quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Opinião do dia – Alexandre Moraes*

"Não é possível mais discursos de atenuante em penas aplicadas depois do devido processo legal e depois de ter sido concedida ampla possibilidade de defesa aos investigados. A redução de penas seria um recado à sociedade de que o Brasil tolera ou tolerará novos flertes contra a democracia".

*Alexandre Moares, Vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Campanha tenta sabotar autonomia do Banco Central

Por O Globo

Ataques nas redes sociais e processo indevido no TCU miram credibilidade da autoridade monetária

A autonomia do Banco Central (BC) foi uma conquista obtida com dificuldade. Sempre sofreu resistência dos interessados em manter a autoridade monetária vulnerável a interferências. A lei garante que o BC é uma autarquia de natureza técnica, cujas decisões devem ser preservadas das pressões políticas. Isso vale tanto para a taxa de juros quanto para medidas destinadas a regular e preservar o sistema financeiro. É, por isso, lamentável a campanha deflagrada contra o BC, tendo como alvo a liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Um dia para não esquecer. Por Míriam Leitão

O Globo

Quem atacou a democracia brasileira está preso. Quem fez o mesmo nos EUA voltou ao poder e ameaça a ordem global

Há três anos o Brasil viveu uma situação limite, com as sedes dos três Poderes atacadas e vandalizadas. Foi um dia construído durante quatro anos por um presidente que atacava as instituições, sequestrava datas e símbolos da pátria, conspirava com generais, mantinha no palácio uma feroz milícia digital, ameaçava adversários, liberava armas e fazia reuniões nas quais abertamente se falava em virar a mesa enquanto fosse tempo. O dia 8 de janeiro de 2023 não foi um raio num céu azul. Ele foi criado e estimulado pelo governo de Jair Bolsonaro.

Spoiler: não é sobre gatos. Por Cora Rónai

O Globo

Após contrato de esposa de ministro do STF com banco que é um insulto, minha geração assiste agora ao ocaso da maior democracia do Ocidente

Passei o Natal e o Ano Novo brigando na internet, porque tive a audácia de observar que talvez seja até legal a esposa de um ministro do STF ter um contrato de R$ 129 milhões com um banco, mas não é. E nem ao menos é só questão do dinheiro, embora, claro, qualquer contrato dessa monta seja por si só suspeito; a sua própria existência é um insulto.

Pra quê? Fui descascada em escala industrial. Me chamaram até de “elite socialista aristocrática do Leblon”, quando todo mundo sabe que sou elite socialista aristocrática da Lagoa. Depois de perder um tempo enorme bloqueando gente grosseira e descontrolada, decidi que, a partir de 2026, só escreveria sobre gatos e livros. A família aplaudiu.

O piloto sumiu. Por Merval Pereira

O Globo

A única arma que um país como o Brasil, ou outros da América Latina, tem contra a invasão é o Direito Internacional

A captura de um navio com bandeira russa em meio ao Atlântico Norte, que tinha a protegê-lo submarinos, mas servia também ao Irã no transporte de petróleo desde a Venezuela, é a mais nova aventura de pirataria em consequência do sequestro do ex-ditador Nicolás Maduro no sábado passado. Parece filme, mas é a realidade. Até o fato de o navio antes se chamar Bella 1 e passar a se denominar Marinara no meio do caminho em alto-mar, tudo para fugir de sanções americanas. O atual impasse entre Rússia e Estados Unidos reflete bem os anos turbulentos que teremos pela frente até que o mundo tripartite proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a seus parceiros Vladimir Putin e Xi Jiping se acomode.

Com saúde debilitada, Bolsonaro preso alavanca candidatura de Flávio. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

As próximas pesquisas deverão medir o impacto político das sucessivas internações do ex-presidente sobre o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro

O dia 6 de setembro de 2018 ainda nem havia terminado quando, da porta da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), um dos filhos de Jair Bolsonaro profetizou: “Vocês acabaram de eleger o presidente!”. A frase de Flávio Bolsonaro reagia à facada sofrida pelo pai horas antes, durante ato de campanha. Àquela altura, Bolsonaro liderava as pesquisas, mas acumulava alta rejeição. Carregado por apoiadores no centro da cidade, foi atingido pelo servente de pedreiro Adelio Bispo de Oliveira. Após o golpe, levou as mãos ao peito, gemia de dor e foi deitado na entrada de uma lanchonete próxima.

Ingerência dos EUA e a nova ordem. Por Assis Moreira

Valor Econômico

Parceiro de golfe de Trump, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirma que levará pelo menos de cinco a dez anos para que as coisas se estabilizem

A versão trumpista da “Doutrina Monroe” começa a ser aplicada em meio à reconfiguração bipolar do mundo - Estados Unidos e China - que vai se refletir nos contornos de uma nova ordem mundial. A ingerência direta dos Estados Unidos na Venezuela deixa claro que Donald Trump acredita poder fazer tudo, a qualquer momento, na América Latina.

“O domínio americano no hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, disse Trump. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acrescentou: “Este é o hemisfério Ocidental. É aqui que vivemos - e não permitiremos que seja uma base de operações para adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos”.

Humilhação espetacular. Por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Na natureza do trumpismo, a dimensão do espetáculo é mais determinante do que a dimensão geopolítica, a dimensão econômica e a dimensão da política interna

A captura – ou rapto, ou sequestro – de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado, foi amplamente analisada e comentada na imprensa. Só ficou faltando um pedaço. Além das razões geopolíticas (que levam a Casa Branca a tentar expulsar as influências russas e chinesas do mar do Caribe e da América do Sul), além das pressões exercidas sobre o presidente pela indústria petrolífera norte-americana (que quer beber o óleo extrapesado das águas venezuelanas) e além da ameaça de perda de popularidade interna (que o governo imagina conseguir desviar com agressividade bélica em plagas estrangeiras), há um quarto fator a se levar em conta.

