quinta-feira, 23 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Hora da verdade para o BRB

Por Folha de S. Paulo

Banco de Brasília abriga indícios mais claros, até o momento, de corrupção de autoridades pelo Master

Assembleia de acionistas aprovou aumento de capital de até R$ 8,8 bi; governo distrital precisa arcar com os custos sem socorro federal

Enquanto as suspeitas de maior repercussão política e institucional se concentram no Supremo Tribunal Federal, foi no Banco Regional de Brasília (BRB) que se encontraram, até aqui, os indícios mais palpáveis de corrupção de autoridades pelo Banco Master.

O ponto de partida do escândalo, afinal, foi a tresloucada tentativa de compra do Master pela instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, em março do ano passado —que despertou desconfiança imediata e levou a Polícia Federal e o Banco Central a aprofundarem investigações sobre o caso.

Descobriu-se que o banco de Daniel Vorcaro vendera ao BRB uma carteira de cerca de R$ 22 bilhões em créditos, dos quais mais de R$ 12 bilhões se mostraram fraudulentos. Neste mês, foi preso o então presidente do banco brasiliense, Paulo Henrique Costa, e nesta quarta (22), a Segunda Turma do STF começou a julgar se a prisão será mantida.

Vorcaro e eleitor vão delimitar pacto entre Poderes, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

PT e PL convergem na necessidade de reformar o Judiciário e pressionam STF a sair da letargia

Num café com um ministro do Supremo Tribunal Federal, um general do Alto Comando enumerou os oficiais das Forças Armadas que estavam a cumprir pena por determinação da Corte. Em seguida, emendou: aqueles que os condenaram também estarão sujeitos às leis da República?

A conversa transcorreu em clima ameno. O general, legalista, continuará a sê-lo. A dúvida é se, no transcorrer do inquérito do Master, se poderá dizer o mesmo do togado. Se os traumas do golpismo, na percepção de um privilegiado interlocutor da farda, foram pedagógicos para as Forças Armadas por muitas gerações de Bolsonaros, ainda não se sabe se a toga pagará para ver as lições de um impeachment.

Caso Ramagem escala tensões com a Casa Branca e vira embate eleitoral, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

É uma estratégia de risco, que somente tem sentido se houver uma avaliação de que Trump apoiará seu adversário e isso pode ter um impacto eleitoral positivo para Lula

O caso Alexandre Ramagem caiu no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pleno ano eleitoral como um episódio em que política interna, diplomacia e disputa de narrativas se entrelaçam. A prisão do ex-deputado e ex-diretor da Abin nos Estados Unidos, seguida da crise envolvendo o descredenciamento do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, transformou um caso judicial em contencioso diplomático com forte impacto político. Lula vem escalando as críticas ao presidente Donald Trump e parece anabolizar o episódio para criar um incidente diplomático capaz de ser um divisor de águas na disputa eleitoral com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Eleições 2026: estratégias e narrativas em jogo, por Fabiano Garrido*

Correio Braziliense

Corremos o risco de ver vencer nas urnas em 2026 não quem tiver as melhores propostas, mas quem conseguir impor, com mais eficácia, sua própria versão da realidade

A disputa política nas redes sociais ao longo das últimas semanas revela, com nitidez, como esquerda e extrema-direita vêm organizando suas estratégias narrativas no contexto atual de pré-campanha. Mais do que a circulação de temas, o que está em jogo é a capacidade de enquadramento — isto é, de definir não apenas sobre o que se fala, mas como se interpreta a realidade e se distribuem responsabilidades.

Realidade e fantasia nas eleições de 2026, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

As fantasiosas e criativas promessas que costumam aparecer nos períodos eleitorais devem – ao menos em parte, que seja – dar lugar ao necessário realismo

O editorial do Estadão de ontem (Campanha medíocre, 22/4, A3) denuncia a ausência de ideias e de projetos estruturantes neste início do embate eleitoral. Formalmente, ainda estamos na pré-campanha, mas o jogo já está armado. Falta aos principais candidatos um programa para chamar de seu. De preferência, esses projetos devem ser realistas e transparentes. Devem partir, na verdade, do diagnóstico que já está muito claro há tempos.

