terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit do governo, inadimplência das famílias

Por Folha de S. Paulo

Número de endividados segue crescendo e atinge patamares recordes, mesmo com desemprego em baixa

Aumento desordenado de despesas sob Lula gera aumento da taxa básica de juros, o que encarece o crédito para o setor privado

Não há resolução simples para a persistente alta do endividamento e da inadimplência de famílias e empresas. Com o custo do crédito em patamar elevado, ante de uma taxa básica de juros de 15% anuais, dívidas viram armadilha, mesmo com desemprego baixo.

O fim da escala 6 por 1, a “economia do afeto” e a reeleição de Lula. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Governo e partidos da base do presidente Lula já disseram ser favoráveis a uma redução da jornada de trabalho, mas dificilmente a jornada de 4 x 3 será aprovada

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou, ontem, o envio da Proposta de Emenda da Constituição (PEC) que põe fim à escala 6 x 1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Admitida a constitucionalidade, será formada uma comissão especial para ouvir economistas, empregados e patrões para se chegar a uma mudança “com equilíbrio e responsabilidade”.

“O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, disse Motta, que aglutinou os projetos da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que acaba com a escala 6 x 1, e um texto apresentado pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sobre o mesmo assunto. A redução da jornada de trabalho é música aos ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aposta na “economia do afeto” — a essencia do lulismo, na feliz expressão do historiador Alberto Aggio– para se reeleger.

Reconstruir seguranças laborais, tarefa contra o vale-tudo. Por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Há enorme controvérsia sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos

Amélia, de 65 anos, saiu de casa para ir ao supermercado caminhando em uma rua de Pinheiros, em São Paulo, por volta das 18 horas. Era uma quinta-feira de verão, e o sol ainda iluminava a cidade. Vários motociclistas passavam em alta velocidade até que um deles, com um colega na garupa, parou ao lado da mulher:

“Passa o celular aí, vovó!”, ordenou, sem descer da moto.

“Não tenho celular, pode ver”, respondeu a trêmula senhora, mostrando a bolsa para o carona que parecia ter uma arma na mão.

“Então passa aí o cartão, e na próxima vez não esqueça o celular”, disse o motoqueiro ao empurrar a mulher e partir com o cartão no bolso.

A intrincada costura de Lula na troca do vice. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A remontagem da chapa presidencial vai muito além da troca de Alckmin por Renan Filho e passa pela digestão do MDB

Com a afirmação de que o vice-presidente Geraldo Alckmin tem um papel a cumprir em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou do bastidor a especulação sobre a remontagem de sua chapa. Trazer o debate à luz do dia, porém, não é suficiente para desinterditar os dois principais problemas trazidos pela saída do PSB e a entrada daquele que, hoje, é o partido mais provável para substituí-lo, o MDB.

Tirar Alckmin da chapa não é o problema. O nó é fazê-lo disputar o governo de São Paulo. Hoje o maior projeto do PSB é eleger o prefeito do Recife, João Campos, ao governo de Pernambuco. Para isso, o partido quer o apoio lulista e não a neutralidade defendida pela atual governadora, Raquel Lyra (PSD). Em 2010, Lula apoiou tanto o pai de João, Eduardo Campos, que se elegeu, quanto o senador Humberto Costa, que ficou em terceiro lugar, atrás do deputado federal Mendonça Filho (União-PE).

‘Balcão de negócio’. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sob tiroteio, STF julga nesta semana ação contra ‘balcão de negócio’ no TCU

A intervenção política em órgãos públicos de governança e fiscalização vem crescendo de governo a governo e não é exclusividade da direita ou da esquerda, mas comum a quem tem a caneta e o poder nas mãos, independentemente de ideologia e, invariavelmente, contra os interesses do País.

Os primeiros governos de Lula já não foram exatamente reverentes à autonomia de bancos públicos, agências reguladoras e fundos de pensão de estatais – sem falar na Petrobras. Veio Jair Bolsonaro e meteu a mão na Polícia Federal e PRF, Receita, Coaf, Abin e Ibama – sem falar nas Forças Armadas.

