sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Oportunismo de Flávio se une ao de Lula contra a 6x1

Por Folha de S. Paulo

PEC tem votação acachapante no Senado sem consenso político; pressa eleitoreira prejudicou debate

Não é segredo que o PL, que ampliou sua bancada no pleito deste ano, articula um projeto alternativo, que permitiria uma jornada flexível

A proposta de emenda constitucional que elimina a escala de trabalho 6x1 foi aprovada pelo Senado com votação acachapante de 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O placar, no entanto, está longe de espelhar um consenso político em torno da medida.

O que sobrou no plenário foi oportunismo eleitoreiro —e ao do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), patrocinador da PEC no último ano do mandato presidencial, somou-se o da oposição temerosa de perder apoios, a começar por Flávio Bolsonaro (PL).

Lula toma a iniciativa na segurança, mas a disputa é na praia de Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, mais de 110 por dia. A queda em relação ao ano anterior é relevante, mas não elimina a gravidade desse cenário

Desde a Constituinte de 1988, o Brasil tem dificuldade para resolver uma equação central da segurança pública: como assegurar a coordenação nacional do combate ao crime sem atropelar a autonomia dos estados, responsáveis pelo policiamento cotidiano. Devido ao trauma do regime militar, a Constituição consagrou direitos e garantias, mas preservou uma estrutura policial fragmentada. A democratização avançou mais na definição dos limites do poder do que na construção de uma capacidade integrada de enfrentar a criminalidade.

Fortalecer, e não reduzir a democracia, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

Os resultados das eleições presidenciais de 2026 vão ser decisivos para ver quem defende o espírito democrático estabelecido pela Constituição de 1988 e quem aposta na destruição de seu legado

Um paradoxo marca a disputa presidencial de 2026: no primeiro turno, predominou um clima de insatisfação e desânimo entre os eleitores, o que agora é contrabalançado no segundo turno pela enorme mobilização nas ruas e nas redes sociais. Ambos os sentimentos são expressão dos avanços democráticos do país e seus limites. O voto e a participação popular continuam muito relevantes, mas há pontos problemáticos nas instituições e um medo de retrocesso democrático. O que está em jogo é como fortalecer e melhorar a democracia brasileira.

O Brasil não tem tradição democrática forte em sua história. Ao contrário, foram predominantes o autoritarismo e formas oligárquicas, com exclusão de muitos atores da participação política plena e acesso privilegiado ao poder para determinadas elites. Somente a partir da redemocratização que depôs o regime militar e, mais ainda, com a promulgação da Constituição de 1988 é que a democracia se tornou o eixo central da política brasileira.

A dupla cara do futuro, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Na política, as duplas personalidades se desconstroem reciprocamente. Esse processo manifestou-se tardiamente durante a campanha eleitoral

De repente, o surpreendente resultado das eleições do chamado primeiro turno revela aquilo que o bolsonarismo e a direita não são nem aquilo que as esquerdas e o PT tampouco são. O processo político brasileiro, há muito, se desenrola fora do âmbito do racional e do compreensível e longe do que é propriamente político e a política.

Sem substância teórica e doutrinária e, portanto, sem competência para se propor como protagonista legítima do processo histórico brasileiro, a direita finge. Tanto finge o que é quanto o que não é.

Utilizando os meios técnicos abundantes e fáceis de manipulação das vontades, a direita conseguiu resultados espetaculares do ponto de vista numérico. Pessoas inexpressivas e até desconhecidas do eleitor tradicional obtiveram votações muito acima do que é numericamente normal num país como o Brasil.

Triunfalismo levou disputa a empate, por César Felício

Valor Econômico

Jamais houve viradas no segundo turno, mas pesquisa se assemelha a virada de Dilma sobre Aécio em 2014

A diminuição do volume de campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última semana, ocupado em sentar em uma cadeira que ainda não é sua, cobrou seu preço. A candidatura bolsonarista perdeu fôlego de acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo Datafolha, recuando de 49% para 47%.

Esta oscilação para baixo não migrou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permaneceu em 45% de intenção de voto, com desaprovação de governo e avaliação negativa da administração em alta de um ponto percentual. Mas ainda não decantou a maré de anúncios impactantes gerados pelo Palácio do Planalto, como a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 e o pacote de bondades para microempreendedores individuais.

