quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Guizo no gato:: Merval Pereira

Tudo se encaminha para uma decisão partidária, o que não tem sido muito comum no PSDB. Se, como indicam certos movimentos dos últimos 15 dias, for confirmada a decisão do ex-governador José Serra de disputar a eleição para prefeito de São Paulo, os tucanos estarão próximos de uma unidade que poderá facilitar o projeto nacional de voltar à Presidência da República.

Pelo menos terão as condições políticas de estabilidade para preparar campanha com mais chances de ganhar do que as três últimas, em que o partido sempre começou dividido e não conseguiu confirmar a hegemonia que tem em dois dos maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas.

Se Serra se convencer de que seu sonho de disputar pela terceira vez a Presidência da República não passa disso, e cair na realidade, ele terá uma disputa difícil, mas viável, para encerrar sua carreira como prefeito da maior cidade do país, administrando o terceiro maior orçamento.

Será naturalmente parte importante do cenário político nacional, em qualquer situação, seja o próximo presidente tucano ou petista. Caso fique de fora, tentando ainda impor seu nome a um partido que já se definiu pela busca de alternativa nova representada pelo senador mineiro Aécio Neves, correrá o risco de se frustrar ou de, se sair vencedor de uma disputa sangrenta, não ter mais uma vez o partido a seu lado, inviabilizando uma eventual vitória.
Serra, oficialmente, continua dizendo que não mudou seu ponto de vista e que as notícias que surgem sobre uma mudança de pensamento são pressões, inclusive do governador Geraldo Alckmin, para que realmente mude.

O PSDB disputou e perdeu as três últimas eleições para o PT, mas teve votação ascendente.
A média de votos nacional do partido está em torno de 40%, com qualquer candidato, seja Serra ou Alckmin, o que é uma base respeitável.

O que é preciso fazer é armar a aliança mais ampla possível, e o perfil adequado para tal missão parece ser o de Aécio Neves, que vem se dedicando a fortalecer os laços que mantém com partidos e políticos hoje na base do governo mas que se incomodam com a subordinação ao PT.

O que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez ao dizer abertamente em entrevista à revista britânica "The Economist" que a candidatura óbvia era a de Aécio foi "colocar o guizo no gato".

A liderança de Fernando Henrique no PSDB não é como a de Lula no PT, é menos impositiva e surte efeito mais pela razão do que pela emoção.

Lula no PT faz o que quer, como quando impôs a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência ou, agora, quando escolheu o ex-ministro Fernando Haddad para ser o candidato do partido à prefeitura paulistana.

Um "dedaço" de Lula surte efeito no partido e é uma vantagem político-eleitoral grande ter uma figura que se impõe tão claramente sem criar dissidências.

Como Lula é um político sensível, experiente e, sobretudo, pragmático, que prefere ganhar com um estranho a perder com um amigo, ele está sempre à frente dos demais "companheiros", que têm grupos e facções.

Lula é ele e seus interesses, e por isso é capaz de considerar válida uma aliança com o PSD de Kassab, apenas para prejudicar a unidade do PSDB, mas, acima de tudo, para poder usar a máquina da prefeitura em benefício de seu candidato, contra a máquina do governo do estado.

Já FH é líder mais cerebral, que indica os caminhos sem impô-los, mesmo porque a estrutura partidária tucana não é verticalizada. Todos os grandes nomes têm mais ou menos a mesma capacidade de influir nas decisões.

Foi assim que o governador Alckmin se impôs como candidato a presidente em 2006, usando a força de seu prestígio pessoal e do cargo que ocupava, embora Serra diga que não foi candidato então porque não quis.

E é assim que o próprio Serra vai alimentando a esperança de que pode vir a ser novamente candidato a presidente, usando o que resta de seu prestígio político para se manter na disputa, pelo menos teoricamente, embora esteja claro que o partido todo está inclinado a apoiar uma candidatura que dê ares renovados ao partido. Mesmo que essa "renovação" seja apenas aparente, pois não há maneira mais antiga de fazer política (e, ele acredita, mais eficiente) do que a feita por Aécio.

Serra prefere bastidores e cochichos ao pé do ouvido na política, deixando os holofotes para sua vida pessoal, postura que terá de mudar para consolidar sua candidatura.
O fato de estar sem cargo político, e sem expectativa de poder, tira também de Serra sua capacidade de influir no partido.

Mesmo dizendo que não se candidataria à prefeitura, Serra sempre deixou porta aberta justamente para alimentar essa expectativa de poder, mas dentro do partido hoje ela tem horizonte limitado: Prefeitura de São Paulo, e não a Presidência.

Reassumindo os contatos para uma futura candidatura, Serra volta a ser peão importante para a estratégia tucana em São Paulo e no país, e ganhará força para influir em uma campanha presidencial. FH, ao pôr "o guizo no gato", fez bem ao PSDB, e ao próprio Serra, obrigando-o a lidar melhor com a realidade que o cerca.

Embora tenha ficado agastado, Serra deve ter passado a medir melhor suas reais possibilidades a partir daquela avaliação sincera e só aparentemente extemporânea.
Ele agora tem a chance de se reconciliar com o partido, alinhando-se em um projeto que não é apenas pessoal.

Serra diz abertamente que prefere o Executivo ao Legislativo.

Se insistir em permanecer à espera de mudança do quadro político que o favoreça a longo prazo, pode ficar exposto a ter que terminar a vida pública como senador, na hipótese não tão certa assim de ser eleito em 2014. Entre as duas opções, a perspectiva de uma eleição para a prefeitura, mesmo difícil, é bem mais atraente para um tipo de político como Serra.

A maior dificuldade para essa decisão deve ser o perigo de não ter a confiança do eleitorado paulistano, ressabiado com o uso da prefeitura como trampolim político. Serra terá de convencer seu eleitorado de que sua opção pela prefeitura é definitiva, e nada melhor para isso do que, ao anunciar sua candidatura, anunciar também o apoio à de Aécio Neves à Presidência.

Pode ser que Serra faça a primeira parte. Mas a outra é mais difícil, quase impossível.

FONTE: O GLOBO

Oposição emparedada :: Fernando Rodrigues

Se consolidada, a aliança entre o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o PT na disputa pelo comando da capital paulista será mais um prego no caixão da agonizante oposição.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está aos poucos interditando todo o espectro político para quem não apoia o projeto do PT em nível nacional. Sem ter com quem se aliar, PSDB, DEM e PPS ficam cada vez mais sem perspectiva de poder e com um futuro desolador.

Há várias formas de fazer política. Montar coalizões é uma necessidade inescapável. Num país com 29 partidos, quem não se alia fica com chance reduzida de vitória em disputas locais ou nacionais.

Lula já desfrutava da mais ampla aliança partidária quando ocupou o Palácio do Planalto nos seus últimos anos de poder. Agora, a presidente Dilma Rousseff ampliou o escopo de influência do PT.

Na Câmara, há hoje 23 partidos representados. A rigor, só quatro são, de fato, oposição orgânica ao Planalto: PSDB, DEM, PPS e PSOL.

Egresso de siglas conservadoras e admirador do tucano José Serra, o prefeito de São Paulo seria o aliado natural do PSDB na eleição paulistana de outubro. Só que Kassab ficou emparedado pela incapacidade de seus parceiros mais óbvios se decidirem sobre qual rumo seguir.

Ainda falta muito tempo até a eleição, neste ano em 7 de outubro. Reviravoltas podem ocorrer. Mas, a ser mantida a tendência atual, com o PT conquistando a Prefeitura de São Paulo bancado por uma aliança de amplo espectro, a oposição enfrentará uma agudização de sua crise atual -por ser incapaz de sair do seu estado de catatonia.

As eleições municipais não determinarão o que acontecerá em 2014, nas escolhas de governadores e do presidente da República. Mas são um termômetro do que virá por aí. Sobretudo para a oposição, cada vez mais depauperada e sem norte.

FONTE: FOLHA DE S .PAULO

O que seu mestre mandar:: Rosângela Bittar

O PT tem, hoje, uma só ideologia, uma só direção e uma só concepção política: é o que Lula mandar. O ex-presidente é o senhor do voto, da força de arrecadação, da linguagem e do discurso das campanhas e das vitórias. Portanto, ele manda e o PT obedece. Mesmo que às vezes um ou outra reajam a imposições que os prejudicam. Depois de um tempo, dedicado a convencê-lo do contrário, encaminham-se dóceis para a aceitação.

Retrato esse que, apesar da grande nitidez no momento, não impede que cabeças mais preparadas e dadas à formulação política, no PT, continuem raciocinando com autonomia. O que lhes permite ver risco no exagero e acreditar que se torna imprescindível uma reação mais efetiva por parte de políticos petistas que porventura contem com o respeito do ex-presidente. Esses amigos tentariam convencê-lo a não radicalizar tanto o pragmatismo que, na avaliação de Lula, foi o que passou a dar vitórias eleitorais sucessivas a ele e ao partido.

A política de alianças é o cerne dessa questão, nem está mais na berlinda, chegou ao PT para ficar e os demais partidos, inclusive adversários, que a praticavam antes de Lula, tentam retomar o modelo para reconquistar o horizonte da vitória.

