sábado, 1 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Contas públicas atestam fracasso do arcabouço fiscal

Por O Globo

Nos últimos 12 meses, rombo alcançou 10% do PIB, o pior resultado desde a pandemia

A irresponsabilidade fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva produziu uma tragédia cujo clímax se aproxima. A cada novo retrato da saúde fiscal do Estado, acumulam-se as evidências de que o Brasil está perto de uma crise severa, provavelmente com a temida confluência de inflação em alta e estagnação econômica — situação que os economistas batizaram de “estagflação”. É o que se depreende dos dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira.

Nos últimos 12 meses, as contas públicas fecharam com um rombo de R$ 1,3 trilhão, levando em conta o déficit primário (receitas menos despesas do governo) e o pagamento de juros da dívida pública. Tal número — tecnicamente chamado “déficit nominal” — equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Sem contar 2020, ano da pandemia, e o catastrófico ano de 2015, depois da reeleição de Dilma Rousseff, é o pior resultado registrado desde quando Lula subiu a rampa do Planalto pela primeira vez, em 2003. Com a sucessão de contas no vermelho, a dívida pública já alcança 82% do PIB, 8 pontos percentuais acima do início do atual mandato. Não há prova mais eloquente do fracasso do arcabouço fiscal implantado por Lula para controlá-la.

Filho 01 é um boneco nas mãos da extrema direita transnacional, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

O esquema que sabota o processo democrático é difundido por Trump

O alinhamento golpista se revela nas mentiras de Flávio sobre urnas eletrônicas

Como diria um velho caudilho dos pampas, Donald Trump está costeando o alambrado. Em seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, nomeou negacionistas eleitorais para postos-chave, alterou regras para dificultar o voto popular e afastou funcionários que desmascararam suas teorias de conspiração sobre o pleito de 2020.

Para lançar dúvidas acerca das eleições legislativas de novembro —as pesquisas indicam que os democratas terão maioria—, usa a derrota de seis anos atrás diante de Joe Biden para afirmar que as votações no país não são legítimas. Claro, só aquelas que ele não vence.

O fortalecimento do Congresso brasileiro, por Marcus Pestana

Nas ruas, em 1984, na campanha das Diretas; na vitória de Tancredo, no Colégio Eleitoral, em 1985; no texto constitucional nascido de uma Constituinte livre e democrática, em1988; o Brasil fez uma escolha clara, uma aposta que esperamos seja definitiva: a reconstrução da democracia brasileira como valor universal, permanente, inquestionável e inegociável.

O fantasma da dívida pública, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Não há registro de crises monetárias e financeiras provocadas pelo endividamento “excessivo” dos governos em moeda nacional

Em entrevista ao Estadão, o simpático economista José Roberto Mendonça de Barros abordou o tema do ajuste fiscal. Respeitosamente, devo assinalar as dúvidas que me assaltam quando o debate entre economistas da corrente conservadora repete o mantra do risco fiscal. Se me permitem, caros leitores de nossa ­CartaCapital, vou enfiar a colher da “heterodoxia” keynesiana na sopa das concepções que circulam nos arraiais da “macroeconomia do equilíbrio”.

Na visão dos catastrofistas, o risco fiscal está associado a uma trajetória “insustentável” da dívida pública. Insustentável, porque essa vileza vai, no futuro, mortificar os mais jovens e os que ainda não vieram à luz, com um calote devastador na riqueza financeira que circula pelos balanços de bancos, fundos, gestoras de ativos e seus clientes do dinheirão e do dinheirinho. Não são poucos os que antecipam um calote na dívida do Estado. Esse calote seria devastador para a riqueza financeira privada, aquela que frequenta os balanços de bancos, fundos, gestoras de ativos e seus clientes do dinheirão e do dinheirinho.

Eleição além-fronteiras, por Jamil Chade

CartaCapital

No Brasil, o mapa mundial será desenhado

“Não temos tido sequer um minuto de sossego”, afirmou o escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez ao receber em 1982 o Nobel de Literatura em um discurso no qual ele percorre a história de fantasias e dramas da América do Sul. Mais de 40 anos depois, a frase parece ecoar uma vez mais e, no Brasil, será escrito e testado o próximo capítulo dessa história de assédio ao continente.

