terça-feira, 26 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Encíclica de Leão XIV sobre IA reflete realismo e sensatez

Por O Globo

Papa reconhece valor da nova tecnologia, mas aponta os riscos intrínsecos a seu avanço

Leão XIV não é o primeiro papa a se preocupar com as transformações trazidas pela tecnologia à sociedade. A inspiração explícita de Magnifica Humanitas (Magnífica Humanidade), sua primeira encíclica publicada ontem, é Rerum Novarum (Sobre as coisas novas), em que Leão XIII — inspirador também do nome adotado pelo americano Robert Francis Prevost — discorria sobre o impacto das “coisas novas” oriundas da Revolução Industrial e, ao mesmo tempo que reconhecia o valor do avanço científico, rogava pela proteção daqueles cujo trabalho ou vida fossem afetados pelas transformações. É também esse o tom de Leão XIV na encíclica que dedicou à maior revolução tecnológica em curso: o advento da inteligência artificial (IA).

Uma semana para revoltar, por Fernando Gabeira

O Globo

Quando você olha o quadro de votações dessas medidas indecentes, esquerda, direita e centro estão de mãos dadas

Chego a Brasília, e o carro desliza por longas avenidas vazias de gente. Fiz esse trajeto durante 16 anos. Ele termina num lugar onde os hotéis estão próximos uns dos outros. De seu quarto de hotel, você parte para o Congresso, um imenso ringue onde se ataca, se defende, às vezes se insulta e se é insultado, tomando rios de café em copinhos de plástico. Volta para o hotel sem saber direito o que produziu. Toma uma sopa. Amanhã recomeça.

Essas lembranças me ocupavam no caminho até que encontrei uma amiga, jornalista, com décadas de experiência em Brasília. Perguntei se estava tudo bem, e ela me respondeu: parece que vivo noutro planeta. Fiquei preocupado, pois, quando uma antiga moradora de Brasília se sente noutro planeta, o homem comum deve se sentir noutra galáxia.

Nós contra eles, por Merval Pereira

O Globo

Lula e os Bolsonaros têm apoio cego dos eleitores. Nada os abala. Lula ganhou uma eleição no auge do mensalão

Pelas informações que circulam no meio político, o presidente Lula pretende imprimir num eventual quarto mandato uma radicalização à esquerda que não esteve presente em nenhum dos anteriores. Já havia a suspeita de que ele pudesse querer deixar essa marca durante seu governo, embora, na campanha, pudesse vender a imagem de moderado para atrair um eleitor não petista que não pretenda votar em Flávio Bolsonaro. Como sempre se soube, na política uma coisa é o que se diz na campanha, outra é o que se faz durante o governo. Mas os relatos dão conta de que Lula está animado com a queda de Flávio nas pesquisas e pretende acelerar a tática do “nós contra eles”, se apoiando mesmo nas medidas já tomadas de isenção do Imposto de Renda para os que ganham até R$ 5 mil e nos ataques aos “banqueiros e milionários” que diz se aproveitarem da desigualdade social do país para enriquecer mais ainda.

Lula dobra à esquerda, Por Thomas Traumann

O Globo

A campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dobrar à esquerda. A estratégia de comunicação para dar a Lula um inédito quarto mandato será reforçar o atual slogan oficial, “um governo ao lado do povo brasileiro”, com um discurso que ataque “os privilégios dos super-ricos”. Será uma tentativa de demarcar para si o território da defesa dos interesses populares e nacionalistas, incorporando o antielitismo como eixo do futuro governo.

Esqueça o “Lulinha, paz e amor” da campanha de 2002 e, em alguns momentos, do segundo turno de 2022. O Lula candidato de 2026 vai falar mais grosso, será mais polarizante e vai cravar no bolsonarismo e na elite financeira as razões para os males do país. Se toda eleição é feita de inimigos, os do PT em 2026 serão quatro “Bs”: Bolsonaro, banqueiros, bets e as big techs.

