sábado, 17 de maio de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Restrição a dados sobre gastos viola Constituição

O Globo

Vedar acesso a documentos contradiz promessa de Lula e contribui para alimentar suspeitas

É um desafio inaceitável ao bom senso, às boas práticas da administração pública e à Constituição a restrição imposta pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI) a documentos relativos a acordos com estados, municípios e organizações não governamentais. O MGI afirma ter retirado a documentação da plataforma sobre gastos públicos em respeito a parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que alega necessidade de preservar informações privadas, como determina a Lei Geral de Proteção de Dados.

É uma alegação risível. A Constituição determina expressamente a obrigação de garantir publicidade a todos os gastos do governo. Deve ficar explícito o destino de cada centavo: quem recebeu, quanto recebeu e por que recebeu. Para preservar os dados pessoais em respeito à privacidade de certos destinatários das verbas, basta omiti-los ou ocultá-los na documentação. Barrar completamente o acesso aos documentos é uma medida drástica que viola a transparência — uma das principais promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Sem transparência não há democracia”, afirmou Lula cinco meses depois de sua posse. “O acesso à informação, como direito fundamental previsto em nossa Constituição, precisa estar cada vez mais presente na vida do cidadão e na cultura de cada agente público.”

Sinfonia Barroca, o Brasil que o povo inventou - Marcus Pestana

Participei nos últimos dias 7 e 8 de maio do seminário organizado pela Universidade Federal de Juiz de Fora que marcou o lançamento do livro “SINFONIA BARROCA, o País que o povo inventou”, de autoria de um dos maiores intelectuais brasileiros da atualidade, Rubem Barboza Filho, pelo Ateliê de Humanidades Editorial. O evento registrou também a homenagem da UFJF a seu professor titular vinculado ao Departamento de Ciências Sociais no momento de sua aposentadoria.

O barroco no coração do Brasil - Luiz Sérgio Henriques*

Texto apresentado no seminário da UFJF sobre Rubem Barboza Filho, em especial seu livro “Sinfonia barroca. O Brasil que o povo inventou” (Ateliê de Humanidades, 2025)

Este, aqui e agora, é um acontecimento de primeira ordem. O percurso iniciado com Tradição e artifício completa sua viagem redonda, não no sentido de um retorno desenganado ao começo ou de uma reiteração do já sabido e já traçado. Trata-se, na verdade, de mais uma volta do parafuso que assim penetra com mais profundidade na dura madeira de que é feita a História, se pudermos ampliar o sentido da metáfora weberiana. O regente desta Sinfonia barroca completa, ao menos por ora, o Bildungsroman, o romance de formação da civilização brasileira; uma sinfonia inédita por causa dos materiais sobre os quais se assentou, tremendamente original – ou, para usar uma palavra antiga, tremendamente dialética – por causa da forma como amassou o barro das origens, ainda hoje, apesar de tudo, e apesar de todas as quedas, um ponto de luz em meio ao caos.

O regente da Sinfonia, aqui ao meu lado, aproxima coisas díspares e defende com insistência o tertium datur, a solução inesperada que dissolve antagonismos aparentemente inconciliáveis e modifica toda a cena histórica. Ao ver o quadro inicial de uma vasta terra sem centro político, sem língua e sem religião comum, sem elites e sem sociedade minimamente ordenada, e no entanto capaz de se erguer a partir de baixo, como se fosse um disparatado conjunto de grupos em fusão, pensei no Barão de Münchhausen. O velho Barão, figura popular na Europa do século 18, mas não barroco, também se perdia no excesso, na simulação e no engano. Popularizou-se igualmente por mentir descaradamente. Certa vez contou que, atolado no pântano e sem nenhuma ajuda por perto, arrancou-se do aperto puxando pelos cabelos, encontrando ainda tempo para salvar o cavalo.

Pois bem, como nação somos uma espécie bem-sucedida de Barão de Münchhausen, admitindo, porém, que ainda estamos aprendendo a não mentir sobre nós mesmos e que nosso bom êxito histórico é algo por construir em muitos aspectos decisivos. Neste livro, o regente das dissonâncias barrocas, gritando o seu “viva o povo brasileiro”, não dissimula nem retoca a crueldade intrínseca à nossa História. Nela está presente, como tocquevilliana marca de nascença, tão importante quanto a infância para a vida adulta, a dizimação de boa parte dos povos originários e a infâmia da escravidão, cujas consequências nos rodeiam em cada sinal de trânsito ou em cada favela sem esgotamento. Por isso, nosso êxito como nação é uma tarefa por cumprir, e ainda observamos insuportáveis traços do nosso rosto naquele espelho invertido da Europa, que ela mesma, a Europa, confeccionou e distribuiu pelo mundo que colonizou.

A era do ódio - Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Responsabilizar plataformas e proteger os jovens são os novos desafios das democracias

A doutrina da democracia militante foi concebida nos anos 1930, como reação à ascensão dos movimentos extremistas na Europa.

