terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Merval Pereira: Faca nos dentes

O Globo

Caminhamos para uma campanha eleitoral em que as regras terão de ser impostas na Justiça, seja pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou mesmo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), já que os candidatos não demonstram disposição para a autocontenção, especialmente o presidente Jair Bolsonaro, desesperado com a derrota iminente.

A exibição de um vídeo supostamente inédito, em que Bolsonaro surge falante depois de uma cirurgia gravíssima, nada mais é do que a tentativa de reavivar o atentado que sofreu durante a campanha de 2018, que ajudou a consolidar seu favoritismo desde o primeiro turno.

Desta vez, sem conseguir subir nas pesquisas de opinião, o presidente apela para imagens populistas, pois a última vez em que teve problema de saúde, provocado por um camarão mal digerido, a imagem no leito do hospital ajudou a melhorar sua popularidade.

Eliane Cantanhêde: Cristianização consentida

O Estado de S. Paulo

Em vez de se unir, os candidatos de centro se multiplicam e se ‘autocristianizam

A política brasileira, e não é a única, está tão bagunçada que criou a figura da “cristianização consentida” na eleição de 2022. O/a político/a assume a candidatura, faz discurso, viaja e dá entrevista, mas ninguém, nem ele e os comandantes do partido, levam a sério. É só para inglês ver e ganhar tempo.

O candidato “cristianizado” é aquele abandonado pelo próprio partido e pelos correligionários, uma alma penada. A expressão vem de 1950, quando o então PSD jogou fora Cristiano Machado e apoiou o favorito Getúlio Vargas, do PTB.

Machado foi “cristianizado”, mas os candidatos atuais se “autocristianizam”, oferecendo seus nomes e biografias a suas siglas, enquanto os caciques conversam, ou negociam, o apoio principalmente a Lula, do PT, e a Jair Bolsonaro, do PL.

Quem está sendo “cristianizado”, mas se rebela, é João Doria, do PSDB, que ganhou as prévias apertado, mas ganhou, e tenta evitar uma revoada tucana, sobretudo para Lula. Doria é guerreiro, mas os tucanos estão fazendo picadinho do PSDB – entre Lula, Bolsonaro, Sérgio Moro (Podemos), Simone Tebet (MDB) e até o voto nulo.

Cristian Klein: Bolsonaro, face inversa do PSDB

Valor Econômico

Tucanos minimizavam costumes; eleitores de presidente, a economia

A polarização entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL) criou um cemitério de candidaturas das quais já nem nos lembramos mais: do apresentador de TV Luciano Huck, ao ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), passando pelo incrível caso de João Amoêdo (Novo), alijado da própria legenda que fundou. Em comum, aqueles que tiveram pouco poder de fogo para se manter na disputa padeceram, entre outros fatores, dos ataques vindos das hostes do bolsonarismo.

Em campanha desde o primeiro dia de mandato, Bolsonaro agarrou - com unhas e dentes; cargos e emendas; motociatas e ameaças de quartelada; ‘fake news’ e destruição de reputações - a oportunidade que lhe caiu no colo em 2018: a de ser o dono do campo político-ideológico que começa no centro democrático e vai à extrema-direita militarista, fascista e defensora de nazistas.

Luiz Carlos Azedo: Comandantes militares não vão para Moscou com Bolsonaro

Correio Braziliense

A cooperação militar do Brasil com a Rússia é historicamente limitada, por causa da aliança com os EUA e a Inglaterra. Um avanço nessa área, em meio à crise ucraniana, seria um naufrágio

O comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, não viajou, ontem, com o presidente Jair Bolsonaro para Moscou, que vai à Rússia a convite do presidente Vladimir Putin. Era o único comandante das Forças Armadas que estava confirmado na comitiva, que inclui os generais do Palácio do Planalto: o ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França, e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, além do secretário de Assuntos estratégicos, almirante Flávio Rocha. Garnier testou positivo para covid-19. O protocolo russo para a visita exige testes ao longo da viagem de toda a comitiva. Bolsonaro se reunirá com Putin amanhã.

Entre os principais assuntos a serem tratados na viagem, a compra de fertilizantes russos por parte do Brasil é o mais importante. O presidente encontra Putin num momento de grande tensão internacional, na qual o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro britânico, Boris Jonhson, afirmam que existe uma ameaça de invasão iminente da Ucrânia por tropas russas e prometem duras retaliações, se isso ocorrer.