A eleição no País não vai determinar apenas quem será o novo presidente ou qual a composição do Congresso. O que está em jogo é uma disputa que vai muito além de nossas fronteiras. Vamos definir quem somos no mundo, que projeto de nação queremos. Mas também como a nova ordem global será desenhada. O que vimos nos últimos dias com o envolvimento de Javier Milei, viagens de equipes obscuras de Donald Trump ou mesmo um telefonema de Xi Jinping são sinais escancarados de que há muito mais em jogo na eleição brasileira do que interesses domésticos.

Autofagia eleitoral, por André Barrocal

CartaCapital

Caiado, Zema e Renan Santos estão obrigados a avançar sobre a base bolsonarista

Às vésperas do fim do prazo para a realização das convenções partidárias que definem as candidaturas à Presidência da República, o antipetismo em todas as suas variações está escalado, na esperança de impedir o tetra de Lula. Apesar da causa comum e de uma agenda muito semelhante, o time vai entrar em campo rachado, desunido. E o motivo tem um nome, ou melhor, um sobrenome: Bolsonaro. O ex-presidente ungiu o primogênito Flávio a fim de manter a hegemonia da família no polo reacionário e, claro, livrar-se da condenação por tentativa de golpe de Estado. Em uma situação como essa, só se pode, no fundo, confiar em laços de sangue. Ronaldo Caiado, do PSD, Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão, desafiam, no entanto, o bolsonarismo, convencidos de que o filho “zero um” é um competidor frágil demais para terminar a campanha de pé.

Os reis do gado, por Leonardo Avritzer*

CartaCapital

As fragilidades de Flávio Bolsonaro não se convertem em oportunidades aos clones

O fim de semana anterior foi marcado pelas convenções de dois pré-candidatos à Presidência da República: o candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, e o candidato do Partido Social Democrático, Ronaldo Caiado. As duas convenções apontam para a enorme fragilidade da direita brasileira, esteja ela dividida ou não. De um lado, é evidente que, unida, a direita poderia ter maiores chances eleitorais. Por outro lado, os próprios fatores que explicam sua desunião, entre eles a evidente falta de liderança do candidato do PL, são características decisivas que marcarão o pleito de 2026.

O momento eleitoral, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Disputa é uma corrida de erros, e Lula tropeça menos que Flávio

No início de agosto, temos um cenário basicamente semelhante ao do início de julho. Lula segue à frente nos cenários de primeiro e de segundo turno; Flávio Bolsonaro, apesar dos tropeços, continua firme no encalço do líder; e a terceira via faz barulho, mas não decola — apesar de Renan Santos aparecer com quase 8% na última pesquisa da AtlasIntel.

Já descrevi a disputa como uma corrida de erros, aqui mesmo nesta coluna, e o cenário prossegue igual. Mas, no momento, Lula erra menos do que Flávio Bolsonaro e ainda teve a ajuda luxuosa dos desentendimentos na família Bolsonaro e das medidas americanas contra o Brasil. Teve, ainda, a ajuda inesperada do espetáculo lamentável de Javier Milei na convenção do PL. Numa corrida assim, ganha mais quem erra menos — e, por ora, é o presidente quem administra melhor os próprios tropeços.

O engano pelas palavras, por Cristovam Buarque

Revista Veja 

O politicamente correto é moralmente imperfeito

Com a intenção de defender sua indústria, a Inglaterra usou o argumento humanista do combate ao trabalho escravo no Brasil, há pouco mais de duzentos anos. Agora, o governo de Donald Trump utiliza o mesmo argumento, com hipocrisia. É preciso condenar o oportunismo trumpista, mas sem perder de vista um drama social brasileiro real, que vem sendo camuflado por um vocabulário afeito a suavizar a tragédia. Para evitar caracterizar os brasileiros submetidos a trabalho análogo à escravidão como pobres desassistidos, o dicionário politicamente correto passou a chamá-los de “hipossuficientes”, termo técnico que esconde o drama e, de algum modo, absolve a responsabilidade dos políticos. Os sem-teto passam a ser “moradores em situação de vulnerabilidade”, expressão que não traduz o relento, nem a exclusão. Se, na África do Sul, o apartheid tivesse sido chamado de desigualdade racial, a bárbara desumanidade da separação entre negros e brancos teria sido diluída. É isso que se faz no Brasil ao chamar de desigualdade social a apartação que caracteriza a sociedade brasileira segregando condomínios de tugúrios.