De acordo com Karl Loewenstein, precursor do conceito, o fascismo não consistia propriamente em uma ideologia política. Era, sobretudo, um movimento que mobilizava o ressentimento e o medo para inocular o ódio contra os adversários. Nesse contexto, a política deixou de ser praticada como uma competição cooperativa entre adversários, baseada na divergência tolerante, para se transformar numa disputa existencial entre inimigos.

Uma outra característica dos extremismos populistas era o emprego oportunista das franquias democráticas, como a liberdade de expressão, o direito de associação e o direito ao voto, com a finalidade de suprimi-las ou subvertê-las. É conhecida a ironia de Goebbels ao se referir à democracia como o único regime que "garante aos seus inimigos mortais os meios de destruí-la".

Entre a trincheira e o exílio- Pablo Ortellado

O Globo

A assimilação apressada entre o fascismo e a direita contemporânea empobrece nossa compreensão

Na última quarta-feira, três professores da Universidade Yale, especialistas em autoritarismo, gravaram um vídeo de opinião no New York Times anunciando que deixarão os Estados Unidos para assumir posições acadêmicas na Universidade de Toronto, no Canadá. Publicaram o vídeo como uma espécie de alerta sobre os rumos sombrios que os Estados Unidos têm tomado em direção ao autoritarismo.

Jason Stanley, autor do celebrado “Como funciona o fascismo” (publicado no Brasil pela L&PM), disse que deixava os Estados Unidos porque “quer poder fazer seu trabalho sem medo de ser punido por suas palavras”. Marci Shore, historiadora especializada no Leste Europeu, disse que “a lição de 1933 [ano da ascensão do nazismo] é que se deve sair [do país] antes que seja tarde demais”. O historiador Timothy Snyder, autor de “Sobre a tirania” (publicado no Brasil pela Companhia das Letras), esclareceu que não se mudou para o Canadá para fugir de Trump — ele trocou de universidade quando Biden ainda era presidente —, mas que sair do país neste momento político seria algo “razoável”.

A estrada da civilização - Cristovam Buarque

Veja

É preciso lembrar de Francisco, que preferia pontes a muros

Durante a missa de corpo presente do papa Francisco, Giovanni Batista Re, o cardeal decano do Vaticano, lembrou uma frase do pontífice argentino, para quem era “preciso construir pontes, não muros”. Não demorou para que a frase fosse interpretada como recado a Donald Trump, ali na primeira frente do velório. A homilia de Re, a rigor, aplicava-se a todos os presentes, porque a democracia pode ter cunho nacional, mas o humanismo é universal. Reafirme-se: a política anti-imigrantes não é exclusividade de Trump. Em 2011, Barack Obama disse não haver presidente dos Estados Unidos “que possa governar pensando no mundo todo; seu dever é com os americanos”. Alguns agem com menos alarde, até constrangidos, mas essa é a regra. Os europeus não constroem muros porque têm o Mediterrâneo para barrar os indesejáveis e aprisionar os sobreviventes de naufrágios.

Os instantes longe do mar - Eduardo Affonso

O Globo

Por que o mapa-múndi não pode ser invertido? Precisamos estar preparados para a troca do Meridiano de Greenwich pelo de Garanhuns

Num de seus poemas mais bonitos, Sophia de Mello Breyner Andresen anuncia: “Quando eu morrer voltarei para buscar/Os instantes que não vivi junto do mar”.

O mar de Sophia de cada um terá cores, correntezas, temperaturas, profundidades, salinidades distintas. Poderá se chamar felicidade, paz, saúde, cidadania. Imagino a praia onde nossos fantasmas descalços venham resgatar a vida não vivida em sua plenitude. De quanto será o cashback?

Eu voltaria para recuperar o tempo desperdiçado nas tretas em redes sociais, batendo boca com quem confunde gênero biológico e gênero gramatical ou defende a vinda de um comissário chinês para ensinar regulação de mídia — e talvez de um militante do Hamas para falar de direitos humanos, um especialista do Irã sobre como lidar com mulheres e LGBTs, um da Rússia para o workshop de técnicas no trato com a oposição. Uma gente que ainda não entendeu que muita Janja e pouco Mujica os males da nossa esquerda são. E também com os que querem manter puxado o freio de mão da História, não vendo a hora de engatar a marcha à ré rumo a 1964. Com liberais ainda não convencidos de que quem sabe faz a hora, não espera um novo FHC.

Do jeito chinês fica mais fácil- Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Não faz o menor sentido perguntar a um ditador como se regula uma rede social ou qualquer outro meio de comunicação

Não é um problema de comunicação. O governo Lula é ruim tanto nas coisas internas quanto nas externas.

Tome-se o episódio TikTok/Janja. A regulação das redes sociais é uma questão nacional e internacional. Internamente, Lula, seus ministros e líderes no Congresso não conseguem sequer encaminhar uma proposta de regulação. Sabemos das dificuldades. O governo não tem maioria no Congresso. Mas deveria ter ao menos a capacidade de articular um projeto viável, considerando o fato concreto da dominância do Centrão. Com a direita bolsonarista não tem conversa mesmo. Mas com tantos ministros do Centrão alojados no governo, como é que Lula não consegue mais do que reclamar das redes?

