*Alexandre Moares, Vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Opinião do dia – Alexandre Moraes*
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Campanha tenta sabotar autonomia do Banco Central
Por O Globo
Ataques nas redes sociais e processo indevido
no TCU miram credibilidade da autoridade monetária
A autonomia do Banco Central (BC) foi uma conquista obtida com dificuldade. Sempre sofreu resistência dos interessados em manter a autoridade monetária vulnerável a interferências. A lei garante que o BC é uma autarquia de natureza técnica, cujas decisões devem ser preservadas das pressões políticas. Isso vale tanto para a taxa de juros quanto para medidas destinadas a regular e preservar o sistema financeiro. É, por isso, lamentável a campanha deflagrada contra o BC, tendo como alvo a liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Um dia para não esquecer. Por Míriam Leitão
O Globo
Quem atacou a democracia brasileira está
preso. Quem fez o mesmo nos EUA voltou ao poder e ameaça a ordem global
Há três anos o Brasil viveu uma situação limite, com as sedes dos três Poderes atacadas e vandalizadas. Foi um dia construído durante quatro anos por um presidente que atacava as instituições, sequestrava datas e símbolos da pátria, conspirava com generais, mantinha no palácio uma feroz milícia digital, ameaçava adversários, liberava armas e fazia reuniões nas quais abertamente se falava em virar a mesa enquanto fosse tempo. O dia 8 de janeiro de 2023 não foi um raio num céu azul. Ele foi criado e estimulado pelo governo de Jair Bolsonaro.
Spoiler: não é sobre gatos. Por Cora Rónai
O Globo
Após contrato de esposa de ministro do STF com banco que é um insulto, minha geração assiste agora ao ocaso da maior democracia do Ocidente
Passei o Natal e o Ano Novo brigando na
internet, porque tive a audácia de observar que talvez seja até legal a esposa
de um ministro do STF ter um contrato de R$ 129 milhões com um banco, mas não
é. E nem ao menos é só questão do dinheiro, embora, claro, qualquer contrato
dessa monta seja por si só suspeito; a sua própria existência é um insulto.
Pra quê? Fui descascada em escala industrial. Me chamaram até de “elite socialista aristocrática do Leblon”, quando todo mundo sabe que sou elite socialista aristocrática da Lagoa. Depois de perder um tempo enorme bloqueando gente grosseira e descontrolada, decidi que, a partir de 2026, só escreveria sobre gatos e livros. A família aplaudiu.
O piloto sumiu. Por Merval Pereira
O Globo
A única arma que um país como o Brasil, ou
outros da América Latina, tem contra a invasão é o Direito Internacional
A captura de um navio com bandeira russa em meio ao Atlântico Norte, que tinha a protegê-lo submarinos, mas servia também ao Irã no transporte de petróleo desde a Venezuela, é a mais nova aventura de pirataria em consequência do sequestro do ex-ditador Nicolás Maduro no sábado passado. Parece filme, mas é a realidade. Até o fato de o navio antes se chamar Bella 1 e passar a se denominar Marinara no meio do caminho em alto-mar, tudo para fugir de sanções americanas. O atual impasse entre Rússia e Estados Unidos reflete bem os anos turbulentos que teremos pela frente até que o mundo tripartite proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a seus parceiros Vladimir Putin e Xi Jiping se acomode.
Com saúde debilitada, Bolsonaro preso alavanca candidatura de Flávio. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
As próximas pesquisas deverão medir o impacto
político das sucessivas internações do ex-presidente sobre o desempenho
eleitoral de Flávio Bolsonaro
O dia 6 de setembro de 2018 ainda nem havia terminado quando, da porta da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), um dos filhos de Jair Bolsonaro profetizou: “Vocês acabaram de eleger o presidente!”. A frase de Flávio Bolsonaro reagia à facada sofrida pelo pai horas antes, durante ato de campanha. Àquela altura, Bolsonaro liderava as pesquisas, mas acumulava alta rejeição. Carregado por apoiadores no centro da cidade, foi atingido pelo servente de pedreiro Adelio Bispo de Oliveira. Após o golpe, levou as mãos ao peito, gemia de dor e foi deitado na entrada de uma lanchonete próxima.
