quarta-feira, 17 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cessar-fogo impõe revisão de subsídio a combustíveis

Por O Globo

Não fará sentido manter subvenções se as razões que levaram o governo a criá-las não existirem mais

Não faltam dúvidas sobre o acordo de cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã. Apesar de todos os senões, a reabertura do Estreito de Ormuz — prometida para esta semana — traz uma chance concreta de queda do barril de petróleo. Com a perspectiva de o preço se estabilizar abaixo de US$ 100, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria se preparar para desmontar o edifício de medidas tomadas desde março para segurar a alta dos combustíveis. A sucessão de subvenções e desonerações afetou a arrecadação de tributos e causou distorções de mercado que precisam ser corrigidas. Não fará sentido manter subsídios se as razões que levaram o governo a criá-los não existirem mais.

Quer ser presidente? Me dê motivo, por Mauricio Moura

O Globo

É uma ilusão achar que cinco milhões de eleitores decisivos não querem dinheiro, só amor sincero

Tim Maia, famoso cantor brasileiro que revolucionou a música popular com sua voz inconfundível e uma fusão rítmica que uniu black music americana ao samba e baião. Uma das mais famosas canções do artista é “Me dê motivo”. Certamente uma metáfora do estado mental dos eleitores que devem decidir a eleição presidencial de 2026.

Em um ambiente amplamente dividido, entre os que aprovam e desaprovam o governo federal, entre os que acreditam ou não que Lula merece continuar, entre os que se dizem lulistas ou antipetistas ou qualquer outra divisão produzida pela decisão binária que o sistema eleitoral brasileiro proporciona, acreditamos que esse grupo realmente persuasível não passa de 3% do eleitorado. Do Leme ao Pontal, esses são quase cinco milhões de eleitores ainda órfãos de um motivo para decidir seu voto. O que, então, vai conquistar as mentes e corações desse grupo crítico?

Eduardo Bolsonaro produziu e divulgou provas que o condenaram, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Na segunda-feira, Eduardo Bolsonaro abasteceu as redes sociais com um vídeo num clube de tiro americano. De boné e camiseta, o ex-deputado se exibiu disparando com três armas: uma pistola, um fuzil e uma metralhadora. Não parecia preocupado com o julgamento marcado para o dia seguinte no Brasil.

O Zero Três foi denunciado pelo crime de coação no curso do processo. Ao pedir sua condenação, o subprocurador-geral Antônio Edílio Magalhães disse que o caso era “relativamente simples”. O próprio réu produziu as provas contra si mesmo, em entrevistas, declarações e postagens virtuais.

Sem trégua institucional, por Vera Magalhães

O Globo

STF reafirma apoio a Moraes ao condenar Eduardo Bolsonaro, e Alcolumbre se entrincheira na presidência do Senado para se defender

A condenação unânime de Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal e o discurso em que Davi Alcolumbre se entrincheirou na cadeira de presidente do Congresso para se defender das acusações de ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro são eventos estanques, mas que se encontram num ponto: mostram que o Brasil está longe de alcançar qualquer tipo de trégua no enfrentamento institucional que já dura alguns anos.

A Primeira Turma é ainda um enclave da liderança de Alexandre de Moraes na Corte, tornado mais monolítico pela decisão de Luiz Fux de deixá-la depois do julgamento da trama golpista. Isso explica os quatro votos pela condenação de Eduardo, concórdia que provavelmente não se repetiria se fosse outra a configuração do colegiado.

Trump faz guerras como quem joga fliperama, por Elio Gaspari

O Globo

Ninguém sabe por que atacou o Irã e ninguém sabe por que ele suspendeu os bombardeios

Ninguém sabe por que Donald Trump atacou o Irã, e ninguém sabe por que ele suspendeu os bombardeios. Nem ele sabe que resultados conseguirá depois de uma guerra que já custou aos americanos perto de US$ 30 bilhões. Esse é o preço das guerras teatrais.

Trump foi atrás do Irã depois de um êxito surpreendente contra a Venezuela. Sequestrou o ditador, absorveu a ditadura e embolsou o petróleo. Começou a guerra com o Irã matando o líder supremo Ali Khamenei, tentou decapitar o regime dos aiatolás e atolou.

