terça-feira, 29 de agosto de 2023

Alvaro Costa e Silva - Os celulares da máfia

Folha de S. Paulo

Celulares são o maior alvo e a desgraça dos criminosos

O bote, o susto e já era. Só contando 2022, o Brasil teve um milhão de roubos e furtos de celulares —média de dois por minuto. Um aumento de 16% em relação ao ano anterior, número que deve subir em 2023. Em São Paulo foram quase 350 mil aparelhos levados na mão grande.

No início deste mês, a Polícia Civil prendeu no centro histórico da capital paulista um imigrante de Guiné-Bissau apontado como o maior receptador de celulares em atuação no país. Eles são furtados e roubados nas ruas, estações do metrô ou dentro de carros parados no trânsito (nessa hora entra em cena a gangue "quebra-vidro"). Na segunda etapa do esquema, os criminosos desbloqueiam os aparelhos e têm acesso aos dados das vítimas. Celulares também são enviados ao exterior, principalmente a países da África, para driblar o bloqueio da Anatel.

O que a mídia pensa: editoriais / opiniões

É necessário reequilibrar a Câmara

O Globo

Omissão de três décadas do Congresso contribuiu para ampliar distorções na distribuição dos deputados

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Congresso precisará definir o número de deputados de cada estado de acordo com a população. É exatamente o que determina o artigo 45 da Constituição Federal. O motivo é dar a cada eleitor brasileiro peso comparável na Câmara Baixa do Parlamento.

Não se trata, é bom lembrar, de peso equivalente. Ao manter limites mínimo (8) e máximo (70) para as bancadas, a Constituição cria distorções intrínsecas (o voto de um roraimense para deputado equivale ao de dez paulistas). Mas isso não justifica ampliar as distorções. É inacreditável que a proporção atual seja idêntica à definida em 1993. Há 30 anos, a Câmara ignora as mudanças populacionais registradas por três edições do Censo. Um estado como Santa Catarina, com população de 7,6 milhões, tem 16 cadeiras na Câmara, enquanto o Maranhão, com 6,7 milhões de habitantes, tem 18.

Poesia | Cora Coralina - Assim eu vejo a vida

 

Música | Giuseppe Verdi - Va, pensiero

 

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Opinião do dia - Luiz Sérgio Henriques*

“É possível que a esperança possa renascer antes e mais vigorosamente no nosso país. A adesão consciente ao método da democracia política por parte das forças fundamentais, inclusive e especialmente de esquerda, é o caminho real para reduzir o tamanho e a expressão da direita radical. Não deveria ser difícil a compreensão deste imperativo, assim como a percepção de que, num extremo e no outro, o sono da razão produz monstros, sempre.

*Tradutor e ensaísta, é um dos organizadores das obras de Gramsci no Brasil. – “Modesta proposta para lidar com a direita radical”, O Estado de S. Paulo, 27.8.23.

Marcus André Melo* - Parlamentarismo sem primeiro-ministro?

Folha de S. Paulo

Se alguém é humilhado quando o legislativo não cumpre seu papel é o eleitor (a)

A afirmação do ministro Haddad de que a Câmara está com "um poder muito grande" e "não pode usar este poder para humilhar o Senado e o Executivo" é no mínimo esdrúxula. Sua conclusão, no entanto, de que "a gente saiu do presidencialismo de coalizão e hoje vive uma coisa estranhíssima, que é um parlamentarismo sem primeiro-ministro; não tem primeiro-ministro, ninguém vai cair, quem vai pagar o pato político é o Executivo", merece ser discutida.

Se alguém é humilhado quando o Legislativo não cumpre seu papel é o eleitor (a). A separação de Poderes no presidencialismo assenta-se na ideia de contraposição de interesses opostos que cria incentivos para o controle recíproco. A fórmula madisoniana é "ambição deve ser contraposta à ambição". A maioria da Câmara é distinta —mas igualmente legítima— da eleição majoritária do Executivo, e contrapõe-se ao Executivo. Madison justifica: porque os homens não são anjos. Mas disso os brasileiros não precisam ser lembrados.

Bruno Carazza* - Se for preso, Bolsonaro viverá o efeito-fênix?

Valor Econômico

À medida em que evidências se acumulam, futuro do bolsonarismo entra em discussão

Para muitos, é apenas questão de tempo. À medida em que as investigações avançam, parece inevitável que Jair Bolsonaro seja condenado e preso. E os efeitos desse eventual desfecho judicial sobre o futuro do bolsonarismo agitam o mundo político.

