sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Orçamento de 2027 reflete descrédito fiscal do governo

Por O Globo

Equipe econômica fala em ‘superávit efetivo’ e ensaia ajuste. Mas não convence nem o próprio Lula

A dívida pública brasileira está em 82,5% do PIB, pela última medição do Banco Central. É o maior nível desde abril de 2021, no período da pandemia — e um patamar mais de dez pontos percentuais acima do herdado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É sempre importante lembrar esse fato para avaliar o compromisso do governo com o controle das contas públicas.

Confrontada com a escalada no endividamento, a equipe econômica costuma alegar que tem cumprido as metas fiscais estipuladas pelo arcabouço aprovado em 2023. E afirma que o déficit primário nas contas públicas melhorou de 2,4% do PIB no primeiro ano de governo para 0,5% na previsão para este ano. Os números estão corretos, mas são inócuos, tamanha a lista de despesas não consideradas no cálculo. Com as inúmeras exceções — criadas seja por necessidade, seja por conveniência política —, a dívida não para de subir.

Política não é um mundo paralelo, por Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

O momento democrático poderia ser mais bem aproveitado se a qualidade do debate melhorasse

As eleições constituem o principal instrumento para que os políticos ouçam, dialoguem e respondam à sociedade. Isso não quer dizer que os governantes e representantes também não tenham de prestar contas ao longo de seus mandatos. Ocupar um cargo eletivo sempre envolve ser monitorado e responsabilizado por seus atos. Mas é no processo eleitoral que os cidadãos têm mais força para listar as prioridades e buscar soluções para os problemas públicos. O que estamos vendo em 2026, infelizmente, é um uso muito insatisfatório e reduzido desse momento estratégico da democracia.

O Brasil passou por muitas transformações positivas desde o início da redemocratização. Nesta lista estariam o acesso universal à saúde, a expansão da educação para camadas sociais que tinham sido alijadas ou expulsas das escolas, a criação de políticas que reduziram a pobreza, a estabilização da economia com o Plano Real, bem como a adoção de programas para proteger o meio ambiente e minorias sociais, como negros, mulheres e indígenas. Tudo isso só foi possível porque houve eleições, com participação dos cidadãos, pressões de organizações da sociedade e apresentação de propostas por candidatos competindo entre si.

O testamento inacabado de Getúlio Vargas, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O discurso-testamento de 1951 falava em social-democracia e em protagonismo dos trabalhadores. Quando, enfim, até mesmo um trabalhador poderia chegar ao poder

No primeiro 1º de maio após seu retorno à Presidência da República, em 1951, depois da deposição em 1945 e 15 anos de poder e de ter sido novamente eleito presidente em 1950, Getúlio Vargas pronunciou um significativo discurso no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro.

A memória de Getúlio Vargas tem sido desfigurada e manipulada para nele ressaltar o ditador, que ele foi no Estado Novo, de 1937 a 1945. Ele foi um estadista peculiar, de um país atrasado, em que uma minoria de pessoas esclarecidas, como Roberto Simonsen, fundador da Fiesp, tinha clareza de que o Brasil tinha possibilidade de diferençar-se do que fora até 1929.

Alcolumbre aguarda as urnas para decidir sobre Moraes, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Chefes dos Poderes jogam com o tempo

Político astuto sabe a hora de agir. No “Grande Sertão: Veredas”, que completou 70 anos, Riobaldo afirmou que o líder dos jagunços, Zé Bebelo, não se tornou político como sonhava porque perdeu tempo. “Raposa que demorou”, lamentou.

Na maior crise institucional desde a redemocratização, os chefes dos Poderes jogam com o tempo antes de prestarem contas à sociedade sobre o escândalo vinculando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Sob pressão para pautar um dos pedidos de impeachment do ministro da Corte Alexandre de Moraes, de quem é próximo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), queixou-se das agressões que vem sofrendo, inclusive de colegas, e pediu tempo: “No momento adequado eu vou falar”.