Ingerência dos EUA e a nova ordem. Por Assis Moreira
Valor Econômico
Parceiro de golfe de Trump, o presidente da
Finlândia, Alexander Stubb, afirma que levará pelo menos de cinco a dez anos
para que as coisas se estabilizem
A versão trumpista da “Doutrina Monroe”
começa a ser aplicada em meio à reconfiguração bipolar do mundo - Estados
Unidos e China - que vai se refletir nos contornos de uma nova ordem mundial. A
ingerência direta dos Estados Unidos na Venezuela deixa claro que Donald Trump
acredita poder fazer tudo, a qualquer momento, na América Latina.
“O domínio americano no hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, disse Trump. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acrescentou: “Este é o hemisfério Ocidental. É aqui que vivemos - e não permitiremos que seja uma base de operações para adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos”.
Humilhação espetacular. Por Eugênio Bucci
O Estado de S. Paulo
Na natureza do trumpismo, a dimensão do
espetáculo é mais determinante do que a dimensão geopolítica, a dimensão
econômica e a dimensão da política interna
A captura – ou rapto, ou sequestro – de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado, foi amplamente analisada e comentada na imprensa. Só ficou faltando um pedaço. Além das razões geopolíticas (que levam a Casa Branca a tentar expulsar as influências russas e chinesas do mar do Caribe e da América do Sul), além das pressões exercidas sobre o presidente pela indústria petrolífera norte-americana (que quer beber o óleo extrapesado das águas venezuelanas) e além da ameaça de perda de popularidade interna (que o governo imagina conseguir desviar com agressividade bélica em plagas estrangeiras), há um quarto fator a se levar em conta.
O gosto ruim. Por William Waack
O Estado de S. Paulo
Política e instituições do Brasil entraram numa espiral de descrédito e não se vê remédio imediato
O amargo sabor da nossa irrelevância
internacional diante do que aconteceu na Venezuela vem acompanhado internamente
pelo ácido sabor da podridão política diante do escândalo do Master. Há uma
ligação abrangente entre os dois fenômenos: a noção de que não se vê remédio
imediato para nenhum gosto ruim.
O caso do Master é de maior urgência, pois indica uma crise institucional de graves proporções. Essa crise não resulta do fato de uma instituição (por exemplo o TCU) averiguar o que outra (por exemplo o Banco Central) está fazendo ou não.
Os planos de Nunes Marques para o TSE. Por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Ministro indicado por Bolsonaro assume presidência da Corte com ideias em mente, mas precisa de apoio
Kassio Nunes Marques assume o comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho com a intenção de despolarizar o País. A tarefa não é nada fácil, mas o ministro tem um plano. O primeiro deles é que a Corte defina agora, no início do ano, as regras da disputa. Se depender de Nunes Marques, não haverá qualquer mudança nas resoluções até o fim do ano, quando os vencedores serão diplomados.
E daí que a ação dos EUA na Venezuela é ilegal? Por Thiago Amparo
Folha de S. Paulo
Não é preciso gostar de Maduro para sustentar
que a ilegalidade da ação americana torna o mundo menos seguro
Direito internacional ainda nos ajuda a
diferenciar o que é e o que não é bangue-bangue
Quando a Groenlândia for invadida pelos americanos por ser essencial à sua segurança, talvez lembremos da noção de integridade territorial. Quando Putin decidir capturar e prender Zelenski, talvez lembremos das regras sobre imunidade de chefe de Estado e prisioneiros de guerra. Quando a China decidir controlar de vez Taiwan e tomar para si a indústria de chips, talvez lembremos da autodeterminação. Quando a França decidir controlar a Amazônia Legal para conter o narcotráfico, talvez lembremos da proibição da força exceto em autodefesa ou via Conselho de Segurança da ONU.
Trump antropófago. Por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Os EUA sempre devoraram os inimigos para
deglutir suas qualidades e se fortalecerem
O cachorro-quente, o chiclete, o jeans, a
lâmpada e o wi-fi foram só alguns produtos dessa deglutição
Presentearam Donald Trump com uma tradução do "Manifesto Antropófago", de Oswald de Andrade. Ele leu: "Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente". Trump gostou. Mais adiante: "Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago". Trump fez hmmm de aprovação. Segundo o autor, ao literalmente comer o inimigo, o antropófago devora as qualidades deste e, deglutindo-as à sua maneira, fortalece-se.