São muitas as frentes que podem levar o ex-presidente para trás das grades. À parte todas as evidências que vêm sendo coletadas pela Polícia Federal, depois de quatro anos de agressões sistemáticas e principalmente após o 8 de janeiro, Bolsonaro não conta com a simpatia da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A questão que se coloca é qual será o futuro do bolsonarismo após a prisão de seu principal líder. Muito embora as decisões judiciais, no caso de julgamentos sobre processos criminais e de corrupção, não devam ser embasadas por um juízo das suas consequências políticas ou sociais, a condenação de um líder popular, que recebeu 58,2 milhões de votos nas últimas eleições, gera toda a sorte de especulações.

Alex Ribeiro - Não houve interferência política no Copom

Valor Econômico

Bastidores das últimas reuniões mostram que já havia uma corrente moderada majoritária que se movia para um corte de 0,5 ponto na Selic

O mercado financeiro recebeu mal o último corte de juro feito pelo Banco Central porque sentiu o cheiro de interferência política. Mas os bastidores da decisão que foram revelados nos últimos dias mostram que não houve nada disso.

As desconfianças surgiram devido ao placar extremamente dividido da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto. Quatro membros votaram por um corte mais moderado dos juros, de 0,25 ponto percentual, e cinco, pela baixa de 0,5 ponto. O voto que fez a diferença para levar a taxa Selic para os atuais 13,25% ao ano foi do presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Uma interpretação comum é que os diretores recém-indicados pelo presidente Lula, Gabriel Galípolo (política monetária) e Ailton De Aquino (fiscalização), mudaram a correlação de forças. Agora, segundo esse raciocínio, o comitê terá uma orientação pró-baixa de juro, deixando a inflação à própria sorte.

Carlos Primo Braga* - O mercado de trabalho e a Esfinge

Valor Econômico

Se robôs e IA forem utilizados mais para substituir o fator trabalho, e menos para complementar a capacidade de trabalhadores em executar funções, os efeitos líquidos no emprego podem ser negativos

A Esfinge da mitologia grega era um ser fantástico que perambulava pelos arredores de Tebas, propondo enigmas a quem encontrava e os devorando caso não conseguissem desvendá-los. Suas aventuras terminaram quando encontrou Édipo e perguntou: “O que tem quatro pernas, duas pernas e três pernas, e é mais fraco quando tem mais pernas?”. Édipo solucionou a charada (uma metáfora para um ser humano ao longo da vida) e a Esfinge se atirou em um precipício.

Governos ao redor do mundo enfrentam enigmas com relação à regulamentação e a operação do mercado de trabalho. O impacto de tecnologias digitais e de novos modelos de negócio gera questões sobre a regulamentação das relações trabalhistas. E o envelhecimento da população em muitos países gera ansiedades sobre a estabilidade fiscal em longo prazo e o impacto social dessas mudanças demográficas.

Ana Cristina Rosa - Os 60 anos de um sonho

Folha de S. Paulo

Até quando vamos nos conformar em seguir apenas sonhando?

Hoje, 28 de agosto, está fazendo 60 anos de uma das maiores manifestações antirracistas que se tem notícia na história da humanidade. Era uma quarta-feira quando cerca de 250 mil pessoas "marcharam" sobre Whashington.

No entorno do famoso espelho d’água no National Mall bradaram por direitos civis e equidade racial para os negros, e ouviram o reverendo Martin Luther King discursar sobre o sonho de que seus filhos um dia vivessem numa nação que não julgasse as pessoas pela cor da pele. Um sonho que ainda está longe de se tornar realidade...

Ruy Castro - Dias de barbárie e ódio

Folha de S. Paulo

Nenhuma semana é particularmente violenta no Brasil. Em todas elas há manchetes aterrorizadoras

O assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, na Bahia, no dia 17 último, chocou não só pela motivação —execução óbvia, ordenada provavelmente pelos madeireiros ilegais que ela denunciava—, mas pela violência. O que leva dois homens portando armas calibre 9 mm, de uso restrito das forças de segurança, a disparar 12 tiros contra uma senhora de 72 anos enquanto ela via TV com os netos em sua casa? Ódio e barbárie. Este é o Brasil.

Escrevi aqui outro dia (13/7) sobre o fato de que, por qualquer motivo, brasileiros trocam garrafadas, jogam seus carros ou sacam facas, pistolas e barras de ferro uns contra os outros. E transcrevi manchetes que recolhi por aqueles dias em jornais e sites. Não foram dias particularmente violentos. Veja, por exemplo, manchetes da última semana.

Felipe Moura Brasil - A maresia lulista

O Estado de S. Paulo

Lula só pensa em reescrever a história

“Imagina se o Lula tem fidelidade a um cardápio de bandeiras! É um sujeito que quer o poder.”

Foi o que comentei em podcast em 23 de agosto, usando o exemplo do atual presidente para ilustrar minha tese de que populistas brasileiros não ligam para causas de interesse da militância, como drogas, armas e aborto.

