sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Reinaldo Azevedo -A volta da política cala Bolsonaro

Folha de S. Paulo

Ignorando-se os limites da realidade, não se consegue nem tomar um Chicabon

Lula reinaugura a política em Brasília. Até agora tem sabido, para ficar na metafísica influente destes dias, como tocar e lançar a bola, a despeito da rabugice "Duzmercáduz" e de setores consideráveis da imprensa, que odeiam justamente a... política. "Rabugem", a propósito, é sinônimo de sarna. O rabugento está sempre se coçando, numa inquietude viciosa.

Jair Bolsonaro se queda em silêncio porque moralmente derrotado, incapaz de se apresentar a suas milícias com a conhecida altivez burra e truculenta. Faz soar, na sua quietude, o apito de cachorro para manter mobilizados os zumbis do golpismo, enquanto Eduardo, o filhote, vai à farra no Qatar levando consigo supostos "pen drives" sobre "a atual situação do Brasil"... Mas há mais do que o peso da derrota.

Aquele que, para todos os efeitos, ainda preside o país nada diz porque se vê cercado, de súbito, por um ambiente que lhe é absolutamente estranho e ao qual sempre se mostrou hostil: a negociação. Quando chegou à Presidência, tinha uma carreira de quase 30 anos como deputado federal, trilha profissional seguida pelos filhos. O clã havia encontrado um meio de ganhar a vida e de acumular um formidável patrimônio —parte em dinheiro vivo—, mas se dedicava a que causa pública mesmo?

Vinicius Sassine – Conivência e delírio

Folha de S. Paulo

Ocupação da porta de quartéis, com pedidos de intervenção, revela pouco apreço à democracia por militares

O general Achilles Furlan Neto aceitou que a fachada principal da entrada de seu comando, onde antes estavam visíveis as letras garrafais do Comando Militar da Amazônia, fosse tomada por lonas pretas e azuis, por caixas de isopor improvisadas como prateleiras e lotadas de suprimentos e por fogões industriais.

Uma ampla cozinha foi improvisada na calçada. Um reservatório de água garante o cozimento de alimentos. Um cano leva a água suja para a rua. Sacos com lixo são empilhados todos os dias, o que provoca mau cheiro. Mais fétidos são os dez banheiros químicos rentes à mureta da unidade militar, numa avenida movimentada de Manaus.

O comando, ao qual estão vinculados 20 mil militares, admitiu ainda 57 barracas, 20 carros estacionados na calçada, cones bloqueando uma faixa da avenida e a presença de manifestantes –com suas cadeiras de praia dispostas bem na frente da entrada principal– interditando o fluxo. Eles passam os dias entoando hinos militares e louvores.

Bruno Boghossian - Sempre cabe mais um?

Folha de S. Paulo

Apetite demonstrado por partidos dá corpo a disputa azeda que inclui o próprio PT

Depois que as peças mais sensíveis do futuro governo começaram a se encaixar, uma disputa azeda ganhou corpo entre aliados de Lula. Mesmo com a provável expansão da Esplanada dos Ministérios para além de 30 pastas, o excesso de candidatos aos cargos mais vistosos alimentam um mal-estar dentro e fora do PT.

A partilha de ministérios ficou mais apertada nesta semana com o apetite demonstrado por novos aliados. Lula conversou com grandes partidos e deixou o balcão aberto para que cada sigla indique ao menos dois nomes para o primeiro escalão.

Hélio Schwartsman - Os sapos da política

Folha de S. Paulo

Lira foi primeiro a se dar bem na gestão Lula

Nenhum analista pé no chão esperava ver um governo Lula sem o centrão. O papel desse grupo ideologicamente amorfo de parlamentares que apoia qualquer dirigente que lhes conceda cargos e verbas se tornou tão central na manutenção de coalizões estáveis que seus representantes já não hesitam nem em apostar em candidatos presidenciais com pouca chance de vitória, pois sabem que, ao fim e ao cabo, serão chamados a apoiar a administração de quem quer que seja eleito.

Ainda assim, impressiona a rapidez com que Lula compôs com Arthur Lira (PP-AL). Antes mesmo de o petista anunciar seu primeiro nome para o ministério, Lira já arrancou da próxima gestão apoio para manter-se na presidência da Câmara, lugar privilegiado do qual exercerá enorme influência na administração. O feito é ainda mais notável porque, até poucas semanas atrás, um Lula, ainda candidato, qualificava o orçamento secreto, a grande obra de Lira, como crime e usurpação de poder.

Ruy Castro - Provocação e prova

Folha de S. Paulo

Se Roda Viva não for de Chico Buarque, de quem seria?

