sábado, 26 de setembro de 2026

Desafios na era digital, por Pedro Serrano

CartaCapital

As profundas mudanças causadas pelas novas formas de comunicação exigem mecanismos mais eficazes para salvaguardar o Estado Democrático de Direito

Ao traçarmos uma linha evolutiva do pensamento jurídico ao longo do último século, fica evidente que a era digital representa um marco histórico não apenas nas formas como as pessoas interagem: as transformações digitais também trouxeram novos desafios para a proteção dos direitos fundamentais na contemporaneidade. Em retrospectiva, a aplicação clássica do Direito, como ciência isolada, através da visão de puristas como Hans Kelsen, perdeu espaço no período pós-Segunda Guerra Mundial. Naquele tempo de reconstrução, não era mais plausível o entendimento de que o Direito caminharia fundado em critérios estritamente objetivos, autônomos e neutros em relação aos valores morais e à política, conforme defendia Kelsen.

De Tocqueville às big techs, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

As plataformas digitais solapam os ideais de igualdade nos Estados Unidos celebrados pelo chanceler francês

As turbulências trumpistas que assolam a sociedade e a política do Grande Irmão do Norte recomendam uma ­revisita a Alexis de ­Tocqueville. Ele escreveu na Introdução de seu livro, o clássico Democracia na América: “Entre os novos objetos que, durante minha estada nos Estados Unidos, chamaram ­minha atenção, nenhum me impressionou tanto quanto a igualdade de condições. Descobri sem dificuldade a influência ­prodigiosa exercida por esse primeiro ­fato no andamento da sociedade; ele confere ao espírito público uma certa direção, um certo curso às leis; aos governantes, novas máximas; aos governados, hábitos particulares”.

Democracia em perigo, por Leonardo Avritzer e Carmen Leitão*

CartaCapital

Entre a erosão interna e a coerção externa

Desde o pós-Guerra, os Estados Unidos reivindicaram um papel central na defesa internacional da democracia e dos direitos humanos. Ao longo das décadas, combinaram a participação na construção de instituições multilaterais com instrumentos próprios de avaliação e de pressão sobre outros países, como os relatórios de direitos humanos do Departamento de Estado. A esse repertório somaram-se as sanções da Lei Magnitsky e, em outra frente, as designações de organizações estrangeiras como terroristas, com efeitos para além das fronteiras norte-americanas.

Sinais trocados e país dividido, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Pesquisas indicam espaço para novo movimento por voto útil

A dez dias da eleição, os institutos parecem discutir entre si. A AtlasIntel dá a Lula 45,8% contra 43,4% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e ainda o mantém à frente no segundo, por 47,7% a 47,4%. A Quaest registra Lula com 37% e Flávio com 33%, mas inverte no segundo turno: 42% a Flávio e 41% a Lula. Tudo dentro da margem de erro, com ressalva relevante: no início do mês, a mesma Quaest ainda concedia 7 pontos de vantagem ao presidente.

A série histórica ajuda a entender o momento. Nas últimas cinco eleições, o Datafolha feito a dez dias do pleito chegou perto do resultado obtido pelo candidato do PT. Lula tinha 49% em 2006 e fez 48,6%; Dilma marcava 46% em 2010 e acabou com 46,9%; Lula aparecia com 47% em 2022 e alcançou 48,4%. Com seus adversários, ocorreu algo diferente. Alckmin passou de 31% para 41,6% em 2006, Aécio de 18% para 33,5% em 2014, Bolsonaro de 28% para 46% em 2018 e de 33% para 43,2% em 2022. Na véspera do segundo turno de 2022, Lula tinha 52% contra 38% e acabou vencendo por apenas 50,9% a 49,1%. Em boa medida, esse movimento decorre do voto útil.

Desalento, por José Casado

Revista Veja

No segundo turno, talvez o eleitor descubra o que governo e oposição querem fazer com o país

Pedro Paulo Soares Pereira é um rebelde da periferia paulistana. Por trapaças da história, aos 56 anos o Mano Brown, do grupo de rap Racionais MC’s, passou a suspeitar que tenha virado um conservador.