Master em todo lugar. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A Polícia Federal foi às ruas, na sexta, contra traficâncias cometidas na Amprev, a gestora do regime previdenciário do Amapá – que despejou R$ 400 milhões no Master e que era dirigida por Jocildo Silva Lemos, nomeado em 2023 sob ordem de Davi Alcolumbre, de quem fora tesoureiro em 2022.

Na quinta, véspera da operação, em entrevista ao UOL, Lula disse: “Nós vamos a fundo nesse negócio. Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB?” O presidente – não seja maledicente – desconhecia a operação que a PF faria no dia seguinte. Tratou-se apenas de quando o discurso eleitoral – que tenta associar “a falcatrua” à direita – coincide com o que será a atividade policial. Acaso.

A China e a América Latina. Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

No caso do Brasil, a nova política externa dos EUA não colocou em questão as políticas do governo brasileiro em relação a Pequim

Em novembro passado, poucos dias depois da divulgação da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA – na qual a América Latina aparece como a principal prioridade de Washington –, o governo chinês anunciou uma nova política para a região.

O documento apresenta três aspectos: 1) a América Latina como uma terra cheia de vigor e esperança; 2) as relações da China com a América Latina em desenvolvimento vigoroso; e3) o trabalho conjunto para implementar os “programas para a formação de uma comunidade com futuro compartilhado”.

O conhecimento e o seu poder transformador. Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A grande transformação da economia chinesa nas últimas décadas é fruto do trabalho de pesquisa nas principais universidades do país

Não surpreenderia se, em algum momento, a norteamericana Harvard e a britânica Oxford, duas das mais renomadas universidades do mundo, fossem igualadas ou superadas em termos de prestígio, produção acadêmica, qualidade de ensino ou por outro critério de avaliação. O que surpreende em recentes classificações internacionais é a avassaladora presença de instituições chinesas na lista das melhores. Em algumas classificações, das dez mais importantes universidades do mundo, as chinesas ocupam oito posições, inclusive as primeiras. Numa delas, mostrada em matéria do The New York Times publicada pelo Estadão na semana passada (O avanço das universidades chinesas, 3/2/26, C6 e C7), Harvard aparece na terceira posição; Oxford ficou fora da lista. A primeira é a Universidade de Zhejiang; há duas décadas, ela aparecia só na 25.ª posição.

Jogo de máscaras. Por Merval Pereira

O Globo

Lula mantém negociações políticas com partidos do Centrão, e Flávio não se distancia dos radicais bolsonaristas

O chamado à guerra feito por Lula para a militância do PT no fim de semana reflete a redução do espaço político de sua candidatura, enquanto o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, procura vender uma imagem de moderação que lhe amplie o eleitorado para além do radicalismo bolsonarista. Os dois sofrem alta rejeição justamente pelo receio de que representem o extremismo político que encarnam. O presidente Lula, ainda visto como comunista por boa parte do eleitorado oposicionista, e os Bolsonaro, que custarão a se livrar da pecha de golpista que levou o patriarca à cadeia.

A folia dos supersalários. Por Fernando Gabeira

O Globo

Vamos ver como o carnaval filtra tudo isso para que mergulhemos de novo num ano eleitoral

Quando menino, o carnaval era uma festa de acasalamento: Ai, morena/ Seria meu maior prazer/ Passar o carnaval contigo/ Beijar a sua boca e depois morrer.

Aos olhos do adulto, o carnaval é apenas um filtro político. Que enredos sobreviverão a ele, quantos escândalos ainda serão lembrados, pois, no Brasil, depois do carnaval é que começa o ano, com seu sabor de novidade. Algumas CPIs já estão no final, como a do crime organizado e a do assalto aos velhinhos do INSS. Seu último esforço é se agarrar à cauda do cometa, o escândalo do Banco Master.

