quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Punição a motim no Congresso deve ser ágil e rigorosa

O Globo

Atos do corregedor e histórico sugerem sanções brandas aos amotinados. Parlamento sairia desmoralizado

Diante do espetáculo deprimente de atropelo das normas regimentais protagonizado por parlamentares durante o motim de 30 horas no Congresso na semana passada, é de esperar que a Casa reaja com presteza e rigor. Até para que os acontecimentos não se repitam. Mas, a julgar pelos primeiros movimentos da Corregedoria, que analisará o comportamento de 14 deputados acusados de envolvimento no episódio, a celeridade ficará para depois.

O corregedor parlamentar, deputado Diego Coronel (PSD-BA), decidiu adotar um rito longo, com prazo de 50 dias úteis. Inicialmente, a previsão era de 48 horas, como estabelecido em ato da Mesa Diretora assinado em maio pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Coronel se baseou noutro ato, de 2009, que concede prazo maior. Afirmou que cada uma das 14 representações será analisada de forma individual, descartando sanções coletivas. As punições previstas vão de simples advertência a suspensão do mandato por até seis meses.

Tudo ainda por fazer - Vera Magalhães

O Globo

De crise em crise, projetos se acumulam no Legislativo e carro-chefe de Lula corre riscos

De paralisação em paralisação, a verdade é que 2025 é um ano que ainda não começou no Congresso Nacional. As cenas do motim incivilizado dos bolsonaristas só escancararam o funcionamento precário que já vinha do primeiro semestre e, agora, faz com que haja uma pauta quilométrica e irreal a cobrir até o fim do ano.

A queda de braço entre Executivo e Legislativo para o cumprimento da meta fiscal foi um dos fatores a explicar a inação, mas não o único. Depois, a briga em torno da elevação do IOF para várias operações foi engolfada pelo susto do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, e aquela discussão também resta inconclusa.

Com uma crise atropelando a outra, vai sobrando pouco tempo para discutir com o rigor necessário o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Era o carro-chefe de Lula para o ano, tratado internamente no governo como marca simbólica do terceiro mandato, assim como foram Bolsa Família, Prouni, cotas e PAC em mandatos anteriores. Agora, o relator Arthur Lira (PP-AL) já diz que a votação da matéria pode ficar para dezembro, mês sabidamente corrido, tomado pela necessidade (não cumprida no ano passado, diga-se) de votar o Orçamento da União.

Gritos na Esplanada - Bernardo Mello Franco

O Globo

A professora Eneá de Stutz afirma ter sido vítima de assédio moral na Comissão de Anistia do governo federal.

Ela renunciou ao cargo de conselheira no último dia 2, sete meses depois de ser afastada da presidência do órgão. Antes disso, diz ter relatado os episódios à ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo.

Segundo Stutz, a ministra não tomou providências e evitou recebê-la novamente após ouvir as queixas, em dezembro de 2024. “Cansei de apanhar. Não me restou outra alternativa a não ser deixar a comissão”, afirma. Em nota, a pasta sustenta que Evaristo “não tinha conhecimento das denúncias”.

Votar a anistia é o melhor remédio – Elio Gaspari

O Globo

Depois da muvuca bolsonarista da semana passada, parlamentares ligados ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, bem como alguns petistas, passaram a defender a votação de um projeto de anistia para os golpistas de 2022/23. Ele já recebeu o número suficiente de assinaturas para tramitar com rapidez. Engavetá-lo equivale a igualá-lo à tática (carnavalesca) da obstrução dos demais trabalhos da Câmara. Seriam formas distintas de interdição dos debates. Uma é legal e a outra, além de ridícula, é ilegal.

Desde a Independência, quase todas as gerações de brasileiros viveram revoltas e 48 anistias. Algumas, como a de 1979, foram pacificadoras. Outras, como a que Juscelino Kubitschek mandou ao Congresso em 1959, perdoando os militares revoltosos de Aragarças, foram simples gambiarras. Cinco anos depois, os anistiados entraram no bloco da deposição de João Goulart, humilharam, cassaram e exilaram JK. Ele morreu em 1976 sem recuperar a plenitude de seus direitos políticos. O major Haroldo Veloso, líder da revolta, voltou à Força Aérea, chegou à patente de brigadeiro e, em 1966, elegeu-se deputado federal pelo partido do governo.

