quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master exige melhora de normas republicanas

Por Folha de S. Paulo

Autoridades não deveriam manter encontros fora da agenda, como fez Lula com Vorcaro

É preciso rever quarentenas, regular contratações de advogados parentes, dar transparência ao lobby e instituir código de ética no STF

Impressiona no caso Master a extensão da rede de pessoas importantes que o banco influenciou ou tentou influenciar. Os tentáculos da empresa de Daniel Vorcaro se espalham pelos Três Poderes e não conhecem barreiras geográficas.

O banqueiro mineiro buscava aproximar-se de autoridades dos mais diversos calibres. Revelou-se agora que Vorcaro foi recebido pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa audiência sem registro oficial em fins de 2024.

Caiado, Leite ou Ratinho: qual será a cara do candidato da terceira via? Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A decisão não será apenas sobre quem tem mais potenciais, o que pode se aferir com pesquisas, mas também sobre o projeto de centro-direita que o PSD quer representar

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD de Gilberto Kassab introduziu um fato novo no tabuleiro eleitoral de 2026. Ao deixar o União Brasil por falta de legenda para disputar a Presidência, Caiado reforçou a disposição do PSD de apresentar uma candidatura própria ao Planalto, colocando o partido no centro do debate sobre a chamada “terceira via”, em oposição tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com isso, o PSD passa a reunir três governadores presidenciáveis que estão no segundo mandato, ou seja, que não podem concorrer à reeleição: Caiado; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; Ratinho Junior, do Paraná, cujos perfis políticos e trajetórias eleitorais são bastante distintos.

Proposta liberou-geral do TSE fortalece ministros. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Proposta de Kassio Nunes que entrará em consulta pública nesta segunda escancara eleição para a desinformação mas fortalece poder discricionário do TSE e, em última instância, do STF

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, vê as eleições de outubro, em função do avanço da inteligência artificial, sob a mais grave ameaça de desinformação da história. A ministra faz este alerta enquanto é gestada, na Corte eleitoral que ainda preside, o escopo legal desta ameaça, a trepidante proposta de resolução que vai reger a disputa de outubro.

Pela tradição do TSE, as balizas da disputa são coordenadas pelo ministro que a presidirá. Como o vice de Cármen, o ministro Kassio Nunes Marques, assume o comando do tribunal em agosto, é dele, pois, a incumbência. O ministro diz que o tema ainda está sob consulta e evita se pronunciar sobre o cenário desenhado pela proposta.

A realidade de um mundo pós-ruptura. Por Martin Wolf

Valor Econômico

A Europa tem um papel fundamental na construção de um sucessor para a ordem global liderada pelos EUA

Na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, ouvimos Donald Trump proferir um discurso desconexo, permeado por sua já conhecida mistura de ressentimento e megalomania. Também ouvimos Mark Carney, ex-banqueiro central e agora primeiro-ministro do Canadá, fazer um discurso brilhante sobre o fim da velha ordem e as opções para as chamadas “potências intermediárias”. Este último foi o acontecimento mais importante.

Carney começou citando um ensaio de Václav Havel, escritor, dissidente e o primeiro presidente da Checoslováquia pós-comunista. No texto, Havel sustentava que o comunismo se mantinha, nas palavras de Carney, “por meio da participação de pessoas comuns em rituais que, no fundo, elas sabiam ser falsos”. De modo parecido, argumentou Carney, “em grande medida evitamos apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade” daquilo que chamávamos de “ordem internacional baseada em regras”.

Supremo não sabe para onde ir. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não há consenso dentro da instituição sobre como enfrentar a atual turbulência severa

O caminho da crise envolvendo o STF é sem volta, mas o problema é que não se tem muita ideia neste momento até onde vai chegar. Em termos políticos foi ultrapassado o ponto no qual uma “gestão de crise reputacional” poderia conter os danos causados à imagem e legitimidade da instituição.

