quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ou STF é ágil sobre Moraes, ou Senado será

Por O Globo

Diante dos fatos, Fachin falou em evitar precipitação — mas risco maior está na procrastinação

As revelações sobre a proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, artífice da maior fraude bancária da História brasileira, deixaram o país estarrecido. Elas exigem providências imediatas, sem tergiversação. Por isso deve ser repudiada com veemência a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que defendeu a nulidade das provas recolhidas pela Polícia Federal (PF). O presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem o dever de convocar com urgência o plenário da Corte para examinar a questão.

Em resposta ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que as provas deveriam ser anuladas, alegando não caber a um juiz como Mendonça conduzir investigação, prerrogativa do Ministério Público. Ora, em nenhum momento Mendonça pediu para investigar Moraes ou conduziu inquérito. Apenas, tendo esbarrado em mensagens descobertas de modo fortuito, pediu que a PF, por meio de perícia técnica, descobrisse formalmente quem era o destinatário. Uma vez elucidada a dúvida, fez o que manda a lei: solicitou manifestação da PGR e informou a presidência do STF, levantando o sigilo diante do interesse público e pedindo exame presencial do plenário.

Sobre o vício e o lucro, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Só quem pode remediar um pouco a tirania viciosa do capital é a ordem democrática

O capital remunera o vício, jamais a virtude. Muita gente desconhece, e mais gente ainda insiste em desconhecer, mas é assim que é. Só quem pode remediar um pouco a tirania viciosa do capital é a ordem democrática.

A história nos dá provas disso. Foram as democracias nascentes que impuseram aos primeiros industriais, contra a vontade deles, os direitos trabalhistas. No século 19, em Londres, crianças trabalhavam em jornadas extenuantes dentro das fábricas insalubres como parte da normalidade. Não, não foi o capitalismo que assegurou as garantias mínimas de saúde e dignidade, mas a política. A ideia de justiça não faz tilintar a caixa registradora.

Lima Barreto, a Constituição de Bruzundanga e a crise no Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Supremo se reuniu, mas não tratou do assunto. Havia muita tensão no ar. O presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu a gravidade da situação

Descendente de escravizados, Lima Barreto (1881-1922) foi um ponto fora da curva na literatura brasileira. Negro, pobre e vítima de preconceito, conheceu por experiência própria os mecanismos de exclusão da República recém-instalada. O autor de Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909) e Triste fim de Policarpo Quaresma (1015) denunciou o o racismo, o bacharelismo, o arrivismo político e a distância entre as instituições e a sociedade.

Em Os Bruzundangas (1922), sua obra mais política, Lima Barreto construiu uma sátira devastadora dos primórdios da República, que permanece atual um século depois. Imaginou um país cuja Constituição proclamava direitos universais, mas continha uma cláusula destinada a proteger os poderosos da “situação”. A Justiça de Bruzundanga era chamada de “Chicana”.

Brigas e crises agitam Brasília, por Míriam Leitão

O Globo

STF vive crise sem precedentes, AGU ignora pedido da PF na briga com André Mendonça. Alexandre de Moraes tem explicações a dar ao país

A maior crise da história do Supremo terá que ser enfrentada pelos ministros com a consciência de que é a confiança na democracia que está em jogo. Se o ministro Alexandre de Moraes, que colocou tantos golpistas na cadeia — um fato inédito no país — não for cobrado pelos indícios fortes de ligações indevidas com Daniel Vorcaro, vai se diluir a confiança na própria instituição. Um dos ingredientes dessa crise é uma guerra aberta entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça. O momento da divulgação não podia ser melhor para o bolsonarismo: falta um mês para o primeiro turno das eleições gerais brasileiras.

O lado escuro, por Merval Pereira

O Globo

Será uma vergonha se, mais uma vez, o STF tentar proteger um de seus integrantes, como fez com o ministro Dias Toffoli.

