- Valor Econômico
Após pacote de reformas será a vez do Imposto de Renda negativo
A área econômica do governo resolveu “radicalizar” na proposição de reformas para não cair na mesma vala do presidente Mauricio Macri, da Argentina, que não conseguiu ser reeleito e devolveu o poder aos peronistas. O governo também não quer ficar exposto a um eventual enfrentamento de manifestações de protesto que, no Chile, paralisaram o governo de Sebastián Piñera.
O argumento dos assessores oficiais, porém, é de que o Brasil já passou por movimentos de protesto em 2013 e que a eleição de Jair Bolsonaro foi uma resposta da sociedade às questões então colocadas pelos manifestantes.
Avalia-se, na equipe econômica, que Macri foi lento demais e titubeante na proposição das reformas necessárias para tirar a Argentina da crise. Hoje a situação no país vizinho é dramática: déficit público da ordem de 6% do PIB, recessão (queda de -3,1% do PIB), inflação galopante (de 55% ao ano) e cerca de 35% da população urbana está na linha da pobreza.
O acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que daria ao país vizinho acesso a cerca de US$ 57 bilhões, foi considerado pelo presidente eleito, o peronista Alberto Fernández, como “impossível” de cumprir”.
Aqui o governo preparou um pacote de grande porte, com quatro emendas à Constituição (PECs), que derrubam tabus e revolucionam a política fiscal.
O próximo passo, segundo fontes oficiais, será de mudanças radicais também na área social. Pretende-se criar um programa de renda mínima mediante o Imposto de Renda negativo que daria uma nova cara ao Bolsa Família.