Poucos precisam poupar no Brasil - Nilson Teixeira

Valor Econômico

Regras do BPC estimulam a informalidade e desestimulam a contribuição previdenciária

O Brasil é, e provavelmente continuará sendo, um país em que se poupa pouco. A taxa de poupança de uma nação depende de fatores como crescimento, estrutura etária, produtividade, propensão a investir, escolaridade, juros reais, estabilidade da inflação, previsibilidade, qualidade do sistema financeiro, profundidade do mercado de crédito, solvência da dívida pública, magnitude das políticas previdenciárias e de proteção social, incentivos à poupança e aspectos culturais. No Brasil, esses condicionantes ajudam a explicar por que a taxa de poupança está há anos em torno de 15% do PIB, abaixo da média dos países da OCDE e insuficiente para sustentar crescimento superior a 2,0% ao ano por período prolongado.

A enorme concentração de renda tem limitado a poupança no Brasil, pois os mais pobres têm alta propensão a consumir, agravada por baixa educação financeira e pouco acesso a instrumentos que estimulem a poupança. A isso se soma um ambiente volátil, com períodos de elevada inflação, crises cambiais e instabilidade fiscal, que reforça a preferência por ativos de curto prazo e baixo risco.

Recondução de Gonet na PGR entra no xadrez - Fernando Exman

Valor Econômico

Políticos estão de olho em cada passo que o PGR dá em relação ao julgamento da tentativa de golpe e aos casos envolvendo emendas parlamentares

No xadrez político jogado em Brasília, a todo momento há quem pense algumas jogadas à frente. Fazem parte desse seleto grupo de estrategistas articuladores do governo, líderes da oposição e, sempre eles, integrantes do Centrão. Pois os jogadores já começam a formular cenários sobre a reta final do mandato do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a grande probabilidade de o presidente Lula decidir reconduzi-lo ao posto para mais dois anos e o “timing” que o Palácio do Planalto deveria encaminhar a indicação ao Congresso.

O difícil diálogo com a Casa Branca - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Dificuldade não significa que o Brasil sairá da mesa de negociações com os EUA

Até a próxima segunda-feira, administração pública e empresas brasileiras enviarão ao Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), suas manifestações a respeito da investigação aberta por aquele órgão a respeito de supostas práticas brasileiras que estariam prejudicando a competitividade das empresas americanas. Entre elas, o Pix e o comércio na 25 de Março, passando pelo desmatamento, o combate à corrupção e a regulação das plataformas digitais.

Uma audiência pública está marcada para 3 de setembro e o desfecho do processo preocupa: pode resultar na aplicação de mais tarifas no comércio, entre outras punições.

As redes sociais e o crime organizado - Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

O que está por trás da falta de controle dos meios digitais é saber quem paga a conta da fiscalização

O País precisou do vídeo do influenciador Felca para conhecer a realidade exibida no relatório Hiding in Plain Sigh, Instagram Violates the DSA by Serving as a Gateway for a Vast Network of Pedophiles (Escondido à vista de todos: Instagram viola o DSA ao servir como porta de entrada para uma vasta rede de pedófilos).

DSA é o Digital Services Act, a legislação da União Europeia para a internet. O relatório de 2024 é da Alliance Counter Digital Crime. A empresa que abriga tais publicações já teve tempo para tomar providências contra a exploração da pedofilia. Teria de gastar dinheiro em mecanismos de controle e para que seu algoritmo não favorecesse pedófilos ou promovesse anúncios pagos do crime organizado feitos com IA. A Meta diz não permitir e remover esse tipo de conteúdo.

O casamento chinês - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A China já se aproxima da fronteira tecnológica da produtividade. Resta estimular o amor

Em meio a uma corrida demográfica contra a Índia, as autoridades da China devem ter achado que está faltando amor aos casais chineses ao decidir dar um empurrãozinho para elevar a taxa de natalidade: oferecer dinheiro para os gastos com cada filho que nascer. Isso porque não bastou revogar, em 2016, a lei que limitava as famílias chinesas a um único filho – em vigor a partir do fim da década de 1970 – para evitar a queda e o envelhecimento da população.

Pecadores ou sobre tempos amaldiçoados, por Vagner Gomes*

Em memória de Ney Latorraca, que atuou na novela “Vamp” (no “colorido” ano de 1991).