Míriam Leitão: O BC descola do ciclo eleitoral

O Globo

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o BC está “totalmente preparado” para todas as turbulências deste ano eleitoral. Pela avaliação dele, vários preços estão mostrando que “o mercado está menos receoso da passagem de um governo para o outro”, porque “provavelmente um governo que representava um risco de medidas mais extremas está se movendo para o centro”. Campos Neto disse que não estava fazendo análise de candidato, mas avaliando o que indicam os preços do mercado.

A pergunta que eu havia feito era sobre a eventualidade de o ex-presidente Lula, favorito em todas as pesquisas de intenção de voto, ganhar a eleição. Quis saber se esse cenário estava “precificado”, como eles dizem no mercado, ou se haveria turbulência. A resposta integral dele é bem importante.

Carlos Andreazza: Guedes injustiçado

O Globo

A novidade da semana passada foi, via ata do Copom, a declaração de independência do Banco Central; isso quase ano depois de formalizada pelo Parlamento — período em que o presidente do BC se sentiu à vontade para participar de encontros de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes com empresários e banqueiros.

O Banco Central afinal deixando, em fevereiro de 2022, de se comportar como secretaria do Ministério da Economia; Roberto Campos Neto não mais assessor do ministro, não mais aquele que, convencido pelas palestras de Guedes, aplicaria os discursos motivacionais à política monetária.

Campos Neto abraçou a tese de que a pandemia entraria em 2021 desdentada, a recuperação econômica voando, o Brasil a poder prescindir do auxílio emergencial, o país que surpreenderia o mundo; daí por que pau na máquina da queda de juros, a inflação sendo produto circunstancial de cenário já superado — Guedes palestrara.

E Guedes é aquele que palestra, que erra e erra e que nunca tem culpa, seu erro sendo, no máximo, problema de comunicação — como culpa, segundo Guedes, jamais terá Bolsonaro. Lembro a recente entrevista do ministro ao Estadão, mui aborrecido porque os críticos teriam ignorado o impacto da peste sobre a agenda econômica; como se não tivesse sido ele a fazer projeções delirantes que ignoravam a carga da pandemia.

Felipe Salto*: Teto de gastos 2.0

O Estado de S. Paulo

O teto de gastos foi uma inovação importante no arcabouço das chamadas regras fiscais, normas para tutelar as contas públicas. A maior parte dos economistas, hoje, defende algum tipo de controle sobre o gasto, mesmo que seja diferente da versão de 2016, maculada para sempre por três emendas à Constituição em 2021. A ideia de um teto 2.0 pode ajudar neste debate.

Luc Eyraud, Xavier Debrun e coautores publicaram, em 2018, um estudo valioso sobre regras fiscais (Second-generation Fiscal Rules: Balancing Simplicity, Flexibility, and Enforceability). Em geral, eles mostram que essas normas estão correlacionadas com níveis de endividamento e déficits (receitas menos despesas) mais modestos.

Alvaro Costa e Silva: Faroeste eleitoral

Folha de S. Paulo

Bolsonaro, de novo, tenta alterar o Estatuto do Desarmamento

Se fosse um filme dos Três Patetas, a cena não teria graça, mas talvez conseguisse entreter a plateia já entorpecida por outras idiotices. Como ato público de um presidente da República que se orgulha de seu passado como capitão do Exército, só uma palavra define: ridículo.

No papel de Moe, com aquele cabelo em forma de cuia, Bolsonaro tenta disparar uma pistola e não consegue. É então ajudado por Larry, quer dizer, o vereador Carlos Bolsonaro, e depois por Curly, o instrutor do clube de tiro em Brasília. Inábil ou temeroso demais para apertar o gatilho, Moe demonstra irritação, mas antes de partir para a violência gratuita —tapas, socos, pontapés, nariz torcido, dedada no olho, habituais nos Três Patetas— o registro das imagens é cortado, frustrando a galera bolsonarista das redes sociais.

Cristina Serra: O agro e a agenda da morte

Folha de S. Paulo

O peso do setor no PIB não pode ser uma licença para matar

Li uma vez, duas, três, até me convencer que era real o que estava escrito: Jonatas, de nove anos, filho de um líder de trabalhadores rurais, foi assassinado a tiros, em Barreiros, Pernambuco, por pistoleiros que invadiram a casa da família. Aterrorizado, o menino estava escondido embaixo da cama, de onde foi arrancado para ser executado na frente dos pais.

Até o momento em que escrevo, não vi nenhuma manifestação de indignação por parte do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). Oferta de proteção à família do pai da criança, Geovane da Silva Santos? Nada. O crime aconteceu há quatro dias.

