois, no STF, caso os deputados autorizem o Judiciário a decidir sobre o tema.

Fachin envia denúncia contra Temer direto para a Câmara

Para ministro do STF, Legislativo é local para defesa política do presidente

André de Souza e Tatyane Mendes, O Globo

-BRASÍLIA- O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu mandar diretamente para a Câmara dos Deputados a denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer. Janot tinha pedido que fosse dado um prazo de 15 dias, antes do encaminhamento da denúncia, para a defesa de Temer e do ex-assessor Rodrigo Rochas Loures se manifestarem, mas Fachin entendeu que não é o momento de ouvir as partes.

No mesmo despacho, o ministro autorizou alguns pedidos feitos por Janot. Fachin determinou, por exemplo, a separação do inquérito em dois. Um, em que já houve a denúncia, trata do crime de corrupção passiva. O outro diz respeito à possível obstrução de Justiça cometida por Temer. Também determinou que a acusação de organização criminosa contra Temer e Rocha Loures seja juntada a outro inquérito em tramitação no STF que já investiga vários políticos do PMDB, partido ao qual os dois são filiados.

Fachin manda denúncia contra Temer direto para a Câmara

Câmara deve receber denúncia contra Temer até esta quinta-feira

Procuradoria-Geral acusa presidente de crime de corrupção passiva em investigação com base em delação da JBS

Breno Pires e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, deve encaminhar ainda nesta quarta-feira (28) à Câmara dos Deputados a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer e o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). O processo já está no gabinete da Presidência, e a expectativa é de envio imediato ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Considerando que possa haver algum atraso, a chegada pode acontecer só na quinta-feira à Câmara.

A PGR acusa Temer e Loures (PMDB-PR) do crime de corrupção passiva, na investigação iniciada com base na delação do grupo J&F. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ligou Temer a Loures na denúncia, alegando que a mala de R$ 500 mil recebida por Loures de um executivo da JBS teria sido encaminhada sob a influência do presidente Temer.

A Presidência da Câmara deve proceder notificação dos acusados e encaminhar a denúncia para Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na CCJ, Temer e Loures terão prazo de 10 sessões ordinárias de plenário para se manifestar.

Para juristas, denúncia de Janot contra Temer tem deficiências

Ex-ministro do STF e constitucionalista apontam falhas na peça apresentada por Rodrigo Janot; mas professor da USP vê ‘materialidade’

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

Apesar de sua contundência, a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta terça-feira, 27, possui lacunas e deficiências, avaliam juristas que, a pedido do Estado, analisaram a peça. No centro do debate estão as supostas provas e os indícios de autoria do crime de corrupção passiva que teria sido cometido pelo presidente Michel Temer.

Segundo dois analistas consultados pelo Estado, a decisão da condenação ou não dependerá da apresentação de elementos que comprovem que Temer era o destinatário final da mala com dinheiro entregue a seu ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

De acordo com ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (SFT) Carlos Velloso, a única prova apresentada até agora, o áudio da conversa entre Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, não atesta que o dinheiro chegou ao presidente.

Professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano considera a gravação nula, já que foi provocada, ou seja, armada. “Para mim, esse tipo de prova é nula, não tem valor. É quase que um teste de probidade”, afirma.

Aliado do presidente Michel Temer, Loures, que está preso em Curitiba, foi flagrado na noite de 28 de abril em um estacionamento de um restaurante em São Paulo carregando uma mala preta com R$ 500 mil em espécie. Loures foi filmado pela Polícia Federal.

Joesley Batista, um dos donos da JBS, gravou o presidente Temer na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu. O áudio da conversa tem duração de cerca de 40 minutos e foi revelado pela PF. Em vários trechos, o nome de Loures é citado.

Outra visão. Já Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP, afirma que a materialidade e autoria do crime estão comprovados na denúncia de Rodrigo Janot. “Ou Loures receberia tal mala por si próprio? Não se trata de uma ilação. Desde o mensalão, abriu-se um precedente na interpretação de atos de corrupção mediante a avaliação da conduta das pessoas que formam um mesmo grupo ou que têm algum tipo de vínculo.”

É a primeira vez na história da República brasileira que um presidente é acusado formalmente de crime durante o exercício do mandato. Em 1992, Fernando Collor de Mello foi denunciado quando já estava afastado do cargo.

ACUSAÇÃO EM DISCUSSÃO
A pedido do ‘Estado’, três juristas analisam a denúncia apresentada por Rodrigo Janot

Comissão aprova reforma trabalhista

Por 16 votos a 9, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem, no fim da noite, a reforma trabalhista. Foi o primeiro teste do governo no Congresso após a denúncia da PGR contra Temer. O texto será votado agora no plenário do Senado, o que deve ocorrer na próxima semana. Para aprovar o projeto, o governo prometeu incluir novos itens na medida provisória negociada para ajustar temas polêmicos da proposta.

Reforma trabalhista avança

Governo cede para aprovar mudanças na CLT em comissão. Texto agora vai para o plenário

Bárbara Nascimento, Geralda Doca, O Globo

-BRASÍLIA- Em seu primeiro teste de força após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer, o governo conseguiu aprovar no fim da noite de ontem a reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O placar foi de 16 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção. O Palácio do Planalto, contudo, teve que se mobilizar em uma força-tarefa e ceder em alguns pontos para evitar perder votos e garantir o resultado.

O projeto segue agora para o plenário. Para que se cumpra o objetivo de votar na semana que vem, o governo deve se mobilizar para votar um requerimento de urgência nos próximos dias, possivelmente ainda hoje.

A reforma já teve o aval da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no início deste mês, mas sofreu uma derrota na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) na semana passada. Na tentativa de garantir a vitória, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), leu no meio da tarde uma carta de Temer se comprometendo a realizar, por veto ou medida provisória, as mudanças que o Senado acordar necessárias. Jucá apresentou também um documento com as alterações que serão feitas no texto.

Comissão do Senado aprova reforma trabalhista

Projeto que altera mais de 100 pontos da CLT passou na Comissão de Constituição e Justiça por 16 votos favoráveis, 9 contrários e 1 abstenção; votação em plenário deve ser na próxima semana

Fernando Nakagawa, Isabela Bonfim e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) acaba de aprovar o relatório da reforma trabalhista produzido pelo líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR). O texto contou com apoio de 16 senadores, 9 votos contra e uma abstenção. Era necessária maioria simples para aprovação do projeto. Governistas previam apoio de 15 senadores. Agora, o texto segue para o plenário do Senado, a última etapa no Congresso antes da sanção presidencial.

