quinta-feira, 11 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PEC do Trabalho Flexível merece atenção do Senado

Por O Globo

Trata-se de alternativa sensata à proposta aprovada na Câmara em meio a preconceito contra empresários

O debate na Câmara sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, ou 6x1, não foi contaminado apenas por interesses eleitoreiros, mas também pelo preconceito injustificável contra os empresários. Nos discursos demagógicos que antecederam a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a escala 6x1 foi comparada à escravidão, enquanto os empreendedores eram tomados por exploradores insensíveis, condenados moralmente apenas por correr o risco de tocar um negócio. É inacreditável que, num país onde vigoram livre mercado e livre-iniciativa, prosperem no Parlamento tais comparações estapafúrdias, demonizando quem gera emprego e responde pelo funcionamento da economia.

Más notícias para Flávio Bolsonaro, por Míriam Leitão

O Globo

O caso Master causou danos à campanha do filho do ex-presidente, mas sua atuação no caso das tarifas também trouxe um viés negativo

O presidente Lula comemorou ontem melhoras pontuais na avaliação geral do governo e em algumas políticas na pesquisa Genial/Quaest. Já o senador Flávio Bolsonaro amargou a má avaliação dos seus atos, palavras e estratégia. A pior notícia para o candidato da extrema direita não foi a maior distância em intenção de votos entre ele e Lula e sim a reprovação da sua conversa com Daniel Vorcaro, do financiamento do filme “Dark Horse”, e do uso do governo americano como parte da estratégia eleitoral. As tarifas foram vistas como prejudiciais às empresas brasileiras e 47% concordam com Lula quando ele acusa Flávio de ter pedido por novas tarifas.

Flávio retrocede, por Merval Pereira

O Globo

Como a eleição será resolvida, ao que tudo indica, pelos “independentes”, pragmáticos como aconteceu em 2022, qualquer escorregão, de um lado ou do outro, poderá ser decisivo

A eleição está nas mãos dos “swing voters” tupiniquins. A mesma lógica que leva alguns estados americanos, como Geórgia ou Arizona, a votar às vezes nos republicanos, outras nos democratas, faz com que esse tipo de eleitor, classificado como “independente” pela Quaest, troque de voto à medida que os fatos eleitorais vão acontecendo. Aí não entram preferências ideológicas, mas outras questões, como percepção de corrupção, receio de que um partido continue no governo ou de que outro ascenda ao Palácio do Planalto. No caso atual, há os dois fatores em jogo: Lula ir para o quarto mandato, ou Bolsonaro voltar à presidência por intermédio de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Dez Brasis para pagar a conta das pautas-bomba do Senado, por Julia Duailibi

O Globo

Cada um pensa na própria fogueira, e o Tesouro que lide com o incêndio na floresta

Em ano de eleição, uma máxima da política brasileira segue impiedosa: farinha é pouca, meu pirão primeiro. Nos últimos dias, o Senado, tido como “casa da moderação”, pôs para andar diferentes pautas-bomba como se não houvesse amanhã. Os senadores até se esforçam para imprimir caráter republicano às votações, mas a verdade é uma só. A preocupação que os norteia hoje, independentemente da conta bilionária que fica para o país, é a reeleição.

Num consórcio que vai do PL ao PT, cada senador faz um cálculo particular, segundo o qual tudo bem aprovar uma pauta-bomba aqui e outra acolá, desde que elas o ajudem a se segurar na cadeira por mais oito anos. Ninguém vê tamanho empenho para aprovar pautas de interesse coletivo como a PEC da Segurança.

Alvejado no Master, STF renova figurino de guardião, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Protagonismo na regulação digital e na contenção das pautas-bomba mostra esforço da Corte em sair da sombra do Master

Da regulação digital à barreira contra as bombas fiscais, o Supremo Tribunal Federal começa a pavimentar as condições para reprisar o papel de “guardião da democracia e da estabilidade” que o envolvimento de ministros da Corte com o Master de Daniel Vorcaro e sua divisão sobre o código de ética puseram em xeque.