Não há possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes continuar no Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo menos ele deveria se afastar enquanto as investigações acontecerem. Será uma vergonha se, mais uma vez, o STF tentar proteger um de seus integrantes, como fez com o ministro Dias Toffoli, diante de tantas evidências. Não é possível nem ter vergonha alheia, porque ela é nossa também, de fatos assim acontecerem na mais alta Corte do país. Ninguém acredita mais que o STF seja capaz de cortar na própria carne, de fazer mea-culpa, de punir quem merece. O presidente Edson Fachin, que vende a ideia de um código de ética, tinha de ser muito mais contundente, mais afirmativo. Soltou uma nota muito bem escrita, mas que no fundo não diz nada, apenas que analisará o caso com calma.

Gonet toma decisão que beneficia a si próprio, por Julia Duailibi

O Globo

O procurador-geral não deveria ter pedido a nulidade de um caso que trata dele mesmo

O procurador-geral da República tomou uma decisão que beneficia a si próprio. No relatório em que a Polícia Federal (PF) aponta as conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de MoraesPaulo Gonet aparece como uma das autoridades na teia do ex-banqueiro, seguindo à risca o roteiro já manjado de viagens, degustações e pedidos de favores. O procurador-geral da República, no entanto, não veio a público se explicar. Pelo contrário. Disse que as revelações da PF deveriam ser anuladas.

A campanha no meio de uma praça de guerra, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Lula e Flávio não passarão incólumes ao desfecho do conflito no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal conseguiu adiar o conflito ao dizer que tomará as medidas ‘cabíveis e necessárias’ tanto sobre o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com o Master quanto sobre os procedimentos do relator, André Mendonça, na condução do inquérito.

Com o feriado de 7/9, o relatório com o qual Mendonça pedirá que o plenário do STF abra o inquérito só deverá chegar à mesa de Edson Fachin na terça. A sessão deliberativa pode acontecer no dia seguinte.

O relatório da Polícia Federal foi o fato de maior volume de menções nas redes sociais, em suas primeiras 24 horas, registrado este ano, de acordo com o Democracia em Xeque. O tema deve se manter aquecido até o feriado, quando uma manifestação bolsonarista vai martelar o tema até para retomar as chances de eleger, ao Senado, uma maioria pró-impeachment. É sob o impacto da véspera que os ministros vão deliberar.

Urgente debate da nova regulação financeira, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Tema ganha nova relevância com a derrocada do Banco Master, considerado o maior escândalo do sistema financeiro brasileiro

O tema é árido, mas tornou-se absolutamente relevante neste século em que as operações financeiras se multiplicam com a ajuda dos avanços digitais, além da proliferação de instituições montadas em fundos de investimento e em outras atividades que até pouco tempo eram típicas dos bancos tradicionais. Sabe-se que nesse ambiente, o ilícito encontra meios e formas de fazer circular o dinheiro sujo sem maiores obstáculos.

Desde a crise dos sub primes de 2008, muitos países passaram a dedicar mais atenção à regulação e à supervisão do sistema financeiro. Como se recorda, aquela crise originou-se na alavancagem dos bancos norte-americanos tendo por base créditos inadimplentes de financiamentos imobiliários. No Brasil, o tema ganhou urgência com a derrocada do Banco Master.

A crise institucional do Supremo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Crise atual envolvendo Moraes coloca a Suprema Corte numa situação irreversível

Os donos imediatos do poder estão hoje na cúpula do Judiciário e do Legislativo. São, ao mesmo tempo, os que constrangem e funcionam como fiadores do chefe do Executivo, cuja reeleição é vista como essencial para que as coisas continuem mais ou menos como estão – daí a aliança que consagraram em público. O erro de cálculo político até aqui é o tamanho da crise do STF. Ela se precipitou não apenas pelo que a Polícia Federal encontrou nos celulares de Daniel Vorcaro sobre a promíscua relação com Alexandre de Moraes, que surge dali como uma espécie de advogado do banqueiro chefe de um esquema criminoso.

