Folha de S. Paulo
Ignorando-se os limites da realidade, não
se consegue nem tomar um Chicabon
Lula reinaugura
a política em Brasília. Até agora tem sabido, para ficar na metafísica
influente destes dias, como tocar e lançar a bola, a despeito da rabugice
"Duzmercáduz" e de setores consideráveis da imprensa, que odeiam
justamente a... política. "Rabugem", a propósito, é sinônimo de
sarna. O rabugento está sempre se coçando, numa inquietude viciosa.
Jair
Bolsonaro se queda em silêncio porque moralmente derrotado,
incapaz de se apresentar a suas milícias com a conhecida altivez burra e
truculenta. Faz soar, na sua quietude, o apito de cachorro para manter
mobilizados os zumbis do golpismo, enquanto Eduardo, o
filhote, vai à farra no Qatar levando consigo supostos "pen
drives" sobre "a atual situação do Brasil"...
Mas há mais do que o peso da derrota.
Aquele que, para todos os efeitos, ainda preside o país nada diz porque se vê cercado, de súbito, por um ambiente que lhe é absolutamente estranho e ao qual sempre se mostrou hostil: a negociação. Quando chegou à Presidência, tinha uma carreira de quase 30 anos como deputado federal, trilha profissional seguida pelos filhos. O clã havia encontrado um meio de ganhar a vida e de acumular um formidável patrimônio —parte em dinheiro vivo—, mas se dedicava a que causa pública mesmo?