Por Andrea Jubé / Valor Econômico
Ministro
relata preocupação com ‘pautas-bomba’, prioriza PL dos minerais no Senado e
busca reconciliar Lula e Alcolumbre
Completando 40 dias no cargo, o ministro da Secretaria de Relações
Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou que o governo apresentará nesta
segunda-feira (25) sua proposta para o tempo de transição do fim da escala 6 x
1. “Buscamos uma fórmula para que não haja dúvidas quanto à execução e o seu
efeito imediato”, adiantou, em entrevista ao Valor.
Essa afirmação revela um
impasse, porque o governo quer uma aplicação “imediata” da nova regra, enquanto
os modelos propostos pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA),
sugerem transição de no mínimo dois anos, e no máximo cinco anos. Ele vai
apresentar o relatório na tarde desta segunda-feira (25).
Segundo o ministro, esse é o único ponto impedindo a votação da
matéria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá se reunir ainda nesta
segunda com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB),
para tratar do tema, e buscar um consenso.
Guimarães também admitiu
preocupação com as bombas fiscais em andamento no Congresso, mas diz contar com
a pressão dos prefeitos para barrar esses projetos. Há receio com o texto sobre
as dívidas dos produtores rurais, em discussão no Senado, que tem impacto de R$
150 bilhões em 2027.
Tendo apenas dois meses até as
convenções partidárias para concluir a votação de pautas de interesse do
governo, ele citou como prioridades na Câmara a proposta de emenda à
Constituição (PEC) da redução da jornada e o projeto que cria subsídios para
conter a alta dos combustíveis.
No Senado, onde o diálogo está
interditado com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) após a rejeição do nome
do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo
Tribunal Federal (STF), ele queria ver aprovados a PEC da Segurança Pública e o
novo marco dos minerais críticos.
Ele confirmou que está
empenhado em recompor a relação de Lula com Alcolumbre. Ressaltou que é um
processo demorado, que exige habilidade, grandeza, e instou os dois a exercerem
o “perdão” cristão.
Ao mencionar o episódio da
derrota de Messias, Guimarães tripudiou sobre o senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), o principal adversário de Lula na sucessão presidencial. “Quando
terminou aquela votação, Flávio disse que o governo acabou”, relembrou. “Pois
três dias depois, o governo deu a volta por cima, e ele é que se acabou, que se
enterrou no lamaçal do Banco Master”. Uma semana depois, Lula se reuniu com o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em agenda que melhorou a aprovação
do governo.
Guimarães acrescentou que durante a campanha, o PT vai demonstrar que a crise
do Banco Master, o “maior escândalo financeiro da história do Brasil, tem olho,
rosto, braço, DNA: é a família Bolsonaro”.
O ministro ressalvou que a
ligação de Flávio com o Master não pavimenta a eventual vitória de Lula nas
eleições. Ao contrário, disse que esta será a eleição “mais radicalizada da
história”, mas vê um salto na avaliação positiva do governo, com o Desenrola 2
e o fim da “taxa das blusinhas”.
A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor: