segunda-feira, 25 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

‘Super El Niño’ exigirá preparo maior do Brasil

Por O Globo

Previsão é o fenômeno mais intenso nos últimos 140 anos, agravando cheias, secas e incêndios florestais

O Brasil precisa se preparar desde já para os efeitos nefastos do próximo El Niño, fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico que favorece eventos como secas severas, grandes incêndios florestais e tempestades devastadoras. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos e da Organização Meteorológica Mundial, da ONU, mostram que a probabilidade de ele ocorrer a partir do segundo semestre deste ano ultrapassa 90%. Segundo cientistas, poderá ser o mais intenso dos últimos 140 anos e foi apelidado “Super El Niño”.

Entrevista | Governo fecha hoje proposta para transição da 6x1, diz Guimarães

Por Andrea Jubé / Valor Econômico

Ministro relata preocupação com ‘pautas-bomba’, prioriza PL dos minerais no Senado e busca reconciliar Lula e Alcolumbre

Completando 40 dias no cargo, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou que o governo apresentará nesta segunda-feira (25) sua proposta para o tempo de transição do fim da escala 6 x 1. “Buscamos uma fórmula para que não haja dúvidas quanto à execução e o seu efeito imediato”, adiantou, em entrevista ao Valor.

Essa afirmação revela um impasse, porque o governo quer uma aplicação “imediata” da nova regra, enquanto os modelos propostos pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), sugerem transição de no mínimo dois anos, e no máximo cinco anos. Ele vai  apresentar o relatório na tarde desta segunda-feira (25).

Segundo o ministro, esse é o único ponto impedindo a votação da matéria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá se reunir ainda nesta segunda com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do tema, e buscar um consenso.

Guimarães também admitiu preocupação com as bombas fiscais em andamento no Congresso, mas diz contar com a pressão dos prefeitos para barrar esses projetos. Há receio com o texto sobre as dívidas dos produtores rurais, em discussão no Senado, que tem impacto de R$ 150 bilhões em 2027.

Tendo apenas dois meses até as convenções partidárias para concluir a votação de pautas de interesse do governo, ele citou como prioridades na Câmara a proposta de emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada e o projeto que cria subsídios para conter a alta dos combustíveis.

No Senado, onde o diálogo está interditado com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) após a rejeição do nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), ele queria ver aprovados a PEC da Segurança Pública e o novo marco dos minerais críticos.

Ele confirmou que está empenhado em recompor a relação de Lula com Alcolumbre. Ressaltou que é um processo demorado, que exige habilidade, grandeza, e instou os dois a exercerem o “perdão” cristão.

Ao mencionar o episódio da derrota de Messias, Guimarães tripudiou sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal adversário de Lula na sucessão presidencial. “Quando terminou aquela votação, Flávio disse que o governo acabou”, relembrou. “Pois três dias depois, o governo deu a volta por cima, e ele é que se acabou, que se enterrou no lamaçal do Banco Master”. Uma semana depois, Lula se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em agenda que melhorou a aprovação do governo.

Guimarães acrescentou que durante a campanha, o PT vai demonstrar que a crise do Banco Master, o “maior escândalo financeiro da história do Brasil, tem olho, rosto, braço, DNA: é a família Bolsonaro”.

O ministro ressalvou que a ligação de Flávio com o Master não pavimenta a eventual vitória de Lula nas eleições. Ao contrário, disse que esta será a eleição “mais radicalizada da história”, mas vê um salto na avaliação positiva do governo, com o Desenrola 2 e o fim da “taxa das blusinhas”. 

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Flávio Bolsonaro reforça discurso religioso em meio à desconfiança de lideranças evangélicas, por Beatriz Roscoe

Valor Econômico

Pastor Silas Malafaia tem sinalizado desembarque da candidatura e defendido, nos bastidores, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro

Com a imagem arranhada após a crise desencadeada pelo vazamento de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), tem buscado se ancorar na religião para tentar reverter danos. O movimento ocorre em meio à sinalização de lideranças evangélicas de descontentamento com os fatos que vieram à tona e diante da queda do senador nas pesquisas eleitorais.

