sexta-feira, 21 de junho de 2013

Uma saída para qualquer parte - Maria Cristina Fernandes

Foi a CUT que agitou a reunião das centrais sindicais com o ex-presidente Lula no instituto que leva seu nome. Na véspera, a Prefeitura de São Paulo sacudira como uma bastilha. Naquela tarde em que os sindicalistas procuraram o ex-presidente no instituto, a periferia da cidade, longe da moçada da USP e das câmeras de televisão, aderia às manifestações.

A motivação era queremista, mas a quietude do dono da casa não abriu espaço à pauta. Os sindicalistas desfiaram suas queixas costumeiras da falta de interlocução no Planalto e comunicaram sua adesão às manifestações. Com a hostilidade dos manifestantes às suas bandeiras talvez sejam obrigados a recuar.

A Volvo, uma das maiores fabricantes de ônibus do mundo, pagou R$ 30 mil reais aos funcionários em participação nos lucros e resultados. Os motoristas de ônibus em São Paulo tiveram reajuste acima da inflação. A prefeitura participou da negociação temendo greve, mas o barco adernou do outro lado. Nem a Volvo deve pagar mais um PLR desses nem os motoristas, com o recuo na tarifa, deverão ter dissídio tão generoso. Deve ser por isso que querem aderir, mas é outro o tempo.

Partidos e sindicatos penam para voltar às ruas

Já se passaram oito anos desde que Lula ameaçou chamar os sindicatos para defender seu mandato da turbulência do mensalão. Não foi o carro de som que garantiu o segundo mandato de Lula e a eleição de Dilma Rousseff, mas o gasto de governo e consumidores.

Agora a galera não quer só comida, diversão ou arte. Busca saída para qualquer parte que os Titãs, por tiozinhos, não devem mais saber onde fica.

Naquela época Lula defenestrou Antonio Palocci e se resguardou com a turma do carro de som para se manter no poder. Agora são as duas pontas que parecem unidas para levar o homem de volta. Mercado financeiro e sindicalistas talvez acreditem que só Lula conheça a regência dessa orquestra de acordes dissonantes. O problema é que o ruído agora é novo. Ainda não apareceu um diapasão sintonizado. E não há sinais, pelo que se vê e ouve nas ruas, que o tom esteja em São Bernardo.

O discurso que Dilma e seu partido adotaram mostra que governo e PT querem fazer parte da manifestação como se não exercessem os poderes constituídos. É como se dissessem: queremos as mesmas coisas que vocês e, se não o fazemos, é porque o PMDB e os mercados não deixam. Unam-se a nós que juntos chegaremos lá.

Não é só a presença de Guilherme Afif no governo que obstrui os caminhos do PT.

O marqueteiro sopra no ouvido de Dilma e Rui Falcão e o discurso sai arrumado. Mas não resolve. A nota que a juventude do PT soltou se limita à lógica da dualidade de poder com o PSDB. Não surpreende que tenham sido hostilizados ontem na rua.

Os jovens tucanos soltaram nota que os deixa mais grisalhos que Fernando Henrique Cardoso. Os tucaninhos se recusaram a sair às ruas porque veem nas manifestações um instrumento para desgastar o governo Geraldo Alckmin. Em resposta, os petistinhas redigiram uma nota focada na violência da polícia estadual, como se nela se resumissem as manifestações.

A julgar pela citação solitária na entrevista ao Roda Viva de dois jovens do Movimento do Passe Livre, o economista Ladislau Dowbor talvez seja o que há de mais próximo de "ideólogo" do movimento. Em sua página na internet lê-se uma tentativa de explicar o que se passa na cabeça de uma geração criada longe da rua e cujos pais têm carro na garagem, saem de madrugada de casa, voltam à noite, se jogam no computador ou adormecem em frente à TV: "Se todos nós estamos ocupados em ganhar a vida, em subir nos degraus do sucesso, como as crianças vão entender nosso sacrifício como útil?".

Não é fácil perfilar uma manifestação que trocou as bandeiras por cartolinas escritas a mão. Em sua tentativa, Wanderley Guilherme dos Santos assume o risco de ser rotulado de conservador. Presidente do Diretório Central dos Estudantes da Faculdade Nacional de Filosofia no final dos anos 1950, mandou confeccionar uma faixa giganteë: "Esta faculdade é nacionalista". O embate daqueles dias era a instalação de uma metalúrgica americana no Rio. A faculdade logo ficou repleta de faixas. E o DCE não demorou a descobrir que o engajamento em massa dos estudantes era patrocinado pela concorrente nacional da American Can.

Wanderley Guilherme nunca viu nada igual ao que está nas ruas, mas nesses 60 anos aprendeu a não comprar os fatos pelo seu valor de face. Não se arrisca a dizer onde a coisa vai parar, mas duvida que, pelos elevados custos de participação, os manifestantes prossigam por tempo indeterminado com o mesmo poder de mobilização.

Vê na rápida mudança na estratificação social a criação de um denominador comum para massa tão amorfa de manifestantes. Não é a miséria que gera mobilização popular. A mudança traz expectativas que não param de crescer mesmo quando a situação material, apesar de melhor, já não segue o mesmo ritmo. Fica sempre aquém do que se aspira.

O altruísmo e a juventude sempre andaram juntos bem antes de Wanderley Guilherme chegar ao DCE. Naquele tempo queriam o socialismo, justiça e a África livre do colonialismo. Mas o altruísmo, diz, não basta para fazer dos jovens portadores de futuro. Os jovens altruístas de sua geração construíram o capitalismo brasileiro que está aí sendo contestado pela moçada de hoje.

O futuro é desenhado. E não necessariamente pelas instituições que estão aí. Da diversidade desse movimento talvez surjam novos canais, desde que não se aceite como canalização a depredação de uma assembleia legislativa ou a invasão do Itamaraty.

Está claro que os presidenciáveis de 2014, a começar pela candidata à reeleição, vão mobilizar todos os recursos para canalizar em seu benefício o barulho das ruas.

Se essa moçada busca um jeito novo de fazer a coisa talvez valha procurar perto de casa, na vizinhança que lhes faltou na infância. Carcomidas câmaras municipais, como a de São Paulo, estão para revisar o plano diretor que rege a ocupação urbana. O trânsito por ali é livre, bem como nas audiências públicas que vão discutir o contrato de R$ 46 bilhões para o transporte público. Que levem os cartazes, a irreverência, a persistência e, sobretudo, o altruísmo. Se conseguirem melhorar o ônibus talvez façam uma melhor escolha para presidente.

Fonte: Valor Econômico

A chegada dos bárbaros - Tereza Cruvinel

Até aqui, todas as vozes, a começar pela da presidente da República, reconheceram como legítimo e democrático o movimento social insólito que ontem chegou ao clímax, em número de manifestantes nas ruas e na amplitude geográfica. Ontem, porém, dois traços preocupantes ficaram evidentes: a intolerância dos que protestam e a completa perda de controle por parte das vanguardas, permitindo que a violência e o vandalismo chegassem ao paroxismo. Dezenas de feridos e um morto por atropelamento na confusão, em Ribeirão Preto (SP). Quando a barbárie chega, os Poderes democraticamente constituídos precisam dizer algo mais que palavras de compreensão. É hora de uma palavra da presidente Dilma Rousseff.

Por mais que compreendamos as insatisfações difusas, seja com os serviços públicos ou com os políticos e com as instituições, não podemos transigir com a intolerância, que não combina com a democracia. Ela vem se manifestando no veto à presenças de partidos e organizações e na agressão a jornalistas e a participantes com outras vinculações. O movimento é "horizontal", como dizem, mas tem uma vanguarda, liderada pelo Movimento Passe Livre. Até agora, não deram uma palavra condenando o vandalismo. Depois dos excessos que cometeu em São Paulo, na quinta-feira, a polícia passou a ser por todos satanizada. Mas eu vi ontem, na frente do Congresso, as provocações injuriosas e as agressões físicas, como a cometida contra um PM com o mastro metálico da bandeira arrancada. As depredações do patrimônio, ontem, tiveram como símbolo doloroso a tentativa de incendiar o Itamaraty, joia da arquitetura que Oscar Niemeyer nos legou. A invasão não foi obra de "minoria exaltada", mas da multidão tomada por instintos primitivos. Esses jovens não tinham nascido quando a ditadura acabou, mas têm educação para saber que a democracia nos custou muito. A classe política tem suas culpas em tudo isso, mas é dentro do jogo democrático, por meio das instituições, que as coisas poderão ser resolvidas. E para isso, é preciso negociar. Incendiar não resolve.

