Brasil deve reagir com serenidade a tarifaço de Trump
O Globo
À primeira vista, país foi poupado ao ser
incluído na menor ‘tarifa recíproca’ — mesmo assim a imposição é injusta
Donald Trump anunciou
enfim seu tarifaço sobre importações. O anúncio marca uma inflexão na política
comercial americana desde o fim da Segunda Guerra. Em vez de promover o
livre-comércio, Trump aposta numa versão mercantilista de protecionismo, com a
promessa de elevar investimentos na indústria e criar empregos. Sem dar ouvidos
a quem avisa que as tarifas aumentarão a inflação e não resultarão no
renascimento industrial prometido, ele deflagrou sua guerra comercial. É
esperado — inevitável até — que haja retaliação.
À primeira vista, o Brasil parece ter ficado em posição confortável. As exportações brasileiras foram incluídas na menor “tarifa recíproca”, 10% em média. Mesmo assim, foi uma imposição injusta, já que a balança comercial é favorável aos americanos. O déficit brasileiro em 2024 foi de US$ 250 milhões, em trocas de R$ 81 bilhões. Esse déficit fica ainda maior incluindo a balança de serviços, cujo resultado foi de US$ 3,8 bilhões negativos em 2023 (para transações de US$ 26 bilhões). Em termos comparativos, o Brasil não depende tanto de vendas aos Estados Unidos, terceiro mercado para nossas exportações (12% do total, ou 1,7% do PIB). Uma análise atenta, porém, revela uma realidade mais complexa.