*Montesquieu (1689-1755). ‘O Espírito das
leis’ (1748), Prefácio, p. 28. Editora Nova Cultura, 2005 (Tradução de Fernando
Henrique Cardoso e Leôncio Martins Rodrigues)
Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 19 de setembro de 2026
Opinião do dia – Montesquieu*
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Tempos sombrios
Por CartaCapital
O STF curva-se novamente ao golpismo
Foi um dia constrangedor, e não estamos aqui a ratificar a penitência calculada de Cármen Lúcia. Desde a nomeação a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, lá se vão 20 anos, a magistrada não decepciona, sempre enverga o mesmo figurino. Entre o aplauso e o cumprimento do dever, a opção pelo reconhecimento popular é impulso incontrolável. Após o pedido de desculpas “ao povo brasileiro” na terça-feira 15, desfecho de uma jornada deprimente, a ministra está liberada para frequentar, sem temor, a farmácia que tanto gosta de citar nas sessões plenárias. Talvez até ganhe um desconto extra. Sob o restante do País paira, no entanto, o cúmulo-nimbo. “Pior momento de erosão da imagem” do STF, afirma Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo e colunista desta revista, na reportagem “O caldo entorna”, à página 20. “Ratificar um relatório de origem duvidosa e um ministro que julga com suas próprias regras é abrir a porta do tribunal para uma nova aventura autoritária”, alerta Maria Inês Nassif à página 17.
E agora, para onde iremos? Por Marco Aurélio Nogueira
Revista Será?
A boa análise política e sociológica se
sustenta em alguns pressupostos “clássicos”: reconhecer e valorizar a
relevância das instituições mediadoras e compreender a organização das ideias e
dos interesses como fator essencial em sistemas democráticos representativos. A
democracia não funciona bem sem que o protagonismo individual – a liderança
personalizada – seja mediada por organizações (partidos) e instituições. Também
não pode se sustentar se as instituições que devem protegê-la se
inviabilizarem. A democracia não pode operar no vácuo, nem se submeter ao
capricho das partes, de seus agentes coletivos ou individuais.
Fora daí, estamos num terreno franqueado a aventureiros e livres-atiradores, cada qual com sua dose de egocentrismo, ferocidade e desinteresse público.
Soberania e cidadania em risco, por Oscar Vilhena Vieira
Folha de S. Paulo
Não podemos pôr em risco o direito
fundamental de determinarmos nosso destino
Na crescente desordem mundial, o poder bruto tem se imposto às regras internacionais
O Brasil se aproxima da mais dramática
eleição do ciclo democrático iniciado em 1988.
O que está em jogo não é apenas se o Brasil
migrará para a extrema direita, como têm feito alguns países vizinhos, ou
reafirmará a opção por uma aliança entre a centro-esquerda e o centrão.
Não se trata apenas de uma eleição em que se decidirá o destino da escala 6x1, do ajuste fiscal, da modernização tecnológica, da regulação da inteligência artificial, das leis ambientais, dos povos indígenas, da obrigatoriedade das vacinas, do Estado laico, da abertura de novos mercados ou do combate ao crime organizado. Todos esses são temas de máxima importância, que naturalmente dividem o eleitorado numa sociedade pluralista, e precisam ser arbitrados, sem violência, pelo processo eleitoral.
A estrutura não vota, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
São múltiplas as forças que influenciam o
comportamento do eleitor
Não há, porém, como isentá-lo de
responsabilidade pelos políticos escolhidos
Um dos problemas de nossa época é que nos enamoramos tanto de explicações estruturalistas que já quase não olhamos para ações individuais. O racismo e o machismo tornaram-se estruturais; a heteronormatividade e o capacitismo, institucionais; a pobreza é sistêmica. Não nego a importância de estruturas sociais, desenhos institucionais ou mesmo incentivos econômicos. Estudos científicos demonstram as consequências reais dessas forças.
Extrema direita agradece a autodestruição do Supremo, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Há pelo menos cinco ministros que escondiam
suas relações com Daniel Vorcaro
No pacote Master entram conchavos, interesses
não republicanos, traições, cinismo e corrupção
Nos projetos de destruição da democracia por
dentro, a luta contra o Judiciário é essencial. Em vez de fechar os tribunais,
usando a força, com "um cabo e um soldado", o autocrata atual age
para enfraquecer, aparelhar ou neutralizar a independência das cortes.