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

EDITORIAIS

É preciso encorajar esforço diplomático para evitar guerra

O Globo

A visita de Jair Bolsonaro à Rússia será precedida por outra bem mais importante para Vladimir Putin e para o mundo. Putin recebe hoje em Moscou o chanceler alemão, Olaf Scholz, cujo objetivo é desarmar a ameaça de invasão da Ucrânia, desencadeada pela mobilização de quase 130 mil soldados russos, a maior na Europa desde a Segunda Guerra. Scholz e o francês Emmanuel Macron têm conduzido o esforço mais promissor para evitar um novo conflito em solo europeu. É preciso encorajar essa iniciativa, promovida pelos dois países que costuraram o cessar-fogo em vigor desde a invasão russa de 2014, no grupo batizado de Formato Normandia (França, Alemanha, Rússia e Ucrânia).

É difícil decifrar os objetivos reais de Putin com sua nova aventura militar. Da última vez, ele fez um ataque de surpresa, com tropas disfarçadas, para ocupar regiões ucranianas de maioria russa. Desta vez, seus movimentos são acompanhados em tempo real em imagens de satélite, enquanto os Estados Unidos têm soado sucessivos alarmes para o risco, desmentidos também em tempo real pelo governo russo.

Poesia | Joaquim Cardozo: Recordações de Tramataia

Eu vi nascer as luas fictícias
Que fazem surgir no espaço a curva das marés.
Garças brancas voavam sobre os altos mangues de
Tramataia.
Bandos de Jandaias passavam sobre os coqueiros doidos
de Tramataia.
E havia um desejo de gente na casa de farinha e nos
mucambos vazios de Tramataia
Todavia! Todavia!
Eu gostava de olhar as nuvens grandes, brancas e sólidas.
Eu tinha o encanto esportivo de nadar e de dormir.
Se eu morresse agora,
Se eu morresse precisamente.
Neste momento,
Duas boas lembranças levaria:
A visão do mar do alto da Misericórdia de Olinda ao
nascer do verão.
E a saudade de Josefa.
A pequena namorada do meu amigo de Tramataia.

Música | Alceu Valença - Bom demais

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Ricardo José de Azevedo Marinho*: No coração da Jangada de Pedra

A institucionalização da democracia na Espanha com os Pactos de Moncloa não só importou a criação de novos direitos e de novos procedimentos destinados a lhes conceder eficácia, como também ensejou um ambiente propício para que antigas instituições renovem sua forma de atuar e se atualizem na complexa cena contemporânea. Esta é bem a discussão que envolve o Trabalho, do qual é testemunha a legitimação do chamado salário-mínimo interprofissional (SMI) com o concurso das organizações sindicais e as associações empresariais, inovando o sistema dos deveres e direitos do trabalho. Importa reter que isso não nada tem a ver com as medidas urgentes com vistas à reforma trabalhista e esse equívoco e confusão acabou por colocar o Governo diante de uma saia justa.

Mas como é uma prerrogativa legal concertada e ofertada a partir de iniciativa do Governo (isto sim passível de se fazer benchmarking governamental), ele apresentou a proposta para fazer o SMI chegar aos 1000 euros mensais. Para, além disso, tal mudança teria vigência retroativos para 1 de janeiro de 2022. É um aumento de 35 euros em relação ao vencimento mínimo atual, de 965 euros mensais.

Depois de se reunir com as organizações sindicais e as associações empresariais, o Governo confirmou que pretende chegar o SMI para aquele patamar de 1000 euros com 14 contraprestações.

Fernando Gabeira: O Brasil precisa de ar

O Globo

‘Não consigo respirar.’ Essa frase de George Floyd ecoou pelos Estados Unidos, e sua morte, por asfixia, inspirou o movimento Black Lives Matter e foi decisiva no ano das eleições.

O massacre de um jovem congolês no Rio e o assassinato de um homem negro que voltava do trabalho, assim como centenas de prisões injustificadas, também revelam uma asfixia angustiante e podem influenciar as eleições de 2022 no Brasil.

Como assim? Há gente com dificuldade de respirar porque a pandemia ainda está aí, com dificuldade de comer porque a fome aumentou. Como transformar todo esse drama em algo produtivo numa campanha eleitoral?

É uma pergunta que transcende o simples ato de votar. Quem tem consciência do buraco em que nos metemos — crise social, devastação dos recursos naturais, imagem internacional no chão — pode, pelo menos, pedir dos candidatos que se comportem à altura do desafio.

Isso significa também empurrar a política para novos horizontes. O caso do racismo é típico. Se observamos o comportamento de algumas empresas, da própria publicidade, constata-se uma tentativa de adaptação aos novos tempos.

Marcus André Melo*: Mentiras públicas

Folha de S. Paulo

Como explicar mudanças bruscas na opinião pública?