Não custa lembrar os clássicos da sociologia: instituições existem não por terem uma placa com o nome delas pendurada na fachada de um prédio. Existem por se acreditar nelas. E por serem entendidas como impessoais. Aqui está a essência do problemão imediato do STF: sofre com falta de credibilidade por parecer defender os interesses (políticos e financeiros) de alguns de seus integrantes.

OAB contra regra do STF para audiências. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Seccional de SP quer audiências paritárias com ministros; OAB nacional prefere não comentar

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teve participação minguada nos debates sobre a ética no Judiciário nas últimas décadas. Na esteira dos escândalos do Banco Master, a seccional de São Paulo divulgou uma proposta de código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das sugestões é que, ao receber um advogado, o ministro divulgue a audiência concedida e, se for solicitado, garanta o mesmo direito à parte contrária no processo.

Calma em meio à tempestade. Por Alvaro Gribel

O Estado de S. Paulo

Para quem esperava um BC leniente no governo Lula, script não poderia ter sido mais diferente

O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou que vai começar a cortar a taxa na próxima reunião, em março. O BC, dessa forma, cumpriu à risca as boas práticas de condução da política monetária: subiu os juros quando a inflação ameaçou sair do controle, suportou a pressão política que vinha de vários lados e esperou pacientemente até que ficasse claro o efeito do aperto sobre os preços e sobre o controle das expectativas. Para quem esperava um BC leniente no governo Lula, o script não poderia ter sido mais diferente.

Democracia em estado de vigilância. Por Fabiano Garrido

O Globo

O desafio central já não será reagir a ataques explícitos às instituições, e sim preservar a legitimidade do processo eleitoral

O dia 8 de janeiro de 2023 marcou a entrada da democracia brasileira numa fase de vigilância permanente. Ao longo dos últimos três anos, a tentativa de ruptura institucional foi contida, os responsáveis processados dentro dos marcos do Estado de Direito, e as instituições demonstraram capacidade de reação. A partir daquele momento, porém, a estabilidade democrática deixou de se apoiar em consensos tácitos e passou a depender de atenção contínua, cooperação institucional e reconhecimento social ativo.

As eleições de 2026 se aproximam nesse novo regime. Não como episódio isolado de tensão política, tampouco como mera repetição de disputas anteriores, mas como um teste silencioso de sustentação democrática. O desafio central já não será reagir a ataques explícitos às instituições, e sim preservar a legitimidade do processo eleitoral num ambiente atravessado por ruído informacional constante, fadiga institucional acumulada e disputas recorrentes sobre o significado de autoridade, verdade e derrota política.

Sobe Ratinho; desce Tarcísio. Por Julia Duailibi

O Globo

O governador do Paraná é apontado pelos caciques do PSD como nome do partido mais forte na disputa

Gilberto Kassab pode negar, mas a leitura mais óbvia da entrada de Ronaldo Caiado no PSD é a avenida aberta para Ratinho Junior ser o candidato a presidente pelo partido na eleição deste ano. O governador do Paraná é apontado pelos caciques do PSD como nome mais forte na disputa, e a aposta agora é que a candidatura presidencial de Caiado se transformará, em breve, numa candidatura ao Senado.

Não que Ratinho esteja bombando nas pesquisas. Tanto ele quanto Caiado patinam. No cenário mais recente da Quaest em que Flávio Bolsonaro é o candidato bolsonarista, o governador mineiro, Romeu Zema, tem 3%, Caiado, 4% e Ratinho, 9%. Nesse cenário, sem o governador paulista Tarcísio de Freitas, Flávio lidera com 23%. Quando Caiado e Zema são retirados, Ratinho oscila para 11%, e Flávio para 28%. Mas, quando o cenário é sem Ratinho e Zema, Caiado não tem desempenho igual: vai a 5%, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 31%. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, outro nome do PSD, não foi testado na rodada.

Aproximações perigosas. Por Merval Pereira

O Globo

O governo tenta impedir que se faça uma CPI sobre o Master, que virará tema eleitoral, queiram ou não os governistas.

