sábado, 13 de junho de 2026

Desafios do constitucionalismo digital, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Normas criadas para ordenar o mundo analógico encontram-se sob profundo estresse

O desenvolvimento e a expansão do poder digital não devem ser negligenciados

As normas e instituições constitucionais, criadas para ordenar o mundo analógico, encontram-se sob profundo estresse em face das transformações impostas pelo mundo digital. O desenvolvimento e a expansão do poder digital, potencializados pela inteligência artificial, ubiquamente empregados tanto por Estados como pelo setor privado, não devem ser negligenciados pelas sociedades e seus cidadãos. Os benefícios são imensuráveis. Os problemas também.

Gasto é vida, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Governo e parlamentares travam corrida de bondades eleitorais

Armadilha fiscal tem ingredientes políticos que dificultam solução

Executivo e Legislativo parecem empenhados numa espécie de corrida armamentista para ver quem gasta mais a fim de extrair benefícios eleitorais. As contas estão longe de ser precisas, mas, numa estimativa grosseira, o pacote de bondades de Lula para o pleito deste ano custará aos cofres públicos um pouco mais de R$ 200 bilhões.

Pelo lado do Parlamento, tramitam nos escaninhos do Congresso Nacional nove propostas que, se aprovadas, teriam um impacto orçamentário de R$ 111 bilhões por ano ao longo de vários anos, segundo cálculos de técnicos do governo.

Com censura a pesquisas, filho 01 mistura autoritarismo e burrice, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro cai nas pesquisas porque não consegue explicar dinheiro de Vorcaro

Presidente do TSE, Nunes Marques prometeu neutralidade, mas agiu de modo intervencionista

Foi mais um tiro no pé de quem vive fazendo gesto de arminha, levantando o polegar e estendendo o indicador para simular o cano e o gatilho de uma arma.

Se houvesse menos autoritarismo, vida inteligente ou mesmo harmonia (os dois principais articuladores, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, não se bicam) na campanha presidencial do filho 01, o PL pensaria duas vezes antes de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrava queda de seis pontos nas intenções de voto do senador.

Trabalho e realização humana, por Marcus Pestana

  • O tema mais quente, no momento, é a introdução da escala de trabalho 5x2. O trabalhador teria direito legal a dois dias de descanso e a jornada de trabalho seria reduzida de 44 para 40 horas semanais. A PEC, aprovada na Câmara dos Deputados, prevê uma transição rápida de apenas quatorze meses.

É evidente que do ponto de vista da qualidade de vida dos trabalhadores é mais do que justo ter mais tempo para a família e o lazer. A redução da jornada de trabalho é reivindicação antiga do movimento sindical. Já em 1880, Paul Lafargue, em seu livro “O Direito à Preguiça” afirmava: “O trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica”. Em seu manifesto anticapitalista critica a ideia de que “o trabalha dignifica o homem”. Apontando a exaustão física e mental como o verdadeiro mal da humanidade. O tempo de ociosidade seria o caminho da emancipação.

A República da atenção, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Vivemos um tempo em que ser lembrado pesa mais do que ter razão

Vivemos um tempo em que a atenção virou o bem mais valioso. No início do século, dizia-se que a informação era o novo petróleo. Hoje a informação é abundante. O que escasseia é a atenção. Capturá-la, em meio à inundação de dados, tornou-se o que de fato importa. Foi Herbert Simon quem antecipou a equação, ainda nos anos 1970: uma riqueza de informação produz uma pobreza de atenção. Meio século depois, erguemos uma economia inteira sobre essa pobreza. As plataformas não vendem vídeos, notícias ou entretenimento. Vendem minutos do nosso olhar ao maior anunciante. O produto somos nós, distraídos. Cada clique, cada curtida, cada segundo de permanência converte-­se em dado, e cada dado converte-se em valor econômico.

Guerra espiritual, por Cláudio Couto

CartaCapital

A tática da extrema-direita de demonizar os adversários representa uma afronta ao Estado laico e à própria democracia, que pressupõe o respeito à pluralidade

Na quinta-feira 4, feriado do Corpus Christi, a cidade de São Paulo abrigou a já tradicional Marcha para Jesus, capitaneada pelo casal Estevam e Sônia Hernandes, líderes da neopentecostal Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Como de costume, além de milhares de fiéis, marcaram presença na manifestação religiosa diversos políticos, quase todos de direita ou ultradireita. Dentre eles destacavam-se o governador paulista, Tarcísio de Freitas, o prefeito paulistano, Ricardo Nunes, e o candidato presidencial do PL e de sua família, Flávio Bolsonaro. Mais discretamente compareceu o advogado-geral da União, Jorge Messias, cumprindo o duplo papel de representar o governo Lula e os evangélicos de esquerda.