O pêndulo

Os estacionamentos dos anexos dos ministérios nunca estiveram tão lotados de carros durante a noite como ontem. Aqui em Brasília, não há dúvida de que se trata de uma reação da classe média, e não das camadas mais pobres. Os governos do PT, em 10 anos, implementaram políticas focadas nos mais pobres e alcançaram resultados na redução das desigualdades. Mas a classe "média-média" mesmo, não a classe C emergente, acumulou ressentimentos com os serviços públicos ruins e com as práticas políticas nefastas. A classe média é o pêndulo do sistema, escreveu Helio Jaguaribe, em texto clássico. Nos últimos 10 anos, foi a maioria mais pobre do eleitorado que decidiu as disputas políticas. A classe média recupera agora seu protagonismo, com bandeiras que expressam anseios muitos amplos e justos. Mas agora, é preciso dar consequência ao movimento. Negociar e conquistar. É para isso, e não para vandalizar, que os movimentos acumulam força.

Uma evidência de que, pelo menos aqui, o movimento é de classe média, foi personificada pelos dois manifestantes que foram ao gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros. Acabaram não sendo recebidos porque o núcleo de estudantes e outros subgrupos da manifestação se recusaram a participar. Renan decidiu aguardar por encontro mais representativo. Francisco Paraíso Ribeiro de Paiva tem 25 anos e é advogado. Kayo José de Miranda Leite, da mesma idade, também é advogado e professor em duas instituições de ensino superior. Bem vestidos, falam com sotaque jurídico. Perguntei se tinham delegação do movimento. Disseram representar um dos muitos "subgrupos". Deram-me cópia do documento que, no dizer deles, "protocolizaram" no Congresso e no Palácio do Planalto, com a lista de reivindicações: mais investimentos em saúde, em educação, em segurança pública, transparência nos gastos com os estádios, reforma política e outras tantas. Que venham, mas sem nos aproximar da guerra civil. Esse "subgrupo", pelo menos, procurou a negociação. À elite política, cabe também sair da defensiva. Ontem, tivemos o Congresso e o Planalto sitiados.

Poesia no incêndio

O Congresso vazio e cercado lembrava muito A chegada dos bárbaros, poema do magistral Konstantin Kavafys: "Dentro do Senado, porque tanta inação?/Se não estão legislando, que fazem lá os senadores?/ É que os Bárbaros chegam hoje./Que leis haveriam de fazer agora os senadores?/Os Bárbaros, quando vierem, ditarão as leis." O poema pode ser lido no blog da coluna.

Fonte: Correio Braziliense

Sra. Rousseff, alguma coisa acontecendo - Fernando Gabeira

Alguma coisa está acontecendo e eu não sei exatamente o que é. Antes dos conflitos de mano Brasil, recebi o livro de Manuel Castells-Redes de Indignação e Esperança. Castells é professor numa universidade da Califórnia e dedica-se ao estudo das redes e sua importância neste início do século. Examinou a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street, o movimento dos indignados na Espanha e o caso da Islândia.

Antes mesmo desses movimentos, Castells via nas redes o caminho por meio do qual uma nova geração de ativistas buscaria mudança política fora do alcance dos métodos habituais de controle político e econômico. Segundo Castells, esses movimentos são mais voltados para explorar o sentido da vida do que para conquistar o Estado capitalista.

Essa observação é, para mim, curiosa. Nos anos 6o, alguns, como eu, transitaram do existencialismo para o marxismo. Agora, o existencialismo parece estar de volta. De novo, uma parcela da juventude sai em busca do sentido: conectar as mentes, criar significados, contestar o poder é a frase que Castells utilizou para sintetizar o programa dessas redes.

Se isso é verdadeiro para o Brasil, os R$ 0,20 de aumento dos ônibus foram apenas um dos pretextos para expressar a revolta. E os grupos da esquerda clássica, apesar de seu estardalhaço, funcionam aí apenas como aquelas lavagens na pedra que dão aparência de velho ao jeans que acaba de ser fabricado.

Criar significados em política significa também colocá-los na mesa para o debate. Não posso, por exemplo, condenar o Movimento Passe Livre porque no passado apoiei a tese do fim do passaporte no mundo. Até que me deparei com a gigantesca realidade da imigração internacional. A inquietação com o transporte coletivo pode ser existencialmente resolvida com a palavra de ordem passe livre. Mas apenas ela não muda a realidade dos que usam ônibus no Brasil.

O preço é amparado no aumento da inflação, que não deveria ser a única referência. Conforto, pontualidade, respeito ao usuário, condições de trabalho dos motoristas, tudo precisa ser monitorado. Mas existe uma cumplicidade histórica de vereadores e deputados com as empresas de ônibus. No Rio de Janeiro, por anos, houve até pagamento mensal na Câmara. Mensalinho, mensalão, olha pro céu olha pro chão.

Lutar só pelo passe livre nos remete a um ônibus utópico. O que fazer com pessoas esgotadas depois de um dia de trabalho? Dizer, ano após ano, “coragem, irmão, o reino de Deus está próximo”?

A única cidade que adotou o passe livre, Porto Real, no Rio de Janeiro, o fez para atrair grandes empresas que queriam se instalar lá: Coca Cola e Citroen Peugeot. Foi um cálculo econômico e eu vou lá para estudar o caso.

Um dos aprendizados mais importantes para a geração que saiu às ruas no passado é o compromisso com a democracia, o que significa rejeitar a tese de que os fins justificam os meios. A violência derruba as melhores intenções. Ela é o inimigo interno que corrói a simpatia popular e acaba esvaziando as ruas. Em alguns lugares do mundo, governos usam provocadores infiltrados para desmoralizar o adversário.

Conselhos são vistos com desprezo num momento como este. Mas a história não começa do zero. Essa presunção é absurda e só tem validade na cabeça do PT, que acredita ter inaugurado o Brasil, em 2003.

Como as inquietações se transformam em mudanças, se a própria timoneira parece perdida? Dilma diz que está tudo maravilhoso, e tome vaia da torcida. O governo trouxe a Copa do Mundo para o Brasil por achar que isso era uma trunfo eleitoral imbatível. Todos os seus defensores afirmam que foi uma condenação da classe média alta. Como se fosse preciso examinar a renda antes de avaliar o peso de um protesto e como se as ruas de todo o País, de São Paulo a São Gonçalo, estivessem tomadas por gente da alta classe média.


É um momento duro para ela. Mas foi o PT que fez baixar o mais pesado manto de cinismo sobre a vida política brasileira. Dilma afirmou um dia que não tem perfil de candidata. Concordo com sua análise. No entanto, foi eleita num período de crescimento econômico, de esfuziantes gastos oficiais e milhões consumidos na máquina de propaganda.

Isaiah Berlin compara as habilidades de um governante às de um motorista que precisa de reflexos porque se vê, constantemente, diante de situações novas e inesperadas. De nada adiantam erudição e conhecimento histórico nem o batalhão de conselheiros. Há uma solidão inescapável do ofício do estadista.

Dilma foi embriagada pela dose de otimismo que o marketing ministrou. Afirma que são terroristas os que alertam para a inflação. Em seguida, diz que o governo vai dar a volta por cima. Segundo a própria canção, só se dá a volta por cima depois de uma queda e de sacudir a poeira.

Ela lançou uma lei de acesso a informações e proíbe os assessores de divulgar dados sobre suas viagens oficiais, hotéis, comitivas, gastos, sobretudo gastos.

Quando a maré baixa, dizem os analistas econômicos, fica evidente quem está nadando nu. Isso vale para os atores políticos nas grandes viradas históricas.

Lula diz que elegeu postes para melhor iluminar o Brasil. Referia-se a Dilma e a Fernando Hadad. E muito poético, até que se descubra a realidade úmida do poste, quando adotado pelos cachorros da vizinhança.

Para mim, o sistema de dominação que transformou a política brasileira num bordel entrou em declínio.

Na Islândia, que é muito pequena para ser um modelo, as revoltas desembocaram numa substituição do governo, numa nova maneira de gastar o dinheiro e numa Constituição moderna, que busca integrar a participação popular, potencializada pela revolução digital.

Alguma coisa está acontecendo no Brasil. Você pode ser contra, a favor ou mesmo ficar em cima do muro. Mas não pode negar a frase de Galileu Galilei: Eppur si miove” (Ainda se move)

Fonte: O Estado de S. Paulo

Por que(m) os jovens protestam - Mércio P Gomes

É evidente que não é (essencialmente) por causa do aumento da passagem de ônibus, nem tampouco contra os pais ou contra as injustiças do país.

Ontem, dia 13 de junho, participei, um dentre algumas dezenas de coroas, da passeata que saiu do Largo da Candelária até a Cinelândia e de lá até a ALERJ e depois pela Presidente Vargas até a Central do Brasil. Participei acompanhando, batendo palmas e observando, em zigue-zague, os milhares de jovens que, auto-conscientes de suas vidas e de suas paixões, marchavam em alegre, mas contida, manifestação a propósito do aumento das passagens de ônibus. No fim da passeata encontrei meu filho de 18 anos, junto com outros colegas, todos em suas primeiras passeatas, já correndo das bombas e balas de borracha da policia. Um deles foi atingido quase no olho, tal qual a jornalista de São Paulo, soube depois.

