terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Opinião do dia – Rubens Ricupero*

Valor: A própria democracia americana está hoje em risco?

Ricupero: Ele é a maior ameaça que a democracia americana enfrenta desde a Guerra Civil Americana, em 1865. Representa em ideias tudo que é anti-iluminismo, antiprogresso, anticiência.

*Da entrevista no Valor Econômico, hoje, 20/01/2026.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ainda é a economia

Por Folha de S. Paulo

Haddad diz que tema não será tão decisivo na eleição, mas Lula aposta em renda elevada por gasto público

Quaisquer que sejam as preocupações primordiais do eleitorado, seu enfrentamento depende de crescimento duradouro e solvência do Estado

Em entrevista ao UOL, o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, disse acreditar que a economia não derrotará o governo nas eleições deste ano, assim como não garantirá sua vitória. A declaração é prudente e adequada a um ocupante do cargo, mas decerto não corresponde ao que aposta o chefe.

Haddad argumenta que, em recente pesquisa Datafolha, realizada em dezembro, economia, inflação e preços altos foram apontados como os principais problemas do país por não mais de 11% dos entrevistados, atrás de saúde (20%) e segurança (16%). Aponta ainda que o tema continua importante no mundo, mas é menos decisivo num cenário de polarização política.

A direita dividida. Por Merval Pereira

O Globo

Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político

Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada. Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.

A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril. Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.

Lições do massacre. Por Fernando Gabeira

O Globo

As revoltas de agora em Teerã trazem fatos novos. O primeiro é a presença dos jovens

O Irã é um país distante, eu sei. No entanto não é tão distante quando se sabe que milhares de pessoas são mortas lutando pela liberdade.

Por coincidência, na semana anterior ao massacre eu tinha dado um livro a minha filha: “Lendo Lolita em Teerã”. Sua autora, Azar Nafisi, é uma de minhas referências na tentativa de entender o país. Professora de inglês, autora de ensaios sobre Vladimir Nabokov, ela escreveu uma autobiografia interessante, “Things I've been silent about” (Coisas sobre as quais silenciei).

Bancos vão pagar uma conta alta. Por Míriam Leitão

O Globo

O BC criará um Índice de Liquidez de Ativos para as instituições financeiras, com objetivo de evitar casos como o do Banco Master

Chegou a hora de pagar a amarga conta da fraude do Master e ela será dos bancos, principalmente dos maiores. Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa poderão ter que despender de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões cada um para recompor o Fundo Garantidor de Crédito. Há quem fale em R$ 6 bilhões. Em outras palavras: haverá dinheiro público de bancos estatais na quitação do sinistro. Desde ontem, o FGC está restituindo aos investidores até o valor garantido, mas depois será necessário refazer o fundo. O rombo pode chegar a R$ 50 bilhões. As instituições terão que antecipar cinco anos de contribuição e aumentar o percentual da contribuição.

O velho cientista de IA. Por Pedro Doria

O Globo

Diferentemente do resto do Vale do Silício, a companhia não consegue acertar em inteligência artificial

Yann LeCun anunciou que deixaria a Meta, casa de Facebook, Instagram e WhatsApp, em novembro último. A saída parecia cordial. Aí, não faz uma semana, ele deu uma entrevista pesada — e a bomba estourou. A Meta deverá anunciar um número grande de demissões ainda nesta semana porque atravessa uma crise profunda. Diferentemente do resto do Vale do Silício, a companhia não consegue acertar em inteligência artificial. É nesse contexto que terminou se demitindo um dos três nomes que inventaram a tecnologia por trás da IA.

Entrevista: ‘Trump é a maior ameaça à democracia dos EUA desde a Guerra Civil’

Por Daniela Chiaretti e Roberto Lameirinha / Valor Econômico

América Latina é ‘irrelevante’ no contexto global, diz ex-ministro Rubens Ricupero

“Donald Trump é a maior ameaça que a democracia americana enfrenta desde a Guerra Civil Americana, em 1865. Representa em ideias tudo que é anti-iluminismo, antiprogresso, anticiência, anti-problema climático. Ele é um retrocesso de valores.”