A indicação de Lula para a CVM e o caso Master. Por Adriana Fernandes
Interino
na presidência do órgão, Lobo brecou decisões que seriam desfavoráveis a Daniel
Vorcaro
Presidente
o escolhe em uma das semanas mais polêmicas do caso, em meio à pressão do TCU e
ao recuo na inspeção no BC
Causa
estranheza a indicação pelo presidente Lula do
nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
no momento em que o caso Master passa
como um furacão pela capital federal e arredores.
Interino
na presidência do órgão, Lobo brecou decisões que seriam desfavoráveis ao dono
do Master, Daniel Vorcaro. Julgamentos que, com certeza, ajudaram o
ex-banqueiro.
Está no cargo desde julho, após a renúncia de João Pedro Nascimento, o JP, que ainda teria dois anos pela frente no cargo antes de terminar o seu mandato na presidência. O episódio escancarou pressões políticas que cercavam casos polêmicos no órgão.
Amigos do Master atuam como facção que protege poderosos. Por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Tentativa de emparedar Banco Central para
questionar liquidação da instituição reúne TCU, contas digitais e abafa no STF
Felizmente surgem reações, apesar do silêncio
do governo Lula, contra mais essa investida criminosa na política e
instituições
As reiteradas investidas do TCU (Tribunal de Contas da União) contra o Banco Central são uma tentativa facciosa de instrumentalizar a fiscalização com o objetivo de conter a emergência de escândalos que podem atingir os quatro cantos da República, como disse recentemente —reforçando o que muitos já haviam apontado— o economista Arminio Fraga, ex-presidente do BC, em entrevista.
Para o Brasil, um inédito desafio. Por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
A nova estratégia de defesa dos Estados
Unidos pede atualização da política externa brasileira
Ação na Venezuela não foi em defesa da
democracia, mas aos interesses das petroleiras americanas
Nos anos 1950, o cartunista americano Al Capp (1909-1979) introduziu um novo personagem nas tirinhas que publicava em vários jornais: a Águia Careca. O pássaro compelia quem fitasse seus grandes olhos inocentes a dizer compulsivamente a verdade, revelando as piores intenções. Magnatas e políticos eram assim levados ao sincericídio, reconhecendo suas maquinações e falcatruas.
A volta da velha pergunta: o que fazer? E também uma homenagem. Por Ivan Alves Filho
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Opinião do dia - Jürgen Habermas*
Naturalmente, essa ideia transcendente de
justiça introduz uma tensão problemática no interior de uma sociedade política
e social. Independentemente da força meramente simbólica dos direitos
fundamentais em muitas das democracias de fachada da América do Sul e de outros
lugares, na política dos direitos humanos das Nações Unidas revela-se a
contradição entre a ampliação da retórica dos direitos humanos , de um lado, e
seu mau uso como meio de legitimação para as políticas de poder usuais, de
outro.”
*Jürgen Habermas (1929), é um filósofo e sociólogo alemão, ‘Sobre a Constituição da Europa’ (2011), pp. 31-2, Editora Unesp, 2012
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Campanha eleitoral não terá como evitar tratar de crise fiscal
Por O Globo
Escalada do endividamento público no atual
governo criou armadilha incontornável para o próximo
Ao longo de três anos de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só demonstrou preocupação com a questão fiscal no plano da retórica. E, mesmo assim, incontáveis vezes defendeu aumento de gastos, como se as despesas, mesmo em setores prioritários como educação, saúde ou segurança, não exigissem lastro na realidade orçamentária. O novo arcabouço fiscal implementado pelo ministro Fernando Haddad se revelou uma quimera, tantas foram as exceções abertas às regras. A preocupação é ainda maior neste ano eleitoral. Lula mais uma vez concorrerá ao Palácio do Planalto e, diante dos previsíveis gastos eleitoreiros, tudo indica que o quadro fiscal tende a piorar.
A política do porrete. Por Bernardo Mello Franco
O Globo
Após atacar a Venezuela, republicano faz
ameaças a Colômbia, Cuba, México, Groenlândia...
Donald Trump deixou claro: não pretende parar
na Venezuela. Depois de ordenar o bombardeio de Caracas e o sequestro de
Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos mostrou os dentes para mais
três países da América Latina. Ameaçou atacar a Colômbia, derrubar o governo de
Cuba e “fazer alguma coisa” com o México.
No domingo, o republicano retomou outra de suas obsessões. “Precisamos da Groenlândia”, disse, como se estivesse fazendo a lista de compras no mercado. Ontem a Casa Branca confirmou que ele avalia “várias opções” para abocanhar o território autônomo da Dinamarca. “Recorrer ao Exército é sempre uma alternativa à disposição do comandante em chefe”, acrescentou a porta-voz Karoline Leavitt.