STF pode decidir salvar Moraes, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Apesar dos indícios de que o ministro tinha relação imprópria com Vorcaro, opção pode ser blindar a Corte

Mesmo com indícios contundentes para justificar abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem motivos para assar uma pizza em cima do relatório da Polícia Federal (PF). Se o caso desaguar no plenário, estará em julgamento não só a relação supostamente imprópria entre Moraes e Daniel Vorcaro, mas a credibilidade da Corte.

Avacalhação da Justiça não tem fim, mas turma poderia dar uma trégua até o fim da eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Degradação do STF é antiga e vai longe, mas é preciso conter manipulação eleitoral

Presidentes da República, Congresso e tribunais superiores criaram promiscuidade

A eleição para presidente até agora está sendo disputada em grande parte na delegacia, nos corredores do sistema de Justiça. Está evidente no embate entre André Mendonça e o enroladíssimo Alexandre de Moraes, ambos com conexões fortes na Polícia Federal e na política politiqueira. Ficou evidente no pinga-pinga das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha das más companhias, no mínimo.

Está evidente na dosagem de vazamentos que até agora acertam mais em Luiz Inácio Lula da Silva. A PF se profissionalizou de fins dos anos 1990 a 2018. Agora, há de novo grupos da fuzarca, uns pró-Bolsonaro, uns pró-Lula.

Dos atuais dez ministros do STF, três foram Advogados-Gerais da União (AGU): Gilmar Mendes (de Fernando Henrique Cardoso), Dias Toffoli (de Lula) e André Mendonça. Um foi ministro da Justiça e AGU: Mendonça, de Jair Bolsonaro.

STF em ponto de não retorno, por Eloísa Machado de Almeida

Folha de S. Paulo

Mendonça rejeita solução a portas fechadas ao retirar seletivamente sigilo de relatório da PF

Vazamentos calculados e seletivos também fizeram desconfiança se alastrar pelo tribunal

Os desdobramentos do caso Master fizeram o STF (Supremo Tribunal Federal) entrar na maior crise de sua história. Isso porque, na esteira das investigações sobre fraudes contábeis e financeiras bilionárias, tem sido revelada uma rede de influência que abrangeria deputados, senadores, servidores do Banco Central e membros da corte.

Nas conversas oriundas do telefone apreendido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e em documentos da investigação, ministros do Supremo figuram realizando negócios com o banco, recebendo mimos e viagens, debatendo casos de interesse de Vorcaro em reuniões privadas, além de terem seus familiares contratados pelo banco.

Os ministros Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, além do próprio André Mendonça e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparecem nessa ampla rede de influência.

Duas propostas para a segurança pública, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Tema é o que mais distancia centro-esquerda da extrema direita na eleição

Proposta de Lula aposta em coordenação de ações em âmbito nacional e com países amazônicos

A segurança disputa com a saúde o primeiro lugar entre as preocupações dos brasileiros. Com razão: a violência faz parte da áspera experiência cotidiana da população, especialmente dos pobres, em casa ou na rua; praticada por um parente, por desconhecidos, pela polícia.

Discute-se qual será o lugar do assunto na próxima disputa pelo Palácio do Planalto. Seja qual for, a importância da segurança como aspiração coletiva justifica o exame das propostas de governo dos dois candidatos que hoje lideram a corrida pela Presidência. Nenhum outro ponto distancia tanto a centro-esquerda da extrema direita.

Na crise institucional, a régua tem que ser a mesma para todos, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Em ano eleitoral, os riscos associados a quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam

André Mendonça tem obrigação de adotar os mesmos procedimentos para todos e deveria derrubar o sigilo de 'Dark Horse'

A crise institucional pela qual passa o Brasil é tão grave que a sociedade perdeu totalmente o parâmetro de confiança nos principais atores da cúpula da República.