O principal objetivo do País é a elevação das taxas de crescimento econômico. Isso deve se materializar em ações claras, de preferência abrigadas em um plano orçamentário consistente. A principal barreira ao alcance desse objetivo são os juros reais elevados. Por sua vez, eles se explicam por fragilidades estruturais não superadas, em boa medida.

O centro da questão, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Determinar o que é centralidade e o que é lateralidade faz toda diferença. Mas é ali que o Supremo Tribunal Federal (STF) se enredou. Disso depende a leitura da realidade e, portanto, como agir diante dos fatos.

Na visão de enorme parcela do público, o que hoje constitui a centralidade na crise de credibilidade (portanto, de legitimidade) do STF não passa de lateralidade na visão de pequeno grupo dentro da Corte. Estamos falando do comportamento individual de integrantes do Supremo.

Guerra fria no Supremo, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Caminho de Fachin ficou mais difícil depois que Dino propôs uma reforma do Judiciário

Edson Fachin terá problemas para aprovar um código de ética do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele insiste em colocar o plano em prática até o fim do ano, mas encontra barreiras até mesmo entre os aliados. Hoje, a Corte está dividida entre apoio parcial e nenhum apoio à proposta. Somente Cármen Lúcia subscreve integralmente as sugestões do presidente do Supremo.

O caminho de Fachin ficou mais difícil depois que Flávio Dino, que não concorda com a criação de um código de ética para o tribunal, propôs uma reforma do Judiciário. O texto de Dino faz referência a “certos discursos superficiais”, em uma estocada no presidente da Corte. Dino listou regras para melhorar o funcionamento do Judiciário e combater fraudes e corrupção. Fachin prioriza limites a condutas individuais dos colegas. A guerra fria está posta no tribunal.

O PT contra a autonomia do BC, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O PT quer que o Banco Central (BC) opere em harmonia com o governo e, nisso, está sintonizado com o presidente Donald Trump, que faz o que pode para controlar o Fed, banco central dos Estados Unidos.

Mas esse é apenas um dos pleitos do Documento de programa para o 8.º Congresso que o PT deve aprovar neste fim de semana. Esse documento é um longo texto de 61 páginas, bem escrito, embora em linguagem acadêmica de mais difícil acesso aos trabalhadores, a quem se destina.

Dedica-se à crítica veemente ao neoliberalismo globalizado, hoje em crise sistêmica, e ao que chama de novas formas de exploração do trabalhador. Entre estas, estão mecanismos de controle baseados no endividamento e na disseminação de trabalho em plataformas, “na uberização e na subordinação algorítmica”, que isolam o trabalhador e dificultam a sindicalização.

Trabalhar menos e produzir mais? por Míriam Leitão

O Globo

Ministro do Trabalho nega uso eleitoral da proposta de fim da escala 6 x 1 e afirma que redução será compensada por aumento de produtividade

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirma que se for aprovado o fim da escala 6x1 não haverá compensação para empresários, nem mesmo os pequenos, e diz que empresas que já adotaram a escala tiveram aumento da produtividade e redução das faltas de trabalhadores. Ele revela que o pacote de ajuda às famílias endividadas deve sair na próxima semana e que uma das propostas é permitir o uso de até 20% do FGTS para quitação de dívidas de trabalhadores que ganham até cinco mínimos.

Serão liberados R$ 7 bilhões de recursos do FGTS para os trabalhadores que não puderam sacar quando foram demitidos. Além disso, o pacote em negociação, sob coordenação do ministro Dario Durigan, também prevê novas liberações do fundo. Os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos farão o saque de 20% do FGTS diretamente. Eles mesmos sacam o dinheiro e quitam as dívidas.

Malabarismos verbais, por Merval Pereira

O Globo

Zema se põe no centro da polêmica eleitoral porque se sente livre para criticar os que considera seus adversários, no papel de franco-atirador, sem “rabo preso”, como gosta de afirmar.

O ex-governador de Minas Romeu Zema dobrou a aposta e voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) depois que o ministro Gilmar Mendes pediu a seu colega Alexandre de Moraes que o incluísse no inquérito das fake news devido a críticas por meio de uma sátira de fantoches. Com isso, Gilmar transforma em realidade a piada que corre pela internet com Moraes ameaçando:

— Vou te colocar no inquérito.

