quinta-feira, 9 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tentativa de trégua no Irã atesta inépcia de Trump

Por Folha de S. Paulo

Para acalmar eleitores e mercados, americano recua de ultimato pela 5ª vez numa guerra sem objetivo claro

Nenhum dos rivais concorda com os termos tornados públicos da base de negociações, proposta pelo Irã; cessar-fogo é frágil

Após muito suspense, passou a vigorar, na noite de terça-feira (7), um cessar-fogo na guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ao menos, foi o que disse acreditar Donald Trump, ciente dos riscos inerentes à empreitada.

De um lado, a pressão global devido à escalada dos preços de energia decorrente do fechamento do estreito de Hormuz —o corredor de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo— pela teocracia islâmica.

Novas revelações constrangem Moraes ainda mais no julgamento do Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Entre 2023 e 2025, também foram identificados cerca de R$ 65 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro a escritórios e empresas ligados a políticos importantes do país

As novas revelações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, complicaram ainda mais a posição institucional do ministro Alexandre de Moraes no julgamento de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Objetivos, volumosos e politicamente sensíveis, os fatos são teimosos e transcendem a esfera pessoal. O que está em jogo é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF).

Documentos fiscais enviados à CPI do Crime Organizado revelam que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, recebeu R$ 80.223.653,84 do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Trata-se de uma média mensal de aproximadamente R$ 3,6 milhões, em 22 pagamentos praticamente idênticos, formalmente declarados à Receita Federal pelo próprio banco.

O roteiro Master de Lula, por Malu Gaspar

O Globo

Uma hora a realidade acabaria se impondo. Depois de tentar resolver a crise do Master atuando nos bastidores, Lula finalmente compreendeu que abafar o caso ou circunscrevê-lo à oposição não é uma possibilidade. As pesquisas de opinião vêm mostrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) está com a imagem enlameada e, embora o escândalo não atinja diretamente o Palácio do Planalto, a sujeira pode respingar no governo. Não foi por outra razão que o presidente da República resolveu falar. Numa longa entrevista ao site de notícias ICL, ontem, ele afirmou que o STF tem de dar “uma explicação convincente para a sociedade”, porque “essas coisas a gente não joga debaixo do tapete achando que o povo vai esquecer”. E ainda completou dizendo que, “se o cara quiser ficar milionário, não pode ser ministro da Suprema Corte”.

O Rio em julgamento, por Merval Pereira

O Globo

Os quatro ministros que já haviam votado pela eleição direta no plenário virtual fazem parte de um bloco informal

O julgamento sobre se a eleição para substituir o ex-governador do Rio Cláudio Castro — que renunciou ao mandato para evitar uma cassação que parecia inevitável — será indireta ou direta está definindo um reposicionamento de grupos dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) que poderá ter consequências em próximos julgamentos importantes, como o caso do Banco Master.

Ficou claro na sessão de ontem que os quatro ministros que já haviam votado pela eleição direta no plenário virtual fazem parte de um bloco informal. Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin precisam de mais dois votos para ganhar a votação que fará prevalecer a tese das diretas. Os ministros Dias Toffoli e Edson Fachin poderão decidir esse julgamento.

Trégua não elimina crise econômica, por Míriam Leitão

O Globo

Mesmo com a trégua anunciada por Trump, a persistência do conflito indica que o desfecho no Oriente Médio continua incerto

A economia mundial continuará atravessando um tempo de extrema incerteza, apesar da trégua anunciada por Donald Trump e da esperança trazida pelas negociações. As hostilidades continuaram ontem, o dano estrutural à infraestrutura reduz a capacidade de produção e oferta de petróleo, a operação para restabelecer a normalidade no Estreito de Ormuz será lenta. A ofensiva impôs ao Irã a morte da maioria dos seus principais líderes, mas mostrou que o país tem o controle da arma que sempre ameaçou usar contra os seus inimigos: o fechamento do Estreito de Ormuz. O Irã bloqueou a logística do petróleo e agora saiu da teoria para a prática, criando um prejuízo considerável para a economia internacional.

