sexta-feira, 9 de maio de 2014

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Ex-diretor da Petrobras seria dono de dez navios
Investigadores da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, suspeitam que Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, “operador” de negócios nada republicanos envolvendo a Petrobras e figurões da política, acumulou fortuna que incluiria dez navios, inclusive petroleiros, dos quais seria dono e/ou sócio. Supostas relações com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, ainda serão esclarecidas pelas investigações.

• Depoimento
A oposição acha que Sergio Machado, presidente da Transpetro, poderá ajudar a CPI a esclarecer pontos obscuros do caso Lava Jato.

• Costas largas
Sergio Machado foi indicado e é mantido na presidência da Transpetro há 11 anos, graças à força política do amigo Renan Calheiros.

• Batom na cueca
Foram casuais as descobertas mais importantes da PF sobre Paulo Roberto Costa. Ele anotava nomes, datas, valores, negócios, tudo.

• Intimidade fatal
Íntimo dos poderosos, Paulo Roberto Costa era chamado por “PR” pelos políticos ou “Paulinho”, como o ex-presidente Lula o tratava.

• Fatura dos cartões já passa de R$ 10,5 milhões
O governo Dilma ultrapassou os R$ 10,5 milhões em gastos com os cartões corporativos no primeiro trimestre do ano, segundo o portal Transparência. A novidade fica por conta dos gastos da bisbilhoteira Agência Brasileira de Inteligência (Abin), empatados com a Presidência da República. A Abin torrou R$ 1,713 milhão contra R$ 1,749 milhão do gabinete de Dilma. Ninguém sabe em quê: é tudo “segredo de Estado”.

• Companheiro?
Raro cartão da Presidência com contas abertas mostra gastos de R$10 mil com gasolina em um posto de São Bernardo (SP), onde mora Lula.

• Voltas no País
Com abastecimentos semanais de quase R$ 800, o combustível gasto daria para completar quase duas voltas pelas fronteiras do Brasil.

• Bom para credor
Já passou a barreira dos R$ 300 bilhões os gastos diretos do governo federal com amortização e juros da dívida pública, em 2014.

• Tapa no visual
O presidiário Delúbio Soares implicou e até exigiu a demissão do agente penitenciário que o mandou raspar a barba, mas apara cabelos e bigodes com um barbeiro que o visita em seu gabinete na CUT.

• Megalonaniquice em livro
O Ministério das Relações Exteriores vai lançar um livro sobre as “realizações” da política externa nos últimos doze anos. Não será o livro branco, mas o livro em branco da diplomacia brasileira, nos anos do megalonanico ex-ministro Celso Amorim e sua turma.

• Haja sujeira
Já tem mais de 5 mil páginas o processo contra Rosemary Noronha, amiga íntima do ex-presidente Lula e antiga chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, acusada inclusive de tráfico de influência.

• Cai-cai
Assim como a oposição a cada pesquisa divulgada, o diretor de futebol do Corinthians, Edu Gaspar, não conseguiu se segurar e deu um sorriso ao ver o tropeço da presidenta Dilma, ontem, no Itaquerão.

• Rompimento
Com a queda persistente de Dilma nas pesquisas, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), articula junto a dirigentes estaduais para aumentar a pressão pela liberação do tempo nacional de TV do partido.

• Agora é tarde
Maria do Rosário (Direitos Humanos) andou teorizando no Twitter sobre “justiçamentos”, como o da pobre mulher linchada no Guarujá. Mas sua ex-secretaria nem sequer se fez representar no enterro da vítima.

• São Pedro tinha pressa
Em seu último show terça (6), em São Lourenço (MG), Jair Rodrigues deu risadas, plantou bananeira e, após cantar “Romaria”, olhou para o alto e se dirigiu à saudosa Elis Regina: “Olha, Pimentinha, dê um abraço aí no São Pedro e diga a ele que não estou com pressa, não!”

• Briga interna
O deputado Guilherme Campos (PSD) ficou uma arara com o ministro do partido, Guilherme Afif (Micro e Pequena Empresa), que mudou de última hora texto do projeto do Super Simples, sem sequer consultá-lo.

• Burro em pé
Greves nos transportes públicos, como a que infernizou os cariocas, ontem, mostram a face burra do sindicalismo brasileiro, que não hesita em penalizar os pobres, a “classe operária”.

Panorama político - Ilimar Franco

- O Globo

A oposição viável
Quem é capaz de impedir a reeleição da presidente Dilma? E a continuidade do PT no poder? A resposta a essas perguntas, pelos eleitores, vai selar a sorte de Aécio Neves (PSDB) e de Eduardo Campos (PSB). Ontem, a vice do socialista, Marina Silva, deu um tiro no peito do tucano. Ela declarou que Aécio tem cheiro de derrota. Ficou a dúvida: Marina votaria no tucano no segundo turno?

A herança
A cúpula do PMDB saiu confiante da reunião de ontem para avaliar recente pesquisa do Instituto GPP. A aprovação do governo Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão subiu. Os pontos fortes da gestão são a retomada do desenvolvimento e o protagonismo político do Rio. Além das três marcas do governo: UPPs, UPAs e bilhete único.

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“Não vamos ser tropa de choque do governo nem ponta de lança da oposição” -  Eduardo Cunha, Líder do PMDB na Câmara (RJ), sobre a atuação dos deputados do partido na CPI Mista da Petrobras
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De volta ao passado?
Os gastos nas campanhas eleitorais crescem a cada pleito. No Brasil e no mundo. Não há qualquer projeção de redução desses custos. Na contramão, o STF pode tornar ilegal o financiamento pelas empresas. Em 2010, o gasto global com as campanhas no país foi de R$ 3,23 bilhões, e nada indica que haverá redução no futuro. A democracia custa caro. Os especialistas apostam no incremento do “caixa dois”, caso o Supremo proíba o financiamento empresarial. No passado, já vigorou a proibição. Ela constava da Lei dos Partidos (1971) dos militares. Deu no que deu. Na democracia, a regra levou o país às CPIs do PC (1992) e dos Anões do Orçamento (1993).

Se correr o bicho pega, se ficar...
O candidato do PMDB ao governo do Ceará, senador Eunício Oliveira, pode desistir de uma aliança com o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB). Ele teria contra si o ex-presidente Lula, o governador Cid Gomes e a presidente Dilma.

Caiu na Rede
A vice do PSB, Marina Silva, esteve anteontem com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Ele disse que não vai concorrer à reeleição, mas que “por essa dupla (Eduardo Campos/Marina) eu tenho vontade e discurso para fazer campanha”.

Intenção de voto e corrupção
Cientista político, especialista em pesquisas, relata que apenas 10% dos eleitores definem o voto por um julgamento moral. Mas que uma CPI, como a da Petrobras, ajuda a fazer barulho e serve de complemento ao humor dos eleitores com a situação da economia, que é percebida por eles como resultado da atuação do governo.

Aposta no social
O Pronatec 2, cujo lançamento foi anunciado ontem pela presidente Dilma, vai criar milhares de vagas em cursos profissionalizantes específicos voltados para atender as necessidades dos assentados pelo programa da reforma agrária.

Volta ao ninho
Depois de mais de três meses distante, na última quarta-feira, o candidato do PMDB ao Senado pela Bahia, Geddel Vieira Lima, foi ao gabinete do vice Michel Temer. Eles integram o mesmo grupo no partido, mas Geddel é oposição no pleito.

O GOVERNADOR CID GOMES (CE) não deu sinal verde. Seu partido, o PROS, pode não levar a cabeça do ministro Francisco Teixeira (Integração).

Painel- Vera Magalhães

- Folha de S. Paulo

Mudar com quem?
A pesquisa Datafolha mostra que falhou a estratégia, evidenciada no pronunciamento de TV de Dilma Rousseff no Primeiro de Maio, de mostrar que ela é a mais preparada para fazer mudanças, desejo de 74% dos eleitores. A vitória de Aécio Neves (PSDB) sobre a presidente como o candidato mais apto a fazer mudanças se ancora na classe média: ele saltou de 20% para 30% nesse item entre quem tem renda de 5 a 10 salários mínimos, e de 14% para 20% na faixa de 2 a 5 mínimos.

Não colou Dilma foi a única que oscilou para baixo como mais apta a fazer mudanças: Lula cresceu de 32% para 38% e Eduardo Campos (PSB), de 7% para 10%.

Se não tem tu... O Datafolha mostrou que 64% dos eleitores que declaram voto em Dilma no primeiro turno acham que o candidato do PT a presidente deveria ser Lula.

... vai tu mesmo Só 34% dos eleitores da presidente acham que ela deveria ser a postulante do partido.

Juntos Em cenário de segundo turno, Campos continua absorvendo votos do eleitorado de Aécio: tem 55%, enquanto só 25% dos pró-tucano votariam na presidente.

Separados Já Aécio perdeu espaço entre os eleitores do pessebista. Entre quem vota em Campos no primeiro turno, o tucano consegue atrair 49%, ante 54% de abril.

Fluxo livre Entre os entrevistados que dizem que votariam em Lula se ele fosse candidato, apenas dois terços declaram voto em Dilma. Ela tem 66% entre os lulistas, Aécio obtém 8% e Campos vai a 6% nesse segmento.

Mão única Já os eleitores de Dilma que dizem votar em Lula caso ele seja o candidato chegam a 87%. Outros 4% dos dilmistas preferem Aécio e 2% escolhem Campos caso a presidente se candidate.