Refazer o FGC e superar a crise. Por Míriam Leitão

O Globo

Master: mesmo com cinco anos de antecipação, bancos ainda teriam de cobrir metade do rombo de R$ 60 bilhões

O Banco Central pode vir a concordar com os bancos que estão pedindo o uso dos depósitos compulsórios como parte do que eles têm que recolher ao Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo do Banco Master. Mas o buraco é maior e a solução mais complexa do que parece. Juntando o Master, Will Bank, Letsbank e mais as linhas de assistência de liquidez que o Master acessou no Fundo, o valor chega a R$ 60 bilhões. Mesmo que os bancos antecipem cinco anos de prestações ao FGC dá apenas metade do necessário.

O pesadelo do ChatGPT. Por Pedro Doria

O Globo

Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande

É possível que 2026 seja o ano em que a OpenAI perca a liderança na corrida da inteligência artificial. Caso essa crise faça a empresa tropeçar, uma consequência importante será o temido estouro da bolha das empresas de tecnologia. Hoje, segundo o JPMorgan, as ações relacionadas à IA representam 44% do valor de mercado no índice S&P 500, algo próximo de metade do dinheiro investido na Bolsa americana. Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande. Então por que a desconfiança com a OpenAI? As razões são algumas.

Pode o amor de Bad Bunny vencer Trump? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

A mensagem do cantor se encaixa perfeitamente no tom dos protestos pacíficos em Minneapolis

Maior erro estratégico para os defensores dos imigrantes latinos seria partir pra violência ou chamar o povo para a guerra

Quem esperava um gesto revolucionário de Bad Bunny em pleno Super Bowl se decepcionou. Contra a divisão, a truculência da polícia imigratória e o preconceito antilatino do governo Trump (jamais mencionados), o cantor não conclamou para a guerra, não pediu a queda do governo e nem mesmo o fim do ICE.

Sua mensagem, escrita num outdoor caso não ficasse óbvia o suficiente em meio à celebração da sensualidade latina: "A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor". Entoou até mesmo um "God bless America" ao fim do show, mas de uma América inclusiva, grande: o continente americano com todos os seus países, e não apenas os Estados Unidos. Todos juntos, unidos em harmonia e respeito.

À espreita. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Cordão sanitário funcionou e portugueses rejeitaram ultradireita na Presidência

Radicais têm ascensão meteórica quando eleitores descobrem que não estão sós

Por dois terços dos votos, os portugueses elegeram o socialista moderado António José Seguro para a Presidência do país, dando um sonoro "não" ao ultradireitista André Ventura, do Chega. Funcionou aqui o cordão sanitário. As principais forças políticas do país, tanto à esquerda como à direita, se uniram no segundo turno para impedir que um candidato da direita radical vencesse a disputa. Em Portugal, quem governa é o premiê, mas o presidente tem poderes relevantes, como o de dissolver o Parlamento e vetar leis.

Disputa entre Michelle e Flávio impactará bolsonarismo no Congresso. Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Distanciamento de evangélicos tende a reduzir influência do clã

Michelle ajuda a justificar Bolsonaro como parte de um plano divino para o país

Uma mulher tomou para si o papel de denunciar o nepotismo dentro do clã Bolsonaro. Depois de chamar Nikolas Ferreira —e não Flávio— de líder da direita, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou apoio à candidatura de Carol de Toni ao Senado, por Santa Catarina, contrariando a indicação de Carlos Bolsonaro para a vaga.

Há muito em jogo para Michelle neste ano. A decisão de Tarcísio de Freitas de disputar o governo de São Paulo —e não a Presidência— a afetou diretamente. Ela era apontada como possível candidata a vice em uma chapa considerada mais competitiva do que a encabeçada por Flávio.

Oposição flerta com o abismo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se não abrir o olho e ficar esperta, direita pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo

Lula canta vitória na retórica, mas trabalha consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral

Se a direita não ficar esperta, se insistir em confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo. Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo.

É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni —ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local.

Com penduricalhos, Carnaval dos Poderes dura o ano todo. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Farra com pagamentos extras tipo auxílio-peru custa R$ 20 bilhões aos cofres públicos

Ministro Flávio Dino, do STF, suspende supersalários e compra uma briga grande

Depois de contar a história da "alta funcionária" que havia entrado no serviço público de "paraquedas" (quer dizer, valendo-se de algum favor político), o cantor Blecaute esperava o breque da Orquestra Tabajara para concluir: "Que grande vigarista que ela é".