Trump e os 1.001 tentáculos da 301, por Assis Moreira

Valor Econômico

Os EUA estão expandindo a definição do que consideram barreira ao comércio e ampliando o arsenal de coerção

Apesar da suspensão do tarifaço de Donald Trump, considerado em fevereiro ilegal pela Suprema Corte americana, cerca de 55% das exportações brasileiras continuam submetidas a sobretaxas ao entrar nos Estados Unidos, pelos cálculos da Amcham Brasil.

O potencial é de tarifas adicionais sobre certos produtos brasileiros. O USTR, a agência de representação comercial americana, quer concluir até a metade do ano as duas investigações que envolvem o Brasil com base na Seção 301 da lei comercial americana, que é utilizada para lidar com práticas estrangeiras consideradas injustas e que afetariam o comércio dos Estados Unidos.

Master é grande nódoa na imagem do BC, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Caso reforça argumentos dos que defendem que a atuação dos órgãos reguladores do sistema financeiro passe a ser acompanhada por auditores externos

Houve um tempo em que o Banco Central do Brasil funcionava como um grande mercadão, tipo feira livre, tantas eram as ingerências políticas que sofria. O peso das pressões causou profunda instabilidade no funcionamento da instituição, evidenciada pela rotatividade dos seus dirigentes. Em apenas oito anos, de agosto de 1985 a setembro de 1993, por ali passaram dez presidentes diferentes (e dez diretorias) sem contar com os interinos. Uma média de pouco mais de 9 meses de mandato para cada um.

O limite que falta num país de endividados, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A lucratividade da indústria financeira montada sobre consumidores desavisados da economia popular seguiu intocada sob gestões do PT, MDB e PL

O governo federal corre atrás de um novo programa para desafogar endividados porque o saldo positivo de renda e emprego, com o qual se pretendia pavimentar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, escorre pelo ralo.

E não se esvai empurrado apenas pela Selic, mas por um modelo de crescimento baseado numa maior oferta de crédito para a baixa renda. Esta oferta é, em grande parte, dissociada de mecanismos que contenham práticas financeiras abusivas. Quantos usuários do Pix parcelado, por exemplo, sabem a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras pelas quais operam? Podiam saber pelo menos o limite da taxa, mas o Banco Central, depois de sucessivos adiamentos, desistiu de regulamentar o mecanismo.

Endividamento público e as restrições ao próximo governo, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Há uma restrição à política fiscal que o próximo governo herdará. Seria bom que os meios para estabilizar a relação dívida/PIB passassem por uma ampla discussão durante a eleição

Este artigo é o primeiro de dois que ocuparão este nobre espaço a fim de trazer elementos sobre um tema crucial, particularmente no avizinhamento da eleição. Trata-se da dívida pública. Recentemente, foi divulgado o último dado da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que alcançou 79,2% do PIB. Esse mesmo indicador estava em 71,4% do PIB em janeiro de 2023. Em pouco mais de três anos, a DBGG avançou 8 pontos percentuais do PIB e com viés de alta para o horizonte futuro. O Brasil está às vésperas de uma nova eleição, não saberemos quem será presidente daqui 10 meses, mas sabemos que o próximo governo terá fatalmente que lidar com ajustes.

Tudo que era sólido desmanchou no ar, por José Serra

O Estado de S. Paulo

O jogo dos próximos anos exige um Estado forte, não mastodôntico, que consiga navegar na nova realidade

O mundo dessa segunda metade da década de 2020 pode ser qualquer coisa, mas jamais poderemos dizer que é um palco para amadores. De fato, esta década está se caracterizando por jogar por terra a velha forma de produzir e de viver. Vamos tentar olhar três dimensões deste novo mundo.

Primeiro, algo que já estava no radar há alguns anos, mas só nesta década ganhou cores mais marcantes: a transição climática. Emissões lançadas por uma economia afetam, indistintamente, todas as demais. Por isso, esforços isolados, ainda que relevantes, são insuficientes diante da escala da questão. A redução conjunta de emissões exige metas compatíveis, mecanismos de monitoramento confiáveis e compromissos estáveis de longo prazo, para que a ação climática não seja comprometida por condições assimétricas entre países ou pela transferência de atividades intensivas em carbono para locais onde as exigências sejam menores.