Eduardo 03 Bolsonaro usou numa postagem uma canção de Chico Buarque, "Roda Viva", sem pedir autorização ao autor. 03 detesta Chico Buarque por tudo que ele representa na cultura e deve odiar "Roda Viva", um hino contra a ditadura que 03 defende. Donde seu uso de "Roda Viva" foi uma provocação. Fez isto para afrontar Chico Buarque e obrigá-lo a um processo. O processo aconteceu. E, surpreendentemente, uma juíza está dando ganho de causa a 03 por Chico Buarque "não poder provar sua autoria de ‘Roda Viva’".

"Roda Viva" foi título e tema de uma peça de teatro de Chico Buarque que estreou no dia 15 de janeiro de 1968, no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana, no Rio. Eu morava então no Solar da Fossa, vizinho do teatro. Minha colega do Correio da Manhã, Germana de Lamare, era amiga de José Celso Martinez Correa, diretor do espetáculo. Todo fim de tarde, naquele verão de 1967/68, ele me apanhava no Solar e íamos ver os ensaios de "Roda Viva".

Vinicius Torres Freire - A bola do PIB está com Lula 3

Folha de S. Paulo

Economia está esfriando, mas ainda há tempo de fazer retomada mais rápida em 2023

PIB começou a andar mais devagar no terceiro trimestre, que é quase passado remoto, quando se pensa nas reviravoltas da economia brasileira. Cresceu 0,4% ante o segundo trimestre e deve ficar estagnado neste final de ano.

O chute informado, embora frequentemente muito errado, é de crescimento de 1% em 2023, nos casos otimistas. Em termos de renda (PIB) per capita, por pessoa, seria praticamente estagnação.

Os dados mais recentes sobre o trabalho são do trimestre de agosto a outubro, quase nada mais recentes. O aumento do número de pessoas ocupadas também desacelera. Mas ainda cresce ao ritmo muito bom de 6% ao ano, mais de 5,7 milhões a mais de pessoas empregadas. Ainda menor que em 2019 ou 2018, o salário médio cresce acima da inflação desde setembro, pelo menos.

José de Souza Martins* - Tom Zé na Academia

Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Ele é a expressão da consciência de uma sociedade que teima em fazer dos simples o muito menos para que ela possa ser o demasiado de alguns em troca da ilusão do consumismo falsamente abundante

“Bença, mãe!” O clamor de Tom Zé cortou como fio de navalha o silêncio emocionado e litúrgico do auditório da Academia Paulista de Letras para retornar sobre a pele arrepiada dos presentes, em tempo de reencontrar o refrão que saía da boca solene do poeta: “Bença, mãe/ Deus te faça feliz/Minha menina Jesus/E te leve pra casa em paz”.

Eleito sucessor de Jô Soares na Cadeira 33 da Academia, Tom Zé tomava posse. Foi seu paraninfo o maestro Júlio Medaglia, que contou sua história de simplicidade e de grandeza, desde Irará, no interior da Bahia. Teve refinada educação musical na Universidade Federal daquele estado, um músico popular de formação erudita. Até chegar ao mundo que São Paulo julga ser.

Em 1968, sua “São São Paulo” ficou em primeiro lugar no Festival de Música Popular daquele ano. O mais significativo retrato musical e poético da cidade, o mais verdadeiro, dentre tantas composições que a tem cantado há mais de um século.

Nessa obra, Tom Zé expõe as raízes de sua criatividade e originalidade. A poesia não se separa da música. Nem é linear. A duplicidade dialética dos antagonismos e contradições que a caracteriza tem muitas raízes, na diversidade das determinações, o todo perdido da busca na trama de uma realidade despedaçada.

Tom Zé é um filósofo do vivido, no sentido que lhe dá Henri Lefebvre, o maior dialético do século XX, que foi um pensador da tríade de contradições da modernidade, do percebido, do vivido e do concebido, que sintetiza o desafio do desencontro e da busca.

César Felício - Regulamentação do lobby chega no meio do caminho

Valor Econômico

Projeto, se aprovado no Senado, pode ser uma lei de transição

Processo que começou no Congresso há nada menos que 38 anos, a regulamentação do lobby no Brasil avançou na Câmara dos Deputados nesta semana com a aprovação do parecer do deputado Lafayette Andrada (Republicanos-MG), mas nada garante que o marco legal em relação a este tema esteja próximo.

O projeto aprovado pelos deputados, que funde uma proposta do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) apresentada em 2007 com outra de autoria do governo federal, passou por votação simbólica, com a solitária oposição do Psol, mas não há acordo com o Senado para que a proposição seja votada sem modificações.

Mesmo defensores da matéria reconhecem que o texto em discussão tem limitações. Carolina Venuto, presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), ou seja, o lobby em relação ao lobby, concorda que estamos diante de uma “legislação de transição”. Muda-se agora para mudar de novo mais adiante.