As investigações, não só as oficiais, mas as dos jornalistas também, mostram uma proximidade muito perigosa do entorno do presidente Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master. A começar pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e pelo ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que foram para o Master a pedido do governo. O líder do PT, senador Jaques Wagner, admitiu ter sido ele quem indicou os dois — porque Lula tinha um compromisso moral com Mantega depois de não ter conseguido colocá-lo na Vale. Acabou arranjando um lugar aparentemente muito bem remunerado no Master; dizem que ganhava cerca de R$ 1 milhão por mês.

Anatomia de uma fraude. Por Malu Gaspar

Por O Globo

O Brasil já acumula experiência suficiente em grandes escândalos para saber que, mesmo quando há orquestração para abafar um caso, chega um momento em que a situação sai do controle, e o acordão se desfaz, porque a lama se espalha tanto que cada um passa a correr para salvar a própria pele. Foi assim no mensalão, no petrolão, e, pelo andar da carruagem, parece que será assim com o Banco Master.

No Supremo Tribunal Federal (STF), acuado pelas revelações sobre a promiscuidade de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, os ministros passaram a acreditar que o governo Lula, se não está por trás do vazamento de informações que só os enredam ainda mais no esquema, tampouco se move para ajudá-los. Nos bastidores, os supremos se queixam de que, depois de tantos serviços prestados, o presidente é muito ingrato ao deixá-los arder no escândalo.

Juros perto da queda de março. Por Míriam Leitão

O Globo

Como os antibióticos, os juros mantidos na taxa nominal de 15%, por mais tempo do que o necessário, produzem efeitos negativos

O Copom manteve a taxa de juros, mas deu a indicação de que na próxima reunião, a de março, iniciará a “flexibilização da política monetária”. Nas horas que antecederam o encontro de ontem, houve um aumento do percentual de bancos que projetavam o início da queda já na reunião de janeiro. Mesmo assim era um grupo minoritário, 22%. O comunicado do Banco Central registra que manterá a “restrição” para assegurar a convergência da inflação para a meta. O fato é que a taxa já está convergindo e, ao demonstrar tanto medo em reduzir a altíssima Selic, a autoridade monetária só eleva a incerteza. Por isso, é bem-vindo o sinal dado de que os juros começarão a cair em março.

O novo Flamengo x Palmeiras do Banco Central. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

BC mantém a Selic em 15%, mas 'antevê' corte de juros na reunião de 18 de março

Para o 'mercado', taxa cairia a 12,25% no final do ano; para ser assim, BC teria de correr

Banco Central vai cortar a Selic na próxima reunião de política monetária, em 18 de março, depois do Carnaval, antes da Semana Santa. É o que o BC "antevê", segundo o texto do comunicado divulgado depois da decisão de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano.

Como o BC foi muito direto e explícito, assim será, a não ser em caso de terremoto na finança americana ou de que algum meteorito de Donald Trump arrebente parte do planeta.

Antes de entrar no debate futebolístico sobre o tamanho dos cortes de juros que virão, convém um comentário político de passagem.

O Supremo na berlinda. Por Maria Hermínia Tavares de Almeida

Folha de S. Paulo

STF se transformou em centro de gravidade da política nacional

Com o protagonismo vieram os holofotes sobre o funcionamento da corte

STF está hoje no centro das atenções políticas. Chegar a essa destacada – e incômoda -- posição levou tempo. Foi um longo processo, cujo resultado não se deve ao acaso ou a algum desígnio de partidos, lideranças ou mesmo dos membros da própria corte.

Os estudiosos indicam razões para tanto: algumas ancoradas na Constituição de 1988; outras resultantes de características do sistema político; ou, ainda de decisões contingentes de representantes políticos, ministros ou atores sociais.