Não basta o ajuste fiscal, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

É preciso que o próximo governo entenda a importância de se estabelecer uma política permanente de geração de superávits nas contas públicas

As discussões sobre a política fiscal estão presentes na imprensa todos os dias. Debater os efeitos de medidas adotadas pelo governo ou pelo Congresso, a probabilidade de cumprimento de regras fiscais e os efeitos do gasto público sobre os juros é fundamental. Falta, contudo, uma discussão de maior fôlego sobre o processo orçamentário brasileiro. Perdemos a capacidade de planejar.

A Constituição Cidadã criou as bases para um processo orçamentário transparente, público, equilibrado e planejado. O Plano Plurianual (PPA), a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) são os três eixos dessa lógica. A questão central é a dificuldade de se implantar, na prática, o projeto constitucional.

Lula se distancia do Supremo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia” e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativa ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.

Explícito nesse conselho é o reconhecimento de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado.

Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.

Ministros em campanha por Messias, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Chegada de novo ministro ao STF pode mudar correlação de forças em meio à crise interna

A campanha que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) fazem pela aprovação de Jorge Messias no Senado não é de todo desinteressada. Nos bastidores, integrantes de diferentes alas da Corte lutam para engordar seu próprio time – e, assim, conquistarem um aliado quando Messias passar pelo crivo dos parlamentares.

Diante de um tribunal conflagrado, uma parceria a mais é bem-vinda. Hoje, a ala crítica ao comando de Edson Fachin está numericamente empatada com o time do presidente. A correlação de forças internas pode mudar com a chegada do novato.

No Brasil, trocar de partido não é desvio, é estratégia de sobrevivência eleitoral, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Enquanto o sistema premiar estratégias individuais acima de identidades partidárias, a migração seguirá sendo regra

Sistemas eleitorais com representação proporcional de lista aberta, como o brasileiro, tornam a reeleição significativamente mais incerta. A competição, tanto intra quanto extrapartidária, é intensa. Entre 1962 e 2022, em 16 eleições para a Câmara dos Deputados, a taxa média de reeleição foi de apenas 63% (nas duas últimas eleições, 2018 e 2022 esse patamar foi ainda menor, 47% e 55%, respectivamente). Em outras palavras, quase 40% dos parlamentares não conseguem renovar seus mandatos.

É muito inferior ao observado nos Estados Unidos, onde a taxa de reeleição no mesmo período alcança cerca de 93%.” O incumbente americano tem uma carreira legislativa muito mais estável e tranquila do que o brasileiro.

Diante desse cenário, deputados brasileiros precisam reduzir incertezas e aumentar suas chances de sobrevivência eleitoral. Para isso, constroem conexões individuais com redes locais de interesse, frequentemente por meio da alocação de recursos e políticas públicas que reforçam essas bases.

EUA e Irã querem fugir da guerra, mas mundo não vai escapar da guerra tão cedo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Há chance de que a troca de fogo pare ou diminua, mas conflito seguirá por outros meios

Principais autoridades do mundo esperam meses de efeitos econômicos ruins, mesmo com 'paz'

Estados Unidos e Irã querem cantar vitória e dar um jeito de acabar com a guerra, do modo que puderem, não tão rápido que pareça fuga, nem tão devagar que pareça provocação.

Donald Trump quer evitar mais estrago econômico-eleitoral e o risco de ver uma tripulação de avião abatido se tornar refém do inimigo, por exemplo. O Irã quer salvar o que resta das suas armas, do regime e tomar posse de Hormuz de vez, sua bomba nuclear sem radiação.

A própria liberdade está em jogo nas eleições da Hungria, por Martin Wolf

Folha de S. Paulo / Financial Times

Votação do próximo domingo mostrará se é possível derrotar a democracia iliberal de Orbán

Mesmo que oposição vença, governar após 16 anos de 'Estado máfia' será tarefa difícil

Tenho idade suficiente para lembrar da revolta húngara contra o comunismo soviético em 1956 e sua subsequente repressão brutal. Quão deprimente é, então, encontrar o governo da Hungria apoiando ferozmente o ataque de Vladimir Putin à Ucrânia e o assalto do governo Trump à União Europeia.