Dois dias depois, a esquerda notou que Lula só pensou na blindagem dele ao indicar seu advogado Cristiano Zanin para o STF, já que Zanin votou contra a descriminalização da maconha. Parte da imprensa ainda apelou à narrativa risível de que Lula é “conservador nos costumes”. Mas ele não está nem aí.

Lula só pensa em reescrever a história. Tanto que mentiu, em Angola, sobre sua “pobreza”, suas contas e a decisão do TRF-1 no caso de Dilma Rousseff.

Denis Lerrer Rosenfield* - Antiocidentalismo

O Estado de S. Paulo

O mundo está se tornando menos multipolar, com uma nova fronteira se desenhando entre ocidentais e antiocidentais

Em 2013, simbolicamente acompanhado pelo patriarca Kirill, da Igreja Ortodoxa Russa, até hoje um dos seus mais firmes apoiadores, Vladimir Putin não mediu palavras ao apresentar sua própria concepção nacionalista – diríamos imperial – ao dizer que a nação russa se estenderia para além de suas fronteiras políticas, abarcando russófonos por onde estivessem. Algo, aliás, não muito diferente do que Hitler fez ao justificar sua invasão dos Sudetos, destruindo a Checoslováquia. Significativamente, proferiu sua palestra em Kiev, que viria a ser a expressão de seu projeto anexionista. Anos depois, essa cidade seria objeto de bombardeios impiedosos e de uma tentativa de ocupação, onde o sangue desses eslavos seria derramado em nome de uma Grande Nação Russa que estaria, assim, plenamente justificada em sua crueldade. Ninguém seria depois poupado, seja em assassinatos, estupros, sequestro de crianças, destruição de hospitais e orfanatos.

Fernando Gabeira - Coração de Faustão e razão na política

O Globo

A oportunidade que traz o envolvimento de celebridades ao tema doação de órgãos poderia ser um impulso

No mesmo dia em que se anunciou que Faustão precisava de um coração, recebi um livro que dedica um capítulo ao tema doação de órgãos. O livro é “Nudge: como tomar melhores decisões”, de Richard H. Thaler e Cass R. Sunstein. É a reedição revista pelos autores de um clássico em tomada de decisões, que eles chamam também de arquitetura da escolha.

A fascinante pergunta é esta: como salvar mais vidas? Sabemos que há um déficit de doadores e, em quase todos os países, uma grande fila de espera.

O tema apareceu nas eleições argentinas na boca do candidato Javier Milei, que propõe a solução pelo mercado. Essa solução é rejeitada mundo afora. Apenas um país, segundo o livro, adota o comércio legal de órgãos: o Irã.

Miguel de Almeida - À sombra dos fuzis

O Globo

Lula ouviu de Gustavo Petro, da Colômbia, veemente reprovação

Em sua campanha para ganhar o Nobel da Paz, Lula da Silva confronta-se com a dialética. A cada encontro internacional, se vê pintado no papel de um personagem com ideias ultrapassadas, qual um verbete ou uma flâmula. Acostumado no Brasil a rapapés, beija-mão e afagos de certa intelectualidade, em seus périplos pelo mundo e encontros com outros presidentes mostra que vai bem longe o lustro de quando foi chamado de “o cara” por Barack Obama.

Muitos de seus conceitos de desenvolvimento — talvez com exceção da candente defesa do churrasco para todos! — enfrentam oposição entre seus pares de esquerda. É assim a vida. Tudo a temer. Leonel Brizola viveu o suficiente para ver a História deixá-lo no passado. Seu cunhado Jango Goulart — agora personagem de Paulo Valente na bela novela de espionagem “A morte do embaixador russo” — experimentou semelhante dissabor.

Ricardo Henriques* - Diversidade enriquece a ciência

O Globo

A diversificação das perspectivas culturais, étnicas, de gênero e socioeconômicas possui alta potência de enriquecer a análise de problemas complexos e promover mais inovação

Ninguém discorda que a produção de pesquisa acadêmica de ponta é essencial para o desenvolvimento científico, tecnológico e biossocioeconômico. Mas, no Brasil, os desafios, que já eram significativos, foram agravados pela pandemia.

Recente relatório divulgado pela Agência Bori e pela editora Elsevier mostrou que, pela primeira vez desde 1996, houve queda em 2022 no número de artigos científicos publicados. Foi a maior redução entre 51 nações analisadas, ao lado da Ucrânia, que enfrenta uma guerra.

Além da quantidade, há também a qualidade. Para isso não existe indicador perfeito, mas uma métrica comumente utilizada para avaliar seu impacto é o número de citações em outras publicações. Em 2015, ano em que nossa produção científica representava cerca de 3% do total mundial, o Brasil respondeu por 1,7% das citações, sinal de que há espaço para ampliar nosso impacto.