Primeiro, o desenho institucional que concentra no tribunal a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e sobre quase toda controvérsia relevante. Ele tornou inevitável que conflitos importantes – entre entes federativos, entre governo e oposição ou entre interesses organizados na sociedade -- fossem "judicializados" no STF. Mais ainda, quando uma Carta extensa e programática constitucionalizou garantias e um elenco extenso de direitos sociais, metas e políticas públicas para assegurá-los.

O acordo para salvar quem tem foro privilegiado no caso Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Costura vai muito além de proteger Toffoli e pode se transformar em tábua de salvação

Usa-se a tática da intimidação e ameaças de delação em doses cavalares para garantir blindagem de quem tem rabo preso

A avalanche de informações das últimas semanas sobre Daniel Vorcaro e suas conexões no mundo da política, governos e Judiciário não pode tirar o foco principal do escândalo: as fraudes praticadas pelo Banco Master, que já estão documentadas nas investigações da Polícia Federal com base em denúncia do Banco Central.

Qual foi o papel da gestão de Campos Neto no caso Master? Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Entrevista de Armínio Fraga à Folha e apurações na mídia levantam hipótese de negligência

Há ainda zonas de sombra a esclarecer na atuação da autoridade monetária nos últimos anos

Em entrevista que foi ao ar no site desta Folha no dia 24, o economista Armínio Fraga afirmou que o Banco Central teria demorado a agir diante das evidências de graves problemas do Banco Master. Na opinião do ex-presidente da instituição (1999-2002), a autoridade monetária tinha todas as ferramentas para fiscalizar a instituição financeira, que já dava sinais críticos há muito tempo.

Fraga não fez menção mais definida ao período a que se referia. Quando o BC deveria ter agido? Sabemos que o atual presidente, Gabriel Galípolo, assumiu no início de 2025, e anunciou a intervenção no mês de novembro. Deveria tê-lo feito antes? Ou as dificuldades já seriam detectáveis antes de 2025, durante a gestão de Roberto Campos Neto (2019-2024), atual vice-chairman do Nubank?

Ninguém solta a mão do Toffoli. Por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Na ciranda de náufragos, o grito 'todos por um Toffoli' afunda o STF

Estratégia está mais para cumplicidade do que colegialidade

Dias Toffoli não entrou para a sauna da promiscuidade judicial no verão passado. Conhecido de outros camarotes, jatinhos e casas de veraneio, Toffoli cultiva a amizade útil, a amizade com vantagem embutida. Da Libertadores a Champions League, do Lide ao Esfera, aceita convites e leva segurança com diárias pagas pelo STF. Tanto faz se o amigo está ou poderá estar na pauta do tribunal ou de sua relatoria.

Entrevista | Kassab descarta atacar Lula com candidatura do PSD

Igor Gielow / Folha de S. Paulo

Presidente do partido afirma que projeto presidencial, que uniu três governadores e isolou Flávio Bolsonaro, é para valer

Ele vê rival na direita como competitivo, promete campanha moderada e diz que não forçará a saída de seus ministros do governo

O presidente do PSDGilberto Kassab, afirmou que seu partido não usará a candidatura presidencial que promete colocar de pé em abril para atacar o governo Lula (PT), no qual ocupa três ministérios.

Secretário de Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o político recebeu a Folha em seu apartamento na manhã desta quarta-feira (28), no mesmo ambiente em que ele causara um terremoto na centro-direita na véspera.

Na noite anterior, Kassab havia anunciado a filiação do governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) ao PSD, ao lado dos também chefes estaduais da sigla Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR). Todos combinaram que do trio sairá um presidenciável, a depender de posição em pesquisas e outros fatores.

"Nessa é diferente", insistiu Kassab ante a natural incredulidade acerca do projeto, como sempre visto no mundo político como uma forma de manter as opções em aberto. O aceno a Lula e a liberdade que anunciou para que os ministros do PSD fiquem no governo se quiserem reforçam a impressão.

Contra ela há a aliança inédita dos três governadores e as contas do cacique. Ele vê uma candidatura unificada com talvez os mesmos 20% que estima para o nome lançado no campo da direita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio, ambos do PL.