As frases acima são de Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, que dirigiu por dez anos o braço das Nações Unidas sobre comércio e desenvolvimento, a Unctad, e é um dos maiores diplomatas brasileiros. “Não sei se as pessoas se dão conta de que estamos vivendo uma época de destruição do mundo em que vivemos”, teme. “A situação é muito grave e perigosa.”

Prestes a completar 89 anos - 68 deles atuando em relações internacionais -, Ricupero diz que o mundo que conheceu está acabando. Nesta entrevista ao Valor explica por que considera que está se voltando a um mundo pré-guerras. Diz que a América Latina é irrelevante, a Europa, enfraquecida e desunida, também, e que é a China quem hoje dá estabilidade ao cenário global. As eleições do Congresso americano em novembro serão importantes para sinalizar como serão os três últimos anos do governo Trump. 

A seguir, trechos da entrevista:

O alto custo da diplomacia amadora de Trump. Por Jan-Werner Mueller

Valor Econômico

Trump acredita claramente que não saber nada sobre um conflito é a maneira mais fácil de resolvê-lo. Mas essa estratégia de “ignorância é força” ainda não produziu resultados estáveis

Muitos elementos da reunião recente do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com Donald Trump em Mar-a-Lago foram desconcertantes, para não dizer deprimentes. Para começar, nenhum funcionário americano recebeu o chefe de Estado ucraniano em sua chegada a Miami, o que contrasta fortemente com a pompa e circunstância dispensadas ao presidente russo, Vladimir Putin, em Anchorage (Alasca), em agosto passado.

Mas ainda mais perturbadora foi a completa ausência de diplomatas treinados e experientes do lado americano da mesa de negociações. Em vez disso, estavam a chefe de Gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e seu adjunto, Steve Witkoff, promotor imobiliário com ligações de longa data com a Rússia, além do genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner.

A dúvida atroz de Lula sobre Gaza. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Quais as reais intenções de Trump em Gaza: paz, resort macabro ou se sentir dono do mundo?

Dúvida atroz de Lula: aceitar ou não o convite de Donald Trump para integrar o tal Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, sem saber ou compreender exatamente o que está por trás tanto do convite quanto da criação do próprio conselho? Em se tratando de Trump, tudo é possível e as piores respostas são sempre as mais prováveis. E se for uma armadilha?

Depois de ameaçar ser presidente da Venezuela, da Groenlândia e, quem sabe, do Canadá, Trump cria e assume a presidência do conselho de paz em Gaza passando por cima da ONU, escolhe os membros e estabelece as regras e condições, como mandato de três anos e o preço de US$ 1 bilhão, por país, para uma vaga vitalícia.

Caso Master expõe governador do DF. Por Roseann Kennedy

O Estado de S. Paulo

Ibaneis precisa de pressa para socorrer os cofres do BRB, que não está imune a uma intervenção do BC

O Banco Central, regulador nacional do sistema financeiro, ainda calcula o tamanho do rombo nas contas do Banco de Brasília (BRB), como um dos desdobramentos do caso Master. A auditoria contratada pela própria instituição também está em andamento. Mas já é possível ter certeza de que o “projeto de nacionalização” que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dizia promover no banco público não tinha fundamentos sólidos. E o máximo que ele conseguiu foi ver o banco envolvido em escândalo nacional.

Jungmann deixa legado nas políticas de Defesa, segurança e agrária. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Da militância no PCB clandestino à liderança no PPS e ao campo político que desembocaria no Cidadania, Jungmann representou a esquerda democrática e republicana

A morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, em Brasília, devido às complicações de um câncer de pâncreas, contra o qual lutou dois anos, encerra a trajetória de um dos mais completos homens públicos de sua geração. O político pernambucano atravessou a clandestinidade da resistência democrática e, na democracia, assumiu responsabilidades de Estado em diferentes governos e momentos da vida nacional. Era muito respeitado até por adversários, pela capacidade de diálogo, pela integridade e pelo compromisso republicano.