Voto distrital para barrar influencers entra em pauta, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Uma postagem recente do candidato derrotado à Presidência Renan Santos, do Missão, surpreendeu quem acompanha a política nacional de perto. Na publicação, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), conhecido pelo perfil combativo, convidou os brasileiros a uma volta ao passado, aos tempos em que o debate político era baseado em propostas, e adversários não eram tratados como inimigos.

O mote foi o encontro amigável entre Renan e a deputada estadual do PT eleita por São Paulo, Duda Hidalgo, na noite paulistana, após uma apresentação da banda dele, e cujo registro circulou nas redes sociais. “Muita gente chocada com a interação pacífica e bem-humorada entre a gente que pensa diferente”, observou. “Há 20 anos atrás, este era o mundo em que a gente vivia”, completou. “Mas desde que surgiram os algoritmos de redes sociais, a gente começou a se radicalizar, ao ponto de um passar a odiar o outro, e odiar o outro virou uma profissão”, criticou sobre a polarização entre bolsonarismo e petismo.

Jogo empatado, juiz engajado, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Apito amigo de Kassio Nunes Marques faz senador vencer batalha jurídica de goleada

O Datafolha informa: Flávio Bolsonaro e Lula estão tecnicamente empatados na corrida ao Planalto. A distância numérica entre os candidatos caiu de 4 para 2 pontos percentuais. Depois de um primeiro turno morno, a reta final da campanha promete fortes emoções.

Na semana passada, o vento parecia soprar a favor de Flávio. Além de largar com 2,2 milhões de votos de vantagem, ele comemorou o avanço da direita no Congresso e nas eleições para os governos estaduais. Em seguida, recebeu a adesão de caciques do Centrão e dos ex-rivais Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Só não conseguiu o apoio de Renan Santos, que escolheu ficar em cima do muro.

Lula roda, roda, mas pouco se mexe, por Vera Magalhães

O Globo

Até aqui, pesquisas mostram que aproximação entre petista e Flávio Bolsonaro se dá mais por desgaste do candidato do PL na margem de erro

Os jovens tomaram as ruas, os influenciadores de esquerda tomaram as redes, o presidente e o vice aprenderam a fazer vídeo selfie, a caneta sem tinta foi trocada por um carregamento de outras novinhas em folha do primeiro para o segundo turno, mas Lula pouco ou nada se moveu nas pesquisas.

A aproximação registrada da semana passada para esta se deveu, antes à perda de fôlego de Flávio Bolsonaro, na margem de erro, que a uma lufada de otimismo com o governo e com a perspectiva de um quarto mandato para o petista, e esses são aspectos cruciais para a virada inédita que ele precisa alcançar.

Para uma nova esquerda – II, por Pablo Ortellado

O Globo

Não souberam ouvir a classe trabalhadora que, pragmaticamente, reivindicava flexibilidade para montar a jornada

Na coluna da semana passada, argumentei que a esquerda precisa abandonar o progressismo moral: a estratégia de tratar temas ainda controversos como direitos humanos inegociáveis e punir quem diverge com estigmas morais, censura nas redes sociais e ameaça de prisão. Hoje, trato de outro terreno em que a esquerda tem tido dificuldade de ouvir aqueles que pretende defender: o desejo dos trabalhadores por mais autonomia.

A esquerda sindical tem feito um enfrentamento ideológico aos trabalhadores que experimentaram e aprovaram formas mais modernas de trabalho que começaram a se difundir com a flexibilização e a uberização. Eles consideraram esse tipo de trabalho menos opressivo, pois permitia distribuir as horas em serviço e evitar a supervisão direta dos chefes.

Ainda tem jogo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio recua, diferença para Lula cai a dois pontos e o Centrão sente cheiro de virada

Os líderes do Centrão já tinham dado apoio a Flávio Bolsonaro, mas não são bobos nem nada, têm faro político e fazem uma pausa para pensar, ou repensar sua posição, movidos pela indefinição do segundo turno e a hipótese, que consideram real, de vitória do presidente Lula. Os dois fatores decisivos para o bloco são as pesquisas e o temor de ficar a reboque do PL no Congresso.