Zema se põe no centro da polêmica eleitoral porque se sente livre para criticar os que considera seus adversários, no papel de franco-atirador, sem “rabo preso”, como gosta de afirmar.

Faroeste institucional, por Malu Gaspar

O Globo

A polícia do Rio de Janeiro acaba de matar com uma saraivada de 20 e tantos tiros Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos, dono de uma loja de produtos eletrônicos, que voltava com os amigos de um pagode. Ele não era procurado pela polícia, não era alvo de ordem de prisão, nem sequer foi abordado antes de ser fuzilado. Seu crime, ao que tudo indica, foi ter um carrão do tipo que os traficantes gostam. Até agora, não há explicação para o fuzilamento, que deixou órfã uma menina de 4 anos.

Dias antes, mais de 200 turistas ficaram presos no alto de uma trilha do Morro Dois Irmãos porque, logo abaixo, a polícia trocava tiros com os donos da área na tentativa de prender um traficante que fugira da Bahia e estava escondido ali na favela do Vidigal.

Prisão pelo ICE tem ponta solta, por Julia Duailibi

O Globo

Campanha de Lula deveria adotar cautela na tentativa de explorar politicamente a prisão de Ramagem

Há uma série de pontas soltas na versão oficial do governo sobre a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, e a campanha do presidente Lula, à caça de briga com Donald Trump para reeditar o momento de boa popularidade com o tarifaço, deveria adotar cautela na tentativa de explorar politicamente o episódio.

Ontem o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews, reafirmou que a prisão de Ramagem se deu em razão de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Rodrigues disse também que a abordagem a Ramagem ocorreu pela polícia local por causa de uma infração de trânsito convencional em Orlando. Uma vez verificado que Ramagem estava sem documentos regulares de imigração, o encaminharam ao ICE.

O risco de apostar no populismo moderado, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Derrota de Orbán anima a discussão sobre a profundidade das mudanças promovidas pela extrema direita

A marca dos populistas é o ataque às instituições da democracia liberal

O húngaro Viktor Orbán foi batido por uma coalizão que uniu direita e centro-esquerda em torno da candidatura de Péter Magyar, um dissidente do partido do primeiro-ministro que governou o país por longos 16 anos, a ponto de virar modelo da extrema direita mundial.

Inesperada para os analistas que já davam como favas contadas a inclusão do país no rol das autocracias eleitorais, a vitória de Magyar já anima a discussão sobre a natureza e a profundidade das mudanças políticas promovidas pelo populismo de extrema direita quando chega lá, bem como sobre a continuidade do sistema. Afinal, as mesmas regras eleitorais criadas por Orbán para se garantir no poder permitiram o triunfo arrasador da oposição democrática.

Flávio Bolsonaro não resiste a 24 horas de ajuste fiscal, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

No Congresso, o filho do ex-presidente nunca foi um defensor desse tipo de política durante a gestão do seu pai

Propostas para ajuste de contas são granada no pé de um candidato

O senador Flávio Bolsonaro (PL) não resistiu a 24 horas de ajuste fiscal nas redes sociais. Pré-candidato à Presidência da República, chamou de fake news reportagem da Folha de que fará um ajuste inicial da ordem de dois pontos percentuais do PIB, caso seja eleito.

Para isso, teria como planos reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação.

O senador esqueceu de combinar o jogo com a equipe a cargo do seu programa econômico. Em busca de apoio, seus assessores têm passado para a Faria Lima e setores empresariais a mensagem de que ele seria o ministro da tesourada das despesas.

Ainda vamos pagar a conta do combustível alto por causa da guerra, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Assunto ficou esquecido por contenção de reajustes de Petrobras, subsídios e pressão sobre empresas

Mesmo que crise continue a esfriar, o que é otimismo, aumento de custos vai durar por meses

O preço médio do diesel no Brasil parou de subir desde a semana encerrada em 28 de março até a semana finda em 11 de abril, dado público mais recente da estatística da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O da gasolina ficou praticamente estável. Na média nacional, favor prestar atenção.

