Folha de S. Paulo
Ministro do STF gera ruído ao tentar sentar
sobre iceberg capaz de afundar um Titanic com figuras graúdas da política e
mercado
Relato sobre fraudes da instituição com
fundos da gestora Reag, recurso usado pelo PCC, só piora o cenário, que não dá
sossego
Não se conhecem em detalhes os fatos que estão congelados no grande iceberg do Banco Master sobre o qual está sentado o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Os sinais são de que a montanha submersa tem enorme potencial para afundar um Titanic com muitos passageiros do establishment econômico, político e institucional a bordo.
No que tange ao STF, onde o
caso, sem motivo convincente foi parar, sabe-se de um vultoso contrato de R$ 129
milhões do banco com a família de Alexandre de Moraes, por si
rumoroso o suficiente para deixar o tribunal na berlinda.
Mas não é só isso. Choca, em acréscimo, da
parte do candidato a abafador geral Dias Toffoli, o super sigilo imposto e a
trapalhada de ter anunciado uma acareação entre Daniel
Vorcaro, dono do banco em liquidação, Pedro Henrique Costa,
ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), possível comprador, e o diretor de
fiscalização do BC Ailton de Aquino Santos. Isso, como já foi repisado, ao
apagar do ano, durante festas e recesso de instituições da República. Aos olhos
de advogados e juristas respeitáveis, a convocação de Aquino não tinha
cabimento fosse para o procedimento do qual Toffoli acabou por recuar em parte,
seja para depor à Polícia
Federal. O episódio
acabou privilegiando depoimento e acareação de Vorcaro e Pedro Henrique Costa,
tendo Aquino prestado esclarecimentos sobre a atuação do BC antes de ser
dispensado.
A novidade em cena é o uso pelo banco
de operações com
fundos que serviram também a propósitos escusos do crime organizado,
conforme se viu na operação Carbono Oculto. Como publicou esta Folha,
um relatório do
Banco Central (BC) enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União)
apontou indícios de fraude em operações financeiras realizadas em conjunto com
fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores
Mobiliários. Quem
acompanha o mercado diz que é grande o nervosismo. Pudera.
De acordo com o documento, as transações
suspeitas somariam R$ 11,5 bilhões e foram consideradas pelo BC como portadoras
de "falhas graves", em desacordo com normas do Sistema Financeiro
Nacional.
Sabe-se que o Master, além da imaginação
financeira de seu dono, conta com uma ampla rede de apoios comprometedores,
envolvendo autoridades de relevo. Noticiou-se que o governador do Rio, Cláudio
Castro, por exemplo, bem como o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, teriam apoiado a instituição com incentivo a
investimentos dos fundos de previdência dos servidores do Rio e do Amapá.
No caso do Estado da região Norte, o diretor do fundo seria apadrinhado do
senador.
Os dois casos, entre tantos na mesma linha
veiculados pela imprensa, talvez sejam apenas a pontinha da ponta do iceberg
que já se pode ver. O grande temor agora é que o imbróglio entre na esfera
criminal e acabe por produzir uma delação premiada, o que não seria fogo e sim
um incêndio de grandes proporções no parquinho.
O Brasil não dá sossego. O caso Master vai
nos acompanhar por bom tempo. Serão grandes as apreensões e variadas as
tentativas de manobras num ambiente político cada vez mais delinquencial, que
se alastra pelo Congresso e outras instâncias da democracia. O Titanic continua
em rota de colisão com o iceberg. Veremos.

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