A mudança na jornada, por Míriam Leitão

O Globo

A proposta é reduzir em dois meses para 42 horas e em um ano para 40. Casos específicos serão tratados por convenção coletiva e lei ordinária

No último fim de semana o deputado Leo Prates (Republicanos- BA), relator da PEC do fim da escala 6x1 ouviu o caso dos barqueiros no Amazonas. Há 62 municípios no estado, só em dez dá para ir de carro. Os barqueiros demoram, às vezes, oito dias para chegar no seu destino. Como cumprir uma escala cinco por dois? Diante de fatos concretos assim, ele foi formulando uma proposta para se adaptar às diversas especificidades. Por isso, colocou o teto e o piso. O teto é 30 dias. A cada 30 dias o barqueiro terá que ter oito folgas. A convenção coletiva vai dispor como serão distribuídas essas folgas.

O Papa e o trabalhador solitário, por Pedro Doria

O Globo

Leão XIV já sabia que teria de atacar, em seu papado, a questão do trabalho no tempo da inteligência artificial

Papa Leão XIV apresentou ontem, no Vaticano, a encíclica Magnifica Humanitas, celebrando os 135 anos exatos da publicação por Leão XIII de outra encíclica, a Rerum Novarum. Quando o cardeal Bob Prevost, cria de Chicago, foi escolhido papa no último conclave, tomou o nome Leão por causa da Rerum Novarum. Foi justamente em virtude do texto que estabeleceu a doutrina social católica perante a exploração absurda do trabalho no primeiro ciclo da Revolução Industrial. Prevost já sabia que teria de atacar, em seu papado, a questão do trabalho no tempo da inteligência artificial. E, cuidadosamente, apresentou o texto ontem enquanto tinha ao lado Christopher Olah, o homem de ética da Anthropic.

A encíclica de Prevost e o tema oculto da eleição no Brasil, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Alerta papal sugere que candidatos à Presidência digam o que pretendem fazer com a regulação de IA no Brasil

Levou um ano para Robert Prevost sair da sombra do carismático Francisco e começar a imprimir, ao seu papado, sua marca. A primeira encíclica, “Humanidade Magnífica”, não é apenas o clamor de uma inteligência artificial guiada pela ética. É uma exortação à sua regulação. Prevost recorre a uma palavra de sua língua materna, sem tradução, para definir o que vê como imperativo das grandes empresas que dominam o setor: “accountability”.

Fez quase um plano de trabalho: “Não basta invocar genericamente a ética. São necessários quadros jurídicos adequados, vigilância independente, educação dos utilizadores, uma política que não renuncie à sua missão. Caso contrário, a mudança será governada somente por lógicas tecnocráticas e apresentada como necessária e inevitável, acabando por impor regras efetivas, ditadas por quem detém dados, infraestruturas e capacidade de processamento”.

Indústria e/ou serviços: como o país pode enriquecer? Por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Debate interessa ao Brasil, que busca há décadas um caminho para o desenvolvimento e faz atualmente um grande esforço pela reindustrialização

Desculpem-me, vou escrever um parágrafo na primeira pessoa. Quando estive em Mumbai, em 2003, enviado pelo Valor, fiquei curioso ao ver muitos homens de branco, na hora do almoço, levando enormes pranchas na cabeça, cheias de vasilhas de alumínio. Logo me explicaram que eles eram os “dabbawalas”, que operavam um sistema de entregas de marmitas desde 1890 na megacidade indiana, ex-Bombaim.

Os dabbawalas, de trens ou bicicletas, vão aos subúrbios, coletam as marmitas nas casas de trabalhadores e, a pé, as levam ao local de trabalho das pessoas no centro da cidade. Embora o sistema tenha perdido um pouco do espaço com o home office pós-pandemia e os aplicativos, ainda existem cerca de 5 mil entregadores, que operam sem usar a internet, por meio de um genial esquema logístico quase perfeito de codificação com cores, números e letras. Atualmente, ainda entregam cerca de 200 mil marmitas por dia.