Não perde o humor: — Vocês sabem que pega bem, pega muito bem, pra um rapper ser um defensor do sistema e do presidente? — disse numa conversa recente com outro poeta, Nei Lopes, e a cantora e atriz Thalma de Freitas.

— É realmente o fim do mundo! — ela replicou, rindo.

Precisamos conversar sobre o STF, por Marcus Pestana

É inacreditável o que está ocorrendo. Nossa Suprema Corte, o STF, virou assunto de botequim. Inconcebível que o impeachment de ministros do STF tenha virado o principal assunto da campanha de 2026, em clima de Cruzeiro X Atlético ou de Fla X Flu. Há temas envolvendo nossa organização econômica e social e a inserção do Brasil numa realidade global turbulenta muito mais importantes.

Daron Acemoglu e James Robison em seu best seller “POR QUE AS NAÇÕES FRACASSAM” argumentam que o sucesso ou o fracasso de uma país depende da qualidade das instituições, onde há instituições inclusivas, que promovem a participação da população e a inovação, e instituições extrativas, que concentram o poder em uma elite dominante. O livro resultou no Prêmio Nobel de Economia para Acemoglu e Robison, em 2024.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ofensiva miliciana

Por CartaCapital

O que está em jogo nas eleições 

No domingo 4 os brasileiros irão às urnas escolher o próximo presidente da República. A estabilidade das pesquisas e o desinteresse transversal pela disputa dificultam a interpretação da vontade popular. Tudo é possível neste momento, inclusive uma definição ainda no primeiro turno, a depender da desidratação das variações do bolsonarismo que terão seus nomes nas urnas. Augusto Cury, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado flertam cada vez mais com a irrelevância.

Após três semanas nas quais o único assunto no País parecia ser a crise no Supremo Tribunal Federal, abriu-se, na reta final da campanha, uma janela por onde adentram temas mais relevantes para o futuro, da soberania à sobrevivência das instituições. Enquanto o debate esteve interditado por uma manobra eleitoreira do ministro André Mendonça, do STF, os eleitores ficaram praticamente impedidos de analisar o currículo dos candidatos. No caso de alguns, da ficha corrida. Algo mudou.

Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária)

“Somente a ralé e a elite podem ser atraídas pelo ímpeto do totalitarismo, as massas têm que ser conquistadas por meio da propaganda. Sob um governo constitucional e havendo liberdade de opinião os movimentos totalitários que lutam pelo poder podem usar o terror somente até certo ponto, como qualquer outo partido, necessitam granjear aderentes e parecer plausíveis aos olhos de um público que ainda não está rigorosamente isolado de todas as outras fontes de informação.”

*Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020,

Poesia | O analfabeto político, de Bertolt Brecht

 

Música | Boca Livre - O Trenzinho do Caipira com poema de Ferreira Gullar

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master lança suspeita sobre origem de precatórios

Por Folha de S. Paulo

Vorcaro investiu R$ 14,3 bi em ações contra o poder público que dependiam de tribunais para serem lucrativas

Indícios levaram o CNJ a cancelar o pagamento de R$ 4,7 bi em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao Master

Em uma nova frente de investigação das fraudes do Banco Master, suspeita-se que um dos ramos de atuação da gangue de Daniel Vorcaro era o suborno de juízes, tentado ou bem-sucedido, a fim de obter ganhos no mercado de precatórios —dívidas do setor público arbitradas pelo Poder Judiciário.

Como revelou a Folha, Vorcaro tem ao menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais dependentes de decisões de tribunais para se tornarem lucrativas. Tais ativos estavam entre os principais negócios do Master, operados no mercado de valores a receber de precatórios.

Macunaíma no poder, por José de Souza Martins

Valor Econômico

O Brasil “inventou” o capitalismo anticapitalista, o do lucro privado baseado no prejuízo coletivo, contra o país. O capitalismo do herói sem nenhum caráter

Os políticos brasileiros, desde a Proclamação da República, no geral, têm sido representantes de si mesmos no poder. Têm se empenhado em criar e demolir partidos para gestar variantes de um partido nacional macunaímico, com a diabólica estrutura de que é de todos e de nenhum ao mesmo tempo. De esquerda ou de direita ou de extremo centro, basta olhar a cena com a lupa do pensamento crítico e veremos que Macunaíma está lá e, portanto, nós não estamos lá.