Em Brasília e no Rio, Doria defende Temer e reformas

Por Fabio Murakawa, Marcelo Ribeiro, Raphael Di Cunto e Cristian Klein | Valor Econômico

BRASÍLIA E RIO - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), passou pelo Rio de Janeiro e por Brasília entre terça-feira e ontem para uma agenda política, sem encontros com o presidente Michel Temer ou com ministros para tratar de pautas de interesse administrativo.

Citado como presidenciável tucano ao lado do governador paulista Geraldo Alckmin, Doria ontem esteve com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), reuniu-se com a bancada do PSDB na Câmara e foi a um jantar com parlamentares na residência do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).

Na noite de terça-feira, Doria foi a um jantar em um clube na Gávea, no Rio de Janeiro, organizado pelo empresário Ricardo Amaral, com a presença de autoridades, economistas e personalidades da sociedade carioca.

Antes da coletiva de imprensa em Brasília, Doria foi categórico ao responder ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, que suas viagens nada têm a ver com atos de campanha à Presidência da República em 2018. "Estou aqui trabalhando na posição de prefeito de São Paulo e não de candidato à Presidência. Eu não sou candidato, eu sou prefeito", afirmou Doria.

Romário anuncia desfiliação do PSB e diz que presidirá Podemos no Rio de Janeiro

Senador disse que será presidente do novo partido no Rio de Janeiro; Álvaro Dias também anunciou sua filiação

Elisa Clavery, O Estado de S.Paulo

O senador Romário anunciou, nesta quarta-feira, 28, a desfiliação do PSB para integrar o partido Podemos, que substituirá o PTN. Segundo o parlamentar, a filiação será oficializada no próximo sábado, 1, em Brasília.

Em nota divulgada em seu Facebook, o senador afirmou que escolheu o partido por "apresentar um modelo de fazer política mais conectado com a sociedade atual", que "não se identifica mais com a velha política". Ainda segundo Romário, o Podemos "não se intitula nem de esquerda, nem de direita". O senador informou que fará parte da Executiva Nacional do Partido e que será presidente do Podemos no Rio de Janeiro.

Fuga para frente | Merval Pereira

- O Globo

O presidente Michel Temer está sinalizando com uma expectativa de poder, que hoje ele tem bastante limitada, com o anúncio da nomeação da procuradora Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot a partir de setembro na Procuradoria-Geral da República.

Ele fez a mesma coisa com os dois ministros do Tribunal Superior Eleitoral que substituiu antes do julgamento final da chapa DilmaTemer. Nomeou-os antes mesmo que os antigos ministros encerrassem seus mandatos e garantiu uma decisão favorável a ele e Dilma quando, anteriormente, havia uma possibilidade de derrota.

Com a nomeação da nova procuradora-geral da República, segunda colocada na lista tríplice que lhe foi entregue ontem mesmo, Temer tenta enfraquecer Janot e dá um sinal à sua base parlamentar de que tudo vai mudar a partir de setembro.

Precário com Temer. Pior sem ele. Para reformas, agora, e em 2018 | *Jarbas de Holanda

A turbulência política desencadeada pela divulgação do áudio do encontro do delator Joesley Batista com Michel Temer; alimentada pela prisão do ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, bem como pelo preparo de delação do doleiro Lucio Funaro; e exacerbada pela primeira das denúncias, fatiadas, da PGR contra Temer ao STF (dois dias úteis após seu plenário validar a delação de Joesley e manter o ministro Fachin como relator do processo), essa turbulência, ademais de acentuar a rejeição social ao presidente, vem reduzindo o respaldo a ele nos diversos segmentos empresariais.

Respaldo responsável, quase tanto quanto o apoio das duas Casas do Congresso, pelo razoável sucesso do governo de transição. Respaldo vinculado basicamente a dois fatores: confiança na equipe econômica e no conjunto da agenda reformista assumida pelo Palácio do Planalto, de par com a aposta na capacidade do presidente de viabilizá-la (como resposta ao verdadeiro descalabro fiscal deixado pelos governos petistas e à maior recessão da história do país produzida por suas políticas populistas e estatizantes).

Quadrilha – Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


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 Antologia Poética – 12a edição – Rio de Janeiro: José Olympio, 1978, p. 136)

Paulinho da Viola e Marisa Monte - Quantas Lágrimas/Sofrimento de Quem Ama

quarta-feira, 28 de junho de 2017

- Opinião do dia – O Estado de S. Paulo

A única coisa sobre a qual não resta dúvida é que a denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer, de tão rasa, só serve a interesses políticos, e não jurídicos. Tanto é assim que o procurador-geral prepara uma série de novas denúncias, a serem apresentadas a conta-gotas, mantendo o presidente sob permanente ameaça. Não se pode reprovar quem veja nisso uma tentativa de inviabilizar de vez um governo já bastante acossado.

Diante disso, cabe ao presidente Michel Temer lutar para reunir maioria no Congresso não apenas para rejeitar a denúncia, mas para seguir adiante com as reformas. O País não pode continuar refém de irresponsabilidades.

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Editorial, “A denúncia contra o presidente”, O Estado de S. Paulo, 28/6/2017.

Temer faz ataques a Janot e afirma que denúncia é ‘ficção’

Temer chama denúncia de 'ilação' em ataque à Procuradoria

Em pronunciamento, presidente acusado critica 'denúncias frágeis e precárias' que 'atentam contra o País'

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Com uma claque de deputados aliados e ministros, o presidente Michel Temer fez nesta tarde de terça-feira, 27, um pronunciamento no Palácio do Planalto em que criticou o fatiamento da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, oferecida contra ele ao Supremo Tribunal Federal. “Se fatiam as denúncias para provocar fatos semanais contra o governo. Querem parar o País, parar o Congresso num ato político, com denúncias frágeis e precárias. Atingem a Presidência da República, atentam contra o País”, disse.