Exemplos não faltam de que a Suprema Corte é o alvo número 1: Hungria, Venezuela, Israel, Polônia, Turquia. A relação entre Executivo e Judiciário gera embates nos Estados Unidos, na Argentina, na Itália, na Colômbia, países que estão na rota do tsunami de extrema direita.
A erosão da autoridade do STF, por Juliana Diniz
O Povo (CE)
O que nos restou foi o testemunho de um
debate que teve pouco de valor jurídico e que mostrou o quão grave é a crise
ética que se abate sobre o STF como um todo. Levará muito tempo e um grande
esforço para reconstruir o plenário
A sessão do Supremo Tribunal Federal da
última terça-feira foi um melancólico momento histórico. Observamos, num
intervalo de horas, o ápice de um ciclo de decadência da corte suprema do país. Trata-se de uma
afirmação arriscada tanto política como eleitoralmente, mas é preciso admitir a
crise ética diante de nós.
Como tribunal composto por pares sem hierarquia entre si, o STF depende, para funcionar bem, mais do respeito tácito entre seus juízes do que do exercício da coerção por um presidente. Por isso, diante de uma disputa fratricida entre seus ministros, em que duas alas se mostram tão inflamadas, um presidente pode pouco, especialmente se se tratar de uma pessoa conhecida pela serenidade e fleuma, como o ministro Edson Fachin.
A multiplicação dos Dinos, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
O jurista Gilberto Morbach escreveu que, eleito Lula ou Flávio Bolsonaro, “cada um a seu modo” terminará “de destruir o tribunal e qualquer resquício de integridade e impessoalidade no sistema de Justiça”. Referia-se ao Supremo e à projeção de o próximo presidente lhe indicar quatro ministros.
A provocação, realista, implica avaliar quais
serão hoje os valores que compõem o critério para a escolha. Há uma premissa: o
STF como Congresso paralelo, em que o governo forma bancada para ter resolvidos
os seus reveses no Parlamento do orçamento secreto. (O Parlamento
do orçamento secreto que tem em Flávio Dino, líder do governo no Supremo, o tesoureiro – aquele que abre e fecha a torneira das emendas – e o carrasco, gestor xandônico de inquéritos mantidos como espada sobre a cabeça dos políticos.)
É desolador o Brasil virar refém do fanatismo religioso, por Flávia Oliveira
O Globo
São crescentes a intolerância e o ativismo
político em nome de Deus
A certa altura do segundo ato de “O Neguinho da Beija-Flor”*, biografia musical do cantor e compositor que se despediu da Marquês de Sapucaí em 2025, após meio século defendendo a mesma agremiação, um momento religioso comove. O artista, como sabemos, enfrentou um câncer no intestino em 2008. Tornou públicos diagnóstico e tratamento. No ano seguinte, recuperado, casou-se com Elaine Reis em pleno Sambódromo e, na sequência, conduziu a escola de Nilópolis por mais um desfile, de cima do carro de som, com o médico ao lado. No palco, Mãe Joana, a ialorixá narradora, comanda um ritual de candomblé pela saúde do protagonista; em seguida, duas mulheres evangélicas oram por ele; por fim, um padre católico reza.
Lula vai para o tudo ou nada, por Thaís Oyama
O Globo
Presidente pode — e vai — apertar todos os
botões a seu alcance, numa eleição em que um fio de cabelo pode separar o
vencedor do derrotado
Nesta eleição em que — entra pesquisa, sai
pesquisa — os favoritos na corrida presidencial continuam cabeça a cabeça, dois
movimentos podem romper esse equilíbrio: um tombo do desafiante Flávio
Bolsonaro ou uma recuperação do incumbente Lula. O presidente apostou no
segundo ao apertar o botão que Jair Bolsonaro já havia usado em 2022 — o reajuste
do principal benefício social do governo, desta vez anunciado a 17 dias da
eleição.