Macunaíma é o herói sem nenhum caráter. É todos e não é nenhum. Tenta, mas não consegue ser. Nasceu em Araraquara (SP), na Chácara Sapucaia, em que Mário de Andrade passava um mês de férias, entre o fim de 1926 e o começo de 1927.

Na chácara de seu tio, Pio Lourenço Corrêa, cuja avó, em Araritaguaba, ainda falara nheengatu, a “língua bonita” dos mamelucos, mestiços de branco e índia, brasileiros da servidão, que se tornarão o caipira e tudo o que o caipira representará na história do Brasil.

Fé e disputa pelas periferias. Igreja Católica entra na eleição, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, também defendeu a formação da consciência dos eleitores. O alto clero católico pretende protagonizar o julgamento moral da eleição

Ao pedir que os fiéis votem pela democracia, o alto clero católico entrou na campanha eleitoral. Não declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva nem pediu votos contra Flávio Bolsonaro. Mas a orientação é um divisor de águas num país em que o candidato do PL herda a aliança do bolsonarismo com lideranças evangélicas. A opção dos bispos é disputar os critérios do voto: a defesa das instituições, dos pobres e da liberdade de consciência diante da tentativa de transformar a autoridade religiosa em cabo eleitoral.

O recado mais recente veio da Amazônia: "Nós não temos partido. Mas temos uma causa: o Evangelho e os pobres. Vote pela democracia", disse o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus,  em vídeo divulgado nesta semana. Dom Guilherme Werlang, bispo de Lages (SC), advertiu contra a manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus: "As igrejas não são currais eleitorais". Ao lado de outros bispos, eles também trouxeram para a escolha eleitoral duas bandeiras de Lula: a soberania nacional e a proteção da Amazônia. Entretanto, nenhum candidato foi citado, apesar de as declarações confrontarem práticas e discursos associados à campanha bolsonarista.

Pesquisa reforça cenário de definição no segundo turno, por César Felício

Valor Econômico

O que é possível apostar é que tanto Lula quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24) deve atenuar a euforia entre os bolsonaristas que nos últimos dias trabalhavam com o cenário de uma virada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, que poderia culminar até mesmo com a vitória já no dia 4 de outubro.

A intenção de voto no senador interrompeu a trajetória de alta das últimas três rodadas, permanecendo em 36%. E Lula cresceu um ponto, voltando ao patamar de 40% que tinha em julho. Mas o presidente continua patinando na avaliação de governo, cujo índice de bom e ótimo não cresce, e na aprovação pessoal, que oscilou um ponto percentual para baixo na última semana.

A mão que lavou dinheiro do 'Dark Horse' lavou também o do PCC, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Operação Carbono Oculto avança sobre investigação de relação entre facções, setor de combustíveis e fintechs

A terceira fase da operação Carbono Oculto indica que, ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro do Master, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ajudou o crime organizado. Se o Master, na cabeça do eleitor, virou uma arca de Noé, este vínculo só um candidato tem, não por acaso, o único da disputa presidencial investigado na operação.

Foi o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quem chegou mais perto de colocar o guizo no gato ao explicar a movimentação ilegal de R$ 11,6 bilhões apurada pela Receita Federal: “O recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso, aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa, se tem dinheiro do PCC, de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo fundo”.

A sorte de Flávio Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Pego na mentira mais uma vez, candidato conta com tolerância de seguidores do pai

Aconteceu em 1993, na CPI dos Anões do Orçamento. Acusado de chefiar um esquema de pilhagem do Tesouro, o deputado João Alves disse ter vencido 200 vezes na loteria. “Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro”, garantiu, para gargalhada geral.

Trinta e três anos depois, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior se mostrou ainda mais afortunado. Alvo da Operação Carbono Oculto, ele apareceu 570 vezes como “ganhador” em comunicações de prêmios e apostas. Usou a sorte como pretexto para movimentar R$ 176,4 milhões.

Conhecido como o homem da mala de Daniel Vorcaro, Freixo Júnior também está envolvido na trama do ‘Dark Horse”. Figura como financiador do que seria o filme mais caro da história do cinema brasileiro. A se acreditar nas palavras de Flávio Bolsonaro, que não devem ser compradas pelo valor de face.