A Hungria é um país pequeno. Mas Viktor Orbán, seu primeiro-ministro, não é um homem de pouca influência. Para muitos dos chamados "conservadores nacionais", notadamente nos Estados Unidos, ele define uma forma bem-sucedida e admirável de política de direita. Isso até usa o disfarce de servir aos "valores tradicionais". Mas a realidade é o que o ex-ministro Bálint Magyar chama de "Estado máfia".

As terras raras e o discurso de soberania, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Terras raras é tema importante demais para ficar no discurso da extrema direita

Decisões exigem ciência aplicada, intenção política e compromisso democrático

O risco à democracia não é o único problema criado pela existência de um candidato de extrema direita com chances de chegar ao Palácio do Planalto. Ao levar à cena uma agenda para lá de retrógrada, ele manda para o fundo do poço a discussão política, aprisionada entre a entranhada ignorância dos fatos e a diminuta capacidade intelectual, ambas marcas da família golpista e de seu círculo mais próximo.

É o caso da proposta feita por Flávio Bolsonaro de oferecer aos Estados Unidos acesso irrestrito aos minerais críticos e às terras raras brasileiras em troca do apoio do trumpismo à sua candidatura e, por via das dúvidas, à campanha preventiva de descrédito do processo eleitoral que se avizinha, se o incumbente Lula crescer nas pesquisas. O assunto é importante demais para ficar limitado aos termos em que foi posto pelo Bolsonaro-2 e ali mantido pelas críticas que vem recebendo, assentadas em defesa abstrata da soberania nacional.

A farsa antissistema, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se você quer alguém novo, de fora, para livrar o Brasil da corrupção, prepare-se para ser tapeado

O sistema é o que os antissistema querem derrubar para impor seu próprio sistema, seja qual for

Não paga dez. Pelo que as trombetas já anunciam, o principal adversário dos candidatos a candidatos à Presidência pela oposição, mais do que o odiado incumbente, será um ente invisível, impalpável, incolor e inaudível —o sistema. A palavra já está na boca de vários, salivante, sibilante, pronta a ser pronunciada com uma profusão de "Ss", fazendo dos discursos uma sinfonia de assobios. O que a torna paradoxalmente significativa é o fato de que tanto esses candidatos quanto seus potenciais eleitores não precisam saber o que ela significa.

Presidente Lula em entrevista ao ICL: "Uma tentativa de consolidar a ultra direita"

 

Meu partido? Quero é “um bom partido”, por Marcus Cremonese

Leio hoje (7 de abril) no portal Meio, citando a Folha, que “pelo menos 114 deputados federais mudaram de partido no prazo final para as eleições de 2026”.

Para quem tem menos de 50 anos esclareço: lá nas Minas Gerais onde nasci, um “bom partido” era aquele jovem, filho de fazendeiro ou dono de algum comércio na praça central da cidadezinha. Eles eram alvo do olhar de muitos pais que visavam dar ao escolhido a mão de suas filhas em casamento.

Poesia | Clarice Lispector - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | O Circo - Sidney Miller

 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula precisa conter tentação intervencionista

Por Folha de S. Paulo

Governo anuncia mais subsídios para frear preços de combustíveis; pacote deve ser, de fato, temporário

Tarefa seria menos árdua se finanças governamentais não estivessem em situação vulnerável, o que também dificulta o controle da inflação

Na segunda-feira (6), o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PTanunciou novos subsídios temporários para conter o impacto da guerra no Irã sobre os preços domésticos dos combustíveis, desta vez atingindo, além do óleo diesel, o gás de cozinha (GLP), o biodiesel e o querosene de aviação.

No mesmo dia, a Petrobras anunciou a demissão do diretor de Logística, Comercialização e Mercados, área responsável por vendas e formação de preços. Dias antes, Lula havia atacado publicamente um leilão de GLP realizado pela estatal, que resultou em ágios de mais de 100% sobre os valores costumeiros.

Direita puxa fila para desgastar Flávio Bolsonaro, por Vera Magalhães

O Globo

Candidato do PL enfrenta mais questionamentos dentro do seu campo ideológico que aqueles vindos de Lula ou do PT

Enquanto o governo e o PT catam cavaco quanto ao momento para começar a confrontar Flávio Bolsonaro, partem da direita as maiores dores de cabeça para o projeto de franquia familiar empreendido por Jair Bolsonaro a partir da Papudinha. Pelo menos duas pré-candidaturas questionam a escolha do filho Zero Um para suceder ao pai inelegível: Ronaldo Caiado, que tenta abocanhar votos daqueles que acham Flávio radical demais, e Renan Santos, que ataca o flanco oposto do senador, falando àquela fatia do eleitorado que se identifica com o discurso antissistema.

