Por Mariana
Schreiber - BBC News Brasil
As investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,
não devem ser decisivas na disputa pela Presidência entre o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), acredita Maurício
Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto de pesquisa Ideia.
Na sua visão, será
a economia que influenciará o voto de cerca de 5 milhões de pessoas que
definirão a eleição presidencial. Esse é o grupo que ainda não decidiu seu voto
e pode optar tanto por Lula como por Flávio Bolsonaro.
Segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil,
Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição, contra
34% de Flávio Bolsonaro (PL). Em um segundo turno contra o senador, Lula teria
45% das intenções, contra 43%.
"Quando
olhamos os 3% a 4% dos eleitores que achamos que vão decidir a eleição, eles já
consideram basicamente todos os lados corruptos e não é isso que vai ser o
fator decisivo. Então eu acho que [a investigação sobre suposta corrupção] é
mais um tema de 'bolhas' do que um tema relevante para a eleição", disse,
em entrevista à BBC News Brasil.
Lulinha é investigado em três inquéritos abertos pela
Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico
de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o
governo federal. Em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira
(27/08), Lula classificou como "ilações" as acusações
que estão circulando contra Lulinha e prometeu que ele
"não será protegido" por ser seu filho.
Moura nota que
esse grupo de indecisos é formado principalmente por mulheres, das áreas
metropolitanas do Sudeste, com renda de dois a cinco salários mínimos, mas que
estão endividadas. Tem também, em sua maioria, perfil conservador e frequentam
igrejas.
"As pessoas
têm atividade econômica, têm duas ou três fontes de renda, e mesmo assim não
conseguem fechar a conta no final do mês. Tem um componente do custo da dívida,
tem um componente de uma educação financeira bastante básica ou inexistente,
e também tem agora o componente de bets [apostas
esportivas]. Esse grupo que vai decidir a eleição sofre muito com a
questão das bets. É um tema de muita dor", ressalta.
"E [essas
eleitoras] são muito apolíticas, estão fora das discussões das bolhas. Isso tem
um efeito prático: a decisão de voto é muito lá na frente [próximo ao dia da
votação]", continua.
As pesquisas de intenção de voto apontam, no
momento, para um segundo turno entre Lula e Flávio. Para Moura, no entanto,
alguns fatores aumentam as chances de que o pleito seja decidido já na votação
de 4 de outubro.
Na sua visão, a
falta de uma terceira via forte pode levar o eleitor que não gostaria de votar
em um dos dois primeiros candidatos a "antecipar o segundo turno" e
optar logo entre Lula e Flávio no primeiro dia de votação.
Ele diz que o
candidato do PL "ainda tem mais fôlego para crescer" e deve ser
beneficiado no primeiro turno pelo "antipetismo de chegada", que
ocorre quando o eleitor desiste de votar em alguém de sua preferência e faz
voto útil no candidato melhor posicionado para ganhar do PT.
Moura destaca a
resiliência das intenções de voto de Flávio após duas crises: a revelação de
que o senador pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro dezenas de
milhões de reais para financiar um filme em homenagem a seu pai, o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a briga pública — agora superada — com a primeira dama
Michelle Bolsonaro (PL).
"Ele passou
por duas crises graves na campanha e os números dele são os números mais
sólidos de um segundo colocado desde 1989 nesse momento, o que mostra que o
sentimento divisor do país continua muito bem estabelecido".
Confira a seguir
os destaques da entrevista