Urbana 1 Dilma perdeu parte de seu eleitorado em municípios pequenos, com até 50 mil habitantes, mas ganhou espaço em relação a abril nos grandes centros.

Urbana 2 Nas cidades menores, a presidente tinha 48% em abril e agora aparece com 44%. Em municípios com mais de 500 mil habitantes, subiu de 31% para 34%.

Nova direção Horas depois de se eleger vice-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT) exonerou os servidores que trabalhavam no gabinete, antes comandado pelo ex-petista André Vargas. Alguns haviam sido indicados por outros deputados, que foram pegos de surpresa.

Bala... Em conversa preparatória para encontro da frente de prefeitos que terá como bandeira a renegociação da dívida de municípios com a União, Eduardo Paes (PMDB) disse que o governo Dilma age como um "agiota".

... na agulha "Se o poder central continuar agindo como uma espécie de agiota, cobrando juros absurdos, dificilmente as cidades conseguirão enfrentar seus problemas", afirmou o prefeito.

Antenada Na saída do Itaquerão, Dilma foi abordada por moradores e operários que queriam tirar fotos com ela. Depois de posar para várias "selfies", a presidente comentou: "Já estou sendo chamada de Dilma Rousselfie".

Visitas à Folha Alex Ellis, embaixador britânico no Brasil, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Patrícia Torres de Mello, diretora de comunicação do UK Trade & Investment.

Vinicius Lages, ministro do Turismo, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Ítalo Oliveira Mendes, diretor de Gestão Estratégica, e de Robrigo Bauer do Carmo, assessor de comunicação.

Tiroteio
"Marina exala arrogância. Não bastando patrulhar Eduardo, quer patrulhar Aécio e o eleitorado. Ele vai ao segundo turno e ganha." -  Do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), sobre entrevista em que Marina Silva diz que o PSDB tem cheiro de derrota se disputar o 2º turno contra Dilma.

Contraponto
Carta remendada
Em palestra no Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, proferida no início da semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, comentou a respeito do grande número de emendas à Constituição brasileira, que já chegam a 83. Para ilustrar a crítica, contou uma anedota.

Disse que certa vez, em uma livraria, um vendedor foi questionado se a loja vendia exemplares da Constituição.

Virou-se então para o cliente e respondeu:

-Não, não trabalhamos com periódicos.

Putin chega à Crimeia para celebrar vitória soviética na Segunda Guerra Mundial

• Tradicional desfile militar na Praça Vermelha de Moscou aconteceu em pela crise com a Ucrânia

• ‘Aqueles que derrotaram o fascismo nunca devem ser traídos’, afirma presidente

O Globo com agências internacionais

MOSCOU — O presidente russo, Vladimir Putin, chegou à Crimeia nesta sexta-feira para celebrar a vitória soviética contra a Alemanha nazista em 1945, após participar pela manhã do tradicional desfile militar na Praça Vermelha de Moscou. Durante as celebrações, o presidente elogiou a força triunfal do patriotismo russo, num momento de crescente tensão pela crise ucraniana, em que a Rússia é acusada de apoiar separatistas do Leste. É a primeira visita do presidente à Península da Crimeia desde sua anexação ao território russo.

— A força triunfal do patriotismo russo sai vitoriosa nesta celebração, na qual todos sentimos de maneira especial o que significa ser fiel à pátria e como é importante defender seus interesses. Aqueles que derrotaram o fascismo nunca devem ser traídos — afirmou Putin em um discurso na Praça Vermelha para as tropas e os veteranos da Segunda Guerra Mundial.

A Crimeia, onde se encontra a principal base naval russa no Mar Negro, foi anexada pela Rússia em março por meio de um referendo convocado às pressas depois de forças pró-Moscou tomarem a Península. Putin participará em Sebastopol de cerimônias que recordam a libertação da localidade dos nazistas há 70 anos.

A chanceler alemã, Angela Merkel, lamentou que Putin utilize os festejos em homenagem à vitória aliada durante a Segunda Guerra Mundial para fazer sua primeira visita à Crimeia.

Até o momento, o Kremlin confirmou a presença de Putin em 6 de junho na celebração dos 70 anos do desembarque aliado na Normandia (França), onde encontrará com o presidente americano, Barack Obama, e com Merkel.

A parada militar em Moscou começou com o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, que passou em revista as tropas com hinos militares ao fundo. O tradicional desfile, organizado este ano como uma demonstração de força, teve a participação de 11 mil soldados.

A Rússia comemora todos os anos a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial em 9 de maio, um dia depois das cerimônias nos países ocidentais. O regime nazista assinou a rendição no fim da noite de 8 de maio, quando em Moscou já era dia 9 por causa do fuso horário.

Putin chega à Crimeia para comemorações pelo Dia da Vitória

• Essa é a primeira viagem do presidente russo desde a anexação do território, antes pertencente à Ucrânia

O Estado de S. Paulo

SEBASTOPOL - O presidente russo, Vladimir Putin, chegou na Crimeia nesta sexta-feira, 9, para participar de celebrações pelo Dia da Vitória, informou o Kremlin. Putin desembarcou na cidade portuária de Sebastopol.

Esta é a primeira viagem de Putin ao território que pertencia à Ucrânia e foi anexado pela Rússia no dia 21 de março. O presidente comandará a parada militar na baía da cidade, base da Frota russa do Mar Negro, depositará um ramo de flores no monumento aos heróis da defesa da cidade e se reunirá com os veteranos da guerra.

A primeira visita do chefe do Kremlin à Crimeia, que revelou seu desejo de ingressar na Federação Russa após um referendo no dia 16 de março, não foi anunciada oficialmente.

A Rússia comemora nesta sexta o 69.º aniversário do Dia da Vitória sobre a Alemanha nazista. Antes de viajar, Putin esteve presente no desfile militar na Praça Vermelha e lembrou da batalha de Stalingrado e do cerco a Leningrado.

O líder russo lembrou também a batalha de Sebastopol. "A força de vontade do povo soviético, sua coragem e perseverança salvaram a Europa da escravidão."

Em Kiev, por motivos de segurança, as comemorações pela data foram reduzidas, mas o presidente interino, Alexander Turchinov, felicitou os veteranos em mensagem oficial. /EFE e REUTERS

Jair Rodrigues - "Disparada"

Ascenso Ferreira:"Oropa, França e Bahia"

(Romance)

Para os 3 Manuéis:
Manuel Bandeira
Manuel de Souza Barros
Manuel Gomes Maranhão

Num sobradão arruinado,
Tristonho, mal-assombrado,
Que dava fundos prá terra.
( "para ver marujos,
Ttituliluliu!
ao desembarcar").

...Morava Manuel Furtado,
português apatacado,
com Maria de Alencar!

Maria, era uma cafuza,
cheia de grandes feitiços.
Ah! os seus braços roliços!
Ah! os seus peitos maciços!
Faziam Manuel babar...

A vida de Manuel,
qque louco alguém o dizia,
era vigiar das janelas
toda noite e todo o dia,
as naus que ao longe passavam,
de "Oropa, França e Bahia"!

— Me dá uma nau daquelas,
lhe suplicava Maria.
— Estás idiota , Maria.
Essas naus foram vintena
Que eu herdei da minha tia!
Por todo o ouro do mundo
eu jamais a trocaria!

Dou-te tudo que quiseres:
Dou-te xale de Tonquim!
Dou-te uma saia bordada!
Dou-te leques de marfim!
Queijos da Serra Estrela,
perfumes de benjoim...

Nada.
A mulata só queria
que seu Manuel lhe desse
uma nauzinha daquelas,
inda a mais pichititinha,
prá ela ir ver essas terras
"De Oropa, França e Bahia"...

— Ó Maria, hoje nós temos
vinhos da quinta do Aguirre,
uma queijadas de Sintra,
só prá tu te distraire
desse pensamento ruim...
— Seu Manuel, isso é besteira!
Eu prefiro macaxeira
com galinha de oxinxim!

"Ó lua que alumias
esse mundo de meu Deus,
alumia a mim também
que ando fora dos meus..."
Cantava Seu Manuel
espantando os males seus.

"Eu sou mulata dengosa,
linda, faceira, mimosa,
qual outras brancas não são"...
Cantava forte Maria,
pisando fubá de milho,
lentamente no pilão...

Uma noite de luar,
que estava mesmo taful,
mais de 400 naus,
surgiram vindas do Sul...
— Ah! Seu Manuel, isso chega...
Danou-se de escada abaixo,
se atirou no mar azul.

— "Onde vais mulhé?"
— Vou me daná no carrosé!
— Tu não vais, mulhé,
— mulhé, você não vai lá..."

Maria atirou-se n´água,
Seu Manuel seguiu atrás...
— Quero a mais pichititinha!
— Raios te partam, Maria!
Essas naus são meus tesouros,
ganhou-as matando mouros
o marido da minha tia !
Vêm dos confins do mundo...
De "Oropa, França e Bahia"!

Nadavam de mar em fora...
(Manuel atrás de Maria!)
Passou-se uma hora, outra hora,
e as naus nenhum atingia...
Faz-se um silêncio nas águas,
cadê Manuel e Maria?!

De madrugada, na praia,
dois corpos o mar lambia...
Seu Manuel era um "Boi Morto",
Maria, uma "Cotovia"!

E as naus de Manuel Furtado,
herança de sua tia?

— continuam mar em fora,
navegando noite e dia...
Caminham para "Pasárgada",
para o reino da Poesia!

Herdou-as Manuel Bandeira,
que, ante a minha choradeira,
me deu a menor que havia!

