O Estado de S. Paulo
Que ele volte, se assim o quiserem as urnas, mas volte mais sensato e responsável, sem o ranço populista que cultivou na juventude
Tendo revolucionado a navegação de longo
alcance, Portugal construiu um formidável império, singrando os mares, como escreveu
Camões, “ainda além da Taprobana” – ou seja, ainda além do atual Ceilão –, mas
depois, em sua prolongada decadência, o país pôs-se a aguardar o retorno de seu
jovem rei Dom Sebastião, recusando-se a crer que ele teria morrido em 1578, na
batalha de Alcácer-quibir.
Essa é a origem do termo “sebastianismo”: a
sofrida espera de um regresso que jamais ocorrerá.
Comparado com Dom Sebastião, Lula tem ao menos duas inegáveis vantagens. Uma, a de estar vivo: quanto a isso não há dúvida. E não perdeu – ao contrário, aprimorou – sua proverbial esperteza. Há até quem diga que o Lula de 2022 supera por larga margem o de 20 ou 30 anos atrás, porque agora consegue perceber, por exemplo, as oportunidades que grandes mudanças na ordem mundial poderão abrir para nosso país, tornando plausível a retomada do crescimento econômico em bases sustentáveis.