Raul Jungmann. Por vários autores (nomes ao final do texto)

Folha de S. Paulo

Deixa-nos o legado do debate de ideias, da capacidade de ouvir, da conciliação

O seu exemplo há de ser levado em conta na polarização que divide o país

Recordar é viver. No caso de Raul Jungmann, 73, que nos deixou neste domingo (18), é viver um exemplo de vida. Tanto no plano pessoal como na vida pública.

O motivo desta manifestação é para que, em tempos de velocidade e fugacidade das informações e acontecimentos, este depoimento possa atravessá-los para que todos os que vierem depois possam conhecer, saber e praticar o exemplo que ele nos deixou.

Não apenas nós, que assinamos este artigo, somos testemunhas do seu exemplo. Certa e seguramente ele poderia ser assinado e referendado por centenas, senão milhares de seres da vida privada e da pública que com ele conviveram. Basta verificar os inúmeros depoimentos que já vieram à luz revelando imensa tristeza por tão significativa perda.

Trump está afundando os EUA. Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Ao ameaçar a Dinamarca, americano coloca em risco aliança para segurança

Uso militar e econômico da Groenlândia poderia ser implementado sem a transferência da posse da ilha

Uma coisa é uma intervenção militar em ditaduras hostis, como Venezuela e Irã. Outra, bem diferente, é ameaçar uma nação que não apenas é uma democracia aliada como também membro da aliança mais importante para a segurança dos EUA. É "apenas" isso que Trump coloca em risco ao exigir a anexação da Groenlândia.

UE precisa dizer não a Trump. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pretensões do presidente sobre a Groenlândia não têm motivação racional

Entregar soberania da ilha aos EUA não pode ser considerado opção viável

Já passa da hora de traçar uma linha vermelha para Donald Trump. O uso de tarifas para retaliar países europeus que se manifestaram contra a pressão que os EUA exercem para que a Dinamarca lhes ceda a Groenlândia é um claro sinal de que o apetite do presidente americano é insaciável. Nem menciono ações dos EUA contra nações com as quais Washington tinha desavenças históricas, como Venezuela, Irã ou Cuba. Trump agora está se voltando contra seus mais tradicionais aliados.

Código de ética, sozinho, não contém o Supremo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ministros do STF ganharam poder e influência política a partir de 2012, com o julgamento do mensalão

Sem o exercício da autocontenção, manual de ética não seria suficiente para o controle de condutas no tribunal

Os clichês não existem apenas para serem depreciados por quem tem a escrita como ofício. Na origem, costumam encerrar verdades cujo uso abusivo os colocam no rol das trivialidades a serem evitadas na elaboração de raciocínios.

Candidatura de Flávio enfrenta Michelle, uma adversária íntima. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

A ex-primeira-dama está cada vez mais próxima de Tarcísio

Ciro Nogueira não consegue que o centrão fique ao lado do filho 01

Com a destreza e a velocidade de um mico, Ciro Nogueira pula de galho em galho, de árvore em árvore. Em outubro trabalhava diuturnamente por Tarcísio de Freitas no Planalto, almejando o lugar de vice. Menos de quatro meses depois, a luta é fazer com que a turma do centrão, que também muda de lugar de acordo com as conveniências, engula a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Poesia | Vinícius de Morais - O Haver

 

Música | Clara Nunes - Canto das três raças

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Concessão se firma no transporte como política de Estado

Por O Globo

Governo prevê para este ano 14 leilões de rodovias e oito de ferrovias, com R$ 300 bilhões em investimentos

Estão previstos para este ano 14 leilões de rodovias federais e oito de ferrovias, pacote que deve gerar investimentos de R$ 300 bilhões ao longo dos contratos. Para atrair investidores, o governo tem apostado no BNDES como fonte de financiamentos. O banco encerrou 2025 com uma carteira de empréstimos estimados em R$ 22 bilhões para concessionárias de rodovias e em R$ 3,7 bilhões para as de ferrovias. O objetivo do BNDES é superar tais valores neste ano.