O efeito azarão, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Tendência de torcer pelo competidor mais fraco é reconhecida como viés cognitivo

Fenômeno se materializa tanto na Copa como em eleições, com diferentes consequências

Você vibrou com as defesas de Vozinha no empate sem gols que a seleção de Cabo Verde arrancou da Espanha? Sorriu de satisfação ao saber que a fraca Austrália derrotou por 2 a 0 a mais robusta Turquia? Pois saiba que você não está só. O ímpeto de, em determinadas circunstâncias, torcer pelo competidor mais fraco, nos esportes, na política ou mesmo na vida, é um viés cognitivo inscrito em nossos cérebros e leva o sugestivo nome de efeito azarão (underdog effect).

Pré-candidatos fazem promessas vagas de ajuste fiscal em 2027, por Idiana Tomazelli

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro (PL) defende 'tesouraço', e auxiliares de Lula (PT) acenam com revisão de gastos

Sem detalhes de eventuais medidas, resultado será grave crise ou estelionato eleitoral

desequilíbrio das contas é uma realidade concreta, a ponto de os dois principais pré-candidatos à Presidência ou o seu entorno precisarem acenar com ajuste fiscal a partir de 2027. Isso agrada a Faria Lima, mas não nos enganemos: são promessas vagas o suficiente para evitar qualquer possível desgaste com a maioria que vota.

O senador Flávio Bolsonaro (PLdefende há meses um "tesouraço" nas despesas, mas não diz o que pretende cortar se for eleito. O ministro Dario Durigan (Fazenda), hoje o principal auxiliar de Lula (PT) na área econômica, fala em revisão de gastos obrigatórios, mas tampouco detalha o que mudaria.

‘Bondades’ e motivos para um Lula ‘reativo’, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Não há hoje ministros com peso político ou vontade para ponderar as iniciativas de um Palácio do Planalto em modo eleição

Há, evidentemente, o modo palanque. Mas também existe, por trás do tom mais elevado com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atacado os que criticam o excesso de gastos do governo e alertam para os impactos disso na taxa de juros, uma dupla frustração. A primeira é o espaço fiscal apertado para lançar novos programas que considera essenciais. A segunda, a falta de reconhecimento pelo esforço feito no atual mandato para melhorar a situação das contas públicas.

“Ele está reativo assim porque o governo tem uma limitação fiscal gigantesca e toda vez que ele quer fazer alguma coisa bate no teto” contou à coluna um interlocutor do presidente, referindo-se ao limite de despesas permitido pelo arcabouço fiscal. “E as pessoas só batem, dizem que tudo é gastança que está tudo descontrolado.”

Momento delicado para a campanha de Flávio, por Fernando Exman

Valor Econômico

Senador enfrenta uma fratura na sua base de apoio por causa da forma que lidou com a revelação de que havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar filme sobre o pai

Duas passagens da corrida presidencial de 2018, disputada entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, ajudam a explicar o momento sensível pelo qual passa a campanha de Flávio Bolsonaro. As pesquisas mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando a vantagem após o caso Master, segue o desconforto dos aliados de Flávio com o episódio “Dark Horse” e, para piorar, o Centrão tenta descolar-se da sua chapa.

Surfando no antipetismo e na repulsa da população à corrupção, Jair Bolsonaro percorreu em 2018 o país com um slogan bíblico: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, dizia a todo momento, citando João 8:32. Pois Flávio enfrenta agora uma fratura na sua base de apoio justamente por causa da forma que lidou com a revelação de que havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, para bancar o filme em homenagem ao seu pai.

Condenação de Eduardo Bolsonaro eleva alerta no STF para risco de ação dos EUA, por César Felício

Valor Econômico

Integrantes do Supremo creem que o princípio de extraterritorialidade está arraigado no Executivo e no Judiciário americanos e não descartam ação contra Moraes

A condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação a justiça deve elevar o grau de alerta no Supremo Tribunal Federal (STF). Aumenta a possibilidade de uma ofensiva dos Estados Unidos contra integrantes do Judiciário, em especial contra o ministro Alexandre Moraes, que também foi relator do processo que condenou por golpismo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro vive em mundo paralelo e se consolida como ‘camisa 10’ da campanha de Lula, por Roseann Kennedy

O Estado de S. Paulo

Resultado do julgamento no STF tem potencial para prejudicar mais a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência

A história política do País registrou um capítulo irônico nesta terça-feira, 16. Ao ser condenado por unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação de ministros no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) consolidou seu papel de “camisa 10” no time do presidente Lula.