Em vídeos publicados nas redes sociais, Flávio aparece citando passagens bíblicas, participando de cultos e usando personagens religiosos para buscar sair da crise. Em um aceno ao eleitorado evangélico, o senador também passou a intensificar discursos sobre “batalha espiritual” e perseguição política, associando sua trajetória à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Políticos horríveis tomam decisões péssimas, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Projeto de lei amplia a blindagem de partidos e estimula a má qualidade do Legislativo e do que ele aprova

Estamos cansados de reclamar da nossa classe política e dizer que os políticos não nos representam. “Você acha o Congresso ruim? É porque ainda não viu o próximo”, teria dito Ulysses Guimarães, com a experiência de quem exerceu o cargo de deputado federal de 1951 até a morte, em 1992.

Escândalos de corrupção vão mudando de escala ao longo do tempo, retrocessos econômicos, ambientais e sociais são aprovados e as reformas legislativas realmente necessárias quase sempre são adiadas.

Lula terá conversa definitiva com Rodrigo Pacheco sobre eleições em Minas Gerais, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Cúpula do PT acredita que esse assunto é página virada, porém, interlocutores de Lula, de Pacheco e lideranças do PT mineiro insistem que ainda falta um encontro de ambos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) na próxima semana para uma conversa definitiva sobre a eventual candidatura dele ao governo de Minas Gerais. A cúpula do PT acredita que esse assunto é página virada, porém, interlocutores de Lula, de Pacheco e lideranças do PT mineiro insistem que ainda falta um encontro de ambos e o posicionamento público do senador para o fim do impasse.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse ao Valor que Lula resolverá, pessoalmente, a chapa petista em Minas Gerais. E a presidente do diretório mineiro do PT, deputada estadual Leninha, confirmou que lideranças regionais da sigla continuam dispostas a apoiar o ex-presidente do Senado. "Se o Pacheco resolver vir, vamos juntos com ele", afirmou.

Vem aí o estelionato eleitoral, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Eis o resumo da coisa: as bondades eleitorais são dirigidas a beneficiários específicos; os custos recaem sobre todos

Não se trata apenas de roubalheira. O dinheiro público vem sendo utilizado legalmente em benefício de candidatos às próximas eleições. O movimento mais recente nessa direção teve senadores e deputados como protagonistas. Foram aprovadas leis que relaxam os controles aplicados no uso dos fundos eleitoral e partidário — formados, é bom que se registre, com dinheiro dos contribuintes.

Candidatos e dirigentes partidários também querem mais recursos para praticar bondades eleitorais. De que são eleitorais, não há dúvida. Bondades? Aí depende. Para cidadãos, setores ou empresas beneficiados, certamente. Para o conjunto do país, poderiam ser chamadas de maldades.

Por uma Primeira Emenda tropical, por Demétrio Magnoli

O Globo

‘O Congresso não poderá fazer nenhuma lei que restrinja a liberdade de expressão’, diz o texto

Diante das eleições, Lula vestiu a fantasia de Papai Noel, engajando-se na oferenda de presentes a diversos segmentos da população. O custo é pago pelo Tesouro, em casos como a derrubada da “taxa das blusinhas”. Noutros, paga-se o preço imaterial da supressão do princípio da liberdade de expressão. É nesse escaninho que se enquadra o decreto de regulamentação de redes sociais.

O ato presidencial atribui à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), do Ministério da Justiça, a prerrogativa de fiscalizar as plataformas de rede. Seu fundamento legal é a decisão do STF, de junho de 2025, que derrubou parcialmente o Marco Civil da Internet, obrigando as big techs a remover, a partir de notificação extrajudicial, postagens tidas como ilícitas. A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) da ditadura militar ganha novo nome.