O entulho institucional a ser enfrentado. Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A crise atual não se resolve nem pela troca de comando das instituições, nem por um redesenho institucional pontual

A degradação institucional no STF, STJ ou TCU não se resolve pela alternância do poder

A dimensão da degradação institucional brasileira não deve ser subestimada. O conhecimento acumulado sobre crises institucionais fornece pistas. A literatura identifica, em linhas gerais, dois padrões de superação. O primeiro ocorre em crises de grande envergadura, pela ascensão de uma força política nova, normalmente oriunda da oposição. É o que se observa em processos de transição democrática e de mudança de regime. A alternância de poder, nesses casos, desencadeia o desmonte do ancien régime e a elaboração de uma nova Constituição. Não é, contudo, o nosso caso.

Não mexa na minha sobrevivência eleitoral. Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Ao interferir nas emendas, o conflito entre STF e Legislativo tende a escalar

O ano de 2026 tende a aprofundar um conflito que já vinha em gestação silenciosa: o embate entre o Legislativo e o STF em torno das emendas parlamentares, especialmente as impositivas. Não se trata apenas de uma disputa jurídica sobre regras orçamentárias, mas de algo politicamente mais sensível: a sobrevivência eleitoral dos parlamentares.

O STF deve avançar no julgamento da constitucionalidade dessas emendas. Caso imponha limites substantivos ou as declare inconstitucionais, o efeito político será imediato. O tribunal tocará no principal instrumento por meio do qual deputados e senadores constroem e mantêm suas redes locais de apoio.

Europa correrá risco se ceder a Trump.Por Gideon Rachman

Financial Times / Valor Econômico

É tentador dizer que a aliança transatlântica chegou ao fundo do poço. Infelizmente, ela ainda pode cair muito mais.

A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia levantou a possibilidade, antes impensável, de que os EUA possam usar suas forças armadas para tomar o território da Dinamarca - um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Vários países europeus responderam com o envio de tropas para a ilha - com o pretexto declarado de que isso fazia parte de um exercício para reforçar a segurança no Ártico.

A reação de Trump foi acusar esses países - entre eles França, Alemanha e Reino Unido - de fazerem um “jogo muito perigoso”. E afirmou que todos eles serão atingidos por tarifas de importação de 10% no começo de fevereiro, que subirão para 25% em junho.

O caso Master e o silêncio dos ‘inocentes’. Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Banco Master contou com a conivência e a leniência de empresas de auditoria, órgãos fiscalizadores e plataformas de investimento para promover a maior fraude da história

Na base de cadastro de pessoas jurídicas da Receita Federal, Daniel Bueno Vorcaro aparece como sócio de 14 empresas, além do Banco Master S/A. Seu pai, Henrique Moura Vorcaro, está ligado a 54 empreendimentos, a maioria imobiliários e de participações - muitos, porém, com capital social nulo ou muito baixo (coisa de R$ 1.000,00).

Mas a campeã é a irmã, Natália Bueno Vorcaro Zettel, que é sócia de 59 empresas. Seu marido, Fabiano Campos Zettel, responde por outros 19 CNPJs, da Moriah Asset (“o primeiro veículo de investimentos em Wellness do Brasil”) à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere - é bom lembrar que instituições religiosas têm imunidade tributária no Brasil. Outro integrante da família, também investigado, o primo Felipe Cançado Vorcaro é sócio de outras 17 pessoas jurídicas.

Tratado “pode ser o primeiro de uma série”, diz Ricupero

Por Daniela Chiaretti / Valor Econômico

Ex-secretário geral da Unctad, diplomata acredita que tratado UE-Mercosul é positivo para economia brasileira, mas há desafios

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado no sábado, 17, tem o potencial de abrir uma frente de novos tratados entre os países do Mercosul e o Canadá, Japão, Coreia do Sul e outros. A opinião é do diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente e que durante dez anos foi secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a Unctad.

“No cenário atual, em que não estão surgindo grandes acordos comerciais, este do Mercosul e da União Europeia pode ser o primeiro de uma série no mundo”, diz. “Penso que esse acordo tem esta vantagem”, diz, em um mundo pouco multilateral. Ricupero vê o acordo como positivo para o Mercosul e o Brasil, mas com desafios.