Os Irmãos Cara de Pau, o Supremo e a agenda de Lula no Congresso, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A tensão deixou de envolver apenas dois ministros: as gravações arrastaram para o centro do palco o STF, a PGR e a própria PF

Cenas antológicas de “Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers)”, comédia musical dirigida por John Landis em 1980, parecem ter sido filmadas para servir de metáfora à atual crise política brasileira. Jake e Elwood Blues, interpretados por John Belushi e Dan Aykroyd, respectivamente, reúnem uma antiga banda para levantar o dinheiro necessário à salvação do orfanato católico onde foram criados. Acreditam estar numa “missão divina”, embora sejam perseguidos pela polícia, por neonazistas, por uma ex-noiva vingativa e por uma banda de música country.

No Bob’s Country Bunker, os músicos sobem ao palco protegidos por uma tela de arame, atrás da qual continuam tocando enquanto garrafas são atiradas pela plateia. Mais tarde, no grande concerto do Palace Hotel Ballroom, o espetáculo prossegue em meio à presença de policiais, rivais e adversários dispostos a capturar os irmãos. A confusão toma conta do salão, mas a banda não interrompe a música. O repertório se adapta às circunstâncias, o ritmo é mantido e o público dança em meio ao caos.

Alexandre de Moraes reage e pede a Fachin para investigar André Mendonça

Por Tiago AngeloGiullia Colombo  e Mateus Coutinho – Valor Econômico

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que André Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Ele também acusa o colega de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos nas investigações que tratam de um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do escândalo do Banco Master.

A solicitação, encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, acontece dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que citava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um contato atribuído a Moraes. Nelas, Vorcaro buscava interferir e obter informações sobre as apurações que o levaram a ser preso em novembro do ano passado. O episódio abriu uma crise sem precedentes no Supremo, agora intensificada pelo pedido para Mendonça ser investigado.

Moraes acusa Mendonça de crime de responsabilidade, por Renato Souza, Armando Holanda e Rafaela Bomfim

Correio Braziliense

Ministro do STF também aponta indícios de improbidade administrativa e abuso de autoridade do colega de Corte

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou o inquérito das fake news para acusar o ministro André Mendonça de crime de responsabilidade. A ofensiva do magistrado leva a mais alta Corte do país a uma crise sem precedentes. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de cinco dias úteis para que os dois se manifestem sobre o caso.

A iniciativa de Moraes é uma reação à decisão de Mendonça de derrubar o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo diálogos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que Moraes é citado.

Na decisão dessa quinta-feira, Moraes aponta "indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na relatoria dos inquéritos sobre as fraudes do Banco Master e os descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Moraes pede a Fachin investigação de André Mendonça por abuso de autoridade, por Luísa Martins e Ana Pompeu

Folha de S. Paulo

Ministro do STF deu decisão no inquérito das fake news e disse que colega agiu por motivos pessoais e políticos e que direcionou investigações

Moraes diz que ele e Alcolumbre foram alvos e que relatórios fazem imputações falsas contra outros ministros; Mendonça ainda não comentou

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

Vorcaro ri sozinho e lucra com crise, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Como os líderes do PCC e CV, Vorcaro mantém seu poder na prisão e lucra com a crise institucional

Assim como os líderes do PCC e do CV mantêm comando sobre as facções, mesmo presos em penitenciárias de alta segurança, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sustenta seu poder destrutivo contra as instituições, mesmo depois de meses trancafiado na Papudinha, em Brasília.

Tal como cooptou figuras centrais de Legislativo, Judiciário e Executivo quando era biliardário e estava solto, Vorcaro continua sendo personagem-chave na guerra que sacode a capital da República, com ação calculada para jogar os ministros do Supremo uns contra os outros e a Polícia Federal e a PGR no meio da fogueira.

Sem saída, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ruína da imagem do STF não tem solução fácil e deverá arrastar-se por anos

Excesso de foro especial é ao mesmo tempo ingrediente e agravante da crise

Se um juiz da Suprema Corte dos EUA for flagrado cometendo um crime, ele será julgado na primeira instância. No Brasil, não. Pela regra do foro especial, um ministro do STF só pode ser julgado por seus colegas do Supremo.