Lula, como sabem seus marqueteiros, arrisca-se a ter ganho apenas marginal com a medida, que acrescentará R$ 22,7 bilhões às despesas em 2027, a ser acomodados na marra no Orçamento, quem quer que vença. A maior parte dos beneficiários do Bolsa Família (53%) já vota no presidente. São os independentes que podem desequilibrar a balança. Mas esse segmento está concentrado na faixa que ganha entre 2 e 5 salários mínimos — fora, portanto, do alcance do benefício.
Não é pelos 20 centavos, por Eduardo Affonso
O Globo
Uma facção togada decidiu que está acima da
lei, e não há uma passeata, uma greve geral, um panelaço — nada
Rio de Janeiro, agosto de 1979. Uma multidão
segue rumo à Cinelândia,
exigindo anistia ampla, geral e irrestrita aos perseguidos pelo regime militar.
Na altura do Theatro Municipal, o estudante de arquitetura de 20 anos recebe
das mãos de um desconhecido a vara que sustenta uma das pontas de uma faixa de
protesto e a carrega até que o braço se canse, e ele a passe adiante. Ainda
levará quase seis anos para que a ditadura acabe, mas em poucos dias os
primeiros exilados começarão a chegar.
Fevereiro, Belo Horizonte, 1984. Nunca se saberá ao certo quantos estão ali, na Avenida Afonso Pena, no comício pelas Diretas Já. Funcionário do Banco do Brasil, 24 anos, ele está lá, prestes a ter sua primeira crise de pânico: é gente demais, impossível se mover — e maior que o desejo de enfim votar para presidente é o medo de morrer esmagado. Não morre, e o voto só virá cinco anos mais tarde — no candidato do Partido Comunista Brasileiro.
Previdência: eis a questão! (II), por Marcus Pestana
Brasília: nada de novo no front, por Murillo de Aragão
Revista Veja
Vivemos uma guerra de trincheiras, entre
gases tóxicos e artilharia
O que há em comum entre as guerras na Ucrânia
e no Irã e a crise institucional de Brasília? O fato de que ninguém sabe como e
quando vão terminar. Vivemos uma guerra de trincheiras na qual os soldados vão
e voltam entre gases tóxicos e fogo de artilharia, como na I Guerra Mundial. Os
avanços são medidos em escassos metros, mas o tiroteio é intenso.
Voltando à nossa novela, no fim de agosto a questão de Lulinha e Roberta Luchsinger dominou a pauta. Já na abertura de setembro, a suspensão do sigilo dos diálogos de Daniel Vorcaro desestabilizou uma Brasília já desestabilizada. Nem vale a pena citar rumores e boatos, já que, em tempos de crise, a verdade sempre anda escoltada por muitas mentiras, como disse certa vez Winston Churchill.
Fim de ciclo, por José Casado
Revista Veja
O Supremo perdeu o controle da crise na
República rachada por dinheiro e sexo
Fim de ciclo é o que sugerem as cenas
explícitas no plenário do Supremo Tribunal Federal, na última terça, 15. Foram
quase cinco horas de orgia de insultos ao vivo, na televisão, em tumulto
premeditado para impedir a abertura de investigação sobre o juiz Alexandre de
Moraes, suspeito de relações impróprias com o antigo dono do Banco
Master, Daniel Vorcaro, que está preso por trapaças em série no mercado
financeiro.
Foi, enfim, uma sessão “histórica” sobre o buraco “histórico” em que o Supremo se meteu — e que continua cavando. A manobra resultou num impasse favorável aos interesses imediatos de Moraes e aliados, os juízes Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. O custo do “triunfo”, porém, ultrapassou expectativas. Não resolveu, só adiou o problema da investigação. E reduziu muito as chances de uma ofensiva por nulidades processuais, do tipo que fez a felicidade, principalmente monetária, de protagonistas de histórias de corrupção como as desveladas na Operação Lava-Jato.
A lei e os sentimentos, por Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
Na crise do Judiciário, as redes sociais
escorregam nas veredas do pequeno fascismo da vida cotidiana
Na ressaca de uma derrota escabrosa do meu
Palmeiras, vitimado por um juiz de futebol, entendi que deveria alargar meus
horizontes e assumir o risco de falar dos tormentos que afligem os magistrados
incumbidos de aplicar a lei, sob os rigores da impessoalidade e independência,
não obstante as pressões da mídia e dos desvariados de todos os gêneros.