Conforme antecipou o Estado/Brodcast, Temer disse que “reinventaram o Código Penal e incluíram uma nova categoria: a denúncia por ilação”. “Se alguém cometeu um crime e eu o conheço, logo sou também criminoso”, disse. Janot denunciou criminalmente ao STF na segunda-feira, 26, o presidente por corrupção passiva com base na delação dos acionistas e executivos do Grupo J&F, que controla a JBS. O ex-assessor especial do presidente e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures também foi acusado formalmente.

Temer insinua que Janot recebeu dinheiro com delação

Sem citar nome, presidente levanta suspeita se procurador-geral da República se beneficiou financeiramente quando ex-procurador saiu da força-tarefa para trabalhar em escritório contratado pela JBS

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Em uma tentativa de mostrar que está sendo atingido por uma denúncia feita por “ilação”, o presidente Michel Temer citou o ex-procurador da Operação Lava Jato Marcelo Miller como alguém que "ganhou milhões em poucos meses" após deixar a força-tarefa e ingressar em escritório de advocacia que negociou acordo de leniência dos delatores do Grupo J&F. Temer levantou a suspeita de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se beneficiou financeiramente da remuneração de Miller, mas negou, no entanto, que estivesse fazendo uma ilação.

“Um assessor muito próximo ao procurador-geral da República, senhor Marcelo Miller, homem de sua mais estrita confiança, um dia deixa o emprego do sonho de milhares de jovens brasileiros”, afirmou. “Abandona o Ministério Público para trabalhar em empresa que faz delação premiada com o procurador-geral (Rodrigo Janot). Ganhou milhões em poucos meses, o que levaria décadas para poupar”, prosseguiu, ressaltando que não houve uma “quarentena”.

Mariz desafia Janot a provar propina da JBS para Temer

Criminalista que coordena defesa do presidente reage à denúncia do procurador-geral da República que atribui ao peemedebista corrupção passiva

Julia Affonso e Luiz Vassallo, O Estado de S. Paulo

A defesa de Michel Temer desafiou nesta terça-feira, 27, o procurador-geral da República Rodrigo Janot, a apontar ‘dados concretos’ sobre o recebimento de R$ 500 mil em propinas da JBS para o presidente.

Em nota pública, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que coordena o núcleo de defesa do presidente, atacou trechos da acusação formal de Janot.

Em denúncia de 60 páginas ao Supremo Tribunal Federal, o procurador atribui a Temer corrupção passiva.

Segundo Janot, por meio do ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures, apontado como o homem da mala preta, o presidente foi o destinatário final de R$ 500 mil em propinas da JBS.

O ‘montante espúrio’ para o presidente, segundo Janot, chegaria a R$ 38 milhões em nove meses.

“A peça acusatória chega às raias da leviandade quando afirma, como fato constitutivo do crime, o recebimento pelo presidente da República de determinada importância sem dizer quando, onde, como, que horas”, afirma Mariz. “É uma afirmação lançada ao léu sem base em fatos, provas, objetividade.”

Instituto do PSDB diz que denúncia contra Temer não tem prova 'suficiente'

Instituto Teotônio Vilela, presidido pelo senador José Aníbal (PSDB-SP), afirmou que eventual queda do presidente atenderia aos interesses do PT

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

O Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, emitiu uma carta nesta terça-feira, 27, afirmando que não há provas contra o presidente Michel Temer na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). No documento, o ITV diz ainda que o País não tem nada a ganhar com a queda de Temer.

"Pode, sim, haver corrupção, mas o que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ontem seguramente não contém provas necessárias e suficientes para a condenação de um presidente da República. O histórico recente de exageros e abusos por parte dos procuradores federais não ajuda", diz a nota.

Para o ITV, que é presidido pelo ex-senador José Aníbal (PSDB-SP), a acusação tem fragilidades e o conteúdo é baseado na delação do empresário Joesley Batista, da JBS. "Não há, pelo menos por ora, uma prova inconteste, uma evidência acachapante ou um depoimento irrefutável que leve a uma condenação inequívoca. O que se tem - por ora, repita-se - é a palavra do maior réu confesso do país contra a de Temer. Nada além disso."

Procedimento investiga ex-procurador sobre atuação em escritório

Temer disse que 'um assessor muito próximo' de Janot, 'senhor Marcello Miller', abandonou a Procuradoria para 'trabalhar em empresa que faz delação premiada com o procurador-geral'

Fabio Serapião e Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA, RIO - O ex-procurador Marcello Miller, ex-integrante do Grupo de Trabalho da Lava Jato entre 2014 e 2016, é alvo de um procedimento preparatório (PP) na Procuradoria da República do Distrito Federal (PR-DF). O PP foi aberto após uma representação feita na PR-DF e é uma etapa anterior a instauração formal de um inquérito ou do arquivamento do caso.

Miller foi citado pelo presidente Michel Temer em pronunciamento na tarde desta terça-feira, 27. Temer disse que “um assessor muito próximo ao procurador-geral da República, senhor Marcello Miller, homem de sua mais estrita confiança” abandonou o MPF para “trabalhar em empresa que faz delação premiada com o procurador-geral (Rodrigo Janot)”. “Ganhou milhões em poucos meses. O que talvez levaria décadas para poupar”, afirmou o presidente. Segundo Temer, Miller “garantiu ao seu novo patrão um acordo benevolente, uma delação que o tira das garras de Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista”.

A delação citada por Temer é a dos executivos do grupo J&F. Miller, após deixar o MPF, foi contratado pelo escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, que representou a J&;F durante parte das negociações do acordo de leniência com o MPF.

Temer pintado para a guerra | Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

Sempre tão frio, contido, formal, o presidente Michel Temer foi mercurial na sua declaração pela TV e partiu diretamente para cima do procurador geral da República, Rodrigo Janot. Classificando a denúncia contra ele de “ilações”, Temer fez uma comparação: se a mala de dinheiro de Rocha Loures foi para ele (como acusa a PGR), por que os “milhões” que o ex-braço direito de Janot, Marcelo Miller, teria ganhado para advogar na delação da JBS não seriam também de Janot?

É uma estratégia arriscada, mas tem um alvo certo: a Câmara dos Deputados, que vai ser chamada a autorizar ou não o prosseguimento do processo contra o presidente no Supremo. A intenção do Planalto, somando aí ministros, marqueteiro e assessoria jurídica, é criar um confronto entre Janot e Temer na Câmara, onde o procurador é considerado “algoz dos políticos” e o presidente viveu grande parte de sua vida pública, inclusive presidindo a Casa por três vezes.