Socialista surpreende e supera rival de extrema direita no 1º turno das eleições presidenciais de Portugal

Por O Globo, com agências internacionais

Com mais de 99% das urnas apuradas, António José Seguro alcançou 31,14% dos votos, contra 23,48% de André Ventura, líder do Chega

O socialista António José Seguro foi o candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial em Portugal, realizada neste domingo, superando o adversário de extrema direita André Ventura, até então apontado como favorito pelas pesquisas de opinião. Com mais de 99,6% dos votos apurados, o candidato socialista tinha 31,14% dos votos válidos, contra 23,48% de Ventura — o que garante os dois no segundo turno, o primeiro que será disputado em quatro décadas, no dia 8 de fevereiro.

A superioridade do candidato socialista no primeiro turno contrariou as pesquisas realizadas até então, que apontavam que Ventura, líder do partido radical Chega, na primeira colocação. Seguro, de 63 anos , incorporou em sua campanha a imagem de integrador e moderado, defensor da democracia e dos serviços públicos frente ao "extremismo".

Juros elevados são o maior entrave ao crédito para 80% das indústrias, mostra CNI. Por Míriam Leitão

O Globo

Os juros elevados foram apontados como o principal obstáculo por 80% das empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos). O dado consta da Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Depois dos juros, aparecem como principais dificuldades a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, citada por 32% das empresas, e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades do setor, mencionada por 17%.

Só falta culpar o BC e absolver o Master. Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Liquidação do banco não provocou qualquer abalo nos mercados. No ambiente político, parece um cataclismo

Liquidação de banco é sempre traumática. O trauma é tanto maior quão mais amplos forem os laços da instituição com o sistema financeiro. E quanto maior for o número de clientes, credores e devedores. Por aí, a liquidação do Banco Master deveria passar como episódio menor, sem qualquer abalo no sistema.

Para comparar: há 1,6 milhão de clientes do Master habilitados a receber seu dinheiro de volta. Parece muito, mas é nada diante do tamanho do sistema bancário no Brasil. Só o Itaú tem mais de 100 milhões de clientes, segundo dados recentes do Banco Central (BC). Por isso mesmo a liquidação do Master não provocou qualquer abalo nos mercados.

Cultura tem de ser projeto de nação. Por Preto Zezé

O Globo

A economia criativa brasileira permanece excessivamente dependente do eixo Rio-São Paulo

O Brasil é uma potência cultural de fato. Não por discurso, mas por evidência. Nossa música atravessa décadas influenciando o mundo. O setor audiovisual ganha espaço em festivais e plataformas. A moda, a literatura, os games e o poder de consumo cultural das favelas despertam interesse global. O problema nunca foi talento. O problema é estratégia.

Marcas da pandemia persistem. Por Demétrio Magnoli

O Globo

O vírus biológico já não atemoriza. O que assusta é o vírus político

Cinco anos atrás, no réveillon de 2021, sob a pandemia, milhões desceram ao litoral paulista, depois de meses intermináveis de congelamento da vida social. A peregrinação foi acompanhada de sombrias admoestações de especialistas e jornalistas. Mas a maior onda de infecções e óbitos chegou um ano depois, no verão de 2022, pelas artimanhas da biologia, com a variante ômicron. Já quase esquecemos aquilo, exilando a Covid-19 para o rodapé da História. O pesadelo passou, sem deixar os rastros previstos —exceto um, que ninguém profetizou.

Morre o ex-ministro Raul Jungmann

Por Lauro Jardim / O Globo

Morreu agora há pouco, em Brasília, aos 73 anos, o ex-ministro e ex-deputado federal por três mandatos Raul Jungmann. Ele estava internado no DF Star e lutava havia anos contra um câncer no pâncreas.

O ex-ministro chegou a ficar internado por longo tempo. Mas foi para casa recentemente já estava sob cuidados paliativos. No fim de semana, voltou ao hospital.

Jungmann foi ministro cinco vezes. No governo FHC, foi ministro do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. No governo Temer, ocupou o Ministério da Defesa e em 2018 foi o primeiro ministro da Segurança Pública do país (o cargo, que agora Lula promete recriar, foi extinto no governo Bolsonaro).