A primazia na regulação digital nas eleições começou a ser delineada na sessão desta quarta quando começaram a ser apreciados 12 embargos à decisão da própria Corte sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet.

A Cidade Limpa não está à venda, por José Serra

O Estado de S. Paulo

A lei é patrimônio dos paulistanos, é resultado de uma escolha coletiva: o espaço público não seria mais suporte publicitário a serviço do capital privado

Em março de 2006, assinei a Lei n.º 14.223, como prefeito de São Paulo. Muitos disseram que ela não sobreviveria à pressão do mercado publicitário, às liminares que viriam, ao lobby das agências e das empresas de mídia exterior. Sobreviveu. Sobreviveu porque era e é uma lei justa, tecnicamente bem construída e, acima de tudo, profundamente enraizada no interesse coletivo dos paulistanos.

Por isso, vejo com indignação o que a atual gestão municipal tentou fazer em março deste ano: usar o artigo 50 da própria Lei Cidade Limpa, que prevê termos de cooperação para melhorias urbanas, como cavalo de Troia para reintroduzir, pela porta dos fundos, exatamente o que a norma foi criada para eliminar. Refiro-me ao projeto Boulevard São Paulo – Avenida São João, que previa a instalação de painéis de LED de até 1 mil m² nas fachadas de edifícios históricos no cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João.

O partido clandestino da extrema direita, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Acima de tudo e acima de todos, é um fenômeno de organização profissional: um partido amarrado por uma disciplina férrea

Acontece nas famílias mais fofas. Na sua também, pode admitir. Aos poucos, meio assim do nada, vai aparecendo lá um sobrinho amuado, uma tia falastrona ou um primo de segundo grau com sintomas esquisitos. Primeiro, discretos. Depois, desinibidos. Até que, num dia aleatório, numa terça-feira à tarde, num feriado modorrento ou numa noite de domingo, o quadro fica patente e escarrapachado. O cidadão ou a cidadã assume de vez o seu bolsonarismo extremofrênico. Aí, é tarde demais.

Nos primeiros surtos, há quem tente argumentar. E o desmazelo com a covid-19? O familiar em questão desconversa. E o contrabando de joias? Fake news. E o apoio aos torturadores? Olhos baços se desviam na direção do teto. Só resta desistir. Não tem cura. Por favor, não vá falar do Banco Master. É perigoso, pode gerar reações inamistosas. Na dúvida, não arrisque. E nunca, em hipótese alguma, fale disso na frente das crianças. Exorcismo não funciona.

Falta rumo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não é nada confortável a situação neste instante dos grupos políticos que se articulam para impedir a reeleição de Lula. Ele é hoje um político em situação de rejeição altíssima, porém similar à do nome do seu principal adversário.

Em boa parte, isso se deve ao hábito de “fazer política” perseguindo o ponteiro das pesquisas de intenção de voto. Claro que elas são relevantes como ferramenta tática, mas trata-se aqui de problemas estratégicos.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro consolidou-se em função de uma série de pesquisas, apesar de as vulnerabilidades dele serem bem conhecidas ainda antes dos áudios com Vorcaro. O que elas evidenciavam não era, necessariamente, um apoio ao nome, mas um desejo enorme de acabar com décadas de lulopetismo no poder.

Como o cenário mudou no TSE, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministros do Supremo e costura de bastidores mudaram tendência sobre ação de Flávio contra pesquisa

Na segunda-feira, logo após a decisão de Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) em queda, o cenário nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era de vitória do presidente. A maioria dos sete ministros indicava que confirmaria a liminar na votação em plenário.

Em pouco mais de 24 horas, uma série de fatores provocou mudança no quadro. O primeiro deles foi a repercussão ruim da decisão na imprensa. Ministros do TSE que antes não haviam se atentado para a gravidade do precedente passaram a encarar a liminar não como um caso específico, mas um parâmetro para nortear toda a Justiça Eleitoral no tratamento de pesquisas durante as campanhas deste ano.