No segundo turno, crê, o eleitorado de um migrará majoritariamente para o outro contra Lula. Mantendo a cisão estabelecida, Kassab sublinhou que considera Flávio competitivo. Prometeu uma candidatura moderada, longe de propostas "radicais de esquerda e direita".

Apenas uma postulação ao Planalto de Tarcísio cancelaria os planos de Kassab, que pela primeira vez disse que seria "um privilégio" concorrer a vice-governador com o chefe, dando gás à versão de que gostaria de tentar o governo estando no cargo em 2030 —presumindo a reeleição e um plano presidencial do governador.

Para o PSD, ele prevê avanços em outubro, refletindo o espraimento da sigla, que elegeu quase 900 prefeitos em 2024 e hoje tem cerca de 1.300. Crê em 6 a 10 candidaturas a governador viáveis, um aumento da bancada de deputados de 47 para talvez 80 e a manutenção de 14 senadores.

Vamos conversar sobre o Estado em descompasso? Por Antônio Márcio Buainain

Jornal da Unicamp

Agendas do passado, emergências do presente e o futuro em risco

É difícil acompanhar o debate público no Brasil sem tropeçar, quase diariamente, em alertas sobre a crise fiscal iminente, o crescimento dos gastos e a trajetória da dívida pública. É claro que a situação fiscal do país importa e que ignorar esses números seria irresponsável, ainda assim, confesso um incômodo persistente perante esse debate. Tenho a sensação de que ele ignora as pessoas: fala-se de corte de gastos como imperativo técnico, muitas vezes necessário para reduzir desperdícios, ineficiências e práticas inaceitáveis, como a corrupção, mas raramente se discute com a mesma ênfase onde esses cortes incidem e como afetam a provisão de serviços públicos essenciais e a vida das pessoas. Ajustes fiscais aparecem como abstrações, ignorando que seus efeitos sobre a saúde, a educação e outras políticas básicas se manifestam de forma muito concreta sobre a população, particularmente a mais vulnerável. Discute-se a insustentabilidade da previdência, mas quase nunca a velhice e o destino de milhões de pessoas que envelhecerão fora dos modelos que organizam essas contas.

Poesia | Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa

 

Música | Carmen Miranda - Uva de caminhão (Assis Valente)

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula gera incerteza no campo com desapropriações

Por O Globo

Em afago ao MST, medida eleitoreira destina R$ 2,7 bilhões, ignorando debates no Congresso e na Justiça

São nitidamente eleitoreiras as medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afagar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aliado histórico do petismo que cobra do governo mais ações de reforma agrária. Na largada do ano eleitoral, Lula prometeu um pacote de R$ 2,7 bilhões para iniciativas no setor. Segundo o Planalto, elas incluem desapropriações em seis estados (São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão).

Supervisão dos mercados está defasada. Por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Para equipe econômica, Há um número crescente de lacunas, onde fermentam escândalos como Master e Americanas

A partir deste mês, a Receita Federal será informada por administradoras de fundos de investimentos sobre os CPFs de seus cotistas. Ou seja, saberá quem são as pessoas físicas donas do dinheiro. Hoje não sabe, porque um fundo pode ter como cotista outro fundo, formando uma teia que dificulta identificar a origem do dinheiro.

As informações estarão numa declaração chamada Formulário Digital de Beneficiários Finais (e-BEF). Segundo a Receita, os objetivos desse documento são: “dificultar o uso do sistema financeiro por organizações criminosas”, “aumentar a transparência nas relações econômicas e financeiras”, “reforçar o combate à lavagem de dinheiro, à corrupção e à sonegação de impostos”.