Em certo momento divaguei que estava na passeata a favor das Diretas Já, em 1984, tal a festiva e distencionada atitude dos manifestantes. Melhor ainda: não havia um político comandando as massas, uma esperança ilusória de mudanças políticas, uma bandeira de fé. Os pequenos partidos políticos de retórica esquerdista estavam por lá, com suas bandeiras e suas tentativas de controlar, mas eram poucos militantes e não comandavam a massa. Todos pareciam saber que estavam tão somente ensaiando para algo que ainda não sabem o quê é e em quê vai dar, mas que almejam alcançar.

Quase todo mundo tinha menos de 30 anos, estudantes universitários e colegiais. Uns engravatados e umas vestidas de executivas desceram dos seus escritórios para acompanhar, meio embevecidos, alguns um tanto emburrados. Não havia corre-corre, nem empurrões, ninguém perdeu um chinelo no meio da multidão, não se bateu carteira, não rolava bebida, apenas um leve cheiro de erva aqui e ali, quase nenhum momento de azaração. Dois casais se beijavam na boca, sendo um de mulheres. Um único cabeção estorou em frente a um banco e alguns soltavam fraquíssimos foguetes de São João e até as infantis estrelinhas. Já se aproximando da Cinelândia, vi alguém embebendo um chumaço com algum liquido, mas logo constatei que estava tão-somente molhando sua máscara cirúrgica com vinagre. Dizem que para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo.

Caminhavam em grupos de rapazes e moças, certamente colegas, que se abraçavam com outros grupos, de outros colégios ou faculdades, ou conhecidos de redes sociais. Sim, as redes sociais funcionaram no chamamento à passeata.
Tudo parecia improvisado. Os cartazes empunhados por moças e rapazes, alguns com máscaras do farsante, eram de papelão com dizeres em lápis coloridos que mal se enxergava a dez passos de distância. Serviam para os amigos e os fotógrafos documentarem suas ousadias.

Um carro de som se arrastava no meio da multidão puxando as rimas e palavras de ordem. “Se a passagem não baixar, o Rio vai parar”, “Ô, ô, ô, Cabral é ditador”, “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. E o mais esperançoso: “Ô, ô, ô ... o povo acordou”. Em algum momento uma equipe da rede Globo foi encurralada na portaria da Caixa Econômica, e a Globo foi associada, numa rima engraçada, ao seu antigo apoio à ditadura.

Não havia palhaçada, gaiatices, nem palhaços, nem figuras esdrúxulas, como nas passeatas políticas da década de 1980. Nenhuma brincadeira de mau gosto, tampouco. Senti falta das figuras populares, das vestimentas extravagantes, do protesto escrachado; apenas as carrocinhas de cachorro-quente e refrigerante demonstravam que o povão estava presente, a trabalho.

Ao chegar na Cinelândia percebeu-se que a multidão estava compacta e era expressiva, quem sabe umas dez mil pessoas. E não se soube mais o quê fazer, como concluir o acontecimento. Ninguém para fazer um discurso de glória pela manifestação pacífica e orgulhosa, para fazer novos encaminhamentos, para chamar a novos propósitos. Faltou o gozo. O carro de som não podia subir nas calçadas da Praça da Câmara Municipal e virou pela Evaristo da Veiga rumo à ALERJ. Lá deu-se o momento de espetáculo, mas não da glória da passeata, ao subir as escadeiras do Palácio Tiradentes e se agarrar à estátua que adorna a Assembleia Legislativa. Mas nenhuma jovem ousou desfazer-se da blusa e do alto do pedestal empunhar a bandeira da liberdade. Pudor e acanhamento, mas falta muito ainda para a glória ressurgir.

Até aí a policia olhava de uma distância regulamentar, aceitável para todos, que não denotava provocação. Os manifestantes apenas registravam sua presença em fotos, até deles próprios de costas para o símbolo da repressão. Porém, ao se dirigir pela 1º de Maio e dobrar para a Getúlio Vargas, começou a fuleragem. Sacos de lixo foram chutados e rasgados e um grupo de umas 30 pessoas saiu quebrando algumas vitrines, grafitando muros e destroçando as paradas de ônibus. A polícia se eriçou e a porradaria começou.

Foi quando a TV Globo interrompeu sua malsinada novela de fofocas sobre quem é pai de quem, para mostrar as cenas de vandalismo da multidão e demonstrar sua falta de compostura. E provar que tudo não passa de jovens descomprometidos com a realidade do país, sem razão e sem motivos.

Eis o busílis da questão. Há quem ache que tudo não passa de desventuras fúteis o que os jovens estão fazendo. Os noticiários televisivos nos levam a crer que é isso mesmo. Mas uma pesquisa da DataFolha de hoje mostra que mais da metade da população está a favor das manifestações dos jovens indo às ruas. Por que será?

Tem algo no ar que não pode ser desmerecido por comentários derrisórios de jornalistas de plantão e análises superficiais de sociólogos acadêmicos. Uns acham que é ato inconsequente de jovens mimados, falta do quê fazer; outras, que é gente incapacitada para o diálogo. Por que uma comissão de jovens não dialoga com o prefeito? Aos que os jovens desaforadamente respondem: “Como pode haver um diálogo entre o c... e a p...?”

Não se dialoga com a máquina da modernidade líquida, como poderia dizer Zygmunt Bauman. O diálogo sempre é falso e se dá em condições de poder do mais forte e com propósitos farsantes. A máscara do farsante cai bem a propósito da ironia dos jovens.

O Brasil – e alguém diria, o mundo – parece ter virado uma farsa cheia de mentiras, conversa mole, enganações e espetáculos. O derramamento de dinheiro para a Copa, para as Olimpíadas, se contrasta com as ruas esburacadas, com os estádios mal feitos, com as leis ridiculamente draconianas, com as sempiternas filas de hospitais, com a educação às aparências sem sentido, com o trânsito ruim demais, os trens cheios e demorados, com os ônibus – sim, os ônibus e as passagens – para deixar todo mundo revoltado, doente de frustração e de não saber o quê fazer mais. Quase todo mundo já encheu o saco de tudo isso, mas quase ninguém sabe como dizer, agir e mudar. A indiferença prevalece como auto-defesa: “O que se pode fazer, vai tudo continuar do mesmo jeito”, foi o que ouvi de um homem que olhava o acontecimento.

Esta é uma juventude do falso bem-estar brasileiro. Nasceu bem, cresceu sem inflação galopante, sem salários escorchantes, num tempo em que o Brasil foi aos poucos paralisando. Cada um por si, que se dá um jeito. O que está aí é o que é.

Mas, por ironia à modernidade líquida, é uma juventude que quer ao menos cuidar de si. Manifesta-se pelo cuidado com amigos. Os grupos se formam naturalmente, por afinidade ou proximidade, e gostam de estar próximos. Cada grupo cuida de si, mas a inveja ou rivalidade grupal, que já foram tão naturais em outros tempos, não prevalece. Para onde derramar esse amor, ou talvez, carinho, se não há como organizar o mundo de outro modo?

Os garotos das passeatas são condenados ipso facto por serem de classe média. Mas a classe média aí está e crescendo, segundo o governo. Aliás, confundindo classe média com consumo de bens, todos querem ser classe média. Em outros tempos os bem-pensantes diziam que a classe média é quem puxa o povão. Bem que esses garotos gostariam de puxá-lo para a ribalta da luta. Mas o povão não vem porque nada lhes é confiável, ainda, muito menos para protestos contra o preço de passagens e promessas de boa educação para todos.

Os que já passaram do meio caminho da vida também estão frustrados e reclamam pelos cantos como que em desafogo. Perderam a vontade de transformar suas vidas, muito menos as injustiças do país Persistem na farsa do “deixa como estar para ver como é que fica”.

Os jovens haviam se acostumado com isso, mas procuram um meio para sair. Defendem índios e quilombolas, o vetusto Museu do Índio, qualquer pequena causa que lhes traga de volta a identidade de ser no mundo. Não sabem para onde vão, mas quem o sabe?

Quando é a próxima passeata?

Mércio P. Gomes, Antropólogo, professor do HCTE-UFRJ

O governo e o clamor das ruas - Rogério Furquim Werneck

Perplexo, o País tenta entender a onda de manifestações que vem tomando as ruas nas últimas semanas. Há muitas perguntas cruciais sem resposta satisfatória. Como e por que tais manifestações puderam se alastrar por todo o País em tão pouco tempo? Que insatisfações, aparentemente difusas e generalizadas, de fato as inspiram? E por que esse movimento ganhou tanta força logo agora, neste exato momento? São perguntas que o próprio governo deve estar se fazendo.

Três das fontes de insatisfação que vêm sendo apontadas como inspiradoras dos protestos deveriam merecer cuidadosa reflexão em Brasília: a inflação, os reajustes de tarifas de transporte coletivo e os investimentos requeridos para que o País hospede a Copa e as Olimpíadas.