Ainda assim, o aumento do diesel por causa da guerra foi o maior desde que a ANP publica estatísticas semanais de preços. Ainda assim, vamos repetir, o tamanho da alta foi a metade daquela que se viu nos EUA. Pressões altistas permanecem. O risco de desabastecimento sumiu do noticiário (e da vida?), mas é problema em muito lugar do planeta, da Ásia à Europa, com problemas mais imediatos com o combustível para aviões.

Guerra de rede social de Trump turva negociação com o Irã, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Apelidado de grupo de WhatsApp de um homem só, americano emprega tática que dificulta as conversas

Já Teerã ataca navios, apostando também de forma perigosa que os EUA irão piscar primeiro novamente

Após o avassalador ataque nazista à Polônia de 1939, a Segunda Guerra Mundial entrou em um período de estranha calma. Por oito meses, houve apenas batalhas esporádicas e muitas preparações, sem nenhuma paz à vista.

Em sua encarnação como um senhor da guerra virtual, que ataca e recua por meio de postagens, Donald Trump ensaia a versão 2026 do que foi apelidado pela imprensa britânica de 1940 de sitzkrieg, ou "guerra sentada" em alemão, em oposição à blitzkrieg ("guerra-relâmpago") da abertura do conflito.

O presidente americano optou por recuar mais uma vez no seu embate com o Irã, deixando agora em aberto o prazo para que Teerã apresente uma proposta de negociação. Enquanto isso, ambos os rivais mantêm suas posições no teatro de operações navais do estreito de Hormuz, sem ceder.

Poesia | Menino de engenho, de João Cabral de Melo Neto - Por Zé Luiz Rinaldi

 

Música | Diogo Nogueira, Chico Buarque - Homenagem ao Malandro

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Do bônus ao ônus demográfico

Por Folha de S. Paulo

Segundo estimativa do IBGE, população de dependentes cresceu 0,9% em 2025, ante 0,1% da faixa etária ativa

Tendência impõe reformar a Previdência Social, fortalecer o SUS e elevar a produtividade; debate, porém, está atrasado no Brasil

Realizado com atraso de dois anos devido à pandemia de Covid-19, o Censo 2022 mostrou que a população brasileira envelhece mais rapidamente do que se imaginava. Desde então, novas projeções reforçam essa percepção —ainda não devidamente captada, infelizmente, pelas políticas públicas.

Estimativas recém-divulgadas pelo IBGE apontam que o estrato de 60 anos de idade ou mais teve expansão de 58,7%, de 2012 até 2025, saltando de 22,2 milhões para 35,2 milhões. No mesmo período, o número de jovens abaixo de 30 anos encolheu 10,4%, de 98,2 milhões para 88 milhões.

Lula, Flávio e todos pintados para a guerra, por Vera Magalhães

O Globo

Empate nas pesquisas antecipa fase de ataques na campanha e arrasta instituições para a arena junto com Lula e Flávio Bolsonaro

Está oficialmente aberta a artilharia pesada na campanha presidencial, antecipação ditada pelo rigoroso empate entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. O PT já vinha discutindo que precisaria iniciar antes aquilo que aliados de Lula classificam como exposição de quem seria o filho escolhido por Jair Bolsonaro para lhe suceder na urna eletrônica. A avaliação do quartel-general da campanha lulista é que a população não tem a menor ideia de quem seja Flávio, que se beneficia do sobrenome, de um lado, e da tentativa de se mostrar “moderado”, de outro, sem que seus reais atributos entrem na equação.

Flávio é, dos filhos de Jair, o que angariou maior patrimônio, com evolução notável sobretudo na carteira de imóveis. O mais vistoso é uma mansão no Lago Sul, em Brasília, cuja compra deverá ser explorada pela campanha petista pelas condições peculiares em que aconteceu. O valor estimado da casa, R$ 6 milhões, é três vezes superior ao de todo o patrimônio que Flávio declarou ter na eleição para o Senado em 2018: R$ 1,7 milhão.