O gosto ruim. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

Política e instituições do Brasil entraram numa espiral de descrédito e não se vê remédio imediato

O amargo sabor da nossa irrelevância internacional diante do que aconteceu na Venezuela vem acompanhado internamente pelo ácido sabor da podridão política diante do escândalo do Master. Há uma ligação abrangente entre os dois fenômenos: a noção de que não se vê remédio imediato para nenhum gosto ruim.

O caso do Master é de maior urgência, pois indica uma crise institucional de graves proporções. Essa crise não resulta do fato de uma instituição (por exemplo o TCU) averiguar o que outra (por exemplo o Banco Central) está fazendo ou não.

Os planos de Nunes Marques para o TSE. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministro indicado por Bolsonaro assume presidência da Corte com ideias em mente, mas precisa de apoio

Kassio Nunes Marques assume o comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho com a intenção de despolarizar o País. A tarefa não é nada fácil, mas o ministro tem um plano. O primeiro deles é que a Corte defina agora, no início do ano, as regras da disputa. Se depender de Nunes Marques, não haverá qualquer mudança nas resoluções até o fim do ano, quando os vencedores serão diplomados.

E daí que a ação dos EUA na Venezuela é ilegal? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Não é preciso gostar de Maduro para sustentar que a ilegalidade da ação americana torna o mundo menos seguro

Direito internacional ainda nos ajuda a diferenciar o que é e o que não é bangue-bangue

Quando a Groenlândia for invadida pelos americanos por ser essencial à sua segurança, talvez lembremos da noção de integridade territorial. Quando Putin decidir capturar e prender Zelenski, talvez lembremos das regras sobre imunidade de chefe de Estado e prisioneiros de guerra. Quando a China decidir controlar de vez Taiwan e tomar para si a indústria de chips, talvez lembremos da autodeterminação. Quando a França decidir controlar a Amazônia Legal para conter o narcotráfico, talvez lembremos da proibição da força exceto em autodefesa ou via Conselho de Segurança da ONU.

Trump antropófago. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os EUA sempre devoraram os inimigos para deglutir suas qualidades e se fortalecerem

O cachorro-quente, o chiclete, o jeans, a lâmpada e o wi-fi foram só alguns produtos dessa deglutição

Presentearam Donald Trump com uma tradução do "Manifesto Antropófago", de Oswald de Andrade. Ele leu: "Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente". Trump gostou. Mais adiante: "Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago". Trump fez hmmm de aprovação. Segundo o autor, ao literalmente comer o inimigo, o antropófago devora as qualidades deste e, deglutindo-as à sua maneira, fortalece-se.

A indicação de Lula para a CVM e o caso Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Interino na presidência do órgão, Lobo brecou decisões que seriam desfavoráveis a Daniel Vorcaro

Presidente o escolhe em uma das semanas mais polêmicas do caso, em meio à pressão do TCU e ao recuo na inspeção no BC

Causa estranheza a indicação pelo presidente Lula do nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no momento em que o caso Master passa como um furacão pela capital federal e arredores.

Interino na presidência do órgão, Lobo brecou decisões que seriam desfavoráveis ao dono do Master, Daniel Vorcaro. Julgamentos que, com certeza, ajudaram o ex-banqueiro.

Está no cargo desde julho, após a renúncia de João Pedro Nascimento, o JP, que ainda teria dois anos pela frente no cargo antes de terminar o seu mandato na presidência. O episódio escancarou pressões políticas que cercavam casos polêmicos no órgão.

Amigos do Master atuam como facção que protege poderosos. Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Tentativa de emparedar Banco Central para questionar liquidação da instituição reúne TCU, contas digitais e abafa no STF

Felizmente surgem reações, apesar do silêncio do governo Lula, contra mais essa investida criminosa na política e instituições

As reiteradas investidas do TCU (Tribunal de Contas da União) contra o Banco Central são uma tentativa facciosa de instrumentalizar a fiscalização com o objetivo de conter a emergência de escândalos que podem atingir os quatro cantos da República, como disse recentemente —reforçando o que muitos já haviam apontado— o economista Arminio Fraga, ex-presidente do BC, em entrevista.

Para o Brasil, um inédito desafio. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A nova estratégia de defesa dos Estados Unidos pede atualização da política externa brasileira

Ação na Venezuela não foi em defesa da democracia, mas aos interesses das petroleiras americanas

Nos anos 1950, o cartunista americano Al Capp (1909-1979) introduziu um novo personagem nas tirinhas que publicava em vários jornais: a Águia Careca. O pássaro compelia quem fitasse seus grandes olhos inocentes a dizer compulsivamente a verdade, revelando as piores intenções. Magnatas e políticos eram assim levados ao sincericídio, reconhecendo suas maquinações e falcatruas.

A volta da velha pergunta: o que fazer? E também uma homenagem. Por Ivan Alves Filho

Em uma era marcada por transformações profundas no campo do trabalho e em plena crise da ideia de Democracia, sem esquecer, ainda, os impasses consideráveis que vão se produzindo nas relações com o meio ambiente, a realidade atual apresenta contornos que combinam, de forma até dramática, elementos que conduziram o mundo a duas guerras mundiais no decorrer do século XX. São eles, só para recordar e servir de alerta: nacionalismo exacerbado, disputas em torno de mercados, desorientação e divisão entre as forças representativas da paz.

Poesia | O Rio - João Cabral de Melo Neto

 

Música | Caetano Veloso, Xande de Pilares e Mosquito cantam "Gente" no Altas Horas