Eliane Cantanhêde – EUA, Brasil e Haiti

O Estado de S. Paulo

Consenso: o Haiti precisa de apoio internacional intenso, não de tropa policial de choque

possível encontro de Luiz Inácio Lula da Silva com Joe Biden, ainda em dezembro, será mais uma confirmação do quanto o Brasil está voltando ao cenário internacional e o quanto as relações do País com a maior potência mundial vão esquentar. Mas nem tudo o que reluz é ouro e nem tudo o que interessa ao Brasil convém aos Estados Unidos, e vice-versa.

Há muito em comum entre Lula e Biden em ambiente, direitos humanos, gênero, igualdade racial e justiça social. E há muitos programas de cooperação que atravessam governos e ideologias, nas áreas de saúde, defesa e segurança, por exemplo. Porém, pelo menos uma proposta americana não agradar ao Brasil. Aliás, nem ao governo que entra nem ao que sai.

Luiz Carlos Azedo - Como apartar os militares da política?

Correio Braziliense

Bolsonaro estimula protestos de extrema direita à porta dos quartéis; constrange os comandantes militares, que sabem de seu dever de defender a hierarquia e a disciplina nas Forças Armadas e a Constituição

Ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública, ex-relator na Câmara do projeto de Política Nacional de Defesa, Raul Jungmann sempre se queixou do fato de que nem o Congresso nem a chamada sociedade civil deram muita importância à questão militar. Esse assunto era tratado pelos políticos como resolvido, até o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, escalar o seu ativismo no Twitter e pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a negar o pedido de habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi impedido de disputar as eleições de 2018, para as quais era o franco favorito.

O resultado foram quatro anos de “pesadelo”, como definiu o compositor Chico Buarque de Holanda, no seu show de terça-feira passada, em Brasília. Desde que a eleição do presidente Jair Bolsonaro trouxe os militares de volta ao poder, o fantasma do golpe de Estado, e não do comunismo, passou a rondar a Praça dos Três Poderes. Derrotado nas urnas, Bolsonaro não reconhece a vitória de Lula e estimula protestos de extrema direita à porta dos quartéis; constrange os comandantes militares, que sabem de seu dever de defender a hierarquia e a disciplina nas Forças Armadas e respeitar a Constituição.

Claudia Safatle - Lula terá que conviver com orçamento ‘secreto’

Valor Econômico

Só se fala em furar o teto; ninguém leva a sério o corte de gastos

Em troca da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Transição, os partidos que estão apoiando o governo eleito estão negociando ministérios, mas dificilmente abrirão mão do orçamento “secreto”. O que se pode é tentar negociar mais transparência no processo de liberação das emendas, mas essa é uma realidade que já faz parte do “modus operandi” partidário desse Congresso. O ideal seria buscar um acerto com o novo Parlamento, que assume em fevereiro, mas o ideal nem sempre é o possível. A dotação orçamentária para o orçamento “secreto” é de R$ 19 bilhões para o próximo ano.

O caminho que está se traçando no Congresso é dar uma folga orçamentária por dois anos para o governo eleito, até que se construa um novo regime fiscal para o país para substituir o teto do gasto que, aos trancos e barrancos, vigorou de 2016 para cá. Já em relação ao valor, se ficarão fora do teto cerca de R$ 200 bilhões ou menos, isso será decidido pelo Senado e a Câmara sancionará o que vier de lá. A tendência, porém, é reduzir um pouco esse valor.

Fabio Giambiagi - Um teto de R$ 2 trilhões

O Globo

Definir uma boa regra de gastos deveria ser o requisito mais importante para o governo Lula ser bem-sucedido. É preciso ser muito cuidadoso

Tratei do tema do teto de gastos no conjunto de 15 artigos que escrevi com sugestões para o novo governo. A importância do tema, o fato de estarmos perto de 2023 e a necessidade de tomar decisões acerca da questão fiscal me induzem a retomar o assunto.

A regra vigente, na prática, tinha caducado. Como mostramos com Manoel Pires no texto para discussão (TD) número 2, “Perspectivas fiscais para a década: dilemas e escolhas”, publicado no site do Ibre/FGV, ela implicaria contrair as despesas discricionárias dramaticamente no próximo governo. Isso seria inviável.

A questão é como mudar a regra do teto, mas preservando a noção de limites à expansão do gasto. A situação se assemelha à de uma pessoa precisando emagrecer e que prometera à família que faria um regime para perder 30 quilos em seis meses. No terceiro mês, o objetivo se revela impossível.