O que falta no debate eleitoral sobre segurança pública, por Joaquin Gonzalez-Aleman*

A quatro meses das eleições, é urgente que candidatos e candidatas assumam um compromisso público para não perder mais nenhuma criança para a violência

Um paradoxo marca as eleições brasileiras: crianças estão em todo lugar, em slogans, imagens e discursos, mas nem sempre aparecem efetivamente na disputa eleitoral. Isso é especialmente verdade no debate sobre segurança pública, que é hoje a principal preocupação dos eleitores. Por quê?

A violência preocupa os brasileiros mais do que a corrupção, a saúde ou a economia, segundo pesquisa recente da Genial/Quaest. E não há dúvida de que meninos e meninas são os mais impactados por essa insegurança.

Contra a redução da maioridade penal, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Facções criminosas serão as maiores beneficiadas com a medida

Hoje, 11 mil adolescentes infratores já sofrem privação de liberdade

Qual a melhor alternativa para um adolescente de 16 anos que roubou um celular na rua? Alternativa 1: ser preso para crescer no crime nas prisões brasileiras, onde a taxa de reincidência pode chegar a 50%. Alternativa 2: sofrer internação em unidades socioeducativas com reincidência de menos da metade das prisões.

Nesta quarta (10), a CCJ do Congresso mostrou preferir a alternativa 1: fornecer mão de obra para o crime em vez de investigar infrações graves e favorecer a reabilitação de adolescentes.

Direita subestimou trabalhador sobre escala 6x1, Thaísa Oliveira

Folha de S. Paulo

Talvez por prepotência, bolsonaristas acharam que sobreviveriam às redes sociais defendendo o pagamento por hora

Basta conversar com um caixa de supermercado para entender por que só 22 deputados votaram contra redução da jornada

Sensível ao termômetro das redes sociais, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) percebeu rapidamente a cilada que é a PEC que autoriza a contratação por hora trabalhada, apresentada pelos bolsonaristas em reação ao fim da escala 6x1.

Correu para o plenário para dizer que sempre defendeu o fim da "maldita" escala e continuaria do lado do trabalhador. Cleitinho admitiu estar apanhando —o que os outros 40 signatários da PEC alternativa ainda hesitam em fazer.

Como as encrencas políticas dificultam o fim da 6x1, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Comando do Senado empurra votação com a barriga, no mínimo para prejudicar Lula 4

Congresso está uma zorra, cheio de pautas-bomba; lobby e barganha baixa estão grandes

No calendário político do governo, o fim da escala 6x1 deveria passar no Senado até 17 de julho —no dia 18, começa o recesso parlamentar, férias oficiais que vão até o início de agosto. A aprovação da redução da jornada máxima de trabalho para 42 horas (depois, 40 horas) e das duas folgas por semana já seria em si vitória da causa governista. Se o calendário oficial der certo, a mudança poderia ter efeito prático ainda antes do primeiro turno da eleição, que será no dia 4 de outubro. Seria vitória oficial com volta olímpica. Seria. O caldo anda azedo.

Esquerda está presa na armadilha da judicialização, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Recurso à Justiça é estratégia defensiva que traz vantagens e limitações

Medida pode aumentar perigosamente o poder dos 11 magistrados do STF

A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda —por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita —quase sempre em desvantagem. O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Mão parada no ar, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Às vezes, por educação ou reflexo, apertamos a mão de pessoas que desprezamos

No fim do ano, tive o prazer de recusar a minha ao então governador Cláudio Castro

Num evento de fim de ano aqui no Rio, alguém me alertou para uma pessoa que acabara de adentrar o recinto: o então governador Cláudio Castro, institucionalmente convidado. Vi quando ele cruzou o salão, parando de mesa em mesa e oferecendo sua mão aos participantes de cada grupo. Todos lhe retribuíram, não sei se por educação ou reflexo. De repente, Castro —sem parentesco com o colunista— estava diante de minha mesa.