— As eternas naus do Sonho,
de "Oropa, França e Bahia"...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

O que vamos fazer é acabar com a medida mais impopular tomada por este governo que foi permitir que a inflação voltasse no Brasil. Agora eu vou sim tomar pelo menos duas medidas impopulares, mas impopulares para o PT. Vou acabar com a metade desses ministérios se vencer as eleições. Portanto, com a boquinha de muita gente. E vou acabar com essas falcatruas, com as irresponsabilidades que ocorrem nas empresas públicas brasileiras, em especial a Petrobras.

Aécio Neves, senador (MG) e presidente nacional do PSDB. Em entrevista. Brasilia, 7 de maio de 2014.

Renan determina criação de CPIs mistas do Metrô de SP e da Petrobras

• Presidente do Senado abriu o prazo de cinco sessões para líderes indicarem integrantes das comissões ou ele mesmo fará indicações

Maria Lima e Júnia Gama – O Globo

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) determinou a instalação de duas CPIs mistas, em sessão do Congresso na noite desta quarta-feira: uma para investigar a compra de trens para o Metrô de São Paulo e outra sobre a Petrobras. Renan abriu o prazo de cinco sessões para os líderes dos partidos indicarem os integrantes das comissões e, se não indicarem, ele mesmo o fará em até três sessões.

Para a CPI mista do Metrô de SP, uma manobra feita por petistas em resposta à tentativa da oposição de esvaziar a CPI da Petrobras no Senado ao não indicar integrantes, foram obtidas 190 assinaturas de deputados e 32 de senadores confirmadas, número suficiente para que fosse lida no plenário. A CPI do Metrô é uma tentativa do PT de atingir a gestão do PSDB e, por tabela, o presidenciável tucano Aécio Neves.

Na sessão de criação das CPIs, o líder do DEM, Mendonça Fillho (PE), foi cortado duas vezes por Renan Calheiros, quando questionava decisões do presidente do Senado. Mendonça disse que irá recorrer à CCJ para que o prazo de indicação de nomes da CPI seja contado a partir de 48h depois da leitura do requerimento. O líder do DEM defendeu que, por se tratar de uma comissão temporária, a CPI não pode seguir as regras das comissões permanentes.

– Vossa Excelência fez uma interpretação equivocada. CPI é comissão temporária, tem seu rito processual estabelecido no regimento comum, e determina reunião dentro de 48h de sua constituição. Vossa Excelência não pode manobrar sob pressão do Palácio do Planalto! O que está se vendo aqui é uma verdadeira chicana no parlamento! – gritou Mendonça, e foi cortado por Renan, que passou a palavra ao líder do PT, senador Humberto Costa.

Em mais uma manobra do PT para tentar evitar a instalação de uma CPI mista composta por senadores e deputados, para investigar a Petrobras, Humberto Costa apresentou questão de ordem para pedir que a CPI do Senado prevaleça sobre a comissão mista, alegando que os trâmites no Senado tiveram início antes da segunda e, por isso, deve se sobrepôr. O presidente do Senado se limitou a dizer que irá respondê-la "oportunamente".

Nos bastidores, parlamentares governistas criticaram a iniciativa, considerada uma ação “desesperada” da bancada do PT e que terá como resultado expôr ainda mais os senadores aliados e “fazer sangrar” o Congresso. O próprio Renan Calheiros (PMDB-AL), segundo interlocutores, estaria contrariado com a nova tentativa do PT de evitar a CPI mista, já que até mesmo o governo estaria conformado com a instalação da comissão e já trabalha para conter danos no âmbito da CPI, escolhendo integrantes que sejam alinhados com o Palácio do Planalto.

– A Dilma já sabe que a CPMI é inevitável, que a extensão da decisão da Rosa Weber é automática. Agora vem a narizinho querendo fazer a gente sangrar à toa? Já não expôs o Renan o suficiente? O que precisamos agora é estruturar a base na Câmara e no Senado – reclamou um dos líderes da base, depois de ser abordado por Gleisi para explicar a mais nova manobra.

PMDB e PR da Câmara do lado da oposição
A oposição, por sua vez, conta com apoio do PMDB e do PR da Câmara para forçar o funcionamento da CPMI mista que irá investigar a Petrobras e implodir a estratégia do Governo de usar a CPI do Senado para esvaziar a Comissão Mista e excluir a participação de deputados. Os líderes do Democratas e do PSDB decidiram não indicar nomes para a CPI do Senado para fortalecer a mista. Se a base aliada se recusar a apresentar nomes para a comissão mista, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem o prazo até dia 20 de maio para fazer ele mesmo as indicações e, na prática, dar início às investigações.

Senadores petistas pressionam para que Renan faça a indicação dos nomes da oposição ainda hoje, em uma estratégia do governo de instalar imediatamente a CPI do Senado, aprovar a convocação de pessoas ligadas aos casos Alstom e Abreu e Lima, para fazer barulho e esvaziar a comissão mista. A oposição conta com a pressão da opinião pública e com os dissidentes da base na Câmara para aprovar convocações ligadas apenas ao escândalo da Petrobras.

— Tirar a Câmara desse processo só aumenta a sensação de temor do governo perante a opinião pública. Qualquer que seja o malabarismo que façam, não fugirão das investigações de denúncias que aumentam a cada dia envolvendo a Petrobras e seus administradores — disse o presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG).

Governo quer usar maioria na CPI do Senado para tratar de caso Alstom
A estratégia do governo é instalar já a CPI do Senado e usar a maioria para convocar pessoas ligadas ao governo de Pernambuco e de São Paulo. Os articuladores do governo dizem que a Petrobras usa turbinas da Alstom e que a empresa Copergás, ligada ao governo de Pernambuco, recebeu R$2 bilhões da Petrobras para obras no entorno da refinaria de Abreu e Lima.

— A conexão existe. Depois que colocarem os caras lá, podem perguntar o que quiserem — diz um dos líderes do governo que participaram ontem de reuniões no Planalto com a presidente Dilma Rousseff, com os ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Ricardo Berzoini, de Relações Institucionais.

O presidente do Democratas, senador José Agripino (RN) disse que o prazo para as indicações para a CPI do Senado vence hoje, mas deixarão que Renan indique pela oposição. Os indicados, no entanto, não participarão dos trabalhos. A oposição vai focar apenas na nomeação dos integrantes para a CPMI mista da Câmara e Senado.

— Se a gente tiver os 17 membros hoje (metade mais um) vamos encontrar uma forma de pressão para instalar imediatamente a CPI de Câmara e Senado também, e eleger o presidente e relator. Se eles têm uma estratégia, nós também temos. A lógica e a opinião pública estão conosco. Como explicar a exclusão da Câmara? Do outro lado contamos com o Eduardo Cunha e sua bancada do PMDB, e do PR que pregou o retrato de Lula na parede, a nosso favor. Se manobrarem contra eles, vai haver chispa! O PMDB e o PR funcionarão como um elemento demolidor das artimanhas do governo — disse Agripino.

O líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), voltou a afirmar que não há necessidade de uma CPI para investigar a Petrobras, já que órgãos de fiscalização do governo estariam atuando no caso. O senador defendeu, diante da inevitabilidade de uma CPI da Petrobras, que no seu entender estaria servindo apenas de palanque eleitoral para a oposição, o Congresso investigue também, em uma CPI, denúncias que atingem os governos dos adversários de Dilma Rousseff.

– O governo resistiu o tempo todo a fazer essas CPIs, mas já que a oposição quer fazer um palanque eleitoral com essas investigações, vamos investigar também desvios de recursos públicos na refinaria de Abreu e Lima, no metrô de São Paulo e onde mais houver recursos da Petrobras nos governos estaduais. O que está acontecendo é uma disputa política em véspera de eleição – afirmou.

CPI mista do metrô é criada no Congresso

• Ao ceder a ameaças da oposição, presidente do Senadotambém pediu aos líderes indicações dos integrantes da CPI mista que vai investigar a Petrobrás

Débora Álvares, Eduardo Bresciani e Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Cumprindo a orientação do Palácio do Planalto, a base aliada conseguiu na noite desta quarta-feira, 7, a criação de uma nova CPI mista, desta vez para investigar irregularidades nas obras do Metrô de São Paulo e do Distrito Federal. Em paralelo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu aos líderes indicações dos integrantes da CPI mista que vai investigar a Petrobrás cedendo a ameaças da oposição.

Liderados pelo PT, os governistas conseguiram apoio de 191 deputados e 32 senadores para a CPMI do Metrô - eram necessárias, respectivamente, 171 e 27 assinaturas. O objetivo é desgastar o PSDB, que governa o Estado de São Paulo desde 1995, e o DEM, que governou o Distrito Federal entre 2007 e 2010.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que o governo resistiu à esta CPI mista do Metrô, mas foi obrigado a dar uma resposta à oposição. "Já que a oposição que fazer palanque político para discutir possíveis desvios de recursos públicos, porque não discutir os desvios que aconteceram ou possivelmente tenham acontecido no Metrô de São Paulo, seja na Abreu e Lima, seja em recursos da Petrobrás, repassados para governos estaduais?", indagou.

Embora afirme a necessidade de investigar "todos os ilícitos", a ex-ministra da Casa Civil do governo Dilma e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) admite que qualquer CPI em andamento no Congresso esse ano será, necessariamente, contaminada com interesses eleitorais.

O único tucano a apoiar a CPMI do Metrô foi justamente o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato à Presidência da República. Para ele, a iniciativa da base ocorre tardiamente. "A base aliada tem toda legitimidade para fazê-lo. Lamento até que venha com enorme atraso. Se essas denúncias que estão aí há anos circulando incomodassem realmente o PT, já poderia ter feito isso", comentou.