Compra de votos à luz do dia, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Congresso compra votos e decide em causa(s) própria(s), descaradamente, em ano eleitoral

O grande tema da semana é o fim da escala de trabalho 6x1, agora prevendo transição até 2027, como acertado entre os presidentes Lula e o da Câmara, Hugo Motta, e entre governo e oposição, mas essa prioridade não pode apagar os rastros destruidores do Congresso em áreas tão amplas, com um escândalo atrás do outro, sem a devida indignação, especialmente na semana passada, mas não só.

Não olhe para cima, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A Polícia Federal investigava – investiga ainda – a prática de contrabando por meio do avião do empresário Fernando Oliveira Lima, descobertos então, entre os 16 viajantes do voo em xeque, Hugo Motta e Ciro Nogueira. A notícia é de 28 de abril deste ano. O episódio, de 20 de abril de 2025. Motta já presidia a Câmara. Voltavam da ilha de São Martinho, no Caribe, paraíso fiscal e dos cassinos. Desembarcaram num aeroporto executivo em São Paulo, ocasião em que o piloto da aeronave entraria no País sem submeter cinco bagagens ao raio X. Ninguém sabe o que havia nos volumes.

Lei da Ficha Limpa está de novo nas mãos do STF, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Julgamento em curso no tribunal trata não da flexibilização, mas da anulação da essência da lei

Mudanças feitas pelo Congresso em 2025 facilitam infiltração do crime organizado na política

Há uma ação em processo de votação do plenário virtual que pode contribuir para o Supremo Tribunal Federal (STF) dar um trato na imagem e suavizar a maneira negativa como tem sido visto pela população.

O julgamento em curso não cuida da flexibilização, como se costuma dizer. Refere-se antes à anulação do fundamento que regeu a aprovação da Lei da Ficha Limpa, há 16 anos, que era o de expurgar dos pleitos autores de ilegalidades por longo tempo.

Derretimento de Flávio fragmenta o voto religioso e ajuda Lula, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Sem herdeiro da direita bolsonarista, igrejas perdem influência na eleição presidencial

Por falta de tempo, pastores e líderes buscarão seus interesses imediatos

O derretimento de Flávio Bolsonaro abriu uma oportunidade para seus adversários. Evangélicos representam um terço do eleitorado e, nos dois últimos pleitos, votaram consistentemente em Bolsonaro. Agora estão órfãos de candidato.

É equivocado falar em "evangélicos" genericamente —há muitas tensões e diferenças entre igrejas. Esse é parte do nó que Jair Bolsonaro desatou. Ele conseguiu ter apoiadores em todas as igrejas, de presbiterianos a assembleianos. O que mais ele fez?

Cadê a terceira via? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro balançou, mas não caiu, e seus rivais à direita têm desempenho pior do que o dele contra Lula

Caiado, Zema e Renan Santos nem discordam da pauta de livrar o ex-presidente da prisão

Foi um arranhão significativo para Flávio. No Datafolha de abril, ele estava numericamente à frente de Lula no segundo turno. No de sexta passada, já aparecia atrás —47% a 43%—, no limite da margem de erro.

Lula ganhou triplamente. Primeiro, porque seu principal adversário piorou sua projeção de votos no primeiro e no segundo turnos. Segundo, porque Lula vai numericamente melhor mesmo nos cenários sem Flávio. Sinal de que não foi só Flávio que caiu; Lula teve um avanço na estima do povo. Quem sabe o Desenrola, o subsídio pro carro novo, o desconto na gasolina, o auxílio gás, o fim da 6x1 e outras promessas do pacote de bondades começam a fazer efeito. Ter a caneta na mão faz diferença.

Campanha da fraternidade, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Primeiras avaliações mostram que Flávio Bolsonaro sai ferido de revelação de envolvimento com irmão Vorcaro

Escândalo, porém, não criou situação que o obriga a abandonar imediatamente a candidatura presidencial

Às vezes, invejo profissões alheias. Nos próximos meses, marqueteiros não ligados a Flávio Bolsonaro vão se divertir bolando alusões ao relacionamento fraterno entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. "Você vai mesmo votar no irmão do Vorcaro?" é a minha sugestão para os dias finais da propaganda na TV. Será a campanha da fraternidade.