Dois fios seguram Temer | Vera Magalhães

- O Estado de S.Paulo

Michel Temer é, hoje, um presidente suspenso por dois fios, cuja resistência será testada dia a dia enquanto durar a crise que colheu seu governo desde que veio à tona sua conversa em 7 de março com Joesley Batista.

O primeiro é a economia. Será necessário medir diariamente o pulso do chamado mercado e também dos grandes representantes do setor produtivo. Até vir à luz a denúncia de Rodrigo Janot, esses agentes econômicos ligavam menos para a figura de Temer que para a permanência da equipe econômica e sua capacidade de levar adiante as reformas.

Hoje mais preocupado em manter a cabeça em cima do pescoço que em votar alguma mudança constitucional, Temer pode passar, em poucos dias, a ser visto como fator a atravancar o tímido crescimento e a impedir as reformas. E aí será imediatamente descartado.

O segundo fio a manter Temer acima do precipício é político, e é representado sobretudo pelo PSDB. Se os tucanos revirem o apoio claudicante que empenharam ao peemedebista há duas semanas, ele passará a correr risco real de perder sua sustentação congressual – um dos poucos fatores que o separam da septicemia vivida por Dilma Rousseff em abril de 2016.

A denúncia contra o presidente - Editorial | O Estado de S. Paulo

O resultado do generoso prêmio dado ao empresário Joesley Batista por sua delação envolvendo o presidente Michel Temer é uma denúncia inepta. Finalmente apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na segunda-feira passada, para basear pesadas acusações de corrupção contra o presidente, a peça não acrescenta nada ao que já havia sido tornado público com o vazamento da delação de Joesley. Ou seja, a denúncia de Janot contra Temer é baseada somente na palavra do delator e em diálogos que deveriam ser interpretados com bem menos ligeireza, não só porque estão entrecortados, tornando-se incompreensíveis em vários momentos, mas principalmente porque foram captados pelo empresário com a intenção evidente de comprometer o presidente, sabe-se lá por que obscuras razões.

Por esses motivos, o Supremo Tribunal Federal faria bem se mandasse arquivar a denúncia, pois é claro que não se pode tratar de um processo criminal contra um presidente da República – que implicaria seu afastamento do cargo – sem que haja sólidas evidências a ampará-lo. E tudo o que se pode dizer, da leitura das pouco mais de 60 páginas da denúncia do procurador-geral, é que as acusações evidentemente carecem de base.

Denunciado, Temer parte para ataques a Janot

Presidente fala de revanche e insinua que procurador recebeu dinheiro

Procuradoria-Geral da República reage e afirma que denúncia encaminhada ao Supremo tem ‘fartos elementos de prova’ contra o peemedebista, acusado de corrupção passiva após delação da JBS

Um dia após ser denunciado ao STF por corrupção passiva, fato inédito na História do país, o presidente Temer usou como estratégia de defesa atacar o procurador-geral, Rodrigo Janot. Em pronunciamento no Planalto, disse que a denúncia está baseada em ilações e insinuou que Janot recebeu dinheiro por meio do ex-procurador Marcelo Miller, que deixou a PGR para trabalhar num escritório de advocacia que atuou para a JBS. Sobre a mala de dinheiro da empresa para Rocha Loures, Temer nada falou. Em nota, a Procuradoria-Geral da República afirmou que a denúncia é técnica e contém “fartos elementos de prova”.

‘Reinventaram o código penal’

Ao tachar denúncia de ilação, presidente insinua que Janot teria recebido dinheiro

Leticia Fernandes e Eduardo Barretto, O Globo

-BRASÍLIA- Um dia após ser denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, o presidente Michel Temer partiu para o ataque direto ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em pronunciamento ontem no Palácio do Planalto — o terceiro desde que vieram à tona trechos da delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, que gravou conversa com o peemedebista.

Esforço de reunir apoio só atraiu o baixo clero

Temer quis mostrar força política ao contestar denúncia da PGR, mas não conseguiu ter a seu lado políticos de maior expressão

Leticia Fernandes, O Globo

BRASÍLIA - Apesar de convocações e de ter retardado o início de sua declaração para reunir mais aliados, o presidente Michel Temer não conseguiu atrair políticos de maior expressão e foi cercado por um grupo formado em sua maior parte por integrantes do chamado baixo clero da Câmara. Não estavam presentes os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE); o presidente do PMDB, partido de Temer, Romero Jucá (PMDB-RR), e nem o ministro Moreira Franco, um dos mais próximos a Temer. Do núcleo duro do governo, apenas o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, investigado na Lava-Jato por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, marcou presença.

Mais uma vez, tucanos adiam decisão sobre saída

Doria reconhece que situação é grave e teme pela economia

Maria Lima, Miguel Caballero, Fernanda Krakovics e Juliana Arreguy, O Globo

-BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO - Um dia depois da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer, o PSDB decidiu adiar ainda mais, para a segunda quinzena de agosto, uma decisão sobre sair ou permanecer no governo. A ordem na cúpula tucana é “deixar a espuma assentar” e jogar para depois da volta do recesso parlamentar qualquer discussão, não só sobre apoio ao governo, mas também sobre a autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) processar Temer e o afastamento do senador afastado Aécio Neves (MG) da presidência do partido.

O presidente interino do PSDB, Tasso Jereissatti (CE), passou o fim de semana em São Paulo, reunido com o presidente de honra do partido, Fernando Henrique Cardoso; com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e com outros dirigentes tucanos. Ontem, Alckmin deu declarações defendendo a manutenção do apoio a Temer e que haja um posicionamento do partido em relação à votação da denúncia na Câmara.

Advogado e perito contestam laudo da PF

Para defesa de Temer, gravação de Joesley não serve como prova

André de Souza, O Globo

-BRASÍLIA- O advogado Gustavo Guedes, que defende o presidente Michel Temer, e o perito Ricardo Molina, contratado por ele para analisar a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, atacaram o resultado da perícia feita pela Polícia Federal (PF). A PF conclui que não houve edição no áudio, gravado sem o conhecimento de Temer e que é base para o inquérito que investiga o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação do advogado e da defesa, a gravação não serve como prova.