Gravada em outubro de 1951, "Maria Candelária", marchinha de Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, tornou-se um dos grandes sucessos do Carnaval do ano seguinte. É uma daquelas músicas que, se pescadas no rio do tempo e escaladas para embalar um bloco de hoje, ressurgem sem rugas no rosto e de corpinho enxuto, como se tivessem sido compostas ontem.

Poesia | Belo Belo, de Manuel Bandeira

 

Música | Brasil, chegou a vez

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Benefícios das fintechs superam os malefícios

Por O Globo

Competição aumentou, serviço melhorou e juro caiu, diz estudo do FMI. Mas é preciso regulação forte

Nos últimos tempos, as fintechs têm frequentado o noticiário mais pelos vícios que pelas virtudes. Normas brandas adotadas pelo Banco Central (BC) resultaram em consequências indesejadas. O crime organizado explorou brechas para usar as fintechs em atividades ilegais. Como elas não obedeciam às mesmas regras exigidas de bancos, houve aumento no risco sistêmico e questionamento sobre competição desleal. O próprio escândalo do Banco Master mostrou como o incentivo aos novos empreendedores financeiros pode engendrar problemas de proporções colossais. Mas é preciso saber pôr tudo isso na devida perspectiva. Vários estudos internacionais têm constatado efeitos positivos das fintechs no mercado de crédito brasileiro.

A economia que não se pode adiar. Por Mônica Sodré

Valor Econômico

A inserção internacional do Brasil precisa ser mais proativa e estratégica, com uma visão mais contemporânea sobre comércio internacional

O Brasil de 2026 enfrenta uma encruzilhada silenciosa, mas decisiva. Enquanto o debate público se concentra nos indicadores de curto prazo e em escândalos, cinco transições estruturais - climática, energética, digital, geopolítica e corporativa - redefinem as regras do jogo econômico global. Nossa capacidade de antecipá-las e gerenciá-las determinará não apenas taxas de crescimento, mas nosso lugar no mundo das próximas décadas.

Canetada não é solução para supersalários. Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Liminar do ministro Flávio Dino é corajosa, mas está longe de resolver as imensas distorções salariais no setor público

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou comoção quando, na última quinta-feira (05/02), concedeu liminar determinando que em sessenta dias todos os órgãos públicos revejam suas folhas de pagamentos e suspendam as verbas que não foram expressamente previstas em lei. A medida vale para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e abarca a União, todos os Estados e os municípios.

Quando a fraqueza do BC custa bilhões. Por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Numa crise sistêmica mais séria, o risco de uma quebradeira que leve a uma depressão não é pequeno

Sempre que quebra uma instituição financeira, é um vexame para o Banco Central. Mas o caso do Banco Master tem um ingrediente a mais: será que o banqueiro Daniel Vorcaro, que colecionou tantas influências em Brasília, recebeu um tratamento diferenciado pelo órgão supervisor?

Há duas questões principais que, para muitos, não foram respondidas. Uma delas é por que demorou tanto tempo para se descobrir as supostas fraudes no banco. A outra é entender por que levou tanto tempo para liquidar o banco.

O Banco Central abriu uma investigação interna, conduzida por sua corregedoria, para apurar pontos como esses. O discurso oficial é o de entender melhor os procedimentos para corrigi-los e evitar que outro banco quebre da mesma forma. Mas, no fundo, não deixa de ser uma forma de prestar satisfações à sociedade.

Trânsito e trabalho mais violentos. Por Paulo Cesar Marques da Silva

Correio Braziliense

Enquanto os gestores de trânsito debruçam-se sobre os problemas específicos da segurança, há outra dimensão demandando reflexões honestas e providências urgentes. Trata-se da extrema precarização das condições de trabalho dos motofretistas

Mais que preocupantes, os números da segurança no trânsito do Distrito Federal divulgados, neste mês, pela Agência Brasília são assustadores, em que pese o esforço editorial de destacar a queda de mortes entres ciclistas e pedestres — o que, sem dúvida, é um dado relevante e auspicioso. Todavia, a tendência é outra para as demais categorias de usuários e, para os motociclistas, é uma verdadeira tragédia.

