quarta-feira, 8 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula precisa conter tentação intervencionista

Por Folha de S. Paulo

Governo anuncia mais subsídios para frear preços de combustíveis; pacote deve ser, de fato, temporário

Tarefa seria menos árdua se finanças governamentais não estivessem em situação vulnerável, o que também dificulta o controle da inflação

Na segunda-feira (6), o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PTanunciou novos subsídios temporários para conter o impacto da guerra no Irã sobre os preços domésticos dos combustíveis, desta vez atingindo, além do óleo diesel, o gás de cozinha (GLP), o biodiesel e o querosene de aviação.

No mesmo dia, a Petrobras anunciou a demissão do diretor de Logística, Comercialização e Mercados, área responsável por vendas e formação de preços. Dias antes, Lula havia atacado publicamente um leilão de GLP realizado pela estatal, que resultou em ágios de mais de 100% sobre os valores costumeiros.

Direita puxa fila para desgastar Flávio Bolsonaro, por Vera Magalhães

O Globo

Candidato do PL enfrenta mais questionamentos dentro do seu campo ideológico que aqueles vindos de Lula ou do PT

Enquanto o governo e o PT catam cavaco quanto ao momento para começar a confrontar Flávio Bolsonaro, partem da direita as maiores dores de cabeça para o projeto de franquia familiar empreendido por Jair Bolsonaro a partir da Papudinha. Pelo menos duas pré-candidaturas questionam a escolha do filho Zero Um para suceder ao pai inelegível: Ronaldo Caiado, que tenta abocanhar votos daqueles que acham Flávio radical demais, e Renan Santos, que ataca o flanco oposto do senador, falando àquela fatia do eleitorado que se identifica com o discurso antissistema.

Até aqui, as pesquisas mostram pouco espaço para o crescimento de nomes que tentam evitar que já se imponha no primeiro turno a polarização estabelecida em 2018 e repetida em 2022, entre lulopetismo e bolsonarismo.

O campeão do troca-troca, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Campeão do troca-troca, Nelsinho Padovani escolheu sigla na última hora do prazo legal

Um em cada quatro deputados usou a janela partidária para mudar de legenda. O campeão do troca-troca foi o ruralista Nelsinho Padovani, do Paraná. Em 30 dias, ele mudou três vezes de sigla. Começou no União Brasil, migrou para o PL, passou pelo Republicanos e estacionou no PP.

“Foi uma acomodação política”, explica o parlamentar. Ele está contrariado com jornalistas que só acompanharam sua peregrinação até a penúltima parada, no Republicanos. “Não mudei duas vezes de partido. Mudei três”, esclarece.

Aeroporto é coisa de pobre, por Elio Gaspari

O Globo

Nenhum maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal (STF) entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam ou falavam. Agora, não importa o que pensam, mas o que fazem. Três deles — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques — encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto. Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar no resort Tayayá.

A seis meses da eleição, os desafios de Lula e Flávio, por Fernando Exman

Valor Econômico

Presidente busca dar novo gás na reta final do governo; senador tenta conter exposição

A esta altura do campeonato, seis meses antes do primeiro turno, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) adotam estratégias distintas. Lula não tem tempo a perder: candidato à reeleição, o presidente busca dar novo gás ao governo nesta reta final de seu terceiro mandato.

Pouco tempo se passou entre o anúncio dos ministros que decidiram concorrer a algum cargo eletivo e a nomeação dos respectivos substitutos. No entanto, há semanas se vivia no Palácio do Planalto um clima de transição, o qual, para alguns integrantes do Executivo, foi longo demais. Ainda nem está claro o papel que todos os ex-ministros desempenharão nas eleições, e agora a prioridade de Lula passou a ser o desenho de novas medidas econômicas para tentar melhorar o humor da população.

Ampliação do open finance para reduzir juros, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Medida estrutural faz parte do conjunto de ideias que o governo tem para o setor

O governo estuda ampliar o open finance para melhorar a avaliação de crédito de pessoas e empresas e, com isso, ajudar a reduzir os juros nos empréstimos. Essa é uma medida de caráter estrutural que integra o conjunto de estudos que estão em andamento no Ministério da Fazenda, com o objetivo de atacar os altos índices de endividamento.