Lula perdeu a aposta, por Elio Gaspari

O Globo

O nível de endividamento das famílias cresceu, e esse pode ser um dos fatores que erodem a popularidade de Lula. Vá lá que seja. Segundo os alquimistas do Planalto, uma das causas desse endividamento são as apostas eletrônicas. Vá lá que sejam, mas quem abriu a porteira ao mercado de apostas foi o governo.

O ministro Fernando Haddad não fez isso para estimular a opção pelo risco. Foi pura e simples ganância arrecadatória. Em 2024, a ekipekonômika esperava arrecadar até R$ 3,4 bilhões com a venda de licenças para a tavolagem. Havia 113 propostas na fila, metade delas era de fancaria.

O sequestro da paisagem, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Vinte anos depois, maior cidade do país arma retrocesso no combate à poluição visual

Aprovada em 2006, a Lei Cidade Limpa impôs um freio à poluição visual na maior cidade do país. A norma devolveu aos cidadãos a paisagem sequestrada pela publicidade. Em vez de celebrar seus 20 anos, as autoridades de São Paulo querem desfigurá-la.

Na segunda-feira, o governador Tarcísio de Freitas divulgou um vídeo em que gigantescos painéis de LED cobrem os prédios da Avenida São João. “Por enquanto, as imagens aqui são de inteligência artificial. Mas daqui a uns dias, elas vão ser realidade”, anunciou. O prefeito Ricardo Nunes também mostra entusiasmo com a ideia.

Na guerra do Irã, Trump entrou no labirinto persa sem um fio de Ariadne, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A lógica da sua escalada militar esbarra na natureza assimétrica da guerra. O Irã não enfrenta seus oponentes em campo aberto, mas por meio de milícias, outros atores regionais e ações indiretas, como o fechamento de Ormuz

O mito Teseu e o Minotauro, uma criatura metade homem metade touro, é uma das histórias mais conhecidas da mitologia grega. Para vingar a morte de um filho, o rei Minos de Creta exigia que Atenas enviasse a cada nove anos sete rapazes e sete donzelas para serem devorados pelo Minotauro, um monstro aprisionado no Labirinto de Creta. Teseu, filho do rei de Atenas, voluntariou-se para ir a Creta com o objetivo de matar o Minotauro e acabar com o sacrifício.

Ariadne, filha do rei Minos, apaixonou-se por Teseu e, para ajudá-lo, secretamente, deu-lhe um novelo de lã, o famoso “fio de Ariadne”, com o qual Teseu entrou no labirinto. Após amarrar a ponta do fio na entrada, foi desenrolando-o enquanto avançava. No centro do labirinto, matou o Minotauro e, seguindo o fio de volta, conseguiu sair do labirinto. Teseu fugiu de Creta com Ariadne, mas, ao retornar a Atenas, esqueceu-se de trocar as velas do navio de pretas para brancas, um código que sinalizaria seu sucesso, o que levou seu pai, Egeu, a se suicidar por acreditar que o filho estava morto.

Pauta-bomba, mas poderia ser pauta do bem, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Câmara poderia se alinhar ao crescente debate mundial sobre uma renda básica para enfrentar o desemprego provocado pelo uso de IA

A Câmara dos Deputados se prepara para votar mais uma pauta-bomba e desperdiçar uma chance de qualificar o debate nacional. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Sistema Único de Assistência Social (Suas) repete pecados contra o Orçamento da União, quando poderia se alinhar ao crescente debate mundial sobre uma renda básica para enfrentar o desemprego provocado pelo uso da inteligência artificial (IA).

Difícil achar quem se coloque contra destinar mais dinheiro para a assistência social, num país desigual como o Brasil. A PEC em questão direciona 1% da receita corrente líquida da União à área, o que daria R$ 4,8 bilhões em 2027, segundo cálculos obtidos pela repórter Giordanna Neves, deste jornal. É dinheiro do tamanho do orçamento do Ministério do Meio Ambiente e um pouco maior do que o do Ministério dos Portos e Aeroportos. Parece boa notícia.