Sem medo de ser de esquerda, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

Se não assumirem uma posição política clara, Lula e o PT correm o risco de ressuscitar Flávio ou eleger um Congresso pior que o atual

“A história se repete, a primeira como tragédia, a segunda como farsa.” A frase de Marx, que inicia O 18 de Brumário de Luís ­Bonaparte, sobre a ascensão do sobrinho de Napoleão Bonaparte ao poder, em 1851, na França, por meio de um golpe, poderia ter sido repetida nos últimos 175 anos em várias súbitas viradas políticas ocorridas ao redor do mundo. Não cabe, todavia, para definir o bolsonarismo. Jair Bolsonaro foi o líder medíocre, a exemplo de Luís Bonaparte, mas personificou uma tragédia tão marcada por farsas, e farsas tão marcadas por tragédias, que torna difícil qualificar seu filho como o sujeito de todas as farsas, ou como o farsante que quer ocupar o lugar de um grande líder.

Nenhum é grande líder. Ambos, Jair e Flávio, são produtos de grandes farsas. Mas Flávio Bolsonaro rema contra a maré.

A Copa da Vergonha, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Nem mesmo a Alemanha de Hitler, ao sediar os Jogos Olímpicos de 1936, estabeleceu as interdições e exclusões que vemos agora nos Estados Unidos

Os EUA e a Fifa, Donald Trump e Gianni Infantino, estão escrevendo a página mais triste, degradante e vergonhosa da história das Copas do Mundo. As interdições, as exclusões, as deportações, as perseguições e as proibições que estão praticando contra atletas, profissionais e torcedores de determinados países ofendem a tradição e o sentido histórico dos grandes eventos esportivos de caráter global.

Todos sabem que a Grécia Antiga não era propriamente um país, mas uma região constituída por várias cidades independentes, fundadas por quatro ou cinco tribos que vieram dos Bálcãs e que tinham em comum elementos étnicos, linguísticos e religiosos. Todos diziam-se helenos por terem em comum o deus Heleno como fundamento originário.

Moeda e finança, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

A dita “financeirização” não é uma deformação do capitalismo, mas a realização de sua natureza

O Manifesto sobre a PEC 65 suscitou-me o impulso de escrever sobre as condições que presidem aos Bancos Centrais e às políticas monetárias. Vou cometer a ousadia de retornar aos economistas de antanho para tratar das intrincadas e complexas questões que envolvem o dinheiro e a finança no capitalismo.

Reconhecido pelos Senhores dos Mercados após a crise financeira de 2008, o economista keynesiano Hyman Minsky, falecido em 1996, escreveu, em 1992, um artigo intitulado Schumpeter and Finance.

Entrevista | Francesca Albanese: “A paz exige justiça”

Por Jamil Chade - CartaCapital

A impunidade aos crimes de Israel não atinge apenas a Palestina, diz Francesca Albanese, relatora da ONU

Relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, a italiana ­Francesca Albanese paga um preço alto por sua coragem e independência. As denúncias dos crimes cometidos por Israel em Gaza levaram os Estados Unidos, aliado de primeira hora dos israelenses, a impor sanções econômicas e financeiras à advogada, uma “forma de morte civil”, segundo ela. Albanese sofre com as consequências, mas não se curva. E conta a própria história, das primeiras visitas à região às turbulências recentes, no livro Quando o Mundo Dorme: Histórias, Palavras e Feridas da Palestina, lançado no Brasil pela Editora Tabla. Apesar de ter assistido ao massacre e lidar com a desesperança, conforme afirma nesta entrevista, ela ainda acredita na possibilidad­e de uma convivência pacífica entre os dois povos. Mas a paz, observa, “exige responsabilização por violações, igualdade de direitos para todos, o fim da ocupação e do apartheid e a plena realização do direito do povo palestino à autodeterminação”.