Pedro Doria - Vamos copiar as leis digitais da Europa

O Globo

Regular as grandes plataformas não é trivial, os europeus passaram três anos estudando o problema

A equipe de transição para o futuro governo Lula já tem uma ideia do que fazer com as grandes plataformas digitais. O time escalado para discutir o assunto é inadequado — o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo e seu então secretário executivo, César Alvarez, o ex-deputado federal Jorge Bittar e a única pessoa que tem real experiência trabalhando com redes sociais, a economista Alessandra Orofino. Ainda assim, a ideia do grupo é boa: copiar a nova legislação europeia para o tema.

O PT é velho. Ou melhor: quem tem real poder, dentro do Partido dos Trabalhadores, é velho. O novo presidente não usa cotidianamente um smartphone. Muitos no comando da transição têm apenas um tico mais de experiência com tecnologia. E não adianta. Para começar a entender como a comunicação mudou radicalmente, só tem um jeito. Abrir o WhatsApp algumas vezes por hora, estar no Twitter todo dia, deslizar o dedo pelo Instagram, frequentar o YouTube para assistir a vídeos a ponto de o algoritmo já saber o que lhe recomendar, passear pelo Face, ter um TikTok. Tem de ser hábito.

Bernardo Mello Franco - Gaiola de Ouro 2.0

O Globo

Câmara quer gastar R$ 150 milhões para comprar edifício que abrigou hotel de luxo e império de Eike

A Gaiola de Ouro vai mudar de endereço. Os vereadores do Rio querem deixar o Palácio Pedro Ernesto, no coração da Cinelândia. O plano é comprar o Edifício Serrador, que já sediou o império de Eike Batista.

Inaugurado em 1944 como hotel de luxo, o prédio tem 24 andares e conta com heliponto, elevadores informatizados e cobertura panorâmica. Nos tempos de glória, abrigou a boate Night and Day, que atraía celebridades internacionais e políticos da velha capital.

O imóvel está avaliado em quase R$ 150 milhões. Numa conta conservadora, ainda seria preciso gastar mais R$ 20 milhões para adaptá-lo às novas funções legislativas.

Apesar dos custos, os vereadores parecem animados. Sonham com gabinetes mais amplos e confortáveis, valorizados pela vista de cartão-postal. Enquanto se ocupam com os dramas municipais, poderão contemplar o Pão de Açúcar, o Aterro do Flamengo e a Baía de Guanabara.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

É erro grave a visão do novo governo sobre a Previdência

O Globo

Ampliar gasto com aposentadorias por invalidez e pensões tornaria a bomba fiscal ainda mais explosiva

É um equívoco grave a forma como a equipe de transição encara a questão previdenciária. Pelas informações preliminares, a intenção é rever as regras da reforma da Previdência de 2019 em dois pontos: pensão por morte e aposentadoria por invalidez. Se houver aumento em ambas sem redução equivalente noutras rubricas, estará contratado um aumento substancial num dos maiores gastos do Estado — mais gasolina para inflamar a já explosiva bomba fiscal armada para o início da gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

Parece inacreditável que os economistas ligados ao PT não entendam os desafios do Brasil. Com o aumento da expectativa de vida, os gastos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) saíram de 6% do PIB em 2002 para quase 10% no ano passado. Há vários anos a receita fica abaixo da despesa. O problema só tende a piorar com o envelhecimento da população.

Foi com o objetivo de começar a resolvê-lo que há três anos o governo Jair Bolsonaro, aproveitando negociações iniciadas na gestão Michel Temer, promoveu a reforma para aumentar o período de contribuição, elevar a idade mínima para aposentadoria e limitar o valor de pensões, entre outros pontos. Com a aprovação, calculou-se uma economia de R$ 1 trilhão no período entre 2020 e 2029. Caso o PT vá em frente com a ideia de alterar a reforma, aproximadamente 20% desse impacto positivo simplesmente virará pó.

Poesia | Os três mal amados (Trecho) - João Cabral de Melo Neto com narração de Mundo dos Poemas

 

Música | Roberta Sá e Martinho da Vila - Amanhã é sábado

 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Merval Pereira - Desmontando armadilhas

O Globo

Bolsonaro politizou militares, que agora temem um governo petista

O governo Lula, que nem mesmo começou, já está tendo de apagar um incêndio na área militar. Tudo indica que está tendo sucesso. Os comandantes das três Forças — Exército, Marinha e Aeronáutica — iniciaram um movimento conjunto para sair de seus postos antes mesmo que Lula assumisse a Presidência da República. Um fato gravíssimo, pois não há outro motivo para essa substituição prematura que não seja a explicitação da rejeição dos comandantes ao sucessor eleito.

O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, já marcou o dia 23 deste mês como data para a transmissão do cargo. O que muitos entre os militares consideram indisciplina, quebra da hierarquia, está sendo negociado nos bastidores para que não se confirme, pois essa restrição seria um sinal para que os subordinados, como já acontece, se sintam à vontade para exprimir seu repúdio à eleição de Lula, fato sem precedentes.