STF entra de vez no debate da campanha presidencial, por Fernando Exman*

Valor Econômico

Pressão sobre o Supremo aumenta

Interpreta corretamente quem identifica na pré-campanha de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais filiado ao partido Novo, uma singularidade na comparação com os outros postulantes da direita à Presidência. Zema é aquele que tem adotado a postura mais contundente em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma tentativa de diferenciar-se dos concorrentes, que inevitavelmente virarão aliados já no primeiro turno ou no segundo, chega a beirar a agressividade ao pedir a prisão de ministros. Quem conversa com o mineiro diz que ele está animadíssimo com a estratégia de encarnar um novo “caçador de marajás”. Já lançou até a bandeira do “Brasil sem intocáveis”.

Novo “caçador de marajás” é uma referência ao personagem incorporado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello na eleição de 1989, quando o então governador de Alagoas ganhou notoriedade e projeção nacional ao encampar uma campanha contra salários suntuosos de funcionários públicos.

O retrovisor de Derrite, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Repetiam-se os casos de ações desastradas de PMs, enquanto se fechavam os olhos para a corrupção

Depois de um ano e meio de espera, no dia 16, os médicos Júlio César Navarro e Silvia Mónica Cárdenas conseguiram que o Estado os ouvisse com atenção. Em 2024, um PM assassinou o filho deles, o estudante de medicina Marco Aurélio, de 22 anos. O rapaz deu um tapa no retrovisor de uma viatura. Desarmado, foi executado com um tiro.

O casal foi recebido por Oswaldo Nico Gonçalves, atual secretário da Segurança. Sílvia se comoveu. Por que os pais de uma vítima de excesso homicida demoraram tanto para serem ouvidos na Secretaria? Integrantes do Ministério Público falam a quem quiser ouvir que a gestão de Guilherme Derrite deve explicações e não apenas à família do jovem Marco Aurélio. O entorno de Tarcísio de Freitas acredita que foi um erro nomear alguém com pretensões políticas para chefiar a Pasta.

O pânico moral e a defesa da democracia, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

Não há liberdade nem democracia onde não há espaço para questionar a ordem jurídica, incluindo as normas constitucionais

É conhecido na literatura criminológica o conceito de pânico moral : uma reação coletiva exagerada diante de um grupo de pessoas, comportamentos ou eventos, percebidos como ameaça aos valores e interesses sociais, levando ao recrudescimento da lei penal e da jurisprudência. Não é que o perigo inexista, mas ele é visto de forma distorcida, suscitando uma resposta desequilibrada e, a rigor, desarticulada entre seus fins e meios. Exemplo cristalino é a guerra às drogas.

Frente às ameaças contra as instituições democráticas, impetradas entre 2019 e 2023, entendo que parte da sociedade e do Estado, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), sucumbiu à dinâmica do pânico moral. Houve uma reação desproporcional e, ao mesmo tempo, compreensível. Eram ataques inéditos contra a ordem democrática. Não se sabia como reagir.

Os donos do Brasil, por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

Não é preciso muito preparo ou ler um livro como a crucial reflexão de Raymundo Faoro, Os Donos do Poder: Formação do Patronato Político Brasileiro, publicado há 58 anos, para saber que o Brasil tem dono e descobrir que cada pedaço dele também tem mandão! Saber quem é o maior e melhor artista, empresa, jornal, ideologia, livro e até comida e bebida é imperativo no Brasil. Tudo pode ser graduado, mas, entre nós, o “número um” de alguma esfera da vida sinaliza superioridade em tudo.

O melhor deve ser dono, patrão e medalhão, como magnificamente teorizou Machado de Assis, em 1881. É costume estender o mandonismo e considerar que coisa alguma pode existir sem dono ou patrão, numa suposição coerente com o viés autoritário. Um modelo de poder, aliás, coerente com uma sociedade de fundo cultural escravocrata e até hoje escravista na sua alergia ao trabalho e amor à riqueza e ao luxo por ela proporcionados.

A eleição e o Brasil 'queridinho' dos donos do dinheiro grosso, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Desde o início do ano, real foi a moeda que mais se valorizou entre as mais relevantes

Influxo de dólares ajudou a conter a inflação de 2025 e deve ajudar de novo em 2026

O Brasil seria agora o "queridinho" dos donos do dinheiro grosso do mundo, lê-se por aí, entre outras expressões constrangedoras de cafonas e exageradas. A medida principal desse amor é a valorização do real em relação ao dólar, desde o início do ano a maior entre 35 moedas mais relevantes. O tutu está entrando, pela finança e pelo comércio externo.