Guedes afirmou que a PF não respondeu, na perícia, todos os questionamentos feitos pela defesa. Foram 27 ao todo: 15 inicialmente, e depois mais 12 formulados pelo próprio Molina. Guedes ressaltou que todos foram aprovados pelo ministro Edson Fachin, relator do inquérito no STF. Assim, a defesa de Temer estuda solicitar que a PF responda esses pontos. Cabe a Fachin autorizar ou não eventual novo pedido. Segundo Molina, dos 12 quesitos que ele formulou, nenhum foi respondido. Ele também afirmou que tem novos questionamentos a fazer a partir do laudo da PF.

OAB-RJ abre processo para investigar ex-procurador

Marcelo Miller teria prestado esclarecimentos ‘insuficientes’, diz tribunal de ética

- O Globo

-RIO E SÃO PAULO- O Tribunal de Ética e Disciplina da seccional do Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) abriu ontem um processo disciplinar para apurar a conduta do ex-procurador da República e advogado Marcelo Miller no caso envolvendo a atuação pelo escritório Trench Rossi Watanabe logo depois de deixar o Ministério Público Federal (MPF).

A decisão foi tomada horas antes do pronunciamento de Temer. O caso era apurado pela OAB-RJ desde o fim de maio e segue sigilosa “até o trânsito em julgado”. Segundo nota divulgada ontem pelo tribunal, Miller teria prestado esclarecimentos sobre o caso, “considerados insuficientes”, o que teria motivado a abertura de um processo formal. Se a OAB interpretar que houve desrespeito ao Estatuto da Advocacia, a pena máxima prevista é de perda do registro.

Por meio de nota, o escritório Trench Rossi Watanabe repetiu as informações divulgada pela PGR, dando conta de que “não participou do processo de colaboração premiada dos executivos da JBS”. A banca também reforçou ter se retirado das negociações das negociações do acordo de leniência do Grupo J&F — processo que corre paralelamente à negociação de acordo de delação premiada —antes que fosse concluída.

Pela própria voz | Merval Pereira

- O Globo

O excesso de provas anda prejudicando a efetividade de nosso sistema judicial. Já aconteceu antes no julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está acontecendo agora na Câmara em relação ao processo apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Temer.

Nesse caso, temos não apenas as delações dos executivos da JBS, mas, também, a gravação do próprio presidente combinando, de viva voz, encontros clandestinos “sempre pela garagem, viu”, manobras escusas para garantir o silêncio de um preso (“O Eduardo também?”) e a indicação de um intermediário, o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures (“Pode passar por meio dele, viu?”). Passar o que, cara-pálida?

Dias depois, aparece o mesmo Rodrigo, “da minha mais estrita confiança”, segundo Temer, correndo apressado com uma mala pelas ruas de São Paulo, mala que, devolvida depois que soube que havia sido filmado pela Polícia Federal, continha R$ 500 mil, primeira parcela de muitas, negociação que a polícia também gravou, para que a JBS pudesse comprar diretamente gás da Bolívia para uma termelétrica cujo fornecimento era exclusivo da Petrobras.

Presidente recorre a truques para não refutar acusações | Ricardo Noblat

- O Globo

Sempre que alguma autoridade se vê alcançada por acusações, argumenta que a instituição que representa foi atacada

O presidente Michel Temer fez em seu pronunciamento no Palácio do Planalto o que orientou, ontem, seus auxiliares e aliados a fazerem: criticou duramente o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que o denunciou ao Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva.

Valendo-se do truque de que cederia apenas a uma ilação, citou o procurador Marcelo Miller que deixou o emprego para assessorar o Grupo JBS em sua delação, e disse que ele ganhou alguns milhões de reais e que pode tê-los dividido com Janot.

Roteiro conhecido | Míriam Leitão

- O Globo

O presidente Temer escolheu o ataque como defesa, investiu contra o procurador-geral da República e disse que o acusam sem provas. Temer, de fato, recebeu um empresário investigado, preocupou-se em que ele não fosse identificado e que não houvesse a presença da imprensa, ouviu confissão de crimes e não os comunicou às autoridades competentes. O que Janot deveria ter feito diante de tudo isso?

Imagina se diante de tantos indícios de crimes o procurador não denunciasse o presidente Temer. Que explicação haveria? Temer disse que o deputado Rodrigo Rocha Loures era homem de sua estrita confiança. E depois Loures é filmado carregando uma mala na qual estavam R$ 500 mil. Aliás, ele devolveu o dinheiro para provar que a suspeita de que recebeu vantagem indevida era real. O procurador acusa de ser ele, Temer, o destinatário final. Mas há antecedentes, como o dinheiro entregue no sítio do coronel amigo de Temer. Isso não são apenas ilações.

Evidentemente Janot também deve explicações sobre o fato de um ex-assessor ter ido trabalhar no JBS imediatamente antes da gravação. Aliás, já deveria ter feito o esclarecimento desse fato há mais tempo, exatamente porque o país está com os nervos à flor da pele vivendo um enredo tenso e crítico e Janot tem um papel de protagonista da acusação.

Temer entra na História pela porta dos fundos – Editorial | O Globo

Está claro que, diante da chance de conduzir reformas estratégicas, pesaram mais para Temer as ligações com o PMDB e seu grupo da Câmara

O grupo de Temer fará o diabo, como dizia Dilma, para barrar a denúncia na Câmara, e evitar que ela siga para o Supremo, muito diferente do TSE

Não que o advogado Michel Temer, vice de Dilma Rousseff — chapa nascida da aliança entre PMDB e PT, negociada em bases nada republicanas —, fosse de absoluta confiança. Mas, político rodado, presidente da Câmara dos Deputados três vezes e do próprio partido, Michel Temer assumiu no impeachment de Dilma com o trunfo de, com base em toda esta expertise de transitar com facilidade pelo Congresso, poder aprovar, em pouco menos de dois anos, as principais reformas de que o Brasil necessita para voltar a crescer. Conquistaria lugar de destaque na República.

Temer conseguiria, de fato, lugar na História, mas como o primeiro presidente em exercício a ser denunciado por corrupção. O passado e as práticas do PMDB — em especial, do grupo do presidente na Câmara, em conexão com o encarcerado Eduardo Cunha — foram mais fortes que possíveis intenções de Temer de abrilhantar a biografia. Por isso, manteve os esquemas do fisiologismo do toma lá dá cá, e, como se vê, não obstruiu o fluxo de dinheiro de propina pelos subterrâneos do partido. Ao contrário, transferiu o propinoduto para o porão do Palácio do Jaburu, já na condição de presidente da República.