Supremo vai escolher entre expor ou esconder suas mazelas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É tarefa dos três Poderes responder ao imperativo de preservar a confiabilidade das instituições

A transparência exibe as chagas, mas pode cicatrizar feridas e impedir o alastramento da infecção

Daniel Vorcaro está preso, seu banco liquidado e a vida que previra construir arruinada.

Seria apenas o destino de um transgressor se na trajetória dos ilícitos não tivesse arrastado consigo ministros do Supremo Tribunal Federal, um procurador da República, parlamentares da cúpula do Congresso e quem mais ainda esteja por aparecer envolvido nessa macabra teia de cooptações e traficância de influências.

Ao que já se sabe, foram-se os anéis. Resta agora aos verdadeiros defensores do Estado de Direito impedir que se percam os dedos, na metáfora representados pelas instituições pilares da República.

Lula sem ideia nova e com nota ruim, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com nota tão ruim quanto a de Jair Bolsonaro, presidente fica perto de fundo do poço

Programas de benefícios sociais, redução de impostos e facilitação de crédito não fazem efeito

O que a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia fazer diante dos fatos de que a avaliação de seu governo piora sem parar desde julho e de que na prática está empatado com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno? O que mais virá nesta eleição no meio da lama da guerra jurídico-policial? Alexandre de Moraes e André Mendonça estão à beira das vias de fato, do duelo, no Supremo e muito mais. Difícil saber o que o eleitorado vai fazer disso.

Setembro sangrento, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em guerra aberta, Mendonça e Moraes sabem que resultado da urna também definirá futuro da Corte — e deles próprios

Em conversa recente, um ministro do Supremo previu a chegada de um “setembro sangrento”. Falava da eleição presidencial, não da crise que estava por explodir na Corte.

A um mês das urnas, é difícil encontrar a fronteira que deveria separar os dois assuntos. Tudo se mistura no noticiário e na cabeça do eleitor, bombardeado por cifras milionárias e sinais explícitos de corrupção.

As novas suspeitas sobre o ministro Alexandre de Moraes inflamaram a militância bolsonarista. Depois do fiasco no lançamento da campanha em Copacabana, o PL espera usar o caso para arrastar uma multidão à Avenida Paulista no 7 de Setembro.

Salvem a democracia, não Moraes, por Pablo Ortellado

O Globo

Seus erros e acertos viraram erros e acertos do Supremo

A crise no Supremo precisa ser enfrentada com o afastamento do ministro Alexandre de Moraes. Desde a abertura do inquérito das fake news, o STF conferiu poderes demais a um indivíduo para atuar em defesa da instituição. Seus erros e acertos na condução do processo viraram erros e acertos da Corte.

Agora, é preciso que suspeitas sobre má conduta em sua vida profissional não virem suspeitas sobre má conduta da instituição — e comprometam a legitimidade das condenações dos atos antidemocráticos. É preciso afastar Moraes para salvar o Supremo — e para salvar a democracia.

Confusão, silêncio e gargalhadas, por Vera Magalhães

O Globo

Tática dos enredados na teia de Vorcaro é fazer um fogo de encontro que iguale as suspeitas e evite qualquer apuração célere

A tática dos enredados na teia cada vez mais ampla de Daniel Vorcaro para evitar que suas relações com autoridades sejam investigadas a fundo e gerem consequências está clara: apostar na confusão embalada por um silêncio que só não é mais aviltante do que as sonoras gargalhadas, daquelas de sacudir o corpo todo, em que ministros do Supremo Tribunal Federal foram flagrados pelo repórter fotográfico Brenno Carvalho, do GLOBO.

Emprego e trabalho, por Ivan Alves Filho*

O que estamos presenciando no mundo hoje não é o fim do trabalho, mas o começo de um trabalho qualitativamente diferente. E esse trabalho com uso de algoritmos - pois é dele que estamos falando - tem várias dimensões, a começar pela dimensão digital. No entanto, é preciso verificar que ele se manifesta também em atividades de base extrativista e industrial, operando em cadeia. Alguns estudiosos vêm chamando a atenção para isso. 