O open banking permite que uma pessoa disponibilize seus dados aos operadores do sistema financeiro para receber ofertas de crédito, explicou à coluna o secretário de Reformas Econômicas, Regis Dudena. O open finance já foi uma ampliação que trouxe mais dados.

Notícias distópicas da guerra entre Donald Trump e os aiatolás do Irã, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Durante décadas, mesmo sob tensões, o sistema internacional operou com previsibilidade, instituições, normas e mediação. Esses instrumentos mostram sinais claros de esgotamento

“Distopia” é a representação de uma sociedade imaginária marcada por opressão, caos ou degradação extrema — um “lugar ruim”, no qual a violência, a perda de liberdade e a ruptura das normas civilizatórias se tornam regra. Mais do que coisa da literatura ou do cinema, a distopia é alerta: projeta no futuro tendências já presentes no mundo real. É aí que os acontecimentos no Oriente Médio, com a escalada retórica e militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã assombram as chancelarias das grandes potências mundiais e impactam a vida das pessoas em todo mundo.

A primeira campanha eleitoral da pós-realidade, por José Vicente Pimentel*

Correio Braziliense

Um aspecto da eleição húngara que nos interessa de perto é o uso intenso de recursos de inteligência artificial (IA) na propaganda do primeiro-ministro, Viktor Orban. O baixo nível impera

No próximo domingo, dia 12, as atenções do mundo estarão voltadas para as eleições parlamentares na Hungria. Embora não tenha relevância econômica, o país se tornou um símbolo do movimento global autocrático-religioso de extrema-direita, que o seu primeiro-ministro, Viktor Orban, prefere qualificar de iliberal.

Quando o Pacto de Varsóvia se dissolveu em 1991, havia expectativas generalizadas de que a Hungria emergiria rapidamente da pobreza a que havia sido relegada pelo regime soviético. Não foi o que aconteceu. Pelas estatísticas da União Europeia (UE), ela é hoje um dos mais pobres países europeus. A produção industrial vem decaindo, o desemprego é galopante e a população vem diminuindo. Dois terços da população consideram o sistema educacional ruim ou péssimo, o sistema de saúde pública está decadente, muito em consequência da migração de médicos. Para piorar, nos últimos três anos a Hungria transformou-se no país mais corrupto da UE. Mesmo o "índice de liberdade econômica", publicado pela conservadoríssima Heritage Foundation, considera a Hungria o pior país europeu no quesito integridade governamental.

Vorcaro e o caso Tortora, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Quantos bilhões e quem o ex-banqueiro está disposto a entregar para obter a sua liberdade?

Era 17 de junho, 4h30. Em Via del Corso, em Roma, carabineiros prendiam o jornalista Enzo Tortora, apresentador de um dos programas de maior audiência da Itália: Portobello. Começava o calvário daquele que é considerado o maior erro judicial da história recente da Itália.

Quem quiser conhecer melhor essa história basta ir à HBO Max para assistir à série dirigida por Marco Bellocchio. Tortora era um Fausto Silva em seu país. Foi denunciado por dois integrantes da Nova Camorra Organizada como traficante de droga. Os bandidos precisavam entregar um nome excelente aos procuradores a fim de que lhes fossem concedidos os benefícios da delação premiada. Tortora foi a cereja no bolo dos malandros, que “confessaram” como arrependidos. Após três anos, o jornalista, que renunciou à imunidade do mandato no Parlamento Europeu para responder como simples cidadão ao processo, provou sua inocência.

Dilema machista, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

O senhor já quis comer a mulher de um amigo? – perguntou o motorista que me levava ao aeroporto. Surpreendido, tergiversei e tentei dialogar sobre problemas muito mais fáceis de resolver, tipo: se era possível julgar casos nos quais a esposa era advogada do réu; se a última novidade no campo da corrupção era esse banco que rouba dinheiro; sobre a crise climática e a arrogância de Trump.

– Você diz trair uma amizade por machismo?

– Isso mesmo. Comer a mulher do melhor amigo. Ela me contou que o marido entrou numa seita religiosa e não comparecia mais em casa...