Depois de ser aclamado, particularmente entre os jovens, pelos filmes “Pantera Negra” e “Pantera Negra: Wakanda para sempre”, Ryan Coogler surpreende a muitos com um filme que resgata um pouco da matriz do pensamento social norte-americano que fundamentou o movimento negro. Sugerimos uma inspiração a partir de W. E. B. Du Bois (1868 – 1963) que nos legou o livro As almas do povo negro (1903), onde as “sedimentações do passado” podem revelar o significado do que é ser negro.

Assombrações em plena recessão da economia norte-americana, estamos no Delta do Mississipi em pleno ano de 1932. A segregação racial norte-americana, que muito marcou as observações de Gilberto Freyre quando lá esteve, tinha ainda o peso de um mundo que estava há poucos meses da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 30 de janeiro de 1933¹.

O filme tem essa padronização de terror que emergia na realidade; portanto, o branco dos latifúndios de algodão contrastava com os braços negros que colhiam em troca de “moedas de mentirinha” (cada proprietário negociava a produção colhida dos meeiros com moedas de sua fazenda, o que lhes deixavam ainda mais sob a dependência). Esses eram os verdadeiros vampiros, que moldaram seus herdeiros ressentidos após os anos das conquistas dos Direitos Civis.

Oba, agora sou meu patrão! Afinal, quem precisa de direitos? - Cláudio Carraly*

Uma das operações discursivas mais bem-sucedidas das últimas décadas foi a transformação semântica da precarização do trabalho no palatável e amplo termo de "empreendedorismo". O que antes era inequivocamente reconhecido como degradação das condições mínimas de qualidade laboral ganhou uma nova roupagem linguística e um verniz midiático que não apenas mascarou a realidade, mas a tornou desejável aos mais incautos.

O chamado “rebranding” que é o ato de ressignificar a imagem de uma empresa ou produto, ou seja, uma estratégia planejada, cujo objetivo é mudar a percepção do público com relação à marca. No caso da transformação de precarização do trabalho em empreendedorismo foi profundamente exitosa, a instabilidade virou "flexibilidade". A ausência total de direitos trabalhistas se tornou "liberdade". A transferência integral do risco econômico para o trabalhador foi rebatizada como "ser dono do próprio negócio". As jornadas sem limite se transformaram em "mentalidade empreendedora". A falta de proteção social passou a ser "autonomia profissional".

O vídeo de Felca e os golpistas – Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Adeptos da 'pauta moral' correram para legislar contra abuso de crianças nas redes

Quem tem crianças na escola e acompanha grupos de mães e pais de estudantes em WhatsApp lia pelo menos desde a sexta-feira passada uma inundação de alertas a respeito de um vídeo do influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, 27, o Felca, que denunciava explorações variadas de crianças em mídias de plataformas sociais. Publicado na quarta passada, dia 6, o vídeo tinha quase 34 milhões de visualizações até o final da tarde desta terça, 12.

Quem vive no mundo real, muito digital e formatado culturalmente pelas más influências algorítmicas e conspirações da desrazão, sabe disso tudo e muito mais. Pelo bem ou pelo mal, deputados federais resolveram tomar uma atitude ou, pelo menos, tirar uma casquinha da repercussão do que disse Felca.

Candidato danifica o presidente - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Excesso no uso político do tarifaço pode levar população a julgar Lula sob a ótica do oportunismo eleitoral

O Brasil sob a investida hostil da maior potência mundial desvela situação de gravidade ímpar que pode ainda se aprofundar, dado o horizonte de incertezas.

Tal circunstância exigiria de lideranças responsáveis tino estratégico, senso de risco, capacidade de contornar obstáculos decorrentes do desequilíbrio de forças, sobriedade nas falas e atenção aos protocolos institucionais.

Um elenco básico de fatores, cujo observador e condutor principal em sistema presidencialista, por óbvio, deveria ser o chefe da nação.

A crença na 'ditadura de toga', arma política do Bolsonarismo - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Narrativa contra STF organiza frustrações, reforça laços e justifica ações antidemocráticas

Conheço ao menos uma pessoa que considera um "ato de justiça" ver Alexandre de Moraes enforcado em praça pública. Quem estava ao redor, quando ela fez a declaração em alto e bom som, descontou o exagero retórico, mas concordou com a essência.