PEC do Gasto Militar empobrece o país - Marcos Mendes

Folha de S. Paulo

Antes de pedir mais dinheiro, militares deveriam limitar suas despesas com pessoal

A PEC 55/2023 propõe elevar gradualmente os gastos em defesa nacional de 0,8% para 2% do PIB, percentual mínimo obrigatório. A valores de hoje, finda a transição, R$ 150 bilhões de gasto a maior.

Também carimba 35% das despesas discricionárias do Ministério da Defesa para "projetos estratégicos", com prioridade para a Base Industrial de Defesa e conteúdo nacional mínimo de 35%.

Argumenta-se que as Forças Armadas estão sucateadas, que é preciso ter previsibilidade no Orçamento, que os riscos de conflitos armados internacionais aumentaram e que a indústria nacional de defesa vai gerar empregos e crescimento.

Há grande chance de aprovação, com apoio no governo e na oposição.

Lula faz a festa dos ricos - Fernando Canzian

Folha de S. Paulo

Esplêndida concentração de renda ocorrerá pelo juro elevado do Banco Central

Quando 2025 terminar, o governo Lula terá destinado quase R$ 1 trilhão em juros a uma minoria que tem dinheiro aplicado no banco. Será praticamente o mesmo valor orçado neste ano aos pagamentos da Previdência para 41 milhões de benefícios mensais, sendo 23,5 milhões a aposentados.

A esplêndida concentração de renda ocorrerá pelo juro elevado do Banco Central, agora gerido por alguém que Lula escolheu. Hoje, aplicações conservadoras pagam quase 9% ao ano acima da inflação.

O juro está alto (Selic a 14,75%) porque o BC tenta domar uma inflação persistente, reflexo da economia aquecida além da conta. Ela está assim porque Lula inventa periodicamente meios de fornecer à população mais dinheiro público –ou privado, caso recente do crédito consignado a empregados formais.

Da arte de multiplicar embustes - Bolívar Lamounier

O Estado de S. Paulo

Trata-se de ignorância a suposição idiota de que a representação será tanto melhor quanto mais numeroso for o número de parlamentares

Anotem aí: meio quilo de farisaísmo equivale a dois de embustes e a quatro de ignorância. O dicionário explica que o farisaísmo se caracteriza pela observância exageradamente rigorosa das prescrições da lei escrita, mas que, nas Escrituras, significa excessivo formalismo e hipocrisia. Por extensão, fariseu é, pois, indivíduo que aparenta santidade, não a tendo. É, pois, uma forma de arte que o Brasil conhece bem e parece agora estar vivenciando com excepcional intensidade.

O farisaísmo a que me refiro é um projeto que ora vagueja pelos corredores do Congresso, que, sob a alegação de atualizar a representação dos Estados, cria 18 novas vagas na Câmara federal e aumenta, por via de consequência, o número de cadeiras nas Assembleias estaduais. E mais: assim como quem não quer nada, o projeto grampeia na mencionada atualização todo aquele séquito de regalos já “prescritos na lei escrita”: a saber, além do salário inerente à deputação, “assessores e verba indenizatória para bancar o custo do mandato, como auxílio-moradia, gasolina, passagens aéreas, hospedagem e alimentação. Tais benefícios variam conforme o Estado. É possível que seja necessária a construção de gabinetes”, segundo informa o Estadão (Efeito cascata da Câmara pode criar 30 vagas nas assembleias, 8/5, A10).

Papa Francisco, um advogado - Antonio Cláudio Mariz de Oliveira

O Estado de S. Paulo

Para o papa Francisco e para o advogado, todos devem ser acolhidos e amparados sem que se avalie sua conduta moral

Pode-se dizer que ele não é formado em Direito. É verdade. Não há notícia de que tenha cursado faculdade de Direito, mas sim as de Filosofia e Teologia.

Portanto, Francisco não exerceu a profissão de advogado, mas o sacerdócio da advocacia.

Sua formação, não a técnica ou jurídica, mas aquela refletida pela sua conduta, pelo seu pensamento, ideário de vida, visão do mundo, relações com seus semelhantes, preocupação com os desvalidos e com as minorias, com a liberdade e com a democracia, mostra uma clara simetria com a formação do advogado. Ele exerceu o seu sacerdócio voltado para o amparo aos necessitados, assim como nós, que nos dedicamos àqueles que não têm condições para reivindicar os seus direitos. Somos a sua voz perante a Justiça.

A impactante mudança de Trump sobre o Irã - Fareed Zakaria*

O Estado de S. Paulo

Presidente que acabou com o acordo nuclear tem tudo para fechar um pacto ainda mais forte

Trump tem tudo para invalidar as queixas de Netanyahu e superar as linhas de batalha habituais

O instinto perturbador e a tendência de agir sem pensar de Donald Trump produz caos, oposições e reversões abruptas. Nesta semana, porém, Trump nos lembrou que às vezes sua disposição para correr riscos e pensar fora da caixa pode espantar velhos hábitos exauridos. Na Arábia Saudita, ele surpreendeu ao se reunir com o novo líder da Síria (um ex-jihadista) e anunciar que removeria todas as sanções dos EUA ao país. Trump também sugeriu que seu governo está disposto a firmar um novo acordo nuclear com o Irã. Se isso ocorrer, ele poderá levar um novo nível de paz e estabilidade ao Oriente Médio.

