sábado, 20 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Suspeitas contra Wagner devem ser investigadas a fundo

Por O Globo

Desde já, senador deveria se afastar da liderança do governo para trabalho ser conduzido com serenidade

São graves as suspeitas de corrupção envolvendo o senador Jaques Wagner (BA) e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do notório Daniel Vorcaro, do Banco Master. É obrigação das autoridades aprofundar as investigações — e, desde já, Wagner deveria se afastar da liderança do governo no Senado para que elas possam transcorrer de forma serena.

Em nova fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner, a Lima e a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo da Bahia. Segundo a investigação, Lima comprou um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador (onde moraria a filha de Wagner), e uma companhia vinculada a ele transferiu R$ 3,5 milhões a uma empresa do núcleo familiar de Wagner. A PF ainda encontrou US$ 55 mil e € 33,5 mil em espécie.

Amor, festa e devoção, por Flávia Oliveira

O Globo

Ela é intérprete de um Brasil que nos faz 'compreender a marcha e ir tocando em frente', como nos versos de Almir Sater que eternizou em disco de 1990, quando festejou um quarto de século de estrada

Parem os relógios, silenciem os telefones, suspendam a internet. Tomo emprestada a inspiração de W.H. Auden no poema “Funeral blues”, não para prantear uma morte, mas celebrar uma vida. Maria Bethânia fez 80 anos. Suspendamos o tempo para festejar a voz que há seis décadas canta como ninguém as brasilidades. Por um momento, não existem fraude Master nem dinheiro-vivo-mal-explicado; delação premiada nem tarifaço; Neymar machucado nem Endrick no banco; golpismo bolsonarista nem Lei da Dosimetria. Nada de mulheres violadas, crianças maltratadas, motociclistas desembestados, comunidades aterrorizadas.

A filha biológica de Dona Canô (1907-2012) e espiritual de Mãe Menininha do Gantois (1894-1986), irmã de Caetano Veloso, cria do Recôncavo Baiano, cujo nome foi tirado de uma canção de Capiba na voz de Nélson Gonçalves, é mais um talento artístico-musical que os anos 1940 legaram ao Brasil. São da mesma década os octogenários Erasmo Carlos e Roberto Carlos, de 1941; Nara Leão, Nei Lopes, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Clara Nunes, Tim Maia, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, todos de 1942; Chico Buarque, de 1944; Elis Regina, Geraldo Azevedo, Ivan Lins e Raul Seixas, de 1945. Benza Deus!

Com gás ou sem gás? Por Eduardo Affonso

O Globo

Quando a moça do caixa quer saber se você vai pagar no débito ou no crédito, ela provavelmente não está praticando racismo creditício

Nietzsche decretou, em 1882, que Deus estava morto. Não tivesse morrido também, diria que quem morreu agora foi Copérnico: de uns tempos pra cá, parece que o Universo inteiro deu de girar em torno de nós, do nosso umbigo.

Não, leitor, nem tudo é sobre você, a cor da sua pele, seu índice de gordura, sua orientação sexual. Essa falta de noção e de proporção tem nome: efeito holofote. É o que faz com que você se sinta o centro das atenções, o vórtice dos acontecimentos. Menos, leitor. Menos.

Para não esquecer Alexandre de Moraes, por Thaís Oyama

O Globo

O ministro sabe que nenhum poder se sustenta apenas pelo mandato e que todo sistema de autoridade depende da crença em sua legitimidade

Diz uma máxima da política no Brasil que o escândalo de hoje faz esquecer o de ontem e espera o de amanhã para ser esquecido. Na ciranda do caso Master, Jaques Wagner ajuda a esquecer Ciro Nogueira, que ajuda a esquecer Flávio Bolsonaro, que ajuda a esquecer Alexandre de Moraes. No fim da fila, o ministro do Supremo é hoje, entre esses personagens, o mais esquecido.