Não se trata apenas de Moraes, mas, no limite, de todo o Poder Judiciário e até do Ministério Público. Alexandre funciona, nesse enredo, como síntese e personificação —útil para fins narrativos e para organizar o ódio coletivo— da convicção de que certas pessoas e instituições existem para destruir "o nosso lado", a direita bolsonarista.

Também conheço muitos que defendem o impeachment do magistrado. Alguns apenas afirmam que, cedo ou tarde, isso ocorrerá; outros sustentam que a medida deveria ser tomada já, no auge da convulsão política. Estes últimos estão convencidos de que a entrega da cabeça de Moraes seria o único sacrifício capaz de aplacar a suposta "justa fúria" de Trump contra o Brasil.

Mulheres devem ter direito a voto? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Secretário de Defesa dos EUA elogia vídeo de pastores conservadores que se dizem contrários ao voto feminino

Pete Hegseth, o secretário de Defesa dos EUA, parece achar que não. Ele repostou em suas redes sociais e elogiou segmento de um programa da CNN no qual pastores de uma igreja cristã conservadora afirmam que mulheres não deveriam votar.

Para esse grupo de religiosos, liderados pelo pastor Doug Wilson, o direito a voto deveria ser familiar e não individual. Ele seria exercido pelos maridos, mas eles deveriam antes discutir o assunto com suas esposas.

E é aí que se decide o futuro - Paulo Baía

A história das sociedades humanas é também a história das batalhas invisíveis por símbolos e significados; por séculos, reis, impérios e religiões compreenderam que a força mais duradoura não se exerce apenas pela espada ou pelo decreto, mas pela capacidade de impregnar o imaginário coletivo com imagens, narrativas e crenças que parecem naturais, inevitáveis e eternas. Hoje, a extrema-direita compreendeu com uma nitidez impressionante que o verdadeiro poder se consolida quando se controla não apenas o que as pessoas pensam, mas como elas sentem diante das palavras, das bandeiras, das cores e dos gestos; que um símbolo carregado de emoção pode mover mais do que uma biblioteca inteira de argumentos.

Se, como ensinou Walter Benjamin, todo ato de transmissão cultural é também um ato político, então é preciso reconhecer que a guerra do nosso tempo não se trava apenas no parlamento ou nas urnas, mas nas ruas e nas redes, nos slogans e nas canções, nas metáforas que traduzem e distorcem a realidade. A extrema-direita compreendeu que cada hashtag é uma trincheira, que cada meme é uma flecha, que cada mito fabricado pode se infiltrar como verdade indiscutível nos recantos mais íntimos da consciência coletiva; e nós, tantas vezes, ficamos aprisionados na ingenuidade de repetir, corrigir, refutar, sem perceber que, ao fazê-lo, reforçamos os mesmos marcos simbólicos que nos aprisionam.

Poesia | E então que quereis, de Vladimir Maiakovski

 

Música | Milton Nascimento - Club da Esquina 2 (Lô Borges e Márcio Borges)



 

terça-feira, 12 de agosto de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Insistência de Lula em alternativas ao dólar é inexplicável

O Globo

Nem China nem Rússia falam nisso. Único resultado da investida contra moeda americana é enfurecer Trump

A insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defender o uso de moedas alternativas ao dólar nas trocas comerciais demonstra não apenas desconhecimento sobre o funcionamento da economia global. Traduz também uma leitura equivocada da conjuntura internacional e expõe sua inépcia na defesa do interesse brasileiro. Depois do encerramento da cúpula do Brics no Rio de Janeiro em julho, Lula foi questionado sobre a criação de uma plataforma de investimentos nas moedas locais dos integrantes do bloco. Na resposta, disse que o mundo precisava “encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar”.

O espaço da política: entre o ódio e o medo - Paulo Fábio Dantas Neto*

Uma amiga pernambucana, lendo o editorial de O Estado de São Paulo, de 27.07.25 (“A internacional golpista de Trump”), lembrou-se de um slogan de campanha do senador pernambucano Marcos Freire, de saudosa memória, tragicamente morto em 1987, quando era ministro da Reforma Agrária. Aos 56 anos de idade, estava no pleno vigor de um patamar ascendente de uma carreira política temperada pela combinação de firmeza e moderação, típica da política da unidade democrática do tempo mais duro da ditadura, anterior à transição. “Sem ódio e sem medo” havia sido a partitura pela qual chegara à cena nacional, como membro do “grupo autêntico” do MDB, precisamente em 1974, ano em que os eleitores de Pernambuco reconheceram o valor do artesanato político da paciência democrática e o elegeram senador, na memorável eleição que marcou, em todo o país, o começo da inflexão da ditadura.

