Em 'Capitalismo Superindustrial', autor
defende que inovação contínua cria ilusão que transforma superlucros em renda
Fenômeno é mais visível na economia digital,
mas todas as atividades econômicas estão submetidas à nova lógica
[RESUMO] Autor sustenta que o
capitalismo não foi superado, mas transformado pela centralidade dos ativos
intangíveis, como softwares e patentes, e pela mercantilização do conhecimento.
Nesse contexto, a inovação produzida continuamente nas empresas, por equipes
criativas dedicadas, se torna fonte regular de superlucros. Trecho inédito de
"Capitalismo Superindustrial" (Zahar) discute a nova
dinâmica entre lucro e renda que levou o capitalismo a outro patamar.
No debate contemporâneo, importantes autores
comungam a ideia de que vivemos uma realidade pós-capitalista. A maioria deles
joga luz sobre um mesmo fenômeno: a perda de relevância do capital fixo em
instalações, máquinas e equipamentos frente aos ativos intangíveis como patentes,
marcas, direitos autorais, arranjos organizacionais entre outros.
Em meados de 1990, o investimento intangível ultrapassou o investimento
tangível nos Estados
Unidos, seguidos por outros países, e ele hoje é tanto maior, como
proporção do PIB, quanto mais desenvolvido o país, mais integrado globalmente
seu mercado e maior a extensão do coinvestimento do setor público.
Como todo investimento, o investimento em
intangíveis cria um ativo que custa dinheiro e gera um retorno de longo prazo
que pode, pelo menos em parte, ser desfrutado pelo investidor, o que permite
calcular seu valor. Apesar de suas peculiaridades, esse cálculo, com alguns
cuidados, pode ser integrado à contabilidade das empresas e à contabilidade
nacional.