O último camisa 10, por Preto Zezé

O Globo

Ele talvez funcione como espelho de um Brasil profundamente contraditório: talentoso e inseguro

A discussão sobre Neymar nunca foi só futebol. Talvez por isso provoque reações tão intensas e contraditórias. Há quem o veja como o último grande gênio do futebol brasileiro e há quem o transforme no retrato de tudo aquilo que incomoda no país: excesso de exposição, celebridade permanente, marketing, individualismo e hiperpersonalização. Talvez a força simbólica dele esteja justamente aí. Nunca coube numa definição simples, porque o próprio Brasil também nunca coube.

Por que tamanha estabilidade? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Votação simbólica no Congresso Nacional seria apenas falta de transparência?

A grande maioria das decisões tomadas nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal tem acontecido ao longo dos anos de forma simbólica e não de forma nominal, quando é possível identificar o voto de cada legislador. No ano de 2025, por exemplo, foram 420 votações simbólicas e apenas 215 nominais na Câmara. Já no Senado, foram 126 e 25, respectivamente.

Uma possível conclusão apressada desses números seria que os parlamentares implementam esse rito sumário e interpretado por muitos como pouco transparente para evitar desgastes e custos políticos junto a eleitores e grupos de interesse diante de votações controversas.

Essa explicação, embora intuitiva, talvez esteja apenas olhando para uma perspectiva superficial do problema.

Oito anos depois da onda antipolítica, senadores eleitos em 2018 enfrentam dificuldades para se reeleger, por João Pedro Pitombo

Folha de S. Paulo

Renovação parlamentar registrada na eleição passada não deve se repetir neste ano

Dos 54 senadores em fim de mandato, 18 anunciaram que não vão concorrer à reeleição

Quando as urnas foram abertas em outubro de 2018, uma sucessão de surpresas nos estados fez com que 46 das 54 vagas em disputa fossem conquistadas por novatos, sendo 10 deles nomes sem uma trajetória anterior em cargos eletivos.

Oito anos após a onda antipolítica que ascendeu com a Operação Lava Jato e com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, os senadores eleitos naquele pleito chegam ao fim do mandato em cenário desafiador.

Levantamento da Folha aponta que 18 dos 54 senadores cujo mandato se encerra em 2027 anunciaram que não vão concorrer à reeleição. Outros 3 seguem com a situação indefinida e 33 vão tentar renovar o mandato, parte deles enfrentando dificuldades em seus estados.

Senado será renovado em dois terços, com a eleição de dois senadores em cada unidade da federação. Neste ano, a disputa terá peso estratégico em meio a um cenário de tensões entre o Executivo, Congresso e Judiciário.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) atua para ampliar a bancada conservadora mirando o enfrentamento ao STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto o presidente Lula (PT) tenta conter o avanço da ala mais radical do bolsonarismo com candidaturas próprias e alianças nos estados.

Por que o impacto eleitoral da economia está diminuindo? Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Um candidato mal avaliado pode ganhar devido à arquitetura da escolha

A literatura também mostra que, quanto mais intenso o partidarismo, maior o viés

É muito comum, sobretudo em contexto de eleições, que se especule sobre o impacto da economia sobre o voto. O bordão "it’s the economy, stupid" (é a economia, estúpido) será repetido ad nauseam. Que a própria percepção da economia seja influenciada pela preferência partidária ou lealdade individual do voto das pessoas não é novidade. Desconsiderar que as pesquisas embutem este problema (a avaliação é endógena) leva recorrentemente a equívocos.

A potência do VAAR, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Complementação monetária é conquista dos movimentos sociais negros junto ao MEC

Não é segredo que a educação amplia oportunidades e reduz desigualdades

Em tempos de Copa do Mundo, aproveito para destacar a potência do VAAR.

Não, eu não estou falando do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), mas do Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR), uma complementação monetária do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) —principal fonte de financiamento da educação pública— repassada pela União a estados e municípios.