Seu nome, entretanto, voltou nos últimos dias ao noticiário — não por causa de novas revelações acerca de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de resto, de extensão até agora desconhecida, dado que não investigada. Os motivos foram dois casos recentes a indicar que Moraes vem se defrontando com um problema de autoridade.

O segredo da corrupção, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ela perdura porque é a segunda melhor forma de organização social que existe

Perde para império da lei, mas é preferível a disputas sendo resolvidas pela violência

Por que não conseguimos nos livrar da corrupção? A resposta curta é "porque ela funciona". Para cada esquema que identificamos e desbaratamos, como o caso Master ou o petrolão, é razoável supor que existam vários outros que permanecem abaixo do radar, satisfazendo as necessidades daqueles diretamente envolvidos, isto é, corruptores e corruptos. Já o dano é coletivo e extrapola os rombos bilionários que os economistas se esforçam para calcular. Há prejuízos também para a eficiência econômica, pela via da redução da competição, e para a própria coesão social, já que muitos cidadãos se sentem, com razão, vilipendiados pela roubalheira com participação de agentes públicos.

Ano eleitoral arromba e faz a limpa nos cofres públicos, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Lula 3 mira motoristas de aplicativo; Congresso, agro e templos evangélicos

Farra com dinheiro do contribuinte também contempla agregados da família Bolsonaro

Lula 3 anunciou uma linha de crédito, que no total pode chegar a R$ 4 bilhões, para financiar a compra de motos e bicicletas elétricas por entregadores com carteira assinada e motoristas de aplicativo. É mais uma das bondades do ano eleitoral, incluindo capacetes de graça para mulheres.

Tecnocratas calculam que há um público potencial entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O número parece subestimado. Basta olhar para as ruas cheias de motos em zigue-zague e alta velocidade.

Sertanismo – mais uma autêntica nota de R$ 3, por Bolívar Lamounier

O Estado de S. Paulo

O denominado ‘sertanismo’ desestimula o progresso da música popular, área em que nos destacamos durante todo o século 20

Esse “sertanismo” que ora inunda nossos meios de comunicação é mais um blefe inventado nos grandes centros por artistas principiantes de classe média, ansiosos por se divulgar, por estúdios de rádio e TV, e por igrejas.

Devemos questioná-lo por três motivos, pelo menos. Primeiro, por um relevante motivo constitucional. Esse, digamos, gênero musical é difundido por potentes aparelhos eletroeletrônicos que penetram sem dificuldade os lares, veículos, hospitais e até – pasmem! – consultórios onde se realizam exames médicos.

Sobre a amizade no caso Master, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Na última terça, dois dias antes da operação policial contra si, Jaques Wagner, líder do governo Lula, subiu à tribuna do Senado para se solidarizar com Davi Alcolumbre, indignado o presidente do Congresso ante a notícia de que teria levado US$ 30 milhões de Daniel Vorcaro. (Há mensagens do banqueiro à noiva, de agosto de 2025, em que relata boa reunião, “até meia noite”, na residência oficial da presidência do Senado, na qual teria aparecido “sem ele saber”.)

O discurso de Alcolumbre teve dois propósitos: transformar a denúncia contra o indivíduo senador Davi em “ataque ao Senado”; e disparar a ordem unida, sob o sentimento – medo – corporativista, do “eu sou você amanhã”. Estão aí Ciro Nogueira e o cavalo manco Flávio Bolsonaro...

Qual a luva do momento e qual a mão mais propícia a ocupá-la? Por Elimar Nascimento

Revista Será? (PE)

Nada mais aconselhável, hoje, que a leitura de um livro que trata das eleições presidenciais no Brasil desde a democratização. Este é o caso de A mão e a luva: o que elege um presidente, de Carlos Alberto Almeida e Tiago Garrido, lançado em 2022 pela Editora Record. Mesmo título do livro de Machado de Assis, de 1874.