Debate pode tirar a eleição do escuro, por Vera Magalhães

O Globo

Primeiro e único confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro pode ocorrer dois dias antes do pleito e lançar luz sobre propostas e comparações de governos que ficaram em segundo plano diante de escândalos

O debate da TV Globo, na próxima quinta-feira, é a última chance de a eleição presidencial sair do absoluto breu em que é disputada, com o enorme risco que isso representa para o dia seguinte ao segundo turno. Ao que tudo indica, Lula e Flávio Bolsonaro sairão da retranca em que se colocaram e ficarão frente a frente pela primeira vez. O empate rigoroso entre ambos impede que um deles decida faltar a um programa tradicional, que tende a registrar audiência maciça.

O histórico irregular de performances de um e de outro em eventos do tipo e a quantidade de lama jogada no ventilador, sobretudo nas duas últimas semanas, desde que veio a público o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, não permitem prever favoritismo ou que rumo a discussão tomará. Mas é possível cravar que será o primeiro momento em que um eleitor entre apático e enojado parará diante da TV para prestar atenção ao que os candidatos a presidir o Brasil pelos próximos quatro anos têm a lhe propor.

Carta ao Flamengo, por Pablo Ortellado

O Globo

O dinheiro das bets é volumoso e permite contratar jogadores, mas o benefício não compensa o mal que faz às famílias

Querido Clube de Regatas do Flamengo,

Na quinta-feira da semana passada seu perfil oficial postou uma nota no Instagram anunciando “o fim do futebol brasileiro” se o governo federal proibisse as bets. A nota apresenta o patrocínio das bets como uma das principais fontes de receita do futebol brasileiro e credita a ele a hegemonia recente dos nossos clubes na Libertadores e na Sul-Americana. Adverte que uma mudança “abrupta” nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e poria em risco contratos já firmados. No final, conclui que a proibição só pioraria a situação. Sem o mercado regulado, diz, os apostadores migrariam para plataformas clandestinas, que não seguem regras nem colaboram com as autoridades. A nota gerou forte reação da torcida, com 9 em cada 10 comentários criticando sua posição. Gostaria de me juntar a esses torcedores.

Disputa pode ser a mais acirrada, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Diferença do porcentual de votos entre Lula e Flávio é ainda menor do que a da eleição de 2022

A disputa entre o presidente Luiz Inácio da Silva, que tenta a reeleição, e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pode ser a mais acirrada e polarizada da história do Brasil desde 1994. Pelo menos é isso que indicam as pesquisas eleitorais até agora. De acordo com a mais recente pesquisa Quaest, a diferença entre as intenções de voto dos dois candidatos é de apenas 4,7 pontos porcentuais, com Lula atingindo 43,5% dos votos válidos no primeiro turno, e Flávio com 38,8%.

Neste momento, a distância é ainda menor que a já disputadíssima eleição de 2022, quando Lula ficou com 48,3% dos votos válidos no primeiro turno e Jair Bolsonaro com 43,2% – uma diferença de 5,2 pontos porcentuais.

Flávio sai da zona de conforto, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Depois de represadas, revelações sobre Flávio Bolsonaro e a ‘Turma do KN’ saem aos borbotões

Quando se pensa que já se viu de tudo e que o mais grave sobre o escândalo Master já tinha vazado, novas revelações sobre Flávio Bolsonaro e a “turma do KN”, que estavam represadas no STF e nos órgãos de investigação, começam a surgir aos borbotões e, tal como as suspeitas sobre Alexandre de Moraes, não têm resposta.

“Irmão” de Vorcaro, a quem visitava e mandava mensagens, inclusive para pedir R$ 134 milhões, Flávio tem empresas que dividem endereço e contador com as do “Careca do INSS”, que dispensa apresentações, e fez safáris na África do Sul com o deputado Weverton Rocha e o advogado e “amigão” Willer Tomaz, ambos metidos nas fraudes do... INSS.

Ah! Willer Tomaz comprou de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o apartamento usado por Flávio na pré-campanha à Presidência em São Paulo. Numa estranha aritmética comercial, Zettel comprou o imóvel por R$ 5,5 milhões e, meses depois, em fevereiro deste ano, vendeu para Tomaz por R$ 3,5 milhões. Muita generosidade.