Ao contrário de Aécio, o líder tucano no Senado, Aloysio Nunes (SP), chegou a aderir à investigação, mas recuou. Ele disse ter assinado o documento por engano, já que discorda da amplitude do objeto proposto.

O pedido de investigação defendido pelo governo foi lido na sessão do Congresso e deve ser publicado em diário oficial. O próximo passo é a indicação dos membros para a instalação da investigação.

Petrobrás. Nesta mesma sessão do Congresso, o presidente do Senado pediu aos líderes as indicações para a comissão que vai investigar a Petrobrás. Repetiu a defesa de que o ideal era a CPI ampliada proposta pelo governo, mas disse que acatava a liminar da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber e instalaria a investigação com foco exclusivo na Petrobrás. Os líderes terão cinco sessões ordinárias para fazer as escolhas dos membros. Caso isso não ocorra, Calheiros terá de fazer as indicações em um prazo de mais três sessões.

Durante a sessão, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), leu a questão de ordem preparada pela ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) que rogava por uma CPI exclusiva no Senado apelando até ao Código de Processo Penal. Os petistas argumentam que como a investigação com os senadores foi pedida antes teria precedente sobre a que inclui os deputados. Calheiros não respondeu ao argumento.

Em uma demonstração de como o governo terá dificuldades maiores na CPI mista, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), opositor de Dilma, confirmou que participará da investigação como titular e anunciou que os deputados peemedebistas Lúcio Vieira Lima (BA) e Sandro Mabel (GO), ambos críticos do governo, seriam escalados para o colegiado. João Magalhães (PMDB-MG) também participará.

Cunha afirmou ainda que a bancada de seu partido atuará com independência. "Nosso discurso não será nem de explodir nem defender o governo, mas de investigar", disse.

Nesta quarta, o ministro da Fazenda e atual presidente do conselho de administração da Petrobrás, Guido Mantega, confirmou que irá à Câmara dos Deputados na próxima semana para responder perguntas sobre a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela estatal. A audiência pública, que ocorrerá na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, está marcada para a próxima quarta-feira, a partir das 9h30. /Colaboraram Laís Alegretti e Ricardo Della Coletta

'Presidente tem que dialogar', diz Campos

• Para pré-candidato do PSB, o que o diferencia de adversários é ser capaz de 'romper com a velha prática política' do País

Ana Fernandes - Agência Estado

SÃO PAULO - O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, acredita que a chapa composta por ele e pela ex-ministra Marina Silva é a "possibilidade de romper com a velha prática política". A declaração foi dada em entrevista ao Broadcast Político em resposta a uma pergunta sobre o que o diferencia do senador Aécio Neves (PSDB-MG), um de seus prováveis adversários nas urnas em outubro.

Campos também pontuou como diferencial o que chamou de capacidade de conversar com diversos setores da sociedade. "É fundamental um presidente que possa dialogar com todos os brasileiros." Tanto Aécio quanto a presidente Dilma Rousseff são criticados porque sofreriam resistências, respectivamente, de setores mais populares e de parte do empresariado.

Nas relações com os partidos em um eventual governo, o ex-governador de Pernambuco disse que vai buscar quem o ajude a "renovar" o presidencialismo. "Conheço gente no PMDB no Brasil afora que é de um PMDB que tem uma outra visão de prática política."

Crítico da atual política econômica do País, Campos afirmou que o governo não deve usar só as taxas de juros para cumprir a meta de inflação e defendeu mais austeridade e transparência fiscal.

O que é o "novo desenvolvimentismo" que o senhor propõe?

No Brasil não cabe mais improviso. Precisamos ter clareza no planejamento de longo prazo, um rumo estratégico. Esse rumo precisa de uma governança macroeconômica segura, que tenha compromisso com o centro de uma meta inflacionária, que deve iniciar nos 4,5%, mas deve ser projetada para, nos próximos cinco anos, apontar para abaixo disso. Uma garantia de que vamos manter o tripé dos fundamentos macroeconômicos. Uma governança no Banco Central independente. Uma governança na política fiscal com controle social, com conselho fiscal da República, para que se acompanhe o gasto público.

Como o senhor avalia a política econômica da atual gestão?

Ficou muito bem provado nos últimos anos que o improviso na tentativa de trocar algum crescimento pela taxa de inflação deu no que deu... Inflação batendo no teto, preços administrados represados e o menor crescimento da história republicana do País. Fora isso, uma quebra da confiança dos agentes no futuro do Brasil, com redução dos investimentos. Teremos uma agenda macroeconômica com condução completamente segura e uma agenda do crescimento sustentável que precisa resgatar o clima de confiança e retirar do papel investimentos estruturantes.

Como fazer a inflação convergir para o centro da meta e, depois, reduzir esse centro?

Não se pode imaginar que a tarefa de botar a inflação no centro da meta é uma tarefa só da taxa de juros. Não é. É da articulação de uma política fiscal responsável com uma política monetária independente que garanta o centro da meta.

Como lidaria com a questão dos preços administrados?

Precisamos resolver esse passivo. Precisamos definir regras claras para que não se dê a oportunidade no futuro de o País administrar a inflação como administrou no período pré-Real, contendo os preços administrados de maneira artificial.

No primeiro dia de um eventual governo do senhor, os preços da gasolina seriam reajustados?

Não sei nem se o atual governo vai conseguir segurar esses preços até a eleição. É preciso chegar o primeiro dia de governo para a gente poder pôr em prática o que estamos colocando como regra. Não é saudável para a economia, para os cidadãos, muito menos para a Petrobrás e para o setor do etanol, que está pagando um preço muito caro. Talvez, se você adiar muito e alongar demais, termine carregando no efeito arrasto a expectativa inflacionária e isso acabe sendo pior para a população mais pobre.

De forma geral, o senhor se diria favorável a medidas mais ortodoxas na economia? Seria contra o controle de preços?

Já me coloquei publicamente contra isso e não é hoje, que sou candidato. É possível, e o Brasil vai percebendo cada dia mais, que o único caminho para um desenvolvimento sustentável é o de quem tem uma boa governança macroeconômica. Todas as grandes nações que se desenvolveram não o fizeram a partir de piques, mágicas, pacotes. O crescimento econômico continuado é obtido em função de uma narrativa de longo prazo, de uma política previsível e de uma agenda de desenvolvimento nos mais diversos setores.

Campos e Marina definem nomes que vão comandar campanha

• Ideia é que, até julho, os dois participem de eventos juntos pelo país

Sérgio Roxo – O Globo

SÃO PAULO - A coordenação da pré-candidatura presidencial de Eduardo Campos (PSB) se reuniu ontem e decidiu acelerar, já a partir da próxima semana, as agendas conjuntas do ex-governador de Pernambuco e da vice da chapa, a ex-senadora Marina Silva. O núcleo de dez nomes que comandará o dia a dia da campanha também foi fechado durante o encontro.

Os coordenadores atuarão em dupla, sendo sempre um representante do PSB e um outro adjunto da Rede, o partido que Marina tentou criar, mas teve o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano passado. Todos os indicados pela ex-senadora trabalharam na campanha presidencial de 2010. A coordenação geral ficará com Carlos Siqueira, secretário nacional do PSB, e Bazileu Margarido, que foi presidente do Ibama quando a pré-candidata a vice ocupou o Ministério do Meio Ambiente no governo Lula.

Também está definido que não haverá na campanha de Campos a figura do marqueteiro nos padrões tradicionais. A coordenação de comunicação ficará com o jornalistas Alon Feuerwerker e Nilson Oliveira. O último assessorou Marina em 2010. O sociólogo argentino Diego Brandy, uma espécie de guru de Campos desde a sua primeira eleição para o governo de Pernambuco, em 2006, será o responsável pelos programas de televisão e rádio, mas estará subordinado ao núcleo de Alon e ao comando geral da campanha. Brandy é especialista em pesquisas de opinião e rejeita o rótulo de marqueteiro.

O tesoureiro será Henrique Costa, amigo pessoal de Campos. Os dois estudaram juntos na faculdade de economia em Pernambuco. Costa fez carreira em bancos, como o BankBoston e o Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe). Ele terá como adjunto Rubens Novelli, que já exerceu a mesma função em 2010. 

O programa de governo será coordenado pelo ex-deputado federal petista Maurício Rands e por Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú e ligada a Marina. A coordenação de articulação, que ficará responsável pelas conversas com partidos políticos e com as campanhas estaduais, vai ser de responsabilidade do ex-vice-prefeito de Recife Milton Coelho e de Pedro Ivo Batista. Haverá ainda um conselho político, para reunir representantes de legendas aliadas como o PPS, e um conselho cidadão, a ser formado por representantes da sociedade e filiados de outros partidos que quiseram apoiar a candidatura de Campos e Marina.

O QG que vai abrigar a campanha também foi definido. Fica no bairro da Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo. Ainda não há data para a mudança. Uma parte do núcleo de coordenação já começará a trabalhar na semana que vem na sede do diretório paulista do PSB no Planalto Paulista, na mesma região.

— Temos muitos convites para visitas pelo país e precisamos atuar de forma mais dinâmica para definir uma agenda, por exemplo — afirma Siqueira.

A ideia é que, até julho, Marina e Campos participem de eventos juntos como uma forma de apresentar o ex-governador de Pernambuco pelo país. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Campos é conhecido por apenas 58% eleitores. Marina tem o recall da campanha de 2010, quando obteve 19,6 milhões de votos.