Em ano eleitoral, os riscos associados a esse quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam.

No Supremo, são os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli envolvidos diretamente com Daniel Vorcaro sem dar explicações.

Os demônios estão à solta no Supremo, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

O que importa saber é como e por quem os demônios das ambições serão contidos

Por transparência, todo o sigilo das investigações do Banco Master deve ser levantado

Se os ministros do Supremo fossem anjos, nenhum controle sobre eles seria necessário. Se anjos julgassem a nós, os homens, não seriam necessários controles externos nem internos.
Ao instituir um tribunal que será administrado por homens sobre homens, a grande dificuldade está nisto: primeiro, é preciso capacitar o tribunal para julgar seus jurisdicionados; em seguida, obrigá-lo a controlar a si próprio.

Eis aqui a licença poética de (mal) parafrasear uma das maiores passagens da filosofia política ocidental: James Madison, em "O Federalista", número 51, de 1788.

À procura de insuspeitos na Justiça, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Uma instituição desinstitucionalizada precisa de outro nome

Procure a coerência jurídica, aquela estabilidade rotinizada que nos permite saber qual rito será seguido

Procure quem não foi a fóruns de Lisboa, não participou de festa em Trancoso, degustação de uísque e charuto em Londres; quem declinou convite à amizade de Vorcaro, Esteves, irmãos Batista, bet-boys; quem evitou frívolas trocas de WhatsApp terminadas em "kkk" com os novos amigos ricos.

Procure agora quem não tem empreendimento privado financiado por empresa interessada no tribunal; ou instituto que vende serviços ao poder público; quem não pegou "carona" em aviões particulares, quem não frequentou camarotes em Mônaco ou em jogo do Real Madrid.

Quão tardia foi a percepção pública da gravidade?

Com a ditadura no bolso, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se vencer, Flávio B. subirá a rampa com um subitamente lépido Jair Bolsonaro sem soluços

Não será surpresa se, ao receber a faixa do antecessor, ele disparar uma cusparada em Lula

Diante da hipotética possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial (afinal, está concorrendo), vamos a um rápido e razoável exercício de adivinhação sobre o que poderá acontecer. Na posse, como já prometeu, ele subirá a rampa do Planalto de braço com seu pai, um subitamente ágil e lépido Jair Bolsonaro, sem soluços e com os movimentos peristálticos funcionando. Ao receber a faixa das mãos de seu antecessor, não será surpresa se Flávio B. retribuir esse gesto democrático com uma cusparada no rosto do ex-presidente.

Poesia | Soneto da saudade, de Guimarães Rosa

 

Música | MPB4 - Por quem merece amor

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF deve cobrar explicações urgentes de Moraes

Por O Globo

Mensagens com apelos de Vorcaro às vésperas de ser preso põem ministro em xeque

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes continua a dever explicações convincentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master preso por ter comandado a maior fraude bancária da História do Brasil. O relatório da Polícia Federal (PF) revelado nesta terça-feira traz indícios que expõem um grau de proximidade entre Vorcaro e Moraes incompatível com a isenção e a imparcialidade indispensáveis a qualquer magistrado, ainda mais a um ministro da mais alta Corte do país.

No relatório, cujo conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo, a PF atribui a Vorcaro mensagens endereçadas a Moraes, enviadas por um sofisticado mecanismo destinado a proteger a comunicação. Segundo a apuração dos investigadores, é possível afirmar que Moraes é o destinatário dessas mensagens. Suas respostas a Vorcaro não foram encontradas, porém, porque seu celular não foi periciado.

Vorcaro arrasta ministros do STF para o centro do escândalo do Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A PF investiga uma mensagem que cita seu diretor-geral; a PGR deve esclarecer diálogos que citam seu procurador-geral; e o Supremo precisará decidir se investiga seus ministros

Uma discussão acalorada entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, ocorrida nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, é a manifestação de que o caso Master arrastou o STF para uma crise muito grave. O escândalo, agora, alcança ministros da mais alta Corte do país, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a direção da Polícia Federal (PF), justamente as instituições responsáveis por investigar, denunciar e julgar crimes praticados por autoridades.