Adeus Supremo, alô Supremo, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Temos diante de nós uma Corte Suprema que perdeu a credibilidade e não será possível restabelecê-la se continuar como está

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) abre uma grande oportunidade de reforma do Judiciário. A simples ideia de reforma não é necessariamente uma boa notícia nos dias de hoje. Hungria e Polônia fizeram reformas destinadas a diminuir o poder do Judiciário, assim como a proposta israelense que suscitou muitas manifestações populares de protesto.

A ideia de reforma do Judiciário não significa que temos um sistema petrificado. Ao contrário, o Código de Processo Civil de 2015 foi uma inovação. Da mesma forma a criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2004, a criação da súmula vinculante, uma síntese das decisões do STF que orienta todas as instâncias do Judiciário.

Lula tem 47% das intenções e Flávio Bolsonaro, 45%, no segundo turno, aponta pesquisa Datafolha, por Pedro Augusto Figueiredo

O Estado de S. Paulo

Segundo levantamento, petista e senador do PL estão tecnicamente empatados na disputa presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continuam empatados tecnicamente em um eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República. Conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 24, o petista tem 47% das intenções de voto contra 45% do candidato do PL. Brancos e nulos são 7% e indecisos, 1%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Na pesquisa divulgada há uma semana, em 17 de setembro, Lula marcou 46% e Flávio, 44%.

Datafolha: Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 36% em 1º turno; rivais empatam em 2º turno, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Cury (5%), Caiado (4%) e Renan (3%) seguem abaixo, fazendo líderes pregarem voto útil em seu favor

Na segunda rodada, instituto aferiu que o presidente tem 47% e filho do antecessor Jair Bolsonaro, 45%

A corrida presidencial de 2026 chega às portas de sua última semana com Lula (PT) marcando em cenário de primeiro turno 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, há empate, com 47% para o mandatário e 45% para o senador fluminense.

O acirramento já estava dado nas últimas rodadas aferidas pelo Datafolha. Numericamente, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos, Flávio contudo não manteve a ascensão gradual que havia reduzido a diferença entre ele e Lula de 10 para 3 pontos em quatro meses.

Agora, a distância voltou a 4 pontos, o que configura empate no limite da margem de erro, com probabilidade estatística maior de que o petista esteja à frente.

A eleição e o Brasil que vira lixo da festa dos quengos de tribunais, finança e política, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Maré de lama pega tanta gente e já é tão confusa que pode parar de afetar votos

No Datafolha, Flávio para de subir; avaliação do governo Lula passa por despiora

Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes viajaram no mesmo jatinho, segundo reportagem da revista Piauí. Bolsonaro disse que não pegou carona em avião de Daniel Vorcaro, mas no de Willer Tomaz, seu amigão de safári e muito mais, acusado de estar enrolado na roubança do INSS. "Desculpe, foi engano", como se dizia ao telefone antigamente. O escândalo seria outro, nos corrige Flávio. O tal avião, enfim, seria de uso compartilhado dos escandalosos, por assim dizer —seria propriedade de sócios, entre eles Vorcaro e Tomaz.

As notícias dessa comunhão dos infernos não pararam por aí, nesta quinta (24) de maré muito alta de lama. A questão mais imediata é o efeito político-eleitoral do conhecimento progressivo do fato de que o Brasil virou lixo da festa dos quengos.

Guerras intestinas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Polarização e empate virtual colocaram campanhas em modo vale-tudo

Moderação deixou de ser virtude, mas eleitor centrista ainda deverá ter palavra final

Sempre gostei da expressão "guerras intestinas". O adjetivo "intestino" denota com precisão etimológica que o conflito se dá entre facções "internas" a um país e, ao mesmo tempo, torna quase inafastável a interpretação conotativa de que se trata de uma guerra que envolve sujeira e baixarias. Nós quase sentimos o cheiro ruim da disputa. A campanha presidencial brasileira se tornou uma guerra intestina.