Dom Ernesto de la Mancha e também um mito guarani, por Ivan Alves Filho*

Ele era descendente direto da índia guarani Leonor "Iboty-I Yu" Moquiracé, casada com o espanhol Domingos Martinez Irala. Esse matrimônio ocorreu no século XVI, no início da ocupação europeia do atual território paraguaio. Ursula Irala, a filha do casal em questão, expandiria a família, cujas ramificações atingiriam ainda a Argentina, o Uruguai e o Brasil de hoje. 

Foram muitas gerações até chegar a ele, médico, administrador revolucionário e, também, escritor e panfletário argentino-cubano. Percorreu a América Latina por um bom tempo, anotando suas impressões em um diário do qual li algumas passagens ainda na minha adolescência, no final da década de 60. Escreveu obras que revelavam uma concepção humanística da vida, a começar pelos seus próprios títulos: O socialismo e o homem em Cuba e O homem novo. 

Poesia | Poema Patético, de Carlos Drummond de Andrade, por Paulo Autran

 

Música | Beth Carvalho & Zeca Pagodinho - Ainda é tempo pra ser feliz

 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vendaval mostrou despreparo para Super El Niño

Por O Globo

No Rio, alertas só chegaram aos cidadãos quando o vento já castigava as ruas — e imperava a confusão

A julgar pela situação caótica instalada pelo vendaval de quarta-feira em municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo, as autoridades dos três níveis de governo não passaram no teste do Super El Niño. Segundo meteorologistas, as rajadas de mais de 100km/h estão relacionadas ao fenômeno climático de forte intensidade previsto para este ano. À população, foi mostra preocupante do que está por vir. Ao governo, serve de alerta.

Chamam a atenção as falhas nos sistemas de informação. Em São Paulo, a Defesa Civil emitiu alertas severos a partir das 13h (para cidades do litoral) e das 13h30 (para a Região Metropolitana), cerca de meia hora antes do vendaval. No Rio, o aviso só começou a chegar às 16h41, quando os ventos já varriam o estado furiosamente. E nada de alerta severo, como aquele estridente que acordou milhões de brasileiros depois de uma invasão nos sistemas de disparo semanas atrás. O alerta de quarta-feira não dava a real dimensão do problema. Milhares de cariocas foram apanhados de surpresa nas praias. Ainda que meteorologistas digam que o fenômeno é raro no inverno e é difícil prevê-lo com antecedência, é de pouca utilidade um alerta que chega quando o cidadão já está em plena ventania.

O cerco americano ao capitalismo, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá

Para entender as aberrações de conduta política do presidente americano e de seu secretário de Estado em relação a países como o nosso, é sociologicamente incorreto imputar a Lula e às esquerdas a responsabilidade pela polarização ideológica que nos sufoca e cerceia.

Responsabilizá-los ainda é parte do jogo político da polarização promovida pelo “centro”. Em várias partes, as esquerdas da era pós-stalinista jogam o jogo já feito para nele identificar e superar seus erros, suas brechas, e ocupá-las.

As esquerdas já entenderam que não são elas que fazem o jogo político contemporâneo pois já feito pelas irracionalidades, pelas ambições de riqueza e poder, pela corrupção, que delas decorre. Há muito, o mundo não está polarizado entre capitalismo e comunismo. Está determinado pelo mero crescimento econômico a qualquer preço, de lucro imediato e desmedido, sem desenvolvimento social.

As esquerdas assumiram a função política de agentes de consciência social crítica das contradições autodestrutivas do capital.