Assim como essa atitude extrema, a leniência nos quartéis com os bolsonaristas acampados em áreas de segurança nacional se deve à influência do próprio presidente Bolsonaro, que mesmo em silêncio estimula essas atitudes. Além do mais, a ação para impedir as manifestações cabe às forças de segurança pública, e não à Forças Armadas, que só atuariam diretamente em caso de decretos para ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Malu Gaspar – Lula e o xadrez da Defesa

O Globo

Quando se pensava que a transição de Lula já estava suficientemente complicada pelas negociações para aprovar a emenda constitucional que permitirá ao novo governo furar o teto de gastos, surgiu um nó ainda mais delicado — a resistência das Forças Armadas ao presidente eleito. O discurso oficial dos petistas é que não há nada demais acontecendo, mas os sinais estão dados.

Depois de protelar por três semanas a data para formar o grupo de trabalho sobre políticas de Defesa, os porta-vozes de Lula finalmente disseram que o grupo não existiria mais, porque, nas palavras do coordenador Aloizio Mercadante, “a transição está resolvida”.

Enquanto isso, aliados do presidente eleito vazavam que o futuro ministro seria José Múcio Monteiro, ex-presidente do Tribunal de Contas da União e ex-ministro de Relações Institucionais de Lula. Foi o próprio Múcio quem disse que “o presidente optou por só fazer a transição na área da Defesa após a escolha do ministro e dos comandantes (das Forças Armadas)”.

Traduzindo: ao contrário de todas as outras áreas, na Defesa não haverá transição. A razão, embora ninguém admita publicamente, é que não há possibilidade de diálogo entre os atuais comandantes e o novo governo. Nas últimas semanas, os emissários de Lula enviados para sondar os ânimos na ativa voltaram sempre com esse mesmo retorno.

Míriam Leitão – Revogar o novo entulho autoritário

O Globo

Senador eleitor, que coordena grupo de Justiça e Segurança, considera que será preciso fazer um revogaço das medidas que estimularam o armamentismo

O senador eleito Flávio Dino define como “novo entulho autoritário”, tudo o que precisará ser revogado pelo novo governo, como estímulo às armas, o uso político das forças de segurança, e as ameaças à democracia. Entre as sugestões que serão encaminhadas pelo grupo de Justiça e Segurança que ele coordena está a de uma nova cultura organizacional que despolitize as forças de segurança, porque, “a política não é decidida pela polícia, é pelo voto popular”.

— O cidadão pode votar em quem ele quiser. Mas ele não pode se apropriar de uma função de estado e ainda mais armada para fazer política. Quem quiser permanecer no extremismo ilegal, agressivo, belicista vai ter a resposta que a democracia exige.

A defesa da democracia, explicou o senador, não é apenas um direito. É um dever.

— A democracia tem o dever de agir contra aqueles que querem destruí-la. Há um capítulo no relatório, de crimes contra o estado democrático de direito. Isso está no Código Penal, de competência federal. A nova equipe deve dar cumprimento pleno e imediato a isso contra aqueles que querem destruir a democracia, policiais ou não.

Luiz Carlos Azedo - Projeto prevê controle de conteúdo da internet

Correio Braziliense

Proposta reduz poder e aautonomia das chamadas big techs, principalmente Google, Facebook, Amazon e Apple

A equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tenta adiar para o próximo ano a votação do projeto de lei de autoria do deputado federal João Maia (PL-RN), que estabelece regras para atuação das plataformas digitais no país e só falta ser incluído na pauta pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A proposta confere à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) superpoderes para controlar a internet, inclusive seu conteúdo. “No Projeto de Lei nº 2.768/2022, proponho uma regulação na linha da Comissão Europeia, mas de forma bem menos detalhada. Isso porque estamos lidando com questões de extrema relevância, que exigem respostas regulatórias ao mesmo tempo novas e muito rápidas”, argumenta Maia.

Maria Cristina Fernandes - Uma briga de cada vez

Valor Econômico

Lula sinaliza que precisa de paz nos quartéis para fazer o que pretende na economia

Ao abrir as nomeações para o ministério por Fernando Haddad e José Múcio Monteiro, provavelmente na segunda-feira, 5, o presidente eleito parece sinalizar que precisa de paz nos quartéis para fazer o que pretende na economia. Diferentes em tudo, dos 25 anos que os separam às trajetórias na política, as indicações sinalizam, além da confiança de Lula, sua convicção de que não dá para comprar todas as brigas ao mesmo tempo.