O PSD teve 9,4 milhões de votos para a Câmara no primeiro turno e o encontro de quinta-feira entre Gilberto Kassab e o petista Rafael Fonteles, reeleito para o governo do Piauí e capturado para a linha de frente da campanha de Lula, não foi um chá das cinco. Kassab, que sempre tem um pé em cada canoa, já tinha mais simpatia por Lula e avalia que ele passou a ser favorito.

Debates decisivos para a democracia, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Em eleição polarizada, a oportunidade de atrair a simpatia de quem anulou voto pode fazer a diferença

Com participação confirmada de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, os debates previstos para ocorrerem no segundo turno serão fundamentais para a democracia brasileira e podem ajudar a decidir a eleição. Até agora, Lula e Flávio não se enfrentaram frente a frente, recusando os confrontos e contando até com decisões jurídicas favoráveis para não participarem.

O primeiro debate deste segundo turno acontece no domingo, dia 18 de outubro, e será promovido pela Band e pelo Estadão. Pesquisas qualitativas demonstram que os eleitores já não acreditam mais em propaganda eleitoral gratuita e percebem o “truque” por trás dos discursos dos candidatos. Tanto que as redes sociais viraram o verdadeiro campo de batalha.

Constituintes de 1988 lançam abaixo-assinado em defesa da Carta, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Ex-deputados alertam para riscos de mudanças em eventual governo Flávio Bolsonaro

Petição busca ampliar apoio e resgata frases de Ulysses Guimarães

Um grupo de 20 constituintes de 1988 lançou, nesta quinta-feira (15), uma carta aberta e um abaixo-assinado nacional em defesa da Carta e da democracia. A petição está disponível na plataforma Change.org.

Entre os autores estão Olívio Dutra (PT-RS), Benedita da Silva (PT-RJ), Rita Camata (MDB-ES), Vitor Buaiz (ex-PT-ES), Renan Calheiros (MDB-AL) e Lídice da Mata (PSB-BA).

Vitória ou derrota de Flávio ou Lula depende de 1,2 milhão de votos e 2 debates, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Efeito de medidas do governo ainda pode se espalhar; deslize na TV será grave

Candidaturas da extrema direita têm ganhado votos na reta final desde 2018

Em dez dias, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa tirar ao menos 1,2 milhão de votos de Flávio Bolsonaro (PL) a fim de ter chance de vitória. Essa aritmética elementar leva em conta que a diferença de Flávio para Lula está em dois pontos percentuais, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (15). Supõe que a quantidade de brancos, nulos e abstenções será a mesma do primeiro turno; que Lula não perderá votos.

Qual lance espetacular ou político pode ainda pesar?

Antes de mais nada, recorde-se que a votação da extrema direita aumentou nas vésperas da eleição e na boca da urna de 2018, 2022 e no primeiro turno de 2026. Não é lei da natureza dos votos, mas aconteceu.

Por eleição, Lula e Flávio assumem causas que renegaram, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Vencedor e perdedor têm encontro marcado com a revisão de convicções ou com o estelionato eleitoral

O populismo tem lá suas vantagens para angariar votos, mas impõe dificuldades à tarefa de bem governar

Visto que a vida continua depois da eleição, qualquer um dos dois finalistas que vença o torneio terá necessariamente um encontro marcado com a revisão das próprias convicções.

São tantas as incoerências e tão improvisadas as mudanças de posição que o outro caminho do vencedor será o confronto com o estelionato eleitoral. Aquele que ficar no papel de líder da oposição tampouco escapará de precisar dar o dito pelo não dito.

Coluna com opinião, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Meus leitores bolsonaristas se queixam de que não respeito a imparcialidade do bom jornalismo

Eles têm razão; em 60 anos de profissão, nunca falei bem de nenhum presidente ou político

Meus fiéis leitores bolsonaristas, que me honram com sua atenção quatro vezes por semana, se queixam do que consideram minha parcialidade. Acham que eu devia poupar os Bolsonaros de críticas e falar também dos defeitos de seus adversários. Segundo esses leitores, é o que rezam as normas do bom jornalismo. Eu deveria saber —porque, em 2027, completarei 60 anos de jornalismo profissional.

Elogio ao ócio, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Garantir mais tempo livre para as pessoas é uma ideia inatacável

Teria feito mais sentido avançar por setor em vez de PEC de tamanho único

Foi aprovada a PEC que põe fim à escala 6x1. A ideia de dar mais tempo livre para as pessoas me parece inatacável.