Cacá Diegues - A razão da Inteligência Artificial

O Globo

Sinto que a nova tecnologia serve muito mais à aproximação do cérebro às máquinas, em vez de considerá-la uma vitória das máquinas sobre o cérebro

A onda levantada hoje contra a inteligência artificial (IA), por físicos, matemáticos e mais gente da mídia, não me parece justa. O grande Noam Chomsky, por exemplo, chega a dizer que a IA representa uma ameaça direta ao pensamento, à linguagem e ao próprio humanismo. Logo ele, que nos tem ajudado tanto a compreender melhor nosso tempo, graças à linguagem e à melhor compreensão do que os poderosos desejam de nós.

Não acho nada disso. Confesso que não domino o sistema, mas dá para entender do que se trata, como pensar e se comportar diante da novidade.

Como toda tecnologia, a IA tem uma abertura para o Mal, como tiveram centenas de outras invenções do homem para fazer de sua vida uma coisa mais leve e presumível. Mas só. É bobagem pensar que uma invenção humana exista só para destruir a Humanidade. De minha parte, sinto que a IA serve muito mais à aproximação do cérebro às máquinas, em vez de considerá-la uma vitória das máquinas sobre o cérebro.

Christian Lynch* - José Murilo de Carvalho mostra como país falhou nos valores cívicos

Ilustríssima / Folha de S. Paulo

[RESUMO] José Murilo de Carvalho deixou obra incontornável sobre a construção do Império brasileiro e a formação da sociedade no começo da República, destacando como o país falhou, nesses momentos históricos cruciais, em criar uma cultura cívica que superasse o elitismo, o patrimonialismo e o militarismo. Morto aos 83, o historiador deixa às novas gerações a tarefa de enfim aprofundar a cidadania no Brasil.

José Murilo de Carvalho foi um dos mais influentes acadêmicos de sua geração. No campo da ciência política, atuou nos programas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No da história, foi pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa e do programa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tendo se doutorado na Universidade Stanford (EUA), foi professor visitante em um sem número de outras, como Oxford (Reino Unido) e Princeton (também nos EUA). Recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra. A consagração definitiva chegaria com sua eleição para as mais antigas e prestigiosas instituições culturais do país: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e a Academia Brasileira de Letras (ABL).

Para quem o conhecia, chamava a atenção o contraste entre a monumentalidade de sua obra e a sua personalidade, referida por Ruy Castro como tímida e modesta. Eu acrescentaria esquiva, especialmente em ambiente mundano. Essa discrição indicava, claro, sua origem de mineiro do interior, de que se orgulhava, mas havia mais que o estereótipo regional.

Nascido em 1939, José Murilo estudou em colégio de padres e militou na Ação Popular, grupo cristão de esquerda, ajudando na organização de sindicatos rurais. Para além da "mineirice", havia também certo espírito de missionário franciscano, que como cientista social cedo elegeu o Brasil como a comunidade ou "República" a cujo serviço se devotaria.

O que a mídia pensa: editoriais / opiniões

É um erro prorrogar incentivos federais a montadoras do Nordeste

O Globo

Emenda à reforma tributária tenta manter benefício para agradar empresas com fábricas na Bahia

Quando parecia haver consenso contra a guerra fiscal travada pelos estados na disputa por investimentos de indústrias, surge a ameaça de uma emenda do governo à reforma tributária que estende incentivos até 2032. O objetivo é beneficiar montadoras instaladas no Nordeste: a Jeep, da holding Stellantis, e a fabricante chinesa de carros elétricos BYD, que acaba de chegar à Bahia.

A ideia pôs em alerta o consórcio dos governos de Sudeste e Sul. O governador de Minas, Romeu Zema, vislumbra o risco de a prorrogação da isenção de tributos federais — PIS-Cofins e IPI — induzir a Stellantis a dar prioridade a investimentos na montadora Jeep que tem em Pernambuco, em detrimento da fábrica da Fiat em Betim, também controlada pela holding.

Poesia | João Cabral de Melo Neto - Dos três mal-amados

 

Música | Chico Buarque - As Vitrines

 

domingo, 27 de agosto de 2023

Luiz Sérgio Henriques* - Modesta proposta para lidar com a direita radical

O Estado de S. Paulo

A adesão consciente ao método da democracia política pelas forças fundamentais é o real caminho para reduzir o tamanho e a expressão da direita radical

Em tempo de sobressaltos, o mais recente acaba de vir da vizinha República Argentina, cujas primárias eleitorais nos obrigaram a debruçar sobre um termo – anarcocapitalismo – até então marginal ou só conhecido por alto. Intuitivamente, sabemos que pertence à constelação da extrema direita, à qual acrescenta toques de crueldade, como a ideia de que a liberdade absoluta do indivíduo, posto no centro de tudo, supõe ou legitima o comércio dos seus órgãos. Uma “modesta proposta” que lembra não só um capitalismo pré-keynesiano, mas, ainda antes, o mundo setecentista satirizado por Swift, em que crianças pobres serviriam de repasto aos ricos e, assim, deixariam de pesar sobre suas famílias.