Além de Vorcaro, filho 01 teme mais escândalos no Rio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Candidatura bolsonarista dá como certa a prisão de Cláudio Castro

Polícia Federal apura infiltração de múltiplos grupos criminosos no estado

Com as provas obtidas pela Operação Unha e Carne, a Polícia Federal não tem dúvida: Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —atualmente preso por ter obstruído a Justiça e vazado informações para o Comando Vermelho—, exerceu papel central na estrutura de poder do estado, com mais influência do que o ex-governador Cláudio Castro, a quem pretendia suceder para dar continuidade ao esquema de corrupção.

O Brasil entre o fascismo e a liberdade, por Ivan Alves Filho*

A presença fascista é uma questão concreta na vida republicana brasileira. De um lado, ela toma por base toda uma tradição autoritária desenvolvida no país desde os tempos da escravidão. Tivemos um governo imperial que se prolongou por quase cinquenta anos. E, depois, apresentamos uma prática republicana nem tão republicana assim. E isso desde os seus primórdios. Basta citar a repressão aos revoltosos de Canudos, na última década do século XIX, e também aos comunistas, logo que estes se organizaram em partido político

Poesia | Tudo muda... de Bertolt Brecht

 

Música | Teresa Cristina -Quintal da Magia Samba

 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

‘Super El Niño’ exigirá preparo maior do Brasil

Por O Globo

Previsão é o fenômeno mais intenso nos últimos 140 anos, agravando cheias, secas e incêndios florestais

O Brasil precisa se preparar desde já para os efeitos nefastos do próximo El Niño, fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico que favorece eventos como secas severas, grandes incêndios florestais e tempestades devastadoras. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos e da Organização Meteorológica Mundial, da ONU, mostram que a probabilidade de ele ocorrer a partir do segundo semestre deste ano ultrapassa 90%. Segundo cientistas, poderá ser o mais intenso dos últimos 140 anos e foi apelidado “Super El Niño”.

Entrevista | Governo fecha hoje proposta para transição da 6x1, diz Guimarães

Por Andrea Jubé / Valor Econômico

Ministro relata preocupação com ‘pautas-bomba’, prioriza PL dos minerais no Senado e busca reconciliar Lula e Alcolumbre

Completando 40 dias no cargo, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, afirmou que o governo apresentará nesta segunda-feira (25) sua proposta para o tempo de transição do fim da escala 6 x 1. “Buscamos uma fórmula para que não haja dúvidas quanto à execução e o seu efeito imediato”, adiantou, em entrevista ao Valor.

Essa afirmação revela um impasse, porque o governo quer uma aplicação “imediata” da nova regra, enquanto os modelos propostos pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), sugerem transição de no mínimo dois anos, e no máximo cinco anos. Ele vai  apresentar o relatório na tarde desta segunda-feira (25).

Segundo o ministro, esse é o único ponto impedindo a votação da matéria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá se reunir ainda nesta segunda com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do tema, e buscar um consenso.

Guimarães também admitiu preocupação com as bombas fiscais em andamento no Congresso, mas diz contar com a pressão dos prefeitos para barrar esses projetos. Há receio com o texto sobre as dívidas dos produtores rurais, em discussão no Senado, que tem impacto de R$ 150 bilhões em 2027.

Tendo apenas dois meses até as convenções partidárias para concluir a votação de pautas de interesse do governo, ele citou como prioridades na Câmara a proposta de emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada e o projeto que cria subsídios para conter a alta dos combustíveis.

No Senado, onde o diálogo está interditado com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) após a rejeição do nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), ele queria ver aprovados a PEC da Segurança Pública e o novo marco dos minerais críticos.

Ele confirmou que está empenhado em recompor a relação de Lula com Alcolumbre. Ressaltou que é um processo demorado, que exige habilidade, grandeza, e instou os dois a exercerem o “perdão” cristão.