Considerados os distintos contextos e os respectivos públicos daquele discurso democrático de então e do referido editorial de agora, pode-se mesmo notar uma complementaridade positiva. O tom pluralista, adotado como conceito de fundo pelo Estadão, reduz o atual teor de medo que paralisa ambientes conservadores diante da ingerência despótica de Trump na política brasileira, com a associação espúria e subalterna do bolsonarismo, facção interna da extrema-direita mundial. A firmeza atual de um jornal liberal moderado, insuspeito de ter indisposição com os EUA, tem sentido positivo análogo ao que tinha, há 50 anos, a pregação daquele oposicionista autêntico que, a partir de um lugar de esquerda, pregava a unidade antiditatorial com os liberais e se dedicava a dissipar o teor de ódio polarizante que havia em setores progressistas mais radicalizados, atuantes no mesmo lugar que ele, naquela geográfica política.

Pensamentos digitalizados - Merval Pereira

O Globo

Imortalizadas nos computadores dos acusados, expressões transformaram-se em provas quando confrontadas com a realidade.

Sem saber que adentrava um campo filosófico delicado que marcaria para sempre sua atuação na tentativa de golpe de Estado ocorrida em janeiro de 2023, o general da reserva Mário Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência de Jair Bolsonaro, afirmou em depoimento no Supremo Tribunal Federal que o plano Punhal Verde e Amarelo feito por ele — que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ministro Alexandre de Moraes e a vigilância de outros ministros do STF — era apenas um “pensamento digitalizado”.

O coronel Flávio Peregrino, assessor do general Braga Netto, candidato a vice de Bolsonaro e um dos autores intelectuais do golpe, diz em documento escrito encontrado pela Polícia Federal:

— Tudo isso para ajudar o Presidente B [Bolsonaro] a se manter no governo, pois sempre foi a intenção dele.

Peregrino alegou que foram “ideias formuladas com base na liberdade de expressão”.

Em Gaza, tragédia na tragédia – Fernando Gabeira

O Globo

Apenas 1,5% das terras agrícolas não foram destruídas. Só a ajuda de fora pode conter a fome

Corações partidos diante de mais de 61 mil mortes e 146 mil feridos encontram-se com uma nova tragédia em Gaza: Israel decidiu ocupar militarmente a região. O principal alvo é a cidade de Gaza, ao norte da Faixa. Mais de 1 milhão de pessoas terão de deixar suas casas de agora até 7 de outubro. Para onde vão, como comerão?

Existem apenas quatro pontos de distribuição de comida. Cerca de 1.400 palestinos foram fuzilados perto desses postos. Apenas 1,5% das terras agrícolas não foram destruídas. Só a ajuda de fora pode conter a fome.

Netanyahu chegou a negar essa fome, mas foi contestado pelo próprio Trump. É impossível ignorar a imagem das crianças esquálidas. O que acontecerá nas próximas semanas não só pode acentuar o isolamento internacional de Israel, como reacender uma importante tradição local: o intenso debate sobre o futuro do país.

Alguns sinais são públicos: o chefe do Estado-Maior do Exército, Eyal Zamir, já expressou sua oposição às novas manobras militares:

— Continuaremos a expressar nossas posições sem medo, de forma pragmática, independente e profissional.

O tropeço do GPT-5 – Pedro Doria

O Globo

É cedo para dizer se o GPT-5, que a OpenAI lançou na quinta-feira passada, é um modelo ruim de inteligência artificial. Mas é, certamente, o primeiro lançamento desastroso da empresa. Até aqui, a receptividade de cada novo anúncio tecnológico vinha ocorrendo com festa. Desta vez, não foi assim. As críticas começaram a chegar rapidamente. Em horas, enxurradas de clientes pagos do ChatGPT estavam se queixando. Reclamavam, principalmente, dizendo que o modelo anterior dava respostas melhores, mais completas. Será interessante acompanhar como a OpenAI encara esse seu primeiro momento de estar nas más graças do público. É, também, uma oportunidade para suas duas maiores concorrentes — de um lado, Google, com o Gemini; do outro, Anthropic, com o Claude.