A teratologia, que não convém subestimar, é evidente. Faz-se acompanhar de um conjunto extremo de medidas, como a extinção do banco central ou a apologia de um Estado radicalmente mínimo, no qual se proscrevem expressões que recordem ou mencionem “justiça social”. Temos aí sintomas de transições perturbadoras, que marcam o interregno entre o mundo de ontem, que conhecíamos em grandes linhas, e um outro que mal podemos entrever. A reprodução tranquila das democracias liberais, proclamada há apenas algumas décadas, não mais está garantida. Defendê-las, fazer valer suas normas e instituições, tem sido o drama que se repete um pouco por toda parte em cada rodada eleitoral e em cada situação crítica.

Carlos Melo* - Patrimonialismo no sofá da sala

O Globo

Retirada de Bolsonaro da sala resolve só o que havia de mais dramático e urgente: a proteção à democracia

A alegoria do “bode na sala” ajuda a explicar o Brasil de 2023. Com a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, o ambiente passou a ser animado pelo presidente num clima de guerra. A pulsão de destruição foi seu dínamo. Mas, admita-se: a situação já não vinha bem, a atmosfera não era exatamente saudável. Bolsonaro foi antes efeito do desconcerto, não seu vingador.

Com ele, a intranquilidade sentou-se à mesa. Loucura muita, generosidade pouca, força ostensiva, intimidação, manipulação de símbolos nacionais; pequenas, mas agudas, provocações. Além, é claro, da vergonha alheia. Tudo está na História.

Sua derrota eleitoral, a consolidação do governo Lula e a inelegibilidade pronunciada pelo TSE aquietam o ambiente institucional. Mesmo parte de seus eleitores há de admitir certo alívio. Mas será um erro se a sociedade morar nesse conforto ilusório, insistindo em “matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem”. Há outros dragões diante de São Jorge.

Dorrit Harazim – Chile

O Globo

Para Kissinger, militares golpistas eram ‘um bando de incompetentes’ por não terem conseguido impedir a diplomação do eleito

Peter Kornbluh é incansável no seu pacto com a verdade e a História. Aos 67 anos, continua a não dar sossego a ditaduras, ditadores e ao governo que mais vezes incentivou a treva em terras estrangeiras — os Estados Unidos. Além de pesquisador sênior do National Security Archive (NSA), instituição que obtém, analisa e publica documentos secretos do governo americano graças à Lei de Liberdade de Informação, Kornbluh também dirige o Projeto de Documentação sobre o Chile, da mesma NSA. Às vésperas do 50º aniversário do feroz 11 de setembro de 1973 chileno, ainda resta muito a desenterrar sobre o golpe militar que matou, prendeu ou torturou pelo menos 40.018 pessoas. Mas Kornbluh tem método. E paciência. De garimpo em garimpo, ele desenterra novos documentos.

Semanas atrás divulgou a transcrição de um telefonema do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, a seu assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger. Datado de 15 de setembro de 1970, o telefonema contém comentários de Nixon sobre seu encontro de véspera, ultrassecreto, com o todo-poderoso Agustín Edwards — dono do maior conglomerado de mídia do Chile. (Contexto: dez dias antes desse encontro, o socialista Salvador Allende conseguira surpreender meio mundo derrotando por estreitíssima margem o ultraconservador Jorge Alessandri. Pela legislação da época, o Congresso chileno precisava ratificar o resultado das urnas, abrindo o caminho para o presidente eleito assumir o Palacio de la Moneda.)

Paulo Fábio Dantas Neto* - Sobre temas que mais importam

Sei que o tema líder de bilheteria entre os que gozam da reputação de politizados é Bolsonaro e seus podres poderes pretéritos. Nada contra essa PPP. Tudo joia! Mas teimo em falar da PPP dos palpáveis poderes políticos atuais, como fiz nos três artigos mais recentes (10.07, de 29.07 e 06.08). O Legislativo e o Executivo (nessa ordem de relevância quanto a atuais poderes de fixar pautas governamentais) tal como, a meu ver, eles estão sendo exercidos. O jogo corre solto enquanto se respira, em ambientes onde, em tese, “tudo é política”, um agosto que é um pós-outubro sem fim. O congelamento da agenda do país no tom da disputa do ano passado virou programa político. Não há, por ora, programa alternativo a este. (Quase) tudo e todos parecem aderir, exceto a solitária realidade, obstinada adversária das vontades.