De forma involuntária, o filho “Zero Três” do ex-presidente Jair Bolsonaro transformou-se em um grande cabo eleitoral do petista. Além de presentear Lula com o discurso em defesa da soberania nacional, ele ainda corre o risco de tirar a próprio família de campo.

Curiosamente, enquanto Eduardo era sentenciado a 4 anos e 2 meses de prisão — acusado de articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e ministros do STF —, o presidente Lula cumpria agenda no exterior justamente propagando a bandeira da soberania nacional.

O 82º senador, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Daniel Vorcaro não foi eleito nem se filiou a partido, mas liderava uma bancada silenciosa

Ele não teve um voto. Não era filiado a nenhum partido político. Também não apareceu no horário eleitoral ou nas audiências públicas no Congresso. Mas conseguia propor projetos, mobilizar lideranças, convocar autoridades para alterar não apenas leis, mas para emendar até mesmo a Constituição do Brasil. Tudo para facilitar os seus negócios.

A atuação parlamentar de Daniel Vorcaro transformou o banqueiro no 82.º senador da República. Apesar de não ter gabinete ou cadeira no plenário do Senado, o chefe da organização por trás da fraude bilionária do Banco Master dispunha de uma bancada silenciosa, que podia provocar “hecatombes” em Brasília. Como? Para entender o funcionamento dos tentáculos do banqueiro, o eleitor deve ler as 87 páginas da informação de polícia judiciária 1381577/2026, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça.

Caiu a ficha do Copom? Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Principal obstáculo ao ciclo de corte de juros não é o cenário externo: são os fatores domésticos

Quando o Copom começou a cortar a taxa Selic em março, a guerra no Irã já havia causado um choque de oferta de petróleo, o que gerou desconfiança quanto à prudência de um ciclo de afrouxamento monetário nessa conjuntura. Mas o argumento de todo mundo, incluindo o Banco Central, era de que a pressão externa – com a alta nos preços de combustíveis e de matérias-primas – seria temporária; que o conflito no Oriente Médio iria acabar logo; e que o Brasil poderia seguir cortando os juros “livre, leve e solto”.

Novas revelações de Vorcaro acuam Ciro e rondam Motta no caso Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Mensagens mostram o banqueiro solicitando reservas para “Ciro e Hugo”, seguidas de conversas sobre a disponibilização de duas suítes no hotel Four Seasons Ritz de Lisboa

As novas informações tornadas públicas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as investigações da Operação Compliance Zero, que investiga o caso Master, colocam o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), expoente do Centrão, em situação cada vez mais delicada perante a Justiça, ao mesmo tempo em que aproximam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do perímetro das investigações.

O foco do relatório é a relação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e Ciro. Segundo a Polícia Federal (PF), o parlamentar teria recebido uma série de vantagens econômicas enquanto atuava politicamente em favor dos interesses do banqueiro. Pagamentos mensais foram classificados pelos investigadores como uma espécie de “mesada”, que variaria entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da aquisição de participação societária em empresa e do custeio de viagens internacionais de alto padrão.

Salário mínimo distrital e Tarifa Zero reduziriam pobreza no DF, por Jacy Afonso *

Correio Braziliense

A diferença de renda média entre os mais ricos e os mais pobres do DF é de 23,8 vezes. O salário mínimo regional e a Tarifa Zero poderiam ser adotados com rapidez pelo GDF para reduzir esse fosso social

O Distrito Federal ostenta o primeiro lugar no ranking de riqueza entre todas as unidades da Federação, com um PIB per capita de R$ 129,8 mil, mais que o dobro da média nacional (R$ 54 mil). No entanto, ao lado do PIB bilionário, o DF convive com uma pobreza estrutural que a torna a campeã brasileira em desigualdade social. 

Estudos tanto da Universidade de Brasília (UnB) como da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam Brasília também como uma das cidades com maior segregação socioespacial. A separação entre áreas ricas e pobres no DF é maior do que em cidades como Johannesburgo (África do Sul), historicamente marcada pelo apartheid.

Perdão, Maria Eduarda, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Maria Eduarda, espero que perdoe a humanidade. As redes sociais viraram um esgoto a céu aberto. Culparam você, garota, por sua própria morte. Acredita?