Poesia | No mundo há muitas armadilhas, de Ferreira Gullar, por Ana Lis Soares

 

Música | Beth Carvalho - Último Desejo (Noel Rosa)

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pautas-bomba são irresponsabilidade do Congresso

Por O Globo

Executivo faz bem em recorrer à Justiça para revertê-las, mas também tem sido pródigo em ‘bondades’

Não só o Executivo tem se esmerado em abrir a torneira dos gastos para distribuir “bondades” eleitoreiras. O Legislativo não fica atrás. Os senadores têm se empenhado em agradar a públicos específicos com distribuição farta de recursos do Orçamento. Três projetos que avançaram nesta semana terão impacto estimado em R$ 217 bilhões nas contas públicas e, por bom motivo, foram chamados de pautas-bomba. Se aprovados, dois desfechos são possíveis: ou drenarão dinheiro de áreas prioritárias; ou o governo aumentará o gasto e a dívida pública — ou uma combinação de ambos. Não faz sentido apoiá-los, pois explodirão no colo de todos.

Copa do Mundo, o jogo do torcedor, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Durante aquelas semanas de 1998, não houvera na cidade de São Paulo nenhum crime, nem mesmo crime violento. O mesmo em outros lugares do país

Quando da Copa de 1998, resolvi fotografar os torcedores no Vale do Anhangabaú diante do telão. Não vi os jogos. Vi emoções e expressões.

Vi o inesperado. O centro da cidade, de lugar do desencontro tenso dos pedestres, desconfiados e antissociais, em questão de alguns minutos, tornara-se lugar de encontro. O centro de São Paulo era conhecido e temido pela ação dos chamados “trombadinhas”, as crianças e adolescentes que assaltavam transeuntes desatentos. Mas havia, também, os “trombadões” que assaltavam idosos e pessoas claramente vulneráveis.

O centro revelava sua face oculta. A suspeita de que as pessoas em situação de rua eram inimigos da sociabilidade civilizada e acolhedora revelava-se profundamente injusta. Comportavam-se como anfitriões, donos e conhecedores da rua. Conversavam com os forasteiros contentes com tanta gente diferente entrando em suas casas: a rua.

Hora de voltar a atenção ao Republicanos, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Se não perder nenhuma batalha, o partido poderá começar 2027 governando São Paulo e Minas Gerais, os Estados mais ricos do país

Por volta de 2023, quando Progressistas (PP) e União Brasil intensificaram o diálogo para criar a federação que, dois anos depois, se tornaria a maior força política do país, tentaram, à exaustão, atrair o Republicanos. Em conversas privadas, o presidente da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), explicava a interlocutores que no jogo do poder, é melhor ser “cabeça de sardinha do que rabo de baleia”.

A festa junina de Alcolumbre, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Cercado por investigações, presidente do Senado aponta mira contra os cofres públicos

Em clima de festa junina, Davi Alcolumbre acendeu o pavio e tapou os ouvidos. O presidente do Senado articulou a aprovação de três pautas-bombas na quarta-feira. Somadas, elas podem custar mais de R$ 200 bilhões aos cofres públicos.

No plenário, os senadores aprovaram a criação de mais uma linha de crédito rural. O pretexto foi socorrer produtores prejudicados por conflitos internacionais ou eventos climáticos extremos.

Segundo cálculos da Fazenda, o agrado aos ruralistas deve custar R$ 140 bilhões em dez anos. Um de seus principais defensores foi o governador gaúcho Eduardo Leite, que ensaiou concorrer ao Planalto como expoente do liberalismo.

Como chegar ao bolso do eleitor bipolar? Por Vera Magalhães

O Globo

Recorrer a todo tipo de medida eleitoreira às portas da urna, como Lula vem fazendo, pode se revelar um trabalho de Sísifo diante de sinais ambíguos mostrados por pesquisa

A profusão de dados da mais recente rodada da pesquisa Quaest expõe com clareza inédita algo que, difusamente, já é perceptível pelo menos há alguns anos: a dificuldade de agradar a um eleitor cada vez menos claro a respeito do que espera dos governos, sobretudo na condução da economia. Se, no passado, a ideia de que bem-estar econômico era fácil de medir e imediatamente se traduzia em votos para o governante de turno, hoje as variáveis são mais subjetivas, e a métrica de satisfação com a própria situação financeira e a economia do país não é linear.