Mendonça empurra Moraes para a fogueira e incendeia a eleição, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Com pedido para investigar ministro por suspeitas graves, STF mergulha em crise inédita

As revelações de ontem lançaram o Supremo Tribunal Federal numa crise inédita em 135 anos. No olho do furacão, misturam-se suspeitas graves contra um ministro, a guerra intestina na Corte e a eleição presidencial.

Um relatório da Polícia Federal escancarou as relações perigosas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na mira de investigações, o banqueiro recorria ao ministro em busca de conselhos e proteção.

Três dias antes de ser preso, o pivô de fraudes bilionárias se desmanchou em mensagem ao juiz: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”.

No dia seguinte, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país: “Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Foi interceptado com o pé no jato, quando tentava decolar para Dubai.

Forma não se sobrepõe aos fatos no caso Master, por Vera Magalhães

O Globo

Possível extrapolação de atribuições de Mendonça não pode ser usada para anular evidências graves que pesam contra Alexandre de Moraes

A bomba que caiu sobre o Supremo Tribunal Federal com a revelação da natureza das relações entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro pode mudar a forma como a Corte lida com suspeitas sobre seus integrantes ou ser reduzida, uma vez mais, à disputa entre “alas” do próprio tribunal.

Este último seria o desfecho ideal para quem gostaria de ver soterrado o conteúdo explosivo do relatório da Polícia Federal tornado público por André Mendonça: transformar em questão principal o método e as eventuais motivações do ministro, relegando a segundo plano o que foi encontrado.

Líderes nas pesquisas precisam, às pressas, aprender a ouvir eleitores de Cury, por Elio Gaspari

O Globo

Lula e Flávio decidiram não ir ao debate da Band, má ideia

A surpresa despontou durante o debate da Band, na noite de 23 de agosto: o médico e escritor Augusto Cury era o campeão de buscas na internet. Augusto de quê? Passou uma semana, e a surpresa encorpou. As pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg colocaram-no à frente de todos os aspirantes à terceira via. Cury saiu do nada, conseguiu 8% na BTG e 7,8% na AtlasIntel. É uma mixaria, já que Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro 30% na BTG. Na pesquisa estimulada, quando o entrevistado recebe um cartão com os nomes dos candidatos, marcou 11%, ante 2% da pesquisa BTG anterior. Continua sendo uma mixaria. Não é mixaria o fato de ter pulado de 8,3 milhões de seguidores para 10,5 milhões em menos de uma semana, um dos maiores incrementos do mundo.

Andanças de amiga de Lulinha ainda preocupam o governo, por Fernando Exman

Valor Econômico

Existe a convicção no Palácio do Planalto que a eleição será novamente decidida por estreita margem de votos, provavelmente com uma parcela importante dos chamados "eleitores-pêndulo" reagindo a cada revelação dos vários escândalos em curso no país. São monitorados com lupa, portanto, os possíveis desdobramentos do caso que envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e as tratativas da lobista pela Esplanada dos Ministérios.

A avaliação é que os danos até agora só não foram maiores porque houve a tentativa de viabilizar a comercialização do “produto errado” para o Ministério da Saúde. Isto é, ela poderia ter tentado vender qualquer remédio para dor de cabeça, por exemplo, que a intermediação teria mais chances de ser bem-sucedida. Mas o que veio a público, por enquanto, foi a articulação para a aquisição de frascos de canabidiol.

Candidatos e a ambição de mudar emendas, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Alguma retomada do controle sobre as emendas está na cabeça de Lula e de outros postulantes ao Planalto

No final dos anos 1990, um grupo de 37 parlamentares até então sem projeção se viu sob os holofotes no que ficou conhecido como o escândalo dos anões do Orçamento, sobre desvios de verbas federais. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que os investigou por seis meses terminou em 1994.