É uma ideia com "pedigree". O termo grego "scholé" significa primariamente "ócio", "tempo livre", mas também "estudo", "aula" e, finalmente, "escola". Para os gregos, o ócio era o valor positivo. Não deve ser entendido como mera inatividade, mas sim como o tempo que alguém gasta em seu próprio interesse. Na "Política" (1337b), Aristóteles, rejeitando a noção de uma educação voltada só a coisas práticas, escreveu: "O primeiro princípio de toda ação é o ócio. Ambos (ação e ócio) são necessários, mas o ócio é melhor que a ocupação e é o fim em razão do qual ela existe". O ócio fundamenta o autoaprimoramento e a própria reflexão. Foi só depois que vieram os chatos dos estoicos e dos cristãos que ganhou tração a ideia de que "a ociosidade é a mãe de todos os vícios".

Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 49% dos votos válidos, um empate técnico, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Distância neste quesito, que exclui brancos, nulos e indecisos, era de quatro pontos na semana passada

A dez dias dias da decisão da disputa presidencial, senador marca 47% nos totais, ante 45% do petista

A dez dias do segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) tem 51% das intenções de votos válidos, ante 49% de Lula (PT), configurando assim um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento.

Há uma semana, a diferença entre eles era de quatro pontos no quesito, com o senador marcando 52% e o incumbente, 48%. A Justiça Eleitoral usa o voto válido, que exclui brancos e nulos, para a contagem final no dia da eleição. No caso de levantamentos de intenção, são retirados da conta também os indecisos.

PL é antiliberal, e dianteira de Flávio reflete insatisfação, diz autor de 'Como as Democracias Morrem', por Bárbara Blum

Folha de S. Paulo

Steven Levitsky diz que senador, se eleito, também precisará negociar com partidos para governar

Professor de Harvard vê ironia em apoio de países da América Latina a Trump, que passa por onda de impopularidade

O sucesso de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas do primeiro turno das eleições presidenciais não surpreendeu o cientista político americano Steven Levitsky. Um dos autores do best-seller "Como as Democracias Morrem", publicado em 2018, ele já esperava que o candidato que desafia o atual status fosse bem-sucedido.

Um levantamento feito por ele havia mostrado que, desde a pandemia, 74% dos governos incumbentes perderam as eleições nas democracias ocidentais analisadas. Foram 40 de 54. Foi o caso do Brasil, que não reelegeu Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Para o cientista político e professor de Harvard, essa insatisfação é a chave para ler os resultados das urnas do primeiro turno. O resultado positivo nas urnas para Flávio indica, segundo Levitsky, que o país continua insatisfeito com o status quo que o PT de Lula representa. "Não é que essa maioria dos brasileiros seja autoritária. Parte desse eleitorado está votando contra o status quo", afirma.

Frequência \ Eleitores do Blog

*Blog Democracia Política e novo Reformismo*

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OLHA COMO FOI A ENTREVISTA DO LULA NA GLOBO! 15/10/2026

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Poesia | Amar é ser amado, de Castro Alves -

 

Música | Ligia França - Pela decima vez (Noel Rosa)

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Passou da hora de acabar com o inquérito das fake News

Por Folha de S. Paulo

Fachin repete intenção de arquivar investigação anômala que deu plenos poderes a Alexandre de Moraes

Criou-se a situação em que a corte poderia atuar como vítima, polícia e juiz; presidente do STF precisa percorrer caminho entre palavras e atos

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, indicou na semana passada que pretende "promover o arquivamento definitivo" do interminável inquérito das fake news. Louve-se a intenção, sem dúvida, mas com a ressalva de que não se trata da primeira vez que o ministro a enuncia.

No começo de setembro, quando o escândalo do Banco Master envenenou a convivência entre ministros do STF, Fachin esgrimiu duas propostas contra a crise sem precedentes: o fim do famigerado inquérito e a aprovação de um código de ética para a corte.