Começo com Montesquieu no Espírito das Leis: “O amor da igualdade e da frugalidade é extremamente estimulado pelas próprias igualdade e frugalidade, quando se vive numa sociedade em que as leis estabeleceram uma e outra. Nas monarquias e nos Estados despóticos, ninguém aspira à igualdade; isso nem sequer passa pela cabeça de ninguém: cada qual busca a superioridade. As pessoas de condição mais baixa não desejam dela sair senão para serem senhoras das outras. O mesmo ocorre com a frugalidade: para amá-la, cumpre fruí-la. Não são os que estão corrompidos pelas delícias que amarão a vida frugal; e se isso fora natural e comum, Alcibíades não teria conquistado a admiração do universo. Tampouco amarão a frugalidade os que invejam ou admiram o luxo dos outros: pessoas que só têm diante dos olhos homens ricos ou homens miseráveis”.
Dino salva o STF, por Aldo Fornazieri
CartaCapital
O pedido de vista dá uma chance ao tribunal.
Adiamento não é inação, mas construção de uma solução para a corte
A sessão do Supremo Tribunal Federal da
terça-feira 15 para examinar a pertinência da abertura de uma investigação
contra o ministro Alexandre de Moraes foi uma batalha campal entre dois grupos
em guerra, da qual o principal resultado foi a depredação do STF e sua ruína.
No meio dessa guerra entre dois grupos está a instituição, o poder da República
que deveria ser incólume a crises, impoluto, inatacável, pois ele tem o dever
de ser o guardião das leis e da Constituição e o administrador da Justiça
superior e última do País.
Nas guerras políticas e militares vale quase tudo. Nelas há uma degradação da dignidade humana, há uma redução da ação à instintividade violenta, há o uso instrumental da razão e a falência da moralidade. Na guerra do STF, só a ministra Cármen Lúcia se salvou, consignando a sua tristeza, o seu desalento e o seu pedido de perdão ao povo brasileiro.
Lavajatismo no Supremo, por Maria Inês Nassif
CartaCapital
O método entra pela porta da frente, pelas mãos do ministro Edson Fachin
O udenismo não veste bem a toga dos magistrados. O clamor popular (e o insuflado artificialmente, como na Lava Jato e, recentemente, pela Operação Compliance) não deve virar jurisprudência. A Justiça não precisa de aprovação popular, precisa ser justa. Não pode produzir atos que confrontem e colidam com o devido processo legal. É isso que um aflito ministro Flávio Dino tentou dizer ao plenário do Supremo Tribunal Federal, no momento em que o presidente da Corte, Edson Fachin, colocava em votação um relatório da PF, não se sabe de qual PF, trazido pelo terrivelmente bolsonarista André Mendonça, base para a abertura de um processo contra Alexandre de Moraes por improbidade administrativa.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Reajustar Bolsa Família não passa de ardil eleitoreiro
Por O Globo
Em 2024, STF decidiu que o aumento do Auxílio
Brasil durante a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro foi ilegal
Há um paradoxo incontornável na última “bondade” eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o reajuste no valor do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, para pagamento já entre o primeiro e o segundo turno. O próprio Lula, quando candidato à Presidência, criticou o uso da máquina pública na campanha à reeleição de Jair Bolsonaro, destacando a faceta eleitoreira do aumento de R$ 200 no então Auxílio Brasil. Quatro anos depois, preocupado com as pesquisas eleitorais, adota a mesma estratégia para tentar a vitória nas urnas.
Medo move o centro político diante da radicalização e da crise do STF, por Luiz Carlos Azedo
A 15 dias das eleições, o centro se move, porém
não caminha unido. Divide-se entre o medo da continuidade de Lula e o medo da
volta do bolsonarismo ao poder
A proximidade das eleições começa a provocar um movimento de placas tectônicas
no centro político. Liberais que rejeitam o governo Lula se aproximam do
presidente por medo de uma vitória da extrema-direita. Conservadores que
mantinham alguma distância do bolsonarismo ensaiam o voto útil em Flávio
Bolsonaro para impedir a reeleição do petista. Em ambos os casos, a decisão não
nasce da esperança, mas do medo.