O livro analisa todas as eleições presidenciais desde as de 1989, da qual saiu vitorioso Collor de Mello sobrepondo-se a 21 adversários — como Luiz Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola, Mario Covas, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingos e Ulysses Guimarães, entre outros —, até as últimas eleições, de 2022, quando Lula se elegeu pela terceira vez.

Os autores do livro, cientistas políticos reconhecidos, partem do princípio de que a opinião pública é a mestra do jogo das eleições presidenciais. Aquela mesma que um dia Pierre Bourdieu disse que não existia.

A opinião pública é definida como “as visões que as pessoas têm sobre temas relacionados ao governo e às questões públicas em contraste com os assuntos privados” (p. 15). Portanto, percepções, crenças e imagens que condicionam a escolha da maioria dos eleitores. Registre-se a ressalva, dos autores, de que a opinião pública é plural, porém com uma corrente majoritária. Com essa premissa epistemológica, de fundo estruturalista, corrente na qual o sujeito quase desaparece, os autores organizam seus dados e análises.

Momentos difíceis, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

As eleições deste ano serão realizadas debaixo de surpresas provocadas pelas revelações da PF, em relação ao caso Master, e provocações originárias de Washington. Nada mais

Tempos muito estranhos é o título de livro interessantíssimo de Doris Goodwin (Editora Nova Fronteira) que trata das relações especiais entre Franklin e Eleanor Roosevelt com Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro inglês passou, naquele período, longas temporadas na Casa Branca, trabalhando na coordenação, com o presidente dos Estados Unidos, do esforço de guerra dos aliados. Eram três personalidades fortes, distintas e com objetivos claros. Mudaram os destinos do mundo, apesar de serem completamente diferentes entre si. Eles entenderam a mudança dos tempos e conseguiram conviver bem, apesar dos egos imensos e da situação pessoal distinta. Franklin, paraplégico, conduzia a política norte-americana, Eleanor, feminista, escrevia no The New York Times enquanto namorava sua secretária, e Winston, que conduzia a Inglaterra, introduziu a bebida alcoólica na Casa Branca.

A humanidade dos jogos, por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

Devemos olhar para os que chegam vulneráveis, sem a estrela dos campeões. Olhemos para Curaçao ou mesmo para o Congo, que não disputava uma copa há mais de cinquenta anos. Olhemos para a Costa do Marfim e seu grande talento, o jogador Yan Diomande. Prestemos atenção em Cabo Verde e seu goleiro Vozinha

Uma semana de jogos da Copa do Mundo já nos permite reaprender uma das maiores belezas éticas do esporte: a de nos ajudar a nos tornar o que somos. É uma bela reflexão, que remonta à cultura clássica e que talvez explique por que diferentes civilizações sempre reservaram, em alguma medida, espaço para o jogo como afirmação dos laços da comunidade.

Wagner deveria renunciar à liderança do governo, por Sergio Lirio

CartaCapital

A renúncia ao posto não seria admissão de culpa, apenas uma decisão racional ante a crise

Governador por dois mandatos, senador, figura que libertou a Bahia do jugo do coronelismo, Jaques Wagner tem experiência suficiente para entender a gravidade do momento. Renunciar à liderança do governo não significa admissão de culpa, apenas a decisão racional para estancar uma crise cuja escalada só interessa a quem aposta na estratégia do Chacrinha: confundir e não explicar. O caso do Banco Master é majoritariamente um escândalo do bolsonarismo e do Centrão, mas o apego de Wagner ao posto insufla a tese, ou a “narrativa”, para repisar o senso comum do momento, de que são todos “farinha do mesmo saco”. O drama do parlamentar vira um drama do Palácio do Planalto.