Pernambucano, Jungamnn começou a militar na política no PCB, com o partido ainda na clandestinidade. Depois, ajudou a fundar o PPS, onde ficou até 2018,

Autoridades destacam legado democrático de Raul Jungmann

Por Danandra Rocha / Correio Braziliense

Ex-ministro, que morreu neste domingo (18/1), recebe homenagens de líderes de todos os Poderes e governadores

A morte de Raul Jungmann, neste domingo (18/1), provocou forte repercussão entre autoridades dos Três Poderes, governadores, parlamentares e lideranças políticas. Reconhecido pela capacidade de diálogo e pela atuação em momentos decisivos da vida institucional do país, o ex-ministro foi lembrado como uma referência republicana e democrática. Procurada pelo Correio, a família informou que não irá se manifestar.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou a trajetória pública de Jungmann e lembrou a homenagem prestada recentemente. “Recebo com pesar a notícia do falecimento do ex-deputado federal, ex-ministro e presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Raul Jungmann. Ainda em dezembro, em nome da Câmara dos Deputados, concedi a Jungmann uma Moção de Louvor. Foi um reconhecimento da sua trajetória pública, de serviço prestado ao país”, afirmou. Motta ressaltou ainda “as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional”.

Poesia | Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Antônio Maria e a saudade do Recife

 

domingo, 18 de janeiro de 2026

Opinião do dia - Jürgen Habermas*

"Será interessante observar como a tomada de poder por Trump afetará a política interna de Taiwan. Mas, além desse ponto crítico, não são apenas a China e seus aliados regionais de um lado, e os EUA e os países da região com inclinação ocidental —sobretudo Japão, Coreia do Sul e Austrália — que se enfrentam.

A Índia também está em estreita proximidade, buscando agora suas próprias aspirações de se tornar uma potência mundial. A mudança nas relações de poder geopolítico se reflete não apenas na região do Pacífico, mas também na ascensão de potências médias como Brasil, África do Sul e Arábia Saudita, que buscam, com autoconfiança, maior independência. Muitos desses países em ascensão estão buscando admissão na associação mais ampla e flexível dos BRICS. O fim da hegemonia ocidental também é indicado pelas profundas transformações geoeconômicas da ordem econômica mundial liberal que os EUA criaram desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Não que essa ordem comercial mundial baseada em regras — agora também pressionada pelo próprio Trump — possa ser simplesmente liquidada, como se vê hoje na interessante disputa sobre o fornecimento de “terras raras”; mas dificilmente algo ilustraria melhor as restrições de política de segurança, agora rotineiras, ao comércio mundial do que a recente decisão do governo alemão — que se orgulha de ser o campeão mundial das exportações — de sustentar com fundos estatais a indústria siderúrgica alemã, que já não é competitiva internacionalmente.

Embora essas mudanças nas relações de poder geopolítico já fossem evidentes há algum tempo, e embora a reeleição de Trump não pudesse ser descartada quando a guerra na Ucrânia começou, os governos ocidentais não conseguiram compreender, após a invasão russa, que esse conflito — uma vez que seu início não pudesse ser evitado — precisava ser concluído durante o mandato de Joe Biden.

Enquanto isso, o segundo mandato de Trump trouxe o que já havia sido anunciado no documento programático da Heritage Foundation: o desmantelamento, agora praticamente irreversível, do mais antigo regime liberal-democrático, seguindo um padrão que nós, na Europa, já conhecíamos pelo exemplo da Hungria e de outros países."

*Jürgen Habermas (1929),é um filósofo e sociólogo alemão que participa da tradição da teoria crítica e do pragmatismo, sendo membro da Escola de Frankfurt. De palestra proferida na Fundação Siemens em 19 de novembro de 2025: Será que a UE ainda consegue escapar da influência autoritária dos EUA?