Pesquisas indicam dificuldade para Flávio no segundo turno, por César Felício

Valor Econômico

Levantamentos Genial/Quaest mostram que aglutinação dos votos de candidatos da direita contra Lula não é automática

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é automática, conforme deixa claro o pacote de pesquisas da Genial/Quaest nos dez principais colégios eleitorais do país. Caso chegue ao segundo turno, Flávio precisará do engajamento dos que ficaram para trás na primeira rodada. Os votos não virão por osmose.

O caso de dispersão de votos mais gritante na simulação de segundo turno em relação ao quadro do primeiro turno está em Minas Gerais. De acordo com a Genial/Quaest, 21% dos eleitores mineiros escolheram candidatos fora da polarização, sendo que 12% optaram pelo ex-governador Romeu Zema (Novo). Lula ficou com 30% e Flávio com 29%. No segundo turno, o senador do PL avança apenas seis pontos percentuais, enquanto o petista cresce oito pontos. O total de eleitores que alienam o voto, seja por indecisão, recusa em votar ou opção por voto em branco ou nulo, avança de 20% para 27%.

Procura-se milagreiro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Campanha do PL produz crises em série desde revelação de diálogos com Vorcaro

Quando as coisas vão mal na política, sempre surge alguém para culpar a equipe de comunicação. A sina se repete na campanha de Flávio Bolsonaro, que acaba de demitir o segundo marqueteiro em dois meses.

Em maio, o PL rifou Marcello Lopes, o Marcellão. O partido explicou que desejava profissionalizar a propaganda, trocando um amigo do candidato por um publicitário renomado.

Ontem a sigla dispensou Eduardo Fischer, que fazia dobradinha com o consultor Alexandre Oltramari. A dupla foi substituída por Duda Lima, que coordenou a campanha derrotada de Jair Bolsonaro em 2022.

Uma boa e uma má notícia para Flávio, por Vera Magalhães

O Globo

Ele recebeu aceno favorável da vice dos sonhos e teve de trocar de marqueteiro pela segunda vez em poucos meses

No dia em que recebeu um aceno favorável da senadora Tereza Cristina, a vice dos sonhos para sua chapa, Flávio Bolsonaro teve de escolher o terceiro marqueteiro em poucos meses. A boa notícia ainda precisa de confirmação, e a má evidencia o caos que reina na comunicação da campanha, fruto da propensão da família a intervir nessa área mais que nas outras.

Eleitores desconfiados, por Pablo Ortellado

O Globo

Um cidadão típico não consegue entender toda a cadeia de controle das eleições

Na semana passada, Flávio Bolsonaro deu declarações expressando desconfiança no sistema eleitoral brasileiro em evento com diplomatas. Alguns dias depois, segundo reportagem do Washington Post, o governo Trump designou dois assessores do Departamento de Estado para viajar para o Brasil e produzir um relatório sobre a integridade do nosso sistema. Ao que tudo indica, o tema da confiança nas urnas eletrônicas mais uma vez se tornará central nas eleições.

A desconfiança no sistema de votação tem se tornado um problema global, não apenas no Brasil. Assistimos, porém, não ao aumento global da desconfiança, mas à organização política de uma desconfiança que sempre foi significativa. A série global mais sólida de que dispomos, da Gallup, mostra que, em democracias liberais, a desconfiança vem oscilando nos últimos 20 anos, sempre em torno de um terço da população. É uma parcela significativa, mas não tem crescido.

Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da nossa diplomacia, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. O corpo de López foi profanado

Um dos sete volumes da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, Xadrez, Truco e Outras Guerras, do escritor José Roberto Torero, é inspirado na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional em que o Brasil esteve envolvido no continente. O livro é uma sátira macabra envolvendo personagens em conflito durante a Guerra do Paraguai. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha, de forma ficcional, a implacável perseguição ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por determinação do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final da guerra. Casado com a princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, o príncipe francês era mau como o pica-pau.

