Correio Braziliense
O ex-parlamentar foi um dos
principais advogados de perseguidos da ditadura militar do Rio de Janeiro e
protagonizou no Congresso a campanha da anistia, ao lado do senador Teotônio
Vilela
A história da redemocratização brasileira não
pode ser contada sem referência a Marcelo Cerqueira, um dos mais combativos
advogados e parlamentares do período autoritário. Militante da causa
democrática, notabilizou-se por sua atuação jurídica em defesa de perseguidos
políticos e pela presença destacada na campanha da anistia, ao lado do senador
Teotônio Vilela, o “Menestrel das Alagoas”, que percorreu o país conclamando a
sociedade à reconciliação nacional.
Conheci Cerqueira na campanha eleitoral de
1978, quando foi candidato a deputado federal pelo MDB, a convite do falecido
dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Antônio Ribeiro Granja, com
apoio no Rio de Janeiro, em Niterói e na Baixada Fluminense. Fez dobradinha com
o deputado estadual Alves de Brito (MDB), que concorria à reeleição. Lembro-me
de seu principal panfleto de campanha, intitulado “Dá-lhe, povo”, inspirado no
lendário jóquei Luiz Rigoni.
Formado em direito, Cerqueira construiu sua
trajetória na interseção entre a advocacia e a política. Não era apenas de um
advogado militante, mas um jurista atento às garantias constitucionais e aos
limites do poder punitivo. Ex-vice-presidente da União Nacional dos Estudantes
(UNE), ingressou no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) pelas mãos do
falecido cineasta Leon Hirszman (Cinco Vezes Favela, Eles Não Usam Black-Tie,
entre outros).