O interesse de Trump em um acordo com os iranianos é irônico. Afinal, foi ele que retirou os EUA do primeiro acordo nuclear com o Irã. Eis mais um exemplo de Trump criando um problema, voltando atrás e, em seguida, anunciando que redefiniu a situação de forma brilhante.

Quanto custa não prever o futuro? - Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Eventos inesperados ou riscos negligenciados já custaram trilhões de dólares à economia

Provavelmente você já deve ter ouvido falar dos chamados cisnes negros – eventos raros e altamente impactantes, particularmente no mercado financeiro, e que têm abalado o mundo com frequência preocupante. Mas esses não são os únicos tipos de eventos que nos trazem tantas dores de cabeça. Usando da criatividade, o mercado tem trazido à tona um verdadeiro zoológico para denominar e segregar os diferentes riscos a que estamos sujeitos.

O Brasil no exterior - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Há uma explicação para a preferência pela cidade norte-americana. Ali, estão sediados os grandes bancos capazes de financiar os megalômanos projetos idealizados por alguns políticos

O exercício da política no Brasil possui características muito especiais. Nos últimos tempos, deputados, senadores, governadores e ministros de Estado têm procurado desenvolver debates e eventuais conchavos no exterior. Já foram realizados vários congressos em Lisboa, inúmeros em Londres, mas é em NovaYork que ocorre o maior número de encontros políticos brasileiros. A todo momento, figuras de destaque no Brasil se reúnem na cidade norte-americana para trocar ideias diante de repórteres convidados para ouvir ideias e presenciais negociações.

Os “fetiches ideológicos” da imprensa mainstream - Roberto Amaral

Dois fatos relevantes da diplomacia brasileira — a viagem do presidente Lula a Moscou e o sucesso político e econômico das negociações em Beijing — foram reduzidos a “fetiches ideológicos” (O Estado de S. Paulo, 15/5/25). A imprensa joga às traças a relevância da diplomacia para um país que, a duras penas, tenta pensar com a própria cabeça e caminhar com seus pés, no contrapelo do complexo de vira-lata que intoxica a classe dominante.

O périplo de Lula, principalmente seu encontro com Putin, despertou, na chamada grande imprensa brasileira, um insuspeitado fervor democrático que não poupa de críticas acerbas nosso presidente por haver estado presente nas festividades russas comemorativas da vitória contra o nazifascismo — comemorações as quais, entendem os editorialistas, devem ser patrimônio exclusivo dos EUA.

O comprometimento ideológico ignora que Brasil e Rússia são importantes parceiros comerciais e políticos no BRICS, cujo banco (Novo Banco de Desenvolvimento-NBD), presidido pelo Brasil. Ignora que Lula não deixou de dar o recado de que somos contra invasão de territórios estrangeiros (princípio inscrito em nossa Constituição) e levou o pedido ucraniano (somos parceiros dos dois beligerantes) por um cessar-fogo. Ignora sua reiterada defesa da paz — coluna de nossa política externa — e a defesa dos interesses sociais e do multilateralismo, talvez, neste caso, porque isso não agrade aos EUA de hoje.

Que país queremos ser? - Cristina Serra

CartaCapital

Os boiadeiros da Câmara agora estão empenhados em jogar no lixo as regras de licenciamento ambiental. É grave: o futuro de todos os brasileiros está em risco

O pior Congresso desde a redemocratização está cevando uma “boiada” capaz de nos fazer regredir 40 anos em matéria de proteção ambiental. No que tange à boiada, por assim dizer, vemos uma aliança que reúne, do mesmo lado do balcão, as forças da direita, da extrema-direita e do fisiologismo mais sórdido em torno de um interesse comum: manter o País com os pés fincados no atraso civilizatório. Refiro-me ao Projeto de Lei 2.159/2021, que tramita, de forma subitamente apressada, no Senado. Se aprovado, ele jogará no lixo as regras do licenciamento ambiental no Brasil.

Pingos nos is - Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Não dá para comparar o endividamento norte-americano com o chinês sem considerar as particularidades dos seus respectivos sistemas financeiros

Em edição pretérita, a manchete que edulcorava a capa da Folha de S.Paulo alertava os leitores: EUA e China, as ­duas maiores economias do mundo, mantêm trajetórias explosivas para o aumento de suas dívidas públicas. A norte-americana supera os 100% do PIB, e a chinesa deve alcançar a mesma marca até o fim do ano – hoje, ela está em 96,3%. Em ambos os casos, houve forte aceleração recente, com tendência de alta.

Diante do avanço das dívidas públicas nas maiores economias do planeta, a reportagem apontava ameaças ao resto do mundo. A pressão sobre os Bancos Centrais levaria à manutenção dos juros elevados, a fim de atrair financiadores de ­suas dívidas. Caso os periféricos não façam a lição de casa, os dois gigantes sugarão dinheiro do mundo para rolar débitos.