Convém prestar atenção a variações grandes da taxa de câmbio, que têm efeito político, pois batem em preços e juros. Bom lembrar também que muita vez essas variações têm pouco a ver com decisões tomadas aqui dentro. Desde o início de 2025, o real se valorizou basicamente porque os donos do dinheiro do mundo decidiram reorganizar suas aplicações.

A influência do caso Master nas eleições, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Pelas projeções do meio jurídico, as delações serão de conhecimento público no auge da campanha

A dúvida é se, e em que medida, o que for revelado terá o poder de influir nas escolhas do eleitorado

Se estiverem certas as projeções correntes no meio jurídico, as delações premiadas de Daniel Vorcaro e companhia, se aceitas pela Polícia FederalMinistério Público Supremo Tribunal Federal, vão chegar ao conhecimento público no auge da campanha eleitoral.

Considerando que não cabe aos delatores escolher quem entregam ou quem protegem, se quiserem contar com os benefícios previstos em lei, eles não poderão ser seletivos. Vão precisar entregar todos os que pretenderam ou conseguiram cooptar para manter seu esquema fraudulento em pé.

Bancos digitais, especulação e desemprego, Antônio Fausto Nascimento*

Até o regime militar de 1964, o Estado brasileiro sempre exerceu grande influência sobre a formação do sistema financeiro, mas entravava a concentração do capital com a lei de usura - que limitava os juros anuais a 12% - e o processo de fusão do capital bancário e industrial ainda muito incipiente. Uma reforma bancária criou o Banco Central, o Conselho Monetário Nacional e promoveu amplo ordenamento regulador de todo o sistema financeiro nacional, com dezenas de decretos e resoluções, entre 1965 e 1970. Outra inovação básica foi a introdução da cláusula de correção monetária na maioria dos contratos. A fusão de bancos foi estimulada, com expressiva redução do número de estabelecimentos privados, que ascenderam à condição de grandes grupos empresariais e conglomerados.

Ao fim da chamada década e meia, perdidos, nos anos oitenta e noventa do século passado, boa parte dos bancos públicos e privados encontrava-se à beira da insolvência, decorrente de operações ruinosas e do acentuado abrandamento da inflação pelo Plano Real, em 1994. O Banco Central faz o lançamento do Proer, Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional. Foi decretada a intervenção em vários estabelecimentos, a maioria estaduais, separando-se os bons dos maus ativos. Os primeiros, vendidos aos bancos mais fortes, nacionais e estrangeiros. A parte ruim, liquidada pelo BC para ressarcir os depositantes. Embora com uso de dinheiro público, foi eficiente medida de saneamento do sistema bancário brasileiro, mundialmente elogiada.

Fadiga de materiais: quando o desgaste enseja o fim de um ciclo, por Roberto Amaral

Na mecânica estrutural, a chamada “fadiga de materiais” designa o processo mediante o qual um corpo, submetido a solicitações cíclicas, não colapsa de imediato, mas desenvolve, progressivamente, microfraturas até que, subitamente, se rompe. O decisivo não é o excesso momentâneo de carga, mas a repetição prolongada de esforços menores, inclusive de determinados valores-limite suportáveis. Daí rupturas radicais. A este processo alia-se a degradação das propriedades mecânicas do material.

Certos períodos da vida política da humanidade são marcados por longos momentos de desgaste, às vezes imperceptíveis, que se resolvem mediante alternativas que, conhecendo a ruptura, se operam como um simples desenvolvimento das forças sociais.

Redução das horas de trabalho e abusos no Judiciário atropelam deputados e senadores, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Com a taxa de desemprego aproximando-se de 10% (1,1 milhão de pessoas à busca de trabalho) - Piauí 9,3%, Pernambuco e Bahia, 8,7%, Alagoas, Rio Grande do Norte e Amazonas, 8, 4% e assim por diante (IBGE) - o Congresso Nacional deglute, com dificuldade nos próximos quinze dias, quase entalado, dois temas delicadíssimos: a redução do jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais ( o PSOL defende 36 horas), sem redução de salário; e a insegurança jurídica no Brasil, criada a partir de seguidas decisões controversas dos ministros no Supremo Tribunal Federal.