Poesia | Busque amor novas artes, novo engenho, de Luís Vaz de Camões

 

Música | Dorival Caymmi - É doce morrer no Mar

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ou STF é ágil sobre Moraes, ou Senado será

Por O Globo

Diante dos fatos, Fachin falou em evitar precipitação — mas risco maior está na procrastinação

As revelações sobre a proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, artífice da maior fraude bancária da História brasileira, deixaram o país estarrecido. Elas exigem providências imediatas, sem tergiversação. Por isso deve ser repudiada com veemência a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que defendeu a nulidade das provas recolhidas pela Polícia Federal (PF). O presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem o dever de convocar com urgência o plenário da Corte para examinar a questão.

Em resposta ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que as provas deveriam ser anuladas, alegando não caber a um juiz como Mendonça conduzir investigação, prerrogativa do Ministério Público. Ora, em nenhum momento Mendonça pediu para investigar Moraes ou conduziu inquérito. Apenas, tendo esbarrado em mensagens descobertas de modo fortuito, pediu que a PF, por meio de perícia técnica, descobrisse formalmente quem era o destinatário. Uma vez elucidada a dúvida, fez o que manda a lei: solicitou manifestação da PGR e informou a presidência do STF, levantando o sigilo diante do interesse público e pedindo exame presencial do plenário.

Sobre o vício e o lucro, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Só quem pode remediar um pouco a tirania viciosa do capital é a ordem democrática

O capital remunera o vício, jamais a virtude. Muita gente desconhece, e mais gente ainda insiste em desconhecer, mas é assim que é. Só quem pode remediar um pouco a tirania viciosa do capital é a ordem democrática.

A história nos dá provas disso. Foram as democracias nascentes que impuseram aos primeiros industriais, contra a vontade deles, os direitos trabalhistas. No século 19, em Londres, crianças trabalhavam em jornadas extenuantes dentro das fábricas insalubres como parte da normalidade. Não, não foi o capitalismo que assegurou as garantias mínimas de saúde e dignidade, mas a política. A ideia de justiça não faz tilintar a caixa registradora.

Lima Barreto, a Constituição de Bruzundanga e a crise no Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Supremo se reuniu, mas não tratou do assunto. Havia muita tensão no ar. O presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu a gravidade da situação

Descendente de escravizados, Lima Barreto (1881-1922) foi um ponto fora da curva na literatura brasileira. Negro, pobre e vítima de preconceito, conheceu por experiência própria os mecanismos de exclusão da República recém-instalada. O autor de Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909) e Triste fim de Policarpo Quaresma (1015) denunciou o o racismo, o bacharelismo, o arrivismo político e a distância entre as instituições e a sociedade.

Em Os Bruzundangas (1922), sua obra mais política, Lima Barreto construiu uma sátira devastadora dos primórdios da República, que permanece atual um século depois. Imaginou um país cuja Constituição proclamava direitos universais, mas continha uma cláusula destinada a proteger os poderosos da “situação”. A Justiça de Bruzundanga era chamada de “Chicana”.

Brigas e crises agitam Brasília, por Míriam Leitão

O Globo

STF vive crise sem precedentes, AGU ignora pedido da PF na briga com André Mendonça. Alexandre de Moraes tem explicações a dar ao país

A maior crise da história do Supremo terá que ser enfrentada pelos ministros com a consciência de que é a confiança na democracia que está em jogo. Se o ministro Alexandre de Moraes, que colocou tantos golpistas na cadeia — um fato inédito no país — não for cobrado pelos indícios fortes de ligações indevidas com Daniel Vorcaro, vai se diluir a confiança na própria instituição. Um dos ingredientes dessa crise é uma guerra aberta entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça. O momento da divulgação não podia ser melhor para o bolsonarismo: falta um mês para o primeiro turno das eleições gerais brasileiras.

O lado escuro, por Merval Pereira

O Globo

Será uma vergonha se, mais uma vez, o STF tentar proteger um de seus integrantes, como fez com o ministro Dias Toffoli.