Legislativo e desvio de poder, por Pedro Serrano

CartaCapital

Os fins da lei são plausíveis de verificação objetiva e, se destoantes dos fins constitucionais, é dever do Judiciário fulminar seus efeitos

Nas próximas semanas lançarei, pela Editora Contracorrente, a segunda edição da obra O Desvio de Poder na Função Legislativa. Originalmente publicado em 1997, o tema assume grande atualidade após quase 30 anos, o que suscitou a recuperação dos limites constitucionais impostos à realização da atividade legislativa do Estado, bem como à esfera de livre decisão do legislador na produção de leis.

Num momento em que o Legislativo brasileiro tem se mostrado sedento em assumir incomum protagonismo nos rumos da República, inclusive imiscuindo-se em matérias inequivocamente afetas ao exercício da função administrativa do Estado, precisamos rememorar os limites normativos a ele impostos. Mais especificamente, diante do avanço da redefinição dos limites e das confluências entre as funções estatais, urge refletirmos sobre os limites da legítima atuação da atividade legislativa.

Sinais de exaustão do bolsonarismo, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

O clã deu vários tiros no pé e o Congresso aliado da família aprova furiosamente leis impopulares

O que mais intriga num processo de fascistização das massas é que uma multidão cega persiga um líder obtuso, construído em torno de mentiras e de ideias tão simplistas e vagas que relativizam a verdade e o bom senso. Assim foi feito o “Mito”, como se autodenominava Jair Bolsonaro. Para um observador da história, todavia, intriga também o fato de existir um ponto de exaustão, além do qual o gênio das Mil e Uma Noites da extrema-direita é recolhido à lâmpada, para lá dormir até que alguém tenha a infeliz ideia de limpá-la e, sem querer, liberar um demônio de ideias pobres que enfeitiça multidões.

A desconexão entre representantes e representados, por Marcus Pestana

Faltam 105 dias para as novas eleições gerais no Brasil. Elegeremos o presidente, governadores, senadores, deputados. A eleição presidencial rouba a cena. A maior parte das atenções e das energias são direcionadas para ela. A eleição dos governadores ainda tem alguma visibilidade. O voto para senador é o último que o eleitor define, até porque há uma baixa compreensão sobre o papel do Senado. É a casa da Federação, representa as unidades federadas. Por isso, independente de sua população, cada estado e o DF têm 3 representantes. Mas, é na Câmara dos Deputados que o povo brasileiro - na sua diversidade, pluralidade e identidade - se faz representar.

A foto ofusca o filme, por Cristovam Buarque

Revista Veja  

É preciso enxergar o país para além do retrato do momento

Vista como foto, a violência parece diminuir com a redução da maioridade penal; vista como filme, ela pode se agravar. Com base no momento, explica-se a opinião favorável à redução da maioridade penal; mas, vista como filme, sabe-se que essa redução tende a aumentar a criminalidade, porque muitos adolescentes presos cairão nas garras do crime organizado. No longo prazo, o aumento no tempo de permanência na escola tem melhor efeito na segurança pública do que a redução da maioridade penal. Há sessenta anos, Darcy Ribeiro dizia que “se não fizermos escolas hoje, vamos precisar fazer cadeias no futuro”; na época, preferimos a foto ao filme e, agora, repetimos o erro, construindo mais cadeias para novos condenados adolescentes.

O caleidoscópio do caso Vorcaro, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Não há um enredo único, mas vários malfeitos entrelaçados

A segunda tentativa de delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob o argumento de que faltariam novidades além do que os investigadores já sabem. A recusa, porém, não encerra o jogo — apenas revela qual é ele. O objetivo de Vorcaro nunca foi confessar tudo, e sim entregar o suficiente: uma delação “meio barro, meio tijolo”, sólida o bastante para ser aceita e frágil o suficiente para não comprometer quem realmente importa. Tudo na base do “vai que cola”.

Tratando-se do Brasil, a aposta tem lógica. Há muita gente importante torcendo para que tudo termine em pizza — talvez meia calabresa, queimando alguns, e meia mussarela, poupando outros. É a chamada delação seletiva, do tipo que, segundo o ministro André Mendonça, já lhe teria sido proposta.

