O Estado de S. Paulo
Ataques e mentiras que ‘viralizam’ nas redes são o novo vírus a favor do crime e de criminosos
O que tem em comum PT, bolsonarismo, governos, oposição, Daniel Vorcaro e tantos poderosos por aí? O uso despudorado da internet, seja com robôs próprios, seja com muitos que se intitulam “influencers” e contam com a má-fé ou a ingenuidade de quem acredita em fake news e espertalhões e são inocentes úteis para massificar mentiras ou meias-verdades maliciosas.
Isso virou uma praga, que distorce a realidade, confunde a sociedade, desqualifica profissionais, autoridades e instituições e ameaça o princípio moral, ou sonho, de que o bem sempre vence o mal. Os ataques são sofisticados e cruéis, inclusive contra jornalistas.
O Banco Master é um exemplo contundente de
corrupção, relações promíscuas entre público e privado e de como tudo isso vai
parar na internet, numa guerra de versões. Pagar e receber até R$ 2 milhões
para propagar mentiras contra o Banco Central é de uma audácia incrível.
Indefensável, Vorcaro não tinha como recorrer
a argumentos e dados e decidiu financiar um ataque digital em massa, com ódio e
inverdades, em três etapas: pressionar pela venda para lá de suspeita do Master
a um banco público, o BRB, de Brasília, evitar a sua liquidação e, por fim,
tentar o cancelamento dessa liquidação.
De Vorcaro, pode-se esperar tudo. E dos
“influencers”? Estão livres para mentir e manipular por dinheiro? Na propaganda
de produtos, de sabonete a carrões, há regras e um selo obrigatório nas
diversas mídias, distinguindo conteúdo “patrocinado” de conteúdo jornalístico.
No caso deles, não.
Na esfera política, o uso das redes pelo
Master corresponde à campanha contra as urnas eletrônicas em 2022, com a
participação, inclusive, de um hacker que já tinha sido condenado e preso, mas
chegou a frequentar o Alvorada e a Defesa. Num caso, o líder da campanha foi
Vorcaro. No outro, Jair Bolsonaro.
Há, ainda, a campanha do deputado
bolsonarista Nicolas Ferreira criando o pânico contra mudanças no Pix, com
tanta eficácia que o governo atual voltou atrás. Coisa de profissional, Nicolas
foi “apenas” o ator.
Há formas e formas de usar a internet para
campanhas de ódio, mentira, desqualificação, manipulação da fé, abuso de
crianças e propaganda, ora contra vacinas que salvam vidas, ora a favor de
falsos medicamentos que ameaçam a saúde. Tanto por IA, com uso de imagem e voz
de celebridades, quanto por médicos em carne e osso, o que é ainda mais
repugnante.
Quando posts e campanhas do “mal” viram sucesso e impactam o maior número de pessoas, diz-se que “viralizaram”. Boa definição. Esse vírus ou praga se espalha rapidamente e destrói a verdade em favor de criminosos.

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