Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
quarta-feira, 24 de junho de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
BC peca por falta de clareza em decisão sobre juros
Por O Globo
É defensável evitar flutuação abrupta na
Selic, mas faltou transparência à forma como Copom se justificou
Depois da reunião na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou o terceiro corte consecutivo da taxa básica de juros, a Selic, de 14,5% para 14,25% ao ano. A decisão era esperada, mas o comunicado divulgado em seguida gerou ruído. Mudanças na Selic são extremamente importantes para as projeções e expectativas do mercado financeiro, mas não têm consequências imediatas na economia. Quando muda a Selic, o Copom calcula os efeitos num período conhecido como “horizonte relevante”, intervalo de 18 meses, hoje com duração até o quarto trimestre de 2027. Ao mencionar o primeiro trimestre de 2028, porém, o comunicado causou estranheza. Por que a autoridade monetária teve de alongar o prazo de modo a justificar o corte nos juros? Teria sido falta de cautela com a inflação?
Guerra no STF agora é declarada, por Vera Magalhães
O Globo
Entrevista de Gilmar escancara divisão na
corte e tensão provocada pelo caso Master
Há pouco menos de 20 dias, escrevi
neste espaço que as tensões no Supremo Tribunal Federal (STF) estavam
prestes a deixar os bastidores e explodir em público. Não demorou. Em
entrevista ao “Roda Viva”, o decano da Corte, Gilmar Mendes, explicitou a
divisão interna na Corte e deixou claro quem joga em que time.
No seu, estão Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e, mais discretamente, Cristiano Zanin. Os demais se dividem em dois grupos que foram alvo de ataques de Gilmar. Ao presidente, Edson Fachin, e a Cármen Lúcia, ele atribui o desgaste de imagem do STF, pela insistência em agendas como o código de conduta do Judiciário. O maior incômodo, no entanto, parece recair sobre André Mendonça, que claramente vem ganhando protagonismo no Supremo com relatorias de casos espinhosos e de alto impacto político, como o Master e o da máfia do INSS.
Memórias do inferno, por Bernardo Mello Franco
O Globo
"Anatomia do caos", de Dandara
Ferreira, reconstitui atuação de Bolsonaro a favor do vírus
Em depoimento ao Senado, o taxista Márcio
Antônio Silva lembrou a última vez que viu o filho, morto aos 25 anos. O corpo
do rapaz estava embrulhado num saco plástico, seguindo os protocolos da
pandemia.
“Minha dor não é mimimi”, desabafou o pai
enlutado. Representava milhares de famílias ofendidas por um presidente que
fazia piada com a tragédia, recusava-se a comprar vacinas e chamava cidadãos de
“frouxos” e “maricas”.
A emoção de Márcio humaniza a pauleira de “Anatomia do caos”, que estreia semana que vem nos cinemas. O documentário de Dandara Ferreira reconstitui os passos da CPI da Covid, que propôs o indiciamento de Jair Bolsonaro e outros 77 suspeitos de crimes na emergência sanitária.
Lula precisa de um momento Messi, por Elio Gaspari
O Globo
Um presidente reprovado por metade dos
entrevistados é o preferido com dez pontos percentuais de vantagem sobre o
segundo colocado
Depois de ter perdido um pênalti, Messi fez
dois gols contra a Áustria e decidiu a partida. Terminada a Copa, começará a
campanha eleitoral. Até outubro, Lula precisará
destravar uma dissonância das pesquisas. Segundo o Ipec, 50% dos entrevistados
desaprovam seu governo. Segundo o Datafolha, 38% acham que Lula 3.0 é ruim,
ante 32% satisfeitos. Tudo bem, perdendo um pênalti, Messi não é mais o mesmo.
Fulanizando a disputa, o Datafolha mostrou
que Lula teria 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro no
primeiro turno. A terceira via patina com Ronaldo Caiado e Renan Santos (3%),
mais Romeu Zema e Aécio Neves (2%).
Um presidente reprovado por metade dos entrevistados é o preferido com 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. Marcando um gol poucos minutos depois, Messi é o grande artilheiro das Copas.