Voto de assalariados e empreendedores acirra a disputa do segundo turno, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Lula oferece medidas populistas a assalariados e empreendedores; Flávio procura preservar a identificação com quem considera insuficientes essas respostas do governo

A dez dias da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam os corações e os bolsos de assalariados e empreendedores. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Flávio com 46% das intenções de voto e Lula com 44%, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. Outros 9% declaram voto branco, nulo ou disposição de não votar; apenas 1% está indeciso. A eleição continua aberta, mas não há eleitores disponíveis em grandes proporções. Convencer alguém a trocar de candidato ou a comparecer às urnas exige mais do que reafirmar as convicções dos convertidos.

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 em vitória política de Lula, por Murillo Camarotto, Sofia Aguiar e Jéssica Sant'Ana

Valor Econômico

Flávio Bolsonaro dá voto favorável à proposta que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais

Por 75 votos a 1, o Senado aprovou na noite de quarta-feira (14) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1. Apesar de se opor ao texto durante toda a tramitação, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou a bancada para votar como quisesse. Assim que o resultado foi decretado, parlamentares governistas entoaram cantos em homenagem a Lula.

O avanço da matéria representa uma vitória política do presidente, que tem no projeto uma de suas principais apostas para reverter a desvantagem nas pesquisas para a disputa pela reeleição. Em agenda no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não compareceu à sessão. Na véspera, ele recuou e disse que votaria a favor do texto, mesmo defendendo outra proposta.

É o poder de pauta que vai desempatar o jogo, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Aprovação da PEC 6x1 deixou Flávio Bolsonaro a reboque de Lula

Os mesmos dois pontos percentuais que separam a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1 turno da eleição presidencial se mantiveram na primeira pesquisa Quaest deste segundo. O candidato do PL manteve sua vantagem graças à captura do maior volume de votos da terceira via. O do PT foi capaz de avançar na mesma proporção graças ao avanço mais substantivo, neste 2ºturno, entre aqueles que, em 4 de outubro, se abstiveram ou votaram em branco e nulo.

A se fiar pela Quaest, os 9% que ainda podem mudar de voto serão capturados pelo candidato que se mostrar mais capaz de pautar os próximos dez dias da campanha. A votação, no Senado, na noite desta quarta, do fim da escala 6x1, demonstra que Lula tem mais vantagem neste quesito para reverter, a seu favor, o empate, na margem de erro exibida pela pesquisa.

Segundo turno é outra eleição? Por Cila Schulman

Valor Econômico

Mudaram o ritmo e as estratégias; contudo, a campanha pode mudar de direção mais depressa do que o eleitor muda de lado

Nada como um segundo turno para acordar o eleitor anestesiado, acertar o passo do incumbente e enfileirar os apoios negados ao desafiante até que ele se tornasse uma perspectiva real de poder. Lula se conectou com as demandas do eleitor, o PT priorizou as ruas e as redes, enquanto o entorno de Flávio Bolsonaro já começa a distribuir ministérios. Os trabalhadores 7x7 da Faria Lima acompanham tudo com a precisão dos dados disponíveis, mas acordam com palpitação: “e se a euforia foi apenas o sonho de uma noite de outono?”

Mudaram o ritmo e as estratégias; contudo, a campanha pode mudar de direção mais depressa do que o eleitor muda de lado.

Lula celebra fim da escala 6 por 1, bandeira de campanha: 'Dia de comemorar uma conquista histórica', por Victoria Azevedo

O Globo

Senado aprovou PEC por 75 votos a favor e um contra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a aprovação do fim da jornada 6x1 pelos senadores na noite desta quarta-feira. O petista acompanhou a votação do Palácio da Alvorada, em Brasília ao lado de aliados.

Em publicação nas redes, Lula disse que o dia de hoje é para “comemorar uma conquista histórica de milhões” de trabalhadores. “O fim da 6x1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida”, escreveu o presidente.

As dúvidas e os avanços da reta final, por Míriam Leitão

O Globo

A redução da jornada de trabalho é uma pauta antiga e disseminada no mundo. O recuo de Flávio Bolsonaro mostra que a proposta alternativa dele não fazia sentido

Foi uma longa jornada para chegar até o dia de ontem, em que o Senado aprovou com votação consagradora a redução de 44 para 40 horas do tempo de trabalho semanal e com dois dias de descanso por semana. A última mudança de carga horária fora há 38 anos. O projeto virou também um evento da campanha eleitoral. O candidato Flávio Bolsonaro mudou bruscamente de ideia sobre o assunto e ontem o PL aceitou que seus senadores fossem a favor da PEC. O medo do Partido Liberal é que a oposição ferrenha ao projeto tirasse votos na urna para o candidato da extrema direita.