Cacoete populista. Por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Lula mira nas mentes evangélicas com arsenal pífio e parece não saber como alcançar seus corações

O presidente Lula tem razão em querer conquistar os evangélicos para a sua tentativa de reeleição este ano. Essa heterogênea fatia da população não morre de amores pelo petista. Mesmo com todo o esforço de marketing e de articulação social dispensado nos últimos três anos de governo, a desaprovação da gestão de Lula entre os evangélicos, que já são um em cada quatro brasileiros com mais de 10 anos, só cresceu.

Mas o que significa “conquistar” esse público? Quando fala sobre o assunto, Lula dá a entender que acredita em uma estratégia de convencimento. Essa foi a mensagem contida em um trecho do seu discurso em uma festa do PT em Salvador (BA), neste sábado.

Ao conclamar a militância a ir até as periferias, ele disse que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo” e que é preciso conversar com eles sobre isso, em vez de ficar esperando que falem bem da gestão petista.

Trump, a Groenlândia e a Amazônia. Por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Se qualquer país quiser defender os seus territórios e interesses, deve preparar-se militarmente e diplomaticamente, sob risco de perder relevância

O mundo definitiv a ment e mudou, não cabendo mais nos parâmetros mediante os quais o concebíamos. O mundo, tal como emergiu depois da 2.ª Guerra Mundial, com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e várias agências internacionais, cessa progressivamente de existir. Agências como a ONU perderam a sua neutralidade, adotando posturas ideológicas e partidárias, contribuindo para a sua própria crise. Conselhos internacionais de direitos humanos são controlados por ditadores e violadores sistemáticos dos direitos humanos. Os valores de pretensão universal, os ocidentais, se enfraqueceram, sendo instrumentalizados por grupos esquerdistas e islamistas radicais. A bússola internacional perdeu-se.

O fim da autorregulação das big techs. Por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

Só o Estado pode estabelecer limites quando interesses privados ameaçam a democracia

O avanço coordenado entre governos europeus indica que a lógica de autorregulação das big techs está se enfraquecendo. Na semana passada, a Espanha deu mais um passo nessa direção ao anunciar planos para proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais – o que reforça a tendência regulatória no continente. O premiê Pedro Sánchez disse que a iniciativa é para proteger crianças e adolescentes de um “ambiente digital sem lei”, marcado por abuso, vício, pornografia, discurso de ódio e manipulação algorítmica.

Datafolha: João Campos supera Raquel Lyra e lidera disputa em Pernambuco

Por Folha de S. Paulo

Prefeito do Recife tem 47% contra 35% da governadora em primeiro turno, aponta pesquisa

Levantamento mostra vantagem de 13 pontos percentuais no segundo turno

O prefeito do RecifeJoão Campos (PSB), supera a governadora Raquel Lyra (PSD) e lidera em cenários de intenção de voto para primeiro e segundo turnos da eleição para o Governo de Pernambuco, mostra nova pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento, Campos tem 47% dos votos contra 35% de Lyra em primeira rodada eleitoral. Eduardo Moura (Novo) tem 5%, e Ivan Moraes (PSOL), 1%. Brancos e nulos somam 10%, e 2% não responderam ou não souberam responder.

Eleições sob risco nos Estados Unidos. Por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Trump tomou uma série de iniciativas que têm preocupado as autoridades eleitorais dos estados, políticos e acadêmicos

Governo quer ter o poder de excluir eleitores dos cadastros estaduais

O sistema eleitoral dos Estados Unidos é radicalmente diferente do brasileiro, e o processo de administração das eleições norte-americanas é um dos mais descentralizados do mundo.

Não existe uma autoridade nacional independente responsável por organizar eleições, como a Justiça Eleitoral brasileira. Lá, cada estado ou condado administra seus próprios registros de eleitores, define procedimentos administrativos e conduz a votação localmente. As autoridades que administram as eleições são frequentemente indicadas pelos governadores. Esse desenho institucional foi pensado para reduzir o risco de controle centralizado do processo eleitoral, evitando que o presidente da vez possa influenciar a organização e o resultado das eleições.