Pragmatismo radical implica riscos

O que preocupa boa parte do PT, no momento, mesmo aprovando as alianças e precisando de Lula mais que tudo, é o óbvio: a formação de aliança com o PSD de Gilberto Kassab para melhorar as condições eleitorais do candidato Fernando Haddad em São Paulo.

Lula decidiu que o melhor para o PT seria embarcar em um amplo processo de renovação de imagem das candidaturas petistas, rifando os desgastados e jogando biografias zeradas à arena. Seu projeto-piloto foi, em gesto ousado que lhe é peculiar, a presidência da República, e deu certo, com Dilma Rousseff. Decidiu então promover nomes menos batidos em todo o Brasil, a começar por São Paulo, em um plano de tomar as rédeas da política estadual e municipal, há anos em mãos do PSDB. Mas o plano só funcionaria imobilizando adversários possíveis já no primeiro turno.

Ofereceu Haddad às eleições municipais e tem no forno o projeto estadual, com o prefeito Luiz Marinho. Aluizio Mercadante, natural candidato a comandar o governo paulista, não sofreu rasteira como a aplicada a Marta Suplicy, ainda, e foi engajado oficialmente no projeto de eleição do prefeito petista recebendo o instrumento fabuloso do Ministério da Educação, de onde saiu o candidato a prefeito e seu portfólio de campanha, que não pode ser conspurcado por um sucessor mais distraído.

Marta Suplicy esperneou contra a invenção de Lula, vende caro seu apoio ao candidato, e agora manifesta-se refratária às negociações entre o PT e o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para a composição da chapa que disputará a prefeitura. Ou seja, não engoliu o projeto Lula em nenhum de seus aspectos, mas sabe que o partido precisa dele e se ainda não se rendeu integralmente é porque ainda tem tempo.

Não é só dela, ou de seu agora reduzido grupo, porém, que partem os alertas sobre o mal que o comportamento do ex-presidente pode fazer ao partido, a médio prazo. "Lula está abusando do seu prestígio. Metade do PT já acha que, em vez de solução, Lula está criando problemas desnecessários". É que o ex-presidente, autosuficiente, namora o risco.

Pelo menos três fatos consolidaram em Lula o sentimento da onipotência. Ter vencido a reeleição em plena crise do mensalão foi o primeiro deles; a vitória com Dilma, que nunca havia disputado uma eleição, foi outro feito que o maravilhou; e o terceiro foi ter saído do governo com cem porcento de aprovação popular. "Ele fala o que quer e o PT faz o que ele quer".

O exagero, ou transposição de uma linha imaginária de limite, teria sido, primeiro, a escolha de Haddad, que o PT não reconhece como sendo do ramo. Mas aceitou como havia acatado a decisão da escolha de Dilma. Agora, a corda da política de alianças esticou-se ao máximo com o convite à união com Gilberto Kassab.

O risco do método Lula, da ocasião, tem um nome, Afif Domingos. Para os protagonistas dessas reflexões no interior do PT, o partido está de dedos cruzados: "Deus queira que o candidato seja o Henrique Meirelles, porque o PT poderá ter um discurso. O Meirelles não é do PT mas trabalhou oito anos no governo Lula e foi muito bem. E se o PSD indicar o Afif? Vai ser uma tragédia".

Na hipótese de formalização dessa aliança o PSD indicaria o vice do PT, e o partido perderia todo o combativo discurso de campanha contra a administração da cidade, de que tanto Marta quanto Mercadante já usaram e abusaram em suas campanhas.

A tarefa principal do PT agora é direcionar as conversas, pressionar, levar o ex-presidente a abraçar a causa Meirelles. O PT não aceitará Afif ou qualquer outro nome identificado mais com o PSDB. Pelo menos até o momento em que Lula empurrar goela abaixo do partido aquilo que preferir. É ele quem segue mandando.

Não por acaso foi o político hoje mais próximo do ex-presidente, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), que serviu de porta-voz autorizado de Lula na reunião de aniversário de 32 anos do PT, em Brasília. Marinho considerou "muito positiva" uma eventual composição PT-PSD na disputa pela sucessão municipal em São Paulo.

Ouvidos moucos à divergência, Marinho carimbou o projeto: "Creio que o prefeito Kassab pode colaborar muito para o resultado eleitoral". E sacou da justificativa para a aliança dos até ontem contrários com a cara de pau com que o partido abordou as suas privatizações: "A oposição feita pelo PT à gestão do prefeito paulistano Gilberto Kassab se deu enquanto ele mantinha ligações com o PSDB. Agora, o convencimento da militância sobre a necessidade dessa aproximação se dará por meio de "discussões" fortalecidas por um "alinhamento de propostas" para a cidade".

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Passo consumado:: Dora Kramer

Espera-se para hoje a retomada da votação sobre a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal. Se confirmado, já vem tarde esse julgamento. Se não, o STF continuará devendo uma resposta à sociedade.

Por todas as contas que são feitas, a parada estaria decidida em favor da lei. Note-se: o que está em exame não é a validade para a próxima eleição por questões de prazos como ocorreu em 2010, mas se é ou não constitucional.

Até agora dois ministros já votaram em sessão anterior, antes do pedido de vista feita pelo ministro José Antonio Dias Toffoli. Ambos, Luiz Fux e Joaquim Barbosa, disseram que a exigência de contas zeradas com a Justiça para quem alguém possa se candidatar está em acordo com a Constituição.

Outros três - Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Carlos Ayres Brito -, embora ainda não tenham votado, em outras ocasiões manifestaram-se do mesmo modo.

Gilmar Mendes, Toffoli, Celso de Mello e Cezar Peluso sinalizaram apreço à tese de que não há como barrar candidaturas de condenados em primeira instância por um colegiado sem ferir o princípio da presunção da inocência até o trânsito em julgado.

Marco Aurélio Mello era tido como integrante desse grupo, o que deixaria a votação teoricamente empatada em cinco votos a cinco, ficando a decisão para a ministra Rosa Weber, a mais nova integrante do tribunal e cuja posição não é conhecida.

Ocorre que recentemente Marco Aurélio deu declarações públicas insinuando apoio à constitucionalidade da Ficha Limpa e, reservadamente, detalhou a interlocutores suas razões.

Segundo ele, essa lei inscreve-se entre aquelas representativas de avanços culturais emblemáticos, como as da Responsabilidade Fiscal e o Código do Consumidor.

Ademais, argumenta, o princípio da culpabilidade aplica-se a processos criminais e não à vida pregressa de quem se pretende delegado de uma representação pública.

Seguindo essa linha de raciocínio, o ministro votará a favor da lei e, portanto, o placar antecipado seria de seis votos contra quatro. Independentemente da posição da ministra Rosa Weber, a fatura estaria liquidada.

Em tese. Pode ser maior ou pode haver mudanças de posição. Fato é, contudo, que o conceito da Lei da Ficha Limpa já foi incorporado pela sociedade e se o STF decidir contra estará produzindo um recuo que colocará o Congresso na obrigação de corrigir.

De duas, uma. Não há meio termo possível na interpretação da declaração do prefeito Gilberto Kassab de que "definição tardia é definição derrotada", referindo-se à possibilidade de o tucano José Serra vir a se candidatar à Prefeitura de São Paulo.

Ou tem certeza de que não há a menor hipótese ou trata-se de um aviso prévio de abandono do navio.

Como dantes. Quanto a notícias de que José Serra negocia com o governador Geraldo Alckmin condições para aceitar a candidatura, o fato é o seguinte: os dois não se falam há um mês, nem pessoalmente nem por intermédio de "mensageiros".

Por enquanto tudo continua como no quartel de Abrantes, não obstante o aumento "exponencial" das pressões. Se José Serra acabará cedendo a elas são outros quinhentos ainda não postos à mesa.

Day after. Compreende-se que o governador Jaques Wagner solicite a permanência da Força Nacional e do Exército em Salvador durante o carnaval como medida preventiva, devido à radicalização da greve recente.

Só não é aceitável que ele diga que está "tudo bem" na Bahia em matéria de segurança pública. A presença das tropas por si só configura uma anormalidade (no sentido de alteração da rotina) e sinaliza que o atrito entre governador e polícia no processo deixou sequelas cujos desdobramentos precisam ser administrados.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

PSDB quer decisão de Serra até carnaval

Ex-governador não se inscreveu nas prévias para eleição em SP, encerradas ontem, mas repensa se vai entrar na disputa

Silvia Amorim

SÃO PAULO. O prazo para concorrer às prévias do PSDB em São Paulo, marcadas para 4 de março, terminou ontem, mas o ex-governador José Serra não se inscreveu. Para tucanos, o gesto de Serra — que agora repensa a decisão de ficar de fora da eleição para a prefeitura de São Paulo — mostra que não está nos planos do ex-governador enfrentar uma disputa com os quatro pré-candidatos à vaga, mas ser aclamado como o escolhido. As mesmas lideranças avaliam que, se a decisão de Serra sair após as prévias do PSDB, o processo será muito mais traumático.

— Seria prudente termos esta situação definida até o fim do carnaval — disse ontem um tucano que participa das negociações.