Não há possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes continuar no Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo menos ele deveria se afastar enquanto as investigações acontecerem. Será uma vergonha se, mais uma vez, o STF tentar proteger um de seus integrantes, como fez com o ministro Dias Toffoli, diante de tantas evidências. Não é possível nem ter vergonha alheia, porque ela é nossa também, de fatos assim acontecerem na mais alta Corte do país. Ninguém acredita mais que o STF seja capaz de cortar na própria carne, de fazer mea-culpa, de punir quem merece. O presidente Edson Fachin, que vende a ideia de um código de ética, tinha de ser muito mais contundente, mais afirmativo. Soltou uma nota muito bem escrita, mas que no fundo não diz nada, apenas que analisará o caso com calma.

Gonet toma decisão que beneficia a si próprio, por Julia Duailibi

O Globo

O procurador-geral não deveria ter pedido a nulidade de um caso que trata dele mesmo

O procurador-geral da República tomou uma decisão que beneficia a si próprio. No relatório em que a Polícia Federal (PF) aponta as conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de MoraesPaulo Gonet aparece como uma das autoridades na teia do ex-banqueiro, seguindo à risca o roteiro já manjado de viagens, degustações e pedidos de favores. O procurador-geral da República, no entanto, não veio a público se explicar. Pelo contrário. Disse que as revelações da PF deveriam ser anuladas.

A campanha no meio de uma praça de guerra, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Lula e Flávio não passarão incólumes ao desfecho do conflito no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal conseguiu adiar o conflito ao dizer que tomará as medidas ‘cabíveis e necessárias’ tanto sobre o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com o Master quanto sobre os procedimentos do relator, André Mendonça, na condução do inquérito.

Com o feriado de 7/9, o relatório com o qual Mendonça pedirá que o plenário do STF abra o inquérito só deverá chegar à mesa de Edson Fachin na terça. A sessão deliberativa pode acontecer no dia seguinte.

O relatório da Polícia Federal foi o fato de maior volume de menções nas redes sociais, em suas primeiras 24 horas, registrado este ano, de acordo com o Democracia em Xeque. O tema deve se manter aquecido até o feriado, quando uma manifestação bolsonarista vai martelar o tema até para retomar as chances de eleger, ao Senado, uma maioria pró-impeachment. É sob o impacto da véspera que os ministros vão deliberar.

Urgente debate da nova regulação financeira, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Tema ganha nova relevância com a derrocada do Banco Master, considerado o maior escândalo do sistema financeiro brasileiro

O tema é árido, mas tornou-se absolutamente relevante neste século em que as operações financeiras se multiplicam com a ajuda dos avanços digitais, além da proliferação de instituições montadas em fundos de investimento e em outras atividades que até pouco tempo eram típicas dos bancos tradicionais. Sabe-se que nesse ambiente, o ilícito encontra meios e formas de fazer circular o dinheiro sujo sem maiores obstáculos.

Desde a crise dos sub primes de 2008, muitos países passaram a dedicar mais atenção à regulação e à supervisão do sistema financeiro. Como se recorda, aquela crise originou-se na alavancagem dos bancos norte-americanos tendo por base créditos inadimplentes de financiamentos imobiliários. No Brasil, o tema ganhou urgência com a derrocada do Banco Master.

A crise institucional do Supremo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Crise atual envolvendo Moraes coloca a Suprema Corte numa situação irreversível

Os donos imediatos do poder estão hoje na cúpula do Judiciário e do Legislativo. São, ao mesmo tempo, os que constrangem e funcionam como fiadores do chefe do Executivo, cuja reeleição é vista como essencial para que as coisas continuem mais ou menos como estão – daí a aliança que consagraram em público. O erro de cálculo político até aqui é o tamanho da crise do STF. Ela se precipitou não apenas pelo que a Polícia Federal encontrou nos celulares de Daniel Vorcaro sobre a promíscua relação com Alexandre de Moraes, que surge dali como uma espécie de advogado do banqueiro chefe de um esquema criminoso.

STF pode decidir salvar Moraes, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Apesar dos indícios de que o ministro tinha relação imprópria com Vorcaro, opção pode ser blindar a Corte

Mesmo com indícios contundentes para justificar abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem motivos para assar uma pizza em cima do relatório da Polícia Federal (PF). Se o caso desaguar no plenário, estará em julgamento não só a relação supostamente imprópria entre Moraes e Daniel Vorcaro, mas a credibilidade da Corte.

