sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Vera Magalhães - O voto útil e o abandono do barco

O Globo

Ciro Nogueira está pegando seu banquinho e saindo de mansinho. Diz que vai ali no Piauí e volta já. Será que volta?

A estratégia do QG de Luiz Inácio Lula da Silva em busca do voto útil conseguiu reverter a tendência de praticamente toda a campanha: Jair Bolsonaro perdeu o domínio da narrativa eleitoral a dez dias do pleito. Depois de esgotar todas as cartadas, mesmo a exótica viagem internacional no momento crucial da eleição, o presidente e seu entorno parecem atordoados, perdidos, desmotivados.

A pregação pelo voto “Lula já” surtiu efeito junto a juristas, artistas, economistas, adversários políticos e trouxe até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ex-alvo preferencial do PT, para o debate, ainda que com uma nota em que não dá nomes aos bois, só aos conceitos.

FH fez mais em entrevista há um ano para mim, aqui no GLOBO. Na ocasião, disse que, caso se configurasse um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, não deixaria de se posicionar.

— Se ficar entre Lula e Bolsonaro, temos de escolher entre um dos dois. Da última vez, eu não escolhi. Desta vez não vou fazer isso. É preciso escolher. E eu não vou escolher o Bolsonaro.

Ele foi, portanto, elegante com a senadora Simone Tebet, candidata do MDB que tem o apoio do PSDB. Mas não resta nenhum sujeito indeterminado na sua nota cheia de sujeitos ocultos.

Lula e o PT intensificarão a pesca por declarações de voto emblemáticas, que continuem pautando o noticiário e repercutindo nas redes sociais, ao mesmo tempo que, nas derradeiras oportunidades de entrevistas, debates, lives e horário eleitoral, baterão pesado em Bolsonaro e acenarão aos eleitores de Ciro Gomes e Simone Tebet.

Funcionará? As pesquisas não permitem cravar nenhuma resposta. Mas, da perspectiva lulopetista, não há outra estratégia a seguir. O importante é a dosagem dos remédios, para que não envenenem o paciente. No caso, os eleitores cobiçados e os candidatos alvos do ataque especulativo — que, ao se sentirem desrespeitados, poderão interditar o espaço para diálogo caso o segundo turno, enfim, aconteça.

A maneira como Ciro Gomes reage mostra que a mágoa de 2018 atingiu outra proporção. Até o voto em Lula sem declarar apoio pode ser inviabilizado caso haja segunda etapa da disputa. O inconformismo do candidato do PDT é tal que descalibrou seu discurso, flertando com ideias de uma direita antiestablishment apenas para atacar Lula, não percebendo que o dano maior pode ser à sua biografia.

Enquanto isso, no bolsonarismo, o clima mudou totalmente desde a euforia logo contida com o 7 de Setembro. As pesquisas posteriores mostrando estagnação e leve oscilação negativa do presidente e a péssima repercussão do giro internacional desmobilizaram a tropa. Os vários grupos que compõem o bolsonarismo já começam, nos bastidores, a atribuir a culpa pelo cenário atual.

Se em público satanizam os institutos de pesquisa e a imprensa, os culpados de sempre, em privado já reconhecem o papel que o destempero do presidente e de seus aliados mais radicais, como o deputado Douglas Garcia, teve para segurar a recuperação das intenções de voto e a queda da rejeição.

O Centrão e o próprio Bolsonaro culpam Paulo Guedes pelas más notícias no Orçamento, que desmentem a súbita preocupação social do presidente na reta final do governo. O ministro, se sentindo acossado, até pela ameaça de que, em caso de segundo mandato, seu ministério (e seu poder) será reduzido, reage com nervosismo, abandonando uma entrevista em que fez justamente aquilo de que os aliados reclamam: jogou contra o discurso eleitoreiro. Reativo, atirou contra o colega Ciro Nogueira, a quem acusa de não apoiar Bolsonaro.

De fato, Nogueira está pegando seu banquinho e saindo de mansinho, ao se licenciar da Casa Civil no momento crucial da disputa. Diz que vai ali no Piauí e volta já. Será que volta?

 

13 comentários:

Anônimo disse...

Os primeiros ratos já estão abandonando o barco naufragando de Jair Bolsonaro... Alguns ratões saíram antes do naufrágio: Sergio Moro, Eduardo Pazuello, Abraham Weintraub, pastor Milton Ribeiro. O ratão Ricardo Salles fez que saiu mas continua assessorando informalmente o miliciano mentiroso!

Anônimo disse...

Fora bozo!

Anônimo disse...

Vocês inventam uma narrativa acabam acreditando nela, Bolsonaro vai ganhar no primeiro turno , o povo não vai votar no ladrão cachaceiro e mentiroso não , esquece!!!

Anônimo disse...

Lula ladrão seu lugar é na prisão!

Anônimo disse...

Lula é a favor do aborto, das drogas , da invasão do MST , é a favor da ideologia de gênero, apoia Cuba, Venezuela e Nicarágua que prende padres e bispos e toca fogo nas igrejas católicas
O nove dedos nunca mais!

Anônimo disse...

Mentiroso como seu tocador de berrante, gado!

Anônimo disse...

O que o FHC não falou foi sobre o abandono ao Serra, melhor candidato que o próprio FHC. A favor do Lula seu pior inimigo pessoal e político, por invejoso que é. Sempre achei esse fofoqueiro bobão, o único que em 8 anos nunca deu um aumento de salário aos funcionários. Pão duro também ele é e seu Mal-an de tristíssima memória .

Anônimo disse...

Nossa obrigação é passar esse país a limpo.

Anônimo disse...

Devo dizer, portanto, que moralmente ele é um exemplo a ser seguido.

Anônimo disse...

CADEIA pro genocida! Ninguém aguenta mais tanta mentira e maldades! É o político mais imoral que já tivemos, e ainda quer se apresentar como religioso!

Paulo dos Santos Andion disse...

E por essas e outras que eu escolhi ser Senador e preciso apenas do teu voto e eleito todos verão o momento em que a porca torce o rabo.

ADEMAR AMANCIO disse...

É,não é nada fácil fazer política.

Anônimo disse...

Lula ladrão seu lugar é na prisão!
Abaixo a ditadura do STF!
Viva as liberdades democráticas!