Master pauta articulações entre Poderes no recesso. Por Fernando Exman

Valor Econômico

Às vésperas do fim do recesso, o Senado, a quem cabe em última instância julgar a conduta dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da cúpula do Banco Central (BC) em caso de pedidos de impeachment ou exoneração, prepara-se para entrar no caso Master. Quer tomar parte nas investigações. E como fez no ano passado ao dar um empurrão para o BC limitar as chamadas contas-bolsão que dificultavam a identificação de movimentações financeiras realizadas por facções criminosas, pretende contribuir no aprimoramento da regulação dos fundos exclusivos de investimento.

Neste momento, na cúpula do Senado não se fala de um eventual impeachment do ministro Dias Toffoli, que tem mantido a relatoria dos processos envolvendo o Banco Master no Supremo, a despeito de críticas e questionamentos sobre as ligações de sua família no caso. Nem de outros ministros do STF.

O caso Master, Fachin e a transição jurídica inacabada do Supremo. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente do Supremo tem insistido na necessidade de limites institucionais claros e na preservação da autoridade da Corte por meio da autocontenção

Durante a Lava Jato, havia duas linhas de atuação no Supremo Tribunal Federal (STF), a ponto de uma das Turmas ser chamada pelos advogados de Jardim do Éden e a outra, de Câmara de Gás. Em algum momento essa divisão entre garantistas e punitivistas, digamos assim, foi ultrapassada pela necessidade de defender a democracia e o devido processo legal, ameaçados pelo então presidente Jair Bolsonaro. Tanto que essas ameaças se consumaram na tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Juros a conta-gotas. Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O Copom já pode começar a cortar os juros, mas precisa conduzir esse processo com cautela

Está chegando a hora de o Copom começar um ciclo de corte de juros, depois de a taxa Selic ficar estacionada em 15% por bastante tempo. Embora a aposta da esmagadora maioria de analistas não seja a de que o primeiro corte aconteça ao fim da reunião de política monetária hoje, é grande a ansiedade sobre como o Copom irá conduzir as expectativas do mercado e sinalizar em que ritmo vai reduzir os juros e até onde pretende baixá-los.

'Bugonia' e a nova ordem mundial. Por Vera Magalhães

O Globo

Lógica do delírio que pauta a ação do filme de Yorgos Lanthimos parece ditar a ação das superpotências e a reação possível dos países forçados a negociar com elas

Em “Bugonia”, a obra de Yorgos Lanthimos que concorre ao Oscar de melhor filme neste ano, o mundo é visto a partir da lente da paranoia: forças invisíveis, supostamente racionais, passam a organizar a realidade a partir do medo, da suspeita e da convicção de que o outro é uma ameaça existencial.

A lógica do delírio é tal que tanto os personagens quanto o espectador passam a lidar com a possibilidade de que ele seja real. É difícil não reconhecer algo familiar aí, principalmente diante das cenas de ensaio de guerra civil no cenário congelado dos Estados Unidos em que a ICE age sem o mínimo controle.

A política global recente tem avançado perigosamente nessa direção. As grandes potências voltaram a operar como personagens de um thriller distópico. Estados que se veem cercados por inimigos, líderes que tratam o mundo como um tabuleiro de soma zero, alianças que valem apenas enquanto servem a interesses imediatos.

Quem corrói o STF são os próprios ministros da Casa. Por Elio Gaspari

O Globo

O presidente do Supremo Tribunal, Edson Fachin, fala demais e diz pouco. Há algumas semanas ele anunciou sua disposição de criar um código de conduta para seus pares. Como era possível prever, esbarrou em ministros descontentes, que não querem código algum. Se é assim, paciência.

Diante da adversidade, Fachin assumiu uma postura profética. Viu uma “erosão democrática” — que, de forma insidiosa, “corrói as instituições por dentro”. Ganha um fim de semana em Minneapolis quem puder mostrar onde está a erosão brasileira. Há quatro anos ela estava escancarada e partia dos generais palacianos. Estão todos na cadeia, a começar por um ex-presidente que também acenava com crises apocalípticas. Fachin se queixa porque vê que “magistrados e magistradas são perseguidos por seu ofício”.