A esta altura está mais do que claro que a presidente Dilma Rousseff mostrou complacência excessiva com a inflação. Basta notar que o Banco Central se dará ao luxo de atravessar todo o atual mandato presidencial com a inflação bem acima do centro da meta. Agora, colhendo o que plantou, o governo constata que uma inflação de 6,5% ao ano já começa a gerar tensões altamente desgastantes.

No vale-tudo em que se converteu a condução da política econômica nos últimos meses, o governo se permitiu tentar conter a inflação por meio de intervenções diretas em preços de maior relevância na composição do índice. No início do ano, desenterrando prática deplorável e oportunista, típica do período de alta inflação, o Planalto pressionou os prefeitos de São Paulo e do Rio para que adiassem o reajuste de tarifas de transporte coletivo por alguns meses.

Fascinado com os supostos benefícios imediatos dessa manipulação, o governo não parece ter dado a devida atenção aos custos do abandono da regra de reajustes de tarifas com periodicidade claramente definida. Quebrando a regra, sinalizou a possibilidade de que a magnitude e o momento do reajuste de tarifas de transporte coletivo passassem a ser objeto de negociação. Possibilidade à qual se agarram, agora, os manifestantes de cada grande cidade do País.

Percebendo afinal as proporções do equívoco, o Planalto deve estar amaldiçoando o momento em que teve a infeliz ideia de abrir essa caixa de Pandora. Se não tivesse "conseguido adiar" os aumentos de tarifas de transporte coletivo em São Paulo e no Rio e os reajustes tivessem sido anunciados normalmente nas datas previstas, no início do ano, é bem possível que os episódios que deflagraram a atual onda protestos não tivessem ocorrido.

Mas a insatisfação com os serviços de transporte coletivo nas grandes áreas metropolitanas do País tem razões bem mais profundas. A ilusão de que boa parte da população urbana poderia continuar para sempre gastando mais de três horas por dia entre a casa e o trabalho, sem maiores protestos, não fazia sentido. Mais cedo ou mais tarde, a conta do vergonhoso descaso com as carências do País em transporte de massa estava fadada a aparecer. Mas o governo tem outras prioridades. Insiste em incentivar a demanda de automóveis e subsidiar gasolina. E, por motivos ideológicos, prefere investir em áreas, como petróleo e energia elétrica, onde a maior parte do investimento poderia perfeitamente ser deixada a cargo do setor privado.

Merece também menção a previsível ressaca de parte da opinião pública com o oba-oba dos custosos investimentos necessários para que o País hospede a Copa e as Olimpíadas. Quanto a isso, parece ter havido cálculo político equivocado em Brasília. "Pão e circo" é uma receita milenar e consagrada de populismo. Mas na Roma Antiga não havia nem Fifa nem Comitê Olímpico. E a entrada no Coliseu era grátis. Já aqui, o povão, visivelmente irritado, ficará de fora do dispendioso circo que está sendo montado. E o governo agora se deu conta de que o público pagante, em eventos transmitidos por televisão a 100 milhões de eleitores, será do tipo que vaia presidente da República. A ideia não era bem essa. Mas agora é tarde.

Economista e professor da PUC-Rio

Fonte: O Globo

Charge do dia - Bora pra rua!!!

Fonte: Jornal O Tempo (MG)

Mariene de Castro - Um ser de luz (Homenagem à Clara Nunes)

Pátria minha - Vinicius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."

quinta-feira, 20 de junho de 2013

OPINIÃO DO DIA – Luiz Werneck Vianna: busca de reconhecimento

De um lado, o afastamento imenso da população, em especial dos jovens, da política e dos partidos políticos. Esse é o primeiro ponto, muito evidente. O porquê do movimento, aparentemente por um motivo quase banal – o aumento irrisório do preço das passagens –, ter desencadeado esta proporção só pode ser entendido como um sentimento que vem se acumulando de exclusão e insatisfação. Ao lado disso, se nas ruas não há vestígios de organização, as redes sociais estão absurdamente dominadas por um diálogo interminável a respeito da situação da geração atual, que tomou forma a partir de um episódio que podia ser entendido como algo de menor expressão. O fato também de terem sido rechaçados por uma repressão muito forte, após seus primeiros movimentos, incendiou a imaginação. Enfim, essa geração se pôs no mundo e está aí a sua marca.

Luiz Werneck Vianna, sociólogo e professor- pesquisador da PUC-Rio. In entrevista, 19/6/2013.

Manchetes de alguns dos principais jornais

O GLOBO
O Brasil nas ruas: Protestos derrubam aumentos em São Paulo e Rio de Janeiro
Em Niterói, Ponte e barcas são fechadas
Enquanto isso, na economia
Neymar dá show e classifica a seleção

FOLHA DE S. PAULO
PROTESTOS DE RUA DERRUBAM TARIFAS
Movimento Passe Livre agora quer transporte gratuito
Pierre, 20, aluno de arquitetura, atacou prefeitura

O ESTADO DE S. PAULO
Haddad e Alckmin cedem, tarifa volta a R$ 3 e MPL mantém ato
Inflação derruba aprovação de Dilma
Dólar vai a R$ 2,20 e Bolsa cai após sinalização do Fed

VALOR ECONÔMICO
Dinheiro do algodão fica em renda fixa
SP e Rio revogam aumento de tarifas
Eletrobras vai disputar Três Irmãos
Reservas de cobre e ouro serão leiloadas

BRASIL ECONÔMICO
Mantega mostra contas e prefeitos baixam passagens
Efeito Fed na bolsa e no dólar
Previ deixa de vender

ESTADO DE MINAS
Eles não nos respeitam, eles, sim!
O preço da vitória

O TEMPO (MG)
Estudantes fecham a avenida Amazonas na manhã desta quinta-feira
Aprovação de Dilma Rousseff despenca 8 pontos percentuais
Comissão aprova isenção do IR para o 13º salário

CORREIO BRAZILIENSE
A voz que não se cala
Fortaleza
Brasília

GAZETA DO POVO (PR)
Após a pressão das ruas, São Paulo e Rio também baixam tarifas
Aprovado, Ato Médico vai à sanção de Dilma
Governo do estado promete divulgar salários

ZERO HORA (RS)
Transporte público: Cai preço da tarifa em SP e RJ
Disparou : Anúncio nos EUA leva dólar a R$ 2,22

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Um país em protesto: Nas ruas e em paz
Regulamentação das domésticas deve demorar

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

O Brasil nas ruas: Protestos derrubam aumentos em São Paulo e Rio de Janeiro

Paes, Cabral, Haddad e Alckmin cancelam reajuste de ônibus, metrô, trens e barcas. BH deve fazer o mesmo.

Prefeitos afirmam que, para compensar, terão de reduzir investimentos em transportes públicos e fazer alterações nos orçamentos. Apesar do recuo dos governantes, líderes do Movimento Passe Livre dizem que manifestações de hoje estão mantidas, e devem acontecer em 80 municípios.

Após 13 dias de protestos que começaram em São Paulo e se espalharam por todo o país, os prefeitos Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Haddad (PT), além dos governadores Sérgio Cabral (PMDB) e Geraldo Alckmin (PSDB), recuaram cancelando reajustes das tarifas de ônibus, metrô, trens e, no caso do Rio, barcas. Em Belo Horizonte, a prefeitura enviou para a Câmara projeto para reduzir tarifas. No Rio, a passagem de ônibus cai hoje de R$ 2,95 para R$ 2,75. As demais reduções entram em vigor amanhã. Tanto Paes quanto Haddad disseram, no entanto, que a decisão forçará as prefeituras a rever investimentos em outras áreas, sem dizer ainda quais seriam afetadas. Apesar do recuo, as lideranças do Movimento Passe Livre disseram que os atos de hoje, que devem chegar a 80 cidades do país, estão mantidos. Para evitar o vandalismo, a PM do Rio decidiu reforçar a segurança no Centro, e manifestantes fizeram apelos pelas redes sociais para tentar conter grupos radicais.

O efeito das manifestações

Governantes de Rio e SP recuam e revogam aumento nas tarifas do transporte coletivo

Thiago Herdy, Luiz Ernesto Magalhães, Fabio Vasconcellos e Ezequiel Fagundes

RIO, SÃO PAULO e BELO HORIZONTE - Apenas 13 dias depois da realização do primeiro ato na Avenida Paulista contra o aumento das tarifas do transporte coletivo, convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), o governador Sérgio Cabral (PMDB), o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciaram ontem a completa revogação dos reajustes, tanto de ônibus urbanos como de metrô, trens metropolitanos e, no caso do Rio, das barcas.

Em Belo Horizonte, pressionado pelo quarto dia de protestos, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) informou que vai enviar projeto à Câmara Municipal que visa à redução da tarifa do transporte. Em Niterói, o prefeito Rodrigo Neves (PT) também anunciou a redução do preço das passagens.

Apesar do recuo das autoridades das duas maiores cidades do país, líderes do Movimento Passe Livre disseram que está mantida a grande manifestação organizada para hoje, que pode chegar a 80 cidades em todo o país. Eles disseram que agora partirão para outras reivindicações.