Fernando Henrique Cardoso (PSDB) seria eleito naquele ano, em primeiro turno, surfando na popularidade do ex-ministro da Fazenda responsável pelo Plano Real. Foi com esse poder das urnas que conseguiu recuperar para o Palácio do Planalto o domínio sobre uma parcela significativa do Orçamento que antes tinha seu destino decidido no Congresso Nacional, contou à coluna o cientista político Sérgio Praça, professor visitante no programa de pós-graduação em Gestão Pública e Sociedade da Universidade Federal de Alfenas.

O presidente tucano conseguiu que o Legislativo aprovasse, em setembro de 1995, uma resolução que disciplinou as emendas.

"Fernando Henrique contava com uma coalizão de cinco partidos, que tinha 75% do plenário", comentou. "Uma coisa que hoje é impossível, porque o sistema é muito mais fragmentado."

Política sem imaginação, por Marcelo de Azevedo Granato*

O Estado de S. Paulo

A lógica da polarização passa a organizar tanto a percepção da realidade quanto a imaginação do futuro

Por que as alternativas a Lula da Silva e a Flávio Bolsonaro não decolam se 39%-40% das pessoas de 25 a 59 anos e 34% daquelas entre 16 e 24 anos afirmam estar cansadas ou desconfortáveis com a polarização, conforme pesquisa BTG/Nexus deste ano (Adultos lideram cansaço com polarização e jovens são mais complacentes , Coluna do Estadão, 10/8, A2)? Some-se a isso o fato de que petistas e bolsonaristas correspondem a apenas 16% e 13% da população, respectivamente, conforme pesquisa realizada pelo ConnectLab, Centro de Estudos da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), no ano passado.

Uma resposta possível é que, embora os eleitorados mais fiéis sejam minoritários, as duas candidaturas organizam o campo político praticamente sozinhas. Desse modo, contribuem para uma espécie de efeito paralisante que, no Brasil de hoje, compromete nossa já rarefeita capacidade de imaginar outros futuros políticos para além daqueles propostos pelas forças políticas atuais.

A eleição e o dólar, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Até agora, pesquisas de intenção de voto não têm afetado de forma significativa os preços dos ativos

Na ausência de um evento externo, como uma piora no cenário geopolítico ou uma alta antecipada dos juros básicos nos Estados Unidos, muitos analistas apostam que o câmbio deva provavelmente oscilar numa faixa estreita até o desfecho da eleição presidencial brasileira, com a cotação do dólar sendo negociada entre R$ 5,05 e R$ 5,20 na maior parte do tempo.

Xandão se torna tóxico para Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Presidente vai defender investigação, e Flávio tem agora um mote para o ato do 7 de Setembro

Os diálogos que vieram à tona entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, causaram extrema preocupação na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas foram reveladas pelo Estadão.

Desta vez, a gravidade do relatório da Polícia Federal detalhando mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro é tanta que o comitê de Lula ainda está à procura de uma estratégia para se afastar da crise. Agora, a guerra fratricida nas fileiras do STF ameaça explodir na Praça dos Três Poderes e até paralisar votações de interesse do governo no Congresso.

Ministros do Supremo avaliam que provas contra Moraes podem ser anuladas, por Renato Souza

Correio Braziliense

Magistrados acreditam que abertura de investigação contra o colega poderia abrir precedente para que outros membros se tornem alvos

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos sob reserva pela reportagem, avaliam que eventuais provas contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master podem ser anuladas por terem sido obtidas pela Polícia Federal sem a autorização prevista no regimento. Conversas envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram tornadas públicas nesta terça-feira (1º/9).