Em 6/10/1989, Erich Honecker, o secretário geral do PC da República Democrática Alemã (RDA), presidiu a celebração de 40 anos do regime, em uma enorme e pomposa cerimônia, simbolizando a força do regime e sua estabilidade. Doze dias depois, demitiu-se. Decorridos 20 dias, o muro de Berlim seria derrubado. Menos de um ano depois, a RDA não existiria mais, dando lugar ao surgimento da nova Alemanha unificada.

Processos semelhantes ocorreram na transição de regimes autoritários para democracias (ex. Primavera Árabe, 2011). Seu traço distintivo é a rapidez. Nenhum analista os havia antecipado malgrado sua enorme importância histórica: havia poucos sinais de mobilização ativa na população ou na opinião pública que pudessem sugerir o que estava para vir.

Celso Rocha de Barros: Moro vai desistir?

Folha de S. Paulo

Direita não bolsonarista preserva ex-juiz como opção, mas ninguém grande aderiu à sua candidatura até agora

Na semana passada o site O Antagonista publicou um texto do jornalista Cláudio Dantas especulando sobre a possibilidade de Sergio Moro desistir de sua candidatura presidencial para se candidatar a deputado federal.

O Antagonista sempre funcionou como porta-voz de Moro, o que criou a sensação de que o próprio ex-juiz quis que a ideia circulasse.

Se era para desistir tão cedo, por que Moro se lançou candidato?

Se esperava uma grande onda nacional que o levasse à liderança das pesquisas, leu muito errado a situação política. A onda da Lava Jato foi em 2018. Moro apoiou Bolsonaro. Deu nisso aí. Como diria a voz da consciência do apresentador Monark, "achou que ia acontecer o quê?".

O mais provável é que Moro esperasse um número maior de apoios políticos. A chamada "terceira via" é a centro-direita brigando para tomar de Bolsonaro a liderança do campo conservador.

Denis Lerrer Rosenfield*: Liberais e conservadores

O Estado de S. Paulo

Se não há uma verdadeira política liberal no atual governo, é porque não há nenhuma vontade de que isso aconteça

O ambiente político está cada vez mais bisonho. Fala-se de um suposto embate entre conservadores e liberais no atual governo, como se lá existissem no sentido estrito do termo. Segundo esta versátil narrativa, adaptável segundo as circunstâncias, o presidente e os seus ministros se eximem de qualquer responsabilidade, como se nada fosse de culpa deles, tudo sendo sempre atribuído a outros. Podem ser o “sistema”, o “establishment”, o “comunismo” ou qualquer outra bobagem do mesmo tipo. Na verdade, se não há uma verdadeira política liberal no atual governo, é porque não há nenhuma vontade de que isso aconteça. Não corresponde à ideologia e aos interesses que o presidem.

Ana Cristina Rosa: O país dos sem-sem

Folha de S. Paulo

Há mais de 11,5 milhões de jovens nessa condição no Brasil, e a maioria é negra

Na porta de um supermercado do Plano Piloto, área nobre de Brasília, uma adolescente e um menino pedem itens da cesta básica a quem ingressa no local. "Pode comprar um litro de óleo para me dar, tia?", pergunta ela ao me ver passar. Apressada e constrangida, entro no comércio. Na saída, entrego o mantimento e pergunto a idade da dupla. Ela tem 15, ele, 9 anos. São irmãos. Ambos deixaram de frequentar a escola durante a pandemia e têm se dedicado a ajudar a levar comida para dentro de casa.

Irapuã Santana: RIP, Moïse e Durval

O Globo

Um rapaz de apenas 24 anos trabalhou num local por algum tempo. Como era de esperar, desejava receber pelos seus serviços. O valor? R$ 200. Não recebeu e resolveu pedir o que era de direito, no dia 24 de janeiro. Entretanto foi recebido com violência, derrubado por vários homens, virou alvo de socos, pontapés e pauladas até não resistir e morrer.

O jovem era congolês e tinha nome Moïse Mugenyi Kabagambe.

Na semana seguinte, no dia 2 de fevereiro, um homem voltava do trabalho para casa, quando, ao tentar abrir o portão de sua garagem manualmente —o que poderia acontecer com qualquer um —, foi vítima de três disparos feitos pelo vizinho, que alegou tê-lo confundido com um ladrão. Era brasileiro e também tinha nome —Durval Teófilo Filho.

Esses dois fatos extremamente lamentáveis, que devem ser considerados crimes bárbaros, guardam uma característica em comum: a cor da pele das vítimas.