O partido quer uma resposta de Serra até antes das prévias, para ter tempo de convencer os quatro pré-candidatos tucanos (os secretários estaduais Andrea Matarazzo, Bruno Covas e José Aníbal e o deputado federal Ricardo Trípoli) a abrirem mão da disputa interna e, assim, transformar o evento no anúncio oficial da candidatura do ex-governador.

À tarde, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que cabe ao partido agora aguardar uma definição de Serra: — Se ele quiser ser candidato, é um ótimo candidato, preparado e sério. Essa é uma decisão pessoal do José Serra que nós devemos aguardar.

Nas últimas semanas, tem crescido no PSDB a expectativa de que Serra será candidato.
Numa reunião entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, na semana passada, e, depois, em encontro do governador Geraldo Alckmin com FH, o diagnóstico foi de que ele já demonstrava disposição para repensar a decisão de ficar fora do páreo para a prefeitura de São Paulo. O próprio Alckmin, quando conversou com dirigentes do DEM há cerca de 10 dias para falar de alianças, transmitiu confiança numa candidatura do tucano.

No domingo passado, o governador reuniu-se com o ex-vice- governador Alberto Goldman, uma das pessoas mais próximas de Serra no partido.

Aliados de Alckmin disseram que, nesse encontro, Goldman comunicou que Serra, após sucessivos apelos de Alckmin, estava refletindo sobre o assunto.

Mas o processo de construção de consenso em torno do nome de Serra promete ser difícil mesmo na hipótese de ele tomar uma decisão antes das prévias. Dois dos pré-candidatos (Aníbal e Tripoli) têm se mostrado irredutíveis na realização da consulta à militância.
Tripoli ameaçou ontem que, se as prévias forem canceladas, levará a disputa para a convenção partidária, em junho: — A minha candidatura não me pertence mais, mas a todos os militantes que assinaram para que eu apresentasse minha inscrição.

Eu não tenho a menor condição de retirá-la.

Matarazzo e Bruno Covas não quiseram falar sobre o assunto. E Aníbal não retornou o pedido de entrevista. Já o ex-presidente municipal do PSDB em São Paulo, José Henrique Reis Lobo, defende a candidatura de Serra: — Espero que ele esteja refletindo e que venha a ser candidato.

Seria o nome com mais condições de competir e com perspectivas de vitória.
Aliados de Alckmin atribuem a mudança de Serra à aproximação do PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com o PT. Afinal, o PSD, dizem, seria um parceiro estratégico para o ex-governador em 2014.

Apoio garantido de DEM e PSD

A entrada de Serra na disputa resolveria boa parte dos problemas dos tucanos

Uma entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na eleição em São Paulo resolveria a maior parte dos problemas do PSDB na composição de alianças para disputar a prefeitura paulistana. Os partidos mais cobiçados pelos tucanos, como DEM e PSD, estariam garantidos. A avaliação é de dirigentes tucanos que estão na linha de frente das negociações com os partidos.

Hoje, o PSDB encontra como maior entrave para atrair as duas siglas a desconfiança delas em relação à viabilidade eleitoral dos quatro pré-candidatos a prefeito do PSDB. O prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defende que o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) é um nome com mais perspectivas eleitorais do que as opções apresentadas até agora no PSDB. E, por isso, quer que o PSD tenha a cabeça de chapa.

Na semana passada, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), após um encontro com o governador Geraldo Alckmin, admitiu que, com Serra candidato, a parceria é praticamente inevitável.

A discussão passaria a ser sobre quem ficaria com a vaga de vice na chapa. Mas esse assunto sequer foi tratado pelos dirigentes das siglas, que aguardam de Serra uma resposta definitiva se disputará ou não a eleição.

Outra vantagem apontada pelo PSDB de ter Serra como candidato é que o engajamento incondicional de Kassab poderia ser um facilitador das negociações com o PSB. O presidente nacional da legenda, governador Eduardo Campos, tem relações estreitas com Kassab e o PSD.

Hoje o PSB está dialogando em São Paulo com o PSDB e o PT do pré-candidato Fernando Haddad. Em ambas as frentes, as conversas estão em estágio inicial. Regionalmente, a proximidade do PSB é maior com os tucanos. O presidente estadual da sigla, Márcio França, é integrante do secretariado de Alckmin.

FONTE: O GLOBO

Tucanos devem esperar decisão de José Serra, afirma Alckmin

O governador Geraldo Alckmin indicou que a definição do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo terá de esperar José Serra decidir o seu futuro político. "É uma decisão pessoal que nós devemos aguardar." Os dois negociam condições para possível candidatura de Serra. O cenário deixou alarmados os pré-candidatos inscritos nas prévias

Alckmin diz que tucanos devem "esperar" por Serra

Negociação para lançar ex-governador a prefeito alarma pré-candidatos

Serra afirma a aliados que acordo eleitoral do PT com Kassab em São Paulo seria "desastre" para futuro da oposição

Daniela Lima, Vera Magalhães, Evandro Spinelli e Daniel Roncaglia

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin indicou ontem que a definição do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo terá que esperar José Serra decidir seu futuro político.

Na última semana, os dois tucanos passaram a negociar as condições para uma possível candidatura de Serra a prefeito, como revelou ontem a Folha. O novo cenário deixou alarmados os quatro pré-candidatos inscritos para as prévias convocadas pelo partido para o dia 4 de março.

Questionado sobre a articulação, Alckmin disse que não havia "fato novo", mas afirmou que Serra é "um ótimo candidato". "Se ele quiser ser, é um ótimo candidato. Essa é uma decisão pessoal do Serra que nós devemos aguardar", afirmou Alckmin.

Uma das condições apresentadas pelo ex-governador para considerar a disputa é que Alckmin desarme a disputa interna, pacificando o partido para sua campanha.

Serra recebeu uma romaria de tucanos nos últimos dias. Avaliou que seria "um desastre" para qualquer projeto político do PSDB uma aliança entre o PT e o PSD, do prefeito Gilberto Kassab.

Para o ex-governador, isso seria a vitória de um projeto do ex-presidente Lula e transformaria a oposição numa "minoria absoluta".

A notícia de que Serra passou a costurar sua candidatura levou o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, a convocar senadores e membros da cúpula partidária para discutir o novo cenário.

Guerra deixou claro que caberá a Alckmin conduzir o processo em São Paulo, o que é um consenso entre os tucanos. Na avaliação de serristas, só uma intervenção direta do governador seria capaz de desmobilizar as prévias.

"Se o Serra quiser ser candidato, terá que disputar as prévias. Estamos trabalhando nisso há seis meses", afirmou o secretário estadual de Energia, José Aníbal, um dos quatro candidatos às prévias.

O secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, que é amigo de Serra e também está inscrito para as prévias, disse apenas que "quem define a questão é o PSDB e o governador". O deputado Ricardo Trípoli disse que as prévias não podem ser canceladas.

Kassab

O prefeito Gilberto Kassab teve diferentes reações diante da possível candidatura de Serra. Em público, disse desconhecer a articulação tucana e ampliou a pressão por uma definição até março.

"Uma candidatura colocada tardiamente leva uma desvantagem muito grande em relação aos outros candidatos", afirmou ontem.

Aos petistas, com quem também está negociando, o prefeito prometeu manter o cronograma de conversas e disse não ter recebido nenhum sinal de que Serra será candidato à sua sucessão.

Em conversas reservadas com aliados, Kassab disse falar com Serra "todo dia" e reafirmou que, se o ex-governador for candidato, não terá como não apoiá-lo.

Disse ainda que considera o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, uma boa opção de vice. É o mesmo nome que ele apresentou aos petistas.

Dirigentes do PSDB também defendem a definição de uma estratégia até março.

Eles se dividem entre os que acham que o melhor é realizar as prévias e depois negociar a desistência apenas com o vencedor, e os que avaliam que o processo tem de ser cancelado antes que a votação seja realizada, para evitar um vexame público para os tucanos.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Pressão por Serra irrita pré-candidatos tucanos

As pressões internas do PSDB para que José Serra dispute a Prefeitura de São Paulo, intensificadas diante da aproximação do prefeito Gilberto Kassab (PSD) com o PT, provocaram forte reação dos quatro pré-candidatos tucanos. Eles temem o cancelamento das prévias, marcadas para 4 de março. "Vou até o fim", disse o deputado Ricardo Tripoli. O prazo para inscrição nas prévias terminou ontem, e Serra não se apresentou, mas líderes do PSDB avaliam que o ex-governador estaria mais aberto em relação à entrada na disputa

Para conter união entre PT e Kassab, PSDB pressiona Serra e divide base

Cúpula tucana insiste na candidatura do ex-governador e acirra ânimos no partido

Julia Duailibi, Lucas de Abreu Maia, Gustavo Uribe e Bruno Ribeiro

As pressões internas do PSDB para que o ex-governador José Serra entre na disputa pela Prefeitura de São Paulo, intensificadas nos últimos dias diante dos passos cada vez mais ousados do prefeito Gilberto Kassab (PSD) em direção ao PT na capital, provocam forte reação dos quatro pré-candidatos tucanos que temem uma ação da cúpula da sigla para engavetar as prévias, marcadas para 4 de março.