¡Arriba Argentina! Por José Sarney*

Correio Braziliense

A fronteira entre Brasil e Argentina está aí para nos unir, convivendo com a mesma terra, as mesmas árvores, os mesmos problemas, as alegrias e tristezas, sem afetar a união dos povos

Vou tratar de um assunto delicado e até repetitivo, pois muitas vezes o tenho abordado, com a autoridade de quem negociou o fim das relações afastadas, e muitas vezes conflituosas, entre Brasil e Argentina.

É que agora estamos assistindo, depois de um progressivo afastamento entre nossos dois países, a uma série de despautérios do presidente da Argentina contra o presidente Lula, do Brasil, e contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fora dos limites da civilidade, como disse o presidente da Corte, Edson Fachin, com a palavra apropriada e respeitando o vocabulário neutro, domínio da linguagem oficial.

Inteligência artificial e sua ação nos trópicos, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Quase não se investe na sociedade para que possa se adaptar e tirar proveito dos avanços

Existe um abismo entre o avanço da inteligência artificial (IA), governantes e instituições que precisam interagir com a tecnologia. Estou no fundo desse abismo. Mas resisto. Tirei férias da TV e direcionei meus estudos para o tema. Há muito que aprender com os mais avançados e com os próprios setores da tecnologia que reconhecem esse abismo e querem cooperar por entender que o impacto da IA será muito produtivo se a sociedade se preparar para ele.

Os quartos novos trunfos de Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Após a tormenta, Flávio ganha reforço para o discurso e para o palanque na campanha

Após semanas de erros e más notícias, o senador Flávio Bolsonaro finalmente tem o que comemorar: além da investigação de Lulinha por tráfico de influência e a quebra de sigilo do caso Jaques Wagner, ele pode ganhar dois importantes troféus na campanha.

Se confirmados, esses troféus vão jogar uma lufada de ânimo na sua candidatura e minar a percepção de que o presidente Lula, em vantagem em Estados decisivos, tem tudo para vencer. Bom para Flávio, péssimo para Lula.

PF tentou drible, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

A PF enviou para a presidência do STF pedido de inquérito contra Lulinha sob um novo relator

A Polícia Federal tentou dar um drible no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e retirar da sua batuta as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Nas apurações do caso do INSS, cujo relator é Mendonça, os investigadores descobriram as ligações de Lulinha com Antonio Carlos Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

E, lá no meio, estava também uma suspeita de tráfico de influência do filho do presidente Lula a favor do canabidiol junto ao Ministério da Saúde. Antunes chegou a levar Lulinha numa viagem a Portugal sobre o tema.

Controle máximo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Legisladores e magistrados tentam e não conseguem criar boas regras a priori para regular eleições

Risco de normas ultradetalhistas é transferir do eleitor para juízes decisão sobre quem governa

O problema da modernidade é que precisamos viver em sociedades de massa cada vez mais informatizadas com um cérebro que evoluiu para nos fazer prosperar no Pleistoceno, quando o último grito da tecnologia era o domínio sobre o fogo. O ordenamento eleitoral brasileiro padece de descompasso semelhante.

Não é preciso mais do que uma passada de olhos sobre a Lei Eleitoral, a 9.504/97, para perceber que ela foi concebida para um tempo que já não existe. Está preocupada em regular o layout dos santinhos e o tamanho máximo de cartazes, quando a realidade das campanhas é marcada por IA, deepfakes e impulsionamentos. É verdade que temos uma coleção de resoluções do TSE que buscam dar atualidade ao arcabouço regulatório, mas não as classificaria como particularmente felizes.

Questões externas escondem vazio do debate eleitoral interno, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Um espaço inédito vem sendo ocupado por questões que ultrapassam as fronteiras nacionais

O problema é quando isso toma o lugar da abordagem séria sobre os planos dos candidatos para o Brasil

política externa, as relações do Brasil com outros países, não é assunto que faça sucesso com o público interno. Se o noticiário internacional dos meios de comunicação é restrito a acontecimentos pontuais, nas campanhas eleitorais o tema nunca fez parte do cardápio. Até agora.

