sábado, 17 de dezembro de 2011

Fausto:: Goethe

Empresário

Amigos! (que ambos vós já bastas vezes
nas aflições e apertos me salvastes)
vingará na Alemanha a nossa empresa?
Quero agradar ao público, e preciso,
que o público é real, e eu vivo dele.
Dêmos que está já pronto o barracório,
o teatrinho armado, e cada ouvinte
no seu lugar, ansioso de festança.
Repimpam-se, arqueando as sobrancelhas;
vem todos com tenção de embasbacar-se.
Eu na arte de embair não sou dos pecos,
hoje porém, confesso, estou com susto.
Não anda o povo afeito a mãos de mestre,
mas lê, lê muito; um ler que mete medo.
Como hei-de eu conseguir que ele ache em tudo
novidade, substância, e graça às pilhas?
’Stou nas minhas três quintas quando vejo
acudir-me gentio às rebatinhas,
chegar inda com dia, antes das quatro;
atirar-se ao balcão do bilheteiro
como em tempo de fome à padaria,
e esmurrarem-se à pesca de um bilhete.
Milagre tal em tão mesclada gente,
só poetas de truz. Toca a tentá-lo!

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