- Se baixaram de R$ 3,20 para R$ 3,00, então dá pra baixar pra zero - disse Caio Martins, um dos líderes do Movimento Passe Livre.

Tanto Haddad quanto Paes disseram que, para reduzir as tarifas, terão de reduzir investimentos em transportes públicos e fazer alterações nos orçamentos. No Rio, o anúncio foi feito na sede da prefeitura e teria a presença do governador Sérgio Cabral, que cancelou em cima da hora. No caso dos ônibus, as tarifas baixam de R$ 2,95 para R$ 2,75 a partir de hoje, por tempo indeterminado. No caso de metrô, trens e barcas, as reduções entrarão em vigor a partir de amanhã.

Paes antecipou que a decisão forçará a prefeitura a rever investimentos em outras áreas para subsidiar a passagem. Os gastos iniciais podem atingir R$ 200 milhões no primeiro ano, chegando a R$ 500 milhões. O aumento dos ônibus estava em vigor desde o último dia 1º.

No Rio, os cortes poderão incluir até investimentos na melhoria da qualidade dos coletivos. Com a tarifa a R$ 2,95, a prefeitura unificou os preços dos ônibus equipados ou não com ar-condicionado. A unificação permanece com as tarifas a R$ 2,75, mas não está descartado o adiamento do plano de equipar os cerca de oito mil veículos da frota com ar-condicionado até 2016.

- Cabe destacar que a diferença terá que ser arcada pelo poder público. Os reajustes não são concedidos ao bel-prazer do poder público. Existem regras definidas e contrato. Os governos demonstraram a capacidade de ouvir a voz das ruas, mas esse debate não termina aqui. Onde iremos cortar? - disse Paes.

O prefeito acrescentou que a discussão sobre a desoneração tarifária também tem que ser feita em âmbito federal, para reduzir os impactos no orçamento das prefeituras. Ele lembrou que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado estuda outras medidas para desonerar a tarifa:

- Assim como São Paulo, nós não aumentamos as tarifas no dia 1º de janeiro. E esperamos até junho para aumentar as tarifas já com a desoneração do PIS/Confins.

Rio pode seguir exemplo de SP

Paes não esclareceu como seria feita essa compensação para as empresas, alegando que a questão será estudada a partir de agora. Ao contrário de São Paulo, a prefeitura do Rio não concede subsídios diretos para as empresas. Os benefícios são indiretos: as empresas pagam apenas 0,01% de ISS. O repasse poderia exigir, por exemplo, a aprovação de uma lei na Câmara dos Vereadores do Rio para a criação de um fundo, como ocorre na capital paulista.

O secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho Teixeira, disse que, antes de começar a conceder os subsídios, a prefeitura pretende estudar formas de estimular o ganho de produtividade das empresas que operam as linhas de ônibus do Rio. Para este ano, está prevista a implantação de mais três faixas de BRS. A Secretaria municipal de Transportes não esclareceu se esse cronograma será antecipado.

O governador Sérgio Cabral não deu entrevistas. A assessoria do Palácio Guanabara limitou-se a informar que "as tarifas voltaram ao que era antes. E alguns sacrifícios terão que ser feitos". No caso do Metrô, a tarifa cairá de R$ 3,50 para R$3,20, valor praticado até abril. As passagens das barcas, hoje em R$ 4,80 (no caso da travessia Rio-Niterói), voltam para R$ 4,50. No caso dos trens, a tarifa cairá de R$ 3,10 para R$ 2,90.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad anunciaram em um ato conjunto no fim da tarde de ontem a anulação do aumento da passagem de ônibus, metrô e trem, que a partir de segunda-feira passará de R$ 3,20 para R$ 3.

- Queremos tranquilidade para que a cidade funcione, para que os temas legitimamente levantados durante as manifestações possam ser debatidos com tranquilidade - disse Alckmin, que deverá realocar R$ 210 milhões do orçamento para subsidiar a revogação do aumento.

- Vamos ter que cortar investimentos, porque as empresas não têm como arcar com essa diferença - disse o governador.

O secretário de Planejamento estadual, Júlio Semeghini, descartou tirar dinheiro da Saúde e da Educação, por causa do percentual básico obrigatório de investimento. Ele acha que o recurso poderá ser buscado em obras que estão atrasadas e com dinheiro já previsto.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse ter tomado a decisão depois de ouvir o conselho da cidade e afirmou ter tomado a decisão a fim de permitir que o diálogo se restabelecesse na cidade de São Paulo.

- Precisamos abrir a discussão sobre as consequências dessa decisão que foi tomada, para hoje e para o futuro.

No Rio, o professor de História Gabriel Siqueira, de 24 anos, que integra o Movimento Passe Livre, disse que a manifestação de hoje será uma comemoração da conquista e, ao mesmo tempo, servirá para levantar outras bandeiras.

Os líderes do movimento contra o aumento das passagens de ônibus no Rio estão preocupados com a segurança do protesto de hoje. A marcha deve sair da Candelária, às 17h, e ir até a prefeitura.

- Embora o nosso protesto seja pacífico, estamos preocupados com a segurança das pessoas. Vamos fazer o possível para manter o grupo coeso dentro do trajeto que foi votado em reunião - disse Siqueira.

Fonte: O Globo

Mais de um milhão deve ir às ruas hoje em 80 cidades

Protestos acontecem em 17 capitais; convocação é feita nas redes sociais

Juliana Castro, Fábio Vasconcelos e Thiago Herdy

RIO, PORTO ALEGRE e SÃO PAULO - Mesmo depois que São Paulo e Rio suspenderam os reajustes nas tarifas do transporte coletivo, mais de um milhão de pessoas se comprometeram, por meio das redes sociais, a comparecer aos protestos convocados para hoje em pelo menos 80 cidades do país, 17 delas capitais. Além das cidades grandes, as manifestações devem paralisar, ainda, municípios de médio porte. Em um esforço para frear atos de vandalismo - inclusive os saques - os próprios organizadores reforçam, na rede, o caráter pacífico das passeatas.

A reivindicação pelo cancelamento do reajuste das passagens de ônibus já está adaptada à realidade peculiar a cada cidade. As demandas variam entre exigência por mais segurança até construção de barragens. Enquetes checavam os principais pedidos. As pesquisas eram feitas também para sugerir roupas e palavras de ordem. Além do Rio, em Salvador os protestos vão ocorrer em meio aos jogos da Copa das Confederações.

Manifestações simultâneas

No Rio, 231 mil pessoas haviam confirmado presença pelo Facebook, até a noite de ontem. Em São Paulo, os confirmados chegavam a 153 mil. São os dois maiores atos, com base na movimentação virtual. Em seguida, aparecem Recife (97 mil) e Campinas (66 mil). Ao todo, 12 milhões de convites haviam sido distribuídos pelo Facebook - muitos recebem mais de um convite ou não são da cidade onde haverá o ato.

A maior parte das manifestações acontecerá simultaneamente e no horário de saída das pessoas do trabalho. No Rio, o protesto "Um milhão na rua", com início às 17h, vai caminhar da Candelária até a prefeitura. Na capital paulista, a concentração será também às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

"Mesmo com a diminuição da passagem, o ato está confirmado. É muito mais que 20 centavos que queremos. Eduardo Paes afirmou que a redução será paga com recursos públicos (saúde, educação...). Queremos que seja paga do lucro dos empresários", diz texto na página do Facebook que convoca para o protesto no Rio.

No Rio, é grande a preocupação para separar da manifestação pessoas que tenham como objetivo usar a concentração para promover quebra-quebra ou saques. Para tentar manter os manifestantes dentro do trajeto - na segunda-feira, um grupo se deslocou para atacar a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) -, eles vão levar para as ruas carros de som para manter a multidão concentrada e faixas com mensagens sobre as reivindicações que serão usadas para delimitar a área do percurso.

- Embora o nosso protesto seja pacífico, estamos preocupados com a segurança das pessoas. Vamos fazer o possível para manter o grupo coeso dentro do trajeto que foi votado em reunião e firmes nos nossos objetivos - disse Gabriel Siqueira, de 23 anos, professor de história que faz parte do Movimento do Passe Livre.

Rio: PM reforça segurança

A PM do Rio decidiu reforçar a segurança no percurso da manifestação marcada para hoje no Centro e imediações do Maracanã. O esquema montado pela PM, no entanto, não foi divulgado. Por uma coincidência, vários órgãos públicos e escolas deverão estar fechados na hora dos protestos. É que na semana passada, a prefeitura e o governo do estado decretaram ponto facultativo a partir das 14h. A medida foi anunciada entre quarta e sexta-feira passada e tem como objetivo reduzir o impacto no trânsito na região por conta do jogo pela Copa das Confederações, no Maracanã.

A decisão chegou a causar confusão entre alguns servidores, que ontem chegaram a informar que o fechamento dos órgãos teria relação com as manifestações. A Alerj terá ponto facultativo.