Poesia | Pátria Minha - Vinicius de Moraes

 

Música | Canta, Canta Minha Gente - Varios Artistas (Sambabook Martinho da Vila)

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Irresponsabilidade fiscal de Alcolumbre nada deve à de Lula

Por O Globo

Aposentadoria especial a agentes de saúde e outros itens de pauta-bomba põem Brasil no rumo da bancarrota

Não bastasse a incúria fiscal do Executivo, o Brasil paga o preço de um Legislativo irresponsável. O protagonista da última leva de pautas-bomba, cuja explosão poderá levar o país à bancarrota, é o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). No afã de dar uma demonstração de poder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem não se entende desde antes de o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo, Alcolumbre resolveu apertar o botão vermelho da irresponsabilidade fiscal — e lançar às favas o Brasil.

Desencontro entre partidos e sociedade, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

Sem reduzir essa barreira, será muito difícil melhorar a democracia brasileira

Desde a redemocratização, nunca houve um momento em que o desencontro entre os partidos e a sociedade fosse tão evidente e amplo como atualmente. As legendas partidárias não eram perfeitas, mas tiveram um papel muito importante desde a campanha das Diretas Já até as eleições de 2014. Depois disso, o corporativismo dos parlamentares e a construção de castas partidárias endinheiradas geraram um muro imenso que os separa dos cidadãos. Sem reduzir essa barreira, será muito difícil melhorar a democracia brasileira.

Ação da PF areja relação de Lula com Centrão, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro revelaram que a Polícia Federal parece não ter partido político de estimação

No princípio era o Verbo. Desde a Bíblia, as palavras movem o mundo. Por isso, “quem tiver uma história e souber narrá-la, estará no poder”. A afirmação é da escritora Olga Tokarczuk, no discurso com o qual recebeu o Prêmio Nobel de Literatura relativo a 2018.

Pois a Operação Compliance da Polícia Federal (PF), que investiga as fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, e assombra o mundo político, desafia advogados e investigados a emplacar a melhor defesa, ou mais do que isso, a melhor narrativa.

Na quinta-feira (18), após a operação que teve como alvo o líder do governo e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, senador Jaques Wagner (PT-BA), as principais lideranças trocaram análises, informações e versões sobre o episódio que atingiu o Palácio do Planalto e a pré-campanha do petista à reeleição.

Denúncias do Master tornam insustentável Wagner ficar na liderança, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A responsabilização do líder do governo depende de provas, contraditório e sentença judicial, mas sua permanência no cargo abala a imagem de Lula e a credibilidade das instituições

A operação da Polícia Federal (PF), em Brasília e Salvador, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), gerou mais instabilidade entre os Poderes no rastro do escândalo do Banco Master. O líder do governo no Senado não foi denunciado, não é réu e nega as acusações, mas sua inclusão entre os investigados arrasta o governo Lula para o centro do caso Master e produz efeitos políticos que transcendem os aspectos penais. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a questão central não é apenas saber se houve ou não prática criminosa, mas avaliar o impacto das suspeitas e a escala das suas consequências eleitorais.

Sob o signo do Master, por Vera Magalhães

O Globo

Entrada de Jaques Wagner na investigação tira de Lula discurso de que governo e PT não têm nada a ver com o escândalo

Os novos capítulos da Operação Compliance Zero espalham o rastro de desgaste do escândalo do Banco Master para praticamente todo o sistema político brasileiro, tornando difícil quantificar em que medida as candidaturas, sobretudo as presidenciais, serão abaladas pelas revelações, que continuam se sucedendo em base diária.

Já era esperado que o caso atingisse o PT da Bahia, graças aos negócios da instituição comandada por Daniel Vorcaro com o governo do estado. O que não estava no radar com a força que emergiu nesta quinta-feira era a centralidade que seria conferida ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner, um dos petistas mais próximos a Lula.