Um espaço inédito vem sendo ocupado por questões que ultrapassam as fronteiras nacionais. Há os embates com os Estados Unidos e a Argentina, a ideia de importação dos métodos de combate ao crime de El Salvador e o reflexo, na eleição brasileira, do avanço da direita extrema na América Latina.

O Brasil picou? Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Em inglês, 'to peak', picar, é chegar ao pico, ao máximo; e se o Brasil já tiver picado?

Ou se, com os bolsonaros, vorcaros, malafaias e neymares, o Brasil estiver picando hoje?

Os americanos, que vivem em competição doentia com os outros e entre eles próprios, têm uma expressão: "to peak". Significa atingir o pico, o ponto mais alto, o máximo de alguma coisa. Só que eles a usam como verbo: picar. Fulano picou na profissão, a música tal picou em décimo lugar nas paradas, a temperatura ontem picou em 35ºC. No Brasil, não falamos assim, mas poderíamos —e deveríamos. Para um país que há séculos se diz do futuro, o que fazer se, ao contrário do que queremos acreditar, o Brasil já tiver picado?

Luiz Werneck Vianna e a crise econômica de 2014-2016, por Cláudio de Oliveira*

Neste século 21, fui leitor assíduo de textos e entrevistas do sociólogo Luiz Werneck Vianna, publicados pela imprensa brasileira.

Confesso que não sou grande conhecedor de sua obra acadêmica. Tenho na estante dois de seus livros, entre eles o clássico “Liberalismo e sindicato no Brasil”.

Pedi à IA que resumisse as análises de LWV sobre a crise econômica de 2014–2016, quando o Brasil entrou em recessão com queda de 8,6% do PIB e 14 milhões de desempregados.

Depois solicitei que me resumisse a visão dele do que considerava esgotamento do modelo nacional-desenvolvimentista na época da globalização e a alternativa que propunha. Eis os resumos:

Crise política e econômica a partir de junho de 2013

"Luiz Werneck Vianna interpretou a crise de 2014-2016 menos como uma simples recessão econômica e mais como uma crise de esgotamento de um modelo político de desenvolvimento. Em sua análise, os problemas econômicos estavam profundamente entrelaçados com a crise institucional e de representação que culminou no impeachment de Dilma Rousseff.

Os principais pontos de sua interpretação podem ser resumidos da seguinte forma:

Poesia | Esperança, de Mário Quintana

 

Música | Luiza Lara - Valsa Brasileira (Edu Lobo/Chico Buarque)

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trégua nos preços, riscos à frente

Por Folha de S. Paulo

Prévia da inflação surpreende positivamente e melhora perspectivas para reduzir a taxa Selic

Convergência à meta ainda enfrente muitos obstáculos, sobretudo os relacionados ao desequilíbrio fiscal produzido pelo governo Lula

inflação enfim começa a dar sinais mais consistentes de arrefecimento. O IPCA-15 de julho, prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE, surpreendeu positivamente ao subir apenas 0,06%, a menor variação para o mês em três anos, puxado sobretudo pela queda dos preços dos alimentos.

O alívio se espalha por diferentes componentes do índice, levou consultorias a reduzir suas projeções para o IPCA deste ano e reforça a expectativa de que o Banco Central volte a cortar a taxa de juros na reunião da próxima semana, hoje em 14,25% ao ano.

Fortes em GO e MG, Caiado e Zema não conseguem nacionalizar candidaturas, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Que país queremos? Essa pergunta está posta novamente nas eleições, com o agravante de os liberais não terem um projeto claro

A eleição presidencial mostra uma polarização assimétrica. Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a disputa nacionalmente e conserva vantagem nas simulações de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro demonstra resiliência suficiente para permanecer como seu principal adversário. Apesar das denúncias, erros e brigas na campanha de Flávio, as possibilidades de uma terceira via continuam restritas. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), apesar da projeção conquistada como governadores, não conseguem transformar seus redutos regionais em alavanca para nacionalizar suas candidaturas.