Vice de Trump visita Hungria e faz declaração de amor a Orbán às vésperas de eleição, por José Henrique Mariante

Folha de S. Paulo

Vance critica burocratas de Bruxelas em linha com campanha antieuropeia de primeiro-ministro

Magyar, opositor que lidera pesquisas, afirma que história húngara não é escrita por Washington

Juras de amor a Viktor Orbán e críticas aos "burocratas de Bruxelas" marcaram a visita de J. D. Vance a Budapeste nesta terça-feira (7). A presença do vice-presidente dos Estados Unidos, tentativa de dar peso internacional ao contestado primeiro-ministro, ocorre dias antes da eleição parlamentar que pode tirá-lo do poder após 16 anos.

Pesquisas de opinião colocam Péter Magyar, um ex-aliado, com vantagem superior a dez pontos percentuais no pleito de domingo (12). No X, o candidato classificou a visita de Vance de interferência externa. "A história da Hungria não é escrita em Washington, Moscou ou Bruxelas. Ela é escrita nas ruas e praças da Hungria."

Trump amarela e pode conseguir um jeito de mentir sobre a guerra para os americanos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ataque destrutivo contra Irã provocaria retaliação e pioraria crise do petróleo

Presidente dos EUA vai tentar fazer com que assunto da guerra 'morra', mas crise não acabou

Donald Trump arrumou um jeito de contar uma mentira em casa e, talvez, de se livrar até das consequências mais extremas da desgraça que provocou para si —crise econômica e derrota eleitoral.

Depois de ameaçar varrer o país da face da Terra, Trump recuou do quarto ultimato que deu ao Irã. Não era para valer também a exigência de "rendição incondicional", anunciada no sétimo dia da guerra.

Trump vai dizer que acabou com as armas do Irã, matou suas lideranças piores, "mudou o regime", que a guerra acabou "no prazo" (qualquer prazo). Dirá que sua ameaça de solução terminal levou o regime da Guarda Revolucionária teocrática a reabrir Hormuz, que Trump desdizia ser um objetivo de guerra. Seus ultimatos, porém, vão ser testados por todos os seus adversários e inimigos.

Quão resiliente é Flávio Bolsonaro? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Candidato do clã deverá ser questionado por esquema de rachadinha

Ele também mostra inabilidade com declarações que espantam eleitor moderado

Quão resiliente é Flávio Bolsonaro? A resposta a essa pergunta será decisiva na disputa eleitoral. O primogênito de Jair Bolsonaro herdou os votos e a rejeição do pai, mas não foi ainda, enquanto ser autônomo, submetido ao teste de estresse.

A lista de passivos do postulante do PL é densa. Ele foi flagrado num insofismável esquema de rachadinha, que os mais preciosistas chamam de peculato. Desdobramentos do esquema incluiriam lavagem de dinheiro numa franquia da loja de chocolates da Kopenhagen e a compra de uma mansão em Brasília com valor acima de seus rendimentos oficiais.

Saia do rebanho político, ouse pensar por si mesmo, por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Em meio à patrulha ideológica, pensar por conta própria tornou-se um ato de resistência

A vida pública se transformou em uma sucessão de testes morais e alinhamentos forçados

Se você já não aguenta mais gente patrulhando cotidianamente a sua opinião, exigindo-lhe um posicionamento moral explícito sobre qualquer coisa como condição para decidir se você presta ou não, se já não suporta militante apertando a sua mente e forçando a sua mão, você não está sozinho. Há muitos brasileiros como você —e me incluo entre eles— sentindo-se como a bola de um pinball político alucinado, arremessada para lá e para cá, à procura de uma saída em meio a tanto barulho e histeria.

A guerra no estreito de Ormuz está chegando aqui, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Dá para ficar tranquilo diante da guerra no Golfo Pérsico? Não dá. O Brasil importa cerca de 20% do petróleo produzido na região, além do que 70% dos fertilizantes usados na agricultura (42 milhões de toneladas), 30% passa pelo Estreito de Ormuz. São mais de 10 milhões de toneladas. Como efeito da guerra, Putin resolveu suspender por um mês, renovável por mais um, as exportações desses insumos. No Brasil essa interrupção cai justamente na época de plantios. Significa, portanto, que a safra brasileira de grãos, projetada para 354 milhões de toneladas, que supre o mercado interno e torna o Brasil um dos principais produtores de grãos do Planeta, corre sérios riscos de ter, em 2026, uma menor produtividade e, em consequência, uma redução significativa da produção. Não sei se pode faltar alimentos, mas tudo tende a ficar mais caro.