Comparar o sistema financeiro dos EUA com o da China ignora as peculiaridades de cada um. O sistema chinês é fechado e com forte controle cambial. Todas as variáveis monetárias são monitoradas pelo BC, bem diferente do norte-americano, no qual o fluxo de capitais é totalmente livre. O People’s Bank of China­ não segue um regime de metas de inflação e tem taxa de juros baixíssima, sobretudo quando comparada aos juros praticados nos EUA. A receita inclui moe­da desvalorizada em relação ao dólar, taxa de redesconto de 2,65% ao ano e taxa básica variando entre 3,1% ao ano e 3,6%.

Um oceano de oportunidades - André Barrocal

CartaCapital

As novas rotas representam o futuro do comércio entre o Brasil e a Ásia, afirma a ministra Simone Tebet

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, é a principal articuladora, pelo governo ­Lula, das “Rotas de Integração Sul-Americana”, projeto que busca facilitar o comércio entre os países do continente e reduzir o tempo e o ­custo do transporte de mercadorias entre o Brasil e a Ásia, por meio do Oceano Pacífico. Durante a preparação da iniciativa, ­Tebet viajou à maioria dos países da América do Sul. Só não esteve na Venezuela, no Equador e na Argentina. Esta última, governada pelo ultradireitista Javier­ ­Milei, ela pretende visitar em breve.

A ministra integrou a comitiva do presidente Lula na recente viagem oficial à China, onde discutiu as “rotas” com autoridades locais. Um dos temas centrais foi a possível construção de uma ferrovia que atravesse o Brasil de Leste a Oeste, um projeto de grande interesse para os chineses. Segundo Tebet, uma estrada de ferro com essa configuração promoveria “uma mudança radical” no mapa econômico do País, com impactos diretos nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, além do interior do Sudeste.

Antes de embarcar para a Ásia, a ministra falou sobre a viagem e as “rotas” ao repórter especial André Barrocal no programa Poder em Pauta, do canal de CartaCapital no YouTube. A seguir, trechos da entrevista.

Poesia | Os estatutos do homem - Thiago de Mello

 

Música | Do jeito que o Rei mandou - Zeca Pagodinho (Sambabook João Nogueira)

 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Novo ‘penduricalho’ para juízes não faz nenhum sentido

O Globo

Justiça remota é necessária, mas não justifica até 8 folgas a mais por mês para os magistrados

Não passa de desvario a resolução do Conselho da Justiça Federal (CJF) de conceder até oito dias mensais de “licença indenizatória” a magistrados que atuarem remotamente fora da própria jurisdição. Na prática, ela poderá representar um aumento real de quase 27% na remuneração mensal de cada juiz. O texto não exclui outra licença, paga por acúmulo de funções. Aprovado em março pelo CJF, o texto com o benefício foi publicado na semana passada no Diário Oficial da União. Trata-se de mais um dos proverbiais “penduricalhos” a elevar os vencimentos da elite do funcionalismo para além do teto constitucional (R$ 46.336, ou o equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal). Somente no ano passado, os auxílios e indenizações recebidos acima desse limite chegaram a R$ 6,7 bilhões. Não há justificativa para tamanho descalabro, reflexo de desconexão da realidade fiscal do país.

É verdade que certas regiões sofrem com atrasos em decisões judiciais por não contar com o número necessário de magistrados para dar conta do acúmulo de processos. Portanto é mais que bem-vinda a iniciativa de usar a tecnologia para que os juízes possam atuar temporariamente noutras comarcas sem abandonar suas funções originais. O inaceitável é a resolução do CJF aproveitar uma demanda legítima da população por decisões mais ágeis para criar um novo “penduricalho” a engordar os vencimentos da elite do funcionalismo público.

Bolsonaro conduz a direita como gado - Vera Magalhães

O Globo

Enquanto ex-presidente condiciona apoio a submissão completa a teses inadmissíveis como a do indulto, governo segue preso a um labirinto de crises reais e outras autoimpostas

A direita brasileira saiu do armário e ganhou corpo graças à arrancada e à vitória de Jair Bolsonaro em 2018, mas, desde então, demonstra incapacidade de se livrar de sua tutela, mesmo depois da inédita derrota de um presidente no cargo e da debacle judicial enfrentada por ele desde que deixou (a contragosto) o poder.

Bolsonaro trata o eleitorado e os aliados que se convencionou chamar de bolsonaristas como gado. Que faça isso não surpreende ninguém, pois condiz com a maneira autoritária com que sempre se conduziu na vida pública. O constrangedor é que políticos que hoje detêm mandatos —conferidos, portanto, por voto popular— se submetam a esse jugo que nem faz sentido nem parece ser condição determinante para seu futuro eleitoral.

Bastou verificar que governadores de seu campo ideológico começaram a ensaiar conversas para uma candidatura única da direita no ano que vem para que Bolsonaro pulasse na frente para interditar o campo e dizer que o candidato tem de ser ele ou, no limite, alguém de sua família designado por ele.