Os principais colégios eleitorais mostram dois Brasis, o meridional e o setentrional. Essa divisão foi apontada a primeira vez em 1920, Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Viana. Escrito entre 1916 e 1918, levou dois anos para ser publicado, pela livraria José Olympio. O que dizia Viana? Ele definia três arquétipos para o povo brasileiro: o sertanejo, o matuto e o gaúcho, os quais foram sucedidos pela publicação meteórica de mais quatro ensaios: “O idealismo da Constituição” (1920), “Pequenos estudos da psicologia social” (1921), “Evolução do povo brasileiro” (1923) e “O ocaso do Império” (1924). O primeiro volume de “Populações meridionais do Brasil” dedicou aos paulistas, fluminenses e mineiros; o segundo, ao campeador rio-grandense. Partia do homem para criticar as instituições da época.

A campanha eleitoral dentro de um carro chinês, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Campanha arrisca passar ao largo de temas como a transformação do país no maior mercado de carros chineses do mundo

Na tarde deste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC onde disse que a abertura do mercado brasileiro ao carro chinês levou a indústria automobilística a investir em modelos híbridos e vender mais. Dali, Lula embarcou para Brasília onde falaria às 22h com o dirigente chinês, Xi Jiping.

No relato da agência Xinhua, Xi apoiou o Brasil na ‘defesa de sua soberania e independência em oposição a interferências externas’, o que vai de encontro à tradição do país de não se escudar em proteção alheia. Dois dias depois, a manchete do Valor desenhou a curva da estrada: “Brasil já é o maior importador de carro chinês do mundo”.

As urnas em números, por Merval Pereira

O Globo

O PT hoje vive uma dicotomia. Enquanto “desmelhora” no Nordeste, onde sempre reinou, “despiora” no Sudeste

Não é apenas em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, que se decide a eleição presidencial, mas também em São Paulo, o maior. Em Minas, há uma divisão regional comparável à do Brasil, por isso o vencedor lá geralmente ganha no país. É como se o estado fosse uma amostra do país. Mesmo que vencer em São Paulo não signifique vencer no país, uma vitória expressiva no maior colégio eleitoral pode garantir a eleição. Em 2018, Jair Bolsonaro saiu de São Paulo com 8,1 milhões de votos à frente de Fernando Haddad, garantindo uma vitória ampla sobre o PT. Em 2022, quando perdeu para Lula, a diferença a favor de Bolsonaro caiu para 2,7 milhões, redução de 5,4 milhões de votos.

O risco que Lula corre na eleição, por Míriam Leitão

O Globo

Interlocutores do governo identificaram um clima de “já ganhou” entre autoridades, o que é um duplo erro. É preciso ter projeto para o mandato

Há uma avaliação entre interlocutores do atual governo, de que teria se espalhado dentro da administração a convicção de que a eleição está ganha. Em vez de apresentar um projeto para o próximo período, a presidência e os ministros apenas dizem que os programas seriam a continuidade do atual. O erro primeiro é que nenhuma eleição está resolvida de véspera; apesar do favoritismo do presidente Lula há incertezas pela frente. O segundo equívoco é não perceber que o próximo mandato presidencial tem desafios específicos que precisam ser enfrentados com propostas sólidas.

Nunes Marques e o deepfake do bem, por Julia Duailibi

O Globo

Se ele inovar, na contramão do tribunal que preside, lançará o conceito da desinformação inofensiva

Quis o destino — ou o sistema de distribuição dos processos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — que a ação movida pelo PT contra o senador Flávio Bolsonaro, pelo uso de IA na convenção do PL, fosse parar nas mãos do ministro Nunes Marques. Caberá agora ao presidente do TSE decidir se segue o entendimento atual, que proíbe o uso de deepfake nas campanhas, ou se inova e propõe a liberação da tecnologia na eleição deste ano, endossando os argumentos da campanha de Flávio.

O TSE proíbe o uso de IA para criar imagem e voz de pessoas de maneira realista nas eleições, conhecido como deepfake. Resolução de 2019, alterada e reforçada por outras duas, em 2024 e em 2026, veda a tecnologia, seja para prejudicar ou favorecer determinada candidatura, seja com ou sem autorização daquele cuja imagem e voz foram sintetizadas.