Nossas raízes democráticas, por Vagner Gomes

Livro resenhado: MAESTRINI, Alexandre Müller Hill. Nossas riquezas pretas: biografias afro-juizforanas. Juiz de Fora (MG). EDITAR. 2025.

Disponível gratuitamente aqui: 

https://institutoautobahn.com.br/index.php/nossas-riquezas-pretas-jf/

Pode-se dizer, então, que desde o seu parecer antiprotecionista, Rebouças começara a aproximar a Alemanha do seu quadro de referência, concedendo-lhe uma densidade ética comparável à da aristocrática Inglaterra e, por via de consequência, ao yankismo que preconizava para o Brasil. Rebouças mudaria também a sua definição de Estado: a qualificação do Estado como “gendarme” das “classes feudais” seria alterada pelo reconhecimento da multiplicidade de interesses abrigados sob o Estado modernizador do século XIX. (…)

Maria Alice Rezende de Carvalho – O Quinto Século: André Rebouças e a Construção do Brasil, p. 207.

Poesia | Chico Science - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Aldir Blanc - Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristovão Bastos)

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cidades sem receita própria distorcem federalismo

Por Folha de S. Paulo

Em 4 de cada 10 municípios, repasses federais e estaduais respondem por 90% ou mais dos orçamentos

Pior ainda, cidades passaram a receber montantes anômalos oriundos de emendas parlamentares destinados, no geral, a obras paroquiais

Em sistemas federalistas, é esperado que a maior parte da receita pública venha do governo nacional, que tem maior capacidade de tributar em todo o território do país. Também é normal que municípios recebam recursos federais e estaduais, pois arrecadam menos e têm de atender mais de perto aos cidadãos. No Brasil, entretanto, tais relações assumiram proporções disfuncionais.

Quando o crescimento não chega ao eleitor, por Luiz Schymura*

Valor Econômico

Em ano eleitoral, a economia importa, mas principalmente da forma como ela é sentida, e, até agora, ela cresce, mas ainda não convence plenamente

Em ano eleitoral, a economia se torna o principal termômetro político. Quando o PIB avança, o emprego sobe, a inflação recua e a renda real cresce, o governante costuma colher votos. Quando o quadro piora, paga o preço. A lógica parece simples. O problema surge quando os números são bons, mas o eleitor não sente sua vida melhorar.

É o caso do presidente Lula em 2026. Seu terceiro mandato exibe indicadores que, em outros tempos, garantiriam vantagem confortável. O PIB cresceu, em média, mais de 2% ao ano. A taxa de desemprego atingiu 5,6% no terceiro trimestre de 2025, mínima histórica na série do IBGE iniciada em 2012. A massa salarial real segue em alta. A inflação pelo IPCA fechou 2025 em torno de 4% e deve encerrar 2026 no mesmo patamar. São números que qualquer governo exibiria com orgulho. Em condições usuais, esse conjunto sustentaria não apenas avaliação positiva do governo, mas também menor dispersão nas expectativas e maior previsibilidade política.

Do convencional ao conveniente, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back*

Valor Econômico

A questão que deveria ter um debate amplo e livre é se o regime de metas de inflação trouxe resultados expressivos para o crescimento econômico do Brasil

Nos anos 1980, no início da reforma do modelo econômico chinês liderada por Deng Xiaoping. Promoveu-se um amplo debate na Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS - Chinese Academy of Social Sciences) antes de implementar a grande reforma. De um lado, economistas chineses com formação em universidades americanas e do outro lado, economistas com formação na tradição milenar. Desse debate amplo, venceu a ala não convencional, ou seja, contra a terapia de choque, adotada na Rússia e no leste europeu.

Como renegociar de dívidas pessoais, por Míriam Leitão

O Globo

A proposta mais adiantada é que os débitos sejam consolidados, quitados com desconto e garantia do governo, e substituídos por uma nova dívida, menor e mais barata

O governo e as instituições financeiras estão detalhando o novo programa de renegociação de dívidas. A opção com mais apoio é a de haver uma linha de crédito para que, na renegociação, o devedor quite a dívida antiga mais cara com desconto. E fique com uma nova dívida, menor e mais barata, parte dela assegurada pelo Fundo Garantidor de Operações. Por causa dessa garantia, a taxa de juros poderá ser substancialmente menor. Neste momento, estão identificando qual será o público-alvo. Já se sabe que o foco principal é inadimplentes com renda até três salários mínimos, e se estuda um mecanismo para devedores com renda acima desse valor.