Lula aposta todas as suas fichas na chamada “economia do afeto”, na feliz
expressão do historiador Alberto Aggio: programas sociais, aumento da renda,
proteção aos mais pobres e recuperação do poder de compra. O reajuste do Bolsa
Família, anunciado a poucos dias do primeiro turno, tornou-se a expressão mais
evidente dessa estratégia. O valor mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, com
impacto estimado de R$ 5,8 bilhões neste ano.
Assombrações eleitorais, por José de Souza Martins*
Valor Econômico
Estamos em face do imenso risco de que o eleitorado compareça à mesa eleitoral como rebanho, e não como assembleia de cidadãos
De certo modo, os vitoriosos das eleições de
2026 já estão escolhidos faz tempo. Resta saber se serão confirmados no voto
popular.
O que assombra é o caráter completamente
anômalo do processo eleitoral. É a pouca ou quase nenhuma mudança na posição
dos dois primeiros colocados na disputa pela Presidência da República por
causas opostas. Ambos com alto índice de recusa e com não tão alto índice de
opção eleitoral. O país à beira do abismo.
Isso não é normal. É normal investigar o ilícito na política, mas não é normal seguir o caminho do dinheiro suspeito e encontrar a religião, igrejas que aprisionaram Cristo no gazofilácio da coleta e da esmola. Até mesmo reduzido a diretor de agência bancária dentro do templo.
Quaquará quaquá: quem vai rir por último na eleição, por Andrea Jubé
Valor Econômico
Vice-presidente do PT, Washington Quaquá, levou às redes sociais suas críticas à estratégia eleitoral e à postura da coordenação lulista
Vice-presidente do PT e principal liderança
no Rio de Janeiro, mas alijado do restrito núcleo que toma decisões no partido
e na campanha, Washington Quaquá cansou de ser ignorado, e ao contrário de
outros petistas que se queixam em privado, levou às redes sociais suas críticas
à estratégia eleitoral e à postura da coordenação lulista, que se fechou ao
diálogo, e na sua visão, pode conduzir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ao abismo.
“O Flávio [Bolsonaro] vai para a televisão de dentro de um supermercado e fala da vida real, e nós, falando de terras raras”, criticou Quaquá em vídeo, citando o projeto que regulamentou a exploração dos minerais críticos, cobiçados por Estados Unidos e China. Lula quer falar de soberania, pauta que não seduziu o eleitor.
Eficácia eleitoral do reajuste do Bolsa Família é duvidosa, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Se o monstro previsto por Mano Brown sair à rua antes da eleição não é o reajuste do Bolsa Família que vai resolver
O precedente que preocupa o PT nunca foi o de
uma ação da oposição no TSE por uso eleitoral do reajuste do Bolsa Família a 17
dias da eleição. E não apenas por conta da impopularidade de um questionamento
do gênero. Ainda que o Tribunal Superior Eleitoral seja presidido por um
ministro indicado pelo ex-presidente Jair
Bolsonaro, Kassio
Nunes Marques, que está no meio do fogo cruzado no Supremo
Tribunal Federal, a eleição de 2022 ofereceu um precedente tranquilizador.
A contestação ao pacote de bondades eleitorais de Bolsonaro naquele ano não progrediu. Na mesma tarde em que o deputado Zé Trovão (PL-SC) acionou o TSE contra o reajuste, o ministro sorteado para relatar o recurso, André Mendonça, a rejeitou. Não deixou de ser uma resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, nesta quinta, o havia acusado de atuar como relator do Master no Supremo Tribunal Federal com interesse eleitoral.
Reajuste do Bolsa Família terá impacto maior no segundo turno, por César Felício
Valor Econômico
Aumento do pagamento do benefício não mira o
eleitor independente, pêndulo; o alvo é o eleitor cativo
Ameaçado de perder a liderança das pesquisas
nas sondagens do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se volta para suas
fortalezas. O anúncio do aumento
do pagamento do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 não mira o eleitor
independente, pêndulo, das periferias das grandes metrópoles do Sudeste, aquele
que em 2018 foi de Jair
Bolsonaro, em 2022 marcou Lula e agora se divide entre Lula e o
senador Flávio Bolsonaro (PL).