Amizade de Vorcaro com políticos era movida por festas, jatinhos e mesadas, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Operação contra Jaques Wagner mostra que turma do Master não tinha restrição ideológica

Amizade não tem preço, diz a música de Tim Maia. Na política, há controvérsias. Daniel Vorcaro desfilava como amigo do peito de figurões da República. Retribuía o afeto com festas, mesadas, voos de jatinho e outras benesses.

A ternura transbordava da relação entre o banqueiro e Ciro Nogueira. Em conversa com a namorada, Vorcaro descreveu o senador como um de seus “grandes amigos de vida”. Os dois viajaram juntos para Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel. Quando o dono do Master sumia, o presidente do PP se dizia com saudade.

Escândalo do Master chegou à esquerda, por Pablo Ortellado

O Globo

A máquina de Vorcaro parece ter operado onde havia poder a capturar, sem qualquer preconceito de natureza ideológica. Essa é a razão pela qual o caso ameaça tantos atores diferentes ao mesmo tempo

A última fase da Operação Compliance Zero mostrou que o escândalo do Master também atinge a esquerda. Por um tempo, parte desse campo político se iludiu com a crença de que o escândalo era da direita e que o impacto na esquerda seria, quando muito, acidental. Mas as revelações da PF mostram que a máquina de corrupção de Vorcaro não tinha coloração política.

Antes de a PF encontrar meio milhão de reais em dólares e euros na casa de Jaques Wagner, já havia bons motivos para pensar que o escândalo do Master não afetava apenas a direita.

Hora de jogar com a cabeça na Copa, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

O futebol brasileiro perdeu um pouco de sua magia e da capacidade de ser uma dimensão do nosso ‘soft power’

De um ponto de vista geopolítico, esta Copa do Mundo é um projeto frustrado. A Fifa optou por um caminho, a propósito, ampliando de 32 para 48 o número de participantes. Estados Unidos, México e Canadá, quando resolveram hospedar o torneio, pensavam em projetar a imagem de uma América do Norte unida, próspera e, até certo ponto, aberta para o mundo. Mas, no meio do caminho, havia a rígida política migratória de Donald Trump.

Três indícios de ‘acordão’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ‘fator Wagner’ reforça as tentativas de um ‘acordão’ para replicar o fim da Lava Jato

Há três indícios de uma tentativa de “acordão” no ar, para livrar a cara dos alvos do escândalo Master: a resistência de Daniel Vorcaro em assumir uma real delação premiada, o voto do ministro Gilmar Mendes contra a prisão de chefões da quadrilha e o envolvimento de integrantes dos três Poderes e do Centrão, do bolsonarismo e, agora, da cúpula do PT, com as provas aterradoras contra Jaques Wagner.

O bolsonarismo usa Wagner para empurrar o Master para o colo do presidente Lula, já o PT contra-ataca com o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 130 milhões para Daniel Vorcaro.

Os dois lados, porém, não têm interesse em ir a fundo nas investigações e na punição dos culpados. Como no próprio Congresso, quando os interesses são comuns, ou para se safar, todo mundo se une.

Muito dinheiro, muitas frentes, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Joesley e Odebrecht financiavam campanha; Daniel Vorcaro distribui apartamentos

Doze anos depois do início da Lava Jato, Daniel Vorcaro, do banco Master, substituiu Marcelo Odebrecht, da antiga Odebrecht, e Joesley Batista, da JBS, no noticiário dos escândalos de corrupção do Brasil.

Assim como naquela época, as investigações não poupam nenhum lado do espectro político. Atingiram o senador Jaques Wagner (PT-BA), que é amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Ciro Nogueira (PPPI), que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

As suspeitas bateram no senador Flávio Bolsonaro (PLRJ), pré-candidato à Presidência. Chegaram à cúpula do Congresso, respingando no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Uma Copa do medo: 2006, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

A privatização da festa, com o pavilhão da cerveja e a intervenção da polícia criminalizara os moradores de rua preventivamente. São Paulo e o Brasil estavam se tornando a sociedade do medo

A crise política e social brasileira se manifesta de modo documental em acontecimentos como a Copa do Mundo. Os que mobilizam multidões, que são o refúgio e o disfarce da solidão de cada um numa sociedade em que o cidadão do contrato social é mera ficção e pressuposto.