Dança das cadeiras, por Merval Pereira

O Globo

Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.

O encerramento da janela partidária provocou uma reorganização do sistema político brasileiro, mantendo, porém, a predominância de partidos da direita. Houve crescimento do PL — que está com a maior bancada, próxima dos cem deputados federais —, diminuição significativa do União Brasil e crescimento, em número de parlamentares e em influência nacional, do PSD. Este cresceu no Rio Grande do Sul, no Nordeste e em estados-chave como Minas e São Paulo. Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.

Mundo mudará com guerra no Irã, por Fernando Gabeira

O Globo

Conflito pode redefinir o panorama internacional como poucos grandes acontecimentos históricos fizeram

O Estreito de Ormuz está fechado. Muitos afirmam que Trump poderia proclamar vitória com sua abertura. Acontece que ele sempre esteve aberto antes da guerra. Nesse caso, o objetivo do conflito seria alcançar algo que já existia antes dele.

Franz Kafka escreveu um conto em que um homem espera muito tempo na porta de uma fortaleza até descobrir que ela sempre esteve aberta. O castelo de Kafka simboliza o poder emaranhado em inúmeras medidas burocráticas. O Estreito de Ormuz, que o Irã partilha com Omã, sempre esteve lá como passagem de um quinto do petróleo mundial.

IAs têm emoções, por Pedro Doria

O Globo

Só não sabemos se também as sentem. Se as sentirem, teremos de repensar toda a relação

Nos últimos dias, a equipe de pesquisa da Anthropic publicou um artigo científico provando que inteligências artificiais (IAs) têm emoções. O verbo é escolhido com cuidado, aqui. Não é que sintam emoções — elas têm emoções. Ou as simulam. Os cientistas testaram 171 emoções diferentes, de felicidade a desespero, passando por um momento taciturno ou mesmo triste. O problema do estudo é que ele abre uma bifurcação na estrada ética das IAs. Precisamos compreender melhor o que são essas emoções. Se, além de as terem, elas também sentem.

Em ‘Política como destino’, uma linha do tempo de Geisel a Temer, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Moreira Franco transita com naturalidade por episódios envolvendo lideranças como José Sarney, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves

O ex-governador fluminense e ex-ministro Moreira Franco lançará nesta quarta-feira (8/4), em Brasília, na Fundação Ulysses Guimarães (SHIS QI 15, conjunto 14, casa 18), a partir das 17h30, a autobiografia “Política como destino” (Topbooks), uma longa entrevista concedida à socióloga Aspásia Camargo, com participação especial do filósofo Denis Lerrer Rosenfield. Mergulho nos bastidores do poder, o livro combina memória pessoal, análise política e uma coleção de “causos”, da distensão do governo Geisel ao de Michel Temer (MDB), que assumiu o poder com o impeachment de Dilma Rousseff.

Entrevista | Cristovam Buarque: "divisão enfraquece narrativa progressista"

Por Raphaela Peixoto / Correio Braziliense

Pré-candidato a deputado federal pelo PSB, Cristovam Buarque defende unificação do campo progressista e cobra responsabilização pela crise no BRB. Ele também explica seu retorno à política aos 82 anos: "Uma omissão ficar em casa"

Recém-filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), o ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque afirma que o cenário atual o incentivou a voltar para a política. "Não estava na minha cabeça ser candidato. Mas, diante do que a gente vê hoje, eu, 82 anos, mas com saúde, é uma omissão ficar em casa escrevendo", afirmou aos jornalistas Ana Maria Campos e Luiz Felipe, no Podcast do Correio.

Cristovam relatou que a mudança de partido ocorreu devido a divergências internas no Cidadania, o que classificou como alvo de um "golpe cartorial". "Eu não saio do partido, eu saio da sigla. O meu partido eu levo comigo", declarou o político. O ex-governador integrou um bloco de políticos que buscou abrigo na legenda liderada nacionalmente por Carlos Siqueira e João Campos.