Mirtes Cordeiro*: A crise do Ensino Básico no Brasil não é culpa da pandemia

O Brasil não vive uma crise educacional, como muitos pensam. Na verdade, o país não conseguiu estruturar o seu sistema de ensino, como fizeram outras nações desenvolvidas há muito tempo, só executando essa tarefa após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988.

A Constituição Brasileira de 1988 e a Lei de Diretrizes e Base da Educação de 1996 (LDB) apontaram os caminhos. Ensino Básico, direito de todos e dever do Estado, obrigatório e gratuito nas escolas públicas.

Através de muitos estudos já realizados podemos observar que são longos os prazos para se cumprir as leis e implantar programas ou planos determinados. Os dirigentes políticos não se empenharam o suficiente pela educação brasileira, nem a sociedade se sente capaz para reivindicar o direito de todos, quando se refere à educação que é o ensino básico com qualidade em escolas públicas, gratuitas e com boa qualidade.

Antônio Gois: Prioridades de Bolsonaro

O Globo

Na semana passada, o governo Bolsonaro enviou sua lista de projetos prioritários para votações no Legislativo neste ano. Além do homeschooling, que já aparecera em 2021, foi incluído na educação um projeto da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) que estabelece o fim do sistema de ciclos, popularizado por seus críticos como “aprovação automática”. A justificativa que consta do projeto é uma peça exemplar do bolsonarismo raiz: um conjunto de achismos sem base em qualquer evidência científica. 

A repetência é dos poucos temas na literatura acadêmica em que a conclusão é inequívoca: trata-se de péssima estratégia, pois o principal efeito é aumentar a probabilidade de evasão sem elevar a aprendizagem, como mostra a revisão de meta-análises (estudos mais robustos por agregar o resultado de um conjunto de pesquisas) feita por John Hattie no livro “Visible Learning”.

Miguel de Almeida: Chico, devolva o meu Chico Buarque

O Globo

Ao velar por sua canção “Com açúcar, com afeto”, sob o peso da guerra identitária, Chico Buarque acende a fogueira para o Touro de Bronze.

Soa como lenda, mas é comum no Brasil tão afeito a realizar copy/paste de qualquer desatino da esquerda norte-americana.

Ali pelo século VI (a.C), o artesão Perilo de Atenas presenteou o tirano Faláris, de Agrigento, com o Touro de Bronze.

Radiante e pérfido, Faláris pediu a Perilo que entrasse no interior oco de sua criação, logo colocada sobre uma fogueira. Para respirar, o escultor buscou ar pela boca do touro —e passou a “mugir” de dor enquanto era assado.

É uma das mais dramáticas máquinas de tortura inventadas pelo homem e pode ser vista ainda agora como uma metáfora para as boas intenções.

Constrange Chico Buarque, poeta a quem se deve reverência, executar em praça pública sua canção “Com açúcar, com afeto” por entender que a letra exalta um cotidiano feminino subjugado, retrato em preto e branco a ser retirado da memória. A canção é universal justamente por não ser arte engajada, como desejam os arautos da guerra identitária.

Entrevista: ‘PT tem que botar a sandalinha da humildade', diz Jaques Wagner

Senador afirma que o nome do ex-governador Geraldo Alckmin como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não está pacificado dentro do partido

Julia Lindner e Bruno Góes / O Globo

BRASÍLIA — Pré-candidato ao governo da Bahia e integrante da ala moderada do PT, o senador Jaques Wagner diz que o nome do ex-governador Geraldo Alckmin como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não está pacificado dentro do partido, mas defende que o antigo adversário cumpre um requisito essencial ao posto: “ser complementar ao presidente”.

Em meio ao favoritismo indicado pelas pesquisas, o parlamentar afirma que os integrantes do PT devem “botar a sandalinha da humildade” e evitar um clima antecipado de vitória. Para ele, que considera Sergio Moro um adversário mais fácil a ser batido do que o presidente Jair Bolsonaro, em caso de segundo turno, o Centrão, inevitavelmente, será atraído para a base em um eventual governo do PT.

O senhor concorda com a análise de que o centro ficou deslocado nesta eleição?

Acho que se faz uma análise da polarização, ou anseio da terceira via, muito pela característica do atual presidente. Todas as eleições, à exceção de 1989, que tinha 15 candidatos, foram polarizadas. A diferença entre 2018 e as demais é que, antes, a polarização era entre dois conjuntos que tinham um projeto para o Brasil (PT e PSDB). Gosto de dizer que as duas boas novidades após o regime militar foram PT e PSDB. Essa ânsia de terceira via ocorre pelo deslocamento de um dos projetos políticos e a chegada ao poder de alguém que não tem projeto nenhum, só fanatismo e truculência. É uma anomalia que está nos custando caro.