Os integrantes da campanha admitem que ainda há a possibilidade de o deputado federal Márcio França, presidente do PSB de São Paulo, assumir o lugar de Siqueira na coordenação se a sua candidatura ao governo do estado não vingar. Seu nome foi apresentado para atender à exigência da Rede de ter uma chapa própria em São Paulo, mas os aliados de Marina o rejeitaram por entenderem que ele não representa renovação. Na reunião de ontem, foi acertada a transferência da convenção da legenda, marcada para o dia 10 de junho no Rio, para o dia 29 do mesmo mês em Brasília.

PSDB de Aécio tem o cheiro da derrota no 2º turno, diz Marina

• Ex-senadora reclama de comparações entre tucano e Campos, do PSB, de quem será a Vice

Bernardo Mello Franco – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A cinco meses da eleição, a ex-senadora Marina Silva afirma que o PSDB de Aécio Neves já entrou na disputa com o "cheiro da derrota" no segundo turno. Ela diz que seu companheiro de chapa, Eduardo Campos (PSB), é o único capaz de impedir a reeleição de Dilma Rousseff (PT).

A declarações devem ajudar a sepultar o clima de trégua entre os dois candidatos, que vinham atuando em parceria para desgastar a petista.

Incomodada com as comparações entre Campos e Aécio, Marina afirmou que o aliado defende ideias mais progressistas que o tucano. Também atacou Dilma, a quem acusou de usar a propaganda oficial para esconder os problemas do governo.

A ex-senadora se mostrou incomodada com o relato do ex-presidente Lula, revelado na segunda pela coluna Mônica Bergamo, da Folha, de que ela teria consultado Deus antes de pedir demissão do Ministério do Meio Ambiente.

Marina deu entrevista anteontem em um hotel da zona norte de São Paulo. Ao receber a reportagem, pediu licença para retocar os lábios com uma beterraba --ela tem alergia a batom.

Segundo turno
A ex-senadora disse que Eduardo Campos, hoje em terceiro lugar nas pesquisas, é o único candidato capaz de bater a presidente Dilma Rousseff. Para ela, o ex-governador de Pernambuco é "sem dúvida alguma" mais competitivo que Aécio Neves.

"O PSDB sabe que já tem o cheiro da derrota no segundo turno. E o PT já aprendeu que a melhor forma de ganhar é contra o PSDB."

Campos x Aécio
Marina reclamou das comparações entre Aécio e Campos, que têm feito críticas semelhantes ao governo. "A gente tem que parar com essa história de querer diluir as diferenças." "Quando alguém fica muito ansioso para dizer que é igual, é porque sabe que é diferente", acrescentou.

Para Marina, as diferenças estão "nas trajetórias de vida e em algumas propostas estruturantes". "Campos protagoniza uma agenda progressista de respeito aos direitos sociais, de não ir pelo caminho mais fácil de reduzir a maioridade penal e as conquistas dos trabalhadores."

Palanques estaduais
A ex-senadora disse que PSB e Rede terão autonomia para apoiar candidatos diferentes nos Estados em que não houver acordo. Afirmou que não subirá ao palanque dos tucanos Pimenta da Veiga, em Minas, e Beto Richa, no Paraná. Os dois cortejam Campos em busca do apoio formal do PSB.

Em São Paulo, Marina disse que o apoio ao tucano Geraldo Alckmin está descartado. Questionada se pedirá votos para Márcio França, caso ele venha a ser o candidato, foi evasiva: "Não vamos vetar nenhuma candidatura do PSB. Mas a Rede não é o PSB".

Dilma em campanha
A vice de Eduardo Campos criticou a estratégia de comunicação de Dilma, que usou pronunciamento oficial na TV para anunciar medidas populares como o reajuste do Bolsa Família e a correção da tabela do Imposto de Renda.

"Acho excessiva a propaganda que tem sido feita. Geralmente, o excesso de propaganda é para compensar as dificuldades que estão sendo vividas", disse. "Fazer o que é necessário para se reeleger, e não o que é necessário para os interesses do país, cria essa ambiguidade."

Governo e economia
"A presidente encerra o governo sem uma marca, como a estabilização econômica de FHC e a inclusão social de Lula. A marca de Dilma é o retrocesso", criticou. "O Brasil atravessa um momento com baixo crescimento e aumento da inflação e dos juros."

"Volta, Lula"
Marina sugeriu ainda acreditar na possibilidade de o ex-presidente Lula substituir Dilma na eleição. "É uma dificuldade para ele, com certeza. Ele articulou a candidatura da presidente Dilma para criar uma nova liderança ou para fazer um intervalo e voltar?"

Ela também ironizou a preferência de siglas aliadas por Lula. "Dilma poderia ela própria liderar. Me parece que não é o que está acontecendo. Então as pessoas estão preferindo a interlocução direta com Lula."

Reeleição e 2018
A ex-senadora negou ter feito acordo com Campos para disputar a Presidência em 2018. Nas últimas semanas, o pré-candidato do PSB tem prometido acabar com a reeleição, o que abriria caminho para Marina voltar à cabeça de chapa daqui a quatro anos.

"Não fizemos nenhum tipo de acordo eleitoral. "Não tenho como objetivo de vida ser presidente do Brasil."

Conversa com Deus
A ex-ministra do Meio Ambiente demonstrou incômodo com o relato do ex-presidente Lula a aliados sobre uma conversa reservada entre os dois. Meses antes de sair do governo, Marina teria dito ao petista que conversou com Deus e decidiu pedir demissão.

"Sou uma mulher de fé. Não nego a minha fé. O que eu disse para o Lula foi: Essa minha decisão eu pedi muito a Deus que confirmasse no meu coração. E acho que é o melhor para mim". Isso não tem nada a ver com dizer Eu falei com Deus, tive uma resposta de Deus"."

Ela contou que a conversa aconteceu no fim de 2006. Disse que pediu demissão, mas ficou no cargo por apelo de Lula. Depois disso, manteve a história em segredo.

"Jamais iria dizer que pedi para sair e o Lula pediu que ficasse. Isso não faz parte do meu caráter. Se isso não fosse revelado dessa forma enviesada, ia morrer comigo, porque não tenho necessidade de me afirmar em cima do Lula ou de ninguém", disse, demonstrando mágoa com o episódio.

“Queremos a investigação. Não é uma CPI política”, afirmou Aécio Neves

• Quem deve não teme. A CPI existirá

• O governo perdeu essa batalha. Bom para a sociedade brasileira

BRASÍLIA (DF) – O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, defendeu nesta quarta-feira (7), em entrevista coletiva, que a CPI sobre a Petrobras tem o objetivo de investigar as denúncias e, não político. “Queremos a investigação. Ao contrário do que tem dito os líderes do governo, esta não é uma CPI política. Não fomos nós, oposicionistas, que acordamos um dia e dissemos: Olha, vamos fazer uma CPI sobre a Petrobras para incomodar a presidente da República”, afirmou ele.

Sobre CPI mista Câmara e Senado.
A CPI existirá. O governo perdeu essa batalha. Bom para a sociedade brasileira e quem não deve, não teme. As investigações ocorrerão. Agora, fica a disputa: Senado ou Congresso? É mais razoável, na nossa avaliação, que seja Congresso porque você não tiraria os parlamentares – os deputados federais – dessa discussão. Mas a razão – e acho que o presidente Renan devia tomar essa iniciativa como presidente do Congresso, sentar com os líderes à mesa. Vamos fazer uma pauta racional. Queremos a investigação. Ao contrário do que tem dito os líderes do governo, esta não é uma CPI política. Não fomos nós, oposicionistas, que acordamos um dia e dissemos: Olha, vamos fazer uma CPI sobre a Petrobras para incomodar a presidente da República. Não, as denúncias estão aí se sucedendo, trazendo indignação aos brasileiros.

Um dos principais diretores da Petrobras, senão o principal no seu tempo, está preso. As denúncias se sucedem. É cada dia uma denúncia nova. Pasadena é apenas uma ponta desse iceberg. Então, as investigações terão que ocorrer. O governo lutou o quanto pôde para que elas não ocorressem. Nos obrigaram a ir ao Supremo Tribunal Federal. Agora, cada vez que o governo busca inibir a investigação, mais claramente mostra que teme as investigações. O racional, a meu ver, é a CPMI mais ampla. Cabe ao presidente do Congresso convocar os líderes. Vamos, quem sabe, fazer uma CPMI com uma pauta pré-definida. Vamos começar a trabalhar.

Não há mais tempo para esse debate entre oposição e governo. A população brasileira, acho que sem exceção, – talvez alguns que estejam envolvidos nessas irresponsabilidades, talvez não, mas a população brasileira tirando eles quer que as investigações ocorram. Quem não tiver responsabilidade será inocentado e quem tiver responsabilidade deve pagar por eventuais maus negócios feitos no comando da companhia.

Faz parte da estratégia não indicar integrantes para a CPI exclusiva do Senado para forçar a CPI Mista?

Essa foi uma decisão do líder, que eu respeito porque não adianta funcionar duas CPIs. Isso é, claramente, interesse de quem não quer que as investigações ocorram. Portanto, a tentativa das oposições, apesar de sermos minoria, – mas já vencemos uma luta muito dura para que a CPI ou a própria CPMI ocorresse – é que possamos fazer a investigação mais ampla. Como hoje vai estar sendo oficiado aos líderes partidários indicação para aos membros da CPMI, vamos apoiar a CPMI.

