Valor Econômico
Há risco para a democracia em grupos
organizados no poder que creem e decidem que a Bíblia se sobrepõe à
Constituição
A abordagem pela Polícia Federal, no
Aeroporto do Galeão, de um pastor pentecostal carioca que voltava de Portugal
lançou luz sobre um dos nossos mais graves problemas políticos. O da
promiscuidade entre religião e política ou a infiltração da religião na
política e na estrutura do Estado laico.
Até o fim do Império, a Igreja Católica era
religião do Estado. Vigia o chamado regime do padroado. O governo nomeava os
bispos, e o papa os confirmava. Portanto, o governo controlava a igreja. E a
religião controlava as mentes. Os religiosos recebiam a côngrua, um salário,
como se fossem funcionários públicos.
A igreja aspirava a independência em relação
ao Estado, o que o governo não apoiava. Veio daí a chamada Questão Religiosa,
na década de 1870, que culminou com a prisão de alguns bispos.
O Brasil republicano, já antes da Constituição de 1891, havia produzido legislação que fazia do Estado um Estado não confessional.