Ninguém no PT hoje comunga tanto o ideário lulista quanto Haddad. Se Antonio Palocci, autor de uma delação falsa, foi a maior decepção de Lula no PT, o ex-prefeito, que ruma para ocupar o mesmo lugar, é sua expectativa de redimi-la. Desde que a caserna seja despolitizada.

Os militares hoje se dividem entre bolsonaristas e antibolsonaristas. Só o antipetismo os une. Isso é parte da explicação para a preferência, na Defesa, do engenheiro que iniciou sua carreira pública no PDS e, em sua primeira disputa eleitoral, que Múcio conta com bom humor até hoje, perdeu de lavada o governo do Estado de Pernambuco para Miguel Arraes.

Cristiano Romero - A cabeça do brasileiro 20 anos depois

Valor Econômico

Parecemos mais liberais na economia e nos costumes do que há 20 anos

O Brasil, graças à enorme diversidade étnica e cultural, ao racismo que desde sempre é a principal característica nacional, à ignominiosa desigualdade que separa ricos e pobres e à desafiadora concentração do poder econômico e, portanto, político, talvez seja o maior desafio da humanidade em relação ao que se chama de “nação”. Diante de afirmação aparentemente cáustica, interlocutores indagaram ao colunista: “Se isso fosse verdadeiro, estaríamos em guerra”. Não estamos?

“O Brasil não é para principiantes”, disse certa vez um de nossos gênios da música, Antônio Carlos Jobim. O compositor, multi-instrumentista, poeta, cantor e maestro era, também, apaixonado por aves e palavras. Adorava gastar seu precioso tempo lendo dicionários. Seu pássaro predileto era o “urubu”, título de um de seus principais álbuns, e outro passatempo era tentar entender o Brasil.

Maria Hermínia Tavares* - O fracasso dos populistas

Folha de S. Paulo

Estratégia política de alto risco, populismo só tem êxito em circunstâncias específicas

Políticos populistas ameaçam a democracia. Difundem a descrença nas instituições representativas, combatem o pluralismo, estimulam a polarização e montam poderosas máquinas de desinformação. No governo, tratam de submeter o Legislativo e, especialmente, o Judiciário à vontade do Executivo, sob seu controle, e buscam amordaçar a mídia, as organizações autônomas da sociedade e as oposições organizadas. O modo como agem é esmiuçado por Steve Levitsky e Daniel Ziblatt no best-seller "Como as democracias morrem", de 2018.

Felizmente, governantes populistas não costumam ser bem-sucedidos ao buscar a destruição do sistema representativo. Essa é a tese do professor Kurt Weyland, da Universidade do Texas-Austin, no artigo "How populism dies" (Como o populismo morre: as fraquezas da liderança personalista plebiscitária"), publicado neste ano nos Estados Unidos.

Bruno Boghossian - O golpismo nos quartéis

Folha de S. Paulo

Chefes indicados por Lula precisam restabelecer disciplina contra cultura alimentada por Bolsonaro e auxiliares

A equipe de Lula não vê muito risco na ameaça golpista que se arrasta desde a eleição, mas também sabe que o tumulto provocado por bolsonaristas não vai desaparecer de uma hora para outra. O provável ministro Flávio Dino chamou atenção para o que deve ocorrer na virada do calendário: "Caso esses atos se prolonguem, a partir de 1º de janeiro eles serão um problema nosso".

Nos primeiros meses de mandato, Lula provavelmente terá que lidar com alguns bloqueios de rodovias e aglomerações pró-ditadura nas portas dos quartéis. Aliados do presidente eleito acreditam que a temperatura deve baixar gradualmente com a posse, mas também entendem que os bolsonaristas devem manter protestos do tipo com o objetivo de desgastar o governo.

Ruy Castro - Uma rima para patriotas

Folha de S. Paulo

O bolsonarismo está se tornando uma seita em extinção e nem os Bolsonaro querem saber mais dela

Em Pernambuco, um patriota abraçou-se a um caminhão para impedir que ele furasse um bloqueio na estrada e rodou crucificado ao para-brisa por quilômetros em alta velocidade. No Paraná, patriotas de mãos dadas cantaram o Hino Nacional para um pneu entronizado no meio da rua –o pneu ouviu o hino em respeitoso silêncio. No Rio Grande do Sul, outra multidão de patriotas piscou seus celulares para o céu, tentando supostamente chamar a atenção de E.Ts. para que venham impedir a posse de Lula.

Já para uma patriota talvez também gaúcha, não há motivo para desespero. No dia 1º de janeiro, Brasília será palco de uma metempsicose: a alma de Bolsonaro transmigrará para o corpo de Lula no ato de posse e Bolsonaro continuará governando, só que no corpo do inimigo. A vidente não explicou o que será do corpo de Bolsonaro, subitamente oco, ou se a alma de Lula, despejada e sem teto, se mudará para o dele.