Avacalhação da Justiça não tem fim, mas turma poderia dar uma trégua até o fim da eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Degradação do STF é antiga e vai longe, mas é preciso conter manipulação eleitoral

Presidentes da República, Congresso e tribunais superiores criaram promiscuidade

A eleição para presidente até agora está sendo disputada em grande parte na delegacia, nos corredores do sistema de Justiça. Está evidente no embate entre André Mendonça e o enroladíssimo Alexandre de Moraes, ambos com conexões fortes na Polícia Federal e na política politiqueira. Ficou evidente no pinga-pinga das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha das más companhias, no mínimo.

Está evidente na dosagem de vazamentos que até agora acertam mais em Luiz Inácio Lula da Silva. A PF se profissionalizou de fins dos anos 1990 a 2018. Agora, há de novo grupos da fuzarca, uns pró-Bolsonaro, uns pró-Lula.

Dos atuais dez ministros do STF, três foram Advogados-Gerais da União (AGU): Gilmar Mendes (de Fernando Henrique Cardoso), Dias Toffoli (de Lula) e André Mendonça. Um foi ministro da Justiça e AGU: Mendonça, de Jair Bolsonaro.

STF em ponto de não retorno, por Eloísa Machado de Almeida

Folha de S. Paulo

Mendonça rejeita solução a portas fechadas ao retirar seletivamente sigilo de relatório da PF

Vazamentos calculados e seletivos também fizeram desconfiança se alastrar pelo tribunal

Os desdobramentos do caso Master fizeram o STF (Supremo Tribunal Federal) entrar na maior crise de sua história. Isso porque, na esteira das investigações sobre fraudes contábeis e financeiras bilionárias, tem sido revelada uma rede de influência que abrangeria deputados, senadores, servidores do Banco Central e membros da corte.

Nas conversas oriundas do telefone apreendido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e em documentos da investigação, ministros do Supremo figuram realizando negócios com o banco, recebendo mimos e viagens, debatendo casos de interesse de Vorcaro em reuniões privadas, além de terem seus familiares contratados pelo banco.

Os ministros Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, além do próprio André Mendonça e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparecem nessa ampla rede de influência.

Duas propostas para a segurança pública, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Tema é o que mais distancia centro-esquerda da extrema direita na eleição

Proposta de Lula aposta em coordenação de ações em âmbito nacional e com países amazônicos

A segurança disputa com a saúde o primeiro lugar entre as preocupações dos brasileiros. Com razão: a violência faz parte da áspera experiência cotidiana da população, especialmente dos pobres, em casa ou na rua; praticada por um parente, por desconhecidos, pela polícia.

Discute-se qual será o lugar do assunto na próxima disputa pelo Palácio do Planalto. Seja qual for, a importância da segurança como aspiração coletiva justifica o exame das propostas de governo dos dois candidatos que hoje lideram a corrida pela Presidência. Nenhum outro ponto distancia tanto a centro-esquerda da extrema direita.

Na crise institucional, a régua tem que ser a mesma para todos, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Em ano eleitoral, os riscos associados a quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam

André Mendonça tem obrigação de adotar os mesmos procedimentos para todos e deveria derrubar o sigilo de 'Dark Horse'

A crise institucional pela qual passa o Brasil é tão grave que a sociedade perdeu totalmente o parâmetro de confiança nos principais atores da cúpula da República.

Em ano eleitoral, os riscos associados a esse quadro de descrédito para a democracia e a economia se multiplicam.

No Supremo, são os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli envolvidos diretamente com Daniel Vorcaro sem dar explicações.

Os demônios estão à solta no Supremo, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

O que importa saber é como e por quem os demônios das ambições serão contidos

Por transparência, todo o sigilo das investigações do Banco Master deve ser levantado

Se os ministros do Supremo fossem anjos, nenhum controle sobre eles seria necessário. Se anjos julgassem a nós, os homens, não seriam necessários controles externos nem internos.
Ao instituir um tribunal que será administrado por homens sobre homens, a grande dificuldade está nisto: primeiro, é preciso capacitar o tribunal para julgar seus jurisdicionados; em seguida, obrigá-lo a controlar a si próprio.