O prazo para inscrição nas prévias terminou ontem. Serra não se apresentou como pré-candidato. Diante da pressão dos tucanos, especialmente dos gestos do governador Geraldo Alckmin, líderes do PSDB avaliam que Serra, antes totalmente refratário à ideia, estaria mais aberto em relação à entrada na disputa, embora não haja ainda nenhuma decisão.

O cenário, porém, mostra um PSDB fragmentado em função da indefinição de José Serra. Três dos quatro pré-candidatos – os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli – disseram ao Estado que continuam na disputa. O secretário Bruno Covas (Meio Ambiente) não se manifestou.

"As prévias são irreversíveis, estão aí, e sou pré-candidato. Espero ganhar. (O Serra) se inscreve e segue o procedimento", declarou Aníbal. "O procedimento decidido pelo partido para a escolha do candidato foram as prévias. Faz seis meses que nós adotamos as prévias. Os pré-candidatos se reúnem e conversam. Quem quiser ser candidato pelo PSDB tem de se inscrever e ir para as prévias", completou.

Tripoli também disse não ter recebido nenhum sinal pedindo para que recue da decisão de disputar. "Vou até o fim", afirmou.

Matarazzo declarou que continua trabalhando em favor de se disputar a eleição interna. "Quantas vezes ela (a possibilidade de Serra se candidatar) não surgiu no decorrer dos últimos seis meses? É um processo natural", disse. "Ele tem dito que não é candidato, mas as coisas não são fixas. Precisa ver o que ele decide, o que o governador decide e o que o partido decide."

Recados. Alckmin, que não conversa com Serra há pelo menos vinte dias, defende a candidatura do ex-governador e pediu a emissários que falassem com o ex-governador sobre a entrada dele na disputa, como o Estado noticiou em 7 de fevereiro.

Ontem, o governador disse que a decisão final será de Serra, mesmo com o prazo para a inscrição nas prévias esgotado. "Se ele quiser ser candidato, é um ótimo candidato, preparado e sério", afirmou. "Esta é uma decisão pessoal do José Serra que nós devemos aguardar", completou. "Eu não tenho nenhum fato novo, nenhum fato novo", frisou.

Em janeiro, o ex-governador teria dito a aliados que não pretendia disputar este pleito e que estaria focado apenas na sucessão presidencial de 2014.

Mesmo diante das pressões para que Serra se torne o candidato, o presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, mantém o apoio às prévias e defende que, para ganhar a nomeação, o ex-governador participe da consulta interna . "Se Serra participar dessa prévia, tem grande chance de ganhar", afirmou.

Tobias acrescentou que, para que a disputa partidária seja cancelada, é preciso que os quatro pré-candidatos desistam em favor de Serra. "Até onde sei, há dois que não abrem mão", disse, em referência a Aníbal e Tripoli.

"Tardio". Aliado de Serra, Kassab reiterou ontem que a união PT e PSD à Prefeitura pode produzir uma boa aliança e ressaltou que Serra não será candidato. "Acho até desrespeitoso da minha parte falar em relação a uma eventual candidatura, porque ele já me afirmou que não será candidato." O prefeito, que conversou com Serra no final de semana, voltou a dizer que "uma candidatura, quando colocada tardiamente", pode trazer desvantagens numa eleição. "Você leva uma desvantagem em relação a seus adversários, porque campanha precisa de tempo." Indagado se era uma referência a Serra, disse: "Prefiro não me manifestar. Essa é uma decisão que depende dele".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Fator Serra eleva cacife de PSD e PSB e preocupa PT

Cristiane Agostine, Vandson Lima e Raphael Di Cunto

SÃO PAULO - Kassab na reunião do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano: "Todos sabem que o PT e o PSD têm alianças em diversas cidades do país para as eleições"

A possível entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo embaralhou os planos do PT e aumentou o cacife do PSD e PSB na negociação em torno de alianças eleitorais. A cúpula petista vê com preocupação a pré-candidatura do tucano, com receio de perder a aliança não só com o PSD mas também com o PSB. Sem os dois aliados, o projeto político de o PT ganhar em 2014 o governo estadual de São Paulo, comandado há cinco gestões pelo PSDB, ficaria em risco.

A eventual pré-candidatura de Serra atrapalha os planos do PT, que sonha com a vitória do ex-ministro Fernando Haddad no primeiro turno. O partido conta com a aliança com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e estava acertando os últimos detalhes para fechar um acordo com o PSB, em articulação feita por Kassab.

A aliança com o PSD é defendida pelo comando petista desde meados de 2011, com vistas à construção de um grupo político que enfrente o PSDB não só em 2012, mas também em 2014, na disputa estadual. O possível lançamento de Serra, avalia o PT, fará com que Kassab componha com o tucano e leve consigo o PSB. O prefeito é ligado politicamente a Serra, de quem foi vice na disputa municipal em 2004 e de quem herdou a prefeitura da capital em 2006, quando o tucano deixou o cargo para concorrer ao Estado.

A cúpula do PT vê a aliança com Kassab como "essencial" para ganhar a prefeitura. A principal vantagem do acordo com o prefeito é ter a máquina pública para fortalecer a candidatura de Haddad. A capilaridade das subprefeituras e o caixa municipal turbinariam o petista. O apoio do prefeito ajudaria a quebrar a resistência da classe média e a abrir diálogo com o eleitorado conservador, que não votou no PT em outras eleições. O partido avalia que se ficar concentrado só no eleitorado tradicional petista, na periferia, não ganhará. A possível indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles como vice de Haddad facilitaria no contato com empresários e na captação de recursos.

O PT também está de olho no tempo de televisão do PSD. Se o partido de Kassab conseguir no Tribunal Superior Eleitoral tempo de televisão e recursos do fundo partidário, oferecerá ao aliado mais três minutos no horário eleitoral. Dessa forma, Haddad, que ainda é pouco conhecido, ficaria com quase metade do tempo da propaganda eleitoral.

Enquanto o PT observa com atenção a movimentação de Serra, o PSD comemora por ser cortejado tanto por petistas quanto por tucanos. Na análise de dirigentes da sigla, ainda que Serra não dispute a prefeitura, os rumores da pré-candidatura pressionarão o PT a oficializar o acordo com o PSD o quanto antes para evitar a aliança com o tucano.

A possível entrada de Serra na disputa paulistana divide o PSD. Nos bastidores, um grupo de dirigentes duvida dessa pré-candidatura e avalia que ela atrapalhará alianças do partido com o PT em todo o país. Além disso, criará atritos com o governo federal, já que o tucano tornou-se uma das principais vozes da oposição à presidente Dilma Rousseff, enquanto Kassab buscou estreitar a relação com a presidente. Para esses dirigentes, sem o acordo com o PT, o ideal seria lançar a candidatura própria, com o vice-governador Guilherme Afif Domingos.

Outro grupo do PSD analisa que candidatura de Serra colocaria as coisas em seu devido lugar, pois haveria a defesa concreta da gestão que Kassab e Serra compartilharam. Para estes, a costura levaria o PSB para a chapa e a vice ficaria com Alexandre Schneider (PSD), secretário municipal de Educação, ex-tucano próximo de Serra e do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Kassab, fundador do PSD, evitou falar sobre a possível alteração na disputa municipal. "É até desrespeitoso da minha parte falar em relação a uma eventual candidatura [de Serra] porque ele já me afirmou que não será candidato", disse. "Cabe ao Serra definir seu futuro. Prefiro manter o silêncio".

O PSB, a exemplo do PSD, comemora o aumento do assédio do PT e PSDB. Com um cenário "incerto", nas palavras do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, o partido ainda não decidiu quem irá apoiar. Partido que apoia tanto o PT, no governo federal, quanto o PSDB, no Estado, e o PSD, na prefeitura, o PSB ganha peso na disputa com essa indecisão sobre o rumo de Kassab.

A legenda é um dos alvos do PT, ao lado de PR, PDT, PCdoB e PMDB, mas tende a apoiar os tucanos, segundo o secretário de Turismo do Estado e presidente estadual do PSB, Márcio França, em gratidão ao gesto do PSDB, que desistiu de concorrer em cidades importantes do interior, como Campinas e São José do Rio Preto, para apoiar o PSB.

"Em política, nada é impossível, até porque não temos qualquer tipo de inimizade no PT. Mas hoje as condições são mais próximas do PSDB e, se possível, em aliança com o PSD", afirmou França. "Se confirmada a candidatura do Serra, muda todo o cenário e se torna ainda mais fácil essa aliança", comentou. Essa "ponte" foi sondada como forma de tornar a aliança de Kassab com o PT mais aceitável para os petistas contrários a compor com o prefeito. O PSB indicaria um vice alinhado a Kassab para Haddad e facilitaria a composição.

Serra, se for candidato, terá chance de agregar outros partidos à sua candidatura. O PDT, que tem como pré-candidato o deputado federal e presidente da Força Sindical Paulo Pereira da Silva, poderia indicar Paulinho como vice do tucano. O PPS, da pré-candidata Soninha Francine, também sofreria desistir. O DEM, que negocia apoiar o PMDB, é outro provável aliado de Serra.