A geração Z é mais conservadora? Por Pablo Ortellado

O Globo

É preciso cautela antes de fazermos afirmações generalizantes sobre o conservadorismo entre os jovens

Muitos leitores já devem ter escutado que os jovens da geração Z (que têm hoje entre 14 e 29 anos) são conservadores. A tese partiu da observação de certos traços demográficos da preferência partidária nos Estados Unidos, depois se expandiu para outros aspectos e se observou em outros países, inclusive no Brasil.

A ideia encontrou respaldo em produtos culturais como as minisséries “Adolescência” e “Por dentro da machosfera” (ambas da Netflix), que mostraram a difusão da misoginia entre os jovens, além de episódios do noticiário policial como o estupro coletivo em Copacabana. Agora, um relatório da More in Common mostra que as evidências dessa tendência no Brasil são bastante ambivalentes. É preciso cautela antes de fazermos afirmações generalizantes sobre o conservadorismo entre os jovens.

Livro propõe 'radicalização democrática' contra autoritarismo, Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Obra reúne 13 pesquisadores que elaboram diagnósticos e soluções para enfrentar crise da democracia no Brasil

Autores defendem fortalecimento do controle político, afirmação da imparcialidade e garantia do pluralismo

Há menos de quatro anos, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) consultava a cúpula militar sobre a possibilidade de reversão dos resultados da eleição de 2022, da qual Lula (PT) saiu vencedor.

Nos anos anteriores, Bolsonaro vinha incutindo entre os eleitores a desconfiança em relação às urnas eletrônicas, por meio de uma série de acusações infundadas que disseminava em uma aparição pública após a outra.

A democracia brasileira atravessou um período de grave crise —como atestaram os principais índices de monitoramento globais—, mas, no fim, não houve golpe. Passada a tempestade, novo livro do Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo), instituição independente e privada, dá um passo atrás para examinar quais fatores permitiram o avanço do autoritarismo no país e, principalmente, como revertê-los.

Sem Copa em 2026, o Brasil do futebol mitológico vai bater recorde de derrotas, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Time masculino jamais ficou mais de cinco disputas seguidas sem levar o título

Além da falta de vitórias, para o bem ou para o mal o esporte fica sem lendas e mitos

Jamais o Brasil ficou mais de cinco Copas seguidas sem ganhar o título mundial. Caso não vença neste 2026, a sexta, será um "recorde", como gosta de dizer o jornalismo que lida com números quaisquer.

Para o jornalismo esportivo, seria uma nova "escrita", um mitológico tabu, no caso um histórico comprido de estatísticas negativas. Quase nunca esses números dizem algo, como tantos recordes da economia e as estatísticas engraçadas discutidas em mesas-redondas boleiras.

Populismo penal custa caro, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Não há apoio empírico à tese de que redução da maioridade penal diminui criminalidade

Agravamento de penas, embora fartamente utilizado, também tem pouco impacto nas estatísticas

Não sou um fundamentalista dos 18 anos. Se alguém me apresentasse um trabalho científico razoavelmente rigoroso mostrando que a redução da maioridade penal tem impacto nas estatísticas de criminalidade, eu apoiaria a PEC que baixa dos 18 para os 16 anos a idade com que jovens podem ser levados a enfrentar a Justiça criminal. Eu receio, porém, que não exista nenhum estudo sério que dê amparo empírico à medida.

Copa testará outra vez se política e futebol se misturam, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A ciência política registra que a mistura do esporte com eleição só prospera em regimes autoritários

O histórico de 32 anos que o desempenho do Brasil no Mundial não influi na decisão do eleitorado

Iniciada a Copa do Mundo, os políticos precisarão dar tratos às cacholas para manter acesa a chama de uma campanha eleitoral cuja antecipação não mobiliza a maioria da população. Desinteresse que tende a se aprofundar durante as próximas semanas.

O torneio termina em 19 de julho, véspera do início das convenções partidárias que até o dia 5 de agosto deverão ter definidas as respectivas candidaturas majoritárias e proporcionais.

A volta do bigodinho, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Fora de moda desde os anos 1950, retornou com os jogadores da seleção brasileira

Rayan, Martinelli, Ibañez, Raphinha, Endrick e Éderson são apenas alguns dos novos portadores

Se lhe disserem que essa ou aquela moda passará para sempre, não acredite. Nada é para sempre, muito menos modas. Um dia, xis anos depois, ela voltará e será recebida como grande novidade. Só nos últimos anos vimos a volta do delineador, do cílio postiço, da sobrancelha a lápis, de homens com sapatos sem meias e, quem diria, do álbum de figurinhas.