Até aqui, as pesquisas mostram pouco espaço para o crescimento de nomes que tentam evitar que já se imponha no primeiro turno a polarização estabelecida em 2018 e repetida em 2022, entre lulopetismo e bolsonarismo.

O campeão do troca-troca, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Campeão do troca-troca, Nelsinho Padovani escolheu sigla na última hora do prazo legal

Um em cada quatro deputados usou a janela partidária para mudar de legenda. O campeão do troca-troca foi o ruralista Nelsinho Padovani, do Paraná. Em 30 dias, ele mudou três vezes de sigla. Começou no União Brasil, migrou para o PL, passou pelo Republicanos e estacionou no PP.

“Foi uma acomodação política”, explica o parlamentar. Ele está contrariado com jornalistas que só acompanharam sua peregrinação até a penúltima parada, no Republicanos. “Não mudei duas vezes de partido. Mudei três”, esclarece.

Aeroporto é coisa de pobre, por Elio Gaspari

O Globo

Nenhum maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal (STF) entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam ou falavam. Agora, não importa o que pensam, mas o que fazem. Três deles — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques — encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto. Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar no resort Tayayá.

A seis meses da eleição, os desafios de Lula e Flávio, por Fernando Exman

Valor Econômico

Presidente busca dar novo gás na reta final do governo; senador tenta conter exposição

A esta altura do campeonato, seis meses antes do primeiro turno, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) adotam estratégias distintas. Lula não tem tempo a perder: candidato à reeleição, o presidente busca dar novo gás ao governo nesta reta final de seu terceiro mandato.

Pouco tempo se passou entre o anúncio dos ministros que decidiram concorrer a algum cargo eletivo e a nomeação dos respectivos substitutos. No entanto, há semanas se vivia no Palácio do Planalto um clima de transição, o qual, para alguns integrantes do Executivo, foi longo demais. Ainda nem está claro o papel que todos os ex-ministros desempenharão nas eleições, e agora a prioridade de Lula passou a ser o desenho de novas medidas econômicas para tentar melhorar o humor da população.

Ampliação do open finance para reduzir juros, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Medida estrutural faz parte do conjunto de ideias que o governo tem para o setor

O governo estuda ampliar o open finance para melhorar a avaliação de crédito de pessoas e empresas e, com isso, ajudar a reduzir os juros nos empréstimos. Essa é uma medida de caráter estrutural que integra o conjunto de estudos que estão em andamento no Ministério da Fazenda, com o objetivo de atacar os altos índices de endividamento.

O open banking permite que uma pessoa disponibilize seus dados aos operadores do sistema financeiro para receber ofertas de crédito, explicou à coluna o secretário de Reformas Econômicas, Regis Dudena. O open finance já foi uma ampliação que trouxe mais dados.

Notícias distópicas da guerra entre Donald Trump e os aiatolás do Irã, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Durante décadas, mesmo sob tensões, o sistema internacional operou com previsibilidade, instituições, normas e mediação. Esses instrumentos mostram sinais claros de esgotamento

“Distopia” é a representação de uma sociedade imaginária marcada por opressão, caos ou degradação extrema — um “lugar ruim”, no qual a violência, a perda de liberdade e a ruptura das normas civilizatórias se tornam regra. Mais do que coisa da literatura ou do cinema, a distopia é alerta: projeta no futuro tendências já presentes no mundo real. É aí que os acontecimentos no Oriente Médio, com a escalada retórica e militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã assombram as chancelarias das grandes potências mundiais e impactam a vida das pessoas em todo mundo.