Ao mencionar o episódio da derrota de Messias, Guimarães tripudiou sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal adversário de Lula na sucessão presidencial. “Quando terminou aquela votação, Flávio disse que o governo acabou”, relembrou. “Pois três dias depois, o governo deu a volta por cima, e ele é que se acabou, que se enterrou no lamaçal do Banco Master”. Uma semana depois, Lula se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em agenda que melhorou a aprovação do governo.

Guimarães acrescentou que durante a campanha, o PT vai demonstrar que a crise do Banco Master, o “maior escândalo financeiro da história do Brasil, tem olho, rosto, braço, DNA: é a família Bolsonaro”.

O ministro ressalvou que a ligação de Flávio com o Master não pavimenta a eventual vitória de Lula nas eleições. Ao contrário, disse que esta será a eleição “mais radicalizada da história”, mas vê um salto na avaliação positiva do governo, com o Desenrola 2 e o fim da “taxa das blusinhas”. 

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Flávio Bolsonaro reforça discurso religioso em meio à desconfiança de lideranças evangélicas, por Beatriz Roscoe

Valor Econômico

Pastor Silas Malafaia tem sinalizado desembarque da candidatura e defendido, nos bastidores, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro

Com a imagem arranhada após a crise desencadeada pelo vazamento de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), tem buscado se ancorar na religião para tentar reverter danos. O movimento ocorre em meio à sinalização de lideranças evangélicas de descontentamento com os fatos que vieram à tona e diante da queda do senador nas pesquisas eleitorais.

Em vídeos publicados nas redes sociais, Flávio aparece citando passagens bíblicas, participando de cultos e usando personagens religiosos para buscar sair da crise. Em um aceno ao eleitorado evangélico, o senador também passou a intensificar discursos sobre “batalha espiritual” e perseguição política, associando sua trajetória à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Políticos horríveis tomam decisões péssimas, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Projeto de lei amplia a blindagem de partidos e estimula a má qualidade do Legislativo e do que ele aprova

Estamos cansados de reclamar da nossa classe política e dizer que os políticos não nos representam. “Você acha o Congresso ruim? É porque ainda não viu o próximo”, teria dito Ulysses Guimarães, com a experiência de quem exerceu o cargo de deputado federal de 1951 até a morte, em 1992.

Escândalos de corrupção vão mudando de escala ao longo do tempo, retrocessos econômicos, ambientais e sociais são aprovados e as reformas legislativas realmente necessárias quase sempre são adiadas.

Lula terá conversa definitiva com Rodrigo Pacheco sobre eleições em Minas Gerais, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Cúpula do PT acredita que esse assunto é página virada, porém, interlocutores de Lula, de Pacheco e lideranças do PT mineiro insistem que ainda falta um encontro de ambos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) na próxima semana para uma conversa definitiva sobre a eventual candidatura dele ao governo de Minas Gerais. A cúpula do PT acredita que esse assunto é página virada, porém, interlocutores de Lula, de Pacheco e lideranças do PT mineiro insistem que ainda falta um encontro de ambos e o posicionamento público do senador para o fim do impasse.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse ao Valor que Lula resolverá, pessoalmente, a chapa petista em Minas Gerais. E a presidente do diretório mineiro do PT, deputada estadual Leninha, confirmou que lideranças regionais da sigla continuam dispostas a apoiar o ex-presidente do Senado. "Se o Pacheco resolver vir, vamos juntos com ele", afirmou.

Vem aí o estelionato eleitoral, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Eis o resumo da coisa: as bondades eleitorais são dirigidas a beneficiários específicos; os custos recaem sobre todos

Não se trata apenas de roubalheira. O dinheiro público vem sendo utilizado legalmente em benefício de candidatos às próximas eleições. O movimento mais recente nessa direção teve senadores e deputados como protagonistas. Foram aprovadas leis que relaxam os controles aplicados no uso dos fundos eleitoral e partidário — formados, é bom que se registre, com dinheiro dos contribuintes.

Candidatos e dirigentes partidários também querem mais recursos para praticar bondades eleitorais. De que são eleitorais, não há dúvida. Bondades? Aí depende. Para cidadãos, setores ou empresas beneficiados, certamente. Para o conjunto do país, poderiam ser chamadas de maldades.