O filhotismo é uma das principais características do bolsonarismo desde que Jair lançou o filho Carlos, então menor de idade, para enfrentar a própria mãe na disputa pela vereança no Rio, uma vez que ela, à época já divorciada do chefe do clã, tinha cometido a audácia de achar que o mandato lhe pertencia e pleiteava a possibilidade de se reeleger. É dessa forma desrespeitosa que Bolsonaro segue tratando aqueles que ajudou a impulsionar politicamente, como se, uma vez apoiados por ele, mantivessem a marca a ferro do capitão no couro para sempre.

A lição de Mujica - Bernardo Mello Franco

O Globo

Pepe Mujica havia acabado de tomar posse quando um de seus antecessores o aconselhou a ser mais formal. “O presidente precisa criar uma aura de mistério ao seu redor”, justificou Luis Alberto Lacalle. Na visão do conservador, era necessário “manter a distância” para exercer o poder.

“Nem lhe dei bola”, contou Mujica, tempos depois. Ele respeitava o adversário, mas não tolerava a ideia de subir num pedestal. Acreditava que o presidente era um cidadão como outro qualquer. Por isso dispensou mordomias, manteve seu Fusca azul e continuou a viver numa modesta chácara na periferia de Montevidéu.

O método Lula do riso na política e diplomacia - Andrea Jubé

Valor Econômico

Resta saber se tanta alegria irá sobreviver aos problemas domésticos

O riso era considerado uma arma poderosa na Idade Média. No enredo de “O nome da Rosa”, clássico de Umberto Eco, uma obra de Aristóteles sobre a comédia é guardada a sete-chaves na biblioteca de restrito acesso de um mosteiro beneditino na Itália, para que jamais fosse consultada ou manuseada. “O riso sacode o corpo, deforma as linhas do rosto, torna o homem semelhante ao macaco”, acusou em determinado trecho o abade Jorge, guardião do acervo e vilão da trama, que se passa no século XIV.

No livro, o monge franciscano Guilherme de Baskerville é chamado para investigar uma série de assassinatos de religiosos em pleno mosteiro, mortos após manusearem o livro proibido. Naqueles tempos, a Igreja Católica era hegemônica e impunha com rigor seus dogmas aos plebeus, sem brechas para questionamentos ou reflexão. A indisciplina era punida pela Inquisição.

A Tropicália libertadora de Tom Zé - José de Souza Martins*

Valor Econômico

A obra musical e poética desse grande e criativo compositor contém desafios poderosos porque é uma obra de insurgência contra o convencional

Na noite do mesmo dia em que recebi a biografia de Tom Zé, comecei a lê-la. Com voracidade. (“Tom Zé: Fiz meu berço na viração”, texto de Ivo Mineiro Teixeira, conversas com Tom Zé por Giuliana Simões e Flávio Desgranges, ed. Hucitec.) Sem poder parar. O livro desvenda a sonoridade do avesso que é o de nossa realidade e de nossa mentalidade conformista, da lógica de ocultação dos segredos sonoros e poéticos que nesse avesso há.

A biografia de Tom Zé é a da descoberta da oposição reveladora que há entre Salvador, a cidade, e o interior da Bahia, o sertão. Porque mundos de lógicas diferentes e antagônicas, cujo desencontro deixou em nossa história um monturo de resíduos sonoros estigmatizados e desprezados. O lixo da lógica.

A obra musical e poética desse grande e criativo compositor contém desafios poderosos porque obra de insurgência contra o convencional, contra o que mede o que só tem sentido se não for medido. O que não parece ser o que é.

Quem atira a primeira pedra? – Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro quer mesmo a CPMI do INSS? E Lula, vai trazer especialista em censura da China?

Nem o presidente Lula nem seu antecessor Jair Bolsonaro têm o que comemorar numa semana de feriadão branco, em que as cúpulas dos três Poderes estavam fora do País e Câmara e Senado continuaram dormitando, mas as notícias não pararam de sair aos borbotões. Más notícias. E para ambos, ou criadas por ambos.

Lula se misturou ao que há de pior entre ditadores mundo afora na Rússia e estragou os êxitos na China ao derrapar no TikTok, no voluntarismo de Janja e na própria ideologia. Bolsonaro não resiste a novos áudios sobre a tentativa de golpe nem à notícia, documentada, de que as denúncias de corrupção contra aposentados e pensionistas do INSS vêm desde o seu governo, em 2020.

A trégua comercial e o Brasil - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Na Coluna desta quinta-feira foi dito que a trégua comercial entre Estados Unidos e China produziu algum alívio, mas não reduziu as incertezas e acrescentou outras. E isso tem impacto sobre a atividade econômica global e interna.

Convém agora conferir como fica a economia brasileira diante da nova ordem econômica, que vai sendo forjada, e do novo quadro comercial que tende a redesenhar o fluxo global de produção e distribuição.