Admito que a teimosia se escora numa impressão: a de que o país está sendo tratado como público-alvo de contos de carochinha. Usando essa imagem não quero ser injusto com a de folclóricas senhoras contadoras de fábulas que não incorrem no vício da mentira, mas na virtude da simpatia. Conhecedoras da psicologia infantil, seriam artistas da bondosa arte terapêutica de ministrar (ops!) leveza através da fantasia. Na política, contudo, essa arte benévola, agindo sobre as pessoas sem a mediação realista de agentes responsáveis pela vida em comunidade, não raramente provoca efeitos colaterais perversos. A dissimulação continuada do mundo real, agindo sobre cada indivíduo eleitor, vira uma mentira política, com o auxílio eficaz da propaganda e o público-alvo das bondades termina como vítima de autoengano. A responsabilidade por essa contravenção de uma intenção simpática não é das carochinhas, tampouco de mentes infantis, ou infantilizadas, cuja imaginação as fábulas políticas reforçam. Ela é de políticos adultos que permanecem silenciosos na sala, tirando partido da fantasia para fins estratégicos privados ou para praticarem a autoindulgência como discurso público. Uma abstenção da elite política que, quando se lambuza na tentação do populismo para dissimular sua condição de elite, aliena o seu mister.

Rolf Kuntz - Dólar, yuan e tango

O Estado de S. Paulo

Não cabe a Lula apoiar o governo argentino, financeira ou politicamente, em sua persistente resistência aos padrões mínimos de seriedade fiscal e monetária

Abaixo o dólar, viva o yuan, proclama com suas ações o governo petista, menos próximo dos Estados Unidos que seu antecessor e muito mais voltado para a China. O Brasil está disposto a aceitar a moeda chinesa no comércio com a Argentina, informou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O anúncio ocorreu em Johannesburgo, África do Sul, onde o presidente Xi Jinping se impôs como figura mais importante na reunião do Brics. O presidente Vladimir Putin participou virtualmente, sem se arriscar à detenção ordenada pelo Tribunal Penal Internacional. Mas valeu a pena, certamente, ficar em Moscou e acompanhar o noticiário sobre a morte do mercenário Yevgeny Prigozhin, citado entre as vítimas de um desastre aéreo na Rússia. Uma perícia honesta e bem executada poderá, ou poderia, indicar se foi um acidente.

Só os presidentes Putin e Lula falaram sobre a guerra na Ucrânia, em pronunciamentos durante a cúpula do Brics. Ignorado o assunto pelos outros participantes, sobrou muito espaço para a afirmação da liderança chinesa. Além de se destacar como representante da segunda maior economia do mundo, o presidente Xi Jinping defendeu com sucesso a ampliação do grupo, contra a opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o brasileiro serviu com esmero ao líder chinês.

Míriam Leitão - A árdua tarefa de Haddad

O Globo

O ministro vem acumulando vitórias no seu objetivo de reorganizar as contas públicas, mas aumentar a arrecadação não é tarefa fácil

O ministro Fernando Haddad avança em seu projeto de reorganizar as contas públicas. Na semana passada, conseguiu encerrar a aprovação do arcabouço fiscal e, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, foi aprovada a mudança no Carf. Mesmo avançando, o governo está ainda muito distante do ponto em que precisa estar. A ideia de Haddad, como se sabe, é arrecadar mais eliminando buracos na legislação tributária brasileira. Só que nada é simples quando se trata de cobrar impostos. Na sexta-feira, aumentou a reação à mudança da taxação dos fundos dos super-ricos, os fundos exclusivos.

O governo quer que os fundos exclusivos paguem a mesma tributação que os fundos de muitos cotistas. De seis em seis meses, o o imposto de renda é recolhido diretamente do rendimento dos fundos da classe média. Já os fundos fechados, de uma pessoa só, uma família, ou poucas pessoas, com valores altíssimos, pagam apenas no resgate ou na liquidação do fundo. O leão é rápido com a classe média, é lerdo com os muito ricos. Mudar isso é uma questão de justiça tributária, mas nunca se conseguiu aprovar essa medida.

Elio Gaspari - Os ‘vulneráveis’ do andar de cima

O Globo

O regime jurídico da Previdência brasileira tem uma singularidade. Quando ele avança num direito do andar de baixo, sempre em nome da modernidade, ele vira fumaça. Quando a moralidade pega o andar de cima, aos poucos a prebenda é restabelecida.

Até 2020, sete ex-governadores do Paraná recebiam pensões vitalícias de R$ 30 mil mensais. Em agosto, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a concessão do benefício. Em novembro, os ex-governadores recorreram, mas em fevereiro de 2021, a ministra Cármen Lúcia, relatando o recurso na Segunda Turma do STF, negou-lhes provimento. Seu colega Gilmar Mendes pediu vista. Em abril passado Gilmar votou, divergindo:

“Não há cruzada moral que justifique, à luz das garantias constitucionais, a abrupta supressão dos benefícios recebidos de boa-fé durante décadas por pessoas idosas, sem condições de reinserção no mercado de trabalho.”