No entanto, de acordo com a avaliação dos magistrados, para que a investigação tivesse curso, teria sido necessário que o relator, André Mendonça, solicitasse autorização dos demais membros da Corte, por se tratar de um colega de plenário. Mendonça indicou que o caso deve ser levado ao plenário pelo presidente do Tribunal, Edson Fachin.

A avaliação, nos bastidores, é de que uma eventual abertura de investigação contra Moraes abriria precedente para mirar também os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes e Luiz Fux, que já foram citados anteriormente em situações envolvendo o Master.

Esses magistrados acreditam que é mais fácil as provas colhidas serem anuladas pelo plenário do que ocorrer a autorização para a abertura de inquérito. O ministro Fachin avalia o que deve fazer, mas a tendência é convocar uma reunião administrativa para discutir a situação. No entanto, existe receio de uma ofensiva por parte do Senado, a quem cabe julgar integrantes do Supremo.

Em resposta a Mendonça, PGR diz que relatório sobre mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes é nulo, por Tiago Angelo

Valor Econômico

PGR, que também é citado no documento, afirma haver irregularidades na condução da apuração

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou pela nulidade do relatório da Polícia Federal (PF) que trata de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, ao ministro Alexandre de Moraes. O relatório estava em sigilo, mas foi tornado público nesta terça-feira (1º) por decisão de André Mendonça, relator das investigações sobre o banco na Corte.

Gonet, que também é citado no documento da PF, diz que ordens para investigar pessoas específicas são nulas, se não houver pedido expresso do Ministério Público. O PGR afirmou ainda que não cabe a juízes acusar e, menos ainda, "realizar investigações pré-processuais". Ele diz ainda que compete ao plenário investigar integrantes do Supremo e que Mendonça atuou ativamente para buscar indicativos de envolvimento de Moraes em ilícitos.

Resposta precoce da PGR eleva pressão sobre plenário da Corte, por Maria Cristina Fernandes


Valor Econômico

A perspectiva de investigação de ministro por seus colegas é inédita no STF

A manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que seja anulada a petição do ministro André Mendonça para a investigação do ministro Alexandre de Moraes ante a gravidade dos fatos trazidos pelo relatório da Polícia Federal sobre o Master aumenta as expectativas sobre a sessão da tarde desta quarta no Supremo Tribunal Federal.

A expectativa, no gabinete no ministro Edson Fachin até o início da noite desta terça, era de que a sessão poderia vir a ser poupada da explicitação do conflito pelo prazo concedido à PGR. Gonet, tinha cinco dias, mas respondeu antes que o pedido de Mendonça completasse 12 horas. Não se deu por impedido, a despeito de terem sido transcritas mensagens que trocou com um advogado de Daniel Vorcaro e com o próprio ex-banqueiro.

Heterodoxia econômica não é terraplanismo, por José Luis Oreiro e Luiz Fernando de Paula*

Folha de S. Paulo

Volta da política industrial e atuação estatal na transição verde mostram que antigas certezas já foram revistas

No Brasil, o desafio é superar tanto o voluntarismo quanto o fundamentalismo de mercado

Há críticas econômicas que ajudam a qualificar o debate público. Outras revelam o quanto o debate brasileiro ainda está preso a velhos dogmas. Ao associar a heterodoxia ao terraplanismo sanitário, como fez o editorial "É urgente recolocar as contas públicas nos trilhos" (15/8), esta Folha recorre a uma caricatura que não contribui para compreender os problemas econômicos do país.

heterodoxia não representa a negação da ciência econômica, mas uma tradição intelectual que inclui Keynes, Kalecki, Schumpeter, estruturalistas latino-americanos e pós-keynesianos. Suas ideias integram pesquisas sobre crescimento, estabilidade financeira, desigualdade e transformação produtiva. Aquilo que o editorial apresenta como "velharias" está longe de ter sido abandonado por governos ao redor do planeta.