O nome do jogo é Cuba. Por Elio Gaspari
O Globo
Ele teve dias de general latino-americano
Donald Trump conseguiu o imaginável (sequestrou Nicolás Maduro) e o inimaginável (a vice chavista Delcy Rodríguez assumiu a Presidência da “República Bolivariana”, prometendo priorizar “uma relação respeitosa e equilibrada com os Estados Unidos”). Vice virando casaca não é novidade, mas a calma bolivariana surpreendeu. Num de seus primeiros atos, Delcy expulsou dois diplomatas franceses depois que o presidente Emmanuel Macron expressou sua preferência pela oposicionista María Corina Machado, que acabou de ganhar o Prêmio Nobel da Paz.
Fraturas exposta na Venezuela. Por Guilherme Casarões
O Globo
Lula terá de se opor àqueles que querem ver o
Brasil se tornar satélite de uma potência estrangeira, por qualquer razão que
seja
Estamos diante de uma nova era na América
Latina. Renasce a Doutrina Monroe, principal fundamento da hegemonia
norte-americana sobre o Hemisfério, agora somada ao Corolário Trump, que
manifesta o desejo do atual governo de controlar os fluxos de pessoas, drogas e
ativos estratégicos.
Esse movimento é sintoma de uma transformação global mais profunda. Voltamos à geopolítica do século XIX. O mundo, hoje, é partilhado entre três grandes potências: Estados Unidos, China e Rússia, cada qual buscando assegurar controle sobre vastas esferas de influência, muitas vezes com a conivência cínica dos demais.
Munições descontroladas. Por Antônio Rangel Bandeira
O Globo
O criminoso leva as armas consigo, mas os cartuchos deflagrados ficam no local e podem ser rastreados se estiverem marcados
Até que enfim a segurança pública, maior preocupação do brasileiro, passou a ser discutida nacionalmente — nem sempre, porém, em bases científicas. Fala-se muito no controle das armas, mas quase nada sobre munições, tratadas como aspecto secundário. No entanto, já em 1993, o senador e sociólogo norte-americano Daniel Patrick Moynihan defendia o aumento do preço das balas, lembrando que “armas não matam, balas matam” e ironizando o sofisma armamentista segundo o qual “quem mata são as pessoas”. É realista lembrar que armas sem munição perdem sua função letal.
Ofensiva contra a liquidação do Banco Master não é uma flor do recesso. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A institucionalidade do
sistema financeiro está sendo posta em xeque, apesar das consequências de uma
ruptura nessa ordem institucional para toda a economia
O caso do Banco Master não é uma flor do recesso do Congresso, as conexões políticas do banqueiro Daniel Vorcaro são da pesada e estão por trás dos questionamentos à decisão do Banco Central (BC) para anular a liquidação. Nesta terça-feira, o Banco Central (BC) recorreu ao Tribunal de Contas da União (TCU) para contestar a decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus que autorizou a realização de uma inspeção nas dependências da autoridade monetária.
Crime superorganizado. Por Cristovam Buarque
Correio Braziliense
A corrupção passou a ser vista como um
simples incômodo: uma "gripe de consciência". Há um sentimento geral
de que tudo o que é legal pode ser feito, mesmo que não seja decente
As epidemias biológicas contagiam pelo contato; as epidemias morais contaminam pelo exemplo. O comportamento dos líderes espalha a corrupção ao ponto de a honestidade, que era um valor ético generalizado, passar a ser mania de poucos excêntricos que ainda a praticam. Em vez de servir à comunidade, os agentes públicos, especialmente mas não apenas os políticos, passaram a priorizar os próprios interesses, usufruir das funções, sem respeito aos interesses nem à opinião pública. As eleições perderam o propósito de escolher quem apresenta as melhores propostas para o país e passaram a eleger quem oferece vantagens pessoais ao eleitor. Tal como nas epidemias biológicas, ao contaminar a maior parte da população, a corrupção passou a ser vista como um simples incômodo: uma “gripe de consciência”.