Maria Eduarda, espero que perdoe a humanidade. As redes sociais viraram um esgoto a céu aberto. Culparam você, garota, por sua própria morte. Acredita? Teve gente que mostrou a capacidade de argumentar que era seu dever ter checado a corda antes que fosse lançada ao vazio. Gente que faz ilações absurdas e expõe um "raciocínio" irracional apenas para causar e ter cliques. Maria Eduarda, a única pessoa inocente nessa história é você. Tudo o que queria era um momento de adrenalina, algo tão comum entre tantos jovens. Quem deveria ter conectado o cabo de segurança não o fez. Quem deveria ter conferido mais de uma vez a conexão foi negligente. Eu diria até mais do que isso: criminoso. O que aconteceu com você foi, no mínimo, uma negligência gravíssima. Quem apenas supôs que a corda estivesse amarrada ao seu corpo aceitou o risco de um resultado trágico.

Crescimento para poucos: a armadilha do capitalismo, por Roberto Amaral*

“O empresário tende inevitavelmente a se transformar em rentista e a dominar cada vez mais aqueles que só possuem sua força de trabalho. Uma vez constituído, o capital se reproduz sozinho, mais rápido do que cresce a produção. O passado devora a produção.” — Thomas Piketty, O capital no século XXI.

Ao contrário do que afirma Paulo Gala em seu excelente “Rumo a 2050” (Carta Capital, 27/05/2026), o crescimento da economia, por si, não altera a estrutura distributiva. Ao contrário, não apenas convive com alta concentração de renda, como a promove. 

Trata-se, simplesmente, de determinismo da lógica de acumulação do capitalismo, e sua consequência irrecorrível é a concentração da riqueza, na contramão da valorização do trabalho como um dos fatores da produção. Mesmo o aumento da produtividade não implica aumento proporcional dos salários. De um lado, os lucros do capital são reinvestidos, ampliando a escala do capital e, como em um círculo vicioso, reforçando sua concentração; doutra parte, o desemprego estrutural — alimento do exército industrial de reserva — pressiona os salários para baixo, quadro tendencial da globalização do capitalismo, a que se somam o desenvolvimento científico e as novas tecnologias, poupadoras de mão de obra e intensivas em capital, e a articulação de grandes e poucas corporações operando em escala global, de forma oligopolista, transitando para o monopólio, com níveis inéditos de concentração de mercado e de poder político, frequentemente avançando sobre as soberanias nacionais.

Um belo país, mas "ingovernável", por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

A Copa do Mundo de Futebol de 2026, não desperta o interesse da população, embora sejam adeptos inflamados da prática esportiva e, ausentes, quase sempre, induzidos. a torcer pela seleção brasileira. No momento, contudo, os peruanos estão preocupados é com os rumos dos das eleições presidenciais, aparentemente ignorado no Brasil. Com dois é- chefes de Estado presos, em seis anos, teve sete presidentes, acusados de tentativas de golpe de Estado ou de   corrupção, um dos quais envolvidos por aqui   com o escândalo do “Mensalão”. O país carrega ainda um agudo problema de identidade, já tendo perdido territórios para o Chile, Equador, Bolívia e até para o Brasil

Assisti uma pré-campanha, aquele frenesi eleitoral, revolucionário e étnico que envolvia mais de 100 representações político-partidárias. Na eleição deste ano concorreram 35 candidatos. Para o segundo turno sobraram, contudo, apenas a senadora Kiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, concorrendo pela quarta vez, representante de uma direita que se considera progressista; e Roberto Sánchez, professor, candidato das esquerdas reunidas. Já no segundo turno, com 98,8% das urnas apuradas (50,012% para Keiko e 49,988% para Sánchez), a contagem das cédulas de papel arrasta-se por quase dez dias, acusando uma vantagem de 18 mil votos a favor de Keiko. A lentidão na averiguação dos resultados reflete não apenas um sistema eleitoral altamente burocratizado, mas, sobretudo, uma ansiedade generalizada, e até uma insegurança por parte dos juízes eleitorais.