No PSDB, a possibilidade da entrada de Serra na disputa municipal dividiu os pré-candidatos tucanos sobre a manutenção da prévia partidária para definir o candidato. O secretário estadual José Aníbal e o deputado Ricardo Tripoli defenderam a manutenção das prévias para a escolha do candidato, enquanto os secretários Andrea Matarazzo e Bruno Covas demonstraram disposição de sair da disputa em favor de Serra.

Ontem foi o último dia para inscrição dos pré-candidatos na disputa interna do PSDB. Os quatro postulantes se inscreveram, mas Serra não, segundo o presidente do diretório municipal, Julio Semeghini. A prévia está prevista para o dia 04 de março.

O presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, defendeu a realização de prévia, mesmo se Serra quiser se candidatar. "Não concordo que atropelem algo que empolgou a militância por qualquer motivo que seja", disse.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), mostrou-se cauteloso e disse que ainda é preciso "aguardar" a decisão de Serra.

Embora defenda a prévia, a bancada de oito vereadores do PSDB vê com bons olhos a possível candidatura de Serra, que puxaria votos para a legenda e ajudaria na reeleição dos parlamentares. "Em 2008, mesmo com o [governador] Geraldo Alckmin ficando em terceiro, elegemos a maior bancada da Câmara, com 13 vereadores", disse o líder da bancada, Floriano Pesaro. Para o tucano, o importante é a candidato próprio.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Marcos Valério é primeiro condenado do mensalão

O lobista Marcos Valério, operador do mensalão, foi condenado a nove anos e oito meses de prisão pela Justiça em Minas por sonegação fiscal e falsificação de documentos públicos. Ele e ex-sócios na SMP&B foram acusados de sonegar impostos federais em 2003 e 2004, omitindo receitas e prestando declarações falsas a Receita Federal. É a primeira condenação de Valério pelas investigações do mensalão petista e a segunda em função de crimes cometidos por ele para favorecer grupos políticos. Ele recorre em liberdade. A nova condenação ocorreu por causa da movimentação bancária da SMP&B junto a bancos e sem o devido registro contábil na Receita. Segundo o Ministério Público Federal, a maior parte dos valores omitidos foi lançada a título de empréstimos para o PT, que posteriormente distribuiu os recursos a integrantes da base aliada do governo Lula. O julgamento dos 38 réus do mensalão no Supremo Tribunal Federal está previsto para maio

Pelo mensalão, a 1a. condenação

Justiça de Minas condena Marcos Valério a nove anos de cadeia pelo esquema com PT

Marcos Valério Fernandes de Souza, conhecido como o operador do mensalão, foi condenado a nove anos e oito meses de prisão por sonegação fiscal e falsificação de documentos públicos.

Ele e seus ex-sócios na SMP&B, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, foram acusados de sonegar impostos federais em 2003 e 2004, omitindo receitas e prestando declarações falsas à Receita Federal. Essa é a primeira condenação de Valério decorrente das investigações do mensalão petista e a segunda em função de crimes cometidos pelo lobista para favorecer grupos políticos.

No segundo semestre do ano passado, ele havia sido condenado a seis anos de prisão por prestar informações falsas ao Banco Central e justificar movimentações financeiras para campanhas tucanas em Minas. Nos dois casos, ele recorre das sentenças em liberdade.

A condenação de ontem ocorreu em função da movimentação bancária da SMP&B junto a diversos bancos e sem o registro contábil na Receita Federal.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a maior parte dos valores omitidos foi lançada a título de empréstimos para o PT. Depois, esses recursos foram distribuídos a integrantes da base aliada petista, no maior escândalo do governo Lula. Para a Procuradoria Geral da República (PGR), os empréstimos nunca existiram e teriam sido simulados para justificar o desvio de recursos públicos, por meio de contratos de publicidade, para os aliados do partido.

Em meio às denúncias sobre as relações escusas entre Valério e políticos da base governista, em 2005, a Receita Federal realizou uma auditoria na empresa de publicidade de Valério. Constatou que a firma deixou de pagar diversas contribuições federais, como o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, PIS e Cofins, entre outras, referentes às receitas omitidas. Se incluídos valores de multas e a correção monetária até 2007, a sonegação chega a R$ 90 milhões, de acordo com o MPF.

Assinaturas falsificadas

Poucos dias antes de ser autuada pela Receita, a SMP&B apresentou retificação da declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, incluindo as receitas omitidas. Para justificar a alteração, a empresa imprimiu notas fiscais por meio de falsas autorizações para impressão de documentos fiscais (AIDFs), emitidos pela prefeitura da cidade onde a empresa tem sede. A finalidade da AIDF é permitir o lastreamento da emissão de notas fiscais.

"A retificação constitui, isto sim, confissão das fraudes fiscais anteriormente encetadas para se lograr a sonegação obtida, e só se deu quando os acusados tinham certeza plena de que seriam, juntamente com a SMP&B, alvo de intensa fiscalização tributária e investigação na esfera penal", concluiu o juiz substituto da 11+ Vara Federal de Belo Horizonte, Henrique Gouveia da Cunha, na sentença condenatória.

Peritos constataram falsificações das assinaturas do prefeito e de uma servidora pública de Rio Acima, pequena cidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte onde os sócios da SMP&B abriram uma filial para obter vantagens tributárias e disfarçar as operações financeiras. Cada AIDF adulterada permitia à agência a impressão de até 15 mil notas fiscais, em vez de cinco mil, segundo a denúncia.

O advogado Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério nas ações que tramitam contra o empresário na Justiça Federal, disse que recorrerá da sentença. Para ele, seu cliente é vítima de perseguição desde o escândalo do mensalão, e a retificação das declarações dos réus seria prova de que eles tentaram regularizar a situação.

— Há má vontade com os acusados. Dever tributo não é crime, sonegar informação, sim — afirmou.

Na primeira condenação de Valério, ocorrida no ano passado, ele e seus sócios foram acusados de simular um aumento de capital social da SMP&B para justificar depósitos na conta corrente da empresa em 1998 e 1999, em função de um empréstimo de R$ 7 milhões com o Banco Rural, quitado poucos meses depois e com um desconto de R$ 3,5 milhões.

Para a Polícia Federal, a operação foi forjada para camuflar o uso da agência de publicidade para ocultar o repasse de verbas públicas à campanha de reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas, no chamado mensalão mineiro.

O processo principal do mensalão tucano corre na Justiça de Minas e o processo principal do mensalão petista, no Superior Tribunal Federal (STF).

O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse acreditar que a condenação de Valério reforça o trabalho feito pela CPI que investigou o mensalão em 2005.

— O STF tem que apressar ao máximo o julgamento do mensalão porque não pode ter apenas uma pessoa condenada. É preciso julgar aqueles que tinham comando na ação — disse ACM Neto.

Já o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), disse não crer que a decisão da Justiça em Belo Horizonte tenha impacto no julgamento do mensalão no STF. O raciocínio dele é o mesmo de outros petistas: ele, simplesmente, nega que tenha havido mensalão.

— No caso do PT, não se tratou de mensalão, mas de financiamento de campanhas — afirmou o líder petista .

FONTE: O GLOBO

Wagner pregou desobediência da PM em 92

Ao discursar na Câmara em 1992, quando era deputado federal, o atual governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), pediu ao comando da PM baiana que apoiasse o pedido dos policiais por melhores salários - em vez de "simplesmente" obedecer ao governo

Em 92, Wagner pregou desobediência da PM

Atual governador baiano ocupou bancada da Câmara e criticou ACM; este ano, ele é acusado de atuar com lentidão

BRASÍLIA. Em18 de setembro de 1992, quando estava no segundo ano de seu primeiro mandato de deputado federal e o Brasil vivia um momento de grande turbulência política às vésperas da abertura do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, o petista Jaques Wagner ocupou a tribuna da Câmara para se solidarizar com os policiais militares da Bahia que iniciaram um movimento por melhores salários, ameaçando com greve. Em um discurso de menos de cinco minutos, considerou "absolutamente pertinente" a "justa reivindicação" da categoria por melhores salários e criticou a determinação do então governador, Antônio Carlos Magalhães, de punir cerca de 110 militares e defendeu desobediência ao comando da PM.

Quase 20 anos depois deste discurso, que tem sua íntegra registrada nos arquivos da Câmara dos Deputados, o agora governador baiano Jaques Wagner é acusado de ter atuado com lentidão contra a greve dos PMs, o que teria levado o caos às ruas do estado por 12 dias. Procurado pelo GLOBO para falar sobre as duas situações, Wagner não respondeu ao pedido de entrevista. Uma das coisas que tem dito sobre a diferença de discurso é que o movimento agora foi um motim, marcado por violência.

Em 1992, a mobilização da PM da Bahia ficou restrita a um dia de passeata dos policiais no início de setembro. Wagner, no discurso que fez na Câmara quase 15 dias depois, prestou solidariedade aos "conterrâneos" e criticou o comportamento do então ocupante do Palácio de Ondina, sede do governo do estado: "Sr. Presidente, em primeiro lugar, solidarizo-me com nossos conterrâneos da Polícia Militar do estado da Bahia, que há aproximadamente dez dias vêm se movimentando, juntamente com seus familiares, particularmente as esposas, numa justa reivindicação por melhorias salariais. Infelizmente, a impermeabilidade do governador do estado fez com que o Comando da Polícia Militar punisse cerca de 110 militares".