Por uma Primeira Emenda tropical, por Demétrio Magnoli

O Globo

‘O Congresso não poderá fazer nenhuma lei que restrinja a liberdade de expressão’, diz o texto

Diante das eleições, Lula vestiu a fantasia de Papai Noel, engajando-se na oferenda de presentes a diversos segmentos da população. O custo é pago pelo Tesouro, em casos como a derrubada da “taxa das blusinhas”. Noutros, paga-se o preço imaterial da supressão do princípio da liberdade de expressão. É nesse escaninho que se enquadra o decreto de regulamentação de redes sociais.

O ato presidencial atribui à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), do Ministério da Justiça, a prerrogativa de fiscalizar as plataformas de rede. Seu fundamento legal é a decisão do STF, de junho de 2025, que derrubou parcialmente o Marco Civil da Internet, obrigando as big techs a remover, a partir de notificação extrajudicial, postagens tidas como ilícitas. A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) da ditadura militar ganha novo nome.

O último camisa 10, por Preto Zezé

O Globo

Ele talvez funcione como espelho de um Brasil profundamente contraditório: talentoso e inseguro

A discussão sobre Neymar nunca foi só futebol. Talvez por isso provoque reações tão intensas e contraditórias. Há quem o veja como o último grande gênio do futebol brasileiro e há quem o transforme no retrato de tudo aquilo que incomoda no país: excesso de exposição, celebridade permanente, marketing, individualismo e hiperpersonalização. Talvez a força simbólica dele esteja justamente aí. Nunca coube numa definição simples, porque o próprio Brasil também nunca coube.

Por que tamanha estabilidade? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Votação simbólica no Congresso Nacional seria apenas falta de transparência?

A grande maioria das decisões tomadas nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal tem acontecido ao longo dos anos de forma simbólica e não de forma nominal, quando é possível identificar o voto de cada legislador. No ano de 2025, por exemplo, foram 420 votações simbólicas e apenas 215 nominais na Câmara. Já no Senado, foram 126 e 25, respectivamente.

Uma possível conclusão apressada desses números seria que os parlamentares implementam esse rito sumário e interpretado por muitos como pouco transparente para evitar desgastes e custos políticos junto a eleitores e grupos de interesse diante de votações controversas.

Essa explicação, embora intuitiva, talvez esteja apenas olhando para uma perspectiva superficial do problema.

Oito anos depois da onda antipolítica, senadores eleitos em 2018 enfrentam dificuldades para se reeleger, por João Pedro Pitombo

Folha de S. Paulo

Renovação parlamentar registrada na eleição passada não deve se repetir neste ano

Dos 54 senadores em fim de mandato, 18 anunciaram que não vão concorrer à reeleição

Quando as urnas foram abertas em outubro de 2018, uma sucessão de surpresas nos estados fez com que 46 das 54 vagas em disputa fossem conquistadas por novatos, sendo 10 deles nomes sem uma trajetória anterior em cargos eletivos.

Oito anos após a onda antipolítica que ascendeu com a Operação Lava Jato e com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, os senadores eleitos naquele pleito chegam ao fim do mandato em cenário desafiador.

Levantamento da Folha aponta que 18 dos 54 senadores cujo mandato se encerra em 2027 anunciaram que não vão concorrer à reeleição. Outros 3 seguem com a situação indefinida e 33 vão tentar renovar o mandato, parte deles enfrentando dificuldades em seus estados.

Senado será renovado em dois terços, com a eleição de dois senadores em cada unidade da federação. Neste ano, a disputa terá peso estratégico em meio a um cenário de tensões entre o Executivo, Congresso e Judiciário.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) atua para ampliar a bancada conservadora mirando o enfrentamento ao STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto o presidente Lula (PT) tenta conter o avanço da ala mais radical do bolsonarismo com candidaturas próprias e alianças nos estados.