Trump pode apequenar queda de Maduro. Por César Felício
Valor Econômico
Influência dos EUA nas eleições brasileiras e
colombianas deve se dar por outra forma
Há algum tempo, desde o início da colonização das redes sociais pela direita, política externa tornou-se um assunto da política doméstica brasileira, e o repúdio a Nicolás Maduro, o ditador venezuelano capturado pelos Estados Unidos no último sábado, é quase uma unanimidade nacional. Ele deixa a esquerda, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por tabela, em uma saia justa por unir em sua pessoa socialismo, autoritarismo, corrupção e debacle econômica.
‘8 de janeiro deve permanecer como advertência histórica’
Tiago Angelo e Giullia Colombo / Valor Econômico
Para presidente do Supremo, punição aos
envolvidos nos ataques aos Poderes reafirma que governantes e governados estão
“sujeitos às regras do jogo democrático”
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, disse ao Valor que “o 8 de janeiro deve permanecer como advertência histórica” e que a atuação da Corte para punir envolvidos nos ataques aos Poderes reafirma que governantes e governados estão “sujeitos às regras do jogo democrático”. Fachin preparou para esta quinta-feira (8), data em que os atos golpistas completam três anos, um evento para relembrar a invasão das sedes da Corte, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.
Lula enxerga Venezuela como ‘trunfo’. Por Vera Rosa
O Estado de S. Paulo
Presidente vai ressuscitar na campanha discurso nacionalista que salvou o governo após tarifaço
A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos,
com a captura do ditador Nicolás Maduro, virou tema de disputa eleitoral no
Brasil. Mas, ao contrário do que a direita apregoa, no Palácio do Planalto a
avaliação é que a ofensiva do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o país
vizinho pode se tornar um “trunfo” para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva
ao quarto mandato.
O diagnóstico foi feito pelo próprio presidente, em conversas reservadas com amigos. Para Lula, a crise na Venezuela é preocupante, sim, mas o tiro dos pré-candidatos à sua cadeira sairá pela culatra.
Bomba-relógio na França. Por Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
Nível da dívida, que já atinge 117,4% do PIB,
e instabilidade política estão por trás de crise que ameaça país
Muitos analistas passaram a descrever a situação financeira na França como uma bomba-relógio, diante da escalada dos juros pagos pelo governo para vender seus títulos públicos, do crescente déficit fiscal e do impasse político que resultou na troca de primeiro-ministro três vezes apenas em 2025. O equilíbrio econômico e político é tão frágil neste momento que qualquer choque – interno ou externo – poderá provocar uma grave crise de confiança do mercado.
Digo, logo existo. Por Basilio Jafet
O Estado de S. Paulo
A questão é que, ultimamente, no Brasil,
estamos com medo de falar e de escrever. Tememos a patrulha
Tempos em que dizer o que se pensa se tornou
arriscado autorizam a variação da famosa máxima filosófica “penso, logo
existo”, de René Descartes, para “digo, logo existo”.
Enquanto o “penso” estabelece a certeza da existência do sujeito a partir da consciência da sua própria atividade mental (o pensamento e a dúvida), a afirmação “digo” pode ser interpretada sob perspectivas que enfatizam a importância da linguagem e da interação social na constituição da existência humana.
Ataque de Trump à Venezuela foi um 'Piratas do Caribe' com menos graça. Por Rui Tavares
Folha de S. Paulo
Entramos num mundo muito mais perigoso, e
toda a gente vai ter de se adaptar
Cenário faz com que não haja atividade mais
humilhante no mundo do que a de quem tenta justificar o americano
Em tempos houve uma distinção entre piratas e
corsários. Os piratas atacavam barcos e cidades costeiras, roubavam, pilhavam e
faziam mil malfeitorias, ilegalmente, e portanto eram feios, porcos e maus. Os
corsários faziam tudo isso, mas com uma carta outorgada por um soberano, e
portanto eram belos, bravos e legais.
O que aconteceu esta semana na Venezuela é como se no século 17 um desses monarcas tivesse decidido acabar com o fingimento dizendo: "Pessoal, não há diferença entre piratas e corsários, é tudo a mesma coisa. Os soberanos já não precisam fingir fazer o bem, podem pilhar como se fossem piratas, e admiti-lo."
Trump, um ideólogo sem convicções. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Presidente americano prefere se acertar com
chavistas a entregar poder à oposição venezuelana
Precedentes do Iraque e da Líbia fazem com
que ele relute em alijar quem controla polícia e exército
Donald Trump é um caso a ser estudado por cientistas políticos, psicólogos e neurologistas. Representante máximo da extrema direita planetária, ele próprio apresenta pouco ou nenhum apego a cartilhas ideológicas. Faz o que acha que lhe renderá dividendos. Se suas ações estiverem em consonância com as posições da direita, tanto melhor, já que arrancará mais facilmente os aplausos de sua base.