A primeira campanha eleitoral da pós-realidade, por José Vicente Pimentel*

Correio Braziliense

Um aspecto da eleição húngara que nos interessa de perto é o uso intenso de recursos de inteligência artificial (IA) na propaganda do primeiro-ministro, Viktor Orban. O baixo nível impera

No próximo domingo, dia 12, as atenções do mundo estarão voltadas para as eleições parlamentares na Hungria. Embora não tenha relevância econômica, o país se tornou um símbolo do movimento global autocrático-religioso de extrema-direita, que o seu primeiro-ministro, Viktor Orban, prefere qualificar de iliberal.

Quando o Pacto de Varsóvia se dissolveu em 1991, havia expectativas generalizadas de que a Hungria emergiria rapidamente da pobreza a que havia sido relegada pelo regime soviético. Não foi o que aconteceu. Pelas estatísticas da União Europeia (UE), ela é hoje um dos mais pobres países europeus. A produção industrial vem decaindo, o desemprego é galopante e a população vem diminuindo. Dois terços da população consideram o sistema educacional ruim ou péssimo, o sistema de saúde pública está decadente, muito em consequência da migração de médicos. Para piorar, nos últimos três anos a Hungria transformou-se no país mais corrupto da UE. Mesmo o "índice de liberdade econômica", publicado pela conservadoríssima Heritage Foundation, considera a Hungria o pior país europeu no quesito integridade governamental.

Vorcaro e o caso Tortora, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Quantos bilhões e quem o ex-banqueiro está disposto a entregar para obter a sua liberdade?

Era 17 de junho, 4h30. Em Via del Corso, em Roma, carabineiros prendiam o jornalista Enzo Tortora, apresentador de um dos programas de maior audiência da Itália: Portobello. Começava o calvário daquele que é considerado o maior erro judicial da história recente da Itália.

Quem quiser conhecer melhor essa história basta ir à HBO Max para assistir à série dirigida por Marco Bellocchio. Tortora era um Fausto Silva em seu país. Foi denunciado por dois integrantes da Nova Camorra Organizada como traficante de droga. Os bandidos precisavam entregar um nome excelente aos procuradores a fim de que lhes fossem concedidos os benefícios da delação premiada. Tortora foi a cereja no bolo dos malandros, que “confessaram” como arrependidos. Após três anos, o jornalista, que renunciou à imunidade do mandato no Parlamento Europeu para responder como simples cidadão ao processo, provou sua inocência.

Dilema machista, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

O senhor já quis comer a mulher de um amigo? – perguntou o motorista que me levava ao aeroporto. Surpreendido, tergiversei e tentei dialogar sobre problemas muito mais fáceis de resolver, tipo: se era possível julgar casos nos quais a esposa era advogada do réu; se a última novidade no campo da corrupção era esse banco que rouba dinheiro; sobre a crise climática e a arrogância de Trump.

– Você diz trair uma amizade por machismo?

– Isso mesmo. Comer a mulher do melhor amigo. Ela me contou que o marido entrou numa seita religiosa e não comparecia mais em casa...

Vice de Trump visita Hungria e faz declaração de amor a Orbán às vésperas de eleição, por José Henrique Mariante

Folha de S. Paulo

Vance critica burocratas de Bruxelas em linha com campanha antieuropeia de primeiro-ministro

Magyar, opositor que lidera pesquisas, afirma que história húngara não é escrita por Washington

Juras de amor a Viktor Orbán e críticas aos "burocratas de Bruxelas" marcaram a visita de J. D. Vance a Budapeste nesta terça-feira (7). A presença do vice-presidente dos Estados Unidos, tentativa de dar peso internacional ao contestado primeiro-ministro, ocorre dias antes da eleição parlamentar que pode tirá-lo do poder após 16 anos.

Pesquisas de opinião colocam Péter Magyar, um ex-aliado, com vantagem superior a dez pontos percentuais no pleito de domingo (12). No X, o candidato classificou a visita de Vance de interferência externa. "A história da Hungria não é escrita em Washington, Moscou ou Bruxelas. Ela é escrita nas ruas e praças da Hungria."

Trump amarela e pode conseguir um jeito de mentir sobre a guerra para os americanos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ataque destrutivo contra Irã provocaria retaliação e pioraria crise do petróleo

Presidente dos EUA vai tentar fazer com que assunto da guerra 'morra', mas crise não acabou

Donald Trump arrumou um jeito de contar uma mentira em casa e, talvez, de se livrar até das consequências mais extremas da desgraça que provocou para si —crise econômica e derrota eleitoral.

