Valor Econômico
A ideia de que o mundo europeu e
norte-americano, ao se livrar dos incômodos imigrantes, terá mais empregos e
prosperidade aos locais é um engodo
O nacionalismo é a base do mundo
contemporâneo. Ser um país com instituições, identidade cultural e um projeto
de desenvolvimento tem sido objetivo de todos os povos que se organizam
politicamente. Mas a maioria das nações só se desenvolveu graças ao contato com
o exterior e pelo fluxo migratório, enviando ou recebendo pessoas. A despeito
disso, os imigrantes se tornaram um dos grandes bodes expiatórios da política
atual, especialmente por meio do discurso da extrema direita, que ganha votos
assim e encurrala a maioria dos adversários, hoje perdidos nesse debate. O que
se vê como risco, no entanto, é a melhor solução civilizatória para o século
XXI.
Preconceitos contra o estrangeiro, pessoas de
outras culturas ou cor sempre estiveram presentes na humanidade. Guerras foram
geradas por esse sentimento, bem como a separação entre as sociedades. Só que o
contato entre os povos tem se tornado mais global. Primeiro, a partir do
projeto colonista europeu, depois com as independências nas Américas, que
receberam milhões de imigrantes, particularmente da Europa e da Ásia, e
continuou ainda no pós-guerra até os dias atuais, agora com um fluxo
imigratório preponderantemente dos países mais pobres aos mais ricos.