Lula se equilibra em corda bamba entre Donald Trump e Delcy Rodríguez. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Desafio do presidente é defender a soberania
da Venezuela sem prejudicar as boas relações com Washington
Ambiguidade de posições não resistirá ao tempo nem aos acontecimentos que exigirão definições claras
Dias de contorcionismo político aguardam o
governo brasileiro neste período que sucede à derrubada de Nicolás
Maduro e a permanência do chavismo na Venezuela sob
a pretendida —e ainda não explicada— administração de Donald Trump.
Ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT) e sua equipe se impõe o delicado exercício de equilíbrio entre a defesa da soberania de Estados nacionais, a precaução a respeito do precedente intervencionista sobre a América Latina e a necessidade de preservar as relações entre Brasília e Washington.
Os eixos que balizarão a campanha presidencial. Por Gaudêncio Torquato
Folha de S. Paulo
Segurança pública, economia e polarização
política, além de valores sociais e identitários, devem influenciar corrida
Desafio será conquistar o eleitor cansado do
conflito, que deseja estabilidade sem renunciar às mudanças
A campanha
presidencial de 2026 começa a se desenhar muito antes do calendário
oficial. Como ocorre em ciclos de alta polarização, os grandes temas do debate
público vão se consolidando de forma antecipada, orientados menos por programas
detalhados e mais por percepções, medos, expectativas e sentimentos difusos do
eleitorado.
Já é possível identificar os principais eixos temáticos que estruturarão a disputa e servirão de referência para estratégias, discursos e narrativas dos candidatos. Entre elas, a avaliação do atual governo e a ideia de continuidade ou ruptura.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Regras para criar novos municípios precisam ser rígidas
Por O Globo
Nada há de errado em distritos se
emanciparem, mas eles não podem se tornar sorvedouros de recursos
É compreensível que certas localidades se queixem de ficar esquecidas pelas prefeituras responsáveis por elas, apesar de contribuírem com impostos e recursos. Essa insatisfação tem sido traduzida em centenas de movimentos de emancipação em diferentes regiões do país. Pelo menos 462 distritos em 17 estados reivindicam o direito de se tornar independentes, como mostrou reportagem do GLOBO. É preciso cautela, porém, para que tais aspirações não criem uma nova leva de emancipações, dando origem a cidades que mal conseguem se sustentar. O Brasil já viveu uma onda de criação de municípios, e o resultado deixa sequelas até hoje nas contas públicas.
Candidatos sem visão. Por Merval Pereira
O Globo
Esquerda e direita se debatem em incoerências
porque não conseguem ver de forma holística a geopolítica mundial
Da mesma maneira que a esquerda brasileira se acha na obrigação de defender um banqueiro como Daniel Vorcaro, acusado de fraudes bilionárias, apenas porque ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são apontados como seus protetores, também a direita aplaude o presidente americano Donald Trump pela invasão da Venezuela e pelo sequestro de Nicolás Maduro porque o ex-ditador é de esquerda. Esquerda e direita se debatem em incoerências porque não conseguem ter uma visão holística da situação geopolítica do mundo, enquanto Estados Unidos, China e Rússia vão armando um acordo tripartite para dividi-lo a seu gosto.
Futuro incerto da Venezuela. Por Fernando Gabeira
O Globo
Trump mencionou apenas o petróleo, como se
tudo se limitasse à troca de comando nessa importante indústria
A História me deu uma rasteira no sábado.
Três dias gripado, sonhava com um mergulho matinal. Maduro foi capturado pelos
americanos. O dever profissional me chamava. Não foi surpresa total para mim.
Contava com uma ação espetacular. Não imaginava que fosse tão fácil.
O modelo que tinha na cabeça foi a captura de Bin Laden no Paquistão. Ele vivia numa casa, mas não sabia que havia sido descoberto. Maduro esperava algo a qualquer momento. Não dormia no mesmo lugar. Estava cercado de guardas cubanos e controlava a estrutura de segurança do Estado. Tudo foi para o espaço.






























.jpg)