Conquista dos movimentos sociais negros junto ao MEC (Ministério da Educação), o montante total do VAAR equivale a R$ 7,5 bilhões em 2026. É dinheiro destinado a incentivar a melhoria da gestão escolar nas redes públicas de ensino que apresentem avanços na aprendizagem e na redução de desigualdades socioeconômicas e raciais.

Poesia | Em louvor da aprendizagem, de Bertolt Brecht

 

Música | Tito Madi - Chove lá fora

 

domingo, 24 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula não encontra limite em sua gastança eleitoreira

Por O Globo

‘Bondades’ se sucedem em ritmo desenfreado e deixarão conta altíssima para o próximo governo

A obsessão do governo em distribuir “bondades” para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até as eleições começou no ano passado e não parece ter fim. Basta acompanhar a sucessão de programas ou medidas de objetivo nitidamente eleitoreiro anunciadas em ritmo a cada dia mais frenético. Todos os governos costumam ampliar gastos às vésperas das eleições. Mas Lula parece não encontrar limites.

Em novembro, o governo sancionou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Em 12 março, voltou à carga eliminando impostos federais sobre importação e venda de diesel, usando a guerra no Oriente Médio como pretexto. Menos de duas semanas depois, retomou o Plano Brasil Soberano, com crédito barato do BNDES a empresas exportadoras. Mostrando estar disposto a agradar diferentes perfis de eleitor, em abril lançou novo pacote com isenção de combustíveis e ampliou em R$ 20 bilhões os recursos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, estendendo o foco à classe média. Também em abril, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou linha de financiamento a empresas do setor aéreo. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou R$ 10 bilhões em crédito para máquinas e implementos agrícolas, e Lula ampliou o programa para compra de ônibus e caminhões.

Entrevista| 'Timing do escândalo com Vorcaro foi bom para Flávio Bolsonaro, dará tempo de se recuperar', diz Marcos Nobre

Por Vinicius Mendes – BBC News Brasil, publicada em 22 de maio de 2026.

Em entrevista à BBC News Brasil, o filósofo e pesquisador Marcos Nobre afirma que terceira via é uma 'ilusão' e contesta a ideia de que exista uma polarização no país hoje.

Embora a revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, hoje preso, tenha afetado negativamente a campanha à Presidência do filho de Jair Bolsonaro (PL), ela não será suficiente para impedi-lo de chegar, competitivo, ao segundo turno das eleições de outubro.

A leitura do cenário atual pelo filósofo e cientista político Marcos Nobre, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), porém, não vai na direção de que a polarização calcifica os polos antagônicos de forma a blindá-los de crises como essa.

Ao contrário, seu argumento é que, na estrutura da divisão social que o Brasil vive hoje, Flávio lidera a coalizão que busca interromper políticas de redistribuição de renda iniciadas nos anos 1990.

Essa coalizão, conformada por uma parte da direita tradicional e da direita radical, tem angariado votos desde, pelo menos, a eleição de 2018 — e reúne muitas condições para seguir disputando o pleito desse ano, na avaliação de Nobre.

Para ele, embora a relação de proximidade de Flávio com Vorcaro prejudique sua imagem de alguma forma, não abala sua campanha.

"Além disso, o timing da crise foi bom para o Flávio, porque dará tempo de ele se recuperar. Tem muito tempo até outubro", diz Nobre em entrevista à BBC News Brasil.

Flávio conta, para isso, com um novo ator da política brasileira, na visão de Nobre: um partido digital. Este é eixo central de O partido digital bolsonarista, livro que ele lançará em junho, ao lado da cientista política Ana Cláudia Chaves, pelo Centro para Imaginação Crítica (CCI) do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é apontado por Nobre como o líder de uma coalizão distributivista, que tem o desafio de não ter mais como acomodar o conflito pela distribuição da riqueza como fazia antes: por meio de um acordo entre as classes sociais. Foi por isso que, no atual mandato, ele partiu ao confronto com o Congresso, aponta o filósofo.