Poesia | Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Moraes Moreira e Forróçacana - Festa do Interior

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Acordo escancara fiasco da guerra de Trump

Por Folha de S. Paulo

Ataque de EUA e Israel fracassa no objetivo de derrubar o regime iraniano e seu programa nuclear

Teocracia do Irã ganhou mais força; entendimento pode começar a normalizar oferta de petróleo, mas inflação global está contratada

Uma semana depois de começar a guerra contra o IrãDonald Trump escreveu que não haveria acordo com o inimigo, apenas "rendição incondicional". O Irã não se rendeu.

O regime obscurantista dos aiatolás está, isso sim, à beira de impor condições aos Estados Unidos —ao menos, termos de negociação no acordo que, segundo se anunciou, será oficializado na sexta-feira (19). O documento deve estender um cessar-fogo por 60 dias e estabelecer as cláusulas da trégua e as diretrizes das tratativas nos próximos dois meses.

Motta pauta jornada de até 40 horas, bandeira eleitoral de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A nova jornada de trabalho de até 40 horas está associada aos setores tradicionais da economia nos quais o trabalho é regulamentado pela CLT, como a construção civil e o comércio varejista

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu pautar o fim da jornada 6 x 1 pondo em votação o Projeto de Lei 1.838/26 encaminhado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que limita o trabalho em até 40 horas semanais. A proposta é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula, que aposta na “economia do afeto” para viabilizar sua reeleição. Como sempre acontece quando há mudanças nas relações de trabalho a favor dos assalariados, a maioria das entidades representativas dos empregadores se opõe à nova regulamentação. Parte da oposição deve aderir à proposta, por razões eleitorais.

O Partido Novo, do ex-governador mineiro Romeu Zema, por exemplo, defende que a alteração ocorra via negociação coletiva entre empregadores e empregados, e não por imposição legal. Alega potenciais impactos negativos na economia, no custo das contratações e na margem de lucro das empresas. Durante as votações da PEC na Câmara dos Deputados, a bancada do partido atuou na obstrução dos debates nas comissões e registrou votos contrários ao texto-base, alinhando-se a parlamentares que apontavam riscos de aumento de inflação e informalidade.

A crise do Supremo, por André Mendonça, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Levantamento do Insper mostra que o ministro é o de votos mais divergentes na Corte

“Há um desequilíbrio entre os Poderes quando um tribunal avança pela criação de regras e não por sua aplicação”. Depois de uma exposição de 20 minutos sobre o impacto das decisões do Supremo Tribunal Federal na segurança jurídica do país, em evento fechado para CEOs, executivos e acadêmicos no Insper, o ministro André Mendonça sentou para uma sessão de cinco perguntas.

Recorrendo ao conceito do “juiz criativo” do jurista italiano Luigi Ferrajoli, discípulo de Norberto Bobbio, emendou: “O Judiciário não pode dar a primeira e a última palavra, precisamos ter autocontenção”, tomando posição na contenda que mobiliza críticas da academia, da sociedade e do próprio colegiado, dividido entre o presidente da Corte, ministro Edson Fachin e o decano, ministro Gilmar Mendes, que joga em todas as posições.

Apontou disfuncionalidade nas ações penais originárias iniciadas diretamente na Corte, como o inquérito das fake news, e criticou o elevado quórum de agentes legitimados a acessar o Supremo. “Tudo isso precisa ser discutido no processo constituinte derivado”, disse, numa referência explícita a uma reforma do judiciário.

O dilema dos independentes, por Merval Pereira

O Globo

O único candidato de direita que ousa criticar o filho de Bolsonaro é Renan Santos, do Missão

A não ser que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão provoque uma mudança substancial na campanha à Presidência da República — capaz de desmontar a desejada, pelos próprios, disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro —, o segundo turno será definido pela união dos candidatos de direita em torno deste último, ou pela capacidade de Lula de alcançar os eleitores centristas independentes. As duas hipóteses são duvidosas, pois Lula parece disposto a radicalizar na campanha, para marcar sua história política, e a união da direita ainda não é uma certeza.

A guerra que todos perderam por Míriam Leitão

O Globo

Em mais de três meses de conflito, nenhum dos lados pode declarar vitória, e o número de perdedores é maior do que o de envolvidos

A guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã talvez termine em breve na possibilidade que se abre com o memorando que será assinado na sexta-feira. Nenhum dos lados pode declarar vitória, e o universo dos perdedores é muito mais amplo do que apenas os que estão diretamente envolvidos no confronto. Até o Brasil perdeu. Nesses 107 dias de embate, o cenário econômico brasileiro mudou completamente.