Portas fechadas e diálogo suspenso - Míriam Leitão

O Globo

O cancelamento da agenda do secretário americano com Fernando Haddad mostra que o canal de diálogo com os EUA está fechado e é preciso correr com as medidas de apoio às empresas

Todas as portas do diálogo foram fechadas pelo governo dos Estados Unidos. Numa situação assim, tudo o que o Brasil pode fazer é continuar se mostrando aberto à negociação. Por outro lado, é preciso rapidez com as medidas de mitigação de danos para que as empresas que enfrentam esse tarifaço de frente possam se reorganizar. A economia vai crescer menos, o país perderá exportações e 10 mil empresas serão atingidas. Na inflação, o efeito será de redução da pressão nos preços. O mercado prevê menos PIB e menos inflação.

Haddad, Bessent e a inversão do ônus da prova - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

O bolsonarismo cava medidas contra o Brasil, obstrui qualquer tentativa do governo de revertê-las e depois repreende Lula e ministros por não terem acesso a Trump e aos secretários

No dia 21 de julho, o ministro Fernando Haddad repassou à sua chefia de gabinete o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que marcasse uma conversa com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. O pedido foi repassado para seu assessor internacional, Mathias Alencastro. Sua agenda mantinha contatos que não mudaram desde a vinda de Janet Yellen ao G20 e também daqueles que foram acionados para o encontro entre os ministros da economia em 4 de maio em Los Angeles.

No dia 1 de agosto, numa mensagem por WhatsApp, uma assessora do secretário deu sinal verde para o agendamento. No dia 4 de agosto, em troca de e-mails, foi formalizado o pedido de encontro por chamada de vídeo e, no dia seguinte, tudo ficou acertado para que a conversa se realizasse em 13 de agosto. Quinze horas depois, a Fazenda recebeu, por e-mail, o cancelamento do encontro sem nova data. Nesta segunda, Haddad disse à GloboNews que tudo se deveu à ação da “extrema-direita”.

Tarifaço não pode silenciar o debate sobre os juros - Pedro Cafardo

Valor Econômico

Plano Real deixou de eliminar a indexação, o que faz com que inflação passada se reflita na futura

Duas semanas atrás, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano, a mais alta em quase 20 anos. Ela precisaria estar em nível tão elevado?

A resposta a essa pergunta e a discussão desse tema ficaram em segundo plano nos últimos meses, porque o escandaloso tarifaço de Trump atraiu toda a atenção dos agentes econômicos. Também porque o governo atenuou as críticas ao BC depois que um indicado pelo presidente Lula, Gabriel Galípolo, assumiu o comando do banco.

É importante, porém, voltar a falar sobre juros, visto que a manutenção da taxa de 15% é talvez tão prejudicial quanto o tarifaço para a economia do país.

Lá vai, então, um estímulo a esse debate. Esta coluna teve acesso a proposta feita no meio acadêmico, fora do mercado financeiro, portanto, a pedido do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados, que levanta os problemas da condução da política monetária brasileira sob o regime de metas de inflação. O autor é o professor da UnB José Luís Oreiro, combativo economista pós-keynesiano e novo-desenvolvimentista.

Onde está a resistência a Trump? - Dani Rodrik*

Valor Econômico

A Europa tem o poder e a autoridade moral para oferecer liderança global. Em vez disso, hesitou e depois se submeteu às exigências de Trump

Os críticos dos Estados Unidos sempre os retrataram como um país egoísta que joga seu peso para todos os lados com pouca preocupação com o bem-estar dos outros. Mas as políticas comerciais do presidente Donald Trump têm sido tão equivocadas, erráticas e autodestrutivas que até a mais caricatural dessas descrições parece lisonjeira. Ainda assim, de uma forma distorcida, suas loucuras comerciais também revelaram os fracassos de outros países, forçando-os a considerar o que suas respostas dizem sobre suas próprias intenções e capacidades.

Focos diferentes nos relatos da conversa Lula-Xi Jinping - Assis Moreira

Valor Econômico

Pequim diz que Lula falou do estado da relação com os EUA e mais coordenação com a China no Brics

Depois da conversa entre presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, ontem à noite, os dois governos divulgaram comunicados que trazem focos diferentes sobre os quase 60 minutos do telefonema.

