O Globo
O Brasil está dividido em várias questões,
mas uma fratura na escolha do eleitor é muito reveladora do país que somos. Os
pobres votam em Lula na esperança de um ambiente econômico que os favoreça, os
não pobres de qualquer nível de renda dão mais votos a Bolsonaro. O Brasil
precisa ter foco no resgate dos pobres, mas isso exigirá do próximo governo
políticas fortes e precisas para atacar o agudo da crise, e muita capacidade de
escolha e decisão sobre o uso dos recursos públicos. O combate à pobreza é uma
emergência.
Nada resolverá quem nega a existência do
problema. O
presidente Bolsonaro em mais uma odiosa declaração negou que a fome exista no
país. Ela é uma realidade gritante e, ao dizer o que disse, Bolsonaro só
mostra que governante desprezível ele é.
Na realidade, o que se vê é um país que aprofunda suas divisões de renda. Na Central das Eleições da Globonews, o comentarista Mauro Paulino fez uma pergunta à pesquisa Datafolha. O que acontece com todos os outros recortes — religião, cor da pele, região e gênero — se incluirmos a variável renda como o grande divisor. Ou seja, como votam os pobres evangélicos, católicos, negros, brancos, homens e mulheres, e de qualquer parte do país? O resultado foi impressionante, e os números foram analisados na Central sob o comando de Natuza Nery. Em resumo, os pobres votam majoritariamente em Lula. Entre os não pobres há vantagem para Bolsonaro.