Lula e Alckmin reiteram aliança e evitam ‘salto alto’

Ex-presidente e ex-governador, que se reuniram na casa de Fernando Haddad, pediram a aliados que evitem clima de ‘já ganhou’

Por Marcelo Ribeiro / Valor Econômico 

BRASÍLIA - Em seu terceiro encontro desde o ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin demonstraram sintonia e disposição para caminharem juntos na corrida presidencial deste ano. A eventual dobradinha na disputa pelo Palácio do Planalto está “99% concretizada”, segundo relatos de participantes de um jantar em que eles se reuniram na sexta-feira na casa do ex-prefeito Fernando Haddad.

Líder nas pesquisas de intenção de voto à Presidência da República, Lula reforçou que a composição com o ex-tucano tem potencial para atrair uma parcela do eleitorado de centro e de centro-direita, que resistiriam a embarcar em uma chapa composta apenas por políticos associados a partidos de esquerda.

Ainda que as conversas estejam praticamente finalizadas, a expectativa é que a confirmação da dobradinha ocorra apenas em março, quando o ex-governador de São Paulo também decidirá sobre o seu futuro político.

Bruno Carazza*:Política e videogames

Valor Econômico

Como num jogo, eleição depende das skills e avatares dos candidatos

Eliot Nelson cobriu por muitos anos a política em Washington, D.C. Entre 2010 e 2017, editou a newsletter “HuffPost Hill”, que analisava diariamente, com profundidade e bom humor, os bastidores do principal centro de poder mundial. Há três anos, porém, o jornalista largou tudo para se dedicar integralmente a um projeto bem diferente: criar um videogame.

Na verdade, nem tão diferente assim. De acordo com o suplemento “On Politics”, do “New York Times”, Nelson está desenvolvendo um jogo que emula as artimanhas, acordos e trapaças da disputa pelo poder. Contando com a colaboração de analistas políticos com experiência em acompanhar a Casa Branca e de ex-assessores de deputados e senadores, o projeto Political Arena (esse será o nome do game) arrecadou mais de US$ 100 mil numa campanha de financiamento coletivo e sua primeira versão deve sair no fim do ano.

O que a mídia pensa: Editoriais /Opiniões

EDITORIAIS

Desprezo pela ciência provoca fuga de cérebros

O Globo

Em novembro, o brasileiro Tulio de Oliveira reportou ao mundo o surgimento de uma nova variante do Sars-CoV-2, sequenciada por ele e sua equipe na Universidade KwaZulu-Natal, na África do Sul. A nova cepa, batizada Ômicron pela OMS, logo se tornaria dominante no planeta. Em pouco mais de dois anos de pandemia, não foi raro ver brasileiros participando de pesquisas, ajudando a desenvolver vacinas contra a Covid-19 ou integrando a linha de frente do combate ao vírus noutros países. Cada um tem seus motivos para o exílio. Eles integram uma legião cada vez maior de brasileiros das mais diversas áreas que brilham longe da terra natal.

Não é uma tendência nova, mas ela se acentuou nos últimos anos. A falta de incentivo, os parcos financiamentos para projetos e pesquisas e os maus-tratos à ciência pelo governo Bolsonaro têm aumentado o êxodo. O mundo acadêmico já se refere à fuga de cérebros como uma diáspora. Como mostrou reportagem do GLOBO, há de 2 mil a 3 mil pesquisadores brasileiros trabalhando no exterior. Trata-se de mão de obra altamente qualificada (resultante de altos investimentos em educação), que parte em busca de melhores oportunidades, condições de trabalho e reconhecimento. O futuro do país está tomando o caminho do aeroporto.

Poesia | Carlos Drummond de Andrade: Um Homem e o seu Carnaval

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensão.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.
O pandeiro bate
É dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.
Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

Música | Elba Ramalho - Banho de Cheiro / Frevo Mulher / Asa Branca

 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Merval Pereira: O mito da imparcialidade

O Globo

A questão da imparcialidade na justiça brasileira, discutida desde que o ex-juiz Sérgio Moro foi considerado “suspeito” no processo que condenou o ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá, ganha novos ares com um trabalho da jurista Bárbara  Gomes Lupetti Baptista em número recente da revista Insight Inteligência, baseado em uma pesquisa empírica que realizou no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro há dez anos, que ela comparou com a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Ela não se refere ao caso recente de perseguição a Moro por parte do Tribunal de Constas da União (TCU), mas demonstra que a proximidade do Ministério Público com a magistratura é corriqueira no sistema judiciário brasileiro. Nesse caso atual, essa relação está explicitada na relação do Subprocurador do Ministério Público de Contas Lucas Furtado com o ministro do TCU Bruno Dantas.