Impeachment e renúncia de juízes. Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, a solução via eleições deixa de ser opção

Quando a autocontenção é mera retórica, sobram escracho, anomia e o cinismo cívico

As menções a impeachments e renúncias de juízes de supremas cortes dispararam —e com razão. Tais eventos são incomuns, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de degradação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecem um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.

Auxílio-peru, folga fictícia e dinheiro limpo são privilégios. Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Por que em dinheiro e por que o nome da coisa é auxílio? Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda

Há empresas privadas que pagam auxílio-moradia ou auxílio-mudança. Faz sentido. Aplica-se quando o funcionário é transferido de uma cidade para outra e tem custos para se instalar na nova residência. Por isso mesmo, é provisório, vale para dois, três meses. Auxílio-moradia permanente, só no serviço público.

Também há empresas que dão aos funcionários uma cesta de Natal ou um peru para as festas de fim de ano. No setor público paga-se em dinheiro o auxílio-peru. Por que em dinheiro e por que o nome é auxílio? Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda. Para furar o teto salarial.

ESG tributário. Por Irapuã Santana

O Globo

O consumidor moderno, munido de informação, não perdoa marcas que fingem promover saúde enquanto entregam sódio e conservantes

Janeiro de 2026 será um marco no setor de consumo no Brasil. Com a entrada em vigor da alíquota zero do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para a nova Cesta Básica Nacional, o prato do brasileiro deixou de ser apenas uma questão de subsistência para se tornar o centro de uma estratégia sofisticada de ESG (Environmental, Social, and Governance, na sigla em inglês) e saúde pública.

A reforma tributária, ao selecionar alimentos saudáveis e sustentáveis para o benefício fiscal, não apenas reduziu custos. Com ela, o Estado parou de apenas tributar o consumo e passou a induzir escolhas que beneficiam a sociedade no longo prazo.

Os submissos da direita. Por Miguel de Almeida

O Globo

Sem temer raios ou outros castigos, a cola que os une é a promessa de indulto a Jair Bolsonaro

Mesmo com boa vontade, é difícil saber qual é a plataforma dos autointitulados candidatos de direita. Existem as platitudes costumeiras (“o ajuste fiscal”, “enxugamento da máquina”, “combate à corrupção” etc.), porém, de concreto, apenas os ataques de sempre a Lula. Sem temer raios ou outros castigos, a cola que os une é a promessa de indulto a Jair Bolsonaro.

Entre eles, existem diferenças. Há quem prometa anistia ampla e irrestrita a todos os golpistas presos; há quem mire apenas na liberdade do capitão. O único que não promete soltar golpistas é Eduardo Leite.

Socialista António Seguro derrota candidato da extrema direita e vence eleição presidencial em Portugal

Por O Globo e agências internacionais 

Com 99% das urnas apuradas, ex-secretário-geral do Partido Socialista recebeu 67% dos votos em segundo turno contra André Ventura, da extrema direita

Lisboa -O candidato socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, realizado neste domingo, de maneira contundente, com 99% das urnas apuradas. Segundo os números, Seguro recebeu quase 67% votos válidos, contra 33% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, hoje a segunda força política do país. A abstenção de quase 50% foi outra protagonista da votação.

— Os vencedores da noite são os portugueses e a democracia. Os portugueses por terem, em condições muito adversas, superado mais um desafio — afirmou Seguro no discurso da vitória, em Lisboa, no qual se referiu às tempestades que causaram estragos e mortes no país nas últimas semanas. — Precisamos de um país preparado, não de um país ao improviso face aos fenômenos atmosféricos que serão mais frequentes.

Em lavada, candidato de esquerda vence ultradireita e será próximo presidente de Portugal. Por João Gabriel de Lima

Folha de S. Paulo

António José Seguro conquistou vitória com cerca de 30 pontos percentuais de vantagem sobre André Ventura

Especialistas avaliam que triunfo de socialista moderado representa desejo de portugueses por estabilidade

António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu de lavada as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal.

