O Globo
"O Brasil é dos brasileiros" ou
"MAGA - Make America Great Again" ? Escolha seu acessório para o
verão
“O Brasil é dos brasileiros”. Ou dos
americanos? Boné azul ou vermelho? O verão pré-eleição pode alçar o boné a
acessório indispensável da moda praia, não pela proteção solar, mas pelo filtro
ideológico. O MAGA – “Make America Great Again” – ameaça mofar nas prateleiras
tropicais. Até o Tarcísio guardou seu boné no armário, depois que Eduardo o
peitou.
Nessa guerra de egos, desconfio que ninguém com o boné vermelho MAGA do Trump tem condições de vencer a eleição presidencial do Brasil em 2026. Não sou estrategista política, mas está na cara – ou na cabeça – que o slogan trumpista se tornou tóxico por aqui após a chantagem do tarifaço. Reduziu em 50% as chances eleitorais da direita extremista e colonizada.
Lula foi amplamente criticado pela
performance com os 38 ministros usando bonezinho azul nacionalista em torno da
mesa. Populismo. Verdade. A sina da América Latina é eleger populistas. Seria
ignorância política não aproveitar o presentão dado por Eduardo e Tarcísio, que
posaram de traidores da pátria e estão brigando entre si pelo legado
bolsonarista.
Analistas sérios dirão que o boné não passa
de um detalhe. Que é ridículo etecetera e tal. Mas o pesquisador Gustavo Berti
diz que o boné pode servir como “meio de propagação ideológica”. Por condensar
“ideias e conceitos complexos num objeto versátil”. Berti estuda em Apucarana,
no Paraná. A cidade produz por mês 3 a 4 milhões de bonés – 70% da produção
nacional.
O boné foi popularizado com os times de
beisebol nos EUA no século XIX. Passou para a cabeça de artistas, cantores de
hip hop, jogadores de futebol, torcedores. Ajudou a promover marcas. No Brasil
e no mundo, o boné também foi vulgarizado por bandidos – para escapar das
câmeras de segurança.
O boné reforça identidades, como a do MST – e
agora, a dos trumpistas, bolsonaristas e lulistas. Por ficar junto aos olhos, à
boca, às expressões do rosto, é um acessório útil para passar qualquer
mensagem. Como “A vida presta”, da Fernanda Torres.
Lula foi investigado por usar boné com a
sigla CPX. Diziam que era uma facção do crime organizado, ou até uma gíria de
criminosos, “cupinxa” (sic). Mas era o Complexo do Alemão, a comunidade que
Lula visitava e que o presenteou.
As empresas estão acelerando a produção de
bonés azuis com a frase “O Brasil é dos brasileiros”. Acham que vai pegar nesse
verão. Porque os EUA despencaram em popularidade entre nós, após as taxas
injustas e as ações hostis contra brasileiros, quanta imaturidade hein Eduardo,
seus tiros saindo pela culatra.
Mas, atenção, há outro chapéu que pode
disputar a primazia, como adereço no carnaval. O “viking do Capitólio”. Se você
não lembra, foi um dos apoiadores extremistas de Trump que invadiram o
Congresso americano em 2021, em reação ao que consideravam vitória fraudulenta
de Biden. É um adereço peludo com chifres de bisão. O rosto do militante exibia
as cores da bandeira dos EUA. Ele levava uma lança!
A revista britânica The Economist colocou
Bolsonaro na capa, com chapéu de viking, e rosto pintado de verde e amarelo. A
revista diz que o julgamento de Bolsonaro é “lição de democracia para os EUA”,
porque nossos políticos tradicionais querem seguir as regras. O “Trump dos
trópicos” deve ser condenado, segundo The Economist: “O golpe fracassou por
incompetência, e não por intenção”.
Quase nunca uso bonés, com exceção do Botafogo – e mesmo assim, raramente. Mas entendo o boné como estratégia válida de comunicação. Entre esses adereços políticos disponíveis, algum faz a sua cabeça? Diga-me com qual andas e te direi quem és.
Nenhum comentário:
Postar um comentário