Repito, o presidente do Congresso Nacional, a meu ver, é quem tem as condições de sentar-se com os líderes da base, líderes oposicionistas e preservando o Senado Federal, preservando o Congresso Nacional, definir de que forma essa investigação vai ocorrer. Temos a disposição inclusive de fazer o entendimento em relação à pauta da CPMI da própria CPI. A CPMI mais ampla é melhor para as investigações, a mais restrita, certamente, é pior para as investigações.

A oposição vai apoiar a CPI da Alstom? Hoje, o PT deve formalizar o pedido para a criação dessa CPI.

Tem toda a legitimidade para fazê-lo. Lamento até que venha com enorme atraso, porque se essas denúncias que estão aí há anos circulando incomodassem realmente o PT do ponto de vista da busca da apuração, já poderia ter feito isso lá atrás. Mas é direito deles, a minha assinatura está lá. Eu, pessoalmente, tenho muito curiosidade de saber como foi que a Alstom conseguiu, no caso de Porto Alegre e Belo Horizonte, fazer uma licitação com que um resultado é o contrário, o oposto do outro, são obras do governo federal. Vamos investigar tudo. Ninguém tem que ter medo de nada. Mas não vão tirar do povo brasileiro a oportunidade de saber o que aconteceu ou vem acontecendo com a Petrobras e acho que coisas novas vão vir por aí.

Portanto, da nossa parte basta apenas aguardar que o presidente do Congresso Nacional organize o funcionamento da CPI da Petrobras, repito a CPMI é melhor. Outras investigações que venham, não temos que ter medo de absolutamente de nada. Até porque, se no nosso campo político isso não foi comprovado até agora, algum agente político ligado ao partido tenha cometido qualquer irregularidade, tem que responder por essas irregularidades. Acho até que se o PT estivesse realmente interessado nessa investigação, tem maioria para ter feito isso ao longo dos últimos 12 anos. Se faz agora, paciência, vem com um enorme atraso, mas que seja feita.

A presidente Dilma falou indiretamente do sr. ontem em um jantar com jornalistas. Sobre medidas impopulares.

Vejo a presidente permanentemente preocupada. O que vamos fazer é corrigir os equívocos do atual governo. O que vamos fazer é acabar com a medida mais impopular tomada por este governo que foi permitir que a inflação voltasse no Brasil. Agora eu vou sim tomar pelo menos duas medidas impopulares, mas impopulares para o PT. Vou acabar com a metade desses ministérios se vencer as eleições. Portanto, com a boquinha de muita gente. E vou acabar com essas falcatruas, com as irresponsabilidades que ocorrem nas empresas públicas brasileiras, em especial a Petrobras.

“Já temos um compromisso com a pauta que eu chamo da Federação”, disse Aécio

• O pacto federativo e a dívida dos estados

• Unificação das eleições

BRASÍLIA (DF) – O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, fez uma palestra nesta quarta-feira (7) durante a 18ª Conferência Nacional da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), em Brasília. Em seguida, o senador concedeu uma entrevista coletiva. A seguir, a entrevista do senador.

Sobre o pacto federativo e a dívida dos estados como o senhor vai trabalhar isso se eleito presidente?

Já temos um compromisso com a pauta que eu chamo da Federação. São inúmeras questões entre elas a renegociação da dívida, que infelizmente só não avançaram até aqui porque a base do atual governo impediu que essas matérias fossem votadas seja na Comissão Especial e na Comissão de Justiça ou no Plenário. É absolutamente necessária que a renegociação ocorra. Grande parte dos estados brasileiros e alguns municípios perderam toda a sua capacidade de investimento porque pagam hoje à União seus financiamentos e seus empréstimos, com juros muito mais escorchantes, por exemplo, do que pagam uma empresa privada ao BNDES.

Isso não se justifica. O Estado que tem a responsabilidade de zelar pela segurança pública, pela saúde e pela educação, paga mais caro à União do que paga uma empresa pública que visa o lucro. É bom que tenhamos juros baixos para toda a economia, mas não é possível que os estados continuem, ainda na realidade atual, vivendo nas regras antigas. O governo negociou conosco uma proposta, e infelizmente, não teve a capacidade de honrar esta proposta. E outras medidas como o fim da tributação do Pasep, o aumento pelo menos de um a dois percentuais no Fundo de Participação. Todas essas matérias constarão no nosso compromisso com a federação. Desde o início da minha trajetória política tenho defendido que possamos ter no Brasil uma República eminentemente federativa com municípios e estados em condições de enfrentar as suas dificuldades. O Brasil, infelizmente, se transformou em um estado unitário. Apenas a União detém receitas e apenas a União define o que fazer com estas receitas. Infelizmente, o resultado é este: ineficiência e uma sucessão de desvios que avilta e traz indignação aos brasileiros.

Sobre a unificação das eleições
Tenho defendido um projeto que acaba com a reeleição e estabelece cinco anos de mandato para todos os cargos públicos em um só momento. Aí teríamos quatro anos obviamente para trabalharmos e um ano de eleição. Isso traria, a meu ver, maior eficiência a toda a máquina pública e é uma das propostas que estaremos apresentando durante o debate eleitoral.

Estratégia de Dilma é associar oposição a ações impopulares

• Em jantar com jornalistas, presidente diz não ver por que mudar rumo da política econômica e volta a criticar rivais

• Proposta de Eduardo Campos para reduzir inflação a 3% levaria taxa de desemprego a 8,2%, afirma petista

Natuza Nery, Gustavo Patu - Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O governo petista captou o desejo da população por mudanças, mas, nos primeiros movimentos da campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff diz apenas o que não vai mudar se for reeleita.

Desde o pronunciamento do Primeiro de Maio, a presidente-candidata promete mais emprego, salário e Bolsa Família, enquanto nega a necessidade de ajustes dolorosos na política econômica.

"Tem gente dizendo que tem medidas impopulares. Tem que ter cuidado para que medida impopular não se transforme em medida antipopular", disse anteontem, em jantar de mais de quatro horas com jornalistas mulheres no Palácio da Alvorada.

A estratégia é assumir o crédito pelo que há de favorável no presente e associar aos adversários os maus presságios para o futuro --foi o tucano Aécio Neves quem se disse disposto a tomar as tais "medidas impopulares".

Eduardo Campos, do PSB, e sua ideia de reduzir a inflação a 3% anuais também mereceram um ataque sem nome citado: "Sabe o que significa? Desemprego lá pelos 8,2%", disse Dilma, com a precisão da casa após a vírgula.

Como Fernando Henrique Cardoso em 1998, Dilma disputará a reeleição sob desconfiança generalizada quanto à sustentabilidade de suas realizações mais vistosas.

Há 16 anos, fazia água a política de controle das cotações do dólar que segurava a alta dos preços. Agora, é a alta dos preços que, ao lado de outras fragilidades da economia, ameaça os resultados positivos do mercado de trabalho.

A inflação está próxima do teto de 6,5% fixado na legislação, com a ajuda de gastos públicos em permanente expansão, especialmente nos programas de transferência de renda às famílias.

Além do buraco nas contas do Tesouro Nacional, o consumo estimulado pelas intervenções oficiais leva o país a acumular deficits nas transações de bens e serviços com o resto do mundo.

Dilma admitiu que "não está tudo bem" com os preços, mas reforça o controle da inflação. E refutou a tese de que serão inevitáveis cortes de gastos públicos e altas de juros, impostos e tarifas depois de conhecido o veredito das urnas: "É absurda essa história de o Brasil explodir em 2015. É ridículo. Pelo contrário, o Brasil vai bombar".

Em sintonia com a chefe, a Fazenda tem apresentado projeções de melhora do cenário global no próximo ano, em dimensões suficientes para tirar a economia brasileira da letargia que completará um mandato presidencial.

Fora do governo, é difícil encontrar quem acredite nisso. As projeções de analistas nativos e estrangeiros são pessimistas para o início do próximo governo e, ao menos por ora, só têm mudado para pior.

"Nunca vi uma conjuntura eleitoral, talvez com exceção de 2010, que não tivesse um baita mau humor", disse a presidente, mencionando o ano em que foi vitoriosa com o impulso de taxas de crescimento econômico vigorosas.

Na época, davam-se como superados os efeitos domésticos da crise internacional e já se falava em providências para conter a piora das contas públicas e da inflação.

Dilma não parece empenhada em conquistar a minoria influente que movimenta o mercado. No jantar, foi lacônica ao comentar a alta da Bolsa com sua queda nas pesquisas: "Sinto muito".

José Serra*: Ineficiência aprendiz e loquaz: 6ª antilei petista

- O Estado de S. Paulo

Já se disse que a política requer duas habilidades. A primeira: é preciso prever o que vai acontecer amanhã, na semana que vem e no ano seguinte. A segunda: é preciso explicar depois por que as previsões não se cumpriram. Nisso, todos os países e partidos são iguais, mas o Brasil da era petista tem sido mais igual que os outros. Há um abismo angustiante entre o que o atual governo prevê e a capacidade de explicar por que as coisas não acontecem.