Quando se apresentava apenas o efeito do tarifaço, com casca e tudo, tal como anunciado – sem os acordos individuais com cada país que vieram depois –, muitos analistas concluíram que o Brasil poderia aproveitar mercados que se estreitavam com a guerra comercial. Por exemplo, o Brasil poderia exportar mais grãos, carnes e petróleo para a China que se fecharia ao fornecimento para os Estados Unidos. Enfim, o tarifaço e o desmanche da ordem econômica mundial estariam criando novas oportunidades que poderiam ser aproveitadas pelo País.

Petróleo barato no Brasil petroleiro - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Cotação menor de commodities deve piorar um tanto mais perspectivas de receitas e rendas

Donald Trump disse que um acordo com o Irã está próximo. O que Trump diz se escreve na areia. É lavado e apagado quase a cada maré. Ainda assim, a possibilidade de que o Irã possa voltar oficialmente ao mercado de petróleo e exportar mais deu uma derrubada no preço do barril. Esse tipo de notícia interessa mais e mais à economia brasileira.

Opep voltou a aumentar oficialmente sua produção, além até do previsto (a ênfase no "oficialmente" se deve ao fato de que uma quantidade relevante de petróleo é vendida atrás dos panos). Prevê-se desaceleração grande da economia mundial neste ano.

Qual deve ser o papel de Janja? - Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Episódio na China, com jeito de 'gossip' político, recoloca a discussão sobre função de maridos e mulheres de autoridade política

vazamento de um suposto constrangimento causado pela primeira-dama Janja da Silva em jantar com o líder chinês Xi Jinping acabou por expor um pouco do ambiente palaciano de desavenças e intrigas do governo Lula.

Não há novidade nesse jogo de rasteiras pelas costas, disputas e armadilhas no mundo do poder.

O episódio, até bastante ameno, desperta contudo algumas questões, a começar pela discussão sobre qual seria o papel público do "primeiro-cônjuge", digamos assim, já que mulheres casadas também exercem funções de liderança de governo e Estado, e o mesmo vale para o arco-íris de gêneros e orientações —só para citar um exemplo próximo, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é gay assumido e casado.

Protagonismo de Janja, com apoio de Lula, não é só o de primeira-dama – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O contraponto é Michelle Bolsonaro, uma liderança evangélica, que pode vir a ser a candidata de Bolsonaro à Presidência, pois ele está inelegível

Mexeu com Janja, mexeu comigo. É mais ou menos esse o recado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ao sair em defesa da primeira-dama Janja Lula da Silva, no caso da conversa sobre a atuação do TikTok no Brasil durante o jantar de gala com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim. "Fui eu que fiz a pergunta. Eu perguntei ao companheiro Xi Jinping se era possível ele enviar para o Brasil uma pessoa da confiança dele para a gente discutir a questão digital, e sobretudo o TikTok. E aí a Janja pediu a palavra para explicar o que está acontecendo no Brasil, sobretudo contra as mulheres e contra as crianças", disse Lula.

A declaração irritada de Lula foi uma resposta a notícias de que Janja havia cometido uma grande gafe e criado constrangimento junto a Jinping, ao questionar a atuação do TikTok, um comportamento fora dos padrões do Itamaraty no cerimonial da diplomacia presidencial. A informação foi divulgada pela jornalista Andreia Sadi, da Globo News, e teve ampla repercussão. A resposta do presidente chinês foi de que o Brasil tem todo o direito de regulamentar o TikTok e até banir a rede social do país, se achar necessário.

O novo papa: Leão XIV - José Sarney*

Correio Braziliense

Leão XIV escolheu um grande desafio com um grande peso. Será que ele vai adiante? É difícil, mas não impossível

Está muito cedo para saber-se o que aconteceu nas quatro sessões que levaram os cardeais a escolher o cardeal Robert Prevost, americano e peruano, para tornar-se o papa Leão XIV. Ele adquiriu a nacionalidade peruana, uma vez que a legislação daquele país exige que todo o cidadão que esteja há mais de 10 anos ali se naturalize peruano. Só ele pode dizer se foi uma vontade pessoal e um amor que cresceu ou se apenas cumpriu uma exigência legal. O certo é que, de uma forma ou de outra, a legislação pode ter influenciado na sua escolha.

Poesia | Aos que hesitam - Bertolt Brecht (1898-1956)

 

Música | Carlos Lyra & Leila Pinheiro - Saudade fez um samba - Se é tarde me perdoa

 

quinta-feira, 15 de maio de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

São lamentáveis manobras para livrar deputados

O Globo

Depois de Ramagem, plano é sustar outras ações no STF — mas Corte cumpre dever ao manter julgamentos

Causa consternação o comportamento dos deputados que ameaçam retaliar o Supremo Tribunal Federal (STF) depois de a Corte ter julgado inconstitucional a manobra para interromper uma ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Na terça-feira, a Câmara apresentou recurso ao STF contra a decisão. Entre os planos desses deputados está a possibilidade de voltar à carga com medida semelhante nos casos dos deputados Carla Zambelli (PL-SP) e Juscelino Filho (União-MA).