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Disputa entre China e EUA exige nova estratégia do Brasil

Por O Globo

Doutrina Trump desafia Itamaraty a renegociar termos que tragam benefícios ao país

A nova doutrina geopolítica de Donald Trump impõe desafio não trivial à diplomacia brasileira. A captura do ex-ditador Nicolás Maduro pelos americanos e a intenção declarada de Trump de assumir o controle do petróleo venezuelano deixaram claro para a América Latina que a reedição da Doutrina Monroe com seu Corolário Trump não é bravata.

Enquanto os Estados Unidos mantinham distância do continente, a China aproveitou para fincar raízes. Passou a financiar projetos de infraestrutura, a erguer fábricas e a firmar parcerias em setores estratégicos, como energia, mineração ou agronegócio. Agora, o Itamaraty será testado na defesa dos laços brasileiros com a China, maior parceiro comercial brasileiro, mas também na negociação de termos vantajosos na maior aproximação com Washington.

Conversas vãs. Por Merval Pereira

O Globo

Bem que o Ministro dizia que estamos numa cleptocracia.

Mas ele disse isso quando apoiava a Lava-Jato.

Mas, pelo jeito, tinha razão. Tá todo mundo envolvido nos Três Poderes.

No Legislativo também?

Você não viu aquele deputado que apresentou um projeto para colocar o limite do Fundo Garantidor de 250 mil para 1 milhão de reais? Do nada.

Já era para prevenir. Sabia o que ia acontecer.

Mas o caso de agora tem a ver com a Lava-Jato?

O inusitado Dias Toffoli. Por Míriam Leitão

O Globo

A maneira com que Dias Toffoli tem conduzido o caso Master mostra que ele não tem condições de continuar à frente do processo

O ministro Dias Toffoli não se cansa de tomar decisões inusitadas. Elas se tornaram diárias. Na última semana, o país viu estarrecido o ministro perseguir a Polícia Federal, depois de ter tentado intimidar o Banco Central. Ele escolheu os peritos que vão trabalhar no material recolhido na segunda fase da Compliance Zero. Deu à PF dois dias para ouvir 11 envolvidos e dentro do Supremo Tribunal Federal. É bizarro e desrespeitoso. Quem tem que escolher peritos, fazer as oitivas no prazo mais eficiente para a investigação é a Polícia Federal e, por óbvio, nas instalações da polícia que as pessoas têm que ser ouvidas.

Vergonha alheia. Por Dorrit Harazim

O Globo

María Corina Machado jogou pela janela um sólido currículo de combate às práticas ditatoriais do regime Maduro

Somente um paspalho vaidoso e inseguro em relação à própria estatura pensaria em chantagear alguém para receber um Nobel de segunda mão, resumiu Paul Krugman, ganhador de um Nobel de Economia legítimo em 2008. A cena da semana passada, que teve a Casa Branca por testemunha, é quase o registro histórico de um apogeu — a era do cinismo político agudo, desmesurado, sem vestígio de culpa ou vergonha. Na foto que rodou mundo, vê-se o presidente americano Donald Trump, sorridente, agarrado à imensa moldura dourada que, entre placas de agradecimento, continha a cobiçada medalha-símbolo do Nobel da Paz de 2025. A seu lado, sorriso também fixo, a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado, sacramentando o inédito revezamento da honraria que recebera do Instituto Nobel em Oslo no mês passado. Sobre o bolão de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões) que acompanharam a outorga do prêmio, nada se ouviu. À época a agraciada o dedicou ao povo venezuelano,

— Que gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, María — postou Trump, sem corar, no dia seguinte.

Êxitos e fracassos EUA no mundo. Por Elio Gaspari

O Globo

Lista reúne desde a invasão no Iraque, como destaque negativo, até o Plano Marshall, como positivo

As dez piores decisões

1) Iraque, 2003

A invasão do Iraque foi considerada a pior decisão da política externa dos Estados Unidos. Deu tudo errado.

2) Vietnã, 1965

No dia 8 de março, 3.500 fuzileiros navais americanos desembarcaram em Da Nang, no Vietnã do Sul.

3) 1838, EUA x Cherokees

O presidente Andrew Jackson conseguiu aprovar a lei que permitia a remoção dos nativos de suas terras. O Exército levou 100 mil Cherokees para as terras a Oeste do Rio Mississippi.