Aula de democracia, por Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo

No século 21, os temas da democracia e do funcionamento da ordem institucional não podem continuar sendo tratados como secundários

Viver em Democracia, publicação da Fundação Fernando Henrique Cardoso e do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, de distribuição gratuita e voltada para escolas do ensino médio (2026), é uma demonstração concreta de como suprir um grande vazio no currículo escolar brasileiro, a educação para a democracia.

Os autores, Bernardo Sorj e Sergio Fausto, começam com uma narrativa histórica da evolução das formas de governo, dos sistemas tribais aos Estados modernos e evoluem para a apresentação e análise de temas centrais e prementes como a divisão e conflitos de poderes, a importância das constituições, o funcionamento dos partidos e sistemas eleitorais, as relações entre capitalismo e democracia, e os desafios concretos de viver em regimes democráticos imperfeitos e permanentemente ameaçados. Não se furtam à defesa explícita de valores – liberdade, igualdade e fraternidade – a serem exercidos por meio de sistemas representativos eficazes e comprometidos com o bem comum. Mostram como a democracia não é um estado de coisas dado, mas uma conquista histórica carregada de disfuncionalidades e disputada por forças autoritárias que procuram corrompê-la por dentro ou destruí-la frontalmente.

O Brasil sob ataque, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump, os Bolsonaros e Alcolumbre miram Lula, mas acertam no coração do Brasil

Assim como a família Bolsonaro usa a Casa Branca, o senador Davi Alcolumbre usa e abusa do Senado para impor danos graves à economia, não de um governo que está no fim, mas do próprio Brasil. Alcolumbre, Flávio e Eduardo Bolsonaro miram o presidente e pré-candidato Lula e acertam nos próximos governos e no coração do Brasil.

Já que estamos em tempos de Copa do Mundo, vale dizer que tanto os Bolsonaros quanto o presidente do Senado estão “trocando as bolas”, ao confundir suas questões políticas e pessoais com o que realmente interessa e pesa, ou deveria pesar, acima de tudo: o interesse nacional.

Uma vice mulher decorativa? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

A escolha do vice é também construção de narrativa. Mas a narrativa precisa ser crível

Qual é o perfil de vice mulher que o senador e précandidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), deseja? Até agora, os sinais não são nada animadores.

Depois da derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, está evidente que o público feminino é um problema para a campanha.

Conforme a mais recente pesquisa Meio/Ideia, 47,6% das mulheres pretendem votar em Lula no segundo turno e 39% em Flávio. Entre os homens, o cenário é mais equilibrado: 45,3% para Lula e 44% para Flávio.

Poesia | Maça, de Manuel Bandeira

 

Música | Beth Carvalho - Agradecer (Sueli Costa)

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PEC do Trabalho Flexível merece atenção do Senado

Por O Globo

Trata-se de alternativa sensata à proposta aprovada na Câmara em meio a preconceito contra empresários

O debate na Câmara sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, ou 6x1, não foi contaminado apenas por interesses eleitoreiros, mas também pelo preconceito injustificável contra os empresários. Nos discursos demagógicos que antecederam a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a escala 6x1 foi comparada à escravidão, enquanto os empreendedores eram tomados por exploradores insensíveis, condenados moralmente apenas por correr o risco de tocar um negócio. É inacreditável que, num país onde vigoram livre mercado e livre-iniciativa, prosperem no Parlamento tais comparações estapafúrdias, demonizando quem gera emprego e responde pelo funcionamento da economia.

Más notícias para Flávio Bolsonaro, por Míriam Leitão

O Globo

O caso Master causou danos à campanha do filho do ex-presidente, mas sua atuação no caso das tarifas também trouxe um viés negativo

O presidente Lula comemorou ontem melhoras pontuais na avaliação geral do governo e em algumas políticas na pesquisa Genial/Quaest. Já o senador Flávio Bolsonaro amargou a má avaliação dos seus atos, palavras e estratégia. A pior notícia para o candidato da extrema direita não foi a maior distância em intenção de votos entre ele e Lula e sim a reprovação da sua conversa com Daniel Vorcaro, do financiamento do filme “Dark Horse”, e do uso do governo americano como parte da estratégia eleitoral. As tarifas foram vistas como prejudiciais às empresas brasileiras e 47% concordam com Lula quando ele acusa Flávio de ter pedido por novas tarifas.