Tanto faz, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Para alguns dos maiores grupos políticos, serve qualquer Presidente

Alguns dos principais partidos políticos no Brasil consagraram a abordagem “tanto faz” para as eleições presidenciais. Tanto faz, pois consideram que saem ganhando não importa o candidato. Não, não é mais o famoso “toma lá, dá cá”.

Esse “vamos ganhar de qualquer jeito” não precisa aguardar o segundo turno. As maiores agremiações que declararam neutralidade – juntas, têm 40% da Câmara – só pensam em aumentar bancadas na Câmara e no Senado. E encontraram um jeito de evitar “queimar”, em campanha presidencial eventualmente perdedora, preciosos recursos dos fundos partidário e eleitoral.

Ministros veem abuso e querem frear IA, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Vídeo de Bolsonaro não deve causar cassação do registro de Flávio, mas pode gerar alerta

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está diante do primeiro grande desafio sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas deste ano. A Corte está para decidir se configura ou não abuso o vídeo exibido na convenção do PL com um avatar de Jair Bolsonaro pedindo voto para o filho Flávio, candidato a presidente.

Três dos sete ministros do TSE falaram à coluna em caráter reservado. Para um deles, não houve abuso. Segundo esse ministro, a tecnologia pode ser usada em qualquer situação, desde que não seja para disseminar notícia falsa ou para prejudicar alguém.

Sua Excelência, a restrição orçamentária, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Não se escapa de um ajuste fiscal mais profundo, desta vez, porque a realidade está se impondo

Muitos políticos agem como se o dinheiro público jorrasse do Lago Paranoá. Essa prática fere a Constituição e compromete o futuro do País. Mas, afinal, o que é responsabilidade fiscal?

Responsabilidade fiscal traduz-se num Orçamento equilibrado, com receitas suficientes para financiar as despesas públicas. Não erra, portanto, o senso comum: só se gasta o que se ganha. Mas é um pouco mais complicado.

O País não começa, a cada ano, “do zero”. Há um estoque de endividamento, cuja consequência é um volume anual de gastos com juros de R$ 1,1 trilhão. Além disso, a dívida emitida no passado vence no presente e, no lugar dela, novos títulos públicos são emitidos e mais juros são contratados.

Esses empréstimos, no caso do governo, são os títulos públicos emitidos. Quem os adquire aposta em certa probabilidade de o governo “quebrar” no prazo acordado na compra do papel. Na verdade, os emprestadores aceitam uma taxa de juros que, em sua percepção, será suficiente para cobrir esse risco e preservar o poder de compra do seu capital.

A política de Trump veio para ficar? Por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O presidente Trump vai produzindo uma reviravolta na ordem econômica mundial. Jogou o livre comércio no lixo e decretou o intervencionismo do Estado.

Segue-se a pergunta da hora: até que ponto esse rodopio é coisa exclusiva do presidente Trump e do Partido Republicano, que poderia ser revertida com mudança de governo, a partir do dia em que o Partido Democrata recuperasse a presidência dos Estados Unidos?

Os analistas políticos já levam em conta a possibilidade de que o presidente Trump perca a maioria nas duas casas do Congresso nas eleições de novembro. A forte queda da popularidade de Trump parece fortalecer esse resultado.

Nunes desmonta patrimônio cultural de São Paulo, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Demolição do Cruz da Esperança, tradicional espaço de cultura preta, é desrespeito à capital paulista

Revela uma visão de cidade: a do cercadinho, de um lado, e a do espaço público para todos, de outro

Realizada nesta quarta-feira (29), a demolição do Espaço Cruz da Esperança, no bairro da Casa Verde, na zona norte da capital paulista, é um dos últimos exemplos de desrespeito da Prefeitura de São Paulo com o patrimônio cultural da cidade. Fundado em 1958, o Espaço Cruz era um dos principais locais de cultura preta na metrópole, com rodas de samba, capoeira, futebol e práticas religiosas. Ao longo do dia, chegaram à imprensa denúncias de desrespeito ao patrimônio religioso, como demolição sem respeitar rituais de locais sagrados de terreiro.