O alvo é o eleitor cativo. Do ponto de vista eleitoral, o que se pode esperar é
crescer em uma faixa em que o presidente já predomina.
Segundo a Quaest divulgada na segunda-feira, Lula está com 52% no Nordeste, região que concentra a maioria dos benefícios. Ficou neste patamar no último mês. Flávio oscila entre 19% e 20% e o dos demais candidatos entre 14% e 16%. Entre os eleitores apenas com ensino fundamental, Lula está com 44%, ante 25% de Flávio e 15% da soma dos demais. Também não há movimento relevante no último mês. De acordo com a BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira e única com um recorte específico para eleitores beneficiários do Bolsa Família, Lula tem 64% entre os recebedores do benefício, ante 20% de Flávio e 10% do restante. Ressalve-se que a pesquisa Quaest é presencial e a da BTG/Nexus por telefone.
Tudo menos STF, por Vera Magalhães
O Globo
Reajuste do Bolsa Família, ida a Nova York
para Assembleia da ONU e outras medidas em estudo visam mudar de assunto e
recuperar terreno perdido na disputa eleitoral
Lula tirou da cartola um reajuste do Bolsa
Família, colocou na incubadora um Desenrola 2027, está de malas prontas para
embarcar para Nova York para a Assembleia Geral da ONU a menos de duas semanas
da eleição e prometeu até caneta emagrecedora no SUS. Qualquer assunto serve
para virar a página da crise do
Supremo Tribunal Federal (STF). Só falta os ministros sairem do meio
do ringue e se tocarem de que o Palácio quer que voltem para atrás das
cortinas.
A quinta-feira mostrou que eles ainda estão no veneno. Flávio Dino autorizou investigação da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários de repasses feitos pelo Master à concessionária que opera cemitérios municipais de São Paulo. A decisão se deu na mesma ação em que apareceu a menção a um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, mas, ao abrir a investigação, Dino fez questão de frisar que ela não deve atingir o colega.
O paradoxo do Master, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro é
beneficiado por crise no STF
O escândalo do Banco Master pode dar votos ao
único candidato que tomou dinheiro de Daniel Vorcaro? É o que parece acontecer
na eleição presidencial, a julgar pelas pesquisas divulgadas nos últimos dias.
Dos 12 concorrentes, só Flávio Bolsonaro
figura como beneficiário direto do esquema. Ele é investigado pela Polícia
Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi
flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro, a quem chamava de “irmão”.
Ao ser questionado sobre o rolo, o senador simulou indignação: “É mentira! De onde você tirou isso?”. Quando ficou claro que o mentiroso não era o repórter, ele mudou de tom e alegou ter pedido patrocínio para o que descreveu como uma “obra-prima”.
Conversar é difícil, por Waldomiro J. Silva Filho*
O Globo
O comum é adotar uma posição dogmática e
assumir que nossas crenças, por serem nossas, são melhores e verdadeiras
Esta é a questão: somos, de fato, capazes de
conversar com quem discordamos? Não me refiro às conversas cotidianas, quando
trocamos informações, falamos sobre tempo e futebol. Essas conversas exigem que
compartilhemos, uns com os outros, um terreno simbólico comum relativamente
estável, tenhamos alguma confiança nas pessoas e a propensão a cooperar de
acordo com expectativas convergentes.
Estou me referindo às situações em que “terreno comum”, “confiança” e “cooperação” podem estar momentânea ou duradouramente suspensos ou ameaçados. Chamo isso de “conversas difíceis”. Surgem quando, entre interlocutores, há desacordo, dúvida persistente ou incertezas diante de uma questão para a qual ninguém tem resposta adequada para além das próprias convicções e crenças pessoais. Em geral, esses são casos em que o objeto da disputa é crucial para a vida civil, quando o tema é política, moral, economia, educação... enfim, sobre como devemos conduzir nossas vidas. Em sociedades abertas e plurais, esses são assuntos inescapáveis, mas as divergências acerca deles também são inevitáveis.