Flávio retrocede, por Merval Pereira

O Globo

Como a eleição será resolvida, ao que tudo indica, pelos “independentes”, pragmáticos como aconteceu em 2022, qualquer escorregão, de um lado ou do outro, poderá ser decisivo

A eleição está nas mãos dos “swing voters” tupiniquins. A mesma lógica que leva alguns estados americanos, como Geórgia ou Arizona, a votar às vezes nos republicanos, outras nos democratas, faz com que esse tipo de eleitor, classificado como “independente” pela Quaest, troque de voto à medida que os fatos eleitorais vão acontecendo. Aí não entram preferências ideológicas, mas outras questões, como percepção de corrupção, receio de que um partido continue no governo ou de que outro ascenda ao Palácio do Planalto. No caso atual, há os dois fatores em jogo: Lula ir para o quarto mandato, ou Bolsonaro voltar à presidência por intermédio de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Dez Brasis para pagar a conta das pautas-bomba do Senado, por Julia Duailibi

O Globo

Cada um pensa na própria fogueira, e o Tesouro que lide com o incêndio na floresta

Em ano de eleição, uma máxima da política brasileira segue impiedosa: farinha é pouca, meu pirão primeiro. Nos últimos dias, o Senado, tido como “casa da moderação”, pôs para andar diferentes pautas-bomba como se não houvesse amanhã. Os senadores até se esforçam para imprimir caráter republicano às votações, mas a verdade é uma só. A preocupação que os norteia hoje, independentemente da conta bilionária que fica para o país, é a reeleição.

Num consórcio que vai do PL ao PT, cada senador faz um cálculo particular, segundo o qual tudo bem aprovar uma pauta-bomba aqui e outra acolá, desde que elas o ajudem a se segurar na cadeira por mais oito anos. Ninguém vê tamanho empenho para aprovar pautas de interesse coletivo como a PEC da Segurança.

Alvejado no Master, STF renova figurino de guardião, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Protagonismo na regulação digital e na contenção das pautas-bomba mostra esforço da Corte em sair da sombra do Master

Da regulação digital à barreira contra as bombas fiscais, o Supremo Tribunal Federal começa a pavimentar as condições para reprisar o papel de “guardião da democracia e da estabilidade” que o envolvimento de ministros da Corte com o Master de Daniel Vorcaro e sua divisão sobre o código de ética puseram em xeque.

A primazia na regulação digital nas eleições começou a ser delineada na sessão desta quarta quando começaram a ser apreciados 12 embargos à decisão da própria Corte sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet.

A Cidade Limpa não está à venda, por José Serra

O Estado de S. Paulo

A lei é patrimônio dos paulistanos, é resultado de uma escolha coletiva: o espaço público não seria mais suporte publicitário a serviço do capital privado

Em março de 2006, assinei a Lei n.º 14.223, como prefeito de São Paulo. Muitos disseram que ela não sobreviveria à pressão do mercado publicitário, às liminares que viriam, ao lobby das agências e das empresas de mídia exterior. Sobreviveu. Sobreviveu porque era e é uma lei justa, tecnicamente bem construída e, acima de tudo, profundamente enraizada no interesse coletivo dos paulistanos.

Por isso, vejo com indignação o que a atual gestão municipal tentou fazer em março deste ano: usar o artigo 50 da própria Lei Cidade Limpa, que prevê termos de cooperação para melhorias urbanas, como cavalo de Troia para reintroduzir, pela porta dos fundos, exatamente o que a norma foi criada para eliminar. Refiro-me ao projeto Boulevard São Paulo – Avenida São João, que previa a instalação de painéis de LED de até 1 mil m² nas fachadas de edifícios históricos no cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João.

O partido clandestino da extrema direita, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Acima de tudo e acima de todos, é um fenômeno de organização profissional: um partido amarrado por uma disciplina férrea

Acontece nas famílias mais fofas. Na sua também, pode admitir. Aos poucos, meio assim do nada, vai aparecendo lá um sobrinho amuado, uma tia falastrona ou um primo de segundo grau com sintomas esquisitos. Primeiro, discretos. Depois, desinibidos. Até que, num dia aleatório, numa terça-feira à tarde, num feriado modorrento ou numa noite de domingo, o quadro fica patente e escarrapachado. O cidadão ou a cidadã assume de vez o seu bolsonarismo extremofrênico. Aí, é tarde demais.