Os dois campos principais parecem ter perdido o pudor e recorrem a estratégias e truques que provavelmente evitariam num embate menos polarizado. Populismo e mentiras sempre se fizeram presentes em campanhas, mas agora correm quase sem limites. A cara de pau e a hipocrisia, idem. E ambos os lados mobilizam todos os recursos que têm à sua disposição, incluindo suas respectivas bancadas no STF, que vai acumulando mais camadas de degradação institucional.

Suplentes sem voto evocam herança da ditadura no Senado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Legislativo é o único dos Poderes cuja composição depende 100% das escolhas da sociedade

Exceção são os senadores reservas, que não passam pelo crivo do eleitor e distorcem a representação dos estados

Pesquisa recente Atlas/Estadão sobre a confiança do público nas instituições traz a esperada queda no conceito do Supremo Tribunal Federal e confirma que o Congresso Nacional tem o mais baixo índice no quesito: só 8% confiam nos próprios representantes.

O Parlamento e os partidos sempre figuraram nos últimos lugares nesse tipo de levantamento. Dessa realidade emerge um paradoxo: o Poder Legislativo é o único dos três pilares da República cuja composição depende 100% das escolhas da população.

Longe do bafo do povo, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Bocas-livres, putas, surubas, charutos, uísques, jatinhos, comissões e contratos

Só provincianos, cafonas e deslumbrados se deixam vender por tão pouco

Ninguém precisa acreditar, mas, há pouco mais de cem anos, ministros de Estado, parlamentares da pesada e juízes superiores iam de bonde para o trabalho. Aguardavam na fila, subiam pelo estribo e sentavam-se ao lado de pessoas como você e eu. Todos moravam no Rio, em casa comprada com seus recursos ou alugada de particulares. Suas mulheres organizavam chás de caridade, lanchavam na Colombo e participavam de saraus literários. Seus filhos estudavam em escolas públicas, remavam no Flamengo e trabalhavam no comércio. O Rio era a capital federal e, em torno do poder, situado no centro da cidade, havia uma coisa chamada povo.

Poesia | Thiago de Mello - Faz escuro, mas eu canto

 

Música | Marisa Monte e Paulinho da Viola - Dança da Solidão

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Direita latino-americana segue plano temerário de Trump

Por Folha de S. Paulo

14 países da região que integram o Escudo das Américas decidem tratar como terroristas facções como o PCC

Sob Trump, estratégia dá margem a arbitrariedades; para os brasileiros, não importa o nome dos grupos, e sim o combate a eles ser resolutivo

Se o Itamaraty foi apanhado de surpresa pela decisão de 14 países da América Latina de acompanhar os Estados Unidos na classificação do PCC e de outras quadrilhas como organizações terroristas, chama a atenção menos o conteúdo da declaração —às margens da Assembleia Geral da ONU— e mais o isolamento diplomático do Brasil.

Não é trivial articular uma negociação entre tantas nações sem que informações vazem para outras partes interessadas.

Entre os participantes do Escudo das Américas, a iniciativa envolvendo governantes latino-americanos simpáticos a Donald Trump, há vizinhos do Brasil, como Argentina, Colômbia e Bolívia. Seus corpos diplomáticos não são estranhos ao Itamaraty.

Escudo de Trump mira ponto fraco de Lula e cerca as fronteiras do Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O crime organizado virou uma patologia no Brasil. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) já não são somente quadrilhas dedicadas ao tráfico

O beabá da sociologia moderna começa com uma grande provocação de seu criador, Émile Durkheim, sociólogo, antropólogo e filósofo francês, que forma a santíssima trindade dos pensadores clássicos das ciências sociais com Karl Marx e Max Weber. O seu principal mérito foi emancipar a sociologia como disciplina autônoma, elaborando um método científico próprio e diferenciando-a da psicologia e da filosofia. A provocação foi afirmar que o crime é um fato social normal, em As Regras do Método Sociológico (Martins Fontes).

Durkheim não pretendia justificá-lo. Ao contrário, assinalava que nenhuma sociedade conhecida havia eliminado as transgressões e que a reação a elas reafirmava as regras coletivas. Para o sociólogo, o “normal” é todo fenômeno recorrente em sociedades de um mesmo tipo e estágio de desenvolvimento. O “patológico” aparece quando esse fenômeno ultrapassa certos limites e compromete a vida coletiva. A fronteira, portanto, não separa sociedades com crime daquelas sem crime, mas sociedades capazes de fazer valer suas regras diante do crime daquelas em que o poder criminoso passa a disputá-las.