Gasto das famílias empaca, agro e petróleo empurram um PIB cada vez mais devagar, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Consumo privado cresce ao menor ritmo anual desde 2017, afora anos de epidemia

Investimento produtivo vai às mínimas do século e regrediu, no último ano

economia deve crescer perto de 2% neste 2026. É o que dá para depreender do resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado nesta terça (1º) pelo IBGE, e do andamento do terceiro trimestre até aqui. No último ano, nos últimos quatro trimestres, o PIB cresceu 1,9%, menor ritmo desde 2019 (excluídos tempos da epidemia). O auge do crescimento anual sob Lula 3 foi o primeiro trimestre de 2025, de 3,6%. Se o crescimento trimestral for zero neste segundo semestre, o PIB aumenta 1,8% em 2026.

Espancamento na UFRJ expõe a intolerância de esquerda, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Caso mostra como agressão, intolerância e virtude podem estar numa mesma justificativa

Fazer do adversário ameaça absoluta é o primeiro passo para converter violência em obrigação moral

violência fascista nunca se apresentou apenas como violência. Precisou de uma embalagem moral que a autorizasse. Em "A Personalidade Autoritária", Adorno e seus colegas identificaram na agressão autoritária uma disposição central: a convicção de que certas pessoas, por violarem valores fundamentais, merecem ser punidas. A agressão deixa então de parecer crueldade e passa a ser experimentada como justiça.

Durante décadas, a esquerda tratou esse mecanismo como propriedade quase exclusiva da direita, mas o episódio da semana passada na UFRJ deveria abalar essa certeza.

Cury é a terceira via que veio para ficar? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Há demanda do eleitorado por candidato fora da polarização

É muito difícil, porém, romper a lógica imposta pelo voto estratégico

O fenômeno Augusto Cury é para valer? O candidato pelo Avante, que em uma semana saltou de 2% das intenções de voto para 11% na pesquisa BTG/Nexus, tem condições de romper a lógica da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro? Como sempre digo aqui, tudo o que não é proibido pelas leis da física pode acontecer. E a tal da terceira via não viola nenhuma das regras da natureza, ainda que suas chances de concretização pareçam diminutas.

Cury sacode a poeira da disputa engessada, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Subida súbita ainda precisa de confirmação sobre ser uma tendência ou mero soluço de ocasião

Seja como for, a foto do momento mostra que há vida indecisa fora das torcidas de Lula e Flávio

A primeira novidade da eleição surgiu de onde menos se esperava. Augusto Cury (Avante), psiquiatra best-seller do ramo da autoajuda, atropela dois ex-governadores e um performático, bom de retórica, para se instalar na liderança do pelotão dos nanicos candidatos a presidente.

O desempenho nas pesquisas BTG/Nexus, Real Big Data e Atlas/Bloomberg impressiona, mas carece de comprovação para saber se significa soluço ou tendência. Seja como for, o retrato do momento mostra que há vida indecisa no ambiente em que Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PLconcentram atenções e intenções.

Entre panfletos e fuzis, 45 anos da manifestação estudantil, na praça de São Sebastião, por Guto Rodrigues

O evento na Aleam, sobre os 45 anos da manifestação estudantil, na praça de São Sebastião, no ano se 1981, é um dos episódios mais brutais da ação da polícia na ditadura militar, acontecido em Manaus.

Com aparato militar, a manifestação estudantil foi sufocada pelas botas, cacetetes e tiros dentro da igreja, resultando no espancamento e prisões de estudantes nos carros camburões da Polícia.

"Foi a luta heroica dos estudantes amazonenses que conquistou a meia passagem, nada se conquista sem luta", discursou o camarada Eron, como também, Maciel, Carril, Irailde e Lúcia Antony, que também fizeram uso da palavra. O auditório senador João Bosco transformou-se num tribunal e os homenageados, estudantes que estiveram no ato,45 anos depois, com seus depoimentos, cantaram com ênfase o hino nacional e condenaram a brutalidade com frase: DITADURA NUNCA MAIS.