Ramagem é acusado de tentativa de golpe de Estado num processo em que também é réu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por 315 votos a 143, a Câmara aprovou na semana passada a suspensão da ação penal, alegando imunidade parlamentar. Por uma omissão oportunista, que beneficia os demais réus, o texto não especificou que a decisão se referia apenas a Ramagem. No recurso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfatizou que o pedido trata exclusivamente dele e pediu cisão do processo. E disse esperar que os votos dos 315 deputados sejam “respeitados”.

Ajuda inconveniente - Merval Pereira

O Globo

Ao contrário do que parece pensar o governo brasileiro, o Ocidente democrático ainda tem bons exemplos e conselhos a dar

Vamos deixar de lado o debate sobre se foi gafe da primeira-dama Janja ter cobrado do líder chinês Xi Jinping uma atuação oficial para controlar as ações do TikTok no Brasil. Ou se foi o presidente Lula quem começou o debate, e Janja apenas fez adendos, talvez enfáticos em excesso. Nesse ponto, não há misoginia nem machismo nas críticas. Foi um erro diplomático, pois Janja, ao contrário de ser uma “cidadã de segunda classe”, é uma primeira-dama que tem de saber quando e onde deve falar. É questão de cerimonial, não de machismo.

Fiquemos apenas no fato em si: o governo brasileiro está disposto a pedir intervenção da ditadura chinesa numa plataforma digital que atua no Brasil. Mais ainda: como que para realçar a importância da notícia, o presidente brasileiro encheu o peito para dizer que “o companheiro Xi Jinping” mandará ao Brasil um homem “de sua inteira confiança” para debater com os brasileiros a melhor maneira de controlar o TikTok e, por extensão, as redes sociais.

A Petrobras manda cartas - Míriam Leitão

O Globo

Magda Chambriard afirma que já enviou quatro cartas para o Ibama, mas nega que seja para pressionar

Petrobras enviou já quatro cartas para o Ibama pedindo para ser fiscalizada na Foz do Amazonas. A empresa diz que cumpriu as exigências do órgão fiscalizador, e pede para ser inspecionada, afirmando que está pronta para perfurar. A Petrobras está voltando à distribuição, fornecendo combustível diretamente a grandes empresas, no mercado B2B. Informações da presidente Magda Chambriard em entrevista que me concedeu na GloboNews. Perguntei por que ela disse “Let's drill baby”, repetindo uma expressão trumpista. “Foi para chamar a atenção”, respondeu.

Magda Chambriard negou que as cartas ao Ibama sejam para pressionar.

‘Eu vou ficar em São Paulo’, diz Tarcísio sobre 2026

Tatiana Schnoar, Cristiane Agostine, Joelmir Tavares e Gabriel Guido/ Valor Econômico

A uma plateia de empresários e investidores, Eduardo Leite reforça sua eventual candidatura presidencial no próximo ano

Cotado como possível candidato à Presidência em 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou na quarta-feira (14) que deve concorrer à reeleição no Estado.

Depois de falar a uma plateia de investidores e empresários na 2ª edição do Summit Brazil-USA, realizado pelo Valor em Nova York, Tarcísio foi questionado se a decisão sobre candidatura ficará para abril de 2026, mês em que teria que renunciar ao governo de São Paulo se decidir disputar o Planalto. “Não tem [decisão]. Eu vou ficar em São Paulo.”

O desmanche da Cracolândia contado por quem o iniciou - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Esvaziamento do fluxo do centro de São Paulo, que se transformará em vitrine eleitoral, teve inicio no MPSP com o enfrentamento de milícias formadas por guardas civis e PMs

O centro de São Paulo está a caminho de virar uma vitrine eleitoral em 2026 seja para a reeleição do governador Tarcísio de Freitas seja para sua postulação presidencial. O primeiro resultado mais concreto nesse sentido apareceu nesta terça-feira quando a rua dos Protestantes, reduto da Cracolândia, amanheceu vazia.

Na véspera, Tarcísio, em entrevista a uma rádio, tinha cravado: “A Cracolândia vai acabar. Contamos todos os dias. Quando iniciamos o governo eram 2 mil. Hoje pela manhã havia 53”. Explicou as etapas da revitalização que se seguirão até que a sede do governo volte a se instalar no Centro: “É o nosso grande legado”.

Lições da China para o Brasil - Jorge Arbache

Valor Econômico

Vantagens naturais, se combinadas a estratégias, podem ser convertidas em poder produtivo, comercial e até geopolítico

A elevada dependência da China por importação de energia para tocar o seu crescimento se converteu em um dos seus principais pontos de vulnerabilidade estratégica. No entanto, em vez de tratar essa limitação apenas como um problema a mitigar, a China transformou a sua insegurança energética em um dos motores de industrialização, inovação tecnológica e até liderança global.

O que poucos anteciparam foi que aquela transição, movida por uma necessidade defensiva, se tornaria uma ofensiva econômica de longo porte e alcance. E é justamente aí que reside uma lição essencial para o Brasil: a de que vantagens naturais, se combinadas a estratégias, podem ser convertidas em poder produtivo, comercial e até geopolítico.