Brigada distribuirá panfletos

Em São Paulo, a manifestação ocorrerá na Avenida Paulista, para comemorar a revogação do aumento das tarifas.

- Além de uma festa, será um ato de solidariedade para com as cidades que ainda não conseguiram a redução de tarifa. O anúncio é importante porque ela deixa claro que o preço da tarifa é uma escolha política. Se eles (governador e prefeito) podem aumentar para R$ 3,20 e baixar para R$ 3, podem também baixar para R$ 2 ou para zero - disse Caio Martins, de 19 anos, estudante de História da USP.

A orientação do comando da PM à polícia é a mesma das última duas manifestações: permitir a passagem pela cidade e reprimir apenas atos de vandalismo.

Em Porto Alegre, a Brigada Militar decidiu distribuir na passeata de hoje, no centro de Porto Alegre, 10 mil panfletos direcionados aos manifestantes com justificativas para a presença da corporação no protesto e pedindo ajuda para identificar e coibir eventuais atos de vandalismo. A estratégia foi definida para tentar recuperar a confiança dos ativistas, abalada depois dos episódios de violência da última segunda-feira.

Fonte: O Globo

Sem ajuda federal, Haddad recua e sofre derrota política

Daniela Lima, André Monteiro

SÃO PAULO - Menos de seis horas após declarar que revogar o aumento da tarifa de ônibus poderia ser uma "decisão de caráter populista", o prefeito Fernando Haddad (PT) se viu obrigado a recuar.

Desgastado nas ruas e encurralado pelo próprio partido, anunciou ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) que o preço da passagem voltaria aos antigos R$ 3 no início da noite de ontem.

Foi sua primeira grande derrota política no comando da cidade. Segundo dirigentes do PT, Haddad sai do episódio desgastado com o eleitorado, com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, fiador de sua eleição.

No PSDB, o recuo de Alckmin também desagradou. Tucanos dizem que, ao diminuir a tarifa, ele passa a imagem de que faltou planejamento ou vontade política para segurar o reajuste anteriormente.

Às 11h30, na primeira entrevista do dia, Haddad disse que revogar o aumento afetaria investimentos da prefeitura e só traria benefícios de curto prazo. "A coisa mais fácil do mundo é agradar no curto prazo, tomar uma decisão de caráter populista sem explicar para a sociedade as implicações."

Às 18h, quando posou ao lado de Alckmin para decretar o fim do aumento visivelmente contrariado, mudou o discurso. "É um gesto de aproximação, de manutenção do espírito de democracia, de convívio pacífico."

Entre a primeira e a última fala, a crise política que engolira prefeito e governador desde o início dos protestos chegara ao ápice para o petista.

Desde a semana passada, Haddad é pressionado por dirigentes do PT a revogar o aumento. A pressão se agravou na tarde de terça, quando se encontrou com Dilma e Lula.

Segundo petistas, a reunião foi tensa. Lula e Dilma teriam dito a Haddad que, diante do desgaste político imposto a ele --e ao partido--, o melhor seria recuar. O prefeito então teria argumentado que, se arcasse com o prejuízo da revogação, sua capacidade de investimento iria despencar.

Em resposta, a presidente deixou implícito que já havia feito o que podia para ajudar.

Ontem, o embate com o PT e o Planalto se agravou. Pela manhã, Haddad voltou a dizer que a única possibilidade de reduzir tarifa sem cortar investimento seria com o projeto de desoneração do diesel para o transporte público.

A resposta veio poucas horas depois. À tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou a imprensa para dizer que o governo federal não tinha mais "condições de fazer novas reduções".

Sem apoio de dirigentes do PT, e com as rusgas com a presidente expostas, Haddad foi obrigado a recuar. Telefonou para Alckmin por volta das 16h e seguiu para o Palácio dos Bandeirantes. Às 18h, os dois anunciaram a revogação do aumento para passagens de ônibus, trens e metrô.

A estratégia também foi criticada por petistas. Para eles, Haddad tentou dividir o desgaste com o tucano, mas acabou passando uma imagem de submissão a Alckmin.

Tucanos

Entre os tucanos, também houve críticas a Alckmin. Uma ala do PSDB diz que ele passa a imagem de que ficou "refém" dos protestos e, ao recuar, abre precedente perigoso a um ano das eleições.

Para esse grupo, a partir de agora, sempre que for obrigado a tomar uma medida impopular, Alckmin será "chantageado" por protestos.

Há ainda críticas à justificativa de que o dinheiro para cobrir a redução da tarifa sairá do caixa de investimentos.

Alckmin teria dado munição a quem engrossou os protestos exigindo melhorias no sistema de transporte. "Mudança estrutural se faz com investimento. Ele cai em contradição", diz um dirigente.

A atuação do governador na área da segurança também sai desgastada. Nas ruas, a PM foi criticada num primeiro momento pela truculência e, depois, acusada de ser omissa ao demorar para conter a onda de saques.

Fonte: Folha de S. Paulo

Inflação derruba aprovação de Dilma

Ainda sem efeitos dos protestos de rua, pesquisa CNI/Ibope apontou que a avaliação de ótimo ou bom do governo Dilma caiu de 63% para 55%. A inflação foi apontada como causa.

Inflação afeta popularidade de Dilma, que cai 8 pontos em pesquisa CNI/Ibope

A deterioração da popularidade da presidente Dilma Rousseff detectada pela pesquisa da Confederação Brasileira da Indústria (CNI)/Ibope revelou que o script adotado pela oposição de bater na tecla da inflação surtiu efeito e deixou o governo derrotado na "batalha do tomate", segundo expressão usada pelos próprios petistas numa referência à fruta vilã da alta dos preços, cujo aumento no acumulado do ano foi de 51,6% segundo o IBGE.

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 11 e não detectou o grau de aderência na imagem dos políticos, incluindo a da presidente, das manifestações e protestos dos últimos dias.

De acordo com o levantamento divulgado ontem, a proporção dos que consideram o governo ótimo ou bom caiu de 63% para 55% em relação à última pesquisa, de março. Já os que consideram, o governo ruim ou péssimo cresceu de 7% para 13% - o que, segundo a CNI, é o maior porcentual desde o início do governo Dilma. Outros 32% consideram o governo regular.

Os dados da CNI/Ibope indicaram a tendência de queda na aprovação do governo, já apurada em pesquisa do instituto Datafolha, divulgada no dia 8. Naquela sondagem, a popularidade da presidente passou de 65% para 57%. O Datafolha apurou que a queda na popularidade tinha origem na decepção com a situação econômica do País.

A mesma percepção se repetiu agora. Entre as causas da queda da popularidade do governo Dilma apontadas pela CNI/Ibope está a percepção do brasileiro de que as armas de combate ao aumento de preço têm se mostrado ineficientes.

Segundo a sondagem, 57% desaprovaram a forma como o governo combate a inflação (eram 47% em março).Nesse período, foram intensas as críticas da oposição aos métodos do governo para combater a carestia. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), provável candidato à Presidência, afirmou que Dilma "é leniente" com a inflação. Os programas dos partidos de oposição na TV fizeram forte carga na ineficácia do combate à alta dos preços.

Sem o clamor das ruas. Foram entrevistadas 2002 pessoas em 143 municípios, período anterior ao auge cias manifestações de rua que tomaram conta das capitais nos últimos dias, originadas por um protesto contra o aumento das tarifas de ônibus. Para o diretor executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, por ter sido realiza da num período anterior ao ápice das manifestações, os "dados não contaminaram as razões da queda do governo".

Três áreas obtiveram aprovação por mais da metade da população: combate à fome e à pobreza, meio ambiente e combate ao desemprego. E seis áreas foram desaprovadas: segurança pública, saúde, impostos, combate à inflação, juros e educação.

A área de segurança pública obteve a maior desaprovação, 67%. Mas não houve mudanças significativas em relação ao levantamento feito em março. A saúde também está entre os setores com a pior avaliação. E aumentou de 18% para 25% o porcentual dos que consideram o governo de Dilma pior do que o de seu antecessor e padrinho Luiz Inácio Lula da Silva.

Auxiliares da presidente tentaram minimizar a queda de popularidade, dizendo que os números ainda são muito bons. Afirmaram não acreditar que as manifestações de rua possam reduzir mais a aprovação da presidente. Sustentam, por fim, que não se pode dizer que há uma tendência de queda na popularidade de Dilma.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a pesquisa retrata uma situação episódica. "Não gosto de comentar pesquisa, até porque pesquisa são retratos do momento, que se alteram. Não vejo nenhuma relação de causa e efeito entre um governo que é muito bem avaliado e as manifestações", afirmou ele.

Petistas, no entanto, admitem que a inflação foi o motivo central da queda da popularidade. "Perdemos a batalha de comunicação sobre a inflação e para o tomate", disse o presidente em exercício da Câmara, André Vargas (PT-PR). "Não há dúvidas de que a inflação está persistente e as notícias nos meios de comunicação foram muito desfavoráveis", avalia o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Fonte: O Estado de S. Paulo

A voz que não se cala

O anúncio da redução nas tarifas de transporte público em nada mudou o ânimo dos manifestantes. 0 dia deve ser das multidões.