Cabeça a cabeça, por Merval Pereira

O Globo

Os eleitores decididos dos dois candidatos não se revoltam, não se preocupam com as ações ilegais ou antiéticas que ambos praticam.

A pesquisa da Quaest divulgada ontem não captou nenhuma mudança na pequena diferença a favor de Flávio Bolsonaro. Quer dizer que o movimento lulista dos últimos dias não surtiu efeito positivo, a não ser alterações pontuais em estratos específicos, que não mudaram o resultado final. Essa diferença não permite, porém, que Flávio continue jogando parado, colhendo apoios burocráticos sem mobilizar o eleitorado, que continua congelado entre os dois candidatos. Nenhum deles conseguiu tirar votos suficientes do outro. A solidez das tendências está na casa dos 90%, sugerindo que os votos de que Lula precisa para vencer têm de ser buscados entre os que continuam ainda não totalmente decididos, como 8% dos eleitores de Flávio.

Discurso de Flávio não cabe na Faria Lima, por Julia Duailibi

O Globo

Ele não só negou as medidas de ajuste, como pronunciou um discurso com tom parecido ao do adversário

O primeiro desafio de Flávio Bolsonaro durante a campanha de 2026 foi fazer com que parte do eleitorado o comprasse como um “moderado” — ou como o “Bolsonaro que toma vacina”. Na reta final da campanha, essa espécie de greenwashing eleitoral chegou ao ápice, com o candidato do PL recuando, sem maiores embaraços, de sua posição contra o fim da escala 6x1. O oportunismo de última hora, que o leva a abraçar proposta de que era crítico, coloca dúvidas sobre algo maior: qual o real compromisso de Flávio na área econômica?

Senado aprova PEC do fim da 6x1, bandeira de Lula; PL articula proposta por hora trabalhada em 2027

Por Danielle Brant, Alvaro Gribel e Guilherme Caetano / O Estado de S. Paulo

Texto, que segue para promulgação, reduz jornada de trabalho para 40 horas semanais; Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, vota a favor, mas sinaliza a empresários que vai revisar proposta se eleito

BRASÍLIA - O Senado aprovou nesta quarta-feira, 14, 11 dias do segundo turno das eleições, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário. O texto vai à promulgação.

A votação contou com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), em meio à disputa eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - embora integrantes do partido do filho de Jair Bolsonaro já defendam a aprovação do pagamento por horas trabalhadas em 2027.

A PEC foi aprovada por 75 x 1 nos dois turnos de votação - eram necessários pelo menos 49 votos. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único voto contrário. O PL de Flávio liberou a bancada para votar no texto, assim como o Progressistas.

O sequestro da esfera pública, por Eugênio Bucci*

O Estado de S. Paulo

O domínio das plataformas digitais, estrangeiríssimas, sobre os debates políticos no Brasil é total. Por trás da expressão ‘sociedade interconectada’ existe um sequestro descarado

Dizem que somos uma “sociedade interconectada”. O que isso significa? No mais das vezes, significa que o progresso nas comunicações teria melhorado a nossa vida. Falamos uns com os outros por meio das plataformas digitais, na maior simplicidade. As cartas de amor não existem mais e até os emails começam a ficar antiquados: hoje tudo se resolve pelo WhatsApp, com frases efêmeras, áudios anódinos e emojis redondos. A publicidade comercial migrou para os bits, soterrando as telas que nos confinam. Bancos disparam avisos de débito para o smartphone do cliente. O check-in da passagem aérea se tornou uma operação virtual, bem como a compra de ingresso para o cinema, a reserva no hotel, a matrícula na escola, o agendamento do exame médico, as reuniões de trabalho e a sessão de psicanálise. Tudo parece ter acontecido de modo indolor e benfazejo.

Marcha da insensatez, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Tomando a frase emprestada do sociólogo e professor José Pastore, a tramitação do fim da escala 6x1 no Congresso é o triunfo da emoção eleitoral sobre a razão. Pois se faz sentido estabelecer na Constituição limites de horas trabalhadas por semana, não faz nenhum estipular ali como serão distribuídas.

