Folha de S. Paulo
Opositora é favorita no lado contrário ao
regime, mas foi inabilitada pela ditadura; votação ocorre com problemas
logísticos
Os venezuelanos votaram neste domingo (22)
para decidir quem será o único candidato a disputar as eleições de
2024 contra o ditador do país, Nicolás
Maduro, no poder há dez anos.
Favorita
nas pesquisas das primárias, María Corina Machado, 56, que está na ala mais
radical da oposição, é apontada como vitoriosa pela apuração inicial das urnas.
Ela é engenheira industrial e ex-deputada.
Mas Corina está inabilitada
para exercer cargos públicos por 15 anos. Esse fator a impediria de
registrar sua candidatura no próximo ano.
A votação começou às 8h no horário local (9h em Brasília), mas vários dos mais de 3.000 centros de votação atrasaram. Segundo especialistas consultados pela agência de notícias AFP, cerca de 1,5 milhão de pessoas participaram do pleito. As urnas foram fechadas no início da noite, quando começou a apuração.
Sem
assistência técnica do Conselho Nacional Eleitoral, as primárias foram
organizadas pela oposição e enfrentaram uma série de problemas logísticos, como
a definição e a instalação de centros de votação.
"O material não chegou, algumas pessoas
vieram para exercer o direito de voto e saíram, mas pretendem retornar quando o
material chegar", disse à AFP Yampiero Mendoza, 41, que ofereceu sua casa
como centro de votação em Catia, um bairro de Caracas, que é reduto do
chavismo.
Filas se formaram em diversos locais de
votação. "Conseguir realizar as primárias é uma conquista por si só",
declarou também à agência o cientista político e professor Jorge Morán.
"Superaram uma infinidade de obstáculos e ameaças externas."
Ao todo, 21 milhões de venezuelanos estavam
habilitados para votar nas primárias. O pleito ocorreu cinco dias após a
ditadura de Maduro e a oposição assinarem
um acordo eleitoral, que fixou as eleições presidenciais para o segundo
semestre de 2024.
O compromisso prevê que o pleito seja
competitivo e que conte com a participação de observadores da União Europeia e
de órgãos internacionais.
Segundo o documento, cada lado pode escolher
seus candidatos. Embora ainda não tenha lançado oficialmente sua campanha, a
expectativa é que Maduro concorra novamente para se manter no cargo.
A supervisão do pleito era uma das condições
estabelecidas pelos Estados
Unidos para afrouxar sanções contra o setor de óleo e gás da
Venezuela. Com o acordo, a Casa
Branca respondeu com o alívio nas restrições ao comércio de petróleo
do país sul-americano.
Entre as medidas anunciadas pelos EUA estão
duas licenças gerais, sendo uma delas de seis meses que autoriza negociações
com a indústria de óleo e gás venezuelana, e outra para a empresa estatal de
mineração de ouro Minerven.
A Casa Branca, contudo, ameaçou reverter o
alívio das sanções caso a ditadura venezuelana não suspenda as proibições que
impedem algumas pessoas da oposição de assumirem cargos, disse a agência de
notícias Reuters.
Além das questões que prejudicam a escolha de
um rival de Maduro, a oposição venezuelana está dividida, especialmente depois
do fracasso do governo paralelo autodeclarado em 2019 por Juan Guaidó e
apoiado por vários países do mundo, como
os próprios EUA e o Brasil.
À época, as eleições no país foram criticadas
internacionalmente, com acusações de fraude. Mas Maduro acusou os EUA de
liderarem um complô contra o seu regime e se negou a sair do poder,
permanecendo por uma década no comando do país.
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