Após crise com União Brasil, Caiado anuncia filiação ao PSD

Por O Globo

Com filiação de Caiado, PSD passa a contar com três postulantes à disputa pela presidência

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, faz com que a sigla de Gilberto Kassab passe a reunir três possíveis candidatos ao Planalto. O anúncio da chegada do goiano ocorreu na terça-feira em vídeo ao lado dos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que também manifesta interesse em disputar o Planalto em outubro.

Em vídeo divulgado ao lado de Ratinho e de Leite, no qual anunciou sua filiação, Caiado afirmou que fez um "gesto de total desprendimento", e indicou que o PSD ainda decidirá, entre os três, quem será o candidato à Presidência neste ano.

O governador goiano disse ainda que buscava "uma oportunidade para contribuir com a discussão nacional", e que as portas para isso haviam se fechado no União Brasil.

-- Aqui não tem interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido levará esta bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera. É dessa maneira que sou recebido aqui. E tenho a graça de ter a minha filiação partidária ao PSD. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais - afirmou Caiado.

A candidatura de Flávio 'está se consolidando', diz Tarcísio

Por Samuel Lima / O Globo 

Governador nega ainda 'discussão acalorada' com Flávio Bolsonaro e alega que tem 'projeto de longo prazo' em São Paulo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 27, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "está se consolidando rapidamente" e que recusaria um convite para substituí-lo nas urnas, mesmo diante de um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim — declarou o político em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele foi à cidade para um encontro na fábrica da Toyota.

Brasil passa a se destacar na onda de euforia com 'mercados emergentes'. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Entre países maiores do grupo, altas da moeda e da Bolsa do Brasil são notáveis em 2026

Valorização do real ajudou a tirar Lula das cordas em 2025; pode ajudar de novo

Algumas gotas do dinheiro grosso do mundo achatam as percepções de que a economia do Brasil é um risco. Ou melhor, ao menos no curto prazo, os ativos brasileiros valem os riscos dos nossos males crônicos e de uma eleição acirrada. O real e o preço das ações se valorizam. Agorinha, até juros de títulos de dívida de prazo mais longo caem.

A grande alta dos ditos mercados emergentes é notícia velha ao menos desde meados do ano passado. No caso das Bolsas, foi a maior desde 2009, na medida do índice MSCI de mercados emergentes, que acompanha o preço de ações em 24 países, Brasil inclusive.

Flávio Bolsonaro abraça filossemitismo estratégico com visita a Israel. Por Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Pré-candidato à Presidência segue os passos do pai e se junta a outros líderes da direita radical global

Senador busca se consolidar como oposição a Lula e reforçar laços com alas do neopentecostalismo

A recente visita a Israel do senador Flávio Bolsonaro (PL), que vestiu um quipá para orar no Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo, cumpre algumas funções políticas para o pré-candidato à Presidência da República —internas e externas.

Seguindo os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se junta a outros líderes globais da direita radical, que nas últimas décadas vêm aderindo a uma espécie de filossemitismo (afeição ao povo judeu) estratégico.

Se no século 20 a extrema direita era abertamente antissemita, no século 21 seus líderes elegeram um novo inimigo do qual os Estados Unidos e especialmente a Europa devem se livrar: o imigrante árabe muçulmano. Nesse sentido, é profícua a aliança com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o apoio a Israel em meio à guerra em Gaza.

Com a viagem, Flávio se alinha a líderes mundiais que compartilham ideologia similar, imbuídos no antiliberalismo, no conservadorismo cultural e no nacionalismo exacerbado, e que muitas vezes usam o populismo como método.

Não queria estar na pele de um teólogo bolsonarista. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Raio em manifestação que pedia anistia para golpistas diz algo sobre os desígnios de Deus?