Por que o impacto eleitoral da economia está diminuindo? Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Um candidato mal avaliado pode ganhar devido à arquitetura da escolha

A literatura também mostra que, quanto mais intenso o partidarismo, maior o viés

É muito comum, sobretudo em contexto de eleições, que se especule sobre o impacto da economia sobre o voto. O bordão "it’s the economy, stupid" (é a economia, estúpido) será repetido ad nauseam. Que a própria percepção da economia seja influenciada pela preferência partidária ou lealdade individual do voto das pessoas não é novidade. Desconsiderar que as pesquisas embutem este problema (a avaliação é endógena) leva recorrentemente a equívocos.

A potência do VAAR, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Complementação monetária é conquista dos movimentos sociais negros junto ao MEC

Não é segredo que a educação amplia oportunidades e reduz desigualdades

Em tempos de Copa do Mundo, aproveito para destacar a potência do VAAR.

Não, eu não estou falando do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), mas do Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR), uma complementação monetária do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) —principal fonte de financiamento da educação pública— repassada pela União a estados e municípios.

Conquista dos movimentos sociais negros junto ao MEC (Ministério da Educação), o montante total do VAAR equivale a R$ 7,5 bilhões em 2026. É dinheiro destinado a incentivar a melhoria da gestão escolar nas redes públicas de ensino que apresentem avanços na aprendizagem e na redução de desigualdades socioeconômicas e raciais.

Poesia | Em louvor da aprendizagem, de Bertolt Brecht

 

Música | Tito Madi - Chove lá fora

 

domingo, 24 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula não encontra limite em sua gastança eleitoreira

Por O Globo

‘Bondades’ se sucedem em ritmo desenfreado e deixarão conta altíssima para o próximo governo

A obsessão do governo em distribuir “bondades” para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até as eleições começou no ano passado e não parece ter fim. Basta acompanhar a sucessão de programas ou medidas de objetivo nitidamente eleitoreiro anunciadas em ritmo a cada dia mais frenético. Todos os governos costumam ampliar gastos às vésperas das eleições. Mas Lula parece não encontrar limites.

Em novembro, o governo sancionou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Em 12 março, voltou à carga eliminando impostos federais sobre importação e venda de diesel, usando a guerra no Oriente Médio como pretexto. Menos de duas semanas depois, retomou o Plano Brasil Soberano, com crédito barato do BNDES a empresas exportadoras. Mostrando estar disposto a agradar diferentes perfis de eleitor, em abril lançou novo pacote com isenção de combustíveis e ampliou em R$ 20 bilhões os recursos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, estendendo o foco à classe média. Também em abril, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou linha de financiamento a empresas do setor aéreo. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou R$ 10 bilhões em crédito para máquinas e implementos agrícolas, e Lula ampliou o programa para compra de ônibus e caminhões.

Entrevista| 'Timing do escândalo com Vorcaro foi bom para Flávio Bolsonaro, dará tempo de se recuperar', diz Marcos Nobre

Por Vinicius Mendes – BBC News Brasil, publicada em 22 de maio de 2026.

Em entrevista à BBC News Brasil, o filósofo e pesquisador Marcos Nobre afirma que terceira via é uma 'ilusão' e contesta a ideia de que exista uma polarização no país hoje.

Embora a revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, hoje preso, tenha afetado negativamente a campanha à Presidência do filho de Jair Bolsonaro (PL), ela não será suficiente para impedi-lo de chegar, competitivo, ao segundo turno das eleições de outubro.

A leitura do cenário atual pelo filósofo e cientista político Marcos Nobre, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), porém, não vai na direção de que a polarização calcifica os polos antagônicos de forma a blindá-los de crises como essa.

Ao contrário, seu argumento é que, na estrutura da divisão social que o Brasil vive hoje, Flávio lidera a coalizão que busca interromper políticas de redistribuição de renda iniciadas nos anos 1990.

Essa coalizão, conformada por uma parte da direita tradicional e da direita radical, tem angariado votos desde, pelo menos, a eleição de 2018 — e reúne muitas condições para seguir disputando o pleito desse ano, na avaliação de Nobre.