Futuro nunca passou tanto pelo Senado quanto agora, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Poder dos senadores sobre o mandato dos ministros do STF e sobre a reforma dos tribunais superiores despertou interesse inaudito na disputa

A disputa pelo Senado sempre foi a que menos mobilizou o eleitor. Desta vez, é diferente. Não há exatamente entusiasmo pela disputa porque o desalento grassa em todas as campanhas e para todos os cargos. Mas os desatinos do Supremo Tribunal Federal despertaram o interesse pela disputa na Casa que não apenas sabatina e vota os indicados à Corte como também pode definir sua degola.

Medir este interesse em pesquisa não é fácil por conta das duas vagas. Nomes que aparecem como segunda ou terceira opções do entrevistado podem acabar aparecendo na liderança pela soma das menções. Ainda que se dê o malefício da dúvida às pesquisas que circulam por aí, há convergência de que este basta ao STF não será suficiente para garantir uma maioria bolsonarista ao Senado. As projeções mais confiáveis indicam um equilíbrio entre Centrão e PL, ficando os partidos mais à esquerda como a terceira força da Casa. A renovação dará, ainda, um peso maior às mulheres.

O STF e as eleições, por William Waack

O Estado de S. Paulo.

Qualquer que seja o resultado eleitoral deste ano, a crise no Supremo vai se ampliar

O quatriunvirato que se vê dono do STF provocou a fusão da crise dessa instituição com as eleições, transformadas por eles mesmos em questão existencial quando aberta e publicamente apostaram as fichas em Lula. Trouxeram uma luta pelo poder disputada nas urnas para dentro do STF.

A Corte acabou sendo levada pelo mesmo quatriunvirato à condição de símbolo de proteção do patrimonialismo, isto é, quando grupos privados se apropriam do Estado em defesa de interesses próprios. É completa bobagem acreditar que uma derrota de Lula significaria o fim do patrimonialismo, ou do “sistema”, mas é desse jeito que uma enorme parcela do público “sente” a atmosfera política, fulanizada nas figuras dos ministros.

STF tem encontro com código de ética, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

A depender das decisões tomadas, Corte poderá evitar ou acelerar interferência externa

Passadas as eleições, dois assuntos que foram empurrados para debaixo do tapete vão pautar o Supremo Tribunal Federal. O primeiro é decidir o que fazer com indícios de que ministros receberam vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Em paralelo, Cármen Lúcia anunciou a pessoas próximas que vai apresentar o texto de um código de ética para os integrantes do tribunal.

Hoje, a probabilidade de um código ser aprovado no tribunal é mínima. Ainda assim, o presidente Edson Fachin insiste no projeto. A estratégia não é teimosia, mas uma espécie de redução de danos. Para ele, apontar desvios éticos ou indícios de cometimento de crimes dos pares não tira credibilidade do tribunal – ao contrário, mostraria que a Corte tem mecanismos internos capazes de resolver as próprias crises.

Uma eleição bem diferente, por Míriam Leitão

O Globo

A 10 dias do primeiro turno, o Brasil segue sem discutir propostas. Nunca se foi tão longe nesse processo de alienação da realidade quanto nesta campanha

A eleição deste ano não tem qualquer discussão de política pública, e o processo está sendo soterrado por um tsunami de notícias sobre escândalos. Algumas sérias, outras usadas para confundir. Em ambiente assim, é melhor separar o fato da fumaça feita para esconder a realidade. O candidato Flávio Bolsonaro entrar com uma notícia-crime contra o presidente Lula por suposta relação com Daniel Vorcaro, e por, talvez, ter recebido um whisky, é pura fumaça. Vamos aos fatos. O Banco Central não permitiu a compra do Master pelo BRB, liquidou o Master e denunciou os indícios de crime. A Polícia Federal investigou e prendeu Vorcaro, o pai do Vorcaro, o primo e o cunhado. Em que o governo beneficiou o ex-banqueiro?