‘A Prática da Estratégia’, por Paulo Hartung

O Estado de S. Paulo

Relevante é um olhar à estratégia em que se conjuguem o desejar e o agir, posto que um sem outro pode redundar em mera perda de tempo

Um mestre do planejamento no Brasil acaba de lançar um livro de referência sobre o tema. Em A Prática da Estratégia, Claudio Porto reúne conceitos fundamentais, dicas e um passo a passo para implementação de iniciativas e estudos de caso – nacionais e internacionais –, a partir de sua experiência de mais de meio século como estudioso e consultor nessa área. Na apresentação, o autor assinala que “o livro foi escrito para pessoas que protagonizam a construção do futuro de algo de interesse comum”. Esses “agentes podem se organizar como entes privados, públicos ou híbridos, formais ou informais”, tendo um “futuro desejado em comum e não efêmero”. Nesse contexto, a estratégia “é o produto ou o instrumento dos agentes para orientar e fazer a construção do futuro que eles desejam”.

Os pobres pagam pela crise mundial, Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

São frequentes projeções de crise das finanças públicas em futuro próximo, com risco para a sustentação de importantes programas, especialmente na área social

Para desconsolo de operadores do mercado financeiro, a ganhadora do Prêmio Nobel de Economia de 2019, a francesa Esther Duflo, tem vindo ao Brasil e falado sobre o País com mais frequência do que gostariam. Duflo tem discorrido sobre temas que a tornaram reconhecida mundialmente, como pobres, combate à pobreza, taxação dos muitos ricos, políticas sociais inclusivas. São temas perturbadores aos que se dedicam a acumular riquezas, para si ou para terceiros.

Papai Noel fora de época, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Pacote de bondades do governo Lula tem dois motivos, a guerra do Irã e a (re)eleição

O presidente Lula assistia ao desmoronamento de sua reeleição de camarote, ou saltitando, para mostrar energia e juventude, mas a realidade e as pesquisas puseram o Planalto e o próprio Lula em estado de alerta. E lá vem o tradicional pacote de bondades de ano eleitoral.

Quem paga não é o coelhinho da Páscoa, que já passou, nem Papai Noel, que só chega em dezembro. Logo, é você!

Onipresente invisível, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Alexandre de Moraes voou em avião de Daniel Vorcaro – sempre será de uma empresa de Vorcaro – e se encontrou com o banqueiro no dia seguinte, de acordo com o Estadão. Embarcou, sem a esposa, em táxi aéreo contratado pelo escritório Barci de Moraes (da esposa) para deslocamento de seus advogados.

Xandão, que não era advogado na banca, viajou em 7 de agosto de 2025, em jato da onipresente Prime Aviation, e esteve com Vorcaro no dia 8, em São Paulo, conforme interpretação da mensagem do banqueiro à namorada: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. (Ciro seria o Nogueira, senador.) Foram algumas as viagens xandônicas nas asas da Prime, conforme levantara Monica Bergamo na Folha.

Preços de combustíveis antecipam eleição inflamável, por André Borges

Folha de S. Paulo

Programas e áreas mais sensíveis do governo são ameaçados por impactos da guerra

Medidas têm efeitos limitados sobre gás de cozinha e combustíveis de aviação e caminhões

As bombas de combustível e os botijões de gás anteciparam as eleições no país. Entre vacinas de efeito econômico, o governo Lula recorre a medidas para se proteger dos estilhaços políticos causados pela guerra no Oriente Médio.

O que está em jogo é o controle da inflação em ano eleitoral e o impacto direto em programas populares. O que se passa no distante Estreito de Ormuz mexe com os botijões do gás de cozinha que sacodem nas carrocerias de caminhões país afora, levando o Gás do Povo.

Direita evangélica racha com apoio de bispo a Caiado, por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

A cerimônia que lançou Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência contou com um gesto politicamente relevante: o apoio público do bispo Samuel Ferreira. O episódio expõe a fragilidade do vínculo entre Flávio Bolsonaro e parte expressiva das lideranças evangélicas.

Ferreira comanda uma das principais estruturas do pentecostalismo brasileiro: a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira (Conamad). Uma rede, como o bispo anunciou, com 42 mil templos distribuídos pelo país e cerca de 102 mil pastores.