Em 1992, PMs pediam 390% de reposição salarial No dia 3 de setembro de 1992, cerca de mil PMs, acompanhados de suas famílias, saíram em passeata pelas ruas de Salvador para protestar contra os baixos salários. Eles reivindicavam reposição salarial de 390%, mas a greve não prosperou.

No discurso na Câmara, na ocasião, o petista considerou justa a reivindicação: "Nesse momento de crise nacional é absolutamente pertinente que a corporação dos policiais militares (...) reivindique melhorias salariais.

Desta tribuna reitero apelo que fiz, através de telegrama enviado ao General Comandante da Polícia Militar baiana, no sentido de que perceba a justeza das reivindicações dos seus comandados ao considerar que, para o exercício da profissão, necessitam de melhores soldos".

Jaques considerou "um absurdo" os vencimentos dos agentes e oficiais da PM da Bahia naquela época e pregou que eles precisavam "ter uma remuneração condizente com o risco de vida a que se expõem todos os dias".

Ao finalizar o discurso, ele registrou, mais uma vez, "solidariedade aos 110 oficiais e policiais militares já punidos" e, com mais críticas a Antonio Carlos Magalhães, sem citar seu nome, sugeriu ao chefe dos militares que defendesse os pleitos da categoria em vez de só obedecer a ordens do governador: "Reitero veementemente meu apelo ao Comando da Polícia Militar para que, em vez de simplesmente seguir as ordens do governador do estado da Bahia, sempre impermeável às reivindicações do funcionalismo do nosso estado, tente sensibilizar o Executivo do nosso estado no sentido de que sejam atendidas as reivindicações das esposas dos militares que, na verdade, estão indo às ruas porque não têm como comprar alimentos para a família".

Três anos antes dessa mobilização de 1992, a PM baiana fizera greve em 28 de novembro de 1989. Um dia depois de decretada a paralisação, 62 PMs foram expulsos e 40 foram presos por causa da greve. Outra greve que teve destaque no estado foi a da Polícia Civil, em janeiro de 1990.

Sobre as cobranças recentes de uma negociação com os grevistas comandados pelo sindicalista Marco Prisco, o governador Jaques Wagner afirmou na semana passada que não recebeu as reivindicações da categoria com antecedência: "Por mais que se diga que isso é uma demanda antiga, eu quero saber em que momento foi instalada mesa de negociação? Eu posso lhe entregar o protocolo deles com a pauta de reivindicações, que foi protocolado aqui na governadoria no dia 30, um dia antes da assembleia".

Ontem, foi colocado no You- Tube um vídeo em que a atual ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, aparece discursando numa reunião de policiais militares de Santa Catarina.

O vídeo foi gravado em 2009, em Florianópolis, quando a ministra era ainda era senadora e líder do governo Lula, e mostra também o líder da paralisação baiana, Marcos Prisco. Na ocasião, Ideli falava a lideranças de policiais militares ligadas à Associação Nacional de Entidades Representativas de Praças Militares Estaduais (Anaspra). Num dos trechos, ela diz : — Eu acho muito importante a gente colocar, ter alguns eventos que possa (sic) permitir que a posição de vocês também venha a público, que eles não fiquem falando sozinhos. Acho que vocês estão corretíssimos de fazer movimentos buscando apoio popular, fazer abaixo-assinados.

A ministra disse, em nota, que as declarações são de 2009, quando era senadora, e destacava "a importância do movimento reivindicatório dos Praças Militares Estaduais", mas que "em nenhum momento durante a sua fala, a ministra incita policiais a cometer qualquer ato ilícito". Diz a nota que Ideli defende o diálogo e não concorda com "ações violentas e que possam ferir os princípios de um Estado Democrático e de Direito".

FONTE: O GLOBO

O arranjo da economia:: Celso Ming

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou nesta terça-feira que, neste ano, o governo Dilma está perseguindo crescimento do PIB de 4,5% – não mais de 5,0%, como antes. E acrescentou: "Se a crise externa persistir, o crescimento será de 4,0%".

A crise externa não será revertida tão cedo. Mas não será a catástrofe que fez parte da estratégia de política monetária do Banco Central a partir do segundo semestre de 2011.

Ainda que a quebra (default) de Grécia e Portugal fique inevitável, o Banco Central Europeu descobriu como os focos de incêndio serão dominados: simplesmente por meio de despejo de moeda emitida no caixa dos bancos, como aconteceu no dia 27 de dezembro e terá repeteco no próximo dia 29. Portanto, ainda que caia fogo do céu, o contágio e o efeito dominó anteriormente esperados serão evitados.

Isso significa que o PIB do Brasil neste ano avançará os tais 4,5% sobre o de 2011, como espera o ministro Mantega? Antes de outra análise, é bom ter em mente que o número com o qual trabalha o Banco Central para 2012 é mais baixo: 3,5%.

Independentemente dessa divergência de projeções, o importante a reter no recado do ministro é o jogo do governo Dilma. Os instrumentos de política econômica (políticas fiscal, monetária, de crédito, salarial e bateria regulatória) serão acionados de maneira a obter esse resultado aí nas Contas Nacionais, nada muito diferente do que o esperado em ano de eleições.

E, pelas manifestações até aqui dos seus dirigentes, o Banco Central vai dando indicações de que seus movimentos vão se conformando com essas diretrizes. Ou seja, o governo Dilma trabalha com uma meta de crescimento e o salão de baile que trate de dar seus passos nesse ritmo.

Parece inevitável que o emprego e o consumo continuem aquecidos, provavelmente acima da capacidade de oferta do setor produtivo. Isso sugere que as importações seguirão operando de forma a suprir a procura interna.

Essa arrumação sugere que algum nível de inflação de demanda ainda prevalecerá, percepção que o próprio mercado financeiro vai manifestando por meio da Pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central.

Em outras palavras, é improvável que em 2012 o Banco Central consiga trazer a inflação para o centro da meta. Mais do que isso, sobram dúvidas de que esteja empenhado nisso. Seus principais objetivos consistem em derrubar os juros básicos (Selic) para 8,5% ao ano, como indicam as manifestações veiculadas na última Ata do Copom.

Para evitar que a inflação salte para níveis inadmissíveis, o governo tende a acionar os tais instrumentos prudenciais – sobretudo com corte de tributos. A propósito, também nesta terça, o ministro Mantega avisou: "Só estamos pensando em reduzir impostos".

Isso também quer dizer que o governo federal não deverá fazer muita questão de promover importante desvalorização do real (alta do dólar), como pedem os empresários – providência que encareceria os produtos importados e atiçaria ainda mais a inflação.

CONFIRA

No documento Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado nessa segunda-feira, o Ministério da Fazenda tenta mostrar o estouro da inflação do País em 2011 como decorrência de contágio global.

Foi menos. Assume-se ainda a estimativa do FMI, de avanço do PIB brasileiro em 2011 de 2,6%, abaixo dos 3,0% com o qual o governo Dilma trabalhava. O desempenho final do PIB de 2011 deve ser divulgado pelo IBGE dia 6 de março.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Pedir esmolas à China:: Vinícius Torres Freire

Sem saber o que fazer da armadilha de custos altos, governo brasileiro "pede" que China nos venda menos

O governo "está preocupado" com a torrente de importações da China, que aniquila algumas indústrias brasileiras. O governo do Brasil então pede que o governo da China restrinja "voluntariamente" suas exportações de roupas, tecidos, calçados e eletroeletrônicos.

Não se entende bem o que sejam "eletroeletrônicos" (inclui componentes?). Mas o grosso das importações brasileiras da China não é tecido e sapato. É de componentes eletrônicos, insumos industriais variados (de metais a químicos), máquinas e motores e suas peças.

Isto posto, as importações chinesas de têxteis e calçados de fato estão ajudando a arrasar tais setores. Mas ajudam, apenas.

Primeiro, os próprios chineses começam a "terceirizar" para vizinhos pobres a produção desses itens. Depois da China, virão os salários e os preços baixos de Bangladesh, Indonésia, Vietnã etc. O problema não é bem a China, mas a redivisão internacional do trabalho acelerada.

Segundo, muito produto de China e vizinhança, quando não é apenas contrabando, é dumping (subfaturado) ou exportado com o apoio de alguma maracutaia comercial, como "triangular" a venda (maquiar produtos em países que não estão sujeitos a restrições impostas pelo Brasil). O governo quer que o governo chinês baixe a repressão sobre seus mercadores malandros? Uhm.

Terceiro, nem mesmo o ditatorial governo chinês tem controle sobre os milhares de fábricas e entrepostos de exportação. Se tivesse, neste mundo em crise, vão arrumar problemas sociais por causa do Brasil?

Quarto, algumas indústrias brasileiras estão moribundas pelos motivos sabidos, "estruturais".

Os salários brasileiros são altos (em relação ao complexo asiático). São altos e crescentes em reais. São altos e crescentes ainda mais em dólares. O câmbio chinês é manipulado (nós não temos cacife para manipular o nosso a contento). Nossa infraestrutura é cara e ruim. Há impostos. Juros demais. Engenheiros e técnicos de menos. Etc.