Vinicius Torres Freire - Boato que derrubou juros

Folha de S. Paulo

Rumor de "desidratação" da PEC da Transição e de aperto menor nos EUA alivia situação

Até o "pessoal da transição" começou a dizer que o aumento de gasto em 2023 deve ser bem menor do que os R$ 198 bilhões que ainda estão na mesa, diz um deputado próximo do atual e provavelmente futuro presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O deputado diz que pode ser de R$ 135 bilhões, número já citado por Nelson Barbosa e Pérsio Arida, da equipe de economia da transição, por motivos diferentes. Segundo Barbosa, seria uma despesa que não implicaria gasto adicional em relação a 2021. Para Arida, uma espécie de número limite, caso a economia crescesse 2,5%, uma hipótese improvável, por ora.

Quem da "transição" estaria aceitando um pacote menor? "Já caiu a ficha para quase todo mundo da transição política, até para o [Geraldo] Alckmin".

PSDB e Cidadania dão aval a texto, mas pedem mudança no Auxílio

Weslley Galzo / O Estado de S. Paulo

Cotado para a Fazenda, Haddad diz que debate sobre nova âncora fiscal deve ficar para depois

Em reunião convocada ontem pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os deputados federais Adolfo Viana (PSDB-BA) e Alex Manente (Cidadania-sp) garantiram o apoio da federação ao qual fazem parte na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição no Congresso, mas sinalizaram ter divergências com um dos pontos centrais do texto: a retirada do Auxílio Brasil por quatro anos do teto de gastos.

Os parlamentares das duas siglas defendem que o programa de transferência de renda fique fora da âncora fiscal vigente por apenas um ano. Eles defendem ainda que a PEC da Transição antecipe para o ano que vem as discussões de revisão do teto de gastos – que limita o crescimento das despesas do governo à variação da inflação – e da regra de ouro para que seja formulada uma nova âncora fiscal.

“Eu disse isso ao presidente: ‘Nós temos a missão de rever o teto de gastos e a regra de ouro, porque nós não podemos sempre ficar no penduricalho para ter condições de dar auxílio. Ou nós antecipamos essa revisão prevista para daqui cinco anos ou nós vamos sempre ter de fazer algo que é exceção para aquilo que é obrigação”, disse Manente, que, apesar disso, reforçou o apoio à PEC. “Apoiaremos (a PEC), independentemente de qualquer questão, e nós teremos a independência de divergir naquilo que não concordamos.”

No Senado, MDB, PSD e União Brasil já tinham declarado apoio à PEC também depois de se reunir com Lula.

Entrevista | José Serra* ‘PEC é arapuca política com desdobramento fiscal’

Adriana Fernandes / O Estado de S. Paulo

O senador José Serra (PSDB-SP) diz que o novo governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva está entrando em uma “arapuca” política com desdobramentos fiscais. “Demoraram semanas para protocolar um texto que será muito modificado e estão escolhendo caminhos que não resolvem o problema”, alerta.

Para Serra, Lula deve buscar os melhores na economia para compor seu time. “Ele precisa da estabilidade macroeconômica para mostrar que faz uma boa política econômica”, diz.

Na reta final do seu mandato, Serra apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) alternativa à protocolada pelo governo de transição para resolver o impasse orçamentário e a regra fiscal para as contas públicas. Serra diz que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) já apresenta um conjunto de regras e procedimentos que promovem transparência, controle do gasto e planejamento fiscal de médio prazo.

Na segunda-feira passada, o sr. protocolou uma PEC com solução de curto, médio e longo prazos para as contas públicas e que já conta com 32 assinaturas. É uma alternativa à PEC da Transição?

Apresentei uma PEC que assume responsabilidade fiscal, ambiental e social. Restabelece no País o arcabouço da LRF, permitindo uma gestão planejada e transparente, com regras e procedimentos adotados em países tidos como avançados em matéria de governança. Chamo de PEC da Reconstrução. Proponho a troca da âncora fiscal do país, substituindo o teto de gastos (regra que atrela o crescimento das despesas à inflação) pelo limite da dívida previsto no art. 52 da Constituição desde a constituinte. O Executivo teria que apresentar para o Senado uma proposta com os limites no prazo de seis meses.

William Waack - A difícil acomodação

O Estado de S. Paulo

Lula está chamando para si o controle da política econômica

No condomínio que Lula prometeu construir para governar, Arthur Lira já assegurou o melhor apartamento do prédio, o da cobertura. Sem saída, o PT o apoia para a reeleição. Espera em troca um presidente da Câmara governista. Ele trará consigo para a base, além do PP, uma metade não bolsonarista do PL (cerca de 40 deputados). Somados aos parlamentares que o PT já controla (cerca de 11% da Câmara), e mais PSD, MDB e União Brasil, o número desse apoio deve atingir confortáveis 300.