Foi acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski e Kassio Nunes Marques. Bingo, a pensão renasceu.

Bernardo Mello Franco - Zanin não enganou ninguém

O Globo

Esquerda não peitou indicação de ex-advogado de Lula; reclamar depois da posse é chorar o leite derramado

Bastaram três semanas para a esquerda se dar conta de que Cristiano Zanin não tem nada de progressista. O ministro debutou no Supremo com uma sequência de votos de viés conservador. Sua estreia irritou apoiadores do governo e alegrou a oposição bolsonarista.

O ex-advogado de Lula se alinhou à direita em julgamentos sobre transfobia, direitos indígenas e porte de maconha para uso pessoal.

O estranhamento começou quando ele rejeitou uma ação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos. A entidade pedia que atos ofensivos à população trans fossem equiparados ao crime de injúria racial. A tese foi acolhida até pelo ministro Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro. Zanin alegou razões técnicas para dar o único voto contrário.

Luiz Carlos Azedo - Violência contra negros é problema para o governo

Correio Braziliense

A violência e as perseguições às religiões de matriz africana continuam, apesar de a Lei 9.459, de 1997, considerar crime inafiançável e imprescritível a prática de discriminação ou preconceito contra religiões

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na quarta-feira, no Diário Oficial da União (DOU), notificou 44 proprietários ou ocupantes identificados dentro do Quilombo Pitanga dos Palmares. A notificação é resultado da luta secular dos negros residentes no local, mas só aconteceu porque Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, foi assassinada na semana passada. O Incra levou seis anos para fazer a simples notificação. Ou seja, o problema vem de antes do governo Jair Bolsonaro.

O conflito agrário é uma das causas da violência contra aquela comunidade, que perdeu duas de suas lideranças, Mãe Bernadete e seu filho. Em 2017, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, foi morto a tiros enquanto deixava os filhos na escola. Muito provavelmente, um dos ocupantes da região foi o mandante do crime.

A demora da notificação é atribuída à pandemia e ao número reduzido de funcionários do Incra, mas isso é muito mais um pretexto. A Bahia tem 380 processos de regularização fundiária e mais de 220 processos de desapropriação de imóveis rurais. É o estado da Federação com a maior população quilombola do país, com mais de 600 comunidades certificadas pela Fundação Palmares.

Vinicius torres Freire - A briga da China com o dólar

Folha de S. Paulo

Chineses têm plano maior de expandir o uso de sua moeda no mundo, que ainda é bem pequeno

O governo Lula propôs, na prática, que a Argentina pague em yuans parte de suas compras de empresas brasileiras. Parte bem miudinha. Neste 2023, os argentinos poderiam usar a moeda chinesa para bancar o equivalente a 1% de suas importações anuais do Brasil.

Por que yuans? Porque a Argentina tem uma espécie de acordo de financiamento com a China. Os bancos centrais dos dois países têm um acordo de swap bilateral (compra e venda compromissada de moedas, por prazo, taxa, quantidade e condições de uso definidas). Nos últimos meses, a Argentina paga parcelas de sua dívida com o FMI com empréstimos, entre eles o da China (pega yuans, compra dólares); quando pinga um desembolso do FMI, devolve yuans aos chineses.

Celso Rocha de Barros - O novo ministério de Lula

Folha de S. Paulo

Presidente vai ter que entregar pastas para o centrão se quiser governar

Lula deve anunciar seu novo ministério nesta semana. É possível que seja um ministério pior. Também é possível que, exatamente por isso, o governo se torne mais capaz de aprovar seus projetos no Congresso.

Quando Lula anunciou o atual ministério, achei bom demais para ser verdade. No presidencialismo de coalizão brasileiro, o presidente monta sua base de apoio no Congresso distribuindo, entre outras coisas, ministérios para os partidos que têm muitos parlamentares. A soma dos votos que os atuais ministros de Lula garantem no Congresso não é suficiente para governar no sistema brasileiro.

Eleito pela frente ampla de 2022, o governo Lula tem um perfil ideológico mais centrista do que o de outros governos petistas. Mas o Congresso atual tem maioria de partidos que apoiaram Bolsonaro por ideologia e/ou por orçamento secreto.

A correlação de forças é o que é. Lula vai ter que entregar ministérios para o centrão se quiser governar.

Bruno Boghossian - Lula, Zanin e as drogas

Folha de S. Paulo

Se ideologia tivesse peso, presidente deveria ter retirado indicação durante a sabatina

Cristiano Zanin tentou escapar quando senadores levantaram o assunto da descriminalização das drogas na sabatina de junho. O futuro ministro disse que não comentaria o julgamento em curso no STF, mas acabou falando o que pensava: "A droga é um mal que precisa ser combatido".