A nota brasileira sobre a conversa é ultra contida, inclusive sem mencionar explicitamente os EUA, com o qual Brasília tem hoje a maior crise dos últimos tempos. A China, que tinha acabado de obter a renovação da trégua dos EUA na guerra comercial, é que menciona que Lula e Xi falaram sobre as relações com Washington.

Mais pragmatismo e menos ideologia - Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

Não resta alternativa ao governo Lula senão estabelecer um canal de alto nível com a Casa Branca

O relacionamento entre o Brasil e os EUA passa por um momento de grandes desafios com os desdobramentos da opção feita por Trump de utilizar a lei de emergência econômica (International Emergency Economic Power Act - Ieepa) como fundamento das tarifas aplicadas aos produtos nacionais.

Trump assinou na semana passada ordem executiva baseada na Ieepa que dá poderes ao presidente norte-americano para tomar medidas de modo a afastar as ameaças à economia dos EUA e à segurança nacional. Essa lei tem sido usada como justificativa para as tarifas de todos os países, mas está tendo desdobramentos políticos internos com o Brasil. Por outro lado, para alguns outros países, a base legal para a aplicação das tarifas está amparada pela Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, que trata a questão da segurança nacional sob o ângulo comercial, sem declaração de emergência. No caso da China, a legislação invocada foi a Seção 301 do Trade Act de 1974.

Trump quer guerra - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Fim de papo: Trump e seus subordinados não querem diplomacia e diálogo, querem guerra!

Ao cancelar sem justificativa uma conversa com o ministro Fernando Haddad sobre o tarifaço, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou que Trump não quer papo com o Brasil real e só quer saber do Brasil alternativo. Se havia alguma dúvida, não há mais. Aquela história de Donald Trump de que Lula “pode falar com ele quando quiser” não passava de mais uma armadilha do seu estoque sem fim.

Além de expor ao ridículo os presidentes de Ucrânia, Volodmir Zelenski, África do Sul, Cyril Ramaphosa, e Suíça, Karin Keller-Sutter, que saiu de Washington sem falar com Trump, o presidente americano mexe com os nervos do Brasil, numa linguagem que não é a da diplomacia e a do diálogo, mas de sanções e ameaças – ou “humilhação”, como identificou Lula.

Sequestros - Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A oposição bolsonarista – a que sequestrou as Mesas Diretoras do Parlamento – vem com muita energia, cheia de vontade, para esta nova semana no Congresso. O líder do PL deu o tom da disposição nas redes sociais: “Ninguém pode parar quem carrega a verdade debaixo do braço”.

O cronista, embora jamais a levasse no sovaco, não sabe quem carrega a verdade. Sabe que “quem carrega a verdade” – quem acredita carregar a verdade – abre várias oportunidades. Oportunistas amadores – os da anistia para Bolsonaro – oferecendo oportunidades a oportunistas profissionais. O cronista sabe que “ninguém pode parar” a turma de Arthur Lira quando fareja uma chance.

Bolsonaro é vítima de perseguição?- Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Bolsonaro atentou contra as eleições e esteve no centro da mobilização golpista mais grave desde a redemocratização

Desde o primeiro anúncio do tarifaço ao Brasil, Donald Trump o justifica pela perseguição que Bolsonaro sofreria nas mãos do STF (Supremo Tribunal Federal). Não é segredo para ninguém também que, dentre os críticos mais assertivos de Alexandre de Moraes, muitos sejam partidários de Bolsonaro que querem livrá-lo da Justiça e reabilitá-lo para concorrer em 2026. Cabe perguntar então: será que Bolsonaro sofre perseguição? Vou rememorar fatos já amplamente sabidos.

Ao longo de seu mandato e especialmente a partir de 2022, Bolsonaro promoveu ativamente, sempre que pôde, acusações falsas de fraude contra as urnas eletrônicas e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para dessa forma negar os resultados das eleições caso perdesse, como de fato veio a ocorrer.

Justiça manca - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Judiciário brasileiro tem muitos e graves problemas, mas não dá para falar em ditadura da toga como fazem bolsonaristas

O Judiciário brasileiro é muito ruim. É moroso, inconsistente e cheio de vieses. Se levarmos em conta o fator preço --gastamos com o sistema de Justiça 1,33% do PIB, contra uma média internacional de 0,3%--, torna-se sério candidato ao posto de um dos piores do mundo.