Mas a questão principal não é a do apoio escrito no papel. É qual a capacidade do presidente eleito de ditar a agenda política e econômica. Ela está ainda indefinida. A PEC com licença para gastar com o Bolsa Família não é um plano de governo.

Adriana Fernandes - Lula assume a coordenação econômica

O Estado de S. Paulo

Reunião com o presidente eleito reforça percepção de que Fernando Haddad vai para a Fazenda

A longa reunião da terça-feira de Lula com a equipe da economia consolidou a orientação do presidente eleito de que o espaço para gastar em 2023 na PEC, em negociação no Congresso, não pode ser inferior ao patamar de 19% do PIB.

Esse é o nível de despesas que o governo Bolsonaro deixará ao fim do seu governo. Lula deixou claro na reunião que não pode fazer menos.

Falou também da necessidade de diálogo, sinalização de que não seguirá o caminho do confronto com o Congresso.

Eugênio Bucci* - Não, você não viu esse filme antes

O Estado de S. Paulo

Para entender o poder no Brasil, não adianta nada olhar para os Estados Unidos. Vale mais olhar para a Argentina

Um velho editor de revistas, já falecido, costumava dizer que, se você quer saber o que vai acontecer com o mercado editorial no Brasil daqui a dez anos, basta olhar para o mercado dos Estados Unidos agora. Seguindo sua máxima, tomou decisões acertadas – errou algumas vezes, é verdade, mas acumulou um saldo para lá de positivo.

Quanto à política, o espelhamento diferido não dá certo. O que se passa na terra de Tio Sam hoje não se repetirá na Terra do Sol amanhã. Aqui, Deus e o diabo se engalfinham por outras vias. É fato que, de uns tempos para cá, a estupidez do trumpismo tem servido de trailer para a boçalidade bolsonarista, mas, neste caso, o que existe é mera imitação: os seguidores do presidente da República – este que aí ainda está, embora já não esteja – são apenas um plágio repugnante dos supremacistas brancos que invadiram o Capitólio, mais ou menos como as chanchadas da Atlântida eram uma paródia feliz do cinemão de Hollywood.

Carlos Melo* - O risco político de um erro brutal no comando da economia

Pode ser que Haddad se torne ministro da Fazenda. Alguns dirigentes do PT parecem mais absorvidos pelas eleições de 26 do que preocupados com a difícil tarefa de governar o Brasil

O que vai pelas cabeças da direção do PT, talvez, nem seus membros saibam. Há muito, o partido deixou de ser uma unidade coordenada capaz de submeter suas diversas tendências a objetivos estratégicos. Esses eram os tempos de José Dirceu. Eles se foram.

Conhecendo um pouco da história e da natureza política do partido e do Brasil, não é absurdo concluir que parte expressiva de seus dirigentes esteja, hoje, mais absorvida pelo calendário eleitoral (2026) do que preocupada com a dificílima tarefa que será governar o Brasil após as desventuras em série dos últimos anos.

Suspeito que, mais que simples, haja um raciocínio simplório e pernicioso, cujo fio seria o seguinte: no governo da frente ampla sob Lula, serão potenciais “presidenciáveis” Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Flávio Dino e, talvez, Marina Silva. O tempo dirá se o presidente Lula realmente não será candidato a reeleição. Como um organismo que vive para se reproduzir, enxergando a competição, a cultura hegemonista do PT tem feito soar suas sirenes do perigo.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Projeto sobre lobby é apenas primeiro passo

O Globo

Texto aprovado pela Câmara traz avanços, mas terá de ser aperfeiçoado no Senado

O projeto de regulamentação do lobby aprovado pela Câmara não é uma obra acabada e precisará receber novas contribuições dos senadores. O importante é não deixar passar a oportunidade de estabelecer regras que tirem a atuação dos lobistas das sombras de Brasília.

Assim como tem sido essencial a Lei de Acesso à Informação (LAI) para que a sociedade saiba de decisões do poder público acobertadas sem justificativa pelo sigilo, também é preciso que se saiba que interesses são defendidos em Brasília, por quem e a que custo.

A formalização da atividade de lobby poderia ter ocorrido há mais de 30 anos, quando o ainda senador pernambucano Marco Maciel, antes de ser vice do presidente Fernando Henrique Cardoso, defendia no Congresso o reconhecimento legal da atividade. Seu projeto foi aprovado em 1990 e enviado à Câmara, onde foi engavetado.

Poesia | O Trabalho das Nuvens / As peras - Ferreira Gullar

 

Música | Brasil Jazz Sinfônica com Armadinho Macêdo