A inovação além das metrópoles, por Paulo Rocha*

Em ano eleitoral, o Brasil volta a discutir crescimento, emprego e produtividade. Fala-se também em reduzir desigualdades regionais. Mas raramente se pergunta onde o país está construindo sua economia do futuro.

Quando o tema é inovação, o debate público se concentra nos mesmos endereços: Faria Lima, Paulista, grandes polos do Sudeste e do Sul. Como se a tecnologia brasileira tivesse território limitado.

FIFA, una mafia que garantiza el autoritarismo de Trump, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Está comenzando la Copa del Mundo 2026 y la fiesta del futbol deja una vez más un sabor amargo entre los amantes de este deporte. Por todo lo visto antes de la inauguración oficial, la actual Copa del Mundo se destaca por la secuencia de barbaridades cometidas en contra de los derechos fundamentales de sus participantes, dentro y fuera de la cancha.

Por cierto, la FIFA cada vez se parece más a un grupo de mafiosos y corruptos que solo se interesan por apropiarse de los millonarios recursos que genera el futbol, no importándole las condiciones restrictivas a la democracia que imponen los países anfitriones. La anterior Copa de 2022 fue realizada en Catar, país administrado por una monarquía absolutista e teocrática que desde mediados del siglo XIX se encuentra bajo el poder discrecional de una única familia, la dinastía Al Thani.

Poesia | Memória, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Teresa Cristina - Cidade Mulher (Noel Rosa)

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Censura de Flávio e Kassio a pesquisa merece repúdio

Por Folha de S. Paulo

Aspirante do PL tenta calar críticas, e presidente do TSE arbitra aspectos técnicos de sondagem eleitoral

Praga da tutela estatal se acentua nas eleições, quando ataques duros e conteúdos incômodos dão ensejo a interditos do Judiciário

Liberdade de expressão para os amigos e as notícias favoráveis. Para os adversários e os fatos desabonadores, a censura. Flávio Bolsonaro, senador do Rio aspirante ao Planalto pelo PL, incidiu nesse clássico da hipocrisia política, coadjuvado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o que é perturbador.

O partido chefiado pelo notório Valdemar Costa Neto achou por bem requisitar ao órgão regulador das eleições o veto à divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel que detectou queda do seu pré-candidato presidencial após a revelação das escandalosas relações entre Flávio e o capo da máfia do Banco MasterDaniel Vorcaro.

Genial/Quaest: Lula lidera no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado e Renan Santos; veja os números

Por Luiz Felipe Azevedo e Júlia Cople – O Globo

No cenário com o senador, o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista

 — Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de segundo turno testados pela pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira. No cenário com o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista.

Veja os cenários:

Faltam ideias e coragem a Caiado e Zema, por Vera Magalhães

O Globo

Partidos, analistas políticos e candidatos se acostumaram a uma dinâmica pré-eleitoral que suprimiu de forma dramática, até aqui, qualquer discussão de fôlego sobre diferentes projetos estratégicos para o Brasil. Esse ritual mecanizado consiste em aguardar sempre a próxima pesquisa para, a partir de dados que têm oscilado pouco e confirmado a tendência a uma eleição polarizada, ditar o próximo post, a frase de efeito, a conclusão apressada e a estratégia de tiro curtíssimo. A ausência de aprofundamento e de consistência fica ainda mais gritante quando se olha para os postulantes a quebrar a tendência a que a eleição se decida entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Governo Trump humilha visitantes, e Fifa se cala sobre xenofobia na Copa, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Entidade lavou as mãos após deportação de árbitro somali e humilhações à seleção do Irã

A bola ainda não rolou, mas o governo de Donald Trump já criou os primeiros embaraços para a Copa do Mundo. Na segunda-feira, o árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Ontem o Irã informou que os ingressos destinados a seus torcedores foram cancelados.

Artan era um dos três árbitros africanos escalados para apitar na Copa. Eleito o melhor do continente em 2025, viu seu “maior sonho” ruir no aeroporto de Miami. Detido por 11 horas, foi obrigado a embarcar de volta para a Turquia, onde havia retirado o visto.