STF é tudo menos inocente nessa história. É dele que vem muito da instabilidade jurídica que marca nosso sistema. E da politização também. Um ministro conseguiu a façanha de votar de modo diametralmente oposto a si mesmo no mesmo processo. Bastou que mudasse de Dilma para Temer o nome do presidente da República que poderia perder o cargo numa interminável ação na Justiça Eleitoral por abuso de poder que ele julgava.

Vocação para o atraso – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A atração fatal por retrocessos na lei e nos costumes é ainda muito presente nos altos escalões da República

Determinados episódios da cena brasileira expressam a existência de indiscutível vocação para o atraso em setores representativos da República.

No momento assistimos a dois deles: a proposta de revogar a prerrogativa do Supremo Tribunal Federal de abrir ações contra parlamentares sem autorização do Congresso e a construção de área vip no aeroporto de Brasília para afastar ministros do Tribunal Superior do Trabalho do alcance de pessoas "inconvenientes". Falam dos cidadãos sem toga.

'Tarifas de Trump podem reduzir inflação no Brasil e ajudar Lula nas eleições', diz Samuel Pessôa

Thais Carrança / BBC News Brasil em São Paulo

De olho nas eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem incentivos para não retaliar as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil e colher os frutos de uma inflação mais baixa no país, avalia o economista Samuel Pessôa, pesquisador do banco BTG Pactual e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

"Do ponto de vista puramente do cálculo eleitoral, Lula tem um incentivo a não retaliar, porque, se ele não retaliar, tem aí uma desinflaçãozinha a médio prazo", diz Pessôa, em entrevista à BBC News Brasil.

"A retaliação pode, eventualmente, ser um instrumento de barganha. Mas, se a gente se enxerga com pouco poder de barganha, do ponto de vista do interesse do bem estar brasileiro, é melhor não retaliar", defende.

Para Pessôa, a perspectiva de desinflação no Brasil pouco muda com a possibilidade aventada pelo secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, na terça-feira (29/07), de que alguns produtos não cultivados nos EUA, como café e manga, possam ter a tarifa de importação zerada.

Em junho e antes do anúncio do tarifaço de Trump, o economista da FGV havia escrito em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo que Lula deve chegar às eleições de 2026 com a economia em boa forma. Agora, mesmo com as tarifas, Pessôa avalia que a economia deve jogar a favor do petista na corrida eleitoral.

"Continuo com o meu cenário, que é um cenário de 'pouso suave'. A economia vai desacelerar — esse ano deve crescer uns 2%, ano que vem deve crescer 1,5%, uma desaceleração com relação aos 3% de crescimento no biênio anterior", calcula.

"Mas essa é uma desaceleração que não chega a machucar muito o mercado de trabalho. E, com as boas safras, a inflação de alimentos está cedendo. Eu acredito que as tarifas de Trump não mudam esse cenário."

Para Pessôa, faz sentido o governo socorrer os setores mais afetados pelas tarifas através de um crédito extraordinário para além dos limites do arcabouço fiscal, ainda que isso piore a situação das contas públicas do país.

Mas, segundo o economista, é fundamental que essa política traga limites claros para seu término, evitando se tornar um "direito adquirido".

"Tivemos recentemente o caso do Perse, programa desenhado para atender as empresas do setor de eventos, muito atingidas pela pandemia. Mas três anos depois do fim da pandemia, a gente estava discutindo no Congresso, até o ano passado, a manutenção do Perse. É uma coisa maluca", afirma.

"No Brasil, a gente transforma tudo em direito adquirido rapidamente. Então, dada essa especificidade nossa, o cuidado maior no desenho desse programa é que a previsão do fim dele tem que estar muito clara."

À BBC News Brasil, Pessôa comentou ainda o acordo entre Trump e União Europeia — ele considera que os europeus "ajoelharam no milho" frente ao americano.

E explicou por que o presidente chinês, Xi Jinping, pode ser mais duro nas negociações com Trump do que seus pares de países democráticos; além de discordar respeitosamente do Nobel de Economia Paul Krugman, que em entrevista recente à BBC News Brasil, defendeu que o Brasil tem pouco a perder retaliando Trump.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

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