Em menos de um mês na cadeira, o ministro mostrou que aquela não era só uma conversa mole para ganhar o apoio de parlamentares de direita. O voto de Zanin contra a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal, na quinta (24), situou o indicado por Lula numa posição mais conservadora do que integrantes nomeados por Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

Hélio Schwartsman - Um campeão da democracia

Folha de S. Paulo

Biografia de Alexis de Tocqueville não esconde contradições do filósofo e político

Se havia uma figura improvável para tornar-se um campeão da democracia, era Alexis de Tocqueville. Filho da nata da aristocracia francesa, ele teve vários de seus ancestrais guilhotinados durante a fase de terror que se sucedeu à revolução. Mais, a maior parte de seus familiares que sobreviveram a Robespierre era de legitimistas, isto é, apoiavam a monarquia absolutista dos Bourbon contra a dos Orleans.

Ainda assim, Tocqueville se tornou um dos primeiros e mais influentes teóricos da democracia, adotando uma abordagem que lembra bastante a dos modernos institucionalistas. Quem conta essa história com detalhes é Olivier Zunz em "O Homem que Compreendeu a Democracia". Foi numa viagem aos EUA que a democracia "fisgou" Tocqueville. O então jovem advogado que cruzara o oceano para estudar diferenças nos sistemas prisionais se deu conta de que algumas especificidades da vida social norte-americana favoreciam a democracia, a qual, por sua vez, exercia influências benfazejas sobre a sociedade. A viagem virou "Democracia na América", que logo se tornou um clássico.

Muniz Sodré* - Tempo de mortos-vivos

Folha de S. Paul

Qual o potencial de uma militância semimorta, porém, com suposto amplo capital político

tema dos zumbis tem sido recorrente no imaginário atual. Nada da qualidade de um clássico do horror como "A Noite dos Mortos Vivos" (1968), de Georges Romero, nem da comédia "Os Mortos não Morrem" (2019), de Jim Jarmusch, mas de uma profusão de livros, filmes e séries que deixa entrever uma estranheza de época: além do espetáculo, esse enredo espaventoso ajuda a correr voz entre atores da vida pública.

No âmbito partidário, pergunta-se qual o potencial de uma militância semimorta, porém, com suposto amplo capital político. É bem o caso do ex-mandatário: uma interdição a prazo fixo, cujos efeitos ultrapassam o formalismo jurídico do ato, considerando-se o uso da expressão "bolsonarismo" (golpismo, milicianismo) como presença moribunda de algo politicamente significativo.

Ruy Castro - Vivos para sempre

Folha de S. Paulo

Como seriam as continuações de clássicos do cinema com seus atores originais, mesmo já mortos?

Ouço dizer que, com a Inteligência Artificial, astros do cinema já mortos voltarão espetacularmente a trabalhar. A IA poderá reproduzi-los como eram sem reciclar material pré-existente, como fizeram com Harrison Ford, 80 e quebrados, que ressurgiu jovem e pimpão num recente épico. Donde será possível produzir continuações de clássicos do cinema com os atores originais, mostrando o que aconteceu com os personagens depois do "The end".

Com "Casablanca" (1942), é fácíl. Já sabemos que, depois de botar Ingrid Bergman e o marido naquele vôo para Lisboa, Humphrey Bogart e o chefe de polícia vivido por Claude Rains informam que ali era o começo de uma bela amizade e que iriam embora de Casablanca. No novo filme, eles assumirão que será em lua de mel e que virão para o Rio, já cheio de refugiados europeus e onde certamente encontrarão conhecidos. Se serão felizes para sempre, fica por conta do roteirista.

O que a mídia pensa: editoriais / opiniões

Governo não deve esquecer reforma administrativa

O Globo

Máquina pública cara e ineficiente exige que Executivo, Legislativo e Judiciário encarem o desafio

Executivo e Legislativo fazem bem em tentar aprovar ainda neste ano a reforma tributária. Fariam melhor se não esquecessem a reforma administrativa. Sua discussão e aprovação proporcionaria ao Brasil avanços imensos numa prioridade sempre adiada, nem por isso menos urgente: a gestão eficiente do Estado.

A máquina pública brasileira não é inchada por ter funcionários em excesso, mas por padecer de distorções inaceitáveis e custar caro demais. Como mostrou a primeira de uma série de reportagens do GLOBO sobre o tema, os funcionários públicos correspondem a 5,6% da população brasileira, abaixo da média da OCDE (9,5%). As despesas com funcionalismo no Brasil, porém, equivalem a 13% do PIB, mais do que em países conhecidos pela máquina perdulária, como Portugal ou França.

Poesia | Castro Alves - A duas flores

 

Música | Marisa Monte - Em qualquer tom