Quem ganharia com sigilo para a jogatina? Por Elio Gaspari

O Globo

No domingo, o repórter Vinícius Valfré revelou que o Ministério da Fazenda impôs um sigilo de até cem anos aos documentos que tratam da autorização para o funcionamento de casas de apostas no Brasil. A mordaça excluiu até a hipótese de liberar somente os trechos que não contivessem informações sensíveis.

Na segunda-feira, o ministro Dario Durigan informou que a medida foi revogada, e será criado um grupo de trabalho para examinar o caso, dando “ampla transparência” aos processos. Tudo bem, mas mordaça, como jabuti, não sobe em árvore, alguém a colocou lá. Para atender a que finalidade? Falta saber.

Motta abre caminho para a regulação da IA, por Fernando Exman

Valor Econômico

Presidente da Câmara colocou o tema como uma prioridade de sua gestão

Há fartos sinais vindos do exterior que embasam a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de dar novo impulso às discussões sobre a regulação da Inteligência Artificial. Governos e empresas de tecnologia empreendem uma arriscada “corrida de IA”, cujas potenciais consequências já começam a sair das projeções de mais longo prazo de especialistas em futurismo para aparecer nos alertas do presente.

Amizade à brasileira, por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

A amizade é uma instituição social com enorme poder no campo jurídico-político. No Brasil e nas sociedades de raiz ibérica, a amizade que contraria filiações ideológicas e éticas talvez seja uma instituição básica, e sua ausência das análises poderia ser um traço de sua importância.

Não há melhor comprovação desse palpite do que a cínica racionalização de Daniel Vorcaro de que tudo foi feito por amizade. Como se a suposta inocência das simpatias pessoais não tivesse a carga de fraude que permeia a “política” dos políticos certos de que seguir a lei é caretice.

A estratégia de Lula para queimar Flávio, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Campanha petista escala time de influenciadores e diz ter vídeo de senador com Vorcaro

Diante do sucesso da hashtag “Tariflávio” nas redes sociais, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar o período de Copa do Mundo para ampliar a estratégia de desconstruir a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

A partir de agora, grupos de influenciadores digitais e líderes políticos, intitulados “Porta-Vozes do Lula”, entrarão em cena nas redes para espalhar notícias positivas sobre o governo e o presidente, desfazer o que a campanha classifica de fake news e comparar a gestão do PT com a de Jair Bolsonaro (PL).

A virada global dos juros, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Sem um recuo maior no preço do petróleo, vem aí uma era de aperto global dos juros

A aceleração dos índices de preços ao consumidor e a piora das expectativas de inflação, desde o início da guerra no Irã, estão forçando uma mudança de postura nos principais bancos centrais do mundo: alguns deles se anteciparam e elevaram os juros preventivamente; outros até tentaram esperar passar o choque de oferta do petróleo e de outras matérias-primas, mas devem embarcar em breve num ciclo de aperto monetário; e os que já haviam começado a cortar os juros estão sob pressão crescente para pausar, como é o caso do Brasil.

As lições do "terroraço", por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Com a ilusão de que isso reduzirá a violência dos batedores de carteira das esquinas e dos corredores do Estado, o povo aceita a vergonha de sermos um país associado ao terrorismo e, consequentemente, perdermos parte de nossa soberania

Além da vergonha nacional, a inclusão do Brasil entre os países que abrigam grupos terroristas nos impõe algumas lições.A primeira é reconhecer que fracassamos na luta contra o crime. Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e outras facções são apenas a face mais ostensiva da violência que caracteriza a sociedade brasileira: desigualdade, pobreza, analfabetismo, batedores de carteira nas esquinas, assaltantes nos corredores do Estado por meio de supersalários, penduricalhos, desperdícios, privilégios e ostentação.