Para Nobre, é por isso que a tentativa de criar uma "terceira via" para o pleito de outubro é uma "ilusão". "Ela é como um estacionamento em que as pessoas ficam ali esperando se vão para um lado ou para o outro. É uma ideia fantasiosa", afirma.

Confira os principais trechos da entrevista.

A difícil arte da frente ampla, por Luiz Sérgio Henriques

O Estado de S. Paulo

Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática

Um mergulho no imaginário das esquerdas, em plena modernidade, permite identificar a questão recorrente de alianças e frentes. Com quais aliados contar para reformar o capitalismo, segundo os socialistas, ou para derrubá-lo, segundo os comunistas? A relação entre esses dois irmãos-inimigos atravessou boa parte do século passado, apontando o caminho seja de derrotas fragorosas, seja de momentos de resistência e avanço.

O feroz antagonismo entre os irmãos assumiu tons retóricos contundentes. Por um lado, os comunistas eram acusados de ser adeptos de soluções violentas, inviáveis no Ocidente político; os socialistas, por seu turno, não passariam de traidores da revolução, quando não de fraudulenta ala “social” do fascismo.

Fantasmas do passado, por Merval Pereira

O Globo

Lula, assim como Bolsonaro fez, está fazendo “o diabo” com o dinheiro público, e se arrisca a receber uma herança maldita, verdadeira, dele mesmo

Todo governo “faz o diabo” para continuar no poder, como já admitiu a ex-presidente Dilma Rousseff, e essa é uma das várias razões para que a reeleição seja muito contestada, tanto aos governos regionais quanto à presidência da República. Lula, assim como Bolsonaro fez, está fazendo “o diabo” com o dinheiro público, e se arrisca a receber uma herança maldita, verdadeira, dele mesmo. Já a eleição para a Câmara e o Senado obedece a uma outra concepção. Quase ninguém lembra em que candidato votou na última eleição, e o que funciona mesmo são as máquinas eleitorais regionais que, na maioria das vezes, não coincidem com quem está no comando nacional.

Um presidente, dois Brasis, por Bernardo Mello Franco

O Globo

País que elegeu Lula em 2022 era bem diferente do que elegeu Lula em 2002, afirma cientista político Jairo Nicolau

O Brasil que elegeu Lula em 2022 era bem diferente do que elegeu Lula em 2002. A conclusão é do cientista político Jairo Nicolau, que analisa duas décadas de disputas presidenciais em “O país dividido”.

O livro cruza dados e esquadrinha pesquisas para examinar as mudanças no perfil e no comportamento do eleitor. “Para onde quer que olhemos, veremos profundas transformações”, resume o professor do CPDOC da Fundação Getulio Vargas.

Em 20 anos, o eleitorado ficou mais velho, mais escolarizado e mais feminino. Ao mesmo tempo, uma revolução tecnológica mudou a forma de receber notícias e acompanhar campanhas. O horário eleitoral na TV perdeu importância, e milhões de brasileiros passaram a se informar — ou a se desinformar — pelas redes sociais.

A semana da insensatez, por Míriam Leitão

O Globo

Em uma das semanas mais sombrias do Legislativo, Congresso impõe agenda de destruição ambiental e institucional

A pesquisa eleitoral chegou na sexta-feira mostrando os efeitos do abalo sísmico que atingiu o candidato da extrema direita e os dias se passaram com notícias sucessivas em torno de Daniel Vorcaro. Neste contexto, o Congresso passou a semana impondo ao país a agenda Bolsonaro no governo Lula. Na área ambiental, a Câmara aprovou medidas que reduzem o tamanho de uma estratégica floresta nacional, transferem para o Ministério da Agricultura atribuições do Ministério do Meio Ambiente, diminuem o alcance da tecnologia como parte da vigilância ambiental e abrem a porta para a destruição de campos naturais em todos os biomas.