Digimais, Master e a ameaça de um risco sistêmico silencioso, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Além das possíveis infrações
penais, o caso do banco do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, é a
repetição do modelo observado anteriormente no Banco Master
A Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra o Banco Digimais, controlado pelo empresário e chefe religioso Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, vai além do que seria mais um escândalo financeiro. As suspeitas de manipulação contábil, ocultação de prejuízos, superavaliação de ativos, venda de créditos sem lastro e transferência de riscos para terceiros revelam um padrão recorrente de comportamento em instituições financeiras de médio porte que trabalham com altas taxas de risco. Isso pode representar uma ameaça estrutural à estabilidade do sistema financeiro nacional.
Desigualdade se tornou tão comum que injustiça não é mais vista como emergência moral, por Ricardo Viveiros*
Folha de S. Paulo
Reivindicar que pessoas vivam sem fome e sem
medo é tratado como mera opinião política
Extremistas veem demandas de dignidade como excessos e ameaças ideológicas
É estranho nascer, crescer e viver em um país
como o Brasil. A cada novo dia sinto que defender a dignidade humana é visto
como um posicionamento "ideológico" questionável, e não um mínimo
princípio ético. Como se reivindicar que as pessoas vivam
sem fome, sem medo, sem abandono do Estado ou sem violência
estrutural fosse apenas mais uma opinião política dentro do mercado
eleitoreiro, e não um princípio básico de convivência.
Sabemos que a democracia implica debater e disputar ideias, até persuadir pelo diálogo. Mas há uma enorme diferença entre discutir modelos econômicos ou formas de administração do Estado e precisar esclarecer alguém de que certos grupos humanos merecem direitos, proteção e condições materiais mínimas. Dignidade.
O banco de Edir Macedo no templo da perdição que junta finança, crime e política no Brasil, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Digimais maquiava balanços para esconder que
estava quebrado e sumir com dinheiro, diz PF
Estouro da boiada de fintechs facilitou união
de facções, políticos e dinheiro do mais podre
Há podridão extensa na finança —se estende da
bandidagem de rua à da política. Isto é, crimes financeiros, gangues no
controle de instituições financeiras, o crime organizado "comum" se
valendo de instituições de pagamentos, "fintechs", e fundos para
sumir com dinheiro, com apoio de parte da elite política graúda. Nem vamos
lembrar da Americanas e de tantas empresas com balanços "com
problemas".
O Digimais pode ser um Masterzinho, diz a Polícia Federal. Ou mais do que isso. Edir Macedo, dono do banco, não ocupa ou ocupou cargo político, mas lidera corrente do evangelismo político. Ele, seus vassalos ou fiéis poderosos mandam em um partido, o Republicanos. O Congresso está à beira de aprovar mais favores tributários para igrejas.
Dribles do acaso, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Aleatoriedade tem mais influência no futebol
do que em outros esportes coletivos
Raridade do gol e abundância de eventos
imprevistos estão entre as razões da diferença
O ser humano é um bicho esquisito. Como espécie, temos horror ao acaso. Inventamos as religiões precisamente para fingir que ele não existe. Mas, quando se trata de eleger um esporte, a maior parte do mundo civilizado fica com o futebol. E o que caracteriza o futebol é justamente expor-se muito mais ao acaso do que outros esportes coletivos. É o imponderável que dá sabor à coisa. No basquete, é altamente improvável que um time muito ruim vença um muito bom, mas, no futebol, zebras fazem parte da ordem natural dos acontecimentos.
A hora e a vez do ‘salva-se quem puder’, por Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
A política virou um “salve-se quem puder”. A
quase três meses da eleição de outubro, o Palácio do Planalto já se prepara
para enfrentar uma nova leva de investigações da Polícia Federal contra a
chamada “República da Bahia”, com potencial para atingir homens da confiança do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Interlocutores de Lula receberam informações de que, além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa poderá ficar muito mal na foto.
Lá vem o dólar, por Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
Fatores diversos vão afetar o valor do dólar em cada país; No caso do Brasil, a eleição será o principal
Não são poucos os analistas que apostam que o
pior momento para o dólar em 2026 ficou para trás, mas ainda não há consenso
sobre se a valorização ante as principais moedas fortes e também de países
emergentes, registrada na semana passada, seguirá firme no segundo semestre do
ano.