O que surge do ponto de vista econômico como “irracional” (adotar medidas que parecem “melhorar” as coisas, mas vão provocar “piora” no prazo mais longo) é perfeitamente racional pelo cálculo político, hoje subordinado à noção de que só se combate populismo (lulopetismo, no caso) com populismo. Nisto o Brasil segue a tendência em várias “democracias liberais” – uma crise universal.

O desastre que elites empresariais apontam nessa tramitação é um desastre delas mesmas. Chega a ser constrangedor como os congressistas, especialmente no Senado, deram uma banana para “vozes de liderança” e seus alertas. Suas opiniões nem sequer foram consideradas.

Com 6x1, Lula avança agenda eleitoral no Congresso, e oposição tenta rebater com redução da maioridade

Por Folha de S. Paulo*

Redução da jornada de trabalho e perdão de dívidas do MEI passam na Câmara e no Senado

Aliança com Hugo Motta e Davi Alcolumbre dá trunfo ao presidente a poucos dias da eleição

A aliança do presidente Lula (PT) com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), emparedou a oposição nesta quarta (14) e fez avançar três propostas com apelo popular a dias do segundo turno das eleições: o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e benefícios para o MEI (Microempreendedor Individual).

O petista ataca com isso alguns dos pontos identificados nas pesquisas internas como os principais motivos para o voto em Flávio Bolsonaro (PL): a preocupação com a situação econômica, com a própria renda, com o alto custo de vida e com a criminalidade. Os outros, fora do alcance da campanha, são o sentimento de mudança e as críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A oposição só conseguiu reagir na proposta relativa à segurança pública, ao apresentar emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. O tema historicamente é criticado pelo PT, e o governo optou por adiar a votação em plenário para se reorganizar e faturar politicamente os outros projetos.

As Forças Armadas na democracia, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Subordinação das Armas à Constituição e ao poder civil legítimo é inseparável do regime democrático

Brigadeiro reafirma que às Forças Armadas não cabe moderar o conflito político

Em 2022, os militares barraram o golpe planejado por Jair Bolsonaro logo após sua derrota nas urnas. Os comandantes do Exército e da Aeronáutica se opuseram às medidas propostas por ele para impedir a posse do sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Conseguiram levar o camarada da Marinha a assinar uma nota conjunta que defendia o emprego dos instrumentos do Estado de Direito para dirimir controvérsias políticas. A história toda foi contada pelo brigadeiro Carlos Baptista Júnior, então comandante da Força Aérea Brasileira, no seu recente livro "Eu Disse Não! Uma Trincheira Antigolpista".

Condições institucionais para a ditadura, por Conrado Hübner Mendes*

Folha de S. Paulo

'Aceitem a democracia onde a minoria tem que se curvar à maioria', já disse Jair

Vitória de Flávio seria primeiro winner takes all da nossa história democrática

Entre os alertas ecoados do primeiro para o segundo turno, lembre-se da separação de Poderes. Mais institucional, menos ideológico, este é o alerta do constitucionalismo, ideia moderna para prevenir concentração e abuso de poder. Não há liberdade onde um manda sozinho. Em cima desse andaime se constrói o edifício constitucional.

Nos últimos 40 anos, o Brasil não passou por situação tão perigosa para a economia e a sociedade, para não falar da política liberal. Eventual vitória de Flávio Bolsonaro entrega à família o que nenhum presidente eleito no país teve. É a única chapa "winner takes all": se ganhar, leva tudo. A quem perde não sobram nem direitos e instituições para se defender. Jogo de soma zero.

Política ruim pode tornar ainda pior o ano difícil de 2027 na economia, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PIB, emprego, salários e receita do governo devem ser menores no ano que vem

Fazer conserto das contas públicas em ano de PIBinho é bem mais complicado

O ano de 2027 vai ser difícil na economia. Se por mais não fosse, já seria bastante para aumentar o risco de que 2027 seja também difícil na política, o que realimentaria dificuldades econômicas. Isso se não houver tentativas mais ou menos camufladas de golpes ou o emparedamento do governo por um Congresso radicalizado à direita.

A discussão dos possíveis programas econômicos (por ora pastel de vento) parece desligada das dificuldades previsíveis de 2027, de incertezas novas e dos efeitos colaterais de uma tentativa de conserto das contas do governo ("o fiscal").