Se diz, fica difícil afastar interpretação mais básica de que Criador quer ex-presidente na cadeia

Se há algo que o homem sempre temeu, são os raios e trovões, que simbolizam a força avassaladora da natureza, contra a qual nada podemos. Não é uma coincidência que, em grande parte das mitologias, o deus associado ao trovão ocupe posições elevadas no panteão: Zeus (grego), Júpiter (romano), Thor (nórdico), Perun (eslavo), Taranis (celta), Indra (hindu), Raijin (japonês), Tupã (tupi-guarani).

Justiça é omissa ante abusos eleitorais. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governantes usam e abusam do uso da máquina pública sob o olhar complacente da Justiça Eleitoral

Na prática virou letra morta a obrigação legal da separação entre atos oficiais de atividades de campanha

Ministros vão deixando seus postos na Esplanada para concorrer às eleições de outubro, mas isso não significa desfalque na campanha de Luiz Inácio da Silva (PT) para a reeleição. Ao contrário, deve ser um reforço.

Sai metade da equipe ministerial e entram em campo duas dezenas de cabos eleitorais trabalhando por Lula em vários estados, na maioria candidatos a governador ou ao Senado. Difícil acreditar que não vão se valer da influência nas pastas que comandaram.

Separe o joio do trigo, ministro Fachin. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Corte precisa distinguir ataques políticos de cobranças legítimas por decoro e transparência

Crise atual nasce de condutas, não de conspirações contra a instituição

Na semana passada, o presidente do STFEdson Fachin, divulgou uma nota para responder às críticas que se acumulam sobre as relações entre ministros e envolvidos no caso do Banco Master. O gesto reconhece o óbvio: instalou-se uma crise de imagem institucional que já não pode ser ignorada.

A reação do ministro seguiu o roteiro clássico do primeiro passo na comunicação de crise. Alegou más intenções por parte dos acusadores, reiterou o que o STF fez em defesa do Estado de Direito no país e afirmou que o tribunal não se curvará a "ameaças ou intimidações". Fez concessões, claro, dizendo que críticas em geral são legítimas e mesmo necessárias e que "todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas".

Retomando o fio da meada. Por Ivan Alves

A nossa trajetória republicana é marcada por inúmeras crises. A lista é longa: golpes militares, contra golpes, golpe dentro de golpe, autogolpe, insurreições, renúncias, impedimentos, ditaduras civís. Tem para todos os gostos, sobretudo os autoritários, dir-se-ia. 

Alguns momentos foram particularmente difíceis, com a banalização das práticas de torturas aos presos políticos. Refiro-me ao Estado Novo, à ditadura Dutra, à longa ditadura dos militares a partir de 1964. 

Todos querem governar o mundo, por Pablo Spinelli

Filme resenhado: Marty Supreme (EUA: 2025) dirigido por Josh Safdie. Com Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Abel Ferrara. Indicado a 9 Oscars, como Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Montagem.

O título pode ser enganoso e sugerir que falaremos dos EUA, da Groenlândia, da esquecida e ainda chavista Venezuela ou das caminhadas anti-institucionais ora em curso e sendo programadas no ambiente doméstico. Mas a frase é o refrão da canção que encerra o filme Marty Supreme Everybody Wants To Rule The World, da banda Tears for Fears, grande sucesso há 40 anos e cuja letra sintetiza as motivações do vendedor de sapatos e tenista de mesa Marty Mauser (cujo trocadilho com “mouse” é inevitável).

O filme se passa na Nova York de 1952 e apresenta a obstinação de Mauser em conseguir se afirmar como um astro do tênis de mesa internacional. Após perder a final no Aberto de Londres, o personagem não medirá esforços para seu grande objetivo: enfrentar o campeão mundial Koto Endo na terra desse, o Japão, em uma esperada revanche pessoal.

Poesia | Os fios, de Marcelo Mário de Melo

A poesia é fio de voo.

O humor é fio de espelho.

A vontade é fio de prumo.

 

A luta é fio de fogo.

O medo é fio de abismo.

Traição ê fio de lama.

 

A espera é fio de sombra..

O prazer é fio de embalo.

Amizade é fio de luva.

 

A vida é o novelo.