Temer ataca Janot e diz que denúncia é ficção

Temer vê revanche de Janot e insinua que ele recebeu propina

Em discurso duro, presidente diz que denúncia de procurador é ‘ficção’

Peemedebista critica participação de ex-assessor de Janot em escritório que negociou acordo com JBS

Gustavo Uribe, Marina Dias, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer fez nesta terça-feira (27) seu mais duro ataque contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem acusou de buscar "revanche, destruição e vingança" ao denunciá-lo sob acusação de corrupção passiva.

No pronunciamento que fez no Palácio do Planalto, Temer pediu "provas concretas" de que cometeu qualquer ato ilícito e sugeriu que o objetivo da denúncia contra ele é "parar o país".

Em uma grave escalada pública contra o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), o presidente insinuou que Janot recebeu dinheiro por meio do ex-procurador Marcelo Miller, que deixou o Ministério Público Federal para atuar em um escritório de advocacia que negociou o acordo de leniência da JBS.

Citado por Temer, ex-procurador é investigado pela Procuradoria no DF

Rubens Valente, Reynaldo Turollo Jr., Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Citado em discurso pelo presidente Michel Temer nesta terça-feira (27), o ex-procurador da República Marcello Miller é alvo de uma investigação, chamada de PP (Procedimento Preparatório), na Procuradoria da República no Distrito Federal.

Os procuradores querem esclarecer quais as funções de Miller em um escritório contratado pela J&F, holding da empresa de carnes JBS, para o qual ele trabalha desde abril.

Em nota nesta segunda-feira (26), em resposta à afirmação do ministro do STF, Gilmar Mendes, de que o Ministério Público Federal deveria investigar Miller, a Procuradoria respondeu que já abriu uma apuração um mês atrás, em 26 de maio. O PP "antecede a abertura de inquérito civil e tem o objetivo de reunir informações que podem justificar a continuidade ou o arquivamento da investigação".

"No âmbito do PP, já foram solicitadas informações acerca do ingresso de Marcello Miller no escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, que representou a holding J&F durante parte das negociações que levaram ao fechamento de acordo de leniência entre o grupo econômico e o MPF. Também foram pedidos esclarecimentos à seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, onde um procedimento interno apura o caso", diz a nota.

Por que Temer não cai? | Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

Por que Michel Temer não cai? Moralmente, ele já está liquidado. Deixou-se apanhar numa gravação em que se comporta de modo incompatível com o cargo. O caso jurídico contra ele também é sólido. Talvez não seja tão apodítico quanto quer Rodrigo Janot, mas a denúncia oferecidanesta segunda certamente mereceria ser posta à prova num julgamento perante o STF.

O presidente, porém, vai se agarrando ao cargo. Ele tem o apoio do empresariado, ainda que este se torne cada vez mais tíbio, à medida que fica claro que o governo não conseguirá entregar um pacote de reformas à altura da encrenca fiscal.

A ficção de Temer | Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

Michel Temer recorreu a um truque antigo para reagir à denúncia por suposta prática de corrupção. Em vez de se defender, o presidente atacou o acusador. Ele subiu o tom contra o procurador-geral da República e classificou a peça entregue ao Supremo como "uma ficção".

A denúncia tem fragilidades, mas é Temer quem parece ter abandonado qualquer compromisso com os fatos. Nesta terça, ele começou o discursoagradecendo o "apoio extremamente espontâneo" dos parlamentares que estavam no Planalto. A tropa havia sido convocada minutos antes, em mensagens disparadas por celular.

O presidente apresentou duas versões distintas para a encrenca em que se meteu. Primeiro insinuou, sem apresentar provas, que o procurador Rodrigo Janot teria recebido propina para denunciá-lo. Depois disse que o dono da JBS o acusou no "desespero de se safar da cadeia".

A agonia de Temer – Editorial | Folha de S. Paulo

Se não acrescentou ao caso elementos essenciais que já não pertencessem ao conhecimento público, a denúncia formulada contra o presidente Michel Temer (PMDB) ampara-se em fatos graves o bastante para desacreditar o governo.

A peça acusatória, apresentada pela Procuradoria-Geral da República, descreve um roteiro plausível para o crime de corrupção passiva no exercício do mandato.

Parte-se do fatídico encontro entre Temer e Joesley Batista, da JBS, em 7 de março. Em trecho truncado da gravação do diálogo, o presidente indica ao empresário um auxiliar de confiança, Rodrigo Rocha Loures; este, em 28 de abril, foi flagrado recebendo de um emissário da JBS mala com R$ 500 mil.

Entre uma data e outra, Loures assumiu um mandato de deputado federal (era suplente), manteve contatos com Batista e, conforme apuração policial, procurou ao menos um órgão público para tratar de interesses do frigorífico.

Temer se diz vítima e abre guerra a Janot

Por Andrea Jubé, Bruno Peres, Raymundo Costa e André Guilherme Vieira | Valor Econômico

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Michel Temer classificou como "ilação" e "peça de ficção" a denúncia em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o acusa de corrupção passiva perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer não respondeu a perguntas dos jornalistas nem a nenhuma das acusações que constam da denúncia feita por Janot.

A acusação foi feita a partir de gravações realizadas pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, e de flagrante da Polícia Federal mostrando assessor de Temer recebendo mala com dinheiro de suborno.

Temer e a matemática | Rosângela Bittar

- Valor Econômico

As reformas ficaram para 2019, com Temer ou sem Temer

O presidente Michel Temer é o maior eleitor de si mesmo, tanto da sua permanência como da sua deposição. Se ele não quiser, não sai, e se um candidato quiser o cargo à sua revelia, não ganha, pois ele ainda tem opinião, caneta e votos no Congresso. Por isso está cercado de atenções, é um presidente em ação para se defender, com um poder relativo, porém sólido, enquanto durar.

As tentativas feitas para que renuncie ao mandato e facilite a rearrumação do sistema político, na ordem de pelo menos uma por semana, são ideias superadas em tempo recorde por outros fatos e reações que a elas se sobrepõem. A última ocorreu semana passada, quando surgiu a proposta de um afastamento branco.