Enquanto a inimaginável dupla Geraldo Alckmin e Fernando Haddad comunicava a São Paulo a diminuição no preço das passagens, os protestos se estendiam pelo país. Desde a histórica segunda-feira, 82 cidades do interior já saíram às ruas. Grandes atos foram marcados para hoje.

São Paulo e Rio reduzem tarifas

O Palácio do Planalto entrou no circuito para tentar destampar a panela de pressão que fez as ruas de todo o país ferverem nos últimos dias e negociou com os governantes de São Paulo e do Rio de Janeiro a redução das tarifas no transporte coletivo. Os prefeitos do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e de São Paulo, Fernando Haddad (PT), além do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciaram ontem a revogação no aumento das passagens de ônibus, metrô e trens definido no início do mês. Os governantes prometeram que vão rever os orçamentos, e os cortes para cobrir a perda de receita serão feitos nos investimentos. Em São Paulo, as tarifas foram reduzidas de R$ 3,20 para R$ 3. No Rio, de R$ 2,95 para R$ 2,75.

A intervenção do Planalto também serve para pôr um fim nas contradições nos dados e no discurso de Haddad e da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Na terça, Gleisi disse que as medidas de desoneração do governo federal permitiriam uma redução de R$ 0,23 nas tarifas. Haddad rebateu os cálculos, pois a redução nos tributos já havia surtido efeito ao impedir que as passagens subissem para R$ 3,47 em vez dos R$ 3,20 anunciados anteriormente. Na matemática do prefeito, a redução na tarifa de ônibus representará uma perda de arrecadação de R$ 600 milhões por ano.

O prejuízo financeiro não é o único na conta de Haddad, que se viu obrigado a engolir as próprias declarações. Pela manhã, o prefeito tinha dito que reduzir as passagens seria uma medida "populista". "A coisa mais fácil do mundo é agradar a curto prazo e tomar uma decisão de caráter populista." Mais tarde, ele se viu forçado a mudar de ideia. "Foi um gesto de aproximação, de abertura e manutenção do espírito de democracia e convívio pacífico", justificou. "Estaremos em diálogo permanente com a população de São Paulo, nas subprefeituras, para que o orçamento da cidade seja repensado à luz dessa nova realidade", completou, adiantando que terá de reabrir as planilhas de gastos em investimentos e discutir com a sociedade quais serão as prioridades daqui em diante.

Empresas

O governador Geraldo Alckmin admitiu que a administração estadual precisará apertar o cinto. "Nós teremos que cortar investimentos, porque as empresas que suportam (essa diferença de valor) não têm como arcar. O tesouro paulista — orçamento do Estado — vai arcar com esses custos, fazendo um ajuste na área dos investimentos", disse o tucano. Ainda assim, Alckmin entende que a redução é importante para priorizar um transporte coletivo de alta capacidade. Após o anúncio, integrantes do Movimento Passe Livre se reuniram em um bar em São Paulo para comemorar, mas prometeram manter as manifestações marcadas para hoje.

No Rio, o prefeito, Eduardo Paes, fez malabarismo para lembrar que o reajuste no preço do diesel utilizado no transporte público decorreu do aumento no custo de vida nos últimos anos. Mesmo assim, a exemplo dos governantes de São Paulo, retomou os valores cobrados anteriormente. Os administradores das duas cidades já tinham adiado os reajustes de janeiro para junho, a pedido do Palácio do Planalto, para evitar um acréscimo inflacionário.

O governante peemedebista estimou em R$ 200 milhões por ano o impacto da revogação do reajuste das tarifas de ônibus do Rio. Segundo Paes, se a situação se prolongar por mais tempo, esse valor poderá aumentar para R$ 500 milhões.

Efeito cascata

Além de Rio de Janeiro e São Paulo, 11 cidades já concederam redução ou cancelaram o aumento das tarifas do transporte público. A mudança no valor das passagens ocorreu em: Natal, Cuiabá, Recife, João Pessoa, Porto Alegre, Vitória, Montes Claros (MG), Foz do Iguaçu (PR), Blumenau (SC), Pelotas (RS) e Campinas (SP).

Fortaleza

O cartaz era um desafio à Fifa, que proíbe manifestações. Mas a ousadia contra o protocolo não parou aí. A torcida cantou toda a primeira parte do Hino Nacional mesmo sem música nos alto-falantes. Fora do Castelão, 25 mil pessoas criticaram os gastos com a Copa e houve confronto com a PM.

Fortaleza assustada

Manifestantes aproveitaram a visibilidade internacional do jogo entre Brasil e México pela Copa das Confederações, realizado ontem à tarde, no Estádio do Castelão, em Fortaleza, para promover um protesto contra os elevados gastos na construção das arenas do Mundial de 2014 no país. Hoje, grandes atos estão programados para as principais cidades brasileiras. Na capital cearense, a Polícia Militar utilizou bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. Oito policiais, dois repórteres e dezenas de integrantes do movimento ficaram feridos. Um carro da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC) foi incendiado. O confronto durou mais de quatro horas.

A Polícia Rodoviária Federal informou que 25 mil pessoas participaram da manifestação. Organizadores do movimento calcularam 50 mil. Alguns torcedores, com ingresso nas mãos, desistiram de entrar no estádio. A estratégia de transformar os jogos da competição em palco de protesto já havia sido utilizada em jogos no Maracanã, no Rio de Janeiro; Mineirão, em Minas Gerais; e Mané Garrincha, em Brasília.

O ato teve início ao meio-dia, quando uma barreira policial foi montada para evitar que os integrantes do movimento se aproximassem da Arena Castelão. Muitos torcedores, incluindo idosos e crianças, que estavam entrando no local para assistir à partida, sofreram com os efeitos do spray de pimenta utilizado pelos policiais. Uma torcedora chegou a desmaiar ao inalar o gás jogado pela polícia. Ela foi encaminhada a um hospital público e liberada em seguida. Várias crianças correram assustadas e se perderam dos pais.

Parte do grupo que protestava do lado de fora gritava "Não à violência", além de vários xingamentos contra o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), e a presidente da República, Dilma Rousseff (PT). As duas principais vias que dão acesso ao Castelão foram interditadas. Um grande congestionamento se formou em vários bairros de Fortaleza. Apenas duas avenidas davam acesso ao estádio.

Às 15h30, os ânimos se arrefeceram. Após o início da partida, às 16h, um pequeno grupo de manifestantes ainda resistia. Pedras e objetos foram atirados contra os policiais após o Batalhão de Choque arremessar bombas de efeito moral. Quando o grupo estava bastante reduzido, a PM avançou com a cavalaria e conseguiu acabar com o protesto. Às 17h, ocorreu um novo confronto, em menores proporções. Novamente, balas de borracha foram utilizadas. O cenário visto após o fim do protesto era de guerra. Várias barricadas em chamas e muita munição espalha pelo chão. Durante o confronto, manifestantes utilizaram materiais de construção, que estavam espalhados nas proximidades do Castelão. Caminhões do Corpo de Bombeiros estiveram no local para apagar os focos de incêndio.

O jornalista Pedro Rocha, que fazia cobertura para o Comitê Popular da Copa, levou uma bala de borracha no olho. Um repórter do Portal UOL também acabou agredido. "Havia uma barreira policial, para conter o protesto. De longe, mostrei minha credencial. Um dos guardas acenou em sinal de "pode vir". Bem rente ao muro, passei. Fui surpreendido com uma "borrachada" nas nádegas. "O que eu fiz, amigo?, questionei ao policial que me agrediu. "Passou, levou", respondeu ele. Com dor, saí andando", relatou o jornalista Luiz Paulo Montes.

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), lamentou o episódio. "Eu lamento profundamente o que aconteceu. A polícia, desde o começo, em nenhum momento tentou impedir a manifestação. Mas havia pessoas com ingressos comprados que tinham o direito de ir ao jogo. A PM tinha o dever de deixar que isso acontecesse. São pessoas agredidas também. Tomaram pedradas. Mas, de novo, lamento o que aconteceu", ressaltou.

De acordo com informações da Polícia Civil do Ceará, três pessoas foram presas sob justificativa de ter incitado agressão a policiais. Em razão do protesto, a Polícia Militar teve que aumentar a área de isolamento em um quilômetro. A Fifa determina um setor com raio de dois quilômetros.

Arquibancada

Dentro do Castelão, vários torcedores driblaram as regras impostas pela Fifa, que não permite manifestação política dentro dos estádios. Diversos cartazes de protestos podiam ser vistos na arquibancada. "Queremos escolas e hospitais no padrão Fifa", lia-se em um deles. Alguns torcedores levaram mensagens em inglês. A polícia recolheu alguns cartazes. No momento da execução do Hino Nacional, um pequeno grupo de pessoas virou de costas. A grande maioria do estádio continuou cantando mesmo após o sistema de som da arena ter sido desligado. Os jogadores se emocionaram. Novas manifestações estão sendo marcadas em Fortaleza para hoje e amanhã.