Flávio Bolsonaro diz que “conforme foi noticiado”, o advogado Walfrido Warde, que defendia Vorcaro à época, “relata ao seu cliente sucessivas ações destinadas a aproximá-lo do presidente Lula e de autoridades do governo federal”. Registra a reunião que houve no Planalto e cita que “pouco mais de um mês depois” o advogado encaminhou ao Vorcaro “mensagem que indica o recebimento de presente (whisky) do banqueiro por parte do presidente Lula”.

Campanha desanimadora, por Merval Pereira

O Globo

Os dois lados não procuram atrair o eleitor pelo que podem vir a fazer, mas pelo que pode afetar o concorrente.

A campanha presidencial está tão anódina que ambos os lados aguardam um escândalo para destravá-la. Não procuram atrair o eleitor pelo que podem vir a fazer, mas pelo que pode afetar o concorrente. A disputa de rejeições parece determinar os passos de cada um, não as qualidades próprias ou os projetos para o país. Nunca, também, houve tanto sexo nas elucubrações da boataria; a festa dos astronautas promovida pelo banqueiro-bandido Daniel Vorcaro parece que mexeu com a criatividade do pessoal de marketing das equipes.

Flávio mira voto útil na reta final, por Julia Duailibi

O Globo

Candidato aposta na tese de que é o principal destinatário dos votos dos demais concorrentes

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi às redes sociais fazer um apelo aos eleitores dos candidatos à Presidência que estão no terceiro pelotão das intenções de voto.

— Votar no FB no primeiro turno é tirar a chance de defesa do inimigo — afirmou, numa referência às iniciais de Flávio Bolsonaro, aos eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.

A ação faz parte de uma ofensiva maior pelo voto útil nos últimos dias, colocada em campo por Flávio e aliados, inclusive pelo governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas:

— Vamos olhar a coisa com pragmatismo. Não dá mais para ter o PT. Está na hora de todo mundo vir com Flávio.

O que fazer em uma eleição que pode ser decidida no primeiro turno, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

A esta altura de 2022, vantagem de Lula era maior, e rejeição, menor que a dos Bolsonaro

Pelas estatísticas das pesquisas, por ora, decisão ainda vai para o segundo tempo

A eleição para presidente vai ser decidida no primeiro turno? Na falta de debate com substância, a quase isso se reduz a conversa. Há dois cavalos disparados na frente, disputando a vitória cabeça a cabeça, enquanto parte dos espectadores mais poderosos ou bem mais armados atira nos cavalos-candidatos. São, por exemplo, balas de vazamentos de tantos escândalos, tiradas do arsenal dos porões das polícias e da Justiça. Desde agosto, Luiz Inácio Lula da Silva leva mais desses tiros.

Pelas pesquisas mais recentes, é possível que um candidato tenha agora mais de 50% dos votos? Na aritmética, não. Tudo mais constante, a migração de votos de outros candidatos para os líderes não seria suficiente para resolver a disputa na primeira volta. É o que se pode depreender com base no que diz o eleitorado sobre um possível voto alternativo no primeiro turno ou sobre sua preferência de transferência de voto no segundo turno, considerando os casos mais extremos de quantidade de mudança. No entanto, nessa aritmética mais extrema, as votações estão perto do limiar de 50%.

A Grande Ficha, ela tem que cair, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Está em jogo a renúncia da soberania territorial, financeira, tecnológica e ambiental

O voto se descolou ainda mais de fatos, da análise comparativa de políticas públicas, das soluções para angústias reais

Nunca foi fácil realizar debate eleitoral profundo nas democracias de massa. Ainda menos em sociedades tão desiguais e diversas. A competição por votos tende a convidar a demagogia e a mentira. Fair-play é para losers.

Por isso o ideal de eleições "livres e justas", em que cidadãos se informem e façam escolhas autônomas, sempre pareceu inflacionado. Nos contentamos com regulação de campanhas, com a contagem fidedigna dos votos, a regularidade formal do processo.

E ficou muito mais difícil na última década.

A frustração com a insegurança material que a democracia tem entregado, somado a um ambiente informacional governado por plataformas pluto-algorítmicas, só fazem turbinar as dissonâncias cognitivas, o medo do futuro e a tentação por soluções messiânicas. O voto se descolou ainda mais de fatos, da análise comparativa de políticas públicas, das soluções para angústias reais.