Depois de ameaçar varrer o país da face da Terra, Trump recuou do quarto ultimato que deu ao Irã. Não era para valer também a exigência de "rendição incondicional", anunciada no sétimo dia da guerra.

Trump vai dizer que acabou com as armas do Irã, matou suas lideranças piores, "mudou o regime", que a guerra acabou "no prazo" (qualquer prazo). Dirá que sua ameaça de solução terminal levou o regime da Guarda Revolucionária teocrática a reabrir Hormuz, que Trump desdizia ser um objetivo de guerra. Seus ultimatos, porém, vão ser testados por todos os seus adversários e inimigos.

Quão resiliente é Flávio Bolsonaro? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Candidato do clã deverá ser questionado por esquema de rachadinha

Ele também mostra inabilidade com declarações que espantam eleitor moderado

Quão resiliente é Flávio Bolsonaro? A resposta a essa pergunta será decisiva na disputa eleitoral. O primogênito de Jair Bolsonaro herdou os votos e a rejeição do pai, mas não foi ainda, enquanto ser autônomo, submetido ao teste de estresse.

A lista de passivos do postulante do PL é densa. Ele foi flagrado num insofismável esquema de rachadinha, que os mais preciosistas chamam de peculato. Desdobramentos do esquema incluiriam lavagem de dinheiro numa franquia da loja de chocolates da Kopenhagen e a compra de uma mansão em Brasília com valor acima de seus rendimentos oficiais.

Saia do rebanho político, ouse pensar por si mesmo, por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Em meio à patrulha ideológica, pensar por conta própria tornou-se um ato de resistência

A vida pública se transformou em uma sucessão de testes morais e alinhamentos forçados

Se você já não aguenta mais gente patrulhando cotidianamente a sua opinião, exigindo-lhe um posicionamento moral explícito sobre qualquer coisa como condição para decidir se você presta ou não, se já não suporta militante apertando a sua mente e forçando a sua mão, você não está sozinho. Há muitos brasileiros como você —e me incluo entre eles— sentindo-se como a bola de um pinball político alucinado, arremessada para lá e para cá, à procura de uma saída em meio a tanto barulho e histeria.

A guerra no estreito de Ormuz está chegando aqui, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Dá para ficar tranquilo diante da guerra no Golfo Pérsico? Não dá. O Brasil importa cerca de 20% do petróleo produzido na região, além do que 70% dos fertilizantes usados na agricultura (42 milhões de toneladas), 30% passa pelo Estreito de Ormuz. São mais de 10 milhões de toneladas. Como efeito da guerra, Putin resolveu suspender por um mês, renovável por mais um, as exportações desses insumos. No Brasil essa interrupção cai justamente na época de plantios. Significa, portanto, que a safra brasileira de grãos, projetada para 354 milhões de toneladas, que supre o mercado interno e torna o Brasil um dos principais produtores de grãos do Planeta, corre sérios riscos de ter, em 2026, uma menor produtividade e, em consequência, uma redução significativa da produção. Não sei se pode faltar alimentos, mas tudo tende a ficar mais caro.

Nossas raízes democráticas, por Vagner Gomes

Livro resenhado: MAESTRINI, Alexandre Müller Hill. Nossas riquezas pretas: biografias afro-juizforanas. Juiz de Fora (MG). EDITAR. 2025.

Disponível gratuitamente aqui: 

https://institutoautobahn.com.br/index.php/nossas-riquezas-pretas-jf/

Pode-se dizer, então, que desde o seu parecer antiprotecionista, Rebouças começara a aproximar a Alemanha do seu quadro de referência, concedendo-lhe uma densidade ética comparável à da aristocrática Inglaterra e, por via de consequência, ao yankismo que preconizava para o Brasil. Rebouças mudaria também a sua definição de Estado: a qualificação do Estado como “gendarme” das “classes feudais” seria alterada pelo reconhecimento da multiplicidade de interesses abrigados sob o Estado modernizador do século XIX. (…)

Maria Alice Rezende de Carvalho – O Quinto Século: André Rebouças e a Construção do Brasil, p. 207.

Poesia | Chico Science - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Aldir Blanc - Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristovão Bastos)