Sem deixar de ser presidente, Temer se recolheria ao Jaburu, concentrado na defesa judicial e mantendo o foro privilegiado, numa espécie de licença para cuidar de assuntos pessoais. Enquanto Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara onipresente em todas as articulações da sucessão, conduziria o desfecho formal, ao lado do presidente. Temer não concordou.

Reforma da Previdência está liquidada | Raymundo Costa

- Valor Econômico

A estratégia escolhida pelo procurador Rodrigo Janot para condenar o presidente Michel Temer jurídica politicamente liquidou de vez a possibilidade de a reforma da Previdência ser votado neste ano. Janot decidiu fatiar as denúncias contra Temer, o que pode levar a Câmara dos Deputados a se estender na análise do pedido de autorização ao STF para a abertura do processo, atualmente para o fim de agosto.

O problema é que no calendário político não haverá mais uma janela para reformas entre o esforço de auto preservação a ser feito pelo governo, que pelo jeito será muito prolongado pela estratégia adotada por Janot, e o início do ano eleitoral (outubro deste ano, 2017). O Congresso deve definir as regras e os partidos devem filiar até 7 de outubro, no prazo de um ano antes do pleito, seus eventuais candidatos às eleições presidenciais.

Temer conta os votos para um decisivo desafio político – Editorial | Valor Econômico

O presidente Michel Temer vem colecionando reveses e agora luta por sua sobrevivência, ao inaugurar a galeria dos mandatários da República acusados de corrupção no exercício do cargo. O pedido de abertura de inquérito dirigido pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal é claro. Temer indicou auxiliares seus para receber propinas que lhe eram dirigidas. Resta provar, se houver autorização da Câmara para a investigação no STF, para a qual é necessária a aprovação de 342 dos 513 deputados.

Temer não está sozinho. Desde a formação do ministério, os escolhidos são alvejados sucessivamente por denúncias feitas aos procuradores da Lava-Jato. Não há no núcleo palaciano ninguém que tenha passado incólume nos depoimentos dos delatores das construtoras e de Joesley. As suspeitas se estendem aos auxiliares não graduados, como Rodrigo Loures e o coronel João Baptista Lima Filho, suspeitos de recebimento de propinas. O próprio Temer já foi citado diversas vezes e será mais algumas, porque a Polícia Federal, que validou a fita fatídica feita por Joesley com o presidente na noite de 7 de março, vê fortes indícios de obstrução de Justiça. As ligações de Temer com o porto de Santos é outro veio de investigação. Há a suspeita de um decreto que beneficia a Rodrimar, no qual Loures também estaria envolvido na intermediação de propinas com destino ao presidente.

Partidos discutem plebiscito sobre fundo para financiar campanhas

Ideia é criar fundo eleitoral com dinheiro público para 2018 e, na eleição seguinte, consultar população sobre volta do financiamento empresarial

Thiago Faria e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Líderes partidários reunidos nesta terça-feira, 27, na residência oficial da presidência do Senado discutiram a convocação de um plebiscito, em 2020, para definir o financiamento de campanha. A ideia, segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é criar um fundo eleitoral com dinheiro público que seria usado em 2018 e, na eleição seguinte, consultar a população sobre a volta do financiamento empresarial.

A proposta foi discutida com representantes de ao menos dez partidos e, segundo participantes do encontro, há consenso sobre a necessidade de alteração nas regras para as campanhas do ano que vem. Além da criação do fundo eleitoral, os líderes de partidos concordaram com o fim das coligações na disputa para a Câmara e para assembleias legislativas e a adoção de uma cláusula de barreira, que reduziria o dinheiro e o tempo de TV de partidos que não alcançarem um determinado número de votos.

Romance XXI ou das idéias | Cecília Meireles

A vastidão desses campos.
A alta muralha das serras.
As lavras inchadas de ouro.
Os diamantes entre as pedras.
Negros, índios e mulatos.
Almocrafes e gamelas.

Os rios todos virados.
Toda revirada, a terra.
Capitães, governadores,
padres intendentes, poetas.
Carros, liteiras douradas,
cavalos de crina aberta.
A água a transbordar das fontes.
Altares cheios de velas.
Cavalhadas. Luminárias.
Sinos, procissões, promessas.
Anjos e santos nascendo
em mãos de gangrena e lepra.
Finas músicas broslando
as alfaias das capelas.
Todos os sonhos barrocos
deslizando pelas pedras.
Pátios de seixos. Escadas.
Boticas. Pontes. Conversas.
Gente que chega e que passa.
E as idéias.

Onde anda você - Toquinho e Vinicius de Moraes

terça-feira, 27 de junho de 2017

Opinião do dia – Vinicius Mota

Procuradores tornam-se líderes declarados de cruzada contra "tudo o que está aí" na política. Juízes da corte constitucional suspendem prerrogativas obtidas nas urnas, contornando o que a Carta expressa, como se fosse ato banal.

Para abater o inimigo, o procurador-geral dá imunidade a um dos maiores corruptores da história. O Supremo diz que é isso mesmo e nada pode fazer diante de um acordo de delação. Criou um monstro inquisidor capaz de tudo devorar.

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Vinicius Mota é jornalista, “Guerra de trincheiras”, Folha de S. Paulo, 26/6/2017

Gilmar Mendes diz que república de promotores e juízes seria decepcionante

Em São Paulo, ministro defende discussão urgente da reforma política

Mariana Sanches, O Globo

SÃO PAULO - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu na tarde desta segunda-feira que o Brasil precisa discutir a reforma política como um “tema urgente” ao país. Segundo ele, porém, a solução não sai do Judiciário. Nas palavras do ministro, uma república de promotores ou de juízes seria decepcionante.

— Já trocamos os políticos que buscam votos pelos militares. Alguém pode imaginar que pode agora trazer uma república de promotores ou de juízes. Creio que ficarão decepcionados com o resultado — disse o ministro, que completou o raciocínio arrancando risos da plateia:

— Até com gestores, nós juízes e promotores não somos lá muito bons. Se nós considerarmos os paradigmas que adotamos na gestão, se nós fossemos administrar o deserto do Saara talvez faltasse areia. Portanto moderação com esse tipo de pretensão, com quem sonha com democracia de juiz, ou com uma ditadura de juiz.