Eis aqui a licença poética de (mal) parafrasear uma das maiores passagens da filosofia política ocidental: James Madison, em "O Federalista", número 51, de 1788.

À procura de insuspeitos na Justiça, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Uma instituição desinstitucionalizada precisa de outro nome

Procure a coerência jurídica, aquela estabilidade rotinizada que nos permite saber qual rito será seguido

Procure quem não foi a fóruns de Lisboa, não participou de festa em Trancoso, degustação de uísque e charuto em Londres; quem declinou convite à amizade de Vorcaro, Esteves, irmãos Batista, bet-boys; quem evitou frívolas trocas de WhatsApp terminadas em "kkk" com os novos amigos ricos.

Procure agora quem não tem empreendimento privado financiado por empresa interessada no tribunal; ou instituto que vende serviços ao poder público; quem não pegou "carona" em aviões particulares, quem não frequentou camarotes em Mônaco ou em jogo do Real Madrid.

Quão tardia foi a percepção pública da gravidade?

Com a ditadura no bolso, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se vencer, Flávio B. subirá a rampa com um subitamente lépido Jair Bolsonaro sem soluços

Não será surpresa se, ao receber a faixa do antecessor, ele disparar uma cusparada em Lula

Diante da hipotética possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial (afinal, está concorrendo), vamos a um rápido e razoável exercício de adivinhação sobre o que poderá acontecer. Na posse, como já prometeu, ele subirá a rampa do Planalto de braço com seu pai, um subitamente ágil e lépido Jair Bolsonaro, sem soluços e com os movimentos peristálticos funcionando. Ao receber a faixa das mãos de seu antecessor, não será surpresa se Flávio B. retribuir esse gesto democrático com uma cusparada no rosto do ex-presidente.

Poesia | Soneto da saudade, de Guimarães Rosa

 

Música | MPB4 - Por quem merece amor

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF deve cobrar explicações urgentes de Moraes

Por O Globo

Mensagens com apelos de Vorcaro às vésperas de ser preso põem ministro em xeque

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes continua a dever explicações convincentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master preso por ter comandado a maior fraude bancária da História do Brasil. O relatório da Polícia Federal (PF) revelado nesta terça-feira traz indícios que expõem um grau de proximidade entre Vorcaro e Moraes incompatível com a isenção e a imparcialidade indispensáveis a qualquer magistrado, ainda mais a um ministro da mais alta Corte do país.

No relatório, cujo conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo, a PF atribui a Vorcaro mensagens endereçadas a Moraes, enviadas por um sofisticado mecanismo destinado a proteger a comunicação. Segundo a apuração dos investigadores, é possível afirmar que Moraes é o destinatário dessas mensagens. Suas respostas a Vorcaro não foram encontradas, porém, porque seu celular não foi periciado.

Vorcaro arrasta ministros do STF para o centro do escândalo do Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A PF investiga uma mensagem que cita seu diretor-geral; a PGR deve esclarecer diálogos que citam seu procurador-geral; e o Supremo precisará decidir se investiga seus ministros

Uma discussão acalorada entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, ocorrida nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, é a manifestação de que o caso Master arrastou o STF para uma crise muito grave. O escândalo, agora, alcança ministros da mais alta Corte do país, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a direção da Polícia Federal (PF), justamente as instituições responsáveis por investigar, denunciar e julgar crimes praticados por autoridades.

Mendonça empurra Moraes para a fogueira e incendeia a eleição, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Com pedido para investigar ministro por suspeitas graves, STF mergulha em crise inédita

As revelações de ontem lançaram o Supremo Tribunal Federal numa crise inédita em 135 anos. No olho do furacão, misturam-se suspeitas graves contra um ministro, a guerra intestina na Corte e a eleição presidencial.

Um relatório da Polícia Federal escancarou as relações perigosas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na mira de investigações, o banqueiro recorria ao ministro em busca de conselhos e proteção.

Três dias antes de ser preso, o pivô de fraudes bilionárias se desmanchou em mensagem ao juiz: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”.

No dia seguinte, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país: “Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Foi interceptado com o pé no jato, quando tentava decolar para Dubai.