Esses problemas, e tantos outros, afetam a indústria brasileira quase toda. Muitos setores afetados são menos visíveis porque estão no meio da cadeia de produções de bens finais (produzem insumos).

Alguns outros setores não reclamam porque podem ir à breca e perder mercado caso não tenham acesso a máquinas, componentes, peças e outros insumos chineses baratos.

Por falar nisso, um dos motivos de nos anos recentes termos inflação baixa em bens duráveis (eletrônicos, por exemplo) é a importação de máquinas e componentes chineses. Não se trata de comemoração, mas apenas de um fato.

Se isso é bom ou não, se é preciso ter "política industrial" ou não, se é preciso preservar tais ou quais indústrias, trata-se de outra história. Mas o que o governo está fazendo é apenas mais desconversa.

A questão é: tal como funciona hoje, o grosso da indústria de têxteis e calçados terá como concorrer com as sucessivas ondas de concorrência de países asiáticos pobres? A que custo? No que diz respeito a indústrias menos avariadas, o que pode ser feito além de subsídio e proteção tarifária? Enfim, a questão principal é: quando vamos começar a lidar com problemas macroeconômicos, regulatórios e de infraestrutura que arruínam o preço dos produtos nacionais?

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Desatar os nós:: Míriam Leitão

A presidente da Petrobras, Graça Foster, assume a empresa com alguns problemas a resolver. O mais espinhoso talvez seja o do preço da gasolina. O reajuste é impopular, a classe média acha que já paga demais, mas a empresa está tendo prejuízo diário ao importar gasolina a um preço maior do que tem que entregar às distribuidoras. A demanda sobe, a importação cresce, e o desequilíbrio aumenta.

Ontem, o diretor financeiro Almir Barbassa se esforçou para explicar por que o mercado tinha previsto um lucro bem maior do que foi apresentado no último trimestre. O lucro foi divulgado na noite de quinta-feira, e as ações despencaram 8%, na sexta, último dia da gestão Gabrielli.

Uma das explicações dadas por ele é que aumentou de 28% para 32% a participação de importados nas vendas do período. No ano fechado de 2011, o consumo da gasolina cresceu 24%. Em janeiro, a empresa já avisou que o consumo de gasolina, comparado com o mesmo mês do ano passado, aumentou 36%. Quanto mais cresce o consumo, mais a empresa tem que importar, e com toda a sua "autossuficiência" está tendo prejuízo no negócio e ainda aumentando o déficit do setor na balança comercial.

É difícil convencer quem está suando para encher o tanque, mas a verdade é que o governo brasileiro está subsidiando a gasolina há vários anos. Argumentavam que o motivo do congelamento era a instabilidade do preço internacional, mas o governo fez isso para se manter popular, ter ganhos eleitorais e manipular a inflação. O preço do petróleo sempre será instável, mas há muito tempo está acima dos níveis em que estavam quando esse valor foi decidido. O que ajuda a diminuir o prejuízo é a queda do dólar; aliás, problema que preocupa o governo por estimular a importação de todos os outros bens e produtos.

Em 2003, quando o ex-presidente José Sérgio Gabrielli assumiu a diretoria financeira, o preço internacional do barril de petróleo estava em US$ 31. Dois anos depois, quando assumiu a presidência, o preço já havia pulado para US$ 55. Pois chegou a passar de US$ 140, em 2008, e agora está em US$ 117. Na última vez em que o preço da gasolina comprada pela distribuidora subiu, foi a R$ 1,55. Agora, está em R$ 1,51, valor menor do que o preço pago em setembro de 2005. A Petrobras já teve nos últimos seis anos aumento da sua remuneração, mas que foi absorvida pelo governo através de redução de imposto (a Cide), para que o reajuste não chegasse ao consumidor. Atualmente, o etanol, energia renovável, paga mais imposto que o combustível fóssil. Desorganiza-se assim também a cadeia produtora do etanol.

Como desatar esse nó? É "tudo com você, Graciosa", como diria a presidente Dilma Rousseff. Não haverá outra forma, que não reajustar o preço. Ela assumiu falando em continuidade, mas sabe que está com essa batata quente na mão deixada pelo seu antecessor. Gabrielli, numa entrevista concedida a Fernando Dantas, do "Estadão", no domingo, disse que os preços têm que subir em "algum momento" e que se forem mantidos ocorrerá "um processo completamente irracional e ilógico de alguns distribuidores comprando derivados da Petrobras para exportar". Isso seria lógico e racional da parte do ex-presidente, se não fosse o oposto do que ele praticou e defendeu como bom durante todos os últimos anos.

A Petrobras é estatal e em nenhum governo esteve à venda, mas tem cada vez mais sócios privados. Desde grandes empresas até pequenos investidores que entraram em fundos da Petrobras com seu precioso dinheirinho de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Gente que tem planos para o dinheiro aplicado em ações que já valeram R$ 50 e agora estão em R$ 24.

Uma animadora declaração da nova presidente foi a de que a segurança em relação ao meio ambiente é tão importante que se houver risco ambiental pode adiar até mesmo procedimentos do pré-sal. Bom ouvir isso, porque exatamente quando a Petrobras vai mais fundo na exploração de petróleo é que é mais necessário aperfeiçoar todos os protocolos para evitar qualquer desastre. E nessa área, quando o imprevisto acontece, o estrago pode ser grande como provou o terrível acidente da British Petroleum no Golfo do México.

Ela disse que não haverá mudanças na política de conteúdo nacional para a compra de equipamentos ou plataformas, porque essa é uma diretriz do governo. O problema é que a diretriz não tem sido seguida, até pela dificuldade de encontrar fornecedor nacional no percentual adequado. Graça Foster disse que cumprirá o cronograma de investimentos. A empresa tem pesados investimentos pela frente, como operadora do pré-sal e todos os seus outros compromissos. Para isso, ela terá que captar em parte no mercado internacional. No meio de uma crise é mais difícil. Se houver um agravamento que afete o mercado de crédito, a empresa pode ter dificuldades para financiar esses investimentos. Graça Foster disse também que continuará vendendo ativos que não forem essenciais ao negócio; e continuará investindo em etanol, inclusive com novas aquisições, se necessário. Aí ela entrou em contradição porque na expansão da produção de etanol a Petrobras tem adquirido empresas que também produzem açúcar. Convenhamos, açúcar não pode ser considerado essencial para uma empresa de petróleo.

A gestão de Gabrielli foi marcada pela interferência governamental direta e pelo envolvimento da empresa em campanhas partidárias. Mesmo sendo incondicional a fidelidade de Graça a Dilma, seria bom para a empresa critérios mais técnicos nas decisões.

FONTE: O GLOBO

Comércio, a zona escura:: Rolf Kuntz

Há uma zona escura no cenário otimista recém-divulgado pelo Ministério da Fazenda. A economia crescerá 4,5%, o investimento chegará a 20,8% do Produto Interno Bruto (PIB), o capital estrangeiro continuará a fluir, o superávit primário de R$ 139,7 bilhões será alcançado e a inflação avançará para o centro da meta. Mas como ficarão as exportações e as importações? Nenhuma projeção aparece na 14.ª edição do boletim Economia Brasileira em Perspectiva - uma notável omissão no meio de tantas previsões até audaciosas. É uma confissão de insegurança, diante de um quadro externo cheio de riscos, mas há algo mais que isso. Todas as projeções divulgadas até agora, a começar pela do Banco Central (BC), apontam para um resultado medíocre das exportações e para uma redução substancial do superávit na conta de mercadorias. Mas sobre isso as autoridades da Fazenda preferem, aparentemente, manter-se discretas.

O saldo comercial melhorou nas duas primeiras semanas de fevereiro, com exportações de US$ 7,69 bilhões e importações de US$ 6,34 bilhões. O valor faturado foi 14,9% maior que o de um ano antes. O valor importado foi apenas 2% superior ao de igual período de 2011. Os números acumulados a partir do início do ano mostram, no entanto, um quadro muito diferente. O saldo é positivo, R$ 59 milhões, mas a receita é apenas 3,7% maior que a da base de comparação, enquanto a despesa está 10,1% acima do valor de 2011.

Qual dos dois conjuntos de cifras corresponde à tendência de 2012? Se os valores das duas primeiras semanas de fevereiro forem a resposta certa, o aumento das vendas de manufaturados (29,2%) garantirá as contas externas do País no meio da crise internacional. As vendas de semimanufaturados também não foram mal, com valor 10,5% maior que o das duas semanas correspondentes de 2011. A crise, nesse caso, estaria refletida somente nas exportações de produtos básicos, com receita 6,4% acima da obtida no período tomado como base de comparação.

Se esse for o caso, será um exemplo espantoso de mudança das condições de comércio, porque a indústria brasileira terá recuperado, de uma hora para outra e de forma quase milagrosa, seu poder de competição. Em 2011, as vendas de manufaturados foram apenas 16% maiores que as de 2010, enquanto as exportações totais cresceram 26,8%, puxadas pelos produtos básicos (36,1%) e pelos semimanufaturados (27,7%). Essa tendência vem de muito tempo. Em 2000 os manufaturados proporcionaram 59,1% da receita.