Poesia | O bicho! de Manuel Bandeira

 

Música | Joyce - Mistério ( Carlinhos Cor das Águas) - Sesc Vila Mariana, São Paulo - 24/08/2024

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Política mudou após impeachment de Dilma; PT, não

Por Folha de S. Paulo

Em 10 anos, polarização se acentuou com bolsonarismo; partido mantém teses econômicas que geraram a crise

Congresso ganhou protagonismo ao longo de uma sequência de presidentes da República com índices de aprovação, quando muito, sofríveis

Esta Folha não apoiou o impeachment de Dilma Rousseff (PT), ocorrido há dez anos. Como apontou no dia em que a Câmara dos Deputados aprovaria o afastamento da então presidente, tratava-se de medida traumática, fundada em premissas jurídicas passíveis de discussão, "projetando para o futuro divisões e inconformismos".

Isso não significa que Dilma não tenha dado motivos para sua deposição, muito menos que tenha havido algum tipo de golpe, como quer a mitologia petista.

Ter ideias pode ser perigoso, Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Flávio Bolsonaro deixa claro seu desprezo pelos interesses nacionais e sua sabujice diante de alguém como o presidente Trump

O desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PLRJ) nas pesquisas eleitorais talvez seja surpreendente até para ele. Numa das mais recentes, o pré-candidato presidencial da ultradireita aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora em situação considerada de empate técnico. Como uma figura que, até há pouco, só era conhecida por ser filho de quem é (do ex-presidente Jair Bolsonaro) e de quem herdou o sobrenome, mas não por ideias ou atuação parlamentar, conseguiu chegar tão alto e tão depressa?

Juízes corruptos no alvo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Reforma do Judiciário, antes tarde do que nunca, mas o corporativismo e as eleições deixarão?

Se um código de ética para o Supremo não foi longe, o debate sobre uma reforma do Judiciário caminha a passos largos, agora sob a liderança do ministro do STF e ex-ministro da Justiça do atual governo Flávio Dino. A proposta é mais do que necessária, seu risco é ser engolida pela suspeita de interesse eleitoral, já que é encampada pelo PT e por Lula, para se descolarem da crise do STF.

Passa década, entra década, uma reforma do Judiciário continua em pauta, sob a resistência interna, dos demais poderes e de uma mídia cheia de dedos. Isso vem mudando a partir das notícias sobre o submundo do Judiciário e do desgaste do Supremo com o envolvimento de ministros com o Banco Master. A hora é agora.

Delação sem caô, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo 

Fundos de investimentos criavam empresas de fachada, dirigidas por laranjas

O modo como Daniel Vorcaro operava – o sistema por meio do qual comprava burocratas, políticos e autoridades públicas – já é conhecido, desconhecida não raro a origem da grana empregada para as aquisições; a impossibilidade de explicar de onde viera a bufunfa sendo a razão por que a teia se ramificava até perder de vista. (Ramalhar cuja informalidade talvez lhe tire o sono agora: será quase impossível – o outro lado da moeda – que recupere os bilhões todos que espalhou paraísos afora, sob confiança em inconfiáveis.)

A questão-chave é a democracia, por Míriam Leitão

O Globo

A dúvida sobre Flávio Bolsonaro não é econômica, mas sim sobre a sobrevivência da democracia brasileira ao projeto golpista da família

A ideia de que falta a Flávio Bolsonaro apenas divulgar um plano de ajuste fiscal para ser um bom candidato impressiona pela falta de respeito à História recente do país. A principal questão do candidato do PL não é que cortes ele fará em qual despesa pública, mas sim que garantia tem a democracia brasileira de sobreviver a um segundo governo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente que está preso por tentativa de golpe de Estado. Ele defende o pai, jamais se afastou dos ideais autoritários da família, é apoiado pelos seguidores do ex-presidente, disse que sua prioridade é indultar o pai e anistiar todos os envolvidos. Precisará desenhar para ser entendido?