É por isso que os juros caíram tão pouco, nos dois primeiros cortes, e esta semana a redução deverá ser novamente tímida, de apenas 0,25 ponto percentual. Antes da crise internacional, a expectativa era de cortes de meio ponto ou até 0,75pp a cada reunião para uma Selic no fim do ano de 11% ou menos. A inflação estaria abaixo do teto da meta. Agora, por causa da crise geopolítica, os índices de preços estão pressionados, o acumulado em 12 meses já estourou o teto da meta e os juros só estão em queda porque estavam muito altos.

As Copas viraram problema geopolítico, por Fernando Gabeira

O Globo

Disputas internacionais foram criadas para unir os povos, mas líderes como Trump jamais permitirão que se alcance esse objetivo

Minha principal atividade nesta Copa é comprar figurinhas para o neto. Nem sempre foi assim. Nas muitas Copas que vivi, o clima não era tão tranquilo.

Em 1970, assisti à final entre Brasil e Itália refugiado na Argélia. Um grupo de asilados pensou em torcer contra o Brasil, porque a vitória fortaleceria a ditadura militar. Bastaram alguns minutos de jogo para que todos estivessem torcendo apaixonadamente pelo Brasil e se sentissem no paraíso com a goleada.

Ainda no Brasil, acompanhei o jogo Brasil e Tchecoslováquia numa solitária na prisão. Não havia rádio, não havia vizinhos nas outras celas, não havia nada. Só silêncio. Pelos gritos que vieram da rua, contei os gols do Brasil e concluí alegremente que vencemos por 4 a 0. Ilusão. Eles fizeram um gol que ficou perdido na barreira de silêncio. Poderiam ter feito dois, três, e eu não saberia.

Estados Unidos impõem teto para avanço da IA, por Pedro Doria

O Globo

Os EUA não têm regra. Não há regulação, muito menos processo. Quem avalia se uma IA é ameaça ou não?

No dia 9 de junho, terça-feira da semana passada, a Anthropic lançou com certo estardalhaço seu novo modelo de ponta, Claude Fable. Era, de longe, a inteligência artificial (IA) mais avançada à disposição no mercado. Era. Na sexta, dia 12, quando mal passava das 17h em Washington, o secretário de Comércio Howard Lutnick mandou uma ordem. Era para a companhia suspender o acesso ao Fable para qualquer cidadão estrangeiro. Incluam-se na lista os próprios funcionários da Anthropic que não nasceram nos Estados Unidos (muitos). A equipe de comando da empresa leu o papel, sabia que colocar um filtro por nacionalidade é impossível, aí tomou a única decisão viável: tirou do ar. Ninguém mais usa. E, assim, o governo americano essencialmente acaba de impor um teto ao avanço da IA. A partir de determinado nível de capacidade, está proibido. Evidente que não vai durar. Foi puro improviso de quem não pensou nas consequências. Mas é fundamental compreender tudo que está em jogo.

Moraes e Eduardo no olho do furacão, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump e Eduardo Bolsonaro ganharam um forte aliado contra Alexandre de Moraes: a Itália

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes estão novamente no olho do furacão entre Brasil e Estados Unidos, nesta semana, justamente quando o presidente Lula tem a expectativa de um encontro com Donald Trump, à margem do G-7, para discutir a nova onda de tarifas.

A novidade, desta vez, é que os ataques de Eduardo e de Trump a Moraes ganharam reforço com a decisão da Justiça da Itália de anular a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que tem dupla condenação no Brasil. Os argumentos italianos atingem o ministro do STF em cheio, em meio a várias batalhas.

Xandão é o Brasil, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Estará sempre disponível a crença em que a Corte constitucional italiana seria bolsonarista e teria rejeitado a extradição de Carla Zambelli como afronta político ideológica à Justiça brasileira. Num debate público em que ministro do Supremo foi consagrado nosso herói salvador, aquele a quem Vorcaro – no dia em que seria preso – perguntou sobre se conseguira bloquear algo, não faltam elementos mistificadores para compor essa fé. (E, se criticar, lembre-se: Bolsonaro volta – o golpe sempre à espreita.)

Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, tudo sendo ataque à democracia, tem-se o Alexandre de Moraes isento. Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, a isto foi elevado Moraes, cujo escritório de advocacia da esposa tinha contrato de R$ 130 milhões com o Master, tornado a própria encarnação do estado democrático de direito: Xandão é o Brasil; donde será ataque ao País apontar que a condição do juiz, ao mesmo tempo vítima, suscitaria “dúvidas sobre a imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação”.

Carvão e a lenta transição energética, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

O impacto das condições de tráfego por Ormuz nos deixa claro que essa transição necessária, desejável e desejada é, antes de tudo, lenta

A turbulência por que passa a economia mundial a cada anúncio de fechamento ou de abertura do Estreito de Ormuz – por onde, em condições normais, trafega cerca de um quarto do petróleo consumido no planeta – é o sinal mais evidente de quanto continuamos dependentes de combustíveis fósseis. Transição energética, sobretudo pela redução do uso desse tipo de combustível, tem sido uma das expressões mais frequentes desses tempos. Para muitos, é a indicação de que está a nosso alcance quase imediato um futuro mais limpo e saudável. Mas o que o impacto das condições de tráfego por Ormuz nos deixa claro é que essa transição necessária, desejável e desejada é, antes de tudo, lenta – talvez lenta demais para quem luta por um mundo ambientalmente melhor.

CPI, uma inutilidade, por Antonio Claudio Mariz de Oliveira*

Folha de S. Paulo

Objetivo constitucional das CPIs é investigar fatos determinados de interesse público

Investigações partem para fatos não previstos com repercussão midiática

Chama a atenção no nosso ordenamento jurídico a existência de institutos que uma vez aplicados à realidade se afastam por completo do seu escopo. Esse distanciamento entre o legal e o real desvirtua por completo o seu desiderato originário.

Um exemplo são as comissões parlamentares de inquérito, com previsão constitucional (artº 58, parº 3º). O seu objetivo seria a "apuração de fato determinado e por prazo certo". Para isso possuem "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais". As leis 1539/52 e 10179/03 regem a sua atuação.

O regimento da Câmara, em seu artigo 35,I, por sua vez, define que o fato precisa ser de interesse para a vida pública, ordem constitucional e social, devendo estar explicitado no pedido de instalação da CPI.

Evangélicos abandonam Flávio Bolsonaro e migram para Lula e Renan, por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

Mentira sobre relação com Daniel Vorcaro espalhou desencanto pelo bolsonarismo

Flávio é visto por muitos como crente de fachada

Evangélicos podem ser protagonistas em mais uma eleição presidencial. Desta vez, para tirar a certeza de que Flávio Bolsonaro será o candidato da direita. A última coleta da Quaest, divulgada na semana passada, mostra o nome bolsonarista caindo nove pontos nesse segmento, de 61% para 52%.

Evangélicos representam um dos pilares eleitorais do bolsonarismo. Lideranças nacionais poderiam atuar para conter a sangria, mas continuam em silêncio —e têm motivos. Apostavam na dobradinha Tarcísio-Michelle e foram atropelados pela escolha de Flávio. Em seguida, a mentira sobre a relação com um ex-banqueiro que promovia orgias aumentou o constrangimento.

Uma definição de fracasso, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

EUA dificilmente conseguirão acordo nuclear com Irã melhor do que o de 2015

Trump fez uma guerra para voltar a situação que ele próprio definiu como ruim

Se os negociadores americanos derem um show, talvez consigam um acordo não muito pior do que o de 2015, assinado entre Irã, EUA e outras potências, com o objetivo de evitar que o país persa desenvolvesse armamento nuclear.

E o que aconteceu com aquele tratado, pelo qual o programa atômico iraniano era monitorado de perto por agências internacionais em troca do relaxamento de sanções econômicas? Ele vinha funcionando até que, em 2018, Donald Trump, em sua primeira passagem pela Casa Branca, achou que o acordo era ruim e dele se retirou unilateralmente, o que, na prática, significou enterrá-lo.

Futebol brasileiro corre risco de virar meme sem graça, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Copa virou negócio de trilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança

A esperança do time de Ancelotti está no banco de reservas

Com a Copa do Mundo politizada, agigantada (três países anfitriões, 48 seleções, 104 partidas e zebras à espreita) e multiplataformizada (no Brasil há uma disputa de segundos entre os canais de televisão e os de internet pelo menor delay), é impossível escapar aos memes virais. O futebol é um negócio de zilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança. Uma festa em que os convivas se sentem imediatamente afetados pela síndrome de Peter Pan.