Diversamente do que ocorre nos países civilizados, a multidão tem sido no Brasil a forma da visibilidade e da identidade social dos brasileiros como povo. Somos povo de vez em quando. Mesmo sendo ela manifestação das irracionalidades que escondem nossos defeitos e insuficiências: caso da covardia da afirmação violenta apenas quando ninguém está vendo, como no caso dos linchamentos noturnos.

PF: Jaques Wagner teria atuado em temas de interesse do Master no Senado, Por Giullia Colombo e Mateus Coutinho

Valor Econômico

Líder do governo no Senado foi alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta-feira

Líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (BA), teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF). Ele foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

As ações estão destalhadas na decisão do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da investigação do Master e que autorizou as medidas de busca e apreensão da PF.

Governo discute saída de Jaques Wagner da liderança no Senado, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

Decisão final depende de uma definição do presidente Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute a saída do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), do cargo, e parte do Palácio do Planalto defende essa posição. A decisão final, no entanto, espera uma definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que ainda não aconteceu.

A discussão ocorre após o líder do governo ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje. De acordo com as investigações, Wagner teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF).

Caso Wagner fragiliza Lula mais pelo impacto político do que pelo eleitoral, por Cesar Felicio

Valor Econômico

Senador petista, líder do governo no Senado, foi alvo da 9º fase da Operação Compliance Zero, sobre caso Master

operação policial contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), dentro das investigações do escândalo do Banco Master, se assemelha tanto na forma quanto no impacto de opinião pública ao caso do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Wagner representa para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o mesmo nível de desgaste na opinião pública do que representou Nogueira para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na corrida presidencial. Não são tiros letais nem para um, nem para outro.

Ciro e Wagner são lideranças políticas com peso regional, do Nordeste, com muita articulação de bastidores em Brasília e pouco conhecidas nacionalmente. Parecem no estilo: são moderados em suas essências e convergem para o centro. Ciro está à esquerda da direita e Wagner à direita da esquerda. Ambos convergem também para Daniel Vorcaro, a favor de quem teriam atuado no Senado, de acordo com a linha de investigação do inquérito.

Operação contra Jaques Wagner cria dois problemas para campanha de Lula, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Na mira da PF, senador leva governo para centro do escândalo do Banco Master

A operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner cria dois problemas para a campanha de Lula à reeleição.

O primeiro é o desgaste do governo, que vê seu líder no Senado, homem de confiança do presidente, diretamente envolvido na teia do Banco Master.

O dano de imagem é inevitável, ainda que as suspeitas digam respeito à atuação de Wagner no governo da Bahia, e não no governo federal.

O segundo, correlato, diz respeito ao embate de Lula com o principal candidato da direita, Flávio Bolsonaro.

O presidente abriu vantagem nas pesquisas quando veio à tona que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, a pretexto de financiar um filme sobre o pai.

Agora ficará mais difícil usar o escândalo do Master na propaganda do PT.

As diferenças entre as dúvidas sobre Hugo Motta e indícios contra Jaques Wagner e Ciro Nogueira Por Míriam Leitão

O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta, admitiu que viajou para Lisboa em um jatinho particular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Embora esse tipo de deslocamento não seja incomum entre autoridades e empresários, é uma prática que naturalmente levanta questionamentos, pelo alto padrão de gastos.