Não tem como dar certo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Coluna lista sugestões que podem ajudar na crise de credibilidade do STF

Reduzir proximidade de ministros com políticos e empresários seria primeiro passo

Não sei como resolver a crise de credibilidade no STF. Mas, inspirando-me na experiência de outros países e instituições, listo algumas sugestões que, se adotadas, poderiam minorar o problema no futuro.

Uma primeira providência seria limitar as oportunidades de interação, sobretudo aquelas em clima festivo, entre ministros do STF e políticos e empresários que possam vir a julgar. É preciso evitar que esbarrões sociais se transformem em belas amizades. O magistrado ideal nem deveria conhecer seus jurisdicionados. Poderíamos nos inspirar no que já fizeram sul-africanos e bolivianos e transferir a sede do Judiciário para uma cidade diferente daquela que abriga os outros Poderes. Proponho Palmas (TO).

Banalizada, corrupção não predomina no debate eleitoral, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Farra das emendas e supersalários estão ausentes da discussão

Candidaturas de direita têm como prioridade indulto a Bolsonaro

Em 1989, os brasileiros puderam escolher pelo voto direto, após 29 anos, um novo presidente. Ganhou Fernando Collor, ligado à ditadura militar, favorito da mídia e da elite econômica, autodenominado "caçador de marajás", com discurso de combate à corrupção e aos privilégios do funcionalismo.

A eleição foi uma festa, com tudo o que as festas podem ter de exagero e ridículo. Na cédula eleitoral havia 22 nomes, entre os quais o de Marronzinho, que se identificava como "analfabeto inteligente". Terminou em 13º lugar, com 0,3% dos votos. Em 10º, ficou Ronaldo Caiado, com 0,7%.

As palavras e as armas, por Ivan Alves Filho

Homens de milho, de Miguel Angel Astúrias, é uma obra escrita com base em uma lenda do Popol Vuh, um estupendo livro da cultura maia. Seu autor, guatemalteco, aborda a cosmovisão indígena de sua terra. Outro grande livro seu seria O Senhor Presidente, publicado em 1946, que disseca o autoritarismo na América Latina. Esta obra começou a ser escrita vinte anos antes de ser lançada e inaugura o chamado realismo mágico, que tanto marcaria a Literatura mundial

Poesia | Ponto de Desintoxicação, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Paulinho da Viola - Pode guardar as panelas

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

EUA completarão 250 anos com democracia em crise

Por O Globo

Estudos comparativos demonstram que, sob Trump, liberdades e direitos civis estão em recuo flagrante

No fim do século XVIII, as nações bem-sucedidas no mundo eram basicamente monarquias. O experimento democrático inaugurado nos Estados Unidos com a independência em 1776 e a Constituição em 1789 foi, sob qualquer aspecto, revolucionário. De lá para cá, a ideia de uma república democrática se espalhou pelo mundo. É irônico, diante disso, que os americanos estejam prestes a comemorar os 250 anos de sua independência justamente numa época em que a democracia sofre forte erosão. Os efeitos negativos do primeiro ano do segundo governo de Donald Trump têm sido constatados nas principais avaliações objetivas de democracia e liberdade publicadas nos últimos dias.

Sem propostas por ora, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado se apoiam em anistia aos golpistas, por Vinícius Nunes

CartaCapital

Promessa de perdão a Jair Bolsonaro domina discurso de pré-candidatos que disputam os mesmos votos e ainda carecem de agenda concreta para o País

primeira declaração de Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, como pré-candidato à Presidência da República foi prometer uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado a 27 anos e três meses por participação na trama golpista, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar temporária.

O movimento de Caiado atinge diretamente a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em pré-campanha pelo País, o senador tem reiterado que seu principal compromisso é com o pai e que pretende “repetir” o governo findado em 2022. A anistia, até então uma das principais bandeiras do senador, passa a ser compartilhada e disputada por outro nome do mesmo campo político.

Além da convergência no discurso, Caiado tem adotado uma linha de oposição frontal ao governo Lula (PT), reforçando o posicionamento à direita e afastando qualquer tentativa de “terceira via”. Ao lançar sua pré-candidatura, o ex-governador também intensificou críticas ao Planalto e buscou se apresentar como alternativa mais experiente, em contraste com Flávio, que nunca ocupou cargos no Executivo.