Folha de S. Paulo
Editoriais de dois conceituados veículos
britânicos exibem visões diferentes sobre a hipótese de reeleição de Lula
The Economist e o Financial Times ignoram
especificidades da política brasileira nas respectivas análises
Dois editoriais de conceituados veículos
estrangeiros mostraram visões diferentes sobre possível reeleição de Luiz
Inácio da Silva (PT). Os britânicos The Economist e
Financial Times nada disseram que já não tenha sido dito e repetido com mais
profundidade por artigos de opinião em jornais brasileiros.
Ainda assim, chamaram atenção porque aqui estamos sempre interessados em saber como somos vistos de fora. Para protestar ou celebrar o que revelam os olhares. A revista (Economist) critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal (Financial) aposta no favoritismo do presidente.
Uma percepção concentra-se na idade de Lula,
tendo como referência —questionável— o exemplo do norte americano Joe Biden.
A outra se baseia em dados da conjuntura, levando em conta as pesquisas,
perspectivas econômicas e os desacertos do campo adversário.
Ambas as análises carecem de conhecimento
detalhado sobre as especificidades da realidade política brasileira. Natural
para quem não convive com as circunstâncias nacionais, mas por isso mesmo não
devem ser recebidas como diagnósticos precisos e muito menos justificam
patriotadas na reação às críticas.
The Economist acredita que Lula não deveria
concorrer por ter 80 anos e já passado por problemas sérios de saúde. A revista
aponta um fato, mas ignora que ele, ao contrário de Biden, não aparenta ter
perturbações cognitivas.
Os defeitos do petista para mais quatro anos
de mandato são outros: visão obsoleta da economia, esgotamento de liderança e,
sobretudo, a autorreferência que impede a alternância de protagonismo à
esquerda.
O Financial Times aposta na reeleição levando
em conta as pesquisas de intenção de votos, a superação da crise do tarifaço de
Donald Trump, a defesa da soberania nacional e a desorganização da direita.
Fatores circunstanciais, cujo prazo de
validade pode se esgotar ao sabor da volatilidade e das especificidades da
política local que tem a estranha mania de não ter fé nos escritos.

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