Também o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que comandou o julgamento da Segunda Turma que considerou Moro “suspeito”, não está citado, mas é exemplo de juiz que julga segundo critérios próprios de Justiça, colocando seus pontos de vista acima dos regulamentos, como acusa Moro de ter feito. A mudança de voto da ministra Carmem Lucia, determinante para a condenação de Moro, também é referida no trabalho como exemplo da fluidez do conceito de “imparcialidade”.

Elio Gaspari: Flávio Bolsonaro disse quase tudo

O Globo / Folha de S. Paulo

Na sua entrevista à repórter Jussara Soares, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse quase tudo:

— Para mim, quem soltou o Lula foi o Moro. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, ele fez coisas que estavam fora da lei. Era só ter cumprido a lei que o Lula estava preso até hoje.

Quase tudo, porque não há como garantir que, cumprindo-se a lei, Lula estaria preso. Quase tudo, porque também faltou lembrar o famoso tuíte do general Eduardo Villas Bôas. Mesmo assim, é certo que ao divulgar às vésperas do primeiro turno a colaboração do ex-ministro Antonio Palocci, Moro levou água para o moinho de Bolsonaro. Fortaleceu-o aceitando a costura de Paulo Guedes, ocorrida (sem divulgação) pouco antes do segundo turno.

Bernardo Mello Franco: O milagre das emendas

O Globo

O pastor e empresário José Wellington Bezerra da Costa é autor de um best-seller de empreendedorismo evangélico: “Como ter um ministério bem sucedido”. Na segunda-feira, ele atualizou seu manual para a Era Bolsonaro. Ensinou como usar dinheiro público para eleger políticos ligados à igreja.

Em reunião com deputados e pré-candidatos, o chefe da Convenção Geral das Assembleias de Deus explicou o que dizer a prefeitos que buscam verbas federais. “Você quer dinheiro? Quero. Mas chame então um pastor da Assembleia de Deus”, lecionou.

O pastor deu sua receita para a partilha de emendas parlamentares. “É o seguinte: a verba só vai para o prefeito por intermédio do pedido do pastor da Assembleia de Deus”, disse. “O eleitorado não é do prefeito. São irmãos em Cristo que estão nos apoiando para que nossos candidatos continuem trabalhando”, acrescentou.

A preleção foi registrada em vídeo revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo. Procurado, José Wellington confirmou as declarações e disse mais: “O candidato da minha igreja, eu ponho ele no púlpito, eu ponho ele na minha casa, eu ponho ele no meu carro, eu ponho ele onde eu quiser”.

Míriam Leitão: O racismo é tema central

O Globo

Há uma lucidez nas férias que ajuda o jornalismo. Às vezes, a distância da correria diária permite um olhar mais agudo sobre o país. As tragédias recentes atingindo negros colocam o combate ao racismo como ponto central de qualquer projeto de futuro. Não precisamos de mais mortes para entender que esse problema pode destruir a Nação, se não for encarado com coragem, obstinação e propostas objetivas. Séculos de violência contra o povo preto nos olham desafiadores.

Dorrit Harazim: Umbral de guerra?

O Globo

O livro “Kamikaze Diaries: Reflections of Japanese Student Soldiers”, de Emiko Ohnuki-Tierney, não é volumoso (265 páginas na edição em inglês) nem recente (2007). Em compensação, é impossível esquecê-lo. A obra corrige de forma definitiva um dos clichês da Segunda Guerra mais difundidos no Ocidente: que os jovens kamikazes recrutados nas melhores escolas do Japão para pilotar voos suicidas eram um bando de fanáticos nacionalistas honrados em se explodir pelo bem da pátria e do imperador. A correspondência reunida no livro revela, ao contrário, os medos, angústias e ambivalências dessa geração empurrada à força para a morte. Nem voluntários eram. Seus solilóquios manuscritos em páginas de diários, ou singelas cartas para namoradas, pais, companheiros, são dilacerantes. Demonstram o que já deveríamos ter entendido desde que nos tornamos bípedes: guerras são um horror, qualquer uma. Vale para a Ucrânia.

