Folha de S. Paulo
Filiação do governador de São Paulo ao PL
ameaça implodir maior partido de direita do país
Parece que agora não tem volta: Tarcísio de
Freitas é candidatíssimo ao Planalto. O movimento se dá em
função da desgraça de sua principal inspiração política, Bolsonaro, que está
preso em casa, com monitoramento da polícia para evitar qualquer ensaio de
fuga, às vésperas do julgamento no STF por arquitetar um golpe de Estado.
Hoje o ex-presidente é considerado, no campo da direita e até em covis da extrema direita, carta fora do baralho no jogo contra Lula. Este, usando boné nacionalista e a máquina estatal, está em plena campanha, com gás renovado após as pesquisas que lhe são favoráveis.
A agenda de Tarcísio, mais de um
pré-candidato presidencial que de um governador em exercício, recheada de
encontros com empresários e cantores bregas e palanques eleitorais improvisados
em festas de boiadeiro, se intensificou após a revelação dos diálogos do
capitão com o filho Eduardo e o pastor Malafaia –prova do cambalacho do trio
para retaliar, via Trump, autoridades brasileiras e conseguir benefícios
próprios, pouco importando os "malucos" do 8/1. Ali o grupo fisiológico
que atende pela alcunha de centrão abandonou Bolsonaro e já trabalha a favor do
engenheiro de formação militar.
Tarcísio aproveitou para declarar que o
próximo governo será de centro-direita e precisa ter o lema de "crescer 40
anos em 4" –citação a Juscelino
Kubitschek. Quem evoca JK está obviamente pensando em Brasília.
Ele poderia lembrar que Juscelino sofreu três tentativas de golpe, mas deve ter
achado que não era um bom momento. Ao defender uma agenda austera, promessa de
11 entre 10 candidatos, falou em corte de ministérios. Há 24 secretárias
estaduais em São Paulo,
além de uma pasta extraordinária.
Tarcísio terá de conter o desgaste com o
avanço das investigações do MP sobre a corrupção de auditores da Secretaria de
Fazenda estadual, no seu governo, um esquema de propina de ao menos R$ 1
bilhão. E segurar Eduardo Bolsonaro, que ameaça deixar o PL e disputar a
Presidência, se ele entrar para o partido.
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