Brasília

Liderados pelo Movimento Passe Livre, cerca de 2 mil brasilienses marcharam da Rodoviária para a Asa Sul. Na estação 102 Sul do metrô, um grupo pulou as catracas, no único incidente. Mais de 50 mil pessoas confirmaram, pelas redes sociais, presença na manifestação convocada para hoje na Esplanada.

Da internet para a Esplanada, de novo

Os manifestantes devem se reunir no início da tarde no Complexo Cultural da República e sair antes das 17h pelo Eixo Monumental até chegar à Praça dos Três Poderes. Renato e Catarina não esperavam que a ideia deles — materializada em evento na noite da última segunda-feira, quando houve a ocupação do teto do Congresso Nacional — ganhasse tanta projeção. "Não queríamos que esse momento de mobilização se perdesse. Achávamos que a nossa manifestação teria mil pessoas. Não imaginava nunca que daria tanta repercussão", conta Catarina.

Depois da fama instantânea, eles foram procurados por pessoas ligadas a partidos políticos, mas aceitaram só a colaboração do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB). "Não assumimos qualquer liderança, mesmo porque não é o objetivo. Colaboramos com apoio logístico e também ajudamos a conversar com o governo para garantir uma manifestação pacífica", acrescentou Nicolas Powidayko, coordenador-geral do DCE. Ontem, eles tiveram uma reunião com a Secretaria de Segurança Pública para definir detalhes de policiamento.

Além do DCE, o Acorda, Brasília! recebeu o apoio de representantes e participantes da Marcha do Vinagre, responsável por levar 10 mil às ruas na segunda-feira. Os grupos têm reivindicações e origem semelhantes, como no caso da aprovação da PEC 37. "Amanhã (hoje), vamos apoiar o Acorda. No sábado, quando faremos outra marcha, será a vez de eles nos apoiarem. Queremos levar 50, 100 mil às ruas para os governantes verem que estamos unidos", complementa Wellington Fontenelle, integrante da Marcha do Vinagre.

A ideia é que não apenas estudantes, mas gente com perfis sociais e econômicos mais variados se junte ao grupo. Inclusive quem nunca participou de movimentos sociais. Alunos do Centro de Ensino Médio 6 de Ceilândia Sul, Jonathan Lopes Oliveira e Davi Francisco Andrade, de 18 e 17 anos, irão à Esplanada. Eles contam que o colégio estará em peso na manifestação. "Principalmente nas periferias, as pessoas não se envolviam muito na luta por um país melhor. Agora, nós acordamos. Quero brigar por direitos, ter ensino de qualidade para poder competir no vestibular de igual para igual com o aluno da escola particular", disse Davi. "Comparam o nosso movimento com os caras-pintadas, mas é diferente. Nós lutamos de cara limpa", afirmou Jonathan.

A estudante de direito Samantha de Araújo Medeiros, 20 anos, escolheu sair de casa com um vestido com a estampa da Bandeira do Brasil. Era uma forma de torcer pela Seleção e uma maneira de demonstrar apoio à onda de protestos em várias cidades do país. "Moro no Gama, e o transporte público é péssimo. Ninguém nunca se interessou em resolver esse problema. É hora de colocar tudo o que estava engasgado para fora. As pessoas têm de ir para as ruas, mas sem quebrar nada para não perder a razão."

Os irmãos Leonardo e Rafael Santos, de 14 e 15 anos, moradores da Granja do Torto, apesar de nunca terem escolhido um representante político nas urnas, entendem a importância do ato de hoje. Ontem, às 16h, na hora do jogo do Brasil, eles andavam de skate pelo Conic. Mesmo fãs de futebol de Neymar, eles preferiram não assistir à partida. Era uma forma de protesto. "Os políticos dizem se importar com a educação, mas a escola liberou a gente mais cedo por causa de um jogo de futebol. Ou seja, a Seleção é mais importante do que um dia de aula", queixou-se Leonardo.

Por que eu vou à manifestação

"Eu vou por um país melhor. Quero protestar contra os péssimos serviços prestados. No meu caso, o que me afeta mais é o transporte. Para chegar ao trabalho, tenho que pegar dois ônibus e, dependendo do horário, até três. É inadmissível gastar R$ 12 por dia só para conseguir chegar ao serviço. A juventude tem que aproveitar este momento do despertar da cidadania para exigir mudanças reais."

Paulo Sanchez, 22 anos, funcionário terceirizado do Ministério da Saúde e morador do Park Way

"É a primeira vez que me envolvo em um movimento social e me sinto orgulhosa por participar de um momento histórico do Brasil. Com certeza, será um marco e trará frutos para o nosso povo. A minha principal bandeira será contra a votação da PEC 37. Não podemos admitir que um projeto tão absurdo passe como se fosse algo normal."

Cristiane Diniz, 30 anos, estatística e moradora da Asa Sul

"Eu já precisei de atendimento em hospital público e não consegui ser atendida. Não posso aplaudir um evento esportivo, no qual bilhões foram gastos enquanto milhares de pessoas morrem todos os anos por falta de atendimento. Participo de manifestações em Brasília desde os 16 anos, mas sou completamente apartidária."

Fonte: Correio Braziliense

Popularidade em queda livre

As demandas da população que tem ocupado as ruas do país para protestar e o temor com a repercussão do movimento nas eleições de 2014 acenderam a luz vermelha no Planalto. Para agravar as preocupações palacianas, as recentes pesquisas de opinião, feitas antes mesmo da onda de protestos, mostram que a popularidade de Dilma Rousseff está caindo. Levantamento do CNI-Ibope divulgado na manhã de ontem mostrou queda de oito pontos percentuais no índice de aprovação do governo, que passou de 63% para 55%. A confiança depositada na presidente e a aprovação do jeito de ela governar também caíram oito pontos.

Ontem, as reuniões começaram pela manhã. Dilma chegou às 9h25 ao Palácio do Planalto. A primeira reunião foi com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Duas horas depois, ela convocou os assessores mais próximos para tratar do aumento da insatisfação em relação ao governo. A presidente não almoçou e só deixou a sede do Executivo às 19h20.

Na última terça-feira, Dilma fez o primeiro pronunciamento oficial sobre os protestos e, em seguida, voou para São Paulo, onde se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o prefeito paulistano, Fernando Haddad (PT); o ministro da Educação, Aloizio Mercadante; o presidente nacional do PT, Rui Falcão; e o publicitário João Santana. O fato de o encontro ter reunido caciques petistas e o principal marqueteiro do partido demonstra a preocupação de Dilma com o projeto de reeleição.

O tamanho do prejuízo, entretanto, ainda não pode ser calculado. A pesquisa CNI-Ibope foi feita entre 8 e 11 de junho, antes, portanto, da explosão de protestos no Brasil, ocorridos após o dia 13, quando a polícia reagiu de forma violenta ao ato promovido em São Paulo contra o aumento na tarifa do transporte público. O sistema de ônibus e trens urbanos, aliás, não é o único ponto crítico da gestão Dilma. Mais da metade dos entrevistados reprovaram as políticas de segurança pública, de saúde, de educação, os impostos e a taxa de juros. "Saúde, educação e segurança pública são as três áreas mais desaprovadas. O que a gente vê nos protestos são questões, também, sobre esses temas. Eles geram insatisfação, mas, até o momento, não vinham afetando a popularidade da presidente. Talvez até porque são divididos entre os governos federal, estadual e municipal", afirmou Renato da Fonseca, gerente executivo de Pesquisa da CNI.

Inflação

O especialista destaca que a redução dos índices é significativa e reflete um descontentamento, principalmente, com a inflação. "A aprovação em relação à política de combate à inflação teve uma queda de 10 pontos percentuais, a mais forte entre as nove áreas que pesquisamos", afirmou.

A queda na aprovação do governo na pesquisa de junho em relação à de março foi acompanhada pelo aumento do percentual dos que acreditam que a administração é ruim ou péssima. O índice subiu de 7% para 13%, o mais alto desde o início da atual gestão. No início do mês, pesquisa Datafolha também apontou queda na popularidade da presidente em oito pontos (naquele estudo, o índice caiu de 65% para 57%). No levantamento da CNI, a redução foi de 21% entre aqueles que têm renda familiar superior a 10 salários mínimos e de 5% entre os que ganham até R$ 678.

Vem aí a "Política de Participação Social"

O governo deve lançar, até o fim do ano, uma Política Nacional de Participação Social. Segundo o secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, a ideia está sendo analisada desde o ano passado, mas a reta final das discussões coincidiu com os protestos ao redor do país. Será criado um sistema que conectará as instâncias de diálogo com os governos federal, estaduais e municipais, tais como conferências e conselhos, e ainda agregará contribuições dos cidadãos que não façam parte dessas instâncias. (JB)

Fonte: Correio Braziliense