Entre as previsões megalômanas e os resultados pífios, há o reino das antileis petistas, cultivadas cuidadosamente pela presidente Dilma e sua equipe. A primeira delas, uma espécie de cláusula pétrea do petismo, prescreve a necessidade de utilizar o máximo de palavras para expressar um mínimo de pensamento. Querem um exemplo magnífico? Vejam o que a então candidata disse sobre e elevada carga tributária no Brasil num debate da campanha presidencial de 2010 (transcrevo como foi dito): "O Brasil sai também de um nível muito elevado de carga tributária, e, agora, eu acho que ele entra numa fase de com a reforma tributária de decréscimo. Houve muitas pessoas contrárias à reforma tributária nos últimos anos. Agora, seguramente, o crescimento do PIB e a redução dos juros permitirá um Brasil mais desenvolvido". Diga-se, a propósito, que essa "reforma tributária de decréscimo", seja lá o que for isso, conviveu com a elevação da carga de tributos durante o governo Dilma ao nível mais alto da história.

A segunda antilei viola o princípio de que a menor distância entre dois pontos é uma linha reta; para eles, é uma curva torta. Este passou a ser o critério dominante das ações de governo: sempre pelo caminho mais longo, incerto e penoso. A terceira antilei supõe que o sol e os planetas giram em torno da Terra, ou seja, a presidente e seu partido coordenam e comandam o universo da política, da economia e das instituições, de modo que as conspirações da mídia e da oposição para enfraquecê-los podem provocar algum Big Bang que vá explodir o País, ou algum buraco negro que o devore. Outra antilei, a quarta, prescreve a transformação contínua de facilidades em dificuldades. Nada que seja fácil de fazer deve ser feito. Por exemplo, cria-se um programa chamado "Ciência sem Fronteiras" para enviar bolsistas ao exterior, mas se deixa de lado o requisito prévio de que os estudantes devam dominar o idioma do país que os recebe. Eles chegam ao Canadá, não falam inglês e têm de ser repatriados ou de fazer curso de línguas em Toronto, com o dinheiro dos contribuintes brasileiros. Geram-se atritos e desperdícios, além de desmoralizar a ideia de proporcionar aos nossos jovens novos conhecimentos que os beneficiem e ao nosso país.

Há uma quinta antilei - essa, reconheço, do agrado especial de Dilma (se ela não existisse, a mandatária certamente a editaria como medida provisória): cada ministro deve saber menos do que a presidente sobre a sua área de responsabilidade. As ideias e a forma de execução dos projetos ficam por conta da chefe do Executivo, que exibe, entre seus principais atributos, precisamente a falta de conhecimento dos assuntos de governo e a baixa capacidade de gestão.

Finalmente, ao menos por ora, há uma sexta antilei, que é muito forte: chega-se ao governo não para administrar, mas para aprender, como se fosse um curso supletivo ou de graduação. Isso vale para toda a nação petista, nos três níveis da Federação - União, Estados e municípios. O exemplo mais recente e vistoso, sem dúvida, ocorre na cidade de São Paulo, cuja administração se dedica ao papo-cabeça e aos experimentos macrolaboratoriais, em que as cobaias são os paulistanos sofredores. É o caso, por exemplo, da devolução dos hotéis da Cracolândia aos traficantes de droga a fim de que recebam seus clientes e dos subsídios dados aos dependentes químicos para que paguem preços mais altos pelo crack.

Na esfera federal, é antológica uma confissão da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, feita numa boa, em 2011, sobre a dificuldade que estava encontrando na elaboração do Plano Plurianual (2012-2015): "Não é possível monitorar e muito menos ser efetivo com 360 programas. No PAC, todo mundo está reaprendendo a fazer obras de infraestrutura - nós, do setor público, e também o setor privado". Isso depois de oito anos de governo do PT e já sob a presidência de Dilma, anteriormente consagrada como genitora do PAC pelo então presidente Lula!

Outra preciosa declaração, em setembro do ano passado, da então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, mostrou que, no 11.º ano de governo, o PT ainda não sabia o que fazer com as concessões de estradas: chegou a dizer que a concessão da BR-101, na Bahia, iria ficar por último "a fim de termos uma avaliação melhor". E continuou: "Se chegarmos à conclusão de que é impossível fazer concessão, vamos migrar para obra pública". Como escrevi na ocasião, "quantos anos já transcorreram e quantos ainda teremos pela frente até essa terapia infraestrutural de grupo chegar ao fim?".

Nesse emaranhado de antileis, vigilantemente aplicadas, pode-se vislumbrar a chama que tem derretido o prestígio de Dilma junto da população. Até porque as pessoas vão se dando conta, cada vez mais, da antilei n.º 1, que maximiza o palavrório e minimiza o pensamento, dificultando a explicação, já não diria convincente, mas, ao menos inteligível, da frustração das previsões originais e das que são refeitas a cada mês.

A mais reluzente das explicações carece de qualquer lógica: atribui-se à dobradinha entre imprensa e oposição a culpa pelas lambanças na Petrobrás, pela perda de mais da metade do patrimônio da empresa e pelo endividamento que bate o recorde mundial. Tudo isso faria parte de uma diabólica estratégia daquela dobradinha para privatizar a gigante do petróleo. De acordo com esse delírio, quanto mais desmoralizada ela estivesse, mais fácil seria sua privatização! Tenho a certeza de que tal disparate, em lugar de convencer, ofende as pessoas e aquece a chama do derretimento político não só da presidente, mas de um estilo de governo.

*José Serra é ex-governador e ex-prefeito de São Paulo.

Jarbas de Holanda: De uma nova “Carta (do PT) aos Brasileiros” ao agressivo populismo dos últimos dias

Entre fevereiro e março, o ex-presidente Lula, num encontro com empresários, admitiu o lançamento de nova versão da “Carta aos Brasileiros”, usada em sua campanha de 2002 como arma para desarmar fortes resistências dos agentes econômicos e de grande parte da sociedade a um governo que levas-se à prática as teses e propostas do PT. Como se recorda, centrada no compromisso de respeito às regras do mercado e à estabilidade macroeconômica, a Carta – preparada pelo coordenador da campanha, Antonio Palocci – quebrou boa parcela daquelas resistências e foi bem eficiente na montagem da aliança político-partidária e para o financiamento eleitoral. Ela seria retomada, agora, ou para o objetivo de todos ou de parte dos empresários do encontro de troca da candidatura de Dilma pela de Lula, ou, como ele desejava e segue desejando, para a reversão do desgaste da sucessora, por meio de uma poda no seu intervencionismo nos negócios privados, bem como na centralização excessiva das decisões governamentais, e de ampla mudança no relacionamento autoritário do Executivo com a chamada base aliada e com o Congresso. Tudo isso, na expectativa dele, contribuindo para melhoria da imagem e das relações políticas e empresariais da presidente e para viabilizar a reeleição.

De lá para cá, porém, uma progressiva piora dos indicadores da economia e uma sucessão de fatos e eventos muito negativos para o governo, e também para o PT, terminaram forçando Lula a arquivar a ideia de nova versão da referida Carta. E a acolher recomendação dos marqueteiros (do Planalto e do seu partido) para o desencadeamento de uma campanha baseada na contraposição entre ricos e pobres, entre “nós” (defensores dos programas sociais) e “eles” (que querem acabar com tais programas). Que foi a tônica do pronunciamento da presidente, a rigor de candidata, em cadeia de rádio e televisão, na véspera do Dia do Trabalho. E dos discursos dela e de Lula no encontro nacional do PT, dois dias depois. Quanto à inflação e ao PIB, está tudo bem. Quanto à Petrobras, “eles” querem destruir a principal empresa do país. E quanto a reformas, a reiteração do projeto petista de plebiscito, enquanto “eles querem mudanças econômicas contra os trabalhadores”.

As diversas pesquisas eleitorais do final de abril explicam a guinada tática chancelada pelo ex-presidente. O desempenho da economia (mais inflação, pibinho ainda menor à frente, crescimento do déficit da balança comercial, os atrasos crônicos dos programas de obras e serviços públicos, mais deterioração das contas da União) justificam o aumento do pessimismo do conjunto do mercado em relação ao governo. As seguidas quedas de avaliação da presidente e da candidata, em todas as camadas da população, resultaram da combinação desses fatores com o impacto das graves denúncias de “malfeitos” e prejuízos bilionários da Petrobras e de crescente percepção do eleitorado a respeito do grande e abusivo papel do aparelhamento partidário nos vários órgãos da máquina federal. E a erosão da popularidade do governo teve um desdobramento tão ou mais preocupante para Lula: um forte declínio do ín-dice, histórico, de preferência eleitoral pelo PT. O que se manifestou, até, em ato promovido pela CUT no dia 1º de maio no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, quando o prefeito Fernando Haddad e o ministro Ricardo Berzoini não puderam usar o microfone por causa de estrepitosas vaias. Cabendo assina-lar que a queda desse índice – constatada também em pesquisas internas do PT – deve ter influenciado o ex-presidente a destacar entre as prioridades das campanhas eleitorais deste ano o ataque à imprensa, tratada como “partido de oposição”. Encampando demanda dos mensaleiros e das alas esquerdistas do partido.

O Datafolha programado para este final de semana envolverá, também, avaliação da guinada da tática eleitoral do Planalto e do PT (combinação de “bondades” populistas com radicalismo político e social), indicando se ela será eficiente para reverter a queda de popularidade da presidente/candidata (agravada em pesquisas mais recentes pela ascensão de adversário Aécio Neves), ou se tal erosão prossegue. Neste caso, sendo provável uma retomada, mais forte, do “volta Lula”

Jarbas de Holanda é jornalista

Dora Kramer: Dilmês' castiço

- O Estado de S. Paulo

Bom sinal que a presidente Dilma Rousseff tenha resolvido dedicar parte de seu tempo a conversar com a imprensa. Já fez dois encontros "temáticos" (com jornalistas da área de esportes e com profissionais mulheres), consta que pretenda fazer outros no esforço de estabelecer uma convivência mais civilizada em terreno tratado, quando interessa, como inimigo.