A régua moral dos EUA, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Episódios recentes reforçam o antiamericanismo mundo afora e expõem a arrogância de um governo que perdeu a mínima noção do que é régua moral e conduta ética

Três incidentes envolvendo os Estados Unidos e nações africanas chamaram a atenção. Mais do que isso: causaram repulsa, indignação, ojeriza. Para não ter que receber um cidadão americano infectado com o vírus ebola, os EUA planejam criar instalações de quarentena no Quênia. Detalhe 1: os centros de isolamento contemplarão tão somente aquelas pessoas nascidas nos Estados Unidos que apresentem sintomas da doença. Detalhe 2: com 58 milhões de habitantes, o Quênia não tem um caso sequer de infecção pelo ebola.

País ainda vai tomar taxa venenosa de juros por um tempo assustador, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Custo do dinheiro e pagamentos de credores estão em níveis recordes no século

Anabolizante do capital externo ajudou a disfarçar problemas no curto prazo

As taxas de juros não vão cair tão cedo. No máximo, o Banco Central talvez dê uma gorjeta pequena na reunião da semana que vem, quando decide a Selic: corte mínimo e basta. No mais, o caldo entornou, em uma situação já muito grave. O país não parece ligar muito.

O Desenrola 2 vai enxugar mais gelo. Empresas continuam no caminho de renegociação de dívidas e recuperação judicial ou gastam o que ganham em juros ou, aquelas em situação melhor, deixam de investir por causa do custo de capital. A taxa de investimento, sempre longe do necessário nos últimos 40 anos, vai minguando para níveis dos anos da economia deprimida.

Direita chegou a um impasse com candidatura de Flávio Bolsonaro, por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Presença do senador impede outros nomes de crescer

Nenhum candidato avança sem passar pelo bolsonarismo

A direita brasileira tem hoje um candidato que gostaria de abandonar e um eleitorado do qual não pode abrir mão.

Esse é o seu dilema na corrida presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro atrapalha os planos, mas o bolsonarismo continua sendo a única direita com piso eleitoral relevante e base mobilizada. A direita chega à disputa com uma vantagem: a rejeição a Lula é enorme e o antipetismo continua em alta. O problema é que isso só será força real se passar pelo eleitorado bolsonarista.

A direita tradicional adoraria se livrar o quanto antes da candidatura de Flávio Bolsonaro. Não lhe faltam candidatos, ambições ou projetos alternativos, mas Ronaldo CaiadoRomeu Zema e Renan sabem que Flávio ocupa um espaço que os impede de crescer. O senador larga na frente graças ao sobrenome e torna a direita refém das próprias vulnerabilidades.

Campanhas põem o Pix nos palanques, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

PT e PL enganam o eleitor ao tomar para si uma ferramenta que não pertence a Lula nem a Bolsonaro

Melhor defesa do Pix seria o apoio à emenda que amplia a autonomia do Banco Central

Nesta campanha eleitoral, o Pix foi posto no palanque e assumiu o lugar que já foi do Bolsa Família e, antes disso, da caderneta de poupança como objetos de disputa e terrenos férteis à plantação de mentiras entre partidos e políticos adversários. A característica em comum entre eles é o caráter de unanimidade nacional.

No século passado, a moda era acusar o oponente de planejar o sequestro do dinheiro da poupança dos brasileiros. Foi assim na primeira eleição presidencial direta, quando Fernando Collor pregou a suspeição em Luiz Inácio da Silva, ganhou a parada e no dia seguinte à posse confiscou praticamente tudo de todos.

Transparência vacinal, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Mortes e efeitos adversos graves relacionados ao imunizante do Butantan contra a dengue precisam ser investigados

Sucesso da vacinação na redução de óbitos no planeta depende de confiança do público em cientistas e autoridades

Até que se saiba melhor o que acontece com a vacina contra a dengue produzida pelo Butantan, é preciso mesmo seguir os protocolos, suspender a imunização e investigar os casos de efeitos adversos graves e óbitos. É exatamente isso que as autoridades estão fazendo. Ponto para elas. A pior coisa que poderiam fazer seria varrer o problema para debaixo do tapete.

