Correio Braziliense
O Supremo é um arquipélago, cada ministro é uma
ilha fortificada, com artilharia e munição pesadas. Fachin não tem autoridade
hierárquica sobre os ministros no exercício da jurisdição
Em Terra em Transe, obra-prima de Glauber Rocha lançada em 1967, a fictícia
República de Eldorado mergulha numa crise política que dissolve as fronteiras
entre democracia, populismo, autoritarismo e ambição pessoal. O poeta e
jornalista Paulo Martins, interpretado por Jardel Filho, procura interferir nos
destinos do país, mas oscila entre dois projetos de poder: o conservador
Porfírio Diaz, vivido por Paulo Autran, e o líder populista Felipe Vieira,
representado por José Lewgoy. Paulo rompe com Diaz e se aproxima de Vieira, na
esperança de construir uma alternativa democrática.
Aos poucos, porém, percebe que os dois campos se alimentam das mesmas práticas:
a manipulação das massas, os acordos de cúpula, a retórica vazia e a
transformação da política num grande espetáculo. Dividido entre o idealismo e o
desencanto, acaba tragado pelo sistema que pretendia modificar. Ao lado de
Jardel Filho, Paulo Autran e José Lewgoy, participam do filme Glauce Rocha, no
papel de Sara; Danuza Leão, como Sílvia; Paulo Gracindo, como Júlio Fuentes;
além de Hugo Carvana, Francisco Milani, Jofre Soares e Flávio Migliaccio. A
música é de Sérgio Ricardo; a fotografia, de Luiz Carlos Barreto; e a montagem,
de Eduardo Escorel.