Os que defendem que a trajetória do valor global do dólar é de fortalecimento argumentam que, no curto prazo, a expectativa de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) será o principal vetor de influência sobre o mercado de câmbio. Até há pouco tempo, o dólar e as outras moedas mundiais vinham oscilando conforme os rumos da guerra no Irã, que gerou um choque de oferta e fez disparar os preços do petróleo. É justamente agora, quando as cotações do petróleo começam a recuar com a resolução do conflito no Oriente Médio, que os próximos passos da política monetária americana assumem maior peso sobre o humor dos investidores.
Banco Digimais assumiu consignados com militares da Aeronáutica, por Roseann Kennedy
O Estado de S. Paulo
Banco de Edir Macedo foi alvo de operação da
PF; procurada, Força não respondeu
A Aeronáutica tem um contrato até 2030 para crédito consignado com o Banco Digimais, que nesta terça-feira, 23, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e teve R$ 670 milhões bloqueados de investigados, a exemplo do dono da empresa e líder da Igreja Universal, Edir Macedo. A PF aponta que o Digimais replicou a tática fraudulenta do Banco Master, que também fazia descontos na folha de pagamento dos militares, como mostrou a Coluna do Estadão.
Um legado de Fachin para a reforma tributária, por Fernando Exman
Valor Econômico
STF quer evitar uma avalanche de processos capaz de dominar a agenda de 2027
O turbilhão no qual foi envolvido o Supremo
Tribunal Federal (STF) deixou em segundo plano uma iniciativa crucial de seu
presidente, o ministro Edson Fachin, para tentar reduzir o potencial
contencioso envolvendo a reforma tributária do consumo.
Poucos discordam que a aprovação da reforma, ocorrida após mais de três décadas de idas e vindas, foi um feito histórico. Ela deve finalmente simplificar o que se acostumou a chamar de “manicômio tributário”, o emaranhado de regras e impostos que por anos atrapalhou empreendedores e travou o desenvolvimento nacional.
A seis meses da reforma, CBS ainda é mistério, por Lu Aiko Otta
Valor Econômico
Calendário eleitoral é o motivo da demora, pelo que se fala nos bastidores
Faltando 191 dias para a estreia do novo
sistema tributário sobre o consumo, ainda não se sabe qual será a alíquota da
Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que começará a ser cobrada no dia 1º
de janeiro. Com isso, empresas não conseguem definir preços e estratégia para
2027.
O principal motivo da demora é o calendário eleitoral, pelo que se fala nos bastidores. Para calcular a alíquota da CBS, é preciso saber primeiro quanto será arrecadado com o Imposto Seletivo, também criado pela reforma e conhecido como “imposto do pecado”. Vai ser cobrado sobre bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, cigarros, veículos, aeronaves, produtos minerais e bets.
O homem que virou cinema, por Cristovam Buarque*
Alfredo Bertini deixa de ser organizador, articulador, arquiteto artístico e engenheiro financeiro para tornar-se o vento que conduzirá cada futura edição do Cine/PE
Alfredo Bertini faleceu durante cirurgia de transplante de órgão no terceiro dia da 30ª edição do Festival de Cinema de Pernambuco, que ele idealizou e realizou anualmente desde 1996. Se esse fosse o roteiro de um filme, o diretor seria acusado de falsificar a realidade para servir ao drama; a crítica diria que a vida do personagem — economista, cinéfilo, escritor, filósofo, pai de família, agregador de amigos e realizador do festival — seria suficiente para dispensar esse recurso teatral; os assistentes da 30ª edição do Cine/PE sentiram a emoção de viverem a realidade mais surpreendente do que a ficção a que assistiam na tela. Na sua 30ª edição, Bertini foi mais do que o organizador do Cine/PE, foi seu principal personagem.