Cidadão do mundo, por Ivan Alves Filho*

Autor de um dos livros mais impressionantes que li na vida, A invasão da América Latina, editado pela Civilização Brasileira, do saudoso Ênio Silveira, o jornalista e professor John Gerassi já nasceu como cidadão do mundo. 

Eu explico. Seu pai era um judeu sefardita, natural de Istambul, e tinha o espanhol como língua materna. Era pintor de profissão, e ninguém menos do que Pablo Picasso o tinha em alta consideração profissional. Fernando Gerassi, este o seu nome, lutou na Guerra Civil espanhola, pelas Brigadas Internacionais comandadas pelo comunista italiano Palmiro Togliatti, chegando a ser um dos generais do Exército Republicano. Sua mulher, a escritora Stephania Awdykowicz, nasceu na Ucrânia. Quanto ao filho, John, este veio ao mundo em Paris, e se consagrou como correspondente internacional do prestigioso New York Times. Foi um profundo conhecedor não só da realidade latino-americana e estadunidense, como também da cultura francesa: John Gerassi herdou do pai a amizade de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. 

Poesia | André Morais | A Implosão da Mentira, de Affonso Romano Sant'anna

 

Música | MPB4, Zeca Pagodinho - Olé, Olá (Chico Buarque)

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Gastança dos estados piora crise fiscal

Por O Globo

Governadores não ficam atrás do governo federal em ‘bondades’ eleitoreiras

Anos de eleição já foram diferentes no Brasil: ruas cobertas de panfletos, brindes e showmícios eram comuns. Uma característica infelizmente parece imutável: a propensão dos governos a gastar de forma irresponsável. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido pródigo na distribuição de “bondades” eleitoreiras, mas os governadores não ficam atrás. A gastança extra já contratada terá impacto nas contas públicas estimado em torno de 2% do PIB. Desse total, o governo federal deverá ficar com uma fatia de 0,9 ponto percentual e os governos estaduais com nada desprezível 0,6 (o restante 0,5 serão gastos realizados por fora das metas fiscais).

Copa vai testar reformas do bilionário e conservador futebol, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

É justo reconhecer que o futebol se tornou o esporte mais popular do mundo com controvérsias e regras conservadoras, mas, na era da IA, elas cansam e enfurecem jogadores e torcedores

A dois dias do início da Copa do Mundo, pedindo licença aos colegas do Esporte, o colunista aproveita a oportunidade e utiliza este espaço, normalmente ocupado com temas econômicos, para falar de futebol.

Entre parêntesis, vale lembrar que só os 20 clubes da série A do Campeonato Brasileiro faturam quase R$ 15 bilhões por ano. E que o futebol, apesar das condições financeiras catastróficas de muitos clubes grandes, movimenta estimados R$ 90 bilhões anualmente no país, gerando 370 mil empregos diretos e indiretos. Na indústria global do futebol giram US$ 300 bilhões anuais. Os EUA preveem injetar US$ 17 bilhões na economia com a Copa.

As mulheres que aplaudem Flávio Bolsonaro, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Pré-candidato do PL reúne 184 mulheres num hotel de luxo em São Paulo

“Pra ser petista, das duas uma, ou faltou proteína ou falta caráter”. A médica Claudia Leite estava entre amigas que aguardavam a abertura do salão para o encontro “Brasil de Ideias Mulher - Eleições”, o primeiro de uma série com os candidatos à Presidência, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no hotel Tangará, zona sul de São Paulo.

A zanga se dirigia a duas pessoas que ocuparam uma mesa do restaurante Quattrino, nos Jardins, durante um show, no sábado, do comentarista de direita argentino Gustavo Segré, autor da canção “Janjo e Janja”. A dupla protestou, destoando da maior parte da audiência que os pôs para correr. “Foi um sinal de que ele [Segré] está incomodando”, comentou Vera Renzo, empresária de turismo, arriscando um palpite sobre o potencial destrutivo do comentarista argentino, titular de um quadro “Faroeste à Brasileira”, na Revista Oeste.