Com 89% das urnas apuradas, o político que se apresenta como "democrata, progressista e humanista" tinha cerca 65% dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido ultradireitista Chega —foram quase 30 pontos percentuais de vantagem, com Ventura marcando 34%.

A projeção da abstenção é entre 42 e 48%. No primeiro turno foi 47,7%. Isso significa que não houve um número significativo de pessoas que deixaram de votar.

Ventura reconheceu a derrota minutos depois da divulgação das primeiras projeções. "Desejo que Seguro seja um bom presidente porque os portugueses precisam", afirmou o candidato do partido Chega. "Espero poder liderar o espaço da direita a partir de agora." Já Seguro, que deve discursar mais tarde, disse apenas: "Meu objetivo é servir ao meu país. O povo português é o melhor povo do mundo".

Alguns municípios em estado de calamidade pública devido às chuvas que atingem Portugal só irão às urnas na semana que vem. Eles respondem, no entanto, por menos de 1% dos votos. As apurações no resto do país seguirão normalmente;

A vitória de Seguro encerra um paradoxo. No primeiro turno, candidatos identificados com a esquerda obtiveram cerca de 35% dos votos, enquanto os contendores à direita somaram mais de 50%. Como foi possível, nesse contexto, a vitória de um quadro histórico do Partido Socialista?

A resposta pode estar numa pesquisa da Universidade Católica Portuguesa realizada na semana anterior à eleição. Para a maior parte dos entrevistados, tratava-se não de uma disputa entre esquerda e direita, mas entre moderados e extremistas.

Poesia | Círculo Vicioso, de Machado de Assis

 

Música | Getúlio Cavalcanti -Velho Coração

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trump é cabo eleitoral inesperado de Lula, até agora

Por Folha de S. Paulo

Petista ganhou força política com tarifaço e se beneficia na economia com a queda do dólar

Capitais que deixam os EUA alimentam recordes na Bolsa de Valores, mas trunfo é inseguro porque se trata de dinheiro especulativo

Boa parte do sucesso dos dois primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deveu a uma conjuntura internacional excepcionalmente favorável para os países exportadores de produtos primários agrícolas e minerais.

Impulsionado pela demanda da China, o boom de commodities catapultou o crescimento de economias emergentes e, no caso brasileiro, levou a um aumento da arrecadação de impostos que equilibrou as contas públicas.

O escuro é claro. Por Dorrit Harazim

O Globo

Com o Washington Post morrendo, a democracia americana e o jornalismo que a sustenta encolhem um pouco mais

Adotado pelo Washington Post em fevereiro de 2017 como mote oficial, o dístico “Democracy Dies in Darkness” (a democracia morre na escuridão) soa lindo e continua a ornar as capas das edições digitais e impressas do jornal. A frase fora cunhada ainda nos anos 1960 pelo juiz negro Damon Keith, defensor dos direitos civis, e popularizada já neste milênio pelo veterano Bob Woodward a propósito da obsessão de sigilo (“escuridão”) por parte de governantes. Era a primeira vez em 140 anos de existência que o venerável matutino da capital dos Estados Unidos adotava um lema oficial. A mensagem também era clara: um jornalismo que fiscaliza o poder, cobra responsabilidades de autoridades e instituições e promove transparência pública é essencial para a prevenção de malfeitos subterrâneos dos donos do poder — sobretudo, para a preservação da democracia.

Angústias da direita. Por Merval Pereira

O Globo

A combinação era que o candidato desse consórcio partidário seria Tarcisio de Freitas, mas a escolha de Flavio inviabilizou o plano de união já no primeiro turno

Embora as pesquisas recentes indiquem uma subida dos candidatos da direita, especialmente de Flavio Bolsonaro, que estariam em empate técnico com Lula no segundo turno, persiste a dúvida sobre a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro, muita gente achando que fica cada mais evidente que a definição em favor do filho, se for conclusiva, é um erro. O sentimento antipetista continua forte, o que embala as candidaturas de políticos ligados ao bolsonarismo. Mas a rejeição a Flavio também é grande, enquanto o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas mantém-se afastado de um índice de rejeição que inviabilize sua candidatura.