200 anos do Congresso Anfictiônico do Panamá: passado e presente, por Gustavo Menon*
Correio Braziliense
O sonho ambicioso de criar uma "Pátria
Grande" latino-americana não prosperou. O quadro é de fragmentação
política, divisão social e desintegração econômica na América Latina
Em 22 de junho de 1826, iniciou-se, no istmo do Panamá, o Congresso Anfictiônico, convocado por Simón Bolívar como ápice das lutas de independência que buscavam transformar os antigos vice-reinos e colônias da América Latina em uma grande comunidade política. Tratava-se de mais do que uma conferência diplomática: era o momento de tentar materializar o ideal de uma confederação de repúblicas soberanas, capaz de defender a independência recém-conquistada e formular uma política comum de autonomia frente às potências da época. O diagnóstico do "libertador" era claro: sem união, a fragmentação política abriria caminho a novas formas de dominação externa. Bolívar estava preocupado com questões de vulnerabilidade e dependência das repúblicas recém-formadas diante do sistema internacional. Passados 200 anos, mesmo que com novas configurações, a inquietação persiste, em razão, por exemplo, de aberturas para a atuação de forças extrarregionais sobre o subcontinente.
terça-feira, 23 de junho de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
É preocupante a retirada de policiais cedidos a tribunais
Por O Globo
Supremo deve continuar preservado, ou haverá
interferência indevida em investigações que atingem o governo
Investigações contra corrupção no Brasil esbarram com frequência em obstáculos que contribuem para transmitir a sensação de impunidade. O exemplo mais citado costuma ser a Operação Lava-Jato, desmontada depois que vieram à tona erros processuais, em especial a ação coordenada entre magistratura e procuradoria — que levou à anulação da vasta maioria das condenações, mesmo de réus confessos, diante de provas irrefutáveis.
Dar emprego a todos que queiram trabalhar: uma utopia? Por Pedro Cafardo
Valor Econômico
Ano eleitoral é momento para pensar o Brasil além de questões econômicas de curto prazo, como inflação, juros estratosféricos e responsabilidade fiscal
Mais cedo ou mais tarde, não muito tarde, o
Brasil e outros países terão de enfrentar o problema do desemprego estrutural.
Vários fatores, principalmente as inovações tecnológicas, aceleradas pela
inteligência artificial (IA), indicam que o simples crescimento econômico não
será suficiente para gerar postos de trabalho que garantam ocupações dignas e o
sustento das famílias.
A despeito dos baixos níveis atuais de
desemprego, a informalidade é uma marca do mercado brasileiro, com 40 milhões
de trabalhadores, muitos deles iludidos pelo discurso do empreendedorismo.
A constatação da incapacidade de o sistema capitalista prover pleno emprego não é nova. O excedente estrutural de mão de obra sempre foi uma arma para redução de custos. Já nos anos 1960, o economista Hyman Minsky defendia a tese do “Estado como empregador em última instância”. Mas a constatação de que há uma emergência no enfrentamento desse problema fez ressurgir nos meios acadêmicos do país o debate sobre a criação de um Programa de Garantia de Emprego (PGE).
As chances de uma eleição de turno único em SP, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Saída de dois pré-candidatos da disputa
aumenta chances de reeleição de Tarcísio no primeiro turno deixam Lula sem
palanque no segundo
A desistência de dois pré-candidatos ao governo de São Paulo, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), faz da eleição em turno único o cenário mais do que provável no Estado que agrega 22% do eleitorado nacional. A perspectiva de enfrentar um 2º turno sem palanque em São Paulo, visto que as projeções de todos os institutos são de elevadas chances de reeleição do governador Tarcísio de Feitas, levou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a refazer as contas.
Amigos, amigos, eleições à parte. Saída de Wagner é dilema de Lula, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Escândalos raramente são
julgados pela gravidade objetiva dos fatos. Seu impacto depende da capacidade
de atingir simbolicamente o poder. Foi assim no mensalão e na Lava Jato.
A permanência do senador Jaques Wagner na liderança do governo no Senado é insustentável, não apenas pelo desgaste pessoal provocado pela Operação Compliance Zero, mas pelo risco crescente de que o Caso Master ultrapasse as fronteiras de uma investigação financeira e alcance o núcleo político do governo Lula. No Palácio do Planalto, a compreensão é de que o problema deixou de ser exclusivamente jurídico. Virou uma ameaça com potencial para influenciar a sucessão presidencial de 2026.
Onde está a magia do futebol brasileiro? Por Fernando Gabeira
O Globo
O futebol era o nosso principal recurso em
‘soft power’, era a forma pacífica de afirmar a influência nacional
Como a maioria dos brasileiros, sou
apaixonado por futebol. Isso me dá o direito de escrever sobre o tema, dentro
de certos limites. Perguntar, por exemplo, onde está a velha magia do nosso
futebol. O que fazer para recuperá-la?