Leitura para salvar nossas meninas, por Maíra Weber*

Instituto Positivo

A violência contra meninas e mulheres, seja física ou simbólica, esteve sempre presente, tristemente, na realidade de diferentes sociedades ao redor do mundo. No Brasil, dados de 2025 indicam 1.568 feminicídios, o que representa uma alta de 4,7% em relação a 2024. E o pior: os números têm aumentado em 2026, com o crescimento de 3,49% registrado apenas em janeiro.

As obras de arte, ao longo do tempo, refletem a sociedade e retratam suas mazelas. As primeiras narrativas literárias voltadas ao público infantil, como os contos de fadas, por exemplo, carregam uma concepção estereotipada da mulher, intimamente ligada à visão de mundo moldada pela coletividade. Muitos clássicos ensinaram meninas a terem como ideal de vida um príncipe salvador e a naturalizar o distanciamento entre os papéis sociais concebidos para homens e mulheres na sociedade.

Poesia | A Queimada, de Castro Alves

 

Música | Chico Buarque - Voltei a Cantar

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O trilhão de Musk e as ambições siderais da IA

Por Folha de S. Paulo

Valor estratosférico atribuído à SpaceX reflete entusiasmo com investimento em IA, que não virá sem riscos

Nenhuma companhia reúne foguetes reutilizáveis de grande porte, milhares de satélites e meta de instalar processamento de dados no espaço

Misto de ativista da ultradireita reacionária e megaempreendedor visionário, o magnata Elon Musk elevou sua opulência e ambição a novos patamares.

A oferta de ações da SpaceX levantou US$ 75 bilhões e avaliou a companhia em US$ 1,75 trilhão. Com isso, mais as participações na Tesla e em outras iniciativas, o patrimônio pessoal de Musk passa a ser estimado em algo próximo de um inaudito US$ 1 trilhão.

O valor atribuído à SpaceX na operação equivale a cerca de 90 vezes a receita registrada em 2025. Projeções de analistas, também siderais, indicam que essa receita pode se multiplicar por dez nos próximos anos.

Acordo dá alívio imediato, mas está longe de resolver o problema nuclear iraniano, por Humberto Saccomandi

Valor Econômico

Os termos do acordo parecem atender as principais demandas de Teerã, como o fim do bloqueio americano

Estados Unidos e Irã parecem ter finalmente chegado a um acordo preliminar de cessar-fogo. É uma excelente notícia para o mundo, pois deve atenuar a pressão sobre o preço do petróleo, o que já começou. Faltam, porém, detalhes importantes sobre o que foi acordado. E muita coisa ainda pode dar errado até a próxima sexta-feira, data prevista para assinatura do pacto. Além disso, nada garante que a questão central, o futuro do programa nuclear do Irã, será resolvida nos próximos 60 dias. Ou seja, há o risco de o confronto ser retomado em breve.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o estreito de Ormuz, por onde passam 20% do gás e do petróleo consumido no planeta, será reaberto a partir de sexta-feira, sem cobrança de pedágio. Isso fez a cotação do petróleo tipo Brent cair para cerca de US$ 83 na abertura do pregão eletrônico na Ásia, o menor valor desde o início de março. Mas ainda bem acima dos cerca de US$ 60 do começo do ano.

PT consolida estratégia para os Estados, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

Impasse continua em Roraima, Tocantins, Goiás e Minas, principal foco de preocupação da sigla

A pouco meses do primeiro turno das eleições de 2026, o PT já consolidou grande parte de sua estratégia nacional para a disputa dos governos estaduais, mas ainda enfrenta impasses em quatro unidades da federação. Entre elas, Minas Gerais desponta como um dos principais focos de preocupação da legenda. Segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é considerado peça-chave para o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na montagem de suas alianças regionais, o PT priorizou nomes próprios e já definiu dez pré-candidatos da legenda aos governos estaduais. A estratégia busca ampliar a presença da sigla nos Estados e fortalecer o palanque presidencial de Lula. Apesar disso, os cenários de Minas Gerais, Roraima, Tocantins e Goiás seguem indefinidos.