O efeito Xandão no STM, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Com crise no STF e Flávio eleito, golpistas vão sair da cadeia e manter patentes e privilégios
A enxurrada de notícias sobre relações do
Banco Master e de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo continua fazendo
vítimas (que deveriam ser réus) e isso tem um efeito colateral num outro
julgamento, este no Superior Tribunal Militar (STM): o da perda de patentes do
ex-presidente e de altos oficiais condenados pela trama do golpe.
O processo foi aberto em fevereiro e, naquele momento, a tendência era francamente pela perda de patentes de generais, do almirante Almir Garnier e do capitão da reserva Jair Bolsonaro, mas isso vem mudando ao longo dos meses. Primeiro, para poupar dois generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Agora, pode desandar para poupar todos.
Um Congresso capaz de reformar o STF, por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
No julgamento sobre as relações entre o
ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, o Supremo Tribunal
Federal (STF) demonstrou que é incapaz da tão desejada autocontenção.
Ao atropelar os ritos e a presidência da
Corte, Moraes e sua retaguarda – os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes –
deixaram evidente que o STF não consegue investigar e muito menos punir os seus
próprios membros.
O Supremo está cheio de questões estruturais das quais o caso Master é apenas um sintoma. O diagnóstico já feito por ex-ministros do próprio STF, ex-ministros da Justiça e outros especialistas. O principal problema é a sobrecarga.
Eleição ainda depende da loteria das facadas, do poder de vazar podres, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Mesmo com tumulto jurídico-policial, situação
de Lula no Datafolha parou de piorar
Campanha petista não sabe o que fazer para
tirar disputa do atoleiro imundo
Luiz Inácio Lula
da Silva reajustou o
valor do Bolsa Família
em 15%. É providência
eleitoreira, dirá qualquer pessoa que não esteja em coma ideológico,
mesmo que seja a favor da medida, pelo motivo que for. Para quem precisa de
auxílio de R$ 600, uns R$ 100 extras importam. Dá para uns dois quilos de carne
moída e umas quatro dúzias de ovos nos lugares mais pobrezinhos do Brasil.
O resultado eleitoral, porém, é incerto. Vai dar tempo de fazer efeito? Um possível ganho marginal entre os beneficiados, na larga maioria já eleitora de Lula, pode vir a ser descontado por indignações de eleitores "nem-nem" (nem luliano, nem bolsonariano). Quem sabe não comova a pessoa necessitada, que viu a inflação comer seu auxílio durante Lula 3 quase inteiro.
Para Lula, é melhor que falem de Bolsa Família do que de Moraes, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Custo de R$ 22,7 bilhões do reajuste do
programa em 2027 ficará com o próximo presidente eleito
Reajuste dá sinal de que bateu o desespero
com chance de Lula ser derrotado por Flávio Bolsonaro
Se o presidente Lula (PT) tinha planos de
fazer o reajuste
do Bolsa Família antes das eleições
presidenciais deste ano, deveria ter se planejado mais e melhor.
A 17 dias do primeiro turno, o sinal que a
campanha do PT passa com o anúncio do Palácio do Planalto de uma correção de
15% do benefício é o de que bateu o desespero com a possibilidade de Lula
perder a reeleição para o seu quarto mandato.
Se o reajuste fosse planejado, teria sido comunicado antes, para que tivesse mais tempo para fazer efeito. O novo valor, no entanto, começará a ser pago em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno.
A materialização do absurdo, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Enrolado no caso Master, Flávio Bolsonaro se
beneficia do escândalo no Supremo
Governo Lula apela a populismo com reajuste no Bolsa Família, o que prejudica o próprio governo
O surrealismo às vezes se impõe, mas o Brasil
faturará o troféu André Breton
de Materialização do Absurdo se se confirmar um cenário em que a crise no STF
leve à eleição de Flávio
Bolsonaro.
Ora, a causa principal do esfacelamento reputacional da corte constitucional é o envolvimento de vários ministros com o ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Dos dois principais candidatos à Presidência da República, há apenas um comprovada, direta e profundamente enrolado nas tramas do Banco Master. Seu nome é Flávio Bolsonaro. Ofende a lógica que ele seja eleitoralmente beneficiado pelo escândalo no qual está metido. Mas um dos problemas da democracia é que ela não necessariamente se curva à lógica.