No passado, sempre reagiam com um sorriso ao
saber que éramos brasileiros. Brasil? Ah, sim, Pelé, Garrincha, Rivelino. O
futebol era nosso principal recurso em soft
power, era a forma pacífica de afirmar a influência nacional.
Foi usado no Haiti, em 2004, para fortalecer o papel militar do Brasil na pacificação daquele caos que motivou a presença da ONU. Nossos craques desfilaram nos tanques que faziam o patrulhamento de áreas perigosas, como a favela Cité Soleil. Arrastaram multidões para saudá-los e agregaram simpatia às nossas tropas, que continuariam ali para patrulhar a turbulenta vida cotidiana.
Forma e conteúdo, por Merval Pereira
O Globo
Não se fala mais em fim da corrupção como
projeto de governo. É como se dissessem: como todos são ladrões, quem rouba
menos tem vantagem. Parece briga de crianças: “Foi ele quem começou”.
Os petistas agora fazem uma conta estranha: quantos bolsonaristas estão envolvidos no escândalo do Banco Master, e quantos petistas estão na mesma situação? Como se quem tenha menos indiciados ou investigados por corrupção leve vantagem sobre o outro grupo. Não se fala mais em fim da corrupção como projeto de governo. É como se dissessem: como todos são ladrões, quem rouba menos tem vantagem. Parece briga de crianças: “Foi ele quem começou”.
Juros, inflação e contas públicas, por Míriam Leitão
O Globo
Os economistas discordam sobre a elevação da
meta de inflação, mas concordam sobre a necessidade do ajuste fiscal de forma
urgente
É uma boa ideia aumentar a meta de inflação para 4,5%, em vez dos atuais 3%, ou essa é uma proposta inflacionista? O economista Sérgio Werlang, que implantou o sistema de metas de inflação em 1999, defendeu que seja elevada. Arminio Fraga, que era presidente do Banco Central quando foi adotado o sistema, discorda de Werlang. Prefere que se discuta o “alongamento da convergência”, ou seja, que o prazo para que a meta seja atingida seja maior do que os atuais 18 meses. Arminio teme uma crise de crédito. O economista Bráulio Borges me disse que a mudança da meta é a discussão que ninguém gosta de ter, e a chamou de tabu.
Esquerdista or not esquerdista? Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Lula dizer que ‘nunca foi de esquerda’ muda o quê, na eleição, nas Américas e no mundo?
Não é novidade o presidente Lula dizer agora
que “nunca foi esquerdista”, mas o local, o momento e o ambiente político da
América do Sul indicam que, desta vez, há uma clara intenção eleitoral, para
ficar bem com o grande capital no Brasil e no mundo. Logo, foi um movimento
calculado, em pleno G-7, o grupo dos países mais ricos.
Já em agosto de 2003, durante viagem à Venezuela, no seu primeiro mandato, Lula reagiu a uma pergunta minha com ênfase: “Em toda minha vida, nunca gostei de ser rotulado de esquerda e, quando me perguntaram se eu era comunista, eu respondi: ‘Sou torneiro mecânico’”.
Pactos, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
Ocaso Master estabeleceu a lama como arena
para a disputa eleitoral. Em curso a peleja por impor a própria versão sobre
quem estará mais enredado na teia vorcárica, reivindicada já a vantagem de ser
daquele grupo político com menos tentos no placar de contaminação por Daniel
Vorcaro.
Já era sabido que Jaques Wagner, expressão maior do petismo baiano, deitara-se na rede vorcárica. Não se sabia a que custo e com que extensão – segundo a Polícia Federal, tal e qual o de Ciro Nogueira, configurado outro mandato parlamentar instrumentalizado a serviço de interesses privados do banqueiro.
A onda azul da direita sul-americana vai levar o Brasil? Por Joel Pinheiro da Fonseca
Folha de S. Paulo
Há temas que estão em alta e que direitistas
souberam trabalhar melhor do que a esquerda
Movimento é pendular e, no futuro, veremos
outras 'ondas vermelhas'
Se o padrão ainda não era claro, agora,
depois Colômbia e
provavelmente o Peru elegerem líderes de direita, ele deve estar: uma onda de
direita está varrendo a América do
Sul. Quando Lula iniciou
seu mandato, Argentina, Colômbia, Peru, Bolívia e Chile tinham líderes de
esquerda. Hoje, ou já têm líderes de direita ou acabaram de os eleger.
É um movimento pendular. No futuro, veremos outras "ondas vermelhas". Por enquanto, o trabalho é tentar entender o que está por trás desse movimento à direita. Segurança, corrupção, economia, migração; temas que estão em alta e que a direita soube trabalhar melhor do que a esquerda.
Por una cabeza, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Eleição na Colômbia, a exemplo do que
ocorrera no Peru, é decidida por margem mínima de diferença
Polarização afetiva e ambientes de circulação
rápida de informações favorecem a volatilidade do eleitorado
Pelas apurações extraoficiais, Abelardo de la Espriella, o candidato da direita radical, foi eleito presidente da Colômbia. As pesquisas já indicavam que Espriella levava vantagem sobre seu rival no segundo turno, o esquerdista Iván Cepeda. O que surpreendeu foi o resultado apertado. Se os números da contagem prévia se confirmarem, o que normalmente acontece, Espriella venceu por uma diferença de apenas um ponto percentual (49,66% a 48,7%). Na Colômbia, os votos em branco são válidos, daí que o vencedor não precisa atingir 50%.
O país da 'generosidade excessiva', por André Borges
Folha de S. Paulo
Parlamentares comparecem ao Congresso
basicamente às terças e quartas-feiras
Magistrados e membros do Ministério Público
podem parcelar descanso em cotas de cinco dias
No país onde o fim da escala
6x1 é tratado como heresia por setores da economia, ameaça aos
empregos e ao crescimento do país, os homens da lei
e da Justiça deitam e rolam com seus 60 dias de férias, fora os
recessos, as licenças, as benesses e tudo o mais que a criatividade permitir.
É no Congresso, onde os recessos somam 55 dias por ano e parlamentares comparecem, basicamente, nas terças e quartas-feiras, que está o destino de quem labuta de segunda a sábado.
Como outros investigados, Jaques Wagner dá explicações vazias, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Tragado pelo buraco do Master, senador
petista vira dor de cabeça para projeto da reeleição
PF não para de investigar esquema de
corrupção montado por Vorcaro nem na Copa do Mundo
Jaques Wagner —a mais recente dor de cabeça da campanha petista à Presidência da República— não é da Bahia. É do Rio de Janeiro, nascido em 1951, no seio de uma família judia que fugiu do nazismo. Seu pai militou no Partido Comunista da Polônia. Com 15 anos, o filho começou a fazer política no movimento sionista e a ler Marx. Perseguido pelo regime militar, abandonou o curso de engenharia civil e se estabeleceu em Salvador, onde conheceu Lula nos anos 80, ajudando a fundar o PT. Em 2018, ele quase foi o candidato do partido ao Planalto.
Uberização: o marco global da OIT e o desafio civilizatório do STF, por Adenir Carruesco*
Correio Braziliense
A flexibilidade valorizada por muitos
trabalhadores não pode servir como salvo-conduto para a ausência total de
proteção social. É aqui que a ética deve guiar a interpretação jurídica
Em 1750, Jean-Jacques Rousseau alertava que o
progresso poderia esconder novas formas de servidão, ao tecer "grinaldas
de flores sobre cadeias de ferro". Mais de dois séculos depois, sua
metáfora parece descrever com precisão o trabalho em plataformas digitais.
As plataformas tecnológicas oferecem
conveniência, flexibilidade e autonomia aparentes. Seriam as novas
"grinaldas de flores"? Controles algorítmicos invisíveis, sistemas de
pontuação que determinam quem trabalha e quem fica de fora, jornadas exaustivas
disfarçadas de "horários livres" implicam em autonomia ou o
trabalhador descobre-se amarrando a própria coleira?
O Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Tema 1.291 ("uberização"), enfrenta o desafio de remover as grinaldas sem destruir a flor. A questão central é: podemos manter o pensamento maniqueísta, analisando apenas os extremos, entre relação de emprego típica (art. 3º da CLT) e relação autônoma, civil ou comercial? Ou será que se pode pensar em uma decisão que saia desse campo antagonista?
O homem apagado, por Rodrigo Craveiro
Correio Braziliense
Perto de nós existem outros como Vilmar.
Pessoas com nome e CPF, mas lançadas à margem da sociedade
Não era apenas um objeto. O homem largado sobre a cadeira de rodas era um ser humano. Repleto de sonhos, de frustrações. Quem sabe de amores perdidos ao longo da vida? Talvez por ser uma pessoa em situação de rua, o homem foi apagado aos olhos dos outros. Morreu dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Recanto das Emas, em circunstâncias que estão sendo apuradas. De repente, o homem deixou este mundo. Parou de respirar. O corpo, inerte sobre a cadeira de rodas, somente foi percebido tempos depois por uma mulher, enfermeira, que estava na sala de espera com o marido. Mas era tarde demais.
O Filme da Revelação, por Vagner Gomes*
segunda-feira, 22 de junho de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Congresso deve ao país respostas sobre o caso Master
Por Folha de S. Paulo
PF avança em investigações que mostram
relações de Ciro Nogueira e Jaques Wagner com a rede de Vorcaro
Presidente da Câmara recebeu favores,
enquanto o do Senado tem seu estado envolvido; regulação do lobby seria medida
moralizadora básica
A semana que passou trouxe novas e chocantes
evidências do envolvimento de parlamentares na rede de influência do
ex-banqueiro Daniel
Vorcaro, sem que as lideranças do Congresso
Nacional tenham esboçado uma reação à altura do escândalo.
O caso em apuração mais avançada pela Polícia Federal é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujas relações com o ex-controlador do Master eram conhecidas desde antes da quebra do banco.
Entrevista | presidente do PT: ‘Todos envolvidos no escândalo Master terão que se explicar’
Por Andrea Jubé – Valor Econômico
Presidente do PT, Edinho Silva diz que
decisão de deixar ou não a liderança do governo no Senado é decisão de Jaques
Wagner
O presidente nacional do PT, Edinho Silva,
disse ao Valor que
a operação da Polícia Federal (PF) que arrastou o líder do governo e quadro
histórico do PT, senador Jaques Wagner (BA), para o escândalo do Banco Master
não atingirá a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
Segundo o dirigente, que é coordenador-geral da campanha, Lula sempre cobrou a
investigação das denúncias contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e acrescentou
que o Master é “criação” do governo de Jair Bolsonaro. Sobre o afastamento de
Wagner da liderança, argumentou que a prioridade é a defesa do aliado, e que
deixar, ou não, o cargo será uma decisão dele, que terá o seu apoio.
Na área econômica, Edinho relativizou
declarações recentes do coordenador do programa de governo, José Sérgio
Gabrielli, que provocaram ruído com o mercado e com o setor produtivo. “Só tem
um condutor da política econômica, se chama presidente Lula. E o seu porta-voz
na economia, que é o ministro Dario Durigan”, afirmou.
Lembrando que o próprio Lula tem defendido a
expansão dos gastos públicos, mesmo com a trajetória de alta da dívida, o
dirigente ponderou que o presidente fala em meio a uma conjuntura de crise
econômica mundial. Argumenta que o déficit é “controlado”, e que isso não
significa acomodação, porque o governo vai buscar a responsabilidade fiscal e a
eficiência dos gastos.
A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:
A última linha de defesa da racionalidade se foi, por Bruno Carazza*
Valor Econômico
Novos argumentos contra a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central
Na semana passada expus minhas preocupações
com a possível aprovação da PEC nº 65/2023, que dá autonomia financeira,
orçamentária e administrativa ao Banco Central. A publicação do texto mobilizou
servidores do Bacen, inclusive amigos, que me procuraram para apresentar as
suas divergências aos riscos que apontei.
No artigo, embora tenha reconhecido as atuais limitações orçamentárias e de pessoal da autoridade monetária brasileira, destaquei os temores de que os superpoderes a serem concedidos pela PEC possam, no futuro, se converter em supersalários e irresponsabilidade fiscal.






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