Homem forte dos governos Lula e Dilma, Palocci é condenado

Mesmo em ofensiva para tentar acordo de delação premiada, o ex-ministro Antonio Palocci foi condenado ontem pelo juiz Sergio Moro a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No processo, Palocci é acusado de repassar US$ 10,2 milhões da Odebrecht a João Santana e Mônica Moura, marqueteiros de campanhas dos ex-presidentes Lula e Dilma. Na sentença, Moro afirma que as declarações do ex-ministro de que teria muito a contribuir com a Lava-Jato soaram como “ameaça” para que outros o auxiliassem a sair da prisão. O ex-ministro está proibido de exercer cargo ou função pública por 24 anos.

Moro condena ex-ministro Palocci a 12 anos de prisão

Para juiz, declarações de réu sobre colaboração parecem ‘ameaça’

Gustavo Schmitt, Cleide Carvalho, O Globo

-SÃO PAULO- O ex-ministro Antonio Palocci foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que envolve pagamentos de US$ 10,2 milhões feitos pela Odebrecht aos marqueteiros do PT, João Santana e Mônica Moura. O juiz determinou que Palocci permaneça preso e ressaltou que ele se aproveitou do cargo de ministro da Casa Civil para participar como intermediário do PT no esquema de corrupção envolvendo a empreiteira e a Petrobras.

O ex-ministro está proibido de exercer cargo ou função pública por 24 anos, o que corresponde ao dobro da sua pena. O assessor de Palocci, Branislav Kontic, foi absolvido por falta de provas.

Na sentença, Moro afirmou que as declarações do ex-ministro de que teria muito a contribuir com a Lava-Jato soaram mais como ameaça para que terceiros o auxiliassem a sair da prisão do que propriamente uma “declaração sincera de que queria colaborar com a Justiça".

Procurador denuncia Temer ao Supremo por corrupção passiva

Janot denuncia Temer por corrupção

Procurador-geral da República imputa crime ao presidente no caso JBS; outras acusações formais, como crime de obstrução de Justiça, deverão ser feitas ao peemedebista pelo chefe do Ministério Público Federal

Breno Pires, Fábio Serapião e Luiz Vassallo, O Estado de S. Paulo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou criminalmente nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal o presidente Michel Temer por corrupção passiva com base na delação dos acionistas e executivos do Grupo J&F, que controla a JBS. O ex-assessor especial do presidente e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures também foi acusado formalmente.

É a primeira vez na história da República brasileira que um presidente é acusado formalmente de crime durante o exercício do mandato. Em 1992, Fernando Collor de Mello foi denunciado quando já estava afastado do cargo.

Temer também poderá ser acusado pelo crime de obstrução à investigação de organização criminosa. O relatório da Polícia Federal foi encaminhado nesta segunda-feira ao Supremo, no qual também vê a mesma conduta criminosa do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e do empresário e delator Joesley Batista. O ministro Edson Fachin concedeu mais cinco dias de prazo, contanto a partir desta terça-feira, 27, para a denúncia ser apresentada. A expectativa é que Janot apresente uma nova acusação formal, fatiando a medida.

Após denúncia, Temer se reúne com ministros e líderes

Presidente está discutindo próximos passos para reagir politica e juridicamente à acusação de Janot

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

Após a apresentação da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer se reuniu com ministros e líderes aliados, em seu gabinete, no Planalto, para começar a discutir as estratégias para reação.

Neste momento, Temer está com os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral, Moreira Franco. Além dos dois ministros, Temer também se reuniu com os ministros da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, da Fazenda, Henrique Meirelles, da Justiça, Torquato Jardim, e líderes no Congresso, deputado André Moura e senador Romero Jucá.

Silêncio no Planalto e estratégia na Câmara

Temer chama defesa para reunião no gabinete enquanto aliados buscam caminhos para barrar denúncia

Cristiane Jungblut e Leticia Fernandes, O Globo

-BRASÍLIA E SÃO PAULO- Instantes após ser denunciado por corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer se fechou em seu gabinete com a advogada-geral da União, Grace Mendonça, o ministro Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e advogados que cuidam de sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Palácio do Planalto optou por não se pronunciar após a apresentação da denúncia e disse que caberia aos advogados de Temer falar sobre o caso. O advogado Antonio Mariz de Oliveira, que defende o presidente afirmou ao GLOBO, no entanto, que só se pronunciaria sobre a denúncia após analisar todos os aspectos técnicos e jurídicos da acusação da PGR.

O ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) já havia deixado o Planalto quando o denúncia veio à tona, e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), um dos mais próximos a Temer, informou que seguiria a agenda do dia normalmente.

— Por que interromperia? Ele está em agenda e continuará assim — disse um interlocutor do ministro.

Janot acusa Temer de corrupção

Janot denuncia Temer ao Supremo sob acusação de corrupção passiva

Letícia Casado, Camila Mattoso, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel Temer e seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures ao STF (Supremo Tribunal Federal), nesta segunda-feira (26), sob acusação de corrupção passiva. Veja a íntegra da denúncia aqui.

Segundo Janot, o peemedebista foi o destinatário final de uma mala contendo propina de R$ 500 mil e de uma promessa de outros R$ 38 milhões em vantagem indevida, ambas da empresa JBS.

O intermediário das operações foi, segundo Janot, Rocha Loures, preso desde o dia 3 de junho e filmado pela polícia correndo com a mala contendo os R$ 500 mil. A informação de que a denúncia ligaria Temer à mala com propina foi antecipada pela Folha no último dia 11.

Janot pede que o presidente seja condenado a pagar R$ 10 milhões por danos morais à coletividade. Já o ex-assessor de Temer, R$ 2 milhões.

É a primeira vez na história brasileira que um presidente da República é acusado formalmente de crime no exercício do cargo.

Temer acusará Janot de tentar condená-lo sem provas

Gustavo Uribe, Marina Dias, Bruno Boghossian, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Na tentativa de barrar a denúncia contra ele, o presidente Michel Temer partirá para o enfrentamento direto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusando-o de tentar condená-lo sem provas.

Em reunião na noite de segunda-feira (26), no Palácio do Planalto, o peemedebista traçou com ministros e parlamentares estratégia de reação tanto política como jurídica contra a denúncia que pode afastá-lo do cargo.

O discurso que foi estruturado e será reproduzido em defesa do presidente é de que o procurador-geral atua contra a classe política em geral e que faz conclusões que não se sustentam pelos fatos.