A porcentagem diminuiu seguidamente nos anos seguintes, até chegar a 36% no ano passado. Isso se explica não só pelo aumento de preços e pela expansão das vendas de commodities, mas também pelos crescentes e bem conhecidos problemas de competição da indústria.

O recente salto nas vendas de manufaturados dificilmente se repetirá durante a maior parte do ano. Se se repetir, será uma surpresa, porque nenhuma análise recente permite prever essa evolução. Mas o temor de um desempenho mais modesto do setor de commodities, neste ano, ainda não é descartável. Isso dependerá das condições da economia europeia, por enquanto nada animadoras, e do ritmo de crescimento chinês. As previsões até agora disponíveis apontam para um dinamismo menor na China, embora a produção ainda possa crescer uns 8% ou pouco mais. Se ainda houver sobra de dinheiro nos mercados, a especulação também poderá dar algum suporte às cotações dos básicos.

Por enquanto, a discrição do governo federal quanto às perspectivas da balança comercial é perfeitamente compreensível, mesmo com a promessa de novas medidas comerciais. Até agora, essas medidas têm sido principalmente defensivas.

O boletim do Ministério da Fazenda contém, no entanto, algumas das bravatas e autolouvações habituais. O superávit comercial do ano passado, US$ 29,8 bilhões, é atribuído "à contínua diversificação dos mercados e à elevação dos preços das commodities". Essa evolução tem correspondido, na prática, a uma dependência crescente da China e, portanto, do apetite chinês por matérias-primas (aí entra, também, o fator preço).

Entre 1990 e 2011, a participação chinesa nas compras de produtos brasileiros cresceu de 1,77% para 17,31%, enquanto declinaram a dos Estados Unidos e a da União Europeia (estes dois mercados, no entanto, ainda são importantes importadores de manufaturados made in Brazil). Essa "diversificação" se deve em grande parte à disposição chinesa de buscar matérias-primas em qualquer parte do mundo e à perda de oportunidades nos mercados tradicionais, por miopia ideológica. Graças a essa miopia, o Brasil tem hoje uma dependência quase colonial em relação à China.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Lá vem o Patto !::Urbano Patto

Privatização ou concessão, eis a questão ...

Chega a ser cômica a polêmica entre o PT e o PSDB se o leilão para a administração dos aeroportos de Cumbica, Brasília e Campinas é privatização ou não, ou se concessão é ou não uma forma de privatização. Buscam ideologizar e politizar a questão deixando de analisar mais a fundo qual é o papel do Estado na economia e na prestação de serviços públicos.

Deveriam também, mesmo que superficialmente, argumentar sobre:

Quem tem maior capacidade de investir para realizar as obras e modernização tecnológica necessárias?

Quem dispõe de maior competência para gerir determinado serviço de modo que fique melhor do que está?

Quem consegue fazer essas coisas com tarifas menores?

Qual é a melhor destinação a ser dada aos recursos públicos, que sabemos serem escassos?

Ouso dizer que o caráter público de determinada atividade ou serviço não depende somente de quem é seu proprietário, se é Estado ou a iniciativa privada.

Esse caso dos aeroportos é revelador. A atividade primeira da aviação civil, o transporte de cargas e pessoas, é toda ela realizada por empresas particulares com fins altamente lucrativos, as quais sempre usufruíram de toda uma infraestrutura pública - aeroportos, controle do tráfego aéreo, radares, segurança etc - bancada pelos impostos e pelas tarifas pagas pelos usuários. De fato, o que está a serviço do público ou o que está a serviço do privado nessa equação? Quem sai ganhando e quem sai perdendo?

A ideologização como vem sendo tratada tendo como fulcro a questão da propriedade - privatização vende ativos e concessão só empresta - faz com que nos sintamos como se ainda vivêssemos nas remotas eras da revolução bolchevique, empobrecendo o debate sobre a política e a administração pública contemporâneas ao Século XXI.

Metas, objetivos, prazos, valores, indicadores de qualidade, regulamentos, fiscalização, responsabilidades e a satisfação objetiva das necessidades do cidadão e do passageiro são discussões relegadas a um plano inferior e distante. Preferem conduzir esse debate como uma disputa do bem contra o mal, ou vice versa, tentando fazer com que cada uma escolha o seu lado “do bem” (mesmo porque alguém mentalmente são, obviamente, não escolherá o lado “do mal”).

Parecem mais torcidas de futebol que instituições políticas que deveriam manter ao menos alguma responsabilidade intelectual com os eleitores e cidadãos.

Urbano Patto é Arquiteto-Urbanista, Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, Secretário do Partido Popular Socialista - PPS - de Taubaté e membro Conselho Fiscal do PPS do Estado de São Paulo. Comentários, sugestões e críticas para urbanopatto@hotmail.com

Venezuela veta queima de cédulas de primárias

Membros juvenis da Mesa de União Democrática dizem que elas já foram destruídas para evitar identificação dos que votaram em prévias da oposição

CARACAS - O Tribunal Superior de Justiça da Venezuela (TSJ) suspendeu ontem a queima das cédulas utilizadas nas eleições primárias de domingo, que definiram Henrique Capriles Radonski como o candidato da Mesa de Unidade Democrática (MUD) à presidência, em outubro. Dois dias após sua vitória, o governador de Miranda viu-se sob ataques de aliados do presidente Hugo Chávez.

A decisão judicial obedece a recurso do pré-candidato à prefeitura de Baruel Rafael Velásquez. Horas depois da emissão da sentença, a presidente do TSJ, Luisa Morales, se reuniu com juízes de tribunais penais para pedir que eles "castiguem com o peso da lei" quem não cumprir a decisão.

No entanto, segundo o jornal El Universal, representantes juvenis da MUD anunciaram que as cédulas de votação utilizadas nas primárias já tinham sido destruídas 100% em todo o país. "Dizemos ao Tribunal Superior de Justiça que lamentamos o show das últimas horas, lamentamos uma sentença que, além de ser hilária, não pode ser cumprida. Como alguém pode cumprir uma sentença quando os cadernos já foram destruídos", disse Edinson Ferrer na sede do Partido Podemos.

O objetivo de queimar as cédulas era o de não permitir a identificação dos eleitores que votaram nas primárias da oposição. Por meio de seu secretário-geral, Ramón Avelledo, a MUD criticou a decisão. "É absurda, inconstitucional e desproporcional. Para desmoralizar a votação, o governo recorre ao medo", declarou o porta-voz ao Universal, atribuindo a decisão ao chavismo.

Segundo a advogada do candidato, Edna Escanio, o recurso foi motivado pela grande diferença entre o resultado e pesquisas que apontavam a vitória de seu cliente. "Estamos requerendo um direito, pois as pesquisas o colocavam como vencedor", afirmou Edna. "Estamos fazendo isso não só pelo interesse dele, mas também por interesses coletivos." O candidato afirma querer apenas uma recontagem de votos. "Apenas pedi que não queimassem os cadernos para uma recontagem", garantiu. "Sou independente. Não estou dizendo que houve trapaça, mas há algo errado."

Críticas. Dois dias depois de sua vitória eleitoral, Henrique Capriles, sofreu ataques de aliados de Chávez. Na TV estatal, membros da cúpula bolivariana questionaram a legitimidade da eleição primária da MUD e lançaram ataques pessoais ao governador de Miranda.

"Agora sabemos quem é o candidato do imperialismo, do capitalismo e da direita", disse o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. "O candidato antipatriota tem rosto. E a campanha não será fácil."

Cerca de 16% dos eleitores habilitados na Venezuela votaram nas primárias. A MUD esperava um comparecimento de até 12%. Aliados de Chávez acusam a oposição de ter inflado a participação popular na primária, mesmo com a fiscalização do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Além disso, os bolivarianos afirmam que a oposição teve a campanha financiada pelos EUA e defendem a divulgação dos nomes dos doadores de Capriles.

O vice-presidente Elias Jaua, no entanto, elogiou a oposição por reconhecer a autoridade do Conselho Nacional Eleitoral, que teve a independência questionada em eleições passadas. "Esperamos que esse mesmo reconhecimento ocorra quando Chávez vencer as eleições de outubro", declarou.

Os ataques mais fortes a Capriles vieram da mídia estatal, controlada pelo chavismo. No programa La Hojilla (A Lâmina), na VTV, o jornalista Mario Silva, partidário do presidente, insinuou que o candidato da MUD seria homossexual. Citando um documento policial, ele afirmou que Capriles foi flagrado em um carro com outro homem em uma blitz em 2000. O candidato negou o relato. No rádio, o comentarista Adal Hernández chamou Capriles de "o inimigo sionista", em referência à origem judaica do opositor. Seus avós são judeus poloneses que fugiram do Holocausto, mas ele é católico.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Elis Regina - Tatuagem

A dor:: Graziela Melo

A dor quese esconde
Na prateleira
De minha
Alma
É rosa
Não é cinza
Me acalenta
E acalma.
Alerta,
Enquanto durmo,
Espanta-me
Os pesadelos.

Embala-me
Com sonhos belos.
Enrosca-se
Em meus cabelos.

Pernoita
Nos meus lençóis.
Cativa-me
Com doces gestos.
Mistura-se
Aos meus temores.
Desperta
Quando amanheço.