O experimento, por Dorrit Harazim

O Globo

Atletas se submeteram a um intensivão de treinos e doping individualizados, sob supervisão de um corpo médico

Começa hoje em Las Vegas um experimento humano criado por um punhado de venture capitalists obcecados em retardar a finitude da vida — no caso, a deles em primeiro lugar. Batizado por seus fundadores de Enhanced Games (algo como jogos aprimorados, ou turbinados), o experimento em forma de competição esportiva reúne 50 atletas de alto rendimento que disputarão provas de atletismo, natação e levantamento de peso. Mas apenas as modalidades mais extremas e cintilantes desses esportes: a corrida de 100m rasos, os 50m e 100m nados livre e borboleta e o levantamento de até 510 quilos. Tudo movido a um inédito regime de doping declarado, com premiação milionária aos atletas-cobaias.

Quem será o Jair de 2026? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Jair Bolsonaro foi beneficiário dos escândalos em 2018; quem será o das denúncias em 2026

A inflação dos escândalos de presidenciáveis disparou de forma estratosférica em menos de dez anos, se comparados os valores envolvidos na prisão de Lula e nos pesadelos de Aécio Neves com os atuais de Flávio Bolsonaro, que mente, desmente e insiste na pré-candidatura à Presidência, mas abre uma janela de oportunidades para a direita tradicional.

Lula passou 580 dias preso no Paraná por um triplex no Guarujá que não estava em seu nome e onde não morava, nunca tinha morado e nunca iria morar. Por quanto o imóvel foi leiloado na Operação Lava Jato? Por R$ 2,2 milhões.

Entre escândalos e baixo crescimento, por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Bandidos atrapalham, mas o pior está mesmo na economia insegura longa duração

Milhões de Vorcaro, vexames de um candidato, doações eleitorais, influenciadora ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e pressões de Trump contra Cuba encheram o noticiário da semana no País, deixando em segundo, terceiro ou quarto plano as necessidades de um Brasil ainda atolado na estagnação. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, com expansão de 11,7% na agropecuária, 1,8% nos serviços e 1,4% na indústria, um setor sem o dinamismo observado nas três décadas finais do século passado. Além disso, o avanço de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) marcou uma forte perda de impulso em relação ao ano anterior, quando o crescimento chegou a 3,4%.

China se beneficia das crises dos EUA, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

A cúpula Xi Jinping-Vladimir Putin e os últimos movimentos de Donald Trump em relação ao Irã e a Cuba ampliaram os ganhos estratégicos da China em sua disputa por hegemonia com os EUA.

O presidente americano se vê obrigado a ceder discretamente nas negociações com o Irã, conforme se intensificam as pressões econômicas e políticas decorrentes do choque de energia causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A manutenção de um programa nuclear pacífico iraniano agora está sobre a mesa de negociações.

Para compensar a visível derrota, Trump volta a pressionar Cuba, cuja mudança de regime ele vê como um fruto ao alcance da mão – o que Binyamin Netanyahu o fez acreditar sobre o Irã.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se em Havana no dia 14 com o coronel Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro e responsável pela segurança do veterano líder revolucionário, com o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e o diretor da inteligência cubana, Ramón Romero Curbelo.

Lula atrai 29% do eleitorado de centro, contra 20% de Flávio, mostra Datafolha, por Fábio Zanin

Folha de S. Paulo

Pesquisa mostra que eleitor moderado se fragmenta; terceira via patina no segmento

Candidatos vêm tentando suavizar a imagem atrás dos votos centristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece mais bem posicionado do que Flávio Bolsonaro (PL) para receber o votos dos eleitores de centro, mostra a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (22).

Ao mesmo tempo, os pré-candidatos que se apresentam como "terceira via" ainda patinam no segmento dos brasileiros mais moderados.