Nos primeiros surtos, há quem tente argumentar. E o desmazelo com a covid-19? O familiar em questão desconversa. E o contrabando de joias? Fake news. E o apoio aos torturadores? Olhos baços se desviam na direção do teto. Só resta desistir. Não tem cura. Por favor, não vá falar do Banco Master. É perigoso, pode gerar reações inamistosas. Na dúvida, não arrisque. E nunca, em hipótese alguma, fale disso na frente das crianças. Exorcismo não funciona.

Falta rumo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não é nada confortável a situação neste instante dos grupos políticos que se articulam para impedir a reeleição de Lula. Ele é hoje um político em situação de rejeição altíssima, porém similar à do nome do seu principal adversário.

Em boa parte, isso se deve ao hábito de “fazer política” perseguindo o ponteiro das pesquisas de intenção de voto. Claro que elas são relevantes como ferramenta tática, mas trata-se aqui de problemas estratégicos.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro consolidou-se em função de uma série de pesquisas, apesar de as vulnerabilidades dele serem bem conhecidas ainda antes dos áudios com Vorcaro. O que elas evidenciavam não era, necessariamente, um apoio ao nome, mas um desejo enorme de acabar com décadas de lulopetismo no poder.

Como o cenário mudou no TSE, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministros do Supremo e costura de bastidores mudaram tendência sobre ação de Flávio contra pesquisa

Na segunda-feira, logo após a decisão de Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) em queda, o cenário nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era de vitória do presidente. A maioria dos sete ministros indicava que confirmaria a liminar na votação em plenário.

Em pouco mais de 24 horas, uma série de fatores provocou mudança no quadro. O primeiro deles foi a repercussão ruim da decisão na imprensa. Ministros do TSE que antes não haviam se atentado para a gravidade do precedente passaram a encarar a liminar não como um caso específico, mas um parâmetro para nortear toda a Justiça Eleitoral no tratamento de pesquisas durante as campanhas deste ano.

O que falta no debate eleitoral sobre segurança pública, por Joaquin Gonzalez-Aleman*

A quatro meses das eleições, é urgente que candidatos e candidatas assumam um compromisso público para não perder mais nenhuma criança para a violência

Um paradoxo marca as eleições brasileiras: crianças estão em todo lugar, em slogans, imagens e discursos, mas nem sempre aparecem efetivamente na disputa eleitoral. Isso é especialmente verdade no debate sobre segurança pública, que é hoje a principal preocupação dos eleitores. Por quê?

A violência preocupa os brasileiros mais do que a corrupção, a saúde ou a economia, segundo pesquisa recente da Genial/Quaest. E não há dúvida de que meninos e meninas são os mais impactados por essa insegurança.

Contra a redução da maioridade penal, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Facções criminosas serão as maiores beneficiadas com a medida

Hoje, 11 mil adolescentes infratores já sofrem privação de liberdade

Qual a melhor alternativa para um adolescente de 16 anos que roubou um celular na rua? Alternativa 1: ser preso para crescer no crime nas prisões brasileiras, onde a taxa de reincidência pode chegar a 50%. Alternativa 2: sofrer internação em unidades socioeducativas com reincidência de menos da metade das prisões.

Nesta quarta (10), a CCJ do Congresso mostrou preferir a alternativa 1: fornecer mão de obra para o crime em vez de investigar infrações graves e favorecer a reabilitação de adolescentes.

Direita subestimou trabalhador sobre escala 6x1, Thaísa Oliveira

Folha de S. Paulo

Talvez por prepotência, bolsonaristas acharam que sobreviveriam às redes sociais defendendo o pagamento por hora

Basta conversar com um caixa de supermercado para entender por que só 22 deputados votaram contra redução da jornada

Sensível ao termômetro das redes sociais, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) percebeu rapidamente a cilada que é a PEC que autoriza a contratação por hora trabalhada, apresentada pelos bolsonaristas em reação ao fim da escala 6x1.

Correu para o plenário para dizer que sempre defendeu o fim da "maldita" escala e continuaria do lado do trabalhador. Cleitinho admitiu estar apanhando —o que os outros 40 signatários da PEC alternativa ainda hesitam em fazer.