Para ele, embora a relação de proximidade de Flávio com Vorcaro prejudique sua imagem de alguma forma, não abala sua campanha.

"Além disso, o timing da crise foi bom para o Flávio, porque dará tempo de ele se recuperar. Tem muito tempo até outubro", diz Nobre em entrevista à BBC News Brasil.

Flávio conta, para isso, com um novo ator da política brasileira, na visão de Nobre: um partido digital. Este é eixo central de O partido digital bolsonarista, livro que ele lançará em junho, ao lado da cientista política Ana Cláudia Chaves, pelo Centro para Imaginação Crítica (CCI) do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é apontado por Nobre como o líder de uma coalizão distributivista, que tem o desafio de não ter mais como acomodar o conflito pela distribuição da riqueza como fazia antes: por meio de um acordo entre as classes sociais. Foi por isso que, no atual mandato, ele partiu ao confronto com o Congresso, aponta o filósofo.

Para Nobre, é por isso que a tentativa de criar uma "terceira via" para o pleito de outubro é uma "ilusão". "Ela é como um estacionamento em que as pessoas ficam ali esperando se vão para um lado ou para o outro. É uma ideia fantasiosa", afirma.

Confira os principais trechos da entrevista.

A difícil arte da frente ampla, por Luiz Sérgio Henriques

O Estado de S. Paulo

Mais uma vez, e por toda parte, a esquerda pós-comunista, uma mancha ainda indecisa de tendências díspares, depara-se com o enigma da ampla coalizão democrática

Um mergulho no imaginário das esquerdas, em plena modernidade, permite identificar a questão recorrente de alianças e frentes. Com quais aliados contar para reformar o capitalismo, segundo os socialistas, ou para derrubá-lo, segundo os comunistas? A relação entre esses dois irmãos-inimigos atravessou boa parte do século passado, apontando o caminho seja de derrotas fragorosas, seja de momentos de resistência e avanço.

O feroz antagonismo entre os irmãos assumiu tons retóricos contundentes. Por um lado, os comunistas eram acusados de ser adeptos de soluções violentas, inviáveis no Ocidente político; os socialistas, por seu turno, não passariam de traidores da revolução, quando não de fraudulenta ala “social” do fascismo.

Fantasmas do passado, por Merval Pereira

O Globo

Lula, assim como Bolsonaro fez, está fazendo “o diabo” com o dinheiro público, e se arrisca a receber uma herança maldita, verdadeira, dele mesmo

Todo governo “faz o diabo” para continuar no poder, como já admitiu a ex-presidente Dilma Rousseff, e essa é uma das várias razões para que a reeleição seja muito contestada, tanto aos governos regionais quanto à presidência da República. Lula, assim como Bolsonaro fez, está fazendo “o diabo” com o dinheiro público, e se arrisca a receber uma herança maldita, verdadeira, dele mesmo. Já a eleição para a Câmara e o Senado obedece a uma outra concepção. Quase ninguém lembra em que candidato votou na última eleição, e o que funciona mesmo são as máquinas eleitorais regionais que, na maioria das vezes, não coincidem com quem está no comando nacional.

Um presidente, dois Brasis, por Bernardo Mello Franco

O Globo

País que elegeu Lula em 2022 era bem diferente do que elegeu Lula em 2002, afirma cientista político Jairo Nicolau

O Brasil que elegeu Lula em 2022 era bem diferente do que elegeu Lula em 2002. A conclusão é do cientista político Jairo Nicolau, que analisa duas décadas de disputas presidenciais em “O país dividido”.

O livro cruza dados e esquadrinha pesquisas para examinar as mudanças no perfil e no comportamento do eleitor. “Para onde quer que olhemos, veremos profundas transformações”, resume o professor do CPDOC da Fundação Getulio Vargas.

Em 20 anos, o eleitorado ficou mais velho, mais escolarizado e mais feminino. Ao mesmo tempo, uma revolução tecnológica mudou a forma de receber notícias e acompanhar campanhas. O horário eleitoral na TV perdeu importância, e milhões de brasileiros passaram a se informar — ou a se desinformar — pelas redes sociais.