Supremo erode a própria moral de julgador, Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Ao STF hoje não importa o mérito das
questões; interessa as conveniências dos magistrados em litígio
Corte deixa de ser porto seguro na resolução
de conflitos para se transformar em fonte geradora de atritos
Tenha a eleição o resultado que tiver, seja
eleito quem for, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um
encontro marcado com a legitimidade para discernir entre culpas e inocências.
A sessão de terça-feira (15) pôs a nu o que já se sabia, mas o arraigado sentimento de respeito à Justiça resistia em admitir: ao STF hoje não importa o mérito das questões; interessa, antes, o quanto os argumentos atendem às conveniências dos magistrados em litígio.
Eu e o comunismo, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Se uma tartaruga morder o dedão do pé de
Bolsonaro é porque deve ser comunista
Como posso ser comunista se sou fã de John
Wayne, do Popeye e da Doris Day?
Meus leitores bolsonaristas –a quem agradeço pela fidelidade com que não perdem o que escrevo neste espaço-- costumam me honrar com a pecha de comunista. Não que me envaideça dessa classificação, porque, para eles, se uma tartaruga morder o dedão do pé de Jair Bolsonaro no quintal de sua luxuosa prisão domiciliar, será uma tartaruga comunista. Como deve haver tartarugas de todas as cores políticas, não posso falar por ela, mas, no meu caso, lamento decepcioná-los. Não sou nem nunca fui comunista. Sou Flamengo, o que me satisfaz com sobras em matéria de fé ideológica, partidária e religiosa.
Datafolha: Lula tem 46% e Flávio, 44% no segundo turno, por Joelmir Tavares e Lilian Venturini,
Valor Econômico
Cenário é de estabilidade e candidatos seguem em situação de empate técnico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem
46% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 44% em eventual
segundo turno entre os dois, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta
quinta-feira (17). O cenário de empate
técnico repete os percentuais alcançados por ambos nos
dois levantamentos anteriores do instituto.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais,
para mais ou para menos. No primeiro
turno, o quadro também é de empate técnico: Lula marca 39%,
enquanto Flávio aparece com 36%. Na rodada da semana passada, o candidato do PT
atingia os mesmos 39%, enquanto o do PL tinha 35%. A oscilação do senador
ocorreu dentro da margem.
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre terça (15) e esta quinta-feira. Na terça, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve uma conturbada sessão para discutir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. O levantamento também é o primeiro feito pelo Datafolha após a revelação de que Flávio é alvo de uma investigação no caso do financiamento do filme "Dark Horse" pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.
Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 1º e 2º turnos, por Igor Gielow
Folha de S. Paulo
Na primeira rodada, sob efeito da crise no
STF, petista teria 39% e senador, 36%
Já no tira-teima da disputa testado pelo
instituto, Lula tem 46% e Flávio, 44%
O novo levantamento do Datafolha sobre
a corrida presidencial, feito em meio à turbulência institucional da crise
no STF (Supremo
Tribunal Federal), traz Lula (PT) com
39% das intenções de voto em primeiro turno, ante 36% de seu principal rival, o
senador Flávio
Bolsonaro (PL).
Há
uma semana, o presidente marcava 39% e o filho do seu antecessor Jair
Bolsonaro, 35%.
Na simulação de segundo turno agora, Lula segue com 46% e Flávio, com 44%, empate técnico na margem de erro de dois pontos para mais ou menos.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Método usado por Gilmar e Dino é o tumulto processual
Por O Globo
STF ainda pode recuperar papel crucial na
democracia desde que autorize investigação de Moraes
A sessão de terça-feira passada deixou uma mancha indelével no Supremo Tribunal Federal (STF). Não pela atuação de seu presidente, ministro Edson Fachin, nem dos ministros Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia, que encaminharam seus votos na direção da transparência e do império da lei. Mas pelo comportamento dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes. Com oratória grandiloquente de província, fingindo uma indignação a que o pior ator emprestaria mais credibilidade, os dois lançaram mão de manobras e filigranas processuais com um só objetivo: deixar o ministro Alexandre de Moraes impune, a salvo até mesmo de uma investigação inicial.




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