'Dark Horse' abala Flávio Bolsonaro na direita, mas antipetismo é amortecedor no 2º turno, por Bruno Boghossian*

Folha de S. Paulo

Filho de Bolsonaro perde apoio em grupos evangélicos, no Sul e entre bolsonaristas que se declaram moderados

Senador mantém competitividade e continua recebendo votos de eleitores antipetistas em embate direto com Lula

O caso "Dark Horse" não derrubou Flávio Bolsonaro (PL), mas pode ter provocado um abalo em sua pré-candidatura justamente nos segmentos em que o filho de Jair Bolsonaro deposita suas fichas para tentar se diferenciar do pai e superar a derrota da eleição de 2022.

Os números da primeira pesquisa do Datafolha feita integralmente após a revelação dos diálogos de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro apontam que o escândalo não causou mais do que um soluço dentro do núcleo mais bolsonarista do eleitorado, que costuma defender o clã mesmo em seus momentos difíceis.

Uma demanda de limpeza ética, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Com os velhos caciques, o Rio de Janeiro era uma feitoria político-social; hoje, uma malfeitoria estrutural

Essa é a saga ominosa de 30 anos de governos cariocas finalizados na prisão

"Malandro demais se atrapalha", rezam as rodas de brasilidade, onde sabedoria é experiência vivida. Isso se revela na profilaxia administrativa operada pelo governo interino do Rio de Janeiro. Pode-se rir ou chorar ao tomar conhecimento, por exemplo, de que o ex-governador Cláudio Castro tinha criado uma Subsecretaria de Gastronomia, com nada menos do que uma "Superintendência de Demandas Cotidianas". E dirigida por ninguém menos que Pazuello, o general-ministro bolsonarista da pandemia.

O rachadão dos Bolsonaro no Brasil embalado pelo pancadão do debate ruim, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

A montanha de novos escândalos de Flávio pariu um rato nas intenções de voto

Discussão nacional segue ruim, entre planos 'Mais Coisinha' de Lula e barbárie da direita

A montanha de escândalos de Flávio Bolsonaro pariu um rato nas intenções de voto, como mostrou o Datafolha. A esta altura do campeonato eleitoral, era previsível. Falta alternativa para quem quer evitar Lula 4, entre outros motivos das profundezas da preferência pelos Bolsonaro. Faz tempo e até agora, o antilula tem uns 40% dos votos.

Não quer dizer que a situação não possa se alterar, para pior ou melhor, a depender do gosto do freguês eleitor. Os motivos deveriam ser óbvios e podem ser relevantes em disputa acirrada.

Flávio Bolsonaro na casa de Vorcaro, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

A única conclusão que não ofende a lógica é que o senador foi discutir sua situação diante de um escândalo que os dois sabiam que seria gigante

Um acordo explicaria a tranquilidade com que o senador falava do Master

Flávio Bolsonaro foi visitar o dono do Banco Master. Poucos dias antes da visita, Daniel Vorcaro havia saído da cadeia com tornozeleira eletrônica. No dia seguinte à visita, segundo o jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, Flávio foi anunciado como candidato à Presidência da República.

O que explica esse delivery de político golpista na casa de um banqueiro ladrão?

PL está enredado nos maus lençóis da família Bolsonaro, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A candidatura do primogênito do ex-presidente está em xeque, sentada na antessala da demolição

O partido que cresceu ao abrigo do clã, queda-se vendido em meio à incerteza sobre o que vem por aí

Jair Bolsonaro não é alguém que se caracterize por ter boas ideias. Uma delas, a de enfrentar a pandemia a golpes de negacionismo custou-lhe a reeleição; outra, a de montar uma rede de ilegalidades para ficar no poder, o levou à prisão. A mais recente, de fazer do primogênito candidato a presidente, está em xeque na antessala da demolição.

Poesia | A Rosa de Hiroshima, de Vinicius de Moraes

 

Música | Paulinho da Viola e a Velha Guarda da Portela

 

sábado, 23 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

O filme e a caneta

Por Revista Será?

O tabuleiro eleitoral do Brasil registrou uma importante inflexão nos últimos dias pelo efeito combinado do filme de Bolsonaro e da caneta do presidente da República, combinação que favorece a reeleição de Lula. Se, até outubro, não houver nenhuma grande surpresa no jogo eleitoral, o Presidente Lula da Silva tem tudo para ser conduzido ao seu quarto mandato. A candidatura de Flávio Bolsonaro tende a afundar depois da lambança que evidenciou a sua intimidade com o tóxico banqueiro Daniel Vorcaro, com a visita em prisão domiciliar e o pedido de dinheiro para financiar um filme que contaria a vida política do seu pai. Curioso que depois de toda incompetência de Jair Bolsonaro e do seu desastroso governo, o que vai desmontar o projeto de poder da família de extrema-direita é um filme que conta a sua lamentável biografia. E que estava sendo produzido para constituir uma peça de propaganda eleitoral de Flávio.

Master fere, mas não mata campanha do senador, por Vera Magalhães

O Globo

Revelação de pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro não inviabiliza candidatura de filho de Bolsonaro, e presidente abre frente modesta, mas polarização segue intocada

A revelação de que Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai feriu a pré-candidatura do senador do PL à Presidência, mas, passada uma semana, o estrago não é suficiente para inviabilizá-lo e obrigar o bolsonarismo a buscar um novo nome. Esta é a principal conclusão que se pode extrair da pesquisa extraordinária que o Datafolha realizou, menos de uma semana depois da divulgação de sua rodada regular, agora depois de o caso já ser amplamente conhecido.

O instituto voltou a campo na quarta e na quinta-feiras e, no intervalo de menos de uma semana, captou uma discreta movimentação nos cenários de primeiro e segundo turnos que têm Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente oscilou de 38% para 40% na simulação de primeiro turno, enquanto Flávio caiu de 35% para 31%.

Bolsonarismo vivo, por Flávia Oliveira

O Globo

Jair escolheu o filho e vai com ele, na vitória e na derrota

A relação — pessoal e financeira — do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro cobrou seu preço na pesquisa Datafolha pós-revelação do áudio e das mensagens pelo Intercept Brasil. À primeira vista, quem se beneficiou com o episódio foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na briga por um quarto mandato. De uma semana para outra, a distância entre o incumbente e o filho içado a candidato pelo pai condenado pela trama golpista aumentou de 3 para 9 pontos percentuais na simulação de primeiro turno. O bolsonarista perdeu competitividade, não posição. A pouco mais de dois meses da formalização das chapas, não parece haver fato capaz de tirar o Zero Um da disputa.

Cala-boca renasceu, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O Direito xandônico, perversor do verbo “atacar”, molda os costumes, tornado normal entre nós o recurso à censura prévia. O recurso à censura prévia, com seu custo depredador sobre a democracia, em nome da saúde da democracia. Censura prévia pelo bem, para sacrifício do ambiente garantidor das liberdades. Censura prévia do bem, claro. É o que aliados de Lula pedem formalmente ao TSE contra o filme-exaltação a Jair Bolsonaro: que não seja exibido antes das eleições, para proteger a pureza do nosso voto contra o perigo de a obra nos corromper – neste país em que milhões de pessoas votam sob o fuzil do crime organizado.

O mundo está se abrasileirando, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

O mundo rico começa a descobrir que estabilidade monetária não é algo permanente

O mundo rico passou décadas ensinando estabilidade monetária ao resto do planeta. Entre os anos 1990 e 2020 prevaleceu um ambiente relativamente estável – a chamada Grande Moderação – sem eliminar crises ou recessões. O que mudou naquele período foi a forma como os mercados passaram a reagir aos choques: após cada crise, inflação e juros tendiam a cair, enquanto bancos centrais estabilizavam o sistema com liquidez abundante. A crise de 2008 reforçou essa lógica. O problema atual é diferente.