Rolf Kuntz: Legislando para o desastre

O Estado de S. Paulo

É preciso pensar no povo, disse Bolsonaro, defendendo corte de impostos indispensáveis à produção de serviços essenciais

Fazer leis pode ser tão nocivo quanto violar a lei, e até mais, e para tirar qualquer dúvida basta olhar a Praça dos Três Poderes. Conhecida como PEC Camicase, uma das propostas para lidar com o preço dos combustíveis pode custar mais de R$ 100 bilhões ao setor público, segundo a equipe econômica, e com efeito zero sobre a variação dos preços básicos de petróleo e derivados. Incompetência, irresponsabilidade e populismo de quinta categoria são marcas dessa Proposta de Emenda Constitucional e de outras iniciativas para controlar os valores do diesel e da gasolina. Um criminoso pé de chinelo pode prejudicar algumas pessoas. Políticos pés de chinelo, instalados no Palácio do Planalto e no Congresso, podem causar danos gravíssimos ao País e comprometer seu desenvolvimento econômico e social. Cortar impostos de forma voluntarista pode prejudicar funções públicas essenciais, como segurança, justiça, educação e saúde, e os mais afetados serão provavelmente os menos capazes de pagar por serviços privados.

Eliane Cantanhêde: Malas prontas para Moscou

O Estado de S. Paulo

Aposta do Brasil: Putin não invadirá a Ucrânia, porque ganha com pressão e perderia com guerra

Na avaliação – ou aposta – do governo brasileiro, incluídos embaixadores e generais, o presidente Vladimir Putin tem claros objetivos externos e internos para esticar a corda, mas não chegará ao ponto de invadir a Ucrânia. Ele ganha com a pressão, mas perderia muito com a guerra.

Caem chuvas e trovoadas, aumenta o risco de a Rússia invadir a Ucrânia em dias, ou horas, e EUA, Japão, Reino Unido, Holanda e Coreia do Sul pedem que seus cidadãos saiam imediatamente de território ucraniano. Mas a viagem do presidente Jair Bolsonaro está firme e forte amanhã, e não há nenhum pedido para que brasileiros saiam do alvo.

Luiz Carlos Azedo: Encontro de Bolsonaro com Putin é o centro das atenções mundiais

Correio Braziliense / Estado de Minas

Há mais convergências políticas e ideológicas entre Bolsonaro e Putin do que as aparências, mas os interesses geopolíticos do Brasil e da Rússia são muito diferentes

Como acontece com algumas palavras do nosso vocabulário, a palavra obrigado em russo tem vários significados. “Spassibo” se pronuncia com a tônica na segunda sílaba e o “a” no lugar do “o”: spa-ssí-ba. Sua origem é a expressão “spassi bog”, do eslavo antigo, que significa “Deus o salve”. Entre os internautas russos, foi abreviada para “spassib”; na comunidade LGBT , “passib”. É uma palavra muito usada para agradecer, mas também pode ter outros significados, como em “skaji spasibo”, usado para dizer que uma pessoa é mal-agradecida.

Os russos podem ser rudes na forma de falar obrigado: “Spasibo v karman ne polojich”, isto é, “você não pode colocar obrigado no bolso”. Ou extremamente agradecidos: “Spassibo ogromnoe” é literalmente um “enorme obrigado”. Essa expressão é usada quando alguém realmente fez um favor ou ajudou muito. Prestemos muita atenção, pois, na forma como o presidente Vladimir Putin agradecerá a visita do presidente Jair Bolsonaro, que viaja amanhã para a Rússia.

Vinicius Torres Freire: Economia da guerra na Ucrânia

Folha de S. Paulo

Em 2014, anexação da Crimeia pela Rússia deu em nada; desta vez pode ser diferente

No dia 26 de fevereiro, faz oito anos que agentes e soldados da Rússia escamoteados ajudaram russos da Crimeia, então parte da Ucrânia, a derrubar o governo da região, que seria anexada por Vladimir Putin em março de 2014. O que aconteceu com a economia mundial? Nada.

Os termômetros de tensão nem se moveram: Bolsas, juros americanos, preço do petróleo. O que acontece agora se a Rússia invadir a Ucrânia? Desta vez vai ser diferente?

Pode até ser. Os americanos prometem represálias que machuquem os bolsos russos. No entanto, uma retaliação econômica forte deve causar danos colaterais, talvez efeito bumerangue, afetando aliados. Tumulto financeiro e petróleo caro podem prejudicar ainda mais o desempenho do Partido Democrata na eleição parlamentar do fim do ano. O remédio pode ser tão ruim quanto a doença.

Joe Biden afirma que vai "impor as sanções mais graves que já foram impostas", em caso de invasão. Por enquanto, deixe-se de lado o que quer dizer exatamente "invasão". Quais seriam essas sanções graves?

Biden sugere que pode pegar o dinheiro que amigos oligarcas de Putin têm no exterior e criar problemas para instituições financeiras russas. Que pode tornar inviável o novo gasoduto Nord Stream 2, construído para levar gás da Rússia à Alemanha, pelo mar Báltico.