Muito melhor o diálogo do qual se beneficiam todos, governantes e governados. No caso da presidente, o convívio com réplicas e tréplicas - não sendo só uma fase decorrente da necessidade de angariar simpatia devido ao momento um tanto desfavorável - sem a barreira da subordinação pode ajudá-la a exercitar o uso do idioma, combinando sentidos e significados.

Nos pronunciamentos, principalmente nos improvisados, não raro a desconexão entre o pensamento e a linguagem desfavorece a compreensão do que de fato quis dizer a presidente. O jantar que reuniu um grupo de jornalistas na noite de terça-feira foi um exemplo de como a chefe da Nação ora pronuncia palavras que significam o oposto de suas ações, ora diz coisas que se contradizem e não formam um sentido lógico.

Ao defender sua política econômica, considerou "ridículas" as análises que apontam cenário de crise para 2015, ano em que, segundo ela, o "Brasil vai bombar". O que seria isso? Crescer espetacularmente? Atrair investimentos? Avançar na infraestrutura? Melhorar de maneira significativa a eficácia dos serviços públicos? Ou vão estourar bombas (no sentido figurado) de todos os lados? Não se sabe, porque a presidente não explica.

Reconhece, no entanto, o óbvio, que "não está tudo bem" com os preços. Não precisava dizer. Todo mundo vê. O que não se percebe com a mesma facilidade é como se combina essa situação adversa em relação aos preços com a assertiva da presidente sobre o absoluto controle sobre a inflação. Depende do que ela considera controle e se o fato de a inflação se instalar no teto da meta e o governo dizer que anda tudo bem pode transmitir segurança a alguém.

Dilma Rousseff tampouco atribui o mau humor que toma conta do ambiente ao aumento dos preços. Monta sua própria equação: para ela, a insatisfação decorre da "comparação entre a taxa de crescimento de bens e a taxa de crescimento de serviços".

Vamos tentar traduzir. As pessoas se afligem quando se dão conta de que compraram geladeira, carro, televisão, móveis novos, mas não conseguem ter segurança, saúde e educação públicas em grau minimamente decentes, é isso? Parece que sim e aí a presidente tira o corpo fora. "Os serviços dependem de investimentos que não foram feitos no passado."

Qual passado, se o partido de Dilma Rousseff está no poder há 12 anos incentivando o consumo e inerte quanto a mudanças estruturais?

A presidente da República assegurou que não haverá aumento de impostos. É de se perguntar, então, de onde o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tirou a afirmação feita nesta semana de que o governo pode elevar tributos sobre bens de consumo para compensar o aumento de despesas e ajudar no cumprimento da meta fiscal.

Nesse passeio pela versão presidencial dos fatos, chegamos à CPI da Petrobrás. Muito convicta, Dilma garantiu que não tem "temor algum" da comissão de inquérito. Pelo seguinte motivo: "Não devo nada e o governo é de absoluta transparência".

Duas inverdades. A presidente ainda deve explicações sobre a aprovação da compra da refinaria de Pasadena com base em relatório parcial, sem a requisição da documentação completa e o governo não é transparente quando no oficial diz que não teme e no paralelo faz manobras para postergar a investigação.

Nesse particular, atendendo ao apelo "ir para cima" contra a CPI, feito pelo ex-presidente Lula, a quem Dilma tem reiteradamente renovado votos de lealdade.

Cristian Klein: Para Lula, Dilma não é mais a prioridade do PT

• Ex-presidente rebaixa dogma da eleição presidencial

- Valor Econômico

A prioridade da eleição presidencial sobre as disputas aos demais cargos sempre foi um dogma do PT. Toda a estratégia é subordinada ao projeto nacional. Na sexta-feira, no entanto, uma declaração feita no 14º Encontro Nacional do PT - que de resto serviu para sepultar o queremismo dos lulistas mais empedernidos - não recebeu a devida atenção: "Resgatar o partido, eleger governadores, deputados federais e estaduais é tão importante quanto eleger a Dilma".

Quem disse isso foi ninguém menos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Logo ele - que sempre personificou a primazia do projeto nacional petista - foi o responsável por traçar a nova estratégia - se assim pode-se chamá-la, pela falta de foco.

Agora que não é candidato da oposição, nem à reeleição, ou o padrinho político que quer provar sua força ao eleger a sucessora desconhecida, Lula iguala o papel central que a Presidência tem para o PT a uma eleição para deputado estadual.

A declaração sinaliza a possibilidade de uma importante inflexão na história da legenda. De fato, o PT neste ano parece muito mais preocupado com as disputas estaduais do que jamais esteve. É razoável. O partido sabe que, em algum momento, sairá do Planalto e voltará à planície, onde precisará alojar suas hostes. E a conquista de governos estaduais ainda é o ponto fraco da agremiação.

No mesmo encontro, Lula deu outra demonstração de independência. Disse que não estará amarrado aos acordos feitos pelo presidente do PT, Rui Falcão, e que priorizam a lógica para reeleger Dilma. Com isso, pretende fazer campanha para os candidatos a governador do PT nos Estados onde partidos aliados reivindicam tratamento igualitário para seus concorrentes, sob pena de não pedirem voto para Dilma.

É o caso do Rio de Janeiro, onde Lula patrocina a candidatura do senador Lindbergh Farias, mas a presidente prefere apoiar o governador Luiz Fernando Pezão para não melindrar a azeitada máquina partidária do PMDB fluminense.

Os movimentos de Lula são ambíguos. Podem fortalecer o PT no plano estadual ao mesmo tempo em que impõem riscos ao projeto presidencial.

Não é o melhor sinal para estabilizar o governo e a campanha à reeleição de Dilma.

Uma das figuras mais identificadas com a administração da presidente da República expõe a divergência. Diz que Lindbergh forçou a barra ao romper com o PMDB e levar adiante a candidatura própria. Lula não é mencionado.

Mas a mesma fonte dá mais pistas sobre a distância que separa o ex-presidente de sua sucessora.

É inegável, afirma ela, que Lula exerce influência sobre Dilma. A política brasileira inteira, pontua, de um jeito ou de outro, é afetada pela presença do ex-presidente no cenário. Mas Lula nunca teria tido a propalada ingerência sobre o atual governo. Dilma imprimiu sua marca e fez diferente do que faria o antecessor. Um exemplo? A demissão em 2011 da penca de ministros suspeitos de cometerem "malfeitos", no que ficou conhecido como "faxina ética". Lula teria acomodado, defendido, protegido seu bando.

A distinção soa quase como uma declaração de superioridade de princípios morais que separaria a criatura de seu criador. E é seguida de um diagnóstico que conteria uma suposta contradição. Lula, depois de passado o pior momento do mensalão, só fez subir sua popularidade. Dilma, depois das manifestações de junho de 2013, não se recuperou do tombo. Pelo contrário. As últimas pesquisas persistem em indicar queda na avaliação de governo e nos percentuais de intenção de voto, que já ameaçam a vitória no primeiro turno.

Haveria ingratidão ou, ao menos, incompreensão. Dilma, reclama o interlocutor, é acusada ou prejudicada por ter as virtudes que faltam aos políticos.

A avaliação é sintomática da visão do núcleo duro, mais próximo de Dilma. É a defesa de um governo que apostou mais na técnica do que na política. E não conseguiu costurar as alianças necessárias, no Congresso ou na sociedade, para levar à frente, com facilidade, sua agenda. Outro exemplo?

O recuo na redução da taxa de juros é atribuído à falta de apoio do setor produtivo. Por tanto tempo, o segmento empunhou a bandeira, mas tirou o corpo fora quando o cenário ficou adverso e o governo foi obrigado a ceder às pressões do setor financeiro. Os bancos no Brasil são muito poderosos, justifica o integrante da linha de frente dilmista.

Lula, por outro lado, em seu governo, reforçou o Conselhão, com representantes de diversos setores da sociedade - atenção que não é dada na mesma medida por Dilma.

Uma função fundamental ao cargo de presidente da República é sua capacidade de comunicação, de interlocução, de mediador com os diversos setores da sociedade. Esse atributo é tão importante quanto a qualidade de seu gerenciamento. Até porque um influencia o outro. Não há "presidente técnico". O atual governo, reconhece a fonte dilmista, peca por falhar na comunicação.

Isso nos leva à conclusão, é plausível afirmar, que a crise da administração Dilma é também uma crise de autoridade. E uma crise de expectativas. As bases econômicas não mudaram tanto a ponto de, repentinamente, causarem insatisfação. Os serviços públicos não se degeneraram, de uma hora para outra, em algum momento antes de junho de 2013.

É uma crise que está mais na superestrutura, na política, na circulação de ideias, do que na estrutura, nos fundamentos econômicos. Ninguém é estúpido de desconsiderar a economia. Mas as fissuras no bloco governista dão conta de boa parte do clima de anomia, de desorganização.

Antes de ser uma virtude, o temperamento tecnocrata de Dilma - a sua politicofobia, como apontada nesta coluna, em junho de 2011 - atrapalha mais do que ajuda. Em junho de 2013, o mesmo desapreço pela política se decantava nos cartazes dos manifestantes que foram às ruas protestar sabe-se lá por quantos motivos difusos e não necessariamente econômicos, como o combate à corrupção e a instrumentalizada derrubada da PEC 37. A preferência partidária está hoje no mais baixo patamar (30%) desde 1989. O feitiço virou contra a feiticeira. E seu mentor nem sempre joga a favor.