Além da viagem em aeronave privada, chamam atenção a hospedagem em um hotel de alto padrão e a informação, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que ele teria solicitado um empréstimo de R$ 24 milhões para a empresa da cunhada. Motta argumentou que a viagem estava vinculada a um evento corporativo e que, por isso, não faria sentido arcar pessoalmente com os custos de hospedagem. A explicação pode ser considerada plausível, mas não elimina o debate sobre a razoabilidade de gastos dessa magnitude por parte de agentes públicos.

Suja até a medula, extrema direita se anima outra vez com corrupções da esquerda, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Caso de Jaques Wagner não se compara ao de Ciro Nogueira, mas é um desastre

Quem sobra para criticar Estado tomado por corruptos, facções e orcrims empresariais?

As corrupções da política ainda vão ser tema relevante da campanha para presidente? A imundície está tão espalhada que dificilmente haverá flagrante grandioso o suficiente para tirar o país da resignação com a sujeira.

Não se trata de dizer que todo mundo é corrupto ou que todas as turmas políticas contem com corruptos de igual grandeza. Mas há rolo bastante para que candidaturas relevantes se joguem imundícies umas nas outras, em particular pelas redes. Sendo assim, as campanhas talvez deixem o assunto para lá. Será o consenso da podridão.

O lamento não é udenismo, lavajatismo ou demagogia picareta que o valha. Governos do país apodrecem rapidamente, o crime chegou ao poder em alguns estados, entramos na rota de sermos um Estado fracassado.

Influente no PT e amigo de Lula, Wagner se torna alvo fácil para adversários do presidente, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Senador é caso raro de petista com poder interno e relação pessoal com chefe do Executivo

Wagner sobrevive com oxigênio fornecido por Lula, mas relação o deixa mais exposto 

PT de 2026 é composto, em linhas gerais, por dirigentes que ditam os rumos do partido, mas têm uma relação apenas política com Lula, e uma velha guarda que segue próxima do presidente, embora sem tanto poder interno.

O senador Jaques Wagner é um caso raro de petista na intersecção entre esses dois grupos, e é por isso que a ação contra ele, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), tem o potencial de causar tanto estrago eleitoral.

Líder do governo no Senado, Wagner é figura das mais poderosas dentro do PT e um dos grandes confidentes do presidente há décadas.

Nem o fato de ter sido próximo de Marisa Letícia, primeira-dama morta em 2017, o afastou do convívio com Lula, ao contrário de outras figuras que eram ligadas a ela e que acabaram se distanciando do presidente por causa de Janja.

Soberba é o motor da história, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Polícia Federal avança em investigações sobre o Master por causa de celulares apreendidos

Por excesso de confiança, criminosos juntam eles mesmos as provas que poderão condená-los

Apesar de não haver ainda nenhuma delação premiada envolvendo o caso Master, a PF vem avançando a passos largos nas investigações. O senador Jaques Wagner, petista de escol e ex-governador da Bahia, foi tragado para o centro do escândalo. Um pouco antes, descobrimos que Hugo Motta, o presidente da Câmara, também foi paparicado por Daniel Vorcaro, tendo usufruído de uma daquelas viagens nababescas bancadas pelo ex-banqueiro.

O singelo assassino, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O psicopata condenado a 43 anos de prisão foi chamado pela imprensa de Dr. Jairinho

Seria como se os assassinos da menina Isabella Nardoni fossem tratados por Aninha e Alex

Há dias, terminou no Rio o julgamento do assassinato do menino Henry Borel, torturado e morto aos quatro anos em 2021 por seu padrasto, o ex-vereador e médico Jairo Souza Santos, sob a omissão de sua própria mãe, Monique Medeiros. Ele pegou 43 anos de prisão; ela, a quem se devia a proteção do filho, 1 ano e quatro meses, e mesmo assim a juíza a mandou para casa. É quase intolerável saber a que essa criança foi submetida durante um mês inteiro até sua morte. Apesar disso, durante todo o processo, Jairo Souza Santos foi chamado pela imprensa por seu meigo apelido de "Dr. Jairinho". Tal tratamento provoca revolta ou asco?